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pelo

rosto,

infinitamente,

como

uma

gota

de

cera

pelo

fuste

de

um

cr'rio E dcpoiii cantava as orações com a doçura feminina de uma

virgem aos pés dc Maria, alto, trémulo, aéreo, como aquele pro- 'lígio ceícste dc garganteio da freira Virgínia em un» romance do

 

"

-'•ro

Bastos

(cap. IV) .

 

ha

caricatura

c m O Ateneu

encontra-se n o

"ííirf

k mais contínua, ampliando-se d e ta l forma

 

i

,

fronteira

estabelecida

muitas vezes ténue

 

/aricatura

progressiva

infere-se

a

partir d a es-

)mc d o personagem:

Aristarco Argolo d e Ra -

 

^-

/itmo

definido

e significado

preciso:

o ótimo

c

de crise existencial va i ter , a partir d o final d o século

Brasil, um a crescente importância. A fratura d e um a vida inte-

rior torna-se a perspectiva d e análise d e u m sujeito atemorizado, satírico o u melancólico. A consciência e m seus desníveis dura- cionais encarrega-se d e revelar o choque entre o s seres e passa a dispor d o único instrument o d e mensuração. Apenas as mar - cas indeléveis afetivas serão o s pontos d e convergência d e um a insatisfação.

XIX ,

n o

o u d e adulto, estará cristalizada e m

tomo d e u m desejo impossível, d e um a questão insolúvel. E m

volta

sente e a do r d a solidão: consciência e ação estão radicalment e separadas.

haverá como realidade, apenas a s fantasmagorias d o pre-

Memória d e adolescente

^'

primeiro

capítulo

é

dinamicamente,

traçada

o

O

Ateneu é o romance autobiográfico d o desencanto e d o

 

^

; o d o pedagogo

doiiblé

d e financista

educacio-

Mal , fixado po r um a linguagem exasperada d e u m imaginário

•5

5>'

; sempre

o significado paranóico d e grandeza

e m

disposto à condenação d o passado e m benefício d a purgação d o

 

CÍ;

redundânci a isotópica : " a obsessã o d a

pró -

presente. Sérgio-narrador

interpreta tudo e co m isso multiplica

 

^ "^os"

Assim,

o tema d a memória qu e compõe a própria

^

-o

'srrativa

acha-se

ridicularizado

n a su a conotação

<3

o

posteridade.

A estátua

passa

a

se r o

moment o

d a letra

S

plificação

deste

significado,

tomado

a o pé

 

.

/XI , quando,

n o auge

d o

builesco,

Aristarco

se

 

•2

PP

5

«

^

lí?

^ntía-se

estranhamente

maciç o

por

dentro,

como se

houvera

 

^

p gesso.

Parava-lhe o sangue nas artérias comprimidas. Perdia

ff

co"

»saÇão da roupa; cmpcdcrnia-sc, mineralizava-se todo. Nã o era

>

S

/ ^'^'^ humano: era um corpo inorgânico, rochedo inerte, bloco

 

5f

-l í

«escória dc fundição,

forma

de

bronze,

vivendo

a vida

ex-

&0"

^

Jor das

esculturas,

semÀÇfonsciência,

sem

individualidade, morto

^

/vT

^ cadeira, oh, glóriafl mas

feito estátua.

 

0^

^

&

^

o

§

§

3mo

assinalou

Bergsor»,

o cómico profissional

qu e identificam e

S mentais

e particularidades

deriva do s

|

f

^

mecanizam

^

'2

alividades

n o seio

d a organização social,

tornando-as

iso-

s?

03"

o á, proveniente d o senso

' ® rilualísticas".

É

cas o

e m O Ateneu

d a reiterad a

comu m

qu e afirma se r a

educação

iso -

a sacerdócio". Daí, o nível cada vez mai s concretizante

O

recurso

veiculado

pela

a o romance

autobiográfico

assumido pelo con-

ceito n a caracterização d o "Júpiter-diretor", co m su a "fúria

tonante", nível mítico porém reduzido n o exercício cotidiano d o

charlatanismo

sátira.

e m qu e u m narrador

e m

profundo

estado

d e frustração resolve coutar um a situação

144

as fixações d a angústia pel o travo d a ironia. Autopunição e destruição desempenham u m papel essencial: a relação d e opo- sição qu e rege se u mundo verbal separa para sempre a criança do adulto.

_Lima „

Barreto.: .

Mostrar. ^ :Oii _

Significar ?

Quando

Lima

Barreto/publicou e m Í909) a s Recordações

do

escrivão Isaías Caminha, io romance brasileiro já d e muit o s e

adentrara

nadas para o género são a s mais ú&paíhS'. esttido "ctentífico",

pintura d e costumes, análise psicológica, ficção espintualista o u decadente. Assim, o romance torna-se histórico, simbolista, so -

e m u m sincretiámo

acentuado,,,

As^^possibilidades

ace-

cial, político,

psicológico,

naturista,

e m algumas

da s múltiplas

denominações

qu e recebe.

Predomina

uma

coexistência

se m

im -

posição, n a ausência d e estética diretora qu e pudesse conter todas

as ambições. Há tendência nítid^^ a u m menosprezo pelo en -

redo, desprestigiando-se o s lÂeandros d a trama e m benefício d e estudos psicossociais, d o ensaio filosófico, d a autobiografia o u da poesia. Thibaudet, e m 1912, distinguia o romance ativo, iso-

o romance bruto, pintando um a época (tipo

lando

um a crise,

145

um a vida

novel, bildungsromanY^. O reinado oficial d a ficção é n a

^França , dividido entre Picrr c Lxiti, Mauric c Barres, Anatol e Fran -

\_(ltíe

Guerra

e paz),

e

o

roniaiiCe passivo,

desenvolvendo

e Paul Bourget. Brasi l geraram.

cc

co m enorme

São estes mesmos autores exportados para o

ao s subprodutos qu e

freqiiência,

somados

d e fisiologias e

espiri-

lualizantc ve m trazer algumas contribuições para o romance, so -

d e Meredith ,

a ne - con-

bretudo

assim

de

O surgimento d e uma

determinismos

depois

nova geração

como

cansada

ambientais

maior

d e simbologia

proclama

dimensionados,

d a

divulgação

complexos,

n a Europ a

Gide

Dostoievski,

cessidade

Gogol , Turgueneff,

mais

Stevenson.

mais

d c heróis

traditórios como o s d e Dostoievski.

d e Gide, Proust, Claudel , Valecy, ,se

por volta d e 1900 já tinha obras publicadas, somente depois d a segunda década d o século vint e consegue reconhecidament e um

público. O qu e ainda predomina- neste cadinho inicial anterior à

são os romances "totalistas", poéticos, espiritua-

listas, analistas, numa superabundância impressionante. Exist e uma pequena burguesia leitora e consumidora d e narrativas para suas horas d e lazer e em grande parte desttna-se a el a a produção industrial romanesca. Nasce nessa época a publicidade dirigida ao campo editorial e o novo autor c conhecido d a noite para o

guerra d e 1914

Entrento,

esta

geração

dia a o obter algum do s inúmeros prémios instituídos. Fazem-se génios co m imensa frequência ma s su a duração n a maiori a da s vezes é meteórica. A imprensa torna-se rival d a literatura.

duas

d a ficção" tem e m su a base

hostes distintas, a primeira decidida a compreender, analisar e

comunicar

à captação e transmissão d e estados d'alma, impressões fugidias c

Esta

"querela

a

vida

a

lut a entre

e

a

segunda,

mais

"bergsoniana",

inclinada

, V^particulares. A tensão entre p acontecimento e o sentido, o valo r

n o final d o século XD C

problema

a

/ViíVf''^^^ancdótico e o valor simbólico, é encarada

;Vi

i'>P'í^

'

!

e

estético para

opção fundamental

início d o século

o

X

X

como

geradora

romanesco,

dependendo

d o autor.

d e fundamental

d e se u questionamento

Entretanto,

este não é u m problema nov o

d a ficção:

sempre

esteve

presente

e resolvido

dentro

das obras

do s grandes

criado-

res.

aberto,

ticos da s próprias obras''ao discujir definições metodológicas, téc-

Henr y

nicas

James.

crí-

u m debate claro e m campo

Agora, apenas, ve m à tona para

mostrando-se

e filosofia

os

escritores

inúmeras

vezes

excelentes

d a composição, como é o caso d e Gide e

146

A

crise

d o enredo

é o reflexo d a discussão permanente

en-

^ \

{re òs

'.^escritores

do

x6al"

e

o s _^íertóaístâs^.

Entretanto,

"uma ^

observação atenta

desenvolvimento

histórico

d o género

mos -

trará qu e o romance como ocasião para

•confidencial,

e outras,

social,

filosófico,

considerações d e caráter

sempre

existiu.

A tensão entre o rnosjrar e o signijicar constrói a importmí^°|

ambiguidade d o romance: ehvolvinienTò"clas "fãculcládes críti^^l

-dd leitor

pela'criãçãÕ~dé'iJLm mund o qu e o atrai a e seja

simu(ta?^> ,

^ament e

Jont e

d e medição

do s problemas

humanos , pi.

reálT- i

jj

-daâe apresenta-sê^còmô^camínho

ficciona!

turalistas está n a solução aventada para tão important e problema: i a o se definirem por u m romance d e tese, introduziram as "ideias" \ na ficção mas não s e aperceberam que construíam uma trama para \ dar soluções e não para problematizá-la. Observe-se qu e o me - lhor d e Zola é o qu e foge ao s dogmas "experimentais". O s imi - tadores medíocres acabaram po r repetir a fórmula da s neuroses, histerias, casos patológicos e análises ambientais movidos po r u m pessimismo negativista e sem saída.

pãrã"u ^

o

mund o j

carregado

d e significações.

O erro fundamental do s na - \

tensão

-que constrói a obr a

pecial

esta

È

fundamenta l

d e Lima Barreto,

entre

o

mostrar_ e o

significar

assegúráffdo-Ihe posição es -

entre o s autores

d o começo d o século.

\ tradição sociológica

da

literatura \

Ligados à tradição e cultura francesa, o s intelectuais brasi- leiros assistiam co m interesse o desenrolar d a longa discussão sobre o romanesco. Tomava-se conhecimento através d e periódi- cos então muit o e m voga e d e grande circulação: Nouvelle Ré- vue Françoise, Fígaro, Révue Blanche, Révue Bleue, Révue Wag- nérienne, Mercure de France, Journal des Débats, Révue des Deux Mondes entre outras e situavam-se partidariamente contra o u

a favor das teses esboçadas. As discusões sobre o processo narrativo não chegavam aqui levantando as oposições veementes recebidas d o outr o lado d o

mundo: ainda muit o devíamos a o Naturalismo qu e po r aqui pas- mou deixando sequelas. O s mestres franceses d a ocasião era m

imitados

d a primeira geração sim-

Ijolista trouxe à hm\a_ problemas fundamentai s como a distinção entre prosa e poesia, a validade d o símbolo, a alquimia ver- bal, entre outros, mas fo i u m tanto esmagada pela presença d o Par-

co m

êxito

momentâneo e

O

d e salão,

sendo

o

Parnasia-

nismo

a chave

d o sucesso.

advento

147

naso reinante. Tcntavaiii-sc análises à Bourget, o exoti.smo d c Loti , o iniprcssiouismo irónico d e Anatol e France; alem disso,

seus

grande

aceitação, consumidos e m

subprodutos

escala.

tinham aqui

enorme

Lima

Barreto,

nessa

encruzilhada

d e valores, de£ine-sc

pelo '

caminho d o compromisso co m um a concepção artística de^aráler 'sociológico, er a qu e a arte é concebtdã~cõiiíõ~fórníã d e aproxima r

b

cie, o "destino

solidarizar

o s homens

comum. d a literatura c tornar sensível, assimilável,

n a busca

d a felicidade

Par a

vulgar,

esse grande ideal dc poucos a todos, para qu e el a cumpra

ainda

,/

/

ve z a missão quase divina"^". Deve Lima Barret o especificamente a alguns intelectuais essa

concepção estética: Taine, Brunetjère, Tolstói e^ sobretudo, Guya u

d e muit o sucesso íias

correntes socíológico^iíéfáriãsdo fi m d o século, a quem cita c m inúmeros textos.

u ma

d e L'Art

du point dc vuc sociologiquc,j^wro

É

sobretudo

no s artigos

sobre

a

literatura

publicados

e m

revistas

e jornais d a época,

atualmente

reunidos

n o volume /m- _

\ dc leitura, qu e s e encontr a

\o

literário

d e Lima

a

Barreto,

mai s

ponto

important e

d e

documcn -

\, partida

para

compreensão

da s características

d e

su a obra.

O s

•4 autores

social

I a respeito d a orige m e função

l^írito humanizador e socializante d o romancista. Às teorias d e Taine pertcniccm alguns princípios'"básicos constantemente utili-

acima

citados

te m er a comu m

u m pont o

d e

vist a

d a art e qu e se coaduna

co m o es -

zados

tem. po r fi m dizec o

d o

po r Lima

Barreto

como

argumentação:

fatos

" A obra dizeni", é

que,,os

citada

simples

não

teórico francês

co m grande

freqiiência-^.

d e

a

arte

frase

/ Assim,

neste

pensamento

men o

artístico c u m fenómeno

pragmático,

social

e

afirma

d a

Art e

qu e o é social

"feno- >

par a

;

L/não dizer sociológico"

{I.L.,

p .

o 56) . Sente-sej t

nítida presença

;

I jainiana.n a preocupação d e estudar a arte através do. relaciona- •

1\o co m a civilização qu e a gerou^ revelando

a

alma e

a vida

j

'\^o

artista e d e sua,época.

Seguindo essa orientação estética. Lima

Barret o defende com.

ardor

a

presença d a sociedade

como

elemento

gerador

e

deter-

minant e

d a própria

organização

artística; e m consequência,

tam-

bém para o crítico,

seus critérios d e valor abrigam elementos in -

\s d a ambiência social.

^egu e

d e

pert o

Par a

compreender

um a obra

n a

as recomendações

d e Tain e

d c arte, Philosophie

de

Vart, qu e preconiza "representar coj n exatidão o estado geral d o

espírito e do s costumes d o tempo a qu e pertence"^.

peratura mqrail' 1 d o Brasil qu e Lun a Barret o pretende revelar

E

é

a

Vtenv;

m

através d e enredos e personagens carreadores d a problemática d a época. Tentando expressar a Beleza "põr "meio do s eleniêníõS"" .artísticos e literários, d o caráter essencial d e um a ideia mai s com- spletamente d o qu e el a s e acha expressa no s fatos reais" \p. 59) , mai s um a ve z acompanha Taine , para que m o verdadeiro artista possui esse do m d e síntese d o caráter essencial do s obje- tos: "o s outros homens vêem apenas partes, el e apreende o con - |

/

1

junt o

e

o espírito"^.

''

 

A

obra d e arte n a concepção d o romancista brasileiro ja -

mai s

estará ligada à especulação abstrata,

ma s repousa

sobre u m

"pensamento d e interesse humano" qu e desenvolve apoiando-se

nos

traços dominantes.

E explicita:

Sendo assim, a importância da obra literária que se quer bela sem desprezar os atributos externos de perfeição dc forma,, de es- tilo, de correção gramatical, de ritmo vocabular, de jogo e equi- líbrio das partes em vista de ura fim, de obter unidade na variedade; uma tal importância, dizia eu, deve residir na exteriorização de um certo e determinado pensamento de interesse humano, que fale do problema angustioso do nosso destino em face do Infinito e do Mistério que nos cerca, e aluda às questões de nos-sa conduta na

,

vida

(/.L. ,

p.

59).

 

A

presença human a é a concentração máxima desses pro -

blemas, e o conhecimento d o home m e m suas complexas relações,

n o di a ajíia d o se u trabalho e esforço^ deve se r a met a d

o artista.

Guyau ratifica e amplia para o campo d a psicologia e mora l

sociológicas d e Taine . É el e a grande leitur a d e Lima

as posições

Barreto , indicada par a o s principiantes d a literatura , com o .se pod e ve r e m carta endereçada a Jaime Adou r d a Câmara"^. A arte do ponto de vista sociológico marco u a confirmação d a organização formal d a estética sociológica d o início d o século XX . Será par a ele e para se u discípulo Lima Barret o a solidariedade a palavra- chave para a arte: a s sensações e sentimentos são, d e mod o geral, elementos divisores da s opiniões humanas. Entretanto, há u m mei o d e "socializá-los", d e fazê-los idênticos d e indivíduo par a ândivíduo e este caminho é a arte. Dirá Guyau :

A

emoção

artística é,

pois, em definitivo, a emoção social

que^

nos faz sentir uma vida análoga à nossa e aproximada à nos.sa pelo

artista: ao prazer direto das sensações agradáveis (sensação de ritmo, > de sons ou de harmonia de cores), se une todo o prazer que obte- mos do estímulo simpático de nossa vida na sociedade dos serei

imaginários

evocados pelo artista

149

 

^

Idêntica é a posição d e Lima

Barreto, pois

" a arte,

tendo

b

j

poder

d c transmitir sentimentos

c

ideias,

so b a forma

d e senti-

 

mentos,

traballia pela

união

d a espécie; assim

trabalhando,

con-

corre,

portanto, para

o se u acréscimo d e inteligência e d e felici-

 

\"

(/X. ,

p . 66)2«.

 

A

situação d o artista n a sociedade segundo

Guya u estará in -

tímamcnte relacionada

co m a

natureza

d o fenómeno

artístico.

[

Significa el a "uma forma extraordinariamente intensa d a simpatia

'

'

\

l

./"i a

;

d a sociabilidade,

novo,

qu e só pode

d c seres

satisfazer-se

vivos".

criando

u m mundo

e u m mundo

Po r su a especial captação

c ideias, c u m "criador d e meios

realidade,

modifica costumes

jiovo s

o u u m modificador dos meios

antigos"".

A

estética

d c Guyau , elaborada

como

a

d e Tain e

a parti r

dos empiristas ingleses, ma s encontrando um a solução n o vita-

lismo qu e lh e preconiza

expansão e amor , atraía sobremaiíeira o artista Lima Barreto. A o sentir a estagnação ida arte qu e o rodeava, a s fori^as imitadas à exaustão, a fabricação d e genialidades meteóricas, a s coteries di -

não somente a conservação ma s também

É ndo normas, volta-se agressivamente para um a reformulação d a

d e

lal não consegue se furtar. É o icoTioclasta deste começo

cul o XX , qu e a o queimar ídolos ateava fogo às vestes, numa

pécie d e protesto irrevogável. Lança-se contr a o s "bonzos' d a

el e como o

literatura, dentre o s quais Q)elh q Net o avult a para

paradigma

d a gramaticaUd;|de,' dà ampuipsidade

d o estilo,

d a

de leitura

li -

fèfá^tiira "áeiíaíHi'social,-botafó

dirá,

E m Impressões

e m desabíifo incontido:

\o poiso compreender que

a

literatura

consista

no

culto

ao

dicionário; não posso compreender que ela se resuma em elucidações mais ou menos felizes dos estados d'alma das meninas de Botafogo

ou de Petrópolb; não posso compreender que, quando nã o for esta

última coisa, sejam narrações dc coisas dc sertanejos; não^possc . compreender que ela nã o seja uma,_Iitcratura .de açã o sobre as ideias

ècosfumej ; Mò~'possõ~corapreend^ que cia me

exclua

dos

seus

personagens nobres ou não, e só trate dc Coelho Neto; não posso compreender que seja caminho para" se árránjar"cmpregos rendosos, ou lugares na representação nacional: não posso compreender que cia se desfaça cm ternuras por Mme Y que brigou com o amante,

e condene a criada que furtou uns alfinetes ~ são , pois, todas cssai razões e motivos, que me levam a temer que a ditadura_,de ÇqelhÇ'

Neto me seja particularmente nociva (J.L. ,

p.

261).

150

• lií

••

""Romance e tipo

O romance

foi preferentemente

o género escolhido po r Lima •

Barreto para configurar a sociedade. Par a Guyau , como pat^s;;!

Baizac

analisa a s ações e m suas relações co m o caráter qu e a s produzi u jj >'

t> co m o meio social o u natura l e m qu e s e manifestam " e po r iss o M\ mesmo é "um a exposição simplificada e surpreendente da s leis ) 1

!

e

Zola,

é

um a "epopeia social" .

O

romanc e

"cont a

^\\\

sociológicas"-^.

É esse inter-relacionamento social e psicológico met a pn^ ^

mordíal para o método d e composição e m Lima Barreto;_o^mu^ndO|í ficcional torna-se o intermediário d e ideias sobre o s desajustes I

"sociais e o mund o psíquico d a construção do s personagens acha-se !j subordinado às causas e efeitos presentes n a historicidade gera- I dora. São o s seres vivos d o romance o s portadores d a "simpatia" J

necessária à atração d o

u m personagem é simpático e possui certa representatividade n o seio daquele enunciado romanesco? _^m_Guyau,e,.com ele,„Lima

Mas , so b qu e condições

público leitor.

Barreto,

social"; mesmo atacanã"õ~ã sociedade o u apenas descrevendo-a ^

"pJieraí^em

literatura^ é^^ a ^

"~e~atravcs d e seus elementos d e conta to co m el a qu e s e torna mai s

interessante. O se reconhece a

individual o u não expressasse nada típico não poderia produzi r «m interesse duradouro", preceitua Guyau. E acentua: "Não

tipo é então a personalidade individual e m qu e continuidade d o humano : " o qu e soment e fossé~

basta pintar

u m indivíduo, é necessário pintar um a individttali-

dade, numa

realidade relevante; isto é, a concentração e m u m

ser do s traços dominantes d e um a época, d e u m país, enfim, d e

todo u m grupo d e outros

A o comentar a construção d e personagens e m u m romance à cíef, como Recordações do escrivão Isaías Caminha, afirma o

autor

seres^".

genealogia

be m dentro

desta

d e

pensamento:

relações

do personagem com o modelo não devem ser encontradas no nome,

mas na descrição do

só golpe,

numa frase

A

força

dos

romances

tipo,

p. 202).

dessa

feita

natureza

reside

em

que

um

pelo romancista de

A redução

a o típico assume, pois, u m caráter consequente

c o m seus pressupostos estéticos. Através dessa limitação d e li - nhas e contornos para apresentá-los visíveis e identificáveis busca eficácia maio r n o reconheciment o qu e o leitor terá da s figuras.

da

O mund o d c seus personagens acha-.se disposto e m função

forma fechada qu e o domina . A visão d e

imaginação

d a

151

mund o

subordina-sc

à consciência d o funcionamento d e u m sis-

víéma social restrito qu e el e tenta apreender

n a expressão d c seus-

mecanismos

Procur a esgotar as possibilidades d e seccionamentos, regras dç

artístico.

d c funcionamento e tçanspor para

o plano

I

admissão, d e troca, d e substância qu e ocorrem n o mund o

viven-

(

ciado c cujos limites, e m su a análise, definem a s divisões d a so -

l

cicdade.

causas lada, or a claramente,

ferina

primado

e sintomas

O

d a forma define

d e inter-rclacionamcnto e insinua, or a ve -

a s classes,

refletindo-lbcs

A

ironia

a s notações

políticas

d o autor.

e a sátira situacional vão exibir situações o u séries d e si -

^-tuáções eiTi movimentação controlada pela ideologi a d o autor, qu e

as

ideias,

SÓcio-CríticO.

fa z colidi r nu m

dentro

paralelismo

entre

dois

d a dicotomi a ética dirigida

sistemas

d e fatos o u

po r se u pensamentç. '

'

anteriormente,

tórica do s árainaíis personae qu e s e tom a notável, ma s su a rc -

Como

afirmamos

não é

a

vivacidade^pic-

. ,;. e

r prcscntatividadc social, a ligação co m o resto d a humanidade do s

grupos circundantes. Irá, assim, e m busca d e caracteres e inci-

dentes qu e melhor iluminem o tema proposto, libertando-se do s

acontecimentos e personagens interessantes po r eles mesmos. Li -

mitou-se n a variedade para persistir n a consistência e inteligibi-

\c

d a mensagem

literária.

é de vivificar

certeza amarei os

E u me amo muito; pelo amor que me tenho, com

outros

(pp.

125-6).

_A_sincendade

jposla4iJfiliíla£!£dí^

^lo^autor

está

diretamente

ligada

aogrwsu j

sênTõ qual á obrã~de ãrtè~sê"ãfãstanã^

.

sua

verdadeira

missão.

El a

deve se r

 

o traço de união, em força dc ligação entre os honicns, sendo capaz, portanto, dc concorrer para o estabelecimento dc uma harmonia entre eles, orient.ida para um ideal imenso em que se soldem as almas, aparentemente mais diferentes, reveladas porém, por ela, como semelhantes no sofrimento da imensa dor de serem humanos p. 62).

A

militância literária d e Lima Barret o

(ele

mesmo

escolheu

o

termo

definidor d e su a posição estética

indo

buscá-lo

e m Eça

de

Queirós)

está intimament e ligada

lidariedade

e s e refere sempre

a obras

a o princípio diretor d a so - qu e "s e não visam à pro-

paganda d e u m credo social, têm por mir a u m escopo sociológico".

Daí, uma profunda ^^eceggão^ diajite d o autfli: .d.ile.tan.tc ou .

àa.

.atíe

pelaartó, e m que" passam

âespercèbídãs

a s "absorventes

preo-

cupaçõês contemporâneas qu e lh e estavam

próximas".

j\

piás-

^

tic_o,_emitem2latiy^

d e idijas,. u m batedM'

/

jdojyuwo! '

(!.L

pp . 71 , 77) .

 

*

Lima

Barreto,

ainda

qu e apresentando

u m esboço

morali-

 

Utm

subjetividade engajada

 

zante d e pensamento sócio-crítico, ficará n a literatura brasileira ^ como o grande elo para a compreensão d o autor^ijj o ^^l^nMfegLdor

Outr o

componente

estético

assume

importância

n o pensa-

.^iigjira_raundft,_diâleií£a^

situado entre, as pjessõés d a sítua-

ment o crítico d e Lima Barreto, observado

po r todos seus

 

autpres

ção lústóricã"que vWe,^^ l^^^Sã^^^Bnáam^sxXfícomõ escritor,

preferidos

e , sobretudo,

por

Tolstói, e m O que é a arte?,

a

que m

Xssume a coiísciência crítica d a posição d e intelecfuaT,'eh&amí-Ly

,^it a n a conferência " O Destino d a literatura" (/.L. , p . 57) . Tra -

nhando assim su a forma para u m engajamento inapelável, a o

\e d a sinceridade d o artista n a composição d e seus

trabalhos,

 

assumir o u recusar a escritura d e se u passado. Como explicitará

\a força co m qu e o escritor sente

Tlrtceridade fundamental tornará a obra mais próxima d o leitor,

gerada

a

emoção

transmitida.

Esta

atingindo-o n o âmago d e su a natureza, pois fo i também

nas

profundas

vivências d o autor.

Afirma

Lima

Barreto: " A

art e e literatura são cousas sérias, petas quais podemos —

quecer

fazc-la

enlou-

precisamos-

não há dúvida; mas , e m primeir o lugar,

ardor

e

sinccridadel'

(Í.L.,

p .

co m todo

221) .

E

reafirma

o n o se u Diário íntimo,

mai s

incisivamente:

Sempre aç!ici

3

iyDadiçiia-par.a-.a

553ra

superior

a mais cega

c

mais absoluta

sinceridade.

O jato interior que a determina é

irrc-

-

152

^lísfiTO^^r-ç^^5ffde^^lc~'cõmOT

que

transmite à

palavra

mort»

mai s tarde

crever é simultaneamente desvendar o mundo e o apresentar como

que la littéiaturel, "es -

Jean-Paul

Sartre e m Qu'esí-ce

uma

tarefa

à generosidade

d o leitor"^^

N a

escolha

entre

o s possíveis

engajamentos

par a

su a art e assertivo,

encaminhou-se

e m qu e a tensão sujeito/história fa z d a obra

ment o n o campo d e luta d a opacidade histórica subjetiva. Tnvês^;

te-sc nesse instante

ficação qu e injeta e m seus

cristalizada nu m sentido preciso e inequívoco. Isto quer dizer ^ que n o moment o e m qu e assume nitidamente a defesa d e idéias"] socializantes, conceitos positivistas o u maximalistas, o u mesmo / temas recorrentes frutos d e idiossincrasias pessoais,^^irm^jum/

n a direção d a literatura como u m valor

d e uma responsabilidade

literária u m instru-

ética frente à signi-

livros, or a dispersa e suspensa, or a

153

.^sentj^^c^ieg a mestno a jaturi-Ij i iateirameate. ji.o nível d o dis^

resposta

afas-

1

^ignificador , oferecendo-lhe mensagem reconhecível. Isto deve-sc

a

transfoiniação d o mundo. O sistema intelectual d e significantes

de que dispõe ressente-se desse equilíbrio instável entre o romance

oscila: or a

do

I

curso.

e não d a pergunta,

tando o leitor d e u m mund o d e objetos cifrados

Tornâ-se a' o6ra neste moment o u m romance d a

a

do s significados c não do s significantes,

sociológica

e

e m busca d e um

buscando

sobretudo

su a estética

e

o

pragmática,

vezes

significado

d o significante c m qu e às

,

preenche su a verdadeira função como literatura, excitando a

bus-

ca e a resposta, or a desliza para.ja .çristajização d e u m cert o

sen-

tido,

carregado

d e signjficados

cumuht.i.xps

e ,

até

mesin^^^IêT

nameriH" slítúrados. Xfãstá-se *êntao d a ambiguidade fundamental 'característica" d a ítriguagem d a literatura, única abertura possíM

de

mund o

de palavras qu e domina com seus anseios solidarizantes, sobressai

a figura d e Dostoievski , a

u m logos para

Na

uma

praxis.

hidagaçáo d e valores estéticos aptos

que m

a suportar o

cita constantemente

c m Impres-

sões

próprios

recomenda

gem

plificação para a conferência

de

leitura, n a correspondência

personagens:

seus

e

a leitura d e Crime e castigo. É Raskolnikoff , persona-

exem-

pessoal

o u através

d c

Isaías Caminha

romance,

te m e m su a biblioteca

principal deste mesmo

qu e vai buscar como

"Destino d a literatura"?*.

Não c c m especial

a estrutura polifônica

d e Dostoievski qu e

f

\ rimento, decorrência d a impossibilidade d e comunicação co m u m

ma s duas invariantes temáticas:

o

impressiona,

a questão

d o

so -

mundo

hostil

e

a potencia

humana

d o home m

d e ideia,

auto-

consciente

e, sobretudo,

para

ele, Lima

Barreto, crítico da s

insti^^—

^tuições e

pre.canceitos.,sodais.

 

Dostoievski, escrevera certa vez

que o "sofrimento c condição essencial para a felicidade porque

soment e o sofriment o nos conduz à consciência"^*. Est a frase cn - contra-se mai s tarde nos Carnets d o livro Démons, d e Dostoievski .

O

u ma

Bakunine,

contemporâneo d e

caminh o

d a consciência

através d a dor,

para

a depuração d e

d o ser e

o

ideia, para

o desdobramento

da s potencialidades

jlhament o

é a grande questão d o mund o absorvida por Lima Barret o nessas^

(7.L. ,

e

que* tal

Percebe

não basta

atitude provoca n a fixidez d o cotidiano social

com

clareza

qu e " a ironia

ve m

d a dor "

qu e a tâo decantada proporção

dos "helenizantes d c última hora",

para

a construção d e u m verdadeiro universo-

signifi-

poder

d e uma escritura redescubra

leituras constantes.

p.

harmoni a das partes, concepção

por

Dirá mesmo

271) .

s i

romanesco

cados humanos e restabeleça a aliança perdida entre o s homens.

e m qu e o

154

A

concepção d o protagonista como u m home m obcecado

por

uma

também vai encontrá-la e m Dostoievski . E m Hegel já identificara u ma concepção d e Art e como " a ideia que se procura, que se acha

e qu e se vai além dela",

Entretanto, ainda afirma, "esta pura ideia só como ideia tem fraco

B preciso qu e esse argumento s e

ideia,

cerne

profundo

d e su a personalidade.

Lima

Barreto >

qu e lh e é particularmente significativa.

.

poder

sobre

a nossa conduta

transforme

e m sentimento"

(/.L. ,

p"

61) .

U m

exame

o

Barreto,

algumas da s suas preferências literárias e processos d e

n a lista d a biblioteca organizada

e m vida

pelo

próprio Lima

autor

esclarece

construção ficcional.

Barreto, e m 1917,

e transcrita n o estudo

A

Quixote

vida de Lima

co m

o

qual

o

sobre

d e Francisco d e Assis Barbosa,

Vê-se

al i

o

volume d e Don

-— ~ A se u Po -

licarpo

Quaresma

te m tantas

afinidades:

o mesmo tipo d e indi-

víduo sonhador,

mediatizando

a realidade

do s livros,

perseguido

por

dentro

uma ideia e e m desacordo

desta

mesma

com concepção, outr o livro

o

mundo

circundante.

assume

Aind a

importância

em

sua formação, citado e m diversos momentos d a crítica: trata-sc

dc

do

Le bovarysme, d e Jules d e Gaultier , muit o divulgado n o final ^

século, estudo sobreJ^o_podgr

d c ti^mJhomeni

^.^

u m

outro'^d e perseguir

uma

imagem diversa d e s i mesmõ^ teori a

ilustrada

pelo

aíitcJr "cbrW"~a obra- de" Ffenbertr———~— -

Pela cronologia, o artigo inserido

atualmente e m Bagatelas e

intitulado "Casos d e

livro d e Gaultier o impressionou bastante e marcou o início d e

e m nota -

impressão d e leitura ainda

provocada

rismo como causa e mei o essencial d a evolução n a humanidade", seguido d e esquema relativo a o "ângulo bovárico", isto é, o afas-

tamento entre o indivíduo

Esta teoria d e Gaultier muit o contribuiu para a configuração

d a conver-

gência d e su a sátira para uma discussão eminentemente subjetiva

na consciência d e alienação que experimentava enquanto intelectual.

bovarismo",

datado d e 1904, mostra qu e o

sua formação intelectual. Mai s tarde, n o Diário íntimo,

ção d c 28 d e janeiro d e 1905, registra a

pelo livro, observando: "Precisar o papel d o bova-

real

c

o

imaginário.

satírico d e seus personagens,

assim como

do

esquema

A lição d e simplicidade narrativa lhe é fornecida

sobretuBÕ'

por

cordial or a irónica da s situações, o despojamento d a sintaxe nar- rativa, mais direta, d e construção menos complexa, indubitavel- ment e impressionaram-no. E recomendava a o então iniciante es- x

critor

Turgueneff. A s cenas

Jaime

Adour

russas

documentais,

"Lei a sempre

a simplicidade or a

o s russos:

"^*.

Dos - O des -

d a Câmara:

toievski,

Tolstói, Turgueneff, u m pouco

de Gorki

155

pojamento

ficcional qu e tanto

o interessa

não significa

qualquer

^desleix o

no s aspectos técnicos o u d e

linguagemj_é,a_çlareza_na_

j comunicação visando

todos

à

imediat a

compreensão

d a mensaftgQL_Djo—,

O que

é

,

^^^^"^ejnõãnfâ^ tàmbein fíeí

^artei,

aTlí^e s BÊ^J^JÈ^ ^

a

se r compreendida po r

para

c atingir todos se m distinção.

qufem alínguágèm

 

A

perda

gradativa

da s possibilidades

d o fazer

marca

o

com-

bate

co m o mund o

n a posição

limite

e m qu e vivem.

A

partir

deste conflito d a consciência crítica Lima Barret o vislumbra o espetáculo d a pseudo-representação social traduzida n o parecer,.,

fruto

acomodação qu e evita o

d a adequação, d o compromisso,

d o hábito; é a "má-fé" d a

sofrimento e traz a vantagem d a aceitação

 

Este questionamento sucessivo d o E u cora o Mundo , entre a

grupai.

^

 

/

ação ideada ma s fechada e m s i mesma, n a impotência d c su a

possibilidade, acha-se presente sobretudo no s personagens anti - ^i^heróicos Isaías Caminha , Policarpo Quaresma, Gonzaga d e Sá, êfnbora outras figuras encerrem d e maneir a menos intensa esta

(

A

estratificação

satírica da geografia barretiana

 

isotopiâ,. Comprimidos n o extremo limite d o espaço qu e o s en -

Certas

escolhas

narrativas d e Lima Barreto são d e importân-

clausura, mvgçMlJiiJig^ <içãa

çi.u^

nXuJ_cotwegue4«-J©vat-4uJcnji2;_^

cia

n a compreensão d a contínua interiorização subjetiva e tendên-

 

a

ação desejada c menos projeto qu e retardo, mesmo quando s e

cia

à destinação dialógica d o discurso

ficcional brasileiro. S e põTX

trata d a praxis buscada po r Policarpo Quaresma. Ação alienada

u m

lado

a

concepção

pragmática,

militante,

sociológica

d

o

ro -

\

pela loucura, c po r isso mesmo intransitiva: o círculo fccha-se a

mance

endereçam-no

à ironia

ferina,

à

sátira e à paródia,

um a

j

cada nova investida.

sensibilização obsessiva frente

ao s segregados sociais,

seres para-

i

 

O

sofrimento d a segregação e o pensamento crítico levam-nos

lisados e m su a ação e ideia, divergentes, leva-o a o mergulho sub-

à

crise d o ser projetada n o fazer, n a impossibilidade de mudança

 

jetivo

nesses

"homens

subterrâneos" qu e tão be m ilustra a obr ^

|

e

esbarram co m o s limites e leis internas d o espaço d e qu e pre -

de Dostoievski . O riso grotesco

.Q

a_amaj:gura_dQrida.^^

 

^tendiar a

se libertar. Isaías, contínuo d e jornal, reduz-se

a

u m

se r

jpâi .

.g.ue„ sê^JLocamjTa_ obr a

deJJma,^^reto,^sern^£mr

vegetativo, amedrontado,

mas não inconsciente. O s projetos iniciais

logismo_à^ourgeJ,

tão e m moda

n a época. Aqueles

personagens

 

anularam-se

e

níódêrnos

d a literatura "ífísTTètrã^âo^sq^^

Mário

de

Andrade

no nieió daquele fervilhar de ambições pequeninas, de intrigas, de hipocrisia, de ignorância c filáucia,_todas as cousas majestosas, todas as grandes cousas que eu amara, vinham ficando diminuídas c des-

/p,

moralizadas (i? E.l.C ,

p.

262).

distorção d o se u fazer,

j Pcrdc-se numa realidade patriótica, gradativamente decepcionada,

Policarpo Quaresma

te m n a loucur a

a

até

a

constatação final d a circularidade d e seus

projetos.

Gonzaga d e Sá esboçara o gesto, quis comunicar suas leitu- ras, influenciar, abrir as perspectivas do s burocratas d a Secreta-

ria do s Cultos . Entretanto , constat a qu e "o s velho s estão ossifi - cados; o s moços, abacliarciados", e a o chegar "n o fi m d a vida,

e só agora, sinto o vazio dela, not o a su a falta d e objetivo e d e

Vida

utilidade

e morte de Gonzaga de Sá, o contraste qu e atravessa todo o livro

"

Com o

lucidament e

not a

Osma n

Un s sobre

chamou, e m 1941 , d e

cotidiano amargo e se m horizontes do s seres degradados barrctia-

nos**.

vingança

contr a

desafio contra as categorias

envolto e m introspecção quando desvenda a permanência d a irra- \ cionalidade dos comportamentos humanos e a fragmentação d o Euj_i

"fracassados",

fracassado

impotência

têm

su a ancestralidade no -

conjunção

orgulho

a

d e

agir

vezes

até

o

anti-heroi7\

O

personagem

e

subnússão,

é

um a estranha

humilhada

e

seus

próprios princípios, rebelando-se

d a razão,

muitas

É O moderno

A sátira d e Lima Barret o possui u m conteúdo que, pelo .seu

lado hiperbólico, extremado, excessivo, ca i n o grotesco, supor-

tando implicitamente o reconhecimento d e um a norma ética, utópica

n o estado social cotidiano qu e descreve,

suporte

básico

d a

sua>

fatur a

literária militante.

A forma pela qual manipul a sempre

zy

situações

satíricas

fa z ressaltar

u m princípio

d e julgamento

e

escolha

as

baseado e m critérios morais: próximas sempre

d e confront o

entre

duas

formas

d o cômico^^_

a

situações

d e sociedade

•— vida/morte — cstendc-se po r oulr o tema contrastante, o

d a

vivenciada

e a idealizada

atacam

co m o objetivo d e corrigir

i

lut

a

o u capitulação, d o qual o

velho descendente d e Estácio

d e

através

d o dcsnudament o

ridículo

a s

normas

preconceituosas

e- i

c

o

representante'*.

rígidas.

— '

156

 

157

Explorando shuaçõss mais o u menos extensas, todos os seus ro-

utilizam-se do s espaços preferenciais d e trânsito

'^o s personagens e qu e constróem o arcabouço d a narrativa. A predominância desses três espaços — o espaço urbano, o político- administrativo e o literário — vai determinar o s limites assinalados para a tipificação e a ironização; emergem po r traços caractcrís-

l ticos, exacerbados n a análise repetitiva d e signos plenos até a \xçduudância.

mances

c contos

A noção d e espaço n a ficção barretiana enquadra intencional -

mente

o personagem,

constituindo um a

relação

social

d e homo-

brasileiro, geralmente representado pelo Ri o d e

d o século XI X e começos d o século XX , signi-

ficand o o home m po r u m sistema mediador. Tem-se um a inter-

seção constante d o espaço social e d o espaço físico, que ger? uma

espécie d e retórica social do espaço, construída por

clichés verbais

^ou

logia:

o espaço

Janeiro d o final

narrativos

identificadores.

O espaço urbano primeiro deles, é dominado pela mitologia

de iWrr setclohament o estratificado, povoado po r elementos mode- V^lares: o Subúrbio e Botafogo são a s antíteses espaciais flagrantes, l surgindo a oposição, muitas vezes, pela negação simples d e qua- ntidades positivas e "naturais' . O espaço suburbano dimensiona parte da obra, scrvindo-se desse microcosmo para a prova d e labora- tório d a realidade social d o começo d o século.

Ao subúrbio dedica ternura e a sátira pouco p atinge, limi- |tando-se a uma ironia amena voltada para alguns tipos e com- portamentos domésticos, sem horizontes e desprovidos d e signifi-

^cação. A visão desmedida d e coisas insignificantes presentes n o _espaço suburbano é alvo d e considerações e m tonalidade irónica, como quando u m doutor ganha grande reputação "não como

receitava, ma s como entendido

em legislação telegráfica, po r se r chefe d e seção d a Secretaria dos Telégrafos" {J.F.P.Q., p . 36). Est a desmedida n o critério d c avaliação social é, para o autor, a marca d e identificação d a pró- pria sociedade brasileira: entretanto, contra a "alta sociedade su - burbana", "uma alta sociedade muit o especial e qu e só é alta no s subúrbios", sua_jgressãq é |rágí[, limitaMifc.se,. àjr o

ceilos

Daí, a imagem dessa realidade se r pouco desfigurada pelo grotesco. Obscrvc-se, n a descrição social d o subúrbio, a tonali- dade afetiva e risonha:

médico, pois ne m óleo d e rícino

ntuaiOlPítlS.ÇÍ}cos d e con[^viyênci.a_e4mjj^^

158

Compõe-sc [a alia sociedade .suburbana] em geral de fimcio-

nários públicos, de pequenos negociantes, de médicos com alguma clínica, de tenentes de diferentes milícias, n.ita essa que impa pelas i:iias esburacadas daquelas distantes regiões, assim como nas festas

e nos bailes, com mais força que a burguesia de Petrópolis e Bo-

tafogo. Isto é s6 lá, nos bailes, nas festas e nas ruas, onde se algum

dos seus representantes vê um tipo mais ou menos, olha-o da ca-

beça aos pés, demoradamente, a."ísim como quem diz: aparece lá

cm casa que te dou um prato de comida. Porque o orgulho da

aristocracia suburbana está em ter todo o dia jantar e almoço, muito

feijão, muita carne-scca, muito ensopado — aí, julga ela, é que está

a pedra de toque da nobreza, da alta linha, da distinção (X.F.P.Q., p. 37).

Assi m

como

o espaço social está ironizado, oS tipos que

õ \

atravessam e ganham certa presença n o enredo estão tipificados e

jarisâíurados^ reduzidos

a o se u aspecto identificador diminut od©-

funcionários públicos o u militares reformados sem grande expres- são. Genelício, por exemplo, é u m mestre d e bajulação n o serviço público, atividade qu e sempre surte seus efeitos, quando ponti- lhada po r sonetos e m datas d e aniversário d o chefe o u atitudes

de

"u m génio d o papelório e da s informações"

grande

erudição,

(T.F.P.Q., p . 76). O mesmo s e dá co m o grupo qu e s e reúne

em casa d o general Albemaz, — o contra-almirante Caldas, o major Inocêncio, o Dr . Florêncio e o capitão d e bomÍ?etros Sigis- mundo . N o Triste fim de Policarpo Quaresma, estão retratados estes tipos e s e encontram algumas da s melhores observações a respeito d o subúrbio carioca. Clara dos Anjos, cuj o enredo trans-

corre

n o espaço suburbano, também será palco d e ironias a res-

peito

d e seus costumes domésticos e tipos medíocres e sem hori -

zontes. Cassi

aproveitador d e meninas sonhadoras e românticas

que sempre o protege deve-se ao s estatutos d a lei e à astúcia d e sua formação social co m fumaças d e alta burguesia: o espaço

subtirbano é mais indefeso para proteger a s mulheres

dereçadas a o casamento d o qu e a estrutura ideológica

Jones, o Do n Juan d o subúrbio, é u m vigarista

e a impunidade

sempre en - e d e poder

(económico/político)

d e Botafogo, su a antítese.

Est e

lado

irônico-pitoresco

co m qu e

apresenta

o

subúrbio

carioca está ratificado e m suas crónicas d e jornal , quando narr a

os acontecidos d e suas ruas esburacadas e seu orgulho identificável

e demarcador d e áreas privilegiadas. Alguma s crónicas são niti-

damente humorísticas, como "História macabra" outros", recolhidos e m Vida urbana.

o u ainda "O s

159

Botafogo

c

a

outra

facc

d o espaço urbauo

dessa

sociedade,

ficcional: traduz o aspecto artificioso, maléfico, surgido através de um a dçtjjuuaçãg-JSQCt^H^ete-.tl É o núcleo da s tramas

^políticas fraudideiitaSj berço do s adultério^ Jomina d pelas regras de um"'savoir [airç a^iias^^Ácat^das po r iniciados n o cuUo~aa supcffEíal^âe. Ê uma divisão maniqueísta que dirige a população "3ê'tipõs n a obía d e Lima Barreto e mais d o qu e nunca acha-sc

dicotonuzada

A modificação d e espaços urbanos e m u m personagem equi-

vale à movimentação d a área limite e quebra da s regras sociais

de

d c admissão a outro. U m caso típico

n a cscollia e distribuição

a s

exigências

geográfica.

u m para

c

carpo Quaresma. D e quitandeiro, rompe a clausura e passa-sc para Botafogo, cabendo mal n a nova conjuntura. Sua filha adquire

os

e m Triste fim de Poli-

o d e Vicent e

conceitos

Coleoni e

su a filha

Olga,

d o novo espaço e suieita-se

às normas

d e admissão

manutenção regulares, jã o POUCOS esses casosj^ geralmente o

^espago

fcch^do^jiossui Jronte^^^

loiígínquas

e

d e áífícTl

acessôT"

Os personagens movimentam-se circularmente, daí "nascendo a s

regras

U ma da s categorizações mais importantes n o espaço botafo- gano é o doutoramento, canudo d e papel qu e depois d e obtido abre portas, cria cargos, promove socialmente o felizardo. Esta representação satírica d o mit o d o bacharel n o Brasil encontra

várias situaçõcs-chave e m qu e ironiza co m crueldade o processo

dc

para preencher o ritual mítico d o "casamento co m u m doutor",

internas

representadas

pelo

autor.

ascensão

social.

Tome-se

o caso já citado

d e Olga

Coleoni:

escolhe para companheiro, se m amá-lo, a o doutorando

Armand o

Borges, apresetUado como

o tipo constante

d o médico

abachare-

lado, mcio-charlatão, oportunista, e metido a literato:
L

ifí

D c fato, o

para

cic estava

clássico

/

escrevendo

ou mais particularmente: tradu-

arma

escrevia do modo comum,

invertia as orações,

molestar,

zia

dc fogo".

com

picava o período com vírgulas c substituía incomodar

um grande

artigo

sobre

"Ferimentos

por

por

/ O proccs.so era simples:

dc hoje, em

as palavras c o jeito

seguida

ao redor

por derredor,

isto

por esto,

quão

grande

ou tão grande por

quainaiiho,

sarapintava tudo de ao

invés,

einpós,

e

assim obtinha

o

estilo clássico que começava a causar admiração aos seus pares

seu

c

ao

público

em

gcal

(T.F.P.Q. ,

p.

22).

Brasil.

Assim

como

o tipo anterior,

Dr . Armando Borges,

este

pouco

fecundo

deputado,

filho d o nepotismo d e província, doutor

de inteligência parca, preenche a s características clichés sempre

presentes

quando

Lima Barret o o solicita para a ação satírica.

 

No

mundo

dicotomizado

d a sátíra barretiana,

Botafogo en -

cerra

o s malefícios

d e um a sociedade movida pelas

aparências:

c o m isso, a s situações narrativas tomam-se muit o mais autónomas

e

fechadas

n o sentido d e su a causalidade,

estando mais e m jogo

o

interesse

e m marcar

a sátira situacional. Esses quadros

se

su -

cedem,

qiiiproquó

dade

quesito

É a falsidade d o sistema d e relações humanas e m suas mano-

bras d e funcionamento qu e Lima Barreto tenta tornar clara atra- vés d a deformação caricatural d a sátira. A situação básica pode

ser traduzida e m duas proposições cujos termos serão

tcticos: A te m inteligência ma s não te m autoridade; B te m auto- ridade ma s não tem inteligência. O confronto ás A e B vai da r

origem às situações conflitantes.

Os signos correspondentes à área d o talento/inteligência cons-

sempre anti-

e m todo d e autori- qualquer ^.^•'^

dando

origem

a u m desfile

d e clichés satíricos;

u m sistema

qu e não preenche

ressalta

a crítica ferina contra

e financeira,

social,

política

d e liderança real.

-í—s

tróem esta antinomia frente ao s signos d a autoridade/dominação. \ Normalment e o membr o d a situação narrativa qu e apenas possui ^ inteligência mas não possui as características d o poder sofre o trau- matismo e suporta o conflito co m maior o u menor consciência de su a anulação. Algumas dessas duplas conflitantes acham-se individualizadas: Isaías e o delegado d e Polícia, Isaías e Loberantj^,-, diretor d c O Globo, Policarpoe o General da-Sectetarlajle-ijuerta, / Policarpo e o Dr^^tãmpõ^T^õficãrp^^ Clara i

E m tnitro s casos , com o Gonjag a Je_S á e ,a_ buiQcracÍa,-.j ^

segundo term"õ^"n'ãÓ~se éiicónfra in(íividualizado,_ mas jipjesenta-se como uma sW'ã^xr^erstBTa~Niima'e'lfwn^^ o membro"^á"proí "pasição-,-'Beneretíítt6''—" inteligência consciente ma s se m poder para ação — , vinga-se, pela astúcia, d a política corrompida qu e

o rodeia, tomando-se sutilmente se u agente interno d e corrosão:

As mesmas

situações satíricas cercam o deputado

Num a

Pom -

escreve o s discursos d e Numa , enquanto é amante d e Edgarda, a Ninfa.

pííio d c Castro,

d c Numa e a

ninfa e m se u casarão

d e Botafogo

A

sátira ao s mitos

nacionais

é,pflis.,. muito, mms sit ^

por

onde

trafegam

jornalistas, políticos, cabos-eleitorais,

senhoras

do

guV"yefb'at, ^íffbõFã esta também s e apresente, so b a forma

de

sociedade

numa

representação do s camarins

d a alta

sociedade

da paródia, fazendo o enunciado romanesco entrecruzar vozes

político-administrativa d o Ri o d e Janeiro, o qu e vale dizer, d o

polemizadas.^ O processo habitual é o desenvolvimentade um.ç^^ junt o d e fatos reconhèHdáinénfè cotldianos," exacerbados pela rc -

160

161

^etisãojdacaricatur^^ instaura a duplicidade do s significados 'dívergcntès7T3éntifican'3õ clarament e a sátira a o sistema social, s'^ ^ Servindo d e intermediário a esta configuração espacial , acha-se o centro d a cidade, onde todos s e encontram e onde se

 

'

travara a s batalhas pelo sucesso. A

Ru a d o Ouvidor é o espaço

 

'

d o prestígio, co m o u sem dinheiro:

a fama, às vezes,

é

fruto d e

 

|,

ocupações pouco

recomendáveis. Entretanto, aí s e fazem o u s e

l

desfazem reputações, c a liça para o s qu e almeja m a escalada

íjocial . Zon a d c atralivos inúmeros, é al i qu e Gonzaga d e Sá tece

d a yida" .

seu

irónico

princípio

social:

" a dama

fácil

é

o

eixo

Dados o s limites d a vida nacional, este pensador barretiano conclui :

E

a

civilização

se

faz

por

tantos

modos

diferentes,

várioçs

e

obscuros, que mc parece ver naquelas francesas, húngaras, espanho- las, italianas, polacas bojudas, muito grandes, com espaventosos cha- péus, ao jeito dc velas enfunadas ao vcnlo, continuadoras de algum

modo da missão dos conquistadores

{V.M.G.S. ,

p.

105).

Í

O segundo espaço/narrativo importante configura-se n o scfor

hkt)«H*rHWStratíVOnda sociedade e seus^ignos_são^ a_Çâmara

^os.^putódasjB-JSêettJSâiias. jdfiJ^ljús]i»as. Compõem um cffciilõ" de praticantes de rituai s herdados d e uma administração de cunh o colonial , marcado s por signos distintivo s purament e formalizantes . Mai s do qu e nunca está patente sob a forma de sátira ferina atin- gindo, às vezes, a invectiva, a divergência entre seus personagens antyberóis e a introdução ou vivência do s mesmos nesses espaços.

/ O s burocratas são casos sucessivos de um a mesma dcclina- { ção ministerial: o nominação desses tipos é uma função da socie- dade distorcida e vivem enfaticamente n o nível do parecer. Cha - mcm-se Genelício, Xist o Beldroegas, Pelino Guedes, são unidades definidas pel o lugar assumido frente às unidades vizinhas cuja contigilidade diferencial de alguma forma marca-lhes a modulação do paradigma.

j \e

do satirista é ui M âtí£^ d? persuasão e a

a jprincipal função da retórica. O escritor satírico está sempre in - tencionalmcriteTrrriâWpârãlixcitar se u público a admirar ou des- prezar, a rever suas posições habituais, a desvendar a face escura

dos conceitos, a modificar suas opiniões políticas, religiosas, filo- sóficas. Assim, _a intenção satírica traça a diferença básica exis- tente entre escritorcsrós satírístas, apesar de suas mais,'B^

facções c

para influenciar a s crenças, atitudes e ações d o leitor.^

iuctodos,

"possuein

ern çoraiun. -C5§ê

t£aíMuLÍ!.U£n<yo^

Lima Barret o procura despertar

a ment e d c sliúrijúbiico contr a

emprego reíórico enfático d o estereótipo profissional; teremos

então o deputado, o doutor, o burocrata, o jornalista político, o

cabo

mai s realizados d o espaço burocrático são

representados pela Secretaria dos Cultos e pela Secretaria d a Guer- ra, respectivos locais d e emprego d e Gonzaga d e Sá e Policarpo

Quaresma. A s regras d e admissão geralmente n a base d o faníí^

para a

eleitoral, etc.

Os

dois modelos

"pistolão", o prestígio através d a adulação, o nepotismo

ascensão n a carreira, a s regras d e comportament o interno visando à manutenção d e u m embolorado sistema administrativo, o s meca-

nismos d e defesa contra qualquer

por isso mesmo, altamente perigoso, são traços fundamentais d o funcionamento dessa estrutura e m todas as narrativas. Exempl o

modelar é o episódio d e Policarpo Quaresma solicitando a volta do idioma nacional para o tupi.

sempre co m intenção d e provocar o

ridículo, é o confronto d o diminut^.&jng5guinho daspreocupajõej

elemento exógeno renovador e ,

U m

recurso

constante,

e_£^guisas detalhistas d a burocraci a e o ^gr^d^e^ãfcabõúçõTãd- '"ministrativo comg^rometido e m resolvê-las. À Sêcretariã'aõs"CÚltos image m desse desgiEStèhulificadôrr: Xist o Beldroegas, exemplar burocrata, "certa vez foi atacado d e uma pequena crise d e nervos, porque, po r mais papéis qu e consultasse n o arquivo, não havia meio d e encontrar uma disposição qu e fixasse o número d e setas que atravessam a imagem d e São Sebastião" (F.M.G.5. , p . 143) .

A mesma sátira atinge e m cheio a suprema legislação, o u

seja, o espaço narrativo da^âmaca_dos--Deputados

Dqmioí^^

^OipQs co m seus Jnteresses pessoais, jiepotisíng^ oj:or9n.elismo,

a os" liabitante s

cia espaço

indecifráveis d a legislação d o país, fortaleza inexpugnável j WOL-

cèisívèl7Faf a oshábitaiSe s d é "Botafog o ç ^ jtaçjííaaU As situações satíricas e m série estão nada s co m vista s à contínua ratificação

cedj.raentos

lidiana

a

a faha . <fe jnteligência^ e"d e

fãlèntb

legislador

Par

suBucbaaó7TuiC:I<^^

é o espaço da^c^^

intencionalment e selecío- d e Hm^U3fil<i_cpjitjra 2tS>-- \ '

nomei a

d e fachada,

viciados

ejsugerficiais.,JUn^

^ âcusada^dej^^^^^^

_jdeali^çãq d e u m estado nov o

Lima

e.

cofltjK). d e tais .signifieàdbs^,

minh a fi PoIicarpq^QjíárlêsmT^^^^^

tairiaj5p^

c ,çpn.ç.eÍios esb

vida brasileira. Substitutos irónicos d o personagem

."pujcQ'J!i.^Eara-£xacêrbar. o .B|jrgtQ,,fttife^^ "mgèm^j^j^

yoV-.

às vezes be m cervantiho. Su^^^^

co m a s çoippliçaçõ^^ pseudo-racionalizadas d a

d o herói, nota-

o

perigo

d a estratificação

d c ideias

e comportamentos através d o

se claramente a eliminação d e qualquer perspectiva d e

heroicidade.

162

163

eudercçando-os à divergência pessoal e social, atingindo u m bova-

convenção social qu e serve d c base à sátira c

combatida sobretudo n o us o interessado d e suas instituições po r parte d c minorias.

Na Câmara do s Deputados, alta magistratura d o País, Lima Barreto coloca veemente sátira a o processo eleitoral, político e

administrativo. A s facções opositoras só o são nos detalhes d a vida política, a essência c mantida pela mesma dinâmica da s raotiva-

rismo trágico. A

r

ções narrativas. Defendera interesses do s grupos qu e exercem as

j

pressões sobre o governo e qu e pouco aparecem nomeadamente,

i

sendo a crítica geral endereçada a u m etiios brasileiro, basicamen-

i

t q político. Ê e m Numa e a ninfa qu e está a

narrativa desse com-

portament o dos homens públicos e d a relação d e sujeição acionada

na alta cúpula legisladora. O s personagens, tipificados e caricahi-

rados, são simples variações d e minha. O Deputado Castro, co m

outros já surgidos e m Isaias Ca- sua amante loura, é uma variação

do Deputado Macieira, co m a francesa Arlete; o coronel Belmir o "fez" o Deputado Castro, Neves Cogominho repete o sistema com

Numa ; o s chefes políticos, como o velho Liberat o (Numa

e a

ninfa) o u o Dr . Campos (Policarpo Quaresma) têm a mesma ca - racterística dominante n a procura d o poder e n a vassalagem a o

vencedor.

A

Câmara é o lugar po r excelência do s premiados

pela

am-

I

bicão subserviente, adequada às artimanhas d a estrutura d e sujei-

\ção, qu e necessita d e uma instituição para tornar legal c regula-

pront a

para lhes justificar as pretensões pessoais. Todo s o s participantes dessa galeria d e tipos possuem u m traço identificador comu m qu e

mentada

II vasta

rede

emaranhada

d a Justiça e d o Poder,

ampl o

lugar para a s situações satíricas! fraudes eleitorais, representações

os relaciona co m o espaço d a Le i d e forma negativa, dando

do

"coronclismo", parentescos,

casamentos,

proposições

ambíguas

/par a

defesa

d e minorias, manobras

políticas ilícitas. O

deputado

Numa

Pompílio

é

o

model o perfeito d o

oportunismo be m

orien-

í tado

c sucedido

qu e "aproveitara sempre o se u estado civil para

,

cncarrcirar-se. Or a ameaçava casar co m a

isso; or a deixava transparecer

filha d e fulano e obtinha

de beltrano e

qu e gostava p . 34) .

d a filha

«conseguia

."

(N.N.,

n o espaço parodístico

político d a Câmara é polemizado através d o emprego

dc u m discurso "nobre", oratório o u histórico, por parte d o narra-

dor Isaías Caminha, no s seus primeiros contatos com o Deputado Castr o (p. 75). O paradoxo é introduzido n a alternância dos tipos

O

desencontro

d e significados c comportamentos

164

de discursos divergentes

"Gent e miserável qu e dá sanção ao s deputados, qu e o s respeita e

prestigia!

c

presa!"

Lima Barret o transparece

até culminar n a exacerbação d a invectiva:

lhes

examina m

as

ações, o

qu e fazem

.

Ah ! se o fizessem! Que

se u romance dc estreia gu e

sur-

área ideológica d o auro! ^

Po r qu e não

para

qu e servem? Se o fizessem

(p . 102) . É sobretudo

como

neste

visível

servindo-se d a voz d e se u protagonista para refletir

suas

próprias/

intenções paródicas e irritações incontroladas.

 

^

|

E m volta desses membros

privilegiados d o setor

político-adfní-'

nistrativo pulula m elementos emergentes d e outros espaços, visando

podem se r

pequenos burocratas, n a esperança d e uma nomeação, viúvas e m busca d e pensão, jornalistas à cata d e notícias. Estão contudo,

a

aproveitar-se

da s oportunidades

possíveis. Também

como o s outros, dependentes d e todas

espetáculo diário d o mundo d o

parecer:

as regras

d a sujeição, d o

Como havíamos de subir, ou, pelo menos de manter a posição conquistada, se não fôssemos sempre às missas de sétimo dia dos parentes dos chefes, se não lhes niandiSssemos cartões no dia de aniversários, se nã o estivéssemos presentes aos embarques e desem-

barques

de

figurões

{N.N., p,

117).

Lima Barret o extrema a sátira a o espaço político-administra- tivo a fi m d e desnudar e m se u funcionamento "o