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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE PALMAS


COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO

MAURÍLIO LUIZ HOFFMANN DA SILVA

O TWITTER COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÃO DA CIBERCULTURA

PALMAS, TOCANTINS
2009
MAURÍLIO LUIZ HOFFMANN DA SILVA

O TWITTER COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÃO DA CIBERCULTURA

Monografia apresentada ao Curso de


Comunicação Social da Universidade Federal
do Tocantins, como requisito parcial para a
obtenção do título de bacharel em
Comunicação Social – habilitação em
Jornalismo.

Profª. Drª. Liana Vidigal Rocha


Orientadora

PALMAS, TOCANTINS
2009
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Biblioteca da Universidade Federal do Tocantins
Campus Universitário de Palmas

S586t Silva, Maurílio Luiz Hoffmann da


O Twitter como ferramenta de comunicação da cibercultura. / Maurílio
Luiz Hoffmann da Silva. - Palmas, 2009.
111 f.

Monografia (Bacharelado) – Universidade Federal do Tocantins, Curso


de Comunicação Social – Jornalismo, 2009.
Orientadora: Profª. Dra. Liana Vidigal Rocha

1. Comunicação. 2. Cibercultura. 3.Blog. 4. Microblog. 5. Twitter. I.


Título.

CDD 070
Bibliotecário: Paulo Roberto Moreira de Almeida
CRB-2 / 1118
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS –A reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por
qualquer meio deste documento é autorizado desde que citada a fonte. A violação dos direitos do
autor (Lei nº 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.
MAURÍLIO LUIZ HOFFMANN DA SILVA

O TWITTER COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÃO DA CIBERCULTURA

Monografia apresentada ao Curso de


Comunicação Social da Universidade Federal
do Tocantins, como requisito parcial para a
obtenção do título de bacharel em
Comunicação Social – habilitação em
Jornalismo.

BANCA EXAMINADORA

Profa. Dra. Liana Vidigal Rocha – UFT


Orientadora

Profa. Dra. Edna de Mello Silva – UFT


Examinadora

Prof. MSc. Sérgio Ricardo Soares Farias Silva – UFT


Examinador

Palmas – TO, 18 de novembro de 2009


Aos que me seguem...
AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, pela vida e pela educação concedida a mim, por me ensinarem a lutar pelos
meus sonhos e por sempre terem me apoiado.
Aos meus irmãos, por lhes terem ajudado na minha criação e por me mostrarem o quanto é
difícil a vida de irmão caçula.
Aos meus amigos, a família que eu escolhi, por serem justamente isso: mais do que
simplesmente amigos.
Aos meus eternos professores por tudo que me ensinaram. E em especial à Adriana Omena,
Mary Stela Müller e Frederico Salomé, exemplos que levarei para o resto da minha vida.
À Liana Vidigal Rocha por cumprir com excelência o papel de orientadora e por todos os
conselhos ministrados.
À Edna de Mello Silva por me emprestar seus livros.
Ao Thiago Pio da Silva por suas sempre valiosas correções.
À Mariana Reis Valente pela grande ajuda na finalização do trabalho.
Ao Vicente Hercílio Andrade pela dica para a elaboração das referências.
A todos os que souberam entender a minha ausência em momentos de convívio social. E, da
mesma forma, àqueles que não atrapalharam a realização deste trabalho.
“Eu tenho me interessado bastante pelo Twitter, porque é tecnicamente
muito simples, mas social e intelectualmente muito complexo.”

Pierre Lévy em entrevista para Leopoldo Godoy do portal G1.


SILVA, Maurílio Luiz Hoffmann da. O Twitter como ferramenta de comunicação da
cibercultura. 2009. 111 f.. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Comunicação
Social – Jornalismo) – Universidade Federal do Tocantins, Palmas, 2009.

RESUMO

Busca caracterizar o Twitter como uma ferramenta de comunicação típica da cibercultura. Faz
uma revisão bibliográfica acerca da sociedade e da cultura contemporânea, bem como sobre o
ciberespaço, os blogs e os microblogs. Analisa 14 perfis dos Twitter e das últimas 20
publicações neles contidas, totalizando 280, chega à conclusão de que ele é usado
primordialmente para publicações livres, assim como ocorre nos blogs. Mostra, também, o
uso como ferramenta de comunicação direta, como difusão de informações, por meio de
republicações e, ainda, como divulgação automática de textos prontos. Tendo como base os
conceitos depreendidos da revisão bibliográfica mostra que o Twitter reúne características
inerentes à cibercultura e à sociedade contemporânea. Conclui que a hipótese de que o Twitter
reúne características que fazem dele uma ferramenta de comunicação típica da cibercultura
está correta e aponta outras possibilidades de investigação envolvendo-o.

Palavras-chave: Comunicação. Cibercultura. Blog. Microblog. Twitter.


SILVA, Maurílio Luiz Hoffmann da. The Twitter as a communication tool of
cyberculture. 2009. 111 f.. Sênior Research Project (Major: Social Communication–
Jornalism) – Universidade Federal do Tocantins, Palmas, 2009.

ABSTRACT

It tries to describe as a communication tool typical of the cyberculture. It reviews the


bibliography about society and contemporary culture as well as the cyberspace, blogs and
microblogs. It analyses 14 Twitter profiles and their last 20 publications, totalizing 280, gets
to the conclusion that Twitter is mostly used for free publications, like occurs in blogs. It also
shows its use as a tool for direct communication, as a mean to spread information, through
republications, and still as an automatic publicizing way for ready texts. Based on the contexts
reminisced on the review it shows that Twitter gathers characteristics belonged to the
cyberculture and to the contemporary society. It concludes that the hypothesis that Twitter
gathers characteristics which make it a typical communication tool of the cyberculture is
correct and points to other possibilities of researches involving it.

Keywords: Communication. Cyberculture. Blog. Microblog. Twitter


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Mapa Mental da Cibercultura.................................................................................. 30


Figura 2 – Página do Adocu ..................................................................................................... 47
Figura 3 – Página inicial do Gozub .......................................................................................... 47
Figura 4 – Página do Plurk ....................................................................................................... 48
Figura 5 – Página do Jaiku ....................................................................................................... 48
Figura 6 – Página inicial antiga ................................................................................................ 56
Figura 7 – Nova página inicial ................................................................................................. 57
Figura 8 – Página inicial do usuário autor deste trabalho......................................................... 58
Figura 9 – Uso do sinal "#" e do RT......................................................................................... 59
Figura 10 – Início de página pública ........................................................................................ 60
Figura 11 – Final de página pública ......................................................................................... 61
Figura 12 – Perfil bloqueado .................................................................................................... 61
LISTA DE EXEMPLOS

Exemplo 1 – Uso de mecanismo automático de feeds RSS ..................................................... 76


Exemplo 2 – Post sem usar mecanismo de RSS....................................................................... 76
Exemplo 3 – Tweet com resposta para clientes........................................................................ 76
Exemplo 4 – Divulgação no perfil do Naturatins ..................................................................... 77
Exemplo 5 – Resposta do Ministério da Saúde ........................................................................ 77
Exemplo 6 – Referência de Mano Menezes ao perfil @brunodaniel0..................................... 77
Exemplo 7 – RT de Alex Primo ............................................................................................... 78
Exemplo 8 – Publicação direta de André Lemos ..................................................................... 78
Exemplo 9 – Resposta de Alex Primo...................................................................................... 78
Exemplo 10 – Uma das referências de José Serra .................................................................... 78
Exemplo 11 – Única referência de Aloizio Mercadante........................................................... 79
Exemplo 12 – Posts de Fernanda Silveira ................................................................................ 79
Exemplo 13 – Follow Friday .................................................................................................... 82
Exemplo 14 – Promoção no Twitter......................................................................................... 82
Exemplo 15 – Atualização pelo celular.................................................................................... 83
Exemplo 16 – Tweet feito pelo perfil da Prefeitura de São Paulo ........................................... 84
Exemplo 17 – Tweet com a hashtag #ForaSarney ................................................................... 84
Exemplo 18 – Post com microlink ........................................................................................... 85
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Categorias dos perfis ............................................................................................. 52


Quadro 2 – Ações realizadas e resultados obtidos ................................................................... 55
Quadro 3 – Categorias e endereços dos perfis escolhidos........................................................ 63
Quadro 4 – Dados do perfil da Folha de S. Paulo .................................................................... 64
Quadro 5 – Dados do perfil da Veja ......................................................................................... 64
Quadro 6 – Dados do perfil do Submarino............................................................................... 64
Quadro 7 – Dados do perfil do Camiseteria ............................................................................. 65
Quadro 8 – Dados do perfil do Naturatins................................................................................ 65
Quadro 9 – Dados do perfil do Ministério da Saúde ................................................................ 65
Quadro 10 – Dados do perfil de Luciano Huck........................................................................ 66
Quadro 11 – Dados do perfil de Mano Menezes ...................................................................... 66
Quadro 12 – Dados do perfil de André Lemos......................................................................... 66
Quadro 13 – Dados do perfil de Alex Primo ............................................................................ 66
Quadro 14 – Dados do perfil de José Serra .............................................................................. 67
Quadro 15 – Dados do perfil de Aloizio Mercadante............................................................... 67
Quadro 16 – Dados do perfil de Fernanda A. Silveira ............................................................. 67
Quadro 17 – Dados do perfil de Luis Paulo Fraga ................................................................... 67
Quadro 18 – Endereços eletrônicos por perfil .......................................................................... 68
Quadro 19 – Quantidade de atualizações por perfil ................................................................. 69
Quadro 20 – Seguindo X seguidores por perfil empresarial .................................................... 71
Quadro 21 – Perfis mais seguidos ............................................................................................ 71
Quadro 22 – Seguidores X Atualizações.................................................................................. 72
Quadro 23 – Seguindo X Seguidores por perfil ....................................................................... 73
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

API Application Programming Interface


ARPA Advanced Research Projects Agency
CMS Content Management System
DM Direct Message
DNS Domain Name System
ENIAC Electrical Numerical Integrator and Calculator
GJOL Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online
GPL General Public License
HTML Hypertext Markup Language
HTTP Hypertext Transport Protocol
IM Instant Messenger
IP Internet Protocol
NTICs Novas Tecnologias de Informação e Comunicação
P2P Peer to Peer
PDA Personal Digital Assistants
RSS Really Simple Syndication
RT Retuite
SMS Short Message Service
TCP Transmission Control Protocol
TT Trending Topics
URL Uniform Resource Locator
WYSIWYG What You See Is What You Got
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 13
2 A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS ........... 16
2.1 Do Moderno ao Pós-moderno............................................................................................. 16
2.2 Sociedade Informacional .................................................................................................... 21
2.3 Cibercultura: Uma Breve Visão ......................................................................................... 25
3 O CIBERESPAÇO E SEU USO COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÃO ......... 33
3.1 Do Chip ao Ciberespaço ..................................................................................................... 33
3.2 Blogs e a Composição da Blogosfera ................................................................................. 37
3.3 Os Microblogs .................................................................................................................... 43
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ....................................................................... 49
5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO TWITTER....................................................................... 56
5.1 Descrição do Twitter .......................................................................................................... 56
5.2 O Twitter como Ferramenta de Comunicação.................................................................... 63
5.3 A Relação entre o Twitter e a Cibercultura ........................................................................ 81
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 86
REFERÊNCIAS........................................................................................................................ 89
GLOSSÁRIO ............................................................................................................................ 94
ANEXOS .................................................................................................................................. 97
ANEXO A – Perfil da Folha de S. Paulo.................................................................................. 98
ANEXO B – Perfil da Veja....................................................................................................... 99
ANEXO C – Perfil do Submarino .......................................................................................... 100
ANEXO D – Perfil do Camiseteria......................................................................................... 101
ANEXO E – Perfil do Naturatins ........................................................................................... 102
ANEXO F – Perfil do Ministério da Saúde ............................................................................ 103
ANEXO G – Perfil de Luciano Huck ..................................................................................... 104
ANEXO I – Perfil de André Lemos........................................................................................ 106
ANEXO J – Perfil de Alex Primo........................................................................................... 107
ANEXO K – Perfil de José Serra............................................................................................ 108
ANEXO L – Perfil de Aloizio Mercadante ............................................................................ 109
ANEXO M – Perfil de Fernanda Silveira............................................................................... 110
ANEXO N – Perfil de Luis Paulo Fraga................................................................................. 111
13

1 INTRODUÇÃO

Desde os primórdios de sua existência o ser humano vem inventando ferramentas que o
auxiliem em suas atividades. Cada “nova tecnologia” concebida representa um passo rumo à
evolução. Assim foi com o controle do fogo, a agricultura, e a eletricidade, por exemplo.

Essa evolução se deu também, é claro, na comunicação. Desde as gravuras pintadas em


cavernas, foram muitas as criações para diminuir distâncias e proporcionar acesso mais fácil
às informações: o telégrafo, o telefone, a prensa de tipos móveis, o rádio, a televisão e mais
recentemente a Internet.

Um dos principais produtos resultantes da revolução da tecnologia da informação foi o


computador. A Internet é conhecida hoje como a rede que integra os computadores do mundo
todo. Consequentemente1, ela conecta as pessoas, quebrando barreiras tanto geográficas
quanto temporais, fazendo com que todos caibam no mesmo lugar, na mesma rede e ao
mesmo tempo.

Das transformações causadas pela revolução informacional, o surgimento da Internet foi


um marco nessa nova sociedade, dita pós-moderna, abrindo um espaço novo e repleto de
possibilidades para a relação interpessoal e a comunicação, modificando a estrutura e a lógica
social e alterando conceitos, como o de cultura, que passa, agora, a ser chamado de
cibercultura.

Nesse âmbito de inovações tecnológicas, surgem cada vez mais novidades que são
facilmente apropriadas pela sociedade. Esse é o caso do e-mail, do aparelho celular, do site de
relacionamentos Orkut, das redes de compartilhamentos P2P (Peer to Peer – pessoa para
pessoa), e é o caso também dos blogs2.

Os blogs são comumente conhecidos como espaços para que as pessoas possam publicar
o que bem entenderem sem nenhum tipo de censura. Por isso, também, são tidos como uma
das principais formas de se fazer comunicação fora da lógica de mercado que envolve os
grandes conglomerados midiáticos.

1
Este trabalho foi redigido levando-se em consideração as mudanças introduzidas na ortografia da língua
portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em dezembro de 1990, o qual
foi aprovado, no Brasil, pelo Decreto Legislativo nº 54, em 18 de abril de 1995. Entretanto, na ocorrência de
citações diretas, conservou-se o texto original, procedendo-se a transcrição textual da obra consultada,
conforme ensina a Norma 10520:2002 da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
2
O desenvolvimento da tecnologia causa mudanças também no vocabulário, por isso, pode ser encontrado, no
final do trabalho, um Glossário que reúne alguns termos pouco usais utilizados no decorrer do texto.
14

Com o crescimento dos blogs foram surgindo variações da estrutura básica inicial:
fotologs (para postagem de fotos), videologs (vlogs) (para vídeos), audiologs (para colocar
arquivos de som, ou podcasts), moblogs (blogs que permitem atualizações por dispositivos
móveis), e finalmente os microblogs.

Os microblogs podem ser entendidos como uma variação dos blogs que sofre alguma
limitação, geralmente com relação ao tamanho das postagens. Das ferramentas de microblog
existentes, hoje, o Twitter é a que mais se destaca.

Criado em 2006 pela empresa Obvious, o site possui cerca de 45 milhões de usuários
cadastrados, oito milhões deles no Brasil, sendo que cerca de cinco milhões destes entraram
no serviço nos últimos quatro meses3.

Sua motivação inicial era que o usuário escrevesse o que estivesse fazendo (“What are
you doing?” era a pergunta presente na página inicial), entretanto, as formas de uso também
foram aumentando, assim como o número de usuários, que passaram a postar muito mais que
isso.

Nesse contexto, o objetivo deste trabalho visa caracterizar o Twitter como uma
ferramenta de comunicação da cibercultura, contextualizando-o na sociedade atual. Parte-se
da hipótese de que ele reúna características que fazem dele uma ferramenta de comunicação
típica da cibercultura.

Dessa forma, o trabalho se divide em quatro seções seguidas pelas Considerações


Finais. Na primeira faz-se uma revisão da literatura sobre a sociedade contemporânea. Tal
revisão se baseia na obra de Santos (2008), Featherstone (1995), Santos (2003), Castells
(1999), Lemos (2003; 2004; 2006a; 2006b; 2007), e Primo (2007c).

A segunda seção tem como tema o ciberespaço, os blogs e os microblogs. Para a


elaboração desta revisão bibliográfica os principais autores utilizados, além dos já citados,
foram: Castells (2003); Pinho (2003); Lévy (1999); Orihuela (2007a); Lemos (2002); Silva
(2003); Primo e Smaniotto (2006); Recuero (2003b); Amaral, Recuero e Montardo (2009); e
Zago (2008; 2009).

Passa-se, em seguida, a apresentação dos Procedimentos Metodológicos do trabalho,


elencando seus objetivos, problema e hipótese. Os autores que fundamentam a apresentação
da Metodologia são: Santaella (2001); Palacios (2007); Marconi e Lakatos (2004; 2006); e

3
Cf.: RIBEIRO, 2009.
15

Raupp e Beuren (2006).

Por fim, na quarta seção, realiza-se a descrição do Twitter, a análise dos catorze perfis
selecionados, bem como dos 280 posts neles contidos, e, finalmente, uma descrição do
Twitter levando-se em conta os conceitos depreendidos da revisão bibliográfica.
16

2 A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS

A humanidade tem passado por mudanças na estrutura social que acarretam em


transformações na economia, na educação e na cultural em geral. Muitas dessas mudanças
têm despertado interesse de estudiosos, os quais foram criando conceitos para descrever as
modificações ocorridas. Alguns desses termos serão apresentados nesta seção.

O primeiro tópico a ser abordado tem como tema o moderno e o pós-moderno e


mostrará como se deu a transição de um para o outro, apontando as principais características
de cada período. Em seguida, será abordada a sociedade informacional, a qual teve seu
desenvolvimento a partir da revolução da tecnologia da informação. Por último, será mostrada
uma breve visão acerca da cibercultura e seus desdobramentos na sociedade contemporânea.
Estes tópicos são importantes para que se compreenda a sociedade atual e a lógica sob a
qual ela vive, relacionada com o desenvolvimento tecnológico, o que acarretará no
desenvolvimento e apropriação do ciberespaço, assunto que será tema da seção 3.

2.1 Do Moderno ao Pós-moderno

Um dos principais fatores para que se compreenda a sociedade contemporânea é


entender como se deu a passagem da era chamada Moderna, para a Pós-moderna. Dessa
forma, esta seção apresentará tal transição a fim de criar subsídios para descrição mais
detalhada da cultura nesta sociedade.

Segundo Featherstone (1995) o conceito de moderno surge em oposição à Antiguidade,


no período do Renascimento, implicando em mudanças de ordem econômica e social que
resultaram na formação do Estado capitalista-industrial. Para o autor:

As características básicas do modernismo podem ser resumidas como:


reflexividade e autoconsciência estética; rejeição da estrutura narrativa em
favor da simultaneidade e da montagem; exploração da natureza paradoxal,
ambígua e indeterminada da realidade e rejeição da noção de uma
personalidade integrada, em favor da ênfase no sujeito desestruturado e
desumanizado (FEATHERSTONE, 1995, p.24-25).

É neste período que surge o que Santos (2008, p. 22) denominou de “Projeto Iluminista da
modernidade”, caracterizado pelo desenvolvimento material e moral do homem através do
conhecimento. Para Foucault (apud FEATHERSTONE, 1995, p. 21): “o homem moderno é o
17

homem que tenta constantemente inventar a si próprio”.

Featherstone (1995) destaca outros dois conceitos variantes do “moderno”: “modernité”


e “modernização”. O autor explica que o uso francês do termo modernité indica uma
“experiência de modernidade”, cuja expressão é vista como uma “qualidade da vida moderna,
induzindo um sentido da descontinuidade do tempo, de rompimento com a tradição, o
sentimento de novidade e sensibilidade para com a natureza contingente, efêmera e fugaz do
presente” (FEATHERSTONE, 1995, p. 21). Enquanto isso, “modernização” é o termo usado
pela sociologia do desenvolvimento para indicar os efeitos sofridos pelas estruturas sociais e
pelos valores tradicionais mediante o desenvolvimento econômico. Ele salienta que:

A teoria da modernização é usada ainda para designar as etapas de


desenvolvimento social baseadas na industrialização, a expansão da ciência e
da tecnologia, o Estado-nação moderno, o mercado capitalista mundial, a
urbanização e outros elementos infra-estruturais (FEATHERSTONE, 1995,
p.23).

A modernidade, e, consequentemente, a sociedade moderna, dessa forma, estão


diretamente ligadas à industrialização, ao crescimento econômico, ao sistema capitalista, à
massa industrial, ao indivíduo “desumanizado” e “solitário na multidão das grandes cidades”
(SANTOS, 2008, p. 23).

Santos (2008, p. 22) lembra que foi graças à modernidade que ocorreu o progresso das
grandes fábricas. Tal progresso resultou na produção de automóveis e aviões; no telégrafo, no
telefone, no rádio e na televisão; no petróleo e eletricidade; no crédito ao consumidor e na
publicidade; na burguesia e, da mesma forma, no proletariado.

Com o passar do tempo, a solidez intrínseca na sociedade moderna, mecanicista e


baseada na racionalidade foi deixando de satisfazer o homem. Os valores modernos foram
perdendo importância e a humanidade passou a caminhar, assim, rumo a pós-modernidade.

Santos (2008) conceitua o pós-modernismo como o “nome aplicado às mudanças


ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades avançadas desde 1950, quando, por
convenção, se encerra o modernismo (1900-1950)”. Featherstone (1995) observa o sentido de
época inerente ao termo e, citando Lyotard, afirma que:

‘Pós-moderno’ é provavelmente um termo muito ruim porque transmite a


idéia de uma ‘periodização’ histórica. Todavia ‘periodizar’ ainda é um ideal
‘clássico’ ou ‘moderno’. ‘Pós-moderno’ indica simplesmente uma
disposição de espírito, ou melhor, um estado da mente (LYOTARD apud
FEATHERSTONE, 1995, p. 20).
18

Entretanto, Santos (2008) expõe duas acepções para o surgimento da pós-modernidade –


uma simbólica e outra histórica. Segundo o autor, simbolicamente, o pós-modernismo nasceu
no dia 6 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Hiroxima. A modernidade
encerra seu capítulo na história quando o “poder destruidor” supera a “força criadora”
(SANTOS, 2008, p. 20). Historicamente, o pós-modernismo começou em 1955 e tomou corpo
nos anos 60. “Nesse período, realizações decisivas irromperam na arte, na ciência e na
sociedade” (SANTOS, 2008, p. 20).

As mudanças nas artes começam em 1955 quando “arquitetos italianos abrem as


baterias contra o internacionalismo na arquitetura moderna, propondo uma revalorização do
passado e da cor local” (SANTOS, 2008, p. 21). A onda revolucionária passa, então, dos
italianos para os americanos e ingleses. Contra a concepção do estilo modernista, eles se
voltam para o passado, pesquisam materiais e estudam o ambiente com o objetivo de realizar
uma arquitetura relacionada com a linguagem cultural das pessoas que vão usá-la.

Na pintura e na escultura, as transformações pós-modernistas se destacam,


principalmente, no movimento denominado Pop Art. Nele, os artistas começam a usar
produtos do consumo cotidiano e referências aos meios de comunicação de massa para se
expressarem. Um dos artistas que mais se destacaram neste meio foi Andy Warhol que ficou
conhecido por suas obras que envolviam repetições em série de latas de sopa Campbell, de
garrafas de Coca-cola e retratos de Marilyn Monroe.

Santos (2008) expõe outros movimentos artísticos originados na vertente pós-


modernista: o “hiper-realismo” caracterizado pela reprodução minuciosa de fotografias em
tinta; a “minimal art” na qual os objetos artísticos são reduzidos às suas estruturas primárias; e
a “arte conceitual” que convida o público a usar a imaginação para interpretar as proposições
do artista.

As principais características associadas ao pós-modernismo nas artes são apontadas por


Featherstone (1995, p. 25) como sendo:

[...] a abolição da fronteira entre arte e vida cotidiana; a derrocada da


distinção hierárquica entre alta-cultura e cultura de massa/popular; uma
promiscuidade estilística, favorecendo o ecletismo e a mistura de códigos;
paródia, pastiche, ironia, diversão e a celebração da ‘ausência de
profundidade’ da cultura; o declínio da originalidade/genialidade do
produtor artístico e a suposição de que a arte pode ser somente repetição.

No universo literário, Santos (2008, p. 57) exemplifica as ocorrências de intenções pós-


19

modernas na obra O Nome da Rosa de Umberto Eco. Nela é possível encontrar pontos
antimodernos como: a volta ao passado (Itália Medieval), uso de um gênero de massa
(romance policial), a intertextualidade (envolvendo a Poética de Aristóteles), o ecletismo
(mistura do sério com o divertimento), a paródia (pastiche do romance histórico), e,
principalmente, a progressiva desordem presente no mosteiro que termina em sua destruição.

O autor destaca neste último ponto a similaridade com a situação atual da sociedade, na
qual a decadência de valores, a não existência de sentido para a vida e para a História e a
ameaça de destruição atômica fazem parte do cotidiano. Santos (2008, p. 58) destaca ainda a
ideia de entropia, que está no coração da pós-modernidade e que se faz presente tanto na
metaficção americana quanto no nouveau roman francês.

Entropia significa a perda crescente de energia pelo Universo (um sistema


isolado, pois além dele só há o nada e ele não tem, assim, como receber
energia de fora), até sua desagregação no caos, na máxima desordem. Essa
idéia migrou da física e foi pousar na sociologia. Nas sociedades atuais tudo
parece rolar para a confusão, sem valores sólidos, sem ordem que segure a
barra (SANTOS, 2008, p. 58).

É justamente a ausência de valores um dos pontos mais relevantes a se destacar na


sociedade quando se trata da transição do modernismo para o pós-modernismo. A sociedade
passa, então, a viver numa lógica fluida, “líquida” (BAUMAN, 2007), buscando prazeres
imediatos e estabelecendo relações vagas e passageiras, dependendo sempre do papel que o
indivíduo esteja vivendo.

Hall (2006) chama atenção para essa fragmentação da identidade. O sujeito pós-
moderno possui agora não apenas uma, mas várias identidades, algumas vezes opostas ou não
resolvidas. Essa fragmentação também é abordada como homem “multifacetado” ou
“multidimensional”. Essas palavras são empregadas no sentido de se apontar que hoje se é,
simultaneamente, funcionário, chefe, político, eleitor, motorista, passageiro, pedestre, pai,
marido, cliente, professor, aluno, difusor e receptor de informações.

Hall (2006, p. 13) afirma que à medida que os sistemas de significação e representação
se multiplicam, mais são as identidades possíveis com as quais o indivíduo pode se
identificar. Isso, somado ao fato de que “ligações frouxas e compromissos revogáveis”
(BAUMAN, 2007, p.11) são os preceitos que orientam tudo ao que os indivíduos pós-
modernos se apegam e se engajam, resultam no que Maffesoli (2006) denominou de
neotribalismo.
20

O neotribalismo pode ser entendido como a tendência dos indivíduos de formarem


grupos de interesses em comum. Maffesoli (2006, p. 130) afirma que o neotribalismo “sob as
mais diversas formas, recusa-se a reconhecer-se em qualquer projeto político, não se inscreve
em nenhuma finalidade e tem como única razão ser a preocupação com um presente vivido
coletivamente”.

Um dos papéis mais observados entre os estudiosos do pós-modernismo é o sujeito


consumidor. Santos (2008, p.9) fala de um consumo personalizado que tenta levar o indivíduo
isolado para a moral hedonista. O autor trata do shopping como o “altar da pós-modernidade”,
mas hoje, nota-se também a transposição das lojas para o e-commerce, o comércio virtual.

Dentre as seis características da pós-modernidade apontadas por Santos (2003, p. 117-


121), o consumismo está presente ao lado do hedonismo. Para o autor, o consumo é uma
forma de diferenciação usada pelos indivíduos para se destacarem em meio a massificação
imposta pela sociedade e pelos meios de comunicação.

Bauman (2007, p. 17) mostra que o consumismo está imbricado no que ele chama de
“vida líquida”. O autor afirma que ela:

Projeta o mundo e todos os seus fragmentos animados e inanimados como


objetos de consumo, ou seja, que perdem a utilidade (e portanto o viço, a
atração, o poder de sedução e o valor) enquanto são usados. Molda o
julgamento e a avaliação de todos os fragmentos animados e inanimados do
mundo segundo o padrão dos objetos de consumo.

A compulsão pelo consumo leva ao fenômeno do hedonismo, calcado no prazer de usar


bens e serviços (SANTOS, 2008, p. 10). Flocker (2007) afirma que o hedonismo é uma
doutrina voltada ao prazer e à felicidade, um estilo de vida de iluminação e gozo.

Como visto, o hedonismo pode ser entendido como a busca do prazer e da felicidade
utilizando para isso o consumo de bens e serviços tendo como consequência um estilo de vida
que difere o indivíduo da massa. Essa busca pela felicidade sem preocupações ou
embasamentos sólidos aponta para outra característica do pós-modernismo: o niilismo.

Santos (2003, p. 119) pondera sobre o niilismo como consequência do esgotamento da


expectativa. “Não se espera mais nenhuma criação original, pois já se esgotaram todas as
possibilidades teóricas, estéticas e ideológicas”. A origem do termo é exposta por Santos
(2008, p. 71): “Niilismo – da palavra latina nihil = nada – quer dizer desejo de nada, morte em
vida, falta de valores para agir, descrença em um sentido para a existência”.
21

Essa descrença em um sentido para a existência somada à falta e expectativa e ao fato


de que a realidade não supre mais os desejos do indivíduo resulta no simulacro, outra
característica apontada por Santos (2003, p.120).

O simulacro, para Santos (2003), corresponde ao mundo falso, representação da


realidade, produzida de maneira cada vez mais sofisticada, que passa a atrair mais o indivíduo
do que a própria realidade. Santos (2008, p. 12) indica que a sociedade pós-moderna prefere o
simulacro à realidade porque “desde a perspectiva renascentista até a televisão, que pega o
fato ao vivo, a cultura ocidental foi uma corrida em busca do ‘simulacro’ perfeito da
realidade”.

Dessa forma, pode-se entender o simulacro como uma representação do mundo real
criada pelos meios de comunicação e principalmente pela Internet, na qual a fantasia e a
realidade se confundem.

No campo das ciências, as mudanças que mais se sobressaem são as relacionadas com a
informática e o tratamento da informação4. Santos (2003, p. 118) destaca a “alta-tecnologia”
como primeira característica da pós-modernidade. Segundo o autor, as inovações criadas
possibilitam divulgar, armazenar, copiar, captar e produzir um elevado número de
informação. Para ele, o pós-modernismo começou invadindo o cotidiano com a “tecnologia
eletrônica de massa individual, visando à sua saturação com informações, diversões e
serviços”. Ele afirma ainda que a tecnologia está programando cada vez mais o cotidiano das
pessoas.

As interferências causadas pelo avanço da tecnologia na sociedade são objeto de vários


estudos que resultaram em conceitos como o de Sociedade Informacional (CASTELLS, 1999)
e de Cibercultura (LÉVY, 1999; LEMOS 2004), os quais, devido a sua importância, serão
analisados de forma mais detalhada.

2.2 Sociedade Informacional

Para que se compreenda como se deu o envolvimento da tecnologia na sociedade


contemporânea é interessante que se faça um apanhado histórico desta relação.

4
Não estão sendo negligenciados aqui os avanços ocorridos nas ciências, como a codificação do DNA, por
exemplo. Tais apontamentos apenas não aparecerão por não possuírem relação direta com os objetivos deste
trabalho.
22

Considerada como a primeira revolução ocorrida na sociedade, a Revolução Industrial


aconteceu na Inglaterra, no século XVIII. Esta teve, como consequência, a substituição das
grandes oficinas artesanais por indústrias e ferramentas manuais por máquinas a vapor. Lemos
(2004, p. 46) afirma que:

O que chamamos de Revolução Industrial (RI) é o fenômeno observado na


Inglaterra no meio do século XVIII: aquele que ocorre em torno de 1780
com a indústria têxtil (entre 1760-1780), a invenção da máquina a vapor
(1969) e as primeiras aplicações industriais com a produção de ferro de boa
qualidade (1780).

A segunda revolução deve sua existência principalmente ao uso da eletricidade, do


motor a explosão, do petróleo e das indústrias de síntese química. Castells (1999, p. 71)
afirma que esta segunda revolução acontecida cem anos depois da primeira se destaca pelo
desenvolvimento da eletricidade, do motor de combustão interna, de produtos químicos com
base científica, da fundição eficiente de aço e pelo início das tecnologias de comunicação,
com a difusão do telégrafo e a invenção do telefone. “O uso difundido da eletricidade a partir
de 1870 mudou os transportes, telégrafos, iluminação e, não menos importante, o trabalho nas
fábricas mediante a difusão de energia na forma de motores elétricos” (CASTELLS, 1999, p.
75).

A terceira revolução, por sua vez, é denominada Revolução da Tecnologia da


Informação, ou simplesmente, Revolução Informacional. Essa revolução altera a lógica social,
que passa a se basear em um novo paradigma, caracterizado pela difusão da informação em
rede. Cabe aqui usar os ensinamentos de Castells para definir a tecnologia da informação:

Como tecnologia, entendo, em linha direta com Harvey Brooks e Daniel


Bell, ‘o uso de conhecimentos científicos para especificar as vias de se
fazerem as coisas de uma maneira reproduzível’. Entre as tecnologias da
informação, incluo, como todos, o conjunto convergente de tecnologias em
microeletrônica, computação (software e hardware),
telecomunicações/radiodifusão, e optoeletrônica5 (CASTELLS, 1999, p. 67,
grifos do autor)6.

Santos (2006) lembra que diversos observadores e teóricos, entre eles Rosnay (apud
SANTOS, 2006) e Lojkine (apud SANTOS, 2006), afirmam que hoje se presencia a chamada
revolução informacional, que partindo da retroalimentação e da sinergia de uma série de
tecnologias, constitui o que Castells (1999) chama de “era da informação e do conhecimento”.

5
Transmissão de dados por fibra ótica e laser.
6
O autor considera, ainda, como tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente conjunto de
desenvolvimentos e aplicações (CASTELLS, 1999, p. 67).
23

Castells (1999) faz uma importante distinção analítica das noções de “sociedade da
informação” e “sociedade informacional”. Para o autor o termo sociedade da informação dá
ênfase ao papel da informação na sociedade, que em sentido amplo seria, por exemplo, a
comunicação de conhecimento, o que é crucial para qualquer sociedade. Por outro lado, o
termo sociedade informacional indica:

[...] um atributo de uma forma específica de organização social em que a


geração, o processamento e a transmissão da informação tornam-se as fontes
fundamentais de produtividade e poder devido às novas condições
tecnológicas surgidas nesse período histórico (CASTELLS, 1999, p. 65).

A intenção do autor é fazer um paralelo entre a distinção de indústria e industrial. Ele


ressalta que uma sociedade industrial não é apenas uma sociedade que tem indústrias, mas
uma sociedade na qual as formas sociais e tecnológicas de informação afetam todas as esferas
das atividades sociais.

Lemos e Costa (2007) afirmam que o termo “sociedade da informação”, apesar de ser
impreciso e de caráter ideológico, tem como objetivo descrever as novas configurações
socioculturais impulsionadas pela convergência tecnológica, iniciadas na década de 1970 e
consolidadas nos anos 90, entre a informática, as telecomunicações e os diversos setores
produtivos. Segundo eles, o que está em jogo nessa sociedade é “a emergência de tecnologias
de base digital e o surgimento de redes telemáticas em interface com a cultura
contemporânea” (LEMOS; COSTA, 2007, p. 36).

Como resume Gontijo (2004) essa revolução tornou o saber, antes disponível no
universo dos átomos e moléculas, acessível e difundido no universo dos dígitos. “O que antes
era papel, tinta, vinil, acetato e celulóide, atualmente, no mundo virtual, tem a mesma
natureza: a ‘salada’ ou ‘farofa’ de zeros e uns” (GONTIJO, 2004, p. 433) 7.

Para explicar esse novo paradigma, sob o qual vive a sociedade informacional, Castells
(1999) aponta cinco características inerentes a ele. A primeira delas é que a informação é sua
matéria-prima. São tecnologias para agir sobre a informação, e não simplesmente informação
para agir sobre a tecnologia, como aconteceu nas revoluções tecnológicas anteriores.

O segundo ponto alude sobre a penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias. Como
a informação é integrante de toda atividade humana, todos os processos da existência
individual e coletiva são diretamente moldados pelo novo meio tecnológico.

7
O desenvolvimento desta revolução será abordado sobre uma visão mais técnica no item 3.1, no qual será
mostrada a evolução do chip, do computador e da Internet.
24

O terceiro aspecto refere-se à lógica em redes em qualquer sistema ou conjunto de


relações que use essas novas tecnologias da informação. A topologia em rede está adaptada à
complexidade dos modelos de interação. Essa configuração pode ser, agora, implementada em
todos os tipos de processos e organizações devido às recentes tecnologias da informação.
Como ressalta Kelly (apud CASTELLS, 1999, p. 118): “[...] uma pluralidade de componentes
realmente divergentes só pode manter-se coerente em uma rede. Nenhum outro esquema –
cadeia, pirâmide, árvore, círculo, eixo – consegue conter uma diversidade funcionando como
um todo”.

A quarta característica, apesar de referir-se ao sistema de rede, diz que o paradigma


tecnológico da informação é baseado na flexibilidade. Os processos são reversíveis e as
organizações podem ser modificadas. “O que distingue a configuração do novo paradigma
tecnológico é sua capacidade de reconfiguração, um aspecto decisivo em uma sociedade
caracterizada por constante mudança e fluidez organizacional” (CASTELLS, 1999, p. 109).

A quinta característica apontada por Castells (1999) é a crescente convergência de


tecnologias específicas para um sistema altamente integrado, na qual trajetórias tecnológicas
antigas ficam impossíveis de se distinguir em separado. “Assim, a microeletrônica, as
telecomunicações, a optoeletrônica e os computadores são todos integrados nos sistemas de
informação” (CASTELLS, 1999, p. 109).

Essa convergência tecnológica é apontada por Dizard Júnior (2000) como responsável
por uma alteração do sistema convencional de mídia de massa (jornais, revistas, rádio e
televisão) passando para uma lógica de produção, armazenamento e distribuição de
informação e entretenimento estruturada em computadores e, consequentemente, em redes.

Neste contexto de convergência tecnológica, surgem discussões no campo das ciências


humanas e sociais a respeito do que é chamado de determinismo tecnológico. Como afirma
Lima (2001), essa é atualmente a teoria mais popular sobre a relação entre tecnologia e
sociedade. “Ela tenta explicar os fenômenos sociais de acordo com um fator principal, no caso
a tecnologia” (LIMA, 2001, p. 4).

Segundo essa teoria, os avanços em tecnologias determinariam os avanços da sociedade.


Sobre o assunto, Castells (1999, p. 43) afirma que:

É claro que a tecnologia não determina a sociedade. Nem a sociedade


escreve o curso da transformação tecnológica, uma vez que muitos fatores,
inclusive criatividade e iniciativa empreendedora, intervêm no processo de
descoberta científica, inovação tecnológica e aplicações sociais, de forma
25

que o resultado final depende de um complexo padrão interativo. Na


verdade, o dilema do determinismo tecnológico é, provavelmente, um
problema infundado, dado que a tecnologia ‘é’ a sociedade, e a sociedade
não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas.

Entende-se, dessa forma, que a tecnologia não é boa, nem ruim e nem neutra. Apesar de
não necessariamente determinar a sociedade, ela traz consigo diversas mudanças nas várias
esferas sociais. O avanço tecnológico contemporâneo está transformando costumes e modos
de vida, diluindo fronteiras de tempo e espaço, alterando a sociedade e, consequentemente, a
cultura que passa a ser denominada por alguns autores como cibercultura.

2.3 Cibercultura: Uma Breve Visão

Como visto, o desenvolvimento da tecnologia a partir da década de 1970 e sua posterior


apropriação por parte da sociedade está alterando os preceitos modernos e a lógica social, a
qual passa a basear-se em um novo paradigma centrado no uso dessas novas tecnologias.

Para Lemos (2004, p. 52), o desenvolvimento tecnológico sempre esteve imerso no


imaginário social. Ao fazer uma contextualização histórica, o autor afirma que a história do
desenvolvimento tecnológico pode ser pensada em três grandes fases.

A primeira delas é a fase da indiferença, que durou até a Idade Média e é caracterizada
pela mistura de arte, religião, ciência e mito, na qual a sociedade vivia um todo coerente em
torno de um universo sagrado.

Depois, veio a fase do conforto, localizada no início da modernidade. Nela, a ciência


substitui a religião no monopólio da verdade, a razão se torna a norma que dirige o progresso,
e a ideologia atua como promessa de transformação e controle da vida social.

A última fase é a fase da ubiquidade, também chamada de fase da comunicação e da


informação digital. É o fim da fase do conforto. O surgimento da tecnologia digital permite a
quebra de barreiras de tempo e de espaço. Além de poluição, caos urbano, desigualdades
sociais, drogas e outras mazelas há espaço também para a telepresença, os mundos virtuais
(simulacro), e, como visto anteriormente, para o consumismo, o hedonismo e o neotribalismo.
É essa, portanto, a fase da cibercultura.

A cibercultura pode ser conceituada como a “forma sociocultural que emerge da relação
simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica que
26

surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70”


(LEMOS, 2003, p. 11).

Vive-se hoje a cibercultura. São muitos os exemplos dessa reconfiguração sociocultural


eminente depois dos anos de 1970, tais como: Internet banking, voto eletrônico, netbooks,
celular e tecnologia 3G (os maiores exemplos de convergência entre microinformática e
telecomunicações). As gerações de hoje se adaptam facilmente as novidades tecnológicas,
mas o princípio dessa evolução se deu há algumas décadas atrás.

Segundo Lemos (2007), o desenvolvimento tecnológico deve muito de sua existência a


cultura cyberpunk. Ela cria a microinformática com os punks da informática alimentados
pelas noções de despesa, de apropriação e desvio. O movimento punk surge na Inglaterra,
explodindo em 1977, mesmo ano do Jubileu de prata da rainha Elisabeth II, tendo como mote
principal o “faça você mesmo”, e ganha expressões na música, na literatura e na moda
(BIVAR, 2006).

A cultura eletrônica contemporânea, a cibercultura, herda essa atitude em


diversas formas de suas expressões atuais como blogs, hacking, softwares
livres, games, redes p2p... Na cibercultura, a máxima é ‘a informação quer
ser livre’, ‘distribua, reutilize, misture conteúdo’, ‘crie, edite e divulgue
informações’ (LEMOS, 2007, p.2, grifos do autor).

Os desdobramentos da atitude cyberpunk transformam a sociedade no sentido que essa


passa a viver, o tempo todo, uma sensação de tempo real. Para Lemos (2003, p. 13), essa
sensação é consequência da ubiquidade e da instantaneidade decorrentes da conectividade
generalizada8. Nesse sentido, ele afirma que: “cada transformação midiática altera nossa
percepção espaço temporal, chegando na contemporaneidade a vivenciarmos uma sensação de
tempo real, imediato, ‘live’, e de abolição do espaço físico-geográfico”.

Uma das consequências da cibercultura na sociedade é o que vem se chamando de


cibercidades. Os projetos de cibercidades têm como objetivo principal usar o potencial das
novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs) para reaquecer e recuperar o
interesse pelo espaço público, criar novas formas de relações comunitárias, ajudar a
população na apropriação dessas novas tecnologias e dinamizar a participação política
(LEMOS, 2003, p. 18).

As mudanças no campo da política se dão, pelo menos, de duas formas distintas. A


primeira se evidencia pelo controle exercido sobre os cidadãos no mundo digital. Câmeras de

8
A conexão generalizada está presente na segunda lei da cibercultura, a qual será apresentada ainda nesta seção.
27

vigilância, spams, monitoração de acesso a páginas na web, manutenção de banco de dados


com informações pessoais, são alguns dos exemplos elencados por André Lemos (2003, p.
17) que instauram “um verdadeiro panopticom eletrônico”.

A segunda forma se dá no uso das ferramentas de comunicação como a Internet, por


exemplo, para se organizar movimentos políticos. Pessoas que realizam esse tipo de atividade
estão sendo chamadas de ciberativistas. Para Gomes (2005, p. 5), “a democracia digital se
apresenta como uma alternativa de uma nova experiência democrática fundada numa nova
noção de democracia”.

Alguns exemplos atuais que podem ser destacados é a campanha Ficha Limpa
organizada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral9 e a petição online contra a
aprovação do projeto conhecido como “Lei Azeredo” ou “lei dos cibercrimes” 10.

Da mesma forma que a pós-modernidade, a cibercultura também afetou o campo das


artes. Os artistas agora se utilizam das novas tecnologias para criar uma arte aberta,
rizomática e interativa (Lemos, 2003).

Essas mudanças ocorridas na sociedade e na cultura encontram embasamento no que


Lemos (2006b) chama de “as três leis da cibercultura” 11.

A primeira delas é a liberação do pólo de emissão, cujo preceito está ligado às


manifestações socioculturais contemporâneas, mostrando que o excesso de informação em
circulação deve-se a possibilidade de expressão de vozes reprimidas pelos meios de
comunicação de massa. “[...] Aqui a máxima é ‘tem tudo na internet’, ‘pode tudo na internet’”
(LEMOS, 2006a, p.54).

A segunda lei fala sobre o princípio em rede. Aqui o lema é “a rede está em todo lugar”.
Essa segunda lei também é conhecida como princípio da conexão generalizada. Segundo Lemos
(2006a), ela tem início com a transformação do computador pessoal (1970) em computador
coletivo (com o surgimento e popularização da Internet nas décadas de 1980 e 1990) e no atual
computador coletivo móvel (surgido na era da ubiquidade12 e da computação pervasiva13 do
início do século XXI, com a exploração dos celulares e das redes Wi-Fi). “Tudo comunica e
tudo está em rede: pessoas, máquinas, objetos, monumentos, cidades” (LEMOS, 2006a).

9
Cf. <http://www.mcce.org.br/>.
10
Cf. <http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html>.
11
No original: Les trois lois de la cybercuture (LEMOS, 2006b).
12
O termo ubiquidade pode ser entendido como a capacidade de estar em vários locais ao mesmo tempo.
13
Computação pervasiva prevê a transparência na interação entre homem e máquina.
28

A terceira lei está relacionada com a reconfiguração cultural. A máxima desta lei é
“tudo muda, mas nem tanto”. Deve-se evitar a lógica da substituição ou da destruição nas
diversas formas de expressão da cibercultura. O que acontece é a reconfiguração de práticas e
modelos midiáticos sem necessariamente substituí-los. Lemos (2006a, p. 55) afirma que:

O que chamamos aqui de reconfiguração encontra eco na idéia de


“remediação” (remediation) de Bolter e Grusin (2002). A idéia de
reconfiguração vai, entretanto, além da remediação de um meio sobre o
outro (por exemplo o cinema nos jogos eletrônicos e vice-versa). Por
reconfiguração compreendemos a idéia de remediação, mas também a de
modificação das estruturas sociais, das instituições e das práticas
comunicacionais.

Seguindo os preceitos dessas três leis, outra forma de expressão que se desenvolve é a
cultura do copyleft. Ela surge em oposição aos princípios capitalistas de noção de autor e obra
sobre bens tangíveis e intangíveis. Segundo Lemos (2006a), a lógica do copyright permanece
estável até meados do século XX, quando os artistas passam a usar referências a trabalhos de
outros artistas no processo de criação (o que remete a ideia de pastiche vista anteriormente).
Manifestações dessa filosofia podem ser encontradas nas licenças GPL (General Public
License - Licença Pública Geral) dos programas de código aberto.

Outra forma é o uso da licença Creative Commons14, na qual o autor da obra define,
antes de divulgá-la, quais os usos que poderão ser feitos dela. Exemplificando: um autor de
um livro, ao escrevê-lo, decide que ele poderá ser copiado e distribuído livremente, desde que
se façam os devidos créditos autorais. A Creative Commons pode prever também o
desenvolvimento da obra por parte do público ao qual ela se destina15.

Podem-se notar ainda mudanças ocorridas nas práticas comunicacionais bem como nas
relações sociais. Dentre as novidades na comunicação, uma das ferramentas que mais se
destacaram foi o e-mail, ou correio eletrônico, o qual, levando-se em conta a terceira lei
exposta anteriormente, alterou a lógica dos correios e conectou todo o globo em uma forma de
comunicação instantânea e, na maioria das vezes, gratuita.

Além do e-mail, outras novas formas de comunicação são as salas de bate-papo, os


fóruns e grupos de discussão, e os comunicadores instantâneos, também conhecidos como
Instant Messenger (IM).

14
Cf. <http://creativecommons.org/>.
15
A ideia da licença Creative Commons pode ser entendida assistindo-se ao vídeo Get Criative disponível no
endereço eletrônico: <http://creativecommons.org/videos/get-creative>.
29

A cibercultura ampliou também as formas tradicionais de comunicação: o jornalismo


online, as rádios e televisões web, as revistas eletrônicas e sites de informação, são os
exemplos ressaltados por Lemos (2003, p. 5) aos quais poderia ser adicionando o que vem se
chamando de jornalismo participativo ou jornalismo cidadão e o advento das versões digitais
de livros, os e-books. Sobre este assunto Lemos (2003, p.5) argumenta que:

Trata-se aqui da migração dos formatos, da lógica da reconfiguração e não


do aniquilamento de formas anteriores. Não é transposição e não é
aniquilação. Estamos mais uma vez diante da liberação do pólo da emissão,
do surgimento de uma comunicação bidirecional sem controle de conteúdo.
E novos instrumentos surgem a cada dia…

Com relação às novas práticas de relações sociais, Lemos (2003) ressalta que a
cibercultura está recheada de possibilidades de se relacionar com o outro e com o mundo, mas
que, assim como as formas de comunicação citadas acima, não se trata aqui de substituição
das formas de relação social já estabelecidas, como o face a face, telefone, correio, espaço
público.

Primo (2007c) criou um mapa mental da cibercultura que resume os principais tópicos
relacionados ao assunto (ver Figura 1). O autor propõe a divisão da cibercultura em cinco
grandes ramificações. A primeira delas, denominada “condições tecno-sociais”, já teve os
tópicos mais relevantes para este trabalho apresentados anteriormente (fases do
desenvolvimento tecnológico; sujeito fragmentado; tribalismo; hedonismo). O mesmo se
aplica a segunda ramificação: “fundamentos” (copyright, copyleft, creative commons;
ciberpunk). O próximo ponto ele denominou de “problemas”.

O primeiro problema proposto por Primo é a dependência. Segundo Rocha et al. (2003),
a informática está se tornando tão presente na vida das pessoas que elas nem percebem o
quanto estão dependentes e, da mesma forma, expostas.

Hoje em dia a vida cívica/social de um indivíduo começa fazendo-se o registro de


nascimento, passa pela carteira de identidade (RG), cadastro de pessoa física (CPF), carteira
de motorista (CNH), além do registro junto às forças armadas e as declarações de imposto de
renda (ROCHA et al., 2003). Apesar dos autores destacarem apenas os registros oficiais, é
importante lembrar os registros em lojas virtuais, sites de relacionamento, grupos de
discussão, blogs, entre outros.
30

Fonte: PRIMO, 2007c.


Figura 1 – Mapa Mental da Cibercultura

Tais apontamentos remetem a outros problemas como dominação e controle destas


informações por parte de quem as detém e exploração e vigilância por parte de quem as
deseja, para qualquer que seja o fim.

Além disso, a dominação/controle também pode ocorrer quando existem relações de


poder (como visto anteriormente com relação à política na cibercultura): quando o pai decide
dar um celular pré-pago ao filho, está exercendo controle e dominação sobre as ligações;
quando uma empresa proíbe o acesso a determinados sites, está também exercendo controle e
dominação de seus empregados.

Ainda com relação à dependência, há a chamada dependência de Internet, que se


manifesta como uma inabilidade do indivíduo em controlar o uso e o envolvimento crescente
com a Internet e com os assuntos afins, que por sua vez conduzem a uma perda progressiva de
controle e aumento do desconforto emocional 16.

Com relação às informações duvidosas Primo (2007a, 2007b) lembra que não é só na
Internet que ocorre divulgação de conteúdo errôneo. A mídia tradicional também comete
deslizes na publicação. Entretanto, o autor ressalta que na Internet o que conta muito é a
reputação, mais do que a credibilidade. A página (ou o blog, alvo da discussão de Primo) deve

16
Cf.: <http://www.dependenciadeinternet.com.br>. Acesso em: 29 ago. 2009.
31

manter-se fiel ao seu fundamento. Ele argumenta que não se pode cobrar credibilidade de um
blog humorístico, por exemplo, no entanto, ele precisa ter reputação junto à sua audiência, por
menor que ela seja.

Quanto ao isolamento e a sobrecarga cognitiva, Wolton (2007, p. 104) faz uma crítica
ao que ele denominou de “solidões interativas”. O autor observa que exímios internautas e
também estudantes de informática e computação se dão muito bem com computadores, mas
que por outro lado não se relacionam bem com pessoas. Wolton critica também as pessoas
que têm obsessão (ou dependência) por conexão:

Milhares de indivíduos saem assim, celular à mão, correio eletrônico


conectado e a secretária eletrônica ligada como última medida de segurança!
Como se tudo fosse urgente e importante, como se fosse morrer caso não
pudesse ser encontrado a qualquer instante.

Com relação a esses problemas, Lemos (2003, p. 16) ressalta que é preciso analisar com
cuidado as relações online, pois estas guardam similitudes com as relações de proximidade
tipo face a face. Segundo o autor, essas aproximações se dão por que:

[...] desempenhamos todos papéis diferentes em diferentes situações sociais


e, nesse sentido, a relação com o outro é sempre complexa e problemática,
na rede e fora dela. No fundo, todo o conflito está na contradição entre
sermos em função do outro (‘Je est un autre’17 - Rimbaud) e delegar ao outro
nossa (sic) mazelas e problemas (‘L’enfer c’est l’autre’18 - Sartre).

Neste sentido, pode-se afirmar que é necessário estar atento à potência da Internet, haja
vista que o maior uso da rede hoje é para a busca efetiva de conexão social (e-mail, listas,
fóruns, blogs, entre outros).

A quarta ramificação proposta por Primo (2007c) é denominada “redes sociais”.


Segundo Recuero (2009, p. 24), uma rede social pode ser definida como um conjunto de dois
elementos: atores e suas conexões. Os atores são os nós da rede, as pessoas, instituições ou
grupos. As conexões são as interações e os laços sociais existentes entre os atores. Como
afirma a autora, a rede é uma metáfora para observar os padrões de conexão de um grupo, a
partir das conexões estabelecidas entre os atores deste grupo. “A abordagem de rede tem,
assim, seu foco na estrutura social, onde não é possível isolar os atores sociais e nem suas
conexões”.

Dentre as subdivisões propostas por Primo para esta ramificação destaca-se, além da
17
Em vernáculo: Eu é outro.
18
Em vernáculo: O inferno é o outro.
32

ideia de sociedade em rede tratada na subseção anterior, a evolução da web 1.0 para a web
2.0. A principal diferença entre as duas é que a primeira tem um caráter de publicação, ou
seja, o conteúdo está ali apenas para ser lido. Já com a passagem para web 2.0, o foco voltou-
se a participação do leitor/internauta na produção de conteúdo.

Os blogs e suas variações são o tópico relacionado à web 2.0 mais relevante para este
trabalho, no entanto, antes de se tratar deste assunto, faz-se necessária uma observação na
última ramificação proposta por Primo (2007c): o “ciberespaço”, da qual a Internet e sua
interface são as subdivisões mais importantes.
33

3 O CIBERESPAÇO E SEU USO COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÃO

Depois de apresentadas as características inerentes à sociedade contemporânea, e ainda


com base no mapa mental proposto por Primo (2007c), buscar-se-á, nesta seção,
primeiramente, apresentar de forma resumida o ciberespaço e sua contextualização histórica.

Em seguida, será dado enfoque ao uso do ciberespaço como ferramenta de


comunicação. A forma de comunicação escolhida foi o blog, principalmente, por possuir um
número cada vez maior de adeptos, inclusive empresas, órgãos públicos e veículos de
comunicação.

Por último, será descrita a variação de blog denominada microblog, caracterizada pela
restrição no tamanho das atualizações.

Esta seção trará informações importantes para que se compreenda o Twitter, o objeto de
estudo deste trabalho, um exemplo de microblog.

3.1 Do Chip ao Ciberespaço

A Internet, como é conhecida hoje, só se tornou possível graças a uma série de


evoluções que vieram acontecendo desde os anos de 1940. Como lembra Castells (1999, p.
76), foi durante a Segunda Guerra Mundial e no período seguinte que ocorreram as principais
descobertas tecnológicas no campo da eletrônica. No entanto, o autor defende que: “de fato,
só na década de 1970 as novas tecnologias da informação difundiram-se amplamente,
acelerando seu desenvolvimento sinérgico e convergindo em um novo paradigma”.

Pode-se dizer que o passo inicial desta sequência evolutiva aconteceu com a invenção
do transistor, em 1947. Porém, o passo mais importante da microeletrônica foi dado em 1957
com a invenção do circuito integrado (CI).

Já no campo da informática a história começa em 1946 com o ENIAC (Electrical


Numerical Integrator and Calculator), o primeiro computador para uso geral. “Os
historiadores lembram que o primeiro computador eletrônico pesava 30 toneladas, foi
construído sobre estruturas metálicas com 2,75 m de altura, tinha 70 mil resistores e 18 mil
válvulas a vácuo e ocupava a área de um ginásio esportivo” (CASTELLS, 1999, p. 78-79).
34

Nesse contexto de desenvolvimento, Castells (1999, p. 79) ressalta que a


microeletrônica acarretou uma revolução dentro da revolução, causada pela invenção do
microprocessador, em 1971. Logo em 1975 foi criado o Altair, o primeiro microcomputador,
que serviu de inspiração para a criação do Apple I, o primeiro microcomputador pessoal e,
posteriormente, o Apple II o primeiro sucesso comercial.

Lemos (2004) lembra que a contracultura americana na década de 1970 teve grande
importância para o desenvolvimento tecnológico, e que ela ocorreu em grande parte nas
garagens dos estudantes universitários da Califórnia, como foi o caso da empresa Apple.
Resumindo o início da microinformática, Lemos (2004, p. 101-102) afirma que sua formação
deve-se ao desenvolvimento de domínios científicos a partir dos anos de 1940:

a cibernética (1948), a inteligência artificial (1956), a teoria da auto-


organização e de sistemas (dos anos 60), a tecnologia da comunicação de
massa (rádio, televisão e telefone) e a telemática (de 1950). Os primeiros
passos no tratamento automático da informação foram dados entre 1940 e
1960. Aqui os princípios essenciais e as inovações estratégicas são
influenciadas fortemente pela cibernética. O segundo, de 1960 a 1970,
caracteriza-se por sistemas centralizados ligados às universidades e à
pesquisa militar (os minicomputadores) e o terceiro, de 1970 aos nossos dias,
com o surgimento dos microcomputadores e das redes telemáticas.

Sobre esse ritmo acelerado de evolução cabe expor o conceito da Lei de Moore, o qual,
segundo Silveira (2003, p. 24), quando ainda era presidente da Intel, “sentenciou que a cada
18 meses os microchips dobram seu desempenho pelo mesmo preço”. Importante lembrar
que, apesar do grande destaque dado ao hardware pela literatura sobre a evolução
tecnológica, tal evolução é consequência de softwares mais desenvolvidos e robustos, os quais
necessitam de capacidade de processamento cada vez maior.

Apesar de ter se desenvolvido nas universidades americanas, o projeto de se criar uma


rede interligando vários pontos do país só foi possível graças ao financiamento militar.
Segundo Castells (2003, p. 13), as origens da Internet podem ser encontradas na Arpanet,
“uma rede de computadores montada pela Advanced Research Projects Agency (ARPA) em
setembro de 1969”.

Ainda segundo o autor, essa agência foi criada em 1958 para financiar pesquisas com o
objetivo de alcançar a superioridade tecnológica militar em relação à União Soviética, na
esteira do lançamento do primeiro Sputnik, em 1957. O projeto que começou modesto,
ligando apenas quatro computadores, em dois anos já contava com quinze computadores
interconectados. Em 1983, o Departamento de Defesa separou a Milnet da Arpa-Internet. A
35

primeira com fins militares e a segunda voltada à pesquisa.

Segundo Pinho (2003), os criadores da Arpanet tinham preocupação com ataques


nucleares e por isso desenvolveram a rede levando-se em conta duas características principais.
A comunicação não-hierárquica, a qual descentralizava as informações do Pentágono e a
comutação por pacotes, que previa a comunicação entre todos os nós da rede sem uma rota
específica.

Com o intuito de padronizar a comunicação entre os dispositivos ligados à rede, foram


inventados os protocolos TCP/IP (Transmission Control Protocol / Internet Protocol),
padrões que continuam operando até hoje. “Ao TCP cabia dividir mensagens em pacotes de
um lado e recompô-los do outro. Ao IP cabia descobrir o caminho adequado entre o remetente
e o destinatário e enviar os pacotes” (PINHO, 2003, p. 27).

Pinho (2003, p. 28) lembra que, em 1983, para se conectar à rede era preciso ter
conhecimento prévio do endereço de rede que se iria usar, mas como o TCP/IP permitia
quatro bilhões de combinações, era praticamente impossível controlar tantos endereços. Tal
problema foi resolvido com a criação de um servidor DNS (Domain Name System), que
passou a controlar os endereços IP e os respectivos nomes das máquinas relacionadas a eles.

Com relação ao Brasil, Pinho (2003, p. 30) afirma que em 1988 foram formados alguns
embriões independentes de rede que interligavam universidades e centros de pesquisa do Rio
de Janeiro, São Paulo e do Rio Grande do Sul aos Estados Unidos.

A invenção que possibilitou a entrada e a apropriação em massa da Internet foi a World


Wide Web, a WWW, ou simplesmente web, em 1990. Pinho (2003) e Castells (2003)
descrevem a web como um sistema de organização e compartilhamento da informação
contida na rede. Segundo Pinho (2003, p. 33), o funcionamento deste sistema está baseado no
modelo cliente-servidor e “tem como principais padrões o protocolo de comunicação HTTP, a
linguagem de descrição de páginas HTML e o método de identificação de recursos URL”.

Resumindo, o HTML (Hypertext Markup Language) é a linguagem padrão para escrita


de documentos na Web. Eles podem conter vários tipos de arquivo como texto, fotos, sons e
vídeos. O HTTP (Hypertext Transport Protocol) é o protocolo que define como se dá a
interação entre cliente e servidor e como a informação será transportada. O URL (Uniform
Resource Locator) é o método de localização que permite que um cliente encontre o host onde
está o serviço que ele procura.

A união destes três protocolos se dá nos navegadores, ou browsers. O primeiro


36

navegador para web foi lançado em agosto de 1991 (CASTELLS, 2003, p. 18). O primeiro
navegador comercial foi Netscape Navigator, que logo encontrou concorrência com o Internet
Explorer, da Microsoft, a qual em uma excelente jogada comercial, passou a vender o sistema
operacional Windows já com o navegador incluso.

A briga comercial, no entanto, está perdendo força, em parte pela lógica do copyleft
vista anteriormente. Hoje, existem muitos navegadores gratuitos, como o Google Chrome e o
Mozilla Firefox.

A web se desenvolveu tão rapidamente que hoje ela é “provavelmente a parte mais
importante da Internet e, para muitas pessoas, a única parte que elas usam, um sinônimo
mesmo de Internet” (PINHO, 2003, p. 33).

Como visto anteriormente, Primo (2007c) separa em seu mapa mental a Internet de sua
interface (a web). Ambas, Internet e web, mais a realidade virtual, a telepresença e os agentes
de inteligência artificial vão formar o ciberespaço. O conceito de ciberespaço parece ser mais
abstrato do que a tecnicidade inerente ao termo Internet. Segundo Braga (2005, p. 125), “o
ciberespaço pode ser caracterizado por três de suas principais propriedades: a interface, a
interatividade e a rede de informações”.

Lemos (2004, p. 123) define o ciberespaço como “um hipertexto mundial interativo
onde cada um pode adicionar, retirar e modificar partes dessa estrutura telemática, como um
texto vivo, um organismo auto-organizante, um cybionte em curso de concretização”. Já Lévy
(1999, p. 92) afirma que o ciberespaço é um “espaço de comunicação aberto pela
interconexão mundial de computadores e das memórias dos computadores” (grifos do autor).

Lévy (1999) enumera algumas mudanças com relação às técnicas de comunicação


proporcionadas pelo ciberespaço, dos quais se pode destacar o acesso à distância à informação
contida nos bancos de dados, a transferência de arquivos entre computadores e o correio
eletrônico.

Ao contrário de Lévy (1999), DeFleur e Ball-Rokeach (1993) não veem vantagens do


ciberespaço mediante a telefonia convencional. Para os autores:

[...] Sob muitos aspectos, ter pessoas batucando mensagens umas para as
outras através de computadores domésticos apresentaria poucas vantagens
sobre a rede telefônica que já dispomos. [...] para o usuário eventual, que
redige mensagens para saudar parentes, tagarelar, marcar um encontro, ou
indagar acerca do preço da borracha, uma rede imensa pareceria ter poucas
vantagens com relação à telefônica já existente (DEFLEUR; BALL-
ROKEACH, 1993, p. 356).
37

Os apontamentos feitos por DeFleur e Ball-Rokeach (1993) parecem ter sido


ultrapassados pelo grande número de usuários da Internet. Lévy (1999, p. 93), no entanto,
apresenta uma afirmação mais real do uso da rede: “[...] a perspectiva da digitalização geral
das informações provavelmente tornará o ciberespaço o principal canal de comunicação e
suporte de memória da humanidade a partir do início do próximo século”.

Lévy (1999, p. 167) afirmou ainda acreditar que o ciberespaço se tornaria “o principal
equipamento coletivo internacional de memória, pensamento e comunicação”. Previsões que
parecerem estar corretas considerando que:

Uma das características da sociedade contemporânea diz respeito ao fato de


que as organizações sociais e instituições de todos os tipos (comerciais,
educacionais, jurídicas, financeiras, políticas, etc.) têm, agora, extensões no
ciberespaço (LEMOS; RIGITANO; COSTA, 2007, p. 16).

O ciberespaço é também um local para a divulgação livre de informação (primeira lei da


cibercultura) e o principal fenômeno desta atividade hoje são os blogs que, juntos, formam o
que vem se chamando de blogosfera.

3.2 Blogs e a Composição da Blogosfera

A blogosfera é o espaço conceitual, porém não geográfico, no qual os blogueiros se


relacionam e onde se localizam os blogs e toda a informação relativa a eles, como
comentários, blogroll e trackback, termos que serão explorados mais adiante. Para Orihuela
(2007a, p. 8), a blogosfera “é um sistema complexo, auto-regulado, extraordinariamente
dinâmico e especialmente perceptível a informação que produz os meios tradicionais”.

Como visto na subseção 3.1, a World Wide Web começou a operar em 1990. Logo
depois começa a história dos blogs. Alguns autores (ORIHUELA, 2007a; ZAGO, 2008;
AMARAL; RECUERO; MONTARDO, 2009) afirmam que o blog foi a primeira estrutura de
website, baseados no fato de o primeiro site criado na web ter sido justamente um portal que
reunia links para as páginas recém-criadas19.

Foi dessa forma, então, que surgiu a ideia inicial dos blogs, que é a de reunir links para
outros sites, geralmente com algum texto orientando o leitor. Recuero (2003b) ressalta que os

19
Este site era mantido por Tim Berners-Lee, criador da web, e pode ser visto no endereço:
<http://www.w3.org/History/19921103-hypertext/hypertext/WWW/News/9201.html>.
38

blogs no início funcionavam como filtros de conteúdo e que eram basicamente compostos por
links e dicas de websites pouco conhecidos.

A ideia de blogs como diários íntimos (LEMOS, 2002; CARVALHO, 2001) só veio
surgir depois, mas mesmo assim com muita intensidade. “Esses blogs eram utilizados como
espaços de expressão pessoal, publicação de relatos, experiências e pensamentos do autor”
(AMARAL; RECUERO; MONTARDO, 2009, p. 29). “Ciberdiários, webdiários ou weblogs
são práticas contemporâneas de escrita online, onde usuários comuns escrevem sobre suas
vidas privadas, sobre suas áreas de interesse pessoais ou sobre outros aspectos da cultura
contemporânea” (LEMOS, 2002, p. 3).

Segundo Carvalho (2001, p. 234), em 1994, um grupo de usuários iniciava um ritual


que passou a ficar cada vez mais constante: “construir uma home page pessoal e nela,
diariamente, depositar o diário ou jornal íntimo on-line” (grifo do autor).

Orihuela (2007a) ressalta que, em 1999, o site The Page of only weblogs identificava
apenas 23 blogs. Número que cresceu devido o advento dos Content Management System
(sistema de gerenciamento de conteúdo), também conhecidos pela sigla CMS.

Como lembra Antúnez (2007), antes de os CMS surgirem, só existiam sistemas


complexos voltados para pessoas com conhecimento em programação, principalmente em
linguagem HTML. No entanto, em 1999, surgiram os primeiros serviços para blogs que
uniam CMS e hospedagem gratuita. “É o fim dos blogs administrados artesanalmente com
editores ‘What You See Is What You Got’ (WYSIWYG), como Dreamweaver e FrontPage”.
(ANTÚNEZ, 2007, p. 22)

Antúnez (2007) separa os CMS em dois grupos. No primeiro, considerados os


pioneiros, estão o LiveJournal20, o Pitas21 e o Blogger22. Os que ele chamou de segunda
geração, por serem mais bem apresentados e sofisticados que os anteriores, são: Movable
Type23, o Typepad24, o WordPress25 e do lado hispânico o Blogia26 e o Bitacorae27.

Conforme o número de adeptos dessa atividade foi aumentando esses usuários, também

20
Cf. <http://www.livejournal.com/>.
21
Cf. <http://www.pitas.com/>.
22
Cf. <https://www.blogger.com/start>.
23
Cf. <http://www.movabletype.org/>.
24
Cf. <http://www.typepad.com/>.
25
Cf. <http://pt-br.wordpress.com/>.
26
Cf. <http://www.blogia.com/>.
27
Segundo Antúnez (2007) o serviço Bitacorae foi descontinuado e já se encontrava fora do ar em novembro de
2006.
39

chamado blogueiros, começar a interagir entre si. Eles passaram a citar links para páginas já
conhecidas e foram assim criando círculos relacionais ou webrings como propõe Recuero
(2003a).

O termo weblog foi cunhado por Jorn Barger em dezembro de 1997 em sua página
pessoal. Para Barger (apud LEMOS, 2002, p. 3), weblog é uma página na qual o blogueiro
(weblogger) registra páginas que ache interessante. Segundo o autor, o formato é
frequentemente apresentado em ordem cronológica, com as entradas mais recentes no topo da
página.

Os blogs possuem certas características que os distinguem de outras formas de


publicação na web. A que mais se sobressai são as entradas de conteúdo em ordem
cronológica inversa, na qual os posts mais recentes se sobrepõem aos mais antigos. O
blogroll, outro elemento presente, é uma lista para outros sites, geralmente outros blogs, que o
autor mantém como indicação para seus leitores/comentaristas. O blogroll ajuda também na
constituição do webring, visto anteriormente. Junto com o blogroll, outra ferramenta que
ajuda a manter este círculo relacional é o trackback, o qual funciona indicando ao autor
quantos e quem utilizou links para seus posts.

A interatividade é outra característica marcante nos blogs proporcionada, em grande


parte pela caixa de comentários. Primo (2008, p. 132) afirma que, com a incorporação desta
ferramenta, os blogs se transformaram em locais para discussão dos mais diversos assuntos.
Segundo ele, “nessas janelas que se abrem para a discussão, não se responde apenas ao
responsável pela página. Um verdadeiro debate de fato passa a ocorrer entre os visitantes
diários.”

O autor ressalta ainda que, antes do uso da caixa de comentários, os blogs permitiam
aos usuários apenas uma interação reativa, na qual havia certa previsibilidade dos conteúdos,
tendo em vista que apenas uma pessoa era a fonte da informação, e que hoje eles são locais
onde acontecem interações mútuas, caracterizadas pela possibilidade de construção do debate.

Orihuela (2007a, p. 6) afirma que, além da interatividade, outras características que


configuram o potencial comunicativo da Internet e que estão sendo apropriados pelos blogs
são a hipertextualidade e a multimidialidade. Com base em Palacios et al. (2002) a
hipertextualidade pode ser compreendida como a escrita apontando para outros textos
explicativos ou complementares como fotos, vídeos, sons ou animações. A multimidialidade,
por sua vez, tem como principal característica a união dos formatos midiáticos tradicionais
40

(texto, som e imagem estática ou em movimento) em uma plataforma convergente.

Para Zago (2008), outra característica dos blogs é a informalidade, decorrente do fato de
os blogs serem escritos de forma livre por um, ou um grupo restrito de autores. A autora
destaca ainda o microconteúdo que está relacionado com o tipo de conteúdo produzido para a
Internet, obedecendo às particularidades do meio. “Uma dessas particularidades é o fato de
que essas porções de conteúdo podem ser acessadas na web fora de seu contexto original, o
que torna importante se pensar em dados como título, links e tags que acompanham uma
determinada informação” (ZAGO, 2008, p. 19-20, grifo do autor).

Como última característica dos blogs, pode-se destacar a atualização frequente que,
como lembra Zago (2008), é decorrente da entrada dos conteúdos em ordem cronológica
inversa. Essas porções de conteúdo atualizado de tempos em tempos geralmente são
acessíveis por um endereço fixo, também denominado permalink, ou link permanente.

Pouco mais de uma década depois de Barger ter proposto o termo weblog, ainda são
diversas as definições e conceitos classificatórios ligados a eles. Silva (2003) classifica os
blogs entre individuais ou coletivos e temáticos ou livres. Primo e Smaniotto (2006) usam as
terminologias blog/texto, blog/programa e blog/espaço. Recuero (2003b) classifica-os em
diários, publicações, literários, clippings e mistos. Amaral, Recuero e Montardo (2009)
propõem as definições: estrutural, funcional e artefatos culturais.

Para Silva (2003), no blog individual somente o criador pode postar conteúdos. Desta
forma, o blog representa uma parte da identidade de seu autor. O ponto principal aqui é que
ele tem em mãos uma ferramenta para se expressar livremente, da forma que desejar. O blog
coletivo, ao contrário, é mantido por um grupo de pessoas. O administrador controla quem
pode ou não postar, e o conteúdo, em geral, gira em torno de um tema específico.

Blogs com um tema específico são o que Silva (2003) denomina de blogs temáticos.
Nesta categoria se enquadram os blogs jornalísticos, os corporativos, os blogs sobre política,
ou sobre culinária, os blogs de celebridades e os blogs de base de conhecimento (knowledge
blogs, ou klogs).

Já os blogs livres, como o próprio nome já diz, são blogs sem a preocupação de se
manter um tema. É o clássico espaço para que o autor coloque o que quiser: criações
literárias, fotos, vídeos, fofocas, anotações, resenhas, enfim, qualquer conteúdo que desejar.

Seguindo a classificação proposta por Primo e Smaniotto (2006), um blog/programa é a


ferramenta usada para a publicação. O blog/espaço é o local no qual os blogueiros e
41

leitores/comentaristas interagem. O blog/texto é o conteúdo produzido no blog/espaço


utilizando um blog/programa. Os autores propõem os seguintes exemplos para clarear as três
acepções de blog: “a) como programa: ‘Parei de usar o Blogger. Instalei o Movable Type’; b)
como espaço: ‘Não encontrei teu blog no Google. Qual o endereço dele?’; c) como texto: ‘Li
ontem teu blog’” (PRIMO; SMANIOTTO, 2006, p. 231).

Recuero (2003b) classifica os blogs em:

a) weblogs diários: são como um diário pessoal no qual o autor expõe conteúdos
principalmente relacionados à sua vida pessoal;
b) weblogs publicações: destinam-se a informações geralmente de caráter
opinativo. Buscam sempre o debate e a discussão, seja sobre um tema
específico, seja sobre generalidades;
c) weblogs literários: são blogs voltados a construir uma história ficcional, ou
reunir crônicas, ou poesias, sempre com ambições literárias;
d) weblogs clippings: são os filtros. Destinam-se a reunir links para conteúdos já
publicados em outros locais;
e) weblogs mistos: os blogs que misturam conteúdo pessoal com posts
informativos, notícias, dicas, e comentários de acordo com a vontade do autor.

Amaral, Recuero e Montardo (2009) fazem uma revisão da literatura relacionada aos
blogs e constatam que as definições dadas pelos autores podem ser classificadas em três
grupos principais: os que definem blogs de uma forma estrutural, como sendo uma ferramenta
com formato específico, facilmente distinguível de outras formas de publicação; os que
indicam uma classificação funcional, levando em consideração que os blogs são ferramentas
de comunicação; e os que veem os blogs com um olhar antropológico e etnográfico,
considerando-os como artefatos culturais.

Dessa forma, pode-se chegar ao conceito de blog como sendo uma ferramenta de
comunicação online de fácil distinção e de autoria individual ou coletiva na qual o autor (ou
autores) tem como principal vantagem a liberdade de construí-la de forma livre, limitando-se
ou não a um tema ou atividade específica.

Como visto, muitos são os usos e apropriações feitas dos blogs. Hoje, os blogs não se
resumem à díade filtros e diários íntimos. Conforme a blogosfera se expande, mais maneiras
diferentes de usá-los vão surgindo. Eles são espaços para criação literária, divulgação
42

audiovisual, discussões sobre política e inclusive para prática de jornalismo. Outro ponto que
está em evolução são os formatos dos blogs que estão cada vez mais específicos.

Os formatos dos blogs, apesar de poderem sofrer alteração ou redução das


características vistas, mantêm sempre a entrada de conteúdo em ordem cronológica inversa.
Segundo Zago (2008), o formato de um blog pode ser definido de acordo com a sua temática
principal, com o tipo de texto predominante (escrito, som, foto ou vídeo) ou ainda pelo tipo de
dispositivo usado para criá-lo.

Quanto à temática, a autora assinala alguns exemplos, como os blogs sobre política,
sobre viagens ou sobre tecnologia. Há ainda os blogs que tratam de assuntos como legislação
(blawgs), os blogs de celebridades (celeblogs), os blogs sobre guerra (warblogs), blogs
educativos ou de compartilhamento de conhecimento (klogs) e os spam blogs (splogs) “blogs
criados com a finalidade de utilizar-se de conteúdo alheio produzido em outros blogs para
adicionar anúncios publicitários e lucrar com a produção alheia” (ZAGO, 2008, p. 24).

Com relação ao tipo de texto predominante existem os fotologs (flogs), usados para
postagem de imagens e fotos; os audiologs nos quais predominam arquivos de áudio e os
videologs (vlogs), voltados para a publicação de vídeos. Já os tumblelogs (tlogs), segundo
Zago (2008, p. 25), são uma variação dos blogs que permitem cruzar diferentes tipos de mídia
em um único espaço, em posts predominantemente curtos e com formatação predeterminada.

Sobre essas variações, cabe destacar que Bruns (apud ZAGO, 2008, p. 24) alerta que
não se deve confundir as variações no tipo de ferramenta com o conteúdo publicado:

Foto-, áudio, e videoblogging, assim como moblogging, são meramente


variações no tema do blog que utilizam diferentes tecnologias, mas elas
próprias não necessariamente levam a gêneros de conteúdo diferentes dos
blogs – há a mesma chance para um moblog de assumir a forma de um diário
pessoal como de ser usado para comentários aprofundados sobre notícias.

Os moblogs citados por Bruns são blogs adaptados para serem atualizados por
dispositivos portáteis como PDA e celular, por exemplo. Essas atualizações podem ser feitas
usando o serviço de envio de mensagem de texto (SMS) ou mesmo estabelecendo-se conexão
com a Internet.

Silva (2009) caracteriza o microblog como uma variação do moblog. Esse tipo de blog
tem como fator predominante a limitação dos posts. Essa limitação é geralmente atrelada à
43

quantidade de caracteres, mas há outras formas como o micrografías28, destacado por Silva
(2009, p. 270), um blog jornalístico do jornal El País no qual “[...] as imagens são postadas
sem tratamento, sem edição e os internautas podem fazer comentários”. Outras características
e usos dos microblogs serão examinados na próxima seção.

3.3 Os Microblogs

Como visto, os microblogs são uma variação dos blogs onde existe algum tipo de
limitação do conteúdo seja do tamanho dos arquivos ou na quantidade de caracteres. Orihuela
(2007b) vê os microblogs como uma mescla de blog com rede social e comunicador
instantâneo29.

É blog porque se encaixa nas características vistas na subseção anterior. Possui espaço
para comentário, lista de blogroll, e principalmente atualizações frequentes e entrada de
conteúdo na ordem cronológica inversa. Já o conceito de rede social se aplica porque os
usuários possuem um espaço próprio, bem como uma lista de contatos (atores), com os quais
podem interagir (conexões). A ideia de comunicador ou mensageiro instantâneo advém das
mensagens curtas e diretas (também com a possibilidade de serem direcionadas a uma pessoa)
como acontece nas ferramentas de comunicação instantânea como Google Talk e MSN
Messenger.

Zago (2008, p. 26) afirma que microblogging é a ação de se postar pequenos textos em
um blog pessoal, geralmente, usando-se comunicadores instantâneos ou o celular. Para a
autora:

Um microblog parte da idéia de um blog (atualizações em ordem


cronológica inversa, possibilidade de comentários e trackbacks, RSS,
blogroll), mas apresenta como singularidade o fato de que é adaptado para
postagens de tamanho reduzido. A idéia é que haja uma maior facilidade de
integração com outras ferramentas digitais, como celular e outros
dispositivos móveis.

A autora lembra, com base em Orihuela (2007b), que devido à brevidade e rapidez das
atualizações, os microblogs estão sendo considerados “a mais recente e popular manifestação

28
Cf. <http://blogs.elpais.com/micrografias>.
29
No original: “[...] una mezcla de blogging con red social y mensajería instantánea” (ORIHUELA, 2007,
online)
44

da ‘cultura snack’ que privilegia a brevidade dos textos, a mobilidade dos usuários e as redes
30
virtuais como entorno social emergente” (Orihuela, 2007b, online, tradução nossa) . “E
nesse contexto de publicação rápida, muitas vezes os microblogs acabam sendo mais ágeis
que os próprios blogs na divulgação de fatos e de acontecimentos” (ZAGO, 2008, p. 26).

O site Word Spy31, mantido por Paul McFedries, tem como finalidade a reunião de
termos e palavras recém inventadas e palavras de uso moderno. Segundo o portal, o termo
microblogging, para se referir a postagens curtas, foi usado pela primeira vez em 17 de julho
de 2002, por Natalie Solent em seu blog32. Apesar de fazer mais dois posts no mesmo dia o
fragmento que alude ao termo é o seguinte:

Apenas micro-blogging hoje. É Dia do Esporte. Oh, posso marcar um


encontro com todos vocês mais ou menos nesta época do ano em 2012? Até
lá meus descendentes estarão, eu acredito, todos crescidos, cheios de
atividades e equipados com níveis estratosféricos de auto-estima. Eu me
sentirei então livre para contar algumas histórias muito engraçadas sobre a
corrida com o ovo e a colher de 2002 (SOLENT, 2002, online, grifo do
autor, tradução nossa) 33.

Da mesma forma que os blogs, os microblogs também possuem certas características,


porém pode-se dizer que elas se apresentam de forma reduzida ou transformada. Zago (2009,
p. 10) salienta que: “cada ferramenta tem suas especificidades, mas em geral as mesmas
funcionalidades de um blog são apresentadas, mas de forma simplificada”.

A autora destaca pontos como a conversação, por exemplo, que nos blogs acontece
geralmente na caixa de comentários e nos microblogs ocorrem diretamente no conteúdo dos
posts. Segundo Zago (2009), decorre daí a relação que se faz entre microblogs e
comunicadores instantâneos. Ela ressalta, no entanto, que a comunicação existente nos
microblogs, ao contrário dos instant messengers, é assíncrona, ou seja, ela serve para uma
pessoa acompanhar a outra a distância e não para bate papo (SPYER apud ZAGO, 2009, p.
11). Já o blogroll nos microblogs manifesta-se na lista de pessoas que o usuário observa (ou
segue). O trackback, por sua vez, tem sua adaptação nas notificações de respostas e
republicações das atualizações realizadas.

30
No original: “[...] la más reciente y popular manifestación de la "cultura snack" que privilegia la brevedad de
los textos, la movilidad de los usuarios y las redes virtuales como entorno social emergente”
31
Cf. <http://www.wordspy.com/>.
32
Cf. <http://nataliesolent.blogspot.com/2002_07_14_nataliesolent_archive.html>.
33
No original: “Only micro-blogging today. It's Sports Day. Oh, can I make a date with you all for about this
time in the year 2012? By that time my offspring will be, I trust, all grown up, loaded with achievements and
equipped with stratospheric levels of self-esteem. I will then feel free to tell some very funny stories about the
egg and spoon race back in 2002.”.
45

Zago (2008) apresenta outras duas características dos microblogs: a arquitetura aberta
de informações e a relação com a mobilidade. Segundo a autora, as ferramentas de
microblogging, percebendo o potencial colaborativo da web 2.0, permitem o acesso a suas
bases de dados através de uma Interface de Programação de Aplicativo (API - Application
Programming Interface).

A abertura através da API permite o compartilhamento e o uso das informações contidas


em um ou mais sites para a construção de programas que utilizem essas informações para
outros fins que não os do contexto habitual do site do qual se originam as informações.

Um programa que combine e utilize duas ou mais bases de dados se chama mashup. A
criação de um mashup se dá quando “um programador mixa pelo menos dois serviços ou
aplicativos de diferentes sites para criar algo novo e que, muitas vezes, é melhor do que a
soma das suas partes” (TAPSCOTT; WILLIAMS apud ZAGO, 2008, p. 36). Zago (2008)
lembra que o exemplo mais comum da criação de mashups se dá com o cruzamento entre
dados provenientes do Google Maps com alguma informação publicada na web. Unindo, por
exemplo, a conteúdo de um post em um microblog a um mapa, indicando a localidade de
onde este post foi enviado.

Com relação à mobilidade, cabe aqui relembrar a segunda lei da cibercultura proposta
por Lemos (2006a; 2006b) que se refere ao princípio da conexão generalizada. Na época da
cibercultura, a ubiquidade e a computação pervasiva se realizam através de dispositivos
portáteis. A relação da mobilidade com os microblogs está presente na capacidade de algumas
ferramentas permitirem aos seus usuários atualizar o perfil direto do celular ou outro
dispositivo móvel como PDA. Há ainda aquelas que possuem uma versão da página
especialmente programada para ser exibida nas telas destes dispositivos.

Para Maçan (2009, p. 1) um microblog dispõe de um espaço delimitado para a


“exposição”, o qual geralmente possui o tamanho de uma mensagem SMS. Deve permitir
também que os usuários recebam as atualizações de quem escolher, organizando-as numa
linha do tempo. Por último, um microblog precisa permitir a pesquisa nos registros dos
usuários.

Zago (2008) afirma que pelas próprias características dos microblogs, eles são passíveis
de serem utilizados para os mais diversos fins, assim como os blogs. E da mesma forma que
seus predecessores, os microblogs estão conquistando, aos poucos, seu espaço. Com base em
Java et al., a autora propõe uma taxonomia dos tipos de atualizações que podem ser
46

encontradas nos microblogs:

a) trivialidades cotidianas, que consiste em dizer coisas banais ou atividades no


decorrer do dia, o que remete a ideia dos blogs como diários pessoais;
b) conversações. A interação em forma de conversa entre os usuários do
microblog;
c) compartilhamento de informações e URLs pode ser entendido como sugestões
de leituras, geralmente através de links para outras páginas;
d) difusão de notícia. O uso de ferramentas de microblog para a atividade
jornalística está crescendo cada vez mais. Essas ferramentas colaboram para a
difusão rápida das notícias, visto que os posts são praticamente instantâneos e a
republicação deles, por alguém que tenha lido, pode ser imediata.

Algumas ferramentas de microblogs listas por Zago (2008, p. 154) são: Pownce e Frazr,
serviços que se encontram fora do ar34; Adocu, ainda em versão beta35 (ver Figura 2); Gozub,
um serviço brasileiro36 (ver Figura 3); Plurk37, uma rede social de microblog (ver Figura 4);
Jaiku, o microblog do Google38 (ver Figura 5); e o Twitter o maior e mais usado destes, objeto
de pesquisa da autora39.

O microblog Twitter, objeto de estudo deste trabalho, será analisado detalhadamente na


seção 5, logo após a apresentação dos Procedimentos Metodológicos (seção 4).

34
Respectivamente <http://www.pownce.com> e <http://www.frazr.fr>. Os dois serviços estavam indisponíveis
em: 15 de agosto de 2009.
35
Disponível em: <http://www.adocu.com>. Acesso em: 15 de agosto de 2009.
36
Disponível em: <http://www.gozub.com.br>. Acesso em: 15 de agosto de 2009.
37
Disponível em: <http://www.plurk.com>. Acesso em: 15 de agosto de 2009.
38
Disponível em: <http://www.jaiku.com>. Acesso em: 15 de agosto de 2009.
39
Disponível em: <http://www.twitter.com>. Acesso em: 15 de agosto de 2009.
47

Fonte: <http://www.adocu.com/catepol>. Acesso em: 15 ago. 2009.


Figura 2 – Página do Adocu

Fonte: <http://www.gozub.com.br>. Acesso em: 15 ago. 2009.


Figura 3 – Página inicial do Gozub
48

Fonte: <http://www.plurk.com/starcitizen>. Acesso em: 15 ago. 2009.


Figura 4 – Página do Plurk

Fonte: <http://termie.jaiku.com/>. Acesso em: 15 ago. 2009.


Figura 5 – Página do Jaiku
49

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Dada a importância dos procedimentos metodológicos para qualquer pesquisa científica,


pretende-se nesta seção mostrar os passos realizados para produção deste trabalho, desde a
concepção do projeto de pesquisa até a sua execução.

Sobre a escolha do tema da pesquisa, Santaella (2001) afirma que em ambiente


universitário, a maioria das pesquisas nasce da livre escolha do pesquisador. A autora afirma
ainda que o tema, em geral, tem a ver com a história intelectual do pesquisador. Levando em
consideração tais apontamentos, se deu a escolha da comunicação na cibercultura como tema
norteador deste trabalho.

Como objeto de estudo, foi escolhido o serviço de microblogging Twitter,


principalmente, por ser uma forma de produção de conteúdo inovadora, cuja abordagem em
publicações de cunho científico é considerada recente, visto que este começou a operar em
2006. Outro fator que motivou a escolha deste objeto foi o número cada vez maior de adeptos,
desde pessoas comuns, passando por artistas e até empresas comerciais e, principalmente
empresas de comunicação.

Entende-se, com base em Santaella (2001), que o problema de pesquisa é uma


interrogação, uma dificuldade que se pretende resolver. Sabendo-se que o problema de
pesquisa precisa ser resolvido e que ser capaz de produzir conhecimento para tratar de
questões a ele relacionadas, propõe-se aqui o seguinte problema: o microblog Twitter pode ser
caracterizado como uma ferramenta de comunicação da Cibercultura?

Esse problema parte da hipótese de que o Twitter possui características que fazem dele
uma ferramenta de comunicação típica da Cibercultura. Para respondê-lo foi necessária a
realização de alguns passos que serão descritos ainda nesta seção.

Sobre os objetivos da pesquisa, Santaella (2001, p. 175) afirma que eles também
decorrem do problema e são como o alvo que se pretende atingir. Ainda segundo a autora, os
objetivos se classificam em geral, “que dizem respeito a uma visão global e abrangente do
problema”, e em específicos, os quais “têm uma função intermediária e instrumental de modo
a permitir que o objetivo geral seja atingido [...]”.

Dessa forma, o objetivo geral deste trabalho é caracterizar o Twitter como uma
ferramenta de comunicação da Cibercultura, contextualizando-o na sociedade atual. Para
50

atingir tal objetivo, propõem-se os seguintes objetivos específicos:

a) descrever a sociedade atual e as características da Cibercultura;


b) classificar o Twitter como uma ferramenta de Comunicação;
c) estabelecer uma relação entre a sociedade e a cultura contemporânea e o Twitter.

Para cada um dos objetivos específicos enumerados seguiu-se a realização de uma ação,
as quais podem ser vistas como pesquisas complementares que juntas e sinergicamente
ajudam na realização do objetivo geral do trabalho.

A primeira ação realizada foi uma pesquisa bibliográfica sobre a sociedade e a cultura
contemporânea. Segundo Raupp e Beuren (2006), esta pesquisa por ser classificada, do ponto
de vista de seus objetivos, como uma pesquisa descritiva, pois visa trazer uma visão geral de
um fenômeno. Tal pesquisa pode ser classificada, como de abordagem qualitativa, pois, além
de não requerer uso de métodos e técnicas estatísticas, “preocupa-se em analisar e interpretar
aspectos mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano”
(MARCONI; LAKATOS, 2004, p. 269).

Raupp e Beuren (2006, p. 86) afirmam que a pesquisa bibliográfica constitui parte da
pesquisa descritiva ou experimental, e que, “por ser de natureza teórica, a pesquisa
bibliográfica é parte obrigatória, da mesma forma como em outros tipos de pesquisa, haja
vista que é por meio dela que tomamos conhecimento sobre a produção científica existente”.

Para se fazer a pesquisa bibliográfica, antes é necessária a elaboração do quadro teórico


de referência que “consiste no corpo teórico no qual a pesquisa encontrará seus fundamentos”
(SANTAELLA, 2001, p. 184). As obras fundamentais para esta pesquisa são: O que é pós-
moderno (2008) de Jair Ferreira dos Santos; Cultura de consumo e pós-modernismo (1995) de
Mike Featherstone; A sociedade em rede (1999) de Manuel Castells; Cibercultura: tecnologia
e vida social na cultura contemporânea (2004) de André Lemos; e Cibercultura (1999) de
Pierre Lévy.

Evidentemente, tais obras serviram como referência, mas, para a composição desde
trabalho, foram usados outros textos, inclusive artigos de periódicos e apresentados em
congressos.

Um exemplo de um artigo importante é o de Palacios (2007) o qual serviu para orientar


os procedimentos metodológicos adotados na segunda ação desenvolvida a fim de se
concretizar o segundo objetivo específico relacionado anteriormente. Neste artigo, o autor
51

relata experiências sobre os procedimentos metodológicos adotados no Grupo de Pesquisa em


Jornalismo Online (GJOL).

Segundo Palacios (2007), o GJOL adota uma metodologia híbrida, com


procedimentos de pesquisa quantitativa e qualitativa. O autor afirma que antes da realização
da pesquisa é preciso que seja feita uma revisão bibliográfica sobre o assunto. Palacios
(2007) afirma, ainda, que sempre que possível os pesquisadores do GJOL fazem a revisão
bibliográfica já testando as hipóteses relacionadas ao objeto. Neste trabalho, no entanto,
optou-se por separar a segunda ação em duas fases distintas, acreditando que dessa forma
fique mais fácil a compreensão dos passos executados na pesquisa.

A primeira fase desta segunda ação consiste, portanto, na pesquisa bibliográfica a fim
de reunir conhecimento para que se possa descrever o Twitter. Essa fase da segunda ação
pode ser classificada, da mesma forma que a pesquisa bibliográfica relatada anteriormente,
como, descritiva e de abordagem qualitativa. As duas pesquisas bibliográficas juntas
formam a revisão de literatura deste trabalho.

O quatro teórico de referência para esta pesquisa se baseia nas seguintes obras: A
galáxia da Internet (2003) de Manuel Castells; Jornalismo na Internet (2003) de José
Benedito Pinho; Blogs: Revolucionando os meios de comunicação (2007) de Octavio I.
Rojas Orduña et al.; e o trabalho de conclusão de curso de Gabriela da Silva Zago (2008)
intitulado Jornalismo em microblogs: um estudo das apropriações jornalísticas do Twitter.

Palacios (2007) ressalta que as pesquisas no GJOL têm sempre uma vertente
quantitativa a fim de mensurar a comprovação das hipóteses. Dessa forma, será executada
na segunda fase uma pesquisa quantitativa com o objetivo de ver o como se dá o uso do
Twitter enquanto ferramenta de comunicação. Essa pesquisa será feita analisando perfis
selecionados intencionalmente e os últimos vinte posts de cada um deles. A escolha dos
últimos vinte posts se deu por ser esse o número que aparece por padrão ao se visitar um
perfil no Twitter.

Foram escolhidos 14 perfis do Brasil, sendo dois de cada uma das categorias listadas
no Quadro 1. Essas categorias foram criadas a partir das leituras relacionadas ao Twitter
feitas na pesquisa bibliográfica da primeira fase. Busca-se dessa forma representar os
grupos mais recorrentes nas publicações relacionadas ao tema desta pesquisa.
52

Empresas de comunicação
Lojas de comércio eletrônico
Órgãos públicos
Celebridades
Pesquisadores
Políticos
Pessoas comuns

Quadro 1 – Categorias dos perfis

Os perfis de empresas de comunicação selecionados foram o do jornal Folha de S. Paulo


e da Revista Veja por serem, respectivamente, o jornal e a revista com maior tiragem no país.
Tal escolha se deu por se entender que as novas formas de produção da notícia
proporcionadas pela Internet estão causando mudanças nos meios tradicionais impressos.
Dessa forma, eles tentam se aliar à Internet como forma de conseguir manter sua existência.

As empresas de comércio eletrônico escolhidas foram: Submarino e Camiseteria. Esta


categoria foi escolhida devido ao fato das empresas não possuírem lojas físicas, operando
apenas na web. Acredita-se que no caso delas a Internet, assim como o Twitter, pode ser
usada para estreitar laços com seus parceiros e, principalmente, com seus clientes.

Como representantes dos órgãos públicos foram selecionados o Naturatins, por ser um
dos primeiros da categoria a serem criados no Estado do Tocantins e o Ministério da Saúde,
por ser um perfil que possui um elevado número de seguidores (5.184 em 14 de outubro de
2009). Acredita-se que boa parte desses seguidores passou a seguir o perfil devido a Influenza
A (H1N1).

Dentre as muitas celebridades que usam o Twitter, duas delas se destacam por
possuírem o maior número de seguidores de todo o Brasil. Luciano Huck, apresentador do
programa Caldeirão do Huck transmitido nas tardes de sábado pela Rede Globo, possui
1.171.605. Enquanto isso, o técnico do Corinthians, time que tem a segunda maior torcida do
país, Mano Menezes, é seguido por 1.070.315 de usuários40.

Outra categoria recorrente no Twitter são os pesquisadores acadêmicos. Dentre eles


destacam-se os perfis do professor da Universidade Federal da Bahia, André Lemos e do
professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Alex Primo, principalmente por
serem pesquisadores da cibercultura e fazerem parte das referências aqui utilizadas.

Os políticos também estão começando a usar o Twitter, principalmente depois do

40
Todos os dados dos perfis selecionados para análise referem-se as coletas feitas no dia 14 de outubro de 2009.
53

sucesso obtido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua campanha
presidencial. Dessa forma, os políticos escolhidos foram: Aloizio Mercadante, líder da
bancada do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal; e o governador do Estado de São
Paulo, José Serra, famoso por escrever ele mesmo seus posts.

Depois de elencadas as categorias acima, nota-se a necessidade de serem representadas


também pessoas comuns, que não se encaixassem em tais grupos. Dessa forma, procedeu-se
uma navegação aleatória no microblog chegado aos perfis de Fernanda A. Silveira e Luis
Paulo Fraga.

Tal classificação, no entanto, não pode ser considerada absoluta e estanque, visto que os
perfis do Twitter podem se encaixar em mais de uma ou em nenhuma delas. É o caso, por
exemplo, das celebridades, dos pesquisadores e dos políticos, que não deixam de ser pessoas
comuns, por estarem nessas categorias.

Além disso, por se tratar de uma amostra intencional, não é possível se fazer a
generalização dos resultados, os quais, segundo Marconi e Lakatos (2006, p. 52), só têm
validade dentro de um contexto específico. Portanto, todas as afirmações e conclusões
apresentadas no decorrer do trabalho refletem apenas a realidade estudada a partir dos 14
perfis selecionados para análise e dos exemplos elencados a título de ilustração.

A coleta dos dados procedeu-se usando o aplicativo WebShot41, versão 1.7.1.1. Este
programa recebe como parâmetros o endereço eletrônico a se capturar, neste caso o endereço
dos perfis selecionados, e o diretório mais o nome que se deseja dar ao arquivo resultado da
captura. Passados os dois parâmetros o software acessa a Internet, percorre toda a página web
e salva um arquivo de imagem com extensão .jpg. Todas as imagens geradas foram salvas no
disco rígido do computador pessoal do autor deste trabalho.

Os perfis selecionados foram coletados usando tal procedimento no dia 14 de outubro


de 2009 entre as 13h03 e 13h10. As imagens resultantes dessa coleta estão presentes nos
Anexos do trabalho, ordenadas de A a N. A descrição desses perfis será realizada na subseção
5.2, na qual se procederá, também, a análise dos posts neles contidos.

A segunda fase desta ação pode ser considerada, portanto, de abordagem quantitativa,
pois traduz números em informações, através de instrumentos estatísticos (RAUPP; BEUREN
2006, p. 92), para posterior análise, e, do ponto de vista dos objetivos, como uma pesquisa

41
Disponível para download no endereço: <http://www.websitescreenshots.com/webshot.exe>. Acesso em: 12
out. 2009.
54

exploratória, pois, busca “conhecer com maior profundidade o assunto, de modo a torná-lo
mais claro ou construir questões importantes para a condução da pesquisa” (RAUPP;
BEUREN 2006, p. 80).

Dessa forma, a segunda ação desenvolvida no trabalho, assim como as pesquisas


desenvolvidas no GJOL, relatadas por Palacios (2007), pode ser considerada como sendo de
abordagem quali-quantitativa.

Na segunda ação utiliza-se, portanto, três métodos de pesquisa: a pesquisa bibliográfica,


já descrita, o estudo de caso e a análise de conteúdo.

Para Yin (apud Duarte, 2005, p. 216), o estudo de caso é “uma inquirição empírica que
investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira
entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência
são utilizadas”.

Já a análise de conteúdo, para Fonseca Júnior (2005, p. 280), “em concepção ampla, se
refere a um método das ciências humanas e sociais destinado à investigação de fenômenos
simbólicos por meio de várias técnicas de pesquisa”.

Visando atender o terceiro objetivo específico – estabelecer uma relação entre a cultura
contemporânea e a ferramenta de comunicação Twitter – a terceira ação desenvolvida consiste
em descrever o Twitter, relembrando os conceitos depreendidos nas pesquisas bibliográficas
realizadas anteriormente. A fim de comprovação e ilustração das afirmações contidas nesta
descrição buscaram-se no Twitter alguns exemplos.

Os exemplos foram obtidos navegando-se aleatoriamente no site e através do


mecanismo de busca do próprio Twitter42. Por não constarem nos Anexos, cada exemplo é
apresentado junto com o endereço no qual pode ser visualizado.

A pesquisa deste trabalho se divide, portanto, em três ações, uma para cada objetivo
específico, cada uma trazendo um resultado diferente, mas co-relacionados, os quais, juntos
buscarão alcançar o objetivo geral, que é: caracterizar o Twitter como uma ferramenta de
comunicação da Cibercultura, contextualizando-o na sociedade atual.

O Quadro 2 ilustra cada uma das ações, o objetivo a elas relacionado, uma breve
descrição e seus respectivos resultados no trabalho.

42
Cf.: <http://search.twitter.com/>.
55

Ação Objetivo Descrição Resultado


Descrever a sociedade Pesquisa bibliográfica
Ação 1 atual e as características sobre a sociedade e a Seção 2 e subseções. Revisão de
da Cibercultura. cultura contemporânea. Literatura
Ação 2 – Pesquisa bibliográfica Seção 3 e subseções.
Classificar o Twitter
Fase 1 sobre o Twitter. Subseção 5.1.
como uma ferramenta
Ação 2 – Descrição dos perfis e
de Comunicação. Subseção 5.2.
Fase 2 análise de conteúdo.
Descrição e
Estabelecer uma relação
Descrição do Twitter a Análise do
entre a cultura
partir das pesquisas Objeto
Ação 3 contemporânea e a Subseção 5.3.
bibliográficas feitas
ferramenta de
anteriormente.
comunicação Twitter.

Quadro 2 – Ações realizadas e resultados obtidos

Algumas limitações foram encontradas na realização do trabalho. Elas estão


relacionadas, principalmente, com curto espaço de tempo para desenvolvê-lo. Em decorrência
disso, houve também a impossibilidade de análise de mais perfis dessas ou de outras
categorias.

Alguns problemas encontrados com relação à análise dos perfis foram: a


impossibilidade de identificação da idade do autor do perfil; o fato de o Twitter não mostrar a
dada de criação dos perfis; a falta de um campo onde o autor pudesse adicionar um endereço
de e-mail para possível contato; e, principalmente, a impossibilidade de checagem das
informações constantes nos perfis.

Dessa forma, optou-se por escolher para análise perfis já citados em outras publicações
relacionadas ao Twitter, regra que não se aplica apenas aos perfis da categoria pessoas
comuns por terem sido escolhidas de forma aleatória navegando-se pelos perfis, e ao perfil do
Naturatins, órgão do governo tocantinense. Portanto, ficaram excluídos, propositalmente, da
análise os perfis identificados pelo autor como falsos (fakes) e os perfis voltados ao spam e a
pornografia.
56

5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO TWITTER

Realizada a revisão de literatura e apresentados os procedimentos metodológicos, serão


desenvolvidas nesta seção: uma descrição do Twitter, mostrando seu funcionamento; uma
análise dos perfis selecionados e dos posts neles contidos; e uma descrição do Twitter, com o
objetivo de relacioná-lo com o exposto na revisão da literatura.

5.1 Descrição do Twitter

Já é considerável o número de publicações relacionadas ao Twitter, desde guias de uso


(CARMONA, 2009; DICAS INFO, 2009; SPYER, 2009) até trabalhos acadêmicos
(CAMARGO, 2008; ZAGO 2008; ZAGO 2009). Apesar de se usar grande parte deste
material como base na construção desta seção, não se pretende fazer aqui uma descrição
exaustiva do Twitter, no entanto, se buscará apresentar as principais características do serviço.

O Twitter é um serviço de microblogging, disponível apenas em inglês e japonês, criado


em 2006 pela empresa Obvious. A proposta inicial do serviço era que as pessoas postassem o
que estavam fazendo, “What are you doing?” era a pergunta da página inicial (ver Figura 6).

Fonte: <http://twitter.com>. Acesso em: 25 jul. 2009.


Figura 6 – Página inicial antiga
57

Como visto na subseção 3.3, os microblogs começaram a ser usados para as mais
diversas finalidades, desde trivialidades até difusão de notícias. Da mesma forma, o Twitter
também passou a ser usado para atividades que vão além de responder a pergunta inicialmente
proposta. Percebendo isso, no dia 29 de julho de 2009, a empresa mudou o layout, a página
inicial e o seu mote, o qual passou a ser: “compartilhar e descobrir o que está acontecendo
agora mesmo, em qualquer lugar do mundo” 43 (ver Figura 7). O novo layout da página inicial
passou a ter, além dos botões para entrar e se cadastrar, uma relação dos tópicos mais
populares separados em minuto, dia e semana.

Fonte: <http://twitter.com>. Acesso em: 01 out. 2009.


Figura 7 – Nova página inicial

Uma das características mais marcantes do Twitter é o fato das suas atualizações (posts,
também chamadas de tweets) possuírem a limitação de 140 caracteres (ou toques). Apesar
disso, ele permite que as mensagens sejam enviadas da própria página do Twitter, de plugins
criados a partir da sua API, de comunicadores instantâneos (IM), e de celulares – via web ou
via mensagem de texto (SMS).

Além disso, todos os posts são indexados na base de dados em tempo real. Isso permite
que as pesquisas sejam feitas considerando-se conteúdos adicionados no momento da sua
realização.

Ao criar uma conta no Twitter é possível adicionar uma foto (avatar), um endereço

43
No original: Share and discover what’s happening right now, anywhere in the world.
58

eletrônico e uma pequena biografia. Essas informações, mais o nome da pessoa e o nome de
usuário (username), são os dados informados por padrão pelo Twitter.

Os usuários possuem, ainda, a opção de proteger suas atualizações (tweets). Dessa


forma, ao invés de serem publicados livremente na web, seus tweets ficam restritos às pessoas
que o usuário autorizar, os seus seguidores.

No Twitter a relação dos atores (usuários) acontece baseada na lógica do “siga-me”


(follow). Se o usuário A decidir seguir o usuário B, ele receberá em sua home os tweets de B.
Dessa forma, quanto mais pessoas A seguir, mais conteúdo ele receberá em sua página inicial.
Da mesma forma que A segue as pessoas que escolher (following), ele também pode ter
pessoas que o sigam (followers), uma delas pode ser ou não B.

Fonte: <http://twitter.com/home>. Acesso em: 01 out de 2009.


Figura 8 – Página inicial do usuário autor deste trabalho

A Figura 8 é um recorte da página inicial do perfil de usuário criado pelo autor deste
trabalho, nela é possível ver, na parte branca, abaixo da palavra “Home” os tweets dos perfis
seguidos e do próprio perfil. Além disso, é possível visualizar o número de perfis seguidos
(59 following), a quantidade de seguidores (57 followers) e o número de atualizações
realizadas até o momento (337 tweets).
59

Na Figura 8, é possível visualizar também a expressão “Direct Messages” que informa


quantas mensagens diretas (DM) o usuário tem (0). As mensagens diretas são privadas apenas
aos dois atores envolvidos (emissor e receptor), e para que se possa enviar uma mensagem
direta é necessário que ambos se sigam.

Além das “DMs”, existem outras expressões que foram convencionadas pelos usuários
do Twitter para padronizar suas conversas. O uso de uma @ (arroba) seguida do nome de um
usuário indica uma resposta ou uma referência a esse outro usuário. A @ é usada pelos
usuários para se manter conversas curtas, visto que para conversas mais longas existem
ferramentas mais eficientes como os Instant Messengers (IM).

Para manter uma coerência nas conversas, passou-se a usar o sinal # para indicar o tema
do post. Dessa forma, os usuários sabem, de maneira mais fácil, do que trata o texto da
atualização. A união do sinal # e uma expressão recebe o nome de hashtag. A Figura 9 ilustra
bem o uso de hashtags. A primeira, “#Rio2016”, refere-se à escolha do Brasil para sediar as
olimpíadas de 2016. Já a “#ForaSarney”, remete ao movimento criado na web para que o
presidente do Senado, José Sarney, renunciasse ao cargo.

Fonte: <http://twitter.com/jasper/status/4560945714>. Acesso em: 02 out. 2009.


Figura 9 – Uso do sinal "#" e do RT

Na Figura 9 está presente também outra prática bastante comum no Twitter: a citação
60
44
por meio da expressão “RT”, que significa “retuitar” , ou seja, republicar um post,
indicando-se sempre o autor.

Alguns posts possuem links para páginas externas e como a inserção deles usa o limite
de caracteres, é comum usar ferramentas de compactação de URLs45 par economizar espaço.
Essas URLs compactadas recebem o nome de microlinks.

Na Figura 8 é possível notar, ainda, a presença do “Trending Topics” (TT), um ranking


que lista os assuntos mais “tuitados” naquele momento. Na Figura 7, esses mesmos tópicos
estão disponíveis para quem entrar na página inicial. Nela é possível perceber a presença do
sinal # em “#shelooksgoodbut”, #helooksgoodbut e “#googlewave”.

A Figura 8 mostra parte da home do usuário logado no sistema. Já a Figura 10 mostra o


início da página de outro usuário, como ela aparece estando logado no sistema. Lembrando
que se a pessoa proteger seus tweets, eles não serão exibidos, a não ser para seus seguidores.
A Figura 11 mostra o fim da mesma página pública e a Figura 12 mostra como aparece uma
página cujo conteúdo foi protegido pelo proprietário do perfil.

Fonte: <http://twitter.com/andrelemos>. Acesso em: 02 out. 2009.


Figura 10 – Início de página pública

44
Em algumas publicações específicas sobre o Twitter, tais como Carmona (2009), o uso dos verbos tuitar e
retuitar é considerado comum. Entretanto, por se tratar de uma publicação científica, neste trabalho esses
verbos serão grafados entre aspas, por não serem de palavras de uso comum na língua portuguesa.
45
Cf. <http://migre.me/>.
61

Fonte: <http://twitter.com/andrelemos>. Acesso em: 02 out. 2009.


Figura 11 – Final de página pública

Fonte: <http://twitter.com/joaophillipe >. Acesso em: 02 out. 2009.


Figura 12 – Perfil bloqueado

A principal diferença entre a página inicial de um usuário logado no sistema e uma


página pública que ele esteja visitando é que no lugar do Trending Topics (TT) aparecem
algumas imagens de exibição (avatares) dos outros perfis que o perfil visitado segue.
62

Existem também alguns links na parte superior da Figura 10 e na parte inferior da


Figura 11, são eles:

a) home: leva o usuário a sua página inicial (como a mostrada na Figura 8);

b) profile: mostra ao usuário como é a visualização de seu perfil pessoal por outras
pessoas;

c) find people: ferramenta para localização de pessoas. A busca pode ser realizada
pelo nome da pessoa, ou ainda nos contatos de e-mail do GMail, Yahoo! e AOL;

d) settings: aponta para o local onde são feitas as configurações do perfil, como
imagem de exibição, a biografia, proteção de tweets, entre outras;

e) help: aponta para a página de suporte e ajuda do Twitter;

f) sign out: link para solicitar a saída do sistema (logout);

g) about us: aponta para uma página com informações referentes ao Twitter;

h) contact: remete à página com e-mails e endereço para entrar em contato com a
empresa;

i) blog: leva o usuário ao blog oficial do Twitter;

j) status: aponta para uma página com informações sobre a estabilidade ou


instabilidade do sistema;

k) goodies: mostra alguns dos plugins desenvolvidos para operar o Twitter;

l) API: aponta para página voltada aos desenvolvedores que desejam usar os dados
do Twitter para construir algum programa, plugin ou mashup.

m) business: página voltada ao uso do Twitter para os negócios;

n) help: aponta para a página de suporte e ajuda do Twitter (igual a alínea e);

o) jobs: página voltada aos interessados em trabalhar no Twitter;

p) terms: página que reúne os termos de uso do serviço;

q) privacy: página que reúne informações sobre privacidade no Twitter.

Como última característica marcante do Twitter, pode-se destacar o fato de o serviço


permitir o acesso a sua base de dados por meio da abertura de uma Interface de Programação
63

de Aplicativo (API). Essa abertura proporciona a criação de softwares e aplicativos (plugins e


mashups) voltados para facilitar a operação do serviço, ou mesmo para outros fins.

Como visto, o Twitter oferece várias possibilidades de uso. Entretanto, é preciso que
seja feita uma análise quantitativa a fim de investigar como se dão estes usos. Tal
investigação será realizada no próximo tópico.

5.2 O Twitter como Ferramenta de Comunicação

Descrito o Twitter, o próximo passo é investigar o seu uso como ferramenta de


comunicação. Dessa forma, serão apresentados os perfis selecionados seguidos de uma análise
destes e dos seus últimos vinte posts. A escolha das vinte últimas atualizações se deu porque
este é o número de posts que aparece por padrão no Twitter, quando uma página é visitada.

Como a justificativa para escolha dos perfis já foi apresentada na seção 4, destinada aos
procedimentos metodológicos, é preciso agora apresentar os perfis, classificar os posts e fazer
as análises. O Quadro 3 mostra a divisão das categorias e os perfis escolhidos para serem
analisados em cada uma delas e seus respectivos endereços no Twitter. Uma cópia de cada
perfil selecionado para análise está presente nos Anexos deste trabalho, portanto, todas as
informações relacionadas a tais perfis foram extraídas de lá.

Categoria Nome Endereço no Twitter ANEXO


(twitter.com/...)
Empresas de Folha de S. Paulo /folhadesp ANEXO A
comunicação Veja /veja ANEXO B
Lojas de Submarino /novo_submarino ANEXO C
comércio Camiseteria /camiseteria ANEXO D
eletrônico
Órgãos públicos Naturatins /naturatins ANEXO E
Ministério da Saúde /minsaude ANEXO F
Celebridades Luciano Huck /huckluciano ANEXO G
Mano Menezes /manomenezes ANEXO H
Pesquisadores André Lemos /andrelemos ANEXO I
Alex Primo /alexprimo ANEXO J
Políticos José Serra /joseserra_ ANEXO K
Aloizio Mercadante /mercadante ANEXO L
Pessoas Comuns Fernanda A. Silveira /fernandapsi ANEXO M
Luis Paulo Fraga /lpfraga ANEXO N

Quadro 3 – Categorias e endereços dos perfis escolhidos


64

O primeiro perfil da categoria empresas de comunicação escolhido foi o do jornal Folha


de S. Paulo (Anexo A). Os dados referentes ao perfil estão apresentados no Quadro 4. Já o
Quadro 5 apresenta dos dados do perfil da revista Veja, o segundo perfil escolhido na
categoria (Anexo B).

Nome: Folha de S. Paulo


Local: Brasil
Website: http://www.folha.com.br
Bio: Jornal Folha de S. Paulo
Seguindo: 50
Seguido por: 33.458
Atualizações: 11.635

Quadro 4 – Dados do perfil da Folha de S. Paulo

Nome: VEJA.com
Local: Brazil
Website: http://veja.abril.com.br
Bio: VEJA.com: Site da Revista VEJA - Notícias,
Reportagens exclusivas, Blogs, Vídeos e Acervo
Digital
Seguindo: 33.874
Seguido por: 80.578
Atualizações: 5.428

Quadro 5 – Dados do perfil da Veja

Da categoria lojas de comércio eletrônico foram escolhidos o perfil do site de compras


Submarino (Anexo C), cujos dados constam no Quadro 6, e da loja Camiseteria (Anexo D),
cujos dados estão no Quadro 7.

Nome: novo_submarino
Local: Brasil
Website: http://www.submarino.com.br
Bio: Twitter oficial do Submarino. Siga o
@novo_submarino e fique por dentro de todas as
novidades do site em 1ª mão!
Seguindo: 21
Seguido por: 36.089
Atualizações: 952

Quadro 6 – Dados do perfil do Submarino


65

Nome: Camiseteria.com
Local: Brasil
Website: http://camiseteria.com
Bio: Somo apaixonados por camisetas.
Seguindo: 22.082
Seguido por: 22.539
Atualizações: 3.879

Quadro 7 – Dados do perfil do Camiseteria

Os órgãos públicos estão representados no Quadro 8, no qual estão os dados referentes


ao perfil do Naturatins (Anexo E) e no Quadro 9, no qual estão os dados do perfil do
Ministério da Saúde (Anexo F).

Nome: Naturatins
Local: Palmas – Tocantins
Website: http://www.naturatins.to.gov.br
Bio: Naturatins - Instituto Natureza do Tocantins -
Assessoria de Comunicação
Seguindo: 25
Seguido por: 70
Atualizações: 198

Quadro 8 – Dados do perfil do Naturatins

Nome: Ministério da Saúde


Local: Brazil
Website: http://www.saude.gov.br
Bio: Perfil oficial do Ministério da Saúde do Brasil
Seguindo: 1.131
Seguido por: 5.184
Atualizações: 818

Quadro 9 – Dados do perfil do Ministério da Saúde

Das celebridades escolhidas, o perfil do apresentador Luciano Huck (Anexo G) tem


seus dados resumidos no Quadro 10, e o do técnico do Corinthians Mano Menezes (Anexo H)
no Quadro 11.

Os perfis dos pesquisadores selecionados foram: do professor André Lemos (Anexo I),
cujos dados estão discriminados no Quadro 12, e do professor Alex Primo (Anexo J), o qual
tem os dados representados no Quadro 13.
66

Nome: Luciano Huck


Local: Brasil
Website: http://www.globo.com/huck
Bio: apresentador de TV
Seguindo: 61
Seguido por: 1.171.605
Atualizações: 848

Quadro 10 – Dados do perfil de Luciano Huck

Nome: Mano Menezes


Local: São Paulo
Website: http://www.manomenezes.com.br
Bio:
Seguindo: 0
Seguido por: 1.070.315
Atualizações: 342

Quadro 11 – Dados do perfil de Mano Menezes

Nome: André Lemos


Local: iPhone: -12.976023,-38.461353
Website: http://andrelemos.info
Bio: Associate Professor, Facom/UFBA
Seguindo: 116
Seguido por: 2.382
Atualizações: 1.939

Quadro 12 – Dados do perfil de André Lemos

Nome: Alexprimo
Local: Porto Alegre
Website: http://alexprimo.com
Bio: Pesquisador de Cibercultura, professor e blogueiro.
Autor do livro Interação Mediada por Computador.
Escrevo sobre os aspectos sociais da tecnologia.
Seguindo: 3.378
Seguido por: 7.385
Atualizações: 1.571

Quadro 13 – Dados do perfil de Alex Primo

Os políticos escolhidos foram o governador de São Paulo, José Serra (Anexo K), que
tem os dados de seu perfil representados no Quadro 14, e do líder do governo no Senado,
Aloizio Mercadante (Anexo L), cujo perfil está representado no Quadro 15.
67

Nome: José Serra


Local: Brasil
Website: http://www.serraescreve.blogspot.com
Bio: Perfil de José Serra
Seguindo: 4.808
Seguido por: 113.571
Atualizações: 670

Quadro 14 – Dados do perfil de José Serra

Nome: Aloizio Mercadante


Atualizações: 509
Bio:
Local: São Paulo
Seguido por: 27.964
Seguindo: 46
Website: http://www.mercadante.com.br

Quadro 15 – Dados do perfil de Aloizio Mercadante

Os perfis que representam as pessoas comuns são o de Fernanda A. Silveira (Anexo M),
cujos dados estão representados no Quadro 16, e de Luis Paulo Fraga (Anexo N), cujos dados
constam no Quadro 17.

Nome: Fernanda A. Silveira


Local: Florianópolis-SC-Brazil
Website: http://massageandoocerebro.wordpress.com/
Bio: Fã da Madonna e Beatles, fã de FRIENDS, cantora e dançarina,
amante da música, de cinema, animais (especialmente gatos),
livros, fotos, moda, línguas, viagens
Seguindo: 1.227
Seguido por: 1.160
Atualizações: 13.209

Quadro 16 – Dados do perfil de Fernanda A. Silveira

Nome: Luis Paulo Fraga


Local: Rio de Janeiro, Brasil
Website: http://www.folha.com.br
Bio: Jornalista desde 2007. Advogado a partir de 2012. Carioca
desde 1984.
Seguindo: 93
Seguido por: 41
Atualizações: 166

Quadro 17 – Dados do perfil de Luis Paulo Fraga

Depois de apresentados os perfis, é possível perceber algumas características


importantes como as listadas a seguir.
68

O Quadro 18 mostra que, dos catorze perfis, apenas o perfil de Luis Paulo Fraga não
possui um endereço de site externo.

Perfil Endereço Eletrônico (Website)


Folha de S. Paulo http://www.folha.com.br
Veja http://veja.abril.com.br
Submarino http://www.submarino.com.br
Camiseteria http://camiseteria.com
Naturatins http://www.naturatins.to.gov.br
Ministério da Saúde http://www.saude.gov.br
Luciano Huck http://www.globo.com/huck
Mano Menezes http://www.manomenezes.com.br
André Lemos http://andrelemos.info
Alex Primo http://alexprimo.com
José Serra http://www.serraescreve.blogspot.com
Aloizio Mercadante http://www.mercadante.com.br
Fernanda Silveira http://massageandoocerebro.wordpress.com/
Luis Paulo Fraga -

Quadro 18 – Endereços eletrônicos por perfil

Como pode ser percebido, a maior parte dos perfis possui domínio próprio e dois deles
são hospedados em ferramentas de blog, ou blog/programa, (José Serra e Fernanda Silveira).
Enquanto os domínios próprios são pagos, geralmente a uma empresa gestora de registros
web, a maioria dos blogs é gratuita.

Quanto ao final dos endereços, o domínio .info é voltado para sites informativos; .com é
um domínio usado para fins comerciais, hierarquicamente acima daqueles que possuem
continuação como os .com.br, que são comerciais no Brasil. Um domínio .com.pt, por
exemplo, remete a sites comerciais de Portugal. Já os domínios .gov são para órgãos do
governo. Dessa forma, os domínios .gov.br são para órgãos do governo brasileiro e .to.gov.br
para órgãos do governo do estado do Tocantins.

Já o uso das iniciais www é comumente omitido pelos sites devido a evolução dos
browsers e o aumento da capacidade dos servidores DNS, os quais, como visto na subseção
3.1, são os responsáveis por controlar os nomes dos computadores numa rede.

Com relação a quantidade de atualizações (tweets), o Quadro 19 aponta que, depois do


69

perfil de Fernanda Silveira, os que mais fizeram atualizações foram os das empresas de
comunicação.

Perfil Quantidade de Atualizações (Tweets)


Folha de S. Paulo 11.635
Veja 5.428
Submarino 952
Camiseteria 3.879
Naturatins 198
Ministério da Saúde 818
Luciano Huck 848
Mano Menezes 342
André Lemos 1.939
Alex Primo 1.571
José Serra 670
Aloizio Mercadante 509
Fernanda Silveira 13.209
Luis Paulo Fraga 166

Quadro 19 – Quantidade de atualizações por perfil

O Twitter não informa desde quando um perfil existe, portanto não foi possível calcular
uma média de atualizações por dia. No entanto, pode-se perceber que apenas quatro perfis
possuem mais de duas mil atualizações, e que oito deles não postaram sequer mil tweets, o
que mostra que o uso do Twitter ainda é incipiente, mesmo para Mano Menezes, o segundo
perfil mais seguido que possui apenas 342 atualizações.

Se comparados em suas próprias categorias, os perfis possuem uma grande divergência


na quantidade de atualizações. Sem levar em consideração a data da criação, apenas o número
total de tweets, percebe-se que a categoria dos pesquisadores é na qual o número de
atualizações mais se aproxima.

A diferença entre as empresas de comunicação pode ser explicada levando-se em


consideração que a Folha de S. Paulo, por ser uma publicação diária, produz mais conteúdo
do que a revista Veja, que é semanal.

Já entre as empresas de comércio eletrônico, esperava-se que o perfil do submarino


possuísse mais atualizações do que o do Camiseteria, por ser uma empresa bem maior e mais
70

conhecida. Entretanto, é preciso observar que enquanto o segundo usa o Twitter para
intermediar o contato com seus clientes, o primeiro possui outros canais de comunicação,
como o atendimento online, por e-mail e por contato telefônico, deixando o Twitter para
divulgação.

Entre os órgãos governamentais, o que explica a variação entre os números de tweets é o


tamanho e a abrangência deles. O Naturatins é um órgão do governo estadual do Tocantins e o
Ministério da Saúde do Governo Federal. Além disso, é preciso considerar os casos da
Influenza A (H1N1) que, como apresentado na seção 4, podem ter fomentado a divulgação de
posts informativos aos brasileiros por parte dos órgãos governamentais, principalmente os
ligados à saúde pública.

Dentre as celebridades, o perfil do apresentador Luciano Huck apresenta mais


atualizações do que do técnico do Corinthians, Mano Menezes. Pode ser que tal diferença se
dê porque o apresentador divulga seu Twitter em seu programa na Rede Globo, convidando
seus telespectadores para seguirem-no e sorteando brindes entre seus seguidores. Mano
Menezes, no entanto, tem o perfil atualizado por sua filha e assessora de imprensa Camilla
Menezes que disse em entrevista46 que conversa com o pai e ele diz o que quer falar no
Twitter.

Entre os perfis da categoria políticos, José Serra possui mais atualizações que Aloizio
Mercadante, dado que pode ser explicado levando-se em consideração que o governador de
São Paulo possui um blog e o divulga em seu perfil no Twitter. É natural, portanto, que um
blogueiro tenha mais tweets que alguém que não seja.

Já na categoria dos que representam as pessoas comuns, Fernanda Silveira possui um


número muito maior de tweets que Luis Paulo Fraga (13.209 contra 166). Tal diferença só
pode ser explicada por dois fatores: o primeiro é o fato de ela, assim como José Serra, ser
blogueira; segundo devido ao tempo de existência do perfil, informação esta que não pode ser
comprovada através do Twitter.

Importante considerar que, nos tweets coletados para análise, da mesma forma que ela
publicou onze textos no dia nove de outubro, ele publicou onze no dia da coleta, 14 de
outubro (ver Anexos M e N), o que demonstra que ambos fazem uso do Twitter com
praticamente a mesma frequência.

O Quadro 20 relaciona as empresas selecionadas, tanto de comunicação quanto de

46
Cf.: LEAL, 2009.
71

comércio eletrônico. Nele é possível notar que o perfil do Camiseteria é o que apresenta uma
quantidade mais equilibrada entre seguidos e seguidores.

Perfil Seguindo (Following) Seguidores (Followers)


Folha de S. Paulo 50 33.458
Veja 33.874 80.578
Submarino 21 36.089
Camiseteria 22.082 22.539

Quadro 20 – Seguindo X seguidores por perfil empresarial

O perfil da Folha de S. Paulo segue, em sua maioria, empresa de comunicação. O da


revista Veja segue pessoas comuns, entretanto, considerando-se que ela é a revista com maior
número de assinantes do país, entende-se que tal número (33.874) deveria ser maior. O
Submarino segue apenas 21 perfis, geralmente de empresas. O perfil do Camiseteria, ao
contrário dos demais, segue, na maioria, pessoas comuns, clientes em potencial. Tal
observação demonstra que o Camiseteria é a empresa que mais preza pela comunicação direta
via Twitter, pois, como visto na subseção 5.1, as mensagens diretas (DMs) só podem
acontecer quando ambos, emissor e receptor, se seguem.

O Quadro 21 mostra os perfis que acumulam mais seguidores. O que possui maior
número de seguidores é o do apresentador Luciano Huck (1.171.605), seguido do perfil de
Mano Menezes que tem 1.070.315 seguidores. Contudo, apesar de terem os perfil mais
seguidos, Luciano Huck segue apenas 61 perfis, enquanto Mano Menezes não segue nenhum.
Isso mostra que seguir muitos perfis não é um pressuposto para ter vários seguidores. Mostra,
também, que nem todos no Twitter retribuem o follow47.

Perfil Seguindo (Following) Seguidores (Followers)


Luciano Huck 61 1.171.605
Mano Menezes 0 1.070.315

Quadro 21 – Perfis mais seguidos

A relação entre número de seguidores e quantidade de atualizações está representada no


47
Em geral, nas redes sociais, as pessoas se relacionam entre si (webrings), portanto, é comum um usuário passar
a seguir seus seguidores, assim como acontece com os amigos do Orkut e os DJs do Blip.fm.
72

Quadro 22. Ele mostra que, assim como seguir muitos perfis não é um pressuposto para
aumentar o número de seguidores, fazer várias atualizações também não é. Pelo contrário, um
elevado número de atualizações diárias pode fazer com que os seguidores parem de seguir
dada a grande quantidade de informação que chega.

Um exemplo que ilustra essa afirmação é que enquanto José Serra fez 670 atualizações
e possui 113.571 seguidores, Fernanda Silveira fez 13.209 atualizações e tem 1.160
seguidores. O mesmo pode ser percebido entre os perfis dos pesquisadores: Alex Primo fez
1.571 atualizações e tem 7.385 seguidores, enquanto André Lemos postou 1.939 vezes e
possui 2.382 seguidores. Pode ser isso, também, que explique o fato de o perfil da Veja, com
5.428 tweets, possuir mais seguidores (80.578) do que o da Folha de S. Paulo (33.458) que fez
11.635 atualizações.

Perfil Seguidores (Followers) Atualizações (Tweets)


Folha de S. Paulo 33.458 11.635
Veja 80.578 5.428
Submarino 36.089 952
Camiseteria 22.539 3.879
Naturatins 70 198
Ministério da Saúde 5.184 818
Luciano Huck 1.171.605 848
Mano Menezes 1.170.315 342
André Lemos 2.382 1.939
Alex Primo 7.385 1.571
José Serra 113.571 670
Aloizio Mercadante 27.964 509
Fernanda Silveira 1.160 13.209
Luis Paulo Fraga 41 166

Quadro 22 – Seguidores X Atualizações

A relação entre seguindo e seguidores é bastante variável na maioria dos perfis (ver
Quadro 23).

Apenas as pessoas comuns seguem mais perfis do que são seguidas, o que reforça a
classificação dos mesmos como pessoas comuns e não celebridades, ao passo que todos os
outros perfis possuem mais seguidores do que o número de seguindo. Em alguns a diferença
73

não é tão grande como o do Camiseteria onde a diferença é de pouco mais de 2%. Ao
contrário de outros como os da categoria celebridades, onde a média dos dois perfis é de
1.170.960 de seguidores para cada 30,5 perfis seguidos.

Importante ressaltar que enquanto o perfil do técnico Mano Menezes não segue nenhum
outro perfil, o do apresentador Luciano Huck segue, principalmente, outros famosos como o
piloto Rubens Barrichello48, o apresentador e blogueiro Marcelo Tas49 e sua esposa, a
apresentadora Angélica Huck50.

Perfil Seguindo (Following) Seguidores (Followers)


Folha de S. Paulo 50 33.458
Veja 33.874 80.578
Submarino 21 36.089
Camiseteria 22.082 22.539
Naturatins 25 70
Ministério da Saúde 1.131 5.184
Luciano Huck 61 1.171.605
Mano Menezes 0 1.170.315
André Lemos 116 2.382
Alex Primo 3.378 7.385
José Serra 4.808 113.571
Aloizio Mercadante 46 27.964
Fernanda Silveira 1.227 1.160
Luis Paulo Fraga 93 41

Quadro 23 – Seguindo X Seguidores por perfil

Em suma, a análise dos perfis mostrou que:

a) a maioria deles possui um site externo, geralmente um domínio próprio;

b) depois do perfil de Fernanda A. Silveira, os perfis das empresas de comunicação


são os que possuem maior número de tweets;

c) se comparados em suas categorias os perfis mostram um número muito diferente


de tweets;

48
Cf.: <http://twitter.com/rubarrichello>.
49
Cf.: <http://twitter.com/marcelotas>.
50
Cf.: <http://twitter.com/angelicaksy>.
74

d) dentre as empresas, tanto de comunicação quanto de e-commerce, o perfil do


Camiseteria é o que apresenta maior proximidade entre o número de followers e
following, o que mostra a preocupação da empresa em manter contato com seus
possíveis clientes;

e) apesar de terem os perfis mais seguidos, as celebridades seguem poucos perfis, o


que demonstra que não é preciso seguir muitos perfis para ter muitos seguidores;

f) fazer muitas atualizações não trazem necessariamente muitos seguidores;

g) a relação entre followers e following é bastante variável, o que deixa claro que
nem todos no Twitter retribuem e follow.

Apresentados os perfis e realizados os apontamentos com base em tal apresentação, o


próximo passo é a análise dos posts com o objetivo de verificar como acontece a comunicação
nesses perfis. Todas as atualizações estão relacionadas nos Anexos de A a N. Eles foram
coletadas no dia 14 de outubro de 2009 e classificadas da seguinte maneira:

a) texto original: para as publicações de textos livres, como nos blogs, não
direcionados e nem fazendo referência a nenhum perfil. As atualizações feitas
por mecanismos automáticos de publicação de RSS serão consideradas em outra
categoria;

b) resposta ou referência: O uso da arroba (@) seguida de um nome de usuário


significa uma reposta a este usuário ou uma referência a ele. Essa classificação é
importante para se medir o nível de comunicação direta existente no Twitter,
excluindo-se aqui as DMs por serem privadas;

c) RT: a prática de “retuitar” um post é exercida quando um usuário recebe uma


mensagem que julga importante e republica para que seus seguidores também a
leiam. O índice de republicação de posts pode, dessa forma, mostrar quanto uma
mensagem se espalha no Twitter;

d) feed: entram aqui as atualizações feitas por mecanismos automáticos de


publicação de RSS excluídos na primeira classificação.

A Tabela 1 apresenta o resumo da classificação dos posts.


75

Tabela 1 – Resumo da tabulação dos posts


Perfis Texto original Resposta ou RT Feed Total
Referência
Folha de S. Paulo 0 0 0 20 20
Veja 0 1 0 19 20
Submarino 19 0 1 0 20
Camiseteria 6 12 2 0 20
Naturatins 20 0 0 0 20
Ministério da Saúde 15 5 0 0 20
Luciano Huck 13 7 0 0 20
Mano Menezes 16 4 0 0 20
André Lemos 17 0 3 0 20
Alex Primo 11 4 5 0 20
José Serra 15 5 0 0 20
Aloizio Mercadante 19 1 0 0 20
Fernanda Silveira 10 9 1 0 20
Luis Paulo Fraga 16 4 0 0 20
Totais 177 52 12 39 280

Analisando a Tabela 1 é possível perceber que 177 dos 280 do total de tweets (63,21%)
se classificam como texto original, o que remete o Twitter a sua classificação como
microblog, uma variação dos blogs, que como visto na subseção 3.2, são espaços livres para
publicação.

Outro dado importante se evidencia com relação às empresas. Enquanto as de


comunicação publicaram 39 dos 40 posts (97,5%) através de mecanismos automáticos de
divulgação de RSS (ver Exemplo 1), as empresas de comércio eletrônico não usaram tais
mecanismos (ver Exemplo 2). Isso demonstra que as empresas e-commerce usam mais o
Twitter que as empresas de comunicação, de onde se pode induzir que aquelas estão mais
preparadas para práticas de comunicação online do que estas.
76

Exemplo 1 – Uso de mecanismo automático de feeds RSS

Exemplo 2 – Post sem usar mecanismo de RSS

Além disso, 60% dos posts do Camiseteria foram classificados como repostas ou
referências (ver Exemplo 3), o que demonstra que a loja está sempre em contato com seus
seguidores, possivelmente clientes e fornecedores.

Exemplo 3 – Tweet com resposta para clientes

Todas as atualizações feitas no perfil do Naturatins foram classificadas como diretas


(ver Exemplo 4), enquanto o Ministério da Saúde teve cinco respostas ou referências (ver
Exemplo 5). Pode-se perceber, portanto, que o órgão do governo federal se comunica com
77

seus seguidores com mais frequência do que o primeiro, que faz apenas divulgação de
conteúdo. O Exemplo 5 mostra uma resposta do Ministério da Saúde para o perfil
@CintiaDR.

Exemplo 4 – Divulgação no perfil do Naturatins

Exemplo 5 – Resposta do Ministério da Saúde

Apesar de possuírem os mais elevados números de seguidores, as atualizações dos


perfis de Luciano Huck e de Mano Menezes classificadas como resposta ou referência
representam apenas 35% e 20% do total de cada um, respectivamente (ver Exemplo 6).

Exemplo 6 – Referência de Mano Menezes ao perfil @brunodaniel0

Dentre as doze atualizações classificadas como RTs, oito foram feitas pelos
pesquisadores, o que mostra que eles são os que republicam mais posts, divulgando, dessa
forma, informações que julguem interessantes ou importantes. O Exemplo 7 traz um “retuite”
de Alex Primo feito a partir de uma atualização do perfil @blogdavanessa.
78

Exemplo 7 – RT de Alex Primo

Dos vinte tweets de André Lemos nenhum foi uma resposta ou referência a outro perfil
(ver Exemplo 8 e Anexo I). Já Alex Primo, ao contrário, contabilizou quatro atualizações
desse tipo, como mostra o Exemplo 9. Pode-se perceber, portanto, que o segundo pesquisador
se comunica publicamente mais com seus seguidores do que o primeiro.

Exemplo 8 – Publicação direta de André Lemos

Exemplo 9 – Resposta de Alex Primo

Essa mesma conclusão pode ser tomada com relação aos políticos, visto que enquanto o
perfil de José Serra traz cinco respostas ou referências como a ilustrada pelo Exemplo 10, o
perfil de Aloizio Mercadante traz apenas uma que pode ser vista no Exemplo 11.

Exemplo 10 – Uma das referências de José Serra


79

Exemplo 11 – Única referência de Aloizio Mercadante

Essa diferença é ainda mais perceptível na categoria das pessoas comuns, na qual Luis
Paulo Fraga teve apenas quatro (20%), enquanto Fernanda Silveira teve nove respostas ou
referências (45% dos 20 posts), inclusive uma sequência de posts com @ ilustrada no
Exemplo 12.

Exemplo 12 – Posts de Fernanda Silveira

A análise dos tweets trouxe como principais constatações:

a) 63,21% dos posts foram classificados como publicações livres;

b) 39 dos 40 tweets das empresas de comunicação foram classificados como feeds;

c) as empresas de e-commerce usam mais o Twitter que as empresas de


comunicação;
80

d) o perfil da loja Camiseteria teve 60% dos seus posts classificados como resposta
ou referência a outros perfis;

e) dentre os órgãos públicos, o Ministério da Saúde contabilizou 5 respostas,


enquanto o Naturatins não contabilizou nenhuma;

f) apesar de possuírem um grande número de seguidores, as celebridades trocam


poucas mensagens;

g) dos 12 posts classificados com RT, oito foram dos pesquisadores;

h) entre os pesquisadores, Alex Primo teve quatro tweets classificados como


respostas ou referências, enquanto André Lemos não teve nenhum;

i) entre os políticos, cinco do 20 posts de José Serra foram classificados como


resposta ou referência, enquanto apenas um de Aloizio Mercadante recebeu tal
classificação;

j) a diferença mais notória entre o número de tweets classificados como respostas


ou referências está na categoria das pessoas comuns, na qual Fernanda Silveira
teve nove e Luis Paulo Fraga apenas quatro.

Como visto, o Twitter é mais comumente usado como espaço para publicação de textos
livres, não direcionados a alguém em específico. Entretanto é possível notar alguns desvios
que mostram outros tipos de uso, como no caso das empresas de comunicação usá-lo como
ferramenta de divulgação de feeds, e dos pesquisadores que o utilizam também para
republicar informações que julguem interessantes.

O Twitter se apresenta também como espaço para as celebridades afirmarem sua fama;
para as empresas manterem contato com seus clientes e fornecedores; para os políticos
conversarem com seus eleitores; para os órgãos públicos publicarem informações aos
cidadãos e para as pessoas comuns se manterem em contato com todo esse universo de
informação.

Dessa forma, o Twitter pode ser caracterizado, não só como uma ferramenta de
publicação de pequenos textos, mas como uma ferramenta de comunicação direta e indireta.
Entretanto, como o objetivo deste trabalho caracterizá-lo como uma ferramenta de
comunicação da cibercultura, é preciso traçar uma relação entre o referido objeto e a teoria em
questão.
81

5.3 A Relação entre o Twitter e a Cibercultura

Depois de realizada a descrição do Twitter e sua definição como uma ferramenta de


comunicação, é possível cumprir outro objetivo do trabalho, qual seja, estabelecer uma
relação entre o microblog e a cibercultura. Para tanto será traçada aqui uma descrição do
Twitter, levando-se em consideração conceitos apresentados na revisão bibliográfica.

Pode-se observar o Twitter como uma representação atual da alta tecnologia, tendo em
vista que o serviço é relativamente novo (2006) e sofreu adequações recentes (julho de 2009).
Ele pode ser também percebido como um componente que ajuda na criação do simulacro,
primeiro por fazer parte do ciberespaço, depois porque seus usuários constroem seus perfis
da maneira que desejam ser vistos.

Por proporcionar a busca de conteúdo por assunto (usando-se ou não o sinal #) em


tempo real, o Twitter facilita a existência de manifestações do neotribalismo. Um usuário
pode, ao fazer uma busca sobre um tema que o interesse, encontrar pessoas que também se
interessam por aquele tema e passar a segui-las. Como as uniões neotribais são efêmeras, é
comum que este usuário deixe de seguir pessoas com as quais não tenha mais afinidades.

Outra expressão do neotribalismo está relacionada com a hashtag #FollowFriday, a qual


é usada às sextas-feiras para indicar pessoas a serem seguidas. No Exemplo 13, o post de
Marie Curran indica outros dez perfis para seus seguidores também seguirem.

No Twitter, também há espaço para empresas e lojas de e-commerce. Uma prática


comum entre elas é oferecer descontos aos seus seguidores, estimulando dessa forma o
consumismo e fomentando práticas hedonistas. O Exemplo 14 mostra uma promoção do site
Camiseteria que, no dia das crianças, ofereceu desconto de 10% mais frete grátis.

Tendo em mente o novo paradigma sob o qual se desenvolve sociedade


informacional, pode-se destacar que a informação é a matéria-prima no Twitter, além
disso, ela é integrante de toda a atividade possível de se realizar no microblog (post,
resposta, mensagem direta, RT). O microblog obedece, ainda, a lógica em rede manifestada
na criação de círculos de seguidores (formando webrings) e no próprio suporte do serviço, a
web. Até na quinta característica do novo paradigma o Twitter encontra ligação: a
convergência tecnológica se manifesta no serviço ao unir tecnologias como informática
82

(web) e telecomunicações (SMS).

Fonte: <http://twitter.com/MarieCurran/statuses/5271370634>. Acesso em: 29 out. 2009.


Exemplo 13 – Follow Friday

Fonte: <http://twitter.com/Camiseteria/status/4808682822>. Acesso em: 29 out. 2009.


Exemplo 14 – Promoção no Twitter

Para classificar o Twitter na cibercultura, basta perceber que ele reúne características
da terceira fase de desenvolvimento apontada por Lemos (2004), tanto com relação à
83

comunicação e à informação digitais, quanto à ubiquidade manifestada mais uma vez pela
capacidade de realizar atualizações de qualquer lugar, inclusive de fora da web (SMS). O
Exemplo 15 traz um post feito pelo celular através de mensagem SMS usando o serviço
SMS2Blog51.

Fonte: <http://twitter.com/gaabimonteiro/statuses/5270891440>. Acesso em: 29 out. 2009.


Exemplo 15 – Atualização pelo celular

Com relação ao conceito de cibercidades, pode-se destacar a apropriação do Twitter


por parte dos órgãos públicos, inclusive algumas prefeituras, como a Prefeitura de São Paulo52
(ver Exemplo 16). A abertura de uma conta no Twitter representando uma organização
pública pode servir tanto para divulgação de material informativo (assessoria de
comunicação), como também para estimular a participação pública, fomentando, assim, o
debate.

Quanto às manifestações da política na cibercultura, apesar da impossibilidade de


controle e perseguição, ainda assim é possível que haja o monitoramento dos posts por algum
indivíduo mal intencionado, afinal as pessoas podem escrever o que quiser e algumas
publicam intimidades sobre sua vida particular.

O ciberativismo também não está excluso do Twitter. Para cada movimento, em geral,
é atribuída uma hashtag, presente em todos os posts relacionados ao movimento. Foi assim no
caso do movimento relacionado às eleições no Irã (#iranelections53) e também no movimento

51
Cf.: <sms.blog.br>.
52
Cf. <http://twitter.com/prefeituraSP>.
53
Cf. <http://search.twitter.com/search?q=%23iranelection>.
84

#ForaSarney54. O Exemplo 17 traz um tweet referente ao movimento #ForaSarney.

Fonte: <http://twitter.com/prefeituraSP/status/5271790113>. Acesso em: 29 out. 2009.


Exemplo 16 – Tweet feito pelo perfil da Prefeitura de São Paulo

Fonte: <http://twitter.com/renan_heineken/statuses/5271258439>. Acesso em: 29 out. 2009.


Exemplo 17 – Tweet com a hashtag #ForaSarney

Seguindo a tendência do copyleft e da creative commons, o Twitter é um serviço


gratuito. Entretanto, a principal contribuição para a possibilidade de disseminação do serviço
está no fato de a empresa abrir sua base de dados através da Interface de Programação de

54
Cf. <http://search.twitter.com/search?q=%23forasarney>.
85

Aplicativo (API).

Alguns problemas podem ser encontrados no Twitter, como a dependência, e a


vigilância. Mas dois são os mais recorrentes: a sobrecarga cognitiva e as informações
duvidosas. A sobrecarga pode acontecer ao se seguir um número muito grande de pessoas,
despendendo-se assim muito tempo para ler todas as atualizações. As informações duvidosas
estão presentes, principalmente porque não há como saber para onde aponta um microlink
postado. O Exemplo 18 mostra um desses microlinks.

Fonte: <http://twitter.com/raquelrecuero/status/5270417571>. Acesso em: 29 out. 2009.


Exemplo 18 – Post com microlink

Relembrando as três leis da cibercultura, pode-se notar a liberação do pólo de


emissão nos blogs em geral e, consequentemente, no Twitter. O princípio em rede e a
conexão generalizada exprimem-se na hospedagem do serviço na web e na possibilidade de
fazer atualizações de qualquer lugar, via aplicativos móveis e mensagens de texto (SMS). Já a
reconfiguração cultural pode ser notada no número de adeptos ao microblog e a presença de
empresas e organizações públicas e, principalmente, na apropriação do serviço por parte das
empresas de comunicação.

O Twitter pode ser, portanto, considerado uma ferramenta típica da cibercultura, visto
que reúne em um único serviço várias características inerentes à cultura contemporânea.
86

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante da presente evolução tecnológica, na qual a humanidade passa a viver sob um


novo paradigma, pode-se notar que as novas criações estão cada vez mais presentes no
cotidiano das pessoas, modificando a sociedade não só no aspecto econômico, mas também
no científico, educacional e, principalmente, cultural. A cultura, nessa “nova” sociedade passa
a ser denominada cibercultura.

A cibercultura nasce da evolução da informática e das telecomunicações a partir da


década de 1970 e é resumida em suas três leis: a liberação do pólo de emissão; o princípio da
conexão generalizada; e a reconfiguração cultural.

Um dos resultados dessa evolução é a Internet. Dela surgem várias outras invenções que
causam impactos na lógica da sociedade. Como o caso das lojas de comércio eletrônico, que
modificaram o comércio, ou ainda do e-mail, ferramenta que causou grandes mudanças,
principalmente no uso dos correios.

Outra novidade causadora de mudanças, dessa vez no campo da comunicação, são os


blogs. Eles são, em suma, espaços para se publicar o que quiser, e, por isso, acabaram também
afetando as empresas de comunicação. Os microblogs são uma variação “limitada” dos blogs
e dentre eles o mais usado atualmente é o Twitter, objeto de estudo deste trabalho.

O Twitter foi criado em 2006 e tem como principal característica a limitação de 140
caracteres por post (tweet). O serviço vem sendo atualizado e melhorado, principalmente em
2009, ano no qual ele sofreu alterações no layout e adicionou a opção de idioma em espanhol,
além de inglês e japonês que já estavam disponíveis.

A relação dos usuários do Twitter acontece seguindo a lógica do siga-me. Um usuário


que deseja saber o que outro escreve começa a segui-lo e recebe as mensagens dele em sua
página inicial. No Twitter não há a obrigatoriedade de seguir de volta seus seguidores.

A proposta inicial do Twitter era que os usuários escrevessem o que estavam fazendo,
dessa forma, seus seguidores saberiam essas informações sem precisar telefonar ou mandar e-
mails uns para os outros. Entretanto, as pessoas começaram a publicar muito mais do isso.
Tweets contendo dicas de leitura, serviços (previsão do tempo e tráfego), noticias, são cada
vez mais comuns.

Com a intenção de investigar o Twitter e as formas de publicação nele existentes, surge


87

o problema norteador deste trabalho: “o microblog Twitter pode ser caracterizado como uma
ferramenta de comunicação da Cibercultura?”. Dessa forma, tem-se o objetivo deste trabalho
que é: caracterizar o Twitter como uma ferramenta de comunicação da Cibercultura,
contextualizando-o na sociedade atual.

Para alcançar tal objetivo procedeu-se a realização de algumas ações. Primeiramente foi
realizada uma pesquisa bibliográfica a fim de descrever a sociedade atual. O resultado dessa
pesquisa começa mostrando a transição do modernismo para o pós-modernismo; passa para a
descrição da sociedade informacional; e termina com uma breve visão sobre a cibercultura.

Em seguida, outra pesquisa bibliográfica ajudou a reunir conhecimento para a descrição


do Twitter e posterior análise de perfis e posts selecionados. Nessa pesquisa foram tratados
temas como o ciberespaço, os blogs e os microblogs.

Passou-se então para apresentação dos procedimentos metodológicos utilizados na


realização do trabalho.

A última seção foi dividida em três partes. Na primeira delas realizou-se uma descrição
do Twitter. Na segunda procedeu-se a análise de 14 perfis escolhidos intencionalmente e dos
últimos 20 posts neles contidos. Por último, foi realizada uma descrição do Twitter tendo
como base os conceitos depreendidos da revisão bibliográfica.

Dos resultados obtidos na análise dos posts, destaca-se o fato do Twitter ser usado,
primordialmente, como espaço de publicação de texto livre, assim como ocorre nos blogs.
Entretanto, há também o uso como ferramenta de comunicação direta entre perfis, e a
republicação de informações (RTs).

Destaca-se, também, que as empresas de comunicação selecionadas para análise usam o


Twitter mais como forma de divulgação de feeds de RSS do que para publicação de textos
originais, ou contato com clientes, como acontece com as empresas de comércio eletrônico.

Na relação entre o Twitter e a Cibercultura, percebeu-se que o microblog possui várias


características inerentes não só a sociedade atual, mas, principalmente, a cultura nela presente.
Não só o hedonismo e consumismo, mas também a ubiquidade, o ciberativismo e, da mesma,
forma, os problemas são algumas características da sociedade e da cultura contemporânea no
Twitter.

Dessa forma, pode-se afirmar que a hipótese inicial, de que o Twitter reúne
características que fazem dele uma ferramenta de comunicação típica da Cibercultura, foi
88

confirmada.

O trabalho, no entanto, não se esgota em tal constatação. No decorrer da pesquisa,


outras possibilidades de investigação envolvendo o Twitter surgiram. Uma delas é o estudo da
concepção do Twitter como novo espaço público, ou ainda como se dará a utilização dele por
parte dos políticos nas próximas eleições. No campo da Comunicação Organizacional, pode-
se explorar o uso do Twitter para a promoção da imagem institucional. Outro estudo pode ser
elaborado sobre a difusão de informações pelo Twitter através dos “retuites”.

Espera-se, portanto, que este trabalho possa servir de base para outros estudos mais
aprofundados, fomentando, dessa forma, a produção científica.
89

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Jornalismo), Universidade Católica da Pelotas, 2008.
94

GLOSSÁRIO

API – Sigla em inglês para Application Programming Interface (Interface de Programação de


Aplicativos). Conjunto de ferramentas e padrões estabelecidos para se ter acesso as
funcionalidades de um software.

Audioblog – Formato de blog no qual predominam posts em forma de áudio. Ver Podcast.

Blawg – Blog cujo tema se baseia em Direito, legislação e leis (law, em inglês).

Blip.fm – Rede social musical onde os atores interagem e escolhem músicas para ouvirem e
divulgarem entre seus contatos, como se fossem DJs.

Blog – Formato caracterizado pela publicação de conteúdo livre postagem, geralmente,


dispostas em ordem cronológica inversa.

Blogosfera – Termo que engloba todos os blogs, blogueiros e suas respectivas interconexões.

Blogroll – Lista de blogs recomendados pelo autor de um determinado blog.

Blogueiro – Indivíduo que possui e mantém um blog.

Browser – Software para navegar na Web.

Celeblog – Blog voltado às celebridades.

Copyleft – Termo cunhado para fazer oposição ao Copyright. Essa tendência vai contra as
práticas capitalistas e pagamento de royalties.

Creative Commons – Sistema construído para possibilitar o compartilhamento de obras. Para


mais informações visitar o site <http://www.creativecommons.org.br>.

DNS – Sigla em inglês para Domain Name System (Servidor de Nomes de Domínios).
Sistema que gerencia e resolve nomes em endereços de rede.

e-book – Formato de publicação de documento eletrônico, geralmente livros.

Feed – Arquivo que “alimenta” (feed, em inglês) leitores de RSS.

Flogs – Ver Fotolog.

Fotolog – Formato de blog em que predominam posts na forma de imagens ou fotografias.

GPL – Sigla em inglês para General Public License (Licença Pública Geral). Designação das
licenças utilizadas em softwares livres.

Hacking – Técnicas e ferramentas utilizadas por indivíduos (hackers) para explorar e


modificar conteúdo de software e hardware.

Hashtag – Tag do Twitter. Precedida pelo símbolo # (hash, em inglês).


95

HTML – Sigla em inglês para HyperText Markup Language (Linguagem de Marcação de


Hipertexto). Linguagem padrão utilizada para escrever páginas para a web.

HTTP – Sigla em inglês para HyperText Transfer Protocol (Protocolo de Transferência de


Hipertexto). Protocolo padrão que permite a troca de informações entre servidores e browsers.

IM – Sigla em inglês para Instant Messenger. Software utilizado para se manter conversas
através da Internet, como o MSN Messenger e o GTalk, por exemplo.

Klog – Abreviação de Knowledge-log. Nome dado aos blogs utilizados para o


compartilhamento de conhecimento (knowledge, em inglês).

Layout – Distribuição de elementos gráficos, imagens e texto, em um determinado espaço.


No contexto deste trabalho, em uma página web.

Mashup – Software criado a partir de conteúdos provenientes de diferentes bases de dados.

Microblog – Formato simplificado de blog.

Microlink – Endereço URL compactado para economizar espaço.

Moblog – Formato de blog adaptado para atualização e leitura através de dispositivos


portáteis.

Netbook – Computador com dimensões pequenas e peso leve. Usado, geralmente, para
conexão com a web.

Optoeletrônica – Transmissão de dados usando fibra ótica e laser.

Orkut – Site de relacionamento de grande sucesso no Brasil. Ver <http://www.orkut.com>.

P2P – Ver Peer-to-peer.

PDA – Sigla em inglês para Personal Digital Assistant (Assistente Pessoal Digital).
Computador portátil que possui recursos para organização pessoal e para comunicação móvel.

Peer-to-peer – Também conhecido como P2P. Sistema de compartilhamento de arquivos ou


informações em rede no qual vários usuários se conectam e podem trocar dados entre si de
forma descentralizada.

Permalink – Link permanente para um determinado post de um blog, que permite acessá-lo
diretamente, mesmo que esse post já tenha saído da página inicial do blog.

Podcast – Transmissão de áudio pela Internet.

Post – Atualização feita em um blog.

Retuitar – Prática de republicar uma mensagem no Twitter.

RSS – Sigla em inglês para Really Simple Syndication. Sistema que agrega conteúdo e
permite que a indexação das alterações ocorridas em um determinado site seja divulgada.
Várias páginas diferentes que disponibilizem seus conteúdos em RSS podem ser reunidas em
um programa agregador de RSS, o qual é alimentado pelos feeds provenientes destas páginas.
96

RT – ver Retuitar.

SMS – Sigla em inglês para Short Message Service (Serviço de Mensagens Curtas).
Tecnologia utilizada na transmissão de mensagens de texto entre telefones celulares.

SPAM – Mensagem eletrônica não solicitada.

Splog – Blogs criados a partir de conteúdos alheios com o objetivo de promover um


determinado endereço ou gerar receita em publicidade.

Tag – Palavra-chave que facilita a indexação de conteúdo na web.

TCP/IP – Do inglês Transmission Control Protocol e Iternet Protocol (Protocolo de Controle


de Transmissão e Protocolo de Interconexão). Conjunto de protocolos que permitem a
comunicação entre computadores.

Tlog – Ver Tumblelog.

Trackback – Notificação enviada por um blog/programa avisando sobre a realização de uma


postagem em um blog que cita um post de outro blog.

Tuitar – Ação de publicar conteúdo no Twitter.

Tumblelog – Formato de blog caracterizado pela facilitação de publicação de diferentes


formatos de conteúdo, adaptado para postagens a partir de dispositivos móveis.

Tweet – Nome dado ao post no Twitter.

URL – Sigla em inglês para Uniform Resource Location (Localizador de Recursos


Universal). É o endereço de um recurso disponível em uma rede.

Videolog – Formato de blog no qual predominam vídeos.

Vlog – Ver Videolog.

Warblog – Formato de blogs cuja temática gira em torno de Guerras (war, em inglês).

Web – World Wide Web (WWW). A parte gráfica da Internet.

Web 1.0 – Primeira geração da web. Ter caráter de publicação, ou seja, o conteúdo está
disponível apenas para leitura.

Web 2.0 – Segunda geração web, caracterizada pela participação do leitor e interação entre
internautas.

Webring – Círculo relacional criado entre atores, geralmente blogueiros, na Internet.

Wi-fi – Tecnologia de rede sem fio.


97

ANEXOS
98

ANEXO A – Perfil da Folha de S. Paulo


99

ANEXO B – Perfil da Veja


100

ANEXO C – Perfil do Submarino


101

ANEXO D – Perfil do Camiseteria


102

ANEXO E – Perfil do Naturatins


103

ANEXO F – Perfil do Ministério da Saúde


104

ANEXO G – Perfil de Luciano Huck


105

ANEXO H – Perfil de Mano Menezes


106

ANEXO I – Perfil de André Lemos


107

ANEXO J – Perfil de Alex Primo


108

ANEXO K – Perfil de José Serra


109

ANEXO L – Perfil de Aloizio Mercadante


110

ANEXO M – Perfil de Fernanda Silveira


111

ANEXO N – Perfil de Luis Paulo Fraga