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1 RELAÇÃO DO ALUNO COM A LINGUAGEM ESCRITA

1.1 Breve histórico do avanço da escrita até os dias de hoje

Inicialmente a escrita vem a surgir com as necessidades humanas de


desenvolvimento no mundo antigo, caracterizada pelos elementos diversos da civilização,
acompanhada dos elementos artísticos do governo, do comercio, da agricultura e dos
transportes. A escrita propriamente dita surge com a necessidade do homem de expressar seus
sentimentos por meio de signos, e, que estes possam ser compreensíveis às idéias de outros
homens sobre a formação de sua civilização escrita, como afirma Gelb, “a escrita existe
somente em uma civilização e uma civilização não pode existir sem a escrita”. Os primeiros
registros que se conhecem em relação à escrita foram encontrados na Suméria por volta de
3.150 e 3.000 a.C. em uma construção de um templo, era de forma de uma pequena lápide de
estilo ideográfica isto é, composta de sinais ao qual expressavam idéias e não palavras. Para
que não houvesse confusão entre os nomes das mercadorias transportadas criaram então
novos códigos de escrita onde passara a escrita de logográfica para cuneiforme, passando
então a representar os sons desses nomes.

[...] Isto constituiu uma evolução para um sistema de escrita mais complexo, no
qual o signo passa a ter valor fonético independente do significado: o signo torna-se
palavra, a escrita vincula-se a língua oral. Por exemplo, a palavra discórdia que
antes era representada por duas mulheres brigando (representação ideográfica de
idéias), passa a ser representada por uma mulher e uma corda e, finalmente, por um
disco e uma corda (disco + corda), ligando-se a expressão fonética [...]
(BARBOSA, 1994).

Já a escrita cuneiforme, era traçada a cunho em tijolos de argila e seus sinais já eram
em grande parte silábicos, com essa influência surge a fonetização da língua oral à língua
escrita. Segundo Barbosa, 1994, com o sistema de fonetização abre-se enormemente os
horizontes para os registros escritos. Passa a ser possível expressar todas as formas
lingüísticas, até as mais abstratas, por meio de símbolos escritos. Os signos passam a ter
valores silábicos convencionais: convenção de forma e de princípios. Os signos foram
normalizados, para que todos os desenhassem da mesma maneira; estabeleceram-se
correspondências entre signos, palavras e sentidos; escolheram-se os signos com valores
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silábicos definidos; definiram-se regras quanto a orientação da direção dos signos, à forma e
seqüências das linhas. A seqüência dos signos passou a seguir a mesma seqüência da
linguagem falada. Houve, portanto, uma alteração significativa nas convenções do sistema
representativo. A formalização da escrita exigiu não só o estabelecimento das regras, como
também a aprendizagem efetiva das formas e princípios da escrita.
Os princípios escritos sumérios se expandiram ao oriente e o sistema de escrita
cuneiforme foi adaptado por outros povos aos seus idiomas, data-se que a mais antiga
inscrição hebraica que se conhece fosse também de caráter cuneiformes. Por volta de 3.000
a.C. os hieróglifos egípcios alcançaram sua forma definitiva, compreendendo vinte e quatro
sinais para as consoantes.

[...] os povos semíticos da margem oriental do mediterrâneo mantinham contato


com Egito e a Mesopotâmia, usavam o papiro egípcio e um alfabeto de 22 sinais.
Nesse alfabeto, cada sinal representava uma consoante única, sendo o som das
vogais indicado pelo contexto. Este sistema simples de escrita foi levado pelos
navegadores fenícios aos gregos da Jônia, mais ou menos em 900 a.C. [...]
(BARBOSA, 1994).

Foi então, a partir da representação da escrita silábica, que antes era desenhada para
representar os sentimentos humanos dos povos semíticos ocidentais, que os gregos criaram o
alfabeto, este ao longo dos tempos vem transformando seus sinais gráficos chamados de letras
aos idiomas que se adequando às necessidades de cada civilização que irá usá-lo.

[...] entende-se por alfabeto um conjunto de sinais da escrita que expressam os sons
individuais de uma língua. Para isto os gregos desenvolveram um sistema de
vogais. Estas vogais, unidas aos signos silábicos, tornaram a sílaba simples signos
consonânticos. Pela primeira vez, criaram um completo sistema alfabético de
escrita, com 27 letras. A partir dos gregos os semitas aprenderam os símbolos
vocálicos e criaram seu próprio alfabeto. O nosso alfabeto latino também se
desenvolveu a partir do alfabeto grego [...]. em resumo, podemos assinalar três
grande avanços na construção histórica da escrita: o principio sumério de
fonetização; a escrita silábica semítica ocidental; alfabeto grego. (BARBOSA,
1994, p. 37).

A construção da escrita data pelo marco das necessidades do indivíduo comunicar-se


relacionada em grande parte à economia e agilidade na representação sobre os códigos
lingüísticos visíveis, que constitui a um sistema de intercomunicação, por ser mais complexa
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e exigir mais que a linguagem oral, basta analisar as complexidades impostas pela língua
escrita, em relação ao desenvolvimento fonético e morfológico de qualquer idioma se
modifica quando escreve, e há sempre constantes mudanças nesses aspectos.

A escrita é mais conservadora que a língua falada e tem um poder restritivo sobre o
desenvolvimento natural de um idioma. A forma como usamos o idioma na escrita
é mais antiga, rígida e convencional do que a forma como usamos esse mesmo
idioma na fala cotidiana. Empregamos na nossa escrita uma forma distinta da nossa
fala. A escrita resiste a toda mudança lingüística que é frequentemente considerada
como uma “corrupção” da língua. (BARBOSA, 1994, p. 36).

Para Ferreiro, 2001 a invenção da escrita foi um processo histórico de construção de


um sistema de representação, não um processo de codificação. Uma vez construído poder-se-
ia pensar que o sistema de representação é apreendido pelos novos usuários como um sistema
de codificação.
Diga-se que a escrita é uma das invenções que mais sofreram e sofrem mudanças de
acordo com as necessidades de cada civilização, são primordialmente usadas, embora as
crianças em idade escolar inicial tendam a ter dificuldades em relacionar com os códigos da
linguagem oral para representar em linguagem escrita utilizada em seu meio social.

1.2 Concepções das crianças a respeito da escrita e da linguagem escrita.

As crianças ao ingressarem na escola já têm uma concepção respeito da língua


falada com a língua escrita. Vivenciam com o universo da linguagem escrita por meios de
diversos portadores textuais do seu meio social.
Com relação à língua escrita o que as crianças ainda não compreendem ao ingressar
na escola é o sistema de codificação de seus signos, ou seja, a estrutura de cada palavra ,e
ainda não interpretam o sistema lingüístico escrito , o valor sonoro convencional das letras ao
sistema de escrita .
Ferreiro, 2001 orientam as questões quando uma criança tal qual como acredita que
poderia ou deveria escrever certo conjunto de palavras, está nos oferecendo um valiosíssimo
documento que necessita ser interpretado para poder então avaliar e intervir na hora de como
pensar na escrita como representação do código lingüístico utilizado .
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Tradicionalmente, a escrita alfabética tem sido definida como um código gráfico de


transcrição de dos sons da fala [...] sob o ponto de vista da aprendizagem, as
unidades os sons já estariam estabelecidas para o aprendiz, e apenas lhe faltaria
transportar tais unidades do meio sonoro ao meio gráfico. O transporte consistiria
em uma relação de codificação. Essa visão foi a mais freqüente desde as reflexões
lingüísticas dos gregos e tem perdurado através da teoria condutista [...]
recentemente lingüistas e historiadores têm reagido a essa visão, argumentando que
mais do um código a escrita é um sistema de representação da linguagem com uma
longa história social. (TEBEROSKY e COLOMER, 2003, P.60).

Com relação ao sistema de escrita cada criança apresenta diferentes avanços ao que
chamamos de compreensão do código lingüístico escrito. Geralmente as primeiras escritas
infantis são chamadas de garatujas ao ponto de vista gráfico, esses aspectos sejam eles em
forma de linhas onduladas ou quebradas, bolinhas rabiscos, e vale observar com que
qualidade esses aspectos gráficos trazem aos aspectos construtivos de cada criança a
distribuição das grafias no papel. “Do ponto de vista construtivo, a escrita infantil segue uma
linha de evolução surpreendentemente regular, através de diversos meios culturais, de
diversas línguas”. (FERREIRO, 2001, p.18,19).
Em primeiro momento destacam-se três múltiplas subdivisões que caracteriza a
construção da escrita das crianças em idade escolar nomeadas por estudos de Emília ferreiro,
2001. A primeira distinção dar se a entre o modo de representação icônico e não icônico; a
segunda refere-se à construção de diferenciação; ou seja, o controle progressivo das variações
sobre os eixos qualitativos e quantitativos; a terceira subdivisão está relacionada a fonetização
da escrita , que ao iniciar em um período silábico e chega ao nível alfabético , embora a
criança encontre na escola e na família fatores que estimulam a refletir sobre a concepção da
linguagem escrita .

No primeiro período se conseguem as duas distinções básicas que sustentarão as


construções subseqüentes: a diferenciação entre as marcas gráficas figurativas e as
não figurativas, por um lado, e a constituição da escrita como objeto substituído,
por outro. A distinção entre “desenhar” e “escrever de fundamental importância [...]
Ao desenhar se está no domínio do icônico; as formas dos grafismos importam
porque reproduzem a forma dos objetos”. Ao escrever se está fora do icônico: as
formas dos grafismos não reproduzem a forma dos objetos, nem sua ordenação
reproduz o contorno dos mesmos. [...] As crianças não empregam seus esforços
intelectuais para inventar novas letras: recebem a forma das letras da sociedade e as
adotam tal e qual. (FERREIRO, 2001, p.19,20).
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As crianças dedicam com mito esforço para compreender a construção da e


diferenciação da linguagem oral e escrita. Começam a interpretar o código lingüístico,
relacionando grafema e fonema, questionam a significação das palavras e que não podem
utilizar uma palavra. Ao estabelecer e compreender internaliza a diferenciação entre
linguagem falada e escrita.

1.3 A escrita como sistema de representação da linguagem oral

Ferreiro (2001) afirma que a escrita pode ser concebida de duas formas muito
diferentes e conforme o modo de considerá-las as conseqüências pedagógicas muda
drasticamente. A escrita pode ser analisada como uma representação da linguagem oral ou
como um código de transcrição gráfica das unidades sonoras. Nem tudo o que pronunciamos,
escrevemos em uma determinada palavra, é o caso de pronunciarmos um som e representa
com outra grafia : como exemplo , o ch ter som de x , falo chocolate ,embora exista uma
grafia a mais para o fonema.
Sendo a escrita uma representação da língua propriamente dita, seu aprendizado
consiste em um conhecimento da natureza simbólica, que representa a linguagem. Durante o
processo de transição e apropriação tanto simbólica a representação da linguagem fica afetada
pela escrita. Em estudos realizados por lingüistas e psicólogos demonstram que a
aprendizagem da língua escrita está relacionada ao reconhecimento dos morfemas que
contribui significativamente para aumentar as habilidades das crianças a distinguir as raízes
morfológicas das palavras.

Enquanto as unidades alfabéticas (vogais e consoantes) se referem às unidades dos


aspectos “não alfabéticos” presentes no texto às palavras. Assim acontece com a
utilização em branco entre as palavras para separá-las, com a maiúscula inicial,
com a pontuação ou as marcas e com a própria ortografia das palavras.
Anteriormente, vimos que a palavra gráfica se constrói à medida que se progride na
aprendizagem da escrita. Ferreiro (200) afirma que a escrita funciona como um
modelo para a análise da fala, mas também como um filtro para a percepção
(TEBEROSKY E COLOMER 2000, p. 63).
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Somente a partir da abordagem cognitivista é que pode analisar a aprendizagem de


codificar e que se faria à compreensão da escrita das palavras de sua interpretação e neste
caso as escritas do tipo alfabética e silábica, caracterizam também como sistema de
representação.
Para fazer melhor a representação da escrita é preciso saber codificar para a
construção de sistemas, a transcrição das letras do alfabeto, a sua e concebe a aprendizagem
da língua escrita como representação de um sistema, embora se a criança sabe falar
adequadamente, não se restringe que ela também possa escrever todos os termos com a
compreensão da representação da fala e da escrita. Fatores como este deve ser levado a
reflexão pelo professor alfabetizador onde irá auxiliar seu aluno a compreender, codificar e
representar a linguagem escrita.
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REFERÊNCIAS

FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. 24. ed. Atualizada – São Paulo: Cortez,
2001.

COLOMER, Tereza; TEBEROSKY, Ana. Aprender a ler e escrever: Uma proposta


construtivista, trad. Ana Maria Neto Machado – Porto Alegre: Artmed, 2003.

TEBEROSKY, Ana. Aprendendo a escrever. 3ª edição, ed. Atica, 2003.

BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e leitura. São Paulo: Cortez, 1994.