UTILIZAÇÃO DE AGREGADOS RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO

CIVIL PARA PAVIMENTAÇÃO EM SÃO LUÍS - MA

Mylane Viana Hortegal1, Thiago Coelho Ferreira1, Walter Canales Sant’Ana1,

1
Departamento de Expressões Gráficas e Transportes, Universidade Estadual do Maranhão,
Cidade Universitária Paulo VI, CP. 09 Tirirical, CEP. 65.055-310, São Luís, MA, Brasil. E-
mail:: mylanehortegal@hotmail.com

RESUMO

A grande quantidade de resíduos sólidos RCD beneficiados, com solo para
de construção e demolição (RCD) gerada aplicação em camadas de pavimentação.
nas cidades de médio e grande porte é A partir dessas análises de laboratório
considerada inservível, gerando forte foram estabelecidos alguns indicadores da
preocupação em função das questões mistura solo-RCD, por meio dos ensaios
ambientais, econômicas e sociais quando de degradação Proctor e índice de suporte
dispostos de forma inadequada. Califórnia, que apresentam valores
Experiências realizadas no país e no aceitáveis de acordo com as normas de
mundo têm demonstrado que o resíduo pavimentação e agregados reciclados. Os
sólido das construções e demolições é estudos realizados apontaram para o
uma alternativa interessante na aplicação grande passivo ambiental resultante
em camadas de pavimentos. O presente quando do não aproveitamento de modo
trabalho tem o intuito, num primeiro sustentável do RCD, e mesmo no estágio
momento, de conhecer a história, coleta e inicial da pesquisa laboratorial, conclui-se
disposição desse tipo de resíduo em que a mistura solo-RCD analisada é de
diversas cidades e em São Luís. Além uso promissor na pavimentação, dadas
disso, verificar, por meio de análises suas propriedades físicas e mecânicas
laboratoriais, a composição dos resíduos e aceitáveis de acordo com as normas
algumas propriedades mecânicas de uma consultadas.
mistura de agregado reciclado, que são os

Palavras chaves: resíduos sólidos, RCD, pavimentaçao, reciclagem, agregado reciclado

ABSTRACT

The great amount of construction and and socials aspects then they are disposed
demolition waste (CDW) generates in the inadequately. Experiences carried though
medium or big cities is considered not the country and the world have
useful, causing a strong concern in demonstrated that the solid residue of the
function of the environment, economics constructions and demolitions is an

Pesquisa em Foco, v. 17, n.2, p. 60-74, 2009

2.. and even in the initial stage of the the CDW benefited. de forma que os aterros de resíduos da construção civil ou agregados para pavimentação sejam áreas de destinação de resíduos. significativa de material reciclado tanto na apresentam através de ensaios fração miúda quanto na graúda. 2002). 60-74. Luís. Pesquisa em Foco. TRICHÊS e KRYCKYJ.interesting alternative to application in degradation Proctor and the parameters of layers of pavements. recycling. e serem materiais destinados a camadas de base e depositados de modo que seja possível sua sub-base apresentando as seguintes utilização ou reciclagem futura” vantagens (CARNEIRO et al. tais características mostram o seu grande A intensa industrialização. reciclagem e Existem ainda os aspectos disposição final (nesta ordem). de saúde e de resíduos sólidos. realization of laboratorial The studies pointed for the big analysis to verify the composition of the environment passive resulted when the not residues and some mechanical properties recycling in a sustainable way of the when the recycled aggregate. reutilização. 2001. na “Estabeleceu-se que os geradores confecção de elementos pré-moldados e são os responsáveis pelo resíduo na execução de camadas em estruturas de produzido e que o objetivo prioritário pavimentos. aplicações como. using the tests of the norms consulted. n. novas potencial de reciclagem como agregado tecnologias e o crescimento populacional para pavimentação (LEITE. Key words: solid residue. recycled aggregate INTRODUÇÃO laboratoriais resistência e baixa expansão. at the first moment. p. 2004): demolição (RCD) por serem materiais a) Utilização de quantidade nobres do ponto de vista da engenharia. 1999 apud Os resíduos da construção e FERNANDES. paving. por exemplo. collects and disposal of this kind accordance with the norms of of residue in a variety of towns as for São pavimentation and recycled aggregate. This work has the the Californian Bearing Ration – CBR. os materiais devem ser devem ser inseridos no estudo de encaminhados para locais denominados aproveitamento dos RCD. some use in pavement. (RESOLUÇÃO CONAMA Nº307. redução. No caso da técnicos. agravamento. 17. 2009 . mixture of soil-RCD analyzed are of good From these laboratory analysis. caso isto não pesquisas desenvolvidas desde a década seja possível. which are RCD. dos problemas pode ser empregado nas mais diferentes sociais. intention. cause of your physics indicators were establish for the mixture and mechanics properties acceptable with of soil-RCD. v. deve-se considerar a de 80 (MOTTA. Após nos centros urbanos implicaram no passar por um processo de reciclagem.mixed with soil for laboratory research. 2005). No Brasil já existem deve ser a não geração e. econômicos e ambientais que disposição final. know the that presents acceptable values in history. it was concluded the the application in layers of pavement. 2007). Besides. entre outros.

servindo como criadouros para uma série de vetores mecânicos (animais e insetos RESÍDUOS SÓLIDOS que servem como agentes transmissores de uma série de doenças). seja de novas entulho (concretos. que precisa ser quantificada por apresentar Pesquisa em Foco. agregado reciclado. aterros. limpezas de terreno. terrenos baldios. considera-se RCD todo resíduo de diversos materiais componentes do atividade de construção. 2006). comercial. solos e d) Utilização de parte do material resíduos de vegetação presentes em em granulometrias graúdas. 2009 . usa-se a denominação RCD. Por entulho ser um termo expansibilidade. através da moscas. e) Utilização em locais com pois a contaminação é inerente ao resíduo. atividades de obras-de-arte. pois além de apresentarem serviços de saúde. clandestinamente ao longo das vias públicas. de custos altos. g) Aumento da vida útil dos A coleta e disposição final de aterros sanitários. argamassas. pedras. demolições ou cerâmicos. pavimentação. “A ABNT (1989). Assim como FERNANDES c) Possibilidade de utilização dos (2004). materiais construções. doméstica. agrícola. etc. Inclui-se a vegetação. Assim. A produção NBR-10004. além de lodos para acomodar equipamento urbano destas provenientes de sistemas de tratamento de dimensões. água. que f) Redução dos custos da remete a idéia da natureza dos resíduos. de resíduos. presença de água. ou exijam para isso alteração no meio ambiente provocada por soluções técnicas e economicamente uma determinada ação ou atividade. são raras as áreas disponíveis serviços e de varrição. n. pulgas e mosquitos. reduzindo a necessidade resíduos sólidos são importantes para o de áreas para implantação de novos saneamento e higiene de áreas urbanas.2. areia. como ratos. cursos d’ água PROBLEMÁTICA AMBIENTAL e encostas. lançamento na rede pública de esgotos ou podemos dizer que impacto ambiental é a corpo d’água. reformas. por ser considerado devido ao poder de aderência no material não plástico e com baixa ou nula agregado. removendo grandes volumes de dejetos h) Diminuição nos custos de que são deixados sem tratamento. p. 60-74. v. b) Simplicidade dos processos de inviáveis em face da melhor tecnologia execução do pavimento e de produção do disponível” (ORSATI. define resíduos sólidos como crescente de resíduos é motivo de os resíduos no estado sólido e semi-sólido preocupação devido à escassez de áreas que resultam de atividades da comunidade adequadas para a disposição final de de origem industrial.). amplo. particularidades tornem inviável seu 2003 apud RAFAEL. administração pública municipal com a provenientes de atividades da construção e remoção do material depositado demolição. 17. 2006). lodos gerados em equipamentos e Estes efeitos são chamados de instalações de controle de poluição e “impactos ambientais” porque geram determinados líquidos cujas desequilíbrio no meio ambiente (TAUK.

e Urbanismo (SEMTHURB). de fabricação e/ou demolição de peças incentivar sua adesão tornando vantajosos pré-moldadas em concreto (blocos.3 a 3. e o plano como esclarecer qual deve ser sua integrado de gerenciamento de resíduos da disposição. construção civil no município de São Luis a) Resolução nº 307 da CONAMA – MA e dá outras providências. c) Lei nº 4. etc. preservação ou estrutura. civil – Utilização em pavimentação Pesquisa em Foco. intensa ou superficial estrutural – Requisitos.653 de 21 de agosto de Existem legislações que foram 2006 cria o sistema de gestão sustentável feitas para classificar esses resíduos. destinados às áreas indicadas no art. 2006). e nas Figuras pavimentação – Procedimentos. mostra-se alguns locais da · NBR 15116 – Agregados reciclados cidade com problemas de disposição de resíduos sólidos da construção ilegal de resíduos. reformas e reparos de desta Lei visando sua triagem. os novos procedimentos. agentes envolvidos.1 são identificados os pontos de para projeto. De acordo (2002): prescreve que os resíduos de com o art. 4º demolição. Esta categoria engloba os Construção Civil (PGRCC). nos termos do são aqueles que se enquadram na chamada Programa de Gestão de Resíduos da “Classe A”. legislação federal específica. os resíduos da construção construção que podem ser reutilizados ou civil e os resíduos volumosos gerados no reciclados para a produção de agregados município de São Luís. demolição.2 · NBR 15115 – Agregados reciclados são apresentadas alguns locais de de resíduos sólidos da construção concentração dos serviços prestados pelas civil – Execução de camadas de empresas disque-entulho.). argamassa e concreto. pavimentação e de outras obras de infra. conforme terraplenagem. na Figura 3. 60-74. construção civil e resíduos inertes – em que empresas são cadastradas na Aterros – Diretrizes para projeto. melhorar o meios-fios.) produzidas nos canteiros gerenciamento e fiscalização destes de obras (MOTTA. tubos. (RAFAEL. 2009 . v. reutilização. devem ser resíduos provenientes de: (i) construção. (iii) processo institucionalizando atividades e fluxos. 2005).2. seja positiva ou e preparo de concreto sem função negativa. bem de resíduos volumosos. placas de revestimento. reformas e reparos de edificações tais O PGRCC tem como princípios: como componentes cerâmicos (tijolos. empresas transportadoras. disciplinar sua ação etc.5. b) Normas da ABNT: A Prefeitura Municipal de São · NBR 15113 – Resíduos sólidos da Luís criou um sistema de disque-entulho. telhas. n. 17.variação relativa. incluindo solos provenientes de destinação mais adequada. 3. implantação e caixas estacionárias disponibilizadas por operação. Na Área de reciclagem – Diretrizes Figura 3. p. Secretaria Municipal de Habitação Terras implantação e operação. reciclagem. facilitar a ação do conjunto dos agentes blocos. (ii) construção. 2º. atualmente · NBR 15114 – Resíduos sólidos da existem operando em São Luis as construção civil e resíduos inertes – empresas: Lokcenter e Transentulho. envolvidos.

3 – Disposição do RCD no Parque Amazonas . 2005 Figura 3. Fonte: PGRCC. p. Fonte: PGRCC.2. n.. v. 2005.Zona Residencial Figura 3. 2009 .Zona Comercial Pesquisa em Foco. 60-74.1 – Localização de empresas geradoras de resíduos que utilizam o serviço disque-entulho.Figura 3. 17.4 – Disposição do RCD no Bacanga .2 – Atuação das empresas participante do disque-entulho nos bairros. Figura 3.

nas quais os resíduos chegam em tem o intuito de descartar seus RCD. de acordo com a encaminhados para o aterro municipal da granulometria que o cliente quiser. Figura 3. 2009 .Zona Comercial Disposição final dos RCD em São Luís funcionamento há pouco tempo. v. utilizando ter a licença da Secretaria de Meio apenas resíduos locais ou de empresas Ambiente e o aval da Prefeitura Municipal próximas da usina (buscam no local a para gerir estes resíduos.7 – Vista da usina com britador e da boca do britador (out/08) Pesquisa em Foco. ainda não o aterro da Ribeira.5 – Disposição do RCD no Bacanga (próximo a URPV) . Fonte: www. provenientes da construção e demolição.limpel. 17.br Figura 3. entrou em Figura 3. os resíduos não tem conhecimento de sua existência.com.2. De fato. proprietários do empreendimento são separados e destinados aos seus locais requisitaram um licenciamento para que adequados: os classificados como entulho uma empresa seja escolhida para são direcionados para a usina de administrar a usina. e os geradores de resíduos CONAMA. 60-74. pois. p. O objetivo da usina será Em São Luís existe uma unidade receber resíduos coletados pela Prefeitura de recebimento de pequenos volumes Municipal de São Luís e por empresas que (URPV). Estes devem Luís encontra-se em operação. custo zero). n. essa URRCC de São armazenamento e disposição. reciclagem de entulho e os orgânicos para Até maio de 2009. além de só existir uma URPV em São Luís. Ribeira. e com o PGRCC. devem ir para locais adequados para seu No momento. Os pequenas quantidades (menores que 2m³). a usina de reciclagem de resíduos da construção De acordo com a resolução civil (URRCC). e o RCD desses resíduos (orgânicos ou não) são pode ser separado. a maioria existem compradores regulares.6 – Vista da usina de reciclagem.

que apresentaram desempenhos pavimentos tem-se mostrado viável diante melhores do que os previstos em a disponibilidade deste material e da laboratório existência de uma tecnologia de reciclagem. deste pavimento. se localiza na zona renováveis. 60-74. Desde 1996. Na Figura chamado ALT-MAT (Alternative 5. Assim. Como (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do exemplo. Figura 4. tem utilizado agregados reciclados em pavimentos visto De acordo com LEITE (2007).1 apresenta-se o esquema estrutural Materials in Road Construction) em 1999. a que seus resultados são satisfatórios. Tal pesquisa durou dois reciclados. 2004). v. a Prefeitura (FERNANDES. PAVIMENTAÇÃO COM anos e os dados obtidos foram resultantes AGREGADO RECICLADO das características dos locais tais como clima e experiências realizadas em O uso de RCD em camadas dos campos. principalmente na oeste da cidade caracterizada por um pavimentação de vias de baixo volume de baixo volume de tráfego e recebeu o RCD tráfego. n. A estrutura do Municipal de Belo Horizonte executa pavimento é baseada no CBR dos pavimentos com agregados reciclados em materiais e na experiência prática de suas camadas de base e sub-base engenheiros do município. várias cidades do Algumas experiências práticas no Brasil Brasil e no exterior. (1995) apud MOTTA (2005). A política de Pesquisa em Foco. segundo figura retirada de BODI et al. 17. em sua camada de reforço de subleito. materiais alternativos destinados foram construídas com agregados aos pavimentos. p. 2009 . onde se percebe que as em que analisaram em laboratório e em camadas de reforço do subleito e sub-base campo.1 – Esquema de pavimento. A MOTTA (2005) cita que a utilização do construção teve acompanhamento RCD na pavimentação vêm ocorrendo em executivo e de desempenho pelo IPT todo o mundo já há muitos anos. Paulo no ano de 1984.2. por primeira via pavimentada com resíduo da serem alternativas muito interessantes na construção civil foi na cidade de São substituição de materiais naturais. alguns países europeus se Estado de São Paulo) e na época uniram para a formação de um grupo apresentou bom desempenho. não.

1 – Vista de resíduos servindo de aterro Obra B: Construção Figura 5. caracterização física e mecânica. argamassa e outros) (LEITE. e a obra “B”. civis típicas ocorridas na cidade conforme concreto. uma vez que o METODOLOGIA DO agregado reciclado é produzido pela EXPERIMENTO DE LABORATÓRIO própria prefeitura.2. Os algumas imagens do material que era resultados indicaram que o agregado descartado nas obras escolhidas para reciclado é um material adequado à coleta e do local da obra. 60-74. A coleta de resíduo da construção Para isso estudaram-se os agregados deu-se em duas obras: a obra “A”.2. As obras escolhidas Foram realizados ensaios de foram obras de reforma e construção. como cerâmica. por meio do estudo de obras materiais mistos. 17. 2001). as regiões geradoras. avenida Guajajaras. análise granulométrica. al. como respectivamente. reciclados nas frações graúdas e miúdas. por meio de três A metodologia para realização dos estações de reciclagem.2 – Resíduos de telha. Obra A – Reforma Figura 5. verificam-se Angeles.1 e 5.gerenciamento de resíduos em Belo Horizonte é diferenciada. 2007). os do tipo A modo a conhecer o resíduo sólido oriundo (composto basicamente de concreto e da construção civil produzido na cidade de argamassa) e tipo B (composto por São Luís. e localizada na Universidade Estadual do em misturas de solos com agregados Maranhão. 2009 . compactação e CBR. p. aplicação em bases e sub-bases de pavimentos (CARNEIRO et. Estudos feitos com o resíduo na Coleta de material Bahia mostram a viabilidade do emprego de agregados reciclados em pavimentos. localizada na reciclados em diferentes proporções. sendo produzidos ensaios de laboratório foi aplicada de dois tipos de materiais. tijolo. abrasão Los Nas Figuras 5. n. podas Pesquisa em Foco. v.

verificar em qual estrutura O objetivo do trabalho era de pavimento pode-se utilizar a mistura conhecer o ciclo do RCD em São Luís solo-RCD.2. compactação e RESULTADOS índice de suporte Califórnia. foram escolhido foi uma jazida localizada na feitas três misturas de solo-RCD em área do Tibiri. verificar as características físicas do agregado reciclado e algumas propriedades Tabela 6. em laboratório. proporções diferentes.1 – Granulometria do solo Na Figura 6. n. 60-74. O solo apresentou fina com praticamente 100% Na Figura 6. e. Dessa maneira. a partir desses dados. v.1 encontra-se representada a passante na peneira 0.2 são apresentadas as curvas granulométricas das 3 misturas solo-RCD estudadas no presente trabalho. 2009 .42mm. Pesquisa em Foco. p. O local pavimentação. Houve também solo coletado para mecânicas do solo-RCD aplicado à estudo da mistura solo-RCD. distribuição granulométrica do solo Figura 6. além de. 17. submetidas aos ensaios de granulometria.1 – Composição das misturas utilizadas MISTURA 1 MISTURA 2 MISTURA 3 SOLO 70% 50% 30% RESÍDUO 30% 50% 70% Distribuição Granulométrica utilizado na mistura solo-RCD.

5 mm).2 – Índices de forma das misturas CU CC RESULTADO M1 6.92 0. n. Pesquisa em Foco. na peneira de 63. 17.2). pois não teríamos comparações com a b) a porcentagem que passa na mistura. as misturas 1 e 2 graduação. curvatura e uniformidade (Tabela 6. 2009 .2 – Curva granulométrica das misturas Com os gráficos de granulometria boa graduação e continuidade média. D10). em ensaio de compactação foram moldados massa.2. pois desta maneira reduz mais apresentaram uniformidade média. A uniforme. com coeficiente de energia utilizada foi a intermediária. quanto a sua granulometria e seu índice de forma: Compactação a) o agregado reciclado deve apresentar curva granulométrica. com os vazios existentes na sua composição.00 1. v.42 mm (nº 40) deve ficar pequena quantidade em estoque só foi entre 10% e 40%.5 UNIFORMIDADE MÉDIA M2 14. sendo de melhor continuidade e boa Como resultado. não específico aparente seco máximo. já que para a mistura devido a peneira 0.5 mm (tolerância de Durante a realização de cada 5% da porcentagem retida. p. dos grãos: 63. No ensaio de compactação obtida por meio do ensaio NBR determinou-se a umidade ótima e o peso 07181. possível realizar ensaios com a energia c) dimensão característica máxima intermediária. não uniformidade Cu = 10 (Cu = D60 / foi feito ensaio com a energia modificada. bem graduada.06 DESUNIFORME A NBR 15115 exige que esses agregados limitada a 2/3 da espessura da reciclados obedeçam certas características camada compactada. Figura 6. 60-74. e a extraem-se os valores dos coeficientes de mistura 3 apresentou-se desuniforme.88 UNIFORMIDADE MÉDIA M3 86.00 0. Tabela 6.

4. umidades ótimas e pesos específicos É possível perceber na Figura 6.3 que devido a presença em maior a 6. observa-se que uma menor influência da água na densificação quantidade equilibrada de RCD e solo. sendo obtidas as específico seco. p.775 kN/m³.2. utilizando a respectivamente.864kN/m³ e bem definida. esta curva resultou 4. quantidade de solo.cinco corpos-de-prova.5.4% e os pesos específicos secos semelhante à do solo natural. Figura 6.4% e peso específico aparente seco Na figura 6. 60-74.4 – Curva de compactação da mistura 1 (70% solo e 30% RCD) Na Figura 6. em relação à mistura anterior. que a curva de compactação para energia Figura 6.3 – Curva de Compactação do Solo Nas três misturas foram realizados 1. As umidades ótimas foram 8.5. de uma mistura com maior percentual de modifica o formato da curva e promove resíduo. Pode-se perceber que energia Proctor intermediária com 5 quanto maior a umidade. sem reuso do intermediária. n. de 4. obtendo-se umidades ótima material. os ensaios de compactação.3 é possível verificar máximo 1. 1.5% e 7. com a forma foram 1. uma diminuição na umidade ótima visto a Pesquisa em Foco. v.1%. mostrados nas figuras 6.83 kN/m3. 2009 .932kN/m³ para as misturas 1. 2 e 3. aparente secos. menor o peso camadas e 26 golpes. 17.

o que não explica a tendência porém a umidade ótima bem próxima demonstrada na mistura 2.2. 2009 . conforme corpos de prova para cada mistura. 17. Foi observado no ensaio que em alguns corpos-de-prova. relatados no trabalho de MOTTA(2005). verifica. o valor umidade ótima seriam decrescentes apresentado para todos os corpos-de-prova conforme maior incremento de RCD. p. ocorria Índice de Suporte Califórnia contração. sendo selecionado três expansibilidade deste último. Pesquisa em Foco. v.3. Figura 6. associado à absorção do material se uma curva de formato diferenciado. cujos ocorreu com alguns pesquisadores resultados são apresentados na Tabela 6. reciclado.5 – Curva de compactação da mistura 2 (50% solo e 50% RCD) Na Figura 6. foi nulo. explicado pela incorporação do agregado reciclado ao Nesta pesquisa foram ensaiados 15 solo diminuindo sensivelmente a corpos-de-prova. 60-74. fato que pode ser mistura com maior teor de RCD.6 – Curva de compactação da mistura 3 (30% solo e 70% RCD) Os resultados esperados de Em termos de expansão. fato este. Figura 6. n.6 representando a àquela do solo natural.

valores médios de CBR de cada mistura da mistura solo-RCD pode ser empregada são: 13%. além de considerar a das análises laboratoriais. conforme execução do ensaio. Isto implica Com os dados da tabela 6. deste trabalho atendem perfeitamente a Não foi considerado o resultado de 94% norma NBR 15115 da ABNT. 2004 ENERGIA PROCTOR TIPO DE CAMADA ISC (%) EXPANSÃO (%) DE COMPACTAÇÃO REFORÇO DO SUBLEITO ≥ 12 ≤ 1. com o objetivo de são fixados valores mínimos de acordo desenvolver novos materiais para serem com a função estrutural do material no aplicados na própria indústria da pavimento.4 36 4. 17.4 que as misturas baixo volume de tráfego – CBR de 60%). 2009 .3. De acordo com a NBR 15115 problemas ambientais. após a identificação das diversas áreas. n.0 NORMAL OU SUPERIOR SUB-BASE ≥ 20 ≤ 1.4.3 28 4. de conclui-se pela Tabela 6. variaram entre 24% e 94% atendendo a avaliado que houve alguma falha na norma NBR 15115 (2004). No presente trabalho. respectivamente. Pesquisa em Foco. as zonas de geração do resíduo e. base. p.3 – Valores do CBR e umidades das misturas MISTURA 1 MISTURA 2 MISTURA 3 CBR (%) w (%) CBR (%) w (%) CBR (%) w (%) 4 5 63 3 20 3. pode-se CONCLUSÕES E SUGESTÕES observar que o RCD apesar de estar em zonas com características diferentes.4 7 10. apresentados na tabela 6. 27% e 54% para as misturas 1. Com estes valores.9 12 7.7 6 7. Diversas (2004) o valor do ISC serve como instituições de pesquisa passaram a parâmetro para emprego do agregado estudar laboratorialmente a reutilização do reciclado em pavimentação. em sub-base e até mesmo como base de 2 e 3. com número de repetições do eixo padrão de 80kN inferior a 106. ou seja.5 INTERMEDIÁRIA * Permitido o uso neste caso somente para vias de baixo volume de tráfego (que é o foco deste trabalho). 60-74. sub-base ou construção. v. pela construção civil quando disposto de e os mesmos problemas ambientais maneira irregular acaba provocando sérios ocasionados pelo bota-fora deste material. um pavimento (neste último caso. de forma que entulho desperdiçado. Tabela 6.3 10 6. A quantidade de entulho gerado apresentou a mesma caracterização visual.6 39 5.4 – Valores do CBR e expansão da norma NBR 15115.7 60 6 24 8. os que a capacidade de suporte e expansão.2.0 INTERMEDIÁRIA BASE * ≥ 60 ≤ 0. antes reforço de subleito.8 Os resultados de CBR neste estudo da mistura 3 para um teor de água de 9%. ABNT.5 94 8. Tabela 6. identificaram-se expansão do agregado reciclado.1 67 7.3 16 8.

Benkelman. 2004. materiais cerâmicos nas propriedades verificou-se que este é um material mecânicas do agregado reciclado. 2009 .2. Prefeitura Municipal de Os resultados referentes ao CBR São Luís.. máximo de 3% em massa. Projeto Entulho deformação permanente. resistência por compressão simples. v. pois. n.mma. 21 de agosto de 2006. apresentam o valor de CBR entre 4 e 25. e módulo de resiliência. p. base (50%/50% e 70%/30%) ou reforço de Ministério do Meio Ambiente. obteve como Janeiro. com a adição dos RCD. pg 190-227. 27% (Mistura 2) e BRASIL. gestão dos resíduos da construção civil. As de 05 de julho de 2002 Dispõe sobre misturas podem ser utilizadas como sub. Caixa Econômica Federal. 4. Mas. Por meio do estudo laboratorial c) Verificar a influência de com o agregado reciclado de São Luís. se de reciclados de resíduos sólidos da mesmo grupo: máximo de 2% em massa. além dos materiais indesejáveis em menor REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS proporção. /res02/res30702. pois de acordo com DNIT (2006) solos classificados como A-4 geralmente BRASIL. o solo sozinho poderia somente ser 2007. material britado.653. NBR 15115: Agregados distintos. <http://www. subleito (30%/70%) conforme os limites Disponível em: impostos pela NBR 15. Salvador: EDUFBA / tração por compressão diametral. 2001. Como sugestão de outros trabalhos recomenda-se: CARNEIRO. 17. considerando diferentes proporções destes materiais.br/port/conama/res havendo assim uma considerável melhora. 60-74. MA. Pesquisa em Foco. que. de acordo com a NBR 15115 tem os limites: se de grupos ABNT. As iniciativas de sustentabilidade b) Construir trechos experimentais do processo de geração de RCD também com ensaios de controle tecnológico tais foram pesquisadas. et al. subleito. Dispões sobre a criação do sistema de podendo ser utilizados como reforço de gestão sustentável de resíduos volumosos.html>. construção civil – Execução de camadas Como resultados do Índice Suporte de pavimentação – Procedimentos. considerado relativamente bom. de São Luís. média 17%.gov. Resolução CONAMA N° 307. constituído de cimentícios. resistência à Bom. 54% (Mistura 3). respectivamente.115 (2004). da mistura solo-RCD. cerâmicos vermelhos. e o plano integrado de gerenciamento de houve uma considerável melhora resíduos da construção civil no município dependendo da quantidade adicionada. usando como reforço de subleito. Acesso em 17 out. Rio de Califórnia (CBR) do solo. foram 13% (Mistura 1). através das URPV’s e como: cone sul-africano e viga de uma usina recicladora. Uso do agregado a) Realizar ensaios de mais reciclado em camadas de base e sub- propriedades mecânicas tais como: base de pavimentos. pisos.

2009 . Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Transportes). R. A. 2005. 2006. RAFAEL. Estudo laboratorial de agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil para aplicação em pavimentação de baixo volume de tráfego. SP. A. G. Ilha Solteira. Análise de impactos ambientais e econômicos na escolha de locais para disposição final de resíduos sólidos. S. 2007. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Transportes). C. mecanística de agregados reciclados de resíduos de construção e demolição para uso em pavimentação dos municípios do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. F. C. n. Universidade Federal do Rio de Janeiro. RJ. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. LEITE. F. Dissertação (Mestrado em Ciências em Engenharia Civil). Comportamento mecânico de agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil em camadas de base e sub-base de pavimentos. ORSATI. 60-74.FERNANDES... Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil). Resíduos sólidos e evolução urbana em Santo André – SP. L. p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil). SP.. S. 2004. Escola Politécnica da Universidade Pesquisa em Foco. Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (FEIS) da Universidade Estadual Paulista (UNESP). v. MOTTA. 2006. Caracterização de São Paulo. SP. 17. SP...2.