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e-book CFEM: O que é e como funciona?

e-book

CFEM:

O que é e como funciona?

Um imposto, compensação, indenização? Afinal, O que é a

Compensação Financeira pela Exploração Mineral?

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) é o órgão do governo federal

a quem compete baixar normas e exercer fiscalização sobre a arrecadação da

Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

A CFEM é devida pelas mineradoras em decorrência da exploração de recursos

minerais, para fins de aproveitamento econômico.

Toda saída de produto mineral das áreas da jazida, mina, salina ou outros depósitos minerais, bem como à saída por venda, consumo ou à utilização da substância mineral em processo de industrialização realizado dentro das áreas da jazida, mina, salina ou

outros depósitos minerais, suas áreas limítrofes e ainda em qualquer estabelecimento

A CFEM é calculada sobre o valor do faturamento líquido obtido. Para efeito de cálculo da CFEM, considera-se faturamento líquido o total das receitas de venda, excluídos

os tributos incidentes sobre a comercialização do produto mineral, as despesas de

transporte e as de seguro.

ASPECTOS DA CFEM

Para abordar de forma simples e didática a incidência da CFEM é necessário demonstrar os aspectos contidos na norma jurídica que cria a obrigação que deverá ser cumprida, em sua hipótese e sua consequência.

Ainda que não se trate de tributo, como indicado em decisão do STF, trata-se de uma prestação pecuniária compulsória criada por lei. Assim, para que seja obrigado ao pagamento (consequente), o minerador deve ter cumprido a conduta prevista na norma (antecedente).

O antecedente, ou descrição da conduta que pressupõe a obrigação, é composto pelos aspectos material, espacial e temporal.

Como aspecto material

A própria Constituição Federal determina que o minerador deve auferir resultado

do aproveitamento econômico de recurso mineral. Apesar da denominação de compensação financeira, trata-se de participação no resultado, ou seja, no faturamento

líquido (e não no lucro).

Nesse sentido, a Lei nº 7.990/89, em seu art. 6º, determina que a CFEM incidirá “sobre

o valor do faturamento líquido resultante da venda do produto mineral, obtido após a

última etapa do processo de beneficiamento adotado e antes de sua transformação industrial”.

Através do Decreto nº 1/91, art. 15, parágrafo único, foi criado novo fato gerador,

determinando que se equipara à venda “o consumo ou a utilização da substância mineral em processo de industrialização realizado dentro das áreas da jazida, mina,

salina ou outros depósitos minerais, suas áreas limítrofes ou ainda em qualquer estabelecimento”.

Somente após a ocorrência dessas condutas seria auferido o resultado do qual participam a União, os Estados e os Municípios.

Como aspecto espacial

tratando-se de exação de competência da União e instituída por lei federal, aplica-

se a todo o território nacional e quando se verificar o aproveitamento econômico do

recurso mineral.

O aspecto espacial é crucial, especialmente para o rateio do valor arrecadado entre os

Estados e, sobretudo, os Municípios. Frise-se que a Lei nº 7.990/89, ao criar a CFEM,

trouxe em seu preâmbulo a instituição de compensação financeira pela exploração

“de recursos minerais em seus respectivos territórios”.

Esse entendimento prevaleceu no STF, que decidiu que “a diretriz para a definição

do ente recebedor da parcela discutida se define em função da territorialidade dos

minérios extraídos”. Assim, havendo extração em mais de um município, deve ser observada a proporcionalidade da produção efetivamente ocorrida.

Como aspecto temporal

Momento em que se considera ocorrido o fato gerador, observa-se que foi ele

especificado pelo próprio DNPM no Manual da CFEM.

Em relação à venda do produto mineral, determina que “constitui fato gerador da

(

...

)

CFEM a saída por venda do produto mineral das áreas da jazida, mina, salina ou

outros depósitos minerais”.

Já em relação ao consumo, “equipara-se à saída por venda o consumo ou a utilização da substância mineral em processo de industrialização realizado dentro das áreas da jazida, mina, salina ou outros depósitos minerais, suas áreas limítrofes e ainda em

qualquer estabelecimento”.

Como sujeito ativo, temos a União Federal, a quem a Constituição Federal reserva a propriedade dos recursos minerais. É também a União a única pessoa política

competente para legislar sobre a CFEM, bem como conceder o direito de lavra. Em seu

nome, exercendo as atividades de fiscalização e arrecadação, atua o Departamento

Nacional da Produção Mineral – DNPM.

O sujeito passivo é, via de regra, o titular dos direitos minerários, ou seja, aquele que

pratica o fato gerador ao auferir o resultado econômico do recurso mineral explorado.

Há exceção à regra. No caso de extração mediante permissão de lavra garimpeira, a CFEM deverá ser recolhida pelo primeiro adquirente, na qualidade de responsável.

O aspecto quantitativo é responsável pela liquidação da obrigação, ou seja, a determinação do valor a ser pago a título de CFEM. Esse aspecto é composto pela base de cálculo e pela alíquota, que combinados liquidarão o tributo.

Vale ressaltar que a cobrança da CFEM será precedida de inscrição em dívida ativa

para posterior ajuizamento de execução. Dessa forma, é necessário crédito líquido,

certo e exigível.

OS TRIBUTOS

Quais tributos são excluídos da CFEM?

ICMS, PIS/PASEP; COFINS; IOF; e ISS.

Na hipótese do titular do direito minerário ser optante e inscrito no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de

Pequeno Porte – SIMPLES, o valor a ser deduzido da base de cálculo da CFEM será extraído do percentual identificado das exações fiscais (PIS/PASEP; COFINS; e ou

ICMS) compreendidas na composição do montante recolhido.

No caso de substância mineral consumida, transformada ou utilizada pelo próprio

titular dos direitos minerários ou remetida a outro estabelecimento do mesmo

titular, será considerado faturamento líquido o valor do consumo na ocorrência do

fato gerador definido no art. 157, do Decreto nº 01/91.

Há grandes divergências sobre a possibilidade de dedução dos tributos incidentes

sobre a comercialização, e das despesas de transportes e seguros. Enquanto o DNPM,

por meio de atos normativos, tenta restringir a dedução, os mineradores pleiteiam a ampla dedutibilidade.

Esse debate ganha especial relevância para a hipótese de equiparação do consumo

antes da sua transformação industrial. A apuração do valor de consumo deve permitir ampla dedutibilidade.

Trata-se de ponto essencial da gestão das empresas, que devem ser capazes de

demonstrar documentalmente todas as deduções a que tem direito, sob pena de pagamento indevido pelo não aproveitamento ou de autuação e multa pela não

comprovação da dedução em eventual fiscalização.

Alíquotas

Das alíquotas: as alíquotas aplicadas sobre o faturamento líquido para

obtenção do valor da CFEM, variam

de acordo com a substância mineral:

Das alíquotas: as alíquotas aplicadas sobre o faturamento líquido para obtenção do valor da CFEM, variam
Minério de Alumínio, Manganês, Sal-gema e Potássio
Minério de Alumínio,
Manganês, Sal-gema
e Potássio
Das alíquotas: as alíquotas aplicadas sobre o faturamento líquido para obtenção do valor da CFEM, variam
Ferro, Fertilizante, Carvão e demais substâncias
Ferro, Fertilizante, Carvão
e demais substâncias
Ouro
Ouro
Das alíquotas: as alíquotas aplicadas sobre o faturamento líquido para obtenção do valor da CFEM, variam
Das alíquotas: as alíquotas aplicadas sobre o faturamento líquido para obtenção do valor da CFEM, variam
Pedras Preciosas, Pedras Coradas Lapidáveis Carbonados e Metais Nobres
Pedras Preciosas, Pedras
Coradas Lapidáveis
Carbonados e Metais Nobres

Como pagar a CFEM?

O pagamento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais - CFEM será efetuado mensalmente, até o último dia útil do segundo mês subseqüente ao fato gerador, devidamente corrigido. Na eventualidade do recolhimento (pagamento)

não ocorrer no prazo legal, será cobrado os seguintes acréscimos legais: juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês ou fração de mês; e multa de dez por cento, aplicável sobre o montante final apurado.

O pagamento é feito por meio da Guia de Recolhimento da União – GRU, em qualquer agência bancária, até a data de vencimento.

A arrecadação é feita pelo DNPM, na forma definida na legislação instituidora da

Autarquia.

Distribuição dos Recursos

65% para o município produtor 23% para o Estado e Distrito Federal onde for extraída a
65% para o
município
produtor
23% para o Estado
e Distrito Federal
onde for extraída a
substância mineral;
Os recursos da
CFEM são distribuídos
da seguinte forma:
12% destinados a União e distribuídas entre o DNPM, Ibama e MCT/FNDCT;
12% destinados a
União e distribuídas
entre o DNPM, Ibama
e MCT/FNDCT;

Município produtor é aquele no qual ocorre a

extração da substância mineral, caso abranja

mais de um município, deverá ser preenchida

uma GUIA/CFEM para cada município, observada a proporcionalidade da produção efetivamente ocorrida em cada um deles.

Assim, embora seja prevista a partilha do produto da arrecadação da CFEM entre a União, Estados e Municípios, todo o valor é arrecadado pelo DNPM. A União tem competência exclusiva para promover ações de cobrança, não cabendo a Estados e Municípios ações individuais contra mineradoras para recebimento de sua parcela. A repartição se dará através de transferência entre as pessoas políticas.

Ainda que, conforme a CRFB/88 os Estados e Municípios não tenham competência legislativa, têm sido editadas diversas leis que versam especialmente sobre direito de

fiscalização direta e imposição de obrigações acessórias. Essas leis são, a princípio, inconstitucionais. Cumpre informar, entretanto, que não há precedentes definitivos

sobre a matéria.

Os Estados, Distrito Federal e Municípios serão creditados com recursos da CFEM,

em suas respectivas Contas de Movimento Específicas, no sexto dia útil, que sucede

ao recolhimento por parte das empresas de mineração.

A Relação entre a CFEM e o DNPM

A competência para fiscalizar o recolhimento da CFEM é do DNPM.

Para compreender melhor os procedimentos de fiscalização, é necessário considerar

que a apuração e recolhimento da CFEM é de responsabilidade do minerador. Cabe a ele calcular, corrigir e recolher o valor devido por sua própria conta e risco, sem manifestação prévia do DNPM.

A apuração e os recolhimentos são informados mediante o preenchimento de obrigações acessórias, tais como a Ficha de Registro de Apuração da CFEM – FRAC e o Relatório Anual de Lavra - RAL.

Havendo indícios de irregularidades ou mesmo em fiscalização de rotina, caberá ao DNPM iniciar o procedimento, pela notificação ao minerador para apresentação de

documentos e esclarecimentos.

O procedimento de fiscalização do DNPM determina que “a apuração dos débitos de

CFEM deverão ser efetuados preferencialmente em fiscalizações “in loco” e tomando-

se por base as informações obtidas na documentação gerencial, fiscal e contábil da

empresa mineradora ou nas bases de dados disponibilizadas pelas Secretarias de

Fazenda dos Estados ou pela Secretaria da Receita Federal, desde que haja Acordo

de Cooperação Técnica entre estas e o DNPM”.

Embora não seja vedada a verificação física da mina, a fiscalização costuma ser documental, realizada através de cruzamentos de dados gerenciais e contábeis da

empresa.

Além das declarações próprias da apuração da CFEM, serão cruzadas as declarações

referentes a outros tributos como o ICMS ou declarações transmitidas à Receita

Federal, ou outros indícios como movimentação bancária.

A citada ordem de serviço determina que “nos casos em que, durante uma fiscalização,

haja recusa formal da empresa mineradora em apresentar a documentação solicitada

ou se nesta houver informações contraditórias, poderão os fiscais optar pelo dado

apresentado que implique na majoração do montante de CFEM devido”.

Dessa forma, é imprescindível que as empresas tenham efetivo controle de custos

e de documentação, garantindo que haja compliance em todos os seus registros contábeis e gerenciais. Devem ser capazes de demonstrar por centro de custo todas

as despesas aplicáveis a cada minério explorado para a correta apuração da base de cálculo.

Verificada a falta de pagamento ou pagamento a menor, o minerador receberá notificação devidamente acompanhada do respectivo Relatório de Fiscalização e

planilha de cálculo consolidada, para pagar o débito ou apresentar defesa em 10 dias,

prazo bastante exíguo para levantamento e organização de documentos e confecção de defesa eficaz.

Julgada a defesa administrativa o sujeito passivo terá direito a recurso hierárquico. Caso não seja provido e não seja pago, o débito será encaminhado para inscrição em

dívida ativa e ajuizamento da execução.

PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Coelho, em seu livro “Curso de Direito Tributário brasileiro” (2012), diz que:

“Os atos jurídicos sujeitados a tempo certo, se não praticados, precluem.

Os direitos, se não exercidos no prazo assinalado aos seus titulares pela lei,

caducam ou decaem. As ações judiciais, quando não propostas no espaço de

tempo prefixado legalmente, prescrevem. Se um direito, para aperfeiçoar-se,

depende de um ato jurídico que não é praticado (preclusão), acaba por perecer

(caducidade ou decadência). Se um direito não autoexecutável precisa de uma

ação judicial para efetivar-se, não proposta esta ou proposta a destempo, ocorre

a prescrição, gerando a oclusão do direito, já que desvestido da possibilidade

de ação. E a cada direito corresponde uma ação”.

Tema de extrema importância para qualquer ramo do direito é sua relação com tempo. Para promover a segurança jurídica são estabelecidos prazos para o exercício

de qualquer pretensão. Não se pode deixar que o credor conserve seu direito de ação

eternamente.

A imposição de prazos preclusivos para o exercício do direito de ação para exigir o crédito, assim como para constituí-lo, tem, ainda, o objetivo de fazer com o Estado cumpra com seu dever de eficiência. O lapso temporal deve ser apenas suficiente

para que seja cumprido todo o procedimento necessário para a cobrança do crédito.

Os prazos de decadência e prescrição da CFEM estão diretamente ligados à sua

natureza jurídica. Como não havia previsão específica, adotou-se aquele vigente para o Direito Administrativo, que instituiu prazo de 5 anos para a prescrição de dívidas

passivas da União, dos Estados e dos Municípios, conforme Decreto nº 20.910/32.

Pacificou-se na jurisprudência, em respeito à isonomia, que o mesmo prazo seria aplicável às dívidas ativas de natureza não tributária. Como não havia prazo decadencial, nesse prazo estão compreendidos lançamento e cobrança da CFEM.

Posteriormente, houve várias alterações legislativas, que podem ser resumidas da

seguinte maneira: prazo decadencial de 10 anos e prescricional de 5 anos, para títulos

posteriores a 1.991.

Dessa forma, o prazo para constituir o crédito pela notificação é de 10 anos, o que implica que é este o período passível de fiscalização e a respeito do qual as empresas devem guardar seus documentos contáveis e fiscais.

Em caso de autuação e apresentação de recurso administrativo, após a decisão

definitiva, será iniciado o prazo de 5 anos para ajuizamento da execução, sob pena de

prescrição.

A interpretação inicial do DNPM diverge da acima exposta e amplamente aceita

pela jurisprudência. Defende que até 1998, quando foi criado prazo prescricional específico, seria aplicável o prazo de 20 anos.

Defende ainda, que para os créditos relativos ao período de janeiro/1991 a

dezembro/1998, o prazo decadencial seria de 10 anos, postergando o termo final da

decadência para 30/12/2008.

Dessa forma, as empresas sofreram até 2008 autuações que abrangeram o período que retroage a 1991. Trata-se de interpretação completamente descabida por parte

do DNPM, em prejuízo do direito de defesa das empresas, que certamente não

conservaram sua documentação e mesmo conhecimento de fatos ocorridos em períodos tão remotos.

A pretensão do DNPM, como demonstrado, é rejeitada pelo Judiciário.

IMPORTÂNCIA DA DEFESA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL

A defesa apresentada na instância administrativa tem o poder de suspender a

exigibilidade do crédito, mantendo a empresa adimplente durante todo o seu curso.

Apesar de não ter competência para conhecer questões ligadas à constitucionalidade da cobrança e adotar o entendimento adotado pelo DNPM, é bastante útil para debater questões técnicas referentes à apuração.

Como a fiscalização se fundamenta em prova documental, especialmente em cruzamento de dados entre as diversas declarações e comprovantes de recolhimento,

bem como aos cálculos das despesas cuja exclusão é permitida, não é raro que se encontrem erros nos cálculos formulados nas autuações.

Após o término do julgamento administrativo, é permitido ao sujeito passivo discutir seu crédito perante o Judiciário, quando poderá alegar as questões relativas à inconstitucionalidade da exigência e ilegalidade das interpretações do DNPM.

Vale lembrar que o mero ajuizamento de ação não suspende a exigibilidade. Para

impedir eventual penhora ou conservar a certidão negativa de dívida ativa, será necessária a concessão de liminar ou a garantia do débito.

De qualquer forma, em vista das divergências de posicionamento resumidamente apresentadas nesse documento, deve ser considerada a defesa administrativa e

judicial em praticamente todas as autuações realizadas pelo DNPM.

A IMPORTÂNCIA DA CFEM NO CENÁRIO ATUAL DE CRISE NAS CONTAS PÚBLICAS

A Produção Mineral Brasileira experimentou à partir de 2001 um crescimento vertiginoso, chegando a atingir seu ápice em 2013, no patamar de 53 bilhões de dólares. Acompanhando esse crescimento, a arrecadação da CFEM tornou-se relevante para a União, para os Estados e, principalmente, para os Municípios em

que ocorre a extração da substância mineral.

A evolução é demonstrada pelos dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Mineração – IBRAM 1 :

1 Instituto Brasileiro de Mineração – IBRAM. A Indústria Da Mineração. Brasília: 2014.

PRODUÇÃO MINERAL BRASILEIRA (Em US$ Bilhões) 60 50 40 30 20 10 0 Fonte: IBRAM 1994
PRODUÇÃO MINERAL BRASILEIRA (Em US$ Bilhões)
60
50
40
30
20
10
0
Fonte: IBRAM
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
Estimativa 2014

Todavia, observa-se que o gráfico de arrecadação da CFEM não é diretamente

proporcional à evolução da produção mineral. O ápice da arrecadação ocorreu apenas

em 2013, quando atingiu R$ 2.375.580.265,55. O descompasso se deve justamente à

fiscalização e cobrança da CFEM não arrecadada no período correto.

A evolução é demonstrada pelos dados do relatório de arrecadação disponibilizado

pelo DNPM, sendo que a arrecadação de 2016 foi aferida até o mês de junho:

Arrecadação de CFEM

2.500.000.000,00 2.000.000.000,00 1.500.000.000,00 1.000.000.000,00 500.000.000,00 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006
2.500.000.000,00
2.000.000.000,00
1.500.000.000,00
1.000.000.000,00
500.000.000,00
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004

Neste cenário, a Administração Pública percebeu a necessidade de dedicar maior

atenção à CFEM, bem como intensificar seu procedimento fiscalizatório. Como se

não bastasse, nos últimos meses iniciou-se um declínio progressivo na arrecadação

que, conjugado com outros fatores econômicos internos e externos, prejudicou a

arrecadação da CFEM e as contas públicas como um todo.

Se em tempos de crescimento econômico e farta arrecadação, a Administração Pública

já tinha voltado seu interesse para a CFEM e correspondente arrecadação; com o novo

cenário econômico e a necessidade urgente de recursos financeiros, intensificou- se a sua fiscalização e houve uma grande onda de notificações administrativas e ajuizamento de ações judiciais.

No mesmo sentido, as mineradoras vivem a mesma realidade de crise experimentada pela Administração Pública, que viram sua demanda e margem de lucro diminuírem

sensivelmente, fazendo com que os valores recolhidos a título de CFEM e de tributos incidentes sobre a operação tenham um peso ainda mais significativo.

Dessa forma, torna-se imprescindível que as empresas se voltem para seus procedimentos internos de apuração, comprovando, documentando e aproveitando todos os créditos permitidos por lei, assim como, através desses procedimentos, eliminem riscos de autuação pelo DNPM.

CFEM E O NOVO CÓDIGO DE MINERAÇÃO

A questão mais polêmica que compõe as mudanças propostas no Código de Mineração

diz respeito a um aumento no valor das alíquotas relacionadas à CFEM.

O Governo Federal já decidiu que pretende pelo menos dobrar o valor da alíquota.

Dentre as justificativas para este aumento está a informação de que outros países

produtores de minérios como a Austrália e África do Sul têm royalties mais elevados que o brasileiro.

O setor mineral brasileiro, entretanto, através das suas entidades de classe, dentre elas o IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração tem alertado que se forem somados todos os tributos, estes elevariam a mineração brasileira como uma das atividades mais taxadas do mundo e que o aumento da CFEM teria de vir acompanhada da retirada ou diminuição de algum dos tributos existentes.

Então iniciou-se uma briga: de um lado, o governo e sua busca incessante por mais impostos; de outro, as mineradoras, com forte lobby no Congresso, que tenta impedir que este aumento seja aplicado.

Ao menos o minério de ferro (principal commoditie mineral do país) deve subir de 2% para 4%.

O maior aumento do royalty deve ocorrer com o ouro, que pode passar a pagar 4%.

Outros minerais, devem ter a alíquota reduzida, como o sal, de 3% para 1% e areia e

calcário, de 2% para 0,5%.

Está também em discussão à criação de um novo tributo, que deveria ser cobrado apenas dos grandes projetos ou dos grandes empreendimentos minerários: uma

compensação extra a ser paga pelas empresas que produzem em larga escala, como

a Vale. A polêmica CFEM está longe de ter seus dias de tranquilidade e entendimento.

CFEM: tributo ou indenização?

Ao tratar da CFEM, não se deve perder de vista que os recursos minerais são reservados da União, não se confundindo com a propriedade da superfície. Portanto,

toda substância encontrada no subsolo brasileiro pertence à União e o proprietário

do terreno é chamado de superficiário, ou seja, seu título de propriedade não se

estende subsolo adentro.

Porém, cabe ao minerador, mediante autorização e concessão do DNPM, prospectar,

explorar, explorar e beneficiar o minério por sua própria conta e risco, inserindo os

recursos na economia e gerando o desenvolvimento desejado.

Essas considerações são importantes para compreender a natureza jurídica da CFEM,

que somente incide após a exploração e não sobre a simples reserva de recursos

minerais sem aproveitamento econômico.

A CFEM desde sua criação suscitou grandes divergências sobre sua natureza e

regime jurídico aplicável.

Diversas teses foram sustentadas perante o Supremo Tribunal Federal, dentre

elas, de que a CFEM teria natureza tributária, visando a declaração de sua

inconstitucionalidade. Defendeu o Ministério Público se tratar de receita originária, com participação estatal na venda do minério.

A decisão proferida afastou a tese que afirmava ser a CFEM um tributo, entretanto, não indicou de forma clara e precisa a sua natureza jurídica. Assim indica o voto do Relator, Ministro Sepúlveda Pertence, ao afirmar que

“O tratar-se de prestação pecuniária compulsória instituída por lei não faz

necessariamente um tributo da participação nos resultados ou da compensação

financeira previstas no art. 20, § 1º, CF, que configuram receita patrimonial” .

A definição da natureza jurídica tem importantes repercussões para a exigência da

CFEM, como se abordará nos tópicos seguintes.

Sobre o autor

Sobre o autor Marina Ferrara Advogada Destaque do Chambers and Partners (América Latina), em “Energia e

Marina Ferrara

Advogada

Destaque do Chambers and Partners (América Latina), em “Energia e Recursos Minerais: Mineração”. Membro

da Rocky Mountain Mineral Law Foundation, membro da

Comissão de Direito Minerário da OAB/MG e membro- pesquisadora do Grupo de Estudos de Direito de Recursos Naturais da UnB. Professora em cursos de EMBA e de pós-graduação, especialmente em matérias minerária, contratual, tributária e negocial. Mestranda em Direito Empresarial e Pós-MBA em Governança Corporativa. Pós-graduada em Direito Tributário (Faculdade Milton Campos), graduada em Direito.

Sobre o autor

Sobre o autor Areli Nogueira Engenheiro geólogo Engenheiro geólogo pela UFOP, mestrando em Geologia pela UFRJ.

Areli Nogueira

Engenheiro geólogo

Engenheiro geólogo pela UFOP, mestrando em Geologia pela UFRJ. É especialista Sistemas Mínero-metalúrgicos pelo convênio Vale/UFOP. Experiência como geólogo de mina da Usiminas e de especialista em Recursos Minerais

do DNPM, Setor de Fiscalização e Pesquisa. Atua como

consultor no setor mineral.

Sobre o autor

Sobre o autor Rafael Queiroz Advogado Advogado-consultor do FERRARA BARBOSA Sociedade de Advogados. Professor de Direito

Rafael Queiroz

Advogado

Advogado-consultor do FERRARA BARBOSA Sociedade de Advogados. Professor de Direito Tributário em cursos de graduação e de pós-graduação. Conselheiro no Conselho Administrativo de Recursos Tributários da Prefeitura de Belo Horizonte. Autor de artigos e capítulos de livros de Direito tributário. Mestre e especialista em Direito Tributário, graduado em Direito e técnico em gestão.

Sobre o Instituto Minere O IM é uma organização especializada em desenvolvimento de capacidades e tecnologia

Sobre o Instituto Minere

O IM é uma organização especializada em desenvolvimento de capacidades e tecnologia para mineração e geologia.

Qual o nosso negócio?

Promover a realização pessoal de nossos clientes através do crescimento profissional. Para isso, oferecemos cursos de capacitação profissional de curta duração para o setor de mineração e

geologia. O IM promove cursos presenciais – que podem ser abertos ou in company – e cursos

online.

Que marca queremos deixar?

Pessoas realizadas em suas carreiras. Empresas ganhando em competitividade, lucro e

relacionamento com seus stakeholders.

31 3657-5578 | WhatsApp: 99355-8384 - contato@institutominere.com.br www.institutominere.com.br