Crise hídrica de São Paulo passa pelo agronegócio, desperdício e privatização da água

ESCRITO POR GABRIEL BRITO E PAULO SILVA JUNIOR, DA REDAÇÃO
SEGUNDA, 10 DE NOVEMBRO DE 2014
Para muitos, o racionamento de água em São Paulo já é uma realidade líquida e certa. Resta saber até quando
políticos ganharão tempo para escondê-la ou se a população agirá, a ponto de, quem sabe, se repetirem as
chamadas ‘guerras da água’, já vistas em locais onde os serviços hídricos e sanitários foram privatizados. De toda
forma, o assunto não é passageiro e exige toda uma reflexão a respeito dos atuais modelos de vida e economia.
(...)
A entrevista completa com Marzeni Pereira, realizada nos estúdios da webrádio Central3, pode ser lida a seguir.
Correio da Cidadania: Qual o resumo que você faz, num breve histórico, das origens e razões da crise da
água no estado de São Paulo?
Marzeni Pereira: Podemos dizer que o histórico da crise de água em São Paulo tem bastante tempo. Em 2003, por
exemplo, o sistema Cantareira chegou próximo de zero, com menos de 5% de sua capacidade de armazenamento e
todo o sistema de saneamento quase entrou em colapso. Houve um princípio de racionamento, com a Operação
Pajé (na qual se bombardeavam nuvens e se pulverizava sua água).
Nesse período, foi elaborado um plano para que o saneamento de São Paulo dependesse menos do Cantareira, ao
ser assinada uma outorga com vistas a reduzir a dependência do reservatório – o que mais abastece a capital e a
região metropolitana. De lá pra cá, a ideia era reduzir perdas, aumentar o reuso e encontrar novas formas de
abastecimento, por outros mananciais. Isso não aconteceu.
Em 2004 e 2005, houve uma recuperação da reservação de água; em 2009, houve um pico, com quase 100% das
represas cheias. Em 2009, houve um período de enchentes, como a do Jardim Pantanal (zona leste); e em 2011,
teve a enchente de Franco da Rocha, por conta da abertura da represa Paiva Castro. Mas, de toda forma, não
houve redução da participação do sistema Cantareira. As perdas caíram, mas não o suficiente para suprir a
demanda, que cresceu. Não houve, portanto, contrapartida suficiente na disponibilidade de água. Esse é o principal
problema.
Outro ponto é que tivemos, recentemente, em 2013 e 2014, uma estiagem bastante forte, apesar de curta,
comparando com outras regiões do Brasil, com 5 ou 10 anos de estiagem. Aqui são menos de dois anos, de modo
que não era pra estarmos na atual situação.
Neste ano, também teve outro problema: com eleições e Copa do Mundo, havia a necessidade de o governo manter
sua imagem em alta. Por isso, não se tomaram medidas para reduzir o consumo de água a partir de janeiro e
fevereiro de 2014.
(...)
Correio da Cidadania: Como dimensiona a crise da água no país como um todo, em si e relativamente a São
Paulo? Em que medida a destruição dos biomas do Cerrado e amazônico explicam a grave situação que
vivemos?
Marzeni Pereira: A estiagem em São Paulo, com certeza, tem relação com o desmatamento da Amazônia e do
Cerrado. Obviamente, sempre que há desmatamento se reduz a evaporação de água pela evapotranspiração das
árvores. O Cerrado brasileiro sofreu muito com a devastação promovida pelo agronegócio.
Para se ter ideia, no ano passado, em torno somente de quatro produtos (soja, carne, milho e café), o Brasil
exportou cerca de 200 bilhões de metros cúbicos de água. Não produziu, apenas exportou, ‘água virtual’, como se
diz. Tal número significa abastecer São Paulo por quase 100 anos, apenas com a quantidade de água gasta por
esses quatro produtos.
Outro problema é que houve redução da quantidade de água superficial. À medida que há uma degradação, tanto
pela remoção da vegetação como pela irrigação intensiva de larga escala, reduzem-se os afluentes dos grandes
rios, como os amazônicos e o São Francisco, que já está sofrendo muito com a redução da água.

tudo se resolve. foi reduzida. mesmo que chova. o que mostra como não se deu importância a eles. o que pensa que poderiam ser soluções tanto a curto. Com casa garantida. industriais. Mas. através de negociações sérias. Se chover. com menos condição de comprar caixa d’água. e reduzisse ao menos 10% do consumo. teremos que tomá-las).) Correio da Cidadania: Finalmente. laranja etc. no Brasil. mas o próprio saneamento.com. Quanto à população de baixa renda.br/index.correiocidadania. pelas residências. tem que se saber como aqueles que não têm caixa poderão armazená-la. Isso equivale ao novo sistema que a Sabesp constrói agora. Não pode ser como hoje. usando tal água em atividades. ou seja..php? option=com_content&view=article&id=10233%3Amanchete101114&catid=72%3Aimagens-rolantes . Em primeiro lugar. com empresários controlando por dentro. Há uma série de ações possíveis no médio e curto prazo. pois provoca o assoreamento e um secamento mais rápido. que vêm do Norte do Brasil e precisam da continuidade da vegetação. pela indústria e 8%. ou se mudar. Outro ponto é em relação ao emprego. Se a população fizesse isso. 70% da água é consumida pela agricultura.. (. Recuperar mananciais é outro ponto importante. dada a gravidade da situação. pode ser uma catástrofe. seria necessário o governo distribuir tais caixas. É preciso coletar e tratar mais esgoto. Precisa reduzir o consumo residencial e industrial. Se não chover. temos de tomar algumas medidas (na verdade. racionamento ou as duas coisas juntas. 22%. caso contrário. http://www. Mas têm de ser feitas em diálogos com a população. A redução das matas ciliares dos rios que abastecem as represas é outro fator. Mas a estatização não pode ficar na mão do governo. A redução dessa vegetação também tem influência. Se não tiver política de estabilidade no emprego. A atuação do agronegócio. além de esclarecer se precisamos fazer rodízio. Torcemos pra isso. Além de uma comissão e investigação populares. ao menos temporariamente. que custará 2 bilhões de reais. é preciso reeducar a população a reduzir o consumo. pois quando se fala em redução de consumo parece que só a população consome. Se isso não for feito. porque muita gente vai usar água de mina se precisar. muitas empresas vão fechar. quem mais desmata no Brasil. teve influência em São Paulo. Não tem sentido um serviço tão importante quanto esse na mão de quem quer lucro. pois há uma série de usos possíveis com a água de esgoto. o São Lourenço. A região metropolitana de São Paulo não tem muito peso da agricultura. que apurem responsabilidades. como hospitais. Em caso de falta de água generalizada e uso de carros-pipa. E quando se fala em redução de consumo. teríamos cerca de 5 metros cúbicos por segundo de economia de água. Precisa também de uma forte redução de perdas. Também se deve incentivar uso de água de chuva e reuso. a população vai sofrer. se não os interesses pelo lucro vão falar mais alto. Mas não é só isso. As empresas também. Finalmente. Se de fato se concretizar a previsão. o governo e a Sabesp têm de falar mais claramente à população de como a situação é grave. escolas. mas tem da indústria. Pessoas que moram em áreas de mananciais precisam sair de lá. Há a necessidade de definir as atividades humanas básicas que terão suprimento de água garantido. claro. Praticamente toda a vegetação de tal região foi removida. eucalipto. o que traz risco de contaminação. Precisa de uma orientação sem meio termo para a população. ao invés de serem retiradas como lixo. Pouco se fala em coletar água de chuva. de fato. principalmente. mas não dos 92%. com plano habitacional. só se fala dos 8%. mantida através dos chamados “rios voadores”. é necessário estatizar o saneamento – não a Sabesp. distribuir filtros de hipoclorito. Teve também o desmatamento de todo o centro-oeste do estado de São Paulo. se ocorrer falta de água generalizada em 2015. as consequências futuras podem ser mais graves. como a médio e longo prazos? Marzeni Pereira: A principal solução é chover. para plantios de cana.A umidade atmosférica. O Rodoanel passou pelos mananciais. creches. É preciso controle dos trabalhadores.

O problema é grave também em outras áreas. as barragens subterrâneas – e não com transposição de água. A Floresta Amazônica. Mas é preciso deixar de lado velhas crenças de que a natureza. Minas Gerais e no Cerrado. 30/9). por se tratar de pequenas intervenções ao longo de toda a cidade.Paulo. O correto são programas de convivência. . do Centro do País e do Sul podem estar caminhando “para a desertificação”. respondeu de pronto: “Tentar combater a seca no Nordeste é o mesmo que tentar impedir a neve na Sibéria”. já secretário-geral da Convenção da Biodiversidade da ONU. E faz lembrar o então ministro Celso Furtado quando dizia que a ocupação da faixa litorânea do Nordeste pela cana-de-açúcar deslocara a maior parte da população para as regiões mais áridas e impróprias para a agricultura. por exemplo. Gravidade do problema.. Faz lembrar também o escritor Ariano Suassuna. Dias. Mesmo em São Paulo. Sem repressão implacável a queimadas ali e no Cerrado. que não as querem nas redes. E é preciso partir imediatamente. 90% da água da água se evapora sem se infiltrar no solo impermeabilizado. só de 1970 para cá perdeu 600 mil quilômetros quadrados de mata (já há cálculos de que. Minas e Cerrado atingidos. na Serra da Canastra (MG). Será preciso muito mais. 9/6). em todo o país. segundo aFolha de S. na Envolverde/IPS É preocupante que a maior parte das discussões sobre a crise no abastecimento de água em várias regiões do País continue a admitir – explícita ou implicitamente – que a solução virá. que parte do Sudeste brasileiro. que o problema já estava presente no Verde Grande e outros afluentes do São Francisco. que as reduziu para pouco mais de 25%. em país com imensas reservas d’água. Mais alguns anos à frente. que impedem a infiltração da água. Onde as novas áreas de pastagens respondem por 46% da área desmatada.Paulo. Vai-se de susto em São Paulo. como “cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Instituto de Pesquisas da Amazônia alertam há uma década”. neste fim de ano. que já é de moderado a altamente preocupante em 33% das terras. que ao ser perguntado por este escriba sobre o que achava dos programas de combate à seca no Nordeste. e não de obras milionárias (como as de transposição ou de captação de água a grandes distâncias). Mas é preciso querer buscar caminhos adequados – que precisam ser o foco das discussões no segundo turno da votação. Observa o jornalista científico Julio Ottoboni (Eco21.. Com isso o fluxo para o Sul de nuvens de ar úmido que dali provinham vem sendo bloqueado progressivamente. E não se recomporá apenas de um ano para outro. apenas com a “normalização” do regime de chuvas. para quem “a chegada de novas chuvas não garante. segundo o Inpe e Embrapa (Valor. exige rever por completo politica para rios e florestas Por Washington Novaes. nada menos que 60% do carbono armazenado nos solos se perdeu. sozinha. No nosso continente a degradação já está presente em 25% dos solos. Ao que parece. a nascente do Rio São Francisco. Então. de gado bovino e bodes). em alguns lugares o estoque se esgotou. estaduais e municipais de combate drástico ao desmatamento (o desmatamento recente na Amazônia voltou a crescer). em documentário para a TV Cultura. no total. com o desmatamento no Cerrado. desmatamento para a agricultura e pecuária e outras atividades. a perda média é de 40%. professor Bráulio S. tudo fará. No Semiárido brasileiro – “o mais chuvoso do mundo”. a infiltração da água no solo e tampouco a volta da normalidade nas nascentes” (remabrasil. do professor João Suassuna. em absoluto. da Fundação Joaquim Nabuco (Recife). o então diretor de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. esquecendo-se as situações mencionadas neste artigo e outras. Há quase uma década o autor destas linhas registrava. dizia que uma avaliação no subsolo do Cerrado – que verte água para as três maiores bacias brasileiras – mostrava um estoque suficiente para sete anos. sejam 750 mil quilômetros quadrados . onde está um quarto da biodiversidade e parcela importante da água. e num prazo curto – basta que retornem as chuvas. (. Pela primeira vez na história. em pequena escala. desde o século 19. segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). segundo João Suassuna -. Não se avançará sem programas federais. não faz sentido admitir um futuro muito sombrio se é possível eliminar essa perda – desde que se impeça a influência das grandes empreiteiras de obras. Como as cisternas de placa. com mudanças no uso da terra. onde no período janeiro/julho último foram quase 20 mil. agosto de 2014). É a tese. lembra ele. principalmente em São Paulo. com a situação atual agravada pela seca relacionada com a devastação da Floresta Amazônica e sua influência nos regimes do clima mais a sul. com o desmatamento (mais de 50% do Cerrado) e a impermeabilização do solo.700 quilômetros. No País. Também a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) vem alertando (24/7) para a necessidade premente de deter o processo de degradação do solo. explicou. O Brasil tem jeito. para fortes programas de redução de perdas nas redes de distribuição de água.) Soluções há. pode-se acrescentar. com água escassa (daí a criação. 22/9). retrato de um divórcio com a natureza – 15 DE OUTUBRO DE 2014 Além de S. não se avançará sem forte apoio à substituição da lenha na matriz energética do Semiárido (30% do total). está “completamente seca” – e o rio também quase não recebe mais. água de seus tributários que nascem no Cerrado ou nele estão. e mais especialmente no caso paulista. ao longo de seus 2. o professor Bráulio mostrava sua preocupação com a queda do estoque para um fluxo de apenas três anos.Crise hídrica.

Em interface com a atmosfera. Enquanto isso. sequestra carbono e abriga 25% da biodiversidade”. O professor Pedro Luiz Cortês. a hidrosfera. assim como outros sistemas de abastecimento. É o que diz um trabalho divulgado pela The Nature Conservancy sobre o problema da falta de água nas grandes cidades. A região dos mananciais já perdeu 70% da mata nativa para a pecuária e agricultura. mas também de esgoto e lixo de todo tipo.4 mil hectares que formam os sistemas Cantareira. Os números levantados pela organização não governamental SOS Mata Atlântica são piores – só restam 488km2. coordenador do Movimento Água para São Paulo. sobre as perspectivas de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo. que tudo ainda depende da decisão técnica do governador paulista. de solo perdido. No início de dezembro passado ocorreu um encontro na Faculdade de Economia. o país será usado como exemplo do que pode ocorrer na maior metrópole. agora do professor Reginaldo Berto. milhões ficarão sem água. sem mato para proteção. de outra esfera. O Sistema Cantareira. como se fosse ideia de comunista. disse: “Temos um sistema cada vez mais suscetível a eventos climáticos. que alimentam os reservatórios. Outro comentário.3 mil hectares dos 493. começou a entrar em colapso ao longo dos últimos anos. Alto Tietê.http://outraspalavras. que o país. http://outraspalavras. que tem água doce em grande quantidade. Ocorre que o mundo atual é urbano. O governo deveria vir a público apresentar os cenários com os quais está trabalhando”. eletrônico e não comporta espaço nem discussão sobre assuntos considerados rurais. justamente quando o assunto solo poderá ganhar as páginas da mídia ordinária. A erosão na China já consumiu 19% da área agrícola e os números apontam para descarga de terra superior no rio Yang-Tsé. a falta de água nas torneiras paulistas. o maior da Ásia.9 mil toneladas de sedimentos que são jogados nos cursos d’água. de repente. que fede com os excrementos de milhões de pessoas. como explica Samuel Barreto. coordenador do encontro. onde o tratamento de esgoto ainda não é considerado uma prioridade. Desde 2012 sabíamos que entraríamos num regime de falta de chuvas. dando uma falsa impressão à população de que as coisas estão melhorando. além de combater a noção que vivemos mudanças climáticas. Detonaram o mato dos mananciais Se 14. Nenhum país consegue desenvolver-se plenamente sem acesso a esse recurso natural e as suas riquezas são incalculáveis. isso diminuiria em 568. do Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas. assoreando o leito e diminuindo a vida útil dos reservatórios”. E. A não ser quando da realidade bate a porta e começa a sumir a água das torneiras e. “. O Centro de Desastres Climáticos. protege contra enchentes. estoca a água e recicla nutrientes. Seus afluentes. do INPE calculou as estimativas de chuvas até abril – mesmo com fevereiro acima da média-. juntamente com seus nutrientes e dos fertilizantes químicos. a mídia ordinária faz uma contagem regressiva ao contrário. Tudo em nome do progresso e da modernidade. 21. da Uninove.5%. superior as dos rios Nilo e Amazonas juntos – três bilhões de toneladas ao ano. as cidades inflam. ao se fazer uma pesquisa sobre assoreamento de rios e represas no país. córregos e nascentes foram detonados. como secas prolongadas. ou seja. Não se trata de uma novidade brasileira. os rios são empanturrados não somente de terra.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/crise-hidrica-retrato-de-um-divorcio-com-a-natureza/ Mundo urbano não discute o rural Um texto sobre outra conferência – em Brasília. dará um exemplo ao contrário ao mundo. O tempo passa. por essa e outras. além do que a SABESP retira do sistema Cantareira. O solo exposto. É uma situação vergonhosa o que acontece no Brasil. entre os dias 25 a 27 de março — cita alguns argumentos sobre a importância do solo: “Os solos constituem insumo fundamental para o desenvolvimento humano. Sem exceções.A sedimentação tem impacto direto na quantidade e na qualidade da água dos mananciais. como acontecerá em 2015 em São Paulo. mesmo com verbas federais autorizadas. digital. todos os principais rios brasileiros estão assoreados e entupidos de esgoto e lixo. da USP: “É preciso se preparar para o colapso do sistema público de abastecimento a partir de abril de 2015”. além de sofrer erosão e não absorver a água das chuvas provoca o escoamento da terra para os corpos d’água. Hoje. O conto do vigário de políticos sem compromisso com a população não combina com obras que ficam embaixo da terra. Administração e Contabilidade da USP. E a previsão é que o sistema seca em julho. Colapso do sistema público de água Em 2015. do campo.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/desertificacao-mais-uma-crise-omitida-pelos-jornais/ . a biosfera e a litosfera o solo é responsável pelos principais processos biogeoquímicos que garantem a vida na Terra. Claro. o resultado é revoltante. Isso ocorre porque não há cobertura vegetal ao redor dos rios e das represas. além do consumo cada vez mais intenso. A essência do problema é que a classe política conservadora não considera o ambiente como parte da vida e do suporte da vida. Guarapiranga e Rio Grande fossem reflorestados com mato nativo.

é de que a população se conscientize de qual produto consumir. afirma o coordenador da The Nature Conservancy. explica. Hoje. do The Nature Conservancy. Para ele. a “pegada hídrica” no campo é tema de uma apresentação no Museu Oscar Niemeyer. Este aumento poderá refletir em um incremento de 19% na água utilizada pelo setor agrícola. hoje. Segundo dados da FAO. adutor estourado e até ‘gatos’ na ligação da água contribuem para isso”. a CNA está buscando parcerias para aplicar a “pegada” em todo o território nacional. Em países como a Holanda. essa ferramenta já é utilizada desde 2003. “Faltam estudos e testes para quantificar quanto de água é necessário para produzir determinada cultura. Atualmente. Até 2050 Alta na demanda por alimentos aumentará consumo de água O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos. um bilhão de pessoas ainda não têm acesso. a metodologia no país está longe de ser colocada em prática. A Unesco destaca ainda a falta de saneamento básico. é possível a população op tar pelo produto que agrediu menos o meio ambiente”. metade do volume destinado à distribuição domiciliar é jogado ralo abaixo no Brasil. Segundo Bonança. 86% da população dos países em desenvolvimento terão acesso garantido à água potável em diferentes regiões do mundo até 2015. Dia Mundial da Água. De acordo com Devanir dos Santos. Albano Araújo. “Instalações antigas. diz. (DA) .gazetadopovo.http://www. feita por Wilson Bonança. 10% da água utilizada no Brasil têm como destino o abastecimento residencial e 20% o setor industrial. aponta. Segundo o relatório. que não acompanha o crescimento das cidades e hoje não oferece uma estrutura condizente com o tamanho da população. É necessária uma reforma no sistema”. da Agência Nacional de Águas. em Curitiba. há municípios em que 70% da água que sai para distribuição não chegam ao destino. (DA) Pegada hídrica é termo ainda desconhecido O termo “pegada hídrica” ainda não se popularizou no Brasil.com. estima que o mundo necessite de 70% a mais de alimentos até 2050. lançado neste mês. Caso a técnica seja aplicada a expectativa de Albano Araújo. Contudo. aproximadamente 80% da água consumida no mundo não é tratada. no Brasil ainda não existem estudos que apontem a realidade de cada região. Em média. Isso porque a previsão é de que a população mundial possa dobrar até metade do século. No entanto. Existem mais de 20 metodologias para se chegar a uma média. “A estimativa é que de cada 100 litros que saem para distribuição 50 são perdidos. mas é necessário testá-las”. “Dessa forma.br/vida-e-cidadania/quase-metade-da-agua-usada-na-agricultura-e-desperdicada8cloqojyzd90xgtv7tdik6pn2 Tubulação Perda também na rede de abastecimento A agropecuária não pode ser apontada como única vilã quando o assunto é desperdício de água. consultor para assuntos de recursos hídricos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A proposta do método é apontar quanto de água é necessário para a fabricação ou cultivo de determinado bem ao longo de toda cadeia produtiva.

“Devem ser criadas ferramentas que possam indicar o quanto pode usar de água e o que precisa ser recuperado. Entretanto. do Ministério das Cidades. Os números demonstram o tamanho da importância do campo na economia paranaense. o aquífero ou os poços artesianos podem ser afetados com baixa vazão ao longo dos anos”. está justamente o manejo adequado do solo e da água. José Roberto Borghetti. por exemplo. coordenador do programa Água Brasil da organização não-governamental WWF. O órgão desenvolve um programa que objetiva orientar o produtor a planejar o cultivo a fim de que se encontre uma sustentabilidade ambiental. a retirada excessiva e uso desordenado do líquido na agricultura culminarão em impactos nocivos ao meio ambiente.5 milhões de habitantes e cerca de 1. “Para isso é necessário planejar o cultivo e olhar toda a paisagem. . O último levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (Snis). explica. caso não sejam tomadas medidas emergenciais no setor. na sigla em inglês). Os impactos recaem sobre o ecossistema. Mas existem. Tudo isso irá contribuir para o bom andamento da agricultura e o uso equilibrado de água”.4 trilhões de litros no país. aponta o coordenador do Programa de Manejo do Solo e da Água da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. onde se devem manter as florestas e preservar as margens dos rios. explica. De acordo com ele. acredita na possibilidade de redução do desperdício nas lavouras. “Às vezes trocar a forma de irrigação ou as peças do mecanismo já ajuda a minimizar gastos desnecessários”. o que resulta em um consumo médio anual de 10. “Isso é um mito. Para isso. explica. diz. Wilson Bonança. ressalta. o rio corre o risco de sofrer com pouco volume. “O que resultaria em falta de água e má distribuição em diferentes regiões do país”. Na região de São Paulo. O gerente para uso sustentável da Agência Nacional de Águas (ANA). Dessa forma. Saber. “Cada microbacia atinge entre 50 a 60 produtores. o país pode viver o que ele denomina de estresse hídrico. diz acreditar ser necessário encontrar um caminho para a agropecuária utilizar a água com eficácia. pouco mais de 7 trilhões são destinados à agricultura. Devanir dos Santos. Conforme aponta Samuel Barreto. por exemplo. diz. água e biodiversidade. Segundo ele. que acaba desperdiçando cerca de 3 trilhões de litros de água. No entanto. entre os principais problemas rurais. já que lençóis freáticos e rios sofrem com a falta de chuvas e correm o risco de secar ao longo dos anos. todos devem trabalhar considerando a conservação de solos. mostrou que a média de consumo diário de água de cada brasileiro é de 150 litros. Entre os motivos do desperdício estão irrigações mal-executadas e falta de controle do agricultor na quantidade usada em lavouras e no processamento dos produtos.Quase metade da água usada na agricultura é desperdiçada Irrigações mal-executadas e falta de controle da quantidade usada estão por trás do uso inconsequente da água doce no Brasil Diego Antonelli Texto publicado na edição impressa de 22 de março de 2012 O setor que mais consome é também o que mais desperdiça água doce no Brasil. é necessário adotar mecanismos para o uso eficiente e inteligente no campo. diz. afirma. Projeto orienta produtores rurais a usar melhor a água O Paraná tem aproximadamente 10.7 milhão vive no meio rural. “A irrigação só deve ser usada quando não chove. De acordo com o coordenador de Estratégia para Água Doce da organização The Nature Conser vancy. Os técnicos elaboram o planejamento de como o agricultor deve atuar para preservar o meio ambiente como um todo”. O estado responde por aproximadamente 25% da produção nacional de grãos e 8% da produção pecuária. “Não existe assistência técnica eficaz no país para que os agricultores aprendam a melhorar o sistema de irrigação e entendam o quanto de água deve ser usada em diferentes culturas”. técnicas de irrigação adequadas para cada região e cada cultura”. “Independentemente do que é plantado ou criado na propriedade”. consultor para assuntos de recursos hídricos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). salienta. “O produtor rural precisa ter maior rendimento na produtividade usando menos água possível”. Mas em períodos de seca o rio fica com menos água. o Estado deve interferir e ser mais protagonista neste sentido”. A agropecuária usa 70% da água no país. As estimativas são do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO. Microbacias Schaitza afirma que o governo estadual dividiu o Paraná em microbacias. Quando a irrigação é feita diretamente de um lençol freático. Albano Araújo. Desse total. ressalta. discorda da tese de que a agricultura é a maior consumidora de água. é possível gastar muita água ou equacionar o uso se preocupando com o meio am biente”. porém quase metade desse montante é jogada fora. revela que falta a devida orientação para que os produtores se conscientizem do uso racional da água. Existe desperdício de água em tudo. “No campo. O consultor nacional da FAO. Erick Schaitza. o uso no setor não chega a 30% do total. até na hora de tomar banho.

e economize até 1. Reduza o seu tempo de banho em 1 ou 2 minutos e você economizará até 540 litros de água por mês. 6. 5. acrescentando que países como França.007 . muito acima do que a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta como necessário.ecodesenvolvimento. 9.600 litros de água por mês. e economize até 500 litros de água por mês. vindo em seguida o setor industrial (26%) e.htm http://www. o consumo humano (14%). em média. e na Etiópia. que despeje menos água. Feche a torneira enquanto faz a barba. e deve começar com as crianças no ensino fundamental”.ecolnews.com.Um balão da Organização Não-Governamental (ONG) WWF. lembra o Dia Mundial da Água Brasília. 4. comemorado hoje (22). um brasileiro consome 340 litros por dia de água nas metrópoles. 7. e economize até 1.org/dicas-e-guias/guias/2013/julho/praticas-conscientes-na-industria-reduzem-o? tag=agua#ixzz3XQo9ikQB . O estudo foi feito pela empresa de consultoria especializada em uso racional da água H2C e divulgado no Dia Mundial da Água. A educação ambiental é a chave para uma conscientização a longo prazo.A irrigação no agronegócio é responsável por 60% do desperdício de água no Brasil. No consumo doméstico. 10. não deixe a água escorrer enquanto estiver enxaguando.Agronegócio é responsável por 60% do desperdício de água no país. Lave seu carro sobre o gramado e você molhará a grama ao mesmo tempo. a sociedade civil e o poder público ainda têm uma visão míope sobre a questão do consumo da água. 2. Alemanha. troque o seu chuveiro por um mais eficiente. Se o chuveiro enche um vasilhame de 5 litros em menos de 15 segundos. de 1 litro por pessoa. Use uma vassoura no lugar de uma mangueira para limpar calçadas e economize água. o consumidor ajuda a economizar um produto finito e não renovável”. os três principais motivos para desperdício de água em domicílios são o chuveiro (46% de perda). Juntos. Suécia e Japão já têm a educação ambiental como matéria obrigatória no currículo escolar. aponta consultoria José Cruz/ABr Brasília .000 litros de água por mês. Fonte: José Carlos Mattedi. Estados Unidos. Obedecendo a essas dicas. os três respondem por 74% da perda cotidiana de água numa residência. Paulo Costa. A consultoria também indica dez mandamentos para economizar o produto em casa. tempo e dinheiro. “Lamentavelmente. verifique o nível da água para a carga da máquina. no gramado do Congresso Nacional. e que funcionam. Você pode economizar 3. Repórter da Agência Brasil http://www. ou seja. ressalta Costa. por fim. Quando estiver lavando pratos com a mão. Encha uma vasilha com água de lavar e outra com água de enxaguar. o consumo diário é de 40 litros. “São os dez mandamentos da economia doméstica. Feche a água enquanto você ensaboa seus cabelos. a torneira de cozinha (14%) e o vaso sanitário (14%). No Egito. Feche a torneira enquanto escova os dentes.br/agronegocio_desperdicio_agua. Coloque para funcionar sua máquina de lavar louças ou roupas quando estiverem cheias.000 litros de água por mês. Os dez mandamentos para se economizar água nas residências. Os demais 26% de desperdício são provocados por outros motivos. Ao usar a lavadora de roupa. 3. segundo a H2C: 1. 22 de março de 2. 8. O consultor assinala que. explica o consultor e especialista em programas de racionalização de consumo de água da H2C.

TEXTO 1 ONU: população precisará de 40% a mais de água em 2030 Na semana em que se comemorou o Dia Mundial da Água (22 de março). a quantidade usada era de 340 litros para produzir obter o mesmo resultado. Bacardi . por um ano. Foram poupados 1. a Organização das Nações Unidas (ONU) previu que. A marca também tem . O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos é o documento principal da ONU-Água. a população global vai necessitar de 35% a mais de alimento. que usa metade do que habitual com energia. Ao final do segundo semestre de 2002. observando cada unidade.. Veja alguns exemplos de grandes empresas que estão poupando o precioso líquido durante a fabricação de seus produtos. Em 2012. para celebrar o dia. com medidas de conservação de água. um programa da ONU-Água com sede na UNESCO.um copo de cafezinho leva 50 ml.A fabricante de bebidas Ambev informou ter reduzido o consumo de água de sua produção em 36%. já que utiliza cerca de 450 milhões de litros de água mensalmente .4 milhões de metros cúbicos para 8. Braskem . Neste ano. reduzir o impacto da indústria na manutenção deste recurso. o uso de água na multinacional caiu 81%.Uma das maiores empresas petroquímicas do mundo.A maior empresa mundial de nutrição. Nestlé . de 2011 em relação ao ano passado.A empresa adota datacenter (centro de processamento de dados. reforça a necessidade de políticas e marcos regulatórios que reconheçam e integrem abordagens sobre prioridades nas áreas de água e energia. Google . este setor tem papel fundamental na conservação do recurso natural. com operações industriais em 83 países. de autoria da ONU-Água.. recorreu ao projeto Aquapolo Ambiental. (.2 milhões. elaborado pelo Programa Mundial de Avaliação de Recursos Hídricos (WWAP). Ambev . água e outros recursos necessários para refrigerar os computadores. Na emissão de carbono. (.) O Relatório Global sobre Desenvolvimento e Água 2014. que fornece em média 140 mil litros de água por habitante/ano. Isso equivale a 25. até o fim de 2012. Práticas conscientes na indústria reduzem o consumo de água Práticas como reuso. a companhia tinha um índice de consumo médio de 536 litros de água para cada 100 litros de produção. Práticas como reuso. menos de 10% do que a ONU considera ideal. Nele são analisadas as pressões exercidas pelas decisões relacionadas à demanda por água e os efeitos que elas têm sobre a sua disponibilidade... O relatório também sugere meios para reformar as instituições. Por isso. uma comunidade de 350 mil habitantes. aproveitamento de água da chuva. Para isso. a Braskem sentiu a necessidade de buscar soluções sustentáveis nas suas operações industriais. e a relação arraigada entre esses dois elementos foi destaque na reunião da ONU. equipamentos eficientes e reciclagem do recurso. Mas ao todo a redução caiu de 9. capaz de abastecer. em Tóquio. 40% a mais de água e 50% a mais de energia. em 2030. a maior iniciativa de água de reuso para fins industriais do Brasil.6 milhões de litros em 2012.8 milhões de m3. A empresa passou a usar 1 litro e 400 ml para produzir um litro de cada um de seus produtos.um número elevado para uma região da Grande São Paulo. estima o site acadêmico Evergreen. onde ficam os servidores) na Finlândia. são 30 ml a menos . setor privado e sociedade civil a fazerem frente aos riscos atuais e futuros.) Este importante relatório é um documento integral. Coca-Cola -A multinacional alcançou seu menor nível de uso de água em 2012.Informou ter melhorado sua eficiência de água em 11% durante o ano de 2012 em relação a 2011. a redução foi de 63%. anunciou que desde 1988. limpeza a seco e uso consciente na produção têm sido adotadas para gerar economia na conta e. quase um quinto (22%) é utilizado pela indústria. Oferece ferramentas que ajudarão as lideranças de governos. as celebrações giram em torno do tema Água e Energia. aproveitamento de água da chuva e limpeza a seco têm sido adotadas para gerar economia e reduzir o impacto ambiental De todo potencial de água que existe no planeta. que oferece uma visão global da situação dos recursos de água doce no Planeta. principalmente. por meio da reutilização da matéria-prima nos últimos dez anos.

ecodesenvolvimento. http://www.realizado um projeto para reutilizar suas garrafas de água mineral. mas esta ação está em desenvolvimento e deve ser restrita às escolas.org/dicas-e-guias/guias/2013/julho/praticas-conscientes-na-industria-reduzem-o?tag=agua .

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