Você está na página 1de 13
Seediscussions,stats,andauthorprofilesforthispublicationat: https://www.researchgate.net/publication/305905095

Seediscussions,stats,andauthorprofilesforthispublicationat:https://www.researchgate.net/publication/305905095

ConferencePaper·December2006

CITATIONS

0

3authors,including:

·December2006 CITATIONS 0 3authors ,including: LeonardoPereiraeSilva UniversidadeFederaldaParaíba 25

25 PUBLICATIONS 44 CITATIONS

READS

18

25 PUBLICATIONS 44 CITATIONS SEEPROFILE READS 18 CelsoA.G.Santos UniversidadeFederaldaParaíba 238

238 PUBLICATIONS 349 CITATIONS

Someoftheauthorsofthispublicationarealsoworkingontheserelatedprojects:

Streamflowforecastingusingwavelet-ANNhybridmodels Viewproject Viewproject

AllcontentfollowingthispagewasuploadedbyLeonardoPereiraeSilvaon20August2016.

Theuserhasrequestedenhancementofthedownloadedfile.Allin-textreferencesunderlinedinblueareaddedtotheoriginaldocument

andarelinkedtopublicationsonResearchGate,lettingyouaccessandreadthemimmediately.

IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS SUSCEPTÍVEIS A INUNDAÇÃO NA BACIA DO RIO CUIÁ-PB

Leonardo Pereira e Silva 1 ; Nadjacleia Vilar Almeida 2 & Celso Augusto Guimarães Santos 3

RESUMO ---Este trabalho trata da utilização de uma ferramenta para a obtenção e análise da área de inundação através do processo hidrológico do cálculo das manchas de inundação no SPRING que incorpora função do modelo hidrodinâmico Mike, aplicado a uma bacia hidrográfica urbana. A

bacia do rio Cuiá possui uma área de aproximadamente 40 km 2 e está localizada na mesorregião do litoral paraibano, município de João Pessoa, na parte sul do litoral paraibano. A partir da análise do mapa é possível verificar que os níveis das cotas de inundação ficam em torno de 3,90 m a 10,20 m acima do nível do mar, com uma área inundável estimada em 1,5 km 2 . A aplicação da macha de inundação do SPRING se mostrou eficiente neste estudo, uma vez que a representação da declividade foi obtida a partir de uma base cartográfica com curvas de 5 em 5 metros. As machas de inundação encontradas na parte norte da bacia são as mais problemáticas por ocorrem em uma área com maior taxa de adensamento ocupacional e conter áreas consideradas aglomerados subnormais.

O presente estudo vem a contribuir para uma determinação do procedimento de ocupação do solo

durante o processo de urbanização futuro.

Palavras-chave: Rio Cuiá, Inundação, SPRING

ABSTRAC ---This paper treats of use of a tool for the obtaining and analyze of flood area through the process hydrologic of calculation of stains of flood in SPRING incorporate function of

hydrodynamic model Mike, applied in basin urban hydrographic. The basin of river Cuiá possesses an area of approximately 40 km 2 and it is located in the mesorregião of the coast paraibano, in João Pessoa city, in the south part of coast paraibano. Starting from the analysis of map it is possible to verify that the levels of the flood quotas are around 3,90 m to 10,20 m above sea level, with an area flooded in 1,5 km 2 . The application of male of flood of SPRING was shown efficient in this study, once the representation of the steepness was obtained starting from a cartographic base with curves

of 5 in 5 meters. The male of flood found in the north part of basin are the more problems for they

happen in an area with larger tax of occupational density and to contain areas considered subnormal agglomerates. The present study comes to contribute for determination of the procedure of

occupation of the soil during the future urbanization process.

Word-key: Cuiá River, Flood, SPRING

1) Mestrando. Bolsista CT-Hidro/CNPq, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana, CT/UFPB leojampa@ig.com.br 2) Prof a .Ms. do Departamento História e Geografia, UEPB e do Departamento de Geociências, CCEN/UFPB nadjageo@ig.com.br 3) Prof. Dr. Departamento de Tecnologia da Construção Civil, CT/UFPB celso@ct.ufpb.br

1 INTRODUÇÃO

A bacia hidrográfica do rio Cuiá, localizada ao sul do município de João Pessoa, é

caracterizada como uma bacia urbana, e vem sofrendo várias alterações que prejudicam os processos ambientais. Tais alterações podem ser elencadas como: crescimento urbano desordenado,

e perda das características naturais dos rios, ocasionada pelas sucessivas obras de engenharia, que

muitas vezes não levam em consideração o conjunto da rede de drenagem e modificam as seções transversais e o perfil longitudinal dos rios, alterando assim a eficiência do fluxo, e causando mudanças no ciclo hidrológico. As mudanças no ciclo hidrológico são provocadas pelo surgimento de novas áreas urbanizadas. Dessa forma, o solo passa a ter grande parte da sua área impermeabilizada, com edificações, ruas, calçadas etc., o que vem a modificar o comportamento hídrico da bacia, visto que as áreas impermeabilizadas reduzem a porcentagem de água infiltrada no solo e aumentam a

velocidade do escoamento superficial no sistema de drenagem, trazendo como conseqüência direta as inundações.

As precipitações intensas em áreas urbanizadas causam vazões muito maiores e inundações

generalizadas quando comparadas a esta mesma área antes da urbanização. Esse processo ocorre devido aos impactos hidrológicos causados pela remoção da vegetação, pela impermeabilização e canalização da bacia. Tendo, também, como efeito degradante o aumento da quantidade de sedimentos carreados pelo escoamento superficial o que acelera o processo erosivo (GONDIM FILHO, 2004). Para se tentar apontar medidas mitigadoras para os diversos problemas existentes na área de estudo, a unidade de planejamento a ser adotada é a bacia hidrográfica, que é a unidade afetada pelo ciclo hidrológico. De acordo com Setti et al. (2000), a unidade básica de gestão dos recursos hídricos deve ser a bacia hidrográfica, pois através da rede de drenagem fluvial, integra grande parte das relações causa-efeito que devem ser tratadas na gestão. Embora existam outras unidades político administrativas a serem consideradas, como os municípios, estados, regiões e países, essas unidades não apresentam necessariamente o caráter integrador da bacia hidrográfica, o que poderia tornar a gestão parcial e ineficiente caso fossem adotadas.

As enchentes e inundações em áreas urbanas constituem-se em um relevante impacto sobre

a sociedade, esse impacto é ampliado pela urbanização. Segundo Vianna (2000), as cheias são

definidas como um acontecimento em que são verificados valores extremos de vazão associados a inundações das planícies ou áreas adjacentes ao canal principal dos cursos d’água. As enchentes são fenômenos naturais dos regimes dos rios e de outros corpos de água, já que todo rio tem sua área

natural de inundação. Entretanto, as inundações passam a ser um problema quando o homem deixa

de respeitar os limites naturais dos rios (ENOMOTO, 2004).

A enchente caracteriza-se pelo aumento da vazão de escoamento superficial e a

inundação pelo transbordamento do canal. Com isso, uma enchente pode não causar inundação se

forem construídas obras para escoamento das águas pluviais e para prevenção e controle das

inundações (Figura 1). Por outro lado, mesmo não havendo um grande aumento de escoamento

superficial, poderá acontecer uma inundação, caso haja alguma obstrução no canal natural do rio

(VILLELA, S.M.; MATTOS, A., 1975, p.138 apud GONDIM FILHO, 2004).

S.M.; MATTOS, A., 1975, p.138 apud GONDIM FILHO, 2004). Figura 1 – Perfil do processo de

Figura 1 – Perfil do processo de enchente e inundação. Fonte: MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2006

As enchentes em áreas urbanas ocorrem principalmente devido ao desmatamento, à

pavimentação do solo, à construções, à movimentos de terra, e aos aterros de reservatórios e de

curso d’água, levando ao aumento da freqüência e magnitude das enchentes,já que o volume da

água do rio transborda até o leito maior da planície de inundação e atinge as habitações que ocupam

áreas inapropriadas à ocupação humana. Conseqüentemente, esses fatores em conjunto, causam

sérios problemas de inundação.

Segundo Chow, Maidment e Mays (1988) os efeitos da urbanização nos processos

hidrológicos se dão de duas maneiras, quando a quantidade de água aumenta na mesma proporção

em que aumentam as áreas impermeabilizadas e, como conseqüência, há a redução no volume de

água infiltrada e quando a velocidade da drenagem superficial e o pico de enchente aumentam

devido à maior eficiência do sistema de drenagem.

Existem dois tipos de inundação: inundação de áreas ribeirinha e a inundação devido à

urbanização. A primeira ocorre quando registra-se uma precipitação de elevada magnitude e

freqüência, com isso, grande parte da água que chega ao solo não consegue infiltrar, fazendo com

que ocorra um aumento do escoamento para o sistema de drenagem, superando a capacidade natural

de escoamento da bacia. Assim o volume que não consegue infiltrar ocupa a várzea que é inundada

de acordo com a topografia das áreas próximas aos rios.

Já as inundações urbanas podem ser divididas de acordo com os fatores que as provocam. Na várzea natural, as enchentes ocorrem devido à má ocupação das regiões ribeirinhas. Essas regiões, geralmente pertencem ao poder público e são freqüentemente invadidas por sub-habitações e não têm valor imobiliário. A urbanização geralmente se preocupa com a drenagem da área do loteamento (esgotos pluviais), sem se preocupar com os efeitos para a macrodrenagem. Há, portanto, uma sobrecarga da drenagem secundária sobre a macrodrenagem. A impermeabilização do solo causada por obstruções de condutos e canais intensifica o escoamento e aumenta a quantidade de água que chega ao mesmo tempo no sistema de drenagem produzindo inundações mais freqüentes do que as que existiam antes da urbanização (TUCCI, 2003). Uma forma de solucionar o problema de inundação é a partir da delimitação dessas áreas, ou seja, um zoneamento de áreas sujeita a inundação. Desta forma será possível analisar as dimensões das áreas de inundação e, portanto, caracterizar as regiões mais favoráveis à ocupação urbana na bacia sem o perigo de inundação. A possibilidade de previsão das inundações, com antecedência apropriada, estimula ações de prevenção e resposta que podem reduzir ou eliminar perdas humanas e materiais. Para determinar a área inundação o mapeamento obtido através de simulações hidrodinâmica é considerado a técnica mais flexível utilizada em recursos hídricos, sendo essa uma das suas principais vantagens, pois permite que todas as características de um sistema sejam representadas por uma descrição matemática. Outra vantagem da técnica de simulação é a possibilidade de ser aplicável a sistemas complexos não importando a complexidade da rede de drenagem. Com o mapeamento de áreas inundáveis pode-se direcionar as áreas destinadas a expansões urbanas e a ordenação do uso e ocupação do solo, determinado-se os usos mais adequados para estas áreas. Para a determinação da mancha de inundação da bacia hidrográfica do rio Cuiá foi utilizado o Software Spring desenvolvido pelo Departamento de Processamento de Imagens do INPE (Câmara et ali, 1996). Este software conta com a ferramenta Modelagem Numérica do Terreno, que através da função de Processos Hidrológicos, permite estabelecer a mancha de inundação, que tem a função extraída do modelo hidrodinâmico do Mike 11. O MIKE foi desenvolvido pelo “Danish Hydraulic Institute” – DHI uma empresa dinamarquesa que contém várias opções de ferramentas de suporte a decisões no planejamento e gestão dos recursos hídricos, a função que o SPRING incorpora é uma representação matemática de bacias hidrográficas, calculando as cotas de inundação utilizando equações de mecânica dos fluídos. O objetivo principal da função do SPRING é representar o comportamento de sistemas físicos de forma mais detalhada possível e fornecer informações para avaliar o comportamento do

sistema real. Neste artigo é utilizado uma das ferramentas disponíveis na área das geotecnológicas para o planejamento e gestão integrada de sistemas hídricos urbano.

2 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

A bacia hidrográfica do rio Cuiá está inserida no município de João pessoa, com uma área de aproximadamente 40 km 2 com valores altimetricos médios de 5 m, e está delimitada pelas coordenadas UTM 302.000E/9.210.000N e 292.000E/ 9200.000N. Limita-se a norte com a Bacia do Rio Jacarapé, ao sul com a Bacia do Rio Gramame, e ao oeste com o conjunto Habitacional Ernany Sátiro e a leste com o Oceano Atlântico. A figura 2 mostra a localização da bacia no Estado da Paraíba, estando em UTM fuso 23 estendido porque foi a projeção adotada no presente trabalho.

porque foi a projeção adotada no presente trabalho. Figura 2 - Localização bacia hidrografia do rio

Figura 2 - Localização bacia hidrografia do rio Cuiá.

O rio principal da bacia hidrografia em estudo é o rio Cuiá, cuja nascente está localizada no conjunto habitacional dos Grotões com um comprimento longitudinal de 10,43 km, desaguando na praia do sol. Sua margem direita é composta por alguns córregos e o riacho Mangabeira com um comprimento de 2 km e na sua margem esquerda pelo rio Laranjeira que tem uma extensão de 5,5 km, por fim encontra-se o riacho Sonhava com uma extensão de 5,3 km.

O clima é do tipo As’ quente e úmido com chuvas de outono e inverno, possuindo uma

média pluviométrica de 2200 a 2400 mm/ano com variabilidade de 20 mm/ano, período seco de 3 meses, bioclima mediterrâneo ou nordestino sub-seco (3dth), temperatura média anual de 25º a 26 ºC, nebulosidade acima de 6/10 do céu, e incidências solar de 2900 a 3000 horas/ano.

A formação geológica da área é do período Cenozóico com arenitos variegados, na maioria

pouco consolidados, constituintes do Grupo Barreiras, além de sedimentos quaternários representados pelas areias que constituem as planícies marinhas formadoras das praias ou dos

mangues. Os solos predominantes na região são arenosos e/ou argilosos de baixa fertilidade,

lixiviados (podzólicos e latossolos) e os solos arenosos das praias, restingas e cordões litorâneos. O relevo é caracterizado pelos Baixos Planaltos Sedimentares (Tabuleiros), a planície flúvio-marinha

e a planície litorânea. A cobertura vegetal da área é representada por diversas formações como:

formações litorâneas, campos de várzeas e manguezais (GOVERNO DO ESTADO DA PARAÍBA,

1985).

3 INUNDAÇÃO NA BACIA DO RIO CUIÁ

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE para a malha censitária do ano de 2000, dos 64 bairros cadastrados na cidade de João Pessoa, pelo menos 30 bairros, valor equivalente a 46,8%, dispõem de aglomerados subnormais. Em relação à cidade de João Pessoa, o conjunto da população residente em áreas de invasão, atingiu no ano 2000, 11,1% da população da Capital que era de 597 mil habitantes. Em João Pessoa, o IBGE tem cadastrado 67 aglomerados subnormais. Juntos eles chegam a ter uma população de 66,5 mil habitantes. Os maiores aglomerados subnormais estão concentrados nos Bairros do Cristo Redentor e em Mangabeira, onde juntos estes bairros tem uma população de 104 mil habitantes, dos quais 8,5% estão inseridos em áreas de aglomerados subnormais. A bacia hidrográfica do rio Cuiá abrange na nova divisão de bairro da prefeitura municipal de João Pessoa 21 bairros sendo por completo os bairros de Água Fria, Anatólia, Boa Esperança,

Cidade dos colibris, Cuiá, José Américo, Valentina e Paratibe e parcialmente os bairros Bancários, Barra do Gramame, Costa do Sol, Cristo Redentor, Ernesto Gaisel, Grotão, Gramame, Jardim Cidade Universitária, Jardim São Paulo, João Paulo Segundo, Mangabeira, Mucumagro e parte do Jardim Botânico Benjamim Maranhão. A bacia possui alguns aglomerados subnormais registrados, como o do Colibis, Eucalipto, Bananeiras, Durame, Laranjeiras, Balcão, B. Esperança, - N. Esperança, Vila União e Santa Bárbara. Os problemas enfrentados pela população residente nestas áreas vão desde problemas de ordem sócio-econômicos a problemas sócios ambientais, o que obriga

a população a viver muitas vezes em situações de risco, já que a característica principal das áreas dos aglomerados subnormais é a inadequação a fixação de áreas habitacionais. Registra-se, portanto, a convivência da população com áreas de risco a enchente e inundação, quadro agravado pelo constante acúmulo de resíduos sólidos nos córregos e pelo o esgoto que corre a céu aberto entre as casas. De acordo com o Ministério das Cidades (2006), no contexto urbano, define-se como área de risco de enchente e inundação os terrenos marginais a cursos d’água ocupados por núcleos

habitacionais precários, sujeitos ao impacto direto desses fenômenos (Figura 3 e 4). Assim pessoas

que habitam essas áreas estão sujeitas a danos à integridade física, perdas materiais e patrimoniais.

à integridade física, perdas materiais e patrimoniais. Figura 3 – Alagamento no bairro Jardim São Paulo

Figura 3 – Alagamento no bairro Jardim São Paulo Fonte: Defesa Civil - JP, 2006

no bairro Jardim São Paulo Fonte: Defesa Civil - JP, 2006 Figura 4 – Ocupação urbana

Figura 4 – Ocupação urbana em terreno marginal a um curso d’água na bacia do rio Cuiá

Os problemas de inundação são os mais característicos na bacia do rio Cuiá, sendo

intensificados pelas alterações ambientais e intervenções urbanas produzidas pelo homem, como o

desmatamento, a impermeabilização do solo, retificação dos cursos d’água e redução no

escoamento dos canais devido a obras ou por assoreamento e, principalmente, no tocante à questão

de risco, a ocupação desordenada dos seus terrenos marginais, Tais ações modificam as condições

originais do ciclo hidrológico.

Um dos fatos contribuinte à inundação é a existência de uma elevada taxa de

impermeabilização do solo, promovendo os fenômenos de escoamento superficial em detrimentos

da infiltração e escoamento subterrâneo, contribuído para o desequilíbrio do ciclo hidrológico

(SILVA e SANTOS 2006). Sob o ponto de vista hidrológico, a Figura 5 mostra de forma clara a

alteração provocada na vazão máxima de uma bacia em função da impermeabilização dos terrenos

em decorrência da urbanização.

dos terrenos em decorrência da urbanização. Figura 5 - Modificações no hidrograma pela

Figura 5 - Modificações no hidrograma pela impermeabilização da bacia urbana.

Para tentar minimizar os problemas de inundação nestas áreas algumas medidas são

normalmente tomadas pela prefeitura municipal, como a limpeza e drenagem do rio (Figura. 6).

municipal, como a limpeza e drenagem do rio (Figura. 6). Figura 6 – Dragagem no rio

Figura 6 – Dragagem no rio Cuiá pelos agentes ambientais. Fonte: Defesa Civil - JP, 2006

4 MATERIAL E MÉTODO

Inicialmente, foi feito o reconhecimento no campo das áreas sujeitas a inundação, ou

seja, ate aonde chega água, Através relado de moradores e ocorrências registradas na Defesa Civil,

que possibilitou a delimitação de cota de inundação com o auxílio de um GPS e Altímetro. Em

seguida foi gerada uma base dados sobre as características do terreno e hidrográficas com base

utilizadas nas cartas planimétricas do INTERPA (Instituto de Terras e Planejamento Agrícola do

Estado da Paraíba) na escala 1:10.000 (folhas J-11, J- 12, J-13, K-11, K-12, K-13, L-11, L-12, L-

13) e de datum horizontal SAD 69 e eqüidistâncias entre as curvas de nível de 5 e 5 metros como

base, e o programa SPRING - Sistema para Processamento de Informações Georreferenciadas, na

versão 4.1.1.

A digitalização das cartas foram realizadas com o auxílio do software SPRING, depois de

receber uma preparação no IMPRIMA que é um dos módulos de integração do SPRING, como o

mesmo foi possível a transformação da extensão TIFF-Tagged Image File Format para a extensão

nativa do SPRING, o GRIB Gridded binary, um formato de valores de ponto de grade expresso no

modo binário.

No SPRING, foram criados um banco de dados e um projeto com o nome da área de

estudo e foram estabelecidos os parâmetros cartográficos como gerenciador de banco de dados,

projeção, coordenadas do retângulo evolvente e o georreferenciamento da base cartográfica.

Após esse processo, foram digitalizadas as curvas de nível, a rede de drenagem, e foram

indicados os valores das curvas de nível com referências de Z, também conhecida como amostra do

MNT o qual é a distribuição elevação.

Em seguida foi gerada a grade retangular que é um modelo digital que aproxima

superfícies através de um poliedro de faces retangulares.

Terminado o processo pelo qual foi feita a grade retangular, foi criado um plano de

informação cadastral contendo a representação vetorial dos rios e drenos existentes na bacia.

Finalmente, foi feito um arquivo contendo as cotas de inundação com o nome de cada

rio, a cota de inundação e a distância do ponto até a sua nascente, como mostra a tabela 1.

Tabela 1 – Rios e valores de cota.

como mostra a tabela 1. Tabela 1 – Rios e valores de cota. NOME DO RIO
como mostra a tabela 1. Tabela 1 – Rios e valores de cota. NOME DO RIO

NOME DO RIO

DISTÂNCIA DO PONTO INICIAL (JUSANTE) (m)

VALOR DE COTA

(m)

DO PONTO INICIAL (JUSANTE) (m) VALOR DE COTA (m) CUIÁ 0.00 3.90 CUIÁ 3905.00 5.00 CUIÁ
DO PONTO INICIAL (JUSANTE) (m) VALOR DE COTA (m) CUIÁ 0.00 3.90 CUIÁ 3905.00 5.00 CUIÁ

CUIÁ

0.00

3.90

CUIÁ

3905.00

5.00

CUIÁ

5315.00

7.70

CUIÁ

6245.00

7.70

CUIÁ

10500.00

10.20

MANGABEIRA

0.00

8.30

MANGABEIRA

513.00

9.70

MANGABEIRA

1449.00

10.10

MANGABEIRA

2299.00

10.30

MANGABEIRA

2901.00

9.80

LARANJEIRA

0.00

10.30

LARANJEIRA

689.00

10.20

LARANJEIRA

1087.00

10.00

LARANJEIRA

2321.00

10.10

LARANJEIRA

4928.00

9.90

SONHAVA

0.00

10.10

SONHAVA

314.00

9.70

SONHAVA

667.00

10.10

SONHAVA

920.00

9.90

SONHAVA

2217.00

9.50

SONHAVA 920.00 9.90 SONHAVA 2217.00 9.50 5 RESULTADOS A partir dos níveis de água e da
SONHAVA 920.00 9.90 SONHAVA 2217.00 9.50 5 RESULTADOS A partir dos níveis de água e da

5 RESULTADOS

A partir dos níveis de água e da base cartográfica usada que tinha eqüidistância das

curvas de nível de 5 e 5 metros foi possível gerar o mapa de inundação. Com auxílio da ferramenta

mancha de inundação baseado em funções do MIKE disponível no SPRING. Com estes dados o foi

gerado os polígono de inundação, como base cartográfica citado anteriormente. Foi gerado o mapa

mostrando as áreas de inundação figura 7.

Figura 7 - Mapa com as manchas de inundação da bacia do rio Cuiá. A

Figura 7 - Mapa com as manchas de inundação da bacia do rio Cuiá.

A partir da análise do mapa é possível verificar que os níveis das cotas de inundação ficam entrono de 3,90 m a 10,20 m acima do nível do mar, com uma área de 1.563500 km 2 , sendo uma das áreas encontrada próximo a foz do rio Cuiá localizado ao leste da bacia nos bairros de Barra do Gramame e no Costa do Sol, mais precisamente na Praia do Sol. O risco de inundação nesta área é para os barraqueiros e pescadores que morram em caiçara próximo ao rio. No rio Sonhava, na parte a nordeste da bacia do Cuiá, entre os bairros de Mangabeira e Costa do Sol foi encontrada outra área com risco de inundação. Entretanto não existem maiores problemas atualmente devido a uma grade ausência de ocupação, por se tratar de uma área de expansão urbana com uma pequena presença de vegetação. No rio Mangabeira, na parte sudeste da bacia no bairro de Barra do Gramame, existe um área de inundação, mas com o risco muito baixo pela ausência de ocupação e por se tratar de área de mangue próximo ao rio e de culturas de subsistências. As manchas de inundação encontradas na parte norte da bacia, nos bairro de Mangabeira, José Américo, Jardim Cidade Universitária e Cidades dos Colibris, são as mais problemáticas por ser uma área com a maior taxa de adensamento ocupacional e onde existem aglomerados subnormais registrados na Defesa Civil com registro de inundação, como é o caso de comunidade em Mangabeira e na Cidade dos Colibris.

Apesar do diagnóstico preliminar apresentado neste estudo algumas regiões são aparentemente estão seguras em termos de inundações. Entretanto é importante salientar que o acúmulo de lixo somado a má drenagem superficial do terreno podem contribuir para o agravamento de problemas de inundações ao longo do tempo.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As inundações em áreas urbanas tem sido nos últimas décadas motivos de grande preocupação. Existe uma diversidade de formas de controle de inundação urbana, senda estas formas dividida em estruturais e não estruturais.

O mapeamento de áreas de ricos a inundação tem sido um instrumento de grande valia na

tomada de decisão para o controle de inundações. Com o objetivo de identificar áreas inundáveis

este trabalho procurou um método que fosse de fácil uso e acesso tanto para estudantes como para pesquisadores. O delineamento da mancha de inundação considerou apenas as cotas ao longo dos principais rios, o rio Cuiá, Laranjeira, Mangabeira e Sonhava o que de certa maneira é uma estimativa inferior ao de fato ocorrido na área de estudo.

A grande dificuldade na aplicação deste método para obtenção das áreas com mancha de

inundação, foi à obtenção de dados de ocorrência de inundação com a sua respectiva localização e

elevação. Para contornar o problema foram utilizados dados de um levantamento planialtimétrico da secretaria de planejamento do município de João Pessoa, juntamente com uma pesquisa dirigida junto aos moradores ao longo dos rios, somado as ocorrências da Defesa Civil.

A aplicação da macha de inundação do SPRING se mostrou eficiente neste estudo, uma

vez que a representação da declividade foi feito a partir da base cartográfica com curvas de 5 em 5 metros, mas serão realizado estudos futuros utilizando dados de curva de nível de 1 em 1 metro.

A bacia do Cuiá é uma bacia pequena com grande importância no contexto de expansão e

desenvolvimento de João Pessoa tendo em vista que a mesmo é uma área ocupada por conjuntos

habitacionais novos e sem infra-estrutura.

Apesar da elevada importância, a bacia do rio Cuiá ainda não possuía um estudo sobre ricos de inundação. O presente estudo vem a contribuir para uma determinação do procedimento de ocupação do solo durante o processo de urbanização futuro.

O trabalho apresentou uma das ferramentas disponíveis no SPRING, para o tratamento

adequado dos aspectos do sistema de drenagem localizando áreas susceptíveis a inundação, indispensável para planejamento e gestão de recursos hídricos e ordenamento do uso do solo.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a Defesa Civil do município de João Pessoa pelos dados sobre áreas

de ricos, ao LEPAN pelo apoio em equipamentos e ao Sergio Rosim (INPE) pelas discussões sobre

processos de macha de inundação. O primeiro autor é apoiado com recursos e bolsa CT-

Hidro/CNPq.

BIBLIOGRÁFICAS

CHOW, V. T., MAIDMENT, D. R., MAYS, L. W. Applied hydrology. Nova York, McGraw-Hill, 1988. 572P.

de

em

de

e

de

GONDIM FILHO, Joaquim Guedes Corrêa; et al. Projeto de gerenciamento integrado das atividades desenvolvidas em terra na bacia do São Francisco. Subprojeto 4.5C– Plano Decenal de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco-PBHSF (2004-2013). Versão 1.0. Estudo Técnico de Apoio ao PBHSF – Nº 10. ANA/GEF/PNUMA/OEA. Abril de 2004

MINISTÉRIO DAS CIDADES. Curso em Mapeamento e Gereciamento de Risco – Capacitação e Informação. CEPED/SC, Brasil, 2006.

SETTI, Arnaldo Augusto; LIMA,Jorge Enoch Furquim Werneck; CHAVES, Adriana Goretti de Miranda; PEREIRA, Isabella de Castro. Introdução ao gerenciamento de recursos hídricos. 2ª ed. – Brasília: Agência Nacional de Energia Elétrica, Superintendência de Estudos e Informações Hidrológicas, 2000.

SILVA, L. P. e SANTOS C. A. G. Prescrição dos diferentes graus de impermeabilidade na bacia do rio Cuiá. Anais Seminário Luso-Brasileiro-Caboverdiano/III Encontro Paraibano de Geografia/III SEMAGEO, João Pessoa, Brasil, 29 de junho a 2 de julho 2006.

SPRING: Integrating remote sensing and GIS by object-oriented data modelling. Câmara G, Souza RCM, Freitas UM, Garrido J Computers & Graphics, 20: (3) 395-403, May-Jun 1996.

Inundações

e drenagem urbana nos países da América do Sul, Brasil. In: Carlos Eduardo Morelli Tucci; Juan Carlos Bertoni. (Org.). Inundações Urbanas na América do Sul. 1 ed. Porto Alegre: Editora da Universidade UFRGS, 2003, v. 1, p. 275-324

TUCCI, C. E. M. ; SILVEIRA, A. L. L. ; GOLDENFUM, J. A. ; GERMANO, A.

VIANNA, Ana Paula Parentti. Utilização de modelagens Hidrológica e Hidráulica Associadas a um sistema de informações geográficas para mapeamento de áreas inundáveis – Estudo de caso: município de Itajubá, MG. Dissertação de Mestrado, Belo Horizonte, 2000, MG.