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SISTEMA FAESA DE EDUCAÇÃO

FACULDADES ESPIRITO SANTENSES

UNIDADE DE CONHECIMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

CURSO DE JORNALISMO

GIULIANA DIAS GOMES

ROCK UNDERGROUND CAPIXABA

VITÓRIA

2015

GIULIANA DIAS GOMES

ROCK UNDERGROUND CAPIXABA

Trabalho apresentado ao Curso de Graduação em- Jornalismo da Associação Educacional de Vitória, como requisito para obtenção de nota parcial na disciplina de Planejamento de Projetos Experimentais, sob a orientação da Professora Marilene Mattos.

VITÓRIA

2015

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

3

2 OBJETO DE PESQUISA

4

3 OBJETIVOS DA PESQUISA

4

3.1 OBJETIVO GERAL

4

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

4

4 JUSTIFICATIVA

5

5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

6

5.1 ROCK CAPIXABA

6

5.2 VÍDEO DOCUMENTÁRIO

8

6 METODOLOGIA

10

7 ORÇAMENTO

11

8 CRONOGRAMA

12

9 REFERÊNCIAS

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1 INTRODUÇÃO

O Rock Underground Capixaba não é apenas aquele movimento onde pessoas

se vestem de preto e escutam rock pesado, ele é além de tudo um movimento que luta pela liberdade e pela justiça social. Apesar de não parecer, esteve muito presente em nossa cultura até o início dos anos 2000.

Na década de 80, por exemplo, enquanto o samba de gafieira explodia no Rio de Janeiro, era o rock que tomava conta do Espírito Santo, com casas de shows próprias e apresentações em praças. Foi a partir desse estilo, que os músicos capixabas em geral, tiveram ideias de seguir carreira independente e criando seus próprios selos.

Mas foi no período de 90 a 2000 que esse estilo musical ganhou peso. Após o primeiro Rock In Rio e as turnês de grandes bandas nacionais aqui em solo capixaba, que o estado virou o “reduto dos camisas-preta”. Estourou bandas como Dead Fish, Mukeka di Rato, Thor, Lordose pra Leão, não deixando de fora as bandas Casaca e Manimal que são da mesma época e foram parceiros nessa fase crescimento do rock.

O vídeo-documentário, que tem como referência principal no livro Rockrise A

história de uma geração que fez barulho no Espírito Santo de José Roberto Santos Neves que conta a história dos rockeiros da década de 80, tem o objetivo de dar continuidade a essa história, mas contando relatos dos rockeiros de 90 a 2000. Desde o início da carreira, até a mudança de estado e o rompimento da banda (que é o caso da grande maioria).

Palavras-chave: Vídeo-documentário; rock capixaba; underground

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OBJETO

A proposta principal dessa pesquisa é mostrar uma história que poucos

conhecem: como o rock underground começou no Espírito Santo, e como ele tem evoluído e se mantido. Para isso, será feito um vídeo documentário baseado em relatos dos músicos pioneiros nessa época, como as bandas Dead Fish, Lordose pra Leão e Thor.

Um dos objetivos é mostrar principalmente para o público jovem, não só do Espírito Santo, parte da nossa cultura que é muitas vezes esquecida no meio de tantas novidades. Outro objetivo é reforçar junto com os movimentos culturais dessa vertente (Rotativo Independente, Undercapix, Tarde no Bairro e Rock na UFES) e casas undergrounds (Bar do Gilson e Correria Music Bar por exemplo), que apesar de meio escondido, o rock underground ainda agrega muitas pessoas.

Underground é um movimento "único", com as chamadas bandas de garagem que não fazem tanto sucesso no meio social. Suas letras em sua maioria falam

de movimentos sociais, posições políticas, situações cotidianas e liberdade de

expressão. No caso do rock, o público tem gosto musical bem seleto e estilo

alternativo.

3 OBJETIVOS DA PESQUISA

3.1 OBJETIVO GERAL

Documentar em audiovisual a história do rock underground capixaba para os próprios capixabas e para os outros estados que possuem um forte cenário como esse.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Produzir um documentário audiovisual

Contar a história do rock underground capixaba através da história oral

Fazer um levantamento histórico sobre o cenário underground capixaba

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JUSTIFICATIVA

O Rock Underground Capixaba, tema escolhido para o meu Trabalho de Conclusão de Curso, faz parte da minha vivência pessoal e profissional. Falar sobre a história desse movimento alternativo e sobre o estilo de vida desses músicos será a realização de um sonho. E o produto vem exatamente para exemplificar em forma de depoimentos essa vertente cultural do Espírito Santo. Este será um dos poucos materiais que contam a história do rock undergroung capixaba do estado. Pretendo não só levá-lo como promoção do meu nome, mas principalmente para divulgar essa ideia para os capixabas e também para outros estados. A pesquisa fará um resgate de uma história pouco connhecida e não muito documentada que tem relação com movimentos sociais ligados à liberdade de expressão, liberdade política e problemas mundiais. Assuntos muito presentes nas letras desses artistas, como a música “Tão Iguais” da banda Dead Fish, que da um grito de alerta para a impunidade e cita casos como Araceli e Ana Angélica que até hoje não foram solucionados. Pode se observar, que apesar da rica cultura capixaba, em muitos locais ela é apenas conhecida pela “moqueca capixaba” e pelo ritmo do congo. E um fator para essa restrição é, por exemplo, a falta de artistas capixabas no meio nacional. Em relação ao rock underground, sabemos que estilos musicais mais pesados não são agradáveis em todos os lugares, mas independente da música, o conhecimento da cultura local é sempre bem vindo para o enriquecimento do indivíduo. A escolha de um vídeo-documentário é por ser um meio onde se pode fazer a construção de um roteiro bem dinâmico, juntando sonoras, imagens e feitos sonoros para compor a narrativa. A união bem trabalhada desses elementos pode ser mais atrativa e menos cansativa para o receptor. Além disso, o próprio tema pede muitas imagens representativas.

5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

5.1 ROCK CAPIXABA

Não se sabe ao certo quando esse estilo musical chegou ao Brasil e mais especificamente ao Espírito Santo, mas segundo relatos e pesquisas feitos por José Roberto Santos Neves no seu livro Rockrise A história de um a geração que fez barulho no Espírito Santo (2012), foi na década de 60 que o rock começou a ter um maior reconhecimento aqui no estado. Mas foi em 80, que

como ele mesmo diz, o Espírito Santo era apenas de metaleiros. Também surgiram os primeiros bares de rock’n roll do estado e bandas de sucesso entre

os jovens da época.

Enquanto a juventude dourada cantava os hits da “Radioatividade” da Blitz, Vitória engatinhava em matéria de rock. Havia uma galera interessada em comprar discos do gênero, mas contava-se nos dedos as bandas autorais dirigidas a esse público. (NEVES, 2012, p. 82)

Entender a história do rock capixaba não é muito difícil. Hoje apesar de o movimento estar meio escondido entre tantas outras vertentes culturais como o congo, a culinária o reggae, ainda possui um público muito fiel e antigo, que, hoje na maioria das vezes, se reúne especificamente em um lugar: Correria Music Bar, em Vila Velha.

Apesar do público fiel, a melhor maneira de adentrar nessa história, é buscar quem mais viveu esses momentos e fez a mudança da cena, que são os músicos. A partir da década de 90, inspirados nas bandas anteriores, outros jovens montaram suas bandas e se alinharam aos outros estados para levar seu som. Como é o caso das bandas Dead Fish e Mukeka di Rato, bandas capixabas conhecidas nacionalmente.

a partir dos anos 90, os independentes encontram condições

favoráveis para se desenvolverem e se estabelecerem em meio a um mercado promissor, que se articula em grandes e pequenos produtores fonográficos e a modos diferenciados de divulgar e comercializar seus

produtos culturais utilizando a internet. (BRAVIN, 2008, p.99)

] [

O rock é um estilo muito próprio, busca diferentes oportunidades de mostrar

seu som, inclusive com a criação de selos para a autopromoção. Esse estilo

veio também para enriquecer musicalmente o Espírito Santo.

De acordo com Bravin (2012) o que muito influenciou o rock brasileiro e capixaba, foi o Rock in Rio, que ajudou no “surto” de bandas a partir de 1985. Dentre elas estão as lendárias Thor (primeira banda heavy metal do Espírito Santo), Pó de Anjo e Phoenix por exemplo. Na década seguinte, esse movimento baseado no Rock In Rio, ganhou o ganhe incentivo da Lei Rubem Braga criada em 1992.

5.2 VÍDEO DOCUMENTÁRIO

De acordo com Bill Nichols no livro Introdução ao Documentário, todo filme é um documentário. No caso do produto resultado dessa pesquisa, o documentário será de “representação social”, já que será um conjunto de depoimentos formando uma história verídica sobre o rock underground capixaba. O principal objetivo desse tipo de documentário é retratar a realidade, através de relatos, imagens fotográficas e depoimentos, vindos de pesquisas sobre o tema que será desenvolvido no vídeo documentário. Ainda segundo o mesmo autor (2005, p.29) “literalmente os documentários dão-nos a capacidade de ver questões oportunas que necessitam de atenção. Vemos visões (fílmicas) do mundo.

Num outro ponto, ainda segundo Nichols, os documentários vão além da representação do real. Estão totalmente ligados a representação de interesses de um determinado grupo da sociedade, sendo para a promoção dos mesmos. A terceira abordagem é a defesa do tema e do grupo envolvido com o tema. Como a representação do rock underground através de depoimentos feitos por rockeiros de bandas das décadas de 90 aos anos 2000.

O vídeo documentário deve respeitar as fronteiras de tempo e espaço determinados pelo assunto abordado, sem fugir da ética que nos orienta no tratamento com os entrevistados e com o público receptor, peça fundamental para o bom desenvolvimento do documentário.

Uma das sugestões de Nichols é a utilização do “eu” durante o documentário, onde o depoente consegue passar mais claramente as emoções do momento e o receptor se participante da história contada.

A ênfase pode se transferir da tentativa de persuadir o público de um determinado ponto de vista ou enfoque para um problema para a representação de uma opinião pessoal, claramente subjetiva. (NICHOLS, 2005, p.41)

Assim como o produto dessa pesquisa, o documentário vai falar para “nós”, que segundo Nichols, é a melhor forma de chamar o público para assistir. Sendo que quem o assiste, de alguma forma precisa daquela informação ou viveu aquela história. Assim, alcançando um nível maior de intimidade com o público.

Diante dessas estruturas, pressupõe-se que o documentário supre a relação da representação da realidade, pois deve ser verdadeiro e autentico. Como o documentário sobre a história do rock underground capixaba, que vem através de depoimentos sobre a vivência dos músicos, contar essa história.

Já Da-Rin (2004, p5) acredita que um documentário tem uma diversidade muito grande, e por isso, é muito difícil criar gêneros para ele. O documentário veio para contrapor o cinema, ou seja, de início era um mecanismo para promover a cidadania, segundo o mesmo autor (p. 37), “e o método do documentário bem pode ser descrito como o nascimento do cinema criativo”.

Ainda levando em conta o peso de cidadania de um documentário, Da-Rin afirma:

“Tratava-se de descobrir na própria realidade os esquemas dramáticos, os modelos capazes de sensibilizar corações e mentes do homem moderno. E, afinal, agenciar estes modelos segundo uma finalidade, corolário de um projeto de cidadania instruída e ativa.” (2004, p.42)

Ou seja, assim como o documentário que Da-Rin cita, o meu produto tem a finalidade de descrever para a população capixaba, mais uma parte da nossa rica cultura através de histórias reais.

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METODOLOGIA

Para a construção desse projeto, serão utilizados alguns métodos de forma a ajudarem na organização e desenvolvimento da linha de pensamento da

pesquisa até o objetivo final. Para iniciar o desenvolvimento do produto que será um vídeo documentário que contará a história do Rock Underground Capixaba do período de 90 a 2000, será realizado um levantamento de dados através de pesquisas bibliográficas e estudos de caso. Segundo K. Yin (2001, p.21) esse método vem como esforço de pesquisa, para ajudar na compreensão que temos dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos de acontecimentos contemporâneos. O que exemplifica bem o meu objeto de pesquisa, que é um movimento único. E tem o objetivo de ser bem claro nas questões abordadas que envolvem o cenário Underground Capixaba.

“A preparação para realizar um estudo de caso envolve habilidades prévias do pesquisador, treinamento e preparação para o estudo de caso específico, desenvolvimento de um protocolo de estudo de caso e condução de um estudo de caso piloto. Em relação às habilidades prévias, muitas pessoas acreditam, equivocadamente, ser suficientemente capacitadas a realizar estudos de casos porque pensam que o método é fácil de ser aplicado. Na verdade, a pesquisa de estudo de caso caracteriza-se como um dos tipos mais árduos de pesquisa.” (K. Yin, 2001, p.79)

Após a realização dessa pesquisa, onde foram utilizados livros, documentários e outros trabalhos de conclusão de curso, passamos para a fase de desenvolvimento do produto. Optei por montar o vídeo do documentário descritivo onde ao montar um roteiro, a fala dos personagens nos traz uma sequência de fatos.

Para isso, utilizarei da história oral com entrevista em profundidade o que nos permite através das perguntas, melhor explorar um assunto, além de compreender o passado e gerar discussão, explica Duarte; Barros (2010). Essas entrevistas serão semi-abertas, pois seguirão um roteiro que segundo os mesmos autores (p. 66) “o roteiro exige poucas questões, mas suficientemente amplas para serem discutidas em profundidade sem que haja interferências entre elas ou redundâncias”. Sendo assim, por mais que a entrevista seja conduzida pelo entrevistado, todas as respostas se ajustam no roteiro do pesquisador. Esse método é classificado por Da-Rin (2004) no livro Espelho

Partido como “narratividade documentária”.

Duarte e Barros (2010) exemplificam o papel da entrevista em profundidade em um trabalho de pesquisa:

A entrevista em profundidade é um recurso metodológico que busca, com base em teorias e pressupostos definidos peio investigador, recolher respostas a partir da experiência subjetiva de uma fonte, selecionada por deter informações que se deseja conhecer. Desta maneira, como na análise de Demo (2001, p.10) sobre pesquisa qualitativa, os dados não são apenas colhidos, mas também resultado de interpretação e reconstrução pelo pesquisador, em diálogo inteligente e crítico com a realidade.” (p. 62)

Dentro do curso de Comunicação Social Jornalismo, esses métodos e técnicas foram estudados durante as matérias de Linguagem Audiovisual, Arte em Comunicação, Fotografia, Telejornalismo I e II e Teorias da Comunicação. Todas essas disciplinas envolvidas farão com que o vídeo documentário comunique-se por si só, e atinja o maior número de receptores possíveis.

7 ORÇAMENTO

Para organizar o investimento de produção deste projeto houve a necessidade da criação desta planilha. Nela segue informações e a média de valores para a confecção do trabalho.

ORÇAMENTO

VALOR

Livros para consulta

R$ 100,00

Revisor de texto

R$ 150,00

Material para a banca

R$ 300,00

Coleta de dados (TVE)

R$ 70,00

TOTAL

R$ 620,00

8 CRONOGRAMA

ATIVIDADES

JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

Levantamento bibliográfico Leitura e fichamento das obras Coleta de dados Elaboração do roteiro Entrevistas
Levantamento
bibliográfico
Leitura
e
fichamento
das obras
Coleta
de
dados
Elaboração
do roteiro
Entrevistas
Decupagem
Redação
do
memorial
Edição
das
imagens
Revisão
do
texto
e
das
imagens
Entrega
do
TCC
Apresentação

9 REFERÊNCIAS

BERNARD, Sheila Curran. Documentário Técnicas para uma Produção de Alto Impacto. Campus Elsevier, 2008.

BRAVIN, Adriana. Congopop Mídia, Música e Identidade Capixaba. Vitória, Espírito Santo, 2008.

CANAL BIS.

Do

Underground

ao

Emo.

Disponível

em:

DA-RIN, Silvio. Espelho Partido: Tradição e transformação do documentário. Rio de Janeiro, Azougue, 2004

GAUTHIER, Guy. O Documentário Um outro cinema. 2011

K. YIN, Robert. Estudo de Caso Planejamento e Métodos. 2.ed. -Porto Alegre: Bookman, 2001

LINS, Consuelo. O Documentário de Eduardo Coutinho Televisão, Cinema e Vídeo. 2004

LUCENA, Luiz Carlos. Como fazer documentários: conceito, linguagem e prática de produção. São Paulo: Summus, 2012.

MIRANDA, Michele. Rock nacional vira raridade no rádio e volta para o

21 fev. 2015

MIX TV. Doc Mix 1 - Hardcore "Geração 2000. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=kSezgtcO10Q. Acesso em: 21 fev. 2015 MUGNAINI, Ayrton Jr. Breve História do Rock. 2007

NEVES, José Roberto Santos. Rockrise A história de uma geração que fez barulho no Espírito Santo. Vitória. 2012

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. MARTINS, Mônica Saddy. Mônica Saddy Martins. 5. ed. São Paulo: Papirus, 2005

PUCCINI, Sérgio. Roteiro de Documentário: Da pré-produção à pós produção. 2. ed. São Paulo: Papirus, 2009

RAMOS, Fernão Pessoa. A cicatriz da tomada: documentário, ética e imagem intensa. In.: Teoria contemporânea do cinema - volume II. São Paulo: Editora Senac São. Paulo, 2005.

ROCK TOGETHER STÚDIO. Rock Together Sessions | Dead Fish.

21 fev. 2015

SHUKER, Roy. Vocabulário de Música Pop. São Paulo: Hedra, 1999.