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KOCH, Ingedore; ELIAS, Vanda. Ler e escrever: estratégias de produção

textual. São Paulo: Contexto¹

Ana Luíza Lopes de Azevedo²

Resenha crítica ³

As autoras começam estabelecendo a diferença entre o texto escrito e o texto

falado. A produção escrita em suma é direcionada para quem se escreve, assim

não há intervenção do leitor na produção textual (leitor não-copresente). Nesse

dialogo só um dos ados se relaciona diretamente.Nele o autor e o leitor não se

encontram em um mesmo tempo, o que é chamado pelo leitor como "ideal". Essa

ideia é frisada na frase do escritor chamado Jules Renard: "Escrever é uma

maneira de falar e não ser interrompido". Logo pode ocorrer a "copidescagem"

(correção do texto) se necessário.

O texto falado por sua vez interage com o leitor, o livro o coloca como seu próprio

rascunho. O que é tratado por Marcuschi como "sua própria maneira esse

organizar, desenvolver e transmitir informação o que permite que se a tome

como fenômeno específico". Vale lembrar que existem conversas cujas um único

falante monopoliza a fala e por isso não ocorre a interação entre as partes como

em palestras, conferências, discursos públicos.

O livro retrata uma visão referente ao ideal da escrita - tratada como

descontextualizada, explicita, condensada, planejada, completa e elaborada - o

que leva a uma conceito preconceituoso sobre a fala, como descontinuidade.

Embora ela apresente características próprias como o fato de ser não-planejável.

Não há uma organização e ordenação de ideias. Tal como na frase de Francis

Bacon " a leitura faz do homem completo, a conversa ágil, e o

¹ Autoras da obra: "Ler e escrever estratégias da produção textual". ²Discente na Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) da turma de Engenharia Mecânica. ³Resenha crítica do livro ler e escrever: estratégias da produção textual.

escrever, preciso." No decorrer do dialogo, o locutor que detém a palavra não é excepcionalmente responsável pela formação das ideias o ouvinte também ajuda na organização delas.

Assim, paráfrases, repetições e inserções são apresentados pelas autoras como ferramentas que auxiliam no esclarecimento do texto. E podem ser utilizadas pelo coleitor na fala para auxiliar o interlocutor em sua fala.

A obra retrata também a marca de oralidade em textos escritos, o que é bastante

notado em textos produzidos por crianças. Estes estão costumados com a lingua falada e quando passam para a escrita, não fazem seleções de palavras e enunciados. Nos exemplos (imagens trazidas no livro) notamos que não há a ligação de ideias, o que o livro traz como justaposição de enunciados, sem

ligações explicitas e sem pontuação.

A segmentação gráfica segundo autora deriva do fato de que a criança está

acostumada com os vocábulos fonológicos e por vezes ela junta ou seguimenta palavras em uma frase.

A autora mostra as principais dificuldades apresentadas na produção textual

exemplificando-os com textos distintos (produzidos por crianças ou adultos), e

apresenta comentários com concepções teóricas para ajudar na compreensão.