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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ

MÁRCIA REGINA CARLON

PERCEPÇÃO DOS ATORES SOCIAIS QUANTO AS ALTERNATIVAS DE


IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE CAPTAÇÃO E APROVEITAMENTO DE
ÁGUA DE CHUVA EM JOINVILLE - SC

Itajaí, SC
2005
MÁRCIA REGINA CARLON

PERCEPÇÃO DOS ATORES SOCIAIS QUANTO AS ALTERNATIVAS DE


IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE CAPTAÇÃO E APROVEITAMENTO DE
ÁGUA DE CHUVA EM JOINVILLE - SC

Dissertação apresentada como requisito


parcial para a obtenção do título de Mestre em
Ciência e Tecnologia Ambiental, na
Universidade do Vale do Itajaí, Área de
Concentração em Tecnologia e Gestão
Ambiental, Centro de Ciências Tecnológicas
da Terra e do Mar.

Orientador: Prof. Dr. Marcus Polette

Itajaí, SC
2005

ii
MÁRCIA REGINA CARLON

PERCEPÇÃO DOS ATORES SOCIAIS QUANTO AS ALTERNATIVAS DE


IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE CAPTAÇÃO E APROVEITAMENTO DE
ÁGUA DE CHUVA EM JOINVILLE - SC

Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de Mestre em Ciência e
Tecnologia Ambiental e aprovada pelo Programa de Mestrado Acadêmico em Ciência e
Tecnologia Ambiental do Curso de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência e Tecnologia
Ambiental da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e
do Mar.

Área de concentração: Tecnologia e Gestão Ambiental


Linha de Pesquisa: Utilização e Manejo de Recursos Naturais

Itajaí, SC, 20 de maio de 2005.

________________________________
Prof. Dr. Paulo Ricardo Schwingel
Coordenador

__________________________________
Prof. Dr. Marcus Polette
Universidade do Vale do Itajaí
Orientador

__________________________________
Profª. Drª. Mônica Lopes Gonçalves
Universidade da Região de Joinville – Convidado Externo

__________________________________
Prof. Dr. Claudemir Marcos Radestski
Universidade do Vale do Itajaí – Convidado Interno

iii
“A água de boa qualidade é exatamente como a saúde ou a liberdade:
só tem valor quando acaba. "

João Guimarães Rosa

iv
SUMÁRIO

1 Introdução ....................................................................................................................16
2 Justificativa ....................................................................................................................19
3 Objetivos........................................................................................................................21
3.1 Objetivo Geral .............................................................................................................21
3.2 Objetivos Específicos ..................................................................................................21
4 Área de Estudo ...............................................................................................................22
4.1 História da Colonização de Joinville ............................................................................22
4.2 Aspectos Biogeográficos do Município de Joinville.....................................................24
4.2.1 Localização ..............................................................................................................24
4.2.2 Geomorfologia..........................................................................................................25
4.2.3 Vegetação.................................................................................................................26
4.2.4 Hidrografia ...............................................................................................................26
4.2.5 Climatologia .............................................................................................................27
5 Revisão Bibliográfica .....................................................................................................29
5.1 História do Aproveitamento de Água da Chuva ...........................................................29
5.2 Exemplos Atuais..........................................................................................................34
5.3 Legislação ...................................................................................................................39
5.4 Técnicas de Aproveitamento de Águas de Chuva.........................................................46
5.4.1 Tipos de cisternas .....................................................................................................51
5.4.2 Dimensionamento da cisterna ...................................................................................57
5.4.3 Qualidade da água de chuva......................................................................................60
5.4.4 Cuidados e equipamentos para garantir a qualidade da água......................................61
5.5 Viabilidade da Implantação de Sistemas de Aproveitamento de
Água de Chuva ..........................................................................................................65
6 Materiais e Métodos .......................................................................................................68
6.1 Verificação das políticas públicas e legislação referentes à captação e aproveitamento
da água de chuva .......................................................................................................69
6.2 Levantamento da opinião dos atores sociais sobre o aproveitamento da
água de chuva ............................................................................................................69
6.2.1 Definição dos atores sociais a serem entrevistados ....................................................69
6.2.2 Elaboração do questionário .......................................................................................71
6.2.3 Aplicação dos questionários......................................................................................72
6.3 Levantamento e avaliação das edificações no município de Joinville que já possuem
sistema de captação e coleta de água de chuva ...........................................................72
6.4 Análise dos questionários ............................................................................................73
6.5 Determinação da viabilidade do aproveitamento de água de chuva em
Joinville.....................................................................................................................73
7 Resultados e Discussão...................................................................................................74
7.1 Análise das Políticas Públicas e Legislação relacionadas ao aproveitamento de águas
pluviais......................................................................................................................74
7.1.1 Projetos de Lei apresentados que prevêem o aproveitamento de águas
pluviais em Joinville ..................................................................................................74
7.1.2 A Lei Complementar Municipal nº 29/96 - Código Municipal do
Meio Ambiente..........................................................................................................75

v
7.1.3 A Agenda 21 Local e a análise da revisão da legislação municipal............................77
7.2 Análise dos atores sociais elencados para a aplicação dos questionários
referentes ao aproveitamento de água de chuva em Joinville. .....................................79
7.3 Edificações em Joinville com Sistemas de Coleta e Aproveitamento de
Águas Pluviais...........................................................................................................81
7.3.1 Estudo de caso do projeto piloto do Eng. Gert Fischer ..............................................82
7.3.2 Estudo de caso da Escola Municipal José Antônio Navarro Linz...............................82
7.2.3 Estudo de caso da Escola Municipal Padre Valente Simioni......................................86
7.3.4 Estudo de caso do Iate Clube Phoenix.......................................................................88
7.3.5 Estudo de caso do Edifício Rio Tamisa .....................................................................91
7.3.6 Outros casos de aproveitamento de água de chuva em Joinville ................................93
7.4 Análise dos questionários ............................................................................................94
7.4.1 Perfil do entrevistado e da instituição da qual faz parte .............................................94
7.4.2 Identificando os grupos de atores ..............................................................................97
7.4.3 Identificando os problemas .......................................................................................98
7.4.3.1 Análise dos problemas e soluções em relação à falta de água em Joinville .............98
7.4.3.2 Análise dos problemas e soluções em relação à ocorrência de enchentes
em Joinville ...............................................................................................................103
7.4.4 Relação do poder público com a água .......................................................................115
7.4.4.1 Relação da instituição com os recursos hídricos de Joinville ..................................115
7.4.4.2 Importância do aproveitamento de água de chuva em Joinville ..............................117
7.4.4.3 Falta de água no município de Joinville..................................................................118
7.4.4.4 Ocorrência de enchentes e inundações no município de Joinville ...........................127
7.4.5 Análise da percepção do aproveitamento da água da chuva.......................................135
7.4.5.1 Conhecimento prévio sobre o aproveitamento de água da chuva ............................135
7.4.5.2 Viabilidade do aproveitamento de água de chuva em Joinville ...............................138
7.4.5.3 Conhecimento sobre projetos de aproveitamento de água de chuva
existentes...................................................................................................................141
7.4.5.4 Instalação de sistema de aproveitamento de água da chuva residencial...................142
7.4.5.4.1 Justificativas favoráveis à instalação de sistemas de aproveitamento de
águas pluviais ............................................................................................................143
7.4.5.4.2 Justificativas desfavoráveis à instalação de sistemas de aproveitamento
de águas pluviais........................................................................................................145
7.4.5.5 Usos indicados para o aproveitamento da água da chuva........................................146
7.4.5.6 Legislação de São Paulo sobre coleta de águas pluviais..........................................147
7.4.6 Estratégias para a implantação de sistemas de coleta e armazenamento de
água de chuva ............................................................................................................149
7.4.6.1 Importância da economia de água ..........................................................................149
7.4.6.3 Aptidão das instituições para tratar com a economia de água..................................153
7.4.6.4 Responsáveis pela economia e busca por fontes alternativas de água de
acordo com os entrevistados ......................................................................................155
7.4.6.5 Aspectos negativos e positivos em relação à implantação de sistemas de
aproveitamento de água de chuva em Joinville...........................................................156
7.4.6.5.1 Aspectos negativos do aproveitamento de água de chuva em Joinville ................156
7.4.6.5.2 Aspectos positivos do aproveitamento de água de chuva em Joinville .................158
8 Considerações Finais ......................................................................................................161
Referências Bibliográficas.................................................................................................163
Glossário ...........................................................................................................................173
Apêndice A – Relação dos Atores Sociais .........................................................................180

vi
Apêndice B – Modelo de questionário entregue aos atores sociais .....................................183
Apêndice C – Rede de interações entre os atores sociais ....................................................190
Anexo A – Lei nº13.276/02 do município de São Paulo.....................................................192
Anexo B – Programa de Uso Racional da Água na Edificações de Curitiba .......................195
Anexo C – Projeto de Lei Municipal de Joinville sobre a coleta de águas pluviais .............198
Anexo D – Mapa dos bairros de Joinville ..........................................................................201

vii
RESUMO

O presente estudo teve como objetivo determinar as alternativas viáveis para a implantação
de sistemas de captação e aproveitamento de água de chuva no município de Joinville-SC.
Trata-se de um estudo de percepção ambiental direcionado para o aproveitamento de água
de chuva em Joinville e região, com uma amostra composta por atores sociais
representativos dos diversos segmentos da sociedade (órgãos governamentais e não-
governamentais, instituições de ensino, entidades ambientalistas, secretarias regionais,
associações de moradores e iniciativa privada). Os dados para a realização do estudo foram
coletados através de questionários entregues pessoalmente nas instituições e, em alguns
casos, enviados por meio eletrônico. Os questionários foram estruturados de forma a
abordar os objetivos da pesquisa considerando o nível dos entrevistados; e montados com
questões abertas, com solicitação de justificativas para as respostas apresentadas. O estudo
demonstrou que a região apresenta potencial para o desenvolvimento de práticas de
aproveitamento da água pluvial, com uma boa aceitação por parte da comunidade. De
acordo com os resultados, a comunidade reconhece a importância da preservação dos
recursos naturais e a necessidade da busca por fontes alternativas destes recursos, dentre
estes os recursos hídricos. As conclusões do estudo sugerem que, para que seja implantado
com sucesso o aproveitamento de água de chuva em Joinville, há necessidade do
desenvolvimento de programas abrangentes para informar a sociedade sobre o
funcionamento do sistema, os usos aos quais a água coletada pode ser destinada e a
contribuição que esta prática pode oferecer à preservação dos recursos hídricos na região.

Palavras-chave: Água da chuva. Gestão ambiental. Joinville-SC.

viii
ABSTRACT

The present study has as its purpose to determine the viable alternatives for the
implantation of harvesting systems for the exploitation of rainwater in the city of Joinville-
SC. It is an environmental perception study to address the rainwater exploitation in the
Joinville region, with a sample integrated by representative social actors of the diverse
segments of the society (governmental and non-governmental bodies, education
institutions, environment protection entities, regional secretariats, inhabitants associations
and private initiative). The data for the accomplishment of the study had been collected
through questionnaires delivered personally structured considering the level of the
interviewed people along with the research goals; built with open questions and the request
to give justifications for the presented answers. The in the institutions and, in some cases,
sent by e-mail. The results had been study demonstrated that the region presents potential
for the development of the practical exploitation of the pluvial water, with a good
acceptance by the community. In accordance with the results, the community recognizes
the importance of the preservation of the natural resources and the need to search for
alternative sources of them, amongst these the hydric resources. The conclusions of the
study suggest that, for the successful implantation of the rain water exploitation in
Joinville, it is necessary to develop programs to inform the society on the system
functionality, the uses to which the collected water can be destined, and the contribution
this practice can offer for the preservation of the hydric resources in the region.

Keywords: Rainwater. Enviromental Management. Joinville-SC

ix
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Enchente em Joinville no início do século passado ........................................ 23


Figura 2 - Localização de Joinville na América Latina................................................... 24
Figura 3 - Mapa do município de Joinville..................................................................... 25
Figura 4 - Gráfico da precipitação pluviométrica mensal entre 1996 e 2004................... 27
Figura 5 - Gráfico dos dias de chuva por mês entre 1996 e 2001.................................... 28
Figura 6 - Chuva Total Anual em Santa Catarina ........................................................... 28
Figura 7 - Regiões áridas e semi-áridas do globo ........................................................... 30
Figura 8 - Abanbars, tradicional sistema de captação de água comunitário do Irã........... 31
Figura 9 - Chultuns, cisternas em encostas com capacidade para 20.000 a 45.000 litros. 32
Figura 10 - Reservatório de 1.500 m3 que armazena água de chuva juntamente com a
água de refrigeração para reuso ..................................................................................... 36
Figura 11 - Pátio utilizado como área de captação de água da chuva utilizada para
irrigação, na China................................................................................................. 48
Figura 12 - Represa para armazenar água de escoamento superficial comumente
utilizada em regiões semi-áridas ............................................................................ 49
Figura 13 - Detalhes do sistema de captação de água de chuva para uso residencial....... 49
Figura 14 - Esquema de captação de água de chuva em uma residência ......................... 50
Figura 15 – Calha em zinco em forma de “L” ................................................................ 50
Figura 16 - Instruções de instalação da calha e aparência do sistema já instalado ........... 51
Figura 17 - Etapas da construção de uma cisterna de placas ........................................... 52
Figura 18 - Cisterna de concreto com tela de arame (esquerda) e cisterna enterrada
de tijolo e cal ......................................................................................................... 53
Figura 19 - Grande tanque metálico em área rural da Austrália ...................................... 54
Figura 20 - Imagem da cisterna simples para armazenamento e à direita a cisterna com
reservatório duplo, para armazenamento temporário da chuva................................ 54
Figura 21 - Cisterna enterrável....................................................................................... 55
Figura 22 - Cisterna plástica utilizada no Oregon........................................................... 55
Figura 23 - Modelo de tanque plástico fabricado na Alemanha e tanques plásticos em
uso em Uganda ...................................................................................................... 56
Figura 24 - Barris utilizados para o armazenamento de água de chuva ........................... 57
Figura 25 - Ábaco para dimensionamento de estruturas de coleta e armazenamento
de água de chuva para um consumo diário de 20 L para um período de estiagem de
26 dias ................................................................................................................... 59
Figura 26 – Equipamento E’lfer..................................................................................... 62
Figura 27 - Esquema do filtro utilizado para remoção de partículas depositadas sobre
a área de captação.................................................................................................. 62
Figura 28 - Filtro instalado indicando a localização do “by-pass” .................................. 63
Figura 29 - Modelos de torneira de acionamento restrito................................................ 64
Figura 30 - Sistema de captação e armazenagem de água de chuva mal conservado....... 65
Figura 31 - Diagrama do processo de sistemas domésticos de aproveitamento de água
de chuva ................................................................................................................ 66
Figura 32 - Detalhamento das etapas do desenvolvimento da pesquisa........................... 68
Figura 33 - Caixa d’água utilizada como reservatório para a água de chuva ................... 82
Figura 34 - Área de captação e calhas coletoras ............................................................. 83
Figura 35 - Tubos que conduzem a água do telhado para o reservatório de decantação .. 83

x
Figura 36 - Aspecto interno do reservatório de decantação e tubos de saída para a
caixa d’água .......................................................................................................... 84
Figura 37 - Tubos que conduzem a água do reservatório de decantação para a caixa
d’água.................................................................................................................... 84
Figura 38 - Saída da caixa d’água para a bomba elétrica ................................................ 85
Figura 39 - Bomba elétrica que conduz a água da cisterna para a caixa elevada sobre
os sanitários........................................................................................................... 85
Figura 40 - Painéis pintados nas paredes da escola pelos alunos envolvidos no
programa de educação ambiental ........................................................................... 86
Figura 41 - Representante da TIGRE explicando o funcionamento do sistema e alunos
da escola responsáveis pelo projeto........................................................................ 87
Figura 42 - Instalação da unidade didática na horta da escola........................................ 87
Figura 43 - Placa de identificação do Iate Clube Phoenix............................................... 88
Figura 44 - Área de captação: telhado sobre o abrigo das embarcações .......................... 88
Figura 45 - Área de captação e uma das cisternas de 10.000L adicionais ....................... 89
Figura 46 - Tubulação de descida das calhas coletoras para a cisterna............................ 89
Figura 47 - Tubulação de saída da água armazenada para uso e reabastecimento da
cisterna enterrada................................................................................................... 90
Figura 48 - Tubulação que conduz a água das calhas coletoras para a cisterna enterrada 90
Figura 49 - Tampa da cisterna enterrada ........................................................................ 91
Figura 50 - Projeto da fachada do Ed. Rio Tamisa ......................................................... 91
Figura 51 - Colunas onde está embutida a tubulação de descida da água de chuva
coletada do telhado ................................................................................................ 92
Figura 52 – Filtro instalado antes da entrada de uma das cisternas de 1000L.................. 92
Figura 53 - Tubulação para direcionar o excesso de água para o telhado da garagem
do prédio ............................................................................................................... 93
Figura 54 - Precipitação pluviométrica mensal entre 1996 e 2004.................................. 103
Figura 55 - Enchente no centro de Joinville, na esquina da Rua 9 de Março com a Rua
do Príncipe, no ano de 1929................................................................................... 104
Figura 56 - Enchente no centro de Joinville, na Rua do Príncipe na década de 30 .......... 105
Figura 57 - Enchente no centro de Joinville, região onde atualmente está o calçadão da
Rua do Príncipe, em 14 de fevereiro de 1948. (NEUMANN, 2004) ....................... 106
Figura 58 - Canteiro central servindo como “janela de infiltração” ................................ 110
Figura 59 - Logotipo do Programa SOS Nascentes ........................................................ 120
Figura 60 - Tratamento de água por zona de raízes ........................................................ 121
Figura 61 - Modelo de propriedade rural sustentável...................................................... 125
Figura 62 - Localização da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão ..................................... 126
Figura 63 - Alagamento no centro de Joinville, na Rua Pedro Lobo em frente ao
Shopping Mueller, em 31 de janeiro de 1998 ......................................................... 129
Figura 64 - Alagamento no centro de Joinville, na Rua Engenheiro Niemeyer próximo
ao Shopping Mueller, em 9 de janeiro de 2002....................................................... 129
Figura 65 - Alagamento no centro de Joinville, na Rua Engenheiro Niemeyer próximo
ao Shopping Mueller, em 4 de fevereiro de 2004 ................................................... 130
Figura 66 - Substituição da tubulação da rede de distribuição de água tratada ................ 132
Figura 67 - Cisterna em Riachão do Jacuípe e em Juazeiro, BA..................................... 138
Figura 68 - Chuva Total Anual em Santa Catarina ......................................................... 140

xi
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Proporção entre questionários entregues e respondidos pelos órgãos


governamentais...................................................................................................... 80
Gráfico 2 – Proporção entre questionários entregues e respondidos pelos órgãos não-
governamentais...................................................................................................... 80
Gráfico 3 – Faixa etária dos entrevistados...................................................................... 95
Gráfico 4 – Gênero dos entrevistados. ........................................................................... 95
Gráfico 5 – Grau de escolaridade dos entrevistados. ...................................................... 96
Gráfico 6 – Tempo de atuação dos entrevistados na instituição da qual fazem parte....... 96
Gráfico 7 – relação estabelecida entre a instituição que o entrevistado atua e a água. ..... 116
Gráfico 8 – Opinião do entrevistado sobre o aproveitamento de água da chuva em
Joinville................................................................................................................. 117
Gráfico 9 – Bairros do município de Joinville que apresentam problemas em relação
ao fornecimento de água pela rede pública. ............................................................ 119
Gráfico 10 – Medidas que estão sendo tomadas pelo poder público para evitar a falta
de água no município de Joinville. ......................................................................... 119
Gráfico 11 – Regiões do município de Joinville que são comumente afetadas por
enchentes ou inundações........................................................................................ 128
Gráfico 12 – Medidas que estão sendo tomadas pelo poder público para evitar a
ocorrência de enchentes no município de Joinville................................................. 131
Gráfico 13 – Razões citadas pelos entrevistados que viabilizam a implantação de
sistemas de aproveitamento de água de chuva em Joinville. ................................... 139
Gráfico 14 – Possíveis usos indicados pelos entrevistados para o aproveitamento da
água da chuva. ....................................................................................................... 147
Gráfico 15 – Justificativas para a necessidade de economia de água no município. ........ 150

xii
LISTA DE TABELAS

TABELA 1 – Classificação das águas de reuso.............................................................. 45


TABELA 2 – Vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de cisterna. ...................... 52
TABELA 3 – Dimensionamento do filtro e reserva em função da área de telhado.......... 58
TABELA 4 – Relação de questionários entregues e respondidos em cada instituição..... 70
TABELA 5 – Programas, objetivos e ações da Agenda 21 de Joinville, relacionados
ao aproveitamento de águas pluviais. ..................................................................... 78
TABELA 6 – Problemas e soluções listados pelos atores sociais relacionados à falta
de água em Joinville. ............................................................................................. 99
TABELA 7 – Problemas e soluções listados pelos atores sociais relacionados à
ocorrência de enchentes em Joinville. .................................................................... 107
TABELA 8 – Principais eventos ocorridos no município de Joinville. ........................... 134
TABELA 9 - Conhecimento a respeito de Sistemas de Aproveitamento de Água de
Chuva .................................................................................................................... 136
TABELA 10 – Conhecimento que o entrevistado possui sobre o aproveitamento de
água da chuva. ....................................................................................................... 136
TABELA 11 – Opinião do entrevistado a respeito da viabilidade da implantação de
sistemas de aproveitamento de água da chuva em Joinville. ................................... 139
TABELA 12 – Conhecimento sobre localidades onde é realizado o aproveitamento
de água da chuva. .................................................................................................. 141
TABELA 13 – Justificativas para a instalação de um sistema de aproveitamento de
água da chuva em sua residência............................................................................ 143
TABELA 14 – Legislação de São Paulo que obriga a coleta de água da chuva............... 148
TABELA 15 – Importância da busca por novas fontes de recursos hídricos. .................. 151
TABELA 16 – Aptidão da instituição para tratar de temas relacionados à economia
de água e busca por fontes alternativas de recursos hídricos. .................................. 153
TABELA 17 – Contribuição que as instituições poderiam oferecer em relação à
economia de água e à busca por fontes alternativas de recursos hídricos. ............... 154
TABELA 18 - Atores responsáveis pela gestão dos recursos hídricos em Joinville ........ 155
TABELA 19 – Aspectos negativos em relação ao aproveitamento de água da chuva
em Joinville. .......................................................................................................... 156
TABELA 20 – Aspectos positivos em relação ao aproveitamento de água da chuva
em Joinville. .......................................................................................................... 159

xiii
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação BrasiLeira de Normas Técnicas


AMAE Agência Municipal de Água e Esgotos de Joinville
APA Área de Proteção Ambiental
APREMA Associação de Preservação e Equilíbrio de Santa Catarina
ASA Articulação no Semi-Árido BrasiLeiro
BHRC Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão
BID Banco Interamericano de Desenvolvimento
CASAN Companhia Catarinense de Água e Saneamento
CCJ Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão Joinville
CDL Câmara de Dirigentes Lojistas
CEAJ Centro de Engenheiros e Arquitetos de Joinville
CIDASC Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina
CONURB Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville
CREA Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos
DIN Deutsches Institut für Normung e.V
DTU Development Tecchnology Unit – United Kingdom
EPAGRI Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
FATMA Fundação de Amparo Tecnológico ao Meio Ambiente
FEBRABAN Federação BrasiLeira dos Bancos
FUNASA Fundação Nacional de Saúde
FUNDEMA Fundação Municipal de Meio Ambiente
IBAMA Instituto BrasiLeiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis
IBGE Instituto BrasiLeiro de Geografia e Estatística
IPPUJ Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville
NEAM Núcleo de Educação Ambiental
ONGs Organizações Não-Governamentais
P1MC Programa 1 milhão de cisternas
PROMOTUR Fundação Turística de Joinville
PROSAR Projeto de Saneamento Rural
PURAE Programa de Conservação e Uso Racional de Água nas Edificações

xiv
PVC Policloreto de vinila
SAMA Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Joinville
SECOVI Sindicato da Habitação do RJ
SEINFRA Secretaria de Infra Estrutura Urbana de Joinville
SESC Serviço Social do Comércio
SINDUSCON Sindicato das Indústrias da Construção Civil
SUDERHSA Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental

xv
1 INTRODUÇÃO

A captação de água de chuva é uma técnica muito antiga e que foi sendo abandonada ao
longo do tempo, à medida que os sistemas de água encanada foram se expandindo.
Atualmente vem-se buscando um resgate desta prática porém com a utilização de novas
tecnologias que viabilizem a implantação do sistema. Sendo a água um recurso passível de
escassez, torna-se inviável a utilização de água clorada e fluoretada para fins menos nobres
como lavar calçadas, carros e regar plantas e jardins, práticas comuns na cidade de
Joinville, que poderiam muito bem ser realizadas com a água de chuva coletada dos
telhados das próprias residências. Em alguns casos, como na irrigação de jardins, esta
substituição é realizada com vantagens, em função da composição química da água de
chuva.

A busca por fontes alternativas de recursos naturais é uma necessidade decorrente tanto do
crescimento populacional como do aumento dos padrões de consumo dessa população. A
água é um recurso valioso e vital para a vida humana, e que se for superexplorado poderá
ser insuficiente para atender à demanda. A presente pesquisa teve como finalidade a
busca de práticas e tecnologias que permitam a utilização da água de chuva como fonte
alternativa deste recurso em áreas urbanas, através de práticas de gestão ambiental que
otimizem o uso da água.

Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina, corre o risco de sofrer as


conseqüências da falta de água dentro dos próximos vinte anos. Apesar da aparente
abundância dos recursos hídricos na região, causando uma falsa sensação de recurso
inesgotável, a degradação ambiental e o aumento da demanda colocam em risco o
fornecimento de água na cidade. A água está, cada vez mais, fazendo parte dos processos
industriais e, à medida que o município sofre um processo crescente de industrialização, o
consumo de água aumenta. O consumo residencial também sofreu um incremento ao longo
do tempo, devido às comodidades que foram obtidas por meio da tecnologia. Cada vez
mais os padrões de consumo estabelecem novas necessidades e, a maioria delas, está
diretamente relacionada com a utilização de água.

16
Outro aspecto a ser considerado na coleta das águas pluviais em Joinville é a situação
particular em que se encontra a cidade, com um dos maiores índices pluviométricos do país
e solo de característica extremamente argilosa e impermeável quando exposto diretamente
à ação das chuvas. A característica do solo, aliada à impermeabilização do mesmo,
resultante da ocupação urbana, é responsável pela diminuição da infiltração das águas
pluviais, reduzindo conseqüentemente a recarga do lençol freático e causando o acúmulo
desta água na superfície do solo. Uma vez que o lençol freático da região de Joinville é
pouco profundo, a capacidade de escoamento é pequena, e as enchentes ocorrem com
muita freqüência. A captação das águas pluviais em cisternas poderia diminuir
consideravelmente o volume de água lançado na rede pluvial e contribuiria para o controle
das cheias.

Com a execução do presente trabalho, buscou-se fazer um levantamento junto aos atores
sociais de Joinville para determinar a aceitação da implantação de sistemas de
aproveitamento de água da chuva e oferecer opções de técnicas viáveis para a implantação
de sistemas que utilizem as águas pluviais como fonte alternativa de recurso, contribuindo,
ao mesmo tempo, para o controle de enchentes que ocorrem na região. Estas técnicas
futuramente, poderão servir de base para a implantação de projetos de políticas públicas
voltadas à gestão ambiental, beneficiando toda a sociedade de Joinville.

Para que fosse avaliada a aceitação da população de Joinville em relação ao


aproveitamento da água de chuva foi elaborado um questionário. Este questionário foi
aplicado a uma amostragem dos segmentos representativos da sociedade, como a própria
comunidade, o governo local, as organizações não-governamentais (ONGs) e o setor
privado. O objetivo deste questionário foi avaliar o conhecimento que os atores sociais
apresentam sobre as ações que estão sendo desenvolvidas no município e que visam
garantir o abastecimento de água no futuro; a existência de fontes alternativas de água e
sobre a percepção ambiental relacionada à implantação de sistemas de captação e
aproveitamento da água de chuva em Joinville.

Buscou-se também, ao longo da execução desta pesquisa, a visitação de edificações no


município de Joinville que possuem sistema de captação e aproveitamento de águas
pluviais já implantados e em funcionamento. Nestas ocasiões verificou-se o tipo de sistema

17
implantado, para que finalidade a água é utilizada e qual a opinião dos usuários sobre a
viabilidade do aproveitamento da água de chuva.

Outro aspecto abordado na pesquisa foi uma consulta à legislação municipal referente à
gestão de recursos hídricos, abastecimento de água e ocupação dos lotes. Vários projetos
de Lei já foram apresentados e esta é uma tendência que pode ser verificada observando a
legislação de outros municípios.

As técnicas utilizadas para a captação e armazenagem das águas pluviais podem variar em
alguns detalhes, de acordo com as características da região onde são implementadas. Estas
características podem abranger desde o potencial pluviométrico e geográfico da região, até
a formação cultural e sócio-econômica dos atores envolvidos no processo. Os usos da água
resultante da captação, também deverão estar coerentes com a qualidade e quantidade desta
água captada. Assim sendo, procurou-se por meio de levantamentos junto aos atores
sociais, governamentais e não governamentais, buscar a identificação das tecnologias de
captação e aproveitamento de águas de chuva adequadas à realidade de Joinville.

Pela análise dos dados colhidos através da aplicação dos questionários, análise das
políticas públicas e levantamento dos sistemas de aproveitamento de águas pluviais já
implantados em Joinville, pode-se verificar a viabilidade destes sistemas desde que
devidamente adequados à realidade local e ao perfil da população.

Percebe-se que o primeiro passo para a implantação de projetos de melhoria ambiental nas
cidades é a interação com a comunidade, para determinar as suas necessidades e anseios,
adequando o projeto à realidade local. Desta forma esta pesquisa consiste na primeira etapa
deste processo, servindo como um diagnóstico do conhecimento prévio, dos anseios e
necessidades da comunidade joinvilense no que se refere ao aproveitamento da água de
chuva como complementação ao sistema público de abastecimento.

18
2 JUSTIFICATIVA

A água de chuva é um recurso disponível e abundante na cidade de Joinville, visto que o


seu potencial pluviométrico é elevado. De acordo com os dados da Estação Meteorológica
da UNIVILLE, a média pluviométrica anual para os anos de 1996 a 2004, ficou em torno
de 2200mm. Segundo Azevedo Netto (1991), uma precipitação anual acima de 2000mm é
considerada excelente em se tratando de aproveitamento de água de chuva para
abastecimento.

A busca de fontes alternativas de recursos naturais, entre estes os recursos hídricos, é uma
estratégia de gestão ambiental indispensável para evitar uma possível escassez, visto que a
demanda vem aumentando progressivamente, em decorrência do aumento dos níveis de
consumo e do crescimento populacional.

A cidade de Joinville foi escolhida como área de estudo pela sua situação particular de
ameaça de escassez de água, apesar do alto índice pluviométrico. Outro fator de relevante
importância na escolha da área de estudo trata-se das enchentes constantes que ocorrem na
cidade e os transtornos que estas enchentes acarretam à sociedade.

A importância deste trabalho está na determinação da viabilidade da utilização de uma


fonte alternativa de recursos para o município de Joinville, com base no que está sendo
realizado em outras partes do mundo. A utilização da água de chuva como recurso
adicional poderá ser fundamental no desenvolvimento sócio-econômico da cidade, bem
como na qualidade de vida da população, que não dependerá mais exclusivamente dos
mananciais superficiais, cada vez mais comprometidos pela poluição, risco ao qual estão
sujeitas até mesmo as águas subterrâneas.

Normalmente nas cidades, a grande distância entre o local de coleta de água e os


consumidores, aumenta os custos com o tratamento e transporte. Com o esgotamento das
melhores fontes, parte-se para o uso de águas de pior qualidade, como é o caso do Rio
Itapocu, em Joinville, o que aumentaria ainda mais o custo do tratamento. (GONÇALVES
E OLIVEIRA, 2001) Também, as redes de distribuição das cidades são extensas,

19
permitindo grandes perdas. Com os micro-reservatórios de águas pluviais localizados
próximos aos locais de consumo, estas perdas seriam mínimas (GONÇALVEZ, 2001).

A coleta de dados relativa aos benefícios das técnicas de aproveitamento de águas pluviais
é medida importante para a disseminação desta prática, uma vez que mais do que razões
operacionais, o maior obstáculo pode estar relacionado à falta de um gerenciamento
eficiente da água. Uma frase citada na abertura do IX Congresso Internacional de Sistemas
de Captação de Águas de Chuva, realizado em Petrolina, no ano de 1999, dizia que: “O
que é mais necessário é a aceitação moral dessas técnicas e a vontade política de
implementar os sistemas”.

Na América do Sul e no Caribe, os maiores problemas enfrentados pelos países que


desejam implementar técnicas de aproveitamento de águas pluviais são (Organization of
American States, 1997 apud PALMIER, 2001): a) dificuldade de difusão de informação
sobre as técnicas aplicadas com sucesso; b) falta de conhecimento da existência e
importância dessas técnicas nos vários níveis de participação pública e tomada de decisões;
c) limitações econômicas; d) ausência de coordenação interinstitucional e multidisciplinar;
e) ausência de uma legislação adequada; e f) incapacidade de avaliar de forma apropriada o
impacto da introdução de tecnologias alternativas nas situações existentes. Entre outras,
coletar dados relativos aos custos e benefícios dessas técnicas, identificar as condições para
transferir com sucesso técnicas de uma região para outra e propor formas de
monitoramento e avaliação para obtenção de dados básicos e informação da capacidade de
aceitação dos impactos socioeconômicos dessas técnicas; são algumas medidas que
poderiam ser estudadas e desenvolvidas para aprimorar o uso das técnicas de gestão de
água da chuva (SIEGERT et al.,1998 apud PALMIER, 2001).

Os resultados deste trabalho poderão servir como ferramenta para a elaboração de planos
de gestão ambiental em órgãos municipais responsáveis pela infra-estrutura urbana, bem
como pela sociedade em geral, diminuindo os custos com o consumo de água canalizada.
Com a perspectiva da cobrança pelo uso da água, certamente surgirá o interesse pela busca
de fontes alternativas para reduzir os custos nos processos industriais bem como nas
atividades domésticas.

20
3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

O objetivo geral da presente dissertação foi avaliar a percepção ambiental dos atores
sociais em relação à implantação de sistemas de captação e aproveitamento de água de
chuva no município de Joinville-SC.

3.2 Objetivos Específicos

Os objetivos específicos deste trabalho foram:

Verificar, junto aos órgãos municipais, a existência de políticas públicas referentes à gestão
das águas no município, uso e ocupação do solo, aproveitamento de águas pluviais, taxa de
impermeabilização dos lotes e outros aspectos relacionados ao tema;

Levantar junto aos atores sociais, governamentais e não-governamentais da área em


estudo, as opiniões sobre as alternativas de implantação do aproveitamento de água de
chuva e as ações que estão sendo tomadas no município que visam garantir o
abastecimento de água nos próximos anos;

Realizar um levantamento e avaliação das edificações no município de Joinville que já


possuam um sistema de captação e coleta de água de chuva e

Verificar a viabilidade ou não da utilização da água de chuva no município e quais as


estratégias de implantação destes sistemas que seriam adequadas à realidade de Joinville
levando-se em consideração a aceitação da comunidade.

21
4 ÁREA DE ESTUDO

4.1 História da Colonização de Joinville

Chegam em 9 de março de 1851 os primeiros colonos alemães.

Em fins de 1862, a colônia possuía cerca de cinco mil pessoas, a maioria das quais em
atividades agrícolas, sendo o centro da cidade constituído por uma centena de casas,
enquanto que na região colonial estas somavam a mais de seiscentas (TERNES, 1981).

Efetivamente, dez anos após a chegada dos primeiros colonos, o destino de Joinville
continuava definido: ser uma colônia agrícola. No entanto, os acontecimentos que se
seguiriam nas próximas duas décadas haveriam de modificar este panorama, fazendo com
que Joinville acabasse se tornando um núcleo urbano de intensas atividades e, mais
adiante, alcançando seus primeiros sintomas de núcleo urbano pré-industrial (TERNES,
1981).

As bases da história industrial joinvilense estão ligadas a simples transformações dos


produtos agrícolas, como os engenhos de açúcar e de cachaça, de farinha de mandioca e de
milho, nas serrarias e olarias (TERNES, 1981).

Joinville foi a cidade catarinense que mais rapidamente se desenvolveu e com cerca de
cinqüenta anos já era uma comunidade de empreendedores, com vida cultural
particularmente própria, mesmo porque quase toda desenvolvida em língua alemã, e desta
forma se destacando no panorama catarinense. Sempre obteve as atenções do Governo
Imperial por se tratarem de terras da irmã de Dom Pedro II e assim logrou um
desenvolvimento muito maior do que qualquer outra comunidade catarinense. Este
desenvolvimento se deve, em grande parte, pelo espírito tenaz dos colonizadores alemães
que enfrentavam todas as dificuldades encontradas com perseverança, para transformar as
novas terras e iniciarem uma vida nova, para si e seus descendentes (TERNES, 1981).

22
Com o surgimento da energia elétrica, em 1906, Joinville obteria maiores perspectivas
industriais. No entanto, o que efetivamente contribuiu para o aceleramento do
desenvolvimento econômico joinvilense foi a eclosão da Primeira Guerra Mundial, que
forçou um desenvolvimento resultando na expansão de pequenas indústrias de “fundo de
quintal”, e que, em muitos casos, constituem a origem das muitas empresas que possuímos
atualmente (TERNES, 1981).

O ano de 1906 também foi marcado pelos efeitos de uma grande enchente, a primeira de
que se tem registro, que destruiu algumas casas e provocou pânico e desespero (Figura 1).
Esta enchente atingiu ainda outras cidades da região, como Jaraguá do Sul. A enchente se
registrou no mês de março e Joinville ganhou as atenções do estado e até do País, obtendo,
na época, um auxílio do governo federal para indenizar parcialmente os prejuízos
(TERNES, 1981).

Figura 1 - Enchente em Joinville no início do século


passado. (ANotícia)

Em 1938 Joinville sofreria a célebre “campanha de nacionalização”, episódio que marcou a


história. A expansão das indústrias e a necessidade crescente de mão de obra atraíram a
população de outras regiões catarinenses o que também resultou na diluição do caráter
germânico da cidade. Apesar disto, ainda hoje a cidade mantém vínculos com a Alemanha
que podem ser percebidos no desenvolvimento tecnológico de muitas das indústrias da
cidade (TERNES, 1981).

Entre as décadas de 50 e 80, Joinville viveu outro surto de crescimento: com o fim do
conflito mundial, o Brasil deixou de receber os produtos industrializados da Europa. Isso
23
fez com a cidade se transformasse em pouco tempo em um dos principais pólos industriais
do país, recebendo por isso a denominação de "Manchester Catarinense" (referência à
cidade inglesa de mesmo nome). O crescimento desordenado trouxe também problemas
sociais que persistem até os dias atuais, como desemprego, miséria, criminalidade, falta de
segurança pública e infra-estrutura deficitária.

O perfil da população modificou-se radicalmente com a chegada de migrantes vindos de


várias partes do país em busca de melhores condições de vida. Aos descendentes dos
imigrantes que colonizaram a região, e que hoje são minoria, somam-se pessoas das mais
diferentes origens étnicas, formando uma população de cerca de 500.000 habitantes
(PREFEITURA MUNICIPAL DE JOINVILLE, 2004).

4.2 Aspectos Biogeográficos do Município de Joinville


4.2.1 Localização

Geograficamente a cidade localiza-se nas coordenadas de 26°18’05’’S; 48°50’38’’O; e


está a uma altitude de 3 metros acima do nível do mar (Figura 2) (KUNZE, 1994).

Figura 2 - Localização de Joinville na


América Latina. (IPPUJ)

24
Joinville é a maior cidade do Estado de Santa Catarina e localiza-se a 180 quilômetros ao
norte de Florianópolis (KUNZE, 1994).

O município compreende uma área de 1.135.05 km2, sendo que 191,14 km2 são destinados
ao perímetro urbano (Figura 3) (DEFESA CIVIL DE JOINVILLE, 2004).

Segundo dados do IBGE (2000), a população de Joinville é de 436.585 habitantes.

Figura 3 - Mapa do município de Joinville. (IPPUJ)

4.2.2 Geomorfologia

A geomorfologia do município de Joinville é constituída por planícies, com ocorrência de


morros isolados, as encostas da Serra do Mar e o seu contraforte que forma o planalto. As
planícies foram formadas por processos marinhos ou fluviais e, em alguns casos, pelos dois
processos associados. Nestas planícies ocorrem morros isolados, com um alinhamento
Norte e Sul. Nestes morros observa-se o embasamento geológico totalmente
25
intemperizado, ou seja, todos os minerais que constituem as rochas, com exceção do
quartzo, viram argila, através da ação do clima sobre as rochas. Deste processo foi gerado
um solo de característica extremamente argilosa, que o torna impermeável e vulnerável a
processos erosivos quando extremamente encharcado, ou quando está exposto diretamente
à ação das chuvas. A região de planalto exibe um relevo suave, tendo pequenas colinas e é
nesta paisagem que se situam as nascentes dos rios Cubatão, Piraí e do Júlio
(GONÇALVES e OLIVEIRA, 2001).

4.2.3 Vegetação

A vegetação da região de Joinville pode ser classificada, de forma geral, como Floresta
Ombrófila Densa, parte integrante do domínio da Floresta Atlântica. Este tipo de vegetação
assume tipologias diferenciadas de acordo com as características climáticas e edáficas da
região, e cobria originalmente quase a totalidade da extensão do município. A Floresta
Atlântica caracteriza-se pela grande variedade de espécies, formando uma vegetação densa
e exuberante, que atinge altura superior a 30 metros. As copas das árvores maiores
destacam-se, formando uma camada relativamente uniforme e fechada. No seu interior
formam-se ainda outros estratos de plantas menores, adaptadas à iluminação difusa
(DEFESA CIVIL DE JOINVILLE, 2004).

4.2.4 Hidrografia

Com relação aos recursos hídricos, Joinville é um município privilegiado por ter quase
todas as nascentes de seus rios contidas dentro dos próprios limites municipais. Este fato
possibilita ao município de Joinville um enorme poder de gestão sobre os seus recursos
hídricos. São quatro as principais bacias hidrográficas do município de Joinville: Cubatão,
Cachoeira, Piraí e Rio do Júlio, além de pequenas bacias do Leste que nascem nas encostas
dos morros do Iririú e Boa Vista e deságuam na Baía de Babitonga. A bacia do rio Quiriri,
apesar de não estar contida nos limites municipais, é uma importante sub-bacia do Rio
Cubatão, que nasce no município de Garuva, respondendo por cerca de 40% do volume de
água que é captado para abastecimento público de Joinville na estação do Rio Cubatão. É
interessante observar que a alta densidade dos recursos hídricos no município reflete tanto
a composição do solo argiloso, menos permeável, dificultando a infiltração da água da

26
chuva no solo, quanto o alto índice pluviométrico da região (GONÇALVES e OLIVEIRA,
2001).

As bacias do Piraí e do Rio do Júlio fazem parte da grande bacia hidrográfica do Rio
Itapocu que abrange, além do município de Joinville, os municípios de Jaraguá do Sul,
Schroeder, Guaramirim e Corupá. Esta bacia drena a porção Central a Oeste do município
(DEFESA CIVIL DE JOINVILLE, 2004).

4.2.5 Climatologia

Com relação ao índice pluviométrico tem-se que a precipitação anual média do período
compreendido entre 1996 e 2004 é de 2238,0 mm. Tendo, precipitação média mínima de
1401,8 mm em 2003 e, máxima, de 3048,4 no ano de 1998. Observando-se o gráfico da
precipitação pluviométrica mensal entre 1996 e 2004 (Figura 4), nota-se que os totais
mensais medidos no período mostram uma acentuada redução nos meses compreendidos
entre abril e agosto, tendo uma precipitação mínima mensal em abril de 2000 de 12,1mm.
Já nos meses compreendidos entre setembro e março há um aumento dos índices
pluviométricos, atingindo uma máxima mensal em fevereiro de 2001 (599,4mm)
(UNIVILLE, 2004).

Precipitação Mensal entre 1996 e 2004


1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
700
600
500
400
mm

300
200
100
0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Figura 4 - Gráfico da precipitação pluviométrica mensal entre 1996 e 2004. (UNIVILLE)

Em termos de números de dias de chuva por mês, tomando-se como referência o período
compreendido entre os anos de 1996 a 2001, tem-se uma média de 8 a 10 dias de chuva por
mês entre os meses compreendidos entre abril e agosto, com um mínimo de três dias em
27
abril de 2000, enquanto que nos meses de setembro a março o número de dias de chuva
varia de 15 a 20 dias, alcançando um pico máximo de 26 dias em setembro de 1998 (Figura
5) (CCJ, 2004).

Figura 5 - Gráfico dos dias de chuva por mês entre 1996 e 2001. (UNIVILLE)

A temperatura média entre os anos de 1996 e 2001 ficou em torno de 22,17°C. A


temperatura máxima média no período foi de 32,14ºC, enquanto que a temperatura mínima
média foi de 12,7ºC, sendo que a maior temperatura registrada foi de 38,5ºC e a menor de
5,5ºC. Quanto à umidade relativa do ar, tem-se uma variação de 81,3% á 86,1%,
caracterizando a região como muito úmida (CCJ, 2004). Diante do exposto tem-se que o
clima da região pode ser classificado segundo a escala de Köeppen, como "mesotérmico
úmido sem estação seca definida (Cfa)", devido a sua localização geográfica estar sujeita à
entrada de massas tropicais marítimas, que ao se chocarem coma a Serra do Mar provocam
a chamada precipitação frontal orográfica, fazendo com que a região de Joinville apresente
um dos maiores índices pluviométricos do estado (Figura 6) (CCJ, 2004).

Figura 6 - Chuva Total Anual em Santa Catarina. (EPAGRI)

28
5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

5.1 História do Aproveitamento de Água da Chuva

A captação de águas de chuva em sistemas individuais de abastecimento de água tem sido


uma prática usual há muitos anos. Segundo Plínio Tomaz (2003) existem reservatórios
escavados há 3.600 a.C. e a Pedra Moabita, uma das inscrições mais antigas do mundo,
encontrada no Oriente Médio e datada de 850 a.C., onde o rei Mesha dos Moabitas sugere
que as casas tenham captação de água de chuva.

Em sistemas públicos essa técnica também vem sendo aplicada em comunidades pequenas.
Na década de 60, Obras Sanitárias da Nação executou três sistemas de abastecimento nas
cidades argentinas de Corzuela, Avia Terai e Campo Largo. Pouco antes o autor havia
projetado um pequeno sistema para um bairro da cidade de Santos, onde faltava água. No
Brasil, a instalação mais antiga foi construída pelos norte-americanos na Ilha de Fernando
de Noronha, em 1943 (AZEVEDO NETTO,1991).

Existem duas situações de aplicação para o aproveitamento das águas pluviais: em áreas de
grande pluviosidade, como medida preventiva para contenção de cheias, ou em casos
extremos, em áreas de seca, onde se procura acumular a água da época chuvosa para a
época de estiagem, com o propósito de garantir, ao menos, a água para beber (FUNASA,
2002).

Segundo Gnadlinger (2000) coleta e aproveitamento da água de chuva tem sido uma
técnica muito popular em muitas partes do mundo, especialmente em regiões áridas e semi-
áridas (aproximadamente 30% da superfície da terra). A colheita de água da chuva foi
inventada independentemente em diversas partes do mundo e em diferentes continentes há
milhares de anos. Foi usada e difundida especialmente em regiões semi-áridas onde as
chuvas ocorrem somente durante poucos meses e em locais diferentes (Figura 7).

29
Figura 7 - Regiões áridas e semi-áridas do globo. (Gnadlinger, 2000)

Em todo o mundo existem exemplos de utilização de técnicas de captação de água de


chuva como na região semi-árida da China onde o problema de abastecimento de água foi
resolvido trazendo resultados positivos fundamentais para o desenvolvimento econômico e
social da região. (GNADLINGER, 2000 apud PALMIER, 2001) Esta técnica já era
conhecida no Planalto de Loess, na China, há dois mil anos, quando já existiam cacimbas e
tanques para a água de chuva (GNADLINGER, 2000).

Na década de 1970 várias cidades da Índia tiveram nas técnicas de captação de água de
chuva a solução para a sua produção agrícola e passaram da situação de importadoras a
exportadoras de alimentos. No meio da década de 1980, a população da cidade de
Gopalpura, também na Índia, localizada em uma região propensa a secas, passou a reviver
as práticas de captação de escoamento superficial e o sucesso do empreendimento motivou
outras 650 cidades próximas a desenvolver esforços similares, levando à elevação do nível
do lençol freático, rendimentos maiores e mais estáveis provenientes das atividades
agrícolas, e redução das taxas de migração. Impressionado com o sucesso da experiência
do uso de técnicas de captação de águas de chuva, o ministro chefe do estado de Madhya
Pradesh, ainda na Índia, repetiu a iniciativa em 7.827 cidades. O projeto atendia a quase
3,4 milhões de hectares de terra entre 1995 e 1998 (WORLD WATER COUNCIL, 2000
apud PALMIER, 2001).

No mundo árabe, diversos sistemas de captação de água de chuva estão sendo


desenvolvidos, onde a grande necessidade de água estimula o máximo uso de cada gota de

30
água. As técnicas de captação de água de chuva são praticadas há milênios em vários
países da região, sendo comuns em países como a Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes,
Iêmen, Omã e Tunísia. Nestes países utiliza-se o sistema de recarga de águas subterrâneas
através da construção de barragens que fazem parte de planos nacionais de
desenvolvimento (PETRY e BOERIU, 1998 apud PALMIER, 2001).

No Irã podem ser encontrados os Abanbars, tradicional sistema de captação de água de


chuva comunitário (Figura 8). Há 2.000 anos existiu um sistema integrado de manejo de
água de chuva e agricultura de escoamento de água de chuva no deserto de Negev, hoje
território de Israel e Jordânia (GNADLINGER, 2000).

Figura 8 - Abanbars, tradicional sistema de captação de água comunitário do


Irã. (Gnadlinger, 2000)

Em comunidades do Sri Lanka, apesar do elevado índice de precipitação média observado


no país, devido a sua variabilidade espacial, uma grande parte da população está sujeita a
situações de escassez de água. Tradicionalmente, técnicas de colheita de água de chuva
vêm sendo utilizadas por estas populações para atender a usos domésticos; porém, a água
não podia ser armazenada por um longo período em função da deterioração de sua
qualidade. A partir de 1995, um programa do governo federal foi iniciado para promover a
construção de tanques de armazenamento de capacidade de 5.000 litros, providos de um
sistema de filtro, que garantia a qualidade adequada da água (ARIYABANDU apud
PALMIER, 2001).

31
Existem também exemplos de captação de água de chuva para barcos, principalmente
veLeiros, onde o toldo que protege os tripulantes do sol pode ser usado como estrutura de
coleta, que em seguida é transferida para um reservatório (DUARTE apud GONÇALVEZ,
2001).

Nas Américas, Gnadlinger (2000) salienta as práticas pré-colombianas do povo Maya na


península de Yucatan, hoje México. O México como um todo é rico em antigas e
tradicionais tecnologias de coleta de água da chuva, datadas da época dos Astecas e Mayas.
Ao sul da cidade de Oxkutzcab, ao pé do monte Puuc, ainda hoje podem ser vistas as
realizações do povo Maya. No Séc. X existia ali uma agricultura baseada no
aproveitamento da água de chuva. As pessoas viviam nas encostas e sua água potável era
fornecida por cisternas com capacidade de 20.000 a 45.000 litros, chamadas Chultuns
(Figura 9).

Figura 9 - Chultuns, cisternas em encostas com capacidade para 20.000 a 45.000


litros. (Gnadlinger, 2000)

Estas cisternas tinham um diâmetro de aproximadamente 5 metros e eram escavadas no


subsolo calcário, revestidas com reboco impermeável. Acima delas havia uma área de
captação de 100 a 200 m2. Nos vales usavam-se outros sistemas de captação de água de
chuva, como aguadas (reservatórios de água de chuva cavados artificialmente com
capacidade de 10 a 150 milhões de litros) e aquaditas (pequenos reservatórios artificiais
para 100 a 50.000 litros). Estas aguadas e aquaditas eram usadas para irrigar árvores
frutíferas e bosques além de fornecer água para o plantio de verduras e milho em pequenas
32
áreas. Muita água era armazenada, garantindo-se água até para períodos de seca
inesperados (GNADLINGER, 2000).

Em Santa Catarina temos o primeiro uso comprovado da água de chuva no século XVIII,
por ocasião da construção das fortalezas de Florianópolis. Na Fortaleza de Ratones, que
está situada na Ilha de Ratones, sem fonte de água, foi construída uma cisterna que
coletava a água dos telhados. Esta água era usada para fins diversos, inclusive para o
consumo das tropas (RAMOS, 1983 apud GONÇALVEZ, 2001).

O desaparecimento dos sistemas de coleta de água da chuva na península de Yucatan,


segundo Gnadlinger (2000), ocorreram em parte pelas lutas entre os diversos povos
indígenas, mas principalmente pela invasão espanhola no Séc. XVI. Os colonizadores
espanhóis introduziram um outro sistema de agricultura, vários animais domésticos,
plantas e métodos de construção europeus, que não eram adaptados à realidade cultural e
ambiental de Yucatan. Razões semelhantes causaram o desaparecimento da coleta de água
de chuva na Índia. O sistema colonial britânico só se interessava por tributos, forçando as
pessoas a abandonarem o sistema de coleta de água comunitário dos vilarejos, causando
assim o colapso de um sistema centenário.

O progresso técnico dos Séc. XIX e XX ocorreu principalmente nos países desenvolvidos,
em zonas climáticas moderadas e úmidas, sem necessidade de captação de água de chuva.
Como conseqüência da colonização, práticas de agricultura de zonas climáticas moderadas
foram implantadas em zonas climáticas mais secas. Além disso, houve uma ênfase na
construção de grandes barragens, no desenvolvimento do aproveitamento de águas
subterrâneas, e em projetos de irrigação encanada, com altos custos. Segundo Gnadlinger
(2000), estas são algumas razões porque as tecnologias de coleta de água de chuva foram
deixadas de lado ao longo do tempo ou completamente esquecidas.

A dimensão da importância do ressurgimento desta tecnologia pode ser retratada pela


repercussão internacional que surgiu a seu respeito. Em 1994, na cidade americana de
Austin, Texas, foi formada a Associação Americana de Captação de Água da Chuva. Em
abril de 1998 foi criada a Associação Japonesa (GONDIM, 2001).

33
Mais recentemente em 1999, por ocasião da “9º Conferência Internacional de Sistemas de
Captação de Água da Chuva” e do “2º Simpósio BrasiLeiro sobre Sistemas de Captação de
Água de Chuva” realizados simultaneamente em Petrolina, foi criada a Associação
BrasiLeira de Captação e Manejo de Água da Chuva (ABMAC) (SICKERMANN, 2002).

5.2 Exemplos Atuais

Na Europa, principalmente na Alemanha, são muitos os exemplos de aplicação de novas


tecnologias em áreas urbanas. O objetivo da instalação dos sistemas de coleta de águas
pluviais teve o seu início com a finalidade principal de combater as enchentes urbanas,
decorrentes da impermeabilização do solo, devido à pavimentação asfáltica e as
construções, que impedem que a água seja absorvida. Cerca de cinqüenta empresas
européias são especializadas na fabricação de equipamentos para coleta, filtragem e
armazenamento da água de chuva. Só na Alemanha, cerca de 100 mil sistemas de captação
são instalados por ano, sendo que a maioria das novas construções adota o sistema e em
alguns municípios existem incentivos por parte dos órgãos municipais (SICKERMANN,
2000).

Algumas empresas da Europa também podem ser citadas como a Volkswagen AG que
utiliza a água de chuva nas torres de resfriamento em várias unidades de produção na
Alemanha e na Polônia, suprindo 10% da demanda total. O Centro de Manutenção da
Lufthansa-Technik AG, em Hamburgo, na Alemanha, utiliza a água de chuva sobretudo
em serviços de lavagem de aeronaves e na seção de pinturas, substituindo até 60% da
demanda anteriormente suprida por água canalizada. Na Exposição Mundial “Expo 2000”
em Hanover, também na Alemanha, cujo tema foi “Homem-Natureza-Tecnologia” foram
instalados sistemas de coleta de água de chuva em todas as construções da mostra. A água
foi utilizada em várias fontes artísticas utilizadas para aproximar o público do tema “água”.
Neste caso, utilizou-se cloração e irradiação UV, para afastar qualquer risco que o contato
direto de crianças com a água pudesse oferecer (SICKERMANN, 2002).

A Alemanha, que irá sediar a Copa Mundial de Futebol em 2006, divulgou em 2003 a
operação “Gol Verde”. Trata-se de um projeto para fazer com que a Copa seja o primeiro
grande evento esportivo em que o impacto sobre o meio-ambiente seja mínimo. Entre as
medidas a serem adotadas neste evento está o armazenamento de água de chuva para, de
34
acordo com os organizadores, suprir 20% do total da água consumida no torneio. Um dos
principais usos a que será destinada a água de chuva será a rega dos gramados
(AMBIENTE NOTÍCIAS, 2003).

No Brasil algumas empresas também já adotam o sistema de aproveitamento das águas


pluviais como forma de minimizar os gastos com o consumo de água canalizada e
assumirem uma posição de destaque frente às políticas ambientais e sociais. A Ford do
Brasil utiliza água de chuva em alguns de seus processos internos, bem como o fabricante
de acessórios metálicos para automóveis Keko.

A empresa chilena Masisa, maior produtora latino-americana de painéis de madeira,


investiu cerca de R$ 1,3 milhões em um projeto que reutiliza a água da chuva na sua
fábrica brasiLeira, localizada em Ponta Grossa-PR. O programa possibilita o
aproveitamento da água em processos como geração de vapor, diluição de resinas e
limpeza de madeiras usadas no processo de produção. Com a implantação deste sistema
procura-se reduzir de forma considerável a captação nos três poços artesianos utilizados
pela fábrica. A intenção é a manutenção de apenas um poço artesiano para suprir o
consumo humano. O programa consiste na armazenagem da água de chuva, mais
abundante nos meses de janeiro, fevereiro e setembro, em duas lagoas. Esta água depois é
bombeada para uma estação de tratamento onde passa pelos tanques de pós-sedimentação e
cloração, de onde então sai pronta para ser usada na produção (GAZETA MERCANTIL,
2003).

A construtora Plaenge, em Cuiabá, contratou uma empresa especializada para elaborar um


sistema de aproveitamento de água de chuva para a irrigação de jardins e limpeza no piso
térreo das edificações. Este sistema foi implantado no edifício Clarice Lispector, lançado
no início de 2003. O sistema consiste em captar as águas pluviais do telhado do edifício,
transportar por condutores até um reservatório localizado no subsolo, passando por filtros
para retirar as impurezas sólidas. Neste reservatório há uma bomba que leva a água para a
rede de torneiras utilizadas para a irrigação dos jardins e para a lavação de pisos das áreas
comuns do prédio. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Rogério Iwankiw, o
sistema de captação pode gerar uma economia de 50 mil litros por mês, podendo variar em

35
função dos índices de precipitação. A água coletada é utilizada no período de seca, quando
o consumo é maior (ESTAÇÃO VIDA, 2003).

Uma empresa de couro, no município de Maracanaú-CE, com o uso de tecnologias limpas


está economizando cerca de 30% da água consumida através da implantação de sistemas
de reutilização e aproveitamento de água de chuva (Figura 10). A água de refrigeração das
máquinas é levada para uma cisterna para ser reutilizada no processo de produção. Nesta
mesma cisterna é armazenada a água de chuva captada que também será utilizada na
produção. Este projeto foi desenvolvido com a parceria do Núcleo de Tecnologias Limpas
do Ceará. São utilizados de dois a três mil metros cúbicos de água de chuva por mês,
quando o consumo total é de seis a sete mil metros cúbicos de água bruta, gerando uma
economia de 30%, segundo o gerente de produção da empresa, o químico José Manoel da
Soledade (MESQUITA, 2003).

Figura 10 - Reservatório de 1.500 m3 que armazena água


de chuva juntamente com a água de refrigeração para
reuso. (MESQUITA, 2003)

A rede Accor Hotéis também implantou no Hotel Íbis Paulínia, em São Paulo, um sistema
de captação de água da chuva, que faz parte do Projeto Ecológico do plano de gestão
ambiental da rede. O aproveitamento da água de chuva é efetuado paralelamente ao reuso
da água de chuveiros e lavatórios nas descargas dos vasos sanitários das unidades
habitacionais, depois de passar por um tratamento de purificação. Calcula-se que o
investimento para a reutilização das águas seja pago em um ano (HOTELNEWS, 2002). O
Hotel Íbis, de Blumenau-SC, também está instalado um sistema de captação e
aproveitamento de água da chuva. A área de captação fica localizada praticamente na

36
mesma linha do reservatório, localizado sob o telhado, fazendo com que não haja
necessidade de recalcar a água de baixo para cima. A capacidade de armazenagem é de
8.000 litros de água de chuva. Segundo os responsáveis pela obra não se tem dados exatos
da economia que o sistema representa, mas calcula-se que certamente os gastos com a
implantação do sistema poderão ser recuperados no primeiro ano de operação.

A Tecksid do Brasil, empresa de fundição do grupo Fiat, inaugurou em 2001 uma estação
de tratamento de águas pluviais, juntamente com outra de efluentes líquidos. O projeto faz
parte da estratégia da empresa para tornar-se auto-suficiente em água de utilização
industrial (VALOR ECONÔMICO, 2001).

Em São Paulo, a empresa Santa Brígida, cuja garagem abriga mais de 500 ônibus, toda a
água de chuva que cai sobre os 9 mil metros quadrados da área coberta é captada por
canaletas e direcionada para uma rede de piscinões subterrâneos, com capacidade para 150
mil litros cada um. Esta água é aproveitada para a lavagem de pisos, peças e veículos, sem
receber nenhum tratamento. Segundo o gerente de manutenção da empresa, Itamar Lopes
Santos, a empresa faz cerca de 700 lavagens de ônibus diariamente. Cada operação usa, em
média, 400 litros de água, o que significa um consumo diário de 280 mil litros só para a
limpeza dos ônibus. Durante a estação das chuvas, a demanda é suprida quase
completamente pela água de chuva captada (ESCOBAR, 2002).

A unidade de Santo Amaro do Serviço Social do Comércio (SESC), em São Paulo,


inaugurada em março de 2002, também possui infra-estrutura para a captação de água de
chuva do telhado, que é aproveitada para a irrigação de jardins e lavagem de pisos. Na
unidade de Santarén esta água é usada ainda para abastecer 20 descargas sanitárias a partir
de um reservatório no térreo. O mesmo poderia ser feito nos banheiros dos pisos
superiores, mas isso significaria mais gastos com equipamentos e energia. Nos meses mais
chuvosos a economia pode chegar a 100 mil litros/mês. O investimento, segundo o gerente
adjunto de engenharia do SESC Humberto Bigaton, não passou muito de R$ 1.500 gastos
na cisterna de concreto, com capacidade para 24 mil litros. O único tratamento aplicado à
água é a separação do material sólido (ESCOBAR, 2002).

37
Também em São Paulo está a Escola Viva, localizada na Vila Olímpia, zona sul da capital
e que atende crianças da Educação Infantil ao Ensino Fundamental. Desde 2000, esta
instituição colocou em prática os princípios ambientais que ensina aos alunos e inaugurou
o primeiro prédio ecológico do Brasil. Situado no Itauim, o edifício foi construído de
maneira que os recursos naturais fossem aproveitados sem causar impacto ambiental. Um
dos pontos do projeto da escola é o telhado com um grande coletor de água da chuva, que é
armazenada (KERR, 2003). A água de chuva, depois de passar por um pequeno tratamento
é usada nas descargas dos banheiros, na lavagem do pátio e para regar o jardim
(CAMPANILI, 2003). A obra foi destaque nacional, conquistou o Prêmio Master
Imobiliário de 2001 e foi desenvolvido em processos ecológicos auto-sustentáveis (AN
VERDE, 2003).

Em Curitiba-PR, pode-se observar o exemplo das lojas da rede varejista americana Wall
Mart Store. As lojas da rede são construídas com sistemas de retenção da água de chuva
que é captada em toda a área do prédio e do estacionamento, com o principal objetivo de
evitar alagamentos e enchentes (RANGEL, 2001).

Em Santa Catarina, na cidade de Concórdia, foi firmado em março de 2002, um acordo


entre a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI)
e a Empresa BrasiLeira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) para a implantação de um
projeto piloto de captação de água da chuva que está sendo realizado nos municípios de
Seara, Xavantina e Ipumirim. Esta região sofre pela contaminação do lençol freático
devido à criação intensiva de suínos (SANTA CATARINA, 2002).

A Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está


desenvolvendo um projeto de reaproveitamento de água de chuva. Há previsão de que o
gasto de água no prédio seja reduzido em 30% e o retorno do investimento aconteça em 32
meses, a partir do início do funcionamento do sistema (TRATAMENTO DE ÁGUA,
2002).

Atualmente, com o surgimento de Leis que tratam da captação de água da chuva para a
contenção de cheias em várias cidades do Brasil, os sistemas de captação e aproveitamento

38
de água de chuva tem se difundido rapidamente e os exemplos estão aumentando
significativamente.

A captação da água de chuvas no Nordeste BrasiLeiro é de grande importância para a


maioria dos técnicos envolvidos com problemas relativos ao suprimento de água potável ao
homem, aos animais e à produção de alimentos na região. Nos anos em que a precipitação
é considerada irregular, nos períodos de estiagem, as chuvas embora variáveis no tempo e
no espaço, caem suficientemente para suprir as demandas ao longo do ano, caso sejam
armazenadas (PEREIRA, 1983).

5.3 Legislação

Na Califórnia, Alemanha e Japão são oferecidos financiamentos para a construção de


sistemas de captação de água de chuva. Hamburgo foi o primeiro estado alemão a instalar
sistemas de aproveitamento de água de chuva, sendo concedido pelo governo cerca de US$
1.500,00 a US$ 2.000,00 a quem aproveitasse a água de chuva. Em algumas cidades da
Alemanha os usuários de águas pluviais devem comunicar ao serviço de água municipal a
quantidade estimada de água de chuva que está sendo usada e os fins a que se destina. Em
alguns casos poderá ser cobrada a tarifa de esgoto sanitário (TOMAZ, 2003).

Na cidade de São Paulo, a Lei Municipal nº13.276 (Anexo A), aprovada em 04 de janeiro
de 2002, torna obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por
coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada
superior a 500m2, como medida para a contenção de enchentes. Esta Lei coloca a execução
dos reservatórios para acumulação de águas pluviais como condição para o Certificado de
Conclusão da Obra. A Lei municipal utiliza como fórmula para o cálculo da capacidade do
reservatório a seguinte equação:

V = 0,15 × Ai × IP × t

Onde:
V = volume do reservatório (m3)
Ai = área impermeabilizada (m2)
IP = índice pluviométrico igual a 0,06 m/h
t = tempo de duração da chuva (em horas)

39
A Lei também determina que a água do reservatório poderá ser despejada na rede pública
de drenagem após uma hora de chuva, infiltrar-se no solo ou ser conduzida para outro
reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis (SÃO PAULO, 2002).

A Lei nº 13.276 de São Paulo é resultado de um Projeto de Lei apresentado em 1997 pelo
vereador Adriano Diogo, com a consultoria técnica do matemático Elair Antônio Padin.
Esta Lei só vale para as edificações erguidas depois da aprovação da mesma
(MAGALHÃES, 2001). Esta Lei ficou conhecida como Lei das Piscininhas, em analogia
aos reservatórios de detenção já existentes na cidade, chamados de piscinões. Piscinão é
uma barragem utilizada para conter as enxurradas na época das chuvas fortes. O piscinão
funciona como um freio onde a água da chuva entra por uma abertura maior e sai por uma
menor, diminuindo a vazão.

No município de Santo André (SP) a Lei Municipal nº 7.606, de 23 de dezembro de 1997


regulamenta a cobrança de taxa referente ao volume de água lançado na rede de coleta
pluvial do município. Este volume é calculado pelo índice pluviométrico médio mensal do
município associado à área coberta de cada imóvel, segundo a fórmula:

TD = p × V

Onde:
TD = taxa de drenagem (em unidade monetária vigente)
P = custo médio mensal, por m3 do sistema de drenagem (em unidade monetária vigente)
V = volume lançado pelo imóvel (m3)

O valor de “V” é calculado com base no coeficiente de impermeabilização, do índice


pluviométrico e da área coberta do imóvel (SANTO ANDRÉ, 1997).

Em Guarulhos a Lei nº 5617/97, do Código de Obras do Município de Guarulhos, traz no


seu Apêndice A a Lei sobre reservatório de detenção, definindo o dimensionamento do
reservatório em função da área do lote e permitindo a reutilização da água de chuva
contida nestes reservatórios para a irrigação de jardins, lavagens de passeio ou a sua
utilização como água industrial. Já o Apêndice B desta mesma Lei regulamenta o método

40
não tradicional de detenção em lotes exibindo uma planilha para o cálculo do
dimensionamento destes reservatórios (GUARULHOS, 2001).

No Plano Diretor de Praia Grande-SP, de 26 de dezembro de 1996, no Art. 79 que trata da


drenagem urbana está definido que deverá ser dada especial atenção “à proposição de
medidas não estruturais que garantam a redução dos picos de cheia, entre as quais destaca-
se a criação de incentivos, no caso de obras particulares, e a adoção no caso de obras
públicas, de maiores índices de permeabilidade do solo e/ou de implantação de cisternas
para retenção das águas de chuva passíveis de utilização para rego e lavagem de pisos e
calçadas” (PRAIA GRANDE, 1996).

Em Niterói-RJ a Lei nº 1620 de 23 de dezembro de 1997, que define disposições relativas a


aprovação de edificações residenciais unifamiliares, institui no seu Artigo 19 a taxa de
impermeabilização máxima de 90% para as edificações localizadas na Zona Urbana. Em
seu § 2º determina que ficam dispensadas da exigência de taxa de impermeabilização as
edificações que apresentarem soluções de acumulação e/ou aproveitamento de águas
pluviais (NITERÓI, 1997).

Em Campinas existe o Projeto de Lei nº 204/02 que torna obrigatória a execução de


reservatório para as águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou
não, que tenham área impermeabilizada superior a 500 m2. A fórmula adotada para o
dimensionamento da cisterna é a seguinte:

V = Ai × IP

Onde:
V = volume do reservatório (m3)
Ai = área impermeabilizada (m2)
IP = índice pluviométrico igual a 80 mm3.

O projeto de Lei de Campinas prevê um prazo de até dois anos para que as edificações ou
lotes construídos ingressem no modo de captação proposto. Este projeto de Lei também foi
orientado com base na proposta de Elair Antônio Padin, que certificou o registro do projeto
em Marcas e Patentes sob nº PI 9705539-5 (CAMPINAS, 2003).

41
O Plano Diretor de Drenagem para a Região de Curitiba da Superintendência de
Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do Paraná
(SUDERHSA), traz um novo conceito em matéria de drenagem, partindo do princípio de
que as grandes galerias pluviais não comportam todo o volume de água das chuvas
torrenciais, e transformou em Leis municipais as propostas de implantação de sistemas
para captação de águas pluviais (RANGEL, 2001).

Em Curitiba-PR a Lei nº 10.785/03 de 18 de setembro de 2003, cria no município o


Programa de Conservação e Uso Racional de Água nas Edificações – PURAE (Anexo B).
Este programa tem como objetivo instituir medidas que induzam à conservação, uso
racional e utilização de fontes alternativas para captação de água nas novas edificações,
bem como a conscientização dos usuários sobre a importância da conservação da água. O
Art. 7º determina que a água das chuvas será captada na cobertura das edificações e
encaminhada a uma cisterna ou tanque, para ser utilizada em atividades que não requeiram
o uso de água tratada, proveniente da rede pública de abastecimento, tais como: a) rega de
jardins e hortas; b) lavagem de roupa; c) lavagem de veículos; d) lavagem de vidros,
calçadas e pisos. Esta Lei resultou da aprovação do Projeto de Lei do vereador João
Cláudio Derosso (CURITIBA, 2003).

Curitiba, sempre foi pioneira na busca de soluções visando o desenvolvimento urbano


adequado e a conservação e preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Em
11/07/95, editou a Lei 8681, a qual dispõe sobre a instalação de Postos de Abastecimento
de Combustível e Serviços e cria a obrigatoriedade em executar medidas preventivas de
proteção ao meio ambiente, especialmente no sistema de armazenamento de combustíveis,
e em seu Art. 9 º estabelece que : "Os estabelecimentos que executarem lavagem de
veículos, deverão possuir uma cisterna para captação das águas pluviais , as quais deverão
ser utilizadas nos serviços de lavagem, ficando seus prazos e parâmetros a serem definidos
em legislação específica" (CURITIBA, 1995).

Anteriormente a aprovação do PURAE em Curitiba, outro projeto de Lei já havia sido


apresentado tornando obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por
coberturas e pavimentos para as novas edificações que viessem a impermeabilizar uma
área superior a 500 m2, proposto pelo Vereador André Passos em 2002 (CURITIBA,

42
2002). Este projeto, posteriormente, teve uma proposta de substitutivo geral que alterava o
texto para “Torna obrigatória a implantação de cisternas ou reservatórios de acumulação
nos empreendimentos que especifica e dá providências correlatas”. Estes empreendimentos
eram determinados de acordo com a sua localização, independente da área
impermeabilizada (CURITIBA, 2003). Tanto o projeto de Lei quanto o substitutivo não
foram aprovados e provavelmente não o serão, uma vez que o PURAE preenche todas as
expectativas em relação ao tema, sendo inclusive mais abrangente abordando temas como
a educação ambiental e conscientização da população para a racionalização do uso dos
recursos hídricos.

Uma comissão da Secretaria Municipal de Urbanismo está trabalhando na regulamentação


do PURAE. O grupo é formado por técnicos da secretaria, representantes de entidades
ligadas à construção civil, Instituto dos Engenheiros do Paraná e Conselho Regional de
Engenharia do Paraná (CREA-PR), além de professores universitários. O Sindicato da
Indústria da Construção Civil do Estado do Paraná (SINDUSCON) criou uma comissão
paralela à da Secretaria de Urbanismo para estudar a viabilidade da implantação da Lei, e
deverá propor mudanças a mesma por alegar que o cumprimento da Lei acarretaria um
aumento significativo nos custos da obra. O programa deve ser regulamentado até final de
março de 2004, quando a Lei entra em vigor (GAZETA DO POVO, 2004).

Em Goiânia – GO foi apresentado em 25 de setembro de 2003 o Projeto de Lei nº


2003000158 de autoria do vereador Clécio Alves que institui programa de
reaproveitamento de águas provenientes de lavatórios, banheiros, chuvas e dá outras
providências (GOIÂNIA, 2003). O tema do projeto foi sugerido pelo presidente do Comitê
da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte, Augusto Almeida Netto. Este projeto foi
inspirado pela aprovação do projeto de Lei de Curitiba e sugere que as águas de reuso
sejam utilizadas em descargas de vasos sanitários e mictórios. A proposta defende que a
prefeitura de Goiânia ofereça orientação técnica e conceda incentivos aos donos de
habitações que se inscreverem no programa para realizar as adaptações de seus imóveis.

O projeto de Lei exige que a regulamentação do programa conte com pareceres técnicos de
órgãos de construção civil que estejam vinculados a atividades de preservação e
conservação do meio ambiente (AMBIENTE BRASIL, 2003).

43
Na cidade do Rio de Janeiro foi publicado no Diário Oficial do Município o Decreto nº
23.940 que condiciona o recebimento do habite-se à construção de reservatórios para
captar água de chuva. Esta exigência se aplica a prédios residenciais que tenham mais de
50 apartamentos e também para imóveis com mais de 500 m2 de área impermeabilizada
(SECOVI, 2004). A água armazenada deverá ser escoada através de infiltração no solo,
podendo também ser despejada gradualmente na rede pública de drenagem uma hora após
a chuva. Caso seja reaproveitada, o reservatório deverá atender às normas sanitárias. Os
reservatórios serão construídos de acordo com o tamanho da área impermeabilizada e o
volume pluviométrico da região. O decreto proíbe qualquer comunicação entre o sistema
de água pluvial com o de água potável para evitar contaminação. Os locais descobertos
para estacionamento ou guarda de veículos para fins comerciais deverão ter 30% de sua
área com piso drenante ou área naturalmente permeável (GAZETA MERCANTIL, 2004).

Em todo o país existem estudos e até minutas de Lei que pretendem obrigar condomínios
residenciais, industriais e comerciais a reterem a água de chuva, para diminuir as enchentes
urbanas. Também estão sendo criadas novas regras sobre a parcela do terreno que deverá
ser mantida sem a colocação de pisos, para facilitar a infiltração da água no solo (BIO,
2001).

A resistência na aprovação dos projetos de Lei relacionados ao aproveitamento de água de


chuva está na dificuldade de se estabelecer parâmetros para a sua regulamentação, uma vez
que não existem ainda normas técnicas específicas para o reuso de água de chuva. Alguns
pesquisadores defendem que os parâmetros exigidos para fins não potáveis para os quais a
água de chuva seria utilizada poderiam ser os mesmos utilizados para os testes de
balneabilidade. Já outros afirmam que poderiam ser adotadas as normas estabelecidas para
reuso de esgoto doméstico ou com características similares estabelecidas na NBR
13969:1997 que tratam do reuso local. Esta norma determina que o esgoto tratado deve ser
reutilizado para fins que exigem qualidade de água não potável, mas sanitariamente segura,
tais como irrigação dos jardins, lavagem dos pisos e de veículos automotivos, descarga de
vasos sanitários, manutenção paisagística dos lagos e canais com água, irrigação dos
campos agrícolas e pastagens (ABNT, 1997).

44
Segundo a NBR 13969:1997 podem ser definidos as seguintes classificações e respectivos
valores de parâmetros exigidos, conforme o reuso, de acordo com a Tabela 1:

TABELA 1 – Classificação das águas de reuso.


USOS PARÂMETROS TRATAMENTO
Classe 1 Lavagem de carros e outros Turbidez inferior a cinco; São geralmente necessários
usos que requerem o contato coliforme fecal inferior a 200 tratamento aeróbio seguido
direto do usuário com a NPM/100mL; por filtração convencional e
água, com possível Sólidos dissolvidos totais cloração
aspiração de aerossóis pelo inferior a 200 mg/L; pH entre
operador, incluindo 6,0 e 8,0; cloro residual entre 0,5
chafarizes. mg/L e 1,5 mg/L.
Classe 2 Lavagens de pisos, calçadas Turbidez inferior a cinco; É satisfatório um
e irrigação dos jardins, coliforme fecal inferior a 500 tratamento biológico
manutenção de lagos e NMP/100mL; cloro residual aeróbio seguido de filtração
canais para fins superior a 0,5 mg/L. de areia e desinfecção.
paisagísticos, exceto Pode-se também substituir a
chafarizes. filtração por membranas
filtrantes.
Classe 3 Reuso nas descargas dos Turbidez inferior a 10; Tratamento aeróbio seguido
vasos sanitários. coliformes fecais inferiores a de filtração e desinfecção.
500 NMP/100 mL.
Classe 4 Irrigação de pomares, Coliforme fecal inferior a 5000
cereais, forragens, pastagens NMP/100 mL e oxigênio
para gados e outros cultivos dissolvido acima de 2,0 mg/l.
através de escoamento
superficial ou por sistema
de irrigação pontual.
Fonte: ABNT

A Portaria nº 1.469, de 29 de dezembro de 2000, publicada pelo Ministério da Saúde


estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da
qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, inclusive referindo-
se a soluções alternativas de abastecimento de água para consumo humano no item III, do
Capítulo II de seu Anexo: norma de qualidade da água para consumo humano. No entanto
a utilização da água de chuva para consumo humano só deve ser uma alternativa a ser
considerada em casos onde o fornecimento de água tratada não supre a demanda, como
ocorre na região do semi-árido nordestino (BRASIL, 2001).

A coleta e aproveitamento da água de chuva também está sendo tema de normatização da


Associação BrasiLeira de Normas Técnicas, que está em fase de elaboração das normas
para Captação e Uso Local de águas Pluviais, a qual está sendo feita em conjunto com as
normas de Uso Racional de Águas – Métodos e Processo Educativo e com as normas de
Reuso de Efluentes do Sistema de Tratamento Local de Esgotos. A Comissão de Estudos
da ABNT está utilizando como referência o a norma alemã DIN 1989-1 do Deutsches

45
Institut für Normung e.V, aprovada em abril de 2002 e que trata de sistemas de
aproveitamento de águas pluviais: parte 1 – planejamento, execução, operação e
manutenção (DIN, 2002).

5.4 Técnicas de Aproveitamento de Águas de Chuva

A situação dos recursos hídricos em diversos países apresenta um desafio enorme pelos
responsáveis pela sua gestão. Em muitas regiões a demanda excede a quantidade de água
disponível e mesmo em regiões onde a disponibilidade de água é grande, a falta de manejo
destes recursos pode fazer com que a população sofra com períodos de estiagem.

Segundo Petry apud Palmier (2001) o aumento das demandas domésticas e industriais de
água implica que os recursos hídricos superficiais e subterrâneos deverão ser aproveitados
de uma maneira mais efetiva e as soluções requerem uma visão mais integrada da gestão
de recursos hídricos. Uma das principais soluções citadas por este autor inclui o aumento
da água disponível por acréscimo da capacidade de armazenamento. A construção de
grandes barragens tem sido a opção escolhida em muitas regiões do mundo, porém seus
custos econômicos e ambientais têm sido apontados como causas da diminuição na taxa de
construção dessas estruturas. As alternativas sugeridas são: pequenas barragens,
armazenamento de água em regiões pantanosas, recarga de aqüíferos, técnicas tradicionais
de armazenamento em pequena escala e métodos de colheita de precipitações e vazões de
água em cursos intermitentes.

Os países ricos possuem condições financeiras e conhecimento para enfrentar os


problemas relacionados com a escassez de água, utilizando-se de métodos como a
transposição de bacias e construção de grandes reservatórios, ainda que de alto
investimento e, freqüentemente causando danos aos ecossistemas. Portanto, as nações
pobres são as mais vulneráveis ao problema da escassez de água, além de não possuírem os
recursos hídricos adicionais, não dispõe de condições econômicas para alterar suas
características de desenvolvimento (WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION
apud PALMIER, 2001).

Segundo Palmier (2001) países ricos e pobres podem ser atendidos com técnicas
alternativas de aproveitamento de água, principalmente as técnicas de colheita de chuva e
46
vazões em cursos de água intermitentes, aplicáveis tanto em áreas rurais, para agricultura
ou abastecimento doméstico, ou em áreas urbanas. Os princípios, métodos de construção,
uso e manutenção estão disponíveis e existem muitas opções diferentes, podendo ser
adequados às diferentes necessidades e disponibilidade financeira (PALMIER, 2001).

As antigas técnicas de aproveitamento de água da chuva, baseadas em práticas tradicionais,


agora com o uso de materiais modernos, ou novas tecnologias, recebem o nome genérico
de técnicas de gestão de águas de chuva. Segundo Petry apud Palmier (2001) as técnicas
mais representativas da gestão das águas de chuva são: aumento da precipitação, redução
de evaporação, captação de água da chuva, captação de água de escoamento superficial,
recarga artificial de águas subterrâneas, conservação da umidade em solos e gestão da água
de chuva para a agricultura; sendo que as duas primeiras técnicas têm aplicação muito
limitada.

A construção de pequenas barragens superficiais de até 2,5 metros, de forma sucessiva em


encostas, de forma a conter enxurradas e aumentar a recarga das reservas subterrâneas tem
sido proposta por Barros (2000), e o testemunho dos usuários da unidade demonstrativa
criada no município de Sete Lagoas afirma a elevação do nível d’água verificado nas
cisternas (PALMIER, 2001). O planejamento de um sistema de captação envolve o
relacionamento da área de captação com o volume a armazenar. Pode-se reservar um
suprimento viável permitindo ao usuário desenhar a alternativa menos onerosa.

A área de captação pode ser o próprio solo, nos casos de macro-drenagem, ou a área de
telhado nos sistemas individuais (GONDIM, 2001). A macro-drenagem tem a função de
reter um volume considerável de água quando o fluxo é muito intenso, mas não permite o
aproveitamento desta água sem um prévio tratamento e sua construção é muito dispendiosa
além de ocupar áreas urbanas extensas, que poderiam ser utilizadas para outros fins.

Exemplos de macro-drenagem envolvendo grandes bacias de retenção são os diversos


parques e lagos criados próximos a rios em Curitiba, como é o caso do lago do Parque
Barigüi, que despeja a água no rio Barigüi e serve como um grande acumulador de água
(RANGEL, 2001).

47
O sistema de abastecimento com água de chuva pode ser complementado pelo
aproveitamento de outras fontes assim como pode suprir ou complementar outro tipo de
sistema. Na maioria dos casos o uso de água de chuva reduz o custo de energia e de
tratamento em sistemas com dupla fonte (AZEVEDO NETTO, 1991).

A água de chuva pode ser utilizada como manancial abastecedor, sendo armazenada em
cisternas. As cisternas são reservatórios, que acumulam a água da chuva captada na
superfície dos telhados dos prédios, ou a que escoa pelo terreno. A cisterna tem sua
aplicação em áreas de grande pluviosidade, ou em casos extremos, em áreas de seca, onde
se procura acumular a água da época de chuva para a época de seca (BARROS, 1995).

A água da chuva pode ser captada em pátios ou em áreas inclinadas guarnecidas com lajes
de concreto e armazenadas em tanques subterrâneos, como ocorre na China (Figura 11).
Esta água é utilizada para irrigação de culturas comercializáveis como verduras, ervas
medicinais, flores e árvores frutíferas (GNADLINGER, 2000).

Figura 11 - Pátio utilizado como área de captação de água da chuva


utilizada para irrigação, na China. (GNADLINGER, 2000)

Em algumas partes da região semi-árida podemos ver represas cavadas manualmente na


rocha. Sua água é geralmente usada para os animais. As barragens subterrâneas armazenam
a água do escoamento para uso posterior. A parede da barragem é construída para baixo da
superfície do chão em solo raso, em direção ao subsolo cristalino impermeável (Figura 12).
Assim estas represas captam a água de escoamento de uma grande área natural de captação
superficial (GNADLINGER, 2000).
48
Figura 12 - Represa para armazenar água de escoamento superficial
comumente utilizada em regiões semi-áridas. (GNADLINGER, 2000)

A água de chuva, no meio urbano, pode ser aproveitada para diversos usos não exigindo
tratamentos dispendiosos. Atividades como lavar calçadas, carros, descargas dos vasos
sanitários e regar plantas, dispensam o uso de água potável. A figura 13 mostra os detalhes
de um sistema de aproveitamento de água de chuva onde a água é coletada pela superfície
do telhado, armazenada em uma cisterna após passar por um processo de filtragem.

Figura 13 - Detalhes do sistema de captação de água de chuva para uso residencial. (3PTechnik)

Da cisterna a água é bombeada para um reservatório de onde é distribuída para ser


utilizada nos vasos sanitários, máquina de lavar roupas e torneira do jardim. A água da
chuva é armazenada separadamente da água da rede de distribuição.
49
Outros sistemas mais simples podem ser projetados para diminuir os custos de implantação
(Figura 14). Os sistemas e materiais utilizados devem ser adaptados caso a caso.

Figura 14 - Esquema de captação de água de chuva em


uma residência. (3Ptechnik)

As calhas utilizadas para captar a água do telhado podem ser de vários tipos de material,
desde os mais específicos até materiais alternativos normalmente usados no semi-árido
como canos de PVC cortados ao meio, folhas de zinco dobradas em forma de “L” como
mostra a figura 15, até latas de óleo ou madeira (GNADLINGER, 1999).

Figura 15 – Calha em zinco em forma de “L”.


(GNADLINGER, 1999)

Já em sistemas mais elaborados as calhas podem ser de alumínio, metal galvanizado ou de


plástico (PVC), tendo uma tela fina cobrindo a sua abertura para separar as folhas, gravetos
e outros materiais depositados no telhado no período entre chuvas. Alumínio ou metal

50
galvanizado são recomendados por sua resistência à corrosão, sendo as calhas de plástico
mais baratas e com bom desempenho para áreas de telhado pequenas (GONÇALVEZ,
2001).

O Sistema Bella Calha desenvolvido pela Metalúrgica Cacupé em Florianópolis é


confeccionado todo em alumínio e oferece ao comprador todas as instruções para que ele
mesmo faça a instalação das calhas (Figura 16) (CACUPÉ, 2003).

Figura 16 - Instruções de instalação da calha e aparência do sistema já instalado. (CACUPÉ,


2003)

5.4.1 Tipos de cisternas

A melhor forma de armazenamento é a cisterna subterrânea. Sem luz e calor, retarda-se a


ação das bactérias. Em geral, qualquer material impermeável e não tóxico pode ser usado:
fibra de vidro, tanques de polietileno, aço inox ou concreto. As cisternas maiores são
normalmente feitas de concreto que ainda têm a vantagem de neutralizar a acidez da água
da chuva (GONÇALVEZ, 2001).

Apesar das cisternas enterradas serem consideradas mais adequadas e apresentarem um


custo em torno de 50% inferior, 80% dos usuários afirmam preferir as cisternas apoiadas.
Um resumo das vantagens e desvantagens das cisternas enterradas e apoiadas é mostrado
na Tabela 2:

51
TABELA 2 – Vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de cisterna.
Vantagens Desvantagens
Cisternas • Facilita a verificação de rachaduras e • Necessita de espaço;
apoiadas vazamentos; • Geralmente é mais cara;
• A retirada da água pode ser feita pela • É danificada mais facilmente;
gravidade; • Está sujeita ao ataque de intempéries;
• Pode ser elevada para aumentar a • Uma falha pode ser perigosa.
pressão da água.
Cisternas • As paredes podem ser mais finas, • A retirada da água é mais difícil
enterradas diminuindo os custos; requerendo bombas e encanamentos;
• É mais difícil de esvaziar por descuido, • Rachaduras e vazamentos são de difícil
deixando a torneira aberta; detecção;
• Não requer muito espaço; • É maior a possibilidade de
• A água se mantém a uma temperatura contaminação pela água proveniente do
mais baixa; solo ou de inundações;
• Alguns usuários preferem porque se • A estrutura pode ser danificada por
assemelha a um poço. raízes de árvores;
• Se o tanque não for devidamente
coberto pode apresentar riscos de
acidentes com crianças, ou ser
contaminada por pequenos animais;
• Pode acontecer de veículos pesados
danificarem a cisterna;
• É mais difícil de ser esvaziada para
limpeza.
Fonte: DTU, 2003.

Segundo Gnadlinger (2000), entre os tipos diferentes de cisternas usadas para resolver o
problema da água potável em áreas rurais do nordeste brasiLeiro, a cisterna de placa de
concreto com tela de arame, fortificada com arame galvanizado e rebocada por dentro e
por fora, tem sido a mais construída (Figura 17).

Figura 17 - Etapas da construção de uma cisterna de placas. (GNADLINGER, 1999)

No entanto, a aderência entre as placas de concreto algumas vezes pode ser fraca
resultando em rachaduras por onde a água pode vazar. Por esta razão, a cisterna de
concreto com tela de arame (Figura 18), que utiliza uma fôrma durante a primeira fase de
52
construção, pode vir a ser o modelo mais apropriado para a região. Uma cisterna desse tipo
raramente vaza e, se isso acontecer, poderá ser facilmente consertada. É igualmente
adequada para grandes e pequenos programas de construção de cisternas. Outro tipo de
cisterna que, segundo Gnadlinger (1999) também pode ser utilizada no semi-árido
brasiLeiro é a cisterna enterrada feita de tijolos e argamassa de cal (Figura 18). Esta
cisterna fica praticamente enterrada na sua totalidade e utiliza a técnica conhecida pelos
agricultores para construir fornos de carvão. Uma das suas vantagens é que, exceto alguns
quilos de cimento, todo o material de construção é disponível podendo ser fabricada pelo
próprio agricultor.

Figura 18 - Cisterna de concreto com tela de arame (esquerda) e cisterna enterrada de tijolo e cal.
(GNADLINGER, 1999)

Tanques metálicos também podem ser encontrados em várias partes do mundo (Figura 19).
A vantagem dos tanques metálicos está no fato de poderem ser levados até o local e
montados em um curto espaço de tempo por uma pessoa especializada. Também não
requerem que seja feita uma fundação extremamente firme porque a estrutura metálica já
oferece o suporte necessário. Nos países em desenvolvimento podem ser observados
problemas com corrosão no fundo do tanque depois de um período de uso de dois anos,
aproximadamente. A construção de um reforço de metal ao redor da base do tanque pode
resolver este problema, mas isso já faz com que a aceitação dos tanques de metal seja
menor. Este problema geralmente não aparece nos tanques fabricados nos países
desenvolvidos já que os tanques normalmente recebem uma camada plástica no seu interior
(DTU, 2003).

53
Figura 19 - Grande tanque metálico em área rural da
Austrália. (DTU, 2003)

As cisternas mais modernas são confeccionadas em uma única peça, sendo portanto mais
estanques e higiênicas (Figura 20). Estas cisternas têm função dupla: uma parte da água
fica armazenada para ser utilizada posteriormente e outra parte da cisterna funciona como
“buffer”, liberando a água da chuva em uma vazão controlada após o término da
precipitação. Na entrada da cisterna sugere-se a colocação de um “freio d’água”, para não
agitar a água armazenada, prejudicando o processo de sedimentação (3P Technik, 2002).

Figura 20 - Imagem da cisterna simples para armazenamento e à direita a cisterna com reservatório duplo, para
armazenamento temporário da chuva. Em detalhe, mecanismo desenvolvido para garantir um fluxo de
abastecimento contínuo, independente do volume acumulado na cisterna. (3PTechnik, 2002)

A Metalúrgica Cacupé está lançando no mercado um novo modelo de cisterna enterrável


(Figura 21). A cisterna é feita em polietileno, com grande resistência e baixo peso. O
modelo para cinco mil litros pesa apenas 230 quilos e pode ser assentado diretamente no
solo (CACUPÉ, 2003).

54
Figura 21 - Cisterna enterrável. (CACUPÉ, 2003)

No Oregon, província localizada no oeste do Estados Unidos, são utilizadas cisternas


plásticas para armazenar a água da chuva (Figura 22). Em alguns casos os usuários
recebem aprovação do município para a utilização da água de chuva para todos os usos
domésticos. O método utilizado para a desinfecção da água é através de luz ultravioleta
com capacidade para esterilizar cerca de 38 L/min. O sistema também conta com filtros,
bomba para elevar a água e um equipamento redutor de pressão para evitar que a água de
chuva entre em contato com a rede de distribuição (EXPERIMENTS...,2003).

Figura 22 - Cisterna plástica utilizada no Oregon. (EXPERIMENTS...,2003)

Outro exemplo de utilização de tanques de plástico é a Alemanha (Figura 23). Os tanques


de plástico são muito comuns em países desenvolvidos e estão em crescente
55
desenvolvimento, competindo com materiais mais tradicionais como o cimento ou metal.
Nos países em desenvolvimento este material não é muito utilizado pelo seu alto custo, no
entanto esta situação está se modificando. Em regiões como o Sri Lanka e a África do Sul
já se encontram os tanques de plástico com preços acessíveis (DTU, 2003).

Figura 23 - Modelo de tanque plástico fabricado na Alemanha e tanques


plásticos em uso em Uganda. (DTU, 2003)

Existe uma outra técnica de aproveitamento de água de chuva que é mais simplificada e
consiste simplesmente na colocação de um barril, que pode ser plástico ou metálico, na
descida das calhas que coletam a água do telhado (Figura 24). Este barril fica apoiado
sobre o solo e possui uma torneira por onde é retirada a água. A cidade de Vancouver, na
costa oeste do Canadá, possui um programa piloto para a conservação da água que subsidia
a compra de barris para armazenar a água de chuva. Esta água é utilizada exclusivamente
para a rega de gramados e jardins onde, segundo os dados do projeto, é consumida cerca de
40% de toda a água de uso doméstico durante o verão. O barril é de fácil instalação e já
vem com saídas para regadores, mangueiras, e sistema que impede a abertura por crianças
(WATER CONSERVATION HOTLINE, 2003).

Os barris de óleo são um dos reservatórios mais amplamente utilizados em todo o mundo.
No entanto, deve-se ter alguns cuidados importantes para a sua utilização. Alguns barris,
agora utilizados para o armazenamento de água de chuva, eram utilizados anteriormente
para transportar produtos químicos, muitas vezes tóxicos; alguns não possuem condições
de serem devidamente tampados, oferecendo riscos para a qualidade da água e favorecendo
o desenvolvimento de mosquitos; a retirada da água pode ser um problema caso não sejam
feitas as adaptações para instalação das saídas para torneira, mangueira e extravasor.

56
Figura 24 - Barris utilizados para o armazenamento de água de chuva. (WATER
CONSERVATION HOTLINE, 2003)

Se forem tomados os devidos cuidados referentes a estes aspectos, os barris podem ser uma
alternativa de baixo custo para o armazenamento de pequenos volumes de água de chuva
(DTU, 2003).

5.4.2 Dimensionamento da cisterna

Segundo Plínio Tomaz (2003) deve-se salientar que o dimensionamento de cada


reservatório é diferente para casos onde o objetivo é a captação nas casas para se evitar
enchentes e nos casos onde se visa o uso da água de chuva. Para a captação da água de
chuva para evitar enchentes o reservatório tem de ficar vazio para a próxima chuva,
enquanto que para a captação da água de chuva para aproveitamento, o reservatório tem
sempre de ficar com um pouco de água para uso (TOMAZ, 2003). Entretanto, o mesmo
autor também afirma que pode ser uma idéia razoável a execução simultânea dos dois
reservatórios, sendo um para o aproveitamento e outro para controle de enchentes,
57
principalmente quando a área de captação utilizada for somente o telhado, o que possibilita
uma melhor qualidade da água captada.

Nos Estados Unidos e um grande número de países da Ásia adota-se com freqüência o
sistema de abastecimento individual de casas com água de chuva utilizando-se os telhados
como área de coleta. O Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos recomenda que seja
feito o cálculo para o dimensionamento da cisterna, em função da área disponível de
telhado e considerando o aproveitamento total de precipitações de 760 mm/ano.(Tabela 3)
Em condições mais favoráveis de pluviosidade poder-se-ia reduzir o volume de reserva
(AZEVEDO NETTO, 1991).

TABELA 3 – Dimensionamento do filtro e reserva em função da área de


telhado.
Área de telhado (m2) Filtro (m) Reserva (m3)
37 1,00 × 1,00 28,4
56 1,20 × 1,65 42,6
74 1,45 × 1,20 57,3
93 1,45 × 1,80 71,2
112 1,80 × 1,80 85,5
Fonte: AZEVEDO NETTO, 1991

Segundo Yuri (2003), no dimensionamento de sistemas de coleta e armazenamento de


água de chuva devem ser efetuados três cálculos: a) definição da área de captação; b)
definição de consumo diário; c) definição do volume do reservatório.

Para um melhor dimensionamento de áreas de coleta e armazenamento das águas de chuva


deve ser feita uma análise estatística dos períodos diários consecutivos sem precipitações
para a determinação dos períodos de seca na região em estudo (YURI, 2003).

Segundo Yuri (2003), pode-se utilizar então, para o dimensionamento do volume total de
água necessário a seguinte fórmula:

Vt = (((N × S) × U) × 1,1) × 10-3


Onde:
Vt = volume total do reservatório (L)
N = nº de consumidores
S = consumo per capita (L)
U = período de estiagem (dias)

58
Com base na análise da variação do volume de água armazenado no reservatório, no
consumo e na precipitação ocorrida, foi feito um balanço hídrico seriado para a
determinação da disponibilidade hídrica e do dimensionamento da cisterna em função da
área de captação, de forma que o fornecimento de água fosse suficiente para o período de
estiagem. Desta forma foi gerado um ábaco (Figura 25) para o dimensionamento de
estruturas de coleta e armazenamento de água de chuva, segundo os dados levantados na
região de Florianópolis, onde foi realizado o experimento (YURI, 2003).

Figura 25 - Ábaco para dimensionamento de estruturas de coleta e


armazenamento de água de chuva para um consumo diário de 20 L, para um
período de estiagem de 26 dias. (YURI, 2003)

Já Sickermann (2002) menciona a fórmula utilizada pelo Eng. Plínio Tomaz em seu livro
“Conservação da Água”, para calcular qual o volume de água que poderia ser captado de
acordo com a pluviosidade local e a área de captação:

Q=P×A×C

Onde:
Q = volume anual de água (m3)
P = precipitação anual (mm ou L/m2)
A = área projetada da cobertura (m2)
C = coeficiente de escoamento superficial (runoff)

59
Há que se considerar, no entanto, que a distribuição das chuvas não é igual ao longo do
ano, havendo épocas onde a concentração de chuvas é muito maior. Nestes casos a
precipitação anual não fornecerá resultados satisfatórios, sendo mais indicado o cálculo
separado para cada mês, utilizando como valores de precipitação o histórico de anos
anteriores.

O coeficiente de escoamento superficial (C) é utilizado porque, para efeito de cálculo, o


volume de água de chuva que pode ser aproveitado não é o mesmo que o precipitado. O
coeficiente de escoamento superficial pode variar de 0,90 a 0,67. O valor de perda de água
de chuva que irá ser considerado é devido à limpeza do telhado, perda por evaporação,
material do qual o telhado é confeccionado e outras (TOMAZ, 2003).

Segundo Plínio Tomaz (2003) existem vários coeficientes de runoff adotados nas
diferentes regiões, mas indica que o melhor valor a ser adotado como coeficiente de runoff
é C = 0,80, que significa uma perda de 20%.

Plínio Tomaz (2003) sugere em seu livro “Aproveitamento de Água de Chuva” uma série
de cálculos que possibilitam o dimensionamento da cisterna envolvendo vários aspectos,
como o número médio de dias sem chuvas, as precipitações médias mensais, o consumo
mensal máximo e sugere que também seja levado em consideração o custo de instalação do
sistema.

5.4.3 Qualidade da água de chuva

Quando se utiliza como área de captação o telhado da casa, deve-se ter o cuidado de
verificar qual o material de que este telhado é confeccionado.

Segundo Plínio Tomaz (2003) as fezes de passarinhos e outras aves e animais depositadas
sobre os telhados e carregadas com a chuva, podem trazer problemas de contaminação por
bactérias e de parasitas gastro-intestinais e, dependendo dos materiais utilizados na
confecção dos telhados, a contaminação poderá ser ainda maior. Os fatores de
contaminação podem ser além das fezes de passarinhos e pombas, as fezes de ratos e
outros pequenos animais, poeiras, folhas de árvores, o revestimento do telhado, tintas, etc
(TOMAZ, 2003).
60
Podem ocorrer também alterações na concentração de certos elementos variando de acordo
com a localização geográfica da área em questão. Próximo ao oceano a água de chuva
apresenta elementos como o sódio, potássio, magnésio, cloro e cálcio cem concentrações
proporcionais às encontradas na água do mar. Em áreas urbanas e pólos industriais passam
a ser encontradas alterações nas concentrações naturais da água de chuva devido a
poluentes do ar, como o dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx) ou ainda
chumbo, zinco e outros. Já o pH da água de chuva é normalmente ácido, variando entre 5,0
até 3,5, quando há o fenômeno da “chuva ácida” (TOMAZ, 2003).

5.4.4 Cuidados e equipamentos para garantir a qualidade da água

Segundo Plínio Tomaz (2003) a qualidade da água de chuva pode ser encarada em quatro
etapas: a) antes de atingir o solo; b) após escorrer pelo telhado; c) dentro do reservatório;
4) no ponto de uso.

Segundo o Manual de Saneamento divulgado pela Fundação Nacional de Saúde


(FUNASA), devem-se abandonar as águas das primeiras chuvas, pois lavam os telhados
onde se depositam a sujeira proveniente de pássaros animais e poeira. Para evitar que essas
águas caiam na cisterna, o manual sugere que desconectem os tubos condutores de descida,
que normalmente devem permanecer desligados para serem religados manualmente, pouco
depois de iniciada a chuva. Existem dispositivos automáticos que permitem o desvio, para
fora das cisternas, das águas das primeiras chuvas e das chuvas fracas, aproveitando-se,
unicamente, as das chuvas fortes (FUNASA, 1999).

Para a autolimpeza, isto é, a eliminação da água da lavagem do telhado devido a


impurezas, é utilizada uma regra em função da precipitação e da área de captação, e os
valores adotados também variam de uma região para outra (TOMAZ, 2003).

Um equipamento, desenvolvido recentemente por uma equipe multidisciplinar, permite a


seleção da água, deixando passar o primeiro volume de água para a rede de drenagem,
sendo o restante conduzido para o reservatório (Figura 26). O aparelho E’lfer, como é
chamado, mede continuamente o fluxo de água captado do telhado. Quando este fluxo
estiver livre do material particulado será desviado para o reservatório. Para cada região e

61
característica do telhado, corresponderá um volume para o dispositivo desviar o fluxo
(ÁGUA ON LINE, 2002).

Figura 26 – Equipamento E’lfer.

Outra forma de evitar a contaminação da água coletada e preservar a sua qualidade é a


utilização de filtros. O filtro por onde a água escoa antes de ser armazenada na cisterna usa
como meio filtrante areia e pedra calcária britada, material que neutraliza a acidez natural
da chuva. O carvão ativado é usado para fins de desinfecção (ÇONÇALVEZ, 2001).

Existem também filtros específicos para o sistema de captação de água de chuva (Figura
27).

Figura 27 - Esquema do filtro utilizado para remoção


de partículas depositadas sobre a área de captação. (3P
Technik)

O filtro funciona da seguinte maneira: a água bruta entra pelas aberturas superiores (1) e é
direcionada, passando entre os vãos da cascata (2). A sujeira mais grossa, como folhas e

62
gravetos, passa por cima dos vão e vai direto para a galeria pluvial (3). A água de chuva, já
livre das impurezas maiores, passa então por uma tela de aço-inox com malha de 0,26 mm.
Este filtro é recomendado para telhados até 300 m2, existindo outros modelos para grandes
telhados (3P TECHNIK, 2002).

É indicada a instalação de um “by-pass” (Figura 28) ligando a canalização de água de


chuva antes do filtro diretamente à canalização da galeria pluvial, pois caso haja excesso
de água de chuva no sistema, este excesso corre diretamente para a galeria pluvial,
evitando um possível colapso (CACUPÉ, 2003).

Figura 28 - Filtro instalado indicando a localização do “by-pass”. (CACUPÉ,


2003)

A água captada deve ser armazenada separadamente da água tratada, proveniente da rede
de distribuição. O sistema de aproveitamento de água da chuva deve ser sempre
identificado quando for utilizado em complementação a outros sistemas de abastecimento.
As torneiras do sistema de água de chuva devem ser preferencialmente do tipo com
acionamento restrito (Figura 29), para que pessoas não a utilizem inadvertidamente para
fins não adequados.

Além disso, o sistema de realimentação, que abastece a cisterna em longos períodos de


estiagem com a água tratada, deve tornar impossível o refluxo de água da cisterna da chuva

63
para a tubulação de água da rede de distribuição. Para garantir a qualidade da água devem
ser feitas limpezas periódicas nos reservatórios e filtros (SICKERMANN, 2002).

Figura 29 - Modelos de torneira de acionamento restrito. (Fonte: DOCOL)

Segundo Plínio Tomaz (2003) a água potável municipal não deve, em hipótese alguma,
estar interligada com a água de chuva, evitando-se assim a possível contaminação da rede
pública com uma conexão cruzada ou cross conection. A conexão cruzada é o ponto de
contato entre a água potável e a água não potável, permitindo o fluxo da água de um
sistema para o outro, simplesmente havendo uma pressão diferencial entre os dois
(TOMAZ, 2003).

Outros cuidados a serem tomados para garantir a qualidade da água dentro da cisterna são,
segundo Plínio Tomaz (2003), evitar a entrada da luz do sol no reservatório para impedir o
crescimento de algas. A tampa de inspeção deverá ser hermeticamente fechada e a saída do
extravasor deverá conter grade para impedir a entrada de pequenos animais. Existem
extravasores vendidos no Brasil que apresentam um sifonamento para manter sempre um
selo hídrico. A limpeza do reservatório enterrado deve ser feita, pelo menos, uma vez por
ano e havendo a suspeita de que a água do reservatório está contaminada, deve-se
adicionar hipoclorito de sódio a 10% ou água sanitária (TOMAZ, 2003).

Cisternas mal conservadas, com rachaduras, tampas mal vedadas, onde são utilizados
baldes deixados no chão para retirar a água, com filtros e peneiras sem uma limpeza
periódica e danificados, certamente apresentarão uma água de péssima qualidade (Figura
30). Assim como calhas e telhados que não são limpos periodicamente e onde há muitas
árvores próximas, o que resulta em muita matéria orgânica levada para a cisterna
juntamente com a água.
64
Figura 30 - Sistema de captação e armazenagem de água
de chuva mal conservado. (DTU, 2003)

5.5 Viabilidade da Implantação de Sistemas de Aproveitamento de Água de


Chuva

O ressurgimento do interesse em técnicas de aproveitamento de água da chuva como fonte


alternativa, nos últimos vinte e cinco anos, é resultado de um grande número de
tecnologias que estão sendo desenvolvidas, e a legalização destas tecnologias pelos órgãos
regulamentadores (DTU, 2003).

Os países desenvolvidos, como a Alemanha, têm reconhecido o aproveitamento de água de


chuva como uma solução para o problema da superexploração das fontes de água e vêm
desenvolvendo parcerias para o incentivo e implantação de sistemas confiáveis e de alta
qualidade, com uma relação custo-benefício adequada. Entretanto, países em
desenvolvimento necessitam de técnicas sustentáveis e baratas para o aproveitamento de
água da chuva. Isto requer, na maioria dos casos, uma participação institucional na difusão
das tecnologias existentes e na implementação de projetos em larga escala (DTU, 2003).

O aproveitamento de água de chuva pode ser dividido, de forma simplificada, em quatro


processos primários e três processos de tratamento (Figura 31).

65
SUPERFÍCIE
DE SISTEMAS ARMAZENAMENTO UTILIZAÇÃO
CAPTAÇÃO COLETORES

FILTRAÇÃO TRATAMENTO FILTRAÇÃO

Figura 31 - Diagrama do processo de sistemas domésticos de aproveitamento de água de chuva. (adaptado


de DTU, 2003)

Dentro deste diagrama, em cada fase do processo, existe uma grande variedade de técnicas
e materiais que podem ser utilizados, desde os mais simples até os mais sofisticados,
possibilitando uma adequação do sistema de acordo com a disponibilidade financeira.
(DTU, 2003)

Segundo Sickermann (2002), para cada caso deve-se estudar a viabilidade ou não da
implantação dos sistemas de coleta de água de chuva, mas de um modo geral pode-se
analisar da seguinte forma:

Condomínios verticais: o custo de implantação é baixo mas a economia de água é menor


uma vez que a superfície de coleta é relativamente pequena em relação ao número de
habitantes. Por outro lado, a instalação é simples, mesmo em prédios já construídos,
podendo em alguns casos até dispensar a utilização de bombas se as caixas de água forem
mantidas em nível intermediário entre a área de captação e o local onde a água for
utilizada, geralmente pátios e jardins.

Condomínios horizontais e casas: nestes casos o custo de implantação é significativamente


mais baixo se o sistema for planejado antes da construção, mas a economia de água pode
ser maior do que em condomínios verticais, dependendo do dimensionamento da cisterna.
A área de captação é relativamente grande em relação ao número de habitantes, o que
permite aproveitar a chuva disponível em maior porcentagem. O que irá determinar o
volume de água a ser estocado é a relação custo-benefício entre a economia com os gastos
na conta de água e o valor da construção da cisterna. Em casas já construídas a instalação
também pode ser feita, mas é mais viável que o uso da água de chuva coletada seja
somente externo, para evitar gastos adicionais com tubulações e caixas d’água.

66
Galpões, supermercados e shopping centers: o custo de implantação, nestes casos, tem
retorno bem aceitável e a economia depende do tipo de atividade e do consumo de água
que esta atividade exige. Como estas obras geralmente têm um impacto significativo sobre
o sistema de drenagem e, em alguns locais, já são obrigadas por Lei a prever a instalação
de caixas retenção, o aproveitamento da água de chuva pode ser viável já que o custo
adicional torna-se pequeno. Esta água pode ser utilizada para a limpeza de pisos o que não
exigiria instalações extras.

Loteamentos industriais e aeroportos: o custo de implantação é relativamente pequeno e a


economia de água pode variar de acordo com a atividade da empresa e o seu consumo de
água. Da mesma forma que ocorre na situação anterior, muitas vezes como a área do
projeto é grande, já requer obras de drenagem pelas restrições impostas em função da
capacidade esgotada das galerias pluviais existentes. Assim, o aproveitamento das águas
pluviais poderia vir a compensar parte deste custo (SICKERMANN, 2002).

Segundo Palmier (2001) as técnicas alternativas de captação de água de chuva são


socialmente atraentes quando comparadas aos grandes projetos, e podem representar
soluções inteiramente adequadas para mitigar escassez de água em um grande número de
regiões. O autor ressalta ainda a necessidade de se avaliar os impactos ambientais no que
se refere às barragens, as quais quando aplicadas em regiões a montante de uma bacia,
podem reduzir o escoamento superficial para outros usuários, ou para o próprio ambiente,
localizado a jusante.

Segundo Palmier (2001) as técnicas disponíveis vêm sendo aplicadas em diversas partes do
mundo, mas também há situações em que a ausência de uma manutenção adequada dos
sistemas de captação de água de chuva resulta no seu abandono, parcial ou total.

67
6 MATERIAIS E MÉTODOS

O detalhamento da metodologia está ilustrado na Figura 32.

Figura 32 - Detalhamento das etapas do desenvolvimento da pesquisa.

68
6.1 Verificação das políticas públicas e legislação referentes à captação e
aproveitamento da água de chuva

Realizou-se o levantamento das políticas públicas referentes à gestão de recursos hídricos


em Joinville para servir de embasamento para a elaboração do questionário. Um dos órgãos
consultados foi a Defesa Civil de Joinville através de entrevista pessoal com o responsável
pela instituição, onde foi analisado o Plano de Contingência elaborado por esta instituição
para a prevenção de episódios de alagamentos e inundações em Joinville. Este Plano de
Contingência apresenta o levantamento dos bairros de maior incidência de enchentes e
alagamentos que foi utilizado como parâmetro para a avaliação dos dados obtidos pelos
questionários.

Através de pesquisa na internet foi realizado o levantamento dos projetos de Lei


apresentados à Câmara de Vereadores de Joinville, a Legislação Municipal e a Agenda 21
Local. A ferramenta de busca na internet utilizada foi o Google (www.google.com). Nestes
documentos foram analisados os itens que tratam da gestão dos recursos hídricos no
município de Joinville e região, contenção de cheias, taxa de impermeabilização do solo e
os projetos de Lei que fazem referência ao aproveitamento de águas pluviais.

6.2 Levantamento da opinião dos atores sociais sobre o aproveitamento da


água de chuva
6.2.1 Definição dos atores sociais a serem entrevistados

Foram realizadas entrevistas pessoais com profissionais da área ambiental e da construção


civil para que se pudesse formar um diagnóstico do conhecimento prévio acerca do tema
do aproveitamento da água da chuva dentro da área de estudo. Com base nestas
informações definiu-se a amostragem a qual seriam aplicados os questionários. Optou-se
por selecionar, dentre a população da área de estudo, os atores sociais das várias esferas do
poder, dentre estes integrantes de órgãos governamentais e não-governamentais,
associações de moradores de bairros, iniciativa privada, entidades ambientalistas, órgãos
relacionados à infra-estrutura urbana e à fiscalização ambiental. O Apêndice A traz a
listagem das entidades elencadas inicialmente para a entrega dos questionários, com seus
endereços e contatos, que foram obtidos através de consulta à lista telefônica da região.

69
Com o desenvolvimento da pesquisa, novos atores sociais foram sendo incluídos na
amostragem, por indicação dos questionários já respondidos.

Foi distribuído um total de 104 questionários dos quais retornaram 31, ou seja
aproximadamente 30% do total. Os questionários foram entregues em instituições
governamentais e não-governamentais, nas três esferas administrativas: municipal, estadual
e federal; bem como na iniciativa privada.

A distribuição dos questionários ocorreu da seguinte forma: para os órgãos governamentais


foram entregues 43 questionários na esfera municipal (42% do total) dos quais retornaram
12 (28%) , 9 na esfera estadual (8% do total) dos quais retornaram 2 (22%) e 4 na esfera
federal (4% do total) do qual retornou apenas 1 (25%). Nas instituições não-
governamentais foram entregues 34 questionários na esfera municipal (33% do total) dos
quais retornaram 9 (26%), 9 na esfera estadual (8% do total) dos quais retornaram 6 (67%)
e 5 para a iniciativa privada (5% do total) dos quais retornaram 4 (80%).(Tabela 4)

TABELA 4 – Relação de questionários entregues e respondidos em cada instituição.


Instituição entregues respondidos
AMAE 2 0
PREF. MUN. JLLE 1 0
CÂM. VEREADORES DE JLLE 18 1
CONURB 2 1
ESC. MUN. NAVARRO LINZ 3 0
FUNDEMA 1 1
Municipal

IPPUJ 3 1
Governamentais

SEC. BEM ESTAR SOCIAL 1 1


SEC. EDUCAÇÃO - NEAM 1 2
SEC. HABITAÇÃO 2 1
SEC. MUN. DO BOA VISTA 1 1
SEC. MUN. DO IRIRIÚ 1 1
SEC. SAÚDE 2 1
SEINFRA 5 1
CASAN 3 2
Est.

FATMA 3 0
SEC. REGIONAL DE JLLE 3 0
IBAMA 3 0
Fed.

CÂM. DEPUTADOS FED. 1 1

70
Instituição entregues respondidos
ACIJ 1 0
ALCANCE ENGENHARIA 1 0
DEFESA CIVIL 1 1
JORNAL O VIZINHO 1 0
ASS. MORADORES PIRABEIRABA 2 3
CDL 2 0
CEAJ 1 0
Municipal COMAPRI 1 1
COMITÊ CUBATÃO JLLE 3 0
Órgãos Não-Governamentais

CONSTRUTORA CAMILOTTI 1 0
ENGEPASA AMBIENTAL 1 0
SINDUSCON 10 1
SOFTVILLE 1 1
VIDA VERDE 3 1
UNIVILLE - CEPA 1 1
UNIVILLE - Ciências Biológicas 1 0
UNIVILLE - Eng. Ambiental 1 0
UNIVILLE - mestrado e pesquisa 2 0
CREA 2 0
Est.

APREMA 1 1
UDESC 6 2
MULTIBRÁS 1 1
DOHLER 1 0
Iniciativa
Privada

TIGRE 1 0
TUPY 1 1
AMANCO 1 2
Total 104 31
*instituições de amparo tecnológico e fiscalização ambiental.
Fonte: questionários aplicados

6.2.2 Elaboração do questionário

O questionário foi elaborado de forma a ser auto-explicativo, fornecendo ao entrevistado


breves informações sobre a pesquisa em andamento, tais como os objetivos, a área de
estudo, a justificativa e a metodologia utilizada.

As questões abordadas pelo questionário foram elaboradas para atender aos objetivos da
pesquisa, de forma a realizar um levantamento da percepção ambiental dos atores
entrevistados no que se refere ao aproveitamento de águas pluviais em Joinville e região. O
tema do aproveitamento de água da chuva foi vinculado aos problemas de falta de água em
Joinville e da ocorrência de enchentes na cidade.

O questionário também buscou levantar o perfil do entrevistado e da instituição na qual


atua; os atores sociais responsáveis pelos problemas referentes ao abastecimento de água e
71
ocorrência de enchentes em Joinville e quais os problemas mais relevantes em relação a
estes assuntos.

O questionário foi elaborado com questões abertas nas quais eram solicitadas justificativas
para as respostas fornecidas.

Inicialmente foi realizado um pré-teste para verificar se respostas dadas às questões iam de
encontro aos objetivos da pesquisa. Foram entregues três questionários, pessoalmente nas
instituições. Estes questionários foram recolhidos após uma semana e foi realizada a
avaliação das questões. Desta forma foi elaborada a versão final a ser entregue aos atores
sociais elencados (Apêndice B).

6.2.3 Aplicação dos questionários

Os questionários foram entregues aos atores sociais elencados no período de setembro a


novembro de 2003. A maior parte dos questionários foi entregue pessoalmente nas
instituições através de visitas pessoais. Quando não era possível entrar em contato
pessoalmente com os responsáveis pela instituição, os questionários eram entregues à
recepcionista, salientando-se a importância da pesquisa. O retorno para o recolhimento dos
questionários respondidos era agendado para uma semana após a data da entrega. Em
alguns casos, os questionários foram enviados e recebidos por meio eletrônico ou pelo
correio.

6.3 Levantamento e avaliação das edificações no município de Joinville que


já possuem sistema de captação e coleta de água de chuva

Inicialmente foram realizadas visitas aos órgãos municipais relacionados à Infra Estrutura,
Urbanização e Construção Civil para verificar a existência de dados sobre edificações que
utilizassem sistemas de coleta e armazenamento de água de chuva. Os órgãos visitados
foram: SEINFRA (Secretaria Municipal de Infra Estrutura Urbana), IPPUJ (Fundação
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville); Sindicato de Engenheiros de
Santa Catarina; SINDUSCON (Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Joinville);
CREA (Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos); NEAM (Núcleo de Educação
Ambiental da Secretaria Municipal de Educação). Na ocasião das visitas também foram
entregues questionários para serem respondidos pelos responsáveis da instituição.
72
Pelas informações obtidas nestes órgãos e através dos questionários pode-se fazer um
levantamento de algumas edificações com sistemas de coleta e aproveitamento de água de
chuva em Joinville. Foram então realizadas saídas a campo para visitar as edificações com
o objetivo de verificar qual a tecnologia empregada na captação, armazenamento e
distribuição da água de chuva, bem como a opinião dos usuários a respeito da viabilidade
do aproveitamento desta água. Os locais visitados foram o projeto piloto de
aproveitamento de água de chuva instalado na residência do Eng. Gert Fischer, a Escola
Municipal José Antônio Navarro Linz, a Escola Municipal Padre Valente Simioni, O Iate
Clube Phoenix e o Edifício Rio Tâmisa.

Nas saídas a campo foram realizados registros do sistema de coleta de águas pluviais e das
edificações através de fotografia digital, utilizando-se para isso uma máquina fotográfica
digital da marca Olympus, modelo D-395, com resolução de 3,2 Megapixels e zoom digital
de 2,5x.

6.4 Análise dos questionários

As respostas fornecidas pelos atores sociais aos questionários foram tabuladas com o
aplicativo Microsoft® Excel 2002.

A análise das perguntas foi realizada individualmente, de forma que cada uma gerou um
gráfico e uma tabela, onde foram expostos os resultados obtidos em números absolutos e
em porcentagem. Na discussão dos resultados optou-se por ilustrar cada questão somente
com uma das formas (gráfico ou tabela), de acordo com a clareza com que apresentava os
dados do item abordado.

6.5 Determinação da viabilidade do aproveitamento de água de chuva em


Joinville

Como resultado da análise das políticas públicas e legislação referentes à gestão dos
recursos hídricos em Joinville e região, das respostas fornecidas pelos atores sociais
através da aplicação dos questionários e da visitação das edificações que já possuem
sistemas de coleta e aproveitamento de águas pluviais; pode-se determinar a viabilidade do
aproveitamento de água de chuva em Joinville.

73
7 RESULTADOS E DISCUSSÃO

7.1 Análise das Políticas Públicas e Legislação relacionadas ao


aproveitamento de águas pluviais

Neste tópico procurou-se analisar a Legislação Municipal de Joinville no que se refere à


gestão das águas no município, ao uso e ocupação do solo, à taxa de impermeabilização do
solo na área urbana e ao aproveitamento de águas pluviais. Além da legislação municipal a
Agenda 21 Local também foi utilizada como referência para que se tenha uma noção das
políticas públicas adotadas no município de Joinville relacionadas ao aproveitamento de
água de chuva.

7.1.1 Projetos de Lei apresentados que prevêem o aproveitamento de águas


pluviais em Joinville

Em Joinville já foram apresentados, analisados e posteriormente arquivados dois projetos


de Lei referentes ao aproveitamento de água de chuva. O primeiro foi o projeto de Lei
Ordinária nº 68/1998 de 03 de abril de 1998, proposto pelo então vereador Jaime Duarte da
Silva que tinha como ementa: “Dispõe sobre o reaproveitamento de águas pluviais nos
casos que especifica e dá outras providências”, e que foi arquivado em 08 de abril de 1999.
Posteriormente um novo projeto de Lei Ordinária de nº 377/2001 de 12 de setembro de
2002 foi apresentado pelo então vereador Reinaldo Antônio Baldesin, cuja ementa citava:
“Disciplina o aproveitamento de águas pluviais no Município de Joinville” (JOINVILLE,
2004).

O vereador Darci de Matos, apresentou o projeto de Lei nº43/2004 (Anexo C) que prevê o
reaproveitamento das águas pluviais no município. O projeto determina que as águas
pluviais provenientes de telhados, sacadas, terraços, marquises e outros espaços abertos
existentes em edificações destinadas a estabelecimentos industriais, comerciais, de serviços
e públicos que tenham mais de 100 funcionários e, ainda, condomínios residenciais e
verticais e/ou horizontais, deverão ser canalizadas para reservatório específico atendendo
as normas e fiscalização Sanitária de Joinville. Segundo este projeto de Lei a água
coletada servirá para uso complementar de higiene e outros serviços de limpeza e as
edificações atingidas pela Lei deverão apresentar o projeto hidráulico contemplando o total
74
aproveitamento das águas pluviais. Este Projeto de Lei ainda está sendo analisado pela
Câmara de Vereadores de Joinville.

As principais dificuldades encontradas para a aprovação do Projeto de Lei nº43/2004 estão


relacionadas, segundo os vereadores, à falta de projetos de sistemas de aproveitamento de
águas pluviais que possam ser utilizados como modelo, ao custo elevado da implantação
do sistema e à falta de parâmetros para que a fiscalização sanitária possa acontecer durante
a fase de operação.

Um aspecto a ser questionado neste projeto é o fato de, pela sua redação, não incluir a
maioria dos estabelecimentos de ensino, já que só especifica o número de funcionários e
não usuários. Uma escola que tenha um número de funcionários inferior a 100, mas que
mesmo assim tenha uma grande circulação diária de pessoas pelo elevado número de
alunos, não estaria obrigada pela Lei a implantar o aproveitamento de água de chuva.

Outros aspectos importantes a serem considerados na gestão das águas de chuva são a
necessidade de passar as informações à população sobre o funcionamento do sistema da
forma mais clara possível através de palestras, instalação de unidades didáticas para
demonstração e informativos em meios de comunicação abrangentes; e também formar
uma equipe multidisciplinar responsável pela aprovação e acompanhamento dos projetos,
que prestará serviços de consultoria aos cidadãos que se virem obrigados pela Lei a
coletarem a água de chuva.

7.1.2 A Lei Complementar Municipal nº 29/96 - Código Municipal do Meio


Ambiente

A Lei Complementar Municipal nº 29, de 14 de junho de 1996, que institui o Código


Municipal do Meio Ambiente, tem como um de seus princípios fundamentais o
estabelecimento de diretrizes específicas para o gerenciamento dos recursos hídricos do
Município, através de uma política complementar às políticas nacional e estadual de
recursos hídricos e de planos de uso e ocupação das bacias hidrográficas, bem como a
educação ambiental (PMJ – Código Municipal do Meio Ambiente, 1996).

75
Um dos instrumentos da política do meio ambiente de Joinville é o estabelecimento de
incentivos fiscais com vistas à produção e instalação de equipamentos e a criação ou
absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental.

O Código Municipal do Meio Ambiente institui a FUNDEMA como responsável pela


análise de projetos de uso, ocupação e parcelamento do solo no que se refere ao sistema de
abastecimento de água, e do licenciamento de todo e qualquer uso de águas superficiais e
de subsolo, levando em conta a política de usos múltiplos da água.

Esta Lei ainda define que compete ao poder público adotar medidas para a prevenção de
inundações e alagamentos, particularmente nos fundos de vale.

Analisando-se o Código do Meio Ambiente de Joinville pode-se perceber que o


aproveitamento de águas pluviais no município vai de encontro aos objetivos desta Lei
Municipal quando propõe uma fonte alternativa para o abastecimento de água e também
contribuindo para a prevenção de inundações e alagamento, resultando na melhoria da
qualidade ambiental.

Desta forma o poder público municipal poderia estabelecer incentivos fiscais para o
desenvolvimento de tecnologias e instalação de equipamentos com a finalidade de
disseminar a prática da coleta e aproveitamento de águas pluviais no município, fato este
que ainda não ocorre.

Outra medida que poderia ser implantada no município de Joinville com base no Código
do Meio Ambiente seria a elaboração e aplicação de projetos de educação ambiental
envolvendo a comunidade e utilizando as escolas da Rede Municipal de Ensino como
unidades de demonstração do funcionamento dos sistemas de aproveitamento de águas
pluviais, com base em um projeto que serviria de modelo para a implantação dos sistemas,
evitando que cada escola tenha que elaborar o seu próprio projeto dependendo de recursos
provenientes de instituições privadas e sem o apoio do poder público, como está
acontecendo atualmente.

76
Os projetos que envolvessem tecnologias de aproveitamento de águas pluviais seriam
submetidos à aprovação e fiscalização da FUNDEMA, que segundo o Código Municipal
do Meio Ambiente, é o órgão responsável pela análise de projetos de uso, ocupação e
parcelamento do solo no que se refere ao sistema de abastecimento de água, e do
licenciamento de todo e qualquer uso de águas superficiais e de subsolo, levando em conta
a política de usos múltiplos da água.

Desta forma pode-se concluir que o aproveitamento de águas pluviais contribuiria para a
aplicação do Código Municipal do Meio Ambiente, no que se refere a vários de seus itens
como melhoria da qualidade ambiental, prevenção de inundações e alagamentos e na
educação ambiental da comunidade.

7.1.3 A Agenda 21 Local e a análise da revisão da legislação municipal

Segundo a Agenda 21 de Joinville no seu capítulo X, que trata da proteção da qualidade e


do abastecimento dos recursos hídricos, devem ser implantados sistemas mais eficientes de
gerenciamento de recursos hídricos através de ações coordenadas para a sua recuperação,
conservação, prevenção da poluição e uso racional da água.

Dentre as ações propostas pelos programas a serem desenvolvidos citados na Agenda 21,
foram destacados aqueles que apresentam uma relação mais direta ao aproveitamento das
águas pluviais (Tabela 5).

O aproveitamento de águas pluviais não está explicitamente previsto nas ações propostas
pela Agenda 21 de Joinville, mas vai ao encontro dos objetivos desta e pode ser o meio
pelo qual várias das ações propostas possam ser executadas.

O aproveitamento da água de chuva é uma alternativa de abastecimento de água, sendo


assim está inserido no Programa que trata do Desenvolvimento e Manejo dos Recursos
Hídricos no que se refere ao estímulo a desenvolvimento de tecnologias e estudos de
alternativas de abastecimento de água.

77
TABELA 5 – Programas, objetivos e ações da Agenda 21 de Joinville, relacionados ao aproveitamento de
águas pluviais.
PROGRAMA OBJETIVO AÇÕES
Desenvolvimento e manejo • Garantir a disponibilidade dos recursos o estimular ao desenvolvimento de
integrado dos recursos hídricos para o desenvolvimento tecnologias e estudos de
hídricos sustentável, através do planejamento e alternativas de abastecimento de
gerenciamento de forma integrada, água;
descentralizada e participativa,
o informar e promover a educação
considerando a utilização múltipla dos
ambiental, e buscar a
recursos hídricos.
participação da comunidade no
processo de gestão dos recursos
hídricos.
Proteção dos recursos • Garantir a disponibilidade dos recursos o promover a reciclagem e
hídricos no hídricos, tanto em termos quantitativos reutilização das águas residuais;
desenvolvimento urbano quanto qualitativos, bem com sua
sustentável o implantar programas e executar
recuperação;
projetos eficientes de drenagem
• Promover o uso racional da água para o pluvial;
desenvolvimento urbano e compatibilizar
o manter índices razoáveis de
as atividades urbanas com a proteção dos
permeabilidade do solo urbano;
recursos hídricos.
o realizar campanhas de
conscientização para estimular o
público a usar a água de maneira
racional.
Abastecimento de água • Proteger o meio ambiente através do o otimizar os sistemas de
potável e saneamento manejo integrado dos recursos hídricos e captação, tratamento e
básico dos resíduos líquidos e sólidos, de forma a distribuição de água.
garantir uma boa qualidade do
abastecimento público de água potável,
bem como de todo o sistema de
saneamento básico.
Fonte: PMJ, Agenda 21 Local

Com a implantação de unidades didáticas de captação e aproveitamento de água de chuva


nas escolas da Rede Municipal de Ensino estariam sendo realizadas ações de promoção da
educação ambiental e participação da comunidade no processo de gestão dos recursos
hídricos, bem como de realização de campanhas de conscientização para estimular o
público a usar a água de maneira racional.

A coleta e o aproveitamento das águas pluviais está relacionado ao Programa que trata da
Proteção dos Recursos Hídricos no Desenvolvimento Urbano Sustentável uma vez que
promove a reciclagem e reutilização das águas residuais provenientes de telhados e
coberturas de edificações, contribui para a drenagem pluvial reduzindo o volume de água
lançado nas galerias pluviais e transformando áreas impermeáveis em áreas de captação de
água.

78
Em relação ao Programa de Abastecimento de Água Potável e Saneamento Básico o
reaproveitamento de águas pluviais serviria para otimizar os sistemas de captação,
tratamento e distribuição de água.

Analisando os Programas da Agenda 21 de Joinville pode-se perceber que a coleta e o


aproveitamento de águas pluviais poderia ser incentivado no município de forma
abrangente, com ações que envolvessem toda a comunidade. No entanto, na prática,
nenhuma destas ações abordadas na Agenda 21 Local está sendo realizada pelo poder
público municipal no que se refere ao aproveitamento de águas pluviais.

Como resultado da análise da legislação municipal relacionada ao aproveitamento de águas


pluviais e da Agenda 21 Local pode-se perceber que o aproveitamento de água de chuva
não está previsto de forma objetiva, mas que está diretamente relacionado com o que está
previsto em Lei e nos Programas da Agenda 21. Inclusive pode-se perceber uma tendência
do poder público em prever a prática do aproveitamento das águas pluviais em Lei, pelos
três Projetos de Lei propostos na Câmara de Vereadores de Joinville abordando este tema
nos últimos sete anos.

Atualmente, as instituições que já implantaram o sistema de coleta e aproveitamento de


água de chuva não recebem nenhum tipo de incentivo fiscal ou apoio técnico por parte da
Prefeitura Municipal.

7.2 Análise dos atores sociais elencados para a aplicação dos questionários
referentes ao aproveitamento de água de chuva em Joinville.

Foram entregues 104 questionários dos quais retornaram 31, cerca de 30% do total. Estes
questionários foram entregues nas instituições governamentais e não-governamentais nas
três esferas do poder: municipal, estadual e federal, e também na iniciativa privada.

Nos Gráficos 1 e 2 pode-se perceber a proporção entre os questionários entregues e


respondidos nas esferas municipal, estadual e federal das instituições governamentais e
não-governamentais, bem como da iniciativa privada.

79
Gráfico 1 – Proporção entre questionários entregues e respondidos
pelos órgãos governamentais.

Instituições governamentais

45 entregues

40 respondidos

35
30
25
20
15
10
5
0
municipal estadual federal

Gráfico 2 – Proporção entre questionários entregues e respondidos


pelos órgãos não-governamentais.

Instituições não-governamentais

35 entrgues
respondidos
30

25

20

15

10

0
municipal estadual iniciativa
privada

Segundo a análise dos Gráficos 1 e 2, pode-se observar que menos de 50% dos
questionários entregues nas instituições foram respondidos, sendo que os órgãos não
governamentais apresentaram uma porcentagem maior de retorno em relação aos órgãos
governamentais. Desta forma pode-se perceber que os órgãos não-governamentais foram
mais receptivos em relação ao tema proposto nos questionários que tratava do
aproveitamento de águas pluviais em Joinville.

80
Particularmente pode-se destacar a grande participação da iniciativa privada no que se
refere ao retorno dos questionários respondidos, chegando a 80% dos questionários
entregues.

Em duas instituições o número de questionários respondidos foi superior ao número de


questionários distribuídos. Isto aconteceu no Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria
Municipal de Educação (NEAM) e na Empresa Amanco, fabricante de produtos
hidrosanitários. Isto se deve, provavelmente, ao grande interesse destas instituições em
temas relacionados às questões ambientais (vide Tabela 4).

Outro aspecto interessante a ser observado é a porcentagem pequena de retorno dos


questionários distribuídos nos órgãos governamentais de amparo tecnológico e fiscalização
ambiental. Na AMAE, FATMA e IBAMA não houve retorno. Este fato pode ser
justificado pela dificuldade de um posicionamento da instituição frente ao tema referente
ao aproveitamento de águas pluviais, já que o mesmo não é discutido nestes órgãos e
qualquer parecer que fosse dado poderia ser cobrado em um momento futuro.

Cabe ressaltar que cada entrevistado sugeriu uma relação de entidades governamentais e
não-governamentais que seriam, segundo o seu ponto de vista, atores responsáveis pelo
abastecimento de água e contenção de enchentes em Joinville. Com base nestas
informações foi elaborada uma rede de atores onde podem ser observadas as relações entre
as diversas instituições citadas (Apêndice C).

7.3 Edificações em Joinville com Sistemas de Coleta e Aproveitamento de


Águas Pluviais

Apesar de ainda não existir uma legislação que obrigue a coleta e o aproveitamento das
águas pluviais em Joinville alguns estabelecimentos já adotaram o sistema por acreditarem
que o retorno do investimento em longo prazo é compensatório.

Através do levantamento feito junto a empresas de construção civil, e também utilizando


os dados obtidos pela aplicação dos questionários, foi possível verificar que algumas
edificações em Joinville já possuem sistemas de aproveitamento de água de chuva.

81
7.3.1 Estudo de caso do projeto piloto do Eng. Gert Fischer

O Eng. Gert Fischer possui um projeto piloto de coleta de água de chuva implantado já há
vários anos. A área de captação é a cobertura plástica do viveiro de plantas nativas. A água
coletada é direcionada para uma caixa d’água que serve como reservatório e é utilizada na
irrigação das mudas cultivadas no viveiro e também em tanques de peixes.

7.3.2 Estudo de caso da Escola Municipal José Antônio Navarro Linz

A Escola Municipal José Antônio Navarro Linz, localizada no Bairro Comasa, possui o
sistema de captação e aproveitamento de água de chuva implantado e em funcionamento
desde 2000, quando recebeu o Prêmio Embraco de Ecologia pelo desenvolvimento do
projeto “Água Nossa de Cada Dia” (Figura 33).

Figura 33 - Caixa d’água utilizada como reservatório para a água de chuva.

O sistema consiste basicamente na coleta da água de chuva de uma seção do telhado das
instalações onde ficam as salas de aula e sanitários. A coleta é feita por meio de calhas de
PVC (Figuras 34 e 35).

82
Figura 34 - Área de captação e calhas coletoras.

Figura 35 - Tubos que conduzem a água do telhado para o reservatório de


decantação.

A água coletada é direcionada inicialmente para uma caixa elevada de amianto de 500L
onde o material particulado passa por um processo natural de decantação (Figura 36).

83
Figura 36 - Aspecto interno do reservatório de decantação e tubos de saída
para a caixa d’água.

Desta caixa a água passa por meio de tubos de menor diâmetro, que captam somente a
água da superfície, para uma outra caixa apoiada sobre o solo com capacidade para
10.000L onde é armazenada (Figura 37).

Figura 37 - Tubos que conduzem a água do


reservatório de decantação para a caixa
d’água.

Por meio de bombeamento a água de chuva armazenada é levada até uma caixa de 1000L,
localizada sobre as instalações dos sanitários (Figuras 38 e 39).

84
Figura 38 - Saída da caixa d’água para a bomba elétrica.

Figura 39 - Bomba elétrica que conduz a


água da cisterna para a caixa elevada
sobre os sanitários.

Todo o sistema de água de chuva é isolado da rede de água canalizada da CASAN para não
haver risco de contaminação. A água de chuva é aproveitada na instituição exclusivamente
para a descarga de vasos sanitários. O controle da qualidade da água é feito pela adição
ocasional de cloro, na forma de hipoclorito.

O responsável pelo projeto, Prof. Daniel Húpalo, declarou não ter dados estatísticos
referentes à economia de água na instituição, mas afirma que a implantação do sistema é
85
vantajosa uma vez que, durante o período letivo, o consumo de água nos vasos sanitários é
o mais significativo na Escola.

Um dos pontos enfatizados no projeto desenvolvido pela escola é a conscientização dos


alunos sobre a importância da preservação dos recursos naturais, em especial a água,
através do desenvolvimento de práticas de educação ambiental pelos professores.

Paralelamente à implantação do projeto foi realizada uma campanha de conscientização


dos estudantes sobre a importância da água para a nossa vida e da possibilidade de se
buscar fontes alternativas deste recurso pelo aproveitamento da água de chuva. Como
resultado desta campanha vários painéis foram pintados nas paredes da escola pelos alunos
ilustrando a importância da utilização da água de chuva (Figura 40).

Figura 40 - Painéis pintados nas paredes da escola pelos alunos envolvidos no programa de educação
ambiental.

7.2.3 Estudo de caso da Escola Municipal Padre Valente Simioni

Outra Escola da Rede Municipal de Ensino que pretende instalar o sistema de


aproveitamento de água de chuva é a Escola Municipal Padre Valente Simioni, que está em
fase de implantação do projeto e conta com o apoio da Empresa Tigre Tubos e Conexões
(Figura 41).

86
Figura 41 - Representante da TIGRE explicando o
funcionamento do sistema e alunos da escola
responsáveis pelo projeto.

A água coletada dos telhados da Escola será utilizada para a limpeza dos pátios e da
quadra de esportes. O projeto prevê a instalação de outro reservatório apoiado sobre o solo
onde será armazenada a água coletada em uma sessão do telhado e que será utilizada para a
irrigação da horta escolar. Esta instalação servirá como uma unidade didática para
divulgação do projeto para os alunos, pais e membros da comunidade do entorno (Figura
42).

Figura 42 - Instalação da unidade didática na horta da


escola.

A comunidade poderá utilizar esta unidade como modelo para a implantação de sistemas
de captação e aproveitamento de água de chuva nas suas casas.

87
Desta forma a escola contribui com a educação ambiental da população do entorno através
da sensibilização da comunidade para a importância da preservação da água.

7.3.4 Estudo de caso do Iate Clube Phoenix

O Iate Clube Phoenix no Bairro Iririú, que está localizado em uma região de manguezais,
possui o sistema de captação e aproveitamento da água de chuva implantado e em
funcionamento há aproximadamente dois anos (Figura 43).

Figura 43 - Placa de identificação do Iate Clube Phoenix.

O sistema consistia inicialmente de uma cisterna enterrada de 15.000 L para armazenar a


água coletada de uma das seções do telhado do prédio onde são abrigadas as embarcações
do Iate (Figura 44).

Figura 44 - Área de captação: telhado sobre o abrigo das


embarcações.

88
Recentemente mais duas caixas de 10.000 L foram instaladas, para a armazenagem da água
coletada de outra seção de telhado, que faz parte da área social do Clube (Figuras 45 e 46).

Figura 45 - Área de captação e uma das cisternas de


10.000L adicionais.

Figura 46 - Tubulação de descida das calhas coletoras para a


cisterna.

A coleta é feita por calhas de PVC. Estas caixas são apoiadas sobre o solo e abastecem a
cisterna, por gravidade, quando esta está vazia (Figura 47).

89
Figura 47 - Tubulação de saída da água armazenada para uso e
reabastecimento da cisterna enterrada.

A água de chuva armazenada é utilizada para a lavação das embarcações utilizadas pelos
sócios do Clube, bem como para a limpeza das redes de pesca e outros utensílios.

Segundo o Presidente do Phoenix Iate Clube, Sr. José Gudstein, a água permanece no
interior da cisterna com qualidade adequada para o uso a que está destinada, uma vez que o
uso é constante. Eventualmente é feito um tratamento à base de cloro (Figuras 48 e 49).

Figura 48 - Tubulação que conduz a água das calhas


coletoras para a cisterna enterrada.

90
Figura 49 - Tampa da cisterna enterrada.

Segundo declarações do Sr. José Gudstein, nos meses onde há maior ocorrência de chuvas,
a despesa com a conta de água canalizada se limita à taxa mínima, cobrada pela CASAN.
No inverno, quando as chuvas ocorrem com menos freqüência, as despesas com a conta de
água canalizada aumentam significativamente.

7.3.5 Estudo de caso do Edifício Rio Tamisa

Outro caso de aproveitamento de água de chuva em Joinville é o Edifício Rio Tamisa,


localizado no bairro América e que está em fase final de construção (Figura 50).

Figura 50 - Projeto da fachada do Ed. Rio Tamisa.

91
O prédio utiliza como área de captação a metade da sua área total de telhado, que equivale
aproximadamente a 300m2. A água coletada desce por uma tubulação não aparente e é
conduzida para duas cisternas de 1000L, por gravidade (Figura 51).

Figura 51 - Colunas onde está embutida a tubulação


de descida da água de chuva coletada do telhado.

Estas cisternas estão localizadas sobre a garagem do prédio e a água será utilizada
exclusivamente para a limpeza do pátio. A água coletada passa por um filtro antes de entrar
nas cisternas (Figura 52).

Figura 52 – Filtro instalado antes da entrada de uma das


cisternas de 1000L.
92
O excesso de água armazenada na cisterna é direcionado para o telhado da construção que
serve como garagem do prédio (Figura 53).

Figura 53 - Tubulação para direcionar o excesso de água para


o telhado da garagem do prédio.

Segundo a Eng. Mônica Krelling, responsável técnica, ainda não se tem idéia da economia
de água obtida pela implantação do sistema, porque não foram realizadas previsões da
quantidade de água que poderá ser coletada e do consumo necessário para a manutenção do
prédio.

7.3.6 Outros casos de aproveitamento de água de chuva em Joinville

O Íbis Hotel de Joinville, da Rede Accor, possui as instalações preparadas para a


implantação do sistema de aproveitamento de água de chuva, como já acontece no Íbis
Hotel de Blumenau, mas ainda não existe previsão de quando o sistema será implantado.

Possivelmente existam outros casos de aproveitamento de água de chuva em Joinville que


não puderam ser levantados por meio desta pesquisa.

Pode-se perceber pela análise dos casos em que já está sendo realizado o aproveitamento
de águas pluviais em Joinville, que os sistemas estão sendo implantados de forma
experimental, sem um projeto pré-definido que possa ser usado como modelo. Nos casos
em que há um engenheiro responsável pela obra e o sistema é implantado ainda na fase de
construção, os projetos são mais bem elaborados, mas quando a implantação é feita com a

93
obra já concluída, as instalações são realizadas de forma rudimentar e praticamente sem
que haja um planejamento.

Poucos são os casos onde é apresentada uma previsão do consumo de água de chuva e da
quantidade de água que poderá ser coletada. Esta previsão é muito importante tanto para a
definição da área de coleta a ser utilizada quanto para o dimensionamento da cisterna. O
dimensionamento da cisterna deve ser feito em função do consumo para evitar que a água
fique armazenada durante muito tempo comprometendo a sua qualidade.

Outro aspecto que pode ser observado em relação aos sistemas já em operação é a falta de
controle da qualidade da água armazenada na cisterna, que é feita apenas levando-se em
consideração a aparência da mesma. Os usuários da água de chuva normalmente observam
a coloração da água e a presença ou não de odor desagradável. O tratamento normalmente
utilizado consiste na instalação de peneiras antes da entrada da cisterna para coletar o
material em suspensão, como folhas e galhos, e o acréscimo periódico de hipoclorito para
evitar o desenvolvimento de algas.

7.4 Análise dos questionários


7.4.1 Perfil do entrevistado e da instituição da qual faz parte

De acordo com os questionários respondidos foi traçado um perfil dos entrevistados em


relação à idade, gênero, grau de escolaridade e tempo de atuação da instituição na região.

Pela presente análise pode ser observado que, em relação à faixa etária, 19% dos
entrevistados estão na faixa etária dos 20 aos 30 anos, 26% têm entre 30 e 40 anos, 39%
entre 40 e 50 anos e 16% acima dos 50 anos de idade. (Gráfico 3)

94
Gráfico 3 – Faixa etária dos entrevistados.

Faixa etária dos entrevistados

entre 20 e 30
16% 19%
anos
entre 30 e 40
anos
entre 40 e 50
26% anos
39% acima de 50 anos

A faixa etária predominante entre os atores sociais entrevistados corresponde à faixa dos
40 aos 50 anos de idade. Isto pode ser explicado em função dos questionários terem sido
respondidos, na sua maioria, pelos responsáveis pela instituição, e que se situam nesta
faixa etária por estarem atuando por um período de tempo mais longo na área.

Quanto ao gênero dos entrevistados, 61% pertence ao gênero masculino e os restantes 39%
ao gênero feminino.

Gráfico 4 – Gênero dos entrevistados.

Gênero dos entrevistados

39%
masculino

61% feminino

Esta proporção provavelmente reflete a proporção total entre os gêneros masculino e


feminino no mercado de trabalho em Joinville.

95
Considerando a escolaridade, 3% dos entrevistados concluíram o ensino médio, 32%
possuem nível superior completo e 65% são pós-graduados. (Gráfico 5)

Gráfico 5 – Grau de escolaridade dos entrevistados.

Grau de escolaridade dos entrevistados

3%

32% ensino médio


ensino superior
pós-graduação
65%

Mais de 50% dos entrevistados possui pós-graduação. Este fato reflete a necessidade cada
vez maior de atualização e aperfeiçoamento das pessoas na sua área de atuação. No caso
específico desta pesquisa, pode-se levar em consideração que as instituições selecionadas
são, na maior parte, de atuação na área tecnológica, o que justifica o nível de escolaridade
necessário dos responsáveis pela instituição.

Analisando o tempo de atuação dos entrevistados na instituição, constatou-se que 3% atua


nesta instituição há menos de um ano, 10% atua de 1 a 5 anos, 13% atua de 5 a 10 anos,
10% de 10 a 15 anos, 3% de 15 a 20 anos, 42% atua na instituição há mais de 20 anos e
19% não declarou. (Gráfico 6)

Gráfico 6 – Tempo de atuação dos entrevistados na instituição da qual


fazem parte.

Tempo de Atuação da Instituição

3%
19% 10%
menos de um ano
de 1 a 5 anos
13%
de 5 a 10 anos
de 10 a 15 anos
de 15 a 20 anos
10%
mais de 20 anos
3% não declarou
42%

96
Pela análise dos resultados pode-se perceber que 42% dos entrevistados atua na instituição
atual há mais de 20 anos e considerando-se o percentual de entrevistados que já atua na
instituição há pelo menos 10 anos, chega-se a um total de 55%.

Os resultados obtidos pela análise dos Gráficos 3, 4, 5 e 6 em relação ao perfil dos


entrevistados identificam que os atores sociais entrevistados, na sua maioria, já atuam na
instituição por um longo período de tempo e possuem um nível de formação adequado às
funções que ocupam. Estes resultados indicam que os questionários foram respondidos por
pessoas que possuem cargos elevados na instituição onde atuam, em função da sua faixa
etária, nível de formação e tempo de atuação na instituição.

Em função destes resultados, o grau de confiabilidade nas respostas obtidas pela aplicação
dos questionários é elevado.

7.4.2 Identificando os grupos de atores

O objetivo deste tópico foi inicialmente introduzir o conceito de “ator” dentro da proposta
do trabalho que está sendo realizado e oferecer uma lista a ser preenchida dos principais
atores responsáveis, segundo os entrevistados, pelo abastecimento de água e contenção de
enchentes em Joinville. A lista já foi previamente organizada em Instituições
Governamentais e Instituições Não-governamentais.

Com os resultados obtidos com este tópico foi elaborada uma rede de interações, onde
podem ser observadas as instituições que foram citadas um maior número de vezes
(Apêndice C).

Pela análise da rede de interações pode-se perceber que as instituições com maior número
de citações entre os órgãos governamentais foram: CASAN (18), Prefeitura Municipal de
Joinville (9), AMAE (9), FUNDEMA (8), SAMA (6) e FATMA (6). Os órgãos não-
governamentais foram, de um modo geral, menos citados. Dentre estes os que foram mais
citados foram: Defesa Civil (8), Associação Ecológica VidaVerde (8), Comitê da Bacia do
Rio Cubatão (6) e as associações de moradores de bairro (4).

97
Os atores sociais mais citados estão incluídos na amostragem utilizada neste trabalho. Os
órgãos federais foram pouco citados, inclusive a iniciativa privada classificada como
federal por englobar empresas que atuam em todo o país e inclusive no exterior. Desta
forma pode-se concluir que os atores sociais consideram responsáveis pelo abastecimento
de água e contenção de cheias os órgãos que atuam mais diretamente no município, ou seja
das esferas municipal e estadual.

7.4.3 Identificando os problemas

As questões apresentadas no questionário tiveram por objetivo identificar os problemas


listados pelos atores sociais, no que se refere ao abastecimento de água e a ocorrência de
enchentes no município de Joinville, bem como levantar possíveis soluções para estes
problemas.

Os problemas e as soluções listados pelos atores sociais foram agrupados por temas afins,
de forma que pudesse ser estabelecida uma relação problema-solução em relação à falta de
água e ocorrência de enchentes em Joinville.

7.4.3.1 Análise dos problemas e soluções em relação à falta de água em


Joinville

Abastecimento de água em Joinville

Atualmente, o sistema de abastecimento de água de Joinville é atendido pelas unidades de


tratamento do Piraí e do Cubatão, com capacidade nominal de tratamento de 550 L/s e
1.300 L/s, respectivamente, totalizando 1.850 L/s.

A ETA Piraí é responsável por aproximadamente 30% do abastecimento de Joinville e a


ETA Cubatão é responsável por 70%. O sistema de distribuição de água é formado por
sub-adutoras, reservatórios e redes de distribuição. Ao todo, são 11 centros de reservação
dispostos na área urbana de Joinville, com capacidade de reservação da ordem de 37
milhões de litros. A rede de água é formada por uma malha de distribuição com extensão
aproximada de 1.850 km (AMAE, 2004).

98
Os problemas referentes ao abastecimento de água em Joinville, bem como as possíveis
soluções sugeridas pelos atores sociais, foram agrupados em temas gerais, e organizados
pelo número de vezes que foram citados. Os temas gerais são: Estruturais, Crescimento
Populacional, Educação Ambiental, Gestão Pública e Fatores Ambientais. Estes temas
foram relacionados tanto aos problemas quanto às soluções (Tabela 6).

TABELA 6 – Problemas e soluções listados pelos atores sociais relacionados à falta de água em Joinville.
PROBLEMAS SOLUÇÕES
• Perdas na rede de distribuição de água tratada • Renovação e ampliação da rede de
(11) distribuição (8)
• Tubulações antigas (5) • Investimento em programas de redução de
ESTRUTURAIS

• Falta de investimento em infra-estrutura perdas (6)


básica (3) • Construção de barragens para armazenamento
• Falta de reservatórios em pontos estratégicos de água.
• Construção de mais reservatórios (2)
• Criação de programas de abastecimento
diferenciado (2)
• Ocupações irregulares (8) • Fiscalização para evitar construções
POPULACIONAL

• Poluição dos cursos d' água por atividades irregulares (4)


CRESCIEMNTO

industriais e agrícolas (7) • Planejamento urbano (4)


• Aumento da demanda pelo rápido • Construção de ETEs (3)
crescimento populacional (5)
• Diminuição da capacidade de recarga dos
aqüíferos (2)
• Falta de conscientização da população para o • Desenvolvimento de projetos de educação
uso controlado da água (11) ambiental para o uso controlado da água (11)
AMBIENTAL
EDUCAÇÃO

• Destruição da vegetação nas áreas de • Reflorestamento com espécies nativas em


mananciais (9) áreas de mananciais (6)
• Falta de conservação dos Leitos de rios • Desenvolvimento de projetos de preservação
ambiental (2)
• Preservação dos Leitos de rios
• Falta de políticas públicas (2) • Desenvolvimento de políticas públicas (2)
PÚBLICA
GESTÃO

• Falta de controle e fiscalização de ligações • Melhor fiscalização dos órgãos ambientais


clandestinas (2)

• Baixa incidência de chuvas em algumas • Buscar novos métodos de captação de água


AMBIENTAL

épocas do ano (poços artesianos e cisternas) (5)

Fonte: questionários aplicados.

Pode-se perceber pelos resultados obtidos que, segundo os atores sociais entrevistados, as
perdas na rede de distribuição de água tratada e a falta de conscientização da população
para o uso controlado da água, são os principais motivos para os episódios de falta de água
em Joinville.

99
Problemas Estruturais

Com relação aos problemas estruturais, a existência de perdas na rede de distribuição está
diretamente relacionada, segundo os entrevistados, à falta de investimentos em infra-
estrutura básica, o que faz com que a tubulação existente na cidade seja muito antiga,
dificultando a sua manutenção e favorecendo as perdas no sistema. Outro item citado foi a
falta de reservatórios em pontos estratégicos da cidade, onde os episódios de falta de água
são mais freqüentes.

As soluções sugeridas pelos entrevistados, referentes aos problemas estruturais, seriam o


maior investimento de recursos em programas de redução de perdas, manutenção e
ampliação da rede de distribuição de água, a construção de barragens para captação e
reservatórios para armazenamento de água e também a criação de programas de
abastecimento diferenciado.

As perdas com água tratada no estado de Santa Catarina superam 50% e, na região de
Joinville, estão em torno de 60% da água que a CASAN capta, trata e distribui à população
(AN Opinião, 2004).

Estes altos índices de perda de água tratada em Joinville justificam a percepção da


população em relação ao problema e o fato deste item ter sido o mais citado nos
questionários como responsável pela falta de água no município.

Aumento Populacional

Em segundo lugar, foram citados os problemas resultantes do aumento da população na


cidade, como as ocupações irregulares em áreas não-edificáveis do município, o aumento
do consumo de água tratada em função da crescente demanda, a poluição dos cursos
d’água pelas atividades industriais e agrícolas na região e a diminuição da capacidade de
recarga dos aqüíferos pela superexploração.

As sugestões para estes problemas, segundo os entrevistados, seriam o aumento da


fiscalização pelos órgãos responsáveis para evitar as construções irregulares e ocupações

100
ilegais, um planejamento urbano mais eficiente e a construção de mais unidades de
tratamento de esgotos e efluentes industriais, evitando a contaminação dos cursos d’água.

Educação Ambiental

Um dos problemas mais citados nos questionários em relação à falta de água no município
de Joinville foi a falta de conscientização da população para o uso controlado da água. Em
Joinville é muito comum encontrarmos situações de desperdício de água, como por
exemplo, o uso da chamada “vassoura hidráulica”, que nada mais é do que a utilização de
mangueira para a lavação de pátios e calçadas que poderiam estar sendo limpos utilizando
métodos onde o consumo de água não fosse tão alto. Estima-se que o consumo de água
para lavar a calçada com mangueira por 15 min. fique em torno de 280 L (SABESP, 2004).

Segundo ALCÂNTARA GOMES e MENDES (2004):

“Acredita-se que, a exemplo de países onde a falta d' água e escassez são notórios, deva
ser implantado nas residências do Brasil sistema de adução de água limpa e potável
separadamente, observando-se o alto custo da água tratada, fato que por si só justifica a
implantação de tal sistema. (...) A água tratada custa trezentas vezes o valor da água
limpa. O trabalho educativo deverá ser feito a nível doméstico e em âmbito maior, com
o relacionamento das diferentes tarefas e seus respectivos usos e gastos.”

A solução sugerida pelos atores sociais para o problema do uso não controlado da água no
município seria a implementação de amplos projetos de educação ambiental, atingindo os
vários setores da sociedade, com o objetivo de conscientizar a população para a
importância da economia de água.

Outros problemas apontados pelos atores sociais também seriam a destruição da vegetação
nas áreas de mananciais e a falta de conservação do Leito dos rios. As soluções sugeridas
para estes problemas foram o reflorestamento das áreas de mananciais com espécies
nativas e a preservação do Leito dos rios.

Todos os itens citados neste tema geral estão relacionados direta ou indiretamente à
conscientização da população para as questões ambientais, o que só pode ser alcançado

101
com o desenvolvimento de projetos de educação ambiental, de forma integrada e
abrangente, para que atinja todos os setores e camadas sociais.

Gestão Pública

Os problemas referentes à gestão pública, citados pelos atores sociais nos questionários,
foram a inexistência de políticas públicas direcionadas para o problema da falta de água no
município de Joinville e a falta de controle e fiscalização de ligações clandestinas à rede de
abastecimento de água tratada, comprometendo tanto a qualidade quanto a quantidade de
água fornecida pela prestadora de serviço.

As soluções para estes problemas, segundo os atores sociais, poderiam ser o


desenvolvimento de políticas públicas e a fiscalização adequada dos órgãos ambientais nas
várias esferas administrativas, municipal, estadual e federal.

Fatores Ambientais

Os problemas relacionados a fatores ambientais foram pouco citados e referem-se a uma


característica da região de Joinville que é a distribuição irregular das chuvas ao longo do
ano. O clima da região caracteriza-se pela concentração das chuvas em uma determinada
época do ano, ocorrendo em contrapartida, longos períodos de estiagem.

No gráfico de precipitação pluviométrica mensal entre 1996 e 2004 (Figura 54), tem-se que
os totais mensais medidos no período mostram uma acentuada redução nos meses
compreendidos entre abril e agosto, tendo uma precipitação mínima mensal em abril de
2000 de 12,1mm. Já nos meses compreendidos entre setembro e março há um aumento dos
índices pluviométricos, atingindo uma máxima mensal em fevereiro de 2001 (599,4mm)
(UNIVILLE, 2005).

102
Precipitação Mensal entre 1996 e 2004
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
700
600
500
400
mm

300
200
100
0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Figura 54 - Precipitação pluviométrica mensal entre 1996 e 2004. (UNIVILLE)

As soluções apontadas para contornar os problemas causados pela irregularidade das


chuvas na região seriam a procura por novos métodos de captação de água, como por
exemplo poços artesianos e cisternas.

No entanto, a exploração da água através de poços artesianos também está condicionada a


certos fatores limitantes e não pode acontecer de forma indiscriminada.

Segundo Meneses (2003):

“A captação de água subterrânea excede a reposição natural em 160 bilhões de metros


cúbicos por ano. Isto ocorre porque não há uma fiscalização adequada dos poços que são
perfurados e a quantidade de água que está sendo retirada do subsolo.”

Desta forma, a criação de cisternas, seja para armazenar água dos rios ou das chuvas, seria
a opção de menor impacto ambiental.

7.4.3.2 Análise dos problemas e soluções em relação à ocorrência de enchentes


em Joinville

Caracterização das Enchentes em Joinville

Devido a sua localização geográfica, geomorfologia e características climáticas, Joinville


apresenta um amplo registro de episódios de enchentes, enxurradas e alagamentos. Estes

103
episódios variam de acordo com a região, existindo bairros que são atingidos com maior
freqüência que outros (Figura 55 a 57).

Enchentes ou Inundações Graduais

Nas enchentes, as águas elevam-se de forma paulatina e previsível, mantém-se em situação


de cheia durante algum tempo e a seguir, escoam-se gradualmente.

Normalmente, as inundações graduais são periódicas. As inundações graduais são


intensificadas por variáveis climatológicas de curto, médio e longo prazo. Relacionam-se
com períodos de chuvas intensas e concentradas, geralmente associadas à maré alta. O
fenômeno caracteriza-se por uma abrangência e grande extensão.

Os prejuízos causados por este fenômeno da natureza são: a vida humana deixando pessoas
mortas, feridas, contaminadas, desabrigadas, com epidemias, com falta de: energia,
comunicação, água, prejuízos morais e psicológicos, prejuízos materiais a agricultura, ao
sistema viário, além dos prejuízos individuais de cada família, provocando ainda
congestionamentos de trânsito e danos ao meio ambiente (Plano Diretor da Defesa Civil de
Joinville, 2004).

Figura 55 - Enchente no centro de Joinville, na esquina da Rua 9 de Março com


a Rua do Príncipe, no ano de 1929. (NEUMANN, 2004)

104
Enxurradas

As enxurradas são provocadas por chuvas intensas e concentradas, em regiões de relevo


acidentado, caracterizando-se por produzirem súbitas e violentas elevações dos caudais, os
quais escoam-se de forma rápida e intensa. Nessas condições, ocorre um desequilíbrio
entre o continente (Leito do rio) e o conteúdo (volume caudal), provocando
transbordamento.

A inclinação do terreno, ao favorecer o escoamento, contribui para intensificar a torrente e


causar prejuízos semelhantes aos das inundações graduais, porém esse fenômeno costuma
surpreender por sua violência e menor previsibilidade, exigindo uma monitorização mais
complexa.

Em Joinville tal fenômeno ocorre principalmente na região de Pirabeiraba e Vila Nova,


devastando a agricultura da região, deixando famílias isoladas, devido à destruição de
pontes e das vias públicas, prejudicando inclusive as crianças em período escolar e os
adultos no seu deslocamento ao trabalho, e envio de produtos agrícolas, atingindo de forma
muito intensa também o meio ambiente (Plano Diretor da Defesa Civil de Joinville, 2004).

Figura 56 - Enchente no centro de Joinville, na Rua do Príncipe na década de 30.


(NEUMANN, 2004)

105
Figura 57 - Enchente no centro de Joinville, região onde atualmente está o calçadão da
Rua do Príncipe, em 14 de fevereiro de 1948. (NEUMANN, 2004)

Alagamentos

São águas acumuladas no Leito das ruas e nos perímetros urbanos por fortes precipitações
pluviométricas, em cidades com sistemas de drenagem deficientes.

Nos alagamentos o extravasamento das águas depende muito mais de uma drenagem
deficiente, que dificulta a vazão das águas acumuladas, do que das precipitações locais.

O fenômeno relaciona-se com a redução da infiltração natural nos solos urbanos, a qual é
provocada por:

• Compactação e impermeabilização do solo;


• Pavimentação de ruas e construção de calçadas, reduzindo a superfície de
infiltração;
• Construção adensada de edificações, que contribuem para reduzir o solo exposto e
concentrar o escoamento das águas;
• Desmatamento de encostas e assoreamento dos rios que se desenvolvem no espaço
urbano;
• Acumulação de detritos em galerias pluviais, canais de drenagem e cursos d’água;
• Insuficiência da rede de galerias pluviais.

106
Este fenômeno atinge algumas regiões de Joinville devido ao crescimento desordenado e à
falta de preocupação com o meio ambiente durante a expansão da cidade, sendo comuns
casos em que construções foram feitas sobre os Leitos dos rios. Ainda hoje a falta de
conscientização ambiental da população pode ser observada pela deposição de lixo nos rios
e remoção da mata ciliar. Segundo a Defesa Civil, para minimizar estes efeitos são
necessárias obras de engenharia (Plano Diretor da Defesa Civil de Joinville, 2004).

Com base nesta realidade, procurou-se buscar junto aos atores sociais, por meio do
questionário referente ao aproveitamento de águas pluviais, quais seriam as possíveis
causas para a ocorrência de enchentes em Joinville e as soluções indicadas para a resolução
destes problemas, segundo a opinião dos entrevistados.

Os problemas referentes às enchentes em Joinville, bem como as possíveis soluções


sugeridas pelos atores sociais, foram agrupados em temas gerais, e organizados pelo
número de vezes que foram citados. Os temas gerais são: Crescimento Populacional,
Fiscalização Ambiental, Gestão Pública e Fatores Ambientais. Estes temas foram
relacionados tanto aos problemas quanto às soluções (Tabela 7).

TABELA 7 – Problemas e soluções listados pelos atores sociais relacionados à ocorrência de enchentes
em Joinville.
PROBLEMAS SOLUÇÕES
• Ocupação irregular das bacias (14) • Fiscalização para evitar as ocupações
POPULACIONAL

• Aumento da impermeabilização do solo irregulares (11)


CRESCIMENTO

(6) • Delimitação das áreas edificáveis (3)


• Adensamento urbano (5) • Estabelecimento de regras para controlar a
impermeabilização do solo (3)
• Investimento em sistemas de captação
(microdrenagem) (3)
• Acúmulo de lixo nos rios e sistemas de • Programas de educação ambiental (11)
FISCALIZAÇÃO
AMBIENTAL

drenagem (12) • Remoção periódica do lixo nos rios (9)


• Assoreamento da Baía da Babitonga (3) • Abertura do Canal do Linguado
• Assoreamento dos rios por atividades de • Fiscalização e controle de terraplenagem
terraplenagem e mineração (2)
• Drenagem urbana deficiente (9) • Manutenção e ampliação dos sistemas de
• Estrangulamento do Leito dos rios (5) drenagem urbana (13)
• Remoção da cobertura vegetal (4) • Programas de preservação ambiental -
• Falta de medidas preventivas vegetação em áreas de mananciais (6)
GESTÃO PÚBLICA

• Planejamento integrado de bacias e programas


de proteção dos recursos hídricos (2)
• Programa permanente de contenção de cheias
(2)
• Desenvolvimento controlado e sustentável

107
PROBLEMAS SOLUÇÕES
• Baixa altitude em relação ao nível do • Construção de barragens (2)

AMBIENTAL
mar e influência de marés (7)
• Alta pluviosidade (2)

Fonte: questionários aplicados.

Através da análise dos questionários pode-se perceber que a ocupação irregular das áreas
que compõe as bacias hidrográficas da região de Joinville e o acúmulo de lixo nos rios e
sistemas de drenagem pluvial são, na opinião dos atores sociais, os principais responsáveis
pela ocorrência de enchentes, inundações e alagamentos no município.

Crescimento Populacional

Ocupação Irregular das Bacias Hidrográficas do Município de Joinville

As principais bacias hidrográficas do município de Joinville são: Cubatão, Cachoeira, Piraí


e Rio do Júlio, além de pequenas bacias que nascem nas encostas dos morros do Iririú e
Boa Vista e deságuam na Baía da Babitonga. A bacia do rio Quirirí, apesar de não estar
contida nos limites municipais, é uma importante sub-bacia do rio Cubatão, que nasce no
município de Garuva, respondendo por 40% do volume de água que é captado para
abastecimento público de Joinville (GONÇALVES e OLIVEIRA, 2001).

A Lei Complementar nº 29, de 14 de junho de 1996, que institui o Código Municipal do


Meio Ambiente, em seu Capítulo XV que trata da Proteção da Flora, no Art. 49 diz:

Consideram-se de preservação permanente, as florestas e demais formas de vegetação


natural situadas:
I - ao longo dos rios ou de qualquer curso de água, em faixas marginais, cuja largura
mínima será de:
a) 30m (trinta metros) para os cursos d' água de menos de 10m (dez metros) de largura;
b) 50m (cinqüenta metros) para os cursos d' água que tenham mais de 10m (dez) a 50m
(cinqüenta metros) de largura;
c) 100m (cem metros) para cursos d' água que tenham mais de 50m (cinqüenta) a 200
(duzentos) metros de largura;
II - ao redor dos lagos e lagoas ou reservatórios de águas naturais;
III - ao redor das nascentes e olhos d’água é vedado o desmatamento num raio de 50m
(cinqüenta metros);
IV - no topo de morros montes, montanhas e serras;
V - nas áreas de manguezal;
VI - nas áreas de aeródromos;
VII - nas restingas;
108
VIII - nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45º (quarenta e cinco
graus).

No entanto, com o crescimento acelerado da população de Joinville e a falta de fiscalização


pelos órgãos competentes, a ocupação de áreas irregulares acontece de forma intensa no
município. A construção das casas acontece até as margens dos rios e muitas vezes sobre
estes, com a utilização de palafitas. Por serem irregulares estas construções não possuem
abastecimento de água e muito menos coleta de lixo e esgoto, sendo estes lançados
diretamente nos corpos d’água comprometendo de forma acentuada a qualidade das águas.

Outro fator que pode ser observado em Joinville é a grande quantidade de córregos e
riachos que atravessam o centro da cidade, situação que impossibilita que as exigências da
legislação sejam cumpridas já que a quantidade de vias e edificações nesta região é muito
grande, inclusive com construções antigas que já haviam sido instaladas em locais hoje
considerados irregulares. Sendo assim, a maior parte dos cursos d’água que cortam o
centro da cidade de Joinville está canalizada em galerias, o que dificulta a retirada dos
detritos e que, em situações de chuvas intensas, não são suficientes para escoar a água que
acaba por alagar o centro da cidade.

Os outros fatores relacionados ao crescimento populacional e que contribuem para a


ocorrência de enchentes e alagamentos em Joinville são o aumento da impermeabilização
do solo e o adensamento urbano, sendo que estes dois estão diretamente relacionados.

O adensamento urbano é uma conseqüência do crescimento populacional desordenado o


que provoca um aumento no número de edificações e vias de acesso para suprir a demanda.
Como estas edificações localizadas na área central da cidade são principalmente
comerciais, acabam por ocupar toda a área do terreno impermeabilizando-o
completamente. A pavimentação asfáltica, comumente utilizada nas ruas do município,
também reduz consideravelmente a infiltração da água das chuvas resultando em
alagamentos.

As sugestões para minimizar estes problemas, propostas pelos atores sociais, foram uma
fiscalização mais eficiente para evitar as ocupações irregulares no município e uma nova

109
delimitação das áreas edificáveis com base na realidade atual, possibilitando que a
legislação possa ser cumprida.

Outras sugestões considerando o crescimento populacional foram o estabelecimento de


regras para a impermeabilização do solo, como porcentagem de terreno onde deveria ser
mantida a capacidade de infiltração, pavimentação alternativa que possibilite a infiltração
da água de chuva e maiores investimentos em sistemas de captação nos lotes, para evitar
que a água que escoasse dos terrenos fosse se acumular nas galerias de drenagem pluvial.

Nas cidades, grande parte do solo está coberta por placas tecnogênicas, que são as
coberturas que inibem a infiltração e promovem a concentração do escoamento da água.
Além de impedir que a água penetre no solo, o asfalto e o cimento colaboram para o
aumento de sua velocidade, o que favorece ainda mais a ocorrência de enchentes. Qualquer
forma de pavimentação reduz o nível de infiltração, até mesmo o solo compactado, sem
nenhum tipo de cobertura, torna-se impermeável. A impermeabilização pode causar a
concentração das descargas das águas das chuvas. Como o solo está revestido pelo asfalto,
cimento ou outras coberturas impermeabilizantes, a água da chuva escorre apenas por
alguns poucos locais e, em vez de infiltrar-se em diversos pontos, concentra sua vazão em
canaletas ou bueiros. As descargas concentradas podem levar à erosão nos pontos para
onde a água é levada. Uma das alternativas para minimizar os efeitos da
impermeabilização são as “janelas de infiltração” (Figura 58), que podem ser canteiros ou
jardins que, além de permitirem a entrada da água no solo, também colaboram para "uma
composição paisagística mais agradável".

Figura 58 - Canteiro central servindo como “janela de


infiltração”. (PESSOA, 2004)
110
A vegetação também tem o papel de retardar o escoamento da água. As bacias de
acumulação, as canaletas perfuradas, ou as canaletas de grama, com guarnições de
concreto a cada cinco ou 10 metros para impedir a erosão longitudinal, também são
instrumentos para facilitar a infiltração da água (PESSOA, 2004).

Os blocos de concreto para pavimentação permitem a perfeita drenagem das águas de


chuva e, ao mesmo tempo, evitam a impermeabilização do solo, pois as juntas entre as
peças possibilitam a infiltração de uma parcela das águas incidentes, amenizando desta
maneira, o impacto ambiental. A exemplo disso, a Prefeitura de Belo Horizonte fez
algumas alterações na Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo do Município, que
aprovaram mudanças que vêm de encontro às necessidades da sociedade e da cidade, em se
adaptarem à dinâmica urbana e às conseqüências deste crescimento. Segundo a referida
Lei, as vias públicas deverão ser pavimentadas com revestimentos que tenham maior
capacidade de permeabilização, o que irá garantir através de medidas adequadas de
planejamento de uso e ocupação do ambiente, os recursos hídricos na quantidade
necessária e na qualidade desejada aos seus diversos usos (PEZENTE, 2004).

Fiscalização Ambiental

Acúmulo de Lixo nos Rios e Sistemas de Drenagem Pluvial

De acordo com a Lei Complementar nº 84, de 12 de janeiro de 2000, que institui o Código
de Posturas do município de Joinville, na Seção III que trata da Limpeza e Desobstrução
das Valas e Valetas, Art. 83: “É proibido fazer despejos e atirar detritos em qualquer
corrente d’água, canal, lago, poço e chafariz.”;mas como tratado anteriormente, os órgãos
municipais responsáveis apresentam dificuldades para cumprir a legislação em função das
ocupações irregulares e também pela falta de condições para a fiscalização. Alguns
resultados neste sentido podem ser observados em campanhas de educação ambiental
promovidos pela Prefeitura de Joinville em parceria com órgãos não governamentais e
associações de moradores de bairros, que buscam um maior esclarecimento e
conscientização da população local, com campanhas para a retirada dos detritos dos Leitos
dos rios.

111
A falta de saneamento básico no município de Joinville também contribui de forma
significativa para o comprometimento da qualidade da água dos rios e para a manutenção
do seu potencial de escoamento.

Outros fatores relacionados à falta de fiscalização ambiental que contribuem para a


ocorrência de enchentes em Joinville, segundo os atores sociais, foram o assoreamento da
baía da Babitonga e o assoreamento dos rios por atividades de terraplenagem e mineração.

As soluções sugeridas para estes problemas, segundo os atores sociais, foram o


desenvolvimento e aplicação de programas de educação ambiental, para reduzir a
quantidade de lixo lançado nos cursos d’água e a remoção periódica do lixo acumulado nos
rios. Outras sugestões foram a abertura do Canal do Linguado e a fiscalização eficiente e
controle das atividades de terraplenagem no município.

As atividades desenvolvidas por algumas empresas ao longo da história de Joinville


contribuíram para o comprometimento dos cursos d’água no município. Na época em que
não havia Leis de proteção ambiental era freqüente a utilização dos rios como local de
despejos de resíduos industriais. Embora atualmente as empresas passem por fiscalizações
periódicas pelos órgãos ambientais e também auditorias, o passivo ambiental que se
acumulou ao longo destes anos não pode ser completamente neutralizado, interferindo na
qualidade dos recursos hídricos no município e região.

Abertura do Canal do Linguado

O Canal do Linguado, que faz parte da Baía da Babitonga, foi fechado na década de 30 e
desde então causou muita polêmica. Através de um convênio realizado com o Instituto
Militar de Engenharia do Rio de Janeiro (IME) e com o Departamento Nacional de Infra-
Estrutura e Transportes (DNIT), professores e acadêmicos dos cursos de Ciências
Biológicas, Química Industrial e Engenharia Ambiental da Universidade da Região de
Joinville (UNIVILLE), além de pesquisadores convidados, estão realizando um
diagnóstico da atual situação da Baía da Babitonga, pesquisando aspectos de sua flora,
fauna, assim como do sedimento, água e pesca. O objetivo deste trabalho é gerar subsídios
para uma análise da viabilidade de reabertura do Canal do Linguado. Originalmente, o

112
Canal do Linguado apresentava cerca de 20 metros de profundidade, segundo depoimentos
de moradores da época. Atualmente, a porção do Canal voltada para a Baía formou-se um
imenso banco de areia, uma área que fica totalmente exposta na maré baixa. Durante os 69
anos em que o Canal está fechado, tem sido intenso o processo de assoreamento, pois o
sistema de circulação da água foi totalmente alterado. Dessa forma, toda a baía vem
sofrendo alterações, com uma significativa diminuição na sua profundidade e aumento dos
bancos de areia em outras áreas. A fauna e flora de regiões estuarinas, como é o caso da
Baía da Babitonga, são totalmente dependentes das variações diárias e sazonais da maré e
de parâmetros físico-químicos, como temperatura, salinidade, oxigênio, etc. Assim, a
alteração do sistema acarreta, necessariamente, a alteração desses padrões, atingindo
diretamente a sua biota. A concentração de poluentes também é fator que gera grande
preocupação.

O desenvolvimento da indústria automobilística na primeira metade do século XX e,


especialmente, do porto de São Francisco do Sul, foram fundamentais para a construção do
aterro que fechou o Canal do Linguado em dois trechos, ligando a ilha de São Francisco do
Sul ao continente. Iniciada em abril de 1934 , a nova ligação ficou pronta em 21 de outubro
de 1935. Mais de 400 operários trabalharam na construção e, durante 18 meses,
providenciaram também a construção da rodovia, atual BR-280.

Registros da época mostram que o canal chegava a atingir 25 metros de profundidade em


vários pontos, o que torna difícil dimensionar a quantidade de rocha e lodo que foram
depositados nele durante as últimas seis décadas. Atualmente, a profundidade média do
local não passa de dois metros (UNIVILLE PRESS KIT, 2003).

O estudo sobre o Canal do Linguado, concluiu que a abertura de apenas um dos aterros é a
melhor alternativa para reduzir o impacto ambiental na região. A alternativa diminuiria em
cerca de um mês o período que as águas da baía levam para se renovar. Hoje o processo
leva 239 dias e com a abertura do menor aterro, duraria 207 dias. No entanto, há
estimativas de que a abertura aumentaria em cerca de 50 cm o nível da água em Barra do
Sul, o que atingiria cerca de mil casas no entorno da baía (HENRIQUES, 2004).

113
Gestão Pública

Os problemas mais citados pelos atores sociais referentes à gestão pública municipal em
relação à ocorrência de enchentes e alagamentos no município de Joinville foram a
drenagem urbana deficiente em que as galerias são sub-dimensionadas e não atendem a
demanda em períodos de chuvas intensas, o estrangulamento do Leito dos rios decorrente
da canalização destes em galerias com a redução da sua capacidade de escoamento, a
remoção da cobertura vegetal em áreas de ocupação irregular e a falta de medidas
preventivas adotadas pela administração municipal no que se refere à programas de
prevenção e contenção de cheias.

As sugestões apontadas pelos atores sociais referentes a estes problemas foram a


manutenção e ampliação dos sistemas de drenagem urbana, programas de preservação
ambiental para a manutenção e recuperação da vegetação em áreas de mananciais, a gestão
integrada de bacias hidrográficas do município e o desenvolvimento de programas de
proteção aos recursos hídricos, um programa permanente a ser adotado pelos órgãos
municipais para a contenção de cheias e o desenvolvimento controlado e sustentável do
município.

Contenção de Cheias

A Defesa Civil de Joinville desenvolveu no ano de 2004 o Plano Diretor da Defesa Civil,
com o objetivo de reduzir os riscos de desastres na cidade e preparar seus habitantes para
enfrentar as ameaças existentes. Segundo a Defesa Civil, a implementação do Plano
Diretor de Defesa Civil (PDDC) é necessariamente de longo prazo, desenvolvendo-se e
aprofundando-se como um contínuo, e será implementado gradualmente, mediante planos,
programas e projetos específicos a cada tipo de desastre, de acordo com sua origem
(DEFESA CIVIL DE JOINVILLE, 2004).

A Prefeitura Municipal de Joinville lançou em 2004 o Planejamento Estratégico de


Joinville que ainda está em fase de detalhamento dos programas estratégicos pelos grupos
de trabalho. No Planejamento Estratégico de Joinville um dos macroobjetivos trata da
Sustentabilidade e Qualidade de Vida e pretende colocar Joinville “entre os 10 municípios

114
líderes em desenvolvimento sustentável, considerando os indicadores sociais,
educacionais, de saúde, culturais, econômicos e ambientais, até 2010” (PLANEJAMENTO
ESTRATÉGICO DE JOINVILLE, 2004).

Fatores Ambientais

Os problemas relacionados aos fatores ambientais que agravam a incidência de enchentes e


alagamentos em Joinville, segundo os atores sociais, são a baixa altitude em relação ao
nível do mar e a influência das marés, bem como a alta pluviosidade, típica da região.

Na opinião dos atores sociais a resolução destes problemas poderia ser alcançada pela
construção de barragens que diminuíssem a velocidade de escoamento das águas dos rios
em direção às áreas urbanas.

Uma das ações previstas do Projeto de Revitalização do Rio do Braço, desenvolvido pela
ONG VIDAVERDE em parceria com outras instituições é o barrageamento do rio, pela
construção de pequenas barragens transversais ao Leito do rio, feitas com materiais
naturais, com aproximadamente 20 a 30 cm de altura, com o objetivo de retenção de carga
hídrica e estabilização de fundo de rio (VIDAVERDE, 2004).

7.4.4 Relação do poder público com a água

Este item teve como objetivo principal identificar a influência que os atores sociais
exercem no que se refere à gestão dos recursos hídricos no município de Joinville e o
conhecimento que possuem a respeito das medidas que estão sendo tomadas pelo poder
público municipal em relação aos problemas de falta de água e enchentes na região.
Procurou também realizar um diagnóstico sobre o posicionamento dos atores sociais no
que se refere ao aproveitamento de água de chuva em Joinville.

7.4.4.1 Relação da instituição com os recursos hídricos de Joinville

Identificar o papel que cada ator social desempenha na gestão dos recursos hídricos no
município é importante porque possibilita estabelecer quais as prioridades de cada setor,
permitindo que sejam traçados planos de ação de acordo com os interesses predominantes.

115
Este item foi respondido por 31 atores sociais. Os temas citados foram: 12 entrevistados
afirmaram que sua relação com os recursos hídricos de Joinville está ligada à educação
ambiental, 11 através de projetos, execução e manutenção de obras estruturais, 10 pelo
desenvolvimento de políticas públicas relacionadas à gestão de recursos hídricos no
município, 5 afirmaram ser apenas consumidores e 4 atores sociais fazem parte de órgãos
fiscalizadores. Vários atores sociais afirmaram que atuam em mais de um tema (Gráfico 7).

Gráfico 7 – relação estabelecida entre a instituição que o entrevistado atua e a água.

Relação da Instituição com os recursos hídricos

14
12
12 11
10
nº de instituições

10 educação ambiental

8 obras estruturais
políticas públicas
6 5 consumidor
4
4 fiscalização

Através da análise do Gráfico 7 pode-se perceber que a principal relação dos entrevistados
com a água está ligada a atividades de educação ambiental. Isto pode ser explicado pela
crescente valorização dos temas ambientais pela população em geral, tendo os recursos
hídricos como um de seus principais focos. Em vários setores são realizadas campanhas
educativas para a valorização e uso racional da água, seja em instituições públicas ou
privadas, fazendo com que a educação ambiental seja praticada nos vários níveis da
sociedade.

Em segundo lugar estão os atores sociais que têm a sua atividade ligada aos recursos
hídricos em função da elaboração, execução e manutenção de projetos de obras estruturais,
bem como na fabricação de peças para instalações hidráulicas, onde são desenvolvidos
projetos visando a economia de água nas edificações.

116
O terceiro tema mais citado foi a elaboração e aplicação de políticas públicas ligadas a
gestão de recursos hídricos, onde estão inseridos na sua maioria os órgãos do setor público
municipal.

Em menor número estão os atores sociais que identificaram a sua relação com os recursos
hídricos apenas como consumidores, e os que realizam atividades de fiscalização, destes
fazendo parte os órgãos ambientais nas várias esferas de poder.

De acordo com a análise do Gráfico 7, pode-se perceber que a maioria dos atores sociais
identifica a sua relação com a gestão dos recursos hídricos em Joinville de uma forma
ativa ao invés de passiva (apenas consumidores), tendo alguma influência na forma como
ocorre esta gestão no município e com capacidade para alterar a situação atual através da
sua participação.

7.4.4.2 Importância do aproveitamento de água de chuva em Joinville

Através desta questão procurou-se levantar o posicionamento dos atores sociais em relação
ao aproveitamento de água de chuva no município de Joinville de uma forma geral, sem
especificar a forma de captação ou a finalidade para a qual esta água seria aproveitada.

A grande maioria (74%) dos entrevistados se posicionou favorável ao aproveitamento de


água de chuva, 10% foram contrários e o restante (16%) foram indiferentes à questão
(Gráfico 8).

Gráfico 8 – Opinião do entrevistado sobre o aproveitamento de água da


chuva em Joinville.

Opinião sobre o Aproveitamento de Água da


Chuva

10%

16%
favorável
indiferente
contrário

74%

117
A justificativa para a maioria dos entrevistados ter se posicionado de forma favorável ao
aproveitamento de água de chuva pode ser explicada pelo contexto em que a questão foi
inserida. Quando foram apresentados de forma integrada os problemas relacionados à falta
de água e à ocorrência de enchentes no município, pode ter surgido como alternativa viável
para os dois problemas simultaneamente o aproveitamento de águas pluviais.

7.4.4.3 Falta de água no município de Joinville

Esta questão procurou identificar, segundo os atores sociais, a ocorrência de casos de


interrupção no abastecimento de água em Joinville, os bairros em que estes eventos
ocorrem com mais freqüência e as medidas que estão sendo tomadas pelo poder público
para evitar que isto ocorra.

Interrupções no abastecimento de água em Joinville

Ao serem questionados quanto aos eventos de interrupção no fornecimento de água em


Joinville, dos 31 entrevistados apenas 2 declararam não ter conhecimento sobre nenhum
evento desta natureza.

Dentre aqueles que afirmaram ter conhecimento de eventos de interrupção no fornecimento


de água, de um modo geral, os bairros mais afastados do centro da cidade foram citados
com maior freqüência (24%), bem como as regiões da cidade localizadas em áreas
elevadas (15%). Alguns entrevistados citaram períodos em que foi realizado rodízio entre
todos os bairros como forma de racionamento do consumo (10%). Os bairros mais citados
foram Iririú, Floresta e Atiradores (6% cada), Jardim Iririú, Aventureiro, Centro e Boa
Vista (4% cada) e outros bairros em geral (17%) (Gráfico 9).

A falta de água nos bairros mais afastados do centro da cidade pode ser justificada tanto
pelo alto índice de perdas no sistema, como também pelo adensamento populacional na
área central da cidade, onde o consumo de água é maior, causando a queda de pressão na
tubulação e impedindo que a distribuição seja feita nas regiões mais afastadas. A mesma
justificativa pode ser utilizada para explicar a falta de abastecimento nas regiões mais
elevadas.

118
Gráfico 9 – Bairros do município de Joinville que apresentam problemas em relação
ao fornecimento de água pela rede pública.

Bairros com Falta de Água

outros bairos
bairros afastados

Boa Vista

Centro

Aventureiro áreas mais


Jardim Iririú elevadas

Atiradores
rodízio entre
Floresta |ririú todos os bairros

Medidas Tomadas pelo Poder Público para Evitar a Interrupção no Abastecimento


de Água em Joinville

Esta questão foi respondida por 30 atores sociais dos quais 9 declararam não ter
conhecimento de medidas adotadas pelo poder público para evitar a falta de água no
município. Entre aqueles que responderam esta questão de forma afirmativa, as medidas
mais citadas foram: a ampliação da rede de distribuição de água tratada (26%), campanhas
de conscientização para evitar o desperdício de água (23%), a criação do Programa SOS
Nascentes (19%), a criação da Agência Municipal de Águas e Esgoto (AMAE) (12%), o
racionamento (8%), a revitalização dos rios (8%) e a formação do CCJ-Comitê do Rio
Cubatão Joinville (4%) (Gráfico 10).

Gráfico 10 – Medidas que estão sendo tomadas pelo poder público para
evitar a falta de água no município de Joinville.

Ampliação da rede
Medidas para Evitar a Falta de Água
Campanhas de
conscientização
4% Programa SOS
8%
26% Nascentes
8%
Criação da AMAE
12%
Racionamento

19% 23% Revitalização dos rios

Formação do CCJ

119
Programa SOS Nascentes

O Programa de Gestão Ambiental da Região dos Mananciais de Joinville (Programa SOS


Nascentes) é uma ação pioneira na gestão dos recursos hídricos, desenvolvido com
esforços da Prefeitura Municipal de Joinville, através da Secretaria de Agricultura e Meio
Ambiente em convênio com a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento-CASAN
(Figura 59). O objetivo principal do programa é implantar um processo de gestão
ambiental para a proteção das bacias hidrográficas que compõem os mananciais de
Joinville, de forma a garantir a boa qualidade das águas para o abastecimento da cidade. O
programa SOS Nascentes engloba os projetos de recuperação da cobertura florestal,
educação ambiental, saneamento rural, criação e implementação de unidades de
conservação, fiscalização e desenvolvimento do turismo rural.

Figura 59 - Logotipo do
Programa SOS Nascentes.
(SAMA, 2004)

Projeto de Recuperação da Cobertura Florestal

Este projeto tem como principal objetivo recuperar a cobertura florestal da região dos
mananciais, principalmente nas margens dos cursos d’água e encostas, melhorando a
qualidade ambiental da região e protegendo os recursos hídricos, além de estimular a
utilização dos recursos florestais através do manejo sustentável. Já foram recuperadas mais
de 65 áreas degradadas, através da recomposição da cobertura florestal, com o plantio de
45.000 mudas. Também são desenvolvidos estudos botânicos para a identificação e
catalogação das espécies vegetais nativas da região, que já contam com mais de 450
espécies coletadas, das quais 350 já estão identificadas. Este trabalho é importante para
120
orientação dos trabalhos de manejo florestal e está compondo o acervo do futuro Herbário
Joinville e Museu Botânico Municipal.

Projeto de Educação Ambiental

O Projeto de Educação Ambiental visa promover a percepção e compreensão do meio


ambiente como fator indispensável à sua proteção.

Através desse projeto são desenvolvidas ações envolvendo a comunidade, através de


reuniões e palestras, atividades nas escolas rurais da área dos mananciais, exposições,
desenvolvimento de materiais didáticos e capacitação de agentes educadores. Todas essas
atividades são realizadas em conjunto com diversos órgãos, como a Secretaria Municipal
de Educação e Cultura e a Polícia de Proteção Ambiental.

Projeto Saneamento Rural – PROSAR

O avanço da ocupação das áreas na beira dos rios trouxe a contaminação por esgoto e lixo
doméstico. Visando reduzir esse problema foi criado o Projeto de Saneamento Rural que
tem como objetivo implantar sistemas de tratamento de esgoto doméstico na região, bem
como destinar corretamente os resíduos sólidos gerados. Já foram implantados sistemas
individuais de tratamento de esgoto doméstico, compostos de fossa e filtro, em 890
residências da região dos mananciais, e estações de tratamento de água e esgoto por zona
de raízes (Figura 60).

A contaminação causada por dejetos animais também é alvo de ações do PROSAR através
da implantação de esterqueiras. Este processo recebe o apoio da Fundação 25 de Julho.

Figura 60 - Tratamento de água por zona de raízes.


(SAMA, 2004)
121
Criação e Implementação de Unidades de Conservação. Áreas de Proteção Ambiental -
APA´s

Foram criadas as Áreas de Proteção Ambiental (APA’s) Serra Dona Francisca e Quiriri,
com o objetivo de proteger os recursos hídricos, garantir a conservação dos remanescentes
da Floresta Atlântica, proteger a fauna silvestre e, principalmente, melhorar a qualidade de
vida das populações residentes na região. A proteção do meio ambiente será alcançada
através de ações de educação e recuperação ambiental, e da adequação das atividades
econômicas desenvolvidas na região, além do estímulo ao desenvolvimento de atividades
que causem menor impacto ambiental. As diretrizes para a gestão das APA’s estão
contidas no Plano de Gestão, que está sendo desenvolvido com a participação direta da
comunidade local através de grupos organizados.

Projeto de Fiscalização

Outro importante Projeto do Programa SOS Nascentes é o de fiscalização, que tem como
objetivo coibir as irregularidades praticadas contra o meio ambiente na região dos
mananciais, visando proteger o patrimônio ambiental, através de ações de educação
ambiental, orientação e controle. Esta fiscalização é realizada pela SAMA, FUNDEMA,
SEINFRA com a parceria da Polícia de Proteção Ambiental - Polícia Militar, que recebeu
veículos, equipamentos e outros recursos para intensificar as ações na região dos
mananciais. Os benefícios deste projeto já podem ser vistos através da redução dos casos
de desmatamentos, roubos de palmito, caça e construções irregulares na região.

Turismo Rural e Ecológico

Há 12 anos foi implantado o projeto na localidade de Rio Bonito, a Estrada Bonita, e mais
recentemente, nas regiões do Piraí e da Serra Dona Francisca. A região apresenta também
grande potencial para o turismo ecológico. As belezas naturais da Serra do Mar, com sua
floresta exuberante, rios e inúmeras cachoeiras, possibilitam o desenvolvimento de lazer
contemplativo, em contato com a natureza. A parceria entre a PROMOTUR e os
proprietários rurais promoveu melhorias na infra-estrutura, no paisagismo, implantação e
melhorias de pequenas agroindústrias artesanais, na sinalização do projeto e identificação

122
das propriedades e no treinamento dos agricultores para a recepção ao visitante. Criou-se
também uma associação para fortalecer o projeto (SAMA, 2004).

Criação da Agência Municipal de Água e Esgoto – AMAE

A gestão da água em Joinville, desde julho de 2004, é de responsabilidade do município. A


CASAN foi responsável por este serviço durante 31 anos e continua operando a captação,
o tratamento e a distribuição da água, enquanto a Agência Municipal de Água e Esgoto
(AMAE) administra o sistema comercial (atendimento ao público, Leitura, faturamento,
cobrança e arrecadação), durante o período de transição (OBSERVATÓRIO SOCIAL,
2004).

A partir da entrega dos serviços, os proprietários das mais de 100 mil residências e
empresas passarão a ser atendidos pela Águas de Joinville. Trata-se de uma empresa local,
uma sociedade de economia mista, controlada pelo município. A concessão do serviço
deve ficar com a companhia pelo menos até 2039 (JUNGES, 2004).

Programas de Racionamento de Água

Em fevereiro de 2001 foi implantado pela CASAN um sistema de rodízio temporário para
o abastecimento de água em Joinville. A cidade foi dividida em quatro regiões, e a escala
seguiu até o término das obras de instalação da adutora do Cubatão. O rodízio atingiu cerca
de 70% da cidade em dias alternados, e só não participam o Centro, parte do bairro
América, Pirabeiraba, Vila Nova, Atiradores e Anita Garibaldi (RIGOTTI, 2001).

Revitalização dos Rios

O programa de educação ambiental e revitalização dos rios, idealizado e promovido pela


secretaria de Saneamento, Águas, Meio Ambiente e Agricultura de Joinville (SAMA), tem
o objetivo de sensibilizar a comunidade das áreas rural e urbana, a fim de estabelecer
novos valores e atitudes. A idéia central é promover atividades que levem a essa nova
consciência, principalmente nas questões referentes à geração e destino do lixo, ao despejo
de efluentes domésticos e industriais causadores de poluição das águas, e à proteção e

123
recuperação da vegetação ciliar. Na implementação do programa, a secretaria procurou
envolver todos os segmentos da sociedade e a comunidade em geral, na tentativa de
orientar a população e acioná-la à participação na tomada de decisões relacionadas ao meio
ambiente. Entre as ações destacam-se: palestras, oficinas, apresentações teatrais
desenvolvidas pela comunidade, formação de comissões comunitárias de meio ambiente e
proteção dos rios (Comapris), plantios de mudas nativas e o mutirão da informação
(FIGUEIREDO, 2000).

Outra medida que está sendo adotada pela SAMA no que se refere ao programa de
revitalização dos rios é o tratamento FLOTFLUX®, que consiste na aplicação conjunta,
seqüencial e em fluxo de técnicas empregadas em estações de tratamento de água, e mais
recentemente em estações de tratamento de esgoto, para segregação de materiais: a
coágulo/floculação e a flotação. Em adição às técnicas de segregação físico-química os
sistemas baseados no processo incluem a remoção do lodo formado na superfície da água
por equipamentos especiais.

As unidades de tratamento do rio não alteram o comportamento hidráulico do curso d'


água
garantindo a eficiência indistinta em Leitos de rios e canais de variada condição ambiental
ou tanques artificiais. Essa flexibilidade possibilita a aplicação para a melhoria de rios,
canais, reservatórios e lagos e como refinamento de outros processos em estações de
tratamento de esgoto. As metas do processo de tratamento são alcançadas pela redução de
substâncias poluentes indicadoras de qualidade como os coliformes; o fósforo total; óleos e
graxas ou pela diminuição da taxa de parâmetros perceptíveis como a cor, a turbidez e o
odor da água tratada. Como resultado da aplicação, tem-se o aumento da oxigenação das
águas, fator significativo para a preservação e a conservação da vida aquática (SAMA,
2004).

Além do Flotflux e da limpeza das margens dos rios, a Secretaria de Meio Ambiente
realiza um programa de educação ambiental, envolvendo a comunidade e escolas.
A bacia do Cachoeira recebe, todo dia, uma carga de 18 toneladas de dejetos, das quais
85% são de esgoto doméstico. A primeira estação de Flotflux está dimensionada para
retirar quatro toneladas de lodo por dia, mas a despoluição depende do fim do despejo de

124
esgoto doméstico e de efluentes industriais na Bacia do Rio Cachoeira. Apenas 10% do
esgoto da cidade é tratado e o restante é lançado no rio (ARGOLO, 2004).

Projeto de Revitalização do Rio do Braço

Realizado pela ONG Vida Verde Associação Ecológica Joinvilense em parceria com o
Rotary Club Joinville Pirabeiraba, SOS Nascentes (SAMA) e Secretaria Distrital de
Pirabeiraba e Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Pirabeiraba (IDESPI).

Tem por objetivo interromper o processo de morte da última nascente do rio do Bagre,
recompor a mata ciliar do Leito do rio do Braço e do rio do Bagre, restabelecer o fluxo de
água perene no Leito do rio do Braço, criar consciência da importância da preservação dos
rios, para além do rio do Braço.

As ações previstas pelo projeto, algumas já em fase de execução são: limpeza e


desassoreamento do Leito do rio pela PMJ; retirada de gramíneas e do lodo até o início do
seixo; instalação de cercas para proteção das mudas em áreas de pastagem; identificação
do solo para seleção das mudas apropriadas para a recomposição da mata ciliar; seleção
das mudas quanto à classificação, ao porte e finalidade; coveamento e plantio e tutora das
mudas pelo Programa SOS Nascentes; reposição de mudas; enriquecimento por
semeaduras ou serrapilheira; enriquecimento das áreas já cobertas; combate a pragas;
adubação de cobertura; introdução de espécies vegetais extintas na região para favorecer o
retorno de espécies animais extintas na região e eliminação de qualquer tipo de esgoto ou
efluentes (Figura 61) (VIDAVERDE, 2004).

Figura 61 - Modelo de propriedade rural sustentável.


(VIDAVERDE, 2004)
125
Criação do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão Norte

A Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão (BHRC), drena uma área que se estende desde o
planalto, atravessando as vertentes da Serra do Mar até o deságüe na Baia da Babitonga,
com ocorrência das últimas áreas austrais de manguezais e está inserida em cerca de 75%
de sua área no município de Joinville e o restante no município de Garuva (Figura 62).

Figura 62 - Localização da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão. (CCJ, 2004)

A BHRC representa uma das quatro grandes bacias hidrográficas de Joinville, sendo
também responsável por cerca de 70% do abastecimento deste município, que possui a
maior cidade do Estado de Santa Catarina. Na questão ambiental, o Rio Cubatão, já a partir
da quebra do relevo das encostas da Serra do Mar até a captação de água no seu médio
curso, vem sendo afetado por efluentes domésticos, agrotóxicos e partículas em suspensão
decorrentes da extração de seixo rolado e desmatamento de Pinus. A partir da ponte sobre a
BR 101, além dos problemas já citados, ocorre também poluição por efluentes industriais e
de postos de gasolina e similares. Por se tratar de uma bacia hidrográfica de domínio
estadual e possuir uma elevada importância sócio-econômica para o Estado de Santa
Catarina, bem como sofrer com problemas de qualidade de suas águas e conflito pelo uso

126
da água o conhecimento da situação atual e futura da bacia, constituem em principais
insumos para a implementação dos instrumentos que possibilitarão o gerenciamento dos
recursos hídricos e consecutivamente a implantação do Plano de Manejo Integrado dos
Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio.

No dia 02 de abril de 1998 foi entregue à população joinvilense a Agenda 21 Municipal,


onde consta a proposição de adotar as bacias hidrográficas como unidades físicas-
territoriais de planejamento para todas as atividades concernentes a vida humana. Sendo
assim, neste mesmo ano, reuniram-se 17 entidades em torno do objetivo de criar o Comitê
de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão (do Norte). O comitê é composto
por várias entidades de diferentes segmentos, como os setores de mineração,
reflorestamento, cooperativas e associações de produção, sindicatos laborais e ONG’s de
proteção ambiental. O lançamento oficial do Comitê aconteceu no dia 14 de março de
2000. Os objetivos do CCJ são: promover gerenciamento dos recursos hídricos em sua área
de atuação; promover integração na defesa contra eventos hidrológicos críticos; reconhecer
o recurso hídrico como um bem público; compatibilizar o gerenciamento dos recursos
hídricos com a proteção ao meio ambiente; propor o rateio dos custos das obras de
aproveitamento múltiplo da água e estimular a proteção das águas contra ações que possam
comprometer o uso múltiplo atual e futuro (CCJ, 2004).

Após o seu lançamento oficial o CCJ tomou como primeiro passo buscar apoio da
Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Prefeitura Municipal, Associação
Comercial e Industrial (ACIJ) e Fundação Estadual de Meio Ambiente (FATMA), que,
com os dados colhidos pelo Instituto BrasiLeiro e Estatística e Geografia (IBGE) no último
censo e de outros órgãos, como EPAGRI e CIDASC, realizará um diagnóstico dos meios
físico, biológico e antrópico da área da bacia, resultando numa série de mapas temáticos,
que, se utilizando ferramentas de geoprocessamento, possibilitará o cruzamento das
informações chegando a um produto síntese do zoneamento ambiental (GONÇALVES,
2000).

7.4.4.4 Ocorrência de enchentes e inundações no município de Joinville

Os episódios de enchentes e inundações ocorrem freqüentemente no município de


Joinville. Este tópico buscou diagnosticar o conhecimento dos atores sociais no que se
127
refere aos episódios de enchentes e inundações que ocorreram no município de Joinville,
os bairros mais afetados e as medidas que estão sendo tomadas pelo poder público para
evitar que estes eventos aconteçam no município, ou para minimizar os seus danos.

Regiões afetadas por enchentes e inundações em Joinville

Todos os entrevistados que responderam a esta questão declararam ter conhecimento de


algum evento de enchente ou inundação que tenha ocorrido em Joinville. Os bairros mais
citados foram: Centro (22%), Jardim Sofia (15%), Jardim Paraíso (12%), Pirabeiraba (8%),
Bom Retiro (6%), Jardim Kelly (6%), Cubatão (6%), Costa e Silva (4%), Jativoca (4%),
Floresta (2%), Santo Antônio (2%) e outros bairros (13%) (Gráfico 11).

Gráfico 11 – Regiões do município de Joinville que são comumente afetadas por


enchentes ou inundações.

Áreas Atingidas por Enchentes

outros bairros
Santo Antônio
Centro
Floresta
Jativoca
Costa e Silva
Cubatão Jardim Sofia
Jardim Kelly
Bom Retiro Jardim Paraíso
Pirabeiraba

De acordo com a análise dos dados contidos no gráfico 12, pode-se perceber que o bairro
mais afetado é o Centro. Este fato pode estar relacionado ao grande adensamento
populacional o que resultou na impermeabilização do solo, fazendo com que o escoamento
superficial seja muito elevado sobrecarregando as galerias pluviais que não são
dimensionadas de forma a suportar o volume das chuvas intensas (Figuras 63 a 65).

Foram observados diversos episódios de inundações no município, sendo que o primeiro a


ser registrado pela Defesa Civil é datado de 1º de dezembro de 1972, quando foi decretada
Situação de Emergência no Município. Segundo a Defesa Civil, esta foi uma das maiores
inundações sofridas pela comunidade joinvilense até aquela data, atingindo quase todo o

128
município, destruindo inúmeras casas, ranchos depósitos, muros, pontes de madeira e de
concreto (DEFESA CIVIL, 2003).

Outros eventos anteriores a este são documentados por meio de registro fotográfico, porém
sem informações sobre os danos causados.

Figura 63 - Alagamento no centro de Joinville, na Rua Pedro Lobo em frente ao


Shopping Mueller, em 31 de janeiro de 1998. (NEUMANN, 2004)

Figura 64 - Alagamento no centro de Joinville, na Rua Engenheiro Niemeyer próximo


ao Shopping Mueller, em 9 de janeiro de 2002. (NEUMANN, 2004)

129
Figura 65 - Alagamento no centro de Joinville, na Rua Engenheiro Niemeyer
próximo ao Shopping Mueller, em 4 de fevereiro de 2004. (NEUMANN, 2004)

Medidas que estão sendo tomadas pelo poder público para evitar a ocorrência de
enchentes e inundações no município de Joinville

Esta questão foi respondida por 30 atores sociais dos quais 12 declararam não ter
conhecimento de nenhuma medida que estivesse sendo tomada pelo poder público para
evitar ou minimizar a ocorrência de enchentes e inundações em Joinville.

Dentre aqueles que responderam ter conhecimento de medidas preventivas as mais citadas
foram: limpeza dos rios (44%), obras de infra-estrutura para facilitar o escoamento das
águas pluviais como alargamento de pontes e renovação da rede de drenagem urbana
(33%), desenvolvimento de programas de conscientização da comunidade para evitar o
acúmulo de detritos nos cursos d’água e vias públicas (19%) e o levantamento das áreas
críticas pela Defesa Civil para monitoramento (4%) (Gráfico 12).

130
Gráfico 12 – Medidas que estão sendo tomadas pelo poder público para evitar a
ocorrência de enchentes no município de Joinville

Medidas para Evitar Enchentes

4%
19% Limpeza dos rios

Obras de infra-estrutura
44%
Conscientização da
comunidade
Levantamento de áreas
33% críticas

Programas de limpeza dos rios através de campanhas de conscientização da comunidade


para a importância de não despejar resíduos nos cursos de água que atravessam a cidade já
forma abordados no item anterior, pois estão também relacionados aos eventos de falta de
água no município, segundo a opinião dos atores sociais

Obras de Infra-estrutura

As obras de infra-estrutura realizadas pelo poder público englobam a ampliação da rede de


drenagem pluvial, o alargamento de pontes, a limpeza periódica das bocas de lobo e
galerias.

Um dos projetos da Prefeitura Municipal está sendo implantado no bairro Aventureiro na


região do Rio do Ferro. As obras realizadas pela Prefeitura com o financiamento da Caixa
Econômica Federal em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),
através do Programa Habitar Brasil, já contam com 8.200 m de rede de drenagem pluvial,
dragagem de 6.000,00 m³ do Rio do Ferro e ampliação da rede de abastecimento de água
de 1.650,00 m. (AN CIDADE, 2002) Outras obras de ampliação e manutenção da rede de
distribuição são realizadas em vários pontos da cidade (Figura 66).

131
Figura 66 - Substituição da
tubulação da rede de distribuição
de água tratada. (FORTUNATO,
2004)

A Prefeitura Municipal realizou também a obra de dragagem do Rio Cachoeira em uma


extensão de 2,6 Km, na área central da cidade. Foram retirados e transformados 21.500 m3
de material poluído do Leito do rio, o que exigiu uma equipe permanente de limpeza das
ruas, que apresentavam intenso movimento de veículos. Foram também retirados do rio
inúmeros blocos de concreto que se encontravam submersos. Realizou-se também a
reurbanização da área, com plantio de árvores nativas e demais obras complementares
(FORTUNATO, 2004).

Outras obras estão sendo realizadas pela Prefeitura no Município, com o objetivo de
melhorar as condições de drenagem evitando os eventos de enchentes.

Conscientização da Comunidade

Vários programas são desenvolvidos com o objetivo de criar uma consciência ambiental na
população de Joinville. Um dos projetos de maior destaque na região é o Prêmio Embraco
de Ecologia, criado pela Embraco, Empresa BrasiLeira de Compressores S.A., e que faz
parte do programa de educação ambiental que a empresa vem desenvolvendo desde 1993.

Com o Prêmio Embraco, a empresa estendeu aos jovens sua política em relação ao meio
ambiente, na expectativa de, por intermédio deles, sensibilizar toda a comunidade. Tendo
como ponto de partida que os problemas provocados pela falta de uma consciência

132
ambiental afetam toda a população, independentemente de classe social ou faixa etária, o
prêmio incorporou novos públicos ano a ano. Inicialmente com foco nas escolas da rede
municipal, passou a incluir a rede estadual e instituições privadas. E, por fim, chegou às
escolas rurais. Em seus três primeiros anos, o prêmio visava estimular alunos, professores e
diretores a discutir e analisar problemas ambientais, com base em temas previamente
escolhidos. Nessa fase, de motivação e sensibilização, os resultados surgiram na forma de
redações, poesias, músicas, maquetes, murais e apresentações em grupo. Em 1996, o
Prêmio Embraco de Ecologia iniciou uma segunda fase e ganhou maior dimensão. O
programa saiu da teoria para a prática, convidando as escolas a apresentar projetos de
educação ambiental, implantados internamente ou em comunidades vizinhas.

Os projetos, na maioria, tratam de problemas críticos da cidade como a poluição do Rio


Cachoeira, a ameaça aos manguezais e aos sítios arqueológicos, os sambaquis, a questão
do saneamento básico (90% das casas recebem água tratada, mas só 17% dispõem de rede
de esgoto) e o destino do lixo (REVISTA UPDATE, 2000).

Levantamento de áreas críticas

Com base nas informações colhidas das várias inundações ocorridas no município de
Joinville, a Defesa Civil pode fazer um levantamento dos bairros mais atingidos nestes
eventos, e elaborar Planos de Contingência para as áreas de risco. A localização dos bairros
pode ser observada no Mapa dos Bairro de Joinville, no Anexo D.

A região historicamente mais atingida pelas inundações é a área central da cidade,


particularmente quando estas inundações são coincidentes com períodos de marés altas,
altos índices de precipitação e ventos de quadrante leste. Verifica-se também a maior
freqüência no período de dezembro a março (DEFESA CIVIL, 2003).

Os bairros com maiores registros de ocorrência de enchentes foram: Costa e Silva, Fátima
e Iririú. Outros bairros freqüentemente atingidos pelas enchentes mas com menor
ocorrência são: América, Boa Vista, Floresta, Guanabara, Itaum, Jardim Paraíso, Jardim
Sofia, Jarivatuba, Petrópolis, Quiriri, Santo Antônio e Vila Nova (Tabela 8) (DEFESA
CIVIL, 2003).

133
TABELA 8 – Principais eventos ocorridos no município de Joinville.
Data Bairros atingidos Danos
dez/1972 Centro, Zona Norte, Itaum, • Destruição de inúmeras casas, ranchos, depósitos,
Fátima muros, etc;
• Pontes de madeira e concreto;
• Deslocamento de cerca de 200m de trilhos da estrada
de ferro Araquari - São Francisco do Sul;
• Mais de 1000 pessoas desabrigadas e 2 óbitos.
jan/1989 Centro • Mais de 500 casas atingidas;
• Cerca de 150 famílias desabrigadas.
mar/1994 Praticamente todas as regiões • Deslizamentos, quedas de muro de arrimo;
de Joinville • Destruição de pontes e pontilhões;
• Queda de barreira na rodovia Joinville - São
Francisco do Sul;
• 220 famílias desalojadas;
• 20 famílias desabrigadas;
• 1 óbito;
• 150 telefones desligados por 24 horas;
quedas localizadas de energia elétrica;
• 50% da população sem abastecimento de água.
jan/1999 Bacia do Cubatão • 184 pessoas desabrigadas;
• 80 famílias isoladas;
• 5 pontes destruídas.
fev/2001 Boa Vista, Vila Nova, Iririú, • Ruas e casas alagadas.
Jardim Paraíso, Jardim Sofia,
Estrada Cubatão,
Boehmerwald, Floresta,
Itaum, Guanabara, Fátima,
Jarivatuba, Adhemar Garcia,
Centro, América, Santo
Antônio, Costa e Silva,
Bucarein, Bom Retiro, São
Marcos.
jun/2001 Costa e Silva, Jardim Paraíso, • Ruas e casas alagadas.
Iririú, Aventureiro, Vila Nova,
Pirabeiraba, Boa Vista,
Boehmerwald, Itaum, Nova
Brasília, Floresta, Petrópolis,
Guanabara, Fátima,
Fonte: Defesa Civil de Joinville.

Estes episódios de enchentes e alagamentos interferem na rotina da cidade de forma


significativa, já que muitos prejuízos são registrados pela população, inclusive em obras e
vias públicas, onerando os gastos da administração municipal responsável pela recuperação
do que foi danificado.

134
7.4.5 Análise da percepção do aproveitamento da água da chuva

Percepção é a capacidade que cada indivíduo tem de perceber o que está ao seu redor, e
assim, responder a isto. A percepção não é estática; é um processo dinâmico que envolve
não somente a apreensão dos estímulos sensoriais, mas também a interpretação, por parte
do receptor, da realidade observada. Uma característica da percepção consiste no seu
caráter individual, fazendo com que cada pessoa capte uma mesma situação de forma única
e inteiramente particular. A percepção das situações se processa de acordo com as
experiências anteriores, expectativas e necessidades, e também pela influência de fatores
circunstanciais.

Para Aristóteles existe entre o sujeito que sente e o objeto percebido, uma relação de
identidade potencial, que se atualiza por ocasião da finalização do ato da percepção,
gerando uma espécie de simbiose entre o sujeito e o objeto.

A percepção ambiental é uma tomada de consciência do ambiente pelo homem. Esta


percepção é diferenciada conforme os valores sociais e culturais de cada indivíduo. A
percepção é estar no mundo, é uma interação do homem com o ambiente.

Nas últimas décadas a valoração do meio passou muito despercebida, pois estas gerações
nasceram e cresceram em um meio totalmente construído, não tendo assim oportunidade
de perceber seu meio natural (GIGA, 2005).

O objetivo deste tópico foi realizar um levantamento junto aos atores sociais sobre a
percepção da comunidade de Joinville em relação ao aproveitamento da água de chuva,
levando em consideração o seu conhecimento prévio sobre o tema e a aceitação ou não, da
utilização desta prática na comunidade.

7.4.5.1 Conhecimento prévio sobre o aproveitamento de água da chuva

Dos trinta atores sociais que responderam a esta questão apenas dois declararam não ter
conhecimento algum sobre a utilização da água de chuva como alternativa para o
abastecimento, o que representa 7% do total. A maioria (93%) declarou ter algum
conhecimento sobre o tema (Tabela 9).

135
TABELA 9 - Conhecimento a respeito de Sistemas de Aproveitamento de
Água de Chuva
Tem algum conhecimento Nº de pessoas Porcentagem
Sim 28 93%
Não 2 7%
Total 30
Fonte: questionários aplicados.

Este resultado pode ser explicado pela grande divulgação que os projetos de construção de
cisternas no semi-árido nordestino tiveram durante a última campanha para a presidência
do Brasil.

Na segunda parte desta questão, os atores sociais deveriam então detalhar qual o
conhecimento que possuíam a respeito do aproveitamento de água da chuva. Esta questão
foi respondida por 26 pessoas. Analisando as Tabelas 9 e 10 pode-se perceber que 2 dos
atores sociais que declararam ter algum conhecimento sobre o aproveitamento de água da
chuva não especificaram qual o conhecimento que possuem sobre o tema.

Dos 26 atores que responderam a esta questão 14 (54%) disseram ter algum conhecimento
sobre o funcionamento do sistema, a forma como é feita a captação e a armazenagem; 8
(31%) citaram as ações realizadas pelo governo federal no semi-árido com a implantação
de cisternas para garantir o abastecimento de água para a população durante todo o ano e 4
(15%) declararam ter pouco conhecimento sobre o aproveitamento de água da chuva, não
especificando que tipo de conhecimento seria este (Tabela 10).

TABELA 10 – Conhecimento que o entrevistado possui sobre o


aproveitamento de água da chuva.
Conhecimento Nº de Ocorrências % do Total
Funcionamento do sistema 14 54
Semi-árido nordestino 8 31
Pouco conhecimento 4 15
Total 26 100
Fonte: questionários aplicados.

Programa 1 milhão de cisternas (P1MC)

O Projeto 1 Milhão de Cisternas (P1MC) pretende construir uma cisterna para cada casa do
Semi-Árido Nordestino, onde, se calcula, vivem cerca de 3 milhões de famílias. Em 2001
foi criada a Articulação para o Semi-Árido (ASA), entidade que reúne mais de 700

136
Organizações Não-Governamentais (ONGs) presentes no Nordeste com o objetivo de
erradicar a pobreza e a fome da região. A ASA adotou um projeto já existente da Caritas
(uma instituição de assistência social ligada à Igreja Católica).

Após avaliação do impacto da construção de cisternas em algumas pequenas comunidades,


a ASA decidiu tentar ampliar o projeto, para construir 1 milhão de cisternas que
beneficiassem 5 milhões de pessoas no prazo de cinco anos. Os planos contemplam a
construção de 45 mil cisternas no primeiro ano, 138.500 no segundo, 275.400 no terceiro,
299.100 no quarto e 242 mil no quinto, a um custo estimado de R$ 1.300,00 para cada
cisterna, nos cálculos das ONGs. As cisternas são feitas com placas pré-moldadas de
cimento.

Os benefícios do Projeto Cisternas consistem em reduzir drasticamente a mortalidade


infantil, combater o analfabetismo, aumentar a renda, organizar as comunidades e frear o
êxodo rural (FEBRABAN, 2003).

Até o início de 2004, o Projeto Cisternas foi responsável pela construção de 5.298
reservatórios de água na região do semi-árido brasiLeiro. A iniciativa da FEBRABAN
consiste na construção de um total de 20 mil reservatórios de água para abastecer
moradores do semi-árido brasiLeiro, um dos mais populosos do mundo. A região abriga
cerca de 8 milhões de pessoas e ocupa uma área de quase 900 mil metros quadrados,
distribuídos por 11 Estados. Nesta primeira etapa, serão entregues 10 mil cisternas. As más
condições de armazenamento da água das chuvas são responsáveis por uma grande
incidência de doenças, especialmente verminoses, entre os moradores, que perdem, em
média, uma hora de seu dia em busca de água potável ou dependem de carros-pipas
enviados por políticos locais. O Projeto Cisternas, além de resolver estes problemas,
promove a educação da população em questões de saúde, higiene, ecologia e cidadania,
contribui para a geração de renda ao tornar as comunidades auto-sustentadas e colabora
para fixar a população em suas regiões de origem. Cada cisterna tem capacidade média de
16 mil litros, o que garante o fornecimento de água para uma família de cinco pessoas por
um ano inteiro com um mínimo de 200 mm de chuva (a precipitação pluviométrica anual
da região é de 750 mm) (FEBRABAN, 2004).

137
Segundo Gnadlinger (1999), é interessante notar que um programa de construção de
cisternas só é aconselhável se todas as casa de uma comunidade puderem receber sua
cisterna em curto espaço de tempo. Caso somente em algumas poucas casas forem
construídas cisternas, os outros membros da comunidade irão buscar água lá durante o
próximo período de seca e logo a cisterna estará vazia. Além do risco de rachaduras que
isso acarretaria, deixaria os moradores com a falsa impressão de que a cisterna não resolve
o problema da falta de água, porque esta teria se esgotado em poucos meses de uso.

O P1MC, cujo nome completo é Programa de Formação e Mobilização Social para a


Convivência com o Semi-Árido: Um Milhão de Cisternas Rurais, tem uma visão e
objetivos bem mais amplos do que só construir cisternas. Como o seu nome já diz, o
Programa pretende mobilizar e capacitar milhares de famílias para conviverem melhor com
o semi-árido e exercerem a sua cidadania plena (Figura 67) (ASA, 2002).

Figura 67 - Cisterna em Riachão do Jacuípe e em Juazeiro, BA (à dir.) (TEIXEIRA, 2003)

7.4.5.2 Viabilidade do aproveitamento de água de chuva em Joinville

Esta questão teve por finalidade determinar o posicionamento dos atores sociais no que se
refere à viabilidade da implantação de sistemas de aproveitamento de água de chuva em
Joinville, buscando uma justificativa para o seu posicionamento favorável ou não.

O total de atores sociais que responderam a primeira parte desta questão foi de 30 pessoas.
Deste total, 27 entrevistados (90%) acreditam que o aproveitamento de água de chuva em
Joinville é uma alternativa viável e 3 pessoas (10%) não são favoráveis ao aproveitamento
de água da chuva na região (Tabela 11).

138
TABELA 11 – Opinião do entrevistado a respeito da viabilidade da
implantação de sistemas de aproveitamento de água da chuva em Joinville.
É viável Nº de Ocorrências % do Total
Sim 27 90
Não 3 10
Total 30 100
Fonte: questionários aplicados.

Dentre aqueles que afirmaram que não seria viável o aproveitamento da água de chuva em
Joinville, as razões citadas foram as seguintes:

• Grande quantidade de nascentes existentes no município, que seriam suficientes


para o abastecimento da população;
• Chuva em abundância, o que provoca a recarga constante do lençol freático e
manutenção do fluxo das nascentes;
• Construção de barragens como sendo uma opção mais viável.

As razões citadas pelos entrevistados que justificariam a implantação de sistemas de


aproveitamento de água da chuva em Joinville são: o grande volume de chuvas que
atingem a região (37%); a água de chuva como sendo uma fonte alternativa de água (23%);
a redução no consumo de água tratada em função de ter uma fonte extra (20%); a
preservação dos mananciais que não seriam super-explorados (13%) e o controle das
enchentes evitando que grandes volumes de água chegasse as galerias pluviais (7%)
(Gráfico 13).

Gráfico 13 – Razões citadas pelos entrevistados que viabilizam a implantação de sistemas de


aproveitamento de água de chuva em Joinville.

Razões que Viabilizam o Aproveitamento de Água


da Chuva em Joinville

Alto volume de chuvas


7%
13% Fonte alternativa de água
37%
Redução no consumo de
água tratada
20% Preservação dos
mananciais

23% Controle de enchentes

139
Segundo a análise das respostas apresentadas pelos atores sociais, pode-se perceber que o
principal fator que influencia a opinião favorável ao aproveitamento das águas pluviais em
Joinville é justamente a pluviosidade típica da região, que está entre as mais altas do estado
(Figura 68).

Figura 68 - Chuva Total Anual em Santa Catarina. (EPAGRI)

Esta alta pluviosidade se deve ao relevo da região que favorece a ocorrência de um clima
quente e úmido. No verão, a massa Tropical Atlântica avança sobre as regiões costeiras e o
encontro dessa massa com a Serra do Mar provoca chuvas orográficas ou chuvas de relevo.

Segundo CASTRO (1998), nas chuvas orográficas o relevo, conforme sua amplitude e
direcionamento, força a elevação da massa de ar que, atingindo maior altitude, tem seu
gradiente de pressão e temperatura alterado, podendo assim, reter menor quantidade de
água. Devido ao efeito orográfico, geralmente as áreas montanhosas, situadas sob a
influência de massas de ar úmidas, tendem a ter índices pluviométricos maiores.

A alta pluviosidade da região, segundo os atores sociais, favorece a instalação de sistemas


de aproveitamento de águas pluviais que serviriam como uma fonte alternativa deste
recurso, diminuindo desta forma a utilização de água tratada, reduzindo gastos e também
preservando os mananciais da super exploração, que é uma tendência levando-se em
consideração o aumento da população na região.

140
Outro aspecto menos citado nesta questão foi o aproveitamento da água de chuva como
contribuição à diminuição do risco de enchentes na cidade, já que as águas que seriam
armazenadas nos reservatórios não seriam lançadas na rede de drenagem pluvial, evitando
inclusive custos de redimensionamento desta rede.

7.4.5.3 Conhecimento sobre projetos de aproveitamento de água de chuva


existentes

Com esta questão buscou-se levantar de uma forma mais precisa o conhecimento que os
atores sociais possuem sobre as localidades que utilizam a água da chuva como fonte
alternativa.

O total dos atores sociais que responderam a esta questão foi de 30 pessoas. Destes, 9
responderam que tinham conhecimento do programa de construção de cisternas
desenvolvido pelo governo federal no semi-árido nordestino; 8 tinham conhecimento de
algum caso, em Joinville, em que já estava sendo realizado o aproveitamento de águas
pluviais, 3 tinham conhecimento do aproveitamento de água de chuva em São Paulo, 2 em
países da Europa e o restante citou locais como o balneário de Ubatuba na Ilha de São
Francisco do Sul, a própria cidade de São Francisco do Sul, Curitiba, e outros países como
o Japão, o Havaí, Sri-Lanka, Indonésia e Tailândia (Tabela 12).

TABELA 12 – Conhecimento sobre localidades onde é realizado o


aproveitamento de água da chuva.
Local Nº de Ocorrências % do Total
Semi-árido nordestino 9 30
Joinville 8 27
São Paulo 3 10
Europa 2 6
Japão 1 3
Balneário de Ubatuba 1 3
São Francisco do Sul 1 3
Curitiba 1 3
Japão 1 3
Havaí 1 3
Sri-Lanka 1 3
Indonésia 1 3
Tailândia 1 3
Total 30 100
Fonte: questionários aplicados.

O Programa 1 Milhão de Cisternas é, em todas as perguntas, o mais citado pelos atores


sociais. Isto pode ser devido ao projeto ter sido amplamente divulgado pelos meios de
141
comunicação e também por ser um programa de grandes dimensões, atendendo a várias
comunidades da região do semi-árido, historicamente conhecidas por sofrerem privações
em virtude da falta de água.

Os casos de sistemas de aproveitamento de água de chuva que são citados fora do Brasil já
foram abordados no item 5.2 – Exemplos Atuais.

Dos casos que foram citados em Joinville, alguns não eram precisos nas informações e
outros serviram como indicação dos citados anteriormente no item 7.2 - Edificações em
Joinville com Sistemas de Coleta e Aproveitamento de Águas Pluviais.

De uma forma geral pode-se perceber que a população, representada neste caso pelos
atores sociais, tem um certo conhecimento das técnicas empregadas para a utilização da
água da chuva e também de locais onde esta prática já está sendo utilizada como
complementação ao abastecimento comum, ou mesmo como solução para problemas de
escassez. Este conhecimento prévio favorece o desenvolvimento de projetos que abordem
o tema do aproveitamento de águas pluviais, partindo-se daí para a discussão sobre a forma
pela qual este aproveitamento deve ser realizado, os usos aos quais esta água se destinaria e
o posicionamento da administração pública no que se refere à elaboração de
regulamentação sobre o tema.

7.4.5.4 Instalação de sistema de aproveitamento de água da chuva residencial

Este item teve por finalidade fazer com que o entrevistado se inserisse na questão,
visualizando a prática do aproveitamento de água de chuva no seu dia-a-dia. Os atores
sociais foram questionados se aprovariam a instalação de um sistema de aproveitamento de
água da chuva na sua residência, justificando o seu posicionamento favorável ou não.

De acordo com a opinião dos atores sobre a instalação de um sistema de aproveitamento de


água da chuva em sua residência a maioria se posicionou favoravelmente. Responderam a
esta questão 28 entrevistados. Destes, 24 (86%) se posicionaram favoráveis à instalação do
sistema em sua residência e apenas 4 (14%) se posicionaram desfavoráveis.

142
As justificativas apresentadas para aqueles que se posicionaram favoráveis ao
aproveitamento de água da chuva nas suas residências foi principalmente reduzir os gastos
com a água tratada (46%), utilizar a água de chuva como uma fonte alternativa de água
(21%) e a preservação dos mananciais da superexploração (12%). Cinco (5) dos
entrevistados (21%) se posicionaram favoráveis ao aproveitamento de água da chuva
colocando como fator decisivo o custo da instalação do sistema.

Dentre os que se posicionaram contrários ao aproveitamento da água da chuva nas suas


residências as justificativas foram: a grande disponibilidade de água na região (50%), a
preferência pela construção de poços artesianos (25%) e a instalação predial inadequada
que dificultaria a adequação do sistema (25%) (Tabela 13).

TABELA 13 – Justificativas para a instalação de um sistema de


aproveitamento de água da chuva em sua residência.
Favorável Nº de Ocorrências % do Total
Sim 24 86
Não 4 14
Total 28 100

Porque sim
Reduzir os gastos com água tratada 11 46
Fonte alternativa de água 5 21
Dependendo dos custos 5 21
Preservar os mananciais 3 12
Total 24 100

Porque não
Grande disponibilidade de água 2 50
Preferência por poço artesiano 1 25
Instalação predial não adequada 1 25
Total 4 100
Fonte: questionários aplicados.

7.4.5.4.1 Justificativas favoráveis à instalação de sistemas de aproveitamento


de águas pluviais
Gastos com a água tratada

Neste tópico podem ser abordados dois aspectos: o custo individual que cada proprietário
de imóvel tem dependendo do seu consumo e os gastos da administração pública no que se
refere à captação, tratamento e distribuição da água no município.

143
Segundo estudos de vários autores, a economia de água tratada com a complementação
com água da chuva pode ultrapassar 30%, dependendo dos usos aos quais esta água for
destinada e também das instalações. Como regra geral, as adaptações realizadas em
edificações antigas não são tão eficientes quanto àquelas que são projetadas e implantadas
durante a construção.

Já em relação à companhia de distribuição a principal vantagem estaria na possibilidade de


abastecer um maior número de residências em virtude da diminuição do consumo das
edificações que adotassem a utilização das águas pluviais.

Fonte alternativa de água

Esta justificativa se aplica, principalmente, àquelas pessoas que são atingidas por
interrupções no fornecimento de água tratada, ou por terem as suas residências localizadas
em regiões elevadas ou afastadas dos pontos de distribuição, onde a pressão de água não é
suficiente para garantir o abastecimento durante todo o dia de forma regular. Tendo a água
de chuva como uma fonte alternativa, não seriam atingidos de forma tão intensa pela falta
de água tratada, que poderia ser reservada apenas para fins potáveis.

Preservação dos mananciais

Com o crescente aumento do consumo de água em Joinville a preocupação com o


abastecimento é generalizada e vários projetos já estão sendo desenvolvidos com o
objetivo de conscientizar a população para a importância da preservação dos recursos
hídricos da região. A busca por novas fontes alternativas de água vem de encontro aos
objetivos de preservação dos mananciais que abastecem Joinville, evitando a
superexploração.

Custos de instalação do sistema de captação e aproveitamento de água da chuva

Como citado anteriormente, os custos de instalação do sistema variam de acordo com cada
caso. Dependendo do dimensionamento do sistema, capacidade da cisterna e área de
captação, o retorno do investimento pode acontecer em maior ou menor tempo. Também é
um fator importante o levantamento dos usos aos quais a água de chuva será destinada e o
tipo de tratamento de deverá ser feito para garantir a qualidade mínima necessária. A

144
instalação de filtros e peneiras pode encarecer o projeto, mas permite uma melhor
conservação da água e maior possibilidade de usos, desde que não potáveis.

7.4.5.4.2 Justificativas desfavoráveis à instalação de sistemas de


aproveitamento de águas pluviais
Grande disponibilidade de água na região

A grande quantidade de rios e córregos que existe na região de Joinville causa a falsa
sensação de que a água é inesgotável. No entanto, projeções feitas por especialistas para os
próximos vinte anos, levando-se em consideração a crescente demanda do consumo e o
aumento da população, alertam para a possibilidade dos mananciais da região não serem
suficientes para garantir o abastecimento da cidade. A preocupação não é só no que se
refere à quantidade, mas também à qualidade da água dos mananciais que está sendo cada
vez mais comprometida pela emissão de efluentes industriais, residenciais e agrotóxicos
provenientes das lavouras existentes na região.

Perfuração de poços artesianos

Nas grandes áreas metropolitanas, com população de 1-16 milhões de habitantes, os poços
artesianos e semi-artesianos complementam o abastecimento baseado em águas
superficiais (de rios, lagos, represas, açudes) e ajudam a reduzir o gasto mensal com água
de hotéis, hospitais, prédios residenciais e empresas. Cerca de 250 mil poços profundos
foram escavados no Brasil nos últimos 30 anos, por municipalidades e pela indústria, No
entanto, a maior parte desses poços é particular e não tem qualquer controle, o que pode
acarretar sérios problemas num futuro próximo. Com a difusão da tecnologia de escavação
e exploração das águas subterrâneas, torna-se urgente a formulação de políticas de longo
prazo para garantir níveis econômicos, sociais e ambientais sustentáveis (VOGT, 2000).

A perfuração de poços sem cuidado específico pode resultar na contaminação dos


aqüíferos e através de fossas sépticas que contaminam os lençóis freáticos. Os locais de
escavação de poços e as áreas que os circundam devem ser muito bem escolhidos e
precisam ficar protegidos de rejeitos e substâncias tóxicas. Por isso, é importante contar
com uma assessoria técnica para a instalação de qualquer poço, mesmo os domésticos
(VOGT, 2000).

145
Além do risco de contaminação, a perfuração de poços artesianos também tem um custo
elevado e necessita de aprovação do órgão ambiental. Os poços artesianos costumam ter,
em média, uma vida útil de 40 anos, mas podem secar antes, dependo do volume de água
explorado (TOMASINI, 2000).

Instalação predial não adequada

Como já foi visto anteriormente, a instalação de sistemas de aproveitamento de água


pluvial em edificações já prontas implica em um custo mais elevado e transtornos extras
para o proprietário do imóvel. Nem sempre, neste caso, a instalação do sistema compensa
economicamente. Há casos em que não há área disponível no terreno para a instalação de
uma cisterna de dimensões adequadas para o consumo previsto, ou a cobertura utilizada
nos telhados não é adequada. Nos casos em que a água de chuva armazenada em na
cisterna teria que ser bombeada para um outro reservatório localizado sobre a construção,
os gastos com o reservatório extra, bomba elétrica e mesmo o consumo elétrico durante a
operação, desencorajam a instalação do sistema. O projeto deve ser orientado por técnicos
para que possa ser feita a previsão do tempo de retorno do investimento, e
conseqüentemente avaliação da viabilidade de instalação do sistema.

7.4.5.5 Usos indicados para o aproveitamento da água da chuva

Os estudos realizados sobre o aproveitamento de água de chuva sempre enfatizam que o


seu uso deve ser exclusivamente para fins não potáveis, devido a dificuldade em controlar
a qualidade da água captada e armazenada em função dos vários aspectos envolvidos no
processo como por exemplo o tipo de telhado utilizado como área de captação, o intervalo
de tempo entre as ocorrências de chuva, e outros vários.

Este tópico teve por objetivo identificar quais os usos adequados para a água de chuva, de
acordo com a opinião dos atores sociais. Os usos mais citados foram: a limpeza de pátios e
calçadas (17); rega de jardins (12); descarga de vasos sanitários (12); uso industrial (8);
lavação de carros (8); máquinas de lavar de roupa (5); consumo humano (5); lavação de
louça (4); banho (4); uso agrícola para irrigação e dessedentação de animais (4). Cabe
ressaltar que 10 entrevistados acreditam que a água de chuva pode ser utilizada para todos
os fins desde que receba um tratamento adequado para o uso a que se destine, o consumo

146
humano foi citado 5 vezes e 5 das respostas indicaram outros usos para a água da chuva
como o abastecimento de piscinas, a dessedentação de animais domésticos e reservas para
prevenção de incêndio (Gráfico 14).

Gráfico 14 – Possíveis usos indicados pelos entrevistados para o aproveitamento da água da


chuva.

Usos da Água de Chuva

Outros
Uso agrícola
Limpeza de pátios
Banho
Lavar louça

Consumo humano
Máquina de lavar Rega de jardins
roupa

Lavação de carros
Descarga de vasos
Uso industrial sanitários
Todos

De acordo com a análise dos dados pode-se perceber que a maioria dos usos citados pelos
atores sociais entrevistados se restringem aos usos não potáveis, que exigem um tratamento
simples de filtração e desinfecção da água para a sua manutenção, o que resultaria em
custos menos elevados.

Dentre aqueles que citam que a água de chuva poderia ser utilizada para outros fins mais
nobres como o consumo humano ou o banho, podem ser agrupados os que acreditam na
vantagem em maiores investimentos com o tratamento da água, e também aqueles que
desconhecem os parâmetros de qualidade da água exigidos para determinados usos. Neste
último caso deve-se observar a necessidade de fornecer as informações necessárias à
população durante a implantação do projeto para evitar que a água de chuva seja utilizada
para fins não adequados.

7.4.5.6 Legislação de São Paulo sobre coleta de águas pluviais

Na cidade de São Paulo, a Lei Municipal nº13.276, aprovada em 04 de janeiro de 2002,


torna obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por coberturas e
147
pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a
500m2, como medida para a contenção de enchentes (Anexo A). Esta Lei coloca a
execução dos reservatórios para acumulação de águas pluviais como condição para o
Certificado de Conclusão da Obra.

Com o objetivo de verificar a receptividade da população joinvilense à criação de uma


legislação que regulamentasse a utilização das águas pluviais em Joinville, os atores
sociais foram questionados acerca do conhecimento ou não da Lei Municipal aprovada em
São Paulo e da opinião a respeito da mesma.

Responderam a primeira parte desta questão 31 entrevistados, sendo que destes 16 (52%)
declararam já ter conhecimento da Lei sobre a coleta de água de chuva aprovada em São
Paulo e 15 (48%) disseram não ter conhecimento desta Lei.

A segunda parte da questão foi respondida por 25 entrevistados. Destes, a maior parte
(92%) se posicionou favorável à criação da legislação de São Paulo e apenas 2 pessoas
(8%) disseram não aprovar tal Lei (Tabela 14).

TABELA 14 – Legislação de São Paulo que obriga a coleta de água da chuva.


Tem conhecimento Nº de Ocorrências % do Total
Sim 16 52
Não 15 48
Total 31 100

Posicionamento Nº de Ocorrências % do Total


Favorável 23 92
Desfavorável 2 8
Total 25 100
Fonte: questionários aplicados.

Pela análise dos dados obtidos com esta questão pode-se perceber que uma legislação para
a regulamentação da coleta e aproveitamento de água da chuva em Joinville pode ser bem
recebida pela população local. Deve-se, no entanto, tomar o cuidado de adequar o projeto
de Lei à realidade local e contar com uma equipe técnica para elaborar a sua
regulamentação, para que as exigências exigidas pela Lei possam ser cumpridas e
posteriormente fiscalizadas.

148
7.4.6 Estratégias para a implantação de sistemas de coleta e armazenamento de
água de chuva

Neste tópico, buscou-se tratar mais diretamente da implantação de sistemas de


aproveitamento de água de chuva em Joinville, salientando a importância a preservação
dos recursos hídricos, a busca por novas fontes destes recursos, de que forma cada um dos
entrevistados e suas instituições poderia colaborar com a implantação desta tecnologia, os
responsáveis por este processo e os pontos negativos e positivos do aproveitamento de
água da chuva, na opinião dos atores sociais.

7.4.6.1 Importância da economia de água

Neste item procurou-se investigar, segundo os atores sociais, quais as principais


justificativas para a economia de água. Inicialmente foi questionada a importância ou não
da economia de água, no que se refere à redução do consumo e posteriormente a
justificativa para tal posicionamento.

Conforme esperado, todos os 31 entrevistados responderam que a economia de água é


muito importante. As justificativas mais citadas foram: preservação dos recursos hídricos,
evitando a superexploração (64%); busca por sistemas mais eficientes de utilização, como
o desenvolvimento de equipamentos economizadores, valorizando a água como recurso
hídrico (29%); importância da água como item fundamental para a existência da vida no
planeta (29%); redução dos gastos através da redução do consumo, incluindo os gastos
particulares de cada proprietário e os gastos públicos com captação, tratamento e
distribuição (10%) e a redução da poluição uma vez que a maioria da água consumida é
descartada em pior estado do que foi captada, servindo como veículo de disseminação de
poluentes e aumentando os gastos com tratamento e despoluição (3%). Algumas
justificativas foram apresentadas por mais de um entrevistado (Gráfico 15).

149
Gráfico 15 – Justificativas para a necessidade de economia de água no município.

Importância da Economia de Água

25
20 preservação dos
nº de vezes que foi citado 20 recursos hídricos
busca por sistemas
15 eficientes de utilização
importância da água
9 9
10 para a vida
redução dos gastos
5 3
1
redução da poluição
0
justificativas

Pela avaliação dos dados pode-se perceber que a justificativa que foi citada um maior
número de vezes (20) foi a economia de água como estratégia para a preservação dos
recursos hídricos. Este dado pode ser avaliado como sendo resultado das campanhas de
conscientização da população para a valorização da preservação dos recursos hídricos,
fazendo com que a população perceba que a água não é mais um recurso inesgotável e que,
apesar do seu ciclo na natureza, a velocidade de depuração não está sendo suficiente para
atender a demanda e os mananciais estão ficando comprometidos, o que tem dado origem
às previsões de escassez dentro das próximas décadas, caso o comportamento atual não
seja revisto.

7.4.6.2 Importância da busca por novas fontes de recursos hídricos

Sendo consenso entre os atores sociais a importância da preservação dos recursos hídricos,
procurou-se através desta questão, determinar se a busca por fontes alternativas de água
poderia ser um dos mecanismos utilizados para esta preservação.

Neste item foi inicialmente questionada a importância da busca por novas fontes de
recursos hídricos, seguida de uma justificativa para o posicionamento do entrevistado.

150
Responderam a esta questão 31 entrevistados, dos quais 27 (87%) acreditam que a busca
por novas fontes de recursos hídricos seja importante e 4 (13%) não consideram tão
importante.

Das justificativas favoráveis à busca por novas fontes de recursos hídricos as mais citadas
foram: preservação dos recursos hídricos (34%); suprir o aumento do consumo (24%); para
reverter quadros de escassez de água em certas regiões (21%); promover a sustentabilidade
socioeconômica (13%) e a minimização dos efeitos da poluição sobre as fontes de água
utilizadas atualmente (8%).

As justificativas contrárias à busca por novas fontes de recursos hídricos foram: a


preservação dos recursos já existentes (50%) e também a necessidade de controlar o uso
através de campanhas de educação ambiental para a valorização da água (50%) (Tabela
15).

Cabe ressaltar que, mesmo dentre os atores sociais que se posicionaram favoráveis à busca
por novas fontes de recursos hídricos foram enfatizadas a necessidade de controlar o uso e
a manutenção das fontes já existentes.

TABELA 15 – Importância da busca por novas fontes de recursos hídricos.


Acha importante Nº de Ocorrências % do Total
Sim 27 87
Não 4 13
Total 31 100

Porque sim
Preservação dos recursos hídricos 13 34
Aumento do consumo 9 24
Escassez de água 8 21
Sustentabilidade socioeconômica 5 13
Poluição da água 3 8
Total 38 100

Porque não
Manter as fontes já existentes 3 50
Controlar o uso 3 50
Total 6 100
Fonte: questionários aplicados.

151
Analisando a Tabela 15 pode-se perceber que a maior parte dos atores sociais entrevistados
considera importante a busca por novas fontes de recursos hídricos, sendo a principal
justificativa novamente a preservação destes recursos.

Outra justificativa apresentada foi a busca por fontes alternativas de água para suprir o
aumento do consumo. Neste ponto podemos verificar duas tendências opostas que seriam,
a busca por novas fontes para suprir a demanda crescente e a argumentação de que é
necessário controlar o uso das fontes já utilizadas. O controle do uso foi uma justificativa
apresentada tanto por aqueles que se posicionaram favoráveis quanto àqueles que se
posicionaram desfavoráveis à busca de fontes alternativas de água. Aprofundando-se a
análise pode-se perceber que a utilização de novas fontes de recursos hídricos para suprir o
consumo não implicaria em uma redução do uso e conseqüente valorização da água. Com
uma maior disponibilidade de água as medidas para o uso controlado poderiam ser
consideradas desnecessárias, o que não é desejável. Outro problema da falta de controle
sobre o uso da água é a necessidade de tratamento para que esta retorne aos cursos d’água
em condições adequadas. Quanto maior o consumo, maior o volume de água a ser tratada e
maiores os custos. Desta forma, a redução no consumo deve ser visto como um fator
indispensável, mesmo que a busca por novas fontes acabe tornando o recurso mais
disponível.

A escassez de água que ocorre em certas regiões do globo também serviu como
justificativa para a busca por fontes alternativas de água, promovendo também desta forma
a sustentabilidade socioeconômica de regiões que sofrem longos períodos de seca com o
comprometimento da sua qualidade de vida e até mesmo da sua sobrevivência. Esta
realidade não se aplica a nossa região, mas tem exercido um grande impacto na opinião da
população em virtude da implantação do programa de construção de cisternas no nordeste
semi-árido do Brasil.

A poluição dos cursos de água utilizados como fonte de abastecimento também foi citado
como fator decisivo para a busca pro novas fontes. Deve-se no entanto tomar o cuidado
para que isto não sirva como justificativa para que não se mantenham as campanhas de
manutenção da qualidade da água e preservação dos mananciais. Este item também foi
citado como justificativa tanto pelos atores sociais favoráveis como pelos desfavoráveis à

152
busca por novas fontes de recursos hídricos. Aqui se aplica a mesma questão tratada acima
referente à disponibilidade. A utilização de fontes alternativas não significa em absoluto o
descuido com as já existentes.

7.4.6.3 Aptidão das instituições para tratar com a economia de água

Este item teve por objetivo inserir a instituição da qual o entrevistado faz parte na questão
da gestão dos recursos hídricos na região de Joinville, através do levantamento da aptidão
da instituição para tratar de assuntos relacionados à economia de água e à busca por fontes
alternativas. Na segunda questão referente a este item foi questionada qual a contribuição
que a instituição poderia oferecer neste sentido.

Responderam a este item um total de 29 atores sociais. Destes, 20 entrevistados (69%)


declararam possuir alguma aptidão para tratar dos assuntos referentes à economia de água
e à busca por fontes alternativas, 9 (31%) declararam não ter relação direta com estes
assuntos (Tabela 16).

TABELA 16 – Aptidão da instituição para tratar de temas relacionados à


economia de água e busca por fontes alternativas de recursos hídricos.
Aptidão da instituição Nº de Ocorrências % do Total
Sim 20 69
Não 9 31
Total 29 100
Fonte: questionários aplicados.

As contribuições que as instituições poderiam oferecer na gestão dos recursos hídricos em


Joinville, segundo os atores sociais entrevistados, foram: o desenvolvimento de projetos
(38% do total de entrevistados), desenvolvimento de projetos para a conscientização da
população no que se refere à preservação dos recursos hídricos (27%), disponibilidade de
corpo técnico capacitado para desenvolver projetos relativos ao tema (17%),
desenvolvimento de produtos (6%), atividades de fiscalização e monitoramento (6%),
planejamento urbano (3%), e práticas de economia de água dentro da instituição (3%)
(Tabela 17).

Cabe ressaltar que, segundo os atores sociais, algumas instituições desenvolvem atividades
que abrangem mais de um item citado, contribuindo para a gestão dos recursos hídricos em
Joinville em vários aspectos.

153
TABELA 17 – Contribuição que as instituições poderiam oferecer em relação à
economia de água e à busca por fontes alternativas de recursos hídricos.
Contribuição da Instituição Nº de Ocorrências % do Total
Desenvolvimento de projetos 11 38
Conscientização da população 8 27
Corpo técnico 5 17
Desenvolvimento de produtos 2 6
Fiscalização e monitoramento 2 6
Planejamento urbano 1 3
Economia de água 1 3
Total 30 100
Fonte: questionários aplicados.

Com a análise das respostas fornecidas pelos entrevistados, pode-se perceber que as
instituições fiscalização e monitoramento são praticamente desenvolvidas por órgãos
públicos, enquanto que o desenvolvimento de produtos e formação de corpo técnico são
características das instituições privadas. O desenvolvimento de projetos está vinculado às
universidades e a conscientização da população às entidades ambientalistas, de um modo
geral.

Apesar de 31% dos atores sociais declarar que a sua instituição não tem nenhuma aptidão
para tratar da gestão dos recursos hídricos em Joinville, 3% dos entrevistados declarou que
sua instituição pode contribuir pode contribuir de alguma forma desenvolvendo, dentro da
sua própria instituição, programas de controle do consumo e uso racional da água, através
de campanhas orientativas aos seus funcionários.

Desta forma pode-se perceber que, uma parcela das instituições que não tem influência
direta na gestão dos recursos hídricos, como no desenvolvimento de projetos ou produtos
ou mesmo em atividades de fiscalização, sentem-se inseridas na questão e buscam
contribuir da forma que julgam adequada; enquanto que aqueles que declaram não ter
influência nenhuma, assumem uma postura de alienação aos problemas relativos ao tema,
deixando a responsabilidade de resolvê-los para os outros.

154
7.4.6.4 Responsáveis pela economia e busca por fontes alternativas de água de
acordo com os entrevistados

Este item teve por objetivo realizar um levantamento dos responsáveis pela implantação de
tecnologias para uso racional da água e pela busca por fontes alternativas de recursos
hídricos, na opinião dos atores sociais entrevistados.

Esta questão foi respondida por 31 entrevistados que citaram várias instituições
responsáveis pela gestão dos recursos hídricos em Joinville, principalmente no que se
refere ao uso racional e desenvolvimento de fontes alternativas.

As instituições mais citadas pelos atores sociais foram: o poder público nas suas várias
esferas (federal, estadual e municipal) (30% das ocorrências); sociedade em geral (22%);
universidades (14%); iniciativa privada (14%); organizações não governamentais (9%);
institutos de pesquisa (6%); empresas de abastecimento de água (CASAN, SAMAE e
AMAE) (4%); comitês de bacia hidrográfica (1%) (Tabela 18).

Cabe ressaltar que vários entrevistados citaram mais de um responsável.

TABELA 18 - Atores responsáveis pela gestão dos recursos hídricos em Joinville


Atores responsáveis nº de Ocorrências % do Total
Poder público (federal, estadual e municipal) 24 30
Sociedade em geral 17 22
Universidades 11 14
Iniciativa privada 11 14
ONGs 7 9
Institutos de pesquisa 5 6
CASAN, SAMAE, AMAE 3 4
Comitês de bacia 1 1
Total 79 100
Fonte: questionários aplicados.

Pode-se perceber pela análise dos dados da tabela 18, que os responsáveis indicados pelos
atores sociais fazem parte das categorias de entrevistados que compõem a amostragem
desta pesquisa. Outro item a ser destacado nesta questão é o fato dos atores sociais que
acreditam na aptidão da sua instituição para tratar dos assuntos ligados à gestão dos
recursos hídricos em Joinville se incluíram como responsáveis, enquanto que os
entrevistados que julgam que a sua instituição não tem aptidão para tratar dos temas
abordados citaram outras instituições como responsáveis pela questão.
155
7.4.6.5 Aspectos negativos e positivos em relação à implantação de sistemas de
aproveitamento de água de chuva em Joinville

Este item, que trata diretamente do aproveitamento de água de chuva em Joinville, teve por
objetivo o fechamento do tema, realizando junto aos atores sociais o levantamento dos
aspectos negativos e positivos da prática do aproveitamento da água de chuva na região de
Joinville.

7.4.6.5.1 Aspectos negativos do aproveitamento de água de chuva em Joinville

Esta questão foi respondida por 31 entrevistados e os aspectos negativos citados foram: a
dificuldade da manutenção da qualidade da água (31% das citações); custo de implantação
elevado (28%); falta de aceitação da população em geral (10%); sistema ocioso durante
longos períodos de estiagem (10%); consumo elevado de energia para o funcionamento das
bombas de água (5%); necessidade de muito espaço para a construção do reservatório para
armazenamento da água coletada (5%); alteração da estética das residências para a
instalação das calhas (2%) e a redução no faturamento das empresas distribuidoras (2%).
Dos atores sociais que responderam a este item, 7% acredita que a implantação de sistemas
de aproveitamento de água de chuva não apresenta nenhum aspecto negativo (Tabela 19).

TABELA 19 – Aspectos negativos em relação ao aproveitamento de água da chuva em


Joinville.
Pontos negativos nº de Ocorrências % do Total
Manutenção da qualidade da água 13 31
Custo de implantação 12 28
Falta de aceitação da população 4 10
Falta de água durante períodos de estiagem 4 10
Alto consumo de energia 2 5
Espaço para armazenamento 2 5
Alteração da estética das residências 1 2
Redução no faturamento de empresas distribuidoras 1 2
Nenhum 3 7
Total 42 100
Fonte: questionários aplicados.

De acordo com a análise dos dados, pode-se perceber que os aspectos negativos do
aproveitamento da água de chuva mais relevantes são a dificuldade da manutenção da
qualidade da água para o consumo e os custos de implantação do sistema. Os cuidados para
a manutenção da qualidade adequada da água dependem de vários fatores como o tipo do
material da área de captação e também o tipo e dimensionamento da cisterna utilizada para
o armazenamento da água. Estes fatores, assim como o tempo de retorno do investimento

156
na implantação do sistema, são partes fundamentais do projeto do sistema, que deve ser
feito com a orientação de um profissional com embasamento técnico na área.

A aceitação da população, de acordo com este estudo, não seria um problema relevante
visto que a maior parte dos entrevistados se posicionou favorável à alternativa do
aproveitamento de água da chuva, desde que devidamente orientados e esclarecidos sobre
o seu funcionamento.

A preocupação com a ociosidade do sistema e a conseqüente falta de água durante os


períodos de estiagem é justificada devido à irregularidade na incidência de chuvas na
região ao longo do ano. Este problema pode ser minimizado através do cálculo para o
dimensionamento da cisterna em função dos dias sem chuva mas, lavando-se em
consideração que a utilização da água de chuva é apenas uma complementação do
abastecimento pela rede pública, durante os períodos de estiagem a água utilizada seria
exclusivamente da rede de abastecimento público e não implicaria em falta de água.

O consumo de energia pela bomba para elevar a água da cisterna até o reservatório
responsável pelo abastecimento só ocorre nos casos em que a cisterna não pode ser
elevada, localizada abaixo da área de captação mas acima dos pontos de consumo fazendo
com a água escoe por gravidade. Nestes casos, em que é necessário o bombeamento, o
consumo de água de chuva deve ser suficiente para compensar o gasto com energia
elétrica.

A necessidade de espaço para armazenamento da água de chuva coletada é uma condição


para a implantação do sistema. Em edificações já construídas esta condição é mais difícil
de ser alcançada, mas em casos em que o projeto do aproveitamento de água pluvial é feito
durante a construção ou mesmo antes desta, projetado juntamente com a obra, há várias
alternativas para o posicionamento da cisterna de forma a não interferir no aproveitamento
dos espaços disponíveis.

Outro ponto negativo apresentado pelos atores sociais é a alteração na estética das
residências em função da necessidade de instalação de calhas para conduzir a água
coletada até o reservatório. No entanto a maioria das casas já possui sistema de calhas

157
instalado e estas podem ser embutidas de forma a não ficarem aparentes, não alterando em
nada a parte estética da edificação.

De modo geral, os pontos negativos citados acima podem ser minimizados pela elaboração
de projetos que sejam adequados a cada caso, respeitando as suas particularidades.

Vale a pena salientar a preocupação citada por apenas um ator social no que se refere à
redução no faturamento recolhido pelas distribuidoras de água tratada caso o
aproveitamento de água de chuva seja adotado como fonte alternativa. Neste caso, a
implantação destes sistemas teria que acontecer em uma parcela muito grande da
comunidade para que fosse significativa a redução no consumo de água tratada fornecida
pela distribuidora. Neste caso poderiam ser adotadas estimativas de consumo de água
pluvial para efetuar a cobrança. Os poços artesianos também poderiam ser incluídos nessa
situação. A necessidade de se medir o consumo das fontes alternativas de água se faz
imprescindível principalmente para efetuar o cálculo do valor a ser cobrado pela coleta de
esgoto, e não somente pela cobrança da água. A coleta de esgoto é cobrada atualmente
tomando-se como referência o volume de água consumido da rede pública de
abastecimento. Estima-se que 20% da água consumida se perca por evaporação ou
infiltração e os restantes 80% sejam coletados pela rede de esgoto. No caso da utilização de
uma fonte alternativa de água, caso o volume consumido não seja estimado pela
companhia prestadora de serviços, o volume calculado de esgoto coletado será inferior ao
realmente lançado na rede coletora. Neste caso sim se pode considerar que a utilização de
fontes alternativas de água impliquem em uma diminuição de arrecadação da companhia
prestadora de serviços de água e esgoto, apesar da rede coletora de esgotos em Joinville
atingir somente cerca de 10% da comunidade (ARGOLO, 2004).

7.4.6.5.2 Aspectos positivos do aproveitamento de água de chuva em Joinville

Esta questão foi respondida por 31 atores sociais e os aspectos positivos citados foram:
redução dos custos com água tratada (26% das citações); preservação dos recursos hídricos
(21%); aumentar a disponibilidade de água (20%); redução das enchentes (14%);
conscientização da comunidade (7%); economia de investimentos públicos (6%);
facilidade de instalação (2%); boa qualidade da água (2%) e desenvolvimento tecnológico
(2%).
158
Cabe ressaltar que muitos entrevistados citaram mais de um aspecto positivo para o
aproveitamento da água de chuva em Joinville (Tabela 20).

TABELA 20 – Aspectos positivos em relação ao aproveitamento de água da chuva


em Joinville.
Pontos positivos nº de Ocorrências % do Total
Redução de custos com água tratada 17 26
Preservação dos recursos hídricos 14 21
Maior quantidade de água disponível 13 20
Redução das enchentes 9 14
Conscientização da comunidade 5 7
Economia de investimentos públicos 4 6
Facilidade de instalação 1 2
Boa qualidade da água 1 2
Desenvolvimento tecnológico 1 2
Total 65 100
Fonte: questionários aplicados.

Pela análise dos dados obtidos por esta questão pode-se perceber que os aspectos mais
citados foram a redução dos custos com água tratada, a preservação dos recursos hídricos e
o aumento da quantidade de água disponível para o uso.

A redução de custos com a água tratada fornecida pela companhia prestadora de serviços
de água e esgoto ocorre principalmente nas épocas do ano em que a incidência de chuvas
na região é maior, sendo possível a manutenção do nível da cisterna. Com a utilização da
água de chuva para finalidades onde não há necessidade de se utilizar a água tratada
fornecida pela prestadora de serviços, o consumo de água tratada diminui e os custos
conseqüentemente também. Pode-se considerar também a utilização da água de chuva
como contribuição para minimizar a superexploração dos mananciais, contribuindo para a
preservação dos recursos hídricos disponíveis na região, pelo aumento da disponibilidade
de água.

Outro aspecto positivo citado foi a contribuição para evitar a ocorrência de enchentes, uma
vez que a água captada e acumulada nos lotes não escoaria para as galerias pluviais,
evitando sobrecarregar o sistema de drenagem pluvial nos eventos de chuvas intensas.

A utilização da água de chuva como fonte alternativa deste recurso também poderia
contribuir, segundo os atores sociais, para a conscientização da comunidade no que se
refere à valorização dos recursos hídricos, salientando a importância do uso controlado.

159
A economia de investimentos públicos, segundo os entrevistados, refere-se basicamente a
possibilidade de suprir a demanda de água de bairros afastados e regiões elevadas onde há
dificuldade de abastecimento pela rede convencional devido à baixa pressão do sistema,
com a utilização desta tecnologia, diminuindo os custos com a ampliação da rede. À
medida que a comunidade passasse a adotar a coleta da água de chuva o volume de água
tratada fornecida pela companhia prestadora de serviços passaria a suprir a demanda de
forma mais abrangente.

Outros aspectos positivos menos citados foram a facilidade de instalação, a boa qualidade
da água de chuva e desenvolvimento tecnológico resultante da implantação desta
tecnologia.

A facilidade de instalação é relativa, como já visto anteriormente, variando conforme cada


situação, devendo ser analisada caso a caso.

A qualidade da água de chuva na região é considerada boa, não existindo relatos de


ocorrência de episódios de chuva ácida. No entanto, a qualidade da água captada varia de
acordo com o tipo de material utilizado na área de captação, condições de manutenção das
calhas e da cisterna e material utilizado nesta.

O desenvolvimento tecnológico pela busca de novas alternativas, citado pelos atores


sociais, é sempre um ponto positivo. O estudo e o desenvolvimento de novas tecnologias
para que os recursos naturais disponíveis sejam utilizados de modo sustentável é
fundamental para o desenvolvimento da comunidade.

160
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo inicial desta pesquisa foi determinar a viabilidade da instalação de sistemas de


aproveitamento de águas pluviais em Joinville – SC, levando-se em consideração os
aspectos ambientais, sociais e culturais da região.

A avaliação destes aspectos é de fundamental importância para o desenvolvimento de


programas de gestão ambiental com a participação da comunidade, visando à melhoria da
qualidade de vida da população e para a criação de políticas públicas que sejam coerentes
com as necessidades e anseios desta população.

A utilização de uma amostragem, tendo como foco principal os atores sociais


representativos dos vários setores atuantes na área de estudo, serviu para que se alcançasse
uma visão geral e abrangente da percepção das questões ambientais por parte da
população.

Pode-se perceber que, de uma forma geral, as questões ambientais são de interesse da
população, que reconhece a importância da preservação dos recursos naturais e a
necessidade de se desenvolver projetos que abordem estas questões. É importante destacar
que este interesse não parte exclusivamente das instituições ligadas à área ambiental, mas
da comunidade como um todo.

Observa-se, no entanto, que apesar dos indicativos da importância da preservação dos


recursos naturais, alguns indivíduos não têm informação das ações práticas de como fazê-
lo. Pela análise dos estudos de caso pode-se observar que o aproveitamento de águas
pluviais em Joinville está sendo realizado de forma dispersa, sem uma orientação por parte
dos órgãos públicos e mesmo sem uma expectativa dos resultados a serem alcançados.

Desta forma pode-se concluir que, a aceitação da utilização da água de chuva como fonte
alternativa de abastecimento de água é bem vista pela maior parte da população, mas para
que possa ser aplicada com sucesso, deve ser acompanhada de um amplo projeto de
educação ambiental e não apenas através da criação de legislação específica, com a

161
imposição por parte do poder público para que a coleta e aproveitamento da água de chuva
sejam realizados, sem que seja considerada a percepção da comunidade em relação ao
tema.

Outro fator interessante que pode ser observado através da análise dos resultados desta
pesquisa é o fato das várias instituições que atuam na área ambiental não desenvolverem as
suas atividades de forma integrada, buscando um sinergismo que alavanque as suas ações.
As ações pontuais realizadas por diferentes instituições e de forma isolada, poderiam fazer
parte de um projeto mais amplo onde fosse estabelecida uma meta em comum.

A parceria entre o poder legislativo e as universidades também poderia ser mais bem
trabalhada, para que a elaboração das Leis e sua regulamentação fossem embasadas em
pesquisas concretas e adequadas à realidade local.

A metodologia adotada nesta pesquisa pode ser utilizada para avaliar a percepção
ambiental entre indivíduos de culturas diferentes e de grupos sócio-econômicos que
desempenham funções distintas no plano social, servindo como ferramenta para o
desenvolvimento de políticas públicas onde a gestão participativa é valorizada. Estes
programas, por contarem com a participação da comunidade na sua elaboração atendem
diretamente aos interesses da sociedade de forma geral e tem maiores possibilidades de
sucesso.

162
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coleta e armazenamento de água das chuvas. Programa de pós-graduação em Engenharia
Ambiental. Florianópolis: UFSC, jan. 2003.

172
GLOSSÁRIO

Água Potável: É aquela cuja qualidade a torna adequada ao consumo humano.

Antrópico: Relativo ao homem. Relativo à ação do homem sobre a natureza; ligado à


presença humana.

Aqüífero: Formação porosa (camada ou estrato) de rocha permeável, areia ou cascalho,


capaz de armazenar e fornecer quantidades significativas de água.

Área de Proteção Ambiental (APA) - Unidade de conservação de uso sustentável,


estabelecida pela Lei federal n.º 6902/81, que outorga ao Poder Executivo, nos casos de
relevante interesse público, o direito de declarar determinadas áreas do território nacional
como de interesse ambiental. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa,
com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos e
culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações
humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o
processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso.

Assoreamento: Processo em que lagos, rios, baías e estuários vão sendo aterrados pelos
solos e outros sedimentos neles depositados pelas águas das enxurradas, ou por outros
processos.

Bacia Hidrográfica: Bacia hidrográfica Conjunto de terras drenadas por um rio principal e
seus afluentes. A noção de bacias hidrográfica inclui naturalmente a existência de
cabeceiras ou nascentes, divisores d'
água, cursos d'
água principais, afluentes, subafluentes,
etc. Em todas as bacias hidrográficas deve existir uma hierarquização na rede hídrica e a
água se escoa normalmente dos pontos mais altos para os mais baixos. O conceito de bacia
hidrográfica deve incluir também noção de dinamismo, por causa das modificações que
ocorrem nas linhas divisórias de água sob o efeito dos agentes erosivos, alargando ou
diminuindo a área da bacia.

173
Biodiversidade: Termo que se refere à variedade de genótipos, espécies, populações,
comunidades, ecossistemas e processos ecológicos existentes em uma determinada região.
Pode ser medida em diferentes níveis: genes, espécies, níveis taxonômicos mais altos,
comunidades e processos biológicos, ecossistemas, biomas, e em diferentes escalas
temporais e espaciais.

Conservação: Entende-se por conservação da natureza o manejo da biosfera,


compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a
melhoria do ambiente natural, para que este possa produzir o maior benefício, em bases
sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e
aspirações das gerações futuras e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral.

Contaminação: Introdução no meio ambiente de organismos patogênicos, substâncias


tóxicas ou outros elementos, em concentrações que possam afetar a saúde humana. É um
caso particular de poluição.

Desenvolvimento Sustentado: Modelo de desenvolvimento que leva em consideração,


além dos fatores econômicos, aqueles de caráter social ecológico, assim como as
disponibilidades dos recursos vivos e inanimados, as vantagens e os inconvenientes, a
curto, médio e longo prazos, de outros tipos de ação. Tese defendida a partir do teórico
indiano Anil Agarwal, pela qual não pode haver desenvolvimento que não seja harmônico
com o meio ambiente. Assim, o desenvolvimento sustentado que no Brasil tem sido
defendido mais intensamente, é um tipo de desenvolvimento que satisfaz as necessidades
econômicas do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras.

Drenagem: Ato ou efeito de drenar. Conjunto de operações e instalações destinadas a


remover os excessos de água das superfícies e do subsolo.

Educação Ambiental: Processo de aprendizagem e comunicação de problemas


relacionados à interação dos homens com seu ambiente natural. É o instrumento de
formação de uma consciência, através do conhecimento e da reflexão sobre a realidade
ambiental.

174
Empreendimento: é definido como toda e qualquer ação física, pública ou privada que,
com objetivos sociais ou econômicos específicos, cause intervenções sobre o território,
envolvendo determinadas condições de ocupação e manejo dos recursos naturais e
alteração sobre as peculiaridades ambientais.

Entorno: Área que circunscreve um território, o qual tem limites estabelecidos, por
constituir espaço ambiental ou por apresentar homogeneidade de funções.

Fatores Ambientais: São elementos ou componentes que exercem função específica ou


influem diretamente no funcionamento do sistema ambiental.

Floresta Atlântica: (MATA ATLÂNTICA) Ecossistema de floresta de encosta da Serra


do Mar brasiLeira, considerado o mais rico do mundo em biodiversidade.

Gestão Ambiental: Condução, direção, proteção da biodiversidade, controle do uso de


recursos naturais, através de determinados instrumentos, que incluem regulamentos e
normatização, investimentos públicos e financiamentos, requisitos interinstitucionais e
jurídicos. Este conceito tem evoluído para uma perspectiva de gestão compartilhada pelos
diferentes agentes envolvidos e articulados em seus diferentes papéis, a partir da
perspectiva de que a responsabilidade pela conservação ambiental é de toda a sociedade e
não apenas do governo, e baseada na busca de uma postura pró-ativa de todos os atores
envolvidos.

Impacto Ambiental: Qualquer alteração das propriedades físico-químicas e biológicas do


meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades
humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da
população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias
do meio ambiente, enfim, a qualidade dos recursos ambientais.

Jusante: "Qualificativo de uma área que fica abaixo de outra à qual se refere. De uso
comum ao se considerar uma corrente fluvial. Costuma-se empregar a expressão relevo de
jusante para se descrever uma região que está numa posição mais baixa em relação a uma
mais elevada. É o oposto de montante" (MILARÉ, 2000).

175
Lençol Freático: A água infiltra-se no solo em um nível variável, chamado nível
hidrostático, o qual acompanha a topografia. O lençol freático corresponde à faixa de água
mais próxima à superfície e que pode ser aproveitada por meio de poços. O lençol
artesiano é o que fica retido sob pressão abaixo de uma camada impermeável. Pode
permanecer retido no subsolo ou jorrar através de poços artesianos.

Manancial: "Qualquer corpo d'


água, superficial ou subterrâneo, utilizado para
abastecimento humano, industrial ou animal, ou irrigação"(VEROCAI, 1990). "Conceitua-
se a fonte de abastecimento de água que pode ser, por exemplo, um rio, um lago, uma
nascente ou poço, proveniente do lençol freático ou do lençol profundo” (CETESB).

Manejo: Aplicação de programas de utilização dos ecossistemas, naturais ou artificiais,


baseada em teorias ecológicas sólidas, de modo a manter, de melhor forma possível, nas
comunidades, fontes úteis de produtos biológicos para o homem, e também como fonte de
conhecimento científico e de lazer.

Manejo dos Recursos Naturais: É o ato de intervir, ou não, no meio natural com base em
conhecimentos científicos e técnicos, com o propósito de promover e garantir a
conservação da natureza. Medidas de proteção aos recursos, sem atos de interferência
direta nestes, também fazem parte do manejo.

Matas Ciliares: Mata que margeia rio, riacho ou córrego. Funciona como cílios retendo a
água.

Meio Ambiente: Tudo o que cerca o ser vivo, que o influencia e que é indispensável à sua
sustentação. Estas condições incluem solo, clima, recursos hídricos, ar, nutrientes e os
outros organismos. O meio ambiente não é constituído apenas do meio físico e biológico,
mas também do meio sócio-cultural e sua relação com os modelos de desenvolvimento
adotados pelo homem.

Monitoramento Ambiental: Coleta, para um propósito pré-determinado, de medições ou


observações sistemáticas e intercomparáveis, em uma série espaçotemporal, de qualquer

176
variável ou atributo ambiental, que forneça uma visão sinóptica ou uma amostra
representativa do meio ambiente.

Padrões Ambientais: Estabelece o nível ou grau de qualidade exigido pela legislação


ambiental para parâmetros de um determinado componente ambiental. Em sentido restrito,
padrão é o nível ou grau de qualidade de um elemento (substância, produto ou serviço)
que é próprio ou adequado a um determinado propósito. Os padrões são estabelecidos pelas
autoridades como regra para medidas de quantidade, peso, extensão ou valor dos
elementos. Na gestão ambiental, são de uso corrente os padrões de qualidade ambiental e
dos componentes do meio ambiente, bem como os padrões

Parâmetros: Significa o valor de qualquer das variáveis de um componente ambiental que


lhe confira uma situação qualitativa ou quantitativa. Valor ou quantidade que caracteriza
ou descreve uma população estatística. Nos sistemas ecológicos, medida ou estimativa
quantificável do valor de um atributo de um componente do sistema.

Parcelamento do Solo: Qualquer forma de divisão de uma gleba em unidades autônomas,


podendo ser classificada em loteamento ou desmembramento, regulamentada por
legislação específica.

Plano de Gestão: Conjunto de ações pactuadas entre os atores sociais interessados na


conservação e/ou preservação ambiental de uma determinada área, constituindo projetos
setoriais e integrados contendo as medidas necessárias à gestão do território

Plano de Manejo: Documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos
gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que
devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, incluindo a implantação das
estruturas físicas necessárias à gestão da Unidade, segundo o Roteiro Metodológico.

Poço Artesiano: Mais profundo que os comuns, pode ter profundidade de 100 a 1.500
metros e vazão de água até mil vezes superior que o comum: 2 m3 (2 mil litros) em média.
A vida útil fica por volta de 40 anos. Não requer bombas, porque a água jorra.

177
Poço Comum: com até 20 metros de profundidade. Os poços comuns mais profundos,
com até 30 metros de profundidade costumam ser chamados comercialmente de micro-
artesianos.

Poço Semi-artesiano: normalmente de profundidade menor que a do artesiano, não são


jorrantes. Precisam de uma bomba para trazer a água.

Poluição: Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio


ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades
humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da
população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitária do
meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.

Preservação: Conjunto de métodos, procedimentos e políticas que visam a proteção a


longo prazo das espécies, habitats e ecossistemas, além da manutenção dos processos
ecológicos, prevenindo a simplificação dos sistemas naturais.

Qualidade Ambiental: O termo pode ser conceituado como juízo de valor atribuído ao
quadro atual ou às condições do meio ambiente. A qualidade do ambiente refere-se ao
resultado dos processos dinâmicos e interativos dos componentes do sistema ambiental, e
define-se como o estado do meio ambiente numa determinada área ou região, como é
percebido objetivamente em função da medição de qualidade de alguns de seus
componentes, ou mesmo subjetivamente em relação a determinados atributos, como a
beleza da paisagem, o conforto, o bem-estar.

Qualidade de Vida: São aqueles aspectos que se referem às condições gerais da vida
individual e coletiva: habitação, saúde, educação, cultura, lazer. alimentação, etc. O
conceito se refere, principalmente, aos aspectos de bem-estar social que podem ser
instrumentados mediante o desenvolvimento da infra-estrutura e do equipamento dos
centros de população, isto é dos suportes materiais do bem-estar.

Recuperação: Restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a


uma condição não-degradada, que pode ser diferente de sua condição original.

178
Recurso Natural: Toda matéria e energia que ainda não tenha sofrido um processo de
transformação e que é usada diretamente pelos seres humanos para assegurar as
necessidades fisiológicas, socioeconômicas e culturais, tanto individual quanto
coletivamente.

Saneamento Ambiental: Conjunto de ações que tendem a conservar e melhorar as


condições do meio ambiente em benefício da saúde.

Zoneamento: É o instrumento legal que regula o uso do solo no interesse do bem-estar


coletivo, protegendo o investimento de cada indivíduo no desenvolvimento da comunidade
urbana.

179
APÊNDICE A

Relação dos atores sociais


• AMAE - Agência Municipal de Água e Esgoto - 433-1158 (R. Paraná, 420)

• APREMA SC –Associação de Preservação e Equilíbrio do Meio Ambiente de


Santa Catarina - 422-4185/422-4874 (R. Dr. Mário Lobo, 80, s. 605)
aprema@aprema.com.br
• Associação de Defesa Ambiental Jacatirão - 473-0662 adajacatirao@ielusc.br
• Associação de Moradores do Bairro Jardim Paraíso – 467-0967 (Av. Júpiter, 9999 lt
35, qd 13)
• Associação Ecológica Joinvilense Vida Verde - (47) 441-3551 Fax : (47) 441-3800,
(Rua Aubé, 330)
• Câmara de Vereadores de Joinville – 433-9866 (R. Luiz Niemeyer, 54)
• CASAN - Companhia Catarinense de Água e Saneamento, 433-5636/431-3600 (R.
Sem. Felipe Schmidt, 159)
• CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas – 461-2500 (R. Ministro Calógeras, 867)
• Comitê SOS Cubatão - Sede Centro - 433-4767/9984-5325 (R. Otto Boehm, 230 –
fundos) soscubatao@suporte.net
• CONURB – Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville – 423-1060
(R. XV de Novembro, 1383, Cidadela Cultural Antártica) conurb@conurb.com.br
• CREA – Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos – 422-7746 (R. Colin, 170)
• Defesa Civil de Joinville – 431-3343/9984-5360 Cidadela Cultural Antártica.
defesacivil@joinville.sc.gov.br
• FATMA - Fundação de Amparo Tecnológico ao Meio Ambiente - 433-6176 (R.
Princesa Izabel, 220, 2ºand.)
• FUNDEMA – Fundação Municipal de Meio Ambiente – 455-4416/423-0983/433-
5202/433-9770/433-2230/431-3420 (R. Otto Boehm, 100)
• IBAMA – Instituto BrasiLeiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis – 433-3760
(R. do Príncipe, 226, s.22)
• IPPUJ – Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville – 422-
7333 (Prefeitura)
• Secretaria da Habitação – 433-2329 (Prefeitura)
• Secretaria de Educação – 431-3000 (R. Itajaí, 390)
• Secretaria do Bem Estar Social – 431-3461 (Prefeitura)
• Secretaria Municipal da Educação – 431-3000 (Prefeitura)
181
• Secretaria Municipal de Saúde – 433-9649 (R. Itajaí,51)
• Secretaria Regional do Boa Vista – 437-2077 (R. Albano Schmidt, 4932)
• Secretaria Regional do Costa e Silva – 425-5511 (Rua Guilherme, 520) atende os
bairros: América, Glória, Costa e Silva, Santo Antônio e Distrito Industrial.
• Secretaria Regional do Iririú – 425-8116 (R. Iririú, 2060) Atende os bairros Iririú,
Saguaçú, parte do Jardim Iririú e Bom Retiro.
• Secretaria Regional do Itaum – 436-0291/436-5718 (R. Gaspar Dutra próximo ao
Cesita) atende os bairros Itaum, Guanabara, Floresta, Fátima e Petrópolis.
• SEINFRA - Secretaria de Infra Estrutura Urbana – 433-1230/431-5000 (R. Saguaçú,
225)
• Sindicato de Engenheiros de Santa Catarina – 422-0866 (R. Otto Boehm, 30)
• SINDUSCON – Sindicato das Indústrias de Construção Civil – 423-0041 (R. do
Príncipe, 330)
• UDESC/CCT - FEJ – Universidade do Estado de Santa Catarina – Centro de Ciências
Tecnológicas 431-7200 (Campus Universitário Prof. Avelino Marcante S/N - Bom
Retiro)
• UNIVILLE – Universidade da Região de Joinville - 461-9000 (Campus Universitário
s/n. - Bom Retiro)

182
APÊNDICE B

Modelo de questionário entregue aos atores sociais


UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
Departamento de Ciências da Terra e do Mar - CTTMar
Programa de Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental

“Determinação das Alternativas de Implantação de Sistemas de Captação


e Aproveitamento de Água de Chuva em Joinville – SC”
Mestranda: Biól. Márcia Regina Carlon (9961-5287) márcia_carlon@hotmail.com
Orientador: Dr. Marcus Polette

O que é?
Este trabalho busca avaliar a opinião dos diferentes atores sociais no município de Joinville – SC, a respeito
da possibilidade de implantação de sistemas de captação e aproveitamento de água de chuva na cidade, como
uma opção de fonte alternativa de recursos hídricos.

Onde?
A área de estudo é o município de Joinville, localizado na região norte do estado de Santa Catarina.

Por que?
Joinville é a maior cidade do estado de Santa Catarina. A degradação ambiental e o aumento da demanda de
recursos hídricos, ocasionado pela crescente industrialização e também pelo consumo doméstico, colocam
em risco o fornecimento de água na cidade. A água de chuva é um recurso disponível e abundante na cidade
de Joinville, visto que o seu potencial pluviométrico é elevado. Outro fator de relevante importância na
escolha da área de estudo trata-se das enchentes constantes que ocorrem na cidade e os transtornos que estas
enchentes acarretam à sociedade. Desta forma, por meio deste trabalho, busca-se avaliar a possibilidade de
implantação de sistemas de aproveitamento de água da chuva como forma de minimizar o impacto das
enchentes e ao mesmo tempo oferecer uma fonte alternativa de recursos hídricos.

Como?
Para que se possa verificar a viabilidade da implantação de sistemas de captação e aproveitamento de água da
chuva no município de Joinville, é importante determinar qual o posicionamento da sociedade em relação ao
tema proposto. Por meio da aplicação deste questionário, poderão ser levantadas algumas informações
básicas como:
• a identificação dos atores sociais envolvidos com a problemática da água no município de Joinville;
• a relação do poder público municipal com o abastecimento de água no município;
• as estratégias para a implantação de sistemas de captação e aproveitamento de água da chuva em
Joinville.
Após a conclusão do trabalho, as informações obtidas serão repassadas à comunidade para que esta possa ter
conhecimento das possibilidades de aproveitamento de água da chuva em Joinville.

Para quem?
Este trabalho tem por objetivo levantar, por meio dos representantes de classes ou institucionais, todos os
envolvidos, direta ou indiretamente, com a problemática da água no município de Joinville. A cada um destes
envolvidos é dado o nome de ATOR, e estes atores fazem parte de diversos setores da sociedade como
iniciativa privada, órgãos públicos, organizações ambientalistas, associações de bairros...
Desta forma, para que o trabalho alcance os resultados esperados, é importante a sua participação, assim
como a de todos envolvidos com o tema.
Cada um deve ter consciência da sua importância no contexto do problema, e procurar fazer o melhor
possível para garantir a qualidade de vida para as futuras gerações.

184
PERFIL DO ENTREVISTADO

1. Nome:______________________________________________________
2. Idade: ______________________________________________________
3. Gênero: ( )Masculino ( )Feminino
4. Grau de Escolaridade: ( )Ensino fundamental ( )completo
( )Ensino médio ( )incompleto
( )Ensino superior
( )Pós-graduação
5. Profissão:___________________________________________
6. Estado Civil:_________________________________________
7. Possui filhos: ( )sim ( )não Quantos?_______
PERFIL DA INSTITUIÇÃO

1. Nome:___________________________________________________________
2. Qual o cargo que você ocupa na sua instituição?__________________________
3. Endereço:________________________________________________________
4. Bairro:___________________________________________________________
5. Telefone:_________________________________________________________
6. Endereço eletrônico:________________________________________________
7. Há quanto tempo a sua instituição atua na região?_________________________

IDENTIFICANDO OS GRUPOS DE ATORES

“Ator é um indivíduo ou grupo que tem uma parte, interesse ou reivindicação sobre o uso de um recurso ou
ecossistema, e é capaz de identificar a chance de perda deste, em função de alguma tomada de decisão no
tocante a sua utilização.” (Polette, 1997)
Os atores podem ser classificados como:
• Governamentais: instituições que dizem respeito ao poder público municipal, estadual e federal,
neste caso as instituições que têm por função implantar programas de políticas administrativas e que
são de suma importância na resolução dos problemas apontados.
• Não-governamentais: pessoas ou instituições que não tenham vínculo direto com o governo, como
associações de moradores, organizações ambientalistas, etc.
Baseado nestes conceitos, você poderia identificar quais os principais atores responsáveis pelo
abastecimento de água e contenção de enchentes em Joinville?
Instituições Governamentais Instituições Não-Governamentais
1. 1.
2. 2.
3. 3.
4. 4.
5. 5.
6. 6.
7. 7.
8. 8.
9. 9.
10. 10.

185
IDENTIFICANDO OS PROBLEMAS
1. No ponto de vista da sua instituição, quais são os principais problemas relacionados à falta de água no
município de Joinville?
A.
B.
C.

2. Quais seriam as possíveis soluções para estes problemas?


A.
B.
C.

3. No ponto de vista da sua instituição, quais são os principais problemas relacionados as enchentes no
município de Joinville?
A.
B.
C.

4. Quais seriam as possíveis soluções para estes problemas?


A.
B.
C.

5. Qual a influência que a sua instituição possui na geração e na solução destes problemas?

RELAÇÃO DO PODER PÚBLICO COM A ÁGUA

1. Qual a relação da sua instituição com os recursos hídricos de Joinville?

2. Qual a importância do aproveitamento da água de chuva para a sua cidade?

3. Você tem conhecimento de casos de interrupção no fornecimento de água no município de Joinville?


( )Sim ( )Não. Em que bairros isso ocorre?

186
4. Você tem conhecimento de alguma medida que esteja sendo tomada pelo poder público municipal para
evitar a falta de água? ( )Sim ( )Não. Quais seriam estas medidas?

5. Você tem conhecimento de alguma enchente/inundação que tenha ocorrido em Joinville nos últimos
anos?
( )Sim ( )Não. Quais foram os bairros atingidos?

6. Você conhece alguma medida que esteja sendo tomada pelo poder público municipal para evitar as
cheias/enchentes? ( )Sim ( )Não. Quais?

PERCEPÇÃO DE ANÁLISE DA ÁGUA DE CHUVA

1. Você já ouviu falar em sistemas de captação e aproveitamento de água de chuva? O que você sabe a
respeito?

2. Você considera que o aproveitamento de água de chuva pode ser uma alternativa viável para o
abastecimento de água de Joinville? ( )Sim ( )Não Justifique.

3. Você conhece algum outro local onde já exista o aproveitamento de água de chuva?
( )Sim ( )Não. Onde?

4. Você instalaria em sua casa um sistema de captação e aproveitamento de água de chuva?


( )Sim ( )Não. Justifique.

187
5. Na sua opinião, quais os usos para os quais poderia ser aproveitada a água de chuva, desde que
devidamente tratada?

6. Você tem conhecimento da legislação da cidade de São Paulo que obriga a construção de reservatórios
para armazenar a água de chuva nos lotes que tenham mais de 500m2 de área pavimentada, como
medida para evitar enchentes? ( )Sim ( )Não. Qual a sua opinião a respeito?

ESTRATÉGIAS PARA A IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE COLETA E APROVEITAMENTO DE


ÁGUA DE CHUVA

1. Você considera importante a economia de água? Porque?

2. Você considera importante a busca por novas fontes de recursos hídricos? Porque?

3. A sua instituição está apta a tratar deste assunto? ( )Sim ( )Não. Qual a contribuição que a sua
instituição poderia oferecer?

188
4. Na sua opinião, quais seriam os atores responsáveis pela implantação das tecnologias para uso racional
de água e pela busca de fontes alternativas de recursos hídricos?

5. Na sua opinião, em relação à implantação de sistemas de aproveitamento de água de chuva:


a)Quais seriam os aspectos negativos?

b)Quais seriam os pontos positivos?

6. Após a conclusão do presente trabalho, de que forma você gostaria de ser informado a respeito dos
resultados obtidos?
( )palestras ( )jornal ( )e-mail:______________________________
( )livretos ( )rádio ( )outros:______________________________

189
APÊNDICE C

Rede de interações entre os atores sociais


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ANEXO A

Lei Nº 13.276/02 do Município de São Paulo


DIARIO OFICIAL DO MUNICIPIO.
Ano 47 - Número 3 - São Paulo, sábado, 5 de janeiro de 2002

LEI Nº 13.276, 04 DE JANEIRO DE 2002


(Projeto de Lei nº 706/01, do Vereador Adriano Diogo - PT)

Torna obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por coberturas


e pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 500m”.

HÉLIO BICUDO, Vice-Prefeito, em exercício no cargo de Prefeito do Município de São Paulo, no uso das
atribuições que lhe são conferidas por Lei, faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 27 de dezembro
de 2001, decretou e eu promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º - Nos lotes edificados ou não que tenham área impermeabilizada superior a 500m” deverão ser
executados reservatórios para acumulação das águas pluviais como condição para obtenção do
Certificado de Conclusão ou Auto de Regularização previstos na Lei 11.228, de 26 de junho de
1992.
Art. 2º - A capacidade do reservatório deverá ser calculada com base na seguinte equação:

V = 0,15 x Ai x IP x t

V = volume do reservatório (m3)


Ai = área impermeabilizada (m2)
IP = índice pluviométrico igual a 0,06 m/h
t = tempo de duração da chuva igual a uma hora.

§ 1º - Deverá ser instalado um sistema que conduza toda água captada por telhados, coberturas,
terraços e pavimentos descobertos ao reservatório.
§ 2º - A água contida pelo reservatório deverá preferencialmente infiltrar-se no solo, podendo ser
despejada na rede pública de drenagem após uma hora de chuva ou ser conduzida para
outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis.
Art. 3º - Os estacionamentos em terrenos autorizados, existentes e futuros, deverão ter 30% (trinta por
cento) de sua área com piso drenante ou com área naturalmente permeável.

§ 1º - A adequação ao disposto neste artigo deverá ocorrer no prazo de 90 (noventa) dias.


§ 2º - Em caso de descumprimento ao disposto no "caput" deste artigo, o estabelecimento infrator
não obterá a renovação do seu alvará de funcionamento.

Art. 4º - O Poder Executivo deverá regulamentar a presente Lei no prazo de 60 (sessenta) dias.

Art. 5º - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

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PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 04 de janeiro de 2002, 448º da fundação de São
Paulo.
Hélio Bicudo,
Prefeito em Exercício

ILZA REGINA DEFILIPPI DIAS,


Respondendo pelo Cargo de Secretária dos Negócios Jurídicos
FERNANDO HADDAD,
Respondendo pelo Cargo de Secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico
ARLINDO CHINAGLIA JÚNIOR,
Secretário de Implementação das Subprefeituras
LUIZ PAULO TEIXEIRA FERREIRA,
Secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano
JORGE WILHEIM,
Secretário Municipal de Planejamento Urbano

Publicada na Secretaria do Governo Municipal, em 04 de janeiro de 2002.


RUI GOETHE DA COSTA FALCÃO,
Secretário do Governo Municipal

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ANEXO B

Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações de Curitiba


Lei Nº 10785 DE 18 DE Setembro DE 2003

"Cria no Município de Curitiba, o


Programa de Conservação e Uso Racional
da Água nas Edificações - PURAE.”

A CÂMARA MUNICIPAL DE CURITIBA, CAPITAL DO ESTADO DO PARANÁ, aprovou


e eu , Prefeito Municipal, sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º. O Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas


Edificações - PURAE, tem como objetivo instituir medidas que induzam à
conservação , uso racional e utilização de fontes alternativas para
captação de água nas novas edificações, bem como a conscientização dos
usuários sobre a importância da conservação da água.

Art. 2º. Para os efeitos desta Lei e sua adequada aplicação, são
adotadas as seguintes definições:

I - Conservação e Uso Racional da Água - conjunto de ações que


propiciam a economia de água e o combate ao desperdício quantitativo nas
edificações;

II - Desperdício Quantitativo de Água - volume de água potável


desperdiçado pelo uso abusivo;

III - Utilização de Fontes Alternativas - conjunto de ações que


possibilitam o uso de outras fontes para captação de água que não o
Sistema Público de Abastecimento.

IV - Águas Servidas - águas utilizadas no tanque ou máquina de lavar


e no chuveiro ou banheira.

Art. 3º. As disposições desta Lei serão observadas na elaboração e


aprovação dos projetos de construção de novas edificações destinadas
aos usos a que se refere a Lei nº 9.800/2000, inclusive quando se tratar de
habitações de interesse social, definidas pela Lei 9802/2000.

Art. 4º. Os sistemas hidráulico-sanitários das novas edificações,


serão projetados visando o conforto e segurança dos usuários, bem como a
sustentabilidade dos recursos hídricos.

Art. 5º. Nas ações de Conservação, Uso Racional e de Conservação da


Água nas Edificações, serão utilizados aparelhos e dispositivos
economizadores de água, tais como:
a) bacias sanitárias de volume reduzido de descarga;
b) chuveiros e lavatórios de volumes fixos de descarga;
c) torneiras dotadas de arejadores.

Parágrafo único. Nas edificações em condomínio, além dos dispositivos


previstos nas alíneas "a", "b" e "c" deste artigo, serão também instalados
hidrômetros para medição individualizada do volume de água gasto por
196
unidade.

Art. 6º. As ações de Utilização de Fontes Alternativas compreendem :

I - a captação, armazenamento e utilização de água proveniente das


chuvas e,

II - a captação e armazenamento e utilização de águas servidas.

Art. 7º. A água das chuvas será captada na cobertura das edificações
e encaminhada a uma cisterna ou tanque , para ser utilizada em atividades
que não requeiram o uso de água tratada, proveniente da Rede Pública de
Abastecimento, tais como:

a) rega de jardins e hortas,


b) lavagem de roupa;
c) lavagem de veículos;
d) lavagem de vidros, calçadas e pisos.

Art. 8º. As Águas Servidas serão direcionadas, através de


encanamento próprio, a reservatório destinado a abastecer as descargas dos
vasos sanitários e, apenas após tal utilização, será descarregada na rede
pública de esgotos.

Art. 9º. O combate ao Desperdício Quantitativo de Água, compreende


ações voltadas à conscientização da população através de campanhas
educativas, abordagem do tema nas aulas ministradas nas escolas integrantes
da Rede Pública Municipal e palestras, entre outras, versando sobre o uso
abusivo da água, métodos de conservação e uso racional da mesma.

Art. 10. O não cumprimento das disposições da presente Lei implica na


negativa de concessão do alvará de construção, para as nova edificações.

Art. 11. O Poder Executivo regulamentará a presente Lei,


estabelecendo os requisitos necessários à elaboração e aprovação dos
projetos de construção, instalação e dimensionamento dos aparelhos e
dispositivos destinados à conservação e uso racional da água a que a mesma
se refere.

Art. 12. Esta Lei entra em vigor em 180 (cento e oitenta dias)
contados da sua publicação.

PALÁCIO 29 DE MARÇO, em 18 de setembro de 2003.

Cassio Taniguchi
PREFEITO MUNICIPAL

197
ANEXO C

Projeto de Lei Municipal de Joinville sobre a coleta de águas pluviais


199
200
ANEXO D

Mapa dos Bairros de Joinville


Fonte: IPPUJ

202