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14/03/2016

Soumulher.Suburbana.Masaindatônavantagem:soubranca­Geledés

14/03/2016 Soumulher.Suburbana.Masaindatônavantagem:soubranca­Geledés

Sou mulher. Suburbana. Mas ainda tô na vantagem: sou branca

Publicado há 4 meses - em 5 de novembro de 2015 » Atualizado às 17:10

Categoria » Questão Racial · Questões de Gênero Ontem ouvi algo que me cativou a escrever

Ontem ouvi algo que me cativou a escrever sobre um tema que sempre me toca, mas que nunca me sinto apta a escrever sobre ele: racismo. Obviamente nunca sofri racismo. Sou branca. Por isso, decidi escrever partindo do ponto de vista que me cabe melhor, o de opressora.

Enviado por Camila Castanho Miranda via Guest Post para o Portal Geledés

A primeira coisa que preciso dizer é que assumir o lugar do opressor não é ser uma pessoa má ou algo assim. É

simplesmente entender minha posição histórica na sociedade. A segunda coisa importante aqui é que, dependendo da circunstância e aprofundamento da árvore genealógica, posso não ser branca. Mas não é o que minha pele e

o meu cabelo dizem pra sociedade. Então, ao se falar de racismo, sou branca sim. Posso ser bege, se preferirem. Não faz diferença, não sou negra. Nunca fui oprimida pela minha imagem.

Não sei vocês, mas eu demorei muito a me dar conta de que existia racismo. É difícil notar os pequenos racismos do dia a dia quando não se sofre com eles.

Foi no pré-vestibular, já com 17 anos, que comecei a me dar conta de que algo esquisito acontecia no mundo em relação às pessoas negras. Eu tinha estudado história, sociologia, antropologia, mas foi só quando eu, pavunense, fui sair pra beber no Leblon e na Gávea, que eu entendi. Eu nunca tinha ido a um lugar branco. Eu me sentia muito constrangida em estar ali, porque em geral as pessoas me olhavam muito esquisito. Eu me vestia diferente, me comportava diferente, eu falava num tom de voz diferente. Mas eu circulava com liberdade. Eu tinha amigos ali.

Eu estava inserida de alguma forma. E comecei a perceber que para além das diferenças culturais, estruturais e geográficas, a maior diferença entre Pavuna e Leblon era a população negra. Quase não havia negros circulando pelos espaços noturnos da zona sul. Depois que entendi isso, lembrei de todas as circunstâncias em que fui a única branca ao longo da vida. E em como fui privilegiada por isso. Era nos pormenores, nas pequenas vantagens do dia-a-dia, que eu começava a descobrir o racismo.

Eu representei a opressão branca todas as vezes em que alguém me disse: -“Nossa, você é tão bonita, tão inteligente, tão branquinhanem parece que mora na Pavuna”. E eu escutei isso MUITAS vezes.

Eu representei a opressão branca quando um homem negro me disse que realizou o sonho da vida dele ficando

negro me disse que realizou o sonho da vida dele ficando N O T Í C

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A História da Escravidão Negra no Brasil

14/03/2016

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comigo, porque a mãe dele, negra, sempre dizia pra ele arrumar uma namorada branca, porque mulher preta não presta.

Eu representei a opressão branca cada vez que me disseram que eu sambo que nem preta. E da mesma maneira, quando eu era adolescente e obrigava uma amiga negra a sambar, dizendo que se eu sabia ela era obrigada a saber.

Eu representei a opressão branca todas as vezes em que fui escolhida pra representar a mãe de Jesus nas pecinhas da infância, quando me diziam que eu parecia uma princesa ou uma boneca. As minhas amiguinhas negras nunca eram escolhidas e não ouviam as mesmas coisas que eu. E não me venham com o papo de que Maria era branca. Se pensou isso para agora.

o papo de que Maria era branca. Se pensou isso para agora. Esta mulher fotografou-s todos
o papo de que Maria era branca. Se pensou isso para agora. Esta mulher fotografou-s todos

Esta mulher fotografou-s todos os dia durante um

O final nos deixa sem palavras

Eu representei a opressão branca quando, numa boate dessas do Centro do Rio, conheci um babaquinha do Leblon que, ao saber onde eu morava, veio com o seguinte papo: -“Nossa, eu sempre quis conhecer mais a fundo uma mulher suburbana. São mais quentes, né? E você é uma favelada branca, é linda!”. Agora imaginem o que ele não teria dito se eu fosse uma mulher negra. Isso SE ele chegasse na mulher negra.

Eu representei a opressão branca todas as vezes em que eu disse que só queria saber de pegar negão. Parei com isso antes das reflexões acadêmicas, quando a própria experiência me mostrou que há homens com pegada e sem pegada, que há pessoas que se afinam com você no sexo e outras não, e que o tamanho do pau de um homem não tem vínculo com a cor de pele, e que inclusive isso pode ser um fator do sexo, mas é apenas um dentre muitos.

‘Os demônios do Demônio’, Eduardo Galeano

‘Os demônios do Demônio’, Eduardo Galeano

Ele nunca me bateu (Um rel de um relacionamento abu

Ele nunca me bateu (Um rel de um relacionamento abu

Ele nunca me bateu (Um rel de um relacionamento abu Eu r epresentei a opressão branca

Eu representei a opressão branca todas as vezes em que alguém se surpreendeu por eu ser filha de santo num terreiro, dizendo coisas como: – “Nooossa, mas tão instruída!” ou “Noooossa, mas tão branquinha!” ou “Noooossa, mas você, tão gente boa?.

“Noooossa, mas vo cê, tão gente b oa? ” . GELEDÉS ÁREAS DE ATUAÇÃO QUESTÃO RACIAL
cê, tão gente b oa? ” . GELEDÉS ÁREAS DE ATUAÇÃO QUESTÃO RACIAL QUESTÕES DE GÊNERO

calçada. Um dia eu parei de fazer isso. Simplesmente parei, e nunca fui assaltada.

de fa zer isso. Simplesmente parei, e nunca fui assaltada. Pai compra tênis à vista par

Pai compra tênis à vista par filhos, é tratado como ladrã

dá uma aula de resistência

negra para a PM

Essa listinha poderia ser infinita. Mas vou parar por aqui. Agora, algumas coisas importantes:

Eu costumo me sentir melhor em ambientes onde reina a cultura negra. Isso tem a

Eu costumo me sentir melhor em ambientes onde reina a cultura negra. Isso tem a ver com uma série de questões que vão desde onde fui criada (todo mundo se sente bem quando se sente em casa) a gostos, prazeres, escolhas e sentimentos. Isso não faz de mim negra.

Tem gente boa branca, gente escrota branca, gente boa negra, gente escrota negra, e por

Tem gente boa branca, gente escrota branca, gente boa negra, gente escrota negra, e por aí vai.

Eu sambo. E não sambo que nem preta. Eu sambo como eu sambo, porque gosto

Eu sambo. E não sambo que nem preta. Eu sambo como eu sambo, porque gosto de sambar. E as mulheres negras não são obrigadas a gostar.

Umbanda não é uma religião branca porque tem brancos na Umbanda, ou porque usa imagens

Umbanda não é uma religião branca porque tem brancos na Umbanda, ou porque usa imagens de santos brancos. E eu não sou negra por causa da minha religião.

A

O fato de eu ser oprimida em outras situações – mulher, suburbana, umbandista – não

O

fato de eu ser oprimida em outras situações – mulher, suburbana, umbandista – não me faz mais

oprimida que um homem negro rico e católico. As opressões são diferentes.

Este texto também fala sobre machismo. Mas o feminismo da mulher branca é diferente do

Este texto também fala sobre machismo. Mas o feminismo da mulher branca é diferente do feminismo da mulher negra. A mulher negra ganha o salário mais baixo de todos, é pouquíssimo representada nas novelas, contos de fadas e capas de revista e é consequentemente menos desejada pelos homens, que não só são machistas, como também racistas – sejam brancos ou negros.

Minha alma não é branca. Minha alma também não é negra. Eu não faço ideia

Minha alma não é branca. Minha alma também não é negra. Eu não faço ideia de qual é a cor da minha alma.

Nada disso visa segregar ninguém, nem impedir que as pessoas se relacionem. A segregação existe.

Nada disso visa segregar ninguém, nem impedir que as pessoas se relacionem. A segregação existe. E reconhecê-la é ajudar a desconstruí-la.

Enfim, é esse o papo. Se eu tô cansada, imagina quem tá na desvantagem?

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109 comentário(s).

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ApesardemesentirmuitoprivilegiadaporterumafamiliaquetevecondiçõesdepagarescolasClassificarpor Maisantigos Adicionarumcomentário CeciliaCarvalho · CONSULTORAProjetista em

Vocêmefezchorarcomessetexto.Souaoprimida,mevidooutroladodecadaitemquevocêescreveu.

particularesedesdepequenaterapossibilidadedesaberomeulugarnomundoeenfrentaroracismode

frenteesembaixaracabeça,ainda,infelizmente,sintonapele,todopreconceitoeracismodos

opressores.

opressores. Curtir · Responder · 83· 5denovembrode201510:03

Curtir·Responder· 83·5denovembrode201510:03

Játeconfundiramcomladra?Vocêfoiabordadaporpolicial?Foixingadaporser"negra"?Curtir · Responder · 83· 5denovembrode201510:03 MarianaBorges Recusaramvocênumempregoporser"negra"?

Recusaramvocênumempregoporser"negra"?

MarianaBorges Recusaramvocênumempregoporser"negra"? Curtir · Responder · 2· 25dedezembrode201519:01 ·

Curtir·Responder· 2·25dedezembrode201519:01·Editado

MarianaBorgessónãofuiabordadadiretamenteporumpolicial,masjáfuiperseguidaemlojas,

passeimuitomalnasescolasqueestudei,fuixingadaehumilhada.jáseincomodaramcommeu

cabelonoemprego,jápasseiporváriasformasdeprecoceitoeracismosim.porque?

Curtir · Responder · 7· 25dedezembrode201519:10

Curtir·Responder· 7·25dedezembrode201519:10

CeciliaCarvalho,porqueeuqueriasaberserealmentefoigrave.Efoimesmo!Olha,mesmosendoCurtir · Responder · 7· 25dedezembrode201519:10 MarianaBorges

branca,tambémsofrihorroresporqueaspessoasmeachavamfeia,pessoafeiatambémsofrea

beça(nãoestoudesmerecendoseucaso).Infelizmente,aspessoassãofúteisdemais.Quantoa

serabordadaporpolicial,eununcafui.Masjáaconteceudeeutercompradorevistanumabanca

dejornaleovendedornegrogritarcomigoassimqueestavasaindodabanca:"querevistavocê

levou?".Conteiaumnegroeelefezpoucocasodizendoqueissoénormal

normalcolocarocaráterdapessoa

Normalonde?É

Vermais

normalcolocarocaráterdapessoa Normalonde?É Vermais Curtir · Responder · 7· 26dedezembrode201520:53 ·

Curtir·Responder· 7·26dedezembrode201520:53·Editado

Mostrarmais2respostasnestetópico

Camila,parabénspelareflexão.Tenhopensado "quemomentostivevantagensporterapelebranca, apesardostraçosnegros"· Editado Mostrarmais2respostasnestetópico RozeSantos · Trabalhanaempresa

· Trabalhanaempresa ProfessoraRedeMunicipaldeSãoPaulo Curtir · Responder · 11· 5denovembrode201510:15

Curtir·Responder· 11·5denovembrode201510:15

Mulher,mereconhecimuitonesseseurelato.Obrigadaporessetexto.

Mulher,mereconhecimuitonesseseurelato.Obrigadaporessetexto. Curtir · Responder · 5· 5denovembrode201510:42 Sou

Curtir·Responder· 5·5denovembrode201510:42

Sou mulher. Suburbana. ainda tô na vantagem: s
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Perfeito.Elucidoutudoemaisumpouco.Quesensibilidade! Percebo,comonegra,queoshomensbrancos,namaioriadasvezes,realmentesequerchegamemuma negra,mesmoquenofundoaachebonitaeinteressante.Questãodestatus,acho.Masoqueépara homens, u curso rápido em 26 lições, p Alex Castro FabiolaChristovão · RiodeJaneiro

interessanteéque99%dosmeusrelacionamentossãocomhomensbrancos.

Curtir · Responder · 10· 5denovembrode201510:48

Curtir·Responder· 10·5denovembrode201510:48

Curtir · Responder · 10· 5denovembrode201510:48 CláudioCostaNunes · C.E.PedroÁlvaresCabral

Fomostãoensinadosanosodiarquereproduzimosissocomamaiornaturalidade,sejam

homens,sejammulheres

homens,sejammulheres Curtir · Responder · 2· 3defevereirode201616:49

Curtir·Responder· 2·3defevereirode201616:49

Belissímotexto.Parabénspelacoragemdecompartilhar.

Belissímotexto.Parabénspelacoragemdecompartilhar. Curtir · Responder · 5· 5denovembrode201510:52

Curtir·Responder· 5·5denovembrode201510:52

Opapofoidado reto semmimimi Parabens

· Estácio Opapofoidado reto semmimimi Parabens Curtir · Responder · 18· 5denovembrode201510:57 L E I A

Curtir·Responder· 18·5denovembrode201510:57

L E I A

N O S S O S

G U E S T

P O S T S

S O S G U E S T P O S T S Bem vindo ao

despercebidoounãoencarado"defrente".S O S G U E S T P O S T S Bem vindo ao

Gostei;textolegalqueinduzàreflexão.Sãosituaçõestãocomuns,quefazemcomqueoracismopasse

Curtir · Responder · 8· 5denovembrode201511:10

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