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UNIVERSIDADE ANHANGUERA – UNIDERP

CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CURSO DE PEDAGOGIA

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

OS PENSADORES E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A EDUCAÇÃO

MARIA ROSA ALBUQUERQUE LIMA - RA: 5677898629 MARLENE DE CASTRO RUIVA - RA: 5709583641 ROSA MARIA SANTOS SILVA - RA: 5793526075 MARIA ELISA GUSMÃO DE ANDRADE - RA: 938629305 VALÉRIA DO NASCIMENTO BRITO - RA: 5783652332

Atividade Prática Supervisionada (ATPS) entregue como requisito para conclusão da disciplina “Psicologia da Educação”, sob orientação da professora-tutora a distância MA. HELENROSE A. DA S. PEDROSO COELHO.

CAMPINAS

2012

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SUMÁRIO

  • 1 INTRODUÇÃO..................................................................................................1

  • 2 A TEORIA DE SIGMUND FREUD NA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO.....2

  • 3 A PSICOLOGIA GENÉTICA E A EDUCAÇÃO DE JEAN PIAGET..............4

  • 4 A PSICOGENÉTICA DE HENRI WALLON....................................................6

  • 5 VIGOTSKI E A EDUCAÇÃO...........................................................................8

  • 6 CONCLUSÃO..................................................................................................10

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................11

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1 INTRODUÇÃO

Vários intelectuais já dissecaram o desafio da educação, da complexidade da escola e as influências a que está sujeita, como a família, o bairro, a globalização o poder aquisitivo de seus matriculados e outros. A escola não é apenas um local de divulgação de conhecimentos, mas uma rede altamente complexa de componentes que se socializam, compartilham sua bagagem cultural, sofrem influências e influenciam. A Psicologia, ramo de estudo do comportamento humano, tem muito a dizer sobre a educação. Apresentamos neste trabalho “Os pensadores e suas contribuições para a educação”, as teorias de quatro nomes destacados na disciplina da psicologia: Sigmund Freud, Jean Piaget, Henri Wallon e Lev S. Vigotski. Este trabalho é fruto da leitura dos textos recomendados, dos vídeos disponibilizados no site “YouTube” (www.youtube.com), bem como da pesquisa em textos encontrados através do site de busca “Google” (www.google.com.br). O trabalho está dividido em quatro temas principais, “A teoria de Sigmund Freud na psicologia da educação”, “A psicologia genética e a educação de Jean Piaget”, “A psicogenética de Henri Wallon” e “Vigotski e a educação”, que completam uma visão geral dos aspetos psicológicos da educação.

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2 A TEORIA DE SIGMUND FREUD NA PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Sigmund Freud: nenhum outro nome ficou tão vinculado ao estudo da psique humana do que este. Nascido na Morávia em 1856, criou expressões que se disseminaram até os dias atuais entre todas as camadas sociais: “id”, “ego”, superego”, “complexo de Édipo” e outras; teve seu nome ligado até a jargões populares como o famoso “só Freud explica!”. Autor de 24 livros, 123 artigos e milhares de cartas sobre a psicanálise e assuntos correlatos, muito contribuiu para a compreensão dos mecanismos dos instintos, da sexualidade, do consciente e inconsciente humanos, suas motivações e impulsos. Desenvolveu uma teoria sobre a estrutura da personalidade humana e a dinâmica do seu funcionamento, em que, segundo ele, nossa personalidade é formada por três instâncias: id, ego e superego. À instância que contém os mais primitivos impulsos e inclinações humanas chamou de id. Tais impulsos não reconhecem quaisquer normas socialmente estabelecidas. A estas últimas, as normas, chamou de

superego, ficando a pessoa, o “eu” ou “ego” a equilibrar estas duas grandes forças em oposição. Todo o trabalho de Freud dirige-se à relação entre as energias oriundas do id e os impedimentos que o superego lhes impõe. Da dificuldade em lidar com o equilíbrio entre as duas, nascem todas as neuroses que foram alvo dos estudos de Freud. Segundo sua teoria psicanalítica, todos somos neuróticos em alguma escala, uma vez que temos desejos reprimidos interferindo em nossa vida consciente o tempo todo, em todas as relações pessoais, muitas vezes fazendo com que nossos desejos e motivos conscientes não passem de simulacros daquilo que habita nosso inconsciente. Como ver, então, o relacionamento de professor e aluno, situação aparentemente tão simples, em que um está ali para transmitir conhecimento e o outro para aprender? O que à primeira vista pode parecer uma simples decisão de planejamento de matérias, para a psicanálise isto é o que menos importa no ato de educar. Os ensinamentos psicanalíticos dirigem nossa atenção para o vasto universo oculto no interior de professor e aluno, cada qual sofrendo constantemente a pressão de seus respectivos desejos, muitos dos quais atingidos pela repressão. É desta forma que a psicanálise apresenta aspectos relevantes na arte de educar. Como primeiro aspecto relevante, poderíamos idealizar o professor psicanaliticamente orientado a observar as atitudes conscientes de seus alunos, como também as suas, procurando desvelar os desejos escondidos por trás delas. O professor que aceita o paradigma psicanalítico estará sempre interessado em reconhecer e

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identificar, além da intelectual, a carga emocional do aprendizado. Seu olhar volta-se constantemente para os motivos desconhecidos que o levam a estar ali, as possíveis razões que o motivam a relacionar-se com os seus alunos desta ou daquela maneira. Ele é um profissional que tende a valorizar menos a manutenção do bom comportamento de seus educandos e mais a livre expressão das crianças e dos jovens que estão sob seus cuidados. Outro aspecto relevante denomina-se transferência. Freud aponta-o como um fenômeno psíquico que se encontra presente em todos os âmbitos das relações com nossos semelhantes, inclusive na relação professor-aluno. Nesta relação está implicada uma relação de amor e afetividade. Uma relação de confiança de valorização do conhecimento, da revelação das habilidades e potencialidades do outro, só é possível por meio da afetividade. Com o afeto a criança se redescobre, se percebe, se valoriza, aprende a se amar transferindo este afeto em suas vivências e consequentemente na aprendizagem escolar.

O terceiro aspecto relevante da contribuição de Freud para a educação diz respeito ao próprio projeto pedagógico em si. A educação é por si só normativa, violenta, repressiva porque visa adaptar a criança à aceitação social, o que vai de encontro a tudo que ela viveu no ambiente familiar. A relação com a educação é ambígua, contraditória, antagônica podendo-se falar numa relação de amor e ódio, uma vez que a amamos porque dela necessitamos e ao mesmo tempo a odiamos pelo fracasso que às vezes nos traz. Os projetistas da educação deveriam conhecer toda influência que sofre a formação psíquica da criança desde seus primeiros anos de vida no ambiente familiar na sua relação com pais, irmãos, avós e babás. Influências estas que vão se refletir na sua personalidade e que irão perdurar por toda sua vida adulta. Todo o projeto educacional deverá ser ajustado de modo que a escola seja uma continuidade do lar sem bitolar os alfabetizandos com desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros para copiarem, com caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam, com métodos que não levam em conta a lógica de quem aprende. O passo natural freudiano foi anunciar a verdade de que a educação e seu representante direto, o professor, precisam se reconciliar com a criança, acreditando em sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar, enfrentar, propor, escolher e assumir as consequências da sua escolha.

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3 A PSICOLOGIA GENÉTICA E A EDUCAÇÃO DE JEAN PIAGET

Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça em 1896 e interessou-se desde jovem por Filosofia, particularmente no campo da Epistemologia, onde são elaboradas e discutidas as teorias do conhecimento. Suas pesquisas sempre tiveram como alvo o processo de aprendizado e aquisição do conhecimento e não propriamente a psicologia. Trabalhou os conceitos de juízos a priori e a posteriori. Os juízos ou conhecimentos a posteriori se baseiam em constatações empíricas através dos órgãos de sentidos. Já os juízos a priori são aqueles em que não se faz necessária a experimentação para serem constatados: são os axiomas, as lógicas matemáticas, os saberes universais e necessários

e que não variam de acordo com a subjetividade de quem os formula e nem conforme as condições do ambiente que cerca tais fenômenos empíricos. O que despertou a atenção de Piaget diz respeito a como se passa de um tipo de conhecimento a outro. Percebeu que poderia compreender o problema epistemológico se estudasse o progresso das categorias de conhecimento no decorrer de uma vida, da infância à idade adulta. Assim, a psicologia da criança tornou-se o seu campo de estudos. Criou uma nova sistemática para definir o nível intelectual de uma criança sem os testes padronizados que existiam, mas tentou compreender como a criança formula suas concepções sobre o mundo que o cerca, como resolve problemas e como explica fenômenos naturais. O método prevê a formulação de problemas abertos, chamados provas operatórias, e a solicitação para que a criança os solucione, dando início a diálogos entre pesquisador e pesquisado. Assim, um aspecto relevante da contribuição de Piaget para a educação é que a perspectiva piagetiana vai ao encontro de processos pedagógicos em que os alunos são tratados de acordo com suas particularidades cognitivas, promovendo o progresso intelectual de cada um e não apenas com o binômio acerto-erro nas atividades escolares. Outro aspecto da teoria de Piaget para a educação é que seus conceitos sobre o aprendizado baseiam-se na interatividade que o sujeito, o aluno, tem sobre o objeto a ser considerado; a criação de um desequilíbrio proposital entre os dois de modo que o aluno se sinta instigado e motivado para demonstrar uma atitude de busca, desvendamento e pesquisa. De nada adianta dizer ao aluno, como fazem muitos professores, que aquele assunto é importante porque será útil mais tarde. Se não houver vínculos desafiadores entre o aluno e a matéria de ensino o educando não será impulsionado a estudar aquilo. Não havendo, motivação, o aluno deixa de se posicionar de modo ativo diante da matéria. O mesmo acontece quando o professor privilegia a passividade da criança e a

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leva a manter-se quieta, apenas ouvindo, como se o mundo pudesse entrar no seu cérebro por meio da audição. Sem vontade e sem iniciativa para desvendar e descobrir, não há conhecimento. Ao ato de estabelecer uma relação do aluno com o objeto, Piaget chamou de assimilação. Após esta fase, ocorre a acomodação, que consiste nas modificações sofridas pelo aluno em função do exercício assimilador desencadeado. O equilíbrio a que o aluno chega com os objetos que o cercam nunca é definitivo, uma vez que o mundo está sempre em mudança, mas representa conhecimento que é logo seguido por novas situações em que o aluno é novamente desafiado, o que dá início a sucessivas assimilações e acomodações, mais conhecimento, mais desequilíbrios e assim por diante. As pesquisas e as observações de Piaget muito contribuíram para a edificação de um sistema educacional comprometido com a obtenção de uma nova ordem social, por organizar o ambiente escolar para favorecer o máximo desenvolvimento intelectual e social de todos; um equilíbrio entre a liberdade e o controle, privilegiando a espontaneidade plena e absoluta do espírito infantil por meio de conteúdos escolares que traduzam a experiência humana acumulada, sem, no entanto, imprimir verdades prontas e acabadas na mente do estudante, à moda do ensino tradicional. Assim, um minucioso trabalho de seleção e ordenamento dos tópicos das matérias faz-se necessário para que os conhecimentos a serem ensinados não estejam no mesmo nível das aquisições já feitas pelo aluno, o que não despertaria sua motivação, nem em um nível tão acima que superem as possibilidades inerentes às estruturas cognitivas já adquiridas. Num ajuste perfeito deste ordenamento e seleção o aluno se sentirá impelido a construir seu próprio conhecimento, uma vez que se relaciona livremente com os objetos cuidadosamente dispostos no ambiente escolar.

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4 A PSICOGENÉTICA DE HENRI WALLON

Henri Wallon nasceu na França em 1879 e viveu em um período de grandes transformações, marcado por duas guerras mundiais e grande comoção política. Foi médico, psicólogo e filósofo e revolucionou a educação no século passado ao desenvolver uma teoria que propunha a formação integral da criança, de forma intelectual, afetiva e social. Apregoava que seria necessário muito mais do que um cérebro para o desenvolvimento intelectual. Estudou os domínios afetivo, cognitivo e motor, procurando estabelecer os momentos em que estes se refletem nos quatro temas centrais da sua teoria, quais sejam a emoção, o movimento, a inteligência e a personalidade, manifestações socioculturais com forte lastro orgânico: a psicogenética. Defendeu a ideia de que o desenvolvimento tem seu início na relação do organismo do bebê recém-nascido com seus movimentos reflexos e impulsivos, também chamados de descargas motoras. Nesta fase, distingue-se apenas estados de bem-estar ou desconforto. A interatividade da criança com o meio ambiente não é casual, mas um recurso biológico da espécie, criando um efeito mobilizador no ambiente humano. Wallon concordava com a teoria freudiana e com os teóricos do desenvolvimento da época que diziam que o recém-nascido expressava a afetividade em resposta ao contato com a mãe no momento da amamentação, satisfazendo sua necessidade biológica de alimentação ao mesmo tempo em que experimentava suas primeiras experiências amorosas, criando uma relação simbiótica vital para o seu desenvolvimento. Assim como a afetividade, a cognição é um elemento fundamental na psicogênese da pessoa completa, sendo o seu desenvolvimento também relacionado às bases biológicas e suas constantes interações com o meio. O estudo deixou evidente as relações entre movimento e psiquismo desde a aquisição de habilidades motoras até o amadurecimento do sistema nervoso. Para a psicogenética walloniana o ritmo das etapas não segue uma linearidade, mas estão sujeitos a conflitos de origem exógena e endógena, mesmo que o meio seja estável e invariável. Em sua obra, Wallon descreve as características do desenvolvimento em diferentes idades. Essas características correspondem aos recursos que o meio disponibilizam à criança. Até o terceiro ano, a criança adquire maior manipulação de objetos, desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. Dos

três aos seis anos acontece a construção da consciência de si mesma. Por volta dos seis anos acontecem importantes avanços no plano da inteligência. Entre crianças de seis a

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nove anos foi possível observar a relação entre o desenvolvimento da inteligência e a diferenciação com a realidade exterior. Em seu mundo interior, povoado de sonhos e fantasias a criança se confronta com o mundo real cheio de símbolos e códigos característicos da cultura, provocando, assim, o desenvolvimento da inteligência. Na adolescência, em virtude da ação hormonal, uma nova personalidade é estabelecida. Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo, mas também as emoções da criança para dentro da sala de aula. Dizia que reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir, ou seja, a própria negação do ensino. O movimento e as emoções dependem fundamentalmente da organização dos espaços para se manifestarem, e a escola infelizmente insiste em mobilizar a criança numa carteira, limitando justamente a fluidez das emoções e do pensamento, tão necessários para o desenvolvimento, porque, ao mesmo tempo suas ideias são lineares e se misturam entre o mundo dos sonhos e fantasias e o mundo real, com os valores sociais e culturais. Wallon muito contribuiu para iluminar a questão da relação, cognição e afetividade e suas implicações educacionais. Sua concepção psicogenética dialética do desenvolvimento apresenta uma grande contribuição do humano como pessoa integral, ajudando na superação da clássica divisão mente/corpo presente na cultura ocidental e dos seus múltiplos desdobramentos. Engloba em um movimento dialético a afetividade, a cognição e os níveis biológicos e socioculturais e também traz contribuições para o processo ensino-aprendizagem. Valoriza a relação professor-aluno e a escola como elementos fundamentais no processo de desenvolvimento da pessoa completa. Apresenta uma visão política de uma educação mais justa para uma sociedade democrática, expressa no projeto Langevin-Wallon, fruto de três anos de trabalho, que buscava repensar o sistema de ensino francês a partir dos princípios da justiça e dignidade, valorizando, ainda, a cultura geral e destacando a importância de primeiro ter-se orientação escolar e somente depois a profissional. Dessa forma a teoria walloniana traz grandes contribuições para a compreensão do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes de nossos tempos e cultura, ao mesmo tempo em que suas ideias pedagógicas se mostram bastante adequadas ao tipo de escola capaz de atender aos interesses e necessidades dos alunos neste era digital.

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5 VIGOTSKI E A EDUCAÇÃO

Lev Vigotski nasceu em 1896 na cidade de Orsha, na Rússia. Vindo de uma família rica e tradicional teve acesso à cultura e diversos estudos. Estudou medicina por um tempo, mas formou-se em Direito, História e Filosofia e viveu em plena efervescência da Revolução Comunista. Foi contemporâneo de Piaget e elaborou uma teoria que tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio histórico e o papel da linguagem e do aprendizado neste desenvolvimento. Devido à doença que o levaria à morte, Vigotski não deixou uma teoria sintética ou apenas um delineamento de ideias. Seu trabalho foi proibido dentro da própria União Soviética por 20 anos e no Brasil só a partir da década de 90 apareceu como um teórico da aprendizagem influente no cenário da educação brasileira. Para Vigotski, as origens da vida consciente e do pensamento abstrato deveriam ser procuradas na interação do organismo com as condições de vida social e nas formas histórico-sociais de vida da espécie humana e não, como muitos acreditavam, no mundo espiritual e sensorial dos homens. Para tanto é necessário analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior dos indivíduos a partir do envolvimento destes com a realidade. Enquanto que na teoria Construtivista o conhecimento é entendido como ação do sujeito sobre a realidade (sendo o sujeito considerado ativo), na teoria Histórico- Cultural a construção do conhecimento se faz através de uma interação mediada por várias relações. Os conhecimentos, papéis e funções sociais vão se internalizando à medida que a pessoa interage com outros seres humanos, permitindo o desenvolvimento da própria consciência. Há convergências e divergências entre o pensamento de Vigotski e Piaget. As principais diferenças encontram-se na relação entre linguagem e pensamento. Para Vigotski, pensamento e linguagem são processos interdependentes, desde o início da vida. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais superiores: ela dá uma forma definida ao pensamento, possibilita o aparecimento da imaginação, o uso da memória e o planejamento da ação. Neste sentido, a linguagem, diferentemente daquilo que Piaget postula, sistematiza a experiência direta das crianças e por isso adquire uma função central no desenvolvimento cognitivo, reorganizando os processos que nele estão em

andamento. Vigotski acreditava que a criança já nasce num mundo social e, desde então, vai formando uma visão desse mundo através da interação com adultos ou

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crianças mais experientes. A construção do real é, então, mediada pelo interpessoal antes de ser internalizada pela criança. Desta forma, procede-se do social para o individual, ao longo do desenvolvimento. Vigotski se preocupou em saber qual a influência da aprendizagem no desenvolvimento mental da criança. Desenvolve, então, dois conceitos chaves. Ao primeiro chama de Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) que compreende o que a criança consegue fazer sozinha, ou seja, as etapas já conquistadas pela criança. Se ela domina a adição, por exemplo, este é um nível de desenvolvimento real. O segundo conceito chave é a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). É a distância entre o nível de desenvolvimento real e o potencial, determinada por meio da solução de problemas sob a orientação de outra pessoa mais capaz.

Vigotski muito contribuiu para o ensino, pois apresenta a noção de que o bom aprendizado é aquele que se adianta à criança, aquele que considera tanto o nível de desenvolvimento real quanto o proximal. Estes conceitos podem ser utilizados tanto para mostrar a forma como a criança organiza a informação como para verificar o modo como o seu pensamento opera. Apenas conhecendo o que as crianças são capazes de realizar com e sem ajuda externa é que se pode conseguir planejar as situações de ensino e avaliar os progressos individuais. Assim, o papel da educação e da aprendizagem ganham destaques na teoria de desenvolvimento de Vigotski, que também mostra que a qualidade das trocas que se dão no plano verbal entre o professor e os alunos irá influenciar decisivamente na forma como as crianças evoluem na complexidade dos seus pensamentos e como elas processam novas informações. Como a teoria de Vigotski considera que as crianças são sujeitos que constroem o conhecimento socialmente produzido, o professor deve provocar a apropriação ativa do conhecimento disponível na sociedade de fora para dentro da sala de aula, tornando-se, ele mesmo, uma figura fundamental no processo de preparação do aluno.

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6 CONCLUSÃO

É inegável a contribuição destes brilhantes pensadores para a educação, desde que postularam suas teorias até os dias atuais. A pedagogia e a educação estão em constante evolução, mas as teorias e os princípios estabelecidos por estes psicólogos, médicos, pedagogos, pesquisadores e filósofos são válidas e comprovadas até o dia de hoje. Tal pesquisa muito contribuiu para o nosso próprio entendimento das questões envolvidas na educação e com certeza nos ajudará sobremaneira a exercemos de forma mais competente a profissão que se nos apresenta.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Vídeos

da

Série

Introdução

à

Psicologia.

(11

vídeos).

Disponível

em:

http://www.youtube.com/watch?v=AAJPwZ0Csr0. Acesso em: 19 ago. 2012.

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Vídeos da Série Paradigma Psicanalítico na Educação. (4 vídeos). Disponível em:

http://www.youtube.com/watch?v=ZIYwwxuF0qc. Acesso em: 19 ago. 2012.

Vídeo Piaget – Fases do desenvolvimento. Disponível em: http://www.youtube.com /watch?v=EnRlAQDN2go. Acesso em: 19 ago. 2012.

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