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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE CURSO DE ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ANÁLISE DE RISCOS NAS ATIVIDADES DE EXECUÇÃO DE FORMAS NA OPERAÇÃO COM SERRA CIRCULAR

DE EXECUÇÃO DE FORMAS NA OPERAÇÃO COM SERRA CIRCULAR DEISE DELFINO NUNES ROSILDA MARIA DE SOUZA

DEISE DELFINO NUNES ROSILDA MARIA DE SOUZA

DE EXECUÇÃO DE FORMAS NA OPERAÇÃO COM SERRA CIRCULAR DEISE DELFINO NUNES ROSILDA MARIA DE SOUZA

CRICIÚMA, ABRIL 2007

DEISE DELFINO NUNES

ROSILDA MARIA DE SOUZA

1
1

ANÁLISE DE RISCOS NAS ATIVIDADES DE EXECUÇÃO DE FORMAS NA OPERAÇÃO COM SERRA CIRCULAR

Monografia apresentada como requisito final à obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, à Universidade do Extremo Sul Catarinense, Curso de Pós-Graduação (lato sensu) em Engenharia de Segurança do Trabalho.

Orientadora: Prof. Vera Lúcia Duarte do Valle Pereira, Dra. Co-Orientadora: Prof. Simone T. F. Lopes da Costa, M.Sc.

CRICIÚMA, ABRIL 2007

Vera Lúcia Duarte do Valle Pereira, Dra. Co-Orientadora: Prof. Simone T. F. Lopes da Costa, M.Sc.
Vera Lúcia Duarte do Valle Pereira, Dra. Co-Orientadora: Prof. Simone T. F. Lopes da Costa, M.Sc.

TERMO DE APROVAÇÃO

DEISE DELFINO NUNES

ROSILDA MARIA DE SOUZA

2
2

ANÁLISE DE RISCOS NAS ATIVIDADES DE EXECUÇÃO DE FORMAS NA

OPERAÇÃO COM SERRA CIRCULAR

Monografia apresentada como requisito final à obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, à Universidade do Extremo Sul Catarinense.

Prof. Vera Lúcia D. do Valle Pereira, Dra.

Coordenadora do Curso

Banca Examinadora:

Prof. Vera Lúcia D. do Valle Pereira, Dra.

Orientadora

Prof. Simone T. F. Lopes da Costa, M.Sc.

Co-Orientadora

Prof. Marcelo Fontanella Webster, M.Sc.

CRICIÚMA, ABRIL 2007

SUMÁRIO

3
3

LISTA

DE

TABELAS

 

6

LISTA

DE

FIGURAS

7

LISTA

DE

SIGLAS

8

RESUMO

9

ABSTRACT

10

CAPÍTULO I

11

1

INTRODUÇÃO

11

1.1 Problemática

12

1.2 Objetivos

12

1.2.1 Objetivo

Geral

12

1.2.2 Objetivo Específico

 

12

1.3 Justificativa

13

1.4 Metodologia

14

1.4.1 Base Filosófica

14

1.4.2 Método de Pesquisa

 

14

1.4.3 Caracterização da Pesquisa

15

1.4.3.1 Natureza da Pesquisa

15

1.4.3.2 Caráter da Pesquisa

15

1.4.3.3 Profundidade da Pesquisa

 

16

1.4.3.4 Técnicas da Pesquisa

 

16

1.5 Relevância à Engenharia de Segurança do Trabalho

17

1.6 Limitações

17

1.7 Estrutura do Trabalho

 

17

CAPÍTULO II

 

19

2

CONSTRUÇÃO CIVIL

19

2.1 Característica do setor

 

19

2.1.1

Desenvolvimento tecnológico da construção civil no Brasil

21

2.2 Normatização técnica e certificação de conformidade

23

2.3 Segurança na construção civil

 

24

2.3.1 Conceitos básicos

26

2.3.1.1 Acidente e Quase-acidentes

 

26

2.3.1.2 Condições inseguras e atos inseguros

26

2.3.1.3 Perigo e risco

 

27

2.3.2 Normatização em Segurança e Saúde na Indústria da Construção

29

2.3.2.1 Norma

Regulamentadora

N o 4

(SESMT)

30

2.3.2.2 Norma

Regulamentadora

N o 5

(CIPA)

31

2.3.2.3 Norma Regulamentadora N o 7 (PCMSO)

31

2.3.2.4 Norma

Regulamentadora

N o 9 (PPRA)

32

2.3.2.5 Norma

Regulamentadora

N o 18 (PCMAT)

32

2.3.3 Estatística do setor da Construção Civil para o estado de Santa Catarina

33

2.3.4 Por que investir em segurança (custos e responsabilidade social)?

38

2.3.5 Ações em segurança e saúde no trabalho na indústria da construção civil

39

2.4 Sistema de

Formas

41

2.4.1 Definições

41

2.4.2 Características

42

2.4.3 Classificação dos sistemas de formas para concreto

43

2.4.3.1 Formas para elementos verticais

 

43

2.4.3.2 Formas para elementos horizontais

46

4
4
 

2.4.4

Execução de formas na operação com serra circular

47

 

2.4.4.1 Descrição do Processo de Execução de Formas

47

2.4.4.2 Procedimento de segurança a ser realizado

48

2.4.4.3 Preparação

do Material

49

2.4.4.4 Elaboração

das Formas

49

2.4.4.5 Remoção

das Formas

49

2.4.4.6 Retiradas de Escoras

50

 

2.4.5 Analise dos Riscos dos Serviços de Execução de Formas com Serra Circular

50

2.4.6 Riscos na operação da Serra Circular

50

2.4.7 Causas dos riscos na operação da Serra Circular

51

2.4.8 Medidas Preventivas

 

51

2.5

Análise de Riscos

52

2.5.1

Principais técnicas de análise de riscos

52

 

2.5.1.1

Objetivos das Técnicas de Análise de Riscos

53

2.5.1.2

Aplicação das técnicas de análise de riscos

54

 

2.5.2

Técnicas

de identificação de perigos

54

 

2.5.2.1

What-if

54

2.5.2.2

Check-list

55

 

2.5.3

Técnicas de Análise de Riscos

55

 

2.5.3.1

Análise Preliminar de Riscos (APR) - Preliminary Hazard Analysis

(PHA) Também chamada de Análise Preliminar de Perigos (APP)

55

2.5.3.2

Análise de Operabilidade de Perigos - Hazard and Operability Studies

(HAZOP)

 

57

2.5.3.3

Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) - Failure Modes and

Effects Analysis (FMEA)

59

 

2.5.4

Técnicas

Avaliação de Riscos

62

 

2.5.4.1

Análise de Árvore de Falhas (AAF) - Fault Tree Analysis (FTA)

62

CAPÍTULO III

69

3 ESTUDO DE CASO

 

69

3.1 Estudo de Caso

69

3.2 Histórico da Empresa

71

3.3 Procedimentos Metodológicos

71

3.4 Fluxograma de Execução de Formas

72

3.5 Método

 

73

 

3.5.1

Metodologia de implantação das Técnicas APR e AMFE

73

3.6 Serra circular na execução de formas

74

3.7 Identificação de riscos na serra circular a serem observados in loco

74

 

3.7.1 Retrocesso da madeira

 

74

3.7.2 Dentes ou videas quebrados ou trincados

75

3.7.3 Desequilíbrio da Madeira decorrente da própria operação da serra

75

3.7.4 Contato acidental das mãos com os dentes da Serra, caso não possua coifa

 

protetora

 

76

 

3.7.5 Contato acidental com o disco da serra, no final da operação de serragem, caso não possua coifa protetora e empurrador

76

3.7.6 Contato com o disco da serra na parte inferior (abaixo) da bancada, falta de proteção nas laterais

77

3.7.7 Falta de organização no canteiro de obras

78

3.7.8 Coletor de serragem e suportes de apoio

78

5
5
 

3.9

Aplicação da APR

80

3.10 Etapas para Aplicação da AMFE

81

3.11 Aplicação da AMFE

81

3.11.1 Abordagem sistêmica

82

3.11.2 Componentes da serra circular

83

CAPÍTULO IV

 

86

4

Resultados obtidos

86

4.1 Análise

Preliminar de Riscos (APR)

86

4.2 Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE)

90

CAPÍTULO V

 

94

5

Conclusões e Recomendações para futuros trabalhos

94

5.1 Conclusões

94

5.2 A Importância da Engenharia de Segurança do Trabalho

96

5.3 Recomendações para Futuros Trabalhos

97

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

98

LISTA DE TABELAS

LISTA DE TABELAS Tabela 1 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2002 34 Tabela
LISTA DE TABELAS Tabela 1 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2002 34 Tabela

Tabela 1 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2002

34

Tabela 2 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2003

35

Tabela 3 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2004

36

Tabela 4 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2002 – Edificações diversas

37

Tabela 5 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2003 – Edificações diversas

37

Tabela 6 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2004 – Edificações diversas

37

Tabela 7 - Modelo de ficha para Análise Preliminar de Riscos

56

Tabela 8 - Categoria de severidade dos cenários utilizados em APR

57

Tabela 9 - Palavras-guia do estudo HAZOP e respectivos desvios

58

Tabela 10 - Modelo de relatório para um estudo HAZOP

59

Tabela 11 - Modelo de Aplicação de uma AMFE

60

Tabela 12 - Modelo de formulário para AMFE

62

Tabela 13 - Álgebra booleana e simbologia usada na árvore de falhas

66

Tabela 14 - Relacionamento e leis representativas da Álgebra de Boole

67

Tabela 15 – Categoria de severidade dos cenários utilizados em APR (adaptada)

79

Tabela 16 – Grupo de Trabalho

80

Tabela 17 - Formulário para AMFE

81

Tabela 18: Análise preliminar de risco do subsistema empilhamento de madeira

87

Tabela 19: Análise preliminar de risco do subsistema madeira isenta de pregos

87

Tabela 20: Análise preliminar de risco do subsistema transporte da madeira a serra

88

Tabela 21: Análise preliminar de risco do subsistema colocação da madeira

88

Tabela 22: Análise preliminar de risco do subsistema organização do canteiro

89

Tabela 23 Análise preliminar de risco do subsistema organização do canteiro

89

Tabela 24: Análise preliminar de risco do subsistema organização do canteiro

90

Tabela 25: Análise de modos de falha e efeitos do disco

91

Tabela 26: Análise de modos de falha e efeitos da coifa protetora

91

Tabela 27: Análise de modos de falha e efeitos do cutelo divisor

92

Tabela 28: Análise de modos de falha e efeitos dos empurradores

92

Tabela 29: Análise de modos de falha e efeitos da chave liga/desliga

93

Tabela 30: Análise de modos de falha e efeitos do aterramento

93

LISTA DE FIGURAS

7
7

Figura 1 - Estrutura fundamental de uma AMFE

63

Figura 2 - Simbologia lógica de uma árvore de falha

65

Figura 3 - Esquema de uma árvore de falhas

68

Figura 4 - Quadro de áreas do Residencial Jardim di Ébanos

70

Figura 5 - Fluxograma do processo de Execução de Formas

72

Figura 6 - Etapa para implantação APR e AMFE

73

Figura 7 - Tábua de pinus com nós e rachaduras

74

Figura 8 - Serra com dentes ou videas quebrados ou trincados

75

Figura 9 - Desequilíbrio da madeira

75

Figura 10 - Contato acidental das mãos com os dentes da Serra

76

Figura 11-Contato acidental com o disco da serra caso não possua coifa protetora ou

empurrador

Figura 12 - Contato com o disco da serra na parte inferior da bancada sem proteção nas

77

laterais

77

Figura 13 - Falta de organização e limpeza no canteiro de obras

78

Figura 14 - Coletor de serragem e suportes de apoio

79

Figura 15 - Processo da Serra circular

83

Figura 16 - Disco da serra circular

83

Figura 17 - Coifa protetora

84

Figura 18 - Cutelo divisor ou Lâmina reparadora

84

Figura 19 – Empurradores

85

17 - Coifa protetora 84 Figura 18 - Cutelo divisor ou Lâmina reparadora 84 Figura 19

LISTA DE SIGLAS

8
8

AAF - Análise de Árvores de Falhas ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas AIDS - - Acquirite Imuno-Deficience Syndrom (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida- SIDA) AMFE - Análise dos Modos de Falhas e Efeitos APP - Análise Preliminar de Perigos APR - Análise Preliminar de Riscos Check List - Lista de Verificações CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CLT - Consolidação das Leis do Trabalho CNAE - Classificação Nacional de Atividades Econômicas CONMETRO - Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial DRT - Delegacia Regional do Trabalho DSST - Departamento de Saúde e Segurança do Trabalho EPC - Equipamento de proteção coletiva EPI - Equipamento de proteção individual FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço-- FMEA - Failure Modes and Effects Analysis FMECA - Failure Modes and Criticality Analysis FTA - Fault Tree Analysis FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho HAZOP- Hazard and Operability Studies INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial ITQC - Instituto de Tecnologia da Qualidade na Construção NB - Norma Brasileira NR - Norma Regulamentadora MET - Ministérios do Trabalho e Emprego OIT - Organização Internacional do Trabalho OMC - Organização Mundial do Comércio PBQPH - Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PCMAT - Programa de Condições e Meio Ambiente na Indústria da Construção Civil PCMSO - Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional PHA - Preliminary Hazard Analysis PIB - Produto Interno Bruto PIB PNRAFT - Programa Nacional de Redução de Acidentes Fatais do Trabalho PPA - Plano Plurianual PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais SESMT - Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho SINMETRO - Sistema Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial SIPAT - Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho SST - Segurança e Saúde no Trabalho SST WHAT IF - O que - se

RESUMO

9
9

O presente trabalho tem por finalidade identificar os riscos na atividade de execução de formas com utilização da serra circular e propor medidas de segurança, através de análises de Análise Preliminar de Riscos (APR) e Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE). A relevância deste segmento implica na necessidade de prevenção de acidentes na operação com serra circular objetivando minimizar os riscos relacionados a segurança e a saúde do trabalhador. A partir da compreensão desses conceitos as autoras apresentam estudo de caso na operação com serra circular da construção civil com o objetivo de evidenciar a importância desta pesquisa.

Palavras-chave: Análise de riscos. Serra circular. Segurança.

o objetivo de evidenciar a importância desta pesquisa. Palavras-chave: Análise de riscos. Serra circular. Segurança.

ABSTRACT

10
10

The purpose of this work, is to identify in the concrete forms execution, the risks involved in the use of circular saw, also, it is proposed, by using Preliminary Risk Analysis (PRA) and (FMEA) Failure Modes and Effect Analysis. In order to assure safety and health to the worker in the civil construction segment it is of paramount need to develop means for circular saw safer operation. By this study and application of risk analysis to a case study of circular saw in the civil construction sector the authors hope to make come it practices contribution.

Word-key: Risks Analysis. Circular Saw Machine. Safety.

11

1 INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I

No contexto atual, a construção civil é um dos setores que apresenta considerável crescimento e importância, sendo assim, discute-se muito e com elevado interesse, o investimento em segurança. Em função disto abordar-se-á neste trabalho o seguinte tema: Análise de riscos nas atividades de execução de formas utilizando serra circular. O interesse pelo tema busca apresentar diretrizes básicas, visando à melhoria continua da segurança do trabalho nesta atividade. Com o intuito de contribuir para a evolução do setor, a partir da busca pelas melhores práticas, com a redução dos riscos de acidentes e um melhor desempenho das equipes e profissionais da construção civil. Tendo como objetivo, analisar os riscos à segurança do trabalhador nos serviços executados, para tal tornar-se-á necessário levantar os riscos de cada tipo de serviço executado no canteiro de obras. Neste, levantar-se-á os riscos na atividade de execução de formas, mais precisamente, na utilização da serra circular . Os riscos serão levantados nos serviços executados no Canteiro de Obras do Residencial Jardim di Ébanos, no qual consta de onze casas geminadas, com área de 983,08m², localizada em Criciúma – SC. Através de análise prática vivenciada diariamente no canteiro de obras, pretende- se analisar o procedimento de execução de formas, utilizando serra circular, levantar os riscos inerentes neste serviço. Após abordagem no canteiro de obras e diagnóstico dos riscos decorrentes do uso da serra circular, analisar-se-á as aplicações práticas utilizadas no canteiro de obras para combater os riscos existentes, verificando também a eficácia das ações. Para realização destas análises utilizou-se de conhecimentos e experiência como profissionais atuando na área de Engenheira Civil .

12

1.1 Problemática

Ainda hoje somos desafiados a evitar acidentes todos os dias. Nos canteiros de obras há riscos a serem neutralizados e controlados. A ênfase neste trabalho será voltada para os serviços de execução de formas utilizando serra circular, em função disso definimos a seguinte problemática:

Quais são os riscos de acidentes de trabalho nos serviços de execução de formas com a utilização da serra circular?

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo Geral

Identificar os riscos de acidentes nos serviços de execução de formas com utilização serra circular.

1.2.2 Objetivo Específico

Tem-se como objetivo específico:

- Realizar uma revisão bibliográfica com o intuito de estabelecer conceitos, conhecer a legislação e as normas de segurança relativas aos riscos na atividade;

- Observar e descrever as atividades dos trabalhadores envolvidos na atividade de execução de formas;

13

- Utilizar as técnicas de análise de risco para identificar os riscos de maior incidência.

1.3 Justificativa

Devido à existência dos riscos dentro dos procedimentos dos serviços executados na construção civil, há a necessidade de identificá-los e criar condições e procedimentos que aliem segurança do trabalhador e qualidade da obra. Observando-se a necessidade de analisar os riscos aos trabalhadores envolvidos na atividade de execução de formas e tendo como premissa que a Engenharia de Segurança do Trabalho atua na prevenção de acidentes é que se optou por fazer o presente trabalho. Além de haver preocupação da empresa quanto ao aspecto de oferecer serviços com qualidade e segurança aos seus empregados. Propor-se-á nesta monografia, um estudo sobre os riscos inerentes ao trabalho na atividade de execução de formas, bem como a apresentação e pesquisa de técnicas de análise de riscos, enfatizando as técnicas Análise Preliminar de Riscos (APR) e Análise dos Modos de Falha e Efeitos (AMFE). Estas ferramentas serão especificamente utilizadas no estudo de caso com serra circular. O estudo das técnicas de análise de riscos se faz necessário porque permite avaliar detalhadamente um objeto com a finalidade de identificar perigo e avaliar os riscos associados. O objeto pode ser tanto organização como a área, sistema, processo, atividade ou operação.

Embora não tenha ocorrido nenhum acidente no canteiro de obras, tem-se a informação da ocorrência de acidentes em outras obras do setor. Diante disto, considerou-se importante contribuir nesta área de segurança associando os perigos agregados a serra circular com as técnicas de análise de riscos de maneira a preveni-los antes que ocorram.

14

1.4 Metodologia

1.4.1 Base Filosófica

Segundo Pacheco Jr e Pereira (2003), o estruturalismo busca estudar o processo em que as variáveis estão envolvidas e, desse modo, maior importância se dá ao conhecimento do próprio processo, em detrimento da relação entre variáveis. Para Triviños (1987), a estrutura é própria de todos os fenômenos, coisas, objetos e sistemas que existem na realidade. E uma forma interior que caracteriza a existência do objeto. Ela preserva a unidade que peculiariza a coisa através das conexões estáveis que se estabeleceu entre os diferentes elementos que a constituem.

1.4.2 Método de Pesquisa

Os métodos utilizados nesta pesquisa foram o dedutivo que, partindo das teorias e leis, na maioria das vezes prediz a ocorrência dos fenômenos particulares e o descritivo, pois parte de observações de como são executados os serviços na atividade de execução de formas com subseqüente descrição o que possibilita conclusões finais sobre o objeto de pesquisa. O método dedutivo, de acordo com Pacheco Jr e Pereira (2003), é o método que parte do geral e, a seguir, desce ao particular e com o objetivo de explicar o conteúdo das premissas de pesquisa.

Segundo Pacheco Jr e Pereira (2003), método descritivo é o processo de raciocínio em que se parte da premissa de que os fenômenos para serem compreendidos em suas

especificidades devem ser objeto de observação [

].

15

1.4.3 Caracterização da Pesquisa

Serão considerados três aspectos:

- Natureza;

- Caráter;

- Profundidade;

- Técnicas da Pesquisa

1.4.3.1 Natureza da Pesquisa

A abordagem qualitativa foi selecionada como método de pesquisa, tendo em vista que o estudo tem natureza exploratório-interpretativa, visando a captar através do estudo de caso dados primários (observações sobre risco com atividade de serra circular) e secundários (bibliografia), os índices oficiais de ocorrência de acidentes.

1.4.3.2 Caráter da Pesquisa

Conforme Malhotra (2001, p.155), “pesquisa qualitativa é a metodologia de pesquisa não-estruturada, exploratória, baseada em pequenas amostras que proporciona insights e compreensão do contexto do problema”. Segundo Pacheco Junior, W e Pereira, V. L. D. V.(2003), a pesquisa caracteriza- se por ser exploratória, quando não se conhece muito bem sobre o tema ou fenômeno objeto de pesquisa e, desse modo buscam-se informações e relações entre os elementos em estudo, possibilitando obter-se um maior conhecimento. De acordo com Triviños (1987), são os estudos exploratórios que permitem ao investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema.

16

1.4.3.3 Profundidade da Pesquisa

O estudo de caso é uma das formas de fazer pesquisa em estudos organizacionais e gerenciais contribuindo com a essência do tema para aumentar o conhecimento científico sobre o assunto e relacionar as melhorias e resultados operacionais e estratégicos das empresas em estudo. Para Yin (2001) “um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. O estudo de caso representa uma maneira de se investigar um tópico empírico, através de procedimentos específicos.

Segundo Triviños (1987), o estudo de caso tem por objetivo aprofundar a descrição de determinada realidade. No estudo de caso, os resultados são válidos só para o caso que se estuda, mas fornece o conhecimento aprofundado de uma realidade delimitada que os resultados atingidos podem permitir e formular hipóteses para o encaminhamento de outras pesquisas. Para o desenvolvimento do trabalho, inicialmente, proceder-se-á a seleção de bibliografia de referência para o necessário embasamento teórico dos principais conceitos relacionados ao tema do trabalho. Após, realizar-se-á uma pesquisa qualitativa baseado em estudo de caso em uma empresa da construção civil, Construtora Nunes.

1.4.3.4 Técnicas da Pesquisa

As técnicas utilizadas serão:

a) Levantamento bibliográfico de informações disponíveis sobre construção civil;

b) Levantamento técnico-documental e bibliográfico sobre análise de riscos, técnicas aplicáveis, dados construtivos e especificações técnicas de serra circular; e,

17

1.5 Relevância à Engenharia de Segurança do Trabalho

A relevância deste trabalho se dá:

- Como referência a novos trabalhos sobre análise de riscos nas atividades de execução de formas;

- Na prevenção de acidentes na operação com serra circular;

- Este estudo pode servir como diretriz para que outras empresas possam fazer programas para evitar acidentes de trabalho no serviço analisado.

1.6 Limitações

Este trabalho limitou-se à aplicação de análise de riscos e técnicas existentes da APR e AMFE no estudo de caso. O objeto desta pesquisa será realizado no Residencial Jardim di Ébanos, obra da Construtora Nunes – localizada em Criciúma- SC.

1.7 Estrutura do Trabalho

Objetivando situar o leitor nas partes que compõem essa monografia, será apresentada uma síntese de cada capítulo. No capítulo I far-se-á uma descrição do que é o trabalho, sua relevância e

limitações.

No capítulo II será feita a revisão bibliográfica, na qual apresentar-se-á uma exposição sobre Construção Civil, caracterizar a indústria, suas particularidades, uma breve revisão referente à atividade nos serviços de execução de formas. No capítulo III far-se-á um histórico da empresa onde será aplicado o estudo de caso, descrever-se-á como é o serviço de execução de formas, apresentar-se-á em forma de fluxograma, far-se-á observação do serviço de execução de formas de forma a levantar todos

18

os riscos a que o trabalhador está exposto, e por fim do capitulo 3, será apresentado o fluxograma do serviço mostrando os riscos de cada etapa. No capítulo IV serão apresentados os resultados das observações sobre análises de riscos na atividade de execução de formas com serra circular. No capítulo V far-se-á uma análise dos dados levantados e recomendações para melhorar a segurança nas atividades de execução de formas.

19

2 CONSTRUÇÃO CIVIL

2.1 Característica do setor

CAPÍTULO II

É incontestável a importância da indústria da construção, principalmente nos grandes centros urbanos, onde os canteiros de obras são presenças constantes, seja nos grandes e modernos prédios comerciais, nas moradias, pontes, viadutos, estradas etc., uma atividade que nas últimas décadas, obteve um desenvolvimento bastante acentuado. O crescimento do setor da construção não atingiu, no entanto, a todos que nele estão envolvidos:

os seus trabalhadores continuam a levar uma vida de poucas oportunidades e conquistas. Com baixos salários e precárias condições de trabalho, a indústria da construção lidera as estatísticas de acidentes de trabalho apresentando inúmeras peculiaridades, envolvendo um elevado número de riscos, razão pela qual são mais difíceis e complexas as medidas preventivas. Em cada fase da obra, mesmo com a evolução de técnicas construtivas ao longo dos anos, predominam técnicas artesanais e a interferência de fatores ambientais como chuva, umidade, calor, frio, velocidades dos ventos, entre outros. A falta de um efetivo gerenciamento do ambiente de trabalho, do processo produtivo e de orientação aos trabalhadores, fez com que inúmeros acidentes de trabalho, principalmente os graves e fatais, tivessem um significativo aumento em relação a outros ramos de atividades. É importante ressaltar que a reformulação da Norma Regulamentadora (NR) Nº 18, publicada no Diário Oficial da União em 07 de julho de 1995, se constituía num mecanismo de constantes avanços na melhoria das condições de trabalho nos canteiros de obras, o que reforça a necessidade de se implementar ações integradas na indústria da construção (http:// www.habitare.org.br). Mesmo sendo a Construção Civil o setor da economia responsável pela criação e manutenção de grande número de empregos diretos e indiretos no Brasil, o descaso com os trabalhadores continua gerando elevados índices de acidentes de trabalho. Esses elevados índices se caracterizam devido a uma série de peculiaridades que acabam tornando as medidas

20

preventivas para acidentes de trabalho muito complexas. Segundo pesquisas, amplamente divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a Construção Civil é responsável por 21,55% (FUNDACENTRO, 1981) de todos os acidentes registrados no país. Este elevado índice deve-se à situação precária, no que diz respeito à higiene, segurança, treinamento e

meio ambiente, que se encontra o setor da Construção Civil. Essas más condições de higiene e segurança no trabalho existentes nos canteiros de obra, segundo Saurin (2000, pg. 01), tem sido apontadas com freqüência como um dos símbolos do atraso tecnológico e gerencial que caracteriza a indústria da construção. Por outro lado, nos últimos anos tem se observado no país um grande esforço no sentido de modernizar este setor industrial, principalmente motivado pelo aumento da competição e pelo crescente grau de exigência de qualidade por parte dos consumidores e produtividade por parte dos empreendedores. Os empregados da indústria da construção civil apresentam instabilidade empregatícia; em épocas de crescimento do setor, são recrutados da zona rural ou de estados mais pobres sem nenhum treinamento específico e, portanto, sem qualificação profissional (BARROS JÚNIOR et al., 1990). A baixa qualificação, a elevada rotatividade e o reduzido investimento por parte das empresas em treinamento e desenvolvimento costumam ser algo característico dessa indústria (ANDRADE E BASTOS, 1999). A modernização da indústria da construção civil, com ênfase na gestão da produção, levou a exigência de maior produtividade e qualidade do produto, fazendo as empresas passar a se preocupar com os operários, no sentido de treiná-los, capacitá-los e fazê- los criar vínculos de fidelidade com as mesmas (CORDEIRO e MACHADO, 2002). Os índices vêm diminuindo com as contribuições da NR18 e das ações desenvolvidas pelos Comitês Permanentes Regionais sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria

da Construção (CADERNO

, Tendo-se, no Brasil, uma grande massa de trabalhadores em situação de informalidade das relações contratuais, a tendência é elevar-se a subnotificação acidentária, já importante no país (RIGOTTO, 1998). Essa situação, acrescida do fato de que a população ser formada ainda por uma grande parcela de pessoas desconhecedoras de seus direitos, faz com que os trabalhadores acabem admitindo a culpa pelos acidentes de trabalho, não chegando a procurar atendimento à saúde ou, quando o fazem, omitem o seu problema de saúde como

sendo relacionado ao trabalho.

2003).

21

Perante todas estas situações resulta um numeroso conjunto de riscos objetivos e bastante elevados, que transformam este setor num dos setores de atividade com maiores probabilidades de ocorrência de acidentes de trabalho, associados à forte precariedade, rotatividade e prática de subcontratação.

2.1.1 Desenvolvimento tecnológico da construção civil no Brasil

Diante de um país com grande déficit habitacional, a incorporação de meios e técnicas construtivas voltadas para racionalização, diminuição dos custos e melhoria da qualidade de uma habitação, são de extrema importância no sentido de sanar, ou, pelo menos diminuir este déficit. A partir do final da década de 1980, uma nova realidade sócio- econômica caracteriza a sociedade e a economia mundial. Em meados da década de 1990 é promulgado o código de defesa do consumir e o governo federal desenvolve políticas mais efetivas visando à estabilidade econômica. Este quadro político, social e a crise econômica reduzem significativamente o mercado consumidor. Este fato promove acirrada concorrência entre as empresas, que passam a investir em eficiência na utilização dos seus recursos e na qualidade de seus produtos (THOMAZ, 2001). Além disso, força as empresas a buscarem alternativas no seu modo de produção, a oferecerem produtos mais acessíveis e melhores e obriga a repensarem sua forma de produzir, visando sua sobrevivência neste mercado. As indústrias estão estruturadas por meio de cadeias de dependências, com elos mais fortes ou fracos, dependendo do grau de desenvolvimento e do patamar tecnológico das unidades que participam desta cadeia, na qual existe um centro hegemônico de todo processo político e produtivo. Este centro domina por completo todas as relações entre as partes que compõem a estrutura. Se uma unidade se torna obsoleta, em relação ao todo, ela será substituída por outra mais adequada e, provavelmente, desaparecerá do mercado. Enquanto que nos setores industrializados em geral o poder de decisão está concentrado na indústria polarizadora, na construção civil ele está pulverizado em vários segmentos que participam da macro-estrutura produtiva. Esta gama de agentes com interesses diversos e diferentes graus de desenvolvimento tecnológico, interfere de forma decisiva no

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produto final do setor (MARTUCCI, 1990), como também, no seu ritmo de modernização tecnológica, fazendo com que este se dê de forma lenta em relação a outros segmentos industriais.

A passagem da construção civil do estágio de processo artesanal para o de indústria de montagem, adquire contornos irreversíveis, apesar das resistências que ainda sobrevivem. Certas posturas e vícios de comportamento ainda estão por mudar, paralelamente ao que se refere ao conhecido tripé tecnologia/qualidade/produtividade. Sinal dos tempos, sete anos atrás se fundava o Instituto de Tecnologia da Qualidade na Construção (ITQC), mesma época em que um grande número de empresas brasileiras começou a desaparecer - umas foram incorporadas, outras simplesmente deixaram de existir, porque não souberam se renovar em tempo hábil. E antes ainda, o Instituto de Engenharia, se adiantando, já havia deflagrado a discussão em torno do problema, "A criação do ITQC foi uma das conseqüências da preocupação dos diversos segmentos do setor da construção civil com sua sobrevivência, lembra o vice-presidente do órgão, profº Vahan Agopian. “Eles se juntaram e criaram o ITQC, que é apenas um aglomerador, incentivador da evolução da tecnologia e da qualidade “. O Instituto não executa, apenas levanta o problema, articula e, principalmente em projetos de âmbito nacional em que trabalham várias instituições, o ITQC atua como canalizador e integrador de informações, viabilizando trabalhos e estudos". Para o professor Vahan, "há muito a ser feito ainda no Brasil pela melhora da construção civil, uma indústria atípica no mundo inteiro, o que não quer dizer que nossa indústria seja pior do que a americana, japonesa, ou australiana. Ela é diferente". Ele concorda que, "quando se fala em qualidade, não existe esse fator isolado, mas todos os elos da cadeia ficam envolvidos: o material, a execução, a manutenção, a fiscalização e assim por diante. A construtora tem de interagir com a empreiteira, quando uma construtora implanta qualidade, ela acaba incentivando toda a corrente produtiva". É importante ressaltar que a indústria da construção civil está inserida num mundo interdependente, sofrendo conseqüências de ações que não estão diretamente associados às decisões tomadas por ela. Por muitos anos, a construção civil ficou adormecida e o mercado de trabalho sem perspectiva de melhora. Existe, no momento, a confiança de um novo tempo com perspectivas positivas de desenvolvimento e crescimento. O papel desta indústria está associado às melhorias da qualidade de vida das pessoas e isto faz com que este papel seja

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mutável, pois as necessidades humanas são ilimitadas e a inovação tecnológica é uma fonte renovadora deste movimento (REVISTA ENGENHARIA,1999).

2.2 Normatização técnica e certificação de conformidade

As normas técnicas são um processo de simplificação, pois reduzem a crescente variedade de procedimentos e produtos. Assim, elas eliminam o desperdício, o retrabalho e facilitam a troca de informações entre fornecedor e consumidor ou entre clientes internos. Outra finalidade importante de uma norma técnica é a proteção ao consumidor, especificando

critérios e requisitos que aferem o desempenho do produto/serviço, protegendo assim também

a vida e a saúde. A normatização e os procedimentos de avaliação da conformidade (em particular

a certificação) são instrumentos que têm se mostrado úteis e extremamente eficientes para

lidar com a questão da segurança numa grande variedade de atividades humanas. Tem-se como exemplo de sucesso, o processo de normatização estabelecido pela construção civil nos últimos 15 anos. Como instrumento, as normas técnicas contribuem em quatro aspectos:

Qualidade: fixando padrões que levam em conta as necessidades e desejos dos usuários; Produtividade: padronizando produtos, processos e procedimentos; Tecnologia: consolidando, difundindo e estabelecendo parâmetros consensuais entre produtores, consumidores e especialistas, colocando os resultados à disposição da sociedade; Marketing: regulando de forma equilibrada as relações de compra e venda.

O Comitê Brasileiro é responsável pela elaboração das normas técnicas de componentes, elementos, produtos ou serviços, utilizados na construção civil, abrangendo seus aspectos referentes ao planejamento, projeto, execução, métodos de ensaio, armazenamento, transporte, operação, uso e manutenção, e necessidades do usuário, subdivididas setorialmente. Além de ser uma meta da empresa, a segurança também é uma obrigação legal, cabendo ao empregador cumprir a legislação vigente. As Normas Regulamentadoras (NR) no

24

Brasil são normas genéricas que estabelecem os requisitos aos quais todas as indústrias devem atender, existindo, porém, normas específicas para alguns setores, como é o caso da indústria da construção. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) se insere no Sistema Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (SINMETRO). A ABNT é o organismo reconhecido pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO) como o fórum único de normatização no Brasil cuja norma pode não só ser usada para a defesa do mercado nacional, como também para facilitar o acesso da empresa brasileira ao mercado internacional. Geralmente, costuma-se confundir norma com regulamento técnico. A norma é muito importante, mas costuma ser mencionada apenas após o problema ter ocorrido. Existe cerca de 34 autoridades federais que podem estabelecer regulamentos técnicos, mas só o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) regulamenta sobre matérias que não estejam incluídas na relação subordinada a essas 34 autoridades federais. Pelo Acordo de Barreiras Técnicas da Organização Mundial do Comércio (OMC), só podem ser estabelecidos requisitos num regulamento técnico se estes estiverem de acordo com a norma mundial.

2.3 Segurança na construção civil

Tendo como meta, atingir a melhor qualidade de um processo ou de um produto, é extremamente necessário um ambiente de trabalho em condições adequadas para o profissional direcionar toda a sua potencialidade no que está sendo executado. Por esta razão, Segurança do Trabalho e Qualidade são sinônimos, mas não basta apenas se deter na qualidade de material empregado e no produto final obtido, deve-se levar em conta também à qualidade da segurança e da saúde ocupacional dos trabalhadores direta e indiretamente envolvidos no processo. A falta de um projeto que gerencie a saúde e segurança compromete a produtividade, a qualidade, os custos, os prazos de entrega, a confiança dos clientes e o próprio ambiente de trabalho. O gerenciamento da segurança pode levar ao mesmo caminho da garantia da qualidade. Segurança na construção é um padrão de qualidade que pode ser determinado no contrato e requerido pelos clientes.

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Segurança do Trabalho passa a ter importância fundamental para a consecução dos mais altos índices de qualidade e produtividade. Muitas empresas têm a segurança e a saúde do trabalhador como estratégia competitiva, buscando diretamente a satisfação dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que priorizam a educação, o treinamento e a motivação

(CARVALHO,1995).

Os métodos de prevenção de acidentes são tão importantes quanto aos métodos requeridos para o controle da qualidade. Entendemos que os mesmos fatores que ocasionam acidentes no trabalho podem causar as perdas na produção, bem como problemas de qualidade e custo. Para evitar e prevenir os acidentes é necessário informar adequadamente o trabalhador sobre todos os riscos e cuidados. Uma empresa que busca reduzir as chances de ocorrência de acidentes e diminuir as suas conseqüências deve atentar para três elementos fundamentais: prevenção de riscos, informação e treinamento dos trabalhadores. Para isto, a empresa deve elaborar e colocar em prática um Programa de Segurança e Saúde, obedecendo, rigorosamente, as Normas de Segurança do Trabalho, principalmente, a Norma Regulamentadora nº 18: “Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção”. Segundo Lo (1996), num estudo em que analisa a segurança no setor da construção civil em Hong Kong, a incorporação de elementos de segurança e auditoria de segurança, na implementação do sistema de gerenciamento da qualidade, através da ISO 9000, tem demonstrado ser uma ferramenta de sucesso na melhoria da segurança ocupacional. Este ainda realça a identificação de problemas e tomada de ações corretivas como uma estratégia efetiva para promover a segurança. Na construção civil, existe uma multiplicidade de fatores de riscos que predispõe o operário ao acidente, tais como instalações provisórias inadequadas, jornadas de trabalho prolongadas, a negligencia quanto ao uso ou uso de maneira incorreta do equipamento de proteção individual (EPI) e a falta do equipamento de proteção coletiva (EPC), outros fatores que também devem ser considerados são os fatores sócio-econômico, alimentação, formação e conscientização da mão-de-obra. Todos esses fatores estão inter-relacionados com a segurança do trabalho e contribuem para que se tenha um grande número de acidentes de trabalho. Segundo estatísticas oficiais, publicadas no ANUÁRIO BRASILEIRO DE PROTEÇÃO/00, em 1999 foram registrados 424,137 acidentes de trabalho em todo o país, sendo a indústria da construção civil um dos setores que apresentou uma freqüência maior de acidentes, perdendo apenas para a indústria extrativa.

26

2.3.1 Conceitos básicos

2.3.1.1 Acidente e Quase-acidentes

Muitas são as definições de acidente, e variam segundo o enfoque: legal, prevencionista, ocupacional, estatístico, previdenciário etc. Uma definição abrangente e genérica apresenta o seguinte enunciado:

“ Acidente é um evento indesejável e inesperado que produz desconforto, ferimentos, danos, perdas humanas e ou materiais. Um acidente pode mudar totalmente a rotina e a vida de uma pessoa, modificar sua razão de viver ou colocar em risco seus negócios e propriedades. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam o acidente não é obra do acaso

e nem da falta de sorte.” (http://bauru.unesp.br/curso_cipa/3_seguranca_do_trabalho/

1_acidentes.htm)

Sob o ponto de vista dos especialistas em Segurança, os acidentes são "causados"

por fatores conhecidos, previsíveis e controláveis. Acidente é uma ocorrência não programada, inesperada ou não, que interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade, ocasionando perda de tempo útil e/ou lesões nos trabalhadores e/ou danos materiais (http://www.areaseg.com/segpedia/). O incidente crítico é qualquer evento ou ocorrência que, embora com potencialidade de provocar danos corporais e/ou materiais graves, não manifesta estes danos. Ou seja, quase acidente é um evento ou ocorrência inesperada, relacionada a um trabalhador

ou a um equipamento, que por pouco deixou de ser um acidente (http://www.areaseg.com/ segpedia/).

2.3.1.2 Condições inseguras e atos inseguros

Milhares podem ser as causas de um simples acidente, entretanto todas elas podem ser agrupadas em duas categorias: condições inseguras e atos inseguros. De acordo com a Norma Brasileira (NB) 18 da ABNT existem vários aspectos que decorrem dessas

27

causas. Segundo Piza, (1997), deve-se entender que o acidente sempre ocorre como resultado da soma de atos e condições inseguras que são oriundos de aspectos psicossociais denominados fatores pessoais de insegurança. A condição insegura é um termo técnico utilizado em prevenção de acidentes que tem como definição as circunstâncias externas de que dependem as pessoas para realizar seu trabalho que sejam incompatíveis ou contrárias com as normas de segurança e prevenção de acidentes. Como essas condições estão nos locais de trabalho pode-se deduzir que foram instaladas por decisão e/ou mau comportamento de pessoas que permitiram o desenvolvimento de situações de risco àqueles que lá executam suas atividades. Conclui-se, portanto, que as condições inseguras existentes são, via de regra, geradas por problemas comportamentais do homem, independente do seu nível hierárquico dentro da empresa. São exemplos de condições inseguras: instalação elétrica com fios desencapados, máquinas em estado precário de manutenção, andaime de obras de construção civil feitos com materiais inadequados. O Ato Inseguro é um termo técnico utilizado em prevenção de acidentes que, conforme a escola possui definições diferentes, porém com o mesmo significado. Entendem- se como ato inseguro todos os procedimentos do homem que contrariem normas de prevenção de acidentes. As atitudes contrárias aos procedimentos e/ou normas de segurança que o homem assume podem, ou não, ser deliberadas. Normalmente, quando essas atitudes não são propositais, o homem deve estar sendo motivado por problemas psicossociais. Atualmente os termos condição e ato inseguro, em investigações de acidentes, não são mais utilizados. Os profissionais preferem descrever a condição ou o ato inseguro cometido, o que facilita, em muito, a análise dos acidentes, ao invés de generalizá-los (PIZA,

1997).

2.3.1.3 Perigo e risco

De Cicco e Fantazzini (1994), define que antes de um estudo específico sobre riscos e seu gerenciamento, há a necessidade de se definir alguns conceitos básicos, sobre termos corriqueiramente aceitos. Alberton (1996), compilou os termos básicos mais aceitos entre os profissionais e estudiosos no assunto.

28

Perigo: Expressa uma exposição relativa a um risco que favorece a sua materialização em danos. Se existe um risco, face às precauções tomadas, o nível de perigo pode ser baixo ou alto, e ainda, para riscos iguais podem-se ter diferentes tipos de perigo. Causa: É a origem de caráter humano ou material relacionada com o evento catastrófico resultante da materialização de um risco, provocando danos. Dano: É a severidade da perda tanto humana, material, ambiental ou financeira. É a conseqüência da falta de controle sobre um determinado risco. O risco (probabilidade) e o perigo (exposição) podem manter-se inalterados e mesmo assim existir diferença na gravidade do dano. Perda: É o prejuízo sofrido por uma organização sem garantia de ressarcimento através de seguros ou por outros meios.

Perigo é a possibilidade de sofrer perda, dano físico, dano à propriedade, a equipamento, dano ao meio ambiente, doenças etc. Situação inerente com capacidade de causar lesões à saúde das pessoas Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo De Cicco e Fantazzini (1982) perigo expressa uma exposição relativa a um risco, que favorece a sua materialização em danos. Dano é a severidade da lesão, ou a perda física, funcional ou econômica, que podem resultar se o controle sobre o risco é perdido. Risco é uma possibilidade real ou potencial capaz de causar lesão e/ou morte, danos ou perdas patrimoniais, interrupção de processo de produção ou de afetar a comunidade ou o meio ambiente. Uma combinação da probabilidade de que ocorra um acontecimento perigoso com a gravidade de lesões ou danos à saúde da pessoa, causado por este acontecimento (OIT), (http://www.areaseg.com/segpedia/). Para De Cicco e Fantazzini (1982), risco é uma ou mais condições de uma variável, com o potencial necessário para causar danos. Esses danos podem ser entendidos como lesões a pessoas, danos a equipamentos ou estruturas, perda de material em processo, ou redução da capacidade de desempenho de uma função pré-determinada. Havendo um risco, persistem as possibilidades de efeitos adversos.

29

2.3.2 Normatização em Segurança e Saúde na Indústria da Construção

A segurança do trabalho é uma conquista relativamente recente da sociedade, pois ela só começou a se desenvolver modernamente, ou como a entendemos hoje, no período entre as duas grandes guerras mundiais (CRUZ, 1996). Na América do Norte, a legislação sobre segurança só foi introduzida em 1908, sendo que só a partir dos anos 70 ela se tornou

uma prática comum para todos os integrantes do setor produtivo, já que antes disso ela só era foco de especialistas, governo e grandes corporações (MARTEL e MOSELHI, 1988). No Brasil, as leis que começaram a abordar a questão da segurança no trabalho só surgiram no início dos anos 40. Segundo Lima Jr. (1995), o qual fez um levantamento desta evolução, o assunto só foi mais bem discutido em 1943 a partir do Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A primeira grande reformulação deste assunto no país só ocorreu em 1967, quando se destacou a necessidade de organização das empresas com a criação dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT).

O grande salto qualitativo da legislação brasileira em segurança do trabalho

ocorreu em 1978 com a introdução das vinte e oito normas regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho. Ainda que todas as NR sejam aplicáveis à construção, destaca-se entre elas a NR- 18, visto que é a única específica para o setor. Além das NR, a segurança do trabalho na construção também é abordada em algumas normas da ABNT, tais como a NBR 5410

(Instalações Elétricas de Baixa Tensão) e a NB- 56 (Segurança nos Andaimes).

A primeira modificação da NR-18 se deu em 1983, tornando-a mais ampla. A

última grande reformulação ocorreu em 1995, quando a norma sofreu uma grande evolução qualitativa, destacando-se principalmente, a sua elaboração no formato tripartite 1 . Ao caráter tripartite somou-se a decisão de que todas as exigências fossem aprovadas de forma consensual, resolvendo-se, através de concessões das partes, eventuais impasses. Este esforço foi despendido com o objetivo de desenvolver uma legislação democrática e com isto aumentar a aceitabilidade da norma por todos os envolvidos na sua implantação.

1 O formato tripartite consiste na discussão e aprovação de legislações através de uma bancada composta por três grupos distintos, sendo um deles o mediador (no caso brasileiros existe a bancada dos empregados, dos empregadores e do governo, sendo este último o mediador). No Brasil, o formato é do tripartismo paritário, ou seja, cada uma das três bancadas possui exatamente o mesmo número de integrantes.

30

Entretanto, apesar da nova NR-18 ter sido elaborada e aprovada através destes mecanismos, nota-se a sua freqüente falta de cumprimento e a persistência de altos índices de acidentes de trabalho (COSTELLA, 1999).

A seguir será feita uma descrição das normas existentes em segurança e saúde na Indústria da Construção Civil. As normas aqui descritas podem ser encontradas no endereço

eletrônico(http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./sms/index.html&conteu

do=./sms/seg.html#sesmt).

2.3.2.1 Norma Regulamentadora N o 4 (SESMT)

Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) são mantidos obrigatoriamente, pelas empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e indireta e dos Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados registrados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Os SESMT têm a finalidade de promover a saúde e a integridade física do trabalhador no local de trabalho, sendo que o seu dimensionamento vincula-se a gradação do risco da atividade principal e ao número total de empregados do estabelecimento constantes na Norma Regulamentadora de Segurança e Medicina do Trabalho, NR N o 4. Os SESMT devem manter entrosamento permanente com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), dela valendo-se como agente multiplicador, e devem estudar suas observações e solicitações, propondo soluções corretivas e preventivas, conforme disposto na Norma Regulamentadora, NR 5.

A empresa é responsável pelo cumprimento da NR4, devendo assegurar, como um dos meios para concretizar tal responsabilidade, o exercício profissional dos componentes dos SESMT.

31

2.3.2.2 Norma Regulamentadora N o 5 (CIPA)

A CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do

trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho coma a preservação da

vida e a promoção da saúde do trabalhador. A CIPA deve ser composta de representantes do empregador e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto na Norma Regulamentadora NR 5.

A CIPA tem como principais atribuições:

- Identificar os riscos do processo do trabalho elaborando um mapa de riscos;

- Elaborar um plano de trabalho com ações preventivas de segurança e saúde ocupacional;

- Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas preventivas;

- Verificar os ambientes e condições de trabalho;

- Avaliar o cumprimento das medidas fixadas;

- Colaborar no desenvolvimento do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO);

- Participar, anualmente, de Campanhas de Prevenção da Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida (AIDS), em conjunto com a empresa;

- Promover, anualmente, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT).

2.3.2.3 Norma Regulamentadora N o 7 (PCMSO)

O PCMSO é parte integrante do conjunto mais amplo de iniciativas da empresa no

campo da saúde dos trabalhadores, devendo estar articulado com o disposto nas demais Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho. Considera também, questões incidentes sobre o indivíduo e a coletividade de trabalhadores, privilegiando o instrumento clínico-epidemiológico na abordagem da relação entre sua saúde e o trabalho.

32

O programa tem caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos

agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica, além de constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. Este programa deve ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde

dos trabalhadores.

2.3.2.4 Norma Regulamentadora N o 9 (PPRA)

A elaboração e implementação do PPRA é obrigatório para todos os empregados e

instituições que admitam trabalhadores como empregados. Este programa visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de cada estabelecimento da empresa, sob a responsabilidade do empregador, com a participação dos trabalhadores, sendo sua abrangência e profundidade dependentes dos riscos e das necessidades de controle. Considerando-se como riscos ambientais (para elaboração e entendimento do PPRA), os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador.

2.3.2.5 Norma Regulamentadora N o 18 (PCMAT)

O Programa de Condições e Meio Ambiente na Indústria da Construção Civil

(PCMAT) é obrigatório para os estabelecimentos com vinte (20) trabalhadores ou mais, contemplando nos aspectos dispostos na Norma Regulamentadora (NR18) e outros dispositivos complementares de segurança. Este programa deve ser elaborado e executado por

profissional legalmente habilitado na área de segurança do trabalho.

33

Os documentos que integram o PCMAT são:

- Memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações;

- Projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas da execução da obra;

- Especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas;

- Cronograma da implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT;

- Lay-out inicial do canteiro de obras;

- Programa educativo de prevenção de acidentes e doenças do trabalho.

O PCMAT deve ser mantido no estabelecimento à disposição do órgão regional do Ministério do Trabalho.

2.3.3 Estatística do setor da Construção Civil para o estado de Santa Catarina

Os dados estatísticos dos acidentes de trabalho relacionados à indústria da construção civil para o período de 2002 a 2004 no estado de Santa Catarina apresentam-se nas tabelas 1 a 6. A classificação de atividades de referência é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).

34

Tabela 1 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2002

Seleções definidas

Variável

Critério

Valor

Ano

igual a

2002

Divisão do CNAE

igual a

45: Construção

UF

igual a

Santa Catarina

Indicadores de Acidente do Trabalho Indicadores de acidente do trabalho, segundo CNAE, dos estabelecimentos localizados nas Unidades da Federação e no Brasil.

   

Indicadores

 

Classes do CNAE

Tx

Tx

Incidência

Inc

Inc

Tx

Inc

Mortal

Ac

Ac

Incap

Letal

Doença

16a34

Trab

4511:Demolição e Preparação do Terreno

0,00

100,00

12,57

8,38

12,57

0,00

0,00

4512:Perfuração,Fundações

             

Etc para Construção

0,00

72,00

87,87

84,36

84,36

0,00

0,00

4513:Grandes

             

Movimentações de Terra

103,92

45,16

32,22

28,06

33,26

32,26

0,00

4521:Edificações Diversas

34,04

47,10

31,32

28,44

30,49

10,87

0,64

4522:Obras Viárias

0,00

40,28

18,18

16,41

17,42

0,00

0,51

4524:Obras de Urbanização e Paisagismo

0,00

50,00

9,35

9,35

9,35

0,00

0,00

4525:Montagem de

             

Estruturas

597,61

52,17

45,82

41,83

49,80

130,43

1,99

4529:Obras de Outros Tipos

44,15

53,95

33,56

28,70

34,88

13,16

0,00

4532:Construção

             

Distribuição Energia Elétrric

358,69

51,11

80,71

77,12

75,33

44,44

0,00

4533:Construção Redes de Comunicação

41,62

64,62

27,05

22,89

25,39

15,38

0,00

4541:Instalações Elétricas

0,00

55,26

45,77

38,55

46,98

0,00

0,00

4542:Instalações de Ventilação e Refrigeração

569,25

66,67

51,23

45,54

39,85

111,11

5,69

4543:Inst

             

Hidráulicas,Sanitárias,Gás,

Incêndio

0,00

66,67

32,51

32,51

32,51

0,00

0,00

4549:Outras Obras de Instalações

0,00

62,50

31,75

23,81

27,78

0,00

3,97

4551:Alvenaria e Reboco

0,00

38,89

41,01

36,45

41,01

0,00

0,00

4552:Impermeabilização e Pintura em Geral

0,00

83,33

19,52

19,52

22,78

0,00

0,00

4559:Outras Obras de Acabamento

0,00

47,45

53,90

46,03

49,18

0,00

0,39

4560:Aluguel de Equip Constr, Com Operários

0,00

0,00

9,53

9,53

9,53

0,00

0,00

4511:Demolição e

0,00

100,00

12,57

8,38

12,57

0,00

0,00

Preparação do Terreno Fonte: http://www.dataprev.gov.br/

 

35

Tabela 2 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2003

Seleções definidas

Variável

Critério

Valor

Ano

igual a

2003

Divisão do CNAE

igual a

45: Construção

UF

igual a

Santa Catarina

Indicadores de Acidente do Trabalho Indicadores de acidente do trabalho, segundo CNAE, dos estabelecimentos localizados nas Unidades da Federação e no Brasil.

   

Indicadores

 

Classes do CNAE

Incidência

Inc

Inc

Tx

Tx

Tx

Inc

Ac

Incap

Mortal

Ac

Letal

Doença

Trab

16a34

4511:Demolição e Preparação do Terreno

18,41

4,60

18,41

0,00

0,00

0,00

9,20

4512:Perfuração,Fundações

             

Etc para Construção

59,00

55,32

66,38

0,00

75,00

0,00

0,00

4513:Grandes

             

Movimentações de Terra

25,41

25,41

23,20

0,00

47,83

0,00

0,00

4521:Edificações Diversas

24,67

22,02

24,83

23,76

44,94

9,63

0,24

4522:Obras Viárias

15,09

14,01

14,28

26,94

30,36

17,86

0,00

4524:Obras de Urbanização e Paisagismo

601,47

582,07

417,15

0,00

62,90

0,00

0,00

4525:Montagem de

             

Estruturas

28,64

20,05

25,78

0,00

10,00

0,00

0,00

4529:Obras de Outros Tipos

34,33

32,31

30,29

0,00

58,82

0,00

0,00

4532:Construção

             

Distribuição Energia Elétrric

117,06

117,06

44,17

0,00

56,60

0,00

0,00

4533:Construção Redes de Comunicação

59,81

53,52

56,66

314,80

50,00

52,63

0,00

4541:Instalações Elétricas

25,02

22,11

20,30

0,00

69,57

0,00

0,00

4542:Instalações de Ventilação e Refrigeração

39,74

31,05

37,26

0,00

56,25

0,00

3,73

4543:Inst

             

Hidráulicas,Sanitárias,Gás,

Incêndio

45,93

32,80

45,93

0,00

71,43

0,00

0,00

4549:Outras Obras de Instalações

50,93

35,26

58,77

391,77

61,54

76,92

0,00

4551:Alvenaria e Reboco

24,58

24,58

31,61

0,00

57,14

0,00

0,00

4552:Impermeabilização e Pintura em Geral

38,49

34,44

38,49

202,60

42,11

52,63

0,00

4559:Outras Obras de Acabamento

24,25

21,22

24,25

0,00

62,50

0,00

0,00

4560:Aluguel de Equip Constr, Com Operários

31,52

28,45

29,60

38,44

50,00

12,20

0,38

4511:Demolição e

58,92

49,10

58,92

0,00

83,33

0,00

0,00

Preparação do Terreno Fonte: http://www.dataprev.gov.br/

 

36

Tabela 3 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2004

Seleções definidas

Variável

Critério

Valor

Ano

igual a

2004

Divisão do CNAE

igual a

45: Construção

UF

igual a

Santa Catarina

Indicadores de Acidente do Trabalho Indicadores de acidente do trabalho, segundo CNAE, dos estabelecimentos localizados nas Unidades da Federação e no Brasil.

   

Indicadores

 
       

Inc

Tx

   

Classes do CNAE

Tx

Incidência

Inc

Ac

Ac

Tx

Inc

Mortal

Incap

Trab

16a34

Letal

Doença

4511:Demolição e Preparação do Terreno

0,00

50,06

42,91

35,76

0,00

0,00

14,30

4512:Perfuração,Fundações

             

Etc para Construção

0,00

39,41

36,12

32,84

66,67

0,00

3,28

4513:Grandes

             

Movimentações de Terra

0,00

15,02

15,02

14,09

18,75

0,00

0,00

4521:Edificações Diversas

27,22

24,81

25,43

21,51

43,10

10,97

0,43

4522:Obras Viárias

0,00

20,71

21,20

17,75

42,86

0,00

0,25

4524:Obras de Urbanização e Paisagismo

464,75

46,47

41,83

46,47

40,00

100,00

0,00

4531:Construção para Geração Energia Elétrica

0,00

34,42

33,31

33,31

46,77

0,00

0,56

4532:Construção

             

Distribuição Energia Elétrric

0,00

316,55

238,06

290,39

64,46

0,00

10,46

4533:Construção Redes de Comunicação

181,16

61,59

59,78

50,72

38,24

29,41

0,00

4533:Construção Redes de Comunicação

181,16

61,59

59,78

50,72

38,24

29,41

0,00

4541:Instalações Elétricas

0,00

17,90

17,29

14,86

74,58

0,00

0,00

4542:Instalações de Ventilação e Refrigeração

101,68

33,55

31,52

26,44

57,58

30,30

0,00

4543:Inst

             

Hidráulicas,Sanitárias,Gás,

Incêndio

0,00

19,79

26,39

19,79

33,33

0,00

0,00

4549:Outras Obras de Instalações

0,00

24,03

34,33

17,16

28,57

0,00

0,00

4551:Alvenaria e Reboco

0,00

31,86

27,88

31,86

50,00

0,00

0,00

4552:Impermeabilização e Pintura em Geral

210,08

65,13

35,71

54,62

32,26

32,26

8,40

4559:Outras Obras de Acabamento

0,00

20,29

20,29

20,29

0,00

0,00

0,00

4560:Aluguel de Equip Constr, Com Operários

43,44

35,62

36,05

31,27

46,34

12,20

0,00

4511:Demolição e

641,03

108,97

108,97

96,15

29,41

58,82

0,00

Preparação do Terreno Fonte: http://www.dataprev.gov.br/

 

37

Tabela 4 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2002 – Edificações diversas

Seleções definidas

Variável

Critério

Valor

Ano

igual a

2002

Divisão do CNAE

igual a

4521: Edificações Diversas

UF

igual a

Santa Catarina

Indicadores de Acidente do Trabalho Indicadores de acidente do trabalho, segundo CNAE, dos estabelecimentos localizados nas Unidades da Federação e no Brasil.

   

Indicadores

UF

TxAc16a34

TxMortal

IncIncap

Incidência

IncAcTrab

TxLetal

IncDoença

Santa Catarina

47,10

34,04

30,49

31,32

28,44

10,87

0,64

Fonte: http://www.dataprev.gov.br/

Tabela 5 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2003 – Edificações diversas

Seleções definidas

Variável

Critério

Valor

Ano

igual a

2003

Divisão do CNAE

igual a

4521: Edificações Diversas

UF

igual a

Santa Catarina

Indicadores de Acidente do Trabalho Indicadores de acidente do trabalho, segundo CNAE, dos estabelecimentos localizados nas Unidades da Federação e no Brasil.

   

Indicadores

UF

TxAc16a34

TxMortal

IncIncap

Incidência

IncAcTrab

TxLetal

IncDoença

Santa Catarina

44,94

23,76

24,83

24,67

22,02

9,63

0,24

Fonte: http://www.dataprev.gov.br/

Tabela 6 Indicadores de Acidente do Trabalho para o ano 2004 – Edificações diversas

Seleções definidas

Variável

Critério

Valor

Ano

igual a

2004

Divisão do CNAE

igual a

4521:Edificações Diversas

UF

igual a

Santa Catarina

Indicadores de Acidente do Trabalho Indicadores de acidente do trabalho, segundo CNAE, dos estabelecimentos localizados nas Unidades da Federação e no Brasil.

   

Indicadores

UF

TxAc16a34

TxMortal

IncIncap

Incidência

IncAcTrab

TxLetal

IncDoença

Santa Catarina

43,10

27,22

25,43

24,81

21,51

10,97

0,43

Fonte: http://www.dataprev.gov.br/

38

2.3.4 Por que investir em segurança (custos e responsabilidade social)?

Ao investir em segurança do trabalho, uma empresa, além de cumprir a legislação trabalhista executando os programas de segurança exigidos por lei, desperta em seus empregados o "espírito prevencionista", isto é, mantém alerta, de forma espontânea, quanto aos riscos de acidentes, zelando e respeitando as normas de segurança (http://coralx.ufsm.br/ctism/perguntasst.html). De acordo com Diesel et al (2001), o setor da construção civil é um dos mais importantes do país devido ao seu volume, capital circulante, utilidade dos produtos e principalmente, pelo significativo número de empregados. Medeiros e Rodrigues (2002) têm posição semelhante em estudo onde afirmam que a influência da construção civil em nosso país é bastante significativa, pois além de ser importante para o desenvolvimento econômico nacional, apresenta-se tecnologicamente com intensidade crescente, e envolve consigo estruturas sociais, culturais e políticas. Nesse aspecto não divergem do entendimento que Véras et al (2003), têm destacando que a construção civil é um forte setor para o desenvolvimento de um país, impactando a produção, os investimentos, o emprego e o nível geral de preços, devido terem importante participação no Produto Interno Bruto (PIB), no que concordam Damião (1999) e Rolim (2004). Quanto à capacidade de gerar empregos e absorver mão de obra, esse setor também possui extraordinária capacidade de realização de investimento, contribuindo sensivelmente para o equilíbrio da balança comercial e na geração de empregos conforme identificam Damião (1999) e Véras et al (2003). Uma característica marcante dessa atividade econômica, é que não utiliza o processo fabril tradicional de produção com seus produtos passando pelos postos de trabalho, onde então se agrega valor aos mesmos até seu estado final. Na construção civil o produto é fixo e invariavelmente único, sendo que os postos de trabalho transitam pelo produto agregando valor. Quanto às características da mão-de-obra, a construção civil apresenta características marcantes nos aspectos sexo, origem, escolaridade, qualificação, remuneração, rotatividade, e sindicalização, aspectos estes que estão diretamente vinculados com os seus problemas de organização do trabalho.

39

Diversos autores afirmam que essas características definem um perfil da mão-de- obra, a nível nacional, onde predomina o sexo masculino, a procedência da zona rural, o analfabetismo, a desqualificação profissional, a baixa remuneração, a alta rotatividade, baixo índice de sindicalização, precária forma de organização de trabalho (TAIGY, 1994; DAMIÃO, 1999; VALENÇA, 2003; NÓBREGA, 2004; ROLIM, 2004). Quanto à função do trabalhador, estudo realizado por Carvalho et al (1998), identificou que a mão-de-obra, é composta predominantemente por serventes (52,40%), seguida por pedreiros (21,65%), carpinteiros (13,05%), ferreiros (7,49%). Com relação à faixa etária, observou-se que tanto entre os serventes como entre os oficiais, 44% deles têm entre 30 e 40 anos, enquanto que 75% dos encarregados e mestres estão entre os 40 e 50 anos. Acima dos 50 anos, o percentual é de 7,8%. 84% deles são casados.

Esse estudo constata que, quanto ao grau de escolaridade, 41% são analfabetos ou só assinam o nome, 45% têm primário incompleto, apenas 8% concluíram o primário, 4% secundário incompleto e 2% o secundário completo (CARVALHO et al, 1998).

2.3.5 Ações em segurança e saúde no trabalho na indústria da construção civil

Em 1998, a área de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foi incorporada como meta mobilizadora da área de trabalho, com a proposta de redução da taxa de mortalidade dos acidentes de trabalho em 40% até o ano de 2003 e estabelecendo diversos projetos para o alcance da meta

(http://www.abrasil.gov.br/avalppa/RelAvalPPA2002).

Com a reorientação, o MTE assume integralmente as ações voltadas para a redução dos índices de acidentes do trabalho, por meio do Programa Trabalho Seguro e Saudável do Plano Plurianual (PPA), mantendo a meta mobilizadora. Com o objetivo de concentrar esforços para o alcance da meta de redução da taxa de mortalidade, a partir de julho de 2002, mediante a Portaria Interministerial nº 52, envolvendo os Ministérios do Trabalho e Emprego, Previdência e Assistência Social, Saúde e Meio Ambiente, foi instituído o Comitê Interministerial Gestor do Programa Nacional de Redução de Acidentes Fatais do

40

Trabalho (PNRAFT), que abrange quatro linhas de ação e dez projetos. Dentre as linhas de ação tem-se(http://www.abrasil.gov.br/avalppa/RelAvalPPA2002):

- revisão e reconstrução do modelo de organização do sistema integrado de segurança e saúde no trabalho;

- potencialização das políticas em segurança e saúde no trabalho;

- implementação de sistema integrado de gestão em segurança e saúde nas empresas; e,

- aperfeiçoamento e organização de sistemas de informação e de pesquisas de interesse da área.

Os projetos inseridos neste programa são:

Projeto 1 - reconstrução do modelo de organização do sistema integrado de segurança e saúde no trabalho; Projeto 2 - plano de ação integrada para a redução de acidentes e doenças do trabalho; Projeto 3 - otimização da inspeção nos locais de trabalho; Projeto 4 - aprimoramento da atenção ao trabalhador acidentado; Projeto 5 - sistema integrado de gestão em segurança e saúde nos locais de trabalho; Projeto 6 - programa nacional articulado de campanhas de prevenção de acidentes e doenças do trabalho; Projeto 7 - programa nacional de formação e capacitação em segurança e saúde no trabalho; Projeto 8 - financiamento para melhoria das condições e dos ambientes de trabalho; Projeto 9 - sistema de informação e pesquisa em segurança e saúde no trabalho; e Projeto 10 - sistema de notificação de acidentes e doenças do trabalho. Cabe ressaltar que para o alcance dos resultados obtidos até o ano de 2002, o Departamento de Saúde e Segurança do Trabalho (DSST) buscou aliar à forma tradicional de realizar a inspeção do trabalho, a novas estratégias que possibilitassem ampliar os resultados alcançados em termos de melhoria das condições de trabalho. Buscou-se, sobretudo, uma ação coletiva, por grupo de empresas, por setores econômicos, por base geográfica. Todas as novas ações foram desenvolvidas segundo a lógica do tripartismo. Para que tais estratégias fossem possíveis, analisaram-se detalhadamente os indicadores de acidentes e doenças do trabalho e,

41

com base neles, desenhou-se a chamada "geografia do risco". Assim, as atuações locais e regionais tiveram que se adequar a um planejamento que estabelecia melhor o foco principal de atuação. Visando possibilitar a nova atuação em termos de auditoria, foi preciso investir bastante em capacitação, não só dos auditores fiscais do trabalho, mas também de representantes de empregadores e de trabalhadores. Em que pese os resultados do ano de 2002 estarem conforme o esperado, cabe acrescentar que as novas metodologias de atuação estratégica e coletiva implicarão em uma redução das metas quantitativas para os próximos anos. Essa redução possibilitará continuar agregando critérios de qualidade. Será preciso também definir novas metodologias de aferição de metas para possibilitar melhor visualização dos resultados obtidos. Atualmente em todo o país, sindicatos de categoria, sindicatos patronais, e Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO), tem programas e ações para prevenção de acidentes do trabalho (http://www.abrasil.gov.br/avalppa/RelAvalPPA2002).

2.4 Sistema de Formas

A seguir será feita uma descrição sobre sistemas de formas. As descrições de todo item 2.4 podem ser encontradas no endereço eletrônico (http://www.fundacentro. gov.br/CTN/ noticias.asp?Cod=316-).

2.4.1 Definições

Formas são moldes provisórios utilizados para executar peças de concreto armado ou protendido. A definição de sistema de formas baseia-se na definição de sistema, que, por sua vez, é entendido como sendo a combinação de um conjunto de peças integradas, atendendo a

42

uma função específica. Portanto, sistema de formas consiste em um conjunto de componentes, combinados em harmonia, com o objetivo de atender às funções de:

- Moldar o concreto;

- Conter o concreto fresco e sustentá-lo até que tenha resistência suficiente para se sustentar por si só;

- Proporcionar à superfície do concreto a textura requerida;

- Servir de suporte para o posicionamento da armação, permitindo a colocação de espaçadores para garantir os cobrimentos;

- Servir de suporte para o posicionamento de elementos das instalações e outros itens embutidos;

- Servir de estrutura provisória para as atividades de armação e concretagem, devendo resistir às cargas provenientes do seu peso próprio, além das de serviço, tais como pessoas, equipamentos e materiais;

- Proteger o concreto novo contra choques mecânicos; e

- Limitar a perda de água do concreto, facilitando a cura.

2.4.2 Características

A madeira foi o primeiro material de construção a ser utilizado tanto em colunas como em vigas e vergas. Ela apresenta resistência mecânica tanto a esforços de compressão como aos esforços de tração na flexão. Tem resistência mecânica elevada, superior ao concreto, com a vantagem do peso próprio reduzido. Resiste excepcionalmente a choques e esforços dinâmicos: sua resistência permite absorver impactos que romperiam ou estilhaçariam outros materiais. Apresenta boas características de isolamento térmico e absorção acústica; seco, é satisfatoriamente dielétrico; tem facilidade de afeiçoamento e simplicidade de ligações: pode ser trabalhado com ferramentas simples. Tem custo reduzido de produção, reservas que podem ser renovadas e, quando convenientemente preservado, perdura em vida útil prolongada à custa de insignificante manutenção. Em seu estado natural, apresenta uma infinidade de padrões estéticos e decorativos.

43

Dimensionamento (para suportar o peso e a pressão do concreto): Para execução das formas para moldagem das vigas e pilares de concreto armado, são utilizados tabuas de pinus, com espessura de 2,5mm, pregadas umas nas outras com prego 17x 27mm, unidas através de gravatas também da mesma madeira, e posteriormente escoradas com escoras de eucalipto de 15cm de diâmetro.

2.4.3 Classificação dos sistemas de formas para concreto

Os critérios para dividir os sistemas de formas baseiam-se, primeiramente, no grupo de elementos estruturais a serem moldados e, em seguida, na modulação dos painéis. O primeiro critério é adotado pela sua amplitude, dividindo as formas em dois grandes grupos: um formado por elementos verticais, abrangendo pilares e paredes; e outro, por elementos horizontais, como vigas, lajes e escadas (estas últimas, apesar de não serem horizontais, possuem características de execução e solicitações que a encaixam nesse grupo). O segundo critério é função da divisão existente no mercado de formas: de um lado, têm-se os sistemas modulares, compostos por módulos pré-fabricados em metal ou plástico, altamente industrializados e associados ao cimbramento menos intenso, e do outro, os sistemas tramados, que possuem o vigamento ou travamento na forma de uma trama, associados a painéis sem padronização dimensional, confeccionados especialmente para uma determinada utilização e com cimbramento considerável.

2.4.3.1 Formas para elementos verticais

Neste item, descrevem-se os sistemas de formas voltados para pilares e paredes de concreto armado.

I - Sistema modular

44

Esse sistema é caracterizado pela utilização de painéis modulares que possuem estruturação própria e são associados através de grampos ou clips. A estruturação pode ser de aço, alumínio ou plástico, enquanto que o molde pode ser em chapa de compensado, plástico ou aço.

É um sistema com montagem e desmontagem rápidas e grande durabilidade dos

elementos, inclusive dos moldes, que, em função de terem as bordas protegidas, têm maior

vida útil.

Os painéis possuem diversas dimensões padronizadas, facultando ao construtor a

opção de manuseio e montagem manuais, podendo utilizar elementos menores, ou a utilização

de gruas ou guindastes, adotando painéis maiores ou fazendo uma associação de painéis

pequenos – ganged panels 2 .

É um sistema com grande potencial de racionalização; no entanto, para o seu uso

adequado, exige uma coordenação modular da estrutura, pois, apesar da possibilidade de combinação de painéis de diferentes tamanhos, estes têm dimensões variando de cinco em

cinco cm ou 10 em 10 cm, a depender do fornecedor. Nesse caso, o usual é ajustar-se a estrutura ao sistema de formas.

É bastante utilizado no exterior, principalmente como molde para paredes de

concreto; apesar disso, no Brasil, o seu uso ainda é limitado por diversos motivos, entre eles: a falta de coordenação modular nos projetos de edificações, a pequena quantidade de fornecedores desses sistemas, a falta de planejamento do sistema de formas desde a concepção arquitetônica e a dificuldade de compatibilização com as formas de vigas. Diante disso, o potencial de racionalização e redução dos custos, atribuído ao sistema, só é verificado em poucos casos, fazendo com que o maior investimento no sistema de formas não seja vantajoso, ainda que algumas construtoras, partindo para executar suas estruturas de forma racionalizada, planejando e modulando os projetos, estejam tendo sucesso com o sistema, reduzindo, potencialmente, os prazos e os custos a ela atribuídos. No caso das formas de pilares e paredes, o sistema tramado consiste na associação de peças verticais e horizontais, em dois planos paralelos, compondo parte do travamento das formas. Os elementos que compõem a trama não são necessariamente do mesmo material ou

2 Conjunto de peças longitudinais e transversais que se cruzam.

45

da mesma forma, podendo ser de madeira (bruta ou industrializada) ou metálicos (de aço ou alumínio).

Esse é o sistema mais usado na construção civil nacional, sendo de domínio da mão-de-obra. Caracteriza-se pela flexibilidade dimensional, versatilidade e relativa facilidade para associar-se com formas de vigas e lajes. De um modo geral, as tramas são de madeira, havendo, ainda, uma grande opção por vigas de travamento metálicas nos planos mais distantes do molde. Os painéis podem ser produzidos na obra ou adquiridos de empresas que os fabricam sob encomenda, caracterizando as formas industrializadas 3 . Muitas são as combinações possíveis entre os elementos do sistema, permitindo ao construtor utilizar peças de diversos fornecedores simultaneamente. Dentro das muitas possibilidades de associação dos diversos elementos, destacam-se algumas:

- Molde: podem ser utilizadas chapas de madeira compensada (resinada ou plastificada) ou tábuas;

- Travamento: podem ser utilizados grades de madeira compostas por sarrafos e pontaletes; sarrafos e pontaletes (não fixados ao molde); vigas de travamento horizontais ou verticais, de madeira, aço, alumínio ou mistas (vigas sanduíche); tirantes metálicos (barras de ancoragem com porcas, tensores ou fios de aço amarrados); sargentos metálicos; gravatas (de madeira, de aço ou mistas) etc.

- Mãos-francesas: podem ser utilizados tábuas, sarrafos ou pontaletes de madeira; cantoneiras metálicas; escoras metálicas (fixas ou com ajuste de comprimento).

Apesar da versatilidade e do uso mais intenso, esse sistema é muitas vezes caracterizado como tradicional, com uso intensivo da mão-de-obra, baixa mecanização (produção essencialmente manual) e com elevados desperdícios de mão-de-obra, material e tempo. Essa caracterização não é de responsabilidade do sistema em si, que pode perfeitamente ser utilizado de forma racional, mas sim da forma como tem sido utilizado em muitas obras, sem planejamentos ou projetos, cabendo a pessoas despreparadas muitas decisões quanto à sua confecção e montagem.

3 O termo formas industrializadas é associado às formas confeccionas em central externa ao canteiro, com o objetivo de racionalizar a sua utilização (referência).

46

2.4.3.2 Formas para elementos horizontais

Neste item, descrevem-se os sistemas de formas para elementos horizontais.

I - Sistema Modular

Esse sistema é muito semelhante ao aplicado em fôrmas para elementos verticais, diferindo daquele quanto ao escoramento. Os painéis podem ser apoiados diretamente nas escoras ou utilizarem vigas metálicas para transmitir os seus carregamentos às mesmas, podendo ainda utilizar torres metálicas ao invés de escoras pontuais. É um sistema com restrições quanto ao uso em estruturas reticuladas, pois a existência de vigas, na maioria das vezes, induz à necessidade de se fazer arremates, em virtude da falta de coordenação modular dos vãos. Porém, é bastante interessante para estruturas com lajes planas, onde pode ser explorada toda a sua rapidez na execução, sem que haja interferências. Quando existente, a cabeça descendente, acessório colocado na parte superior da escora, permite que as lajes sejam desformadas sem que haja necessidade de retirar o escoramento, facilitando o serviço e restringindo as deformações do concreto novo. O seu uso no Brasil, apesar de ainda ser pequeno, tem crescido bastante, sendo usado em lajes planas e, em alguns casos, como suporte para os moldes plásticos de lajes nervuradas.

II - Sistema Tramado

No caso das lajes, caracteriza-se pela trama composta por vigamento inferior e superior. As escoras podem ser de madeira (industrializada ou serrada) ou metálicas (de aço ou alumínio). No caso das vigas, o sistema tramado é basicamente o único em uso e caracteriza- se pelos painéis laterais e de fundo estruturados com sarrafos, e pelas diversas formas de travamento e escoramento. O travamento dos moldes pode ser feito com barras de ancoragem ou tensores, sarrafos de pressão, gastalhos de madeira, metálicos ou plásticos, mãos-francesas

47

ou garfos de madeira; o escoramento pode ser feito com escoras pontuais com cruzetas, torre metálica ou garfos de madeira.

É o sistema mais empregado atualmente, sendo versátil e de fácil adaptação às

estruturas reticuladas, situação em que as vigas inibem um melhor aproveitamento de sistemas modulares. Esse sistema pode ser utilizado como suporte para os moldes das formas para lajes nervuradas, e o acoplamento e a fixação dos seus diversos elementos permitem a criação de “mesas voadoras”, que podem ser transportadas entre os pavimentos, sem necessidade de desmontar o conjunto.

2.4.4 Execução de formas na operação com serra circular

O foco do trabalho é na execução de formas com utilização de serra circular,

baseado nos procedimentos de segurança conforme NR18, item 18.7 a seguir descreve-se

sobre isso.

2.4.4.1 Descrição do Processo de Execução de Formas

Procedimento de execução do serviço (http://www.cidades.gov.br/pbqp- h/Apresentação.htm) Os projetos de arquitetura e estrutura devem estar concluídos e, se possível, providenciar um projeto de forma. O material deve estar disponível, como chapas de compensado, pontaletes, tábuas etc. A central deve estar montada e equipada. Os painéis devem ser executados pensando no seu tamanho e peso, de forma a facilitar a montagem, o transporte e a desforma. Todas as peças devem ser galgadas e os painéis devem ser estruturados. Recomenda-se que as superfícies de corte sejam planas e lisas, sem apresentar serrilhas; também é conveniente neste momento identificar os painéis com uma numeração ou código para facilitar na montagem. Eventuais furos nos painéis devem ser executados sempre da face interna da forma em direção à face externa, com broca de aço rápida para madeira.

48

A marcação das posições de cimbramento nas formas facilita o processo de

montagem. Assim, marcam-se nas formas as posições onde serão colocados os seus elementos de sustentação como garfos simples, garfos com mão-francesa, escoramento e reescoramento. Recomenda-se que os topos de chapas sejam selados com tinta a óleo ou selante à

base de borracha clorada, tão logo as peças sejam serradas na bancada.

2.4.4.2 Procedimento de segurança a ser realizado

Na execução de serviços de formas com utilização de serra circular essa deve ser operada por trabalhador qualificado. A serra circular deve ser dotada de mesa estável, com fechamento de suas faces inferior, anterior e posterior, construída em madeira resistente e de primeira qualidade, material metálico ou similar de resistência equivalente, sem irregularidades, com dimensionamento suficiente para a execução das tarefas. Ter a carcaça do motor aterrada eletricamente. O disco deve ser mantido afiado e travado, devendo ser substituído quando apresentar trincas, dentes quebrados ou empenamentos. As transmissões de força mecânica devem estar protegidas obrigatoriamente por anteparos fixos e resistentes, não podendo ser removidos, em hipótese alguma, durante a execução dos trabalhos. Ser provida de coifa protetora do disco e cutelo divisor, com identificação do fabricante e ainda coletor de serragem. Nas operações de corte de madeira deve ser utilizado dispositivo empurrador e guia de alinhamento. As lâmpadas de iluminação da carpintaria devem estar protegidas contra impactos provenientes da projeção de partículas.

A carpintaria deve ter piso resistente, nivelado e antiderrapante, com cobertura

capaz de proteger os trabalhadores contra quedas de materiais e intempéries. Manter a central de produção constantemente limpa e organizada, removendo as sobras de material (serragem e pontas de madeira) e verificando o funcionamento e a

conservação de ferramentas e equipamentos.

EPI necessários para execução de trabalhos com serra circular:

- Capacete de proteção;

49

- Óculos de segurança;

- Protetor auricular;

- Respirador purificador de ar;

- Luva de segurança (tipo vaqueta);

- Calçado de segurança.

2.4.4.3 Preparação do Material

As formas devem ser construídas em madeira sólida com superfícies lisas preferencialmente de pinus ou compensado, livres de pregos, arames etc. Toda madeira deve receber na superfície de contato com o concreto, tratamento com desmoldante para facilitar a desforma.

2.4.4.4 Elaboração das Formas

As formas devem ser construídas conforme especificação do projeto e sob orientação do mestre e engenheiro de obra, depois de construídas, devem ser capazes de confinar o concreto e moldá-lo nas linhas, dimensões e juntas exigidas, assegurando a perfeita aparência das superfícies do concreto Além disso, devem possuir resistência suficiente para suportar a pressão resultante do lançamento e vibração, como também devem ser mantidas rigidamente em posição, e serem fixadas com firmeza para que não se abram e não permitam desvios de argamassa nas juntas de construção no momento de se colocar o concreto.

2.4.4.5 Remoção das Formas

As formas devem ser removidas sempre após os prazos necessários sem golpes ou vibrações excessivas, com toda a garantia de estabilidade e resistência dos elementos

50

estruturais envolvidos. Ou seja, a desforma só se procederá quando a estrutura tiver a resistência necessária para suportar seu próprio peso e eventuais cargas adicionais.

2.4.4.6 Retiradas de Escoras

Em lajes, a retirada das escoras só pode ocorrer após 21 dias da concretagem, ou conforme determinação do engenheiro responsável pela obra.

2.4.5 Analise dos Riscos dos Serviços de Execução de Formas com Serra Circular

Segundo Porto, (2000), a noção de risco tem haver com perda ou dano, ou como sinônimo de perigo. Neste caso adotar-se-á uma concepção abrangente de riscos de interesse à segurança e saúde dos trabalhadores, significando toda e qualquer possibilidade de que algum elemento ou circunstância existente num dado processo ou ambiente de trabalho possa causar dano à saúde, seja através de acidentes, doenças, sofrimento dos trabalhadores ou poluição ambiental.

2.4.6 Riscos na operação da Serra Circular

Na execução dos trabalhos com utilização da serra circular alguns dos riscos a seguir relacionados estarão sujeitos a ocorrerem.

a) Ruptura do disco de corte;

b) Contato das mãos com o disco de corte;

c) Emissão de partículas e poeiras;

d) Barulho excessivo;

e) Choque elétrico;

51

f) Principio de incêndio, queimaduras.

2.4.7 Causas dos riscos na operação da Serra Circular

As causas de ocorrerem os riscos relacionados no item 2.4.6 estão a seguir relacionadas.

a) Disco montado errado, fora de especificações próprias, defeituoso;

b) Ausência ou proteção inadequada, corte de materiais não apropriados;

c) Ausência ou sistema de exaustão inadequado;

d) Serra mal balanceada;

e) Contato com partes energizadas, falta de isolamento e aterramento;

f) Presença de material inflamável.

2.4.8 Medidas Preventivas

Os seguintes procedimentos deverão ser adotados para prevenção de acidentes:

a) Montar disco dentro das especificações e em bom estado;

b) Operação com a máxima atenção, com operador habilitado e materiais específicos para

o corte;

c) Utilização de protetor facial ou óculos de proteção e verificação da existência de protetor (capa) do disco de corte;

d) Além da obrigatoriedade da utilização do protetor auricular, instalar um dispositivo que

consiste em fixar sobre a mesa um painel, com compensado, paralelamente à lâmina a 1

mm desta;

e) Instalações elétricas adequadas, com aterramento da serra policorte. Proteção das partes

inferiores da bancada da serra elétrica, com calha para depósito do subproduto e também

com comando liga / desliga por meio de botoeira (duplo isolamento);

52

f) Instalação de extintor de incêndio do tipo CO2 próximo à mesa, como medida de prevenção e combate a incêndio; Manutenção do canteiro de obras organizado.

2.5 Análise de Riscos

Embasados no item 2.3.1.3, risco é a probabilidade de ocorrência de um evento

perigoso que cause danos aos trabalhadores ou equipamentos, denominado acidente, cujo

trata-se de um acontecimento inesperado, que vem causar danos, lesões, doenças, ferimentos,

danos humanos ou materiais, danos temporários ou permanentes, a gravidade das

conseqüências dos acidentes é muito variável.

Para efetuar uma analise de riscos é necessário conhecer de maneira plena todo o

processo e de que maneira os trabalhadores executam os serviços ou operam equipamentos,

além disso para manter a imparcialidade da analise de riscos, é fundamental organizar uma

equipe com vários profissionais das diversas áreas e setores que envolvem o processo, sendo

formada por técnicos, engenheiros de projeto e de execução, pessoal de recursos humanos,

engenheiros e técnicos de segurança, etc. A equipe de analise precisa alem de acompanhar e

entender todo o processo, ouvir os trabalhadores, e também, aliar todos os pontos de vistas

para chegar a um consenso e uma visão imparcial, critica e eficaz dos riscos existentes nos

processos analisados. (professores.unisanta.br/valneo/apoio/ tecnicasdeanalisederisco.doc).

2.5.1 Principais técnicas de análise de riscos

Técnicas de análise de riscos nada mais são que métodos capazes de fornecer

elementos concretos que fundamentam um processo de decisão de redução de riscos e perdas.

São metodologias oriundas de duas áreas: engenharia de segurança de sistemas e engenharia

de processos. As técnicas possuem grande generalidade e abrangências, podendo ser aplicadas

a quaisquer situações produtivas (FANTAZZINI, 1994).

53

A seguir serão apresentadas algumas das principais técnicas de análise de riscos. Os conceitos apresentados tiveram como fonte o site (professores.unisanta.br/ valneo/apoio/tecnicasdeanalisederisco.doc):

- Técnicas de Identificação de perigos

¬ What-if

¬ Check List - Lista de verificações

- Técnicas de Análise de Riscos

¬ APR - Análise Preliminar de Riscos

¬ AMFE - Análise de Modos de Falha e Efeitos

¬ HAZOP - Estudo de Risco e Operabilidade

- Técnicas Avaliação de Riscos

¬ AAF – Análise de Árvore de Falhas

2.5.1.1 Objetivos das Técnicas de Análise de Riscos

O conforto e desenvolvimento trazidos pela industrialização produziram também um aumento considerável no número de acidentes, ou ainda das anormalidades durante um processo devido à obsolescência de equipamentos, máquinas cada vez mais sofisticadas etc. Com a preocupação e a necessidade de dar maior atenção ao ser humano, principal bem de uma organização, além de buscar uma maior eficiência, nasceram primeiramente o Controle de Danos, o Controle Total de Perdas e por último a Engenharia de Segurança de Sistemas. Com o crescimento e necessidade de segurança surgiram às técnicas de análises de riscos, valiosos instrumentos para a solução de problemas ligados à segurança, portanto, o

54

objetivo de se realizar uma técnica de análise de riscos é permitir um conhecimento detalhado sobre dos riscos atuais de um objeto (processo, máquina, sistema ou subsistema), e desencadear um processo de planejamento, construção, operação, e controle apropriado para minimizar antecipadamente riscos. A Análise de Riscos consiste no exame sistemático de uma instalação industrial (projeto ou existente) de sorte a se identificar os riscos presentes no sistema e formar opinião sobre ocorrências potencialmente perigosas e suas possíveis conseqüências (SOUZA,1995). O objetivo de se realizar uma técnica de análise de riscos é permitir um conhecimento detalhado sobre os riscos atuais de um objeto (processo, máquina, sistema ou subsistema), e desencadear um processo de planejamento, construção, operação, e controle apropriado para minimizar antecipadamente riscos.

2.5.1.2 Aplicação das técnicas de análise de riscos

Com a difusão dos conceitos de perigo, risco e confiabilidade, as metodologias e técnicas aplicadas pela segurança de sistemas, inicialmente utilizadas somente nas áreas militar e espacial, tiveram a partir da década de 70 uma aplicação quase que universal na solução de problemas de engenharia em geral.

2.5.2 Técnicas de identificação de perigos

2.5.2.1 What-if

Esta é uma técnica de análise qualitativa, com aplicação bastante simples e útil na detecção de riscos, tanto na fase de processo, projeto ou pré-operacional, e pode ser utilizada em qualquer estágio da vida de um processo. O objeto do What-If é proceder à identificação e tratamento de riscos que pode ser testado possíveis omissões no sistema. (CARDELLA, 1999).Da aplicação do What-if resultam a elaboração de questões sobre a possibilidade de ocorrência de eventos indesejáveis,

55

2.5.2.2 Check-list

bem como a geração de soluções para as possíveis ocorrências de eventos

indesejáveis levantados. O conceito da análise What-if estimula a equipe de análise

O que aconteceria

se

analisederisco.doc).

de risco a refletir sobre questões que começam com ¨E se

”;

“O que acontece se

”;”

( professores. unisanta.br/valneo/ apoio/técnicasde

Para efetuar o levantamento dos riscos através de um check-list, segundo Souza

(1995), lista-se alguns itens com relevada importância ou lista-se passos dos processos em

analise, após esta etapa elabora-se as conclusões de cada item ou passo do check-list.

Os check-list, são de grande utilidade para checar e vistoriar itens de

procedimentos padronizados sendo estes relacionados a segurança do trabalho ou mesmo para

a manutenção de equipamentos. De acordo com Souza (1995), outra utilização importante se

dá após a analise de outras técnicas de analise de risco, os resultados podem ser transformados

em itens de um check-list para inspeção das atividades ou processo.

Segundo Cardella (1999), a desvantagem da analise se ater ao check-list é que os

itens ou passos não lembrados nos check-list, não serão analisados, ficando comprometida a

analise dependendo da importância no processo do item não lembrado no check-list.

2.5.3 Técnicas de Análise de Riscos

2.5.3.1 Análise Preliminar de Riscos (APR) - Preliminary Hazard Analysis (PHA)

Também chamada de Análise Preliminar de Perigos (APP).

A Análise Preliminar de Riscos (APR) teve origem na área militar com aplicação inicial na revisão de sistemas de mísseis. Tem como objetivo determinar os riscos e medidas preventivas antes que um processo, sistema ou produto entrem em sua fase operacional, sendo aplicada na fase de projeto e desenvolvimento. Tudo o que puder ser identificado como risco de acidente ou de doença ocupacional nesta fase deve merecer atenção, para que medidas preventivas adequadas possam ser tomadas e evitar que riscos venham a ser criado nos ambientes de trabalho

56

(ZOCCHIO 2000). Destaca-se na análise de novos sistemas, sistemas de alta

tecnologia e/ou pouco conhecidos, ou seja, para casos onde há pouca experiência

ou carência de informações na sua operação.

Alberton (1996).

A APR também pode ser útil como: ferramenta de revisão geral de segurança em

sistemas operacionais, revelando aspectos que às vezes passam desapercebidos; em

instalações existentes de grandes dimensões; e, quando se quer evitar a utilização

de técnicas mais extensas para a priorização de riscos. Esta técnica normalmente é

utilizada para análises qualitativas, porém, também pode-se utilizá-la para identificar cenários de acidentes que serão empregados em estudo de análises quantitativas para a obtenção de índices de risco.

De Cicco e Fantazzini (1982)

Na tabela 7 apresenta-se o modelo de formulário apresentado no Livro Introdução a Engenharia de Segurança de Sistemas (De Cicco, Fantazzini, 1994) para a elaboração de Análise Preliminar de Risco e que foi o utilizado no estudo de caso.

Tabela 7 - Modelo de formulário para Análise Preliminar de Riscos

Análise Preliminar de Riscos Identificação do Sistema:

Subsistema:

Projetista:

Risco

Causas

Efeitos

Categoria do

Medidas Preventivas ou Corretivas

Risco

Fonte: De Cicco e Fantazzini (1994)

Segundo De Cicco e Fantazzini (1994), o desenvolvimento de uma APR necessita dos seguintes procedimentos:

a) Definição do grupo que participará da análise;

b) Subdivisão da instalação em diversos subsistemas;

c) Definição das fronteiras do sistema e de cada subsistema;

57

e) Realização da APR propriamente dita: preenchimento das planilhas de APR em

reuniões do grupo de análises;

f) Elaboração do relatório final; e,

g) Acompanhamento da implementação das recomendações.

Após a identificação dos cenários de acidentes, estes são classificados de forma

qualitativa segundo sua severidade, conforme identificadas na tabela 8 a seguir.

Tabela 8 – Categoria de severidade dos cenários utilizados em APR

Categoria

Denominação

Descrição/Características

I

Desprezível

A falha não irá resultar em uma degradação maior do sistema, nem irá produzir danos funcionais ou lesões, ou contribuir com risco ao sistema.

II

Marginal

A falha irá degradar os sistema em uma certa extensão, porém sem envolver danos maiores ou lesões, podendo ser compensada ou controlada adequadamente.

(ou Limítrofe)

III

Crítica

A falha irá degradar o sistema causando lesões, danos substanciais, ou irá resultar em um risco inaceitável, necessitando ações corretivas imediatas.

IV

Catastrófica

A falha irá produzir severa degradação do sistema, resultando em sua perda total, lesões ou morte.

Fonte: De Cicco e Fantazzini (1994)

Esta classificação servirá de parâmetro para as pessoas envolvidas na elaboração

da APR a fazerem uma classificação dos riscos, qualificando-os conforme o seu grau de

intensidade. Os envolvidos deverão priorizar e propor medidas preventivas com o objetivo de

neutralizar os riscos identificados.

2.5.3.2 Análise de Operabilidade de Perigos - Hazard and Operability Studies (HAZOP)

A técnica Hazard and Operability Study (HAZOP) foi desenvolvida pela Imperial Chemical Industries (ICI) no Reino Unido no início de 1970, inicialmente para identificar e avaliar a segurança em plantas de processo e problemas de operabilidade, que embora não perigosos, poderiam comprometer a capacidade da planta para alcançar a produtividade estipulada em projeto. Sua essência é uma revisão dos desenhos dos processos e/ou procedimentos numa série de reuniões,

58

durante a qual, a equipe utiliza um protocolo pré-estabelecido para avaliar metodicamente os significantes desvios da intenção normal do projeto. O estudo de HAZOP é muito indicado antes mesmo da fase de detalhamento e construção do projeto, evitando com isso, que modificações tenham que ser feitas, principalmente, nas instalações já montadas, quando o custo para tal alteração é muito superior aquele de projeto. A Análise de Riscos e Operabilidade – HAZOP é baseada no princípio de que diversos especialistas com diferentes conhecimentos podem interagir de forma criativa e sistemática, identificando uma maior quantidade de cenários em conjunto do que quando trabalhando separadamente. Segundo Alberton (1996), trata-se de uma ferramenta que permite que as pessoas liberem sua imaginação, pensando em todos os modos pelos quais um evento indesejado ou problema operacional possa ocorrer.

Lopes (1998)

Esta técnica é orientada através de um conjunto de “palavras -guias”, que focaliza os desvios dos parâmetros estabelecidos para o processo ou operação em análise. As palavras- guias mais comumente utilizadas estão apresentadas na tabela 9.

Tabela 9 – Palavras-guia do estudo HAZOP e respectivos desvios

Palavra-guia

Desvio

Nenhum

Ausência de fluxo ou fluxo reverso. A completa negação das intenções do projeto.

Mais

Aumento quantitativo de uma propriedade física relevante.

Menos

Diminuição quantitativa de uma propriedade física relevante.

Mudanças na

Alguns componentes em maior ou menor proporção, ou ainda, um componente faltando.

Composição

Componentes a mais

Componentes a mais em relação aos que deveriam existir.

Outra condição

Partida, parada, funcionamento em carga reduzida, modo alternativo de operação, manutenção, mudança de catalisador, etc. Substituição completa.

Operacional

Fonte: KLETZ (1984)

Na tabela 10 apresenta-se um modelo de relatório para o estudo HAZOP.

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Tabela 10 – Modelo de relatório para um estudo HAZOP

Palavra-Guia

Desvio

Causas

Conseqüências

Ações

Possíveis

Requeridas

Fonte: KLETZ (1984)

2.5.3.3 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) - Failure Modes and Effects Analysis (FMEA)

A Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE), também conhecida pela sigla

FMEA (Failure Modes and Effects Analysis), é uma técnica de análise de riscos de uso geral,

detalhada, qualitativa ou quantitativa. Segundo De Cicco (1994), esta técnica permite analisar

as maneiras pelas quais um equipamento, componente ou sistema podem falhar. Permite

também, estimar as taxas de falhas e os efeitos que poderão advir, e, estabelecer as mudanças

que deverão ser feitas para aumentar a probabilidade de que o sistema ou equipamento

funcione satisfatoriamente (DE CICCO e FANTAZZINI 1994).

A AMFE é uma ferramenta poderosa que nasceu dentro da Indústria da

Aeronáutica para buscar a confiabilidade das aeronaves. A AMFE é uma metodologia

sistemática para identificar os modos de falha do sistema para buscar ações pró-ativas para

prevenir a falha ou diminuir seus efeitos. Foi desenvolvido inicialmente para a melhoria da

confiabilidade dos sistemas e também tem sido largamente utilizado para a melhoria dos

processos e da qualidade dos produtos. O objeto da AMFE são os sistemas. O foco são os

componentes e suas falhas (CARDELLA, 1999). Os principais objetivos da AMFE são: uma

revisão sistemática dos modos de falha de um componente para garantir danos mínimos ao

sistema; determinação dos efeitos que tais falhas terão em outros componentes do sistema;

determinação dos componentes cujas falhas teriam efeito crítico na operação do sistema

(falhas de efeito crítico); cálculo de probabilidade de falha de componentes, montagem e

subsistemas, através do uso de componentes com confiabilidade alta, redundâncias no projeto

ou ambos (DE CICCO e FANTAZZINI, 1994).

Geralmente, uma AMFE é utilizada em primeiro lugar de uma forma qualitativa,

quer na revisão sistemática dos modos de falha do componente, na determinação de seus

60

efeitos em outros componentes e ainda na determinação dos componentes cujas falhas têm

efeito crítico na operação do sistema, sempre procurando garantir danos mínimos ao sistema

como um todo. Na maioria das vezes, não são considerados nesta análise os efeitos das falhas

humanas sobre o sistema. Numa etapa seguinte, pode-se aplicar também dados quantitativos,

a fim de se estabelecer uma confiabilidade ou probabilidade de falha do sistema ou

subsistema (ALBERTON,1996).

Conhecido o sistema e suas especificidades, pode-se dar seguimento à análise,

cabendo à empresa idealizar o modelo que melhor se adapte a ela. A tabela 11 mostra

esquematicamente um modelo para aplicação da AMFE.

Tabela 11 – Modelo de Aplicação de uma AMFE

 

Modo

Causa

Efeitos:

Categoria

Probabilidade

Métodos

 

Item

de

Falha

de

Falha

-nos

componentes

-no sistema

de

Risco

de

Ocorrência

de

Detecção

Ações

Possíveis

Fonte: Hammer (1993)

A metodologia da AMFE pode ser aplicada de acordo com a seqüência sugerida

por De Cicco e Fantazzini (1994), conformedescritoaseguir:

a) Dividir o sistema em subsistemas que podem ser efetivamente controlados;

b) Traçar diagramas de blocos funcionais do sistema e subsistemas, para determinar seus

inter-relacionamentos e de seus componentes;

c) Preparar uma listagem dos componentes de cada subsistema e registrar a função

específica de cada um deles;

d) Determinar através da análise de projetos e diagramas, os modos de falha que possam

ocorrer e afetar cada componente. Deverão ser considerados quatro modos de falha:

operação prematura; falha em operar num tempo prescrito; falha em cessar de operar

num tempo prescrito; falha durante a operação;

A probabilidade de falha do sistema ou subsistema será, igual à probabilidade

total de todos os modos de falha. Quando da determinação de probabilidades de acidentes,

61

deverão ser eliminadas todas as taxas de falhas relativas aos modos de falha que não geram acidentes.

e) Indicar os efeitos de cada falha específica sobre outros componentes do subsistema e como cada afeta o desempenho total do subsistema em relação à missão do mesmo;

f) Estimar a gravidade de cada falha específica de acordo com as categorias ou classes de risco, conforme já mencionadas na tabela 8; A estimativa das taxas de cada falha poderá ser feita,entre outros modos, através

de taxas genéricas desenvolvidas a partir de testes realizados pelos fabricantes dos

componentes; pela comparação com equipamentos ou sistemas similares; com o auxilio de dados de engenharia.

g) Indicar os métodos de detecção de cada falha específica;

h) Formular possíveis ações de compensação e reparos que podem ser adotadas para eliminar ou controlar cada falha específica e seus efeitos;

i) Determinar as probabilidades de ocorrência de cada falha específica para possibilitar a

análise quantitativa. A AMFE é muito eficiente quando aplicada a sistemas mais simples e falhas singelas. Suas inadequações levaram ao desenvolvimento de outros métodos,tais como a ”Análise de Árvores de Falhas (AAF)”, que a completa e que será abordada no item 2.5.4.1 (DE CICCO e FANTAZZINI, 1994). Assim como a APR, a AMFE também deve ter um formulário onde serão efetuados os registros dos componentes, seus modos de falha, meios de detecção, conseqüências e medidas que poderão ser adotadas para controle de riscos e de emergências. A tabela 12 a seguir, apresenta um modelo de formulário aplicado na AMFE e o qual será utilizado no estudo de caso.

62

Tabela 12 - Modelo de formulário para AMFE

 

AMFE Análise de Modos de Falha e Efeitos

 

Folha Nº:

Data:

Empresa:

Sistema:

Elaborada por:

 

Componentes

Modos

 

Possíveis Efeitos

Categ. de

Métodos de

 

Ação de

de

 

Risco

Detecção

Compensação e

Em outros

No sistema

Falha

componentes

 

Reparos

Fonte: De Cicco e Fantazzini (1994)

2.5.4 Técnicas Avaliação de Riscos

2.5.4.1 Análise de Árvore de Falhas (AAF) - Fault Tree Analysis (FTA)

A Análise de Árvores de Falhas foi desenvolvida, m 1962, pelos Laboratórios Bell

Telephone, a pedido da Força Aérea Americana, para uso no sistema do míssil balístico intercontinental Minuteman. De acordo com Oliveira e Makaron (1987), a AAF é uma técnica dedutiva que permite aos analistas de riscos focar em um acidente particular e fornece um método para determinar as causas deste acidente.

A Árvore de Falhas é um modelo gráfico, baseado na aplicação de princípios da

Álgebra Booleana (utilização de portas lógicas do tipo “E” ou “OU”), que exibe as

várias combinações de falhas de equipamentos e erros humanos que podem resultar na principal falha do sistema de interesse, chamado de evento Topo (ou Top). As combinações seqüenciais destes eventos formam os diversos ramos da árvore. De Cicco e Fantazzini (1994)

Essa designação se justifica em virtude da utilização desse evento no nível mais alto da árvore de falhas, que tem representação gráfica; os eventos de nível inferior recebem o nome de eventos básicos ou primários, pois é a partir deles que se originam os eventos de nível mais alto. Esse modelo permite aos analistas de riscos focar medidas preventivas ou mitigadoras nas causas básicas e significativas, reduzindo assim, a possibilidade de ocorrência de um acidente. Portanto, é certo supor que a árvore de falhas é um diagrama que mostra a inter-relação lógica entre estas causas básicas e o acidente.

Oliveira e Makaron (1987)

63

Na figura 1 segue a estrutura sintetizada por De Cicco e Fantazzini (1994).

básica de construção de uma árvore de falhas

(1994). básica de construção de uma árvore de falhas Figura 1 - Estrutura fundamental de uma

Figura 1 - Estrutura fundamental de uma AMFE

Fonte: Henley e Kumamoto (1981)

De acordo com De Cicco e Fantazzini (1994), o método da AAF pode ser desenvolvido através dos seguintes passos:

a) Seleção do evento indesejável ou falha, cuja probabilidade de ocorrência deve ser

determinada;

b) Revisão dos fatores intervenientes, como ambiente, dados de projeto, exigências

do sistema, etc., determinando as condições, eventos particulares ou falhas que poderiam contribuir para a ocorrência do evento indesejado;

c) É preparada uma árvore, através da diagramação dos eventos contribuintes e

falhas, de modo sistemático, que irá mostrar o inter-relacionamento entre os mesmos e em relação ao evento topo. O processo se inicia com os eventos que poderiam,

diretamente causar tal fato, formando o primeiro nível. À medida que se retrocede passo a passo, as combinações de eventos e falhas contribuintes irão sendo adicionadas. Os diagramas assim preparados são chamados árvore de falhas. O relacionamento entre os eventos é feito através das comportas lógicas;