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4/8/2014

Agentes Tóxicos Ocupacionais Agrotóxicos

HERBICIDAS GLIFOSATO PARAQUAT DIQUAT 2,4-D RATICIDAS

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4/8/2014

GLIFOSATO

Glifosato
É um herbicida de amplo espectro, posemergente, de ação não-seletiva, ativo através de translocação na planta.  Glifosato tem baixa toxicidade para mamíferos que não inibe a enzima acetilcolinesterase.  É registrado em mais de 100 paises.  Também pode ser vendido em combinação com outros herbicidas.

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É um ácido orgânico fraco formado por uma molécula de glicina e outra de fosfonometil. A forma mais utilizada é o sal de isopropilamina, usualmente associado com o surfactante polioxietilenoamina (POEA).  Tem efeito residual curto.  Geralmente os resíduos no solo têm uma meia-vida de menos de 60 dias.  C3H8NO5P

Cinética
A absorção no TGI é limitada a 30-36%;  Pela via dérmica é de 5,5% ou menos.  Possui meia-vida de aproximadamente sete dias (168 h).  Nos tecidos orgânicos, a concentração mais elevada está nos ossos.

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 Não é esperado bioacumulação do glifosato tendo em vista sua alta solubilidade em água e seu caráter iônico.  É considerado não carcinogênico (US EPA categoria E).  Toxicidade relativamente baixa (DL50 oral. é seguro para mamíferos. não mutagênico e destituído de desenvolver toxicidade.600mg/kg).  Eliminação fecal de 62-69% sem absorção e 14-29% na urina.4/8/2014 Cinética O glifosato não é metabolizado em humanos e sua biotransformação é muito reduzida (o único metabólito. o ácido aminometilfosfônico. rato=5.  4 . pode ser detectado em quantidade menor que 0.5% de glifosato) sendo o restante rapidamente excretado na urina como glifosato inalterado.

 O surfactante POEA tem toxicidade estimada em cerca de três vezes maior que o glifosato.4/8/2014 Toxicidade Surfactantes e inertes podem ser adicionados à formulação do glifosato. Coquetel letal  Testes foram realizados em três linhagens de células humanas: ◦ linhagem primária epitelial derivada de cordão umbilical humano. 5 .   Coquetel letal. ◦ células embrionárias humanas derivadas de rim ◦ linhagem celular placentária. Todas as células morreram em 24 horas de exposição às formulações do Roundup.

 Exposição acidental geralmente é reduzida e os efeitos são leves. com poucos óbitos por ingestão acidental (usualmente crianças). Toxicidade  Estimativa de dose ingerida: ◦ Casos leves: menor que 60mL (quadro gastrintestinal sem manifestações sistêmicas) ◦ Casos moderados (ou potencialmente grave): de 60 a 100mL ◦ Casos letais: ingestão acima de 200mL (correspondendo a 30-70g de glifosato ácido) 6 .   Ingestão de 100-150ml por pacientes acima de 40 anos apresenta alto risco.4/8/2014 Toxicidade Casos graves têm ocorrido somente em ingestões intencionais.

o pó pode causar irritação moderada no nariz e garganta.  Efeitos a curto prazo  Contato Ocular  Testes em animais indicam que glifosato pode causar irritação severa nos olhos com irritação conjuntival temporária.4/8/2014 Manifestações clínicas Irritação oral e gastrintestinal (queimação da boca e esôfago.  Inalação  Como o glifosato pode causar irritação leve da pele e irritação severa dos olhos. 7 .  Alguns pacientes podem estar estáveis nas primeiras 8-12h e.  Hipotensão pode ocorrer em horas após a ingestão de grandes quantidades. desenvolverem hipotensão e angústia respiratória. edema periorbital e queimação ocular. vômito e dor abdominal) desenvolve-se rapidamente após ingestão. então.

sendo testado em voluntários para fotoirritação e fotossensibilização sem produzir qualquer efeito. diarreia. ◦ Em geral. edema e erosão da orofaringe e mucosas do trato gastrintestinal.4/8/2014 Efeitos a curto prazo  Exposição cutânea ◦ O glifosato é praticamente isento de toxicidade sistêmica por exposição dérmica. Efeitos a curto prazo  Ingestão ◦ Estudos em animais mostram que o glifosato tem baixa toxicidade oral. 8 . vômitos. Pode haver disfagia. ◦ Irritação moderada da pele pela formulação Roundup® é causada pelo surfactante que é corrosivo para a pele. náuseas. causa irritação. dor abdominal e hemorragia gastrintestinal.

Mutagenicidade: Nenhuma informação humana disponível. Toxicidade Reprodutiva: Informação não disponível. Teratogenicidade e Embriotoxicidade: Nenhuma informação humana é disponível. Potencial para Acumulação: Nenhuma acumulação. Foi não-mutagênico em uma série de testes. Estudos em animais mostram que o glifosato é lentamente absorvido pelo sistema digestivo e é eliminado rapidamente.4/8/2014 Classificação de gravidade e efeitos da intoxicação aguda Efeitos a longo prazo      Carcinogenicidade: estudos mostraram não haver atividade carcinogênica. Estudos em animais não produziram efeitos. 9 .

 Monitorização cardiovascular.  Ingestão: proceder a realização de Lavagem Gástrica.  Corrigir os distúrbios ácido-básicos.4/8/2014 Tratamento Exposições cutânea ou ocular: descontaminação.  PARAQUAT E DIQUAT 10 . respiratória e renal.

 11 .4/8/2014 Componentes mais comuns em envenenamentos Paraquat (PQ) e Diquat Herbicidas do grupo dos bipiridilos não seletivos. principalmente na agricultura e por agências governamentais e indústrias para controle de ervas daninhas. largamente utilizados.  O Paraquat tem seu uso restrito em muitos países do mundo tendo em vista seu potencial significativo para intoxicações acidental e intencional.

seu efeito tóxico em mamíferos é. mas.  É bem absorvido por via digestiva e moderadamente pela a pele irritada ou lesada.  Paraquat É altamente irritante para os olhos.  Alta toxicidade  Fins suicidas e pelo fato de ainda não existir antídoto específico e não haver tratamento médico adequado para esta intoxicação. devido ao dano para os alvéolos pulmonares.  A via inalatória tem menor absorção. não é absorvido significativamente pela pele intacta.4/8/2014 Paraquat É altamente tóxico ao homem por ingestão. em grande parte.  12 .

 Em estudos animais. causa lesões rápidas e reversíveis dos pneumócitos tipo I. não produzindo então. sem lesar as células tipo II.  Ação 13 .4/8/2014 Diquat O envenenamento com Diquat é muito menos comum que com Paraquat. as lesões pulmonares observadas com o PQ.

Destoxificação de H2O2 via glutationa redutase e NADPH 14 .4/8/2014 Ação Mecanismo de toxicidade do paraquat. . .Passo 2. Ciclo redução-oxidação do PQ utilizando NADPH.Passo 1. Formação de radicais OH que produzem lipoperoxidação da membrana celular .Passo 3.

por um processo dependente de energia. O paraquat não é metabolizado. ocorrendo rapidamente a proliferação de fibroblastos. mas é reduzido a um radical livre instável. O paraquat absorvido é distribuído pela circulação sanguínea a praticamente todos órgãos e tecidos corporais. mas atinge o pico plasmático em 30 min a 2h após a ingestão. Não se liga às proteínas plasmáticas. Cinética      É pouco absorvido por via digestiva (5-10% da dose ingerida). A hemorragia. atravessando a barreira placentária e sem estocagem em tecidos de mamíferos. embora possa causar necrose tubular renal o que pode prolongar a sua excreção em até 10 a 20 dias. inalação ou pele íntegra. Tem meia-vida de cerca de 30min. o edema e os leucócitos infiltram os espaços alveolares. Há um declínio progressivo na tensão de oxigênio arterial e na capacidade de difusão do CO2. A biotransformação do paraquat nos pneumócitos tipo I e II gera a produção de radicais livres resultando na peroxidação de lipídios e dano celular. 15 .4/8/2014 Cinética      O pulmão seletivamente acumula paraquat do plasma. O Paraquat é excretado rapidamente pelos rins (8090%) dentro de 6 horas e quase 100% dentro de 24 horas.

 ◦ Dose letal em humanos encontra-se em 3-6 mg/kg o que traduz em uma quantidade tão pequena quanto 10-15mL de solução a 20%. 16 .  Doses acima de 150mL estão associadas a perfurações de esôfago.  Crianças: apresenta suscetibilidade e quadro clínico de envenenamento semelhante aos adultos.4/8/2014 Toxicidade Adultos: a dose tóxica mínima por via oral é calculada em 20mg/kg.7mg/kg). Toxicidade Ingestão de volumes superiores a 50mL é fatal. estômago e intestino.   A menor dose letal relatada foi de 1g (aproximadamente 16.

4/8/2014 Toxicidade A ingestão de qualquer quantidade deve ser considerada como potencialmente grave. pulmões. rins. os órgãos-alvo do paraquat são: o trato gastrintestinal.  17 . fígado e coração.  Quando ingerido.

 Oferta de oxigênio é contraindicada por evidência que seu efeito potencializa o efeito do PQ sobre os tecidos.  Iniciar hemodiálise ou hemoperfusão o mais precoce possível  18 .  A diurese forçada acelera a excreção.4/8/2014 Fases da intoxicação e manifestações da intoxicação por Paraquat Tratamento Indução de vômitos até 1h (se o paciente ainda não vomitou) ou realizar Lavagem Gástrica até 2h após a ingestão.

Rx de tórax seriados: para documentar mudanças no padrão pulmonar. proteinúria e cilindros granulosos. Exame urina de rotina mostra presença de hematúria. CLOROFENOXIACÉTICOS 2. Provas de função hepática: aminotransferases elevadas 24-48h após ingestão como bilirrubinas. ECG Endoscopia digestiva alta: orienta a gravidade das lesões cáusticas após a ingestão. fosfatase alcalina. Hemograma: leucocitose com neutrofilia. Uréia e creatinina aumentadas.4/8/2014 Exames complementares         A presença de paraquat na urina é indicativa de absorção.4 D 19 .

20 . utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnã.4/8/2014  O Tordon® foi o principal componente do “agente laranja”.

entre outros.  São solventes orgânicos.  São extremamente tóxicas.4/8/2014 Dioxinas É um grupo de várias substâncias que possuem em comum o caráter orgânico. sua morte. o que permite que se dissipem e acumulem em tecidos adiposos e também não são biodegradáveispor qualquer ser vivo.  Dioxinas Podem ser transmitidos através do leite materno e mesmo da placenta. causando alterações no desenvolvimento dos sistemas nervoso.  Poluentes Orgânicos Persistentes .POP. se eles tiverem sorte.  21 . causando más-formações aos fetos ou. heterocíclico.  Sofrem biomagnificação. de uso restrito. reprodutor.  São compostos altamente carcinogênicos.

como nos consumidores secundários e terciários.4/8/2014  Biomagnificação: tendem a apresentar maiores concentrações em níveis tróficos mais altos. podemos obter dioxinas principalmente da queima do PVC. Síntese de dioxinas podem ser produzidas de forma natural.  22 .  De forma artificial. por ações vulcânicas. como o branqueamento do papel. também podem ser produzidas como subprodutos de processos industriais.

além de alterações neuromusculares por neurite periférica. simulando um quadro clínico de diabetes.4-D a longo prazo  A preocupação é com as dioxinas (impurezas técnicas presentes nestes produtos).  2. o que pode causar distúrbios reprodutivos e alguns tipos de câncer como os linfomas. agudamente. alterações da glicemia de forma transitória.4/8/2014 2.4-D Apresenta toxicidade moderada para mamíferos. via digestiva e inalação determinando. que são substâncias organocloradas persistentes e suspeitas de causarem danos em células germinativas. 23 .  É bem absorvido pela pele.

4/8/2014 Ação O mecanismo de toxicidade no organismo animal é desconhecido.  A causa da morte usualmente ocorre por fibrilação ventricular. refletindo dano nos músculos estriados (rabdomiólise. 24 . estudos evidenciaram extensas lesões musculares. mioglobinúria).  Ação  Ocorre elevação da creatinofosfoquinase no soro. mas.

 Dor torácica e abdominal e diarreia.4/8/2014 Cinética A absorção oral é rápida.  Irritação do estômago normalmente conduz a vômitos após a ingestão.  Enxaqueca. confusão mental e comportamento estranho são indicações precoces de envenenamento severo que pode progredir para a inconsciência  25 . fígado.  A meia-vida é estimada em 33h. na urina como 2.  A dose letal é estimada em 15-28g.  A excreção é relativamente rápida.4-D inalterado.  Cerca de 1h após absorção oral.VO.  Toxicidade A dose tóxica mínima está em torno de 4060mg/kg (ou 3-4g). músculos.  Superdosagem cérebro. e quase totalmente. mas também é absorvido por inalação. rins. sangue e urina óbito. é detectado no sangue com nível máximo em 7-12h. em cerca de 75% dos casos.

4/8/2014 Exames de detecção A presença de 2.  Não existem outros testes bioquímicos específicos que podem confirmar a exposição.  ◦ Elevação de CPK (creatinofosfoquinase).  Também ser encontrado no plasma nas primeiras 48h após a exposição. RATICIDAS 26 .4-D na urina é indicativa de exposição a esses compostos. embora a função hepática e o ECG possam ser úteis na determinação da severidade da intoxicação.

difenacum.  27 . dependendo da dose ingerida e do tempo de exposição. na intoxicação aguda. Raticidas A warfarina e compostos relacionados (cumarinas e indandionas) são os rodenticidas mais comuns. à base de warfarina e outros anticoagulantes.  ◦ brodifacum.  estricnina e do arsênico.  São bem absorvidos pela via digestiva e podem determinar.  Atualmente são orgânicos sintéticos.  fluoracetato de sódio e a fluoroacetamida. bromadiolona. hemorragias de vários graus.4/8/2014 Raticidas derivados inorgânicos do tálio e do fósforo amarelo. difacinona e clorofacinona.

pó (agricultura) e iscas de coloração azul-celeste (uso doméstico). Caracterização  O brodifacum apresenta-se como iscas de coloração rósea. Sua concentração varia de 1.5-10g de ingrediente ativo por cada quilo de produto formulado.4/8/2014 Caraterização  Warfarina: São formulados como tabletes parafinados (uso em saúde publica e agrícola) de coloração verde ou azul escuro. com uma concentração de 20-50mg/kg de produto formulado. 28 .

visto que necessitam de uma grande ingestão ou uma ingestão prolongada. por vários dias.4/8/2014 Toxicidade Em geral os produtos warfarínicos são de baixa toxicidade.  Os produtos superwarfarínicos necessitam de pequenas ingestões ou uma única dose e seus efeitos anticoagulantes são muito prolongados. 29 . para que ocorra o efeito anticoagulante.  Ação  A warfarina age por bloqueio da produção de protrombina hepática e por causar dano vascular a nível capilar.

 A absorção da warfarina pelo trato gastrintestinal é rápida e completa.  A meia-vida em humanos é de cerca de 36h.   O brodifacum sofre metabolização muito lenta. a meia-vida do produto no soro é de 156h ou mais. 30 . em poucos minutos depois de ingerida (2-3h).4/8/2014 Ação Cinética A absorção pela pele é baixa.

 inibem a formação do coágulo.VII.4/8/2014 Dinâmica A warfarina inibe a atividade da 2.  aumentam a fragilidade capilar  Ciclo da vitamina K 31 .3 epoxiredutase de Vitamina K e da quinona redutase de vitamina K resultando de ambos os efeitos. a inibição de vitamina K. Esta vitamina é um co-fator na síntese dos fatores da coagulação II (protrombina). IX e X.

Tempo de coagulação 3.Eritrograma (anemia) 4.Urina (hematúria) 5.Fezes (sangue oculto)  32 . 1.Tempo de Protrombina (TP) 2.4/8/2014 Diagnóstico  diminuição da atividade do tempo de protrombina (normal entre 80-120%).