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Ano 42 – nº 2 – abril a junho de 2014

Serviço de Informação Missionária
Serviço de Informação Missionária
1 ˚ Congresso Americano da IAM Encontro de comunhão e animação missionária Haiti: evangelizar na
1
˚
Congresso
Americano da IAM
Encontro de comunhão
e animação missionária
Haiti: evangelizar na
periferia do mundo
Assembleia Geral das
POM em Roma
Palavra de Deus
e Missão
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SIM
abril a junho
2014

Editorial

Serviço de Informação Missionária
Serviço de Informação Missionária

Pontifícias Obras Missionárias (POM)

Ano 42 - nº 2 - abril a junho de 2014

O SIM é uma publicação trimestral das POM, organismo oficial de animação, formação e coope- ração missionária universal da Igreja Católica, em quatro ramos específicos:

• Pontifícia Obra da Propagação da Fé

• Pontifícia Obra da Infância e

Adolescência Missionária

• Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo

• Pontifícia União Missionária.

Expediente

Direção:

Pe. Camilo Pauletti (diretor nacional das POM)

Conselho Editorial Guilherme Cavalli (secretário nacional da Obra da Propagação da Fé e Juventude Misionária) Pe. André Luiz de Negreiros (secretário nacional da Obra da Infância e Adolescência Missionária) Pe.Savio Corinaldesi, SX (secretário nacional da Obra de São Pedro Apostólo) Pe. Jaime Carlos Patias, IMC (secretário nacional da Pontifícia União Missionária) Revisão: Cecília Soares de Paiva, jornalista responsável (DRT/MS 280) Projeto Gráfico e diagramação: Wesley T. Gomes Impressão: Gráfica e Editora América Ltda. Tiragem: 14 mil exemplares.

SGAN 905 - Conjunto B 70790-050 Brasília - DF Caixa Postal: 3.670 - 70089-970 Brasília-DF Tel.: (61) 3340-4494 Fax: (61) 3340-8660 Site: www.pom.org.br E-mail: imprensa@pom.org.br

Para pedidos de material, entre em contato pelo e-mail: material@pom.org.br

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entre em contato pelo e-mail: material@pom.org.br 2 Pe. André Luiz de Negreiros , secretário nacional da

Pe. André Luiz de Negreiros,

secretário nacional da IAM.

Semear é preciso

Chegamos ao segundo trimestre do ano, período para con-

cretizar planos, dar passos e continuar traçando metas. Para isso,

é

preciso conhecer a realidade, retomar o caminho já feito, avaliar

trajetória percorrida e também, buscar iluminação para essa análise, seja pela Palavra de Deus ou por teóricos competentes

a

e

documentos. É fundamental ainda confrontar a realidade com

o

que se almeja para, finalmente, traçar planos com concretude,

profundidade e viabilidade. A 2ª Edição do Serviço de Informação Missionária (SIM) deste ano traz, como matéria de capa, o 1º Congresso Americano da Infância e Adolescência Missionária ocorrido em Aparecida, encerrando o Ano da IAM no Brasil. O Encontro foi, ao mesmo tempo, continental e trouxe reflexões sobre a realidade infanto- juvenil, fortalecendo o carisma desta Obra Pontifícia. Destaca-se também, matéria sobre a 31ª Assembleia do Conselho Missionário Nacional (Comina), que procurou traçar diretrizes para a animação missionária no Brasil. Nas páginas sobre os nossos missionários, temos o teste- munho da Irmã Maria Goreth, brasileira em missão no Haiti. A participação do diretor das POM do Brasil, padre Camilo Pauletti na Assembleia Geral das POM, em Roma, revela a partilha sobre mais esse encontro internacional. As Famílias Missionárias como Igreja Doméstica a serviço da missão, a caminhada da Juventude Missionária e a preocupação com a formação missionária dos futuros presbíteros também têm espaço nesta Edição. Francisco Orofino, da coordenação do Centro de Estudos Bíblicos, reflete sobre a Palavra de Deus e a Missão, com desta- que para a obediência de Jesus à vontade do Pai. Completam a edição, notícias de atualidades e uma discus- são sobre a Copa do Mundo 2014 no contexto das manifesta- ções. Que a força do amor que nos cativa e nos move com alegria para evangelizar, como nos pede o papa Francisco, nos impul- sione na caminhada. Sigamos com os pés firmes, horizonte tra- çado e bússola nas mãos. Quem semeia e evangeliza com alegria contribui na missão de construir um mundo conforme a vontade de Deus.

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Nas Redes Sociais

Nas Redes Sociais Copa do Mundo 2014 A Copa do Mundo 2014 acontece no Brasil. O

Copa do Mundo 2014

Nas Redes Sociais Copa do Mundo 2014 A Copa do Mundo 2014 acontece no Brasil. O

A Copa do Mundo 2014 acontece no Brasil. O governo fez propaganda positiva e sempre falou dos benefícios que um evento como esse traria ao país. Por outro lado, grupos e militantes contestam essa visão e apontam as mazelas provocadas pelo mundial, entre elas, a remoção de famílias dos locais próximos à realização dos jogos, gastos exorbitantes e superfaturados com a construção de estádios e obras de mobilidade. Ademais, acredita-se que o mundial corroborará para o aumento da exploração sexual de crianças e adolescentes e também o tráfico de pessoas. Pelas Redes sociais, perguntamos o que pensam as crianças e adolescentes da IAM e a Juventude Missionária (JM) sobre a questão. Confira abaixo o que eles disseram:

“A saúde, a escola e a segurança deviam ser prioridades, mas o que temos visto é bem o contrário. Os inves- timentos do nosso país são destinados para outros meios, entre os quais a Copa do Mundo. A nossa população

é iludida pelas propagandas e pela mídia, enquanto professores fazem greves porque querem uma educação

melhor para o país, querem um salário digno. A saúde, que não é acessível a todos, é motivo de revolta. O Brasil será campeão de verdade quando colocar, em primeiro lugar, a vida e o bem da sociedade”. Gabriela Almeida – IAM do Espírito Santo.

“A arquidiocese de Teresina (PI) realiza há 19 anos a Caminhada da Fraternidade. A iniciativa conta hoje com

o apoio de todo o estado do Piauí. A venda do kit (camisa, boné e sacola) é revestido para a casa de Apoio Lar da Fraternidade que acolhe jovens e idosos que convivem com o vírus do HIV, dependentes de álcool e drogas. Este

ano, com a Copa do Mundo no Brasil, a organização da Caminhada resolveu montar um Time de Cristãos que luta a favor da Igualdade e Justiça contra o extermínio de jovens e o Tráfico Humano. A Juventude Missionária participa do evento marchando a serviço do chamado da nossa Igreja”. Camila Fernandes - Coordenadora da JM no Piauí.

“Com a intenção de colocar a juventude na rua, a JM de Brasília faz parceira com a Rede um Grito pela Vida, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). Uma caminhada em memória das vítimas do Tráfico de Pessoas e da Escra- vidão Moderna foi marcada para dia 11 de junho. Os grupos de JM de Brasília, juntamente com outras organizações da Igreja, sairão em mobilização contra o Tráfico de Pessoas, a exploração sexual e o aborto, problemas que se intensi- ficam com grandes eventos. “JM na Copa” vai integrar a Campanha “Jogue a favor da Vida”, da CRB”. Thais Duarte Queiroz– coordenadora da JM de Brasília - DF.

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Rápidas

CNBB realiza sua 52ª Assembleia Geral

A 52ª Assembleia Geral da CNBB reuniu, de 30 de abril a 09 de maio, mais de 350 bispos dos 18 regionais, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, em Aparecida (SP). A programação compôs-se de celebração diária de missas, reuniões e retiro. O tema central foi “Comu- nidade de comunidades: uma nova paróquia”, estudo que foi aprovado como documento. Outro documento debatido e aprovado foi a “Questão Agrária brasileira

no início do século XXI”. Já o tema “Os cristãos leigos e leigas” também foi discutido após diversas reflexões, sendo aprovado como Estudo da CNBB a ser enviado às dioceses do Brasil para debate, a fim de receber con- tribuições dos leigos. No próximo ano, essa temática volta a ser avaliada. Também estiveram em pauta temas como liturgia, evangelização da juventude, Eleições 2014, campanha contra a fome e Copa do Mundo.

Eleições 2014, campanha contra a fome e Copa do Mundo. Missão Jovem na Amazônia A “1°

Missão Jovem na Amazônia

A “1° Missão Jovem na Amazônia” irá acontecer nas dioceses de Roraima, Coari, Borba e Parintins, de 30 de novembro a 15 de de- zembro, promovida pelas Comissões Episcopais para a Juventude; Amazônia; Ação Missionária e Cooperação Intereclesial; Missão Con- tinental; pertencentes à CNBB, juntamente com as Pontifícias Obras Missionárias (POM). A iniciativa recebeu mais de 3 mil inscrições, mas envolverá apenas 60 jovens de todos os estados e carismas. O objeti- vo é criar na Igreja uma consciência mais aberta, para ir além dos limi- tes dos seus grupos, pastorais, paróquias e cidades. Antes de mergu- lhar na realidade amazônica, os jovens terão formação online e uma formação presencial em Manaus para estudo, convivência, celebração e envio à missão. Essa inspiração foi reforçada na JMJ 2013, com o apelo do papa Francisco: “Ide, sem medo, para servir”.

Formação para lideranças de conselhos missionários

Membros de Conselhos Regionais, Diocesanos e Paroquiais participaram, entre os dias 19 e 23 de maio, do 4º Encontro Nacional de Formação, Orien- tação e Planejamento para Comires, Comidis e Comi-

pas. O curso aconteceu no Centro Cultural Missionário (CCM), Brasília (DF), e contou com a participação de 30 pessoas vindas de várias regiões do

Brasil, ligadas pelo tema “O leigo e a mis- são” e lema: A alegria do Evangelho e a paixão pela Missão. Teve como objetivo central fortalecer a articulação dos orga- nismos missionários, bem como fornecer instrumentos básicos para que a anima- ção missionária aconteça, de maneira eficaz, em todas as dioceses e paróquias do país. A programação incluiu temáti- cas como: as perspectivas do Documento de Aparecida e da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e o olhar dos missio- nários sobre a realidade da Igreja e do mundo de hoje, além de subsídios para a criação e fortalecimento dos conselhos. Segundo padre Estevão Raschietti, secre-

tário executivo do CCM, “o encontro ofereceu orienta- ções sobre o trabalho dos conselhos e elementos para um planejamento com ações a serviço da animação missionária. É essa a principal função dos conselhos:

despertar na comunidade a dimensão universal da Missão”, declarou.

Jaime C. Patias
Jaime C. Patias

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Destaque

Assembleia do Comina reflete sobre animação missionária Jaime C. Patias
Assembleia do Comina reflete
sobre animação missionária
Jaime C. Patias

Missa na capela da sede das POM em Brasília (DF)

Refletir sobre as principais diretrizes para a ani- mação missionária da Igreja no Brasil foi o principal objetivo da 31ª Assembleia do Conselho Missionário Nacional (Comina). O evento ocorreu nos dias 04 a 06 de abril, na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília, e reuniu cerca de 50 membros do Comina, entre coordenadores dos Conselhos Missio- nários Regionais (Comires), bispos referenciais para a Ação Missionária nos regionais da CNBB e represen- tantes de organismos e instituições missionárias no Brasil. Ganhou destaque a participação de onze bispos. O presidente da Comissão para a Ação Missio- nária da CNBB e presidente do Comina, dom Sergio Arthur Braschi, recordou que este organismo tem por tarefa “articular todas as forças missionárias, alcançar maior unidade e eficácia operativa na animação e coo- peração missionária”. A programação contemplou uma reflexão sobre a formação missionária dos seminaristas, uma vez que o futuro da Igreja passa pela formação dos padres. A Missão deve estar no coração e na vida do presbítero para que este deixe transparecer, em tudo, a natureza missionária da Igreja em uma dimensão universal. Os coordenadores dos Comires relataram o que é reali- zado em cada Regional. Alguns contam com o Conse- lho Missionário de Seminários (Comise) e apostam na formação missionária. A maior dificuldade, contudo, é chegar aos seminários que ainda não têm Comise. Como tema central, a Assembleia aprofundou as reflexões sobre as principais diretrizes para a animação missionária da Igreja no Brasil. As contribuições irão

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para um documento que está em fase de elaboração, contendo as seguintes partes: a Missão hoje, a Igreja missionária hoje, a Animação Missionária na Igreja no Brasil, os sujeitos da Animação Missionária e a articu- lação da Animação Missionária. Além disso, a Comissão para a Ação Missionária da CNBB elaborou um folder com orientações sobre a animação missionária e sua espiritualidade, como se organiza e articula-se, quem são seus sujeitos e quais os fundamentos da missão. O folder está sendo distri- buído nos regionais e dioceses. Os debates mostraram a importância dos Conse- lhos Missionários Diocesanos (Comidis) em todas as dioceses como organismos de união e de articulação;

a abertura das dioceses para a missão além-fronteiras

e universal; e o investimento na formação e espirituali- dade missionária das comunidades e lideranças.

A secretária executiva do Comina, Irmã Dirce Go-

mes da Silva, falou dos projetos além-fronteiras no Haiti, Timor Leste e Guine Bissau, os quais são con- tribuições concretas do Brasil com a missão universal. No encerramento dos trabalhos, dom Sergio Bras-

chi conduziu uma celebração de envio: “Ide com reno- vado entusiasmo a fim de testemunhar com alegria as maravilhas do Reino através do serviço missionário”, dizia uma parte do roteiro.

A 32ª Assembleia do Comina foi agendada para

os dias 06 a 08 de março de 2015.

Assessoria de comunicação das POM

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Arquivo CRB

Nossos Missionários

Projeto beneficia crianças em Porto Príncipe, capital do Haiti

Missão na periferia do mundo

“Sair da própria comodidade e ter a coragem de al- cançar todas as periferias que precisam da luz do Evange- lho” – é um dos apelos do papa Francisco na sua Exorta- ção Apostólica Evangelii Gaudium. O sonho do papa já é uma realidade no Haiti pela solidariedade intercongrega- cional da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), em parceria com a CNBB e a Cáritas Brasileira. Em 2010, após o terremoto que abalou o país, um grupo de religiosas desembarcou na capital, Porto Príncipe, para viver a missão em uma das “periferias” do mundo da qual fala o papa Francisco. Desde então o projeto fez chegar ao Haiti 10 missionárias, tendo, atualmente, seis religiosas de seis diferentes congrega- ções. Uma delas é a Irmã Maria Goreth Ribeiro dos Santos, missionária da Companhia de Santa Teresa de Jesus (teresiana), brasiliense da cidade do Gama (DF). “Desde muito cedo senti em mim, o desejo de aju- dar na construção de um mundo melhor e mais justo, onde todos pudessem ter o necessário para sobreviver. Participava dos movimentos sociais, mas precisava de algo mais”, relata a religiosa ao falar sobre a sua vo- cação. “Foi a partir do testemunho de vida de pessoas como a Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e dom Helder Câmara que senti o apelo de Deus”. Irmã Maria Goreth, no Brasil para alguns dias de descanso, conta que sempre desejou partir para uma missão além-fronteiras, mas com a mãe doente e de idade avançada vinha adiando o sonho. “Após o ter-

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remoto no Haiti e o apelo da CRB aos religiosos, foi impossível resistir. A partir do Evangelho (Mt 10, 37- 42) senti a força necessária para tomar a decisão de responder com generosidade”. Para ela, ser missionária no Haiti é ser presença da ternura e do amor de Deus.

Significa concretizar o que diz o livro do Êxodo: “Eu vi muito bem a aflição do meu povo que está no Egito, ”

(hoje no Haiti), e ouvi os seus clamores

A alegria e a esperança dos haitianos impressio- na logo de cara quem chega ao país. “O que mais me chamou atenção foi ver que, mesmo diante de tanto sofrimento, o povo traz uma grande alegria e espe- rança estampadas no rosto. Isso me fez pensar que temos de sair do nosso mundo de sentimentos e de palavras para, como Jesus, estar no meio dos mais po- bres. Precisamos ser solidários, com gestos concretos que tocam a alma e o coração das pessoas”, afirma a missionária. Para ela, as missionárias despertam esperança ainda que estejam em meio a desafios. “Hoje Deus con- tinua enviando missionárias para morar com aquele povo, ser solidárias em suas dores e alegrias, ser pre- sença de esperança, sabendo ouvir quando já não há mais nada que fazer. Simplesmente abraçar e dizer que

não tenho muitos recursos para sanar a fome, para ti- rá-los das lonas, dos escombros e de moradias pre- cárias, para ajudar as crianças, adolescentes e jovens irem à escola”.

(Ex 3, 7).

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Comunidade Intercongregacional Somar forças entre diversas congregações é uma forma criativa de manter o projeto. A riqueza dos vá- rios carismas fortalece a comunidade. “Percebemos que a vivência de cada carisma nos enriquece e nos faz sermos cada vez mais irmãs. Juntas, partilhamos os desafios da missão e os sonhos de poder contribuir na reconstrução do Haiti”. Ainda são sentidos, no país, os traumas decorren- tes do terremoto que matou mais de 300 mil pesso- as e arrasou as infraestruturas. “A fome extrema teima em continuar machucando o povo haitiano. As nossas forças são canalizadas para ajudar o povo a encon-

trar caminhos de libertação e de vida plena”. Por isso,

a missionária revela toda a sua admiração pelas irmãs

da comunidade e suas congregações. “Agradeço a cada congregação por tamanha generosidade em respon- der a este apelo de Deus e da Igreja. Quero dizer às ir-

mãs Maria Câmara, Ideneide Rego, Rosangela Ferreira, Marcelina Xavier e Rita Finkler, que eu as amo de todo coração e me sinto privilegiada de ter a graça de morar

e partilhar com elas a vida, carismas, alegrias e tristezas, as saudades e tantas outras coisas que nos fortalecem

e nos tornam cada vez mais irmãs na missão”.

Projetos A metodologia missionária articula Evangelização

e Ação Social, e desenvolve, hoje, três projetos: Econo- mia Solidária e Geração de Renda; Projeto de Saúde; e Formação para lidar com traumas e conflitos. Duas cozinhas comunitárias envolvem cerca de 30 mulheres. Organizadas em grupos de cinco, elas pre- param alimentação e vendem a um preço simbólico para a população pobre. Funciona ainda uma cozinha

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Irmã Goreth no Haiti

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Nossos Missionários

“ Sinto-me abraçada e amada pelo povo e cada vez mais apaixonada pela Missão. Jaime
“ Sinto-me
abraçada e
amada pelo
povo e cada vez
mais apaixonada
pela Missão.
Jaime C. Patias

de doces e salgados para geração de renda. Nessa co- zinha são beneficiadas outras 30 mulheres organiza-

das em três grupos. A oficina de corte, costura e bor- dados haitianos beneficia mais de 40 mulheres. Já a confecção de bijuterias envolve cerca de 50 jovens e adolescentes, e um galinheiro comunitário gera renda para outras 12 famílias. Na área da saúde, durante três anos, as irmãs con- taram com a assistência de uma enfermeira, mas hoje atendem somente os primeiros socorros e a saúde al- ternativa. Três psicólogas, todos os anos, desenvolvem um plano de formação e atendimento personalizado para todos os grupos nos projetos. Cerca de 70 crianças

e jovens são beneficiados, bem como a comunidade,

com a música, dança e teatro. O objetivo é resgatar e trabalhar a cultura de paz.

Perguntada sobre o que realmente o povo haitia-

no precisa, a missionária logo responde: “O Haiti pre- cisa do Brasil, uma Igreja Irmã e solidária como um sinal do novo êxodo, com renovada esperança de que

é possível sonhar com uma nova humanidade prome-

tida por Deus. Os desafios são muitos, mas tenho o coração repleto de esperança e alegria, na certeza de que Deus jamais abandona seu povo. Ele fortalece suas discípulas para permanecerem fiéis. Sinto-me abraçada

e amada pelo povo e cada vez mais apaixonada pela Missão”.

Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, é secretário nacional da Pontifícia União Missionária.

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Fotos: Jaime C. Patias

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Fotos: Jaime C. Patias Capa Capa O Santuário Nacional de Nossa Senhora Apare- cida foi sede
Fotos: Jaime C. Patias Capa Capa O Santuário Nacional de Nossa Senhora Apare- cida foi sede

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Apare-

cida foi sede do 1º Congresso Americano da Infância

e Adolescência Missionária (IAM). Promovido pelas

Pontifícias Obras Missionárias (POM) em parceria com as POM do continente americano, o encontro foi rea- lizado entre os dias 23 e 25 de maio e teve como tema “IAM da América a serviço da missão” e lema “Vocês são meus amigos!” (Jo 15-14). Estiveram 632 assessores e coordenadores da IAM, vindos de 17 países, sendo 506 do Brasil. Além disso, mais de 80 voluntários prestaram serviços nos diversos setores da organização. Os congressistas fo- ram acolhidos pelas famílias de 13 paróquias de Apa- recida (1) e Guaratinguetá (12). O espírito de comunhão

foi celebrado com uma missa, seguida de um momen-

to de confraternização nas paróquias acolhedoras.

O principal objetivo do Congresso foi reunir os as-

sessores e secretários da IAM do continente americano para o encerramento das celebrações dos 170 anos de

fundação da Obra: de fato, o Brasil acaba de celebrar

o Ano da IAM, de maio de 2013 a maio de 2014. Além

disso, o encontro estreitou a comunhão entre asses-

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sores e secretários nacionais da Obra, e proporcionou momentos de reflexão sobre a realidade das crianças e adolescentes com propostas de ações para o trabalho dos grupos.

Encontro de animação missionária
Encontro de animação missionária

Ao abrir os trabalhos, o diretor das POM, padre Camilo Pauletti, destacou o caráter missionário do Congresso realizado no mesmo auditório que, em 2007, reuniu os bispos da América e Caribe para a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe (Celam). Em termos de animação missioná- ria, “no Brasil, a IAM é nossa joia. É a Obra Pontifícia mais visível e com maior presença na Igreja e na socie- dade. Como Continente Americano, queremos expres- sar nossa esperança e confiança nas crianças e adoles- centes que são as lideranças hoje e amanhã”, enfatizou. A secretária-geral da Pontifícia Obra da IAM, Je- anne Baptistine Ralamboarison, veio de Roma em sinal de comunhão e unidade da Obra no mundo. Em sua intervenção, explicou que, quando visita países em ou-

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tros continentes, cita como exemplo o trabalho da IAM na América para servir de estímulo. Recordou também que esta Obra Pontifícia, “desde o tempo do seu funda- dor, dom Carlos Forbin-Janson, tem dois aspectos: o espiritual e o material. Uma oração ao dia e uma moe- da a cada mês. Esses dois elementos vão juntos”. Para a secretária-geral, ao mesmo tempo em que

a IAM da América serve de exemplo na parte espiritu-

al, “na parte da ajuda material, nos mesmos países, ela não tem sido suficientemente desenvolvida”. Sobre essa situação, “não deveríamos culpar as crianças nem a po- breza de algumas regiões. Todos podemos dar, mesmo quando da nossa pobreza”, disse ela, pedindo ainda que os animadores confiem mais na potencialidade

e generosidade das crianças. Este é um dos maiores

desafios deixados pelo Congresso. Por fim, convidou assessores e secretários presentes a levarem às suas casas, paróquias, dioceses e países, novas forças e as

graças recebidas em Aparecida.

Destacou a união com as crianças indígenas, trabalho este desenvolvido com muita alegria. “Discípulos para

serem missionários devem ter ardor no coração. Eu sou IAM porque sou discípula missionária”. Isso denota o grande amor pela missão que nasce do ardente desejo de anunciar Jesus a todas as crianças. A jovem Rosana Beatriz Gimenez relatou as ativi- dades da IAM no Paraguai. Testemunhou dizendo que

a “IAM não só acompanha vidas, ela as muda. Nossas

crianças são pequenas, porém, grandes evangelizado-

ras”, salientou. “O nosso papel é fazer Jesus conhecido

amado”. Referindo-se ao tema do Congresso, dom Sergio Arthur Braschi, presidente da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, afir- mou: “Nós temos esta missão: defender a vida e pro- clamar esse anúncio aos corações de todas as crianças do mundo e suas famílias, para que tenham a alegria de um encontro com o Senhor da vida”. Ao recordar os 170 anos de história da IAM, dom Sergio lembrou que “ela nasceu de um ges- to de amor pelas crian- ças da China. Desde o começo, foi um olhar em defesa da vida das crianças”. Disse ain- da que as crianças do mundo esperam a soli- dariedade das crianças da América, e motivou os participantes à mis- são ad gentes, além das fronteiras. Marcante foi tam- bém a atenção do pre- sidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o carde- al arcebispo de Apa-

recida, dom Raymun-

e

(CNBB), o carde- al arcebispo de Apa- recida, dom Raymun- e A realidade desafia Participantes do
A realidade desafia
A realidade desafia

Participantes do Congresso no auditório do Santuário de Aparecida (SP)

Na programação do evento, foi abordada a situ- ação atual das crianças e adolescentes em dois pai- néis, sendo um em português e outro em espanhol. As reflexões apontaram pistas de ação e desafios para o trabalho da IAM (ver nesta Edição, p. 18 e19). O tema foi aprofundado em cinco fóruns temáticos focados na criança, adolescente, juventude, família e escola. Além disso, cinco assessores vindos do México, Paraguai, Ar- gentina, Chile e Brasil testemunharam como a Obra da IAM transformou suas vidas e os fez grandes missio- nários. A mexicana Aline Beatriz Zunica, por exemplo, partilhou experiências da IAM em seu país, bem como as ações mais importantes de animação missionária.

do Damasceno Assis. Compareceu para desejar boas vindas à casa da Mãe.

Relembrou que, na mesma sala, acontecera também a V Conferência Geral do Celam, em 2007, com a pre-

sença do papa emérito Bento XVI, quando se formulou

o Documento de Aparecida. Na ocasião, o então arce-

bispo de Buenos Aires, cardeal Jorge Mario Bergoglio, atual papa Francisco, também estava presente e ajudou na redação do mesmo documento. “Esta sala está impregnada pela disposição missio- nária”, disse dom Damasceno, dando força aos traba- lhos em curso. O cardeal terminou sua fala animando os congressistas a uma maior disposição para “sair de si”, quando pediu amor pela missão. “Todos nós somos chamados a sermos discípulos missionários de Jesus Cristo”.

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Capa Missa na Basílica de N.S. Aparecida A participação na missa dominical na Basílica de Nossa

Missa na Basílica de N.S. Aparecida

A participação na missa dominical na Basílica de

Nossa Senhora Aparecida proporcionou momentos de comoção e entusiasmo. A missa foi presidida pelo car- deal dom Damasceno e concelebrada por cerca de 50 padres e seis bispos, dentre eles, dom Sergio Braschi. “Eu tenho a certeza que este Congresso vai forta- lecer a comunhão missionária entre os assessores e os secretários nacionais da Obra da Infância e Adolescên- cia Missionária. Aos que vieram de outros países, faço votos de uma boa viagem de regresso. Que Deus os acompanhe e não deixem apagar, em seus corações, a chama do ardor missionário que nestes dias certamen- te ardeu, de modo especial, no coração de cada partici- pante”, exortou o cardeal. O Santuário estava lotado de

romeiros, famílias, caravanas, grupos e integrantes de pastorais. A quantidade de fiéis e o ambiente dentro e fora da Basílica impressionaram os que lá se encontra- vam pela primeira vez.

O Congresso foi mencionado no comentário ini-

cial, nas preces e no final da celebração. Crianças e adolescentes da IAM de diferentes lugares do Brasil

trouxeram cartazes, como por exemplo, de Mogi Gua-

çu (SP), com a inscrita: “O mundo sem Jesus está doen-

te

Ai de mim se eu não evangelizar”.

Jesus está doen- te Ai de mim se eu não evangelizar”. Considerações e envio Uma celebração
Jesus está doen- te Ai de mim se eu não evangelizar”. Considerações e envio Uma celebração

Considerações e envio

Uma celebração de envio realizada no auditório do Santuário de Aparecida encerrou os trabalhos na manhã de domingo, dia 25. O momento foi precedido por uma última sessão, onde os secretários dos cinco fóruns temáticos relataram as conclusões dos traba-

lhos que deverão orientar futuras ações em cada país. Houve ainda um momento para as considerações fi- nais e agradecimentos.

O diretor das POM na Colômbia e coordenador

dos diretores das POM no Continente, padre Mário Ál-

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varez Gómez, parabenizou os organizadores do Con- gresso pela iniciativa que contagiou toda a América. Ele relatou o que foi discutido na reunião entre os di- retores das POM presentes em Aparecida e os secre- tários nacionais da IAM. Ao falar dos compromissos comunicou que, no mês de novembro, irá acontecer, em Honduras, um encontro continental, ocasião a se- rem retomados os resultados do 1º Congresso da IAM, para que, segundo ele, “cada país receba a riqueza des- te encontro e se comprometa a continuar este trabalho tão bonito que iniciou na Igreja do Brasil”. Outra decisão anunciada foi a criação de um Con- selho Americano de IAM, formado por representantes de todos os países para coordenar o trabalho de ani- mação. A iniciativa partiu da secretária-geral da IAM, Jeanne Baptistine. Na conclusão do Congresso, o sentimento geral era de satisfação, conforme destaca padre Camilo Pau- letti: “Olhando no rosto sorridente dos participantes e ouvindo seus comentários, deu para sentir uma satis- fação, uma grande alegria por tudo o que aconteceu nestes dias”, comentou. “Partem animados e com mais energia para continuar esta caminhada missionária. Re-

Participantes por país

Brasil - 506 Paraguai - 24 Chile - 20 Colômbia - 19 Peru - 16 Argentina - 10 Bolívia - 9 Honduras - 8 Costa Rica - 5 Porto Rico - 2 Equador - 4 Cuba- 3 Uruguai - 2 Angola - 1 Itália - 1 México - 1 Venezuela – 1

Total 632

Além disso, mais de 80 pessoas trabalharam na organização

Além disso, mais de 80 pessoas trabalharam na organização Participantes por estado eclesial Leigos (as) -
Além disso, mais de 80 pessoas trabalharam na organização Participantes por estado eclesial Leigos (as) -

Participantes por estado eclesial

Leigos (as) - 503 Religiosos (as) - 75 Bispos - 3 Diácono - 1 Presbíteros diocesanos - 30 Presbíteros religiosos - 10 Seminaristas - 10

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cebemos abraços de gratidão e promessas que podemos confiar no empenho e amor pela Obra da IAM. Tudo isto nos faz vol-

tar ao Senhor e dizer muito obrigado pelo bom êxito deste Congresso”. Padre Camilo agradeceu a todas as equipes, organismos

e pessoas que não mediram esforços para

que o evento superasse as expectativas. A celebração de envio incluiu a renova- ção do compromisso com a Obra da IAM, complementada por orações e cânticos que lembravam a saída para a missão. Todos re- ceberam um lenço com as cores missioná- rias símbolo da África, continente que este ano recebe atenção especial dos grupos da IAM.

Dom Sergio Braschi surpreendeu a to-

dos grupos da IAM. Dom Sergio Braschi surpreendeu a to- Dra. J. Baptistine, Ir. Maria Inês

Dra. J. Baptistine, Ir. Maria Inês e Ir. Dirce Gomes

dos ao anunciar os primeiros missionários a serem enviados pelo Regional Sul 2 da CNBB (Paraná) à mis- são na Guiné Bissau: Elaine Machado, coordenadora da IAM no estado do Paraná, e o diácono permanente Pedro Avelino Lang que partirá com sua esposa.

permanente Pedro Avelino Lang que partirá com sua esposa. O legado do Congresso A vivência do

O legado do Congresso

A vivência do Congresso trouxe alegria e entu-

siasmo que contagiaram e animaram os participantes

a serem cada vez mais ousados na missão junto às

crianças e adolescentes. Revelou-se, no ambiente de partilha e na comu- nhão entre os congressistas de 17 países, uma forte identificação com o carisma e a espiritualidade da Obra. Isso ficou evidente no entusiasmo ao cantar o hino da IAM e do Congresso. Outro aspecto a ser destacado é a comunhão com

a Igreja local pela atenção dada pelo cardeal arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, pre- sidente da CNBB. Além disso, o encontro contou com a

participação de dom Sergio Braschi, presidente da Co- missão para Ação Missionária da CNBB, da assessora da Comissão, Irmã Dirce Gomes da Silva, e de dom Vi- cente Costa e dom José Lanza, bispos referenciais para a missão nos Regionais Sul 1 e Leste 2 da CNBB. A Vida Religiosa Consagrada, que tem atuação marcante na animação da IAM, foi representada pela vice-presiden- te da CRB Nacional, Irmã Maria Inês Ribeiro. Durante os diversos momentos vividos, muitos símbolos da missão marcaram e enriqueceram o con- gresso: bandeiras, cartazes, faixas e lenços com as co- res missionárias; também o Círio pascal, a Bíblia e os gestos nos momentos de celebrações, como o sinal da cruz no momento do envio. A organização do Congresso foi articulada por uma Equipe de assessores da IAM no Estado de São Paulo, com apoio das diocese de Aparecida e de São José dos Campos. Os trabalhos foram coordenados pelo secre- tário nacional da IAM, padre André Luiz de Negreiros. “Levo, em minha mochila, a sensação de que devemos avançar cada vez mais e, ao mesmo tempo, a alegria de ter contado com muitos amigos e amigas que se dedicaram na reali- zação deste 1º Congresso. Isso me motiva a seguir sempre buscando metas para o crescimento das POM, em especial da IAM”, desta- cou padre André, ao falar sobre o legado do encontro. “Rogo a Deus que todos se sintam reanimados para, juntos, formarmos mais lide- ranças e atingirmos o outro lado da margem, principalmente aonde ninguém quer ir”.

Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, é secretário nacional da Pontifícia União Missionária.

Thiago Cavalcante
Thiago Cavalcante

Diretores das POM e secretários nacionais da IAM

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POM

Fotos: L’Osservatore Romano
Fotos: L’Osservatore Romano

Diretores nacionais e secretários gerais das POM com o papa Francisco, Sala Clementina no Vaticano

Serviço à missão Universal

A Assembleia Geral anual das Pontifícias Obras

Missionárias (POM) aconteceu nos dias 05 a 10 de maio em Roma, na casa de Exercícios Salesianum, com a par- ticipação de mais de 100 diretores nacionais dos cinco continentes. A presença de pessoas vindas de realidades tão diversificadas proporcionou um encontro fraterno, onde a unidade era manifestada pelo serviço comum à missão universal. Apesar de tantas línguas diferentes, houve meios e formas de se comunicar. Nesses ambien- tes, a partilha aconteceu de maneira espontânea e enri- quecedora, conforme nos conta padre Camilo Pauletti, diretor das Pontifícias Obras Missionárias:

Os dias foram intensos, com reflexão, debates, relatórios, aprecia-

ção e aprovação de projetos, cele- brações e convivência. Entre as refle- xões, fomos provocados a envolver mais gente no trabalho missionário, buscando iniciativas de animação e formação. A criatividade e o dina- mismo espantam a estagnação e nos fazem sonhar para seguir tra- balhando com esperança e alegria, acreditando em nossas ações.

e sofrimentos parecem não diminuir. Como fazer para

despertar e agilizar maior solidariedade? Continuar ani- mando a partilha e não ter vergonha de pedir é um ca- minho. Além da cooperação, é importante encontrar for- mas de fazer crescer a consciência missionária em to- dos os cristãos, principalmente naqueles que têm lide- rança e responsabilidade nas comunidades e na Igreja. As autoridades em Roma, que estão à frente dos trabalhos missionários, mostraram seu compromisso com a missão. O prefeito da Congregação para Evan- gelização dos Povos, cardeal Fernando Filoni, deu as boas-vindas a todos os diretores e se- cretários gerais das POM. Na sua in-

tervenção nos falou que todos somos servos da missão, que cada Igreja Par- ticular deve assumir as necessidades, as aspirações, fé e caridade de todas as outras Igrejas. O cardeal celebrou conosco no Pontifício colégio Mater Eclessia em Castelgandolfo, onde 130 religiosas de 40 países estudam. Esta escola é uma das cinco que são sus- tentadas pelas ofertas às missões. São mais de 700 alunos vindos de países carentes e que precisam de espaço para os estudos e formação.

e que precisam de espaço para os estudos e formação. cada Igreja Particular deve assumir as

cada Igreja

Particular deve assumir as necessidades, as aspirações, fé e caridade de todas as outras Igrejas.

(Cardeal Fernando Filoni))

As muitas necessidades e carên-

cias geram preocupações. As ofer- tas vêm caindo, mas as dificuldades

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POM

POM As POM são o instrumento privilegiado que evoca e zela com generosidade a missio ad

As POM são o instrumento privilegiado que evoca e zela com generosidade a missio ad gentes. Com paciência e perseverança, promovem a corresponsabilidade missionária.

(Papa Francisco)

Em outro momento, o cardeal Filoni destacou que as POM se reúnem em Assembleia, “para que o tra- balho, a oração, o amor pela evangelização, que en- controu forma em todo este ano passado, e teve seu ápice no Dia Mundial das Missões em outubro, chegue concretamente às Igrejas mais carentes, às jovens Igre- jas e às Igrejas em formação, pequenas ou grandes, próximas ou distantes”. Outro momento forte da Assembleia foi o encon- tro com o papa Francisco. Ele nos acolheu no Vaticano e, na sua mensagem, agradeceu a todos pelo serviço à missão da Igreja. Lembrou que evangelizar em nosso tempo, requer uma Igreja missionária, totalmente em saída. Começar pelos últimos, os pobres, aqueles cujas costas estão curvadas devido ao peso e à fadiga da vida. “As POM são o instrumento privilegiado que evo- ca e zela com generosidade a missio ad gentes. Com paciência e perseverança, promovem a corresponsabi- lidade missionária”, disse o papa. Recordou ainda que “o desejo de evangelizar nos ‘confins’, testemunhado por missionários santos e ge- nerosos, ajuda todas as comunidades a realizar uma pastoral aberta e eficaz, a renovação das estruturas e das obras. A ação missionária é o paradigma de toda obra da Igreja”. As palavras do nosso querido papa Francisco nos estimulam e nos encorajam. Somos gratos pelo seu tes- temunho e pelos seus gestos evangélicos. Tem sido uma honra estar com ele, ouvi-lo e saudá-lo. Deus o mante- nha nesse rumo, dando novo vigor à nossa Igreja. O presidente das POM, o bispo tanzaniano, dom Protase Rugambwa, participou de toda a Assembleia. Ele reafirmou que muitas atividades estão acontecen- do pelo mundo e destacou as publicações: revistas, informativos e audiovisuais; os congressos e cursos

de animação e formação missionária; as jornadas jo- vens; as visitas aos seminários; o apoio das congrega- ções religiosas e os seus trabalhos pastorais e sociais. Pontuou que nem sempre é fácil socorrer os pobres. Há situações em que as leis dificultam os meios para os repasses das ofertas, por causa dos escândalos. O presidente ainda nos recordou que não é justo usar ou dar outra destinação ao dinheiro recolhido na co- leta do Dia Mundial das Missões, que não seja para os projetos e situações missionárias de pobreza a que se destinam. Somos todos responsáveis para que o Evangelho chegue em todas as partes do mundo. Os bispos, pa- dres e lideranças devem ser os primeiros a dar este tes- temunho. As POM são como uma ponte que ajudam a viabilizar esta cooperação e solidariedade em todos os continentes.

O papa vem insistindo que deseja uma Igreja da

misericórdia, da acolhida, que visa ser pobre e para os pobres.

A missão sempre requer entusiasmo, alegria e ar-

dor. Assim não deixemos esmorecer este espírito que faz vibrar nossa vida e a de toda nossa Igreja. Coloque- mos nossos dons a serviço, partilhemos nossas forças, colaboremos com as neces- sidades do outros que são maiores do que as nossas. O despojamento favorece a aproximação daqueles que vivem nas periferias. Quando nos fechamos e nos preocu- pamos somente com nossas necessidades, nos afastamos do mandato de Jesus Cristo. Não tenhamos medo, o Senhor está conosco.

de Jesus Cristo. Não tenhamos medo, o Senhor está conosco. Pe. Camilo Pauletti, é diretor das

Pe. Camilo Pauletti, é diretor das Pontifícias Obras Missionárias.

Pe. Camilo Pauletti com o papa Francisco

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Aprofundando a Missão

Palavra de

Deus

Aprofundando a Missão Palavra de Deus e Missão Enquanto andou pelas estradas da Palestina, Jesus buscava

e

Missão

Enquanto andou pelas estradas da Palestina, Jesus

buscava transmitir sua mensagem em palavras simples

e diretas, permitindo que todos compreendessem sua

proposta. Mas o que queria Jesus? Ele buscava a radi-

calidade, a raiz, a intenção do Pai. Em sua missão, Jesus foi fiel à intenção mais profunda de tudo aquilo que es- tava nas Escrituras, tudo o que era considerado Palavra em sua época. Por fidelidade a esta Palavra Jesus nos revela o sentido pleno da vontade do Pai (Jo 4,34). Po- demos destacar alguns pontos de seus ensinamentos:

- Retomando o projeto original do Criador, Jesus

restabelece a igualdade entre homem e mulher como

imagem de Deus (Gn 1,27; Mt 19,4-8).

- Retomando o projeto da Aliança com Abraão, cha-

mado a ser fonte de bênção para todos os povos, Jesus não quis um povo fechado sobre si mesmo, na sua estrita observância, mas mostrou-se aberto para qualquer pes- soa que necessitasse de sua presença, de seu toque e da sua palavra (Mt 28,19; Mc 16,15; Jo 4,1-15).

- Retomando o projeto do Êxodo, Jesus revela-se

o novo cordeiro pascal (1Pd 1,19) cujo sangue abre a

passagem definitiva deste mundo para o Pai (Jo 13,1), refazendo assim a Aliança (Lc 22,20).

- Reinterpretando a Lei (Mt 5,21-43) Jesus abre ca-

minho para a vida em liberdade. A liberdade dos filhos que seguem os ensinamentos que lhes foram dados

pelo Pai (Tg 1,19-25).

- Retomando o projeto do Reino (Sl 146), Jesus faz

dele o centro de seu anúncio (Mc 1,14-15) atendendo aos excluídos pelo discurso teológico dos escribas e fariseus (Lc 14,15-24).

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- Questionando a prática religiosa de sua época,

Jesus reafirma o primado da misericórdia sobre qual- quer outro rito religioso (Mt 9,13; 12,7).

- Jesus soube captar o Espírito escondido na letra,

denunciando as leis religiosas que mantinham o povo em uma enorme prisão religiosa, obrigando-o a ob-

servar normas inúteis e secundárias (Mt 23,13-36; Mc 2,27; Jo 8,7).

- Retomando o projeto do Messias servo e sofre-

dor, esboçado nas profecias de Isaías (Is 52,13; 61,1-2)

e totalmente desprezados em sua época, Jesus revela

a missão do povo fiel: ser Luz para as Nações (Is 42,6;

49,6; Mt 5,13-16). Abandonado pelos seus, denunciado pelas auto- ridades religiosas, martirizado pelo império, Jesus foi confirmado pelo Pai em sua missão. A ressurreição de Jesus é a confirmação divina de que suas palavras re- velavam sua missão.

A missão da comunidade cristã O que as primeiras comunidades cristãs fizeram foi levar adiante as palavras e ensinamentos de Jesus. Deram continuidade à missão de Jesus. É exatamente isso que devemos fazer hoje. Sentimos que as dificul- dades hoje são muitas. Mas as primeiras comunidades também devem ter enfrentado muitas dificuldades na missão. Podemos sentir essas dificuldades quando lemos

o trecho de Lucas (5,1-11). Nesse episódio, vemos Je-

sus rodeado pela multidão atraída por suas palavras

e sua proposta. Vendo as barcas, Jesus sobe em uma

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Aprofundando a Missão

delas para melhor ser entendido pela multidão. Sua primeira preocupação é atender ao povo que está em busca de uma mensagem para a vida. Depois que aca- bou de falar para as multidões, Jesus manda que Simão Pedro conduza o barco para águas mais profundas e que lance as redes para pescar. O convite mostra que, se a comunidade quiser pescar peixe bom, deve sair das margens e arriscar-se em águas mais profundas. Pode ser mais perigoso, mas a pesca é mais garantida. Os resultados serão melhores. Não existe missão sem riscos. A resposta de Simão mostra bem a íntima cone- xão entre Palavra e Missão: “Mestre, tentamos a noite inteira e não pescamos nada. Mas em atenção à tua palavra, vou lançar as redes!” E assim fizeram e apa- nharam tamanha quantidade de peixes que as redes se arrebentavam. A comunidade cristã sempre percebeu a íntima ligação entre palavra e missão.

Caminhos para a missão hoje Precisamos dar uma resposta como Simão Pedro. Muitas vezes estamos cansados e desanimados por- que insistimos em manter os velhos esquemas. Esque- mas estes que nos mantém presos às margens, com medo de arriscar, de sair para águas mais profundas. Temos que nos deixar inspirar pelas primeiras comuni- dades cristãs. Elas souberam, à luz da ressurreição, tirar o véu que encobria a verdade escondida nas palavras da Escritura. E o que era Palavra de obediência tornou- se Palavra de missão. Elas descobriram que o mais im- portante não é saber interpretar bem as palavras da

im- portante não é saber interpretar bem as palavras da Fotos: Jaime C. Patias 3° Simpósio
Fotos: Jaime C. Patias
Fotos: Jaime C. Patias

3° Simpósio de Missiologia no CCM em Brasília (DF)

Bíblia, mas conseguir ler a vida e a história com a ajuda da Bíblia. Ontem como hoje, o anúncio da Boa Nova consiste em apontar os fatos nos quais Deus está atu- ando a favor de seu povo, especialmente dos pobres e marginalizados. Missão é revelar o Reino proposto por Jesus. Re- velar é tirar o véu. Quais seriam os fatos de nossa épo- ca que nos desafiam e dos quais devemos tirar o véu para perceber neles a presença do Espírito? Quais são hoje os fatos que estão nos mantendo presos à mar- gem e que nos impedem a ir para águas mais profun- das? Seriam nossas estruturas eclesiásticas? A saída de milhões de brasileiros da Igreja Católica? O crescimen- to rápido das igrejas pentecostais? As redes sociais que incentivam o isolamento e o individualismo? A cultura do consumo e do descartável? As mulheres que bus- cam seus direitos e dignidade dentro das

estruturas eclesiais? A juventude, cada vez mais distante de nossas propostas?

As

marchas gays que mobilizam milhões

de

pessoas caminhando pelas ruas? São

tantos fatos desafiadores e provocantes. Qual é nossa missão neste mundo? Temos que trabalhar com a Palavra. Mas antes devemos nos deixar traba- lhar pela Palavra. Isso não é fácil, pois

“a Palavra possui, em si mesma, tal po-

tencialidade, que não podemos prever.

O Evangelho fala da semente que, uma

vez lançada à terra, cresce por si mes- ma, inclusive quando o agricultor dorme (Mc 4,26-29). A Igreja deve aceitar essa liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam, superando nossas previsões e quebran- do nossos esquemas” (Evangelii Gau- dium 22).

Missão é revelar o Reino proposto por Jesus.

Francisco Orofino, é biblista e coordenador do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI).

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Propagação da fé

Igrejas Domésticas a serviço da missão Arquivo POM
Igrejas Domésticas
a serviço da missão
Arquivo POM

Encontro das Famílias Missionárias na sede das POM em Brasília (DF)

Há 50 anos, o Concílio Vaticano II recuperou, dos escritos paulinos, a família como “Igreja doméstica” e

“santuário íntimo da Igreja”. Recentemente, na Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho” o Papa Francisco chamou a atenção para a família como “célula básica da sociedade”. Sua mensagem orienta sobre as relações de fraternidade que sofrem ameaça com o individualismo e

o egoísmo crescente. Ambos enfraquecem o desenvol-

vimento de valores e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas, sobretudo entre as famílias (EG 66 e 67). A expressão “Igreja Doméstica” tem suas origens nos tempos apostólicos, quando o núcleo da Igreja era, em geral, constituído por aqueles que se tornaram cristãos “com toda a sua casa” (At 18,8). O Apóstolo Paulo, em

suas pregações, falava sobre “construir” a comunidade

e, para isso, utilizava comparações que correspondiam

a “identificar a casa”. As Igrejas domésticas foram, então,

os principais pilares das primeiras comunidades cristãs.

A partir delas, os lares passaram a promover e a dar ex-

pressão aos laços que tinham em comum, sempre com a preocupação de promover a hospitalidade como princi- pal impulsionadora da missão deixada por Jesus Cristo. As comunidades cristãs, como Igrejas Domésticas, procuravam viver o Projeto de Jesus. Nos ensinamentos dos apóstolos, na comunhão, oração e partilha, os pri- meiros cristãos combatiam todas as práticas excluden- tes e anunciavam o Reino. A partir da denúncia e profe- cia, as comunidades de base trabalhavam em favor dos pobres, marginalizados e excluídos. Por isso, o maior escândalo entre os cristão era a falta de partilha e soli-

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dariedade. Tanto é que o apóstolo Paulo repreendeu a comunidade de Corinto porque alguns se fartavam sem se importarem com os necessitados. Uns chegavam às reuniões na cidade já fartos de comidas e bebidas, ou- tros vinham sem nada e voltavam famintos. Essas práti- cas evidenciavam a omissão da comunidade no próprio significado da Ceia do Senhor (1 Cor 11, 20-22).

Famílias em Missão, vidas em doação! A formação das Famílias Missionárias é um dos serviços oferecidos pela Obra da Propagação da Fé, sendo uma das quatro Obras Pontifícias. O objetivo é promover a consciência da missão universal nas famí- lias. Assim, como Igreja Doméstica, despertar para a vocação missionária comprometida com o anúncio do Evangelho em seu ambiente geográfico e além-frontei- ras. Contra o individualismo e o egoísmo, as Famílias Missionárias são chamadas a iluminar a realidade com a fraternidade do Evangelho. No Brasil, a articulação nacional das Famílias Mis- sionárias iniciou em 2012. Agora, é preciso organizar grupos de base nos estados e dioceses, sendo compro- misso dos grupos de Infância, Adolescência e Juventu- de Missionária dinamizar e promover a existência das Famílias Missionárias. Ajudar na animação missionária no interior do seu lar é construir Igrejas Domésticas que enraízam suas vivências no Evangelho e em Jesus Cris- to. Venha fazer parte das famílias missionárias e contri- bua ainda mais para uma Igreja toda missionária.

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Jean Franco

Intimismo juvenil posto em cheque

“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação

e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as

coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. Este pen- samento de Santo Agostinho coloca em cheque toda atitude desvinculada da indignação e da coragem. Isso acontece quando concebemos uma fé intimista desliga-

da da realidade. Sobre isso nos alerta o papa Francisco:

“Em alguns, há um cuidado exibicionista da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, mas não se preocupam que o Evangelho adquira uma real inserção no povo fiel de Deus e nas necessidades concretas da história” (EG 95). Uma fé intimista leva a pessoa a se fechar na sua própria razão ou nos seus sentimentos. Quando isso acontece, grupos e até mesmo a Igreja se transformam em uma “peça de museu”. O alerta serve também para os nossos grupos de Juventude Missionária (JM).

A “mística do viver junto”, defendida pelo papa

Francisco, combate o modelo de relações isoladas (EG 87). Os jovens missionários são chamados a trabalhar

a partir da religiosidade encarnada junto ao povo. No

trabalho missionário, não se pode escapar do outro em atitudes defensivas que se recusam a estar junto aos pobres. Contra os modelos de fé emotivas, fruto do imanentismo isolador e da experiência subjetiva sem rostos (EG 91), é necessário ser jovem missionário

a partir da comunidade eclesial que tem face e é de

carne (EG 90). Mais do que uma postura covarde e la- muriosa ante as misérias humanas, a Igreja precisa de

jovens sensíveis às alegrias e esperanças, às tristezas e angústias de hoje, sobretudo, dos pobres e de todos os que sofrem. Essas são também as alegrias e esperan- ças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo (GE 1). É essa postura de presença que constrói identi- dades juvenis inquietas – indignadas!

A Juventude Missionária não deve procurar um

modelo de Igreja cuja referência é a metodologia ego- ísta que projeta ritos e caminhos paralelos. Longe da “teologia do bem-estar”, sem vida de comunidade, e da “teologia da prosperidade”, sem compromisso fraterno. Precisamos assumir a cultura do encontro com o rosto do outro, como presença de amor. É pelo contato que se “assume o risco do encontro” (EG 88) que permi- tirá revindicar mudanças a partir da convivência e da compaixão. “Trata-se de aprender a descobrir Jesus no

rosto dos outros, na sua voz, nas suas reivindicações;

e aprender também a sofrer, num abraço com Jesus

crucificado, quando recebemos agressões injustas ou ingratidões, sem nos cansarmos jamais de optar pela fraternidade” (EG 91). Eis a indignação e a coragem de mudança, fruto da esperança, citada por Santo Agos- tinho. Fica a pergunta: será que a fé intimista é “Boa

Nova aos pobres”?

Guilherme Cavalli, é secretário nacional da Pontifícia Obra da Propagação da Fé.

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Propagação da fé

Juventude Missionária do Rio Grande do Norte em missão

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IAM

Jaime C Patias
Jaime C Patias

Pe. André e Elaine Machado falam sobre a realidade das crianças e adolescentes

Machado falam sobre a realidade das crianças e adolescentes   O que a Obra da Infância
Machado falam sobre a realidade das crianças e adolescentes   O que a Obra da Infância
Machado falam sobre a realidade das crianças e adolescentes   O que a Obra da Infância
 

O que a Obra da Infância e Adolescência Mis-

essa situação chega a atingir 88% delas. 3) Exploração

sionária (IAM) está fazendo para ajudar as crianças e

a 25 de maio (ver nesta Edição, p. 8 - 11). Na ocasião,

de

menores em atividades ilícitas como: prostituição,

adolescentes do continente americano? Este questio- namento foi tema de dois painéis, um em português e outro em espanhol, ocorrido no 1º Congresso Ameri- cano da IAM realizado em Aparecida (SP) nos dias 23

pornografia e ainda o narcotráfico em que vítimas e familiares são submetidos a realizar ações humilhantes e de alto risco. 4) Envolvimento em grupos armados, como as denominadas “crianças-soldados”, uma rea- lidade mais comum no continente africano, mas tam-

a assessora da IAM no Paraná, Elaine Machado e eu,

secretário nacional da Pontifícia Obra da IAM, apresen- tamos a situação atual das crianças e adolescentes. A temática foi aprofundada pela Irmã Sandra Mazzanti, secretária nacional da IAM na Argentina e Ana Brunini, membro do secretariado nacional da IAM na Argen- tina. O objetivo era tomar conhecimento da realidade

discutir sobre o que está sendo feito para enfrentar

e

bém em países como Colômbia e ainda no México. 5) Vulnerabilidade: criança que trabalha exposta a riscos

iguais a de um trabalhador adulto, agravados à falta de proteção em matéria de seguridade social, ocasionan- do consequências duradoras que vão dos prejuízos psicológicos e emocionais a incapacidades permanen- tes. 6) Fome: no continente americano os piores índi- ces da falta de alimentos estão na Bolívia, Guatemala

essas situações que tanto atrapalham a vida de nossas

e

Haiti. Índices considerados mais moderados estão

crianças e adolescentes.

no

resto da América Central (exceção da Costa Rica) e

Confira os maiores desafios: 1) Trabalho Infantil:

na

maior parte da América do Sul. Especificamente no

afeta aproximadamente 14 milhões de crianças na Amé- rica Latina e Caribe. 2) Cerca de 30 milhões de crian- ças vivem na pobreza e, entre as crianças indígenas,

Brasil, Uruguai, Argentina e Chile, há níveis baixos de desnutrição. 7) Gravidez Precoce: a América Latina e Caribe revela, além do início da vida sexual muito cedo,

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IAM

situações de abuso e violência sexual resultando em gravidez não desejada que, muitas vezes, ocorre em conse- quência da violência doméstica, em escolas e no ambiente social da co- munidade em que vivem. 8) Crianças em situação de rua: vivem em perigo constante e sujeitas à exploração, à violência, ao abuso, à alimentação precária, à falta de proteção e ao sis- tema educacional, à discriminação, à sujeição de criminosos. O termo “me- ninos de rua” descreve três grupos diferentes: crianças que durante o dia trabalham na rua, mas ainda vi- vem com suas famílias; crianças que durante a semana trabalham na rua e voltam para suas famílias apenas nos

finais de semana; crianças sem con- tato algum com suas famílias, pois trabalham e vivem na rua. Os mais novos estão na faixa etária de cinco anos de idade. Apesar de não existirem dados quanti- tativos, especialistas dizem que a tendência é aumentar. Os motivos por estarem nas ruas são ocasionados por inúmeras situações, principalmente as familiares, tais como falecimento dos pais, violência ou abuso, traba- lho pesado para o sustento e restrição alimentar.

Jaime C Patias
Jaime C Patias

O desafio é olhar para as crianças e adolescentes em todo o mundo

cada país a acrescentar, em sua legislação, um olhar atencioso para esse aspecto. No Brasil, em 1990, a Lei 8.069 deu vida ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), colocando o nosso país em posição de destaque entre os demais países do mundo, por ser considera- da uma das leis mais avançadas na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes. Dentre os princípios consagrados pela Declaração Universal dos Direitos da Criança, estão o direito à vida, à liberdade e às obriga- ções dos pais, da sociedade e do Estado em relação à criança e adolescente. Nas reflexões do 1º Congresso Americano da IAM, fomos desafiados a olhar para as crianças e adolescen- tes em todo o mundo. A secretária da IAM na Argen- tina, Irmã Sandra Mazzanti, destacou a necessidade da ação concreta na missão além-fronteiras. “Precisamos colocar a nossa Igreja em estado permanente de mis- são e fazer com que nossa vida seja missão. Esta chave de ação nos dá o Documento de Apare- cida, o papa Francisco e muitos documentos da Igreja”. Assim, destaca-se o que dis- se Ana Brunini, do secretariado nacional da IAM da Argentina:

“Como assessores da IAM, nós podemos tomar dois caminhos:

ficar de fora olhando como se não tivéssemos nada que fazer ou então, como discípulos mis- sionários, buscar novos cami- nhos para responder a essa rea- lidade, como Jesus nos propõe”.

Pe. André Luiz de Negreiros, é secretário nacional da Pontifícia Obra da IAM.

O que fazer? Diante de todas essas necessidades, vimos que devemos buscar, como assessores da IAM e discípu- los missionários, novos caminhos para dar respostas adequadas, seguindo a proposta de Jesus. Além de conhecer a realidade, é importante também, conhecer os direitos das crianças garantidos na Declaração Uni- versal dos Direitos da Criança, de 1959, que motivou

Uni- versal dos Direitos da Criança, de 1959, que motivou Assessores renovam compromisso com a Obra

Assessores renovam compromisso com a Obra da IAM

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Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo

Comunhão e partilha um belo exemplo ou algo mais? Arquivo: arquidiocese de Benin
Comunhão e partilha
um belo exemplo
ou algo mais?
Arquivo: arquidiocese de Benin

Presbíteros e seminaristas da arquidiocese de Benin

Em 23 de abril de 2012 foi apresentada, aos bispos

do Brasil reunidos em sua 50ª Assembleia Geral, a pro- posta de que cada diocese destinasse, mensalmente, 1% de sua receita ordinária bruta para um fundo de solidariedade a fim de socorrer as dioceses com difi- culdades para manter seus seminários. Aceita por una- nimidade, a proposta recebeu o nome de “Comunhão

e Partilha” e tornou-se realidade. Desde junho de 2012

todas as dioceses e prelazias do Brasil destinam 1% de sua receita bruta mensal para o fundo.

Brasil destinam 1% de sua receita bruta mensal para o fundo. Mais quero a ordenação de

Mais quero a ordenação de um sacerdote local que a conversão de 50.000 infiéis.

(Papa Inocêncio XI)

Não é frequente acontecer uma votação unânime em uma Assembleia de mais de 300 bispos, sobretudo se a decisão implica colocar a mão no bolso. A una- nimidade se explica pela importância que cada bispo atribui à formação dos futuros padres. Se a manutenção dos seminários é um problema que tira o sono dos bispos do Brasil, país que se en- contra entre as primeiras economias do mundo e ha-

bitado por uma população de maioria católica, que di- zer dos bispos dos países de missão economicamente paupérrima e nos quais a população católica é minoria numericamente insignificante? É bem verdade que há cerca de 120 anos foi fun- dada uma Obra, chamada de São Pedro Apóstolo, repetidamente elogiada e recomendada pelos papas

e reconhecida como decisiva benfeitora por bispos e

padres dos países de missões, os quais devem, a ela,

a possibilidade de frequentar seminário e se preparar para o sacerdócio.

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Todos os anos, no Dia Mundial das Missões ou em um dia próprio, realiza-se uma coleta para ali- mentar o fundo destinado a manter os seminários das Igrejas jovens. Contudo, o que é arrecadado está bem longe de resolver o problema. Os administradores dos seminários e os próprios seminaristas se veem obrigados a fazer verdadeiros malabarismos para manter em funcionamento o semi- nário: a alimentação, os estudos, os cuidados médi- cos e as despesas dos seminaristas, a manutenção dos prédios e dos equipamentos.

a manutenção dos prédios e dos equipamentos. Seminaristas no vicariato de Bluefields, Nicaragua

Seminaristas no vicariato de Bluefields, Nicaragua

Seminaristas no vicariato de Bluefields, Nicaragua Considerai o estabelecimento dos seminários como vosso

Considerai o estabelecimento dos seminários como vosso primeiro dever, o mais nobre e mais digno objeto de vossas tarefas.

(Pio VI, Carta aos Vigários Apostólicos do Extremo Oriente)

SIM

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abril a junho

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2014

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União Missionária

Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo

Exemplos de comunhão e partilha

Em 1936, quando o nome de “missionários” era usado somente por aqueles que iam mesmo “à outra margem”, onde Cristo ainda não era reconhecido como Deus e Senhor e a Igreja não estava presente (DAp 376), encontramos teste- munhos interessantes:

Ofereço $ 3:000$000 (3 contos de réis) para as Missões como lembrança das minhas bodas de prata sacerdotais (Um sacerdote).

Ofereço $ 3:000$000 (3 contos de réis) para um santo missionário que faça, em favor dos in- fiéis, o que eu podia ter feito, e supra, com seu zelo, todas as minhas faltas. Do dinheiro que reservava para missas, em sufrágio de minha alma (Um vigário).

Ofereço $ 2:000$000 (2 contos de réis) para um missionário que, em meu nome, trabalhe na evangelização dos pagãos (Um sacerdote).

Ofereço $ 3:000$000 (3 contos de réis) das minhas economias e privações que guardava para a velhice e agora dou com todo amor para as Missões (Outro vigário).

(Fides - organismo oficial da Pontifícia Obra da Propagação da Fé, março-abril de 1936, p. 51).

Arquivo: diocese de Banguela
Arquivo: diocese de Banguela

Seminaristas em Banguela, Angola

“Todos os bispos, como membros do corpo epis- copal, sucessor do Colégio apostólico, são consagrados não só em benefício duma diocese, mas para salvação de todo o mundo. O mandato de Cristo de pregar o Evangelho a toda a criatura afeta-os, primária e imedia- tamente a eles, com Pedro e sob Pedro” (Ad gentes, 38). Imaginem a situação de um reitor, de um bispo ou de um administrador diante da necessidade de fechar as portas a jovens generosos que se apresentam, dis- poníveis para o serviço sacerdotal. Nós gostamos de nos chamar “Igreja missionária”. Por que então somos tão lentos em promover a ajuda mútua necessária para resolver ou, pelo menos, ame- nizar este problema?

Pe. Sávio Corinaldesi, SX, é secretário nacional da Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo.

Ajuda aos seminários no mundo

Para termos uma ideia de como andam as coisas, fomos consultar o livro “A cooperação missionária pontifícia e a solidariedade entre as Igrejas - 2011/2012”, no qual está registrado o movimento financei- ro das POM. Escolhemos, aleatoriamente, alguns seminários de cada continente e examinamos o montan- te dos subsídios repassados em 2012 pela Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo.

Diocese

Seminário

Alunos

Subsídio US$

US$ por aluno/ano

Bujumbura (Burundi)

Maior

118

76.285

646,00

Menor

224

27.759

124,00

Cotonou (Benin)

Maior

137

87.039

635,00

Menor

49

6.982

142,00

Esmeraldas (Ecuador)

Maior

38

23.560

620,00

Menor

23

4.151

180,00

Bluefields (Nicaragua)

Maior

30

13.500

450,00

Menor

33

5.956

180,00

Noumea (Oceania)

Menor

45

8.550

190,00

Suva (Oceania)

Maior

62

8.000

129,00

Bangkok (Thailândia)

Menor

125

18.750

150,00

Maior

123

72.500

599,00

Calcutá (Índia)

Maior

193

120.184

622,00

SIM

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Pontifícia União Missionária

Formação missionária para seminaristas e presbíteros

O papa Francisco vem insistindo para que se co- loque todas as atividades de evangelização em chave missionária. Ele quer uma Igreja em saída (EG 20). Nes- sa tarefa, os presbíteros são lideranças fundamentais. Fundada pelo bem-aventurado padre Paulo Man- na, em 1916, a Pontifícia União Missionária tem por finalidade “educar a sensibilização missionária dos sa- cerdotes, dos seminaristas, dos membros dos Institu- tos masculinos e femininos de vida consagrada e das sociedades de vida apostólica, e dos seus candidatos, bem como dos missionários leigos comprometidos com a missão universal” (Cooperatio Missionalis, n. 4). Vários documentos da Igreja recordam que a Missão deve estar no coração e na vida do presbítero, para que este deixe transparecer, em tudo, a natureza mis- sionária da Igreja em uma dimensão universal. Para isso, é importante aprimorar o estudo da teologia e da espiritualidade da missão e cultivar a sensibilidade mis- sionária com uma prática evangelizadora aproximativa, inculturada e com horizonte universal. Na 31ª Assembleia do Conselho Missionário Na- cional (Comina), realizada nos dias 04 a 06 de abril, houve o relato dos coordenadores dos Conselhos Missionários Regionais (Comires) e bispos referenciais para a Missão nos Regionais, sobre o que é realiza- do com relação aos estudos acadêmicos e à formação missionária dos seminaristas e presbíteros. Consta- tou-se que alguns regionais e dioceses promovem for- mações e experiências missionárias com seminaristas. Muitos contam com o Conselho Missionário de Semi- nários (Comise), mas ainda é necessário maior organi- zação e articulação.

Arquivo: Comire NE 3
Arquivo: Comire NE 3

Formise em Salvador (BA), abril de 2014

No Brasil, compete aos Conselhos Missionários diocesanos e regionais programar as principais ativi- dades de formação, animação e cooperação missioná-

ria. A Obra da União Missionária procura somar forças com esses organismos em iniciativas de formação e na organização dos Comises. A maior dificuldade, contu- do, é chegar aos seminários que ainda não têm Comise.

O Centro Cultural Missionário (CCM), em parceria

com as Pontifícias Obras Missionárias e a Comissão para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada da CNBB, realizará em Brasília (DF), a 7ª Formação Missio- nária para Seminaristas e Jovens Presbíteros (Formise). O curso acontece entre os dias 29 de junho e 05 de ju- lho, com o tema “A alegria do Evangelho e a dimensão

ministerial da missão”. Participam seminaristas a partir do 3º ano de filosofia, diocesanos e religiosos, e pres- bíteros com menos de 10 anos de ordenação.

A iniciativa faz parte do esforço para que aconteça,

efetivamente, uma formação missionária mais aprofun- dada nos seminários do Brasil, em vista da realização do 2º Congresso Missionário Nacional de Seminaris- tas, previsto para julho de 2015.

Nacional de Seminaris- tas, previsto para julho de 2015. Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, é secretário

Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, é secretário nacional da Pontifícia União Missionária.

Formas de colaboração Colaboração anual R$20,00 cada assinatura por BOLETO BANCÁRIO QUANTIDADE por DEPÓSITO
Formas de colaboração
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O SIM (Serviço de Informação Missionária) é
um boletim produzido pelas Pontifícias Obras
Missionárias com publicação trimestral
Telefone: (61) 3340-4494
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2014

ProjetosMissionários

Em suas atividades de animação e cooperação, as

Pontifícias Obras Missionárias (POM) apoiam diversos

projetos pastorais e sociais no Brasil e no exterior, onde trabalham missionários brasileiros. A cooperação é

possível graças a doações espontâneas que as POM recebem e canalizam para essa finalidade. Nesse serviço,

contamos com a solidariedade de muita gente.

serviço, contamos com a solidariedade de muita gente. Você também quer ajudar os projetos missionários?
serviço, contamos com a solidariedade de muita gente. Você também quer ajudar os projetos missionários?

Você também quer ajudar os

projetos missionários?

Deposite qualquer quantia na conta*

Pontifícias Obras Missionárias - Banco do Brasil Agência: 3413-4 - Conta Poupança: 510.200.293-3

a direção das pom agradece sua generosidade!

510.200.293-3 a direção das pom agradece sua generosidade! mais informações: (61) 3340 4494 – e-mail:

mais informações:

(61) 3340 4494 – e-mail: pom@pom.org.br

*Essa conta é exclusiva para receber as doações aos projetos missionários, portanto, sem vínculo com as ofertas do Dia Mundial das Missões. Confiamos na sua solidarieda- de, por meio da oração e ajuda, durante todo o ano.

Sem a missão ad gentes , a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada do
Sem a missão ad gentes , a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada do
Sem a missão ad gentes , a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada do

Sem a missão ad gentes, a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada do seu significado fundamental e do seu exemplo de atuação.

São João Paulo II,

RM 34

Papas Missionários Santos

ão J oão P aulo II , RM 34 Papas Missionários Santos O mundo todo é
ão J oão P aulo II , RM 34 Papas Missionários Santos O mundo todo é

O mundo todo é a minha família. Esse senso de pertença universal deve dar tom e vivacidade à minha mente, ao meu coração, às minhas ações.

pertença universal deve dar tom e vivacidade à minha mente, ao meu coração, às minhas ações.

São João XXIII