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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO

RESENHA DO ARTIGO “PLANO DE OCUPAÇÃO PARA ÁREAS COM SOBREPOSIÇÃO DE INTERESSE AMBIENTAL E SOCIAL NO MUNICÍPIO DE SANTO ANDRÉ-SP”

ANA FLÁVIA MARTINS PAULO PANIZ

Cuiabá – MT Novembro, 2016

O artigo de Francisco Comaru, Giselle Tanaka e Juan Carlos Cristaldo aborda a problemática da elaboração de diretrizes de uso e ocupação para regiões urbanas onde acontece uma sobreposição de zonas de interesse social e ambiental (ZEIA E ZEIS). E tem como objetivo agregar os resultados obtidos ao debate sobre o uso e ocupação do solo nessas áreas em que ocorre essa sobreposição.

Este resulta de um projeto, já em fase de execução, desenvolvido pelo PROEXT – Programa de Apoio à Extensão Universitária, que visa estabelecer diretrizes específicas a cada área por meio de um plano de ocupação que leve em consideração a gestão e as devidas intervenções que serão necessárias.

A área estudada encontra-se no município industrial de Santo André em São Paulo, na região metropolitana, que é dividida em duas áreas bastantes distintas: a Macrozona Urbana e a Macrozona de Proteção Ambiental. Ambas apresentam dinâmicas de expansão e crescimento populacional.

Foi então proposto um diagnóstico físico, urbanístico e ambiental em duas áreas de estudo, as Microbacias das cabeceiras do Cassaquera e do Guarará, que encontram-se nas bordas da área urbana, onde, na última década, ocorreu um maior crescimento populacional, enquanto que entre 1950 e 1970 ainda permaneciam vazias por conta das suas características físicas e ambientais que não propiciavam a ocupação.

A ideia principal é que do processo do diagnóstico possa ser criado um plano de ocupação para as microbacias, com a identificação de diretrizes que pudessem ser adotadas para essa região. Assim como, orientar o processo de licenciamento urbanístico e ambiental, orientando também a execução das intervenções por meio das áreas de interesse social.

Esta área de estudo constitui-se por três sub-bacias hidrográficas que são a sub-bacia de Itrapõa, do Cassaquera, e do Guarará. Esta última configura-se como uma extensa planície no sentido sul-norte, tendo como início o limite norte o Parque Natural do Pedroso.

Os autores definiram que nem todas essas zonas da ZEIA representam um ativo ambiental e que os limites de todas elas são claros e coincidem com os limites dos terrenos, exceto as zonas referentes a ZEIA B que, devido ao fato de estarem nas áreas de nascentes dos córregos Guarará, Cassaquera e Itrapõa, foram delimitadas de maneira diferente das demais, seguindo uma curva de nível que corresponde parte das áreas de APP. Pelo fato de não seguir a lógica de parcelamento das demais, muitos lotes ficaram parcialmente dentro da ZEIA B.

A principal questão do projeto da PROEXT gira em torno da sobreposição de ZEIS (A e B) e ZEIA (categoria B) na mesma delimitação de terra. Enquanto a primeira flexibiliza diversos pontos, facilitando a produção de habitações sociais, a segunda, ao contrário, restringe a ocupação do solo com o objetivo de proteger o meio ambiente.

As áreas de estudo tiveram uma urbanização recente, tendo sua ocupação consolidada a partir de 1970. As duas regiões de nascentes (Cassaquera e Guarará) apresentam um tipo de ocupação semelhante, tendo suas áreas mais propícias loteadas na década de 40, tendo sua ocupação em 70.

Nesse período então, iniciaram loteamentos para a população de baixa renda, nas Microbacias das cabeceiras do Guarará, organizados em associações de moradores voltadas para aquisição de glebas, implantação e divisão de lotes. Neste artigo, é feito então, uma análise histórica e a definição de características urbanas e físico ambientais dos loteamentos desta área. Entre os que foram analisados estão: O conjunto Habitacional João Ramalho; O loteamento Quinhão 21; Conjunto Habitacional Morada verde; Complexo Jardim Irene; Loteamento Nova Cidade e Terrenos do CESA Santo André.

O mesmo foi feito para os loteamentos localizados nas Microbacias das cabeceiras do Cassaquera, sendo eles: O Núcleo Vista Alegre (ocupação irregular); Núcleo de Favela Gregório de Matos; Loteamento da Construção Pereira; e o Terreno da Santil Empreendimentos.

A partir desse diagnóstico são relacionadas diretrizes a seguir nos planos de ocupação para as áreas analisadas, assim como os desafios para alcançar os propósitos de garantir a melhoria da qualidade ambiental dessas microbacias, ao mesmo tempo que propicia a urbanização com a implantação de habitações de interesse social.

Foram definidas 10 diretrizes, sendo elas: a microbacia como unidade de planejamento, intervenção e gestão; integração de áreas, verdes, vistas como residuais na cidade; integração de áreas privadas no sistema de áreas verdes; intervenções de saneamento básico fundamentais; inovação no tratamento das águas pluviais; gestão de qualidade da água; aplicação da resolução CONAMA 369 considerando o Plano da Microbacia; intervenções que considerem o grau de consolidação e potencial ambiental; desenvolvimento de parâmetros urbanísticos e soluções projetuais adequadas para HIS; e a implementação de políticas públicas de educação ambiental.

E outros 4 desafios foram percebidos, o de superar o impasse causado pela distinção entre o urbano e o ambiental, a necessidade de políticas de desenvolvimento urbano

abrangente, o avanço no planejamento e gestão regional da metrópole, além também, da garantia de financiamentos para HIS que apresentem soluções urbanísticas e ambientalmente adequadas.

A partir deste estudo, obteriam um Plano de Ocupação que considere a realidade socioambiental de tais áreas, considerando suas divergências e as limitações existentes por parte da ação pública. O resultado seria a indicação de propostas que realmente possibilitem a ocupação, infra-estrutura e a gestão, compatibilizando assim os instrumentos urbanísticos com os ambientais.

Desta maneira, será possível preencher as lacunas existentes no limites daquilo que pode ser ou não aceito no caso do uso e ocupação juntamente com a preservação ambiental, conservando os recursos ambientais, ao passo que, não restringe totalmente às áreas a uma futura implantação, quando possível, de edifícios ou residências voltados ao interesse social, deste que estes não prejudiquem o meio ambiente.