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DIREITO CIVIL: ANALISTA JUDICIÁRIO – TRT/RJ (1ª REGIÃO) PROFESSOR LAURO ESCOBAR

AULA 03

FATOS JURÍDICOS

(Primeira Parte)

Itens específicos previstos no edital e que serão abordados nesta

aula: Fatos e Atos Jurídicos (1ª Parte). Prescrição e Decadência.

Subitens: Ato Jurídico. Conceito. Classificação. Aquisição. Resguardo. Modificação. Extinção de Direitos. Fato Natural. Prescrição. Conceito. Disposições Gerais. Efeitos. Causas que impedem, suspendem e interrompem a Prescrição. Prazos Prescricionais. Decadência. Conceito. Disposições Gerais. Espécies de Decadência. Efeitos. Prazos Decadenciais.

Legislação a ser consultada →→→ Código Civil: arts. 189 a 211.

Caros Amigos e Alunos.

Como vimos, uma relação jurídica é formada por três elementos:

a) Elemento Subjetivo: são as pessoas envolvidas; os sujeitos de direito e suas relações. O sujeito ativo é o titular do direito oriundo da relação. O sujeito passivo é aquele sobre o qual recai um dever decorrente da obrigação assumida pela relação e que deve respeitar o direito do sujeito ativo.

b) Elemento Objetivo: é o objeto do direito; o bem jurídico pretendido pelo sujeito ativo. Divide-se em objeto imediato, que é a prestação (a obrigação de dar, fazer ou não fazer) e objeto mediato (o bem em si: móvel

ou imóvel, divisível ou indivisivel, fungível ou infungível, etc.).

Este ponto

não foi exigido em nosso edital.

c) Elemento Imaterial: é o vínculo que se estabelece entre os sujeitos e os bens. Este é o FATO JURÍDICO. É o fato propulsor idôneo à produção de consequências jurídicas. Será o ponto desta e da próxima aula. Vejamos.

Toda relação jurídica possui um ciclo vital: nasce, se desenvolve, pode ser conservada, modificada ou transferida e se extingue. Há sempre um fato que antecede o surgimento de um direito subjetivo.

Fato, portanto, é um evento, um acontecimento.

O tema “Fatos, Atos e Negócios Jurídicos” deve ser visto bem devagar. Por isso, o desmembramos em duas aulas. Esta primeira é introdutória. Costumo fazer isso também nas aulas presenciais. Primeiro dou essa parte teórica. Os alunos, de uma forma geral, não gostam muito dessa primeira parte do tema. Mas ela é imprescindível. Por isso vou tentar torná-la mais

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Falaremos hoje sobre alguns conceitos, classificações, e,

principalmente da prescrição e da decadência. Na realidade este será o ponto central da aula. Depois, na próxima aula, passaremos para uma parte mais dinâmica, onde veremos o Negócio Jurídico e seus elementos constitutivos, além da ineficácia (nulidade e anulabilidade) do Negócio Jurídico.

Comecemos, então

agradável

Podemos afirmar que Fato é um acontecimento. No entanto, os fatos podem ser classificados. Há fatos que não interessam ao Direito. A doutrina os chama de “fatos comuns, ou meramente materiais ou ajurídicos”. São os acontecimentos naturais ou as condutas humanas, cuja ocorrência não traz o potencial de repercutir na ordem jurídica. Exemplo: quando uma pessoa passeia por um jardim, está praticando um fato comum, que não sofre a incidência do direito. Porém, se essa pessoa que está passeando comprar um saco de pipocas, alugar uma bicicleta ou pisar sobre o gramado, causando danos à vegetação ou mesmo alimentar os animais em um zoológico (condutas consideradas como proibidas), tais fatos passarão a interessar ao direito, causado repercussões.

Portanto, para que um acontecimento seja considerado como fato jurídico é necessário que esse acontecimento, de alguma forma, cause algum reflexo no âmbito do direito. Seja este reflexo lícito ou ilícito. Observem a seguinte classificação:

Fato Comum Ação humana ou fato da natureza que não interessa ao Direito (por isso, não será objeto do nosso estudo).

Fato Jurídico (em sentido amplo – lato sensu) Acontecimento ao qual o Direito atribui efeitos e relevância jurídica. Ex.: um contrato de locação é um fato jurídico (na verdade ele é mais do que isso; é um negócio jurídico), pois tanto o locador, como o locatário assumem compromissos e ficam vinculados um ao outro. Deste vínculo surgem efeitos, ou seja, reflexos no campo do direito (direitos e deveres para ambas as partes). Vamos agora conceituar os fatos jurídicos:

Acontecimentos previstos em norma de direito, em razão dos quais nascem, se modificam, subsistem e se extinguem as relações jurídicas.

subsistem e se extinguem as relações jurídicas. Para efeito de memorização dos elementos do fato

Para efeito de memorização dos elementos do fato jurídico, costumo usar a expressão A.R.M.E. (Aquisição, Resguardo, Modificação e Extinção) de Direitos. Vejamos:

Aquisição de Direitos É a conjunção dos direitos com seu titular. Ocorre a aquisição de um direito com a sua incorporação ao patrimônio e à personalidade do titular. Dessa forma, surge a propriedade quando o bem se subordina a seu titular. Ex.: quando eu acho um livro abandonado (e não perdido) ou quando eu compro um automóvel de um amigo, eu me torno proprietário destes bens; adquiri direitos sobre eles. Os direitos podem ser adquiridos de forma:

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a) Originária o direito nasce no momento em que o titular se apossa ou se apropria de um bem de maneira direta, sem a participação de outra pessoa; não há existência objetiva anterior ou mesmo que a tivesse, não há uma transmissão pelo seu titular. Ex.: pescar um peixe em alto-mar, achar uma coisa abandonada, usucapir um terreno, etc.

b) Derivada ocorre quando há uma transmissão do direito de propriedade, existindo uma relação jurídica entre o anterior e o atual titular. Ex.: quando eu vendo um carro ou uma casa a propriedade do bem passa de uma pessoa para outra, daí ser considerada como derivada; outro exemplo é a aquisição de direitos pelos herdeiros. Lembrando que o direito é adquirido com todas as qualidades e defeitos do título anterior.

A aquisição ainda se classifica em:

c) Gratuita quando não há uma contraprestação na aquisição. Ex.:

uma pessoa adquire um bem por uma doação; neste caso não há uma contraprestação nesta doação; o mesmo pode ocorrer quando se recebe um bem por herança.

d) Onerosa quando há uma contraprestação na aquisição. Ex.: a pessoa adquire o bem por meio de uma compra e venda se por um lado recebeu o bem, por outro lado pagou por este bem, havendo, portanto uma contraprestação na aquisição; o mesmo ocorre em uma troca ou na locação.

Resguardo de Direitos (proteção ou defesa) São atos praticados pela pessoa que servem para proteger os seus direitos. Ou seja, o titular de um direito deve praticar atos conservatórios, preventivos (garantindo o direito contra futura violação) ou repressivos (são os que visam restaurar eventual direito violado). Costuma-se dizer que não pode haver direito subjetivo sem a correspondente proteção. Ex.: direito de retenção: uma pessoa possui um bem

(que não é seu, mas está de boa-fé nesta posse, ou seja, acredita que a coisa

é sua) e realiza neste bem benfeitorias necessárias (conserto dos alicerces ou

do telhado da casa) ou úteis (construção de garagem); posteriormente o real proprietário move uma ação contra o possuidor de boa-fé e ganha a ação; o possuidor deve ir embora; mas realizou benfeitorias, devendo ser indenizado; se a outra parte não a indenizar, ela pode reter o bem até que seja indenizada pelas benfeitorias (art. 1.219, CC). Outros exemplos: arresto que é a apreensão judicial de coisa litigiosa ou de bens para a segurança da dívida; sequestro que é o depósito judicial da coisa litigiosa para garantia do direito; protesto, etc. Há, também, a defesa preventiva:

necessário ingressar em juízo: quando se estabelece uma cláusula penal em um contrato (trata-se da multa contratual) o que se quer na verdade é estabelecer uma garantia para o cumprimento deste contrato. Outros exemplos: o sinal (também chamado de arras) que é um adiantamento da quantia que será paga também para garantir o cumprimento da obrigação; a fiança, que serve para garantir o pagamento da dívida (se o devedor principal não pagar a dívida, o credor pode acionar o fiador), etc.

ser

a)

Extrajudicial

são

hipóteses de

defesa

de direitos

sem

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b) Judicial são as ações judiciais para proteção de direitos. Recorre-se à autoridade judicial competente para restabelecer um direito já violado ou para proteger um direito ameaçado. Lembrando que para a propositura de uma ação judicial é necessário ter um interesse legítimo (econômico ou moral). Ex.: Mandado de Segurança (que visa proteger um direito líquido e certo); Interdito Proibitório (que é uma ação possessória, que visa proteger uma pessoa de eventuais ameaças a sua posse), etc.

proteger uma pessoa de eventuais ameaças a sua posse), etc. Lembrem-se do brocardo : “ A

Lembrem-se do brocardo: “A todo Direito corresponde uma Ação que o assegura”. Se houver ameaça ou violação a um direito subjetivo, este

será protegido por meio de uma ação judicial (art. 5°, XXXV, CF/88 “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”). Imaginem o seguinte exemplo: sabemos que “todo cidadão tem o direito de ir, vir e permanecer”. Esse é um Direito que temos; dizemos que este é um

direito material. Agora

em flagrante, sem ter um motivo plausível para esta prisão? É o famoso “teje preso”. O que você faria?? Com certeza você entraria com um Habeas Corpus!!! Ora, o Habeas Corpus é uma Ação. Assim, nós temos um Direito (no caso o direito de locomoção, de ir, vir e permanecer)! Violado este Direito, surge a Ação (no caso o Habeas Corpus)! Prevê o art. 5°, LXVIII, CF/88:

e se uma autoridade policial diz que você está preso

“conceder-se-á habeas-corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”.

O mesmo pode ocorrer com uma propriedade. Eu comprei um sítio. Paguei por ele. Tenho a escritura e o registro. Portanto é meu, eu tenho direito de propriedade. Mas alguém invadiu a minha propriedade. O que eu posso

no caso Ação de Reintegração de

fazer? Com certeza entrarei com uma ação

Posse. Portanto, voltando e reforçando a ideia uma ação”.

“a todo direito corresponde

Ação é o meio que o titular do direito dispõe para obter a atuação do Poder Judiciário, no sentido de solucionar litígios relativos a interesses jurídicos (art. 3° do Código de Processo Civil “Para propor ou contestar uma ação é necessário ter legítimo interesse econômico ou moral” – neste sentido a Súmula 409 do Supremo Tribunal Federal).

Sabemos que no Brasil nós não podemos fazer “justiça pelas próprias mãos”, sob pena até de cometermos um crime (exercício arbitrário das próprias razões – art. 345, Código Penal). Se uma pessoa me deve seis meses de aluguel eu não posso ir até sua casa, lhe dar uns ‘tabefes’ e exigir o pagamento devido ou simplesmente colocá-la no ‘olho da rua’. Não! O correto é ingressar com uma ação de despejo por falta de pagamento e requerer também o pagamento dos aluguéis atrasados. No entanto, admite-se, excepcionalmente, a autodefesa ou autotutela de um direito, como no caso da legítima defesa da posse (art. 1.210, §1°, CC), do penhor legal, etc.

sofrer

modificações em seu conteúdo (objeto) ou em seus titulares, sem que haja alteração em sua substância. A modificação do direito pode:

Modificação

de Direitos (transformação)

→→→ Os

direitos

podem

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a) Objetiva: atinge a qualidade ou quantidade do objeto ou o conteúdo da relação jurídica. Ex.: o credor de uma saca de feijão aceita o equivalente em dinheiro; uma pessoa está devendo uma quantia em dinheiro e o credor aceita um terreno em substituição.

b) Subjetiva: substituição de uma das pessoas (sujeito ativo ou passivo) envolvidas na obrigação, podendo ser inter vivos (contrato) ou causa mortis. Ex.: testamento – morrendo o titular de um direito este se transmite aos seus sucessores. Outros exemplos: desapropriação, venda de um bem, etc. Alguns autores afirmam que a transmissão dos direitos seria um quinto elemento do Fato Jurídico. Devemos lembrar que há direitos que não comportam modificação em seu sujeito por serem personalíssimos (também chamados de intuitu personae).

Extinção de Direitos →→→ quando sobrevém uma causa que elimina os seus elementos essenciais. Notem que o perecimento deve ser total. Se for parcial, o direito persiste sobre o remanescente desta parte. Se a extinção puder ser atribuída a alguém, este será o responsável pelos prejuízos, devendo ressarci- los. Vejamos os principais exemplos de extinção dos direitos (entre outros):

Perecimento do objeto (ex.: anel que cai em um rio profundo e é levado pela correnteza) ou perda das qualidades essenciais do objeto (ex.:

campo de plantação invadido pelo mar).

Renúncia: quando o titular de um direito, dele se despoja, sem transferi-lo a quem quer que seja; ele abre mão de um direito que teria (ex.:

renúncia à herança).

Abandono (ou derrelição): intenção do titular de se desfazer da coisa não querendo ser mais seu dono (ex.: jogar um par de sapatos velho no lixo).

Alienação: que é o ato de transferir o objeto de um patrimônio a outro, de forma onerosa (compra e venda) ou gratuita (doação).

Falecimento

isso,

do

titular,

sendo

direito

personalíssimo,

e

por

intransferível.

Confusão: numa só pessoa se reúnem as qualidades de credor e devedor.

Prescrição

ou

decadência:

analisaremos

nesta

aula

de

forma

mais

pormenorizada.

Com isso encerramos esta parte bem introdutória sobre os elementos do fato jurídico.

Vejamos agora a CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS JURÍDICOS. O quadro abaixo nos dará uma visão geral sobre o tema, sendo de extrema importância.

FATO

A) COMUM →→→ acontecimento sem repercussão no Direito.

B) JURÍDICO →→→ acontecimento ao qual o Direito atribui efeitos (A.R.M.E.).

I. FATO JURÍDICO NATURAL (Fato Jurídico em Sentido Estrito ou Stricto Sensu) não há manifestação da vontade humana. Divide-se:

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1. Ordinários: são os que normalmente acontecem (previsíveis), produzindo efeitos jurídicos relevantes: nascimento, maioridade, morte (por causas naturais), aluvião (art. 1.250, CC), avulsão (art. 1.251, CC), decurso de tempo (como a prescrição e a decadência), etc.

2. Extraordinários: são os chamados “caso fortuito” ou “força maior” (imprevisíveis); mesmo assim têm importância ao direito, por excluírem, como regra, a responsabilidade: desabamento de prédios em virtude de um terremoto, incêndio de uma fábrica em razão de um raio, naufrágio de um navio em virtude de um maremoto, etc.

II. FATO JURÍDICO HUMANO (ou simplesmente ATO) →→→ é o acontecimento que conta com a participação humana. Abrange tanto os atos lícitos como os ilícitos. Veremos este tema na próxima aula, de forma mais detalhada. Por enquanto, é importante que se saiba:

1) ATO LÍCITO (também chamado de ato jurídico em sentido amplo ou ato jurídico voluntário):

a) Ato Jurídico em Sentido Estrito (stricto sensu): há a participação humana, mas os efeitos são os impostos pela lei e não pelas partes interessadas (ex.: reconhecimento de filho, fixação de domicílio, abandono, ocupação). Não há regulamentação da autonomia privada.

b) Negócio Jurídico: há a participação humana e os efeitos desta

participação são ditados pela própria manifestação de vontade; os efeitos são os desejados pelas partes (ex.: contrato, testamento, etc.).

Há, portanto, autonomia privada; autorregulação de interesses particulares.

2) ATO ILÍCITO (ou Involuntário): é o praticado em desacordo com a ordem jurídica (arts. 186 e 187, CC). Na realidade, muitas vezes a conduta é voluntária e consciente, havendo a transgressão a um dever jurídico. Entretanto, os efeitos da prática deste ato é que são involuntários. A consequência da prática do ato ilícito é o surgimento do dever de reparar o dano causado. Pode atuar nas seguintes áreas do Direito:

a) Penal: violação de um dever tipificado como crime, pressupondo um prejuízo causado à sociedade; desrespeitado, compromete-se a ordem social (norma de ordem pública); a sanção é pessoal, ou seja, é a pessoa do infrator imputável que irá responder pela conduta (não se transmite a responsabilidade a terceiros).

b) Administrativo: violação de um dever que se tem para com a

administração; a sanção também é pessoal.

c) Civil: violação de um dever contratual ou legal, pressupondo um

dano a terceiro; a sanção é patrimonial, ou seja, atinge o patrimônio do lesante (como regra).

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Atenção Não é raro cair algumas questões sobre a classificação acima.

E isso pode causar certa confusão. Querem um exemplo? Duas indagações

iniciais (respondam sem olhar a classificação): O ato ilícito é um ato jurídico?

O ato ilícito é um fato jurídico?

iremos concluir que o ato ilícito é um fato jurídico (humano), porém não é um ato jurídico!!! Portanto a memorização deste quadro é de grande valia Continuemos.

O primeiro item do quadro que iremos analisar é o Fato Jurídico Natural. A doutrina também o chama de fato jurídico em sentido estrito ou fato jurídico stricto sensu. São expressões sinônimas, mas que costumam cair e confundem

Resposta: observando a classificação acima

Fato Natural é o acontecimento que ocorre independentemente da

vontade

humana,

mas

mesmo

assim pode

produzir

efeitos jurídicos,

criando,

modificando

ou

extinguindo

direitos.

Podem

ser

divididos

ou

classificados em:

1. Ordinários São aqueles que normalmente ocorrem; são previsíveis. Pergunto: o que há de mais certo em nossa vida? – A morte! Ela ocorrerá independente de nossa vontade! E trará uma série de consequências jurídicas. Se por um lado a morte extingue a personalidade de uma pessoa, por outro lado cria inúmeros direitos e obrigações para os sucessores do falecido. Portanto a morte é o exemplo clássico de fato natural. Lógico que estou falando da morte por causas naturais (costumo brincar: “a morte morrida”). Pois um homicídio (brincando ainda: “a morte matada”) é crime, e, portanto, ato ilícito. Outros exemplos de fato jurídico natural ordinário: o nascimento (início da personalidade), a maioridade (cessação da incapacidade), o decurso de tempo que juridicamente se apresente sob a forma de prazo (intervalo de dois termos), a usucapião (matéria que pertence ao Direito das Coisas), além da prescrição e da decadência, etc. Estes últimos temas são importantíssimos e serão analisados de forma autônoma, ainda nesta aula.

2. Extraordinários São causas ligadas ao caso fortuito ou à força maior, onde se configura uma imprevisibilidade e inevitabilidade do evento, além da ausência de culpa pelo ocorrido. Não há uma unanimidade dos autores para se conceituar e diferenciar tais institutos. Para alguns, caso fortuito seria um evento da natureza, imprevisível e inevitável (ex.: uma tempestade, um terremoto, um tsunami, etc.). Já força maior é o que decorre de uma atuação humana imprevisível e inevitável interferindo no ato (ex.: uma greve). Para outros o conceito é exatamente o inverso. Para outros ainda, o caso fortuito decorre de uma causa desconhecida (ex.: explosão de uma caldeira em uma usina) e na força maior conhece-se a causa, que é fato da natureza (ex.: raio que provoca um incêndio). Outros autores tratam ambos os termos como sinônimos. Sílvio Venosa assim leciona: “caso fortuito e força maior são situações invencíveis, que refogem às forças humanas, ou às forças do devedor, impedindo e impossibilitando o cumprimento da obrigação”. Geralmente costuma cair nas provas (especialmente em Direito Civil) as

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expressões “caso fortuito” ou “força maior” e não a situação propriamente dita.

E

quando cai a situação (ex.: um terremoto), basta o aluno saber classificá-la

o

fato como “fato jurídico natural (ou fato jurídico em sentido estrito – stricto

sensu) extraordinário”.

PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA COMO FATO JURÍDICO

As obrigações jurídicas não são eternas. Se eu empresto determinada quantia em dinheiro a uma pessoa eu não posso ficar cobrando esta dívida a vida inteira. Eu tenho um prazo determinado para exigir o cumprimento da obrigação; se não cobrar dentro deste prazo não poderei mais fazê-lo. Assim, para que haja uma tranquilidade na ordem jurídica, fundada na necessidade de estabilidade social, da certeza do direito e de que as relações jurídicas não se prorrogam indefinidamente, surgiram os institutos da prescrição e da decadência. No entanto, como veremos mais adiante, alguns direitos são imprescritíveis (ex.: direito de reconhecimento de paternidade, direito ao nome, alimentos, etc.).

Assim, o decurso do tempo, aliado a inércia do titular do direito, faz

com que a situação de afronta ao direito prevaleça sobre o próprio direito. Ex.:

o

credor de uma dívida em dinheiro, que não recebeu o que lhe é devido, tem

o

direito de ajuizar uma ação para cobrar esta dívida. Mas se ele deixa de

ajuizar a ação cabível, após certo tempo, perde o direito de fazê-lo, consolidando-se uma situação contrária a seus interesses, mas que ocorreu por sua própria culpa; por sua desídia. Há um brocardo em latim, muito conhecido, que diz: dormientibus non succurrit jus (o direito não socorre aos que dormem).

O fundamento primordial dessa proteção a situações consolidadas no tempo (ainda que contrárias ao direito de alguém) é a paz social. Assim, impede-se que esta paz seja perturbada, a qualquer tempo, por quem se sinta lesado em algum direito. Ora, se o próprio interessado não cuidou de defender seus direitos no tempo estabelecido em lei, vamos interpretar esta conduta como uma “renúncia ao direito”, pois ele aceitou de forma inerte a afronta que lhe foi feita. Não se trata de achar este instituto justo ou injusto. Não é esta a preocupação da lei. O que se busca é uma questão de segurança jurídica, de tranquilidade e paz social. Ninguém se veria seguro em seus direitos, se a qualquer tempo pudesse vê-los na contingência de serem contestados por fatos ocorridos há muito tempo.

de serem contestados por fatos ocorridos há muito tempo. Elementos comuns da prescrição e decadência .

Elementos comuns da prescrição e decadência. Os dois institutos são causas extintivas decorrentes do não exercício de um direito em determinado prazo. Requisitos: inércia do titular do direito e decurso de tempo para o exercício desse direito.

Atenção O tema prescrição e decadência é comum a todas as matérias do Direito. O Direito Penal, Administrativo, Tributário, Comercial,

Trabalhista

todas elas tratam do assunto. Lógico que cada matéria possui as

suas peculiaridades. Vamos dar o enfoque apenas sob a ótica do Direito Civil. Se cair uma questão sobre esse tema, observem bem em sua prova, qual

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ramo do Direito está sendo abordado. Reforço: o que vamos falar aqui se refere ao Direito Civil (embora algumas coisas possam ser aproveitadas pelas outras matérias).

Curiosidadecoisas possam ser aproveitadas pelas outras matérias). O Código Civil anterior não mencionava a expressão

O Código Civil anterior não mencionava a expressão decadência. Para ele tudo

” e elencava uma

série de situações. Era a doutrina que analisando item por item daquela relação dizia o que era prescrição e o que era decadência. Mas mesmo assim, não havia um consenso sobre todos os temas. Resumindo: era uma bagunça Hoje a matéria está bem fácil. O Código diz exatamente o que é prescrição e o que é decadência. Ele conceitua ambos os institutos. E menciona as situações e os prazos de um e outro caso. Além disso, ainda existem alguns “macetes de concurso” que facilitam a diferenciação. Vou mencioná-los mais adiante.

I. PRESCRIÇÃO

(arts. 189/206, CC)

era prescrição. Ele possuía um artigo que dizia: “Prescreve

(já vi isso cair isto em alguns concursos recentes)prescrição. Ele possuía um artigo que dizia: “Prescreve Direito Subjetivo é a faculdade que o ordenamento

Direito Subjetivo é a faculdade que o ordenamento reconhece a alguém de exigir de outrem determinado comportamento. Representa a estrutura da relação poder-dever, em que o poder de uma das partes corresponde ao dever da outra. A infração deste dever resulta (nas relações jurídicas patrimoniais) um dano para o titular do direito subjetivo. Por isso, todo direito subjetivo deve (ou deveria) ser protegido por uma ação. No momento em que este direito é violado surge o poder de se exigir do devedor uma ação ou omissão, que permite a composição do dano ocorrido. A doutrina chama este direito de exigir de pretensão.

Pretensão é a expressão utilizada para caracterizar o poder de exigir de outrem, coercitivamente, o cumprimento de um dever. A pretensão é deduzida em juízo por meio de uma ação. Violado um direito nasce para o seu titular a

pretensão. A partir daí surge a possibilidade de se fazer valer em juízo este direito violado e também se inicia a contagem do prazo prescricional. Portanto,

o prazo prescricional só se inicia no momento em que o direito é violado. Havendo violação ao direito e o titular deste permanecer inerte, a

consequência será a perda da pretensão.

inerte, a consequência será a perda da pretensão. Concluindo Prescrição é a perda da pretensão em
inerte, a consequência será a perda da pretensão. Concluindo Prescrição é a perda da pretensão em

Concluindo Prescrição é a perda da pretensão em virtude da inércia do titular de um direito subjetivo violado durante certo prazo previsto em lei. Trata-se de uma sanção aplicada a pessoa que foi negligente, não exigindo seu direito em momento adequado. A prescrição se opera tanto em relação às pessoas naturais (físicas), como em relação às pessoas jurídicas.

Requisitos da Prescrição: a) violação de um direito e nascimento da pretensão (possibilidade de se ingressar com uma ação); b) inércia do titular do direito violado; c) continuidade desta inércia durante prazo fixado em lei;

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d) inexistência de impedimentos ou causas suspensivas ou interruptivas do prazo.

Embora esta expressão seja técnica, precisamos mencioná-la, pois muitos concursos a exigem. Trata-se da actio nata. Isto é, não pode correr a prescrição enquanto não nascer a ação possível de ser ajuizada pela violação do direito.

Vamos agora dar um exemplo completo Digamos que eu tenha emprestado certa quantia em dinheiro a uma pessoa, estabelecendo prazo de 06 (seis) meses para que a importância seja devolvida. A partir do momento em que eu empresto o dinheiro, surge o direito ao crédito. E, vencido o prazo estabelecido, se a pessoa não devolver a quantia emprestada, há a violação desse direito (violação ao direito de crédito). Neste momento “nasce” a pretensão (actio nata), que é a possibilidade de se exigir

judicialmente o direito que foi violado. A partir daí eu já posso ingressar com

eu tenho um prazo

estabelecido na lei para fazer valer meu direito. E no momento em que eu posso ingressar com a ação, surge, também, um prazo para que faça isso.

Devo, então, exercer o direito dentro do prazo, pois nesse momento também inicia a contagem do prazo prescricional. Se eu entrar com a ação dentro do

e se eu não ingressar com a ação dentro

do prazo? – Ora, o meu direito (pretensão) prescreveu

entrar com a ação. Na realidade eu até “posso” entrar com a ação

ação está fadada ao fracasso, pois basta que a outra parte alegue (e mesmo que não alegue o juiz poderá reconhecer de ofício) que a ação será extinta! E eu ainda deverei suportar todos os encargos processuais da ação (custas processuais, honorários advocatícios de ambas as partes, etc.). Portanto o

melhor é não entrar com a demanda. Com a prescrição eu perdi o instrumento

jurídico para fazer valer meu direito. Agora eu pergunto

pagar espontaneamente a dívida que estava prescrita? O pagamento valeu? E

o devedor, percebendo que a dívida estava prescrita, pode se arrepender do

pagamento que fez e pedir a devolução do dinheiro? Resposta: de fato, a dívida estava prescrita, mas a pessoa que pagou não pode mais pedir de volta

o dinheiro. Se ela pagar espontaneamente a dívida prescrita, este pagamento

valeu! E por que? –Porque o direito material (que é o meu direito ao crédito, que nasceu no dia em que eu fiz o empréstimo) ainda existia. Ele não foi extinto pela prescrição. A pessoa ainda estava me devendo. A prescrição atingiu apenas a pretensão; com a prescrição eu perdi o instrumento judicial para cobrar a dívida (ou seja, o direito de ação). E não o direito ao crédito. Com a prescrição perde-se apenas o direito à pretensão (não havendo mais a ação para exercer o direito em juízo). Mas o direito em si (o direito ao crédito) ainda se mantém intacto (embora sem proteção jurídica). Portanto a pessoa pagou algo que existia, valendo este pagamento, mesmo que a ação esteja prescrita, não se podendo pedir a devolução da quantia paga.

e se o devedor

mas esta

Eu não posso mais

uma ação pleiteando meu direito. Mas nada é eterno

prazo, eu exerci meu direito. Mas

Aliás, dívida prescrita é um excelente exemplo de obrigação natural, isto é, de uma obrigação sem proteção judicial, pois não pode ser exigida pelo credor e o devedor só paga se quiser; mas, pagando, não pode pedir a restituição do valor desembolsado. O art. 882, CC assim prevê: “Não se pode

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repetir o que se pagou para solver dívida prescrita ou cumprir obrigação judicialmente inexigível” (lembrando que repetir, em sentido jurídico, significa pedir de volta).

repetir , em sentido jurídico, significa pedir de volta). Vamos recordar. A prescrição não serve para

Vamos recordar. A prescrição não serve para proteger o lesante. Trata- se de uma punição ao próprio lesado por sua inércia. Baseia-se no interesse social de pacificação das demandas. Ela extingue a pretensão. Extinta a pretensão perde-se o direito de ajuizar a ação, ou seja, perde-se o direito de

resolver a pendência judicialmente. Todavia, o direito em si (o direito material,

o direito propriamente dito) permanece incólume, só que sem proteção jurídica para solucioná-lo.

DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE A PRESCRIÇÃO

Vejamos cada item do Código Civil de forma pormenorizada:

Exceção (art. 190, CC)

Determina o Código Civil: “A exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão” (art. 190, CC). Inicialmente cabe um esclarecimento quanto a esta frase, em especial àqueles que não têm formação jurídica. A expressão “exceção” possui basicamente dois sentidos. De uma forma geral significa aquilo que foge à regra; que não se inclui em determinada situação; dá uma

ideia de ressalva, de reserva, de exclusão. No entanto, na técnica jurídica o vocábulo significa uma outra coisa: ele indica uma forma de defesa realizada por uma das partes (em geral o réu) em um processo para opor-se a um direito do adversário. O autor deduz uma pretensão (exigindo do réu o cumprimento de um dever jurídico). E o réu pode se defender por meio de uma exceção. Muitas vezes esta defesa é indireta, pois o réu, sem negar categoricamente o fato alegado pelo autor, alega um outro fato ou direito com

o objetivo de elidir ou paralisar a ação proposta. Exemplos: o autor ingressa

com uma ação (deduzindo uma pretensão – cobrando uma dívida) e o réu alega como defesa que já foi processado, sendo que a ação foi julgada improcedente por aquele mesmo fato (neste caso falamos em exceção de coisa julgada); ou alega que já há uma ação pendente sobre o mesmo assunto (exceção de litispendência); ou que aquele juízo é incompetente para apreciar este tipo de questionamentos (exceção de incompetência); ou que ele não é parte legítima no processo (exceção de ilegitimidade processual); etc.

Outro exemplo: “A” possui um crédito contra “B”, mas este se encontra prescrito. Portanto “A” não pode exigir de “B” o pagamento da dívida. Ocorre que “B” ingressou contra “A” uma ação cobrando este por outra dívida. Pergunta-se: “A” pode se defender alegando a compensação desta dívida com

a outra da qual é credor, mas se encontra prescrita? Resposta: Não! Ora, se

está prescrita a pretensão (o crédito de “A” contra “B”), prescrita também está

a defesa (exceção), que no caso se daria com a compensação. Assim, se o

direito não pode ser alegado como modalidade de ataque (pretensão), também

não poderá ser invocado como meio de defesa (exceção: no caso a compensação).

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– TRT/RJ (1ª REGIÃO) PROFESSOR LAURO ESCOBAR Resumindo : o que o art. 190, CC quer

Resumindo: o que o art. 190, CC quer dizer é que o prazo dado para a manifestação do contradireito (que é a exceção ou a defesa) é exatamente o mesmo que a lei estipula para que o titular da ação exerça sua pretensão. Por isso costuma-se dizer que “a exceção (defesa) nasce com o exercício da pretensão”.

Renúncia (art. 191, CC)

Renúncia é um ato unilateral, produzindo efeitos sem necessidade da manifestação de vontade da outra parte. Uma dívida está prescrita. O credor não tem mais como cobrar a dívida judicialmente. Mesmo assim o devedor pode renunciar a esta prescrição. Dispõe a lei que esta renúncia pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar. Apesar de pequeno, este dispositivo é muito importante, cai muito nas provas e exames, além de trazer diversas consequências jurídicas. Vamos por partes.

Inicialmente nosso Código não admite a renúncia prévia ou antecipada. Ou seja, o devedor não pode renunciar à prescrição antes dela ocorrer, até porque, não se pode renunciar a algo que ainda não temos. Ex.:

Digamos que eu seja um credor. O devedor não pagou o que deve. Eu tenho um prazo para entrar com a ação. Mas eu não entrei com a ação no prazo legal. Portanto ocorreu a prescrição. Mas, mesmo prescrita a dívida, o devedor pode pagar o que deve. E se ele assim proceder (pagando a dívida após o prazo prescricional) estará renunciando à prescrição. Portanto a renúncia é um ato do devedor. No entanto o devedor somente pode renunciar à prescrição após a consumação desta. Enquanto o prazo prescricional estiver fluindo, o devedor não pode renunciar ela. Isto para não destruir a sua eficácia prática. Se assim não fosse o credor poderia inserir uma cláusula abusiva em um contrato. Ex.: o credor insere no contrato uma cláusula em que o devedor renuncia (isto é desiste do direito de alegar) de forma antecipada, eventual e futura prescrição. A lei proíbe esta conduta. Caso contrário qualquer credor poderia colocar uma cláusula no contrato de que o seu direito permaneceria válido e eficaz até o momento que ele, credor, desejasse e eventualmente ingressasse com a ação judicial. Ou seja, poderia propor a ação quando quisesse.

Outra coisa: não pode haver renúncia à prescrição quando esta for em prejuízo de terceiros. Ex.: A deve a B e C determinada quantia (duas dívidas autônomas). Em relação a B a dívida está prescrita. Resta então A pagar C. No entanto A renuncia a prescrição em relação a B e paga sua dívida em relação a ele. A seguir alega que não tem mais dinheiro para pagar C. Ora, a dívida estava prescrita. B não tinha mais como cobrar a dívida. E A ao pagar B, renunciou à prescrição, mas prejudicou os direitos de C. Portanto esta conduta não é permitida. Trata-se de uma evidente fraude contra credores, sendo que C pode anular a renúncia e pedir a entrega do dinheiro para si.

A renúncia pode ser classificada em:

a) Expressa: o prescribente (pessoa a quem a prescrição aproveitaria) abre mão do direito de forma explícita (ex.: por escrito), afirmando que não deseja dele se utilizar.

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b) Tácita: a pessoa pratica atos incompatíveis com a prescrição. O exemplo clássico é o próprio pagamento de uma dívida já prescrita. Se eu pago uma dívida que já estava prescrita, eu estou renunciando tacitamente à prescrição. Outro exemplo é o requerimento que o devedor faz de “parcelamento do débito”.

Alegação (art. 193, CC)

A prescrição pode ser alegada em qualquer fase do processo, mesmo em grau de recurso pela parte a que aproveita, ou seja, pela parte interessada com a sua declaração. Uma ação geralmente é interposta perante um Juiz singular (primeira instância), seguindo um trâmite processual. A prescrição pode ser alegada em qualquer momento deste trâmite: na contestação, na audiência de oitiva de testemunhas, nos debates, no julgamento, etc. Após a sentença do Juiz, as partes podem recorrer da decisão. O processo então será encaminhado para um Tribunal, que é o órgão de segunda instância. Também no Tribunal a prescrição pode ser arguida.

Atenção A doutrina aponta que não é cabível a alegação de prescrição na fase de liquidação em processo de execução, nem em fase de liquidação da sentença. Ou seja, o processo, propriamente dito já acabou. Agora somente estamos executando o que ficou anteriormente decidido. Portanto não teria cabimento alegar a prescrição no momento de se executar o que já foi exaustivamente debatido. Também se tem entendido que embora o art. 193 diga que a prescrição possa ser alegada “em qualquer grau de jurisdição”, ela não poderia ser alegada, pela primeira vez, perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF), pois estes Tribunais são considerados como instâncias especiais e extraordinárias. Eles somente poderiam conhecer de recursos nos quais tenha havido prévio debate da matéria em outras instâncias (chamamos isso de pré-questionamento).

Efeitos Essenciais da Prescrição

Um contrato não pode conter cláusula declarando que um direito é imprescritível. Só a lei pode fazê-lo e mesmo assim em circunstâncias muito especiais, conforme veremos.

Os prazos prescricionais não podem ser alterados pelos particulares, ainda que haja um acordo de vontades entre eles (art. 192, CC), seja para reduzi-los, aumentá-los ou mesmo suprimi-los. Não existe prazo prescricional convencional. É a lei que determina quais são os prazos prescricionais, impedindo que eles sejam alterados.

Prescrevendo o principal, prescrevem todos os acessórios.

Antes de consumada é irrenunciável: não se pode renunciar a prescrição que ainda não ocorreu.

Os relativamente incapazes (art. 4°, CC) e as pessoas jurídicas têm direito a ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente (art. 195, CC). Ex.: um rapaz com 16 anos que está sob tutela, possui um crédito. Seu representante legal sabe disso e não ingressa com a ação

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para cobrar a dívida. Com o tempo ocorre a prescrição. Em relação à dívida nada mais pode ser feito. Ela está prescrita. Mas posteriormente o rapaz poderá acionar o seu tutor em razão de sua não-alegação do direito. Trata-se de mais uma forma de se proteger e preservar o patrimônio de incapazes ou das empresas. Entende a doutrina que a responsabilidade é subjetiva (é necessária a prova do dolo ou da negligência do agente).

Suspensa a prescrição em favor de um credor solidário, somente se suspenderá a prescrição em favor dos demais se a obrigação for indivisível. Ex.: Antônio se comprometeu a entregar um cavalo de raça para Bernardo e Carlos de forma solidária. Assim, eles são credores solidários de um bem indivisível (o cavalo). Se por algum motivo o prazo prescricional for suspenso em relação a Bernardo, este prazo, por força de lei (art. 201, CC), também ficará suspenso em relação a Carlos, pois a obrigação além de solidária é indivisível. No entanto, se a obrigação for divisível (dinheiro) a prescrição somente ficará suspensa em relação a Bernardo, correndo normalmente em relação ao outro credor.

Cuidado Os efeitos citados acima têm uma grande incidência em concursos públicos!!!

Pessoas a quem aproveita

A prescrição pode ser alegada e aproveita tanto às pessoas físicas como às jurídicas. A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra seu sucessor (art. 196, CC), a título universal (herança) ou singular (legado). Ex.: Antônio tem um direito de ação em face de Bernardo. Digamos que o prazo prescricional é de dez anos. Passados sete anos Antônio não ingressou com a ação e faleceu. Neste caso Carlos, herdeiro de Antônio, disporá apenas do prazo faltante para exercer a pretensão (ou seja, três anos). O prazo não parou em razão da morte de Antônio. Ou seja, a morte não interrompe e nem suspende o prazo prescricional, que continua a fluir normalmente contra os sucessores.

há uma exceção a essa

regra: na hipótese em que o sucessor é absolutamente incapaz. Neste caso a prescrição não corre (fica impedida ou suspensa, como veremos adiante). Aproveitando o exemplo acima: Antônio faleceu e Carlos, seu único filho, tem 12 anos de idade. Neste caso a morte de Antônio fará com que o prazo prescricional fique paralisado (suspenso) e somente se reiniciará quando Carlos completar 16 anos (pois passa a ser relativamente incapaz).

Finalmente em relação a este tópico: prescrevendo o direito principal, prescrevem também os acessórios. Exemplo: se a dívida principal prescreveu, com ela prescreveu também a multa contratual (trata-se da aplicação da regra, que aqui também se aplica, de que “os acessórios acompanham o principal").

Declaração de Ofício (ex officio)

No entanto

(como não podia deixar de ser

)

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Indagação Importante: um Juiz, no curso de uma ação judicial, pode

reconhecer a prescrição, mesmo que a outra parte não tenha alegado, ou seja, mesmo que não tenha sido provocado para decidir a respeito? Ex.: digamos que uma eventual pretensão já esteja prescrita. Eu tenho ciência deste fato,

A outra

parte não alega a prescrição (dizemos na gíria que ela “engoliu barriga” ou “comeu bola”). O Juiz percebe que ocorreu a prescrição. Pergunto: pode o Juiz reconhecer a prescrição sem que a mesma tenha sido alegada (chamamos isso de declaração ex officio)?

A lei era taxativa no sentido de que o Juiz não podia suprir de ofício a alegação de prescrição, salvo se favorecesse a pessoa absolutamente incapaz. Era o que dispunha o art. 194, CC. No entanto a Lei n° 11.280 de 16 de fevereiro de 2006 revogou o art. 194, CC e alterou o §5° do art. 219, CPC. Ou seja, atualmente o Juiz “deve” reconhecer a prescrição de uma ação, independentemente de requerimento da outra parte, em qualquer situação (e não somente para favorecer absolutamente incapaz, como anteriormente). Estabelece atualmente o art. 219, §5°, CPC: “O juiz pronunciará, de ofício, a prescrição”.

mas, assumindo o risco, ingresso com a ação judicial mesmo assim

o risco, ingresso com a ação judicial mesmo assim Colocamos o verbo deve entre aspas, pois

Colocamos o verbo deve entre aspas, pois há quem defenda que apesar do imperativo “pronunciará”, trata-se apenas uma faculdade do juiz reconhecer a prescrição de ofício e não de uma obrigação, uma vez que o próprio Código Civil admite a renúncia da prescrição.

Requisitos para se reconhecer a Prescrição:

pretensão a ser exercida (a pretensão nasce com a violação de um direito).

inércia do titular desta pretensão (não exercício do direito).

continuidade dessa inércia durante certo lapso de tempo fixado em lei.

ausência de algum fato ou ato a que a lei confira eficácia impeditiva,

suspensiva ou interruptiva de curso prescricional, conforme veremos logo adiante.

Causas Impeditivas, Suspensivas e Interruptivas da Prescrição

Como vimos, violado o direito subjetivo surge a pretensão. E a partir daí começa a correr o prazo prescricional para se ingressar com a ação adequada. No entanto a lei prevê situações em que o prazo sequer inicia seu fluxo, ainda que já surgida a pretensão (são as causas impeditivas) ou que suspendem o curso da prescrição já iniciada (causas suspensivas) ou fazem com que o prazo seja reiniciado (causas interruptivas).

A relação das hipóteses impeditivas, suspensivas e interruptivas é taxativa. Ou seja, as causas estão expressamente previstas na lei, não se podendo fazer uma “interpretação extensiva”. Estas causas só podem ser estabelecidas por lei (trata-se de norma de ordem pública). Vejamos cada uma das situações previstas no Código Civil.

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1) CAUSAS IMPEDITIVAS E SUSPENSIVAS (arts. 197, 198 e 199, CC)

A diferença entre impedimento e suspensão do prazo prescricional é sutil. Ambas possuem o mesmo regime jurídico. Porém se diferenciam:

Causas impeditivas são circunstâncias que impedem que o curso prescricional se inicie, em razão do estado de uma pessoa individual ou familiar (atendendo a razões de confiança, amizade, parentesco e de ordem moral). A contagem do prazo não se inicia enquanto durar a impossibilidade jurídica do impedimento. Ou seja, se o prazo ainda não começou a fluir a causa ou obstáculo impede que ele comece.

Causas suspensivas são circunstâncias que paralisam temporariamente o curso prescricional, sem prejuízo do tempo já decorrido. O

prazo prescricional vinha fluindo normalmente, sendo que ocorreu um fato que

o fez paralisar. Neste momento a contagem do prazo fica suspensa. Superado

esse fato, o prazo prescricional volta a correr de onde parou, aproveitando-se

e computando-se o prazo já decorrido antes do fato.

e computando-se o prazo já decorrido antes do fato. Resumindo : nas impeditivas o prazo nem

Resumindo: nas impeditivas o prazo nem começou a contar; na suspensiva o prazo começou a fluir, mas parou, voltando a contagem quando cessar o motivo da “parada”.

Impedimento do Prazo Prescricional ANOS

IMPEDIMENTO

O prazo somente começa a fluir após a cessação da circunstância que impede que o curso prescricional se inicie

Suspensão do Prazo Prescricional

 

Ano

   

Fluxo

de

prazo

prescricional de

05

anos,

onde já decorreram 03 anos.

Ano

Prazo

Suspenso

Cessada a suspensão, o prazo retoma seu fluxo pelo saldo (no caso são mais 02

Cessada a suspensão, o prazo retoma seu fluxo pelo saldo (no caso são mais 02 anos).

Não corre a prescrição:

Entre os cônjuges na constância da sociedade conjugal. Observem que dependendo do momento em que a dívida venceu pode ser hipótese de impedimento ou de suspensão do prazo. Ex.: uma mulher empresta determinada quantia a seu namorado. Quando esta dívida vence, eles estão casados (não importando qual o regime de bens adotado pelo casal) e o marido não paga a dívida. O prazo prescricional sequer se iniciou, pois não corre prescrição na constância do casamento. É hipótese de impedimento. Se eles se separarem a mulher teria (ao menos em tese) o direito de cobrar aquela dívida. No entanto se a dívida venceu antes do casamento, o prazo

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prescricional já se iniciou. Após isso, sem que haja o pagamento da dívida, credora e devedor se casam. Neste momento o prazo fica suspenso. Se eles se separarem o prazo prescricional volta a fluir pelo tempo que ainda resta.

Entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar. Ex.:

vamos imaginar que haja um conflito de interesses entre um menor e seus pais (ou avós). Seria um absurdo se exigir que o menor ingressasse com uma ação judicial contra seus ascendentes para preservar seus direitos, sob pena de prescrição. Portanto, aguarda-se a extinção do poder familiar (18 anos), quando então a pessoa, sentindo-se lesada, poderá acionar seus ascendentes.

Entre tutelados ou curatelados e seus tutores e curadores, durante a tutela ou curatela. É a mesma justificativa em relação ao menor e seus pais. Protege-se, assim, o interesse do incapaz quanto à falta de zelo de seus representantes legais (tutores e curadores).

Contra os absolutamente incapazes (art. 3°, CC). Ex.: vamos imaginar que uma pessoa que é credora de outra, faleça. O de cujus (falecido) deixou um filho que tem oito anos de idade. Essa criança nem ao menos sabe de seus direitos e que têm créditos a receber. Por isso, para protegê-la, o CC determina que não corre prescrição contra ela, pois é absolutamente incapaz. Aguarda-se, assim, que complete 16 anos (e seja relativamente incapaz); somente a partir daí o fluxo do prazo prescricional terá início. No entanto a prescrição pode correr “a favor” dos absolutamente incapazes. Ex.: quando o incapaz é o devedor e o credor não o aciona no tempo certo; neste caso opera-se a prescrição, pois ela foi favorável ao incapaz.

opera-se a prescrição, pois ela foi favorável ao incapaz. Resumindo a) prescrição contra absolutamente incapazes
opera-se a prescrição, pois ela foi favorável ao incapaz. Resumindo a) prescrição contra absolutamente incapazes

Resumindo

a) prescrição contra absolutamente incapazes →→→ não corre.

b) prescrição contra relativamente incapazes →→→ corre normalmente.

c) prescrição a favor de incapazes (absoluta ou relativamente) →→→ corre

normalmente.

Contra os ausentes do Brasil em serviço público da União, dos Estados e Municípios.

Contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.

Pendendo condição suspensiva: acompanhem o desenvolvimento lógico neste exemplo: eu lhe darei um carro se você passar no concurso (condição suspensiva). Enquanto você não passar no concurso, isto é, enquanto a condição não for realizada, você não adquire o direito. Se não houve a aquisição do direito, ainda não há uma ação para proteger o direito. E se não há uma ação que se possa exercitar, o prazo prescricional não se inicia.

Não estando vencido o prazo. Trata-se do mesmo princípio do item anterior. Se o prazo de uma dívida ainda não venceu, ainda não se pode exigir o seu pagamento. E se ainda não se pode exigi-lo o prazo prescricional também não pode ter início.

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Pendendo ação de evicção, suspende-se também a prescrição em andamento. Evicção é a perda da propriedade para terceiro em virtude de ato jurídico anterior e de sentença judicial. Exemplo: há um litígio para se saber quem é o proprietário de um imóvel. Enquanto não resolvido este litígio definitivamente, o prazo prescricional não pode ter início. Mais uma vez trata-se do princípio da actio nata (a prescrição não corre enquanto não nascer a ação possível de ser ajuizada).

Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva (art. 200, CC). Ex.: foi instaurado um processo criminal em que A é acusado de matar B. A alega que não matou (negativa de autoria). Neste caso a decisão criminal irá influir no Direito Civil. Em regra há independência entre as esferas criminal, civil e administrativa (art. 935, CC). Mas em algumas situações (ex.: a existência ou não do fato delituoso e a negativa de autoria), a decisão criminal faz coisa julgada no cível. Portanto, deve-se aguardar o desfecho do processo criminal. Somente depois que a questão for resolvida no Juízo Criminal (decisão final com trânsito em julgado), apontando a autoria e a materialidade do delito é que se inicia o prazo prescricional. No nosso exemplo: aguarda-se a sentença criminal. Se A for condenado criminalmente, a partir desta condenação inicia-se o prazo de prescrição para que os familiares de B ingressem com eventual ação de reparação de danos pela prática do ato ilícito no Juízo Cível.

Vejamos agora um exemplo prático em relação aos efeitos da suspensão da prescrição: imaginem um direito qualquer, cujo prazo prescricional previsto na lei seja de cinco anos. Passaram-se três anos e a pessoa não entrou com a ação judicial adequada. Após esse período (três anos), surge uma causa suspensiva da prescrição. A partir deste momento o prazo fica paralisado, suspenso. Durante o período em que o prazo esteve parado, ele não é computado. Posteriormente a circunstância que fez com que o prazo fosse suspenso, deixou de existir. O prazo volta a correr. O credor tem direito de ingressar com a ação de cobrança. Mas só pelo prazo que resta. No exemplo dado só restam dois anos. Ou seja: cinco anos (prazo inicial) menos três anos (prazo que já havia ocorrido), é igual a dois anos (o que ainda resta). Assim, é esse o prazo que resta para se ingressar com a ação, antes do prazo fatal da prescrição. O prazo volta a correr contado da data em que havia parado. Vejamos o quadro abaixo para entender melhor o tema:

parado. Vejamos o quadro abaixo para entender melhor o tema: Observação Importante Vamos reforçar e aprofundar

Observação Importante

abaixo para entender melhor o tema: Observação Importante Vamos reforçar e aprofundar um tema já visto,

Vamos reforçar e aprofundar um tema já visto, mas que é muito importante, referente ao art. 201, CC: “Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível”.

Se uma obrigação tiver credores solidários (ou seja, qualquer credor pode exigir do devedor a prestação por inteiro), mas o objeto é divisível (ex.:

dinheiro) e ocorreu uma causa de suspensão de prescrição para apenas um dos credores, a prescrição ficará suspensa apenas em relação este credor (ou

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seja, em relação aos demais credores o prazo continua a correr normalmente). Exemplo: três pessoas são credoras de uma quarta de uma importância em dinheiro. Um dos credores se tornou absolutamente incapaz. Neste caso a prescrição somente não corre contra o incapaz, correndo normalmente contra os demais, pois a obrigação de entregar dinheiro é divisível.

Por outro lado, se a obrigação solidária for indivisível, uma vez suspensa

a prescrição em favor de um dos credores, tal suspensão aproveitará (será

estendida) aos demais. Exemplo: dois credores, sendo que um tem 13 anos (absolutamente incapaz) têm direito de receber um cavalo puro-sangue reprodutor (obrigação indivisível). Neste caso o prazo prescricional somente começará a fluir para todos quando o incapaz completar 16 anos (pois a partir daí ele deixa de ser absolutamente incapaz).

(pois a partir daí ele deixa de ser absolutamente incapaz). Resumindo: Suspensa a prescrição para um

Resumindo:

Suspensa a prescrição para um dos credores solidários:

a) Obrigação divisível →→→ não aproveita aos demais, correndo normalmente para eles.

b) Obrigação indivisível →→→ aproveita aos demais, não correndo a prescrição.

2) CAUSAS INTERRUPTIVAS (art. 202 a 204, CC)

São circunstâncias que impedem o fluxo normal do prazo prescricional, inutilizando o tempo já decorrido, de modo que o prazo recomeça a correr

a partir da data do ato que o interrompeu, ou seja, o período já decorrido é

inutilizado e o prazo volta a correr novamente por inteiro. A contagem recomeça do zero. Exemplo: o prazo prescricional é de cinco anos. Após três anos de fluência de prazo foi o mesmo interrompido. Este prazo recomeça do zero. A parte tem mais cinco anos para entrar com a ação apropriada. O efeito é instantâneo: o prazo recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper.

Suspensão X Interrupção

A grande diferença ente suspensão e interrupção da prescrição é que na suspensão o prazo é temporariamente paralisado, de forma que superado o fato suspensivo, a prescrição continua a correr computando-se o tempo que já tinha decorrido (recomeça a correr pelo tempo faltante). Já na interrupção a causa interruptiva faz com que o prazo já iniciado seja desconsiderado, começando a ser contado de novo desde o início.

Outra coisa: Na interrupção, como regra, exige-se um comportamento ativo, uma provocação do credor (ex.: a notificação). Já na suspensão exige- se apenas a ocorrência de um fato previsto na lei; ocorrido este, o prazo prescricional é suspenso de forma automática.

Interrompem a prescrição:

Despacho do Juiz, mesmo incompetente, que determinar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. Aqui é necessário fazer uma conexão com o art. 219 do Código de Processo Civil:

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A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa

a coisa; e, ainda quando ordenada por Juiz incompetente, constitui em mora

o devedor e interrompe a prescrição”. Notem que há um certo conflito entre o texto do Código Civil (que menciona o despacho do Juiz) e o texto do

Código de Processo Civil (que menciona a citação em si). A doutrina vem tentando harmonizar os dois dispositivos, prevalecendo a tese de que a interrupção se dá com a citação, porém, com efeitos retroativos à data da propositura da ação, desde que obedecidos os prazos fixados na lei processual.

Protesto judicial (trata-se de uma ação judicial, na verdade uma medida cautelar prevista no CPC) ou protesto cambial (ou seja, o protesto extrajudicial de um título de crédito como o protesto de um cheque, de uma nota promissória ou de uma duplicata). Ambas as situações se destinam a prevenir responsabilidade, ressalvar e conservar direitos ou manifestar qualquer intenção de modo formal. Tais providências refletem um comportamento ativo do credor, demonstrando a sua intenção de agir, de ver seu crédito pago, constituindo o devedor em mora e interrompendo a prescrição.

A apresentação do título de crédito em juízo de inventário, ou em concurso de devedores. A habilitação do credor em inventário, na falência ou nos autos de insolvência civil, constitui comportamento que também demonstra

a intenção do credor em interromper a prescrição.

Qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. Ex.: interpelação judicial, notificação judicial, ações cautelares de uma forma geral, etc.

Qualquer

inequívoco ainda que extrajudicial, que importe

reconhecimento do direito do devedor. Ex.: pagamento de uma parcela do

ato

débito, pedido de prorrogação de prazo para pagamento da dívida, etc. (nesta hipótese não há uma atividade do credor, mas sim do devedor).

Atenção No Direito Civil (art. 202, CC) a interrupção da prescrição só pode ocorrer uma vez. Tal restrição é benéfica, evitando inúmeras interrupções abusivas, a má-fé e o adiamento da solução das pendências.

Exemplo prático de uma hipótese de interrupção do prazo de prescrição: imaginem novamente um direito qualquer, cujo prazo prescricional seja de cinco anos. Passaram-se três anos e a pessoa não entrou com a ação judicial. Após esse prazo, surge uma causa interruptiva da prescrição (ex.: credor ingressa com uma notificação ou protesta um título de crédito). Neste caso o prazo “zera”, ou seja, volta à estaca zero. O prazo reinicia o seu curso. A pessoa tinha cinco anos para exercer o direito. Passaram-se três e não exerceu. Com a interrupção devolve-se o prazo de cinco anos para ingressar com a ação principal. Observem o quadro abaixo:

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2200

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Ano

Interrupção do Prazo Prescricional Ano

Interrompido, o prazo fluirá por mais 05 anos; inicia-se novamente, mas por apenas uma vez
Interrompido, o prazo fluirá por mais 05 anos; inicia-se novamente, mas por apenas uma vez
Interrompido, o prazo fluirá por mais 05 anos; inicia-se novamente, mas por apenas uma vez
Interrompido, o prazo fluirá por mais 05 anos; inicia-se novamente, mas por apenas uma vez

Interrompido, o prazo fluirá por mais 05 anos; inicia-se novamente, mas por apenas uma vez mais.

Fluxo de um prazo prescricional de 05 anos, onde já decorreram 03 anos.

Prazo

Interrompido

Quem pode promover a interrupção da prescrição?

Nos termos do art. 203, CC, a interrupção da prescrição poderá ser promovida por qualquer pessoa que tenha um interesse jurídico. Portanto têm legitimidade para o ato:

o próprio titular do direito em via de prescrição.

quem legalmente o represente.

terceiro que tenha legítimo interesse (ex.: credores, fiadores ou herdeiros do credor).

Reflexos da interrupção da prescrição (art. 204, CC).

Em princípio a interrupção da prescrição beneficia apenas quem a promove. Assim, em regra, no caso de pluralidade de credores, o fato de um

credor promover a interrupção, tal fato beneficiará apenas quem alegou a interrupção e não será estendido aos demais credores. Da mesma forma, como

regra, se houver a pluralidade de

prescrição em relação a apenas um deles, este fato prejudicial não será

estendido aos demais devedores. No entanto há exceções:

Se for obrigação solidária (passiva ou ativa) a interrupção efetuada contra um devedor atingirá (prejudicando) os demais; e a interrupção aberta por um dos credores atingirá (beneficiando) os demais. Isto porque na solidariedade os vários credores são considerados com um só credor e, da mesma forma, todos os devedores são considerados como um só devedor.

devedores e o credor interrompeu a

A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudicará os outros herdeiros, a menos quando se tratar de obrigação indivisível (ex.: entrega de um cavalo). Isto porque a solidariedade não se transmite aos herdeiros, salvo se a obrigação for indivisível.

Finalmente, se um credor interrompe a prescrição contra o devedor de uma obrigação principal (ex.: locação), interrompe-se, também, eventual prazo prescricional contra o devedor da obrigação acessória (ex.: fiança). Lembrem-se mais uma vez da regra: “o acessório segue o principal”.

PRAZOS PRESCRICIONAIS

O prazo da prescrição é o espaço de tempo que decorre entre seu termo inicial e final. O art. 205, CC optou por um critério simplificado de 10 anos para o prazo prescricional geral, tanto para as ações pessoais como para as reais, salvo quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Assim,

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2211

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para sabermos em quanto tempo prescreve uma determinada ação, devemos proceder da seguinte forma: primeiramente verificamos se a ação que desejamos propor está prevista em algum dos parágrafos do art. 206, CC. Se encontrarmos a situação prevista em algum dispositivo, o prazo é o nele determinado expressamente. Porém, se analisamos todas as situações legais e não encontramos a ação que desejamos propor aplica-se a regra geral de 10 anos do art. 205, CC. Assim, temos duas espécies de prazo:

Ordinário (ou comum): 10 (dez) anos em ações pessoais (ex.: uma ação de cobrança que envolve (ou comum): 10 (dez) anos em ações pessoais (ex.: uma ação de cobrança que envolve duas pessoas: credor e devedor) ou reais (ex.: uma ação que envolve posse, propriedade, hipoteca, etc.), alusivas ao patrimônio do titular da pretensão. Art. 205, CC: “A prescrição corre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor”.

Especial: são prazos mais exíguos ( de um a cinco anos ), pois há uma : são prazos mais exíguos (de um a cinco anos), pois há uma presunção de que é conveniente reduzir o prazo geral para possibilitar o exercício de certos direitos de forma a evitar que acontecimentos do passado remoto possam ainda ser questionados. Estão previstos no art. 206 e todos os seus parágrafos do CC. A diferença dos prazos repousa em uma valoração feita pelo legislador, bem como em condições pessoais do titulares das pretensões. Não se discute se eles são longos ou curtos; são fixados pela lei, que é a única fonte deles em nosso sistema.

Destacamos como mais importantes (há maior incidência em concursos públicos):

a) 02 (dois) anos: pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. Observação Importante: É interessante deixar claro que o direito aos alimentos é imprescritível (a fome reclama urgência!). O direito não cessa pelo seu não exercício. A qualquer tempo, surgindo a necessidade, eles poderão ser pleiteados. O que se opera é a prescrição em relação aos valores dos alimentos vencidos, ou seja, as prestações alimentares fixadas judicialmente e não pagos e nem exigidas no prazo acima. Lembrando, também, que o não pagamento da pensão alimentícia fixada em sentença judicial pode gerar a prisão do devedor inadimplente. Esta prisão, autorizada pela atual Constituição Federal, está plenamente justificada em face do bem jurídico protegido, que no caso é a sobrevivência digna de seres humanos incapazes de prover seu próprio sustento.

b) 03 (três) anos: pretensão de reparação civil por ato ilícito; pretensão para haver o pagamento de títulos de crédito, a contar do vencimento (ressalvadas as disposições de lei especial); pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos.

c) 05 (cinco) anos: pretensão dos profissionais liberais em geral (médicos, advogados, contadores, etc.), pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão do serviço.

Citamos agora todos os prazos prescricionais:

Prescrevem em 01 (um) ano:

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2222

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a) a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a

consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou

dos alimentos;

b) a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele,

contado o prazo:

- para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data

em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador;

- quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;

c) a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais,

árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, custas e honorários;

d) a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para

a formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo;

e) a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os

liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da

liquidação da sociedade.

Prescreve em 02 (dois) anos:

- a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem.

Prescrevem em 03 (três) anos:

a) a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos;

b) a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou

vitalícias;

c) a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações

acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela;

d) a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa;

e) a pretensão de reparação civil;

f) a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé,

correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição;

g) a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei

ou do estatuto, contado o prazo:

- para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima;

- para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do

balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou

da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento;

- para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação;

2233

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h) a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do

vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial;

i) a

contra

terceiro

prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.

pretensão

do

beneficiário

o

segurador,

e

a

do

Prescreve em 04 (quatro) anos:

- a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas.

Prescrevem em 5 (cinco) anos:

a) a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento

público ou particular;

b) a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais,

curadores e professores pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão

dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato;

c) a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em

juízo.

AÇÕES IMPRESCRITÍVEIS

A prescritibilidade é a regra. No entanto, há exceções. São imprescritíveis as ações que versem sobre:

os direitos que protegem a personalidade, como a vida, a honra, o nome, a liberdade, a intimidade, a própria imagem, as obras literárias, artísticas ou científicas, etc.

o estado da pessoa, como filiação (ex.: investigação de paternidade), condição conjugal (separação judicial, divórcio), interdição dos incapazes, cidadania, etc. Uma pergunta que sempre me fazem é a seguinte: um filho nascido fora de um casamento pode mover ação de investigação de paternidade a qualquer momento? Não há prescrição para isso? Quanto a este tema há uma Súmula do Supremo Tribunal Federal a respeito (n° 149): “É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de herança”. Portanto não há prazo par mover ação de investigação de paternidade. No entanto, a ação de petição de herança prescreve. Como vimos os prazos prescricionais especiais estão previstos no art. 206, CC. A petição de herança não está prevista naquele rol. Logo cai na regra geral do art. 205, CC, cujo prazo é de 10 anos.

o direito de família no que concerne à questão inerente à pensão alimentícia, vida conjugal, regime de bens, etc.

ações referentes aos bens públicos de qualquer natureza. Lembrem-se que não pode haver usucapião referente aos bens públicos, conforme o art. 102, CC. Súmula 340 STF: “Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião”. Usucapião não deixa de ser uma espécie de prescrição. Alguns autores inclusive a chamam de prescrição aquisitiva.

ação para anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (art. 1.167, CC).

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II. DECADÊNCIA

(arts. 207/211, CC)

Como vimos, direito subjetivo é a faculdade que o ordenamento reconhece a alguém de exigir de outrem determinado comportamento. Entretanto existem alguns direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões, pois são destituídos dos respectivos deveres. Eles são chamados de potestativos.

Direito Potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem, constituindo, modificando ou extinguindo direitos, sem que este possa fazer qualquer coisa, senão sujeitar-se a sua vontade. Ex.: aceitar ou renunciar à herança. Ninguém pode me obrigar a aceitar uma herança; eu aceito se eu quiser. E a minha conduta em não aceitar a herança pode refletir em outras pessoas (nos meus filhos que não terão direito a estes bens, nos outros herdeiros que poderão acrescer o seu quinhão, etc.). Mas estas outras pessoas (lado passivo da relação jurídica) limitam-se apenas em se sujeitar ao exercício da minha vontade. Não há um dever da minha parte. Não havendo dever não se pode falar em descumprimento. E, consequentemente, não há pretensão. Outros exemplos: aceitar ou não a proposta de um contrato de locação ou de oferta de emprego; possibilidade do patrão em demitir um funcionário, etc.

O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. Caducidade (em sentido amplo) significa extinção de direitos de uma forma geral. Já a expressão decadência é usada em sentido estrito, consubstanciando na perda dos direitos potestativos, posto que foi ultrapassado um prazo que a lei estabeleceu para o seu exercício.

Decadência é a perda do direito material (potestativo) ou do direito propriamente dito (e não do direito subjetivo, como na prescrição), que se torna inoperante, não podendo ser fundamento de qualquer alegação em juízo, nem ser invocado, ainda que por via de exceção (defesa).

Como falei acima, o Código Civil atual apresenta mais uma inovação quanto ao tema, disciplinando, expressamente, a decadência nos arts. 207 a 211. Com a decadência, extingue-se próprio direito existente pelo seu não exercício no prazo estabelecido, de modo que nada mais resta. Em concursos é muito comum o uso da seguinte expressão: “decadência é a perda de um direito potestativo”.

O Código Civil estabelece prazos para que a pessoa exerça o seu direito potestativo. Não se exercendo este direito dentro de determinado prazo, por não haver neste direito uma prestação, ela jamais poderá fazê-lo; tem-se a extinção do próprio direito.

Se alguém paga um débito cujo prazo eventualmente já havia sido atingido pela decadência, essa pessoa tem direito à restituição da importância paga, porque não mais existia o direito àquele crédito. Lembrem-se que se alguém pagar algo que estava prescrito não pode pedir de volta o que pagou.

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O pagamento valeu. Por quê? Porque o direito material ainda existia. Mas se

alguém paga algo em que ocorreu a decadência, pode pedir o dinheiro de volta, pois pagou algo que não existe mais, sob o ponto de vista jurídico. Não há mais o direito material. Costumamos dizer que ainda existe a dívida sob o

ponto de vista moral; moralmente a pessoa ainda estaria devendo. Mas juridicamente a dívida não mais existe, pois a decadência atingiu o próprio direito; a dívida em si.

Decadência X Prescrição

Entre muitas outras diferenças (elaboramos um quadro comparativo mais adiante), a doutrina costuma enfatizar o seguinte:

Na decadência o prazo começa a fluir no momento em que nasce o direito; surge, simultaneamente direito e termo inicial. Já o prazo prescricional só se inicia quando o direito é violado; quando ocorre a lesão ao direito subjetivo. Além disso, os prazos prescricionais resultam exclusivamente da lei; já na decadência, como veremos, os prazos podem ser legais ou convencionais.

Enquanto a prescrição atinge a pretensão (direito subjetivo), a decadência atinge o próprio direito, o direito material (direito potestativo).

Atenção Direito de Ação X Direito Material

Para ficar bem claro que na prescrição perde-se o direito à pretensão e na decadência perde-se o direito material, costumo sempre diferenciar o que é um direito material e o que é um direito de ação. Já falamos sobre isso. Vamos reforçar Vou inicialmente usar um exemplo do Direito Penal. A nossa Constituição Federal estabelece uma série de Direitos e Garantias. Um

deles é o direito de locomoção; o direito de ir, vir e permanecer (art. 5°, inciso LXVIII). Logo o direito de locomoção é um direito propriamente dito, é um direito material. Se uma autoridade viola esse direito, ou seja, determina a prisão da pessoa de forma ilegal, o que esta pessoa deve fazer?? Ingressar com uma ação!!! Qual o nome desta ação? – Habeas Corpus. O Habeas Corpus

é, então, uma ação. Portanto: Direito Material o direito de locomoção; a

liberdade. Direito de Ação Habeas Corpus. Outro exemplo, agora no Direito Civil: eu empresto determinada quantia de dinheiro a um conhecido. Qual é o meu direito? De receber de volta o dinheiro que eu emprestei (direito ao crédito). Este é o meu direito material; o meu direito propriamente dito. Se a pessoa não me paga o que está devendo, está violando meu direito material. O não pagamento da dívida faz “nascer” o meu direito à pretensão. Ou seja, o meu direito de cobrar judicialmente o que ele me deve. Portanto: Direito Material o de receber o que eu emprestei; Direito de Ação a ação de cobrança que devo propor.

ESPÉCIES DE DECADÊNCIA

O objeto da decadência é o direito que por determinação legal ou convencional (vontade humana unilateral ou bilateral), está subordinado à

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condição de exercício em certo espaço de tempo, sob pena de extinção. A decadência pode ser classificada em:

A) Decadência Legal

Ocorre quando o prazo estiver previsto em lei. As hipóteses de decadência por determinação legal são as previstas expressamente no Código Civil e em leis especiais.

Exemplos: prazo para alegar defeito oculto em algum produto que adquiriu; prazo para anular um negócio jurídico por ter algum defeito relativo ao consentimento (erro, dolo, coação, etc. – art. 178, CC). Segundo o art. 209, CC a decadência resultante de prazo legal não pode ser renunciada pelas partes (nem antes e nem depois de consumada), sob pena de nulidade absoluta. Isto porque as hipóteses legalmente previstas versam sobre questões de ordem pública, não cabendo às partes afastar sua incidência legal.

B) Decadência Convencional

Ocorre quando sua previsão decorrer de uma cláusula pactuada pelas partes em um contrato (autonomia privada). A contrario sensu (entendimento doutrinário) do art. 209, CC que proíbe a renúncia da decadência fixada em lei, pode-se concluir que é possível a renúncia à decadência convencional. Exemplo clássico: oferta, em uma loja de eletrodomésticos, de venda válida somente por alguns dias (a chamada “liquidação total”; ou “queima de estoques”, etc.). Exercido o direito afasta-se a decadência, uma vez que esta se dá quando o direito não é exercido. Assim, se você não aproveitar a oferta dentro do prazo marcado, não poderá mais ir à loja para “aproveitar a oferta”. Como a oferta não existe mais, também o direito a ela se extinguiu. Outros exemplos: as partes podem convencionar no contrato um determinado prazo para que um direito seja exercido; não o sendo neste prazo, ocorre a decadência convencional. As partes podem estabelecer no contrato prazo para o exercício do direito de arrependimento. Testador deixa determinados bens a uma pessoa (legado) estabelecendo um prazo para que o beneficiário venha solicitar a sua entrega. Loja de sapatos que estabelece um prazo de 30 dias para a troca de mercadoria vendidas em liquidação. Uma revendedora de automóveis pode conceder a chamada “garantia estendida”.

Arguição

Pelo

art.

210, CC

o

Juiz

deve (trata-se de um

dever e

não mera

faculdade) conhecer e decretar a decadência legal, mesmo que não haja provocação das partes, no momento em que a detectar. Falamos que neste caso o Juiz pode agir ex officio. Este direito é irrenunciável (diferentemente da prescrição, em que se pode renunciar, embora somente após a sua consumação). Na decadência legal há um interesse social em se ver extinto o direito pelo seu não exercício no prazo previsto em lei. Por analogia entende-se que a decadência pode ser arguida em qualquer estado da causa e em qualquer instância.

Em que pese a revogação do art. 194, CC (referente à prescrição), se o prazo decadencial foi estipulado pelas partes (convencional), o Juiz não pode reconhecer a decadência de ofício. Isto porque foram os próprios contratantes

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(e não a lei) que estabeleceram o prazo decadencial para o exercício do direito. Portanto somente eles é que teriam o direito de alegá-la, em qualquer fase do processo ou grau de jurisdição. Tal regra de extrai do art. 211, CC.

grau de jurisdição. Tal regra de extrai do art. 211, CC. Resumindo a) Prescrição: Juiz “deve”

Resumindo

jurisdição. Tal regra de extrai do art. 211, CC. Resumindo a) Prescrição: Juiz “deve” reconhecer de

a) Prescrição: Juiz “deve” reconhecer de ofício (art. 219, §5°, CPC).

b) Decadência legal: Juiz deve reconhecer de ofício (art. 210, CC).

c) Decadência convencional: Juiz não pode reconhecer de ofício; somente

declara a decadência convencional, se provocado pelo interessado;

d) A parte interessada pode alegar a prescrição e a decadência em qualquer

grau de jurisdição (arts. 193 e 211, CC).

Efeitos

O efeito da decadência é a extinção do próprio direito em decorrência de inércia do titular para o seu exercício. O efeito tempo é devastador:

extingue o direito, extinguindo, indiretamente, a ação.

Como regra, não se aplicam à decadência todas aquelas normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição (art. 207, CC). Portanto o prazo decadencial corre contra todos (efeito erga omnes). Nem mesmo aquelas pessoas contra as quais não corre a prescrição ficam livres de seu efeito. A única exceção é a hipótese do art. 208, combinado com o art. 198, I, ambos do CC, pois o prazo decadencial não corre contra os absolutamente incapazes (embora possa correr “a favor”). Concluindo, salvo a hipótese mencionada pela lei, a decadência somente pode ser obstada pelo efetivo exercício do direito, dentro do lapso de tempo prefixado.

A exemplo da prescrição, os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas também têm direito de ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que deram causa à decadência ou não a alegaram oportunamente (art. 208, combinado com o art. 195, ambos do CC).

Prazos

Como vimos, atualmente os prazos prescricionais estão expressamente discriminados nos artigos 205 e 206, CC. Logo, todos os demais prazos estabelecidos pelo Código são decadenciais. Citamos alguns, de forma exemplificativa:

03 dias – sendo a coisa móvel, inexistindo prazo estipulado para exercer o direito de preempção (preferência), após a data em que o comprador tiver notificado o vendedor (art. 516, CC).

30 dias – contados da tradição da coisa para o exercício do direito de propor a ação em que o comprador pretende o abatimento do preço da coisa móvel recebida com vício redibitório ou rescindir o contrato e reaver o preço pago, mais perdas e danos (art. 445, CC) ação estimatória.

60 dias – para exercer o direito de preempção, inexistindo prazo estipulado, se a coisa for imóvel, após a data em que o comprador tiver notificado o vendedor (art. 516, 2ª parte, CC).

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90 dias – para o consumidor obter o abatimento do preço de bem imóvel recebido com vício.

120 dias – prazo para impetrar Mandado de Segurança, contados da

ciência, pelo interessado, do ato impugnado (art. 23 da Lei n° 12.016/09).

180 dias – para o condômino, a quem não se deu conhecimento da

venda, haver para si a parte vendida a estranhos, depositando o valor correspondente ao preço; direito de preferência, se a coisa for móvel, reavendo o vendedor o bem para si (art. 513, parágrafo único, CC); para anular casamento do menor quando não autorizado por seu representante legal, contados do dia em que cessou a incapacidade (se a iniciativa for do incapaz), a partir do casamento (se a proposta for do representante legal) ou morte do incapaz (se a atitude for tomada pelos seus herdeiros necessários) – art. 1.555 e §1°, CC; para a anulação de casamento, contados da data da celebração, de incapaz de consentir (art. 1.560, I, CC); para invalidar casamento de menor de 16 anos, contados para o menor do dia em que perfez essa idade e da data do matrimônio para seus representantes legais (art. 1.560, §2°, CC).

01 ano – para obter a redibição ou abatimento no preço, se for imóvel, contado da entrega efetiva (art. 445, CC); para pleitear revogação de doação, contado da data do conhecimento do doador do fato que a autorizar (art. 559, CC).

ano e dia – para desfazer janela, sacada, terraço ou goteira sobre o seu prédio (art. 1.302, CC).

02 anos – para mover ação rescisória (art. 495, CPC); para anular

negócio jurídico, não havendo prazo, contados da data da conclusão do ato (art. 179, CC); para exercer o direito de preferência se a coisa for imóvel (art. 513, parágrafo único, CC); anulação de casamento se incompetente a autoridade celebrante (art. 1.560, II, CC); para pleitear anulação de ato praticado pelo consorte sem a outorga do outro, contado do término da sociedade conjugal (art. 1.649, CC).

03 anos – para o vendedor de coisa imóvel recobrá-la, se reservou a si

tal direito, mediante devolução do preço e reembolso das despesas do comprador (art. 505, CC); exercer direito de intentar ação de anulação de casamento, contado da data da celebração, em razão de erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge (art. 1.560, III, CC).

04 anos – para pleitear anulação de negócio jurídico contado: no caso de

coação, do dia em que ela cessar; no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; no de ato de incapazes, no dia em que cessar a incapacidade (art. 178, I, II e III, CC); para intentar ação de anulação de casamento, contado da data da celebração por ter havido coação (art. 1.560, IV, CC).

05 anos – impugnar a validade de testamento, contado da data de seu registro.

Um exemplo que não está no Código Civil é o do art. 26 do Código de Defesa do Consumidor, ou seja, o direito do consumidor de reclamar

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pelos vícios aparentes ou de fácil constatação, que caduca em: a) 30 (trinta) dias, tratando-se de fornecimento de serviços e de produtos não- duráveis; b) 90 (noventa) dias, tratando-se de fornecimento de serviços e de produtos duráveis.

Meus amigos

Como vimos, é importantíssima a distinção e o conhecimento dos institutos da prescrição e decadência. No entanto, alguns vocábulos de outras matérias também podem ser usados pelo examinador para tentar confundir o candidato. Portanto, mesmo estes não estando no programa de Direito Civil, acho interessante a sua menção e uma breve explicação. Assim:

Preclusão: é a perda de uma faculdade ou de um direito processual, por não ter sido exercido no momento correto. Garante-se o avanço da relação processual e obsta-se o seu recuo para fases anteriores. Todo processo tem

um rito a ser seguido. Em cada fase do processo a lei faculta às partes praticarem determinados atos. Caso assim não procedam, perdem a oportunidade, ocorrendo a preclusão. Ex.: as partes têm um prazo para arrolar testemunhas no processo; o Juiz as notifica para tanto e elas nada requerem – houve a preclusão temporal. Outro exemplo: o Juiz condenou uma das partes e a intimou para recorrer da decisão. No entanto o condenado perdeu o prazo para recorrer da decisão. Ocorreu a preclusão e ele não pode mais recorrer. Portanto a preclusão impede que a questão seja renovada, dentro do mesmo processo (art. 183, CPC). Ultrapassado o momento adequado para

praticar o ato, o Juiz não irá reabrir mais este prazo adiante

perimir; de extinguir algo.

Juridicamente é usado em três situações. No Processo Civil é a perda do direito de ação pelo autor que foi contumaz (ou seja, que reiterou o erro), dando causa a três arquivamentos sucessivos (art. 268, parágrafo único do CPC), impedindo que a mesma ação seja proposta uma quarta vez. No Processo Penal ela também é uma sanção processual, mas somente existe nas ações penais privadas (ou seja, que se iniciam por meio de uma queixa-crime do ofendido – e não por meio de denúncia oferecida pelo Ministério Público). O art. 60 do CPP, estabelece as hipóteses de perempção (ex.: quando o querelante – é o autor da ação; o ofendido – deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos). Já a terceira situação diz respeito ao Direito Civil, mais especificamente à hipoteca. Neste caso perempção é o nome que se dá a extinção da hipoteca após o transcurso do prazo de trinta anos (art. 1.485, CC).

Preempção: este é outro termo que serve para confundir o aluno em

concursos. Observem que é só trocar uma letra “e” pelo “r” e perempção se

e o que é

transforma em preempção. Preempção significa

o processo segue

Perempção:

é

o

ato

ou

efeito

de

prelação

Bem

prelação? É o direito de preferência. Assim, preempção, prelação e preferência são expressões sinônimas. Exemplo prático: Se eu sou locador (proprietário) de um imóvel e desejo vender este imóvel, preciso dar o direito de preferência ao locatário (inquilino) para que ele diga se quer ou não comprá-lo. O mesmo pode ocorrer em um condomínio. Três pessoas são “donas” de um barco. Um

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dos coproprietários deseja vendar sua parte. Ele precisa dar o direito de preferência aos demais condôminos.

Caros Alunos. O quadrinho que veremos adiante é de suma importância. É a síntese das diferenças entre prescrição e decadência. Recorra a ele sempre que estiver com alguma dúvida.

Distinções entre Prescrição e Decadência

 

PRESCRIÇÃO

   

DECADÊNCIA

 

Conceito: perda da pretensão em virtude da inércia do titular de um direito subjetivo violado, durante determinado espaço de tempo previsto em lei.

Conceito: perda do direito material (direito potestativo) pela inércia de seu titular que deixou escoar o prazo legal ou convencional.

1.

Extingue a pretensão, pela inércia do

1.

Extingue o direito material pela falta

agente. Não atinge o direito material, que permanece intacto.

de

exercício

dentro

do

prazo.

Indiretamente

atinge

a

ação

e

demais

 

pretensões.

 

2.

Prazos estabelecidos somente pela

2.

Os prazos podem ser convencionais

lei. Não podem ser suprimidos, nem alterados

(estabelecidos pelas partes) ou legais (estabelecidos pela lei).

pela vontade das partes. Não existe prazo prescricional convencional.

3.

Atualmente “deveser declarada de

3.

Na decadência decorrente de prazo

ofício pelo Juiz, mesmo nas ações patrimoniais. O art. 194, CC foi revogado e há disposição legal expressa no art. 219, §5°, CPC.

legal o Juiz deve declará-la de oficio (art.

210, CC). A convencional não pode ser reconhecida de ofício (art. 211, CC).

4.

A

parte

pode

não

alegá-la;

é

4. A decadência decorrente de prazo legal não pode ser renunciada pelas partes: nem antes e nem depois de consumada (art. 209, CC). A convencional pode ser renunciada.

renunciável. A renúncia pode ser expressa ou tácita. A renúncia só valerá depois da

consumação da prescrição e não pode ser feita em prejuízo de terceiros.

5.

Não corre contra determinadas pessoas.

5.

Em rega corre contra todos (efeito

O prazo pode ser impedido, suspenso ou interrompido. Ex.: cônjuges, poder familiar, tutela, curatela, absolutamente incapazes,

etc.

erga omnes). Não se suspende e nem se interrompe. Exceção não corre contra os

absolutamente incapazes (art. 208, c.c. art. 198, I, ambos do CC).

6.

Causas de impedimento ou suspensão

6.

Não

se

admite

suspensão

ou

arts. 197, 198, 199 e 200, CC. Causas de interrupção art. 202 CC. As causas estão expressamente previstas em lei, não se admitindo analogia.

interrupção em favor daqueles contra os quais não corre prescrição. Só pode ser obstada pelo exercício efetivo do direito ou da ação.

7.

Regra Geral Prazo de 10 anos (art.

7.

Não há regra geral para os prazos.

205, CC). Prazos Especiais 01, 02, 03, 04 e 05 anos (conforme previsão do art. 206 e seus parágrafos, CC).

Eles podem ser de dias, meses e anos. Previstos em dispositivos esparsos pelo Código e em Leis Especiais.

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– TRT/RJ (1ª REGIÃO) PROFESSOR LAURO ESCOBAR Dica de Concurso Num caso concreto, para saber se
– TRT/RJ (1ª REGIÃO) PROFESSOR LAURO ESCOBAR Dica de Concurso Num caso concreto, para saber se

Dica de Concurso Num caso concreto, para saber se o prazo é prescricional ou decadencial (o examinador pode pedir isso – é muito comum, inclusive), procure inicialmente identificar se este prazo está previsto no art. 205 (prazo geral) ou no art. 206 (prazos especiais), do Código Civil. Caso identifique o prazo nestes artigos, será o mesmo prescricional. Já os prazos decadenciais estão previstos em dispositivos espalhados pelo Código Civil e em leis especiais. Após isso, verifique a contagem de prazos. Se for em dias, meses ou ano e dia, o prazo é decadencial. Se o prazo for em anos (01, 02, 03, 04 05 ou 10) poderá ser de prescrição ou de decadência.

Na próxima aula daremos continuidade ao Capítulo sobre os Fatos Jurídicos, abordando o Negócio Jurídico, sua classificação e elementos constitutivos, bem como seus defeitos e consequências.

Vamos agora ao nosso resumo da aula.

RESUMO

FATOS E ATOS JURÍDICOS – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

I. FATO COMUM. Ação humana ou fato da natureza sem repercussão na órbita do Direito.

II. FATO JURÍDICO. Acontecimento ao qual o Direito atribui efeitos, possuindo

relevância jurídica. A.R.M.E. (Aquisição, Resguardo, Modificação e Extinção) de

Direitos. Alguns autores acrescentam também a Transmissão de Direitos.

A) Aquisição de Direitos quando incorpora ao patrimônio ou à personalidade

de seu titular.

B) Resguardo de Direitos atos praticados judicial ou extrajudicialmente para

protegê-los, defendê-los.

C) Modificação de Direitos transformação de seu conteúdo ou de seu titular,

sem alteração de sua essência. D) Extinção dos Direitos perecimento da coisa, alienação, prescrição e decadência.

III. CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS JURÍDICOS

A) Fato Jurídico Natural (fato jurídico em sentido estrito ou stricto sensu)

provenientes de fenômenos naturais, mas que produzem efeitos jurídicos (veremos melhor abaixo, no item IV):

1) Ordinários. 2) Extraordinários.

B) Fato Jurídico Humano (Ato) veremos melhor na próxima aula:

1) Ato Lícito (Ato Jurídico em Sentido Amplo (lato sensu) ou Voluntário), englobando:

a) Ato Jurídico em Sentido Estrito (stricto sensu): efeitos decorrentes da lei.

b) Negócio Jurídico: efeitos decorrentes da vontade das partes.

2) Ato Ilícito (ou Involuntário) – transgressão de um dever jurídico:

a) Penal →→→ sanção pessoal.

b) Administrativo →→→ sanção pessoal.

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3322

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→→→ c) Civil →→→ sanção patrimonial →→→ dever de reparar o dano causado (é a que nos interessa mais de perto).

IV. FATO JURÍDICO NATURAL ou FATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO (STRICTO SENSU)

A) Ordinários são os que normalmente ocorrem (previsíveis), produzindo

efeitos jurídicos relevantes: nascimento, maioridade, morte (por causas naturais), aluvião (art. 1.250, CC), avulsão (art. 1.251, CC), decurso de tempo (prescrição e decadência, usucapião), etc.

B) Extraordinários chamados de caso fortuito ou da força maior (ex.:

terremoto). Possuem importância ao Direito, pois excluem, como regra, a responsabilidade. Elementos: imprevisibilidade, inevitabilidade e ausência de culpa.

V. PRESCRIÇÃO (arts. 189 a 206, CC)

A) Pretensão. Todo direito subjetivo deve ser protegido por uma ação. No

momento em que o direito é violado surge uma pretensão (actio nata).

B) Conceito: prescrição é a perda da pretensão em virtude da inércia do titular

de um direito violado, durante determinado espaço de tempo previsto em lei. Atinge as pessoas naturais e as jurídicas. A exceção (forma de defesa) prescreve no mesmo prazo que a pretensão.

C) Requisitos ação judicial exercitável (pois houve a violação de um direito,

nascendo, com isso, a pretensão) e inércia do titular da ação por um espaço de

tempo previsto na lei.

D) Renúncia: o devedor pode renunciar à prescrição (ex.: devedor paga uma

dívida prescrita). Mas isto somente pode se dar depois que a prescrição se consumar

(é proibida a renúncia antecipada), não sendo admitida se for em prejuízo de terceiros. A renúncia pode ser expressa (por escrito) ou tácita (prática de aos incompatíveis).

E) Alegação: em qualquer fase do processo; primeira ou segunda instância,

pela parte a quem aproveita.

F) Declaração ex officio (ou seja, sem que a outra parte tenha alegado):

Como o art. 194, CC foi revogado, atualmente o Juiz “pode” declarar a prescrição de

uma ação, sem que tenha sido provocado (art. 219, §5°, CPC).

G) Efeitos Essenciais

1) Somente a lei pode delimitar os prazos prescricionais. Não podem ser alterados pelas partes, mesmo que haja acordo de vontades entre elas. Com o principal prescrevem os acessórios. 2) Os relativamente incapazes (art. 4°, CC) e as pessoas jurídicas têm direito a ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente (responsabilidade subjetiva). 3) A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor (a título universal ou singular). Exceção se o seu sucessor for absolutamente incapaz o prazo não se inicia enquanto não superada a incapacidade.

H)

as

Causas

Impeditivas,

Suspensivas

e

Interruptivas

vejam

hipóteses nos arts. 197, 198, 199, 200 e 202 do CC.

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1) Causas Impeditivas – são circunstâncias que impedem que o curso

prescricional se inicie, em razão do estado de uma pessoa, atendendo a razões

de confiança, amizade ou ordem moral. 2) Causas Suspensivas – são circunstâncias que paralisam temporariamente o curso prescricional. O prazo prescricional vinha fluindo normalmente, sendo que ocorreu um fato que o fez paralisar. Neste momento a contagem do prazo fica suspensa. Superado esse fato, extinta a circunstância que provocou a suspensão, o prazo prescricional continua a correr de onde parou, computando-se o prazo já decorrido antes do fato. Quando uma ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva decisão definitiva. Suspensa a prescrição em favor de um credor solidário, não se suspenderá a prescrição em favor dos demais. Exceção na hipótese de obrigação indivisível a suspensão promovida por um credor se estende aos demais.

3) Interruptivas – são circunstâncias que inutilizam o prazo prescricional

iniciado, de modo que o prazo recomeça a correr a partir da data do ato que o interrompeu, ou seja, o período já decorrido é inutilizado e o prazo volta a correr novamente por inteiro. A contagem recomeça do zero. No Direito Civil só se admite uma interrupção, que pode ser levada a cabo por qualquer interessado. A interrupção da prescrição operada por um credor não aproveita aos outros; a interrupção da prescrição operada contra um co-devedor não prejudica os demais. Exceção solidariedade ativa e passiva.

I) Prazos Prescricionais – Espaço de tempo compreendido entre o termo inicial e final.

1)

Prazo Geral (ou ordinário) 10 (dez) anos = art. 205, CC.

2)

Prazos Especiais Prazos mais exíguos (01, 02, 03, 04 e 05 anos).

Relação completa: art. 206 e seus parágrafos do CC. Prazos de maior incidência em concursos: a) 02 (dois) anos – pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem; b) 03 (três) anos – pretensão de reparação civil por ato ilícito; pretensão para haver o pagamento de títulos de crédito, a contar do vencimento (ressalvadas as disposições de lei especial); pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; c) 05 (cinco) anos – pretensão dos profissionais liberais em geral (médicos, advogados, contadores, etc.), pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão do serviço.

VI. DECADÊNCIA (arts. 207 a 211, CC)

1) Conceito: perda do direito material (direito potestativo, direito propriamente dito ou direito em si) pela inércia do titular que deixou escoar o prazo previsto em lei ou o prazo voluntariamente fixado para seu exercício. O objeto da decadência é o direito que, por determinação legal ou convencional, está subordinada à condição de exercício em certo espaço de tempo. Enquanto a prescrição atinge a pretensão, a decadência atinge o próprio direito.

2) Espécies:

a) Legal: o prazo é o previsto na lei (Código Civil e Leis Especiais). Ex.: 04

(quatro) anos para se pleitear a anulação de um negócio jurídico contado, no

caso de coação do dia em que ela cessar; em caso de erro, dolo, estado de perigo, lesão e fraude contra credores do dia em que se realizou o negócio jurídico; no de ato de incapazes, no dia em que cessar a incapacidade (art. 178, I, II e III, CC). O seu prazo não pode ser renunciado pelas partes (nem

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antes e nem depois de consumada a decadência), sob pena de nulidade absoluta (norma de ordem pública: art. 209, CC). b) Convencional: cláusula pactuada pelas partes em um contrato. Ex.:

prazo estipulado pelas partes para o exercício de um direito estabelecido no contrato (cláusula de arrependimento); testador deixa determinados bens a uma pessoa (legado) estabelecendo prazo para que o beneficiário venha solicitar a entrega, etc.

3) Efeitos: a) extinção imediata do direito e, de forma indireta, também a ação; b) a legal é irrenunciável; a convencional pode ser renunciada, a teor do art. 209, CC, a contrario senso; c) não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem e interrompem a prescrição. Exceção: não corre o prazo decadencial contra absolutamente incapazes. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas também têm ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que deram causa à decadência ou não a alegaram oportunamente.

4) Arguição: em qualquer momento processual. Decadência legal: o Juiz deve reconhecer de ofício (art. 210, CC). Decadência convencional: estipulada pelas partes; somente o beneficiado pode alegá-la; o Juiz não suprir a alegação e reconhecê-la de oficio (art. 211, CC), pois foram os próprios contratantes que estabeleceram o prazo para o exercício do direito.

BIBLIOGRAFIA-BASE

Para a elaboração desta aula foram consultadas as seguintes obras:

DINIZ, Maria Helena – Curso de Direito Civil Brasileiro. Ed. Saraiva.

DINIZ, Maria Helena – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro Interpretada. Ed. Saraiva.

GOMES, Orlando – Direito Civil. Ed Forense.

GONÇALVES, Carlos Roberto – Direito Civil Brasileiro. Ed. Saraiva

MAXIMILIANO, Carlos – Hermenêutica e Aplicação do Direito. Ed. Freitas Bastos.

MONTEIRO, Washington de Barros – Curso de Direito Civil. Ed. Saraiva.

NERY, Nelson Jr. e Rosa Maria de Andrade – Código Civil Comentado. Ed. Revista dos Tribunais.

PEREIRA, Caio Mário da Silva – Instituições de Direito Civil. Ed. Forense.

RODRIGUES, Silvio – Direito Civil. Ed. Saraiva.

SERPA LOPES, Miguel Maria de – Curso de Direito Civil. Ed. Freitas Bastos.

SILVA, De Plácido e – Vocabulário Jurídico. Ed. Forense.

VENOSA, Silvio de Salvo – Direito Civil. Ed Atlas.

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3355

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EXERCÍCIOS COMENTADOS DA BANCA FCC

01) (FCC – TST – Analista Judiciário – 2012) Quanto à prescrição, é correto afirmar que

(A) o prazo prescricional iniciado contra uma pessoa não corre contra o seu

sucessor.

(B)

sua renúncia será necessariamente expressa.

(C)

seus prazos podem ser alterados por acordo das partes, se maiores e

capazes.

(D) pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem beneficia.

(E) não pode ser pronunciada de ofício pelo juiz, necessitando da iniciativa da

parte para tanto.

COMENTÁRIOS. A letra “a” está errada segundo o art. 196, CC, pois a prescrição continua a correr contra o sucessor. A letra “b” está errada nos termos do art. 191, CC, pois a renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita. A letra “c” está errada, pois os prazos prescricionais não podem ser alterados, ainda que haja acordo entre as partes e estas sejam maiores e capazes (art. 192, CC). A letra “d” está correta nos termos do art. 193, CC. Finalmente a letra “e” está errada, pois além do art. 194, CC ter sido revogado, prevê o art. 219, §5° do Código de Processo Civil que “O juiz pronunciará, de ofício, a prescrição”. Gabarito: “D”.

02) (FCC – Tribunal de Contas/PR – Analista Judiciário – 2011) Interrompe-se a prescrição

(A) durante a demora que tiverem as repartições públicas no estudo do direito pleiteado pelos particulares.

(B)

pelo casamento entre devedor e a credora.

(C)

se sobrevier incapacidade absoluta ou relativa ao credor.

(D)

durante o período no qual o servidor público estiver trabalhando em país

estrangeiro no exercício de seu cargo ou função.

(E) pelo protesto cambial.

COMENTÁRIOS. O art. 202, inciso III, CC prevê que a prescrição será interrompida em caso de protesto cambial. Gabarito: “E”.

03) (FCC – TRT/20ª Região/SE – Analista Judiciário – 2011) Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, esta suspensão só aproveitará os demais se a obrigação for

(A)

indivisível.

(B)

alternativa.

(C)

divisível.

(D)

de dar coisa certa.

(E)

de fazer.

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COMENTÁRIOS. É o que estabelece literalmente o art. 201, CC. Gabarito:

“A”.

04) (FCC – TRE/AL – Analista Judiciário – 2010) Com relação à prescrição é correto afirmar:

(A) a prescrição suspensa em favor de um dos credores solidários aproveitará

sempre os demais.

(B)

os prazos de prescrição podem ser alterados por acordo das partes.

(C)

a prescrição iniciada contra uma pessoa não continua a correr contra o

seu sucessor por expressa vedação legal.

(D)

a exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão.

(E)

a renúncia da prescrição deverá ser expressa, sendo vedada a renúncia

tácita.

COMENTÁRIOS. A letra “a” está errada, pois determina o art. 201, CC, que a prescrição suspensa em favor de um dos credores solidários só aproveitam aos outros se a obrigação for indivisível. A letra “b” está errada, pois os prazos de prescrição não podem ser alterados, nem mesmo por acordo de ambas as partes (art. 192, CC). A letra “c” está errada, pois a prescrição iniciada contra uma pessoa continua, sim, a correr contra o seu sucessor (art. 196, CC). A letra “d” está errada, pois é admissível a renúncia tácita da prescrição (art. 191, CC). A letra “d” está correta nos termos do art. 190, CC. Gabarito: “D”.

05) (FCC – TJ/PE – Analista Judiciário – 2009) A prescrição corre normalmente

(A)

não estando vencido o prazo.

(B)

entre cônjuges, na constância do casamento.

(C)

pendendo condição suspensiva.

(D)

pendendo ação de evicção.

(E)

entre ascendentes e descendentes quando cessado o poder familiar.

COMENTÁRIOS. O art. 197, II, CC determina que não corre a prescrição entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar. Portanto, cessado este, não é mais hipótese de suspensão ou impedimento da prescrição, que volta a correr normalmente. Daí estar certa a letra “c”. Nas demais letras a prescrição ficará suspensa. Gabarito: “E”.

06) (FCC – TRE/AC – Analista Judiciário – 2010) Jane por deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil. Gilberto, por causa transitória, não pode exprimir sua vontade e Morgana é excepcional, sem desenvolvimento mental completo. De acordo com o Código Civil brasileiro, NÃO corre a prescrição contra

(A)

Gilberto e Morgana.

(B)

Jane, Gilberto e Morgana.

(C)

Jane e Gilberto.

(D)

Jane e Morgana.

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(E) Jane, apenas.

COMENTÁRIOS. Jane e Gilberto são absolutamente incapazes (art. 3°, CC); Morgana é relativamente incapaz (art. 4°, CC). A prescrição não corre contra os absolutamente incapazes (art. 198, I, CC). Logo a prescrição não corre contra Jane e Gilberto. Gabarito: “C”.

07) (FCC – TRT/1ª Região/RJ – Magistratura do Trabalho – 2012) Não correm prazos decadenciais e prescricionais

(A)

entre cônjuges na constância da sociedade conjugal.

(B)

contra os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua

vontade.

(C) contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou

dos Municípios.

(D) quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal

antes da respectiva sentença definitiva.

(E) contra os ébrios habituais, os viciados em tóxicos e os que, por deficiência

mental, tenham o discernimento reduzido.

COMENTÁRIOS. Todas as alternativas são hipóteses de impedimento ou suspensão do prazo prescricional. No entanto o cabeçalho da questão fala em prazos prescricionais e decadenciais. Assim, a única alternativa correta é a letra “b” uma vez que as pessoas que mesmo por causa transitória não podem exprimir sua vontade são absolutamente incapazes (art. 3°, III, CC) e o art. 198, I, CC determina que não corre a prescrição contra os incapazes de que trata o art. 3°, CC. Além disso, determina o art. 208, CC que se aplica à decadência o disposto no art. 198, I, CC, sendo esta a única causa de suspensão do prazo decadencial. Gabarito: “B”.

08) (FCC – TRF/2ª Região/RJ e ES – Analista Judiciário – 2007) Prescreve em cinco anos a pretensão:

(A) de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou

particular.

(B) de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo

prazo da data em que foi deliberada a distribuição.

(C) dos credores não pagos contra os sócios de acionistas e os liquidantes,

contando o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade.

(D) dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados ao consumo no

próprio estabelecimento, para pagamento da hospedagem ou dos alimentos. (E) para haver juros, dividendos ou quaisquer pretensões acessórias, pagáveis em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela.

COMENTÁRIOS. É o que estabelece literalmente o art. 206, §5°, I, CC. Gabarito: “A”.

09) (FCC – TRT/18ª Região/GO – Analista Judiciário – 2009) A respeito da decadência, é correto afirmar que:

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(A)

não corre a decadência pendendo condição suspensiva.

(B)

é nula a renúncia à decadência fixada em lei.

(C)

interrompe a decadência qualquer ato judicial que constitua em mora o

devedor.

(D)

a decadência pode ser interrompida por qualquer interessado.

(E)

a interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.

COMENTÁRIOS. A letra “a” está errada, pois esta causa de impedimento de fluência de prazo diz respeito à prescrição e não à decadência (art. 199, I, CC). A letra “c” está errada, pois também se refere somente à prescrição (art. 202, V, CC). A letra “d” está errada, pois também se refere à prescrição (art. 203, CC). Finalmente a letra “e” também novamente se refere à prescrição (art. 204, §3°, CC). A letra “b” esta correta nos termos do art. 209, CC. Gabarito:

“B”.

10) (FCC – TRF/5ª Região/RS, SC e PR – Analista Judiciário – 2008) De acordo com o Código Civil Brasileiro a pretensão de reparação civil prescreve em:

(A)

dois anos.

(B)

cinco anos.

(C)

dez anos.

(D)

três anos.

(E)

quatro anos.

COMENTÁRIOS. É o que estabelece literalmente o art. 206, §3°, V, CC. Gabarito: “D”.

11) (FCC – TRT/14ª Região/RO e AC – Analista Judiciário – 2011) Prescreve em três anos a pretensão

(A) relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas.

(B) de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular.

(C)

do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo.

(D)

dos profissionais liberais em geral pelos seus honorários, contado o prazo

a conclusão dos serviços ou cessação dos respectivos contratos.

(E) do beneficiário contra o segurador e a do terceiro prejudicado, no caso de

seguro de responsabilidade civil obrigatório.

COMENTÁRIOS. É o que estabelece literalmente o art. 206, §3°, IX, CC. Cuidado para não confundir esta situação com a prevista no art. 206, §1°, II, que também diz respeito ao contrato de seguro. Gabarito: “E”.

12) (FCC – TRF/2ª Região/RJ e ES – Analista Judiciário – 2012) Gabriela, perita, é proprietária de um conjunto comercial na região da Av. Copacabana, no Rio de Janeiro - Capital. Seu inquilino Sandoval está injustamente sem pagar os aluguéis devidos desde fevereiro de 2008. De acordo com o Código Civil brasileiro, Gabriela

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(A) terá direito ao recebimento de todos os aluguéis devidos, tendo em vista

que o prazo prescricional neste caso é de sete anos.

(B) terá direito ao recebimento de todos os aluguéis devidos, tendo em vista

que o prazo prescricional neste caso é o comum de dez anos.

(C) não terá direito ao recebimento de todos os aluguéis devidos, tendo em

vista que o prazo prescricional neste caso é de dois anos.

(D) terá direito ao recebimento de todos os aluguéis devidos, tendo em vista

que o prazo prescricional neste caso é de cinco anos.

(E) não terá direito ao recebimento de todos os aluguéis devidos, tendo em

vista que o prazo prescricional neste caso é de três anos.

COMENTÁRIOS. Ela não terá direito ao recebimento de todos os aluguéis devidos, uma vez que o art. 206, §3°, I, CC estabelece que prescreve em 03 (três) anos a pretensão relativa a aluguéis de prédios (urbanos ou rústicos). Gabarito: “E”.

13) (FCC – TRT/23ª Região/MT – Analista Judiciário – 2009) A pretensão de cobrança de dívida decorrente do descumprimento de contrato verbal de empréstimo em dinheiro prescreve em

(A)

2 anos.

(B)

3 anos.

(C)

4 anos.

(D)

5 anos.

(E)

10 anos.

COMENTÁRIOS. A situação mencionada no cabeçalho da questão não está prevista expressamente em nenhuma dos parágrafos ou alíneas do art. 206, CC. Logo, trata-se de hipótese de aplicação do art. 205, CC, que afirma que a prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não houver fixado prazo menor. Gabarito: “E”.

14) (FCC – Analista do Tribunal de Contas/GO – 2010) A respeito da decadência, considere:

I. Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá- la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação. II. A decadência não corre contra os absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil. III. O protesto cambial sempre interrompe o prazo decadencial. Está correto o que se afirma APENAS em

(A)

I.

(B)

I e II.

(C)

I e III.

(D)

II e III.

(E)

III.

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4400

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COMENTÁRIOS. A assertiva I está correta nos termos do art. 211, CC. A assertiva II está correta nos termos dos arts. 207, 208 e 198, I, CC. Já a assertiva III está errada nos termos do art. 202, III, CC, posto que o protesto cambial interrompe a prescrição e não a decadência. Gabarito: “B”.

15) (FCC – TRT/11ª Região/AM e RR – Magistratura do Trabalho – 2009) O curso do prazo prescricional é interrompido

(A) por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe

reconhecimento do direito pelo devedor ou se o credor se tornar absoluta ou

relativamente incapaz. (B) pelo protesto judicial, sendo a citação válida, ou pelo casamento da credora com o devedor, enquanto durar a sociedade conjugal.

(C) pelo protesto cambial ou pelo despacho do Juiz que ordenar a citação, se

o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual.

(D) pela citação válida, ainda que ordenada por Juiz incompetente, se o

interessado a promover no prazo e na forma da lei processual ou se o credor

tiver de ausentar-se do país em serviço público da União.

(E) por qualquer ato que constitua em mora o devedor ou e este for nomeado

curador do credor que se tornar absolutamente incapaz.

COMENTÁRIOS. Os prazos de interrupção da prescrição estão previstos no art. 202, CC. E a única alternativa em que as hipóteses das alternativas estão prevista em lei é a letra “c”. Gabarito: “C”.

16) (FCC – TRE/PB – Analista Judiciário – 2009) A prescrição corre normalmente

(A)

contra os ausentes do País em serviço público dos Municípios.

(B)

entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar.

(C)

entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal.

(D)

contra os relativamente incapazes.

(E)

contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de

guerra.

COMENTÁRIOS. Das previstas na questão, a única hipótese em que a prescrição corre normalmente é a que corre contra os relativamente incapazes. Letra “a” (art. 198, II, CC); letra “b” (art. 197, II, CC); letra “c” (art. 197, I, CC); letra “e” (art. 198, III, CC). Gabarito: “D”.

17) (FCC – TJ/PE – Analista Judiciário – 2007) A prescrição corre normalmente

(A)

não estando vencido o prazo.

(B)

entre cônjuges, na constância do casamento.

(C)

pendendo condição suspensiva.

(D)

pendendo ação de evicção.

(E) entre ascendentes e descendentes quando cessado o poder familiar.

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DIREITO CIVIL: ANALISTA JUDICIÁRIO – TRT/RJ (1ª REGIÃO) PROFESSOR LAURO ESCOBAR

COMENTÁRIOS. Das previstas na questão, a única hipótese em que a prescrição corre normalmente é a entre ascendentes e descendentes, quando cessado o poder familiar. Letra “a” (art. 199, II, CC); letra “b” (art. 197, I, CC); letra “c” (art. 199, I, CC); letra “d” (art. 199, III, CC). Gabarito: “D”.

18) (FCC – Agência Nacional de Saúde – Analista em Direito – 2009) É certo que a decadência

(A) deve ser reconhecida pelo juiz de ofício, quando reconhecida por lei,

independentemente de arguição pelos interessados.

(B) resultante de prazo legal pode ser renunciada pelas partes anteriormente

à sua consumação.

(C) não admite suspensão e, por isso, corre normalmente contra os menores

de dezesseis anos.

(D) convencional só pode ser arguida pela parte a quem aproveita até a

sentença de primeiro grau de jurisdição.

(E) resultante de prazo legal pode ser renunciada pelas partes depois de

consumada.

211, CC.

COMENTÁRIOS. A letra “a” está correta nos termos do Gabarito: “A”.

art.

19) (FCC – Analista do Tribunal de Contas/GO – 2010) A pretensão de ressarcimento do enriquecimento sem causa e a de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular prescrevem em

(A)

2 e 3 anos, respectivamente.

(B)

2 e 4 anos, respectivamente.

(C)

3 anos, em ambas as hipóteses.

(D)

3 e 5 anos, respectivamente.

(E) 4 anos, em ambas as hipóteses.

COMENTÁRIOS. A pretensão de ressarcimento do enriquecimento sem causa prescreve em três anos (art. 206, §3°, IV, CC) e a de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular prescreve em cinco anos (art. 206, §5°, I, CC). Gabarito: “B”.

20) (FCC – TRE/PI – Analista Judiciário – 2007) Corria uma prescrição contra Joaquim e ele veio a falecer. Nesse caso, a

(A) morte interrompe o curso da prescrição, recomeçando a contar do início

contra os herdeiros.

(B) prescrição continua a correr contra seus herdeiros, se não existirem

causas impeditivas ou suspensivas.

(C) morte suspende o curso da prescrição, que recomeça a contar contra os

herdeiros trinta dias depois.

(D)

prescrição deixa de correr e é considerada extinta para todos os fins.

(E)

prescrição continua a correr, mas o prazo prescricional é contado em

dobro.

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DIREITO CIVIL: ANALISTA JUDICIÁRIO – TRT/RJ (1ª REGIÃO) PROFESSOR LAURO ESCOBAR

COMENTÁRIOS. Nos termos do art. 196, CC, a prescrição iniciada contra uma pessoa (no caso Joaquim), continua a correr contra seus sucessores, excetuando a hipótese de existir alguma causa impeditiva ou suspensiva (ex.:

um dos herdeiros pode ser incapaz e neste caso a prescrição não corre para ele). Gabarito: “B”.

21) (FCC – TRT/15ª Região/Campinas/SP – Analista Judiciário – 2006) É correto afirmar

(A) a interrupção da prescrição dar-se-á tantas vezes forem as causas

interruptivas que ocorrerem em seu curso.

(B) suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só

aproveitam os outros se a obrigação for indivisível.

(C) a prescrição iniciada contra uma pessoa é interrompida por sua morte e

volta a correr contra seu sucessor.

(D)

a exceção prescreve dois anos após a pretensão.

(E)

a prescrição só pode ser alegada, pela parte a quem aproveita, em

primeiro grau de jurisdição.

COMENTÁRIOS. A letra “b” está correta, pois é o que determina o art. 201, CC. A letra “a” está errada, pois nos termos do art. 202, CC a interrupção da prescrição só pode ocorrer uma única vez. A letra “c” está errada, pois o art. 196, CC determina que a prescrição iniciada contra uma pessoa, continua a correr contra seus sucessores. A letra “d” está errada, pois o art. 190 prevê que a exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão. Finalmente a letra “e” também está errada, pois a prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição (art. 193, CC). Gabarito: “B”.

22) (FCC – TRT/6ª Região/PE – Técnico Judiciário – 2012) Interrompe-se a prescrição

(A)

na pendência de ação de evicção.

(B)

pelo protesto cambial.

(C)

somente por despacho de Juiz competente que ordenar a citação, se o

interessado a promover no prazo e na forma da lei processual.

(D) pelo casamento do devedor com a credora.

(E) sobrevindo incapacidade absoluta ou relativa do credor.

COMENTÁRIOS. Art. 202, III, CC. Gabarito: “B”.

23) (FCC – Procurador do Estado/PE – 2008) Considere as seguintes afirmações sobre a prescrição:

I. Não corre contra os absoluta ou relativamente incapazes.

falta de alegação da prescrição e