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As questões fundamentais da ética
A ética trabalha com questões fundamentais para exercer os atos éticos que são:
aliberdade, a responsabilidade e a necessidade. Nesses três há todas as premissas
das decisões éticas que a ética cristã abordará.
3.1. A liberdade
Ao falar de liberdade, temos que entender que existe liberdade e não existe. Isso pode
parecer absurdo, mas é arealidade com o que ocorre com a humanidade. O mundo é
regido por leis, como por exemplo, a lei da gravidade, as leis estatais, as leis naturais e
as leis divinas. Ambas as leis fazem com que a humanidade não seja realmente “livre”,
mas parcialmente livre. Como afirma GHIRALDELLI JUNIOR acerca da liberdade exposta
por Kant:
“Assim, Kant vê a ideia de liberdade baseada em enunciado de caráter sintético a
priori, a saber, “sem liberdade não pode haver nenhum ato moral”. Eis então um
comando moral que, a partir dessa sentença, pode-se ver o “imperativo categórico”
kantiano: “agir somente de acordo com aquela máxima que se pode, ao mesmo tempo
em que se age, tomar como o que deveria ser uma lei universal”. Tal lei, segundo Kant,
está incrustada na subjetividade, no seu lado moral (a razão pura prática). Todos os
atos morais, na ética kantiana, são modelados por princípios que devem poder ser
universalizados sem que, com isso, se crie alguma contradição. Em outras palavras: o
sujeito, ou o homem, age moralmente porque tem consciência lógica de que o
contrário leva ao absurdo. Cada sujeito, na medida em que é racional e, portanto,
autônomo, exerce sua autêntica condição de sujeito moral – a pessoa. Em cada ação
consegue se conduzir corretamente segundo a ideia de que o que for que venha a
fazer ou esteja fazendo deve gerar um enunciado possível de se tornar uma lei para
todos. O sujeito moral está dotado dessa norma, e se considera moralmente
errado, instantaneamente, ao praticar uma ação que leve a humanidade ao absurdo,
caso a conduta individual que está sendo adotada pelo sujeito moral for
universalizada.” (p. 79)
Na verdade, o que os ensinos de Kant quer realmente afirmar é que não há como ter
liberdade TOTAL, porque tudo em que a humanidade está ligada moralmente há
princípios superiores, considerados como princípios maiores que são as leis existentes.
A moral existe, existe porque é baseadas em leis, e tais leis sejam naturais, espirituais
ou normativas governam toda a esferahumana.
Um exemplo disso seria a questão dos anarquistas, que afirmam não seguir leis, porém
ao ser fiéis em seus grupos, eles seguem uma lei natural de fidelidade da comunidade
que estão envolvidos. Não há como nenhum ser humano fugir das leis, todos estamos
de certa forma presos a alguma lei. Isso porque se encararmos o mundo da maneira
estrutura como ele é, observamos que para ser tão bem estruturado é necessário
haver leis objetivas e subjetivas para fazer com que tudo tome seu rumo certo.
Se não houvesse leis implícitas na humanidade não haveria moral, então a
humanidade seria algo imoral, literalmente uma Sodoma e Gomorra.
Com relação as leis, a Bíblia nos mostra que somos livres, mas livres para escolher a
que tipo de lei, ou a “quem” iremos seguir. O apóstolo Paulo fala bem sobre a
questão de liberdade: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas
convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por
nenhuma.” (1 Coríntios 6. 12). A doutrina paulina é clara com relação a liberdade, ao
livre-arbítrio que existe na humanidade que se resume em, você é livre, mas para
servir algo, alguém ou a alguma lei. A escolha de liberdade na doutrina paulina é
simples, ou você serve a Lei do Senhor *“E assim a lei é santa, e o mandamento santo,
justo e bom.” (Romanos 7. 12)+ ou serve a lei mundana dominada pela pessoa de
Satanás.
A liberdade também está relacionada com a questão de servir a moralidade, para nós
cristãos a questão da moral para com Deus, a responsabilidade em pecar ou não.
Entendemos que o ser humano tem liberdade, mas condicional. Se houvesse liberdade
total então o mundo seria um caos e não o verdadeiro lugar para a humanidade viver.
3.2. A responsabilidade
A moralidade traz algo para ser direcionado pela humanidade que é a
responsabilidade. Só há responsabilidade quando há moralidade, só há moralidade
quando há leis vigentes com princípios superiores a humanidade. Todo ser humano é
um ser responsável. Todos já têm o senso de responsabilidade gerado dentro de si. Se
há esse senso de responsabilidade então há alguém superior para que a humanidade
preste essa responsabilidade, Deus.
Se partimos da premissa de que todos somos livres e não existe lei, nem moralidade
para o ser humano prestar contas, muito menos Deus, ou alguém superior, a
humanidade seria divina, todos seriam deuses, então ninguém deveria prestar
responsabilidade alguma, ou seja, não haveria responsabilidade. Assim como o mundo
sem leis se tornaria um caos, muito menos sem responsabilidade não haveria sequer
um respeito para com as leis e uns para com os outros.
Um exemplo claro do caos que a humanidade se tornaria é dado em mais um
ensinamento kantiano exposto por GHIRALDELLI JUNIOR:
“O exemplo clássico que os manuais fornecem é aquele dado pelo próprio Kant a
respeito da mentira. Pode alguém mentir para salvar um ente querido ou mentir “em
favor da humanidade?” Em outras palavras: mentir em favor da humanidade é um ato
moralmente correto? Kant respondeu que não, pois a mentira não poderia ser
universalizada sem autocontradição; se todos mentissem, quem saberia quem
estaria dizendo a verdade? Ou seja, a universalização de “posso mentir” não é cabível,
e então cada sujeito, por ter a razão pura prática funcionando, ouve o alarme
interiormente – o alarme que denuncia a autocontradição e que mostra que ele deve
parar, que não deve mentir porque, se o fizer, estará dando aval à mentira, a uma
regra que não pode servir para todos. No censo comum, é o que os indivíduos dizem:
“Ponha a mão na consciência e veja se isso é certo”. Eles estão querendo dizer,
kantinamente: “Ponha a mão na razão pura prática e veja que, se todos fizéssemos
como você, estaríamos num caos.” (pp. 79-80)
A responsabilidade está implantada nas grandes leis humanas, mas também nas
pequenas, relacionadas a questão de convivência. Sem responsabilidade na sociedade
não haveria comunicação, comercio, transito, vizinhança, etc., mas apenas haveria
mais guerras, discórdias, destruições, etc., ou seja, a socialização das pessoas não
existiriam, o que existiria seria um mundo repleto num caos total. Um exemplo disso é
a história contada no filme O Livro de Eli, uma sugestão para ampliar o conhecimento
acerca do que poderia ocorrer caso o mundo que existe não houvesse nem leis, nem
responsabilidade e nem quem executasse a aplicação de tais leis.
3.3. A necessidade
Outra questão fundamental que move as ações das pessoas sejam ações morais ou
imorais é a questão da necessidade. Essa é a que aborda as grandes polêmicas
existentes sobre as atitudes humanas.
Mentir é errado? Geralmente sim. Mas se a mentira for seguida de algo
responsavelmente maior, como por exemplo, um homem x foi preso porque a família y
o viu cometendo um assassinato com z, então a família y o denunciou, e, x foi preso
por assassinar z, porém x prometeu que assim que cumprisse a pena iria tirar a vida de
toda a família y. Então ao cumprir a pena x foi solto, em um dia conseguiu uma arma, e
no outro dia foi matar toda a família durante a noite. O vizinho w é um cristão assíduo
e ao ouvir o barulho de tiros foi observar o que seria tal barulheira na noite, então a
família y pede para se esconder em sua casa. Nesse meio tempo os vizinhos abrem
suas portas para ver o que está acontecendo, então x vai de casa em casa perguntando
aonde a família y tinha se escondido, e quando chega na casa do cristão w ele mente,
dizendo que não havia ninguém na casa dele, mentiu para preservar a vida de toda a
família y. X foi preso mais uma vez pela polícia e a família y foi poupada, w foi o
responsável pela salvação da família, porém tornou-se um pecador perante a sua
congregação. Há algumas maneiras éticas de abordar o assunto.
3.3.1. Antinomismo

O antinomismo afirma não haver norma, ou seja, não há regra geral, então para essa
ótica a atitude de w foi algo normal. Já que mentir nem é certo, nem é errado. Porém o
antinomismo não tem proporção ética significativa já que como observamos
anteriormente sem lei o mundo seria um caos, sem responsabilidade haveria um
tumulto geral.
3.3.2. Generalismo
A questão em foco é que todas as leis são gerais, porém há questões maiores que as
leis gerais, seriam neste caso citado a vida da família. Mesmo sendo quebrada uma
regra geral que é a mentira, ela seria suprida por haver o salvamento de vidas, ou seja,
nem toda regra geral é absoluta, todas elas têm exceções.
3.3.3. Situacionismo
Essa norma ética mostra que há apenas uma lei universal que é o amor. Nada pode
quebrar essa lei já que é a maior de todas, por isso, as outras leis são inferiores a essa,
e se por acaso essa lei for a motivadora mesmo que seja para uma atitude válida, ela
pode ser quebrada. Perante o situacionismo observamos que todas as leis são
circunstanciais e flexíveis, ou seja, de acordo com a situação é que ela pode ser
cumprida ou não.
3.3.4. Absolutismo não-conflitante
Quando se trata de uma lei maior que entra em conflito, ou seja, uma lei universal o
absolutismo não-conflitante é aquele em que não há nenhum tipo de situação para
poder quebrar os princípios. Isso tá relacionado acerca da seguinte questão: os meios
não justificam os fins. Para que os fins sejam alcançados de maneira correta, o
princípio inicial deve ser correto e os meios para alcança-lo deve ser correto. Esse
absolutismo é o absolutismo das leis universais que são imutáveis, ou seja, princípio
não se muda independente da mudança social as leis permanecem as mesmas. Se
alguma lei for quebrada, então há uma transgressão desse absolutismo universal.
3.3.5. Absolutismo ideal
O absolutismo ideal é aquele em que sempre que uma lei for quebrada haverá um
conflito, seja esse perante a própria lei, seja perante aqueles a quem deve se prestar
tal responsabilidade, ou consigo mesmo e para com Deus. O absolutismo ideal mostra
que se for necessário quebrar uma lei para alcançar algo maior, que seja feito, porém
tenha a ciência de que prestará contas ao Criador, como também haverá sérias
consequências, mesmo que não sejam grandes. O erro sempre será o erro, porém esse
erro é menor porque foi alcançado algo maior, já que elas entraram em conflito
consigo mesmas.

3.3.6. Hierarquismo
O hierarquismo é aquele em que as leis são quebradas para se cumprir algo maior, ou
seja, uma lei maior e mais imperativa é aceita, não entrando em conflito com outras
leis já que a lei a que foi escolhida é bem maior do que qualquer outra. O hierarquismo
mostra que as decisões corretas são aquelas em que estão focadas em algo maior,
mesmo quebrando uma lei menor, o alvo foi alcançado. Isso não exclui a
responsabilidade de ter quebrado algo, porém mostra que o fato de ter quebrado foi
conseguido algo superior.