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ULTIMÉDIA

Esquizofrenia

António Cristóvão Reis Pereira


Sociedade Técnologia Ciência S/1
A esquizofrenia apresenta um conjunto de sintomas
bastante diversificado e complexo, sendo, por vezes, de
difícil compreensão. Pode surgir e desaparecer em ciclos de
recidivas e remissões. Hoje, é encarada, não como uma
doença única, mas, como um grupo de patologias,
atingindo todas as classes sociais e grupos humanos.
Geralmente, o diagnóstico tem mostrado níveis de
confiabilidade, relativamente baixos ou inconsistentes.
Explicando, aqui, a esquizofrenia não é a dupla
persoalidade, pois é muito mais ampla que isso,e não há
motivos de incluir, nela, os Transtornos de
Personalidade Múltipla.
Coube ao suíço Eugen Bleuer, em 1911, a criação do termo
"esquizofrenia" significando uma dissidência entre
pensamento, emoção e comportamento (esquizo significa
cisão e frenia quer dizer mente). É uma doença crónica que
atinge, aproximadamente, 60 milhões de pessoas do
planeta (1% da população mundial), sendo distribuída de
forma igual pelos dois sexos.Geralmente, o esquizofrénico
não é violento ou perigos, fora da crise, é uma pessoa
como qualquer outra.Porém, alguns poucos, quando em
crise, tornam-se agressivos, verbal ou fisicamente, pois os
delírios ou as alucinações podem fazer com que se sintam
ameaçados. Não há sintomas determinantes que
possibilitem um diagnóstico preciso,de imediato. Tanto
pode começar, repentinamente, e eclodir numa crise
exuberante, como começar, lentamente, sem apresentar
mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir
uma crise característica. Os sintomas podem ser
confundidos com "crises existenciais", "revoltas contra o
sistema", "alienação egoísta", uso de drogas, etc. O delírio
de identidade (achar que é outra pessoa) é a marca típica
de um doente. É, com frequência, relacionada com o
mendigo que deambula pelas ruas, que fala sozinho, com a
mulher que aparece na TV, dizendo ter outros alteres, e
com o "louco" que aparece nas telenovelas e nos filmes.
Foi, durante muitos anos, sinónimo de exclusão social, e o
diagnóstico de esquizofrenia significava internamento em
hospitais psiquiátricos (manicómios) ou asilos, como
destino "certo", onde os pacientes ficavam durante vários
anos.. Não há sintomas determinantes que possibilitem um
diagnóstico. Manifesta-se, habitualmente, na parte final da
adolescência ou no início da vida adulta. Afirma-se que os
primeiros sinais e sintomas de esquizofrenia são traiçoeiros.
Aos primeiros "sinais" de sossego/calma e afastamento,
visíveis num adolescente, normalmente, passam
despercebidos, como não sendo sinais de alerta, pois,
considera-se o facto de que "é, apenas, uma fase" por que
passam os jovens. É importante, porém, que se diga o
quanto é difícil interpretar esses comportamentos,
associando-os à idade. A sintomatologia esquizofrénica
apresenta-se demasiado abrangente, sendo uma síndrome
com grande componente fisiológico, com a presença
marcante das alucinações e dos delírios. O comportamento,
frequentemente, fica condicionado às ideias delirantes
paranóicas e às alucinações auditivo-verbais que os
doentes, geralmente, apresentam.
Pouco se sabe sobre esta doença e, ante o desafio
terapêutico, o máximo que se consegue é obter controle
dos sintomas com os anti psicóticos. Faz, apenas, um
pouco mais de 10 anos que a Organização Mundial de
Saúde editou critérios objectivos e claros para a realização
do diagnóstico da esquizofrenia. As causas do processo
patogénico são um mosaico: a única coisa evidente é a
constituição pluricausal da doença. Isso inclui mudanças na
química cerebral [a actividade dopaminérgica é muito
elevada nos indivíduos esquizofrénicos], factores genéticos
e mesmo alterações estruturais. É importante frisar que a
esquizofrenia tem cura. Até bem pouco tempo, pensava-se
que era incurável e que se convertia, obrigatoriamente, em
uma doença crónica e para toda a vida. Actualmente,
entretanto, sabe-se que uma percentagem de pessoas que
sofre desse transtorno pode recuperar-se por completo e
levar uma vida normal, como qualquer outra. Algumas,
com quadros mais graves, apesar de dependerem de
medicação, chegam a melhorar até o ponto de poderem
desempenhar bem seu ofício, casar e constituir família. O
matemático norte-americano, John Nash, que, em sua
juventude, sofria de esquizofrenia, conseguiu reverter sua
situação clínica e ganhar o Prémio Nobel de Ciências
Económicas, em 1994.

Esquizofrenia
MATEMÁTICO

JOHN FORBES NASH

A esquizofrenia caracteriza-se essencialmente por uma


fragmentação da estrutura básica dos processos de
pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer
a distinção entre experiências internas e externas. Embora
primariamente uma doença que afecta os processos
cognitivos [de conhecimento], os seus efeitos repercute-se
também no comportamento e nas emoções.

Os sintomas da esquizofrenia não são os mesmos de


indivíduo para indivíduo, podendo aparecer de forma
insidiosa e gradual ou, pelo contrário, manifestar-se de
forma explosiva e instantânea.

Estes podem ser divididos em duas grandes categorias:


sintomas positivos e negativos

Os sintomas positivos estão presentes com maior


visibilidade na fase aguda da doença e são as perturbações
mentais "muito fora" do normal, como que “acrescentadas”
às funções psicológicas do indivíduo. Entende-se como
sintomas positivos os delírios — ideias delirantes,
pensamentos irreais, “ideias individuais do doente que
não são partilhadas por um grande grupo”, por
exemplo, um indivíduo que acha que está a ser perseguido
pela polícia secreta, e acha que é o responsável pelas
guerras do mundo; as alucinações, percepções irreais –
ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo
mais frequentes as alucinações auditivo-visuais;
pensamento e discurso desorganizado, elaborar frases sem
qualquer sentido ou inventar palavras; alterações do
comportamento, ansiedade, impulsos, agressividade.

Os sintomas negativos são o resultado da perda ou


diminuição das capacidades mentais, ”acompanham a
evolução da doença e reflectem um estado deficitário ao
nível da motivação, das emoções, do discurso, do
pensamento e das relações interpessoais”, como a falta de
vontade ou de iniciativa, isolamento social, apatia,
indiferença emocional e pobreza do pensamento.

Estes sinais não se manifestam todos no indivíduo


esquizofrénico. Algumas pessoas vêem-se mais afectadas
do que outras, podendo muitas vezes ser incompatível com
uma vida normal. A doença pode aparecer e desaparecer
em ciclos de recidivas e remissões.

A teoria genética admite que vários genes podem estar


envolvidos, contribuindo juntamente com os factores
ambientais para o eclodir da doença. Sabe-se que a
probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia
aumenta se houver um caso desta doença na família. "No
caso de um dos pais sofrer de esquizofrenia, a
prevalência da doença nos descendentes directos é
de 12%. É o caso do esquizofrénico matemático
norte-americano John Nash que divide com o filho,
John Charles Martin, a mesma doença. Na situação
em que ambos os pais se encontram atingidos pela
doença, esse valor sobe para 40%". No entanto,
mesmo na ausência de história familiar, a doença pode
ainda ocorrer.”. Segundo Gottesman (1991), referenciado
por Pedro Afonso (2002), sabe-se ainda que cerca de 81%
dos doentes com esquizofrenia não têm qualquer familiar
em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não
têm sequer um familiar afectado.

Podendo muitas vezes ter a ver com a sua infância ou como


foi sua vida até o ponto em que "possivelmente" descobriu
que estava doente.

As teorias psicanalíticas (ou de relação precoce) têm


como base a teoria freudiana da psicanálise, e remetem
para a fase oral do desenvolvimento psicológico, na qual “a
z igausência de gratificação verbal ou da relação
inicial entre mãe e bebé conduualmente as
personalidades “frias” ou desinteressadas (ou
indiferentes) no estabelecimento das relações”. A
ausência de relações interpessoais satisfatórias estaria
assim na origem da esquizofrenia.

Aquando do diagnóstico, é importante que o médico exclua


outras doenças ou condições que possam produzir sintomas
psicóticos semelhantes (abuso de drogas, epilepsia, tumor
cerebral, alterações metabólicas). O diagnóstico da
esquizofrenia é por vezes difícil.

Para além do diagnóstico, é importante que o médico


identifique qual é o subtipo de esquizofrenia em que o
doente se encontra. Actualmente, segundo o DSM IV,
existem cinco tipos:

• Paranóide, é a forma que mais facilmente é


identificada com a doença, predominando os
sintomas positivos. O quadro clínico é dominado
por um delírio paranóide relativamente bem
organizado. Os doentes com esquizofrenia
paranóide são desconfiados, reservados, podendo
ter comportamentos agressivos.

• Desorganizado, em que os sintomas


afectivos e as alterações do pensamento são
predominantes. As ideias delirantes, embora
presentes, não são organizadas. Em alguns
doentes pode ocorrer uma irritabilidade marcada
associada a comportamentos agressivos. Existe
um contacto muito pobre com a realidade.

• Catatónico, é caracterizada pelo


predomínio de sintomas motores e por alterações
da actividade, que podem ir desde um estado de
cansaço e acinético até à excitação.

• Indiferenciado, apresenta habitualmente


um desenvolvimento insidioso com um
isolamento social marcado e uma diminuição no
desempenho laboral e intelectual. Observa-se
nestes doentes uma certa apatia e indiferença
relativamente ao mundo exterior.

Residual, nesta forma existe um predomínio de sintomas


negativos, os doentes apresentam um isolamento social
marcado por um embotamento afectivo e uma pobreza ao
nível do conteúdo do pensamento.

“Quero que as pessoas entendam que sou como


os outros. Sou um indivíduo e deveria ser
tratada como tal pela sociedade. Não deveriam
fechar-me numa caixa com a etiqueta de
esquizofrenia” (Jane).
“As pessoas com esquizofrenia têm muitas vezes
dificuldade em satisfazer as suas necessidades
devido à sua doença”.
É importante que o processo de reabilitação seja um
processo contínuo, para que o doente possa ter sucesso,
proporcionando uma maior qualidade de vida, maior
autonomia e realização pessoal. Para atingir estes
objectivos, foram criadas estruturas de apoio, os chamados
equipamentos substitutivos (à estrutura nos manicómios)
como os CAPS (Centros de Atenção psicossocial), Centros
de Convivência, Oficinas, hospitais dia, serviços residenciais
terapêuticos, empregos apoiados, fóruns sócio-
ocupacionais.

Uma das grandes dificuldades destes doentes é a sua


integração no mercado de trabalho, visto existir uma
grande competitividade, levando a que muitos acabem por
desistir. Daí ser relevante o acompanhamento destes no
período de adaptação.

É bastante útil que o doente tenha conhecimentos sobre a


doença e os seus sintomas e que tenha um papel activo no
tratamento e controlo sobre a mesma. Sendo por isso
vantajoso que estes sigam alguns cuidados,
nomeadamente:

• Permanecer fiel ao seu tratamento; se achar que a


medicação não está a ajudar ou sentir efeitos não
desejáveis deve avisar o médico
• Ter o cuidado de conservar um ritmo de sono e vigília
correcto, com as horas de sono necessárias
• Evitar o stress
• Deve manter rotinas normais, de higiene, alimentação,
actividade em casa e no exterior
• Evitar as drogas
• Procurar ter horas para dormir, comer, trabalhar
• Fixar um programa de actividades para cada dia
• Permanecer em contacto com as outras pessoas
• Manter o contacto com o psiquiatra/equipa de saúde
mental
• Praticar desporto pelo menos uma vez por semana.
Os doentes esquizofrénicos podem apresentar também
sintomas depressivos, que nem sempre têm origem em
aspectos biológicos ou neuroquímicos da doença.

Os problemas que geralmente ocorrem na família do


esquizofrénico são os seguintes:

• Medo… “Ele poderá fazer mal a si ou às outras


pessoas?”
• Negação da gravidade… “Isso daqui a pouco passa”
• Incapacidade de falar ou pensar em outra coisa
que não seja a doença… “Toda a nossa vida gira em
torno do nosso filho doente”
• Isolamento social… “As pessoas até nos procuram,
mas não temos como fazer os programas que nos
propõem”
• Constante busca de explicações… “Ele está assim
por algo que fizemos?”
• Depressão… “Não consigo falar da doença do meu
filho sem chorar”.

CONCLUSÂO

Origem genética da esquizofrenia estará afinal no efeito


conjunto de um número alargado de genes, confirma um
estudo do Consórcio Internacional para a Esquizofrenia, que
a Universidade de Coimbra integra. Trabalho comprova
ainda que parte da vulnerabilidade genética da
esquizofrenia é comum à doença bipolar.
Psiquiatras do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade
de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) integram
a equipa de investigadores europeus e norte-americanos
que confirmou que a vulnerabilidade genética para a
esquizofrenia é determinada pelo efeito conjunto de um
número alargado de genes. «Cada gene individualmente
tem um efeito muito pequeno, só a soma de todos esses
genes é que determinam o efeito geral», explica ainda
António Ferreira de Macedo, investigador da FMUC que,
com Maria Helena Pinto De Azevedo, é um dos co-autores
do artigo que foi ontem publicado na revista “Nature”.
«Se forem descobertos os mecanismos causais da doença
poderão ser desenvolvidos fármacos que intervenham
melhor nesses mecanismos».
«Uma boa parte das variações genéticas envolvidas são
comuns a ambas as doenças, isto é, a esquizofrenia e
doença bipolar partilham parte da sua vulnerabilidade
genética».
O Grupo de Estudos de Genética Psiquiátrica do Instituto de
Psicologia Médica da FMUC foi criado em 1990, sendo ainda
actualmente o único grupo de investigação do país ligado a
esta área de estudo. Dedica-se a estudos de epidemiologia
genética e genética molecular da esquizofrenia e doença
bipolar. Especializou-se na avaliação clínica dos doentes e
seus familiares, tendo desenvolvido metodologias
diagnósticos estandardizados com instrumentos
reconhecidos internacionalmente, adaptados e validados
para a população portuguesa, e ainda metodologias
pioneiras. Colabora com diversos centros de investigação
de âmbito internacional.
.
BIBLIOGRAFIA

SITES DE CONSULTA

http://jorgehessen.net
wikipédia livre
www.uc.pt/media ucfoto/amacedomazvedo.jpg
www.uc.pt/media
uc/contactosanasofiaveloso.vcf

29 de Outubro 2009