“Corpos e Sons - Locais e Imagens”:O Ad Herennium

sob “As Vilas Volantes” de Wenceslao Machado de
Oliveira Jr.

Após leitura prévia do Capítulo 7 “Corpos e Sons – Locais e
Imagens”, presente do livro “Grafias do espaço: imagens da educação
geográfica contemporânea”, o grupo Pibid Geografia da UFRGS pode
compor um apanhado de ideias e pontuações. Segue o resumo do debate
sobre o texto.
O texto auxilia na construção de conceitos e relações: sociedade
e natureza; lugar; memória, território, paisagem e territorialidade. A
relação sociedade natureza e o surgimento do espaço informacional e
tecnológico e pontuado na paisagem.
Retrata o desenrolar das pesquisas desenvolvidas no Laboratório
de Estudos Audiovisuais a respeito das relações estabelecidas entre as
artes audiovisuais e o espaço, afim de encontrar percurso para
imaginações espaciais alternativas. O texto faz relações com o
documentário de Alexandre Veras, As Vilas Volantes, em que sua
linguagem audiovisual e o real são extremamente vinculados. Onde o
espaço e a linguagem se associam com a trilha sonora, os elementos e
sons da natureza, as paisagens, os personagens (que segundo o autor
efetivam o lugar geográfico).
O autor cita Doreen Massey (2008), que propõe que o espaço
se efetiva nas relações, conexões e interações, como estivessem em
construtividade relacional. O lugar é como um feixe de conexões entre
inúmeras trajetórias que encontram-se em copresença. Logo para
pensarmos o espaço e o lugar é necessário pensar nas múltiplas trajetórias
e copresença, e entender que tanto o lugar quanto o espaço estão sempre
em construção.
Os personagens de um filme efetivam várias relações além dele,
compondo o espaço e onde ele age vai configurando o lugar. Quando
assistimos um filme, nos identificamos com alguns personagens e
tornamos sua trajetória como a nossa. No filme As Vilas Volantes, as
relações dos personagens entre si e com o meio, dão existência aos locais
narrativos.
As imagens e os sons são potentes artefatos de construção de
memória coletiva. O autor cita Milton Almeida(1999), afirmando que o
cinema pode ser tomado como uma arte da memória que participa da
educação, pensamentos e imaginações. A palavra memória deve ser
entendida quase como um sinônimo de conhecimento. Nesse artigo o


autor tenta realizar a proposta de Almeida: interpretando o filme de forma
verbal e visual e ainda incluindo os sons.
O Ad Herennium, de Almeida (1999), é um antigo texto sobre
técnicas de desenvolvimento da memória artificial onde propõe que a
construção da memória artificial ocorre como um processo natural e
intrínseco. A arte da memória se efetiva a partir dos locais e imagens que
agem em nós: Imagens agentes.
O texto afirma que cada filme é uma sequência de locais onde
se dispõem as imagens a serem memorizadas. As imagens são facilmente
memorizadas quando estão em locais pensados, retomados pela memória.
O autor pontua as principais características dos locais para que a memória
seja facilitada, tomando como referência o livro de Almeida. Os locais:
- não devem ser semelhantes entre si;
 Devem formar uma sequência;
 Devem ser de tamanhos moderados e extensão média;
 Devem ser conseguidos em uma região deserta;
 Não deve ser nem muito iluminado e nem muito escuro;
 O início deve ter um resumo de todo o conjunto.
As imagens são aquilo que buscamos memorizar, e suas
principais características são essas:
 Não podem ser banais e nem rotineiras para não passarem
desapercebidas;
 Devem ser excepcionais;
 Precisam ter o poder de apresentar-se a alma e feri-la
rapidamente.
Porém o que é fantástico, memorável para um necessariamente
não é para o outro. O autor do texto destaca as imagens, do filme As Vilas
Volantes e as considera memoráveis. As imagens agentes fogem ao
documento naturalista, tornando o filme fantástico. Sobre tudo as
imagens sonoras propostas nos filmes são as mais impactantes, pois
fazem uma correlação entre os sons naturalistas e os sons musicais.
O autor busca apontar o espaço geográfico que é apresentado de
forma inusitada no filme, onde as conexões dão origem a outras
geografias, principalmente pelas imagens sonoras dispostas no filme. Os
personagens do filme e suas relações compõem o espaço geográfico. O
autor do filme dispõe as imagens agentes em locais de fácil memorização.
São oito locais distintos que o autor do texto comenta na mesma
sequência que o filme.
Em cada local o autor correlaciona os personagens, os elementos
da natureza e com os sons, ou seja todos os elementos necessários para
entender o espaço e o lugar, descrevendo bem os locais em cena. Essas


fantásticas imagens sonoras criam outras maneiras de pensarmos o espaço
e respeitarmos suas multiplicidades correlacionadas. Onde as trilhas
sonoras do filme são guinadas a se geografizar com a paisagem, ajudando
na construção do espaço e do lugar.
Obs.: Esta leitura e debate do texto se deu de forma a conceber
uma formação continuada para os bolsistas e professores titulares
das escolas colaboradoras do Pibid - Geografia UFRGS, no segundo
semestre de 2014.

Grafias do espaço: imagens
da educação geográfica
contemporânea. Valeria Cazetta e
Wenceslao Machado de Oliveira Jr,
org. Campinas. SP: Editora Alinea,
2013.
Capítulo 7 – Corpos e Sons
– Locais e Imagens. O Ad
Herennium sob as Vilas Volantes.
Wenceslao Machado de
Oliveira Jr.

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