Você está na página 1de 144

MODA, ARTE E VANGUARDA

M ODA , A RTE E V ANGUARDA Por Patricia Moreno Doutora em História pela UFF

Por Patricia Moreno Doutora em História pela UFF

Mestre em História pela UFF

Esp. em Moda, Cultura de Moda e Arte Profa. de História das Artes e Estética e de História da Indumentária

PROGRAMA

1 Produções artísticas e vestíveis: interfaces

A obra de arte como “registro da roupa”

2 As Vanguardas e a Moda

A roupa como “registro da arte”

3 O Designer de moda e as artes

 2 – As Vanguardas e a Moda  A roupa como “registro da arte” 
1-P RODUÇÕES ARTÍSTICAS E VESTÍVEIS : INTERFACES A obra de arte como “registro da roupa”

1-PRODUÇÕES ARTÍSTICAS E VESTÍVEIS: INTERFACES

A obra de arte como “registro da roupa”

A NTIGO E GITO

ANTIGO EGITO

EXPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO

MANIFESTAÇÕES DO COMPORTAMENTO E DOS

HÁBITOS

E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO MANIFESTAÇÕES DO COMPORTAMENTO E DOS HÁBITOS
E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO MANIFESTAÇÕES DO COMPORTAMENTO E DOS HÁBITOS

EXPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO MANIFESTAÇÕES DOS CÓDIGOS DE VESTIR

E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO MANIFESTAÇÕES DOS CÓDIGOS DE VESTIR
E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO MANIFESTAÇÕES DOS CÓDIGOS DE VESTIR

EXPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO INDICADORES DE MUDANÇA

E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO INDICADORES DE MUDANÇA
G RÉCIA ANTIGA

GRÉCIA ANTIGA

EXPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO IDEALIZAÇÃO DE BELEZA

E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO IDEALIZAÇÃO DE BELEZA
E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO IDEALIZAÇÃO DE BELEZA
E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO IDEALIZAÇÃO DE BELEZA
R OMA I MPERIAL

ROMA IMPERIAL

EXPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO REGISTROS DE PERSONALIDADE

E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO REGISTROS DE PERSONALIDADE
P ERÍODO MEDIEVAL

PERÍODO MEDIEVAL

EXPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO REGISTRO DE FÉ

E XPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO REGISTRO DE FÉ
O G ÓTICO : SINAIS DE TRANSIÇÃO

O GÓTICO: SINAIS DE TRANSIÇÃO

Giotto – O Massacre dos inocentes

Giotto O Massacre dos inocentes

Giotto – O Massacre dos inocentes
Jan Van Eick – As bodas do casal Arnolfini

Jan Van Eick As bodas do casal Arnolfini

Jan Van Eick – As bodas do casal Arnolfini
R ENASCIMENTO E M ANEIRISMO Uma nova visualidade em relação as roupas e a moda

RENASCIMENTO E MANEIRISMO

Uma nova visualidade em relação as roupas e a moda

Jean Fouquet – A Virgem e o menino cercados de anjos (1452-1455)

Jean Fouquet A Virgem e o menino cercados de anjos (1452-1455)

Michelangelo – Lorenzo de Médici em sua tumba (1524-1534)

Michelangelo Lorenzo de Médici em sua tumba (1524-1534)

Bellini – Doge Leonardo Loredan

Bellini Doge Leonardo Loredan

Parmigianino – Madona do colo longo

Parmigianino Madona do colo longo

Parmigianino – Madona do colo longo
B ARROCO : REPRESENTAÇÕES DE INDUMENTÁRIA

BARROCO: REPRESENTAÇÕES DE INDUMENTÁRIA

Peter P. Rubens – Auto retrato com Isabella Brandt

Peter P. Rubens Auto retrato com Isabella Brandt

Peter P. Rubens – Auto retrato com Isabella Brandt
Anthony Van Dyck – Lord John e Lord Bernard Stuart (1638)

Anthony Van Dyck Lord John e Lord Bernard Stuart (1638)

Anthony Van Dyck – Lord John e Lord Bernard Stuart (1638)
Rembrandt – Saskia com chapéu vermelho (1634- 1642)

Rembrandt Saskia com chapéu vermelho (1634-

1642)

Rembrandt – Saskia com chapéu vermelho (1634- 1642)
Bernini – O Êxtase de Santa Tereza

Bernini O Êxtase de Santa Tereza

Bernini – O Êxtase de Santa Tereza
D IEGO V ELAZQUEZ – O CORTESÃO

DIEGO VELAZQUEZ O CORTESÃO

Velazquez – As meninas

Velazquez As meninas

Velazquez – As meninas
Charles Le Brun – Encontro de Luiz XIV Felipe IV Rei da Espanha

Charles Le Brun Encontro de Luiz XIV Felipe IV Rei da Espanha

O R OCOCÓ Retratos da Indumentária do século XVIII

O ROCOCÓ

Retratos da Indumentária do século XVIII

RETRATOS DE MME. POMPADOUR

R ETRATOS DE M ME . P OMPADOUR
Mme. Pompadour que consulta a Enciclopédia – Maurice Quentin de Latour

Mme. Pompadour que consulta a Enciclopédia Maurice Quentin de Latour

Mme. Pompadour que consulta a Enciclopédia – Maurice Quentin de Latour

MARIA ANTONOETA

M ARIA A NTONOETA Retrato de Maria Antonieta por Elizabeth Vigée Le Brun em 1778

Retrato de Maria Antonieta por Elizabeth Vigée Le Brun em 1778

M ARIA A NTONOETA Retrato de Maria Antonieta por Elizabeth Vigée Le Brun em 1778
Joshua Reynolds – Charles Coote, 1º conde de Bellamont (1773)

Joshua Reynolds Charles Coote, 1º conde de Bellamont (1773)

Joshua Reynolds – Charles Coote, 1º conde de Bellamont (1773)
O N EOCLÁSSICO Fim da opulência?

O NEOCLÁSSICO

Fim da opulência?

Jacques Louis David – Mme. Récamier (1800)
Jacques Louis
David – Mme.
Récamier (1800)
Consagração do Imperador Napoleão I e Coroação da Imperatriz Josefina (1806-07)
Consagração do
Imperador
Napoleão I e
Coroação da
Imperatriz
Josefina (1806-07)

Consagração do Imperador Napoleão I e Coroação da Imperatriz Josefina Detalhe

Consagração do Imperador Napoleão I e Coroação da Imperatriz Josefina Detalhe
Ingres – A banhista

Ingres A banhista

Ingres – A banhista
Ingres – A condessa de Haussonville

Ingres A condessa de Haussonville

Ingres – A condessa de Haussonville
Ingres – Mme. Moitessier (1856)

Ingres Mme. Moitessier (1856)

Ingres – Mme. Moitessier (1856)
Coubert As jovens nas margens do Sena (1856)

Coubert As jovens nas margens do Sena (1856)

Manet – O almoço sobre a relva (1863)
Manet – O almoço
sobre a relva
(1863)
Monet – mulheres no jardim (1867)

Monet mulheres no jardim (1867)

Monet – mulheres no jardim (1867)
Degas – Bailarina de quatorze anos (1879-1881)
Degas – Bailarina
de quatorze anos
(1879-1881)
2 – A S V ANGUARDAS E A M ODA A roupa como “registro da

2 AS VANGUARDAS E A MODA

A roupa como “registro da arte”

AS VANGUARDAS HISTÓRICAS

Marcadas pela rebeldia dos artistas que

subverteram as estruturas tradicionais e oficiais

da arte;

Trata-se do de um dos momentos mais ricos e intensos da História da Arte;

No ideário das vanguardas históricas, além de

uma nova arte e uma nova arquitetura, também

era necessário produzir uma nova maneira de se vestir. Todas essas questões marcavam o rompimento significativo das barreiras entre a arte e o cotidiano. Assim o traje, muitas vezes, foi objeto de reflexão e transformou-se em meio de expressão e suporte para a criação.

Assim o traje, muitas vezes, foi objeto de reflexão e transformou-se em meio de expressão e

Vários artistas na História da Arte desenvolveram (e desenvolvem!) objetos vestíveis ou até de moda ou de design.

As rupturas com a visão tradicional e clássica que as vanguardas históricas gradativamente foram conquistando permitiram o despertar para a utilização do objeto comum, de uso cotidiano, para a criação de obras artísticas.

Uma das formas de inserção da arte na moda,

que Diana Crane denomina de Artificação, ocorre

por meio das estampas e padronagens de tecidos. Exs.: Art Nouveau e Op Art.

Outra forma são os projetos e produção de

vestíveis com variadas e ousadas propostas.

E são esses os nossos objetos

Outra forma são os projetos e produção de vestíveis com variadas e ousadas propostas. E são

O ART NOUVEAU E ADJACÊNCIAS

Origem no movimento Arts & Crafts, liderado por William Morris, na Inglaterra, por volta de 1895;

Contrapunha-se ao domínio da máquina e

aspirava substituí-los por elaborações artesanais;

O Art Nouveau criou uma visualidade própria, propondo novos modelos estilísticos derivados de

abstrações, formas vegetais e animais;

Espalhou-se pela Europa e Américas com diferentes denominações: Estilo 1900 na França, Jungenstil na Alemanha, Arte Floreale na Itália, Sezessionstil (Sesseção) na Áustria.

Estilo 1900 na França, Jungenstil na Alemanha, Arte Floreale na Itália, Sezessionstil (Sesseção) na Áustria.

HENRY VAN DE VELDE (1863-1957)

Arquiteto belga, um dos maiores entusiastas da realização de vestimentas no novo estilo;

Empenhou-se na renovação do traje feminino que deveria ser libertado de amarras e espartilhos;

Desenhou alguns modelos no estilo linear do Art Nouveau, que foram executados em pequena escala;

Surgia a idéia do kunstler kleid (“vestidos artísticos”) ou ROUPAS DE ARTISTA.

executados em pequena escala;  Surgia a idéia do kunstler kleid (“vestidos artísticos”) ou ROUPAS DE
Mme. van de Velde com vestido proposto por H. van de Velde, publicado em Dekorative

Mme. van de Velde com vestido proposto por H. van de Velde, publicado em Dekorative Kunst, 1901

Mme. van de Velde com vestido proposto por H. van de Velde, publicado em Dekorative Kunst,

KLIMT E A MODA Aderiu a idéia de “roupa de artista”;

Criou vestimentas que, em compasso com as idéias de Freud, “interligam-se sonho e carnalidade”;

Artista de destaque do movimento da Secessão

(Sezessionstil), Klimt teria desenhado vestidos para a Wiener Werkstätte (oficinas vienenses, fundadas em

1903 pelo arquiteto Josef Hoffmann);

Criou, com sua companheira, a estilista Emilie Flöge, uma série de túnicas soltas ornamentadas com

contrastes de texturas.

com sua companheira, a estilista Emilie Flöge, uma série de túnicas soltas ornamentadas com contrastes de
Gustav klimt e Emile Flöge no jardim de Klimt, Viena (1905)

Gustav klimt e Emile Flöge no jardim de Klimt, Viena (1905)

Gustav klimt e Emile Flöge no jardim de Klimt, Viena (1905)
Com as suas duas irmãs, Emilie Flöge possuia em Viena a Schwestern Flöge, elegante casa

Com as suas duas irmãs, Emilie Flöge possuia em Viena a Schwestern Flöge, elegante casa de moda sintonizada com as novidades de Paris. Inaugurada em 1904, a sua decoração foi inteiramente realizada pela Wiener Werkstättle, o que por si só aponta para a ligação das modistas com as vanguardas artísticas locais, ou seja, com a Secessão vienense.

si só aponta para a ligação das modistas com as vanguardas artísticas locais, ou seja, com
Gustav Klint , Retrato de Emilie Flöge, óleo sobre tela, de 1902

Gustav Klint , Retrato de Emilie Flöge, óleo sobre tela, de 1902

Gustav Klint , Retrato de Emilie Flöge, óleo sobre tela, de 1902
Retrato de Adele Bloch Bauer (1907)

Retrato de Adele Bloch Bauer (1907)

Retrato de Adele Bloch Bauer (1907)
O tecido da blusa, intitulado Apolo, é uma criação do arquiteto, designer e urbanista Josef

O tecido da blusa, intitulado Apolo, é uma criação do arquiteto, designer e urbanista Josef Hoffmann (1870-1956), o criador do departamento de moda da Wiener Werkstätte, que foi fundada por ele e Koloman Moser em 1903.

(1870-1956), o criador do departamento de moda da Wiener Werkstätte, que foi fundada por ele e

“A decoração geométrica do floral, na delicadeza do jogo

bicromático preto e branco, torna-se mais impactante quando quebrada pela vivacidade das variantes tonais laranja e amarelo. Não só suporte da roupa, o tecido é uma materialidade topológica de formas e cores, que, em si mesma, significa e, na e pela interação da figuratividade do floral com

os demais elementos da composição, informa outros de seus

sentidos. É no seio desse tratamento refinado da materialidade das fibras, das formas, texturas, cromatismos e topologia, constitutivos dos tecidos que se origina esse vestimenta blusa de 1911, também da Wiener Werkstätte. A moda aparecia

como um dos modos de harmonização dos que a vestem com a construção e decoração dos ambientes secessionistas, possibilitando-lhes neles estar com estilo. (Oliveira, A. o

Expressionismo como modo de vida e moda)

secessionistas, possibilitando-lhes neles estar com estilo. (Oliveira, A. o Expressionismo como modo de vida e moda)

O ORFISMO DE SONIA DELAUNAY

O movimento artistico denominado de Orfismo, surgido na década de 1910, trabalhava as formas e imagens abstratas a fim de provocar a simulação de movimento.

surgido na década de 1910, trabalhava as formas e imagens abstratas a fim de provocar a

Delaunay associou a vanguarda da arte à vida cotidiana, desenvolvendo objetos de uso a partir da visão política e artística dos movimentos e correntes aos quais pertenciam.

Abandonou a representação pictórica naturalista e ousou ao utilizar como suporte materiais têxteis (roupas com caráter experimantal, tecidos para fabricantes de seda de Lyon, figurinos), trabalhos

decorativos e ilustração de livros.

experimantal, tecidos para fabricantes de seda de Lyon, figurinos), trabalhos decorativos e ilustração de livros.

SONIA DELAUNAY NO ATELIE

S ONIA D ELAUNAY NO A TELIE Obteve sucesso com seus “vestidos simultaneos” Considerava os trajes

Obteve sucesso com seus

“vestidos

simultaneos”

Considerava os trajes que criava de “pinturas vivas”,

expressando,

assim, seu empenho na projeção de formas, cores e texturas amplificadas e

transformadas

pelos movimentos do corpo.

assim, seu empenho na projeção de formas, cores e texturas amplificadas e transformadas pelos movimentos do
Beachweare, 1928 C ASACO PARA GLORIA S WANSON

Beachweare, 1928

CASACO PARA GLORIA SWANSON

Beachweare, 1928 C ASACO PARA GLORIA S WANSON
Cobertor em Pachwork

Cobertor em

Pachwork

Cobertor em Pachwork
Figurino para Cleópatra

Figurino para

Cleópatra

Figurino para Cleópatra
A Espiral, estudo de fantasia para o carnaval do RJ 1928

A Espiral, estudo de

fantasia

para o carnaval do RJ 1928

A Espiral, estudo de fantasia para o carnaval do RJ 1928

O FUTURISMO

Em 1909 Marinetti lançou em Paris um manifesto sobre a poesia futurista;

Os Futuristas queriam introduzir na arte o ritmo e a dinâmica industrial em sintonia com a nova realidade do século

XX;

Introduziram a idéia de que espaço, tempo, ação e corpo também constituem material de arte;

do século XX;  Introduziram a idéia de que espaço, tempo, ação e corpo também constituem

Giacomo Balla

Giacomo Balla Assim, representam a trepidação da vida urbana, o trabalho moderno e o dinamismo das

Assim, representam a trepidação da vida urbana, o trabalho moderno e o dinamismo das máquinas.

vida urbana, o trabalho moderno e o dinamismo das máquinas. Speeding Automobile, 1912. Oil on wood,

Speeding Automobile, 1912. Oil on wood, 21 7/8 x 27 1/8" (55.6 x 68.9 cm).

Giacomo Balla A composição sem limite integra o espectador Speed of a Motorcycle, 1913 Oil
Giacomo Balla
A composição sem limite integra o espectador
Speed of a Motorcycle, 1913
Oil on Canvas
Giacomo Balla www.mishabittleston.com/artists/giacomo_balla/ Formas planas e sintéticas se sobrepõem umas às outras
Giacomo Balla
www.mishabittleston.com/artists/giacomo_balla/
Formas planas e sintéticas se sobrepõem umas às
outras
Pessimismo e Optimismo, 1923
Oil on Canvas

GIACOMO BALLA E O TRAJE

Escreveu

texto

intitulado “Manifesto Futurista do

traje masculino”;

1913

em

um

“É preciso destruir o terno passadista

epidérmico descorado fúnebre decadente tedioso anti higiênico”

1913 em um “É preciso destruir o terno passadista epidérmico descorado fúnebre decadente tedioso anti higiênico”

Balla afirmava que pensamos e agimos como nos vestimos e, portanto, as roupas deveriam ser

alteradas de acordo com o estado de espírito de

quem as usava, por meio de “modificadores”.

as roupas deveriam ser alteradas de acordo com o estado de espírito de quem as usava,
Manifesto Futurista do traje masculino – Milão 1914 1ª versão publicada em francês
Manifesto
Futurista do traje
masculino – Milão
1914
1ª versão
publicada em
francês

A questão do vestuário deveria ser trabalhada para romper com o “traje passadista”.

Traduzindo conceitos desenvolvidos na pintura e escultura como linha-velocidade, formas-barulho, ritmos cromáticos, simultaneidade e interpenetração

de planos os futuristas criaram todo um guardarroupa

baseado em uma técnica inédita de corte de tecidos, uso da assimetria e justaposição de formas dinâmicas em variadíssimos modelos.

técnica inédita de corte de tecidos, uso da assimetria e justaposição de formas dinâmicas em variadíssimos

Giacomo

Balla

Estudo de

terno de

homem,

para

manhã

(1914)

Giacomo Balla Estudo de terno de homem, para manhã (1914)
Giacomo Balla – Estudo de terno masculino para noite (1914))

Giacomo

Balla

Estudo de

terno

masculino

para noite

(1914))

Giacomo Balla – Estudo de terno masculino para noite (1914))

SAPATOS DE HOMEM BICOLORES (1916)

SAPATOS DE HOMEM BICOLORES (1916)
Giacomo Balla -Estudo para bolsa (1916)

Giacomo Balla -Estudo para bolsa

(1916)

Giacomo Balla -Estudo para bolsa (1916)
Giacomo Balla, Terno para ser vestido em casa com Assemblage de tecido - 1925

Giacomo Balla, Terno

para ser

vestido em casa com Assemblage

de tecido -

1925

Giacomo Balla, Terno para ser vestido em casa com Assemblage de tecido - 1925
Giacomo Balla – Estudo de blusa 1930

Giacomo

Balla

Estudo de

blusa 1930

Giacomo Balla – Estudo de blusa 1930

Muitos artistas futuristas dedicaram-se à criação de figurinos para teatro e alguns fundaram a

Casa d’ Arte, onde realizavam objetos e projetos

de decoração e roupas, dentro da visualidade futurista.

Thayaht criou Tuta, um macacão para todas as

ocasiões, “prático, higiênico, fácil de fazer e

realmente sintético-revolucionário”.

Em 1920, Volt declarou declarou no Manifesto da moda Feminina Futurista que “a senhora

elegante será transformada por nós em um

verdadeiro complexo plástico vivo”.

Feminina Futurista que “a senhora elegante será transformada por nós em um verdadeiro complexo plástico vivo
Giacomo Balla - Estudo de traje feminino (1928- 1929)

Giacomo

Balla -

Estudo de

traje

feminino

(1928-

1929)

Giacomo Balla - Estudo de traje feminino (1928- 1929)
Ernesto Thayaht - Estudo de “Tuta” para homens e rapazes (1919-20)

Ernesto

Thayaht -

Estudo de

“Tuta” para homens e rapazes

(1919-20)

Ernesto Thayaht - Estudo de “Tuta” para homens e rapazes (1919-20)

Tais criações normalmente eram paralelas às

reflexões teóricas publicadas em forma de manifesto como: Manifesto pela transformação do traje masculino (1932), Manifesto Futurista do

Chapéu Italiano e Manifesto Futurista da

Gravata italiana (a anti-gravata) (1933).

O Futurismo teve uma produção visual significativa, mas sua maior importância talvez resida nas possibilidades que abriu para as

manifestações de arte-ação das vanguardas.

No campo do vestuário demonstraram um experimentalismo inédito e introduziram as roupas desportivas e os nossos atuais agasalhos

de moletom e malha.

Sua importância, porém, foi reduzida no período entre Guerras devido ao posicionamento político de alguns dos principais artistas do movimento.

foi reduzida no período entre Guerras devido ao posicionamento político de alguns dos principais artistas do

SUPREMATISMO E CONSTRUTIVISMO RUSSOS

Na chamada vertente racional das vanguardas, desenvolveram-se o Suprematismo e Construtivismo

russos, nos quais as obras de Kazimir Malevich e

Vladimir Tátlin são, respectivamente, as principais

referências;

Assim como os futuristas, mas seguindo na direção do construtivismo, os russos estavam comprometidos com a grande utopia de colocar a arte como elemento estrutural na construção de uma nova sociedade;

comprometidos com a grande utopia de colocar a arte como elemento estrutural na construção de uma
Malevich – Figurino para ópera futurista “ Vitória sobre o sol” (1913)
Malevich – Figurino para ópera futurista “ Vitória sobre o sol” (1913)

Malevich – Figurino para ópera futurista “ Vitória sobre o sol” (1913)

Kazimir Malevich

Kazimir Malevich Suprematismo Black square and Red Square , 1915 Oil on canvas 28 x 17

Suprematismo

Black square and Red Square, 1915

Oil on canvas 28 x 17 1/2 in. (71.4 x 44.4 cm.) The Museum of Modern Art, New York

Black square and Red Square , 1915 Oil on canvas 28 x 17 1/2 in. (71.4
Kazimir Malevich – Projeto de traje Suprematista (1923)

Kazimir

Malevich

Projeto de traje Suprematista

(1923)

Kazimir Malevich – Projeto de traje Suprematista (1923)

Kazimir Malevich

Suprematismo

Kazimir Malevich Suprematismo Suprematismo: Auto retrato em duas dimensões , 1915 Oil on canvas 31 1/2

Suprematismo: Auto retrato em duas dimensões, 1915 Oil on canvas 31 1/2 x 24 3/8 in. (80 x 62 cm.) Stedelijk Museum, Amsterdam

Auto retrato em duas dimensões , 1915 Oil on canvas 31 1/2 x 24 3/8 in.

O CONSTRUTIVISMO RUSSO

O construtivismo foi uma expressão com ideologias marxistas e estava intimamente ligado

a um organismo comunista revolucionário.

Em seu âmago, o construtivismo tinha a convicção de que o artista podia contribuir para suprir as necessidades físicas e intelectuais da

sociedade como um todo, relacionando-se

diretamente com a produção de máquinas, com a engenharia arquitetônica e com os meios gráficos e fotográficos de comunicação.

Não buscavam uma arte política, mas sim a

socialização da arte. Portanto, os trabalhos artísticos deveriam ser funcionais e informativos.

política, mas sim a socialização da arte. Portanto, os trabalhos artísticos deveriam ser funcionais e informativos.

O CONSTRUTIVISMO DE VARVARA STEPANOVA

Stepanova desenvolveu trajes cujo objetivo maior seria a praticidade.

Para o construtivismo a pintura e a escultura são pensadas como construções - e não como representações. Dessa forma, as representações

gráficas e a modelagem dos vestíves de

Stepanova priorizam a geometrização e o utilitarismo.

as representações gráficas e a modelagem dos vestíves de Stepanova priorizam a geometrização e o utilitarismo.
“Roupa de produção” de Varvara Stepanova e, ao lado, seu companheiro, o artista Aleksandr Rodchenko,
“Roupa de produção” de Varvara
Stepanova e, ao lado, seu companheiro, o
artista Aleksandr Rodchenko, usando o
protótipo da roupa.

O DADAÍSMO

Iniciou-se em Zurique, em 1916, liderado pelo romeno Tristan tzara;

O Dadaísmo tem ligações com a face „irracionalista‟ das vanguardas;

Tzara acreditava que a escolha da vestimenta de uma

mulher era reveladora de seus desejos e medos

inconscientes.

Com Sonia Delunay-Terk criou vestidos- poemas em

1921;

mulher era reveladora de seus desejos e medos inconscientes.  Com Sonia Delunay-Terk criou vestidos- poemas
 Duchamp se travestiu para criar seus alter egos: Belle Haleine e Rrose Sélavy, mulheres

Duchamp se travestiu para

criar seus alter egos: Belle Haleine e Rrose Sélavy, mulheres criadas com a

intenção de subverter e ridicularizar a cultura e a hipocrisia dos comportamentos convencionais;

Entretanto, diferentemente

do futuristas os integrantes

do Dada não se interessaram diretamente pelo tema do vestuário. A exceção da Baronesa Elsa von Freytag-loringhoven

do Dada não se interessaram diretamente pelo tema do vestuário. A exceção da Baronesa Elsa von
Baronesa Elsa von Freytag- loringhoven, excessão que realmente “se vestiu de Dada “

Baronesa Elsa von

Freytag-

loringhoven, excessão que realmente “se vestiu de Dada “

Baronesa Elsa von Freytag- loringhoven, excessão que realmente “se vestiu de Dada “

SURREALISMO: CORPO E ROUPA

O Surrealismo surgiu no interior do Dada, liderado

pelo escritor André Breton, que em 1924, lançou o

manifesto surrealista;

Princípio máximo: buscar a expressão do

funcionamento da mente, sem a interferência da razão;

Muitos surrealistas traduziram esses “postulados” por meio do vestuário, pintando ou desenhando trajes,

criando jóias, acessórios e estamparias;

esses “postulados” por meio do vestuário, pintando ou desenhando trajes, criando jóias, acessórios e estamparias;
Salvador Dali - Paletó de Smoking afrodisíaco (1936)

Salvador Dali -

Paletó de Smoking

afrodisíaco (1936)

Salvador Dali - Paletó de Smoking afrodisíaco (1936)
Salvador Dali – Costume do ano 2045 (1949-50) Masp

Salvador Dali Costume do ano 2045 (1949-50) Masp

Salvador Dali – Costume do ano 2045 (1949-50) Masp
Dali confeccionou inúmeras jóias inspiradas em temas surrealistas .

Dali confeccionou inúmeras jóias inspiradas em temas surrealistas.

Dali confeccionou inúmeras jóias inspiradas em temas surrealistas .
No fim dos anos 1960, Dali cria um alfabeto que simboliza a linguagem que pertencia
No fim dos anos 1960, Dali cria um alfabeto que simboliza a linguagem que pertencia
No fim dos anos 1960, Dali cria um alfabeto que simboliza a linguagem que pertencia
No fim dos anos 1960, Dali cria um alfabeto que simboliza a linguagem que pertencia

No fim dos anos 1960, Dali cria um alfabeto que simboliza a linguagem que pertencia a ele e sua esposa Gala e a ele dá o nome de Dalígramas

Em 1970, sob a inspiração dessa paixão entre o casal, a Lancel lançou uma coleção

Em 1970, sob

a inspiração

dessa paixão entre o casal, a Lancel lançou uma coleção de

bolsas cujo

couro é estampado com as letras simbólicas imaginadas

por Dalí.

Ao lado a bolsa Dalidol, de 1970.

de bolsas cujo couro é estampado com as letras simbólicas imaginadas por Dalí. Ao lado a

Quem for a Paris até o dia 20 de

setembro pode conferir a exposição que

a marca de acessórios de luxo Lancel

realiza em homenagem a Salvador Dalí e

sua eterna musa Gala. Daligramme Collection l´Art, l´Armour, la Mode é o título da mostra consagrada ao casal e que traz para os domínio da Galeria Lafayette (mais precisamente para a

cúpula do magazine parisiense, onde fica

a Galerie des Galeries) modelos criados pelo gênio das artes para a grife.

a cúpula do magazine parisiense, onde fica a Galerie des Galeries ) modelos criados pelo gênio

Salvador Dali

Salvador Dali Objeto surrealista de funcionamiento simbólico, 1931 (reconstruido en 1974) Assemblage. 48 x 24 x

Objeto surrealista de funcionamiento simbólico, 1931 (reconstruido en 1974) Assemblage. 48 x 24 x 14 cm Fundación Gala-Dalí, Figueres

de funcionamiento simbólico, 1931 (reconstruido en 1974) Assemblage. 48 x 24 x 14 cm Fundación Gala-Dalí,
Rene Magritte – Filosofia no Boudoir (1948)

Rene Magritte Filosofia no Boudoir (1948)

Rene Magritte – Filosofia no Boudoir (1948)

Rene Magritte Mme Recamier

Rene Magritte – Mme Recamier

MODA E SURREALISMO

“O Surrealismo, revitalizará a moda com as fotografias de Man Ray e as criações de

Schiaparelli. (MULLER, 2000, p.9 )“ Ver:

http://youtu.be/0CH5zg6KXN0

com as fotografias de Man Ray e as criações de Schiaparelli. (MULLER, 2000, p.9 )“ Ver:

Após o predomínio do Surrealismo os movimentos ligados à abstração passaram a dominar a cena da

vanguarda artística internacional.

Abaixo, numa “perspectiva” Duchampiana, a Brillo Box de Andy Wahrol e ao lado,

também de Wahrol, Brillo e Fragile.

Abaixo, numa “perspectiva” Duchampiana, a Brillo Box de Andy Wahrol e ao lado, também de Wahrol,

Mas a “roupa de artista” continua a ser objeto de

reflexão, hoje muito mais como uma área de experimentação para os

artistas.

reflexão, hoje muito mais como uma área de experimentação para os artistas. Joseph Beys – Terno

Joseph Beys Terno de feltro (1970)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

COSTA, Cacilda Teixeira. Roupa de Artista: o vestuário na obra de arte. SP: EDUSP/Imprensa Oficial do Estado de SP,

2009.

CRANE, Diana. Ensaios sobre moda, arte e globalização

cultural. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2011.

GRANDI, Silvia. Arte e moda; uma relação em evolução. In:

Sorcinelli, Paolo (Org.). Estudar a moda: Corpos, vestuário, estratégias. SP: Ed. SENAC São Paulo, 2008.

MOURA, Mônica. A moda entre a arte e o design. In:

PIRES, Dorotéia Baduy (Org.). Design de moda: olhares

diversos. Barueri/SP: Estação das Letras e Cores Ed., 2008.

SUBIRATS, Eduardo. Un comentario sobre el concepto de vanguardia. Arquitextos, São Paulo, 09.105, Vitruvius, fev

2009.<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitexto

s/09.105/72/pt>.

, São Paulo, 09.105, Vitruvius, fev 2009.<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitexto s/09.105/72/pt>.
M ODA , A RTE E VANGUARDAS NO B RASIL Uma introdução

MODA, ARTE E VANGUARDAS NO BRASIL

Uma introdução