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V Encontro Nacional da Anppas

4 a 7 de outubro de 2010
Florianópolis - SC – Brasil
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Do Biopoder ao Ecopoder: Um Olhar Sobre o Consumo Verde Através
dos Conceitos de Rizoma e Sociedade de Controle

Fred Tavares
Pós-Doutor em Psicossociologia de Comunidades e
Ecologia Social/ UFRJ
Professor da UFRJ/FACHA/UCB
fredtavares@fredtavares.com.br

Marta Irving
Pós-Doutora em Ciências Sociais/ EHESS
Professora da UFRJ

Resumo
A sociedade contemporânea vem apresentando mudanças em seus hábitos e estilos de consumo
nos últimos anos, influenciada pelo paradigma da sustentabilidade ambiental (PORTILHO, 2003;
ACSELRAD, 1999). Neste contexto, a discussão desse novo paradigma envolve uma complexa
rede de atores sociais constituída por Empresas, Mídia, ONGs, Poder Público e sociedade civil,
numa nova configuração.
Essa “rede” se configura por meio de um rizoma (DELEUZE; GUATTARI, 1995), através do qual
todos se influenciam, por meio de agenciamentos mútuos, para desenvolvimento, criação, controle
e produção do olhar de um “consumo verde”. Dessa forma, a natureza está sendo conduzida à
condição de consumo, através do regime de Biopoder (HARDT & NEGRI, 2001)?
Segundo Deleuze (1992), e Hardt e Negri (2001), vive-se, na contemporaneidade, em uma
Sociedade de Controle, na qual a rede de atores sociais tem papel preponderante de vigilância e
denúncia de ações contra a natureza, assim como de produção de consumo no mercado global.

todos se controlam. produtos. .SC – Brasil ______________________________________________________________________________ Dessa forma.V Encontro Nacional da Anppas 4 a 7 de outubro de 2010 Florianópolis . continuamente. o consumo verde se desenvolve através do conceito de cultura capitalística. como modo de semiotização (GUATTARI & ROLNIK. No ambiente rizomático da Sociedade de Controle. o consumo de produtos com apelos ecológicos (“consumo verde”) se configura em um novo olhar de produção: a da estratégia de um Ecopoder Nas tessituras desse Ecopoder. 2000) do mercado na criação da imagem de marcas. como linhas de um rizoma (DELEUZE. GUATTARI. serviços e ações socioambientalmente responsáveis. 1995) que se atravessam (e se influenciam).

2003. para desenvolvimento. (. Neste contexto. entre as suas preocupações. No contexto do movimento neoliberal. através do regime de Biopoder (HARDT & NEGRI. controle e produção do olhar de um “consumo verde”. não há um fora do mercado mundial: o planeta inteiro é seu domínio. ACSELRAD. sociais. 1991. criação. para renascer e se estender por todas as treliças da sociedade mundial”(HARDT &NEGRI. através de uma nova lógica de poder? No contexto dessa contemporaneidade. capital. & ROLNIK. 2000). 2001).. no qual o poder corporativo desloca o poder do Estado-Nação. por meio de agenciamentos mútuos. opera a lógica de um “Império2”. onde “não há um fora”: “O mercado capitalista é uma máquina que sempre foi de encontro a qualquer divisão entre o dentro e o fora. 2001)? Nesse sentido. 2003. através do qual todos se influenciam. “bem de consumo”. significativamente. . sobretudo no que se refere aos padrões de consumo dos recursos naturais não-renováveis. HAWKEN et al. 1999).2001). a discussão desse novo paradigma envolve uma complexa rede de atores sociais constituída por Empresas. 2002. “O objeto fundamental que as relações imperiais de poder interpretam é a força produtiva do sistema. GUATTARI. Diante do cenário da crise de recursos naturais não-renováveis e da insustentabilidade do consumo no planeta. fazendo valer a ordem do mercado (HARDT. e. em assumir o papel do Estado. influenciada pelo paradigma da sustentabilidade ambiental (ALMEIDA. A ordem imperial é formada não apenas com base em sua capacidade de desenvolver-se mais profundamente. 60). Dessa forma. PORTILHO. o novo sistema econômico Biopolítico e institucional.) em sua forma ideal. a postura do setor privado. a escassez desses recursos têm sido tratada como uma questão “vital” para a produção dos negócios e tem influenciado globalmente as discussões sobre os padrões de consumo a serem adotados no futuro. GUIMARÃES. 1995). a natureza está sendo conduzida à condição de consumo. Essa “rede” se configura por meio de um rizoma (DELEUZE. Neste contexto. influindo. ou seja. Poderíamos utilizar a forma do mercado mundial como modelo para 1 2 Neste artigo. 2002..) No Império e seu regime de Biopoder. NEGRI.A sociedade contemporânea1 vem apresentando transformações em seus hábitos e estilos de consumo nos últimos anos. 1997. Mídia. numa nova configuração. no cenário da contemporaneidade. Poder Público e sociedade civil. (. a partir desse campo.. novas tendências econômicas. cada vez mais. a natureza é produzida como vida. 2002. a coincidir” (Ibid.. ONGs. inclusive. também. HOLLIDAY et al. o homem contemporâneo – individual e coletivamente – começa a perceber os riscos dos modelos de desenvolvimento vigentes. políticas e culturais emergem. um “novo produto de mercado”. trabalha-se somente com o consumo relacionado à sociedade ocidental. LOUREIRO. os paradigmas se transformam em toda amplitude do conhecimento e. p. a proteção da natureza. 1981. produção econômica e constituição política tendem. incluindo. segundo as bases de um Capitalismo Mundial Integrado (GUATTARI. bem como sua responsabilidade para o bemestar das gerações futuras.

em geral. que parece transformar a natureza em capital (produto) e redomar tudo e todos. foco de preocupação por parte de diferentes segmentos da sociedade. sobretudo pelos olhares da ecoeficiência. p. 1997). . & ROLNIK. Nesse contexto. No âmago de uma nova ordem societal: a de uma Sociedade de Controle. na produção de um “poder verde”. através da lógica de um “rizoma verde”. por sua vez. que circula dentro desse rizoma. Segundo Deleuze (1992). 3 Teoria desenvolvida por Gilles Deleuze (1992). 2000) e Hardt e Negri (2001). por meio de diversas estratégias de gestão. começam a desenvolver projetos. em seu processo de gestão. e. 2000). a natureza vem sendo tratada como “bem de consumo”. Empresas. vem sendo fundamental para o desenvolvimento do consumo verde no Brasil. 1981. mesmo até aqueles que representam. ambivalente (BAUMAN. Nesse sentido. onde a natureza é “produtilizada” (PELBART. as relações entre natureza e sociedade ganham novos contornos e dimensões. a mídia. vive-se. por intermédio da lógica do Capitalismo Mundial Integrado. Consumidores. ONGs e Governo vêm se articulando. Dessa forma. todos se controlam. a temática ambiental vem se tornando uma questão estratégica de mercado e. no âmbito da Modernidade Líquida. institucionalmente. pensada por Michael Hardt e Toni Negri (HARDT in ALLIEZ. vêm exigindo uma postura de maior compromisso ambiental das empresas. a trabalhar dentro de uma nova realidade econômica e estratégica (PORTER. ao mesmo tempo. Dessa forma. políticas e ações. no Brasil. configurado segundo as tramas de um poder ambiental. Mídia. leve e. Essa é a “cultura capitalística” (GUATTARI. na contemporaneidade. como linhas de um rizoma (DELEUZE. 2003). 2000. também. HARDT & NEGRI. na qual a rede de atores sociais – e a multiplicidade de suas conexões (CAPRA. GUATTARI. 1987). 2000. Hardt (in ALLIEZ. em que esse capitalismo é global. 1998 e 2001).compreender a forma da soberania imperial em sua totalidade” (HARDT in ALLIEZ. segundo as premissas do mercado. as corporações começam a refletir a questão da natureza. 1995) que se atravessam (e se influenciam). Os organismos não-governamentais. que. Dessa forma. identificado como Capitalismo Mundial Integrado. igualmente. o Poder Público e a sociedade civil. programas. como uma transformação da Sociedade Disciplinar (FOUCAULT. a resistência (ONGs) à lógica do capitalismo contemporâneo. assim como de produção de consumo no mercado global. 2002) – tem papel preponderante de vigilância e denúncia de ações contra a natureza. 2001). continuamente. A participação dos atores sociais. em uma Sociedade de Controle3 ou mundial de controle. 361). Mediada pela noção de sustentabilidade ecológica (GUIMARÃES. da imagem e do consumo e passam.

que o ecológico fique subordinado ao econômico numa sociedade onde a generalização das relações mercantis é a tônica” (GONÇALVES. e inscrevem-se. na separação e domesticação dos corpos. no Brasil. uma sociedade padronizada. produzida não para o uso de quem a faz. como a sociedade. como tal. principalmente. nas idéias do sujeito ao confinamento e ao espaço fechado. foi instituído com a sociedade burguesa. a partir da Rio-92. Estes valores metafísicos representam um modelo teórico dialético. toda mercadoria é. Isto porque o termo Sociedade de Controle abordado por Gilles Deleuze (1992). 1995). camisas. Partindo dessa perspectiva. perfumes. Não é de estranhar. Ou seja. Flertando com Wolfgang Haug (1997). mas sim para a troca. interessada no mercado: o mercado do consumo verde. é de suma importância que se parta de um olhar genealógico da formação da sociedade. a investir em produtos com apelos ecológicos (“produtos verdes”). descrita 4 Gonçalves. a família. “produtos ecológicos” e “ecorrótulos” são os novos aforismos pósmodernos que tutelam o verde como negócio (JÖHR. panoptizada. é um “Produto com alto valor agregado” (OTTMAN. “razão”. por exemplo. o poder e as relações de consumo se configuram. 1994) e a natureza como uma nova marca a ser consumida pela sociedade contemporânea. sob a estratégia de uma “bandeira verde” para a produção contínua dos lucros e do domínio supranacional corporativo. Para Motta (2002). Para ele. como mais uma mercadoria 4. 113). é arguto em suas palavras. sociais e ambientais que o conceito de sustentabilidade se expressa e se consolida. p. “Natureza industrializada”. pneus. O pensamento filosófico disciplinar implica em dispositivos que moldam o indivíduo à condição de massa. Para ele. shampoos. na divisão do “dentro” e do “fora”. a concepção de disciplina pressupõe as idéias de espacialidade. que. e incentivando uma extensa rede de atores sociais. integralidade. um “bem de consumo”. cuja lógica está baseada na diferença dos espaços. estetizada. humano e não-humano. Tal fenômeno não é natural. 1993). A idéia de mercantilizar a natureza reflete o sentido de uma natureza “produtilizada” (PELBART. é um desdobramento do conceito de Sociedade Disciplinar 5. entre outras questões. definem.VAN DER LINDE. em Os (des)caminhos do meio ambiente. com base na noção de Sociedade Disciplinar. Carros. também. Nesse novo mercado. a natureza está sendo tratada. “o valor do uso é simplesmente um veículo para o valor de troca. maniqueísta e massificada por aparelhos panóptico-ideológicos como o Estado. Segundo o marketing. ao contrário. homem e artifício. 2001. políticos. no mesmo. no qual os conceitos de “verdade”. 2003). Cartografando a sociedade de controle Para refletir sobre o conceito de Sociedade de Controle. tornando-se uma questão estratégica mundial para a sociedade contemporânea e influenciando o seu comportamento de consumo. Que vem se tornando uma nova estratégia de marketing que está no foco das Empresas. portanto. vêm agora com um novo diferencial: o “ser ecologicamente correto”. estaticidade e fixadez. E é através dessa rede de atores. o . para designar sociedade contemporânea. e tantos outros. a partir da perspectiva da sustentabilidade. 5 A Sociedade Disciplinar representa um desdobramento da noção do pensamento iluminista e ontológico. através da mudança de mentalidade para um pensamento estratégico com responsabilidade sociambiental (HOLLIDAY et al 2002). “sujeito” e “totalidade” integram o olhar do pensamento da modernidade. Isto é. integrando interesses econômicos. as empresas brasileiras começam. também. as separações entre natureza e cultura. através das abordagens de unidade. participando (juntamente com outros atores sociais) da criação e do desenvolvimento de um “mercado verde” no Brasil. a ecologia tem appeal.

o império é a forma da poder que tem por objetivo a natureza humana. expresso como um controle que se estende pelas profundezas da consciência e dos corpos da população . p. . e que Foucault reconhece como nosso futuro próximo” (DELEUZE. 1999). a lógica do poder não é regida panopticamente (FOUCAULT. na idéia de que o indivíduo tem uma posição na massa. ora por colonização.) conquistado ora por especialização. cuja lógica está baseada no confinamento. 2001. dessa forma. p. que talvez se realize hoje pela primeira vez.e ao mesmo tempo através das totalidades das relações sociais” (HARDT. NEGRI. e o aparecimento de novos dispositivos de controle. através da lógica de rede (rizoma) – (DELEUZE. No controle. ‘Controle’ é o nome que Burroughs propõe para designar o novo monstro. Esse “monstro” emerge em oposição à disciplina. op. entre outros). a fábrica. 2001).220). segundo um “Império”. como um número. 1987). o controle é contínuo. Com a transição da disciplina para o controle.223). a ordem mundial. simultâneo e descentralizado. e os próprios indivíduos passam a exercer uma autovigilância permanente. na qual todos vigiam todos. estuda a passagem da Sociedade de Soberania (em que o poder está na mão de um soberano e se funda na ameaça de morte e na punição exemplar) para a Sociedade Disciplinar.43-44). Por outro. Deleuze (1992) destaca o fim das instituições de confinamento (disciplinar). afirma que: “São as sociedades de controle que estão substituindo as sociedades disciplinares. Se na disciplina o capitalismo é dirigido para a produção. em Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Michel Foucault (1987). p. Deleuze. Para Hardt (in ALLIEZ. 1987). o Império é o poder universal. mas sim de forma sinóptica (BAUMAN.cit..por Michel Foucault (1987) como o modelo societal compreendido entre os séculos XVIII e XIX. pp. A lógica do Biopoder se constitui. portanto o bio-poder.358). O que gostaria de sugerir é que a forma social tomado por esse Novo Império é a Sociedade de Controle Mundial” (HARDT in Alliez.. a escola e. A Sociedade Disciplinar retrata um ambiente no qual o mercado é “(. “Por um lado. e a lógica do confinamento (como o presídio. como a nova ordem mundial. a partir de um novo paradigma de poder: Biopoder. 1992. uma assinatura. 2000. “O poder é. segundo a tradição antiga. a mídia (FOUCAULT. ora por redução de custos de produção” (DELEUZE. GUATTARI. 1995). no controle é para o consumo. atingindo o seu apogeu no século XX. Nesse novo tipo de poder virtual (HARDT & NEGRI. a escola. nos moldes. ainda mais introjetado e subliminar que a disciplina. trabalho. em Conversações. através do modelo panóptico e centralizador do poder e da vigilância de “um” sobre “todos”. principalmente. 2000) entender a Sociedade de Controle é pensá-la.

Reafirmando este olhar. reconhecida como “Império” (HARDT. ou então possui limites fluídos e móveis. Nesse caminho. 2000): “Com a Sociedade de Controle. NEGRI. segundo Hardt (in ALLIEZ. Para retomar o título de minha exposição. ou como assinala Sibilia (2002.43). Como o mercado mundial. Antigamente tal função cabia à prisão. não só na medida em que o poder tenta se encarregar da vida na sua totalidade. 2001. a lógica da empresa passa a permear a totalidade do corpo social. não há mais “o fora”. Sibilia (2002) menciona que: “Enquanto os cidadãos do mundo globalizado vão incorporando o papel de consumidores. adestrados e úteis da disciplina dão lugar às almas consumistas. física. chegamos finalmente a esse ponto. ela é uma forma que não tem fora. desde a sua dimensão cognitiva. O que está em jogo nesse regime de poder. o consumo torna-se o dispositivo de controle social pós-moderno que as empresas transnacionais passam a adotar. p. endividadas na Sociedade de Controle. penetrando-a de cabo a rabo e em todas as suas esferas. e o consumo passa a regular as relações sociais e a vida. Pelbart (2003) afirma que: “É nesse sentido que a vida tornou-se um objeto de poder.30). mas. através das marcas e de suas estratégias de produção de modo de ser. articulando e reproduzindo as novas ordens sociais. p. uma Sociedade Mundial de Controle” (p. sobretudo. “Do produtor-disciplinado ao consumidor-controlado”.Essa nova ordem mundial. 2001). op. psíquica. que operava como modelo . de modo imediato. é constituída na esteira ondulante do capital. das instituições transnacionais e do mercado global. No âmbito da “sociedade mundial de controle”.). é a produção e a reprodução da vida nela mesma” (p. biológica. de qualquer modo. impondo o seu modelo a todas as instituições. Os corpos domesticados. NEGRI. o ponto de chegada do capitalismo. fronteira. quando esse procedimento é reformado por cada um de seus membros. obliteram-se os espaços.82). até a genética. o mercado mundial opera segundo a lógica de um capitalismo desterritorializado. como descreve Hardt (in ALLIEZ. Para Foucault (apud HARDT.372). Esse Biopoder passa a ser uma função integradora e vital que cada indivíduo incorpora e reativa por sua própria vontade. a Sociedade de Controle já é. “A vida agora se tornou objeto de poder”. Nesse sentido.cit. Na Sociedade de Controle.

uma marca de consumo. observa-se uma transição do produtor disciplinado (o sujeito das fábricas) para o consumidor controlado (o sujeito das empresas)” (p. Na Sociedade de Controle. portanto. tanto segundo a lógica de mutação do capitalismo da produção para o consumo. criam-se demandas e mercados. na lógica de um “Império”.analógico de fábrica e das demais instituições de confinamento. os indivíduos tornam-se divisíveis e. através da estratégia de configuração do regime do Ecopoder (um refinamento do Biopoder). informações. as relações entre Sociedade de Controle e Consumo? A noção de Sociedade de Controle requer uma análise. passa a dar valor ao consumo como forma de inserção social. processos. o consumo cria novas identidades de mercado como passaporte de inserção social. No olhar de Deleuze. sim. . Nesse olhar. mutável. Sendo assim. Tudo e todos estão se produzindo e se controlando. a partir do profundo conhecimento que se tem dos indivíduos. 2004). então.36). por intermédio de um consumo frenético. em que se insere a sociedade. A partir do controle. e da facilidade de contrair dívidas. ou seja. cujas malhas. que é concebida segundo um olhar pós-moderno como uma Sociedade de Consumo (TAVARES. que passa a inspirar o denominado “consumo verde”. Afinal. em mudança permanente. onde não há mais a separação entre o que está “dentro” ou “fora”. e do seu movimento sinóptico (BAUMAN. valores. torna-se capital. Como. dados. a sociedade contemporânea se constrói através de uma moldagem autodeformante. segundo a estratégia de ser “ecologicamente correto”. E. 2000). ou seja. para se estar “dentro”. 1999). A noção de Sociedade de Controle implode a idéia de massa-indivíduo para a concepção da “dividualidade”. no espaço desterritorializado do capitalismo rizomático e esquizofrênico. na Sociedade de Controle (e no “capitalismo do controle”) não se responde mais às demandas dos indivíduos. quanto do espaço liso e ondulatório. vetores e redes estão em contínua transformação e desconstrução (HARDT in ALLIEZ. mas. que inscreve o consumo como fenômeno de inclusão. produtos e até mercados. Na passagem para a era pós-industrial. a natureza. mas o homem endividado. e as massas tornam-se amostras. qualificado por Guattari como Capitalismo Mundial Integrado. na qual marcas e produtos verdes são pensados e produzidos. se constrói uma sociedade fluída. em que diferentes atores sociais são empoderados. Assim. parte-se de uma perspectiva rizomática. por exemplo. de um agenciamento (e um atravessamento) através da multiplicidade de sentidos. conceitos e conhecimentos. Como pensar. a Sociedade de Controle transforma o consumo em uma “senha” de pertencimento. o homem não é mais o homem confinado. Até o que não era capitalizado.

Tudo é unificado e difuso. de tal modo que é impossível distinguir um dentro de um fora. O ‘espaço estriado’ das instituições da Sociedade Disciplinar dá lugar ao ‘espaço liso’ da Sociedade de Controle. 2000). Como. que opera nas tessituras da produção de um Ecopoder.) os anéis de uma serpente são ainda mais complicados que os buracos de uma toupeira” (p. tem-se uma perspectiva de rede viva. Ou. não existe mais a dialética entre “o fora” e “o dentro”. . por exemplo.360).226). Deleuze (1992) aponta que “(. qual é a importância filosófica do pensamento do Rizoma? Filosofando o Rizoma Prosseguindo em Deleuze e Guattari (1995). Nessa imagem poética da Sociedade de Controle. do capitalismo do século XIX. tecno-social ou semiótico.” (p. a partir da noção de rizoma (rizhome) material e imaterial. que fetichiza a natureza como uma nova mercadoria. E dessa forma. que vende as marcas e os estilos de vida.357). mas se encontram. No mundo pós-moderno e flexível. do capitalismo transnacional. o consumo se torna o dispositivo de controle que lança tudo e todos para dentro dessa nova ordem mundial. que servem de inspiração para apresentar a imagem deleuzeana da serpente: “Os muros das instituições estão desmoronando de tal maneira que suas lógicas disciplinares não se tornaram ineficazes. de forma global agora introjetado como uma nova modelagem: a de um capitalismo natural. considerado um platô. através de premissas dessa nova ordem do capital. 2000) “(. O espaço público é privatizado..) de fato o lugar da política foi desrealizado. generalizadas como formas fluidas através de todo o campo social.Deleuze (1992) propõe uma metáfora instigante para a Sociedade de Controle: uma “serpente”. A passagem da disciplina para o controle é descrita por Hardt (in ALLIEZ.. ele está em todos os lugares e não está em lugar algum. antes. tal qual o capitalismo desterritorializado. em que não há o lugar do poder. 2000. afinal. os princípios de conexão e de heterogeneidade: “Um rizoma não cessaria de conectar cadeias semióticas. através das perspectivas de “espaço estriado” (espaço sedentário) e “espaço liso” (espaço nômade). para retomar a bela imagem de Deleuze. p.. perverso. os túneis da toupeira estão sendo substituídos pelas ondulações infinitas da serpente” (HARDT in ALLIEZ. que integra vários princípios. na qual as corporações representam a força transnacional nesse “espaço liso” do “Império”. No contexto de Sociedade de Controle e de produção do Ecopoder.. na pós-modernidade. enquanto a “serpente” é o controle. a “toupeira” é a disciplina – o animal dos meios de confinamento –. Para Hardt (in ALLIEZ. seja ele biopisíquico. A noção de consumo implode as separações entre público e privado.

por sua vez. como os princípios de multiplicidade e ruptura a-significante. sem as dualidades ou as dialéticas que são convenientes. p.98). Ou seja. às lutas sociais (Deleuze. O conceito de rizoma diz ao mesmo tempo: “(. rígidas. também estão relacionados ao capitalismo e ao consumo na contemporaneidade. tampouco principio de ordem ou de entrada privilegiada no percurso de uma multiplicidade (. Ele não é feito de unidades. organizado.. multiplicidades. ocorrências que remetem às artes. Já o princípio de ruptura asignificante retrata que: “Um rizoma pode ser rompido. O princípio de multiplicidade enuncia que: “As multiplicidades se definem pelo fora: pela linha de fuga ou de desterritorialização segundo a qual elas mudam de natureza ao se conectarem às outras” (ibid. Esse olhar. atribuído (.. p. reprodutíveis ao infinito” (ibid. redes. cartografia e decalque. está relacionada ao rizoma. significado. nem de exterioridade. que. territorializado. Guattari. além dos princípios de conexão e heterogeneidade. Além disso.21).. que apostam numa outra postura. nem catastrófica..15-16).. portanto nada de avanço significativo que não se faça por bifurcação. p...).).) são antes de tudo princípio de decalque.. reavaliação do conjunto a partir de um ângulo inédito. qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro e assim deve fazê-lo..organizações de poder. encontro imprevisível.) do eixo genético da estrutura profunda (. segmentaridade.. territorialização e desterritorialização.) nada de ponto de origem ou de principio primordial comandando todo o pensamento.. implica no conjunto de princípios mencionados como características presentes no discurso da pós-modernidade: conexão. Ele é estranho a qualquer idéia de eixo genético ou de estrutura profunda (.18).. Os autores discutem outros princípios para a configuração deste rizoma. nem de aderência.. 2004. p. . portanto. pp. mas compreende também linhas de desterritorialização pelas quais ele foge sem parar” (ibid. op. Também caracterizam o rizoma os princípios de cartografia e decalcomania que: “Um rizoma não pode ser justificado por nenhum modelo estrutural ou gerativo.) todo rizoma compreende linhas de segmentaridade segundo as quais é estratificado. mas de dimensões” (ZOURABICHIVILI. (.17). segundo a posição político-filosófica de Deleuze e Guattari. a partir do desmanche das estruturas mecanicistas. quebrado em um lugar qualquer.cit. A desterritorialização do capital. e até mesmo coniventes. O exame do rizoma reflete o exercício imanente de Deleuze e Guattari (1992 e 1995). às ciências. nem complacente. e também retorna segundo outras linhas.

transnacional. ao mesmo tempo. mas estar/ter. No sentido de Pelbart (2003). do Biopoder ao Ecopoder: refletindo o consumo verde Nas instâncias individuais e/ou coletivas.). o ser pode ser compreendido de várias maneiras: substância. o ser se opõe ao devir.. Além disso. é fluído. e que a natureza é. O ser é imutável e concreto. conexionista e em rede. ocorre um deslocamento para um capitalismo maleável. A mutabilidade identitária remete a uma subjetividade móvel.. modos de ser. ser da razão. a migração. continua perseguindo o lucro.. Claro que o objetivo final do capitalismo permanece o mesmo.. como produção de modos de ser. dessa lógica. aberto. O capitalismo rizomático. também. Assim sendo. Num sentido que aparece na filosofia grega. 1995) invade as entranhas pulsionais e coletivas produzindo a idéia de que a questão não é mais “ser”.. rizomático (. Que o capitalismo tenha se apropriado desse espírito. recorrendo à filosofia para compreender essa oposição. não finalista. GUATTARI.) prioritariamente através da rede. é produzida a idéia de uma “subjetividade verde” como um modo de ser modelado pelo mercado.. novas estratégias de consumo (agora também “verde”. não identitário.97). segundo Pelbart (op.. em suma (. o “ter” é mutável. na transmutação do conceito de Biopoder para Ecopoder. aberto. ser-em-si. através da lógica do movimento do Capitalismo rizomático.) o mundo conexionista é inteiramente rizomático. tem-se uma boa visão dessa discussão: “(. visa o lucro. essência. conexões mais múltiplas. conexionista. desse funcionamento. Capitalismo em rede.) um funcionamento mais flexível. através de “identidades prêt-à-porter” produzidas pelo mercado (SIBILIA. no contexto do consumo de produtos com apelos ecológicos e/ou socioambientalmente responsáveis. graças à lógica de um Ecopoder). 2002). é devir.hierárquicas originadas no fordismo e no taylorismo de uma concepção moderna. Japiassú e Marcondes (1996) oferecem boas pistas sobre essa reflexão: .) rizomáticas. metamorfoses etc. o capitalismo descentralizado e sua estratégia móvel e rizomática (DELEUZE.. de um capital particularmente local e verticalizado. ressignificada como produto e vida. regulada pelo consumo (a estratégia do consumo verde). ser-no-mundo. existência. ondulante. mas o modo pelo qual ele agora tende a realizálo (. porém passa a trabalhar com uma lógica mais complexa de produção.cit. as múltiplas interfaces. não poderia deixar-nos indiferentes” (p. favorece os hibridismos. Do ser ao “ter”. criando desejos. flexível. com contornos bem definidos.

a condição em não há o “fora”. p.. em desenraizar a concretude do verbo ser para dar lugar ao verbo ter e a sua fluidez. Os saberes de Deleuze e Guattari. dos fluxos semióticos. unicamente aliança. A esquizoanálise. trazem uma inquietude filosófica. intermezzo. mas da produção (imanência).) Faça mapas. A árvore é filiação. MARCONDES.. da produção dos desejos. Dessa forma. ele se encontra sempre no meio. do nomadismo. mas. mas de um “ter humano”.. através de uma nova abordagem: a do “ter humano”. “Faça rizoma e não raiz. o não-ser não é a ausência do ser. Na Sociedade de Controle.) Um rizoma não começa. p. ‘e. do rizoma. Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser.37). além disso. do devir.) buscar um começo. é uma base conceitual para capturar a idéia psicossocial. não através de uma anterioridade (transcendência).. uma perversão. ou um fundamento. da mobilidade das coisas. materiais e sociais. linha de fuga (. ou seja. se instala a desterritorialização dos indivíduos e dos grupos sociais. Sorvendo-se dos olhares de Deleuze e Guattari. da multiplicidade. Não como uma concepção metafísica da natureza humana. nas micropoliticas. na infinitude do pensamento.. sem a pretensão iluminista e positivista. implicam uma falsa concepção da viagem e do movimento” (DELEUZE. não mais de um “ser humano”. Para onde vai você? De onde você vem? Aonde quer chegar? São questões inúteis (. mas o rizoma tem como tecido a conjugação. sobretudo. (JAPIASSÚ. jogo de cintura.. da qual partem Deleuze e Guattari. o nada. A compreensão do indivíduo e dos atores sociais deve ser analisada psicossocialmente.. mas aquilo que não é o ser. enquanto que o ser imutável é único. pique! Não seja nem uno nem múltiplo. nunca plante! Não semeie. A fim de ampliar essa discussão.. 1996. 1995. GUATTARI.. mesmo parado! Linha de chance. por meio do processo de subjetivação busca-se refletir o ser humano e as suas transformações psicossociais e culturais.. o devir é sempre identificado como o não-ser. o não-lugar dos poderes. seja multiplicidade! Faça a linha e nunca o ponto! A velocidade transforma o ponto em linha! Seja rápido.246)”..“É nesse sentido que.’. os agenciamentos. aquilo que é mutável e diverso.. inter-ser.e. .e. uma transgressão ao pensamento. os pensamentos de Gilles Deleuze e Félix Guattari assinalam perspectivas igualmente relevantes. em que tudo e todos se inscrevem em uma cultura capitalística. que se inscreve no rizoma da vida. nunca fotos nem desenhos (. sob uma perspectiva do devir. E. entre as coisas. nem conclui. A árvore o impõe o verbo ser. mas o rizoma é aliança. das linhas de fuga. através desse capitalismo rizomático. na fluidez e mutabilidade do indivíduo como estratégia de uma virtualidade identitária. na filosofia grega. nos desejos. no olhar psicossocial.

por meio de um fórum político. p. muitas aporias emergem. tornar capitalizável o imaterial. Mídia. O olhar psicossocial deleuzo-guattariano aponta para as multiplicidades das subjetividades e de sua infinita produção. cidadania e natureza. na qual brota o consumo verde em que se “produtiliza” a vida. pela cultura capitalística. Nesse cenário. o que. uma mão ou um pé” (DELEUZE. liquefeitos na Modernidade Líquida do consumo. da cultura capitalística e. “(. onde não há mais o “fora”. dos Consumidores. GUATTARI. por assim. pela conexão dos atores sociais – Empresas. Partindo desta reflexão. que circula por entre os atores sociais que produzem o consumo verde no Brasil. das ONGs e dos movimentos sociais. Sendo assim. na periferia. por sua vez. no qual a natureza (pelo prisma de um “capital natural”) torna-se um objeto de poder. da lógica do mercado. faz. onde o capitalismo ganha a faceta de natural. e não no sólido. em um “Império”. a natureza é transformada nas redes do mercado. que. que cria a vida e produz o consumo verde em uma Sociedade de Controle. 1992) e do “Capitalismo Natural” (HAWKEN et al.42). como um modo de ser (“agir ecologicamente correto”). O nãolugar. os olhares de Sociedade de Controle – da fusão do privado e do público. pelos devires. no líquido. paralelamente. e. em um contexto onde a natureza é deslocada. na passagem da disciplina para o controle. envolve interesses difusos. pelos desejos. 1995. O empoderamento da Mídia. não em um espaço estriado. segundo a lógica de um Ecopoder.. da ecosofia como transversalidade das relações entre homem e natureza assinalam bem essa abordagem. através do rizoma de uma rede.a subjetividade deve ser refletida em platôs. Empresas. todos os atores têm poder para influenciar. a ela estou ligado por uma extremidade do meu corpo. em revoluções moleculares. Mídia. ONGs e Consumidores – em linhas nômades reguladas pelo mercado. Na esfera do Biopoder. ao mesmo tempo. e ressignificada. que são reguladas pelo mercado. em dimensões. onde homem e natureza tornam-se multiplicidades. mas pertenço a ela. que sublima a estratégia de um Ecopoder. que se transmuta através da Sociedade de Controle (DELEUZE. Uma Modernidade Líquida. dos empregados. Dessa forma. Ser pensada na lógica do passeio da multidão. segundo um Ecopoder. do Governo e das próprias Empresas (todas através da lógica do mercado) contribuem às questões ambientais e econômicas. do qual todos os atores sociais se utilizam e apropriam.. no qual o Biopoder se desdobra na esfera de um “poder verde”. 2002). como um desdobramento do Biopoder (HARDT & NEGRI. agora também redefinido pelas questões ambientais e econômicas. as questões ambientais tornam-se politizantes e imprimem um Ethos ambiental. 2001). mas que promove a aliança entre consumo. vem refletindo e produzindo a “subjetividade verde”. das “identidades prêt-à-porter”. mas no espaço liso. de modo rizomático.) estou na borda desta multidão. . Governo. Consumidores e Governo participam dessa discussão. através do olhar de um Ecopoder. ONGs. especialmente a partir da Rio-92.

que conjuga aspectos econômicos. que transmitem a mot d’ordre de uma vida melhor por meio de preocupação com a natureza e o bem-estar individual e coletivo. Nesse mercado verde.. o mercado). que o tema da sustentabilidade é tratado na condição de “Ecopolítica”. e vem se construindo desde a década de 1980. Ou seja. no .. por intermédio do poder do não-lugar. de maneira imanente. conforme a lógica de um Ethos ambiental. também. através de campanhas publicitárias e jornalísticas. através da semiotização de discurso e valores espetacularizados. simultaneamente. como uma produção do mercado. como a idéia de “lucro com ética”. preservação e consumo. autênticos e socioambientalmente responsáveis. Nesse sentido. 2002). 1991). a vida. através da antiga Alemanha Ocidental (HOLLIDAY et al. não somente pelas Empresas. na transversalidade das tensões entre homem e natureza. mas de alguma forma por todos os outros atores sociais envolvidos no “rizoma verde” do consumo verde no Brasil. em que tudo e todos se produzem. cuja regulação é psicossocial. Em um outro olhar sobre o consumo verde no Brasil. o poder se faz atravessar no “rizoma verde”. se apresenta. as subjetividades dos atores sociais envolvidos nesse “rizoma verde” influenciam. embora se evidencie no Brasil. o que está sendo identificado na lógica do consumo verde do mercado brasileiro.O fenômeno do consumo verde é mundializado. através de uma perspectiva ecosófica (GUATTARI. Outros olhares. a questão ambiental. sendo este fluido. há um ponto de clivagem que parte de concepção de “ecologicamente ou politicamente correto” como um tema que perpassa as visões de todos os atores sociais. presente em todos os lugares. e se dá pela estratégia de um Ecopoder. as relações de poder obedecem à lógica de uma descentralização. consomem. sob a influência da discussão de sustentabilidade ecológica. no século XXI. regulam. por intermédio de políticas públicoprivadas e não-governamentais de produção e consumo sustentáveis. ecoeficientes e responsáveis. como uma possível nova revolução de consumo e industrial. sendo atravessados pela lógica do mercado (capital). que é o de consumir produtos verdes. controlam e influenciam. porém não se fixando. através da natureza. em condições de salvaguardar o planeta e os interesses do mercado. igualmente. por meio de um apelo ético-estético e político. É através dessa lógica capitalística. a partir da interface entre capitalismo e recursos naturais nãorenováveis. ao mesmo tempo. conforme o olhar do Ecopoder. torna-se capital. Recorrendo a Hawken et al (2002). limpos. algumas pistas. psicossociais e ambientais. No caso do consumo verde no mercado brasileiro. produzindo subjetividades e Ecopoder. conservação. observa-se que a cultura de consumo é capitalística e o processo de subjetivação parte dessa lógica cultural de mercado (e que. só a partir da Rio-92 e da noção de capital ambiental ou natural. por intermédio do consumo verde.

como uma questão que articula os atores sociais (Empresas. Consumidores. “conscientes”. sobretudo. mas apontar novos desafios e perspectivas. ou verdade. ONGs e Governo. que são produzidas no mercado. percorrer a incerteza e perversão. ONGs e Governo). das interrelações individuais e coletivas. cuja faceta socioambiental se apresenta por meio de um Ethos ambiental no mercado do consumo verde. Mídia. certeza. . “responsáveis”. Nesse contexto. pode-se constatar que o consumo verde está se desenvolvendo no mercado brasileiro através do paradigma de um Ecopoder. Entretanto. o mais importante não é a confirmação de um olhar. “ecoeficientes”. a natureza é produtilizada como um “bem de consumo”. A questão não é buscar a razão. “sustentáveis” e “autênticos/singulares” para Empresas. Consumidores. cujos produtos são “éticos”. segundo os preceitos de uma Sociedade de Controle. Mídia. mas. que ajudem a refletir outros questionamentos. sob a forma de um rizoma. tendo como pano de fundo a perspectiva psicossocial. para quem sabe continuar deslocando. Assim sendo. lançando e produzindo novos pensamentos e inquietudes filosóficas.qual a vida (natureza) transforma-se em um grande capital – um objeto de poder –.

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