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AvaliaÁ„o

sumativa:

algumas notas

In: ìPensar avaliaÁ„o, melhorar a aprendizagemî/IIE Lisboa: IIE, 1994

A VALIAÇÃO SUMATIVA: O QUE É?

O conceito de avaliaÁ„o sumativa tem sofrido algumas variaÁıes ao longo dos

tempos, e, na mesma Època, o seu sentido n„o È universal. Subjacentes ao seu entendimento est„o as teorias da aprendizagem mais ou menos em voga, ou as formas como s„o entendidas. No entanto, na tentativa de orientar uma possÌvel definiÁ„o de avaliaÁ„o sumativa considera-se que:

sempre um balanÁo que, salvo no final da escolaridade obrigatÛria, n„o

ser· entendido como um juÌzo de valor, definitivo, sobre o que ficou para tr·s, mas antes como um resultado que determinar· a tomada de decisıes;

valor social, pois que, alÈm de informar os alunos e os professores da situaÁ„o

.constitui

.tem

de aprendizagem e de ensino, informa tambÈm os pais e a comunidade em geral;

.tem

em conta os objectivos gerais, ou seja, os objectivos terminais de integraÁ„o

que, uma vez atingidos, certificam o progresso do aluno.

COM QUE FUNÇÕES?

As funÁıes da avaliaÁ„o sumativa variam de acordo com os momentos em que esta

se realiza:

.no

decurso do processo de ensino-aprendizagem tem uma funÁ„o formativa, uma

vez que permite adequar o ensino ‡s necessidades de aprendizagem dos alunos;

.no

final de perÌodo e no final dos primeiro e segundo ciclos tem como funÁ„o

fundamentar as decisıes sobre (re)orientaÁ„o do percurso escolar dos alunos;

. no

final

de

ciclo

tem

ainda

retenÁ„o/progress„o do aluno;

como

funÁ„o

a tomada de decis„o sobre

.no

final do terceiro ciclo fundamenta a atribuiÁ„o de um diploma ou de um

certificado. (Fig. 1)

Figura 1 FunÁıes e modalidades de avaliaÁ„o COM QUE INFORMAÇÕES ? A avaliaÁ„o sumativa exprimir·

Figura 1 FunÁıes e modalidades de avaliaÁ„o

COM QUE INFORMAÇÕES

?

A avaliaÁ„o sumativa exprimir· uma interpretaÁ„o, t„o rigorosa quanto possÌvel,

dos dados colhidos durante o processo de ensino-aprendizagem em que se observaram, e continuamente se comunicaram, n„o apenas as aquisiÁıes do domÌnio

cognitivo mas tambÈm as atitudes, as capacidades

saber-fazer, o saber-ser, o saber-tornar-se. Importa ainda ter presente que ao longo do processo de ensino-aprendizagem os alunos manifestam competÍncias que n„o s„o do domÌnio disciplinar restrito. S„o competÍncias transversais, que tambÈm tÍm express„o na avaliaÁ„o sumativa e, portanto, devem ser tomadas em conta.

ou seja, exprimir· o saber, o

COMO

INTERPRETÁ-LAS?

Quer a recolha de informaÁ„o quer a sua interpretaÁ„o, devem fazer-se numa perspectiva criterial, ou seja, com referÍncia a critÈrios.

A explicitaÁ„o de objectivos e critÈrios constitui um momento fundamental do

processo de ensino-aprendizagem e, consequentemente, do processo avaliativo, porquanto permite clarificar a situaÁ„o de aprendizagem com que o aluno se vai deparar, os comportamentos que dele se esperam, os indicadores de sucesso. Fazer avaliaÁ„o criterial significa ent„o que o aluno È confrontado com a sua prÛpria progress„o na aprendizagem. A interpretaÁ„o normativa, ainda que ˙til quando se trata de seriar os alunos, situando cada um relativamente aos outros dentro do mesmo grupo, n„o informa com rigor sobre as aprendizagens realizadas. Assim, uma avaliaÁ„o normativa pode ter como consequÍncia considerar ìbomî um aluno mÈdio, inserido numa turma com fraco aproveitamento, e ìmauî um aluno igualmente mÈdio, inserido numa turma com bom aproveitamento.

SOB QUE FORMA?

No 1 ciclo a avaliaÁ„o tem sempre um car·cter descritivo. No 2 e 3 ciclos atribuem-se ìnotasî nos finais de perÌodo. No entanto, o significado destes n˙meros dever· ser clarificado por informaÁıes complementares dadas sob forma descritiva. A necessidade de clarificaÁ„o resulta do facto de uma nota n„o ter sempre o mesmo significado. Um registo claro de avaliaÁ„o sumativa deve informar exactamente sobre quais os objectivos atingidos e, tendo em conta a sua funÁ„o formativa, indicar em que sentido deve o aluno orientar as futuras aprendizagens. Deste modo, n„o devem usar-se expressıes vagas tais como ìo aluno atingiu alguns objectivos do programaî, ìo aluno n„o escreve correctamenteî, ìo aluno manifesta sensibilidade aos valores Èticosî. Bem mais significativo ser·, por exemplo, dizer ìo aluno organiza bem o texto e constrÛi bem as frases, mas deve tentar corrigir a ortografiaî, ìo aluno coopera com colegas de outras etniasî.

QUEM INTERVÉM?

Aos professores compete avaliar as aprendizagens dos alunos. Mas estes ter„o parte activa na avaliaÁ„o do seu percurso, porque sÛ quando tiverem interiorizado o que se espera deles, quando souberem o que sabem e principalmente o que n„o sabem, estar„o aptos a prosseguir nas aprendizagens.

A biografia do aluno pode determinar as condiÁıes do seu sucesso ou insucesso.

Por isso os pais dever„o ser tambÈm chamados a intervir no processo avaliativo para

ajudarem os professores a compreender os comportamentos do aluno que facilitam ou dificultam a aprendizagem. Finalmente, ser· o conjunto dos professores que tem a seu cargo a formaÁ„o dos alunos quem assumir· a responsabilidade das decisıes tomadas. Em casos especiais intervir„o tambÈm outros tÈcnicos de educaÁ„o.

CONCLUINDO

A avaliaÁ„o sumativa realiza-se sempre que seja necess·rio fazer o balanÁo das

aprendizagens desenvolvidas. Tem sido considerada sumativa a avaliaÁ„o que se materializa nos testes realizados ao longo do ano, a que ocorre nos finais de perÌodo e nos finais de ciclo.

De facto È sumativa porque:

.setrata de balanÁos realizados em determinados momentos do percurso tendo em conta os objectivos que, uma vez atingidos, permitem a passagem ‡ etapa seguinte.

resultados atravÈs de n˙meros de uma escala, complementados por uma

.exprime

informaÁ„o descritiva, ou atravÈs de simples descriÁıes (caso do primeiro ciclo).

No entanto, os testes e a avaliaÁ„o de final de perÌodo tÍm essencialmente car·cter formativo pois visam a tomada de decisıes relativas ‡ (re)orientaÁ„o do ensino e da aprendizagem.

Em suma, ainda que a avaliaÁ„o sumativa corresponda a balanÁos que se v„o fazendo ao longo do processo ensino-aprendizagem, esses balanÁos tÍm essencialmente uma funÁ„o formativa, excepto no final de ciclo em que a funÁ„o sumativa È predominante.

SUGESTÃO DE ACTIVIDADE

Estas notas tÍm como principal objectivo levantar questıes que possam constituir temas para sessıes de trabalho nas escolas. Nesse sentido, em reuni„o de grupo sugere-se uma reflex„o sobre os seguintes aspectos da avaliaÁ„o sumativa:

Momentos em que a fazem ocorrer Processo(s) adoptado(s) para recolha de informaÁ„o Medidas adoptadas na sequÍncia da sua an·lise.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

Cardinet, J. (1986). Pour apprécier le travail des élèves. Bruxelles: De Boeck. Cardinet, J. (1993). Avaliar é medir?. Porto: EdiÁıes Asa.

ConceiÁ„o, J. M. (1992). Ainda sobre o novo sistema de avaliaÁ„o. Noesis, 25, 64-

67.

Fernandes, D. (1992). O tempo da avaliaÁ„o. Noesis, 23, 18-21. IIE, (1992). Avaliar é aprender. Lisboa: Autor.

Coordenador do Projecto: Domingos Fernandes Autores: Maria JosÈ Ferraz, Alda Carvalho, ConceiÁ„o Dantas, Helena Cavaco, Jo„o Barbosa, LourenÁo Tourais, Natividade Neves