Crise hídrica de São Paulo passa pelo agronegócio, desperdício e privatização da água

ESCRITO POR GABRIEL BRITO E PAULO SILVA JUNIOR, DA REDAÇÃO
SEGUNDA, 10 DE NOVEMBRO DE 2014
Para muitos, o racionamento de água em São Paulo já é uma realidade líquida e certa. Resta saber até quando
políticos ganharão tempo para escondê-la ou se a população agirá, a ponto de, quem sabe, se repetirem as
chamadas ‘guerras da água’, já vistas em locais onde os serviços hídricos e sanitários foram privatizados. De toda
forma, o assunto não é passageiro e exige toda uma reflexão a respeito dos atuais modelos de vida e economia.
(...)
A entrevista completa com Marzeni Pereira, realizada nos estúdios da webrádio Central3, pode ser lida a seguir.
Correio da Cidadania: Qual o resumo que você faz, num breve histórico, das origens e razões da crise da
água no estado de São Paulo?
Marzeni Pereira: Podemos dizer que o histórico da crise de água em São Paulo tem bastante tempo. Em 2003, por
exemplo, o sistema Cantareira chegou próximo de zero, com menos de 5% de sua capacidade de armazenamento e
todo o sistema de saneamento quase entrou em colapso. Houve um princípio de racionamento, com a Operação
Pajé (na qual se bombardeavam nuvens e se pulverizava sua água).
Nesse período, foi elaborado um plano para que o saneamento de São Paulo dependesse menos do Cantareira, ao
ser assinada uma outorga com vistas a reduzir a dependência do reservatório – o que mais abastece a capital e a
região metropolitana. De lá pra cá, a ideia era reduzir perdas, aumentar o reuso e encontrar novas formas de
abastecimento, por outros mananciais. Isso não aconteceu.
Em 2004 e 2005, houve uma recuperação da reservação de água; em 2009, houve um pico, com quase 100% das
represas cheias. Em 2009, houve um período de enchentes, como a do Jardim Pantanal (zona leste); e em 2011,
teve a enchente de Franco da Rocha, por conta da abertura da represa Paiva Castro. Mas, de toda forma, não
houve redução da participação do sistema Cantareira. As perdas caíram, mas não o suficiente para suprir a
demanda, que cresceu. Não houve, portanto, contrapartida suficiente na disponibilidade de água. Esse é o principal
problema.
Outro ponto é que tivemos, recentemente, em 2013 e 2014, uma estiagem bastante forte, apesar de curta,
comparando com outras regiões do Brasil, com 5 ou 10 anos de estiagem. Aqui são menos de dois anos, de modo
que não era pra estarmos na atual situação.
Neste ano, também teve outro problema: com eleições e Copa do Mundo, havia a necessidade de o governo manter
sua imagem em alta. Por isso, não se tomaram medidas para reduzir o consumo de água a partir de janeiro e
fevereiro de 2014.
(...)
Correio da Cidadania: Como dimensiona a crise da água no país como um todo, em si e relativamente a São
Paulo? Em que medida a destruição dos biomas do Cerrado e amazônico explicam a grave situação que
vivemos?
Marzeni Pereira: A estiagem em São Paulo, com certeza, tem relação com o desmatamento da Amazônia e do
Cerrado. Obviamente, sempre que há desmatamento se reduz a evaporação de água pela evapotranspiração das
árvores. O Cerrado brasileiro sofreu muito com a devastação promovida pelo agronegócio.
Para se ter ideia, no ano passado, em torno somente de quatro produtos (soja, carne, milho e café), o Brasil
exportou cerca de 200 bilhões de metros cúbicos de água. Não produziu, apenas exportou, ‘água virtual’, como se
diz. Tal número significa abastecer São Paulo por quase 100 anos, apenas com a quantidade de água gasta por
esses quatro produtos.
Outro problema é que houve redução da quantidade de água superficial. À medida que há uma degradação, tanto
pela remoção da vegetação como pela irrigação intensiva de larga escala, reduzem-se os afluentes dos grandes
rios, como os amazônicos e o São Francisco, que já está sofrendo muito com a redução da água.

Precisa reduzir o consumo residencial e industrial. Precisa de uma orientação sem meio termo para a população. no Brasil. como hospitais. Se chover. Em caso de falta de água generalizada e uso de carros-pipa. teremos que tomá-las). distribuir filtros de hipoclorito. A redução dessa vegetação também tem influência. com menos condição de comprar caixa d’água.correiocidadania. que vêm do Norte do Brasil e precisam da continuidade da vegetação. mas tem da indústria. eucalipto.. laranja etc. Pouco se fala em coletar água de chuva. Também se deve incentivar uso de água de chuva e reuso. principalmente. Isso equivale ao novo sistema que a Sabesp constrói agora. tem que se saber como aqueles que não têm caixa poderão armazená-la. mesmo que chova. o que mostra como não se deu importância a eles. o governo e a Sabesp têm de falar mais claramente à população de como a situação é grave. que apurem responsabilidades. é necessário estatizar o saneamento – não a Sabesp. é preciso reeducar a população a reduzir o consumo. É preciso controle dos trabalhadores. seria necessário o governo distribuir tais caixas. 70% da água é consumida pela agricultura. As empresas também. Não pode ser como hoje. temos de tomar algumas medidas (na verdade. além de esclarecer se precisamos fazer rodízio. as consequências futuras podem ser mais graves. de fato. só se fala dos 8%. O Rodoanel passou pelos mananciais. mas não dos 92%. ao invés de serem retiradas como lixo. através de negociações sérias. Além de uma comissão e investigação populares. muitas empresas vão fechar. teve influência em São Paulo. Em primeiro lugar. Se não tiver política de estabilidade no emprego. se não os interesses pelo lucro vão falar mais alto. racionamento ou as duas coisas juntas. Recuperar mananciais é outro ponto importante. com plano habitacional. o São Lourenço. mantida através dos chamados “rios voadores”. e reduzisse ao menos 10% do consumo. para plantios de cana. Torcemos pra isso. quem mais desmata no Brasil. se ocorrer falta de água generalizada em 2015. o que traz risco de contaminação. que custará 2 bilhões de reais.) Correio da Cidadania: Finalmente. tudo se resolve. Pessoas que moram em áreas de mananciais precisam sair de lá. ou se mudar. pois há uma série de usos possíveis com a água de esgoto. ao menos temporariamente. 22%. Precisa também de uma forte redução de perdas. foi reduzida.br/index.com. ou seja. É preciso coletar e tratar mais esgoto. Finalmente. como a médio e longo prazos? Marzeni Pereira: A principal solução é chover. o que pensa que poderiam ser soluções tanto a curto. Mas têm de ser feitas em diálogos com a população. Mas não é só isso. dada a gravidade da situação. caso contrário. Se não chover.A umidade atmosférica. Há a necessidade de definir as atividades humanas básicas que terão suprimento de água garantido. escolas. E quando se fala em redução de consumo. (. Outro ponto é em relação ao emprego. Se a população fizesse isso. A redução das matas ciliares dos rios que abastecem as represas é outro fator. pode ser uma catástrofe. porque muita gente vai usar água de mina se precisar. claro..php? option=com_content&view=article&id=10233%3Amanchete101114&catid=72%3Aimagens-rolantes . a população vai sofrer. pela indústria e 8%. Não tem sentido um serviço tão importante quanto esse na mão de quem quer lucro. industriais. Quanto à população de baixa renda. Praticamente toda a vegetação de tal região foi removida. Mas. pois provoca o assoreamento e um secamento mais rápido. http://www. Se isso não for feito. A atuação do agronegócio. Há uma série de ações possíveis no médio e curto prazo. Se de fato se concretizar a previsão. com empresários controlando por dentro. Com casa garantida. A região metropolitana de São Paulo não tem muito peso da agricultura. creches. teríamos cerca de 5 metros cúbicos por segundo de economia de água. mas o próprio saneamento. usando tal água em atividades. Teve também o desmatamento de todo o centro-oeste do estado de São Paulo. pelas residências. pois quando se fala em redução de consumo parece que só a população consome. Mas a estatização não pode ficar na mão do governo.

só de 1970 para cá perdeu 600 mil quilômetros quadrados de mata (já há cálculos de que. professor Bráulio S. O problema é grave também em outras áreas. em documentário para a TV Cultura. É a tese. 30/9). sejam 750 mil quilômetros quadrados . a perda média é de 40%. Mas é preciso deixar de lado velhas crenças de que a natureza. lembra ele. Então. já secretário-geral da Convenção da Biodiversidade da ONU. com o desmatamento no Cerrado. está “completamente seca” – e o rio também quase não recebe mais. na Serra da Canastra (MG). Vai-se de susto em São Paulo. com a situação atual agravada pela seca relacionada com a devastação da Floresta Amazônica e sua influência nos regimes do clima mais a sul. de gado bovino e bodes). Dias. por exemplo. onde está um quarto da biodiversidade e parcela importante da água. a nascente do Rio São Francisco. pode-se acrescentar. exige rever por completo politica para rios e florestas Por Washington Novaes. em alguns lugares o estoque se esgotou. a infiltração da água no solo e tampouco a volta da normalidade nas nascentes” (remabrasil. Não se avançará sem programas federais. desde o século 19. dizia que uma avaliação no subsolo do Cerrado – que verte água para as três maiores bacias brasileiras – mostrava um estoque suficiente para sete anos. 90% da água da água se evapora sem se infiltrar no solo impermeabilizado. No País. em país com imensas reservas d’água.Paulo. A Floresta Amazônica. estaduais e municipais de combate drástico ao desmatamento (o desmatamento recente na Amazônia voltou a crescer). Gravidade do problema. do professor João Suassuna. segundo João Suassuna -. e não de obras milionárias (como as de transposição ou de captação de água a grandes distâncias). apenas com a “normalização” do regime de chuvas.700 quilômetros. nada menos que 60% do carbono armazenado nos solos se perdeu. que parte do Sudeste brasileiro. desmatamento para a agricultura e pecuária e outras atividades. Será preciso muito mais.Paulo. Observa o jornalista científico Julio Ottoboni (Eco21. não faz sentido admitir um futuro muito sombrio se é possível eliminar essa perda – desde que se impeça a influência das grandes empreiteiras de obras. O correto são programas de convivência. que impedem a infiltração da água. agosto de 2014). segundo o Inpe e Embrapa (Valor. da Fundação Joaquim Nabuco (Recife). Mesmo em São Paulo. Como as cisternas de placa. Ao que parece. No nosso continente a degradação já está presente em 25% dos solos. Minas e Cerrado atingidos. que o problema já estava presente no Verde Grande e outros afluentes do São Francisco. que já é de moderado a altamente preocupante em 33% das terras. Minas Gerais e no Cerrado. o professor Bráulio mostrava sua preocupação com a queda do estoque para um fluxo de apenas três anos. em pequena escala. Com isso o fluxo para o Sul de nuvens de ar úmido que dali provinham vem sendo bloqueado progressivamente. em absoluto. segundo aFolha de S. na Envolverde/IPS É preocupante que a maior parte das discussões sobre a crise no abastecimento de água em várias regiões do País continue a admitir – explícita ou implicitamente – que a solução virá. principalmente em São Paulo. esquecendo-se as situações mencionadas neste artigo e outras.. com o desmatamento (mais de 50% do Cerrado) e a impermeabilização do solo. para fortes programas de redução de perdas nas redes de distribuição de água. Onde as novas áreas de pastagens respondem por 46% da área desmatada. que as reduziu para pouco mais de 25%. segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). sozinha. explicou. com água escassa (daí a criação. E é preciso partir imediatamente. 9/6). 22/9). no total. onde no período janeiro/julho último foram quase 20 mil. e mais especialmente no caso paulista. E faz lembrar o então ministro Celso Furtado quando dizia que a ocupação da faixa litorânea do Nordeste pela cana-de-açúcar deslocara a maior parte da população para as regiões mais áridas e impróprias para a agricultura. as barragens subterrâneas – e não com transposição de água. . com mudanças no uso da terra. o então diretor de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. que ao ser perguntado por este escriba sobre o que achava dos programas de combate à seca no Nordeste. neste fim de ano. O Brasil tem jeito. para quem “a chegada de novas chuvas não garante.Crise hídrica. do Centro do País e do Sul podem estar caminhando “para a desertificação”. (. Sem repressão implacável a queimadas ali e no Cerrado. tudo fará. ao longo de seus 2. Faz lembrar também o escritor Ariano Suassuna. e num prazo curto – basta que retornem as chuvas. Mais alguns anos à frente. água de seus tributários que nascem no Cerrado ou nele estão. Há quase uma década o autor destas linhas registrava. não se avançará sem forte apoio à substituição da lenha na matriz energética do Semiárido (30% do total)..) Soluções há. E não se recomporá apenas de um ano para outro. como “cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Instituto de Pesquisas da Amazônia alertam há uma década”. que não as querem nas redes. por se tratar de pequenas intervenções ao longo de toda a cidade. respondeu de pronto: “Tentar combater a seca no Nordeste é o mesmo que tentar impedir a neve na Sibéria”. Mas é preciso querer buscar caminhos adequados – que precisam ser o foco das discussões no segundo turno da votação. Também a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) vem alertando (24/7) para a necessidade premente de deter o processo de degradação do solo. No Semiárido brasileiro – “o mais chuvoso do mundo”. retrato de um divórcio com a natureza – 15 DE OUTUBRO DE 2014 Além de S. Pela primeira vez na história. em todo o país.

A essência do problema é que a classe política conservadora não considera o ambiente como parte da vida e do suporte da vida. Em interface com a atmosfera.5%. assim como outros sistemas de abastecimento. Tudo em nome do progresso e da modernidade. eletrônico e não comporta espaço nem discussão sobre assuntos considerados rurais. disse: “Temos um sistema cada vez mais suscetível a eventos climáticos. Claro. como explica Samuel Barreto. as cidades inflam. A não ser quando da realidade bate a porta e começa a sumir a água das torneiras e.4 mil hectares que formam os sistemas Cantareira. protege contra enchentes. E a previsão é que o sistema seca em julho. O conto do vigário de políticos sem compromisso com a população não combina com obras que ficam embaixo da terra. todos os principais rios brasileiros estão assoreados e entupidos de esgoto e lixo. além do que a SABESP retira do sistema Cantareira.A sedimentação tem impacto direto na quantidade e na qualidade da água dos mananciais. o país será usado como exemplo do que pode ocorrer na maior metrópole. dando uma falsa impressão à população de que as coisas estão melhorando. os rios são empanturrados não somente de terra. a hidrosfera. Os números levantados pela organização não governamental SOS Mata Atlântica são piores – só restam 488km2. superior as dos rios Nilo e Amazonas juntos – três bilhões de toneladas ao ano. A região dos mananciais já perdeu 70% da mata nativa para a pecuária e agricultura. do campo. que fede com os excrementos de milhões de pessoas. A erosão na China já consumiu 19% da área agrícola e os números apontam para descarga de terra superior no rio Yang-Tsé. Outro comentário. agora do professor Reginaldo Berto. É uma situação vergonhosa o que acontece no Brasil. O solo exposto. Hoje. Isso ocorre porque não há cobertura vegetal ao redor dos rios e das represas. dará um exemplo ao contrário ao mundo. como se fosse ideia de comunista. Ocorre que o mundo atual é urbano. do Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas. “. estoca a água e recicla nutrientes. É o que diz um trabalho divulgado pela The Nature Conservancy sobre o problema da falta de água nas grandes cidades. onde o tratamento de esgoto ainda não é considerado uma prioridade. http://outraspalavras. o maior da Ásia. da USP: “É preciso se preparar para o colapso do sistema público de abastecimento a partir de abril de 2015”. Não se trata de uma novidade brasileira. O professor Pedro Luiz Cortês. além de combater a noção que vivemos mudanças climáticas. córregos e nascentes foram detonados. milhões ficarão sem água. que alimentam os reservatórios. da Uninove. que tem água doce em grande quantidade. ou seja. como acontecerá em 2015 em São Paulo. justamente quando o assunto solo poderá ganhar as páginas da mídia ordinária. Desde 2012 sabíamos que entraríamos num regime de falta de chuvas. de outra esfera. a mídia ordinária faz uma contagem regressiva ao contrário. coordenador do encontro. Guarapiranga e Rio Grande fossem reflorestados com mato nativo. O Sistema Cantareira. isso diminuiria em 568. Colapso do sistema público de água Em 2015. juntamente com seus nutrientes e dos fertilizantes químicos. além de sofrer erosão e não absorver a água das chuvas provoca o escoamento da terra para os corpos d’água. além do consumo cada vez mais intenso.9 mil toneladas de sedimentos que são jogados nos cursos d’água. digital. do INPE calculou as estimativas de chuvas até abril – mesmo com fevereiro acima da média-. o resultado é revoltante. assoreando o leito e diminuindo a vida útil dos reservatórios”. entre os dias 25 a 27 de março — cita alguns argumentos sobre a importância do solo: “Os solos constituem insumo fundamental para o desenvolvimento humano. Seus afluentes. O governo deveria vir a público apresentar os cenários com os quais está trabalhando”. Nenhum país consegue desenvolver-se plenamente sem acesso a esse recurso natural e as suas riquezas são incalculáveis. No início de dezembro passado ocorreu um encontro na Faculdade de Economia. Sem exceções. a biosfera e a litosfera o solo é responsável pelos principais processos biogeoquímicos que garantem a vida na Terra. coordenador do Movimento Água para São Paulo. sequestra carbono e abriga 25% da biodiversidade”.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/desertificacao-mais-uma-crise-omitida-pelos-jornais/ . Enquanto isso. mas também de esgoto e lixo de todo tipo. sobre as perspectivas de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo. O Centro de Desastres Climáticos. de repente. que o país.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/crise-hidrica-retrato-de-um-divorcio-com-a-natureza/ Mundo urbano não discute o rural Um texto sobre outra conferência – em Brasília. ao se fazer uma pesquisa sobre assoreamento de rios e represas no país. por essa e outras.3 mil hectares dos 493. Administração e Contabilidade da USP. Detonaram o mato dos mananciais Se 14. E. que tudo ainda depende da decisão técnica do governador paulista. O tempo passa.http://outraspalavras. a falta de água nas torneiras paulistas. 21. começou a entrar em colapso ao longo dos últimos anos. sem mato para proteção. Alto Tietê. mesmo com verbas federais autorizadas. como secas prolongadas. de solo perdido.

Albano Araújo. a “pegada hídrica” no campo é tema de uma apresentação no Museu Oscar Niemeyer.http://www. “Faltam estudos e testes para quantificar quanto de água é necessário para produzir determinada cultura. adutor estourado e até ‘gatos’ na ligação da água contribuem para isso”. 10% da água utilizada no Brasil têm como destino o abastecimento residencial e 20% o setor industrial. um bilhão de pessoas ainda não têm acesso. diz. Até 2050 Alta na demanda por alimentos aumentará consumo de água O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos. É necessária uma reforma no sistema”. Atualmente. Dia Mundial da Água. Para ele. metade do volume destinado à distribuição domiciliar é jogado ralo abaixo no Brasil. aproximadamente 80% da água consumida no mundo não é tratada. consultor para assuntos de recursos hídricos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). mas é necessário testá-las”. (DA) . De acordo com Devanir dos Santos. Este aumento poderá refletir em um incremento de 19% na água utilizada pelo setor agrícola. a metodologia no país está longe de ser colocada em prática. feita por Wilson Bonança. “A estimativa é que de cada 100 litros que saem para distribuição 50 são perdidos. Em média.br/vida-e-cidadania/quase-metade-da-agua-usada-na-agricultura-e-desperdicada8cloqojyzd90xgtv7tdik6pn2 Tubulação Perda também na rede de abastecimento A agropecuária não pode ser apontada como única vilã quando o assunto é desperdício de água. é possível a população op tar pelo produto que agrediu menos o meio ambiente”. 86% da população dos países em desenvolvimento terão acesso garantido à água potável em diferentes regiões do mundo até 2015. Contudo. Em países como a Holanda. No entanto. da Agência Nacional de Águas. Segundo Bonança. a CNA está buscando parcerias para aplicar a “pegada” em todo o território nacional. lançado neste mês. Existem mais de 20 metodologias para se chegar a uma média.gazetadopovo. afirma o coordenador da The Nature Conservancy. aponta. estima que o mundo necessite de 70% a mais de alimentos até 2050. essa ferramenta já é utilizada desde 2003. (DA) Pegada hídrica é termo ainda desconhecido O termo “pegada hídrica” ainda não se popularizou no Brasil. hoje. Isso porque a previsão é de que a população mundial possa dobrar até metade do século. A Unesco destaca ainda a falta de saneamento básico. Segundo o relatório. há municípios em que 70% da água que sai para distribuição não chegam ao destino. é de que a população se conscientize de qual produto consumir. em Curitiba.com. A proposta do método é apontar quanto de água é necessário para a fabricação ou cultivo de determinado bem ao longo de toda cadeia produtiva. que não acompanha o crescimento das cidades e hoje não oferece uma estrutura condizente com o tamanho da população. do The Nature Conservancy. explica. “Instalações antigas. Hoje. Segundo dados da FAO. “Dessa forma. no Brasil ainda não existem estudos que apontem a realidade de cada região. Caso a técnica seja aplicada a expectativa de Albano Araújo.

4 trilhões de litros no país. que acaba desperdiçando cerca de 3 trilhões de litros de água. Microbacias Schaitza afirma que o governo estadual dividiu o Paraná em microbacias. revela que falta a devida orientação para que os produtores se conscientizem do uso racional da água. Entretanto. porém quase metade desse montante é jogada fora. O estado responde por aproximadamente 25% da produção nacional de grãos e 8% da produção pecuária. está justamente o manejo adequado do solo e da água. o rio corre o risco de sofrer com pouco volume. Saber. técnicas de irrigação adequadas para cada região e cada cultura”.5 milhões de habitantes e cerca de 1. “A irrigação só deve ser usada quando não chove. diz. Para isso.7 milhão vive no meio rural. o aquífero ou os poços artesianos podem ser afetados com baixa vazão ao longo dos anos”. O consultor nacional da FAO. por exemplo. entre os principais problemas rurais. acredita na possibilidade de redução do desperdício nas lavouras. “Isso é um mito. pouco mais de 7 trilhões são destinados à agricultura. “O produtor rural precisa ter maior rendimento na produtividade usando menos água possível”. “O que resultaria em falta de água e má distribuição em diferentes regiões do país”. Os impactos recaem sobre o ecossistema. “Cada microbacia atinge entre 50 a 60 produtores. Conforme aponta Samuel Barreto. Mas em períodos de seca o rio fica com menos água. diz. ressalta. Desse total. Projeto orienta produtores rurais a usar melhor a água O Paraná tem aproximadamente 10. “Devem ser criadas ferramentas que possam indicar o quanto pode usar de água e o que precisa ser recuperado. é possível gastar muita água ou equacionar o uso se preocupando com o meio am biente”. até na hora de tomar banho. “Para isso é necessário planejar o cultivo e olhar toda a paisagem. Entre os motivos do desperdício estão irrigações mal-executadas e falta de controle do agricultor na quantidade usada em lavouras e no processamento dos produtos. “Não existe assistência técnica eficaz no país para que os agricultores aprendam a melhorar o sistema de irrigação e entendam o quanto de água deve ser usada em diferentes culturas”. “No campo. O gerente para uso sustentável da Agência Nacional de Águas (ANA). ressalta.Quase metade da água usada na agricultura é desperdiçada Irrigações mal-executadas e falta de controle da quantidade usada estão por trás do uso inconsequente da água doce no Brasil Diego Antonelli Texto publicado na edição impressa de 22 de março de 2012 O setor que mais consome é também o que mais desperdiça água doce no Brasil. O órgão desenvolve um programa que objetiva orientar o produtor a planejar o cultivo a fim de que se encontre uma sustentabilidade ambiental. A agropecuária usa 70% da água no país. diz. Quando a irrigação é feita diretamente de um lençol freático. Albano Araújo. . o Estado deve interferir e ser mais protagonista neste sentido”. De acordo com o coordenador de Estratégia para Água Doce da organização The Nature Conser vancy. Segundo ele. todos devem trabalhar considerando a conservação de solos. Dessa forma. Tudo isso irá contribuir para o bom andamento da agricultura e o uso equilibrado de água”. O último levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (Snis). José Roberto Borghetti. Os números demonstram o tamanho da importância do campo na economia paranaense. caso não sejam tomadas medidas emergenciais no setor. Os técnicos elaboram o planejamento de como o agricultor deve atuar para preservar o meio ambiente como um todo”. aponta o coordenador do Programa de Manejo do Solo e da Água da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. por exemplo. explica. Erick Schaitza. “Às vezes trocar a forma de irrigação ou as peças do mecanismo já ajuda a minimizar gastos desnecessários”. a retirada excessiva e uso desordenado do líquido na agricultura culminarão em impactos nocivos ao meio ambiente. No entanto. As estimativas são do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO. Mas existem. do Ministério das Cidades. o país pode viver o que ele denomina de estresse hídrico. o que resulta em um consumo médio anual de 10. Wilson Bonança. explica. onde se devem manter as florestas e preservar as margens dos rios. água e biodiversidade. coordenador do programa Água Brasil da organização não-governamental WWF. consultor para assuntos de recursos hídricos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). “Independentemente do que é plantado ou criado na propriedade”. já que lençóis freáticos e rios sofrem com a falta de chuvas e correm o risco de secar ao longo dos anos. Devanir dos Santos. discorda da tese de que a agricultura é a maior consumidora de água. na sigla em inglês). mostrou que a média de consumo diário de água de cada brasileiro é de 150 litros. Na região de São Paulo. é necessário adotar mecanismos para o uso eficiente e inteligente no campo. explica. diz acreditar ser necessário encontrar um caminho para a agropecuária utilizar a água com eficácia. Existe desperdício de água em tudo. o uso no setor não chega a 30% do total. De acordo com ele. salienta. afirma.

600 litros de água por mês. Juntos.org/dicas-e-guias/guias/2013/julho/praticas-conscientes-na-industria-reduzem-o? tag=agua#ixzz3XQo9ikQB . e economize até 1. Feche a torneira enquanto escova os dentes. Ao usar a lavadora de roupa. e economize até 500 litros de água por mês.Agronegócio é responsável por 60% do desperdício de água no país. No Egito. Lave seu carro sobre o gramado e você molhará a grama ao mesmo tempo. Fonte: José Carlos Mattedi. os três respondem por 74% da perda cotidiana de água numa residência. e economize até 1. O estudo foi feito pela empresa de consultoria especializada em uso racional da água H2C e divulgado no Dia Mundial da Água. Reduza o seu tempo de banho em 1 ou 2 minutos e você economizará até 540 litros de água por mês. 2. Repórter da Agência Brasil http://www.000 litros de água por mês. A educação ambiental é a chave para uma conscientização a longo prazo. 5. “Lamentavelmente. Quando estiver lavando pratos com a mão. ou seja. no gramado do Congresso Nacional.ecodesenvolvimento. Os demais 26% de desperdício são provocados por outros motivos. Se o chuveiro enche um vasilhame de 5 litros em menos de 15 segundos. Encha uma vasilha com água de lavar e outra com água de enxaguar. os três principais motivos para desperdício de água em domicílios são o chuveiro (46% de perda). 9. em média.com. lembra o Dia Mundial da Água Brasília. Use uma vassoura no lugar de uma mangueira para limpar calçadas e economize água. a sociedade civil e o poder público ainda têm uma visão míope sobre a questão do consumo da água.Um balão da Organização Não-Governamental (ONG) WWF.htm http://www. e deve começar com as crianças no ensino fundamental”. por fim. A consultoria também indica dez mandamentos para economizar o produto em casa. a torneira de cozinha (14%) e o vaso sanitário (14%). verifique o nível da água para a carga da máquina. Feche a água enquanto você ensaboa seus cabelos. segundo a H2C: 1. 8. um brasileiro consome 340 litros por dia de água nas metrópoles. troque o seu chuveiro por um mais eficiente. tempo e dinheiro. aponta consultoria José Cruz/ABr Brasília . e que funcionam. que despeje menos água. 6. vindo em seguida o setor industrial (26%) e. de 1 litro por pessoa.br/agronegocio_desperdicio_agua. o consumidor ajuda a economizar um produto finito e não renovável”. 22 de março de 2. Os dez mandamentos para se economizar água nas residências. e na Etiópia. O consultor assinala que.A irrigação no agronegócio é responsável por 60% do desperdício de água no Brasil. acrescentando que países como França. Feche a torneira enquanto faz a barba. muito acima do que a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta como necessário. não deixe a água escorrer enquanto estiver enxaguando. Paulo Costa. Suécia e Japão já têm a educação ambiental como matéria obrigatória no currículo escolar. explica o consultor e especialista em programas de racionalização de consumo de água da H2C. o consumo humano (14%). No consumo doméstico. 7. Alemanha. o consumo diário é de 40 litros. comemorado hoje (22). 3. Coloque para funcionar sua máquina de lavar louças ou roupas quando estiverem cheias.007 . 10. “São os dez mandamentos da economia doméstica.ecolnews.000 litros de água por mês. 4. Você pode economizar 3. ressalta Costa. Obedecendo a essas dicas. Estados Unidos.

equipamentos eficientes e reciclagem do recurso. setor privado e sociedade civil a fazerem frente aos riscos atuais e futuros. A marca também tem . Nestlé . O relatório também sugere meios para reformar as instituições. com medidas de conservação de água. Isso equivale a 25. 40% a mais de água e 50% a mais de energia. já que utiliza cerca de 450 milhões de litros de água mensalmente .) O Relatório Global sobre Desenvolvimento e Água 2014. a companhia tinha um índice de consumo médio de 536 litros de água para cada 100 litros de produção. A empresa passou a usar 1 litro e 400 ml para produzir um litro de cada um de seus produtos. Mas ao todo a redução caiu de 9. Na emissão de carbono. Ao final do segundo semestre de 2002.8 milhões de m3. reduzir o impacto da indústria na manutenção deste recurso. este setor tem papel fundamental na conservação do recurso natural.um número elevado para uma região da Grande São Paulo. Google . Bacardi . principalmente. a redução foi de 63%. recorreu ao projeto Aquapolo Ambiental. com operações industriais em 83 países. uma comunidade de 350 mil habitantes.TEXTO 1 ONU: população precisará de 40% a mais de água em 2030 Na semana em que se comemorou o Dia Mundial da Água (22 de março).A fabricante de bebidas Ambev informou ter reduzido o consumo de água de sua produção em 36%. Práticas conscientes na indústria reduzem o consumo de água Práticas como reuso. Para isso. em 2030. a quantidade usada era de 340 litros para produzir obter o mesmo resultado.A empresa adota datacenter (centro de processamento de dados. Coca-Cola -A multinacional alcançou seu menor nível de uso de água em 2012. que usa metade do que habitual com energia. de 2011 em relação ao ano passado. capaz de abastecer. aproveitamento de água da chuva e limpeza a seco têm sido adotadas para gerar economia e reduzir o impacto ambiental De todo potencial de água que existe no planeta. Veja alguns exemplos de grandes empresas que estão poupando o precioso líquido durante a fabricação de seus produtos. Foram poupados 1. para celebrar o dia. e a relação arraigada entre esses dois elementos foi destaque na reunião da ONU.4 milhões de metros cúbicos para 8. Oferece ferramentas que ajudarão as lideranças de governos. Ambev . a Braskem sentiu a necessidade de buscar soluções sustentáveis nas suas operações industriais. Braskem .2 milhões. em Tóquio.. um programa da ONU-Água com sede na UNESCO. elaborado pelo Programa Mundial de Avaliação de Recursos Hídricos (WWAP). aproveitamento de água da chuva. a maior iniciativa de água de reuso para fins industriais do Brasil. até o fim de 2012. as celebrações giram em torno do tema Água e Energia. reforça a necessidade de políticas e marcos regulatórios que reconheçam e integrem abordagens sobre prioridades nas áreas de água e energia. que oferece uma visão global da situação dos recursos de água doce no Planeta.6 milhões de litros em 2012. limpeza a seco e uso consciente na produção têm sido adotadas para gerar economia na conta e. por um ano. estima o site acadêmico Evergreen... Nele são analisadas as pressões exercidas pelas decisões relacionadas à demanda por água e os efeitos que elas têm sobre a sua disponibilidade.Uma das maiores empresas petroquímicas do mundo. que fornece em média 140 mil litros de água por habitante/ano. Em 2012. menos de 10% do que a ONU considera ideal. (. O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos é o documento principal da ONU-Água. o uso de água na multinacional caiu 81%. de autoria da ONU-Água.) Este importante relatório é um documento integral. quase um quinto (22%) é utilizado pela indústria. Neste ano. (.. a população global vai necessitar de 35% a mais de alimento. anunciou que desde 1988. Por isso. são 30 ml a menos . a Organização das Nações Unidas (ONU) previu que.A maior empresa mundial de nutrição. Práticas como reuso. água e outros recursos necessários para refrigerar os computadores.um copo de cafezinho leva 50 ml. onde ficam os servidores) na Finlândia. por meio da reutilização da matéria-prima nos últimos dez anos.Informou ter melhorado sua eficiência de água em 11% durante o ano de 2012 em relação a 2011. observando cada unidade.

realizado um projeto para reutilizar suas garrafas de água mineral.ecodesenvolvimento.org/dicas-e-guias/guias/2013/julho/praticas-conscientes-na-industria-reduzem-o?tag=agua . mas esta ação está em desenvolvimento e deve ser restrita às escolas. http://www.