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CURSO – DPF – MANHÃ DATA – 08/05/2013 DISCIPLINA – TRIBUTÁRIO PROFESSOR – JULIANA FREDERICO

CURSO DPF MANHÃ

DATA 08/05/2013

DISCIPLINA TRIBUTÁRIO

PROFESSOR JULIANA FREDERICO

MONITOR GEORGIA VIANNA

Distinção do Direito Financeiro x Direito Tributário: O O Direito Financeiro trata das receitas originárias
Distinção do Direito Financeiro x Direito Tributário:
O
O
Direito Financeiro trata das receitas originárias e receitas derivadas

AULA 01

1) INTRODUÇÃO:

1.1-

Direito tributário possui autonomia em relação ao Direito Financeiro. São ramos distintos.

- RECEITA PÚBLICA ORIGINÁRIA - advém da exploração do próprio patrimônio da

Administração Pública como se ela fosse um particular. Ex: aluguel de um patrimônio,

lucros das EP, lucro do BB. Em suma, decorre da atividade econômica explorada pela própria entidade publica ou privada.

- RECEITAS DERIVADAS é uma receita coercitiva decorrentes do poder de império

pelas normas de ordem pública. São aquelas decorrentes de situações coercitivas multas de forma geral. Dentro das receitas derivadas temos as receitas tributárias (multa de transito, descumprimento normas ambientais).

- RECEITAS TRIBUTARIAS também são coercitivas. Temos dois tipos: decorrentes de tributos e decorrentes multas tributárias, multas estas decorrentes da aplicação da legislação tributária (gera o crédito tributário).

Logo, o objeto do Direito Tributário é das relações jurídicas que estuda receitas tributárias (advindos de tributos) e obrigações acessórias ( não relacionada ao dever de pagar) O destinatário imediato das normas de DT NÃO é a Administração Pública. Já o destinatário mediato é o próprio Estado (Fisco).

O objeto do DT, portanto, são as receitas tributárias. E toda receita tributária é uma receita

derivada.

1) DÍVIDA ATIVA: ( Lei 6830/ 1980)

- Lei 6.830/1980 art. 2º:

Art. 2º - Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.

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4320/64 art. 9º - esta previa somente 3 espécies tributárias e constituem receitas tributárias.

Art. 9º Tributo e a receita derivada instituída pelas entidades de direito publico, compreendendo os impostos, as taxas e contribuições nos termos da constituição e das leis vigentes em matéria financeira, destinado-se o seu produto ao custeio de atividades gerais ou especificas exercidas por essas entidades (Veto rejeitado no D.O. 05/05/1964)

A dívida ativa é o cadastro público. Cada ente tem a sua dívida ativa com isso, ele tem o

auto-controle da legalidade. O crédito é definitivo, constituído (não cabe nenhum tipo de discussão sobre a divida) e não pagos no vencimento, ou seja, só haverá inscrição em D.A quando encerrado o processo administrativo. Agora, se o crédito estiver VENCIDO e NÃO PAGO, então a Fazenda Pública tem a possibilidade de inscrever esse crédito vencido em divida ativa.( Lembre-se!!! Tem que estar vencido). Logo, enquanto houver processo administrativo tramitando, não há como o ente inscrever

o crédito em Divida Ativa.

2. FUNÇÃO DA DÍVIDA ATIVA: QUANDO ENCERRADO O PROCESSO ADMINISTRATIVO

a) Auto-controle da legalidade de créditos definitivamente constituídos e não pagos no

vencimento(encerrado processo administrativo);

b) Titulo com presunção de certeza, liquidez e exigibilidade;

c) Viabilizar título executivo : CDA

d) Pressuposto para execução fiscal: CDA

e) Publicidade não há sigilo fiscal at. 198, §3º do CTN;

f) Presunção absoluta de fraude/ alienações/ devedor insolvente (art. 185, CTN) Atenção: aqui ao se aplica a Sumula do STJ pois não depende de registro do gravame para ser considerado a fraude. Se o alienante tiver inscrito em D.A seja

ela pela U, E, M é fraude, mesmo não implicando nenhum gravame sobre o bem.É, portanto, a publicidade o fundamento da presunção de fraude.

Observação:

Não tem como se ter a presunção de fraude antes da publicidade pois no curso do processo administrativo, vigora-se o sigilo fiscal, e por isso, não tem como o terceiro de boa fé tomar conhecimento se há ou não algum impedimento fiscal sobre o bem. No entanto, pode o Fisco, no intuito de se resguardar, ajuizar uma MEDIDA CAUTELAR FISCAL Lei 8397/92 art. 2º, III é possível o ajuizamento dessa medida se no curso do processo o devedor intentar dilapidar o patrimônio serve para a F P resguardar os bens penhoráveis, entretanto deve a Fazenda Pública provar insolvência do alienante. Lei 8397/92:

Pública provar insolvência do alienante. Lei 8397/92: Art. 2º, III – caindo em insolvência, aliena ou

Art. 2º, III caindo em insolvência, aliena ou tenta alienar bens; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)

Concluindo: os requisitos para se constatar a fraude são: inscrição em Dívida Ativa e a insolvência do devedor na data da alienação do bem.

g) Data de inscrição: suspensão da prescrição via de regra, prescrição de 5 anos.

No entanto a suspensão é de 180 dias aplicável a créditos de natureza não tributária:

Exs.Uma multa de trânsito, inscrita em DA suspende-se a prescrição por 180 dias. Agora, quando a multa for TRIBUTÁRIA , não pode haver suspensão de 180 dias, uma vez que toda matéria de crédito tributário é regulado por LC, e esse prazo é previsto por Lei 6.830 que é ordinária.

A súmula 8 do STF e o CTN, este considerado LC, não prevêem essa prescrição:

8 Para o acesso de auditores ao superior tribunal militar, só concorrem os de segunda entrância.

Vide: 146,III, b,CR: prescrição créditos tributários (tributo e multa) reserva de LC e sum 8, STF 174, CTN.

Art. 146, CR - Cabe à lei complementar:

III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente

sobre:

b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;

Art. 174, I, CTN - A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.Parágrafo único. prescrição

se interrompe:

I pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação

Atenção: a prescrição não começa a contar a partir da CDA, errado. Ela começa a contar da data do encerramento do processo administrativo - vide: art. 2º, § 5º,V da Lei 6830/80 c/c art. 202, CTN. Assim, a suspensão de 180 dias só se dá para créditos não tributários:

Art.2º, § 5º - O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I -
Art.2º, § 5º - O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:
I - o nome do devedor, dos co-responsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio
ou
residência de um e de outros;
II
- o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de calcular os
juros de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato;
III
- a origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida;
IV
- a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização monetária,
bem como o respectivo fundamento legal e o termo inicial para o cálculo;
V
- a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida Ativa; e
VI
- o número do processo administrativo ou do auto de infração, se neles estiver
apurado o valor da dívida.
Art. 202, CTN - O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade
competente, indicará obrigatoriamente:
IV - a data em que foi inscrita;

3- PRECATÓRIO art. 100, CR:

Esse não tem nada a ver com Dívida Ativa, uma vez que, aqui irá tratar de despesa pública. Imagine uma decisão judicial com trânsito em julgado. Rito do art. 730, CPC rito impede a execução da Administração Pública, pois não cabe o prazo do CPC para ela, pois para sua execução existe rito específico.

Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais,

Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente

na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos

respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações

orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. (Redação dada pela

Então como a Administração Pública paga a dívida numa indenização? Depende do valor.

- RPV (Requisição de pequeno valor) - até 60 sm (u); 40 sm(E); 30sm (M) sdc lei maior ou igual o teto do RGPS. Vide Lei 10.259/2001(Juizado Especial Federal) e Lei 12.153/2009 (Fazenda Pública).

- PRECATORIO valor superior se eu der entrada em um precatório no 1º semestre, o prazo

para receber será até o final do exercício seguinte. Se entrar no segundo semestre, o recebimento se dará no final dos dois anos posteriores, ou seja: entrei em julho de 2013 prazo para receber é

no final de 2015.

Até 1º / 07: pagamento final do exercício final seguinte

 Após 1º/07: pagamento final 2º e final seguinte
 Após 1º/07: pagamento final 2º e final seguinte

Os juros são devidos antes da apresentação do precatório e também com o atraso do prazo de pagamento do precatorio.

4- STN: COMPETÊNCIA:

-TRIBUTÁRIA: é o poder de criar tributo e é indelegável em decorrência do pacto federativo.(art. 7º, 1ª parte, CTN);

-EXIGIBILIDADE ( 119, CTN) Capacidade Tributária ativa é delegável (art.7º, 2ª parte, CTN) este é o chamado de PARAFISCALIDADE é ato vinculado ao critério de destinação. Isso ocorre a entidade arrecada porque ela é a própria destinatária do tributo ela tem então o poder de cobrar e tributar. Ex.

- CLASSIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA - levou em conta a teoria do fato gerador.

- FATO GERADOR :

a) FATO GERADOR VINCULADO: quando a cobrança do tributo depende de uma contraprestação de uma atuação estatal direta para o contribuinte. Isso só ocorre nas TAXAS e CONTRIBUIÇÕES. Art. 145, II, da CR dependem de um serviço público a ser prestado, e a CR não discrimina quais os entes e respectivas taxas ou contribuições, pois

somente fala que, aquele que atuar cobra. O importante aqui é observar a situação sinalagmática (SACSHA CALMON) uma vez prestado o serviço, cabe a tributação.

b) FATO GERADOR NÃO VINCULADO - é o princípio da não afetação art. 167 IV que se refere a NÃO vinculação, isto é, não depende de nenhuma atuação estatal dirigida ao contribuinte. Isso também diz respeito aos Empréstimos Compulsorio, 148, CF e Contribuições Especiais. Aqui a União discrimina qual tributo o ente ficará responsável.

Atenção para o fato de que a palavra “privativa” para o Direito Tributário é diferente do sentido de “privativaprevista na CR - pois nesta, há autorização para delegação, ao passo que, no Direito Tributário, o sentido de “privativa” NÃO permite delegação para se instituir e nem cobrar imposto. Logo, a competência de imposto é privativa no sentido de exclusiva.

de imposto é privativa no sentido de exclusiva. -COMPETÊNCIA EXTRAORDINÁRIA: Imposto extraordinário de

-COMPETÊNCIA EXTRAORDINÁRIA: Imposto extraordinário de guerra (art. 154, II, CR) idêntico a qualquer outro.

-COMPETÊNCIA CUMULATIVA: nos territórios Federais (União: U + E +M) e DF (E + M) 147, CR.

-COMPETÊNCIA RESIDUAL: Impostos residuais e Contribuição Residual (154, I e 195, p. 4º,

CR). Competência residual art. 25, CR tem um enfoque diferente. No Direito Tributário é

competência da União de instituir impostos não previstos em lei anterior, desde que

(154,I, CR)

não previstos expressamente, sendo, portanto, matéria de LEI COMPLEMENTAR. No entanto o STF decidiu que impostos residuais têm que ser diferentes de outros impostos, contribuições, têm

que ser diferentes de outras contribuições, sendo que o FATO GERADOR pode ser de outro imposto já previsto.( aqui a interpretação não pode ser literal). Dessa forma, a competência residual, é uma forma de competência privativa, no caso da União Federal.

5- PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS:

a) LEGALIDADE ou LEGALIDADE ESTRITA = TIPICIDADE ( art. 150, I, CR) - aqui tem- se a legalidade AMPLA que é a lei no sentido de norma, sinônimo de legislação tributária são as leis, decretos, normas complementares obrigações tributárias acessórias estas demandas a legalidade ampla. Ex. art. 149-A, p. única contribuição de iluminação pública, mas tem que estar na LEI. Art. 5º, II CR/ 113, § 2º, CTN.

Art. 5º, II, CR - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Art. 113, § 2º, CTN - A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.

b) A legislação é, portanto, imprescindível para traçar a previsão de instituição e cobrança de tributos é a reserva legal, inclusive porque a Constituição NÃO pode criar tributo, para isso ela deixou na mão do legislador. Ela cria somente a competência. A legalidade estrita Obrigação tributária { tributos e multa - significa que as obrigações principais, em regra, são criadas por lei infraconstitucional LO ou MP.

Exceção: LEI COMPLEMENTAR: são 4: Empréstimo Compulsorio.(148,CF), IGF (153, III, CR); Impostos Residuais ( 154,I,CR ), Contribuições Residuais (art. 195, § 4º, CR).

), Contribuições Residuais (art. 195, § 4º, CR). Em suma, legalidade é o princípio que LEGITIMA

Em suma, legalidade é o princípio que LEGITIMA a tributação. Este é o princípio de expressão da auto tributação pois está embasado na ideia de democracia e legislação indireta. (o povo legisla por meio de seus representantes). Em suma, a legalidade é pressuposto da publicidade, legitimidade, auto tributação, segurança jurídica. No entanto, há casos em que não há aplicação da legalidade estrita art. 153, §. 1º da CR: (mas se submetem à legalidade ampla) :

1- ALÍQUOTAS - II, IE,IPI, IOF Resoluções da Camex que aumentam ou reduzem tais impostos pode ser feita por Decreto presidencial. Qual o fundamento para isso? E a EXTRAFISCALIDADE - regulação.No caso do IPI, foi estabelecido um prazo d 90 dias para as indústrias providenciar a alteração. Atenção!!! REDUÇÃO de qualquer tributo no Brasil, pode ser de forma IMEDIATA, pois ninguém tem que se programar para pagar menos.

2-

ALIQUOTA CIDE-COMBUSTIVEL (art. 177, § 4º, CR) no caso de redução, pode, por decreto presidencial, restabelecer o valor a alíquota anteriormente cobrada. Não há, portanto, legalidade estrita.

3-

ALIQUOTA ICMS MONOFÁSICO (155, § 4º , CR c/c 155, P. 2º,XIII, “h”, CR. - será definida pelos governadores dos Estados e DF por meio da LC 24/75 Poder Executivo EDF - PELO CONVÊNIO CONFAZ

4-

ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA (índices oficiais) art. 97, § 2º CTN, Súmula 160, STJ - para atualização monetária não depende de lei.

5-

OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS art. 113, § 2º, CTN

6-

PRAZO DE VENCIMENTO não precisa de lei e não há aplicação do princípio da anterioridade art. 160, CTN e súmula 669, STF:

669 - norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.

norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio