Você está na página 1de 25

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

PÚBLICO http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592 ENTREVISTA "Somos um país de medrosos" 1 de 25

ENTREVISTA

"Somos um país de medrosos"

1 de 25

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

"Somos um país de medrosos"

CARLOS VAZ MARQUES

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

8 1787
8 1787

21/02/2016 - 00:52

É provavelmente o nome mais respeitado da psicanálise em Portugal. António Coimbra de Matos, 86 anos, dedicou grande parte da sua actividade ao estudo da depressão. Admite que estaremos provavelmente a viver um período de depressão colectiva. Deitámos o país no divã do psicanalista.

E ntra-se no consultório e dá-se de caras com uma curva do Douro. A vista assombrosa de São Leonardo de Galafura transporta-nos para uma espécie de tempo mítico.

Pendurada na parede em frente à porta, aquela fotografia

é uma janela para as origens de Coimbra de Matos. Ao longo de

duas horas de conversa, o psiquiatra e psicanalista, nascido em

1929, evoca por diversas vezes episódios da infância para ilustrar o que diz. Embora se tenha afastado da importância que

a teoria psicanalítica clássica dá ao passado. António Coimbra

de Matos é um ávido consumidor da ideia de futuro. A papelada

que se amontoa na secretária a que nos sentamos, um de cada lado, revela o tipo de organização muito pessoal de quem privilegia a actividade à arrumação obsessiva. Fuma incessantemente e concede-se a si próprio o tempo necessário para responder a cada pergunta. Como se fosse a primeira vez que algumas das questões se lhe colocassem.

Pode-se falar em estados de depressão colectiva?

Pode. A depressão é uma coisa individual mas há situações em

que aparecem mais casos depressivos. Em momentos de crise.

Como agora.

2 de 25

Diria que estamos a passar por uma depressão

colectiva?

Há uma maior incidência de depressões. Em certos momentos

podemos falar de uma depressão colectiva

(https://www.publico.pt/economia/noticia/france-telecom- 21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

regista-25%C2%BA-caso-de-suicidio-de-funcionarios-1405324).

Isso foi muito evidente naquele caso muito falado da France

"Somos um país de medrosos"

Telecom (https://www.publico.pt/sociedade/noticia

8 1787
8 1787

/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal-1420732).

Em que houve uma série de suicídios de trabalhadores

da empresa.

Sim. Isso foi muito noticiado (https://www.publico.pt/mundo

/noticia/na-francesa-orange-os-suicidios-em-2014-sao-ja-

quase-tantos-quantos-os-de-2013-1628826).

Há pouco tempo foram divulgados números que

revelam um aumento dos casos de suicídio

(https://www.publico.pt/sociedade/noticia/suicidios-

aumentaram-no-centro-e-interior-norte-1707315) em

Portugal.

Sim. Há um trabalho célebre, um trabalho seminal, em que o pai

da Sociologia, o Durkheim, verificou que quando há guerras e

revoluções a depressão e os suicídios diminuem porque as

pessoas se revoltam. Quando as pessoas não se revoltam, é que

se suicidam; quando se sujeitam, quando não têm condições

para protestar com mais veemência.

Na sua definição, segundo li, o que distingue a

depressão normal da depressão patológica é

justamente a capacidade de revolta.

Sim.

Em Portugal, não somos lá muito bons nisso, na

capacidade de revolta colectiva, pois não? Não, somos um bocado passivos. Os espanhóis são muito mais agressivos, revoltam-se muito mais.

3 de 25

Sim, nas imagens das manifestações em Espanha ou na

Grécia vemos um grau de revolta que não

identificamos em Portugal.

Isso é verdade. Noto isso na área científica. Aqui em Portugal,

vamos a um congresso e se dizemos: “Não estou nada de acordo

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

com isso” dizem-nos logo: “Foste muito agressivo com aquele

tipo”. Isso, num congresso internacional, é a coisa mais banal do

"Somos um país de medrosos"

mundo e ninguém leva a mal, nem diz que está a ser agredido.

8 1787
8 1787

Somos mais susceptíveis?

Sim. E mais delicados, mais medrosos. Somos um país de

medrosos.

É a velha ideia dos brandos costumes?

Dos brandos costumes mas também da atitude do poder. O

poder em Portugal sempre foi menos violento. Isso não facilita a

revolta. O Salazar não matava, mandava prender. Franco

matava mesmo e isso cria uma revolta maior.

Somos um bocado passivos. Somos um país de medrosos.

maior. Somos um bocado passivos. Somos um país de medrosos.

(//imagens7.publico.pt/imagens.aspx/1032307?tp=UH&db=IMAGENS)

Manifestação contra a presença da troika em Outubro de 2012 ENRIC VIVES-RUBIO

4 de 25

E considera isso mais negativo do que positivo?

Sim, há uma sujeição maior. Umas vezes é mais negativo, outras

vezes mais positivo. A nossa colonização foi muito melhor do

que a colonização de outros países, nomeadamente de Espanha.

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

Fizemos uma colonização mais respeitadora, mais suave

(/1670745).

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

É

em pé com essa ideia de que a colonização portuguesa terá sido branda; também houve grandes atrocidades. Mas não foi tão agressiva como a dos espanhóis, pelo menos na América Latina.

capaz de haver gente nos estudos coloniais de cabelos

Não tivemos um Cortés. Os espanhóis liquidavam aqueles indivíduos. Nós escravizávamo-los e tal.

Vê uma continuidade de carácter ao longo dos séculos no povo português? Repare na nossa luta contra os árabes, no princípio da nacionalidade: conseguimos conquistar território mais facilmente porque o Afonso Henriques e os outros não matavam os árabes. A maior parte dos alcaides foram feitos governadores civis. Já os espanhóis chegavam lá e liquidavam os alcaides:

substituíam-nos logo e às vezes até os matavam. Nós fomos mais diplomatas.

Identifica nisso um traço de continuidade? Sim. Percebi-o muito cedo, ainda na instrução primária. Fiz a instrução primária numa aldeia do Douro e ouvia dizer que o Afonso Henriques era um mata-mouros. Eu inventei uma outra designação: não era um mata-mouros, era um fode-mouras [risos]. Eles conquistavam as mouras e não precisavam de liquidar os mouros. Na maior parte das vezes aproveitaram a estrutura montada pelos árabes. Os espanhóis não fizeram isso e tiveram muito mais dificuldade em conquistar.

5 de 25

O facto de nos revoltarmos menos do que outros povos,

significa que somos mais atreitos à depressão? Não sei dizer ao certo mas haverá vários factores para isso. Um

dos factores é a nossa história, a expansão, as descobertas, os pais que saíam. Os homens iam para a guerra, iam para as

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

colónias, para os descobrimentos, e os filhos ficavam com as mães. Nas famílias em que o pai está ausente, isso cria uma

"Somos um país de medrosos"

menor agressividade, fica-se mais passivo. Há um trabalho

8 1787
8 1787

interessante da Professora Celeste Malpique, do Porto, precisamente sobre o pai ausente. Fez esse estudo nas zonas de Ovar e de Aveiro, onde os homens iam para a pesca do bacalhau.

6 de 25

Aveiro, onde os homens iam para a pesca do bacalhau. 6 de 25 (//imagens9.publico.pt/imagens.aspx

(//imagens9.publico.pt/imagens.aspx

/1032309?tp=UH&db=IMAGENS)

/1032309?tp=UH&db=IMAGENS) Na psicanálise estou mais interessado no futuro do que

Na psicanálise estou mais interessado no futuro do que no passado. A psicanálise clássica está sempre muito ligada ao passado: o que aconteceu com a mãezinha, com o paizinho. Eu ando mais ligado àquilo que a pessoa projecta no presente e

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

"Somos um país de medrosos"

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

para o futuro.

8 1787
8 1787

Isso lembra-me uma frase sua a explicar a diferença entre os papéis do pai e da mãe: quando a criança tem medo, a mãe dá-lhe a mão

e o pai dá-lhe um pontapé no cu. O meu pai fez-me isso uma

vez, tinha eu para aí uns dez, onze anos. Tinha montado um cavalo que lá havia e que era um bocado arisco. Estávamos no quintal da casa e o cavalo começa a empinar-se. Fiquei com medo e gritei pelo meu pai. Ele veio ter comigo e julguei que ia segurar-me o cavalo. Mas não. Pegou no chicote e dá duas porradas no animal. O cavalo largou-se, sai pelo portão da casa, pela estrada fora. Sei que perdi os estribos, agarrei-me ao selim, e ia a chamar ao meu pai filho da puta, cá por dentro [risos]. Mas nunca mais tive medo dos cavalos.

Essa distinção de papéis entre o pai e a mãe ainda é assim tão clara? É. O homem, em relação à criança, tem uma atitude diferente da da mulher. O homem faz mais movimentos extensivos, para fora, periféricos, centrífugos. As mulheres fazem mais movimentos centrípetos. O homem pega no bebé e tem tendência para o pôr assim [demonstra, afastando os braços do corpo].

Há até pais que atiram a criança ao ar. Sim. As mulheres raramente fazem isso. Isto induz a um tipo de relação diferente. Os homens falam de uma forma mais grave, as mulheres de maneira mais melódica (/1637635).

Diria que essas características são inatas ou culturais? São inatas. Isto faz-se em todas as culturas. Em algumas será mais forçado.

7 de 25

21/02/16, 17:12

Como é que enquadra isso em realidades novas como a

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

dos casais homossexuais com filhos?

É difícil responder. Os casais homossexuais não são

"Somos um país de medrosos"

patogénicos. Não há perigo nenhum na adopção por casais

8 1787
8 1787

homossexuais (/1723842). Agora, é uma situação com um risco

um bocadinho maior.

A que nível?

Mais facilmente pode haver dificuldades adaptativas.

Por causa dos diferentes papéis que não estão

preenchidos?

Sim. E não só. Os casais heterossexuais são mais harmónicos.

Nos casais homossexuais há mais frequência de conflitos, de

separações. São menos estáveis, de uma maneira geral.

Diz isso com base na sua experiência empírica ou em

estudos publicados?

Há estudos sobre isso. E depois é a experiência que temos de

clínica.

Tem detectado alterações a esse nível? Ocorrem mudanças na medida em que isso existe, é aceite, é cultural. As coisas melhoram. Os casais homossexuais tornam-se mais harmónicos por causa da aceitação. Numa cultura em que a homossexualidade não é aceite os casais envergonham-se, escondem-se, são criticados, há reparos. Portanto reagem a isso. Se são aceites sentem-se integrados.

Voltando à ideia de depressão colectiva: sente-a no seu

consultório?

Não sinto muito. A clínica do consultório é de classe alta. Nos

hospitais vê-se mais, há mais depressões. Parece-me que será

assim, mas não tenho estatística nenhuma que o comprove.

8 de 25

Com tanta coisa em transformação na sociedade, o que

é que lhe parece mais comum a nível individual: o que

permanece ou o que se altera?

Mais do que a mudança nos quadros clínicos ou nas coisas que

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

aparecem, é a mudança em mim próprio. São as coisas novas

que vou descobrindo ou que vou investigando.

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

Os homens iam para a guerra,para as colónias, para os descobrimentos, e os filhos ficavam com as mães. Nas famílias em que o pai está ausente, isso cria uma menor agressividade, fica-se mais passivo.

isso cria uma menor agressividade, fica-se mais passivo.

(//imagens3.publico.pt/imagens.aspx/1032313?tp=UH&db=IMAGENS)

BRUNO LISITA

De que tipo?

A minha técnica hoje é muito diferente do que era há 20 ou 30

anos.

O que é que mudou?

Muita coisa. Até as concepções teóricas. A inovação, a

investigação são a base de todo o movimento. Se a pessoa se fixa

naquilo que descobriu ou que aprendeu, às tantas está

fossilizada.

9 de 25

É fácil ficar fossilizado nesta actividade?

Em todas as actividades é fácil. Na nossa talvez mais porque é

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

mais complexa, e as pessoas aprendem sempre muita coisa e depois repetem aquilo que já sabiam. As pessoas dizem-me isso:

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8
1787

“Não percebo, você agora vem com umas ideias completamente

diferentes”. Não sou nenhum maluco, fui vendo umas coisas, algumas ideias que tinha e que não estavam muito certas e entretanto fui trilhando outros percursos.

Dê-me o exemplo de uma dessas alterações. Por exemplo, aprendi, e durante muito tempo procedi assim, que os sonhos nocturnos eram uma coisa muito importante, que nos davam grandes indicações. Hoje a minha teoria é que os sonhos nocturnos pouco nos dizem porque são um trabalho de memória.

Portanto, a interpretação dos sonhos já não lhe interessa. Não. É muito mais importante aquilo a que chamo o sonho- projecto, os devaneios diurnos que temos. Esses é que estão virados para o futuro. Diz-se muitas vezes que o homem é um animal de hábitos, mas não é verdade. O macaco é um animal de hábitos, o homem é um animal criador, está sempre a criar coisas novas. E por isso criou uma civilização. O ser humano é de tal modo criador – e eu sou ateu! – que até criou um deus. Deus é uma criação do homem. Na psicanálise estou mais interessado no futuro do que no passado. A psicanálise clássica está sempre muito ligada ao passado: o que aconteceu com a mãezinha, com o paizinho. Eu ando mais ligado àquilo que a pessoa projecta no presente e para o futuro.

10 de 25

No seu divã não lhe interessa aquilo que foram as vivências e as memórias recalcadas? Isso também é importante. Costumo dizer aos meus alunos, na brincadeira, que os analistas clássicos me fazem lembrar um condutor de automóveis que vai sempre a olhar para o retrovisor; depois espeta-se no primeiro eucalipto. Não é isso que me interessa. Dá-se uma vista de olhos de vez em quando mas olha-se em frente, fundamentalmente.

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

Imagino que isso lhe valeu algumas antipatias ou mesmo inimizades dentro do meio da psicanálise.

"Somos um país de medrosos"

Sim, sim. E críticas.

8 1787
8 1787

Porque é que há uma tão grande animosidade entre escolas terapêuticas? Como é uma ciência mais difusa, com menos certezas, é mais fácil formar essas escolas e crenças. Religiões, quase; seitas. Mas a propósito disso, há uns anos recebi um prémio nos Estados Unidos, e um dos analistas de lá, com quem depois me correspondi bastante, mandou-me um mail: “Mas isso que você disse é uma mudança total de paradigma, não é?” “Pois é”, disse-lhe eu.

A que é que ele se referia? Precisamente a isto de que estávamos a falar, porque na psicanálise clássica o paciente repete muito as coisas que aprendeu na infância. A minha teoria é que ele, ao longo da vida, vai aprendendo coisas novas e vai mudando. E isso é que é o importante.

11 de 25

Também reconstruímos e reinventamos o passado. Sim, mas vivemos do futuro, não do passado. Infelizmente nem sempre é assim, mas é assim que deve ser. Veja na política

portuguesa: foi o problema do Sócrates, e antes do Sócrates do

Guterres

culpa foi do Afonso Henriques, que conquistou isto aos mouros

em vez de ir para a Galiza.

Noutro dia dizia a um amigo meu: naturalmente, a

Andamos a olhar demasiado para o espelho retrovisor? Andamos. De uma maneira geral, nos países europeus. Há um estudo que já tem uns 30 anos, de psicólogos e psicanalistas americanos, que se limitaram a investigar a década de 70. Foram buscar 400 artigos que vêm de duas revistas de psicanálise bastante conhecidas, seleccionaram 200 artigos escritos por psicanalistas europeus, e 200 artigos escritos por psicanalistas americanos. E só foram investigar uma coisa: o número de vezes que citavam Freud. A diferença era de dez

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

vezes mais para os europeus. [risos] É o peso da história. E também a coisa cultural: os europeus são mais conservadores. É

"Somos um país de medrosos"

frequente ir-se a uma conferência sobre filosofia e ter de se

8 1787
8 1787

ouvir falar no Aristóteles e no Platão.

e ter de se 8 1787 ouvir falar no Aristóteles e no Platão. (//imagens4.publico.pt/imagens.aspx

(//imagens4.publico.pt/imagens.aspx

/1032314?tp=UH&db=IMAGENS)

/1032314?tp=UH&db=IMAGENS) Vivemos do futuro, não do passado. Infelizmente nem

Vivemos do futuro, não do passado. Infelizmente nem sempre é

assim. Veja na política portuguesa:

foi o problema do Sócrates, e antes do Sócrates do

Guterres

A

culpa foi do Afonso Henriques, que conquistou isto aos mouros em vez de ir para

a Galiza

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

Sente-se mais americano, nisso? Muito mais. Aliás, tenho muito mais contacto com analistas

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

americanos do que com analistas europeus. Esse prémio que me

deram nos Estados Unidos, na Europa não mo davam. Deram-mo voluntariamente, foram eles que me seleccionaram, pelos meus escritos. Na Europa achavam que aquilo não tinha muito interesse.

Revê-se mais no pragmatismo americano. No caso da análise, sim. Noutras coisas não. Noutros aspectos têm muitos defeitos. Mas os filósofos são muito mais pragmáticos. Os filósofos europeus estão presos às abstracções todas.

Com a sua idade seria natural que o peso da experiência já tivesse uma prevalência maior do que o da tentativa de descobrir. As coisas evoluem investigando, não é acumulando conhecimentos.

Como é que se dá, por exemplo, com a revolução tecnológica? Não vejo aqui nenhum computador. Não, porque os computadores já chegaram tarde demais e eu já não tinha muita paciência para aprender a lidar com aquilo. A minha secretária é que trata disso. Mas acho que é importante, aquilo é bom.

13 de 25

Nunca usa computador? Não. Mesmo o telemóvel, uso-o mal.

Sabe o que é o Instagram? Sei [risos].

Sabe o que é o Facebook? Também sei, mais ou menos.

As redes sociais são apenas novas formas de comunicação ou parece-lhe que há o risco de mexerem

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

com características fundamentais das pessoas? Penso que se não forem em excesso, não. Como tudo.

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8
1787

A instantaneidade da comunicação terá alterado algumas das características relacionais que existiam na sua juventude? Não sei. Ouço os meus colegas, na faculdade de psicologia, dizerem: “Esta malta hoje não presta, no nosso tempo é que era bestial”. Pois, eu acho que os alunos agora são muito melhores do que eram no meu tempo. Muitíssimo melhores. Mais ávidos, mais interessados. A evolução é positiva. No meu tempo de estudante a maior parte dos colegas só pensava em futebol e em beber copos. Hoje vêem-se vários alunos e alunas interessados em filosofia, política, história.

Não se reconhece, portanto, no discurso da crise de valores. Não, de maneira nenhuma. Os valores é que são outros. Em relação aos valores da religião, do pecado, são outros.

14 de 25

Quais diria que são hoje os valores estruturantes? O primeiro de todos é a liberdade. E por outro lado o de haver menos proibições. A minha liberdade só acaba quando perturba a liberdade do outro. É a única proibição. Depois a moral: há um tipo de moral, a que chamo exógena, ou heterónoma, que vem ditada pelo outro. Pela religião, pelo partido político, pela cultura. E há uma moral endógena e autónoma, que depende simplesmente de o indivíduo ter empatia e compaixão pelo sofrimento do outro. Se me ponho no lugar do outro e fico preocupado se ele não está bem, construo a minha moral. Aquela que me é ensinada não tem interesse nenhum. Por exemplo, há uma coisa que é muito discutida e em que várias pessoas não estão de acordo comigo: continua-se a dizer que é preciso impor limites às crianças. Não é preciso impor limites nenhuns às crianças, é preciso simplesmente mostrar-lhes que a realidade tem limites; a realidade física e a realidade social. Se a criança bate com a cabeça na parede magoa mais a cabeça do que a parede [risos]. Se chama filho da puta ao pai, se calhar o

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

pai fica chateado e deixa de brincar com ele, já não lhe apetece

jogar à bola. É só isto.

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

Continua-se a dizer que é preciso impor limites às crianças. Não é preciso impor limites nenhuns às crianças, é preciso simplesmente mostrar-lhes que a realidade tem limites.

simplesmente mostrar-lhes que a realidade tem limites.

(//imagens6.publico.pt/imagens.aspx/1032316?tp=UH&db=IMAGENS)

PEDRO CUNHA

Há agora uns pediatras que dizem que as crianças

ganharam um tal controlo, e uma tal atenção das

famílias que se tornaram pequenos ditadores

(/1722130).

Ah, isso é aquele idiota do Urra. Um cretino.

15 de 25

O espanhol Javier Urra.

Sim. Só diz idiotices [risos]. Mas tem cargos importantes: é

professor catedrático na Universidade Complutense de Madrid e

é, ou foi, o provedor dos menores em Espanha. Os livros dele

têm várias edições mas é um homem execrável. Numa entrevista

que li dele, acaba dizendo que castigava os filhos porque gostava

muito deles. Bestial! [risos]

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

Está mais próximo, nesse aspecto, do Dr. Spock.

O Spock era muito melhor.

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

Ou de Berry Brazelton. Esse é bom. Mas tem uma teoria com a qual não estou totalmente de acordo: diz que o bebé precisa de amor e disciplina. O bebé não precisa de disciplina, precisa de um ambiente ordenado, de um ambiente disciplinado. É diferente. Se um dia lhe derem a refeição às três horas, no dia seguinte às seis da tarde, noutro dia deitam-no às oito, e depois às onze

Isso é desestruturante. É. Se o ambiente for ordenado a criança integra-se nisso. Se eu, como professor, protesto por os alunos chegarem tarde à aula, não dá em nada. Agora, se eu chego a horas, ele habituam-se a chegar a horas.

E o que é que faz quando há prevaricadores? No Centro de Saúde Mental e Infantil tínhamos dez ou onze equipas e fazia uma reunião por semana com cada uma delas, e uma vez por mês uma reunião geral com toda a gente. Essas reuniões eram às nove da manhã; das nove às onze. E as pessoas chegavam sempre atrasadas. Fiz várias coisas até que simplesmente escrevi num quadro, “quem chegar depois das nove e dez é favor não interromper”. Começaram a ir a horas. As pessoas protestam quando é imposto, mas se for dito com jeito acabam por colaborar. E há outra coisa: a ideia do nosso governo anterior era a de que as sociedades progridem por competição. Não, as sociedades progridem por colaboração. Não é nos períodos de guerra que se fazem as grandes descobertas, é nos períodos de paz.

Há uma ideia muito difundida de que é o investimento militar que tem providenciado grandes avanços Não.

16 de 25

até

na área da psicologia.

21/02/16, 17:12

O Hitler é que dizia mais ou menos isso: que a guerra trazia

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

desenvolvimento.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

"Somos um país de medrosos"

Como é que encara a questão com que todos temos de

8 1787
8 1787

nos confrontar: a ideia da morte?

Fiz uma conferência aqui há tempos num congresso de filosofia

em que me convidaram para falar sobre isso. Primeiro recusei,

depois insistiram muito comigo. Pus uma condição: “Só se for

falar ao mesmo tempo da sexualidade e da morte” [risos]. Todos

temos uma angústia, que não é propriamente a angústia de

morte, essa é comum nos animais; a angústia perante a morte

imediata, o risco. Os homens e os macacos superiores - o

orangotango, o gorila, o chimpanzé - já têm alguma consciência

disso, têm aquilo a que chamo a angústia essencial. Uma

angústia perante a finitude da vida. Têm consciência de que a

vida tem um limite. Essa angústia não é totalmente resolvida,

mas é resolvida em parte pelo que se chama a imortalidade

simbólica. Sei que vou morrer daqui a uns anos, mas também

sei que fiz algumas coisas que ficaram, que foram úteis. Ensinei

algumas coisas porreiras a umas pessoas. Sei que vou morrer

mas diverti-me mais ou menos. Fiz umas asneiras, mas também

fiz algumas coisas bem feitas. Há uma certa satisfação, não vou

vazio e insatisfeito.

Essa consciência aumenta com o passar do tempo, ou nem tanto? Nem tanto. Temos é de ter sucesso em algumas coisas que

fazemos. Se só se tem insucesso isso deprime, causa mau estar.

Os americanos falam muito dos três “g”, a propósito do amor.

Good, giving and game. Bom, generoso e divertido. O mundo

deve ser bom, generoso e divertido.

Isso é aplicado ao amor?

Sim, ao amor e às relações em geral. Mas eles falam disto a

propósito do amor. O bom amor é aquele que é good, giving

and game (jogo, mas que eu traduzo para divertido).

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

"Somos um país de medrosos"

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592 8 1787 (//imagens7.publico.pt/imagens.aspx
8 1787
8
1787
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592 8 1787 (//imagens7.publico.pt/imagens.aspx

(//imagens7.publico.pt/imagens.aspx

/1032317?tp=UH&db=IMAGENS)

Sei que vou morrer mas diverti-me mais ou menos. Fiz umas asneiras, mas também z algumas coisas bem feitas. Há uma certa satisfação, não vou vazio e insatisfeito.

Também temos de aprender a viver com os momentos menos divertidos para não desistirmos à primeira contrariedade. Isso é outra teoria. A teoria da psicanálise clássica é a de que as dores são boas, que é preciso sofrer para ficar mais forte, para enrijecer o carácter. Não é nada a minha teoria. A dor é inevitável, não é boa. Há sempre insucessos, há sempre dores.

18 de 25

Eu estava a referir-me à chamada gratificação imediata, cuja necessidade, segundo se diz frequentemente, tem vindo a crescer. Pois, a teoria clássica é a de que a gratificação imediata é má e que se deve educar para a frustração. Reduzir a frustração lenta e progressivamente, é o que ensinam os clássicos. Não é de facto

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

a minha teoria. A frustração é sempre má e deve evitar-se. O que se deve fazer é outra coisa: é desenvolver a capacidade de

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

espera, o que é diferente. Estou suado, vim a correr, apetece-me

beber uma cerveja gelada. Mas percebo que se descansar um bocado a cerveja me vai saber muito melhor. Não é a mesma coisa que manter a frustração, ou que considerar a frustração útil.

Há hoje patologias mentais novas?

É difícil dizer mas há algumas.

O DSM [o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais] agora é maior.

O DSM é uma porcaria. Aquilo é um catálogo condicionado pela

indústria farmacêutica para venderem mais medicamentos.

Todos temos lá um lugarzinho. Sim, sim. E um medicamento apropriado.

Quais são então as novas patologias? Há uma maior quantidade de traços de psicose, narcisismo, borderline. Porque há uma menor intimidade entre as pessoas. As relações são mais superficiais, menos íntimas, menos vinculadas, mais anónimas. De maneira que não há familiaridade. Deixou de haver a confiança, a colaboração mútua.

Isso é um efeito da vida urbana por contraponto à vida rural? Claro, das grandes cidades. E do estilo de vida que as pessoas levam, também. Hoje as pessoas só são íntimas entre dois ou três amigos. No meu tempo era íntimo de todas as pessoas da minha aldeia. Mesmo nas cidades havia aquela coisa de bairro, as pessoas iam a casa uns dos outros. Hoje temos mais conhecidos do que amigos. Há uma diminuição da espessura afectiva dos laços.

19 de 25

Não haverá, por outro lado, uma maior liberdade?

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

Porque essa situação de antigamente era também de um grande controlo sobre os indivíduos.

"Somos um país de medrosos"

Sim. Nesse aspecto, sim.

8 1787
8 1787

O que é que é preferível? Bom, os extremos serão sempre maus. Mas não sei se a situação de antigamente era assim de tanto controlo. As pessoas respeitavam mais os segredos, por exemplo. Hoje respeitam menos. Se pedir a um amigo seu para respeitar um segredo, ele di-lo logo na primeira esquina.

Não tem grande confiança na natureza humana, pelos vistos.

A vida actual é mais insegura.

Existe isso da natureza humana? Existe, é um bocado diferente da natureza dos macacos, por exemplo [risos].

Mas reconhece a existência de padrões de

comportamento, independentemente da cultura, da origem, do meio em que se cresceu?

O problema dos valores é um problema posto do ponto de vista

moral, quase religioso. Do ponto de vista ético, estético, também. Mas o importante é aquilo que tem valor para a vida, aquilo que é vital. O que acontece é que para o homem, por comparação com o macaco, é importante a beleza de uma rosa, o

perfume de uma mulher. O que tem valor para a nossa vida não

é só o cheiro a cio.

Ou seja, não é só o aspecto pragmático. Também é pragmático: isto permite escolher melhor, saber quem é a pessoa. A selecção é muito mais complexa porque o número de dados que recolhemos é muito maior.

20 de 25

Há muito mais variáveis em jogo. Muitíssimo mais. Para um macaco interessa que a fêmea esteja receptiva. Para o homem interessa que a mulher seja simpática,

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

que goste dele; uma série de coisas. Agora, o que acho que tem pouco interesse são esses valores com sentido ético e moral.

"Somos um país de medrosos"

Como dizia um amigo meu que já faleceu: “O que interessa na

8 1787
8
1787

mulher são as características morais, mas se for bonita ajuda”.

Pode dizer-se que é um optimista? Sou.

Acha que estamos a aperfeiçoar-nos? Sim, não tenho dúvidas. Apesar de todos os defeitos, cada vez se vive melhor. A curva da civilização é isto [desenha no papel uma curva], é ascendente. Mas a ascensão na subida não é contínua, há ciclos. E depois há a visibilidade social. Aqui há uns anos numa conferência com o Dr. Jorge Macedo – o historiador que foi director da Torre do Tombo –, houve uma coisa que não me agradou: ele falou muito da violência, referindo que a violência era muito grande nas cidades. E eu disse-lhe: “Parece impossível um professor de História estar a dizer-me isso; sabe melhor do que eu que no tempo do Marquês de Pombal a média de assassinatos era de um ou dois por dia em Lisboa, e Lisboa tinha cento e tal mil habitantes. Hoje tem 600 mil e se calhar são dois ou três por mês”. Há aqui um problema interessante: no tempo do Marquês de Pombal matava-se uma pessoa no Rossio e em Alfama ninguém sabia; hoje matam uma pessoa em Nova Iorque e logo à noite já sabemos. É uma ilusão, é um problema de visibilidade social.

21 de 25

A visibilidade social tem a ver com um papel progressivamente maior dos media; os media são indutores de ansiedade? Não. Isso é outra história. Fiz parte de um grupo de trabalho organizado pela Maria Barroso, da Fundação Pro Dignitate. Fui um dos fundadores daquilo. E ela tinha essa ideia: porque se mostram as mortes, as revoluções? Isso não tem mal nenhum, a informação elucida as pessoas. Mas ainda há tempos ouvi o professor Daniel Sampaio, que é um tipo inteligente, dizer que não se podia falar do suicídio dos jovens porque isso contaminava, induzia outros. Pelo contrário; sabendo as pessoas

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

os perigos que existem, não vejo perigo nenhum nisso. O perigo

é não informar.

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

Não vê sequer a possibilidade de isso contribuir para um acréscimo da ansiedade? Aí, o que acho é que o grande modelo é a própria natureza. O que não podemos é dar um acidente de automóvel e mostrar só

o carro todo esborrachado, um tipo a deitar sangue. É mostrar a cena toda, mostrar a vida. Salientar só aquilo é que pode ser prejudicial e provocar grande ansiedade.

Hoje temos a ameaça terrorista, a ameaça dos vírus, agora a ameaça do mosquito. Estamos a receber permanentemente estas doses de alarme… Já pensou que em vez de estarmos aflitos com o mosquito que transmite o Zika (/185), devíamos pensar que isso pode ser um processo de resolver as dificuldades de proteínas, e começar a comer esses mosquitos num prato especial? [risos]. Com manteiga, um bocadinho de mel

Por qualquer razão não é nas proteínas do mosquito que as pessoas pensam em primeiro lugar. Mas podem começar a pensar nessa vantagem.

Se por absurdo tivesse à disposição uma máquina do tempo, para onde escolheria viajar? Para o futuro. O passado passou, que é que ia fazer com o passado? Não gostava nada de voltar atrás, gostava de ter mais 100 anos à frente. O bife que me interessa é o que vou comer logo à noite, não é o que comi ontem [risos].

COMENTÁRIOS

22 de 25

não é o que comi ontem [risos]. COMENTÁRIOS 22 de 25  Há 42 minutos julio

Há 42 minutos

julio

"Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos" William Shakespeare

Um discurso de palavra fácil quiçá polémico, próprio de um homem do norte. É claro que não é por eu não ser do norte que discordo do professor. Naturalmente interessa-me o bife que vou comer "hoje".

21/02/16, 17:12

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

Isso, contudo, não apaga da minha memória o bife que comi "ontem". Posso

compará-los. Aferir a qualidade, preços e questionar as causas de tantas alterações no bife que mais parece um farinácio. Muitas outras coisas eu não vivi. Mas estão na

minha e na memória colectiva do nosso povo. Como se pode considerar medroso um

"Somos um país de medrosos"

8 1787
8 1787

povo que, em "cascas de noz", enfrentou o conhecido e o desconhecido e deu " novos

mundos ao mundo"? A um povo cuja diáspora se baseia em sofrimento, luta e determinação para enfrentar o desconhecido? Só baseando-se na mentira. Salazar não matou?

Só baseando-se na mentira. Salazar não matou?  Há 54 minutos  Há 40 minutos 

Há 54 minutos

na mentira. Salazar não matou?  Há 54 minutos  Há 40 minutos  Há 21

Há 40 minutos

não matou?  Há 54 minutos  Há 40 minutos  Há 21 minutos julio "Que

Há 21 minutos

julio

"Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos" William Shakespeare

Quem matou Bento Gonçalves, Militão Ribeiro e tantos outros? E Humberto Delgado? Pobre testemunho!

julio

"Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos" William Shakespeare

Apagar a nossa memória é apagar a nossa História, a

nossa experiência, o nosso conhecimento e

Essa, é, no fundo, a linha do professor. A mesma linha que os detentores do poder financeiro seguem;- qual religião, baseada no mesmo conceito - o pecado, a presunção em nós inculcada de que lhes somos devedores - o controlo das nossas "almas". Devemos esquecer que na "crise" 32/33, pessoas se atiravam das janelas dos altos prédios? Porquê? Para não comparar os responsáveis de hoje que, já não se atiram das janelas abaixo e, ainda, são compensados com prémios e chorudos bónus? Ou devemos continuar a ser martelados, porque o vivemos, com 2008, para esquecer que hoje vivemos semanalmente um, cada vez pior, 2008? Não nos adormeça mais, professor. Quer queira quer não a Revolta virá!

o futuro.

MCA

Cidadã da finis terræ

Nunca vi tantas tiradas preconcebidas numa mesma entrevista.

vi tantas tiradas preconcebidas numa mesma entrevista.  15:12 Mario Moreno Até que enfim alguém sem

15:12

Mario Moreno

Até que enfim alguém sem papas na língua de dizer a verdade nua e

crua do que é ser português

povo burro e cobarde aguentou 50 anos de Salazar, e 20 anos de Cavaco e 4 (ou mais ) de Passos Coelho

Concordo plenamente

Pois só um

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

- PÚBLICO http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592 Há 56 minutos  "Somos um país de medrosos" Hugo

Há 56 minutos

"Somos um país de medrosos"

Hugo Vaz

Ele não disse que o povo Português é burro

8 1787
8 1787

aliás ele

diz mesmo que essa faceta identitária do povo Português tanto é benéfico como negativo, dependendo da situação e deu exemplos disso: foi extremamente útil na reconquista aos mouros. Só se deu ao trabalho de ler o título?

aos mouros. Só se deu ao trabalho de ler o título?  14:57 Arons VC Tocha,

14:57

Arons VC

Tocha, Coimbra, Portugal - Paris, France

Quase nos leva a afirmar que o português é órfão de pai, de tal modo ele é covarde e previsível…confesso que partilho desse ponto de vista. O mesmo não posso dizer dessa cegueira egoísta que projecta o futuro no alheamento das consequências, é quase uma apologia do alzheimer, de tal modo apela à venda de automóveis sem retrovisor…

tal modo apela à venda de automóveis sem retrovisor…  14:58  14:59 Arons VC Tocha,

14:58

à venda de automóveis sem retrovisor…  14:58  14:59 Arons VC Tocha, Coimbra, Portugal -

14:59

Arons VC

Tocha, Coimbra, Portugal - Paris, France

Diria que o homem é mais um animal manipulador do que criador, pois inova na percepção mas mantém a tendência para o declínio, corrompe a ideia de progresso omitindo as fraquezas e os paradoxos.

Arons VC

Tocha, Coimbra, Portugal - Paris, France

Neste sentido, se o sonho/projecto pretende dar um passo em frente recusando o sonho/memória, creio que entra no quadro manipulador que descrevo atrás, pois nenhum futuro é válido sem memoria, o quadro de migrações que tanto nos preocupa hoje emana da recusa da memória, ao não nos darmos como culpados da decadência ecológica pretendemos ignorar que as migrações provém essencialmente da escassez de recursos naturais e não das escassez de recursos tecnológicos, a tal preponderância sonho/futuro. Se não olharmos para o passado tornamo-nos imunes e alheios às consequências dos nossos erros e foi assim que chegámos aqui, com os olhos fincados no futuro sempre que as consequências dos nossos actos se confinam à decadência dos outros, será assim que Coimbra de Matos evita a depressão?

24 de 25

Arons VC

Tocha, Coimbra, Portugal - Paris, France

21/02/16, 17:12

Coimbra de Matos chega a ser patético, senão ridículo, quando afirma

"Somos um país de medrosos" - PÚBLICO

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592

8 1787 o
8
1787
o
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/-1723592 8 1787 o  que ”as coisas evoluem investigando, não acumulando

que ”as coisas evoluem investigando, não acumulando conhecimento”, como se Poincaré não tivesse chegado à teoria do caos com os erros de

Newton e Kepler, como se se chegasse à cura para a

malária com a contabilização dos mortos e não com

"Somos um país de medrosos"

15:03

conhecimento da origem da doença. Já o prémio que os americanos lhe atribuíram parece emanar mais da necessidade que os americanos têm de consolidar apoios nessa área na Europa, do que da pertinência e da utilidade dos preceitos que nos vende.

pertinência e da utilidade dos preceitos que nos vende.  13:17 ana cristina consultora , Lisboa

13:17

ana cristina

consultora , Lisboa

somos um país de medrosos, que faz deportações desumanas e tem manuais escolares racistas. somos isso tudo, mas também somos o contrário disso tudo.

isso tudo, mas também somos o contrário disso tudo.  12:31 agany Se fosse concedida vida

12:31

agany

Se fosse concedida vida eterna aos ateus, ainda assim, não creriam.

vida eterna aos ateus, ainda assim, não creriam.  13:41 1 2 3 > ana cristina

13:41

1

2

3

>

ana cristina

consultora , Lisboa

verdade. eu nem creria nem quereria. basta ler "o Imortal" do Jorge luis Borges. a eternidade? nem de bandeja