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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade

Tese

Caracterização da resistência de genótipos de berinjela à
murcha bacteriana

Ivani Teixeira de Oliveira

Pelotas, 2011

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Ivani Teixeira de Oliveira

Caracterização da resistência de genótipos de berinjela à
murcha bacteriana

Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Fitossanidade, da
Universidade Federal de Pelotas como
requisito à obtenção do título de Doutor
em Ciências (área do conhecimento:
Fitopatologia).

Orientadora: Dra. Andréa Bittencourt Moura
Co-orientador: Dr. Carlos Alberto Lopes

Pelotas, 2011

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Dados de catalogação na fonte:
( Marlene Cravo Castillo – CRB-10/744)
O48c Oliveira, Ivani Teixeira de
Caracterização da resistência de genótipos de berinjela à
murcha bacteriana / Ivani Teixeira de Oliveira ; orientador
Andréa Bittencourt Moura; co-orientador Carlos Alberto Lopes Pelotas,2012.-82f. : il..- Tese (Doutorado ) –Programa de PósGraduação em Fitossanidade. Faculdade de Agronomia Eliseu
Maciel . Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, 2012.
1.Ralstonia solanacearum 2.Solanum melongena
3.Resistência 4.Interação patógeno-hospedeiro 5.Perda de
produção I.Moura, Andréa Bittencourt(orientador) II. Título.
CDD 635.646

Danielle Ribeiro de Barros . Andréa Bittencourt Moura (Orientadora) Dr. Willian Silva Barros Dr.4 Banca Examinadora: Dra. Carlos Rogério Mauch Dra. Valmir Duarte Dr.

Miguel e Ana Rosa.5 A meus filhos. Gabriel. DEDICO .

Murillo Lobo. Tânia. apoio e convívio. pela orientação. Carlos Alberto Lopes. disposição. Andréa Bittencourt Moura. Aos amigos Ismail. Aos funcionários da Embrapa Hortaliças e UnB pelo apoio e carinho. Jaqueline. do Laboratório de Patologia de Sementes. pelo exemplo e incentivo que sempre me acompanham. Ao Dr. Rosária e Sérgio. Luciana Pozzer.6 Agradecimentos A Deus por ter me dado saúde e força para esta longa jornada. Aos amigos Valácia Lemes. A minha mãe Dalva Teixeira de Oliveira. Leonardo de Brito Giordano pela orientação. confiança e oportunidade de conclusão deste trabalho na UFPel. Aos funcionários Mariane. amizade. Dediel. Bianca. Carine e Monalize pelo apoio e carinho em minha estada em Pelotas. Gilmar Henz e Adriana Nascimento pelo convívio na Embrapa e UnB. pela orientação. pela amizade e auxílio durante meu trabalho em Pelotas. Ao Dr. . apoio e todos os ensinamentos e exemplos transmitidos durante o trabalho na Embrapa Hortaliças. apoio. disposição. A Professora Dra.

A Embrapa Hortaliças. Agradeço. Ao CNPq e à Capes pelo apoio financeiro em Brasília e Pelotas. pelo suporte estrutural e pessoal para realização do trabalho experimental.     7 Aos professores da UnB e da UFPel. pelo convívio e ensinamentos. . A todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.

amarelecimento de folhas. CNPH171. Pelotas. selecionados em ensaio de virulência com estirpes de diversas procedências e de três diferentes biovares (I. as respostas dos genótipos à estirpe CNPH19 permitiram a separação em cinco grupos de diferentes níveis de resistência. Universidade Federal de Pelotas. A ocorrência de fluxo bacteriano foi constatada em todas as plantas cultivadas nos canteiros infestados. Além de murcha. todos pertencentes à raça 1. causada por Ralstonia solanacearum. II e III). e menor crescimento de plantas. todos apresentaram ao menos uma planta com murcha típica da doença. Com a utilização de análise multivariada. Neste trabalho foram avaliadas fontes de resistência à murcha bacteriana. Tese (Doutorado). Com exceção do genótipo CNPH778. Os genótipos foram agrupados (Scott-Knott . ambas pertencentes à biovar I. no genótipo CNPH785. 82f. A murcha bacteriana. em todos os genótipos. e dois grupos para o isolado CNPH152. solanacearum. Caracterização da resistência de genótipos de berinjela à murcha bacteriana. para quantificação de perdas causadas pela infecção bacteriana e observação dos sintomas apresentados. utilizando-se as estirpes CHPH19 e CNPH152 de R. Em ensaio para estudo de interação isolado-genótipo. oriundos do AVRDC (Asian Vegetable Research and Development Center – Taiwan). As avaliações da doença foram por notas aos 10 e 21 dias após a inoculação (DAI) e alteração de massa seca da parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS). Programa de PósGraduação em Fitossanidade. CNPH658 e CNPH783) foram cultivados em solo naturalmente infestado por Ralstonia solanacearum. baseada nas notas aos 10 e 21 DAI e alteração de AMS. é uma das doenças mais importantes para a cultura da berinjela e não existem variedades resistentes a esta doença disponíveis para comercialização no Brasil. foram observados os sintomas de seca e morte de plantas. Ivani Teixeira de. raça 1. cujos resultados obtidos confirmaram a existência de interação patógeno-hospedeiro e evidenciaram virulência elevada da estirpe CNPH19 e alto nível de resistência dos genótipos CNPH778 e CNPH785.8 Resumo OLIVEIRA. Foi calculada a perda percentual de produção de cada genótipo conduzido em solo infestado em relação à produção da área sem ocorrência de murcha. inclusive as que não apresentaram sintomas. biovar III. nos genótipos CNPH006 e CNPH658. 2011. raça 1. Estes genótipos e outros quatro (CNPH006. com agrupamento por dissimilaridade. foram inoculados seis isolados em oito genótipos. dentre genótipos previamente existentes no banco de germoplasma da Embrapa Hortaliças e genótipos depositados.

com concentrações de 104 a 109.4 e 10. seguido dos genótipos CNPH783. CNPH778 e CNPH171. O genótipo CNPH785 foi considerado o mais resistente por não ter apresentado perda na produção em relação à média obtida em área livre do patógeno. mas não manteve sua posição como genótipo resistente à estirpe CNPH19. com perdas médias em relação à média obtida na área livre do patógeno de 19. Os genótipos CNPH658 e CNPH006 foram os mais suscetíveis. Os genótipos CNPH778 e CNPH785 apresentaram o mesmo desempenho quanto à colonização de tecidos do caule. utilizando-se suspensões bacterianas das estirpes CNPH19 e CNPH182. resistência.3. Para complementar a caracterização de resistência dos genótipos CNPH785 e CNPH785. respectivamente. interação patógeno-hospedeiro. foram avaliadas curvas de titulação de resistência. Palavras-chave: Ralstonia solanacearum. respectivamente.9 P≤0. em um período de zero a 48h. previamente observada. e também a capacidade de colonização pelas estirpes CNPH19 e CNPH182 (isolada do solo do ensaio de campo) de R. O genótipo CNPH785 apresentou menor resistência quando comparado ao genótipo CNPH778. alcançando valores de log(ufc/g) de 7. para o período estudado.05) quanto à sua capacidade de manter a produção de frutos em uma área com solo naturalmente infestado por R.1%. e valores de 8. com perda quase total. solanacearum.63 e 8. pela titulação de resistência. destacando-se apenas em relação à estirpe CNPH19. segundo análise de regressão.95.83 e 7. solanacearum aos tecidos destes genótipos. Solanum melongena. O genótipo CNPH778 foi o mais resistente à estirpe CNPH182. respectivamente. 11. perda de produção .36 para os genótipos CNPH171 e CNPH658.

4 and 10. and CNPH658 CNPH783) were grown in soil naturally infested with R. The occurrence of bacterial flow was found in all plants grown in infested plots including those that showed no symptoms. p≤0. With the exception of genotype CNPH778. based on the bacterial wilt index at 10 and 21 DAI and AMS. In this work. Tese (Doutorado) . Using multivariate analysis. followed by CNPH783. II and III. Ivani Teixeira de. were evaluated. Universidade Federal de Pelotas.10 Abstract OLIVEIRA. 2011.1%. for its ability to maintain fruit yield in naturally infested soil by R. .Taiwan). race 1. six strains were inoculated into eight genotypes. CNPH778 and CNPH171 with average losses of 19. CNPH785 genotype was considered the best one for not having shown loss in fruit yield compared to the average obtained in the free pathogen soil. 82p. The strains used in this assay were selected by virulence and collected from different Brazil locations and biovars I. biovar III to quantify the losses caused by bacterial colonization and observing symptoms in this condition. leaf yellowing. solanacearum. and in two groups when inoculated with CNPH152 strain. 11.05. CNPH171. including recently accessions arrived from AVRDC (Asian Vegetable Research and Development Center . whose results confirmed the existence of strain-genotype interaction and showed high virulence of CNPH19 strain and high resistance of the genotypes CNPH778 and CNPH785. Characterization of resistance of eggplant genotypes to bacterial wilt. These and four other genotypes (CNPH006. To investigate strain-genotype interaction. solanacearum. race 1. solanacearum. biovar I. brinjal genotypes resistance reactions to inoculating CHPH19 and CNPH152 strains of R. were observed symptoms of leaves fall and death of plants to CNPH006 and CNPH658. The genotypes were grouped by Scott-Knott test. and low development of plants in all genotypes. the genotypes inoculated with CNPH19 strain were discriminated in five groups of different levels of resistance. The wilt severity was recorded following a grade scale at 10 and 21 days after inoculation (DAI) and alteration shoot dry mass of inoculated plants compared with noninoculated (AMS).3. In addition to wilting.Programa de Pósgraduação em Fitossanidade. The percentage of yield loss in the plant cultivated on infested soil in relation to the production on free bacterial soil was calculated. The evaluated accessions belong to Embrapa Hortaliças germplasm collection. to CNPH785. all had at least one plant with typical wilt disease. race 1. Pelotas The bacterial wilt caused by Ralstonia solanacearum is one of the most important diseases for the eggplant and no commercial resistant varieties to this disease are available in Brazil.

Solanum melongena. respectively. using CNPH19 and CNPH182 strains at 104 to 109 cfu/mL. loss yield . CNPH778 was the most resistant accession to CNPH182 strain. To complement CNPH785 and CNPH785 resistance characterization.63 and 8. according to regression analysis.36 for genotypes CNPH171 and CNPH658. CNPH658 and CNPH006 accessions were the most susceptible. at despite of to had shown resistance to CNPH19 strain previously.83 and 7. CNPH778 and CNPH785 accessions showed the same performance as the colonization of stem tissue. for the assayed period. Key words: Ralstonia solanacearum.11 respectively. only. in despite of to had shown resistance to CNPH182 strain previously. solanacearum after zero to 48h after inoculation. with almost total loss. these accessions were evaluated for resistance titration.95. resistance. reaching values of log (cfu/g) of 7. respectively. and also the ability of CNPH19 and CNPH182 tissue colonization by R. CNPH785 showed resistance to CNPH19 strain. and values of 8. but not maintained the same behavior show resistance to CNPH19 strain by resistance titration. pathogen-host interaction.

........ CNPH778...................... CNPH56. CNPH71 e CNPH152) e expressas pelo índice de murcha bacteriana aos 10 e 21 dias após a inoculação e alteração de massa seca na parte aérea em relação à testemunha não inoculada aos 21 dias após a inoculação... segundo o teste de agrupamento de Scott-Knott (P≤ 0..... 38 Figura 4 Manutenção na produção (peso) de frutos por genótipos de berinjela em plantas cultivadas em solo naturalmente infestado por Ralstonia solanacearum....05)........... biovar 3... raça 1..... CNPH783 e CNPH785).. CNPH171.... CNPH19.. expressa pelo índice de murcha bacteriana aos 10 e 21 dias após a inoculação e alteração de massa seca na parte aérea em relação à testemunha não inoculada... em relação à média de produção em uma área livre do patógeno......... expressas pelo índice de murcha bacteriana aos 10 e 21 dias após a inoculação e alteração de massa seca na parte aérea em relação à testemunha não inoculada aos 21dias após a inoculação..... 33 Figura 2 Dendrograma de dissimilaridade das distâncias de Mahalanobis das reações de oito genótipos de berinjela causadas pela inoculação de seis estirpes de Ralstonia solanacearum (CNPH13..... 48 ............. CNPH407........ 38 Figura 3 Dendrograma de dissimilaridade das distâncias de Mahalanobis da severidade de murcha bacteriana causada por seis estirpes de Ralstonia solanacearum em oito genótipos de berinjela (CNPH006..................... CNPH782... CNPH47... CNPH658...12 Lista de Figuras Figura 1 Dendrogramas de dissimilaridade das distâncias de Malahanobis das reações de genótipos de berinjela inoculados com as estirpes CNPH19 (A) e CNPH152 (B) de Ralstonia solanacearum...... Os valores das colunas com mesmas letras formam grupos que não se diferenciam entre si.

........ ambos da raça 1 de Ralstonia solanacearum ao longo do tempo... biovar III............... biovar I.... expressas na forma de área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD). inoculados com os isolados R19... e R182..........13 Figura 5 Reações dos genótipos CNPH171............ 66 .................. alteração percentual de massa seca da parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS) e número de plantas mortas (NPM) aos 30 (inoculação no caule) e 50 (inoculação nas raízes) dias após a inoculação com concentrações crescentes de suspensões bacterianas... CNPH778 e CNPH785 de berinjela à inoculação no caule e nas raízes com as estirpes CNPH19 e CNPH182 de Ralstonia solanacearum....... CNPH658.................... 60 Figura 6 Colonização de tecidos de quatro genótipos de berinjela................

............ 37 ........ países de origem e reações previamente conhecidas de resistência à murcha bacteriana de genótipos de Solanum melongena..... expressa em índice de murcha bacteriana aos 10 e 21 dias após a inoculação (IMB10 e IMB21.. biovar I) e alteração de massa seca na parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS) aos 21 dias após a inoculação............................................... 27 Virulência de estirpes de Ralstonia solanacearum (raça 1) em plantas de berinjela dos genótipos CNPH110 (suscetível) e CNPH171 (resistente)........... 25 Denominações.. 34 Virulência de seis estirpes de Ralstonia solanacearum...... raça 1......... em oito genótipos de berinjela............. e alteração de massa seca na parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS) aos 21 dias após a inoculação...................................................... instituição doadora.. respectivamente) e alteração de massa seca na parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS) aos 21 DA... 32 Grupos de classificação de genótipos de berinjela obtidos por análise de agrupamento multivariada para as estirpes CNPH19 e CNPH152 e suas respectivas faixas de índice de murcha bacteriana aos 10 e 21 dias após a inoculação (IMB10 e IMB21) e alteração de massa seca na parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS)........ expressa pelo índice de murcha bacteriana aos 10 e 21 dias após a inoculação (IMB10 e IMB21.......... estado brasileiro de coleta e biovar das estirpes de Ralstonia solanacearum.. 30 Severidade de murcha bacteriana em plantas de 21 genótipos de berinjela.................................. respectivamente) com as estirpes CNPH19 e CNPH152 de Ralstonia solanacearum (raça 1................ expressa em logaritmo do índice de murcha bacteriana aos 10 e 21 dias após a inoculação (IMB10 e 21).........................14 Lista de Tabelas Tabela 1 Tabela 2 Tabela 3 Tabela 4 Tabela 5 Tabela 6 Hospedeiro. avaliados quanto à virulência em Solanum melongena...... raça 1...............

... aos 10. e R182........ 90 e 130 dias após o transplantio em área infestada naturalmente com Ralstonia solanacearum.... biovar III... expressa em logaritmo do número de unidades formadoras de colônia por grama de tecido – log(ufc/g)........ ambas pertencentes à raça 1 de Ralstonia solanacearum...... raça 1............. 45 Incidência de sintoma de murcha (S) e morte (M) de plantas de seis genótipos de berinjela...... 61 Resistência dos genótipos CNPH171..... biovar 3... biovar 3.. 62 Resistência dos genótipos CNPH171.... CNPH658. CNPH658. expressa por coeficientes de curvas de resposta1 de alteração percentual de massa seca da parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS)..... CNPH778 e CNPH785 de berinjela à murcha-bacteriana..... biovar I ou CNPH182....... aos 30 (caule) ou 50 dias (raízes) da inoculação.... biovar III. ambas pertencentes à raça 1 de Ralstonia solanacearum.... expressa por coeficientes de curvas de resposta de área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD)... 63 Colonização de tecidos de plantas de berinjela de quatro genótipos..... biovar III......... 54 Resistência dos genótipos CNPH171....... biovar I ou CNPH182.. 65 . após inoculação por ferimento no caule ou nas raízes da estirpe CNPH19........ CNPH778 e CNPH785 de berinjela à murcha-bacteriana............ após inoculação por ferimento no caule ou nas raízes da estirpe CNPH19....................... biovar I............ raça 1.................................... em plantas inoculadas com os isolados R19.................. ambos da raça 1 de Ralstonia solanacearum........... raça 1......... CNPH778 e CNPH785 de berinjela à murcha-bacteriana....... nos dois centímetros acima do ponto de inoculação no caule.. biovar III...... 47 Genótipos de Solanum melongena avaliados em casa de vegetação e a campo: procedência e reações a duas estirpes de Ralstonia solanacearum........ raça 1... 50.................................. biovar I ou CNPH182........ em percentagem.....................15 Tabela 7 Tabela 8 Tabela 9 Tabela 10 Tabela 11 Tabela 12 Tabela 13 Tabela 14 Genótipos de Solanum melongena avaliados em campo: procedência e reações a três estirpes de Ralstonia solanacearum........ expressa por coeficientes de curvas de resposta1 de contagem de plantas mortas (NPM)........... ambas pertencentes à raça 1 de Ralstonia solanacearum.. 47 Produção (kg de frutos/planta sobrevivente) de seis genótipos de berinjela em área livre e em área infestada por Ralstonia solanacearum....... após inoculação por ferimento no caule ou nas raízes da estirpe CNPH19.... CNPH658............

..3 Interação genótipos e estirpes ......................................................................................................3.......................................... 45 3....................2 INTRODUÇÃO ................................................................................................RESISTÊNCIA EM GENÓTIPOS DE BERINJELA À MURCHA BACTERIANA ........................................ 46 3...................2 Produção de frutos ..............................1 Seleção de estirpes .......4.........3...................................................................... 41 3 CAPÍTULO II ............................................................... 42 3.................................................5 DISCUSSÃO ..................................................................................................4 RESULTADOS ... 21 2.............................3 Procedimento estatístico ...................................................................... 14 1 INTRODUÇÃO ......... 35 2.....3 MATERIAL E MÉTODOS ... 20 2....................................................................... 49 3. 28 2.........................................................................1 Descrição sintomatológica e diagnose .......................................................1 RESUMO ............................. 39 2....... 42 3..........................4 RESULTADOS ......... 47 3....16 Sumário RESUMO ...............................6 CONCLUSÕES ............................................. 8 ABSTRACT ......................................................1 Seleção de estirpes ................................3....................................................2 Avaliação de genótipos ..................4...1 RESUMO .................... 23 2............................................... 29 2................ 26 2..... 31 2......... 23 2.................4.................................................. 12 LISTA DE TABELAS ......................................3 MATERIAL E MÉTODOS ......................................3..3........ 28 2....................... 44 3....................................... 10 LISTA DE FIGURAS ......................... 51 ... 50 4 CAPÍTULO III ......................................................................................................................................2 Registro de plantas sintomáticas.......................2 Avaliação de genótipos ....................................................................................................................................................3...... 20 2. 18 2 CAPÍTULO I ........6 CONCLUSÕES ...............................................5 DISCUSSÃO ......4..........3........ 45 3.................... 43 3.....................................................PRODUÇÃO DE FRUTOS E SINTOMAS EM GENÓTIPOS DE BERINJELA CULTIVADOS EM SOLO INFESTADO POR Ralstonia solanacearum .................................................................................2 INTRODUÇÃO ................TITULAÇÃO DE RESISTÊNCIA E COLONIZAÇÃO DE TECIDOS POR DUAS ESTIRPES DE Ralstonia solanacearum EM GENÓTIPOS DE BERINJELA COM DIFERENTES NÍVEIS DE RESISTÊNCIA ......... fluxo bacteriano e produção de frutos .............................. 44 3......................................4................................................3 Estudo da interação entre genótipos e estirpes ........ 46 3........................................................... 29 2................................................................................................................................................................................................................................4 Procedimentos estatísticos ...........1 Área dos ensaios e genótipos avaliados .............................

........................................................1 Titulação de resistência.................................................. 51 4.4 Procedimentos estatísticos .......... 64 4....................................................................2..................... 58 4......3.6 CONCLUSÕES ............................................4 Procedimentos estatísticos .5 DISCUSSÃO ............3 Avaliação .......................................3 Avaliação .................... 58 4..................................2 INTRODUÇÃO ..........................................3 MATERIAL E MÉTODOS .................3.....................................................................................................................17 4.............................................. 54 4....2 Inoculação .................... 54 4...................................................................................................................................................................................................1 Titulação de resistência. 56 4...... 57 4................2 Colonização de tecidos ...........................3...... 78 .......................................3.......................... 67 4....... 69 5 CONCLUSÕES .........2 Estudo da colonização de tecidos .......... 58 4.........3..........................................................4..............................................................2.......1 Genótipos de berinjela e estirpes do patógeno .............. 57 4...3.....2.1........................................................................... 71 APÊNDICES ......................................................................1.4...1 RESUMO ........................................................... 52 4.......................................................................................................................................................3...................................................1........................ 57 4.... 54 4..........................................3...2......... 55 4................3..........4 RESULTADOS ..................................... 57 4.......................... 70 6 REFERÊNCIAS ............1 Genótipos de berinjela e estirpes do patógeno ..

oblongo. redondo. púrpura ou preta e formato oval. O volume de comercialização de frutos de berinjela vem aumentando continuamente nas últimas décadas. é cultivada em maior escala nos estados de São Paulo.18 1 Introdução A berinjela (Solanum melongena L. 2007). cultivada há séculos por chineses. BRUNE. Sua produtividade. A área plantada da cultura em São Paulo. 1993) A cultura tem período de 57 a 90 dias entre o transplantio e o início da frutificação e requer temperaturas elevadas para o crescimento da planta e desenvolvimento dos frutos. 2006). ocasionada pela ação de insetos (KALLOO. alcança 30 a 65 t/ha no campo e 60 a 95 t/ha em cultivo protegido (MOREIRA et al. que entre diversos benefícios alegados. geralmente brilhantes que apresentam ampla variação de tamanho. formato e cor (RIBEIRO. melongena é uma planta arbustiva de caule semilenhoso e ereto. S. Entre as variedades da espécie se apresentam frutos de tamanho pequeno a grande. Minas Gerais e na região Sul (RIBEIRO. que alcança 0.8 m de altura apresenta frutos do tipo baga. no Brasil. com ótimo de 27ºC e limite inferior de 16ºC (GRANBERRY. indianos e árabes. 2007). zebrina. rosada. 2002). No Brasil. em virtude da divulgação de seu valor como alimento funcional.7 a 30%. com variações de 6 a 30 cm de comprimento e 3 a 10 cm de diâmetro (GRANBERRY. 1998). 1990). A preferência do mercado brasileiro é pelo fruto roxo escuro com formato alongado a oblongo (RIBEIRO. 2007). 1998). 1990). É uma planta autógama (FILGUEIRA. oblongo-alongado ou alongado (RIBEIRO. BRUNE. Foi introduzida no Brasil no século XVI durante a colonização portuguesa (RIBEIRO. amarela. coloração branca. 2000) com taxa de polinização cruzada natural de 0. atuaria na redução do colesterol (DERIVI et al.) é uma planta solanácea nativa de regiões tropicais do Oriente. maior . REIFSCHNEIDER. REIFSCHNEIDER.5 a 1...

1992a. Embora a identificação por raça e biovar seja muito utilizada. Entre as doenças de importância econômica para a berinjela. vindo a colonizar o xilema (KELMAN. baseado em diferenças na gama de espécies hospedeiras (BUDDENHAGEN. TAKATSU. Dois sistemas são amplamente utilizados para diferenciação de isolados. a divisão da espécie em quatro filotipos e 23 sequevares. e o outro que separa seis biovares. baseado na capacidade de utilização ou oxidação de diferentes fontes de carbono (HAYWARD.. 1994. 1964. MORGADO. A berinjela é atacada pela raça 1 e pelas três biovares que ocorrem no Brasil (LOPES. aos níveis específico e sub-específico. 2 e 3 e as biovares I. a bactéria está amplamente distribuída em todo território nacional. SEQUEIRA. b).946 ha. 1992. subiu de 559 ha. Cada filotipo se divide em sequevares. II e III (COELHO NETTO et al. por serem simples e práticos: um sistema que separa cinco raças. KELMAN. SILVEIRA et al. GOTH. Existem variações nos sintomas que diferem da murcha típica. solanacearum apresenta grande variabilidade na patogenicidade e virulência. A separação em filotipo se fundamenta em filogenia por análise de sequência genética de regiões determinadas do genoma da espécie e tem correspondência com o provável local de origem. HE. b). BARKSDALE.. REIFSCHNEIDER. 2004)..534 t para 51. 1991. em função da heterogeneidade e complexidade encontrada nesta espécie bacteriana. 2010).185 t (IEA/CATI SAAESP. A bactéria R. Foi proposta em 2005. LOPES. para 1. em 2008. 2005). PRIOR. 1983). elevando a comercialização no estado de 15. 1994a. MICHEREFF. novas formas de classificação foram apresentadas. fossem propostos diferentes sistemas de classificação desse patógeno. O patógeno penetra na planta por meio de ferimentos do sistema radicular e nos pontos de emergência de raízes secundárias. é um dos fatores limitantes para a produção em regiões tropicais e subtropicais no mundo (LI. em 1984. o que fez com que. A . KELMAN. SEQUEIRA. 2004. cuja separação se baseia em agrupamentos de isolados com semelhanças em sequências do gene de endoglucanase (FEGAN. ao longo de mais de um século. No Brasil. onde ocorrem as raças 1. MARIANO. 2005). a murcha bacteriana. de maior ou menor complexidade.. 1953).17 produtor e consumidor de berinjela. 1985. 1988) e no Brasil (COELHO NETTO et a. causada por Ralstonia solanacearum (Smith) Yabuuchi et al. 1962. TAKATSU.

1987). . 2009). CLAYTON. No caso da cultura da berinjela. solanacearum nos tecidos e a tolerância das plantas a este crescimento (PRIOR et al. Há relatos de que a genética da resistência de berinjela à murcha bacteriana pode ser simples. 1972. observam-se a quantidade de crescimento de R. 1994) e da interação do genótipo com um ambiente muito conducivo à murcha bacteriana (SHARMA. em termos de concentração bacteriana da suspensão inoculada. YANG et al. envolvendo vários genes com dominância parcial ou recessiva (LI. 2007). entretanto.. citado por BI-HAO et al. utilizada em quase todos os estudos. 2009). GOPINATH. Em poucos minutos. TANIMOTO. e a inclinação da curva de resposta (ERCOLANI. LOPES.. 1997. sendo esta a resposta positiva para a doença (LOPES. O controle da murcha bacteriana é muito difícil.. No caso da titulação. Outras formas propostas de avaliação de resistência são a titulação de resistência e índice de colonização. O controle também é dificultado pela grande capacidade de sobrevivência da bactéria no solo e por seu amplo círculo de hospedeiras (BUDDENHAGEN. a reação de resistência de diferentes genótipos podem se alterar em função da extrema variabilidade do patógeno (GRIMAULT. PRIOR.18 diagnose da murcha bacteriana geralmente é feita cortando-se uma seção longitudinal contendo tecido vascular infectado e colocando-o em um recipiente transparente contendo água em repouso (“teste-do-copo”). com a ação de um gene dominante (AKIBA et al.. FULTON. observam-se o DE50 (dose média efetiva). BARKSDALE. o controle mais eficiente seria a utilização de variedades resistentes (BI-HAO et al.. 1996). KNOCHE. 2009). Várias estratégias de controle têm sido estudadas nos diferentes hospedeiros e. potencialmente. MADALAGERI. No caso do índice de colonização. 2002). A forma de avaliação da murcha bacteriana para resistência de plantas à doença mais utilizada é a escala de notas. 2004. GOTH. 1931). 1986. 2006). KUMAR. o que aumenta sua gravidade para a cultura. KELMAN. as condições de crescimento da cultura coincidem com as condições ambientais favoráveis à doença.. 1984. principalmente quando as condições ambientais são favoráveis à doença. mas também há aqueles que a descrevem como de herança complexa. 1988. 1964). finos fios esbranquiçados fluem das margens do tecido. Fontes de resistência em berinjela já são conhecidas há bastante tempo (NOLLA. QUEZADO-SOARES. com interferência por fatores citoplasmáticos (GOUSSET et al. adaptada de Nielsen e Haynes (1960). NAKASONE.

III) Titulação de resistência à murcha bacteriana e avaliação da colonização de tecidos de plantas de berinjela por R. melongena. II) Avaliação da resistência dos materiais selecionados em campo naturalmente infestado com R. . solanacearum. solanacearum de diversas localidades do Brasil e suas implicações no processo de melhoramento. solanacearum para utilização na caracterização da resistência de genótipos de S. em busca de fontes de resistência.19 Com o propósito de obter mais informações sobre a resistência de berinjela a estirpes de R. solanacearum. este trabalho visou: I) Avaliação de virulência e seleção de estirpes de R.

As avaliações da doença foram por notas aos 10 e 21 dias após a inoculação (DAI) e alteração de massa seca da parte aérea em relação à testemunha não inoculada (AMS) aos 21 DAI. para identificação e caracterização de resistência à murcha bacteriana em berinjela. CNPH777 e PROVS75. CNPH006. Grupo 2 (suscetíveis) . CNPH781. CNPH658 e CNPH171. biovar I). Palavras-chave: Ralstonia solanacearum. CNPH782. CNPH782. CNPH171. Em ensaio para estudo de interação estirpe-genótipo. todos pertencentes à raça 1. CNPH778. CNPH785. CNPH783. as respostas dos genótipos à estirpe CNPH19 permitiram a separação em cinco grupos: Grupo 1 (muito suscetíveis) .CNPH785. CNPH778. CNPH784. PROVTS3. CNPH788.CNPH788. foram inoculadas seis estirpes em oito genótipos. com agrupamento por dissimilaridade. Grupo 5 (resistente) . CNPH786. e dois grupos para a estirpe CNPH152: Grupo 1 (suscetível) . Dentre as estirpes testadas foram selecionadas CNPH19 e CNPH152 (raça 1.1 Resumo A murcha bacteriana é uma das doenças mais importantes para a cultura da berinjela e não existem variedades resistentes a esta doença disponíveis para comercialização.CNPH407. cujos resultados obtidos confirmaram a existência de interação estirpe-genótipo e evidenciaram virulência elevada da estirpe CNPH19 e a alto nível de resistência dos genótipos CNPH778 e CNPH785. do local de procedência ou do hospedeiro de origem. II e III). CNPH006. Solanum melongena.CNPH780.20 2 Capítulo I Resistência em genótipos de berinjela à murcha bacteriana 2. Grupo 4 (medianamente resistentes) . CNPH130.CNPH777. interação patógenohospedeiro . CIÇA. CNPH779. CNPH787 e CNPH776. CNPH781.PROVTS3. CNPH783. CNPH776 e CNPH787. PROVS75. CNPH780.CNPH658. baseada nas notas aos 10 e 21 DAI e alteração de AMS. Para seleção das estirpes utilizadas para a avaliação de resistência foi avaliada a virulência de 21 estirpes de diversas procedências e de três diferentes biovares (I. inoculados em plantas dos genótipos CNPH110 (suscetível) e CNPH171 (resistente). Com a utilização de análise multivariada. CNPH784. CNPH407 e CNPH779. CNPH786. Grupo 2 (resistentes) . Grupo 3 (medianamente suscetível) . Neste trabalho foram avaliadas as reações de 21 genótipos de berinjela a dois isolados de Ralstonia solanacearum. A variação de virulência foi independente da biovar.

além de nocivas ao ambiente e ao homem (LOPES. 1985. 2004. 1998). manejo da água de irrigação e rotação de culturas são medidas utilizadas para reduzir a incidência de murcha bacteriana em solos infestados (HARTMAN. como parte das medidas de manejo integrado seria a estratégia de controle mais promissora para a murcha bacteriana. esta bacteriose tem-se apresentado como um sério problema principalmente nas regiões Nordeste e Norte (REIFSCHNEIDER. MARIANO. MICHEREFF.. SILVEIRA.21 2. 1964). diferencial ou . 2009). Todavia. utilização de água não contaminada. Essa resistência é chamada de forte. variedades ou genótipos de uma espécie hospedeira podem se apresentar muito resistentes a uma raça do patógeno. Na região Amazônica. a utilização de variedades com elevado nível de resistência. O controle da murcha bacteriana é difícil devido ao grande círculo de hospedeiros do patógeno. 2007). LIMA et al. a resistência parcial não protege as plantas contra a infecção pelo patógeno.2 Introdução A murcha bacteriana. ELPHINSTONE. mas atrasa a sua colonização. 1994). mas ou horizontal. se constitui uma limitação para o cultivo de solanáceas e a produção local fica quase que restrita a pequenas hortas caseiras (COELHO NETTO et al. inespecífica.. No Brasil. em geral. resistência durável. quantitativa. É considerada a principal doença de origem bacteriana no mundo (HAYWARD. mas suscetíveis a uma outra raça. 1994. FREY et al. dependendo das condições ambientais.) nas regiões tropicais e subtropicais. Em geral. O uso de microrganismos antagonistas e proteção cruzada são medidas que podem contribuir para o controle da murcha bacteriana (TRIGALET. causada por Ralstonia solanacearum (Smith) Yabuuchi et al. FERREIRA. adulto planta-campo. Medidas de controle químico são inviáveis economicamente. correção do solo. KELMAN. diminuindo a propagação da doença e o desenvolvimento de epidemias. qualitativa. TRIGALET-DEMERY. Todo hospedeiro tem algum nível de resistência não específica que é efetiva contra seus patógenos. à sua diversidade genética e à prolongada sobrevivência no solo (BUDDENHAGEN. COSTA. Essa resistência é chamada de parcial. TAKATSU. No entanto. raça específica. A escolha de terrenos bem drenados e época de plantio. FREY.. poligênica. 2010). 1991). LOPES. é uma das doenças mais importantes para berinjela (Solanum melongena L. 1994..

BARKSDALE. LI. Para tanto. 1988). Assim. Existem poucos relatos sobre a natureza e a genética da resistência de berinjela à murcha bacteriana. limitando o inóculo inicial ou limitando a reprodução após a infecção (AGRIOS. outros mencionam uma ação complexa envolvendo vários genes com dominância parcial ou recessiva (LI et al. foram iniciados trabalhos de pesquisa com berinjela visando à resistência à murcha bacteriana na Embrapa Hortaliças. solanacearum adequadas para o estudo de resistência em berinjela. 1982). GOPINATH. foram cedidos pelo Asian Vegetable Research and Development Center (AVRDC . 1991).Taiwan) e integrados ao banco de germoplasma da Embrapa Hortaliças. ainda não existem variedades resistentes de berinjela disponíveis para uso comercial. No Brasil. sendo necessária a utilização de métodos mais complexos de melhoramento para a obtenção de variedades resistentes. avaliar a reação dos genótipos provenientes do AVRDC e do banco de germoplasma da Embrapa Hortaliças quando inoculados com estirpes com diferentes níveis de virulência. 1986). 2005). 1997). anteriormente classificados como medianamente resistentes ou resistentes (CHEN. Alguns trabalhos indicam que o controle da resistência deve-se à ação de um único gene dominante (AKIBA et al. bem como verificar a existência ou não de interação entre genótipos e estirpes. este trabalho teve como objetivo selecionar estirpes de R.22 vertical. A resistência raça específica pode inibir o desenvolvimento de epidemias. O hospedeiro pode parecer imune. HAYNES. A resistência vertical e horizontal coexistem e podem ocorrer em qualquer proporção mista (VANDERPLANK. responder com uma reação de hipersensibilidade ou inibir a reprodução do patógeno. MADALAGERI.. Tem sido observada a ocorrência de segregação transgressiva em cruzamentos envolvendo linhagens resistentes à murcha (GOTH. WANG. 1972. 15 genótipos de vários países.. Com a intenção de desenvolver variedades resistentes sob condições brasileiras. . indicando que esta característica seria controlada por um número maior de genes de resistência.

1 Seleção de estirpes Para avaliar resistência em genótipos de berinjela à murcha bacteriana. 1994). LOPES. Aos 10 e 21 dias após a inoculação (DAI) foram feitas avaliações de sintomas com atribuição de notas de 1 a 5. A inoculação de plantas com seis folhas foi feita pela deposição de uma gota de 10 µL de suspensão bacteriana na axila da primeira folha.3. após incubação por 72h à 28ºC. onde: 1 – ausência de sintoma. 1) foram previamente selecionadas quanto à sua virulência. e incubadas por 48h na mesma temperatura. 1954) foram selecionadas e repicadas para placas com o mesmo meio.6°C. TAKATSU. colônias fluidas e com características típicas de virulência (KELMAN. onde estavam mantidas à temperatura ambiente em água de torneira esterilizada. havendo em seguida o trespasse da gota e do caule com um alfinete entomológico (MORGADO. respectivamente (MORGADO. As estirpes utilizadas foram recuperadas da coleção da Embrapa Hortaliças. 3 – planta com dois terços das folhas murchas. As estirpes foram inoculadas em plantas dos genótipos CNPH110 e CNPH171. 1992a). 4 – planta totalmente murcha.5). a qual teve sua concentração ajustada para 108 unidades formadoras de colônias por mL (ufc/mL) em espectrofotômetro (A600=0. As bactérias foram repicadas em meio de tetrazólio e. Foi preparada uma suspensão bacteriana de cada estirpe com água de torneira. TAKATSU. 5 – planta morta (adaptado de NIELSEN. LOPES. porém sem tetrazólio. as leituras foram transformadas em índice de murcha bacteriana (IMB) a equação: IMB = ∑ (C × P) N . 2 – planta com um terço das folhas murchas. considerados suscetível e resistente. 1960). sob temperaturas médias diárias de 30. Para isso. Para cada época de avaliação (10 e 21 DAI).23 2. HAYNES. Foi utilizado aquecimento noturno para garantir temperatura mínima de 20°C nos períodos noturnos.1 a 34.3 Material e Métodos 2. 21 estirpes da coleção da Embrapa Hortaliças (Tab. dois ensaios foram conduzidos em casa de vegetação.

foram obtidos o IMB10. e o IMB21. aos 21 DAI. em balança digital. . secas em estufa a 60°C por 72h e feitas as medidas de massa. P: número de plantas em cada classe de sintoma. com as notas aos 21 DAI. com três casas decimais. N: número total de plantas infectadas em cada subparcela (EMPIG et al. Desta forma. e PT: massa seca da parte aérea na parcela não inoculada. Após a atribuição das notas. colocadas em saquinhos de papel. em gramas. as plantas de cada subparcela foram cortadas rente ao solo. PI: massa seca da parte aérea na parcela inoculada.. Foram mantidas parcelas testemunha não inoculadas para avaliação da alteração de matéria seca da parte aérea das plantas inoculadas em relação à testemunha não inoculada. C: nota atribuída a cada classe de sintoma. com as notas aos 10 DAI. 1962). A alteração percentual de massa seca da parte aérea foi calculada segundo a equação: AMS = PI − PT × 100 PT onde: AMS: alteração percentual de massa seca da parte aérea na parcela inoculada em relação à testemunha não inoculada.24 onde: IMB: índice de murcha bacteriana.

Estirpe utilizada no segundo ensaio.DF II CNPH1042 Solanum melongena Embrapa Hortaliças . 2 Solanum lycopersicum Instituto Biológico . 2 Solanum melongena Embrapa Hortaliças . 2 Solanum lycopersicum Embrapa Hortaliças . 2 Solanum tuberosum Instituto Biológico . 2 Solanum tuberosum Embrapa Hortaliças .PE III CNPH581. .SP I CNPH1582 Solanum lycopersicum Agroflora . estado brasileiro de coleta e biovar das estirpes de Ralstonia solanacearum. 2 1 2 Estirpe utilizada no primeiro ensaio.SP I CNPH1501. 2 Solanum melongena Embrapa Hortaliças . 2 Solanum tuberosum Instituto Biológico .SP I CNPH1511. 2 Solanum melongena Embrapa Hortaliças .DF I CNPH711.PA I Capsicum annuum Embrapa Amazônia Oriental . instituição doadora.DF I CNPH1481 Solanum tuberosum Instituto Biológico .SP I CNPH201 CNPH1281.25 Tabela 1 – Hospedeiro.AP III CNPH471.DF I CNPH561.DF I CNPH191.SP I CNPH1521. 2 Solanum melongena UFRPE .DF I Marsypianthes chamaedrys Embrapa Hortaliças . 2 Solanum gilo Embrapa Hortaliças . raça 1.SP I CNPH1592 Solanum lycopersicum Agroflora . 2 Agerantum conyzoides Instituto Biológico .DF I CNPH1062 Solanum melongena Embrapa Hortaliças .SP I CNPH1491. avaliados quanto à virulência em Solanum melongena Denominação Hospedeiro Instituição – Estado de coleta Biovar CNPH131.DF I CNPH1051 Solanum melongena Embrapa Hortaliças . 2 Solanum lycopersicum Embrapa Hortaliças .DF II CNPH821.AM III CNPH541.PA III CNPH331. 2 Solanum melongena Embrapa Hortaliças .

sob temperaturas médias diárias de 30. 2).4 a 33.26 2.5°C.3. . um foi feito com a inoculação da estirpe CNPH19 e outro com a estirpe CNPH152 (Tab.3. respectivamente. O genótipo CNPH658 (seleção da variedade comercial ‘Florida Market’) foi o padrão de suscetibilidade.1. Li e Wang (1997) e Morgado (1991). 1).2 Avaliação de genótipos Para avaliação de genótipos de berinjela. cujas reações foram determinadas por Chen. Foram avaliados quinze genótipos provenientes do AVRDC e outros seis da coleção do germoplasma da Embrapa Hortaliças (Tab. A inoculação e avaliações (índice de murcha bacteriana e alteração percentual de massa seca da parte aérea) foram feitas como descrito no item 2. dois ensaios foram conduzidos em casa de vegetação.

1991. Fonte: MORGADO. WANG. S: suscetível. MR: medianamente resistente. LI. países de origem e reações previamente conhecidas de resistência à murcha bacteriana de genótipos de Solanum melongena Denominação Denominação de Embrapa origem 1 País de origem Empresa/instituição Reação1 Casa de Campo vegetação CIÇA - Brasil (Embrapa Hortaliças) - MS2 CNPH006 Campinas Brasil (Agroflora) MR2 R2 CNPH130 - - MS2 S2 CNPH171 P12 França (INRA) R2 - CNPH407 Nantou Nasu China R2 - CNPH658 Flórida Market USA (Topseed) S2 S2 CNPH776 TS7 Malásia (AVRDC) R3 MR3 CNPH777 EG014 Itália (AVRDC) R3 MR3 CNPH778 EG219 Índia (AVRDC) R3 R3 CNPH779 TS47A Malásia (AVRDC) R3 R3 CNPH780 TS56B Indonésia (AVRDC) MR3 R3 CNPH781 TS64 Holanda (AVRDC) MR3 MR3 CNPH782 TS69 Indonésia (AVRDC) R3 R3 CNPH783 TS87 Indonésia (AVRDC) R3 R3 CNPH784 TS90 Indonésia (AVRDC) R3 R3 CNPH785 EG190 Índia (AVRDC) R3 R3 CNPH786 EG193 Índia (AVRDC) R3 R3 CNPH 787 EG195 Índia (AVRDC) R3 R3 CNPH788 EG203 Índia (AVRDC) R3 R3 PROVTS3 TS3 Malásia (AVRDC) R3 R3 PROVS75 TS75 Tailândia (AVRDC) MR3 MR3 R: resistente. Inoculado com a estirpe Pss 97 (raça 1. 3 Inoculado com a estirpe CNPH056 (raça 1. biovar III). 2 . biovar III). 1997. MS: medianamente suscetível. Fonte: CHEN.27 Tabela 2 – Denominações.

3. As análises de variância foram feitas utilizando o programa estatístico Winstat 1. de acordo com os resultados de IMB10. As unidades experimentais foram constituídas de dois vasos de 1.3. CNPH56. A análise de agrupamento foi feita por dissimilaridade. . respectivamente. CNPH19. Oito genótipos (CNPH006. distribuição normal e dispersão do erro.1. 2. CNPH47.28 2. CNPH658. O teste de agrupamento de Scott-Knott e a análise de agrupamento multivariada foram feitas com a utilização do programa GENES (CRUZ. sendo feita neste mesmo aplicativo a análise de resíduos para verificação das pressuposições da análise de variância: gráfico de caixa. CNPH782.3 Interação genótipos e estirpes Para avaliação da ocorrência ou não de interação entre genótipos de berinjela e estirpes de R. CNPH171. sendo feita a divisão de parcelas (estirpes) em subparcelas (genótipos) nos ensaios para seleção de estirpes e no estudo de interação genótipos e estirpes. por haver resultados negativos e positivos. Nos ensaios para avaliação de genótipos foram constituídos três blocos no ensaio com a estirpe CNPH152 e cinco blocos no ensaio com a estirpe CNPH19. pelo método UPGMA (ligação média entre grupos – “Unweighted Pair-Group Method using arithmetic Averages”). com três e quatro blocos. solanacearum. foi conduzido ensaio em casa de vegetação.4 Procedimentos estatísticos Foi utilizado delineamento em blocos inteiramente casualizados em todos os ensaios. 2006). sob temperaturas médias diárias de 29. IMB21 e AMS.7°C. CNPH71 e CNPH152.5 litros com quatro plantas por vaso. CNPH783 e CNPH785) foram inoculados com as estirpes CNPH13. Para a variável AMS foi adicionada a constante 1000. CNPH407. CONCEIÇÃO.3.0 (MACHADO. No caso do ensaio para verificação de interação foi necessária transformação logarítmica decimal dos dados IMB10 e IMB21 para atendimento das pressuposições da análise. CNPH778. A inoculação e avaliações (índice de murcha bacteriana e alteração percentual de massa seca da parte aérea) foram feitas como descrito no item 2. baseada na distância euclidiana média com nível de discriminação de 50%. 2002).5° a 34.

como encarquilhamento (Apêndice 1). o mesmo tendo ocorrido para as estirpes CNPH150 e CNPH152. A avaliação de AMS refletiu as perdas e alterações ocasionadas pela colonização dos tecidos pela bactéria de modo a complementar o IMB.01). assim como subcrescimento das plantas. além da murcha. Para o genótipo CNPH171 (resistente). o que significa que a virulência das estirpes variou conforme o genótipo inoculado. não têm como ser caracterizadas nas notas. Nos dois ensaios foi possível observar que ocorreram outros sintomas além da murcha.4. Na análise de variância foi observada interação significativa entre estirpes e genótipos (P£0. 3). amarelecimento e queda prematura de folhas.1 Seleção de estirpes As estirpes estudadas apresentaram diferentes níveis de virulência nos dois ensaios realizados e com variação independente da biovar ou procedência (Tab. . as estirpes CNPH148. com exceção da estirpe CNPH19. uma vez que outras manifestações da doença. respectivamente. no segundo ensaio.29 2. As estirpes CNPH152 e CNPH19 foram as selecionadas para a avaliação de genótipos.4 Resultados 2. CNPH149 e CNPH152 foram as que levaram as plantas do genótipo mais suscetível (CNPH110) a murchar mais rapidamente (IMB10 e IMB21). O comportamento esperado de maior suscetibilidade do genótipo CNPH110 e de maior resistência do genótipo CNPH171 se manteve para todas as estirpes. em função do elevado nível de virulência e sua diferença de efeitos sobre os dois genótipos. No primeiro ensaio. a estirpe CNPH19 foi destacadamente a mais virulenta. ressaltando o fato de ter ocorrido aumento de massa seca na parte aérea (AMS) para o genótipo CNPH110. nos dois ensaios. As estirpes CNPH104 e CNPH105 apresentaram-se avirulentas aos dois genótipos estudados.

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