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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE

Drenagem Linfática Corporal

Aluno:
EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

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CURSO DE

Drenagem Linfática Corporal

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AN02FREV001/REV 4.0

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SUMÁRIO

1. Tecido epitelial
1.1 Epitélio de revestimento
1.2 Epitélio glandular
2. Tecido conjuntivo
2.1 Tecido conjuntivo propriamente dito
2.2 Tecido conjuntivo de propriedades especiais
2.3 Substância fundamental amorfa
2.4 Fibras do tecido conjuntivo
2.4.1 Fibras colágenas
2.4.2 Fibras reticulares
2.4.3 Fibras elásticas
2.5 Células próprias do tecido conjuntivo
3. Sistema tegumentar
3.1 Pele
3.1.1 Epiderme
3.1.2 Derme
3.2 Hipoderme (tela subcutânea)

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3.3 Anexos da pele
3.4 Funções do sistema tegumentar
3.5 Propriedades do sistema tegumentar
4. Sistema linfático
4.1 Órgãos linfóides
4.2 Linfa
4.3 Topografia do sistema linfático
4.3.1 Capilares linfáticos
4.3.2 Pré-coletores linfáticos
4.3.3 Coletores linfáticos
4.3.4 Troncos linfáticos
4.3.5 Linfonodos (gânglios ou nodos linfáticos)
4.4 Circulação linfática
4.5 Anatomia dos linfáticos
5. Edema
5.1 Fisiopatologia do edema
5.1.1 Aumento da pressão hidrostática
5.1.2 Redução da pressão oncótica
5.1.3 Aumento da permeabilidade capilar
5.1.4 Obstrução da drenagem linfática

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4 Repetição 2. A massagem terapêutica 2.5 Etapas 2.6.6.5 Aumento da pressão coloidosmótica do líquido intersticial 6.5 Contra-indicações 2.6 Caminho 2.1 Pressão 2.1 Histórico 2.6.2 Conceitos gerais 2.4 Indicações 2.7 Tempo AN02FREV001/REV 4.6.3 Efeitos da drenagem linfática manual 2.3 Ritmo e freqüência 2.5.6.1. A drenagem linfática manual 2.6. Glossário 02_Drenagem Linfatica Corporal 1.0 5 . Linfedema 7.6 Componentes da drenagem linfática manual 2.6.2 Direção 2.

10 Manobras de captação 3.8 Produtos 2.0 6 . Glossário 03_Drenagem Linfática Corporal 1. A drenagem linfática reversa 4.4 Volumetria 5.5 Modelo de protocolo de avaliação físico-funcional 6.2. Medidas complementares para o tratamento do linfedema 5.4 Palpação e desenvolvimento da percepção sensorial 1.6.2 Relaxamento 1.2 Exame Físico 5.1 Anamnese 5.3 Perimetria 5. Avaliação físico-funcional para realização da drenagem linfática 5.5 Exame do paciente a cada atendimento AN02FREV001/REV 4.6.3 O ambiente 1.6.1 Autopreparação 1. Requisitos para a massagem de drenagem linfática manual 1.9 Manobras de evacuação 2.

2 Indicações 1. Técnicas de drenagem linfática manual 2.2 Drenagem dos membros superiores 3.3 Método Ganância 2.5 Drenagem dos membros inferiores 3.1 Efeitos fisiológicos 1.3 Contra-indicações AN02FREV001/REV 4.1 Drenagem da mama 3. Seqüência de manobras de drenagem linfática manual corporal 3.1.3 Drenagem do abdômen 3.6 Drenagem da região dorsal 4.4 Método Godoy 3.6 Preparação do paciente 2.4 Drenagem da região glútea 3.0 7 .2 Principais manobras da DLM segundo o método Vodder 2. Glossário 04_Drenagem Linfática Corporal 1. Pressoterapia 1.1 Principais manobras da DLM segundo o método Leduc 2.

2 Tempo ligado e desligado 1.5 Precauções 2. Glossário BIBLIOGRAFIA CONSULTADA AN02FREV001/REV 4.4.4 Técnicas de aplicação 3.1.2 Efeitos fisiológicos 3.3 Contra-indicações 2.4.5 Técnicas de aplicação 3. Depressodrenagem linfática (dermotonia) 2.3 Indicações 3.6 Precauções 4.4 Contra-indicações 3.3 Tempo total de tratamento 1.1 Efeitos fisiológicos 2.4.1 Conceitos de eletroestimulação 3.2 Indicações 2.0 8 . Drenagem linfática seqüencial (eletroestimulação russa) 3.4 Técnicas de aplicação 1.1 Pressão de insuflação 1.

catabólitos e oxigênio. sendo a nutrição de suas células feita a partir do tecido conjuntivo adjacente. também denominado epitélio é um dos quatro tipos de tecidos básicos no nosso organismo. apesar de formados por uma única camada celular. a difusão de alimentos. 2008. permitindo. que cobre todos os tipos de cavidades. Os epitélios são inervados. É formado por células justapostas com pouca substância intercelular entre elas. 1. Esse tecido é avascular. Tecido epitelial O tecido epitelial. por difusão.1 Epitélio de revestimento O tecido epitelial de revestimento (ou proteção) é o revestimento externo do corpo. contudo. muscular e nervoso. o que dá a impressão de AN02FREV001/REV 4. Existem ainda epitélios que. Esta membrana promove a adesão entre os tecidos.0 9 .1. recebendo terminações nervosas livres que formam uma rica rede intra-epitelial. juntamente com os tecidos conjuntivo. O tecido epitelial pode ser classificado em duas categorias: epitélio de revestimento e epitélio glandular. Figura 01 – Tecido epitelial Fonte: WIKIPÉDIA. têm células de diferentes alturas. Quando os epitélios são formados por uma só camada de células. são classificados como epitélios simples ou uniestratificados. através da membrana basal. Já os epitélios formados por mais de uma camada de células são chamadas estratificados.

ou prismáticos. As células epiteliais glandulares podem sintetizar. O estroma sustenta também vasos sangüíneos. Quanto à função as glândulas podem ser: AN02FREV001/REV 4. linfáticos e nervos. No epitélio que reveste a bexiga. chamadas grânulos de secreção. As células secretoras são denominadas parênquima e o tecido conjuntivo no interior da glândula é denominado estroma. Existem parâmetros para classificar os diferentes tipos glandulares. armazenar e secretar proteínas. quando as células têm a forma de cubo.2 Epitélio glandular Conjunto de células especializadas cuja função é a produção e liberação de secreção. Por isso. mas elas se tornam achatadas quando submetidas ao estiramento causado pela dilatação do órgão. que atuam em locais distantes de onde foram produzidos). as glândulas podem ser classificadas como endócrinas (glândulas sem ductos em que a secreção é lançada na corrente sangüínea e é distribuída para todo o corpo. As moléculas a serem secretadas geralmente são armazenadas nas células em pequenas vesículas envolvidas por uma membrana. Por isso. esse tipo de epitélio é denominado.0 10 .serem estratificados. quando as células são achatadas como ladrilhos. Quanto ao local em que a secreção é lançada. cúbicos. Quanto à forma das células. as glândulas podem ser unicelulares (a secreção é realizada por células especializadas. Quanto à organização das células. lipídios ou complexos de carboidratos e proteínas. quando as células são alongadas. 1. como o número de células e o local onde a secreção é lançada. Espalhadas entre outras células não-secretoras) ou multicelulares (a secreção é realizada por um conjunto de células). ou exócrinas (glândulas com ducto excretor que transportam a secreção glandular para a superfície do corpo ou para o interior de um órgão). a forma das células é originalmente cúbica. os epitélios podem ser classificados em pavimentosos. em forma de coluna. epitélio de transição. A secreção endócrina é a secreção de hormônios. eles costumam ser denominados pseudoestratificados.

quando as células eliminam. Entre suas funções estão: preenchimento.merócrinas. Trata-se. 2. 2008. está presente em todos os órgãos. preenchendo todos os espaços entre os tecidos restantes. parte do citoplasma no qual a secreção fica acumulada. os tecidos conjuntivos caracterizam-se por apresentar elevada quantidade de substância intercelular. de um tecido com diversas especializações. 2. transporte de substâncias (sangue) e auxílio na defesa orgânica (glóbulos brancos). permanecendo o restante da célula intacto. É constituído por vários tipos de células que AN02FREV001/REV 4. Tecido conjuntivo Ao contrário dos epitélios. estabelecendo a ligação entre eles. juntamente com os produtos de secreção.1 Tecido conjuntivo propriamente dito O tecido conjuntivo propriamente dito é. estabelecimento de conexão entre os diversos tipos de tecidos ou órgãos.holócrinas quando as células são eliminadas juntamente com os produtos de secreção. quando as células eliminam somente o produto de secreção.apócrinas.. o menos diferenciado e o mais genérico. As células eliminadas são substituídas a partir de células-fonte existentes na glândula. Pode ser dividido em: Figura 02 – Tecido conjuntivo Fonte: UFBA. . Logo. dos tecidos conjuntivos. ou . Permite igualmente o transporte de metabólitos e participa na defesa do organismo. e abaixo da derme.0 11 . portanto. sustentação (osso e cartilagem). As células que constituem esses tecidos possuem formas e funções bastante variadas.

e é o principal constituinte do cordão umbilical. Os conjuntivos densos podem ser irregulares. O tecido reticular é formado por fibras reticulares e por células reticulares. O tecido adiposo apresenta células adiposas (adipócitos). de proteção dos órgãos contra choques mecânicos e de reserva energética. resistência às trações em qualquer direção ou regulares. reticular. conferindo ao tecido. flexível e pouco resistente às trações) ou denso (com predominância acentuada de fibras colágenas. O tecido cartilaginoso é formado por células denominadas condroblastos e condrócitos.0 12 . mucoso. sendo encontrado nos ligamentos da coluna vertebral e no ligamento suspensor do pênis. é nutrido pelo tecido conjuntivo denso que o envolve. AN02FREV001/REV 4. O tecido cartilaginoso é desprovido de vasos sanguíneos e de nervos. Também é um tecido pouco freqüente. designada como matriz extracelular. que armazenam gordura. nos tendões). em respostas a trações exercidas em um mesmo sentido. Estas células possuem um vacúolo central (pode aumentar ou diminuir de acordo com o metabolismo do indivíduo). Pode ser classificado como frouxo (tecido de consistência delicada. O tecido elástico é formado por fibras elásticas grossas. Também é encontrado na polpa dental jovem. A quantidade de gordura difere nas partes do corpo. como por exemplo. Suas principais funções são de isolante térmico. com feixes colágenos seguindo uma organização fixa.encontram-se imersas em uma substância intercelular. Os condroblastos produzem grande quantidade de fibras protéicas. passam a ser denominados condrócitos. Neste tecido há predominância de substância fundamental amorfa e poucas fibras. Encontrase nos órgãos que formam as células do sangue (medula óssea). É um tecido muito delicado que forma uma rede para sustentar as células. 2.2 Tecido conjuntivo de propriedades especiais Enquadram-se neste grupo os tecidos adiposo. com feixes colágenos em trama tridimensional. O tecido mucoso tem aspecto gelatinoso. cartilaginoso e ósseo. por fibras colágenas finas e por fibroblastos. elástico. quando sua atividade metabólica diminui.

acido hialurônico e complexos de glicosaminoglicanas e proteínas. Caracteriza-se por uma substância incolor. O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano.O tecido ósseo é o principal componente dos ossos.0 13 . São constituídas por colágeno que é uma glicoproteína formada principalmente pelo aminoácido glicina.1 Fibras colágenas São as fibras mais freqüentes no tecido conjuntivo. pois é constituído de uma matriz rígida (formada basicamente por fibras colágenas e sais de cálcio). e composto por vários tipos de células. Apresenta-se como um elemento não fibroso da matriz. 2. reticulares e elásticas. osteoblastos. existem na verdade apenas dois tipos de sistemas de fibras: o sistema colágeno e o sistema elástico. Podem ser classificadas em três tipos principais: colágenas. pois são constituídas por fibrilas. em que as células e outros elementos estão mergulhados. AN02FREV001/REV 4. É formada pelo fluido intersticial. Como as fibras colágenas e reticulares são constituídas de colágeno. É bem mais resistente que o cartilaginoso. representando 30% das proteínas totais. 2. osteócitos e osteoclastos. 2.4 Fibras do tecido conjuntivo São proteínas que se polimerizam formando estruturas alongadas presentes em proporções variáveis nos diversos tipos de tecido conjuntivo. funcionando como lubrificante para esta microarquitetura móvel.4. denominados proteoglicanas e glicoproteínas. São brancas e alongadas e têm diâmetro entre 01 e 20um (micrômetro) mostrando uma estriação longitudinal.3 Substância fundamental amorfa A substância fundamental amorfa ocupa os espaços entre as fibras elásticas e colágenas. transparente e homogênea que representa uma barreira à penetração de partículas estranhas no interior dos tecidos.

2 Fibras reticulares Fibras anastomosadas umas às outras que se dispõem formando uma estrutura semelhante a uma rede. dentina e outros. 2. associado e elevado teor de glicídios.tipo IV está presente nas lâminas basais e no tecido epitelial (não faz parte do tecido conjuntivo) e é sintetizado pelas células do último. É sintetizado pelos fibroblastos. odontoblastos e osteoblastos. São fibras curtas. .3 Fibras elásticas AN02FREV001/REV 4.tipo II é encontrado nas cartilagens: hialina e elástica. . e . .5 a 2 um. Os tipos de colágenos mais freqüentes são: . cápsula de órgãos. Formam o arcabouço dos órgãos hemopoiéticos (baço.) e redes em torno das células musculares e órgãos epiteliais (fígado. compostas principalmente por um tipo de colágeno denominado reticulina. 2. derme.Representa cerca de 70% do peso da pele seca e tem como função fornecer resistência e integridade estrutural a diversos órgãos e tecidos. medula vermelha. finas e inelásticas. tecido conjuntivo frouxo. encontrado junto com o colágeno do tipo II e produzido pelos condroblastos.4.tipo I. linfonodos..4. .tipo V associa-se ao colágeno do tipo I para formar as fibrilas e é sintetizado pelos fibroblastos. que é o mais abundante e representam 90% do total de colágeno do organismo. glândulas endócrinas). encontrado nos tendões.tipo III forma as fibras reticulares e é produzido pelos fibroblastos e células reticulares. ossos.0 14 . ligamentos.. Possuem diâmetro de 0. É sintetizado pelas células cartilaginosas.tipo VI. São formadas por colágeno do tipo III.

o fibrócito reassume aspecto de fibroblasto. que se distinguem facilmente dos outros tipos de fibras por não apresentar estriações longitudinais. fibroblastos e células musculares lisas). porém retornam rapidamente à sua forma original. As fibras elásticas são formadas por fibrotúbulos com 10nm de espessura. Essas fibras cedem facilmente a trações mínimas. O miofibroblasto é uma célula com características entre o fibroblasto e a célula muscular lisa (tem actina e miosina).2 Células próprias do tecido conjuntivo As células mais comuns do conjuntivo são os fibroblastos. seu núcleo é claro. deficiente em retículos endoplasmáticos rugosos e o complexo de Golgi. Figura 03 – Componentes do tecido conjuntivo AN02FREV001/REV 4. Seu principal componente é a elastina que é bem mais resistente que o colágeno. 2.0 15 . encontradas na pele (formadas de fibrotúbulos e elastina) e as oxitalânicas (só fibrotúbulos) encontradas no ligamento periodontal e nos tendões. sendo responsável pelo fechamento das feridas. Possuem cor amarelada e são sintetizadas por diversas células (condrócitos. tende a ser fusiforme com menos prolongamentos. envolvendo uma parte central amorfa (constituída de elastina). mas é facilmente hidrolisada pela elastase (enzima pancreática). Eles sintetizam colágeno. seu citoplasma é acidófilo.Fibras delgadas. mucopolissacarídeos e fibras elásticas. tão logo cessem as forças deformantes. Quando inativo. mediante estímulos de cicatrização. alongado e escuro. O sistema elástico apresenta ainda as fibras elaunínicas. Já o fibrócito. os fibroblastos não se dividem com freqüência. O fibroblasto tem prolongamentos citoplasmáticos. Contudo. de forma ovóide com a cromatina e nucléolo evidente. o fibroblasto passa a se chamar fibrócito. é menor. É rico em retículos endoplasmáticos rugosos e o complexo de Golgi é bem desenvolvido. Nos adultos. Seu núcleo é menor. É dotado de certa mobilidade. entrando em mitose apenas quando há lesão do tecido conjuntivo. responsáveis pela formação das fibras e do material intercelular amorfo. grande.

juntamente com os anexos cutâneos. plasmócitos e leucócitos. olhos. após a gestação. GIANESI e MURA. os mastócitos. e finalmente os adipócitos que são células derivadas dos fibroblastos. que atuam nos processos inflamatórios e infecciosos. As principais funções do sistema tegumentar são: proteção. que compõem o tecido adiposo e são especializadas no armazenamento de gorduras neutras. as células mesenquimatosas indiferenciadas que possuem a capacidade de originar qualquer outra célula do tecido conjuntivo. Esse invólucro somente é interrompido ao nível dos orifícios naturais (narinas. O tegumento constitui o manto contínuo que envolve todo o organismo. 2008. regulação da temperatura do organismo. Sistema tegumentar O sistema tegumentar é formado pela pele e pela hipoderme (tela subcutânea).0 16 . Além dos fibroblastos. sensibilidade tátil e produção de vitamina D. como o retorno do útero ao tamanho original. ânus.Fonte: BARLACH. orelha. Figura 04 – Estrutura do sistema tegumentar AN02FREV001/REV 4. protegendo-o e adaptando-o ao meio ambiente. boca. excreção. vagina e pênis) onde se prolonga pela respectiva mucosa. dentro do tecido conjuntivo há os macrófagos. 3. que desempenham papel importante na remoção de elementos intercelulares que se formam nos processos involutivos fisiológicos.

AN02FREV001/REV 4. que embora tenha a mesma morfologia da derme. constituindo o maior órgão do corpo humano e o mais pesado.0 17 . não faz parte da pele. pêlos. 2008. A pele possui uma porção epitelial. do atrito e dos raios solares ultravioletas. glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas constituem os anexos cutâneos. Abaixo e em continuidade com a derme está a hipoderme (tela subcutânea). A pele protege o corpo da perda excessiva de água. cútis ou tez é o órgão de revestimento externo do corpo. A hipoderme serve de suporte da derme com os órgãos subjacentes. A abertura dos folículos pilossebáceos e das glândulas sudoríparas na pele formam os orifícios conhecidos como poros. a derme. 3. As unhas. Representa aproximadamente 12% do peso seco total do corpo. graças a uma camada de queratina relativamente impermeável que recobre a epiderme. além de permitir a pele uma considerável amplitude de movimento.1 Pele A pele. principal responsável pela proteção do organismo. a epiderme e uma porção conjuntiva. que é formada por apenas duas camadas.Fonte: WIKIPÉDIA.

as principais funções do epitélio incluem a absorção.0 18 . por meio de vasos e glândulas. térmica. está à camada granulosa. formada por um revestimento de células sobrepostas. nitidamente achatadas. Estes grânulos são expulsos das células e formam uma camada de substância intercelular que age vedando esta camada de células. em cujo citoplasma são observados grânulos grosseiros e basófilos.1 Epiderme Superfície mais externa da pele. É constituída por epitélio estratificado pavimentoso queratinizado. A epiderme apresenta ainda três tipos de células: os melanócitos. filtração. 3. oferecendo uma grande superfície de dispersão calórica e evaporação. secreção e proteção. de origem ectodérmica. difusão.Também recebe estímulos do ambiente e colabora com mecanismos para regular a temperatura corporal. Logo abaixo. que contribuem para a constituição do material interfilamento da camada córnea. As células mais superficiais são continuamente eliminadas como resultado da abrasão. impedindo a AN02FREV001/REV 4. Com essas características. como pelo atrito com a roupa e substituídas por células oriundas das camadas mais profundas da epiderme. A espessura e a estrutura da epiderme variam com o local do corpo. caracterizada pela presença de células poligonais com núcleo central. excreção. tátil. que é a camada superficial composta de células epiteliais intimamente unidas e a derme que é a camada mais profunda composta por tecido conjuntivo denso e irregular. São os grânulos de queratohialina. Compõe-se por duas camadas principais: a epiderme. A função protetora da pele é desempenhada por intermédio da percepção sensorial exercida pelos numerosos receptores especializados e terminações nervosas que fazem da pele uma estrutura: sensorial. Essa camada forma uma cobertura ao redor de toda a superfície do corpo e protege o organismo contra a invasão de vários tipos de agressores do meio externo.1. Embora seja de pequena espessura. É formada por quatro camadas: A camada córnea é a mais superficial. sua capacidade de retenção hídrica conserva a superfície da pele macia. dolorosa e de pressão. sendo mais espessa e complexa na palma da mão e planta do pé. as células de Langerhans e de Merkel.

Observa-se que. elétron-densa. conseqüentemente. É responsável pela constante renovação da epiderme. o que dá à célula um aspecto espinhoso. As tonofibrilas e os desmossomas têm importante função na manutenção da coesão das células da epiderme e. com 10nm de espessura. presa à superfície interna da membrana celular.passagem de compostos. inclusive a água.2 Derme É uma espessa camada de tecido conjuntivo sobre a qual se apóia a epiderme. Essas expansões se aproximam e se mantém unidas através dos desmossomas. Os queratinócitos e os melanócitos são as células dessa camada que repousam em fileira única. quanto maior a ação de pressões e fricções sobre a epiderme.1. está a camada espinhosa constituída por quatro a oito fileiras de células poligonais cubóides ou ligeiramente achatadas. As células da camada granulosa e também as da parte mais alta da camada espinhosa apresentam uma camada protéica. AN02FREV001/REV 4. fornecendo células para substituir as que são perdidas na camada córnea. Na derme há fibras elásticas. a hipoderme. de núcleo central com pequenas expansões citoplasmáticas que contêm tonofibrilas partindo de cada uma das células adjacentes. as células partem da camada germinativa e vão sendo deslocadas para a periferia até a camada córnea. Este material protéico confere grande resistência à membrana celular. A camada germinativa (basal) é a camada mais profunda da epiderme e apresenta intensa atividade mitótica gerando novas células. linfáticos e inervações. entre elas. Nesse processo. Apresenta vasos sangüíneos. Está conectada com a fáscia dos músculos subjacentes por uma camada de tecido conjuntivo frouxo. 3. num período de 21 a 28 dias. na sua resistência ao atrito. maior é a sua camada espinhosa. reticulares e muitas fibras colágenas. Abaixo da camada granulosa. Contem glândulas especializadas e órgãos dos sentidos. Sua superfície externa é muito irregular e varia de região para região.0 19 . É constituída por células prismáticas ou cubóides que repousam sobre a membrana basal que separa a epiderme da derme.

A mais externa é a camada papilar. 3. e é assim denominada devido ao fato de que os feixes de fibras colágenas que a compõem entrelaçam-se como uma rede. a derme desenvolve-se a partir da mesoderme embrionária. constituída por tecido conjuntivo frouxo e assim denominada porque as papilas dérmicas constituem sua parte mais importante. A hipoderme é bem suprida de vasos sangüíneos e terminações nervosas. Além da função de reservatório energético. as unhas e as glândulas. Apresenta rico suprimento sangüíneo.0 20 . absorção de choques e preenchimento para a fixação de órgãos. constituída por tecido conjuntivo denso. e é ricamente irrigada. modelagem da superfície corporal. Pode ter uma camada variável de tecido adiposo dependendo da região do corpo.Em contraste com a epiderme. A hipoderme não faz parte da pele. mas em média é de cerca de 2 mm.3 Anexos da pele Na pele existem várias estruturas anexas: os pêlos. assim como os músculos e o esqueleto. Compõe-se por duas camadas: A superficial é chamada de areolar e possui adipócitos globulares e volumosos. o acúmulo de gordura no tecido subcutâneo pode ser muito amplo. A espessura da derme varia em diferentes locais. Estende-se pouco abaixo das bases da papila onde se une à camada reticular. AN02FREV001/REV 4. a hipoderme apresenta a função de isolamento térmico. trazendo maior resistência à pele. A mais profunda é chamada de lamelar e é onde ocorre aumento de espessura no ganho de peso. 3. o folículo piloso. Em algumas regiões como no abdome e na nádega. formada por tecido conjuntivo que varia do tipo frouxo ao denso nas várias localizações e nos diferentes indivíduos. Os pêlos se originam de uma invaginação da epiderme. É composta de duas camadas indistintamente separadas: camada papilar e camada reticular. A função das papilas é aumentar a zona de contato da derme com a epiderme. A camada reticular é a mais espessa. porém a fixa às estruturas subjacentes.2 Hipoderme (tela subcutânea) Tecido sobre o qual a pele repousa.

sulfatos e fosfatos a depender de fatores como temperatura e umidade do meio e atividade muscular. a sensação de frio pelos corpúsculos de Krause e a de calor pelos de Ruffini. mas de menor volume.0 21 . uréia. As unhas são lâminas córneas formadas pela camada córnea. As glândulas sudoríparas distribuem-se em quase todo o corpo. A sudorese é um processo útil somente quando o suor pode evaporar. Possuem coloração rosada e crescem cerca de 1 mm por semana. condução e evaporação. desidratação e radiação UV. Seu número varia em cada região e diminui com a idade. sendo mais numerosas. AN02FREV001/REV 4. As alterações no fluxo sangüíneo na pele também auxiliam a regular a temperatura corporal. formando o eponíquo (cutícula). calor e frio são captados por receptores especializados. Sua secreção é uma mistura complexa de lipídios cuja função é a lubrificação da pele. Os receptores para dor são terminações nervosas livres situadas abaixo da epiderme.4 Funções do sistema tegumentar Sensibilidade: as sensações cutâneas como: tato. As glândulas sebáceas são encontradas anexas aos pêlos em todas as regiões do corpo. invasão bacteriana. principalmente nas aberturas do corpo. dor. 3. O calor é perdido através da pele pelos processos de radiação. Proteção: a pele cobre o corpo e fornece uma barreira física que protege os tecidos subjacentes de abrasão física. além da ação bactericida. Em sua extremidade proximal uma estreita prega da epiderme se estende.São visíveis externamente por sua haste e estão distribuídos por quase todo o corpo. nas regiões onde os pêlos são abundantes. Em certas regiões exercem papel de proteção. As sensações táteis são dadas pelos corpúsculos de Paccini e de Meissner. Regulação da temperatura corporal: a pele desempenha um papel importante na regulação da temperatura corporal. A estimulação dos nervos simpáticos faz com que estas glândulas secretem um fluido de cloreto de sódio. convecção.

A tensão varia em áreas diferentes. que expulsa os elementos invasores do corpo. em particular em regiões na qual a pele é fina. Absorção percutânea: esta se refere à penetração de substâncias através da pele. 3. Sistema linfático O sistema linfático é uma via acessória da circulação sanguínea. desenvolvendo-se junto aos vasos sanguíneos. o que permite que elas entrem na corrente sangüínea. O estrato córneo é a principal barreira à difusão. Imunidade: certas células da epiderme (células de Langerhans) são componentes importantes do sistema imunológico. Síntese de vitamina D: a exposição da pele à radiação ultravioleta (UV) auxilia na produção de vitamina D. Tem sua origem embrionária no mesoderma.0 22 .5 Propriedades físicas do sistema tegumentar A tensão e a elasticidade são propriedades físicas relacionadas com: macromoléculas estruturais. e as apócrinas. É um sistema fechado. colágeno e elastina contidas na pele. sendo mais marcantes nos locais em que a pele contém fibras elásticas densas.Excreção: a pele contém dois tipos de glândulas sudoríparas: as glândulas écrinas. AN02FREV001/REV 4. intimamente ligado a circulação sangüínea e importante na manutenção da homeostase corporal. 4. As glândulas estão distribuídas por todo o corpo e são as verdadeiras secretoras que produzem o suor transparente e aquoso. responsável pela regulação térmica. uma substância que ajuda na absorção de cálcio e fósforo no sistema digestório. e para a circulação sangüínea. que são glândulas sudoríparas pequenas. ou glândulas sudoríparas grandes. A tensão é a característica que explica o fato da pele resistir ao estiramento por ação de forças fracas. proteínas e pequenas células provenientes do interstício são devolvidas ao sistema venoso. pela qual: líquidos.

Transportar lipídios do intestino para a circulação sangüínea: os lipídios absorvidos na forma de quilomicrons são lançados diretamente na circulação linfática. As substâncias de alto peso molecular penetram nos linfáticos por estas aberturas. que caem direto na circulação sangüínea. A linfa do lado direito flui pelo canal linfático direito e retorna à circulação na junção da veia subclávia direita e da veia jugular interna direita. AN02FREV001/REV 4. A linfa do lado esquerdo do corpo também entra no canal torácico. Promover a remoção de proteínas e outras substâncias de alto peso molecular do Líquido Extra Celular (LEC): os vasos linfáticos têm paredes finas e com extremidades fechadas (em dedo de luva). A borda de uma célula endotelial sobrepõe-se à borda da célula adjacente. O sistema linfático não possui um elemento de bombeamento como o sistema circulatório sangüíneo. A circulação linfática acontece por meio de contrações do sistema muscular ou de pulsações de artérias próximas aos vasos linfáticos. Destruir bactérias e remover outras partículas por filtração nos linfonodos. ao contrário dos outros nutrientes. A linfa da parte inferior do corpo flui pelo canal torácico e retorna à circulação nas grandes veias do pescoço (jugular interna esquerda e subclávia).Suas principais funções são: Promover o retorno de líquido dos tecidos para a circulação: cerca de 10% do líquido que extravasa dos capilares para o tecido retorna para a circulação através dos capilares linfáticos. formando uma válvula que se abre para o interior do capilar.0 23 . além de participar de reações imunológicas de defesa.

Partículas inertes. produção de anticorpos e reações imunes. mas fazem parte do sistema imune do organismo. segundo a qual esses tecidos desempenham importante papel nos mecanismos de defesa do corpo. vírus. bactérias. 4. A produção de linfócitos é a principal função dos tecidos linfóides e órgãos linfáticos. A ação dos tecidos linfáticos servindo como filtros em certas condições patológicas deram origem à teoria de barreira. 2008. como o carbono.Figura 05 – Distribuição do sistema linfático Fonte: JÚNIOR e CASTRO. AN02FREV001/REV 4. células cancerosas e hemácias são retidas nos tecidos linfáticos. Tais órgãos não possuem associação direta com os vasos do sistema linfático ou com a linfa. Os linfócitos têm importante papel no desenvolvimento das respostas imunológicas.1 Órgãos linfóides Os órgãos linfóides são o baço. timo e tonsilas (amídalas).0 24 .

0 25 . quando então começa a atrofiar-se lentamente.Baço Fonte: WIKIPEDIA. na região do mediastino anterior.Timo AN02FREV001/REV 4. pois os seus vasos aferentes podem permitir a disseminação de infecções e neoplasias malignas para outros órgãos e tecidos. 10ª e 11ª costelas. O timo é uma massa bilobada de tecido linfóide localizada abaixo do esterno. por onde penetram vasos e nervos. só são barreiras até certo ponto. ao nível das 9ª. 2008. O timo confere a determinados linfócitos a capacidade de se diferenciarem e maturarem em células que podem efetuar o processo de imunidade mediada por células. No adulto. Figura 06 . diminuindo após a puberdade. O baço é um órgão linfóide situado no lado esquerdo da cavidade abdominal. Ele aumenta de tamanho durante a infância. Apresentam duas faces distintas. no entanto. uma relacionada com o diafragma (face diafragmática) e outra voltada para as vísceras abdominais (face visceral).Os tecidos linfáticos. Figura 07 . pode ser inteiramente substituído por tecido adiposo. junto ao diafragma. Na face visceral localiza-se o hilo do baço.

Figura 08 . As tonsilas palatinas estão localizadas na parede póstero-lateral da garganta. Representa aproximadamente 15% do peso corporal e seu escoamento diário no nível do ducto torácico fica em torno de 2 a 5 litros.Fonte: WIKIPEDIA.0 26 . Compostas por tecido linfóide e circundando a união das vias bucal e nasal. 2008. 2008. próxima a sua base.Amídalas Fonte: UNIFESP. O que difere a linfa do sangue é a ausência de células sangüíneas.2 Linfa O termo linfa é derivado da palavra latina lympha. eletrólitos e proteínas que escapam do sangue através dos capilares. é considerada do líquido mais nobre do organismo. que significa água – especificamente. rio claro ou água nascente. uma em cada lado. As tonsilas linguais estão localizadas na face dorsal da língua. 4. as tonsilas desempenham papel adicional contra invasão bacteriana. As amídalas (tonsilas) são massas pequenas de tecido linfóide incluídas da mucosa de revestimento das cavidades bucal e faríngea. É um líquido incolor e viscoso com composição quase igual a do plasma sangüíneo que consiste principalmente de água. Divide com os outros líquidos extracelulares a responsabilidade de manter o equilíbrio do meio interno do organismo. O fluxo da linfa é AN02FREV001/REV 4. Juntamente com o líquido cefalorraquidiano. podendo alcançar 20 litros em caso de um aumento patológico de demanda. As tonsilas faríngeas se localizam na parte nasal da faringe.

O mecanismo de formação da linfa envolve três processos simultâneos:  Ultrafiltração: movimento de saída de água.  Absorção linfática: início da circulação linfática determinada pela entrada de líquido intersticial. medula óssea. desembocam nos vasos coletores e por fim nos troncos linfáticos. que ocorre por difusão. AN02FREV001/REV 4. gás carbônico. proteínas de alto peso molecular e pequenas células. que por sua vez.5 ml por minuto. o fluxo total de linfa é da ordem de 1.3 Topografia do sistema linfático A rede linfática é formada pelos capilares linfáticos. no interior do capilar linfático. 4. que desembocam nos pré-coletores.  Absorção venosa: movimento de entrada de água. Em média. Cerca de três litros de linfa penetram no sistema cardiovascular em 24 horas. músculo esquelético. Os vasos linfáticos estão ausentes no: sistema nervoso central. oxigênio e nutrientes do interior do capilar arterial para o interstício. pequenas moléculas e catabólitos do interstício para o interior do capilar venoso. polpa esplênica e cartilagem hialina.0 27 .relativamente lento. caracterizando a formação da linfa.

São pequenos vasos condutores constituídos por células endoteliais que se sobrepõem em escamas. formando microválvulas que se tornam pérvias. sobretudo na pele.1 Capilares linfáticos Os capilares linfáticos são os vasos iniciais da circulação linfática.0 28 . 2008. conforme o afrouxamento ou a tração dos filamentos de proteção. os filamentos permitem a penetração de água. Nos capilares linfáticos. AN02FREV001/REV 4. permitindo que as trocas líquidas entre o interstício e o capilar linfático ocorram facilmente não só de dentro para fora. em relação à rede capilar sangüínea.3. onde os capilares linfáticos estão dispostos de forma superficial e profunda. O refluxo linfático não ocorre devido ao fechamento das microválvulas linfáticas. 4. Quando tracionados. como de fora para dentro do vaso. os espaços intercelulares são mais amplos. permitindo sua abertura ou fechamento. partículas. O mesmo não ocorre nos vasos e ductos linfáticos.Figura 09 – Estrutura do sistema linfático Fonte: SANCHEZ. pequenas células e moléculas de proteínas no interior do capilar. iniciando então a formação da linfa. A rede capilar linfática é rica em anastomoses.

3. sendo os espaços compreendidos entre cada válvula denominados linfangions. cobertos em ambas as faces por endotélio. formando as válvulas que direcionam o fluxo da linfa.3 Coletores linfáticos São os vasos mais calibrosos. As válvulas linfáticas asseguram o fluxo da linfa numa só direção. que em certos pontos se prolonga juntamente com as células endoteliais. com fibras elásticas longitudinais que formam numerosas válvulas. mais interna. Possuem estrutura semelhante aos capilares. Compõem-se por três camadas: a túnica íntima.0 29 . Os coletores podem ser pré-nodais (aferentes) ou pós-nodais (eferentes). para o lúmen do vaso. O coletor linfático quer superficial ou profundo.4. elementos elásticos e musculares. para o coração. Seguem um trajeto sinuoso e possuem fibras colágenas.2 Pré-coletores linfáticos Os pré-coletores linfáticos são vasos intermediários entre os capilares e os coletores linfáticos. A parede do vaso linfático AN02FREV001/REV 4. responsáveis pela contratilidade do vaso e pela propulsão da linfa e a túnica adventícia. mais externa e espessa formada por fibras colágenas longitudinais e por terminações nervosas. as válvulas são mais numerosas próximas aos linfonodos e são encontradas mais freqüentemente nos vasos linfáticos do pescoço e do membro superior do que nos do membro inferior.3. Assim como para as veias. as válvulas linfáticas se projetam na direção da corrente linfática e estão dispostas de tal maneira que permitem um escoamento livre em direção aos grandes vasos linfáticos e impedem o refluxo. Seu endotélio é recoberto por tecido conjuntivo. a túnica média que envolve a anterior e possui células da musculatura lisa. Nos vasos linfáticos. que lhe proporcionam propriedades de alongamento e contratibilidade. ou seja. As válvulas são semilunares e formadas por finas camadas de tecidos fibrosos. possuindo estrutura semelhante a das grandes veias. Estão inseridas por sua borda convexa à parede do vaso. 4. possui numerosas válvulas bivalvulares.

O linfangion é a unidade funcional do sistema linfático. 2001. responsável pela propulsão da linfa. com pulsações variando entre oito e vinte e duas vezes por minuto. A borda de um linfangion forma a válvula do seguinte. Figura 10 – Válvulas linfáticas Fonte: CK. que dá a esses vasos.0 30 . A propulsão da linfa se inicia quando o linfangion apresenta sua válvula inicial aberta e a final fechada. outras ações podem interferir na motilidade dos linfangions: o bombeamento do sistema arterial. a linfa pressiona suas paredes estimulando as fibras musculares da túnica média que abrem à válvula final e fecham à inicial. o peristaltismo intestinal.4 Troncos linfáticos AN02FREV001/REV 4.logo acima do local de inserção de cada válvula é dilatada em uma bolsa ou seio. quando estiver totalmente cheia. a massagem de drenagem linfática e a pressão externa promovida por enfaixamentos e contensão elástica. resultando em fluxo circulante no organismo de 2 a 5 litros de linfa em situações normais. o aspecto nodoso ou em rosário. então começa a se encher de linfa e. 4.3. quando distendidos. o bombeamento muscular. estimulando o ducto torácico. num movimento peristáltico. os movimentos respiratórios que provocam mudanças na pressão da cavidade torácica. Ao lado do sistema linfático. Sua estrutura corresponde a um segmento com uma camada muscular central e válvulas formadas por prolongamentos da túnica íntima em ambas as extremidades. Esse processo acontece sucessivamente nos linfagions seguintes.

subclávios e broncos mediastinal direito formam o ducto linfático direito.Os troncos linfáticos. jugulares e descendentes intercostais. Seu orifício possui duas válvulas semilunares. além do membro superior esquerdo. lombares e intercostais forma o ducto torácico. O ducto linfático direito corre ao longo da borda medial do músculo escaleno anterior na base do pescoço e termina na junção da veia subclávia direita com a veia jugular interna direita. que evitam a entrada de sangue venoso. Recebe a linfa oriunda dos membros inferiores. Figura 11 – Ductos linfáticos Fonte: CK. O ducto torácico é o maior tronco linfático e geralmente desemboca na junção da veia jugular interna com a veia subclávia. uma dilatação situada anteriormente á segunda vértebra lombar. mediastinais.0 31 . do pescoço e da cabeça.5 Linfonodos (gânglios ou nodos linfáticos) AN02FREV001/REV 4. 2001. do lado esquerdo. do hemitronco esquerdo. 4. intestinais. subclávios. onde desembocam os vasos que recolhem o quilo intestinal. Recolhe a linfa oriunda do membro superior e hemitórax direito. A união dos troncos intestinais. Os troncos jugulares. Origina-se na cisterna do quilo. do pescoço e da cabeça. e compreendem os vasos linfáticos lombares. ou coletores terminais são vasos de maior calibre que recebem o fluxo linfático.3.

sendo inclusive palpáveis. abdominal e pélvica. Figura 12 – Linfonodo AN02FREV001/REV 4. que são muito especializadas.Aglomerados de tecido retículo-endotelial revestido por uma cápsula de tecido conjuntivo. podendo reagir diretamente. Estão geralmente situados na face anterior das articulações. É constituído por dois tipos de células: as células reticulares. contra um único tipo de antígeno. Apresentam variações: na forma. Na axila e na região inguinal são abundantes. Pesquisadores afirmam existir entre 400 e 600 linfonodos no homem (entre superficiais e profundos) os quais geralmente estão dispostos em cadeia. e seu volume também é variável. portanto. em decorrência dos processos patológicos ou agressões que a área de drenagem tenha sofrido. cuja atividade primordial é a fagocitose e a pinocitose e as células linfóides. como ocorre no pescoço e nas cavidades torácicas. contêm a memória imunológica e que. ocorrendo um importante aumento com a idade. O número de linfonodos varia entre as regiões e os indivíduos. tamanho e coloração. são essenciais no mecanismo das reações imunológicas. ao longo do trajeto dos vasos sangüíneos. que se dispõem ao longo dos vasos do sistema linfático. ocorrendo normalmente em grupos e desempenham em geral o papel de reguladores da corrente linfática.0 32 . células de defesa especializadas. ou através de anticorpos. O linfonodo é formado por uma cápsula conjuntiva periférica que se adere ao tecido adiposo. cuja função é filtrar impurezas da linfa e produzir linfócitos.

A água.4 Circulação linfática As circulações linfáticas e sangüíneas estão intimamente relacionadas. onde as células retiram os elementos necessários ao seu metabolismo e eliminam os produtos de degradação celular. desemboca nos dois principais ductos coletores do corpo humano: o canal linfático direito e o ducto torácico.Fonte: UNIFESP. em direção ás cadeias ganglionares. Contudo. Entretanto. pré-coletores e coletores. a pequena drenagem linfática é vital para o organismo ao baixar a concentração protéica média dos tecidos e propiciar a pressão tecidual negativa fisiológica que previne a formação do edema e recupera a proteína extravasada. sais minerais e vitaminas. sendo que o maior volume do fluxo venoso faz com que. o líquido intersticial. AN02FREV001/REV 4. diretamente para o sangue. As moléculas pequenas vão. o fluxo linfático proveniente de várias regiões do corpo. O transporte da linfa pode ser explicado pela hipótese de Starling sobre o equilíbrio existente entre os fenômenos de filtração e reabsorção que ocorrem nas terminações capilares. o sistema venoso capte muito mais proteínas que o sistema linfático. 2008. sendo conduzidas pelos capilares sangüíneos. rica em elementos nutritivos. retoma a rede de capilares venosos. Os ductos coletores transportam à linfa. Em seguida. mesmo macromoléculas passam para o sangue via capilares venosos. Ao fluir pelos capilares. através das pressões exercidas. em sua maioria. ao deixar a luz do capilar arterial. e as grandes partículas alcançam a circulação através do sistema linfático. desemboca no interstício.0 33 . 4. no total.

A pressão de filtração surge da relação entre as pressões hidrostáticas e osmóticas.0 34 . pela própria fisiologia do movimento. em direção ao interstício. influenciam a formação AN02FREV001/REV 4. A pressão tissular é a pressão exercida sobre o fluido livre nos canais tissulares. A pressão osmótica sangüínea tende a movimentar o fluido do interstício em direção ao capilar. 2007.Figura 13 – Trocas sangüíneas e linfáticas Fonte: BIO_LOG. Várias pressões são responsáveis pelas trocas através do capilar sangüíneo: a pressão hidrostática sangüínea impulsiona o fluido pela membrana capilar. Fazem parte dos extrínsecos:  Contração e peristaltismo muscular: os movimentos de contração muscular. O fluxo linfático depende de fatores extrínsecos e intrínsecos.

maior será a propulsão da linfa. maior é a quantidade de líquidos que alcançam os vasos.0 35 . que durante essa fase da respiração. Essa compressão impulsiona a linfa no sentido antigravitacional. Já os intrínsecos são:  Contractilidade dos vasos linfáticos: os vasos linfáticos realizam contrações rítmicas as quais independem dos movimentos respiratórios e da pulsação arterial. facilitando sua drenagem.  Alterações térmicas: o aumento da temperatura promove uma dilatação das arteríolas e com isso ocorre uma elevação no volume sangüíneo e conseqüentemente um aumento do volume filtrado.  Respiração e pressões intratorácicas: os movimentos respiratórios promovem uma ação rítmica e contínua no fluxo linfático 24 horas por dia. Promove movimentação dos líquidos tanto da circulação sangüínea quanto da linfática.  Compressão externa dos tecidos: a compressão externa aumenta a pressão resultante e conseqüentemente a quantidade do líquido formado. Em condições normais. Ao inspirarmos ocorre um aumento no volume pulmonar. é comprimido. essas vias estão inativas.da linfa. Essa movimentação permite que os líquidos que se encontram em estase alcancem os ductos linfáticos. e quanto maior é a contratilidade dos vasos.  Presença e localização das válvulas que evitam o refluxo da linfa: as válvulas são constituídas por filamentos contráteis. facilitando o transporte da linfa. pois o líquido é formado devido a um valor de pressão resultante.  Vias acessórias de fluxo: geralmente surgem em condições patológicas como queimaduras e processos inflamatórios. A linfa é conduzida na direção centrípeta.  Gradiente de pressão entre os espaços intersticiais e os vasos linfáticos: quanto maior a pressão dos espaços intersticiais. a sua propulsão e o fluxo linfáticos. Entre os pulmões existe um órgão chamado cisterna do quilo. para o ducto torácico. sendo grandezas diretamente proporcionais. se encontram no AN02FREV001/REV 4.

Os principais gânglios linfáticos do membro inferior são os gânglios inguinais. fluxo linfático. Edema AN02FREV001/REV 4. 5. poplíteos. Existem coletores interósseos anteriores e posteriores. O tórax é drenado pela via ântero-interna diretamente pelos gânglios situados na altura das articulações condroesternais. 4.0 36 . facilitando seu trajeto. A rede superficial é mais densa nos dedos e na face palmar da mão. dois coletores radiais e dois coletores ulnares profundos. Os linfáticos da região abdominal média e supra-umbilical se dirigem igualmente aos gânglios mamários internos.5 Anatomia dos linfáticos Os linfáticos do membro superior dividem-se em superficiais. O fluxo da linfa ocorre de acordo com contrações rítmicas ao longo dos vasos coletores e pré-coletores. A face posterior do tórax é drenada em direção aos gânglios axilares em direção aos grupos subescapulares homolaterais. Os linfáticos do membro inferior compreendem: os coletores superficiais satélites da safena interna e externa e os coletores da região glútea. se abrem quando a linfa passa. e se fecham logo após essa passagem. os gânglios ilíacos e lombo-aórticos. os quais são constituídos por músculo liso.interior dos vasos. fechamento e abertura da válvula. A propulsão da linfa é determinada pelos seguintes mecanismos: dilatação das paredes. localizados na derme e no tecido celular subcutâneo sob a aponeurose e profundos localizados abaixo dos superficiais. Os linfáticos da parede abdominal se dirigem da linha abdominal média infra-umbilical aos grupos ganglionares inguinal correspondente. Os principais gânglios linfáticos do membro superior são os gânglios supra-epitrocleares e gânglios do sulco deltopeitoral. o gânglio tibial anterior. Esse mecanismo impede que o fluxo que está em direção contra a gravidade retorne.

enquanto o aporte de filtragem é normal. ou indiretamente. Existem dois extremos de edema: um ligado ao excesso de aporte de líquido e outro causado por insuficiência da rede de evacuação. a depressão persiste.0 37 . apesar de tudo. uma pressão aplicada com o dedo o deprime e. do número de capilares ativos. o edema apresenta-se como aumento de volume dos tecidos que cedem facilmente à pressão localizada. O surgimento do edema está ligado à circulação linfática. Esse edema ligado ao excesso de aporte de líquido é de origem vascular. da pressão oncótica. entretanto. e as possibilidades de evacuação dependerão do seu grau de evolução e de AN02FREV001/REV 4.O termo edema refere-se ao acúmulo de quantidades anormais de líquido nos espaços intercelulares ou nas cavidades do organismo. Quando o aporte de líquido filtrado se torna mais importante e o sistema de drenagem não aumenta em conseqüência disso. em conseqüência do aumento do aporte líquido. O edema é resultado do desequilíbrio verificado entre o aporte de líquido retirado dos capilares sangüíneos pela filtragem e drenagem deste líquido. a pressão intratecidual aumenta e a pele se distende. Ocorre uma constante renovação do líquido intersticial na qual as células do corpo podem retirar os elementos necessários ao seu metabolismo. da pressão do líquido intersticial. Clinicamente. Se não houver interrupção. Microscopicamente o edema se expressa por alargamento dos espaços entre os constituintes celulares. após a supressão desta pressão. O tecido incha e ocorre o edema. Pode ocorrer. Os tecidos se enchem de líquido. em conseqüência de uma patologia linfática específica. ele apresenta o sinal de Godet ou cacifo. O estado de equilíbrio. O edema se instala se organiza e se torna fibroso. A quantidade de líquido nos espaços intersticiais depende da pressão capilar. do fluxo linfático e do volume total de líquido extracelular. ocorre um desequilíbrio entre a filtragem e a evacuação a expensas desta última. O outro tipo de edema ocorre quando a drenagem é insuficiente. ou seja. seja diretamente. o estado fisiológico é atingido quando as vias de drenagem são suficientes para evacuar o líquido trazido pela filtragem. As vias linfáticas possuem um poder de adaptação muito grande: elas podem drenar uma média de 24 a 30 litros de linfa por dia. não ocorrerá edema. ou seja. a rede seja insuficiente. dando origem a uma depressão que rapidamente desaparece. que. da permeabilidade dos capilares. Macroscopicamente.

alterações da drenagem linfática. Em condições normais. oclusões venosas etc. alterações do interstício.1 Fisiopatologia do edema O estudo da fisiopatologia do edema deve ser feito levando-se em conta as principais causas deste sinal. 5. ele não apresenta o sinal de Godet. O aumento da pressão hidrostática facilita a filtração líquida para o interstício. O edema assim determinado pode ser localizado (por exemplo.).1 Aumento da pressão hidrostática A pressão hidrostática varia em virtude da posição do indivíduo. desta forma. AN02FREV001/REV 4. na insuficiência cardíaca congestiva). não sendo. mas é mais freqüente e grave quando há participação de mais de um deles. possível deslocá-lo por meio de pressões. Clinicamente. O edema se forma quando surgem transtornos nesses componentes. O aumento da pressão hidrostática relaciona-se a hiperemia ativa ou passiva (com suas diversas causas.organização. retenção renal de sódio e água.0 38 . varizes. inflamações. redução da pressão oncótica (coloidosmótica) das proteínas plasmáticas. A origem dos edemas está relacionada com os seguintes fatores: aumento da pressão hidrostática do sangue na microcirculação. as obstruções venosas) ou generalizado (por exemplo. como calor. os gradientes sangueinterstício de pressão hidrostática e oncótica e a drenagem linfática são os responsáveis pela filtração e absorção de líquidos na microcirculação sem que haja acúmulo excessivo de água no interstício. permeabilidade vascular aumentada. 5. traumas. Qualquer variação na dinâmica do transporte de líquido ao nível da membrana capilar que puder aumentar a pressão do líquido intersticial desde seu valor normal negativo de – 6 mmHg até valor positivo irá produzir edema. será nula ao nível da safena interna ao deitar-se e poderá atingir valores negativos quando o indivíduo estiver deitado com os membros inferiores levantados. Os edemas podem resultar da ação isolada de qualquer dos fatores citados.1. Ela irá aumentar nas veias ao se assumir a posição ortostática.

morfologicamente. o edema só aparece quando é ultrapassada a capacidade de compensação do sistema linfático.4 Obstrução da drenagem linfática (linfedema) Na maioria dos edemas. 5. não apenas o líquido vaza muito rapidamente dos capilares para os espaços teciduais. aumento da atividade pinocitótica do endotélio e adelgaçamento da parede vascular. Por conseguinte.5.0 39 . uma pressão de aproximadamente 25 mmHg. indicando que o sistema linfático desempenha nesses casos.2 Redução da pressão oncótica A pressão oncótica está ligada à presença de proteínas em oposição à filtração capilar.3 Aumento da permeabilidade capilar O aumento da permeabilidade traduz-se. a maior oferta de líquido ao interstício ou a menor reabsorção de líquido pelos vasos sangüíneos é compensada pelo aumento da drenagem linfática. 5.1. Desde que o sistema linfático permaneça em condições de exercer sua função. exercendo. a permeabilidade capilar aumentada pode ser causa de edema por pelo menos três fatores diferentes: vazamento excessivo de líquido pelos poros dilatados para os espaços intersticiais. em excesso. papel antiedema. como também ocorre escapamento das proteínas plasmáticas. em condições normais. pressão coloidosmótica plasmática diminuída.1. Quando o aumento da permeabilidade ocorre.1. por ampliação dos espaços interendoteliais. Qualquer diminuição das proteínas “circulantes” terá como conseqüência à diminuição da pressão oncótica que se opõe à filtragem. nos espaços intersticiais. Disso resulta que a diminuição das proteínas plasmáticas aumenta a filtragem e diminui a reabsorção. AN02FREV001/REV 4. o fluxo da linfa aumenta consideravelmente. que se acumulam. pelo acúmulo de proteína. pela perda de proteína. e pressão coloidosmótica intersticial aumentada.

nem a proteína de dentro do líquido intersticial consegue sair. os capilares perdem sua capacidade osmótica normal de reter líquido na circulação. Embora o revestimento endotelial normal seja impermeável à passagem de proteínas. que impede o retorno normal das proteínas à circulação. As proteínas que vazam através das paredes capilares vão ficar gradualmente acumuladas nos espaços intersticiais até que a pressão coloidosmótica intersticial adquira valor próximo da pressão coloidosmótica plasmática. Geram alteração da pressão osmótica e acarreta a presença definitiva de fluído no interstício. por destruição ou obstrução da via linfática em algum ponto de seu trajeto. uma pequena quantidade de albumina passa para o espaço intersticial juntamente com a troca de líquido entre os compartimentos vascular e intersticial. nem a pequena quantidade de líquido perdida do compartimento intravascular. O aumento da concentração de proteína no meio vascular causado pelo extravasamento e não absorção das mesmas. Desse modo surge o linfedema. Como resultado. de modo que esse líquido passa a ficar acumulado nos tecidos. assim reduzindo a pressão osmótica efetiva do sangue. 5. favorecendo a retenção de líquido. Linfedema Desenvolve-se a partir de um desequilíbrio entre a demanda linfática e a capacidade do sistema em drenar a linfa. no momento em que o mesmo perde sua capacidade de escoamento. o que constitui o linfedema.5 Aumento da pressão coloidosmótica do líquido intersticial Quando aumenta a permeabilidade capilar para macromoléculas e cresce o conteúdo em proteínas no interstício. AN02FREV001/REV 4. Desta forma.0 40 . 6.1. Sendo as proteínas de alto peso molecular extravasada para o interstício e absorvida exclusivamente pelo sistema linfático inicial.A interferência com a drenagem linfática é uma causa óbvia de expansão do líquido intersticial. Com a obstrução linfática. A causa mais grave para essa condição é o bloqueio dos linfáticos. a pressão oncótica intersticial eleva-se. levando ao acúmulo de líquido nos espaços intersticiais e à conseqüente formação de edema. ocorre a estagnação da linfa no vaso. e posterior extravasamento de volta ao interstício. a pressão oncótica plasmática diminui e a pressão oncótica do líquido intersticial aumenta.

O linfedema congênito aparece ao nascimento. sendo caracterizado por uma estrutura inadequada dos vasos linfáticos. A presença de proteínas gera também. tornando o edema mais duro e menos responsivo a drenagem postural.  Quanto à instalação e os achados clínicos: podem ser classificados como agudos os linfedemas moderados e transitórios que ocorrem nos primeiros dias após a cirurgia como resultado da incisão dos canais linfáticos ou crônicos. irreversível. Podem ser classificados quanto à:  Origem: podem ser primários são subdivididos em precoce e congênito.  Quanto à intensidade: o linfedema pode ser classificado em fases de I a IV: Os linfedemas de fase I são os que se desenvolvem após atividades físicas ou ao final do dia e melhoram espontaneamente ao repouso e aos estímulos linfáticos. Estudos indicam que o linfedema é o resultado de uma combinação de fatores. Os de fase III são irreversíveis e mais graves. patologias como a filariose. fibrose. Possuem alterações de pele importantes. cada uma delas aumentando a perda de vasos linfáticos. eczemas. que é a forma mais comum. quadros infecciosos e inflamatórios e efeitos colaterais de tratamentos oncológicos). O linfedema precoce é de etiologia desconhecida. sendo usualmente insidioso. Os AN02FREV001/REV 4. os de fase II são espontaneamente irreversíveis. sua presença no interstício propicia a proliferação e cultura de germes. com ausência de dor. Ou secundários quando decorrem de causas externas (lesões teciduais. podendo ser decorrente de desequilíbrios hormonais ou falhas no desenvolvimento dos vasos linfáticos.0 41 . e não de uma única causa. papilomatoses e fistulas linfáticas. tornando o membro acometido sujeito a episódios de infecção. não sendo associado a eritemas. mas podem ser controlados com terapêuticas apropriadas. ocorre nos membros inferiores. linfangites ou celulites. tornando-se vulneráveis a erisipelas. normalmente. Apresentam grau elevado de fibrose linfostática com grande estagnação da linfa nos vasos e capilares. insuficiência venosa. erisipela.Uma vez que a linfa é um fluído com altas concentrações de proteínas.

O linfedema de grau B ocorre em pacientes permanentemente com edemas suaves. apresentando todas as medidas simétricas iguais e com ausência de edema em dorso de mão. consistindo as verdadeiras elefantíases cirúrgicas.  Quanto à topografia: o linfedema de grau A ocorre em pacientes que permanecem a maior parte do tempo sem edema. tendo pelo menos uma medida desigual no braço.de fase IV são as chamadas elefantíases. sendo irreversíveis e apresentam complicações como papilomatose. antebraço ou mão. sem modificações estruturais da pele e do tecido celular. fistulas linfáticas e angiomas. O linfedema de grau C ocorre em pacientes com modificações estruturais definitivas da pele e tecido celular. 7.0 42 . queratoses. Glossário AN02FREV001/REV 4. Traduz a total falência dos vasos linfáticos. sendo portadoras de uma insuficiência linfática crônica e compensada.

Geralmente produzidas por um agente infeccioso e manifestadas por dor. Estão normalmente presente em linfonodos. aumento da temperatura local. rubor. de aparência amorfa. etc.Ácido hialurônico: mucopolissacarídeo natural de alta viscosidade. Angiomas: tumor circunscrito formado por uma aglomeração de vasos sanguíneos (hemangioma) ou linfáticos (linfangioma).0 43 . e recobre as superfícies ósseas articulares (joelho. incluindo o tecido adiposo subjacente. Células de Merkel: células da epiderme que realizam síntese de catecolaminas. Atrofia muscular: perda do trofismo muscular decorrente da inatividade ou de denervações centrais ou periféricas. que desempenha um papel biológico importante na manutenção da pressão osmótica do sangue e tecidos e na manutenção de AN02FREV001/REV 4. Cloreto de sódio: sal de sódio. como seqüela inflamatória. cotovelo. Avascular: relativo ao que não possui tecido de vascularização. promovendo restrição de movimentos articulares normais.). A cartilagem hialina é a mais abundante dos tecidos cartilaginosos. Capsulite: processo de aderência de pregas de uma cápsula articular. Cartilagem hialina: tipo de tecido cartilaginoso cuja substância fundamental. Células de Langerhans: células dendríticas abundantes na epiderme. punho. febre e mal estar geral. Celulite: inflamação aguda das estruturas cutâneas. é muito resistente e elástica. Catabolismo: parte do metabolismo em que predominam reações químicas de decomposição. Constitui o anel da traquéia e dos brônquios. pondedo ser encontradas em outros órgãos na condição de histiocitose. assim como as partes cartilaginosas do nariz e das costelas.

presentes também nos lábios. nos ligamentos. periósteo. Difusão: fenômeno de transporte de matéria em que um soluto é transportado devido aos movimentos das moléculas de um fluido. do ponto de vista macroscópico. encontrados dentro das papilas dérmicas. seja transportado soluto das zonas de concentração mais elevada para as zonas de concentração mais baixa. confundindo-se com o colágeno dérmico. Corpúsculos de Meissner: receptores táteis. Condroblastos: célula cartilaginosa jovem. mergulhada na substância fundamental da cartilagem em vias de formação. AN02FREV001/REV 4. porém são mais achatados. no seu interior. da qual deriva o condrócito. de origem conjuntiva. pâncreas e outras vísceras. células achatadas que subdividem o corpúsculo em pequenos compartimentos transversais. mesentério.balanços eletróliticos.0 44 . Corpúsculos de Krause: equivalentes aos corpúsculos de Meissner na pele. Semelhantes aos bulbos terminais de Krause. Os terminais são associados com fibrilas colágenas na cápsula. Apresentam uma bainha fina de tecido conjuntivo e. língua e órgãos genitais. Corpúsculos de Ruffini: presentes na pele e nas articulações. Uma fibra mielinizada entra na cápsula e divide-se em pequenos ramos não mielinizados. Estes movimentos fazem com que. São numerosos nos dedos das mãos e dos pés. envolta por uma cápsula conjuntiva. envolvida por camadas concêntricas de tecido conjuntivo rico em fibrilas. cujas células são contínuas com o endoneuro. Corpúsculos de Paccini: mecanorreceptores de pressão que se apresentam sob a forma de uma terminação nervosa. peritônio. Presente nas camadas subcutânea da pele. Apresenta-se como uma dilatação com terminações nervosas ramificadas. alongados ou ovóides.

que ao ser dissolvido na água. e encrostamento e escamação. Fagocitose: englobamento de partículas sólidas pela célula. edema associado com um exsudato seroso entre as células da epiderme (espongiose) e um infiltrado inflamatório na derme. Doença de Raynaud: condição que afeta o fluxo sanguíneo nas extremidades do corpo humano — mãos e pés. Encontram-se exclusivamente em animais. forma uma solução que pode conduzir eletricidade. AN02FREV001/REV 4. que se alojam nos vasos linfáticos. Eletrólitos: condutor iônico. Erisipela (linfangite): infecção cutânea causada geralmente por bactérias de tipo streptococcus do grupo A e aureus. através da membrana celular . assim como os dedos destes. causando linfedema. Eczema: dermatite pápulo-vesicular que ocorre como reação a muitos agentes endógenos e exógenos. matriz óssea e fibras musculares. sólido ou pastoso. Escleroproteína: proteínas longas e filamentosas e uma das duas principais classes de estrutura terciária de proteínas (a segunda sendo as proteínas globulares). exsudação e vesiculação. Na maioria dos casos também com febre e leucocitose. Cursa usualmente com eritema. nariz. a partir do qual a matéria digerida passa depois para o citoplasma. caracterizada na fase aguda por eritema. líquido. tendões.Discrasias sangüíneas: qualquer alteração envolvendo os elementos celulares do sangue. Brugia malayi e Brugia timori. na construção de tecido conectivo.a partícula é envolvida num vacúolo digestivo. Elefantíase (filariose): doença causada pelos parasitas nematóides Wuchereria bancrofti. glóbulos vermelhos.0 45 . devido ao aspecto de perna de elefante do paciente com esta doença. comumente chamados filária. edema e dor. lóbulos das orelhas — quando submetidos a uma mudança de temperatura inferior ou estresse. glóbulos brancos e plaquetas. e sinais de escoriações e hiperpigmentação ou hipopigmentação ou ambas. Esta doença é também conhecida como elefantíase.

Linfangite: processo infeccioso comprometendo um ou mais vasos linfáticos. São muito hidrófilas. A laminina é outra responsável pela aderência das células epiteliais às lâminas basais.0 46 . Glicosaminoglicanas: são glicídios de alto peso molecular formados pela polarização de uma unidade constituída por ácido hialurônico e hesoxamina. São poliânions (muitos grupos negativos) podendo ligar-se á muitos cátions (sódio. Os linfócitos grande granulares são conhecidos como Natural Killer (células NK ou exterminadoras naturais) e os pequenos podem ser linfócitos T ou B. Há duas categorias: os linfócitos grande granulares e os pequenos linfócitos. formando uma reserva calórica para o organismo ou fornecendo elementos para produção de compostos complexos como hormônios. Doenças relacionadas são chamadas de mucopolissacaridoses. insolúvel em água. AN02FREV001/REV 4. Linfócitos: tipo de leucócito (glóbulo branco) do sangue. Homeostase: processo sangüíneo fisiológico mantido em estado de equilíbrio dinâmico constante pelo organismo. Linfangiectasia: dilatação patológica dos vasos linfáticos. Lipídios: substância orgânica que é composta de ácidos graxos. Fístulas linfáticas: comunicação anormal entre vasos linfáticos. Fosfatos: sais inorgânicos do ácido fosfórico. geralmente). Exercem um papel importante na defesa do corpo humano contra microrganismos. Fibronectina é uma proteína de aderência para colágeno e glicosaminoglicanas. Glicoproteínas estruturais: são proteínas associadas a glicídios.Fibrilas: pequenas fibras rearranjadas.

no sistema nervoso central e na retina. os melanócitos se encontram na pele. As proteínas são necessárias para a estrutura. a camada situada na parte de baixo do esmalte. Peristaltismo: contrações segmentares da musculatura lisa. dos tecidos e dos órgãos do corpo. Odontoblastos: célula responsável pela síntese ou produção da dentina. É um sistema de alimentação celular complementar à fagocitose.0 47 . Pinocitose: processo de endocitose em que a célula engloba uma substância em estado líquido por transporte ativo através da membrana celular. A melanina é um dos responsáveis pela coloração da pele e auxiliam na proteção celular contra a radiação solar. Mucopolissacarídeos: polímeros de condensação que geralmente contêm centenas de moléculas de monossacarídeos interligadas por pontes oxídicas.Melanócitos: célula dendrítica que produz melanina. Plasma sanguíneo: hemocomponente rico em fatores de coagulação. No homem. sua principal função é a dentinogênese. como o colágeno e a camada básica de proteoglicanos e glicoproteinas e se originam do tecido mesenquimal. Proteínas: grande molécula composta de uma ou mais cadeias de aminoácidos dispostas em uma ordem específica. Mesoderma: tecido que forma folheto embrionário que se localiza entre a ectoderme e endoderme. O principal produto dos osteoblastos é o colágeno tipo 1. substância pigmentar que envolve a célula protegendo seu núcleo dos raios solares. que configura a atividade motora de vísceras como: intestino e ureteres. função e regulação das células. Osteoblastos: células de revestimento responsáveis pelos constituintes da matriz. determinada pela seqüência base dos nucleotídeos no código de DNA da proteína. Cada AN02FREV001/REV 4. na camada basal da epiderme.

o organismo pode perder calor para o meio externo através do fenômeno da evaporação do suor. É o principal produto final do catabolismo das proteínas e constitui aproximadamente metade do total de sólidos urinários. Além disso. como a uréia. Caracteriza a produção e eliminação de suor pelas glândulas sudoríparas. pele. Através da sudorese. Sulfatos: sais inorgânicos do ácido sulfúrico Uréia: um composto gerado no fígado a partir da amônia produzida pela desaminação dos aminoácidos. -----------xxxxxxx------------- AN02FREV001/REV 4. São componentes essenciais para os músculos. Queratose: alteração de pele. ossos e para o corpo como um todo.proteína tem uma função única.0 48 . caracterizada por crescimento excessivo do epitélio cornificado. A proteína é um dos três tipos de nutrientes usados como fontes de energia pelo corpo. as glândulas sudoríparas têm a capacidade de filtrar do sangue algumas substâncias tóxicas resultantes do metabolismo. Sudorese: mecanismo fisiológico presente em alguns animais superiores e no ser humano.