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ISBN: 978-85-362-3136-5

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e-mail: psicologia@jurua.corr

br

Paraná - Brasil

Rl 75

Ramos, Elis abeth Christmann (org.).

Fundamentos da educação: os diversos olhares do educar./ Elisabeth Christmann Ramos e K2-en Franklin (orgs.)./

Curitiba: Jurué

220 P.

2010.

1. Educação. 1. Franklin, Karen (org . ). li. Título.

1. Educação. 1. Franklin, Karen (org . ). li. Título. COO 370(22.ed) CDU 37 Visite nossos

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Elisabl'th Christ mann Ramos Kan:n Franklin

com Elisabl'th Christ mann Ramos Kan:n Franklin Fundamentos da Educação os diversos olhares do educar

Fundamentos da Educação

os diversos olhares do educar

Colaboradores

Cátia Cilene Farago Clara Brener Mindal Clcusa Valério Gabardo Elisabeth Christmann Ramos Gelson João Tesser Helga Loos Karen Frauklin Laura Ceretta Moreira Maria Augusta Bolsanello

Marta Pinheiro René Simonato Sant'Ana Sandra Regina Dias da Costa Sandra Regina Kirchncr Guimaràl'!s Sueli Fernandes Tamara da Silveira Valente Tania Stoltz Vera Regina Beltrão Marques Veronica Branco

Curitiba

Juruá Editora

2010

1

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO:

UMA OUTRA FILOSOFIA?

Profª Dr.ª Karen Franklin

Profª Ms. Cátia Cilene Farago

O entendimento sobre o conceito de Filosofia da Educação, desde há muito tempo, acarreta controvérsias a respeito de seu conteú- do, de seu alcance e limites, tanto no âmbito da filosofia como no da educação. A partir dessa controvérsia nos propomos a.esclarecer alguns conceitos fundamentais para a compreensão e o entendimento do que seja filosofia da educação e sua importância para a reflexão educacional de qualquer tempo.

Em primeiro lugar devemos esclarecer o ponto de partida, ou seja, a relação entre a filosofiá da educação coITI a própria Filosofia. Concebemos a filosofia da educação como parte constitutiva das preo- cupações da Filosofia desde a .sua origem. Sócrates já nos apresenta as principais questões acerca da filosofia da eduéáção: O que é o homem? É possível ensinar a virtude? O que é possíverensinar? Enfim, desde a Antiguidade as questões que permeiam a educação e o educar estão

~ob este pon-

presentes e fazem parte da discussão edo fazer: ,filosófico.

to de vista, podemos dizer que a filosofia :da eçlu,cação é o olhar que a

filosofia dedica à educação. Ela se constitui né{üniverso a ser investiga-

do, questionado e construído .através do discurso filosófico sobre o

nômeno educativo. Ela se preocupa em evidenciar as questões que le- vam a esclarecer sobre o ideal pedagógico. Muitas vezes a filosofia da educação é confundida com as próprias noções e concepções pedagógi- cas. Esse fato contribuiu para que a própria Filosofia compreendesse que esta tarefa estava mais próxima de pedagogos do que de filósofos. Uma compreensão errônea, pois desde a origem filosofia e educação estão intrinsecamente ligadas, pois fazem parte da reflexão sobre o ho- mem e seu mundo. Essa compreensão leva a ·filosofia ao centro da tare- fa pedagógica e transforma-se em filosofia da educação.

fe-

24 Karen Franklin e Cátia Cilene Farago

1 O QUE É FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO?

Quando nos perguntamos qual é o princípio ou a finalidade do ato de educar, estamos nos colocando no centro das preocupações filosó- fi_cas a re~peito da educação. Esse recorte sobre as concepções ou princí- p10s daqmlo que se concebe como educação é o horizonte da reflexão da filosofia da educação. Essa relação intrínseca entre filosofia e educação mostra con:o a tarefa do filósofo da edycação é fundamental para esclare- cer as teonas sobre o ato de educar. E a filosofia que prioriza objetiva- mente o olhar do filósofo para as diversas concepções do educar, impon- do nesse traba~o todo o esforço por esclarecer princípios humanos que devem ser considerados em qualquer processo educativo. A filosofia da

educação busca construir um "c!.iscurso a respeito da boa pedagogia; e est~, não_raro, 1a negação da pedagogia vigente de algum local ou tem-

po (Ghualdelb Jr, 2006, p. 31). Isso significa dizer que a filosofia da educação é o olhar apun1do sobre as teorias pedagógicás, buscando sem-

pre esclarecer qual seria o melhor caminho para esta tarefa. Dessa forma,

a filosofia da educação constitui-se como o olhar crítico sobre o fenôme- no educativo, buscando postular o melhor modo de -conceber a educação

e

expressando um olhar límpido sobre as teorias pedagógicas.

2

OBJETO DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

"O homem é~ ~nica cric:tu~a que precisa ser educada" (Kant,

1996, p. 11). Ao contrano dos ammai s, o homem necessita de cuidados par~ sobreviver e crescer de acordo com a sua própria natureza, que é

cion a l. Isso nos l e ~a ª. con~iderar que ele necessita de educação para tomar-se homem, pois nmguem nasce pronto. Essa necessidade ori oinal

ra

0

ao mesmo tempo imprime no homem uma necessidade gregária

ele depende definitivamente de outros para tomar-se homem. '

pois

. A educação tem valor em si , pois se apresenta ligada a todas as

dimensões humanas, seja dos sentidos, das emoções, do conhecimento ou do caráter. A educ ação humana é ao mesmo tempo uma relação de um para com o outro e uma aquisição do homem para consigo mesmo. Ser ed~cado ou educar faz parte do agir em direção à própria humanidade. O º?J_eto da filosofia da educação é este fazer humano e nele todas as possi- b1hda~es, sustentí;ldas pelas ideias de como tomar um ser humano um autêntico homem. A análise sobre as ideias que fundamentam as teorias

pedagó~icas são um ~os focos possíveis de nossa reflexão, porém não apenas isso. Concoffiltantemente, é preciso buscar elucidar os mistérios do próprio homem, na sua concepção e conceituação mais precisa. Se o

Filosofia da Educação: uma outra Filosofia?

25

fenômeno educativo se direciona para a própria concepção de humanida- de contida em cada homem, então, nesse sentido, as teorias sobre educa- ção necessitam de fundamentação filosófica. Logo, o objeto da filosofia da educação é o próprio homem, enquanto ser educável, e a educação, enquanto fenômeno humano que precisa de contínua superação.

fenômeno humano que precisa de contínua superação. 3 ORIGEM DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO O surgimento da

3 ORIGEM DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

O surgimento da filosofia da educação não está afastado do próprio surgimento da Filosofia. A relação estreita entre Educação e Filosofia está posta desde sua origem. Se a palavra Filosofia etimologi- camente vem do grego philosophia1, que é constituída de duas partes:

philo, amar, amizade, amor fraterno, e sophia, sabedoria, saber,_ da_qual deriva sophos, sábio. A interpretação desse termo nos leva ao s1gmfica- do de amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber, amor à sabe- doria. Por muito tempo foi sinônimo de saber racional e de ciência de- vido à sua origem estar próxima do que os gregos conheciam como episteme, ciência e thecné, técnica ou arte. Basta lembrar-se da asserção aristotélica de que quanto mais profundamente examinamos a matéria, mais somos conduzidos à filosofia.

Descartes (1596-1650) também

compreende tal termo como o "estudo da sabedoria", isto é, um per- feito conhecimento de todas as coisas que o homem pode saber. Já o termo Educação tem sua origem no latim, educere, conduzir ou treinar e educare, que significa treinar ou nutrir e alimentar (Winch & Gin- gell, 2007, p. 78). Porém, podemos buscar a origem da filo sofia da educação na preocupação com o fundamento educativo através d?

termo grego paide ia, qu e

educação em seu senti-

O filósofo

moderno

René

si gnifica fom1ação e

do mais abrangente 2 . Hoj e já e stamos

acostumados com as diferentes ciência s, tais

como, a medicina, a m atemática , a geometria, a psicologia, entre ou~ras, porém na ori gem da Filosofia to das e stas ciências eram compreendidas como uma coisa única, o conhecimento humano voltado para o mundo.

nem o verbo

philosoph ein (filosofar). De maneira geral, desde Homero, as palavras compostas em phzlo serviam para designar a disposição de alguém que encontra seu mteresse, seu pra~er, suara- zão de viver. Na dedicação a essa ou àquela atividade: philo-posia, por exemplo, e? prazer_e o proveito que se tem ao beber; philo-timia é a propensão para angariar honras, phzlo-sophza

será, portanto, o interesse pela sophia, pela sabedoria (Hadot, Este termo sempre carrega certa impossibilidade de tradução simples para a llilgua po~gue- sa, como para qualquer língua moderna, pois ele está sobrecarregado de concepçoes q?e alargam sua compreensão não podendo se afastar ,dq que comp reendemos por cultura.

É quase cen o que os p ré -s ocráti cos

não conh ec eram o adj etivo ph ilosop hos

!

l.

!

l

26 Karen Franklin e Cátia Cilene Farago

No decorrer da história do pensamento humano paulatinamente as ciên- cias foram se separando da Filosofia, tal como fizeram os primeiros pensadores gregos do século V a.C., que entre rupturas e continuidades

do Mito, dando origem à Filosofia. Eles introdu-

ziram um processo de reflexão sistemática e racional diante do mundo ou ~eja, aos poucos ~ei~aram de lado as explicações mitológicas para 0 ~ fenomenos e ocorrencias do mundo para dar luoar à racionalidade expressa na Filosofia. Mesmo assim, não podemo; deixar de destacar que os Mitos foram uma das primeiras formas de pensar que revelava um esforço de ordenação, de unificação, que prenunciou tudo o que viria a seguir no Ocidente em termos de saber.

foram se di stanciando

4 DA MITOLOGIA À FILOSOFIA

Para situarmos expressamente a relação entre filosofia e edu- cação vamos nos remeter à mitologia e retomar uma conhecida passa- gem do "Mito de Prometeu", que prenuncia a própria condição humana contado por Hesíodo

O poeta conta que a primeira falta cometida por Prometeu para com Zeus foi a divisão de um boi em duas partes, uma cabendo a Zeus e outra aos mortais. Na primeira estavam as carnes e as vísceras, cobertas com o couro. Na segunda, apenas ossos, cobertos com a banha do ani- mal. Zeus, atraído pela banha, escolhe a segunda. Ao descobrir o enga- n~, _sua raiva, rancor e cóle:a subiram à cabeça e tomaram seu coração. V1s1velmente Prometeu agm em favor dos homens. Por conta disso

Zeus castigou os homens, negando a eles a força do fogo infatigável.

afronta definitiva de Prometeu ocorre quando ele rouba "o brilho lon-

gevisível do infatigável fogo em oca Férula" (Hesíodo, 566). Esse fogo

A

3

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reanimou a inteligência do homem, que antes era semelhante aos dos fantas~as dos sonhos. Na verdad~, ~onsta que Prometeu roubou O fogo da razao, colocando ~o homem ongmalmente uma característica divina. A Prometeu os mortais devem suas habilidades, todas as artes inclusive a de domesticar animais selvagens, bem como a arte de fazê~los traba- lhar para os homens.

O mito de Prometeu tal como é contado por Hesíodo em sua obra chamada Teogonia mas também é_citado por Platão :n1 seu diálo_?O Protágo_ras, que apresenta complementos de Ésqui- lo, traged1ógrafo contemporaneo de Platão. Esse mito apresenta a origem de todas as criaturas vivas, que aparece~ como obra de vários deuses, feitas com terra, limo e fogo. Daí vem à ori- gem da palavra latma humus (te~), que .dá ori~em ao.termo homem. Desde a origem os gregos acreditavam que uma centelha divma de imortalidade percorria toda a Terra e as criaturas.

Filosofia da Educação: uma outra Filosofia?

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O que nos interessa aqui é a explicação mitológica para uma característica humana que não se manifesta entre as outras criaturas, a razão. Esse fogo roubado é a representação da racionalidade, aquilo que permite aos homens assumirem a atitude filosófica. O fogo representa simbolicamente a inteligência do homem, um saber racional que conduz à superação do próprio mito . A partir de uma explicação mitológica a inteligência humana aos poucos se liberta das explicações de cunho fantástico, própria da origem e impõe uma organização do cosmos atra- vés da racionalidade. Na verdade, os únicos problemas especificamente humanos, não compartilhados por nenhuma outra espécie de seres vi- vos, são aqueles relacionados com a exigência do saber e com a presen- ça das relações de poder entre os homens. Se a origem da filosofia se dá a partir da própria mitologia, temos uma situação original que reflete esta proximidade com as expe- riências que perturbam o homem. A partir delas ele busca explicações capazes de satisfazer sua inteligência e é nesse momento que inicia o

seu filosofar.

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Os homens necessitam do conhecimento e do saber para com- preenderem o que se passa com o mundo. Essa busca pelo conhecimen- to, caracterizada pela filosofia, tenta libertar o homem, da autoridade e originalidade do mito. Dessa forma, a origem da)ilóspfia sempre estará vinculada ao mito. Mesmo contando com as éx.plic.àções sistemáticas para a maioria dos dilemas humanos, em certos·-mõrp.ehtos ainda deixa- mos. espaç(? para que o mítico fale. Dessa fo!.liia!•:f reflexão filosófica desenvolvida pela .humanidade é fundamentalm~~w -· um esforço em busca do saber e conhecimento; que visa esclare&··f '"'é"-Iibertar o honiem de todas as dificuldades diante da vida, : · :•~; ·· . · Não nos engànamos em dizer que a _filpjof1à .origina-se da se- paração entre as expressões _míticas da rel~9ãA,~cqs~os-.hu~ani~ade, através da concepção de expressões e r~p:i;es~_~t;çp~f r~_c1onais diante dos acontecimentos da vida. Ao longo do temp'ó?êlií seJransformou em uma impressi9nante expressão cultural no Oci~eite, constituindo-se em

tradição de pensamento, através da elaboração de ·côn:iplexas visões

da

realidade, procurando sempre '"explicar" e "compreender" o sentido de

todas as coisas.

5 O PRIMEIRO FILÓSOFO DA EDUCAÇÃO: PLATÃO

Consideramos que o primeiro filósofo da educação foi o grego Platão (427-347 a.C.), aluno· de Sócrates (470-399 a.C.). Já que este último não deixou nada escrito, muitas passagens dos chamados diálo-

28 Karen Franklin e Cátia Cilene Farago

gos ~ocráti~os 4 retratam as teorias e posições do mestre, no entanto é preciso salientar que o personagem Sócrates das obras de Platão tam- bém é o porta-~~z das ~dei~ do próprio autor. Essa indefinição sobre quem fala nos drnlogos e objeto de longa discussão, mas o mais interes- sante _é que ~o ~ssociar a preocupação ético-formativa de Sócrates com

a teona das ideias de Platão temos de fato a origem do primeiro filósofo

da educação.

.

.

.

O objet~ educaciona~ de Platão é claro: quer objetivar intelec- tualmente uma cidade que seja·justa e perfeitamente harmônica entre suas, pa_rtes. Est~ pensamento s~ encontra· principalmente no diálogo A Republica, considerado por mmtos como o. primeiro texto de filosofia da e~ucação. Nesta obra é apresentado o Mito da Caverna (livro VII), uma 111:"agem que representa tod_o .o esforço do homem em direção ao

c oi:11ec imen;º· _O movim:nto a~i ap:esentado _surge como uma represen- ta_çao dayropna educaçao, p01s alem de: ser um caminho difícil, ele é

trilhado isolad~mente.

ça o conhecimento deve ser feito por cada um. O aprendizado é um ·

movimento da alma.

Isso _sigrii~ca dize.r_que o esforço para a aquisi-

·

·

Ménon, onde des-

de o mic10 a questao esta colocada: E possível ensinar a virtude? Essa e

outras questões permeiam as preocupações originais da filosofia da

foi o pri1:1eiro a definir a essência da filosofia enquan-

to fo1:1.1açao de um novo tipo de homem e essa abordagem estreitou em de finitivo o~ rumos· da relação entre filosofia e educação (Jaeger, 1995).

:sso q~er _dize~ ~ue, qua~do os gregos despertaram para si mesmos, a ~o~sc1enc1a teonco-filosofica da educação foi compreendida como uma

educação

. , .Também _não P?denÍ~s esqvecer do diálogo

Platão

ideia de formação - pai?ei~ 5 - para a qual deveriam dirigir todos os

da comunidade e da individualida-

C! ~~forço ed11:cativo na Antiguidade tem sua origem na tentativa de

poss;bihtar a efet1yação _de urn_a sociedade justa. O texto A República é

ur;n 1_cone dessa d1 ~c1:ssao, po1~ ~ nele que surge a ideia da educação

estra~egias pedagogicas e da seleção de conteúdos. Sua

concepçao educac10nal busca mudar a ordem social para possibilitar uma n?va ~strutura , e~sa fonna de p ensar a realidade ficou co nhecida como idealismo, que, a partir de Platão, manteve-se presente por toda a

publica,_das

esforços humanos como Justificação

d e.

Não há ~ossibilidade _de atribu\rmos com precisão a genealogia das obras, mas a maioria dos e_:-pec1alrstas apresenta como d1ál~gos socráticos os diálogos da juventude de Platão que es- ta? centrad~s em esclarecer conceitos como o Lísis, Laques, Eutifron, Hipias Maior' Crátilo '

Pod~mos compreender !aidéia na cultura grega como a· formação integral do homem, a ser

Gorgias, Menon, entre outros.

·'

prop1c1~da pel~ educaçao, através de recursos pedagógicos e culturais formaçao filosofica.

com destaque para a
'

Filosofia da Educação: uma outra Filosofia?

29

1 história do pensamento humano. Se Platão buscava mudar o status quo criticando a democracia e suas instituições, Alistóteles (384-322 a.C.) buscava aprimorar as instituições da melhor forma possível. -

6 .ÀRISTÓTELES: O ALUNO SE TORNA MESTRE

Foi aluno da Academia de Platão, mas também um grande crí- tico do mestre. Porém compartilhava com o mestre a rigidez critica contra os sofistas. A sofistica 6 surge no desenvolvimento espiritual do mundo grego como um acontecimento educativo. Sem os sofistas não seria possível compreender a importância de Sócrates, Platão ou Aristó- teles. Eles são os contrapontos para todas as questões educacionais, políticas, éticas e teóricas do helenismo clássico. A importância dada por Aristóteles à educação conduziu-o à defesa de uma educação pública, tal como ensinara seu mestre Platão. A educação pública proposta deveria ser capaz de complementar e de substituir, quando necessário, as insuficiências da família, de modo que as novas gerações pudessem se beneficiar de uma boa formação do ca- ráter. Na obra A Polfrica, Aristóteles dedica várias páginas à organiza- ção da educação como alicerce da formação do caráter e defende a ideia de que são necessárias leis e medidas corretivas que acompanhem e ajudem na conduta da vida ética do homem, tanto na juventude como na maturidade e na velhice. Ainda, para Aristóteles, a felicidade surge como um dever e um direito do homem. Ele é feliz 7 quando realiza aquilo para o qual foi feito. A felicidade está associada ao Bem, à Virtude e à Alma, po1ianto, não exclusiva.mente ao corpo e aos bens exteriores . Ao contrário dos

A educação sofistica buscava a formação do espírito, através de uma multiplicidade de

processos e metodologias educati-rns. Os sofistas tinham, se gund o Jaeger, duas modalidades

distintas de educação do espírito: a transmissão de um saber enciclopédico e a formação do

Ao lado da formação !Ileramente formal do entendimen-

to, existiu igualmente nos sofistas uma educação formal no mais alto sentido da palavra, uma

Paideia :dl!lhada con os nov os rempos, onde a linguagem e a fo r::1ação do espírito estão or-

denados aos resultados diante da As sembleia. O que de novo e de único liga todos os sofistas é o ideal da retórica, nas demais questões diferem de vários modos (Jaeger, 1995, p. 342).

Em A Política, Aristóteles dá-nos a seguinte definição de vida feliz : consiste no li vre exercí- cio da virtude, e a virtude na mediania; segue-se daí que a melhor vi da deve ser a vida média, encerrada nos limites de uma abastança que todos possam conseguir. E este princípio é váli-

do tanto para as pessoas como para o Estado. Um Estado é tanto mais feliz quanto mais justo,

espírito nos seus diversos ,:amp os

quanto mais justo, espírito nos seus diversos ,:amp os prudente e bom for. Daí que o

prudente e bom for. Daí que o melhor governo seja aquele no qual cada um encontra a me- lhor maneira de ser feliz. Um governo justo é o que procura um justo meio e o que chama a si

as virtudes da moderação e da prudência, evitando a desigualdade extrema e a desproporção,

que são causas da discórdia e da inveja entre os homens . Um governo justo é o que se esforça por respeitar o equilfürio entre as classes e o que procura o interesse comum.

30 Karen Franklin e Cátia Cilene Farago

outros seres vivos, o homem possui uma alma racional e inteligível, dotada de razão. Deste modo, fazer o Bem é agir de acordo com a razão. Mas será que a felicidade é acessível a todos os homens? De acordo com Aristóteles, apenas os que não possuem conhecimento estão impedidos de atingir a felicidade. Segundo ele, a educação vai permitir que as virtudes se desenvolvam e se tornem realidade. Embo- ra a educação não seja determinante é, contudo, condição necessária. Sem educação é difícil despertar as virtudes. Embora ela não seja tudo - ao contrário de Sócrates que pensava que bastava conhecer para fazer o bem - vai permitir a aquisição de bons hábitos e o contato com pessoas virtuosas. Sócrates e Platão nunca deram uma resposta plausível à gran- de questão: como é possível tornar uma pessoa virtuosa? Do mesmo modo, não conseguiram dar uma resposta satisfatória à questão: é pos-

sível ensinar a

virtude? No entanto, Aristóteles, na sua obra Ética a

Nicômaco, responde afirmativamente sobre a possibilidade de seu ensi- no. As virtudes morais podem ser ensinadas, diz ele. Mas, mais do que produto do ensino, as virtudes morais são produto do hábito. Em A Polí- tica, afirma que três coisas devem contribuir para isto: a natureza, o hábito e a razão. No entanto, a hierarquização destas partes sempre esta- rá em discussão, pois o filósofo responde que devemos esforçar-nos ao máximo para proporcionar à criança, ao mesmo tempo, o raciocínio e o

hábito. Da mesma forma -que a alma e o corpo são duas substâncias distintas, assim também a alma tem duas faculdades distintas, uma é iluminada pela razão e outra não. Isso significa dizer que para Aristóte- les a educação é, eminentemente, uma educação ética que deve ter co- mo objetivo atingir todas as excelências humanas.

7 FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO: MUITOS OLHARES

Na história do pensamento muitos filósofos se ocuparam com a educação, desde a Antiguidade até a Contemporaneidade. As classifi- cações e tendências teóricas no interior da Filosofia da Educação foram influenciadas pelo pensamento de diversos autores. Não vamos explici- tar aqui todas as classificações e pontos de vista. Deteremos-nos a fazer considerações às problemáticas mais pontuais e a filósofos referência nas questõ.es humanas. O pensamento filosófico de Santo Agostinho (354-430), autor do final da Antiguidade, é uma destas referências para se pensar as questões humanas. Suas obras Confissões e Cidade de Deus são consi- deradas fundamentais para compreender o sentido de conversão da alma

Filosofia da Educação: uma outra Filosofia?

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humana. Seu pensamento ·apresenta uma forte influência platônica e sempre parte da reflexão sobre a vida: coisas que ocorrem ao redor, ideias dominantes, as questões sobre a alma e os ataques contra a fé. Agostinho aborda o problema do homem concreto, deixa de lado a bus-

ca pela essência humana em geral ou o homem abstrato. O que lhe inte-

ressa é o eu, o homem enquanto indivíduo único, ou seja, como pessoa.

A reflexão sobre sua própria vida e existência desencadeia uma metafí-

sica da interioridade e isso o aproxima das reflexões filosóficas da edu- cação, nesse sentido a problemática do indivíduo é também o motivador das reflexões sobre educação. Muito influenciado pelas concepções

gregas, Agostinho mantém a perspectiva de que o homem é alma no corpo. No entanto agora esta relação está imbuída do conceito de cria- ção e dos dogmas cristãos. Aqui o corpo adquire uma maior importância devido ao dogma da encarnação de Cristo, mas a alma ainda mantém preponderância sobre o corpo, pois é a imagem de Deus e da Trindade. Outro filósofo decisivo para a história do pensamento foi Tomás de Aquino (1225-1274), um expoente entre OS ' escolásticos. Sua inspiração intelectual é Aristóteles. Desenvolve um sistema de transpa- rência lógica e conexão orgânica entre as partes. Sua obra inais conhe- cida é a Suma Teológica, mas . outras também são· importantes para compreendermos as interfaces de seu pensamento,~ão' elas Suma contra os gentios, Questões disputadas, entre outras. Tomás' de Aquino distin- gue perfeitamente filosofia e teologia como campos .diversos da procura pela verdade. Seja pela razão ou pela fé, a busca pelaverdade deve ser o objetivo. Assinala que é predso partir das verdades racionais para tor- nar possível a discussão com qualquer pessóa, pois as convicções são diversas e o que nos une enquanto homens é ·a razão. Nesse sentido, o pensamento de Tomás d~ Aquino., é importante pàra a reflexão sobre educação, pois tal como -ele, a filosofia da educação busca estabelecer discussões a partir do que nos é comum e convergente, isto·é, a razão. A Filosofia da Educaç-ão .se '·Consolidou' ·. 'ôesde·· sua ori- gem como uma reflexão prescritiva da· educação, pois na aborda- gem dos assuntos estabelecia-se como uma forma procedimental. No centro destas considerações podemos citar Jean.:Jaques Rousseau (1712-1778) que na mesma linha platônica propõe uma··revolução pro- cedimental no cuidado com a educação. Apresenta em sua obra Emílio uma proposta educacional baseada nos princípios da empiria, ou seja, tomando a experiência como origem de todo o conhecimento humano.

Essa obra "comporta a educação do homem inteiro, sentimentos e razão, naquela vontade geral e naquele bem comum .que são os pila- res da nova construção social",(Reale & Antiseri, 1990).

32 Karen Franklin e Cátia Cilene Farago

Também podemos dizer que Kant (1724-1804) ocupou-se, de

certa forma, com a questão educacional. Apesar de ser mais conhecido

, Kant também se preocupou com a formação

moral humana 9 Temos hoje uma obra publicada por seu aluno Theodor Rink em 1803, Sobre a Pedagogia, que é o resultado de uma série de cursos ministrados na Universidade de Kõnigsberg. Segundo Kant, sem a educação o homem talvez tivesse uma destinação semelhante a dos demais animais e, neste sentido, iria desviar-se do seu destino, des- viar-se da humanidade. A necessidade que marca a existência desse ser que não pode se tomar um verdadeiro homem senão pela educação,

por suas obras Críticas

8

apresenta-se como uma necessidade. metafisica da educação. Somente ela o torna moralmente homem. Nesse sentido é preciso que ele passe por um processo para efetivar-se um '.'ser mon1l''_namaior plenitude que

consiga atingir. Já na Crítica da Razão Pura e Fundamentação da Me-

tafisica dos Costumes, Kant estabelece que . a conduta humana deva estar submetida à razão. Submissão esta que assegurará ao homem a sua autonomia, liberdade, racionalidaçle, e .moralidade. O "_dever" em Kant adquire um valor fundamental para à realizaçao da humanidade, pois a possibilidade de se ter uma ordem ~iversai na convivência humana, só se constituiria com o desabrochar dà cidadania e da digniq.ade humana. Na mesma linha de pensamento de Aristóteles, Kant admite que é possível o ensino das virtudes morais. O homem, através da edu- cação, é capaz de moldar suas ações por meio de máximas estabelecidas numa legislação universal. A razão humana e o bom uso da razão pro- porcionam ao indivíduo sua autonomia, livrando-o da submissão de outrem. Cumprir "por dever" uma lei que sua própria razão lhe asse- gura é estabelecer-se como um legislador universal, membro de unia .comunidade que compreende a lei como princípio único de suas ações. Assim, podemos dizer que a ação humana é pautada por princípios ob- jetivos, morais e universais. O objetivo de Kant é mostrar que a vontade de\'e se tornar autônoma, parn que o homem possa agir de forma racio- nal e universal. Pela decisão do próprio homem a razão se emancipa das tutelas ideológicas e religiosas, possibilitando que este homem passe a se r responsável por suas a çõ e s, ati n g e o .~z rfk léir u ng , ou s ej a, o es cla r e - cimento . Podemos dizer que o pensamento de Kant marca decisivamen- te o pensamento sobre a educação. Kant nos permitiu conceber que a educação deve tornar o homem um "ser moral" através da busca pelo esclarecimento.

Crítica da Razão Pura, Crítica da Razão Prática e Crítica.do Juízo. Crítica da Razão Prática, Fundamentação da Metafisica dos Costumes e a Metafisica dos Costumes/doutrina das virtudes.

e a Metafisica dos Costumes/doutrina das virtudes. Filosofia da Educação: uma outra Filosofia? 3 3 Mais

Filosofia da Educação: uma outra Filosofia?

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Mais tarde; segundo Porto (2006), o princípio do ~écuJo XX apresenta uma diferença interes~ante em rela~ão à democratlzaçao: en- quanto a democracia moderna amda se anuncia na Europa, n?s Estado~ Unidos ela está em pleno desenvolvimento. Este d:senvolvimento fm uma preocupação constante do filós,ofo norte-ame~can? .John Dewey (1859/1952). Ele viu na educação, alem de su~ funçao prati~a de, s.er um elemento inerente e coadjuvante da democracia, uma funçao teon~a. A atenção de Dewey (1959) à ação social e à educação ~eu uma onenta- ção decididamente prática à sua filosofia. Em vez de hdar apen~s com constructos teóricos imutáveis, ele afirmava que a filosofia devena pre- ocupar-se com problemas humanos em um mundo variável e incerto. Acreditava que a maioria dos pensadores lançava-se em uma "busca pela certeza", na qual procuravam por ideias verdadeiras e eternas, quando o necessário são soluções práticas para problemas modernos. Essa visão está de acordo com a ciência moderna, para a qual as ideias não são imutáveis, se configuram em pontos de partida para resolver um problema perturbador. Dewey acreditava q_tie}ever~amos usar a filosofia para ajudar a nós mesmos a .s~rmos mais . e~penmen- tais" em nossa abordagem dos problemas sociais, testan~o ideias e. pr~- postas reflexivamente, antes de agir sobre elas, e i:or meio da. avah~çao crítica e do exame reflexivo dos resultados, depois de expenmenta-las na prática. Nesse sentido as ideias são instrumentos na solução d: pro- blemas humanos. Porém devem ser testadas de uma forma expenmen- tal, de modo que possam'os aprender com nossos esforços e redirecioná- las para um efeito melhor. A filosofia de Dewey é conhecida como experimentali~ta e instrumentalista. Tem estes tem1os forjados por ele mesmo, pois ao distanciar-se da concepção de pragmatismo, imprime à sua filos?fi~ uma busca que evidencia o papel da educação pela ação. Dewey atnb_:1i à filosofia função essencial de nos levar a compreend~r que a educaç~o se confunde com o próprio processo àe viver. Isso sigmfica que estao presentes em sua abordagem a necessid~~~ de esclarecer as ~uestões fundamentais sobre a vida humana e a utilma de de todas as aço es para nossa fo rmação. Nesse sentido, quando refletirmos sobre qu:stões _ com?: <? homem pode ser educado? O que é educação? Que sentidos sao atnbui- dos à filosofia e à educação; somos levados a compreende~ a filosofia, novamente, no seu papel fundamentador. Ela. não tem simpl:smente uma função de legitimação do discurso educac10nal. (a pedago~ia) e do objetivo da educação (a meta do processo de ensmo-aprend1zagem e formação dos homens), mas apresenta-se com~ a própria filosofia abert~ para a problemática da educação. Na perspectiva de Deleuze e Guattan

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(1992), para os quais, "simplesmente é chegada a hora de perguntar o

que é a filosofia?" Se para estes a filosofia é a arte de formar, de inven- tar, de fabricar conceitos, cabe a nós percorrermos um caminho que parte da compreensão etimológica da palavra para a composição do nosso conceito. Muitas são as correntes que influenciaram o pensamento con- temporâneo com relação à educação. Hoje convivemos com uma plura- lidade de pontos de \ista que são fundamentados sobre perspectivas filosóficas da modernidade, sejam as cartesianas, as kantianas, as hege- lianas, empíricas ou racionalistas. Muitas são as classificações propos- tas, porém o que nos interessa é mantermos aberta a discussão sobre o objeto que é a educação. A compreensão sobre o que é educação sempre causa discussão, pois não há uma definição última. Ela pode ser conce- bida como todo o fenômeno de desenvolvimento de um set humano . Segundo Winch e Gingel1 10 , Richard Peters distingue três critérios ou condições para mapear a distinção entre a educação e outras ocupações e atividades humanas. O primeiro critério é o de que a educação, em seu sentido pleno, tem uma implicação necessária na percepção de que algo de valor ou importante está acontecendo. Segundo critério leva em con- ta que a "educação" envolve a aquisição de conhecimento, a qual ultra- passa a mera habilidade, o saber-fazer ou a coleta de informação. E, em terceiro lugar, os processos de educação envolvem pelo menos alguma compreensão daquilo que está sendo apreendido e daquilo que é exigido na aprendizagem. Isso implica, por exemplo, a compreensão de que participamos de um processo voluntário e que não corremos o risco de sofrer lavagem cerebral, condicionamento ou adestramento (Winch & Gingell, 2007). Compreender a educação como a conquista final de um proces- so que, por vezes, percorre a vida de uma pessoa, é compreender a rela- ção intrínseca do processo educativo com o pensamento que o sustenta. Nesse sentido, o processo de desenvolvimento integral do homem não cabe apenas às correntes pedagógicas utilizadas no processo, mas signifi- cativamente a re:f:1.exão filosófica impressa em tal processo. Se a educação é um processo de formação integral do homem, então a formação ética, moral, política, epistemológica, social e cultural estão no centro desta discussão e cabe a Filosofia fomentar tais discussões e reflexões. Ao percorrermos esse caminho de pontuais esclarecimentos sobre filosofia e educação, chegamos de fato ao ponto central de nossa indagação: o que é Filosofia da Educação? De fato, ela se mostrou co-

10 Professores de filosofi a da educação da Universidade de Northampton, Inglaterra.

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mo o olhar filosófico sobre a educação, é a atividade que o pensamento desenvolve, de forma sistematizada, sobre o fenômeno educativo e so- bre a educação, procurando compreender sua complexidade. E aqui, cabe salientarmos, que ao buscar compreendê-la de forma integral, caí- mos fatalmente na circrmscrição da Filosofia. Por isso, resgatamos a

símbolo, a coruja 11 , que sabe lançar seu

representatividade de seu "olhar" em todas as direções.

Quando esclarecemos o papel central que o fenômeno educati- vo tem em alguns pensamentos clássicos da filosofia nos damos conta da relação intrínseca que estes âmbitos do conhecimento têm entre si. Dessa forma, o horizonte em que nos colocamos para compreender a Filosofia da Educação se situa entre a percepção filosófica da educação e a dimensão pedagógica da filosofia. Alguns sustentam que ela deva debruçar-se sobre concepções epistemológicas do pensamento (classifi- . cadas como: idealismo, empirismo, analítica, transcendental, entre ou- tras); mas também, há quem afirme que a Filosofia da Educação deve estar associada a uma perspectiva de compreender apenas a história da educação ou ainda que deva refletir sobre as particularidades dos mo- vimentos pedagógicos. O distanciamento destas concepções deve ocorrer pelo fato de, ora diminuírem a reflexão filosófica sobre educação apenas a correntes pedagógicas, ora concebereqi)t :filosofia da educação como simples discussão sobre teoria do c.onhecimento. Por isso, resgatamos a percep-

foi;-ma, d~ reafirmar a estreita relação entre a

educação de fo~~ ·ª esclarecer .que as discussões devem

ção da Antiguidade como

filosofia e a

estar

sofia da Educação collló urµ olli~r .filosófico sobre a educação de forma integral, buscando estlar~c.er :e questionar as inter-relações das questões éticas, políticas, epistemológicas e culturais com o conjunto de concep-

ções e práticas chamada Educação.

enraizadas na própria ·Filosç:±ia. Dessa forma, concebemos a Filo-

·

REFERÊNCIAS

Aristóteles. (1991). A Política. São Paulo: Livraria Martins Fontes.

11 O mais antigo símbolo da filosofia é a ave chamada Atena, deusa da sabedoria e da fecundi- dade. Aparece sempre associada, na mitologia grega, a ave noctívaga que é a coruja, cuja no- ta distintiva é a de se levantar ao anoitecer e andar vigilante e ativa pela calada da noite. A coruja auxiliada apenas pela luz da lua, é dotada de uma excepcional acqidade visual, vê o que o comum dos outros anímais só consegue perceber com a luz do sol. E essa invulgar ca- pacidade de ver e de orientar-se no mundo das trevas que faz dela um símbolo da filosofia e do conhecímento racional: a coruja, tal como a filosofia, simboliza a reflexão que domina as trevas ou a capacidade de obter conhecimentos para lá das sombras.

36 Karen Franklin e Cátia Cilene Farago

Aristóteles. (1991). Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural. (Os Pensadores) Deleuze; Gilles, & Guattarri, Félix. (1992). O que é a filosofia? Rio de Janeiro:

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ção de Renato Marques de Oliveira). São Paulo: Contexto.

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·A BIOLOGIA EDUCACIONAL E OS FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

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EDUCACIONAL E OS FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ' J • i Profª Dr.ª Elisabeth Christmann Ramos Nascemos

Profª Dr.ª Elisabeth Christmann Ramos

Nascemos com toda a carga de nossa genéticafisica e psíquica. Mas não somos apenas isso.

nossos pais.

Mas não somos apenas isso.

Somos em parte resultado do que foram

Lya Luft

Como outros campos do conhecimento, a história da Biolo- o-ia Educacional reflete as mudanças que ocorreram não só nas leis edu- ;acionais brasileiras, mas, também, as alterações no seu quadro político, ideológico, social e cultural ao longo dos tempos. Ao trilhar, desde a sua origem, diferentes caminhos nem sempre bem definidos, a história dessa disciplina deixou marcas que ainda hoje são percebidas nas ques- tões controversas e mal resolvidas que envolvem as concepções e signi- ficados da Biologia Educacional nos currículos dos cursos de formação de professores e pedagogos. A lógica interna de uma disciplina influencia o seu perfil, con-

sua organi-

tudo, os fato res externos a ela também são determinantes na

zação, na seleção dos seus conteúdos, objetivos e pressupostos. As dis- ciplinas também não estão imunes às influências dos novos conheci- mentos científicos e das disputas ideológicas travadas no campo especí- fico das suas pesquisas, das suas áreas correlatas e do contexto científi- co no qual o conhecimento é produzido.

Assim, a partir da contextualização histórica e social da gêne- se e evolução dessa disciplina pretende-se compreender e trazer para reflexão o processo histórico da construção dos seus pressupostos e a

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