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DIREITO ADMINISTRATIVO

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DIREITO ADMINISTRATIVO Bruno Tulim e Silva Advogado – Graduado em Direito pelo Centro Universitário Eurípedes

DIREITO ADMINISTRATIVO

Bruno Tulim e Silva

Advogado – Graduado em Direito pelo Centro Universitário Eurípedes de Marília/SP, UNIVEM; com Curso de Atualização em Direito pelo Complexo Jurídico Damásio de Jesus.

1 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:

PRINCÍPIOS BÁSICOS.

PRINCÍPIOS BÁSICOS EXPRESSOS CONSTITUCIO- NALMENTE

AAdministração Pública é a atividade do Estado exercida pelos seus órgãos encarregados do desempenho das atribuições públicas,

em outras palavras é o conjunto de órgãos e funções instituídos e necessários para a obtenção dos objetivos do governo.

A atividade administrativa, em qualquer dos poderes ou esferas,

obedece aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, como impõe a norma fundamental do arti- go 37 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que assim dispõe em seu caput: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,

também, ao seguinte”. Princípio da Legalidade: Este é o principal conceito para a con- figuração do regime jurídico-administrativo, pois se justifica no sen- tido de que a Administração Pública só poderá ser exercida quando estiver em conformidade com a Lei.

O administrador não pode agir, nem mesmo deixar de agir, se-

não de acordo com o que dispõe a lei. Para que a administração possa atuar, não basta à inexistência de proibição legal, é necessária para tanto a existência de determinação ou autorização da atuação administrativa na lei. Os particulares podem fazer tudo o que a lei

não proíba, entretanto a Administração Pública só pode fazer aquilo que a lei autorizar. Importante ainda esclarecer que a administração pública está obrigada, no exercício de suas atribuições, à observância não ape- nas dos dispositivos legais, mas também em respeito aos princípios jurídicos como um todo, inclusive aos atos e normas editadas pela própria administração pública.

Princípio da Impessoalidade: Por tal princípio temos que a Ad- ministração Pública tem que manter uma posição de neutralidade em relação aos seus administrados, não podendo prejudicar nem mesmo privilegiar quem quer que seja. Dessa forma a Administra- ção pública deve servir a todos, sem distinção ou aversões pessoais ou partidárias, buscando sempre atender ao interesse público. Impede o princípio da impessoalidade que o ato administrativo seja emanado com o objetivo de atender a interesses pessoais do agente público ou de terceiros, devendo ter a finalidade exclusiva- mente ao que dispõe a lei, de maneira eficiente e impessoal. Ressalta-se ainda que o princípio da impessoalidade tem es- treita relação com o também principio constitucional da isonomia, ou igualdade, sendo dessa forma vedada perseguições ou benesses pessoais.

Princípio da Moralidade: Tal princípio vem expresso na Cons-

tituição Federal no caput do artigo 37, que trata especificamente da moral administrativa, onde se refere à ideia de probidade e boa-fé.

A partir da Constituição de 1988, a moralidade passou ao status

de principio constitucional, dessa maneira pode-se dizer que um ato imoral é também um ato inconstitucional.

A falta da moral comum impõe, nos atos administrativos a pre-

sença coercitiva e obrigatória da moral administrativa, que se cons-

titui de um conjunto de regras e normas de conduta impostas ao administrador da coisa pública. Assim o legislador constituinte utilizando-se dos conceitos da Moral e dos Costumes uma fonte subsidiária do Direito positivo, como forma de impor à Administração Pública, por meio de juízo de

valor, um comportamento obrigatoriamente ético e moral no exer- cício de suas atribuições administrativas, através do pressuposto da moralidade.

A noção de moral administrativa não esta vinculada às con-

vicções intimas e pessoais do agente público, mas sim a noção de atuação adequada e ética perante a coletividade, durante a gerência da coisa pública.

Princípio da Publicidade: Por este principio constitucional, te- mos que a administração tem o dever de oferecer transparência de todos os atos que praticar, e de todas as informações que estejam armazenadas em seus bancos de dados referentes aos administrados. Portanto, se a Administração Pública tem atuação na defesa e busca aos interesses coletivos, todas as informações e atos pratica- dos devem ser acessíveis aos cidadãos. Por tal razão, os atos públicos devem ter divulgação oficial como requisito de sua eficácia, salvo as exceções previstas em lei, onde o sigilo deve ser mantido e preservado.

Princípio da Eficiência: Por tal principio temos a imposição exi- gível à Administração Pública de manter ou ampliar a qualidade dos serviços que presta ou põe a disposição dos administrados, evitando desperdícios e buscando a excelência na prestação dos serviços. Tem o objetivo principal de atingir as metas, buscando boa prestação de serviço, da maneira mais simples, mais célere e mais econômica, melhorando o custo-benefício da atividade da adminis- tração pública.

O administrador deve procurar a solução que melhor atenda aos

interesses da coletividade, aproveitando ao máximo os recursos pú-

blicos, evitando dessa forma desperdícios.

PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚ- BLICA:

Além dos Princípios expressos constitucionalmente que dire- cionem a Administração Pública, a doutrina administrativa adota diversos princípios implícitos que norteiam a Administração Pú- blica, entretanto, nos preocupamos em elencar os principais, senão vejamos:

Princípio da Supremacia do Interesse Público: Tal Princípio, muito embora não se encontre expresso no enunciado do texto cons- titucional é de suma importância para a atividade administrativa, tendo em vista que, em decorrência do regime democrático adotado pelo Brasil, bem como o seu sistema representativo, temos que toda a atuação do Poder Público seja consubstanciada pelo interesse pú- blico e coletivo.

toda a atuação do Poder Público seja consubstanciada pelo interesse pú- blico e coletivo. Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO Assim, para que o Estado possa atingir a finalidade principal que lhe foi

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Assim, para que o Estado possa atingir a finalidade principal que lhe foi imposta pelo ordenamento jurídico, qual seja, o interesse público, é assegurado a administração pública uma série de prer- rogativas, não existente no direito privado, para que se alcance a vontade comum da coletividade. Assim, a supremacia do interesse público deve se sobressair sobre os direitos particulares dos administrados, pois decorre des- te princípio que, na hipótese de haver um conflito entre o interesse público e os interesses de particulares, é evidente e lógico que a vontade comum e o interesse coletivo deve prevalecer, respeitados os princípios do devido processo legal, e do direito adquirido.

Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público: Em decor- rência do princípio da indisponibilidade do interesse público são ve- dados ao administrador da coisa pública qualquer ato que implique em renúncia a direitos da administração, ou que de maneira injusti- ficada e excessiva onerem a sociedade. Dessa maneira, a administração pública deve ter sai ação con- trolada pelo povo, por meios de mecanismos criados pelo Estado para esta finalidade, visto que o interesse público não pode ser dis- ponível.

Princípio da Autotutela: O direito Administrativo, diante de suas prerrogativas confere à Administração Pública o poder de corrigir de oficio seus próprios atos, revogando os irregulares e inoportunos e anulando os manifestamente ilegais, respeitado o direito adquirido e indenizando os prejudicados, cuja atuação tem a característica de autocontrole de seus atos, verificando o mérito do ato administrativo e ainda sua legalidade;

Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade: A Administra- ção deve agir com bom senso, de modo razoável e proporcional à situação fática que se apresenta. A legislação proporciona ao Administrador Público margem de liberdade para atuar durante a execução da atividade administrativa, ficando limitado pelo Princípio da Razoabilidade e Proporcionali- dade a arbitrariedade administrativa, sendo certo que a carência de observância a tal Princípio configura em abuso de poder.

Princípio da Continuidade: Os serviços públicos não podem parar, devendo manter-se sempre em funcionamento, dentro das for- mas e períodos próprios de sua regular prestação, dada a importância que a execução de tais serviços públicos representa a coletividade. Assim a prestação da atividade administrativa deve ser exe- cutada de forma contínua, sendo certo que tal Princípio influencia fortemente a determinação e limitação legal imposta aos servidores públicos a realização de greves, visto que os serviços públicos con- siderados essenciais para a coletividade não poderá sofrer prejuízos em razão de greves ou paralisações de seus agentes públicos.

Princípio da Especialidade: Por tal principio aplica-se mais as autarquias, não podem elas ter outra função, além daquelas para as quais foram criadas.

2 PODERES ADMINISTRATIVOS: PODER HIERÁRQUICO; PODER DISCIPLINAR; PODER REGULAMENTAR; PODER DE POLÍCIA; USO E ABUSO DO PODER.

DOS PODERES ADMINISTRATIVOS

A Administração é dotada de poderes ou prerrogativas instru-

mentais que garantem o efetivo desempenho de suas atribuições que lhe são legalmente definidas. Os poderes administrativos são o conjunto de prerrogativas que a Administração Pública possui para alcançar os fins almejados pelo Estado, tais poderes são inerentes à Administração Pública para que esta possa proteger o interesse público. Encerram prerrogativas de autoridade, as quais, por isso mesmo, só podem ser exercidas nos limites da lei. Muito embora a expressão poder pareça apenas uma faculdade

de atuação da Administração Pública, o fato é que os poderes admi- nistrativos envolvem não uma mera faculdade de agir, mas sim um dever de atuar diante das situações apresentadas ao Poder Público. Trata-se, portanto, de um poder-dever, no sentido de que a Ad- ministração Pública deve agir, na medida em que os poderes con- feridos ao Estado são irrenunciáveis. Entende-se dessa maneira a

noção de deveres administrativos oriundos da obrigação do Poder Público em atuar, utilizando-se dos poderes e prerrogativas atribuí- dos mediante lei.

O dever de agir está ligado à própria noção de prerrogativas

públicas garantidas ao Estado, que enseja, por consequência, outros

deveres: dever de eficiência, dever de probidade, dever de prestar contas, dever de dar continuidade nos serviços públicos, entre ou- tros.

PODER HIERÁRQUICO

O Poder Hierárquico é o poder de que dispõe o Executivo para

distribuir e escalonar as funções de seus órgãos e a atuação de seus agentes, estabelecendo assim a relação de subordinação. Importante esclarecer que hierarquia caracteriza-se pela exis- tência de níveis de subordinação entre órgãos e agentes públicos, sempre no âmbito de uma mesma pessoa jurídica. Assim, podemos verificar a presença da hierarquia entre órgãos e agentes na esfera in- terna da Administração Direta do Poder Executivo, ou então hierar- quia entre órgãos e agentes internamente de uma fundação pública. Caracterizam-se pelo poder de comando de agentes administra-

tivos superiores sobre seus subordinados, contendo a prerrogativa de ordenar, fiscalizar, rever, delegar tarefas a seus subordinados. É o poder que dispõe o Executivo para distribuir e organizar as funções de seus agentes e órgãos, estabelecendo relação de subor- dinação entre seus servidores, tal subordinação, vale destacar, é de caráter interno, somente é aplicável dentro da própria Administração Pública.

A hierarquia estabelece uma ordem de importância gerando for-

ma às relações de coordenação e de subordinação entre os agentes públicos, adquirindo assim uma relação de subordinação escalonada

objetivando a ordem das atividades administrativas.

uma relação de subordinação escalonada objetivando a ordem das atividades administrativas. Didatismo e Conhecimento 2

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DIREITO ADMINISTRATIVO Para a preservação do principio hierárquico é indispensável mencionar que o descumprimento de

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Para a preservação do principio hierárquico é indispensável mencionar que o descumprimento de ordem de superior hierárquico constitui-se em ato ilícito, passível de punição administrativa e pe- nal. Assim o servidor público subalterno deve estrita obediência às ordens e demais instruções legais de seus superiores.

PODER DISCIPLINAR

O Poder Disciplinar é o poder de punir internamente não só as

infrações funcionais dos servidores, sendo indispensável à apuração

regular da falta, mas também as infrações de todas as pessoas sujei- tas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração. Decorre da supremacia especial que o Estado exerce sobre to- dos aqueles que se vinculam à Administração.

O Poder Disciplinar não pode ser confundido ainda com o

Poder Hierárquico, porém a ele está vinculado e é correlato. Pelo descumprimento do poder hierárquico o subalterno pode ser punido administrativa ou judicialmente.

É assim a aplicação do poder disciplinar, a faculdade do hie-

rarca de punir administrativamente o subalterno, dentro dos limites legais, dessa faculdade de punir verifica-se a existência, mesmo que

mínima, da discricionariedade administrativa, pois há análise de conveniência e oportunidade. Também não se confunde com o poder punitivo do Estado, que

é realizado através do Poder Judiciário e é aplicado com finalidade social, visando à repressão de crimes e contravenções devidamente tipificados nas leis penais.

O poder disciplinar é exercido como faculdade punitiva interna

da Administração Pública e por isso mesmo só abrange as infrações relacionadas com o serviço público. Em se tratando de servidor público, as penalidades disciplinares vêm definidas dos respectivos Estatutos. Cumpre ressaltar que a atuação do Poder Disciplinar deve obe- decer necessariamente aos princípios informativos e constitucionais da Administração, entre eles o principio da legalidade e o principio da motivação, aos quais se anexa ao principio da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.

PODER REGULAMENTAR

O Poder Regulamentar é o poder inerente e privativo do Chefe

do Poder Executivo, indelegável a qualquer subordinado, trata-se do poder atribuído ao chefe do Poder Executivo para editar atos, com o objetivo de dar fiel cumprimento ás leis. Temos por regulamento como ato normativo, expedido através de decreto, com o fim de explicar o modo e a forma de execução da

lei, ou prover situações não disciplinadas em lei, importante destacar que o regulamento não tem a capacidade e a competência de inovar

o direito previsto em lei, não cria obrigações, apenas explica e de- talha o direito, e sobretudo, uniformiza procedimentos necessários para o cumprimento e execução da lei.

O regulamento, portanto, constitui-se em um conjunto de nor-

mas que orientam a execução de uma determinada matéria. Diante de tais conceitos podemos concluir que o regulamento é

a explicitação da lei em forma de decreto executivo, não se inscre-

vendo como tal os decretos autônomos, até porque não há em nosso ordenamento jurídico o instituto dos regulamentos autônomo com força de lei, cuja competência de edição fica sob a responsabilidade do Chefe do Poder Executivo.

PODER DE POLÍCIA:

A partir da Constituição Federal e das leis em nosso ordena-

mento jurídico, foi conferido uma série de direitos aos cidadãos, que por sua vez, tem o seu pleno exercício vinculado com o bem estar social. Assim, é por meio do Poder de Polícia que a Administração limita o exercício dos direitos individuais e coletivos com o objetivo de assegurar a ordem pública, estabelecendo assim um nível aceitá- vel de convivência social, esse poder também pode ser denominado de polícia administrativa.

É o poder deferido ao Estado, necessário ao estabelecimento

das medidas que a ordem, a saúde e a moralidade pública exigem.

O principio norteador da aplicação do Poder de Polícia é a predomi-

nância do interesse público sobre o interesse privado.

O Poder de Polícia resume-se na prerrogativa conferida a Ad-

ministração Pública para, na forma e nos limites legais, condiciona ou restringe o uso de bens, exercício de direitos e a pratica de ativi-

dades privadas, com o objetivo de proteger os interesses gerais da coletividade. Assim, é a atividade do Estado que consiste em limitar o exercí- cio dos direitos individuais em benefício do interesse público. Mesmo sendo considerado como poder discricionário da Ad- ministração, o Poder de Polícia é controlado e limitado pelo ordena- mento jurídico que regulam a atuação da própria Administração, isto porque o Estado deve sempre perseguir o interesse público, mas sem que haja ofensa aos direitos individuais garantidos por lei. Dessa forma, podemos concluir que o Poder de Polícia é um po- der de vigilância, cujo objetivo maior é o bem-estar social, impedin- do que os abusos dos direitos pessoais possam ameaçar os direitos e interesses gerais da coletividade. Decorre, portanto do Poder de Polícia, a aplicação de sanções para fazer cumprir suas determinações, fundamentadas na lei, e as- sim, diversas são as sanções passiveis de aplicação, previstas nas mais variadas e esparsas leis administrativas, que podem ser aplica- das no âmbito da atividade de polícia administrativa.

Poder de Polícia Administrativa:

O Poder de Polícia Administrativa tem o objetivo principal da

manutenção da ordem pública em geral, atuando em situações em que é possível a prevenção de possíveis cometimentos de infrações legais, entretanto, poderá atuar tanto preventivamente como de for- ma repressiva, porem, em ambos os casos, a atuação da Policia Ad- ministrativa tem a finalidade de evitar e impedir comportamentos dos indivíduos que possam causar prejuízos para a sociedade. O Poder de Polícia Administrativa visa a proteção específica de valores sociais, vedando a práticas de condutas que possam ameaçar

a segurança pública, a ordem pública, a tranquilidade e bem estar

social, saúde e higiene coletiva, a moralidade pública, entre outras.

Importante esclarecer que o poder de polícia administrativa incide sobre atividades e sobre bens, não diretamente sobre os ci- dadãos, haja vista que não existem sanções aplicadas decorrentes do poder de polícia administrativa que impliquem em restrição ao direito de liberdade das pessoas como detenção e prisão. Assim, várias são as sanções decorrentes do poder de polícia administrativa, tais como: multa administrativa; demolição de cons- truções irregulares; apreensão de mercadorias com entrada irregular no território nacional; interdição de estabelecimento comerciais que estão em desacordo com a lei; embargos administrativos a obras, entre outras.

comerciais que estão em desacordo com a lei; embargos administrativos a obras, entre outras. Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO Poder de Polícia Judiciária: A Polícia Judiciária desenvolve e executa atividades de caráter

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Poder de Polícia Judiciária:

A Polícia Judiciária desenvolve e executa atividades de caráter repressivo e ostensivo, ou seja, possui o dever de reprimir atividades infratoras a lei por meio da atuação policial em caráter criminal, com sua consequente captura daqueles que infringirem a lei penal. Assim, a Polícia Judiciária atua em defesa dos preceitos esta- belecidos no Código Penal Brasileiro, com foco em sua atuação nas atividades consideradas crime pela lei penal, tendo características e prerrogativas ostensivas, repressivas e investigativas. A atuação da Polícia Judiciária incide sobre as pessoas, sendo exercido pelos órgãos especializados do Estado como a Polícia Ci- vil e a Polícia Militar, sendo certo que tais atividades repressoras e ostensivas objetiva auxiliar o Poder Judiciário, em sua atividade jurisdicional, na aplicação da lei em casos concretos, fornecendo o conjunto probatório suficiente para condenar ou absolver o cidadão apresentado a Justiça Pública.

Diferenças entre Polícia Administrativa e Polícia Judiciá-

ria:

Diante dos conceitos e explicações acima formuladas, passa-

mos a identificar as principais diferenças entre a atuação da policia administrativa e a polícia judiciária.

A Polícia Administrativa é regida pelas normas do Direito Ad-

ministrativo, sendo considerada infração administrativa a não ob- servância aos preceitos normativos constantes das normas e regula-

mentos administrativos, enquanto que a polícia judiciária é regula- mentada pelas normas do Direito Penal e Processual Penal.

A atividade de polícia administrativa é executada pelos órgãos

e agentes públicos escalonados e mantidos pela Administração Pú- blica, a polícia judiciária por sua vez tem suas atividades executa- das privativamente por organizações especializadas no combate e repressão a pratica criminosa, ou seja, pela Polícia Civil e Polícia Militar. As penalidades no caso da polícia administrativa incidem ex- clusivamente em produtos e serviços, enquanto as penalidades pre- vistas para a atuação da polícia administrativa recaem sobre pessoas, podendo em alguns casos ocorrer em face de apreensão de produtos, desde que sejam de origem criminosa.

Características do Poder de Polícia:

A doutrina administrativa majoritária considera as principais

características do Poder de Polícia:

- Autoexecutoriedade: Constitui prerrogativa aos atos emana- dos por força do poder de polícia a característica autoexecutória imediatamente a partir de sua edição, isso ocorre porque as decisões administrativas trazem em si a força necessária para a sua auto exe- cução. Os atos autoexecutórios do Poder de Polícia são aqueles que podem ser materialmente implementados pela administração, de maneira direta, inclusive mediante o uso de força, caso seja neces- sário, sem que a Administração Pública precise de uma autorização judicial prévia.

A autoexecutoriedade dos atos administrativos fundamenta-se

na natureza pública da atividade administrativa, em razão desta, atendendo o interesse público, assim, a faculdade de revestimento do ato administrativo pela característica da autoexecução de seus próprios atos se manifesta principalmente pela supremacia do inte- resse coletivo sobre o particular.

- Coercibilidade: Trata-se da imposição coercitiva das deci-

sões adotadas pela Administração Pública, objetivando a garantia do cumprimento, mesmo que forçado, do ato emanado mediante o Poder de Polícia. Cumpre esclarecer que todo ato de Polícia tem caráter impera- tivo e obrigatório, ou seja, temos a possibilidade de a administração pública, de maneira unilateral, criar obrigações para os administra- dos, ou então impor-lhes restrições. Dessa forma, não existe ato de polícia de cumprimento facul- tativo pelo administrado, haja vista que todos os atos adotados com fundamento no Poder de Polícia admite a coerção estatal para fim de torná-lo efetivo, sendo certo que tal coerção independe de prévia autorização judicial.

- Discricionariedade: Os atos discricionários são aqueles que a Administração Pública pode praticar com certa liberdade de escolha e decisão, sempre dentro dos termos e limites legais, quanto ao seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e conve- niência administrativa. Dessa maneira, na edição de um ato discricionário, a legislação outorga ao agente público certa margem de liberdade de escolha, diante da avaliação de oportunidade e conveniência da pratica do ato.

Limites do Poder de Polícia:

Muito embora a Discricionariedade seja característica do ato emanado com fundamento no Poder de Polícia, a lei impõe alguns limites quanto a competência, a forma e aos fins almejados pela Ad- ministração Pública, não sendo o Poder de Polícia um poder absolu- to, visto que encontra limitações legais. Não podemos perder de vista que toda a atuação administrativa, seja em que esfera for, deve obediência ao principio administrativo constitucional da Legalidade, devidamente previsto no artigo 37 da Constituição Federal. Assim, toda atuação administrativa pautada dentro dos limites legais, seja quanto a competência do agente que executou a atividade administrativa ou então a forma em que foi realizada, será conside- rada um ato legal e legítimo, desde que atenda o interesse coletivo. De outra forma, o ato administrativo que for praticado com ví- cios de competência, ilegalidades, ilegitimidades, ou ainda que con- trariem o interesse público, será considerado um ato ilegal, praticado com abuso ou desvio de poder. Os limites impostos à atuação do poder de polícia se destinam a vedar qualquer manifestação administrativa revestida de arbitra- riedade e ilegalidade por parte do agente público, sendo certo que todo e qualquer ato administrativo poderá ser levado a analise de legalidade pelo Poder Judiciário, que tem o poder jurisdicional de anular ato ilegal ou ilegítimo.

ABUSO DE PODER

O exercício ilegítimo das prerrogativas conferidas pelo ordena-

mento jurídico à Administração Pública caracteriza de modo genéri- co, o denominado abuso de poder. Dessa maneira, o abuso de poder ocorre diante de uma ilegiti- midade, ou, diante de uma ilegalidade, cometida por agente público no exercício de suas funções administrativas, o que nos autoriza a

por agente público no exercício de suas funções administrativas, o que nos autoriza a Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO concluir que o abuso de poder é uma conduta ilegal cometida pelo agente

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concluir que o abuso de poder é uma conduta ilegal cometida pelo agente público, e, portanto, toda atuação fundamentada em abuso de poder é ilegal. Importante destacar que é plenamente possível o abuso de po- der assumir tanto a forma comissiva, quanto à omissiva, ou seja, o abuso tanto pode ocorrer devido a uma ação ilegal do agente públi- co, quanto de uma omissão considerada ilegal. O abuso de poder pode ocorrer de duas maneiras, quais sejam:

excesso de poder ou desvio de poder.

- Excesso de Poder: Ocorre quando o agente público atua fora

dos limites de sua competência, ou seja, o agente público não tinha a competência funcional prevista em lei para executar a atividade administrativa.

- Desvio de Poder: Ocorre quando a atuação do agente é pauta-

da dentro dos seus limites de competência, mas contraria a finalida- de administrativa que determinou ou autorizou a sua atuação.

3 SERVIÇOS PÚBLICOS: CONCEITO E PRINCÍPIOS; DELEGAÇÃO: CONCESSÃO, PERMISSÃO E AUTORIZAÇÃO.

CONCEITO:

Inicialmente, devemos elucidar que a Constituição Federal de 1988 não conceitua “serviço público”, e tampouco temos no ordena- mento jurídico pátrio, em leis esparsas, seu significado legal. Dessa maneira temos que ficou sob os cuidados da doutrina administrativa elaborar seu significado, entretanto, não existe um conceito doutrinário consensual de “serviço público”. Nos ensinamentos do Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, temos o conceito de serviço público como:

“Certas atividades (consistentes na prestação de utilidade ou comodidade material) destinada a satisfazer a coletividade em ge- ral, são qualificadas como serviços públicos quando, em dado tem- po, o Estado reputa que não convém relegá-las simplesmente a livre iniciativa; ou seja, que não é socialmente desejável fiquem tão só assujeitadas à fiscalização e controles que exerce sobre a generali- dade das atividades privadas.”

Celso Antônio Bandeira de Mello ainda complementa seu con- ceito afirmando que:

“É toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral, mas fruí- vel singularmente pelos administrados, que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes, sob um regime de Direito Público – portanto, consa- grador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais - , instituído em favor dos interesses definidos como públicos no siste- ma normativo”.

Segundo o jurista Hely Lopes de Meirelles, serviço público é:

“Todo aquele prestado pela Administração ou por seus dele- gados, sob normas e controle estatal, para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade, ou simples conveniência do Estado”.

Para a Profª Maria Sylvia ZanellaDi Prieto, temos o entendi- mento de serviços públicos sob a ótica de dois elementos, ‘subjetivo’ e ‘formal’, senão vejamos seu posicionamento:

“O elemento subjetivo, porque não mais se pode considerar que as pessoas jurídicas públicas são as únicas que prestam servi- ços públicos; os particulares podem fazê-lo por delegação do poder público, e o elemento formal, uma vez que nem todo serviço público é prestado sob regime jurídico exclusivamente público”.

Assim, verifica-se que, nas mais variadas concepções jurídicas acerca do conceito de “serviço público”, podemos facilmente defi- nir os pontos em comum e aceitar, de maneira ampla que serviço público é como o conjunto de todas as atividades exercidas pelo Estado ou delegados, sob o regime jurídico de direito público, ou seja, a atividade jurisdicional, atividade de governo, atividade le- gislativa, prestação de serviço público, colocados a disposição da coletividade. De outra forma, estudando o conceito de “serviço público”,

mas sob análise mais restritiva, temos que são todas as prestações de utilidade ou comodidades materiais efetuadas diretamente e exclusi- vamente ao povo, seja pela administração pública ou pelos delega- tários de serviço público, voltado sempre à satisfação dos interesses coletivos.

O objetivo da Administração Pública, no exercício de suas atri-

buições, é de garantir à coletividade a prestação dos serviços públi- cos de maneira tal que possa corresponder aos anseios da coletivida- de, atingindo diretamente o interesse público, devendo o Poder Pú-

blico disciplinar a aplicação dos recursos materiais (orçamentários), visando a aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade

e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização e otimização da prestação dos serviços públicos.

DELEGAÇÃO

Não se pode confundir a titularidade do serviço com a titulari-

dade da prestação dos serviços públicos, sendo certo que tratam-se de realidades e significados totalmente distintos.

O fato de o Poder Público ser titular de serviços públicos, ou

seja, ser o sujeito que detém a responsabilidade de zelar pela sua

prestação, não significa que deva ser obrigatoriamente prestá-los por

si só de maneira exclusiva, sendo que na grande maioria das vezes,

estará a Administração pública obrigada a disciplinar e promover a prestação, bem como efetuar a fiscalização sobre a forma que esta sendo executado o serviço público.

bem como efetuar a fiscalização sobre a forma que esta sendo executado o serviço público. Didatismo

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DIREITO ADMINISTRATIVO Dessa maneira, tanto poderá a administração pública, por meios próprios prestar os serviços

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Dessa maneira, tanto poderá a administração pública, por meios próprios prestar os serviços públicos, como poderá promover-lhes a prestação conferindo a entidades externas a administração seu cum- primento e execução. Entidades externas podem ser assim entendidas como os par- ticulares estranhos aos quadros da administração pública e ainda a administração indireta. Dessa forma, poderá o Poder Público confe- rir autorização, permissão ou concessão de serviços públicos, como formas de sua execução. ] Concessão de serviços públicos: É a delegação de serviços pú- blicos feita pelo poder concedente mediante licitação na modalidade concorrência à pessoa que demonstre capacidade para seu desempe- nho, por sua conta e risco e por prazo determinado. Assim, é delegado ao vencedor da licitação na modalidade de concorrência pública a prestação de serviços públicos, que geral- mente ocorre no tocante a concessão da execução de serviços pú- blicos. Importante esclarecer o conceito de Poder Concedente, assim entendido como a União, o Estado, o DF ou Município, em cuja competência se encontre o serviço público, assim a titularidade con- tinua sendo sua somente será transferida a execução dos serviços públicos à concessionária.

Nos ensinamentos do jurista Hely Lopes Meirelles, temos que:

“Pela concessão, o poder concedente não transfere a proprie- dade alguma ao concessionário, nem se despoja de qualquer direito ou prerrogativa pública. Delega, apenas, a execução do serviço, nos limites e condições legais ou contratuais, sempre sujeita à regu- lamentação e fiscalização do concedente.”

Para o Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, conceituando o instituto da concessão de serviço público, ensina que:

“É o instituto através do qual o Estado atribuiu o exercício de um serviço público a alguém que aceita prestá-lo em nome próprio, por sua conta em risco, nas condições fixadas e alteráveis unilate- ralmente pelo Poder Público, mas sob garantia contratual de um equilíbrio econômico-financeiro, remunerando-se pela própria ex- ploração do serviço, em geral e basicamente mediante tarifas co- bradas diretamente dos usuários do serviço”.

Neste sentido, verifica-se que a concessão é mecanismo de de- legação de direito público, pois, as suas cláusulas contratuais são editadas pelo Poder Público, que poderá a qualquer tempo modificá- -las de forma unilateral, tendo em vista que não há que se falar em igualdade entre as partes contratantes em atenção ao principio da soberania do Estado. Entretanto, está presente, como em todo contrato, a bilateralida- de, pois, ao aderir ao contrato de concessão, o concessionário inte- gra a relação jurídica contratual, com declaração de vontade própria, mas aceitando os termos e condições impostas pela Administração Pública. O que ocorre com os contratos de concessão de serviços pú- blicos é que são vinculados ao processo licitatório, assim, as suas cláusulas devem atender obrigatoriamente o que estiver estipulado no edital de abertura da licitação. Por se tratar de um contrato admi-

nistrativo, o contrato de concessão tem como objeto o bem público, a utilidade pública e ainda o interesse da coletividade, que se explica facilmente, pelo fato do destinatário da realização do serviço é jus- tamente o cidadão. Oportuno ainda esclarecer que nas concessões de serviço públi- co é admitida a subconcessão, desde que prevista em cláusula espe- cifica no contrato administrativo e no edital da abertura da licitação, vinculado, entretanto, a autorização do poder concedente, após a verificação do interesse público. É possível também ocorrer o instituto da concessão em obras públicas, através da privatização temporária de uso. Trata-se de um contrato administrativo avençado entre o Poder Público e o conces- sionário para a execução de uma obra pública, mediante remune- ração posterior a ser paga pela exploração dos serviços ou então utilidades proporcionadas pela própria execução da obra. Como dito, a concessão deverá ser formalizada mediante con- trato, a título precário, precedido de procedimento licitatório (na modalidade de concorrência), definindo o objeto, a área, o prazo da concessão, o modo de sua execução, a forma e as condições da concessão da obra pública, para tanto, a empresa deve demonstrar o interesse na contratação com o poder concedente, comprovando sua capacidade para o desempenho das obrigações assumidas da obra, por sua conta e risco e por prazo determinado. Ressalta-se que o contrato de concessão de obra pública, firma- do por tempo determinado, não pode ser objeto de prorrogação, não se situando a prerrogativa discricionária conferida ao Poder Público, sendo que sua eventual prorrogação fere o princípio da isonomia en- tre os licitantes, e participantes do certame licitatório de concessão.

Permissão: É a delegação, a título precário, mediante licitação da prestação de serviços públicos feita pelo poder concedente, a pes- soa que demonstre capacidade de desempenho por sua conta e risco. A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, e será contratado sempre em caráter precário, com prazo determinado. Importante ressaltar que no instituto da permissão de serviços públicos admite-se a presença de pessoa física, além da pessoa jurí- dica, sendo que a legislação que regula a matéria não inclui a possi- bilidade de contratação pela permissão de consórcios. No instituto da Permissão, a Administração Pública possui a prerrogativa de estabelecer de forma unilateral os requisitos e condi- ções impostas diante da execução de serviços públicos permitidos e confiados ao particular, que durante o procedimento licitatório, com- provou possuir capacidade para seu desempenho. Em virtude do caráter precário das permissões e de seu prazo determinado, os permissionários não gozam de prerrogativas garan- tidas por lei aos concessionários de serviço público, devendo portan- to, seguir as normas e orientações dos Poder Público.

Autorização de serviços públicos: Coloca-se ao lado da con- cessão e da permissão de serviços públicos, destina-se a serviços muito simples, de alcance limitado, ou a trabalhos de emergência, e a hipóteses transitórias e especiais, podendo ainda ser utilizado para as situações em que o serviço seja prestado a usuários específicos e restritos.

para as situações em que o serviço seja prestado a usuários específicos e restritos. Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO As sim, temos que a autorização de serviços públicos é o ato administrativo

DIREITO ADMINISTRATIVO

Assim, temos que a autorização de serviços públicos é o ato administrativo discricionário por meio do qual é delegada a um par- ticular, sempre em caráter precário, a prestação de serviços públicos que não exija alto grau de complexidade e especialização técnica, nem mesmo a comprovação do particular autorizado a execução dos serviços, possuir grande aporte de capital financeiro. Para a contratação por meio do instituto da autorização de servi- ços públicos, não há licitação, para tanto, os serviços públicos auto- rizados estão sujeitos a modificação ou revogação de sua execução, por meio de ato discricionário da delegação, cuja denominação é termo de autorização. Isto ocorre em virtude da precariedade que reveste o ato admi- nistrativo que autorizou a delegação do serviço ao particular. Cum- pre esclarecer que a autorização, mesmo sendo precária não possui prazo determinado para seu encerramento, e em via de regra, não é passível de indenização por decorrente de sua revogação. Oportuno ainda ressaltar que a autorização do serviço público não pode ser confundido com a autorização decorrente do ato de polícia administrativa outorgada no exercício do poder de polícia conferido a Administração Pública, como condição para a prática de atividades privadas pelos particulares, o que não se pode confundir com a transferência, por delegação, da titularidade da execução e prestação dos serviços públicos. Autorização: poderá ocorrer em duas modalidades que são:

a) autorização de uso – ocorre quando um particular é autoriza-

do a utilizar bem público de forma especial, exemplo: a autorização de uso de uma rua para realização de uma quermesse.

b) autorização de atos privados controlados – em que o parti-

cular não pode exercer certas atividades sem autorização do poder público, são atividades exercidas por particulares mas consideradas de interesse público. OBS: autorização é diferente de licença, termos semelhantes. A autorização é ato discricionário, enquanto a licença é vinculado. Na licença o interessado tem direito de obtê-la, e pode exigi-la, desde que preencha certos requisitos, ex. licença para dirigir veículo.

DA REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE:

Cumpre à Administração Pública o dever/poder de regulamen- tação e o controle quando há ocorrência de concessão e permissão de executar os serviços públicos por particulares, visando a garantia da regularidade do atendimento aos seus objetivos, que envolvem gestão de serviço público. Ao poder concedente, ou seja, ao Poder Público, compete re- gulamentar o serviço concedido por meio de lei e regulamentos, ou do próprio contrato, estabelecendo direitos e deveres das partes con- tratantes e dos usuários. Importante frisar que, a atividade privada, mesmo quando atuante no exercício do serviço público, objetiva o lucro, daí surge a necessidade permanente de manter a fiscalização. O controle e o poder de fiscalização serão exercidos pela pró- pria Administração, através do seu sistema de controle interno, ou então será exercido, quando provocado, pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas. Assim, sendo permanente o dever de controlar, tendo em vista o interesse coletivo, esse controle se efetiva não apenas pela Admi- nistração Pública, mas também pelo usuário. As Agências Reguladoras, devidamente criadas por lei, vêm prestando importante serviço na tarefa de fiscalização das conces- sões e permissões de serviço público.

DIREITO DO USUÁRIO:

Atuando como destinatário direto da prestação de serviços pú- blicos, os usuários participam da Administração Pública, com direi-

to a reclamação relativa à qualidade na prestação de serviço publico em geral, sendo assegurada a manutenção de serviços de atendimen- to ao usuário e avaliação constante e periódica, seja externa ou inter- na, da qualidade e efetividade dos serviços colocados à disposição da coletividade. Todos os cidadãos têm direito a receber dos órgãos públicos informações corretas de seus interesses particulares, ou então de interesse coletivo em geral. Na hipótese de desatendimento, o inte- ressado tem o direito de impetrar a medida conhecida como habeas data, visando assegurar o conhecimento das informações pedidas.

É ainda direito dos usuários de serviços públicos a faculdade de

representação contra o exercício negligente, abusivo ou irregular de cargo, emprego ou função na Administração Pública, cobrando das autoridades administrativas providencias para sanar tais irregulari- dades ou abusos.

PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DOS SERVIÇOS PÚ- BLICOS:

A relevância e a prevalência do interesse coletivo sobre o inte- resse de particulares informam os princípios que orientam a disposi- ção e organização do funcionamento dos serviços públicos. Impor- tante ressaltar que, a figura principal no serviço público não é seu titular, nem mesmo o prestador dele, as sim o usuário dos serviços. Além dos princípios gerais do Direito Administrativo, tanto os princípios expressos na Constituição Federal, como também os

implícitos, presentes em toda a atividade administrativa, especifica- mente na prestação dos serviços públicos, identifica-se a presença de mais quatros, que norteia e orienta a prestação dos serviços colo- cados a disposição da coletividade, quais são: o Princípio da Conti- nuidade do Serviço Público; Principio da Mutabilidade do Regime Jurídico e o Princípio da Igualdade dos Usuários do Serviço Público,

e ainda o Princípio do Aperfeiçoamento.

Princípio da Continuidade do Serviço Público: O serviço públi- co deve ser prestado de maneira continua, o que significa dizer que não é passível de interrupção. Isto ocorre justamente pela própria importância de que o serviço público se reveste diante dos anseios da coletividade.

É o principio que orienta sobre a impossibilidade de paralisação,

ou interrupção dos serviços públicos, e o pleno direito dos adminis-

trados a que não seja suspenso ou interrompido, pois entende-se que

a continuidade dos serviços públicos é essencial a comunidade, não

podendo assim sofrer interrupções. Diante de tal princípio temos o desdobramento de outros de suma importância para o “serviço público”, quais são: qualidade e regularidade, assim como com eficiência e oportunidade.

Princípio da Mutabilidade do Regime Jurídico: É aquele que reconhece para o Estado o poder de mudar de forma unilateral as regras que incidem sobre o serviço público, tendo como objetivo

a adaptação às novas necessidades, visando o equilíbrio na relação

contratual econômico-financeira, satisfazendo o interesse geral à

máxima eficácia.

contratual econômico-financeira, satisfazendo o interesse geral à máxima eficácia. Didatismo e Conhecimento 7

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DIREITO ADMINISTRATIVO Em atenção ao Princípio da Mutabilidade do Regime Jurídico dos Serviços Públicos, temos

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Em atenção ao Princípio da Mutabilidade do Regime Jurídico dos Serviços Públicos, temos a lição da Profª. Maria Sylvia Zanella

Di Prieto, que assim leciona:

“Nem os servidores públicos, nem os usuários de serviço pú- blicos, nem os contratados pela Administração têm direito adqui- rido à manutenção de determinado regime jurídico; o estatuto dos funcionários pode ser alterado, os contratos também podem ser alterados ou mesmo reincididos unilateralmente para atender ao interesse público; o aumento das tarifas é feito unilateralmente pela Administração, sendo de aplicação imediata”.

Justamente por vincular-se o regime jurídico dos contratos ad- ministrativos de concessão e permissão de serviços públicos aos preceitos de Direito Público, com suas cláusulas exorbitantes, e ainda em presença da necessidade constante da adaptação dos ser- viços públicos ao interesse coletivo, torna-se necessária e razoável a possibilidade de alteração, ou mudança do regime de execução dos serviços, objetivando adequar aos interesses coletivos.

Principio da igualdade dos usuários dos serviços públicos:

Constituição Federal diz que todos são iguais perante a lei e desta

forma não podemos ser tratados de forma injusta e desigual, assim, não se pode restringir o acesso aos benefícios dos serviços públicos para os sujeitos que se encontrarem em igualdade de condições. Diante de tal principio temos o desdobramento de dois aspectos

da Igualdade dos Usuários de Serviços públicos:

- A Universalidade que significa dizer que o serviço público deve ser prestado em benefício de todos os sujeitos que se encon- tram em equivalente situação.

- A Neutralidade, que significa dizer que é impossível dar qual- quer tipo de privilégios que forem incompatíveis com o princípio da isonomia. Logo são “impossíveis” vantagens individuais fundadas em raça, sexo, credo religioso, time de futebol e etc.

Princípio do Aperfeiçoamento: Temos o aperfeiçoamento como uma constante evolução da sociedade, dessa forma, e simplesmente por isso, é que no serviço público ele se impõe como um direito do cidadão, assim, o aperfeiçoamento da prestação dos serviços públi- cos vincula-se à eficiência dos serviços a serem prestados.

4 ATO ADMINISTRATIVO: CONCEITO, REQUISITOS E ATRIBUTOS; ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO; DISCRICIONARIEDADE E VINCULAÇÃO.

CONCEITO:

Atos administrativos são espécies do gênero “ato jurídico”, ou seja, são manifestações humanas, voluntárias, unilaterais e destina- das diretamente à produção de efeitos no mundo jurídico.

De acordo com os ensinamentos do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, ato administrativo pode ser conceituado como:

“declaração do Estado (ou de quem lhe faça às vezes – como, por exemplo, um concessionário de serviço público), no exercício de prerrogativas públicas, manifestada mediante providências jurídicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e sujeitas a controle de legitimidade por órgão jurisdicional”. Segundo o conceito formulado por Hely Lopes Meirelles, te- mos que: “ato administrativo é toda manifestação unilateral de von- tade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria”. Para Maria Sylvia Di Pietro, ato administrativo pode ser defini- do como: “a declaração do Estado ou de quem o represente, produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime jurí- dico de direito público e sujeita a controle pelo Judiciário”. Dessa forma, temos que é por meio do ato administrativo que a função administrativa se concretiza, sendo toda a exteriorização da vontade do Estado, executada pelos agentes públicos, objetivando alcançar o interesse coletivo. Portanto, ato administrativo é a manifestação ou declaração da Administração Pública, editada pelo Poder Público, através de seus agentes, no exercício concreto da função administrativa que exerce, ou de quem lhe faça às vezes, sob as regras de direito público, com a finalidade de preservar e alcançar os interesses da coletividade, passível de controle Jurisdicional.

ATRIBUTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS:

Entende-se por atributos as qualidades ou características dos atos administrativos, uma vez que requisitos dos atos administra- tivos constituem condições de observância obrigatória para a sua validade, os atributos podem ser entendidos como as características dos atos administrativos. Os atributos dos atos administrativos citados pelos principais autores são: presunção de legitimidade; imperatividade; autoexecu- toriedade e tipicidade.

Presunção de Legitimidade: A presunção de legitimidade, ou legalidade, é a única característica presente em todos os atos admi- nistrativos. Assim, uma vez praticado o ato administrativo, ele se presume legítimo e, em princípio, apto para produzir os efeitos que lhe são inerentes, cabendo então ao administrado a prova de eventual vício do ato, caso pretenda ver afastada a sua aplicação, dessa maneira verificamos que o Estado, diante da presunção de legitimidade, não precisa comprovar a regularidade dos seus atos. Dessa maneira, mesmo quando eivado de vícios, o ato adminis- trativo, até sua futura revogação ou anulação, tem eficácia plena des- de o momento de sua edição, produzindo regularmente seus efeitos, podendo inclusive ser executado compulsoriamente.

Imperatividade: Pelo atributo da imperatividade do ato ad- ministrativo, temos a possibilidade de a administração pública, de maneira unilateral, criar obrigações para os administrados, ou então impor-lhes restrições.

unilateral, criar obrigações para os administrados, ou então impor-lhes restrições. Didatismo e Conhecimento 8

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DIREITO ADMINISTRATIVO Importante esclarecer que nem todos os atos administrativos são revestidos de imperatividade, mas,

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Importante esclarecer que nem todos os atos administrativos são revestidos de imperatividade, mas, da mesma forma que ocorre relativamente à presunção de legitimidade, os atos acobertados pela imperatividade podem, em princípio, ser imediatamente impostos aos particulares a partir de sua edição.

Autoexecutoriedade: O ato administrativo possui força execu- tória imediatamente a partir de sua edição, isso ocorre porque as decisões administrativas trazem em si a força necessária para a sua auto execução. A autoexecutoriedade dos atos administrativos fundamenta-se na natureza pública da atividade administrativa, cujo principal obje- tivo é o atendimento ao interesse público. Assim, a faculdade de revestimento do ato administrativo pela característica da autoexecução de seus atos se manifesta principal- mente pela supremacia do interesse coletivo sobre o particular. Os atos autoexecutórios são aqueles que podem ser material- mente implementados pela administração, de maneira direta, inclu- sive mediante o uso de força, caso seja necessário, sem que a Admi- nistração Pública precise de uma autorização judicial prévia.

Tipicidade: Para a Profª. Maria Sylvia Di Pietro, a tipicidade é: “o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas previamente pela lei como aptas a produzir deter- minados resultados”. Visando a segurança jurídica aos administrados, o atributo da tipicidade garante que o ato administrativo deve corresponder a fi- guras previamente estabelecidas pelo ordenamento jurídico vigente.

REQUISITOS E ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRA- TIVO:

A doutrina administrativa é pacifica em apontar cinco requisitos básicos, ou elementos dos atos administrativos: competência, finali- dade, forma, motivo e objeto. Além dos requisitos elaborados pela doutrina administrativa, aplicam-se aos atos administrativos os requisitos gerais de todos os atos jurídicos perfeitos, como agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não proibida em lei. Trata-se de requisitos fundamentais para a validade do ato ad- ministrativo, pois o ato que for editado ou praticado em desacordo com o que o ordenamento jurídico estabeleça para cada requisito, será, via de regra, um ato nulo.

Competência: O requisito da Competência pode ser definido como o poder legal conferido ao agente público para o desempenho regular e específico das atribuições de seu cargo. A competência é a condição primeira de validade do ato admi- nistrativo, onde deve haver uma análise sobre a incidência ou não da capacidade específica e legalmente definida para a prática do ato. Importante observar que a noção de competência do agente, na esfera do Direito Administrativo, alcança, além do agente, também o órgão do Estado que ele representa. Dessa forma, conclui-se que competência é prerrogativa do Es- tado, exercitada por seus agentes, respeitada a hierarquia e distribui- ção constitucional de atribuições. A competência é um elemento, ou requisito, sempre vinculado, ou seja, não há possibilidade de escolha na determinação da com- petência para a prática de um ato, tendo em vista que tal vinculação decorre de lei.

Para os estudos sobre o requisito da competência do ato admi- nistrativo, se mostra necessário e oportuno mencionar a existência das figuras da avocação de competência e a delegação de compe- tência. A avocação é o ato mediante o qual o superior hierárquico traz

para si o exercício temporário de certa competência atribuída por lei a um subordinado, devendo ser medida excepcional e de caráter precário, sendo que a avocação não será possível quando se tratar de competência exclusiva do subordinado.

A delegação, doutro modo é o ato mediante o qual o superior

hierárquico delega para seu subordinado ou a outro órgão, compe- tência que lhe pertence, também tem a característica de ser tempo- rário e revogável a qualquer momento, devendo seguir os limites previstos em lei, Nos casos em que houver avocação ou delegação de competên- cia não se verifica a transferência da titularidade da competência, apenas o seu exercício. Importante salientar que o ato de delegação ou avocação de competência é discricionário e revogável a qualquer momento. Quando o agente público ou órgão atua fora, ou além, de sua esfera de competência, temos presente então uma das figuras de abu-

so de poder, ou excesso de poder, que, nem sempre está obrigado à anulação do ato, visto que o vício de competência admite convalida- ção, salvo quando se tratar de competência em razão da matéria ou de competência exclusiva.

Finalidade: Ao editar determinado ato administrativo, o Poder Público deve perseguir o interesse público. É o objetivo principal que a Administração Pública pretende alcançar com a prática do ato administrativo. Dessa maneira a finalidade do ato deve ser sempre o interesse da coletividade e a finalidade específica prevista em lei para aquele ato da administração. Sendo requisito de validade do ato, é nulo qualquer ato pratica- do visando exclusivamente o interesse privado, ou seja, o desaten- dimento a qualquer das finalidades do ato administrativo configura vício insanável, com a obrigatória anulação do ato. O vício de fina- lidade é denominado pela doutrina como desvio de poder, configu- rando em uma das modalidades do abuso de poder.

Forma: é o modo de exteriorização do ato administrativo. Todo ato administrativo, em principio, deve ser formal, e a forma exigida pela lei quase sempre é escrita, em atendimento inclusive ao princi- pio constitucional de publicidade.

A forma, ou formalidade é o conjunto de exterioridades que

devem ser observadas para a regularidade do ato administrativo. As- sim, temos que todo ato administrativo é formal, pelo que sua falta resulta, necessariamente, na inexistência do ato administrativo.

A forma do ato administrativo pode ser entendido em dois sen-

tidos, no amplo e no estrito. Em sentido amplo, a forma do ato administrativo é o procedi- mento previsto em lei para a prática regular do ato. Seu sentido estrito refere-se ao conjunto de requisitos formais que devem constar no próprio ato administrativo, de acordo com suas formalidades próprias.

Motivo: É a causa imediata do ato administrativo, é a situação fática, ou jurídica, que determina ou possibilita a atuação adminis- trativa, razão pela qual todo ato administrativo deve ser motivado, assim temos que o motivo é elemento integrante do ato.

ato administrativo deve ser motivado, assim temos que o motivo é elemento integrante do ato. Didatismo

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DIREITO ADMINISTRATIVO O motivo do ato administrativo não se traduz apenas como um elemento, mas

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O motivo do ato administrativo não se traduz apenas como um

elemento, mas também como um pressuposto objetivo do ato em si, pois o motivo que deu origem ao Ato Administrativo tornou-se regra jurídico-administrativa obrigatória.

Diante da possibilidade legal de controle externo do ato admi- nistrativo (exercido pelo Poder Judiciário e Poder Legislativo) anali- sando a legalidade e legitimidade dos atos, a doutrina administrativa formulou a teoria dos motivos determinantes, que vincula a reali- zação do ato administrativo com os motivos que o originaram, sendo certo que o ato deve ser praticado por agente competente e de acordo com as determinações legais.

A teoria dos motivos determinantes vincula a existência e a per-

tinência dos motivos (fáticos e legais) à efetiva realização do ato, demonstrando os motivos que declarou como causa determinante a prática do ato.

Dessa maneira, caso seja comprovada a não ocorrência do mo- tivo ou a situação declarada como determinante para a prática do ato, ou então a inadequação entre a situação ocorrida e o motivo descrito na lei, o ato será nulo.

Não se pode confundir Motivo com Motivação, visto que Mo- tivação é a declaração expressa dos motivos que determinaram e justificaram a prática do ato administrativos.

Objeto: O objeto é o próprio conteúdo material do ato. O objeto do ato administrativo identifica-se com o seu conteúdo, por meio do qual a administração manifesta sua vontade, ou simplesmente atesta situações preexistentes.

De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, o objeto do ato administrativo “é aquilo que o ato dispõe, isto é, o que o ato decide, enuncia, certifica, opina ou modifica na ordem jurídica”

Pode-se dizer que o objeto do ato administrativo é a própria alteração na esfera jurídica que o ato provoca, é o efeito jurídico imediato que o ato editado produz.

CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS:

Atos Gerais e Atos Individuais: Os atos administrativos gerais caracterizam-se por não possuir destinatários diretos e determina- dos, apresentam apenas situações normativas aplicáveis a todos os administrados e hipóteses fáticas que se enquadrem nos casos des- critos de forma abstrata. Assim, é possível dizer que tais atos possuem como caracterís- tica a generalidade e abstração. Os atos administrativos individuais são aqueles que possuem destinatário final certo e determinado, produzindo seus efeitos de maneira direta e concreta e de forma individualizada, seja consti- tuindo ou declarando situações jurídico-administrativa particulares. O ato individual pode ter um único destinatário – ato singular – ou então diversos destinatários, desde que determinados e identificados – atos plúrimos.

Atos Internos e Atos Externos: Atos administrativos internos, são aqueles destinados a produzir efeito somente no âmbito da Ad- ministração Publica, atingindo de forma direta e exclusiva seus ór- gãos e agentes.

Atos administrativos externos são os que atingem os cidadãos administrados de forma geral, criando direitos ou obrigações gerais ou individuais, declarando situações jurídicas. Para esses atos é ne- cessário que haja a publicação em imprensa oficial, como condição de vigência e eficácia do ato.

Atos Simples, Complexo e Composto: Ato administrativo sim- ples é aquele que decorre de uma única manifestação de vontade, de um único órgão, unipessoal ou mediante apreciação de colegiado. Assim, o ato simples esta completo somente com essa manifestação, não dependendo de outra, seja concomitante ou posterior, para que seja considerado perfeito, não dependendo ainda de manifestação de outros órgãos ou autoridades para que possa produzir seus regulares efeitos.

Ato administrativo complexo é o que necessita, para sua forma- ção e validade, da manifestação de vontade de dois ou mais órgãos, ou autoridades, diferentes.

Ato administrativo composto é aquele cujo conteúdo resulta de manifestação de um só órgão, mas a sua edição ou a produção de seus regulares efeitos dependem de outro ato que o aprove. A atribuição desse outro ato é simplesmente instrumental, visando a autorizar a prática do ato principal, ou então conferir eficácia a este. Ressalta-se que o ato acessório ou instrumental em nada altera o conteúdo do ato principal.

Ato Válido, Ato Perfeito e Ato Eficaz: Ato válido é o que esta em total conformidade com o ordenamento jurídico vigente, aten- dendo as exigências legais e regulamentares impostas para que se- jam validamente editadas, não contendo qualquer vício ou defeito, irregularidades ou ilegalidades.

Ato administrativo perfeito é o qual esta pronto, acabado, que já esgotou e concluiu o seu ciclo, foram exauridas todas as etapas de formação, já esgotaram todas as fases necessárias para a sua pro- dução.

Ato administrativo eficaz é aquele que já está disponível e apto a produzir seus regulares efeitos, sendo capaz de atingir sua pleni- tude e alcance.

ESPÉCIES:

Segundo a doutrina majoritaria administrativa, podemos agru- par os atos administrativos em 5 cinco espécies:

Atos normativos: São aqueles que contém um comando geral do Executivo visando ao cumprimento de uma lei. Podem apresentar-se com a característica de generalidade e abstração (decreto geral que regulamenta uma lei), ou individualidade e concreção (decreto de nomeação de um servidor). São atos normativos: o decreto; o regimento; e a resolução.

Atos ordinatórios: São os que visam a disciplinar o funcio- namento da Administração e a conduta funcional de seus agentes. São ordinatórios os atos administrativos que disciplinam e regram o funcionamento dos órgãos da Administração Pública e orientam os

rocedimentos adotados pelos agentes públicos.

da Administração Pública e orientam os rocedimentos adotados pelos agentes públicos. Didatismo e Conhecimento 10

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DIREITO ADMINISTRATIVO De acordo com Hely Lopes de Meirelles: “são aqueles que só atuam no

DIREITO ADMINISTRATIVO

De acordo com Hely Lopes de Meirelles: “são aqueles que só atuam no âmbito interno das repartições e só alcançam os servido- res hierarquizados à chefia que os expediu. Não obrigam aos parti- culares, nem aos funcionários subordinados a outras chefias.” Emanam do poder hierárquico, isto é, podem ser expedidos por chefes de serviços aos seus subordinados. Logo, não obrigam aos particulares. São atos ordinatórios: as instruções; as circulares; os avisos; as portarias; as ordens de serviço; os ofícios e os despachos.

Atos negociais: São todos aqueles que contêm uma declaração de vontade da Administração apta a concretizar determinado negócio jurídico ou a deferir certa faculdade ao particular, nas condições impostas ou consentidas pelo Poder Público. Muito embora apresentem interesses de ambas as partes, exter- nando a manifestação de vontades entre a administração e o admi- nistrado, o ato administrativo negocial possui natureza unilateral, visto que são editados pela Administração Pública, sob as normas do direito público, assim, a vontade do destinatário não é relevante para a formação do ato negocial, visto que necessita apenas de provoca- ção, e depois a aceitação da vontade externada pelo Poder Público. São atos negociais: a licença; autorização; permissão; aprova- ção; admissão; homologação e a dispensa.

Atos enunciativos: São todos aqueles em que a Administração se limita a certificar ou a atestar um fato, ou emitir uma opinião sobre determinado assunto, constantes de registros, processos e arquivos públicos, sendo sempre, por isso, vinculados quanto ao motivo e ao conteúdo.

Segundo Hely Lopes de Meirelles temos que “aos atos enun- ciativos embora não contenham uma norma de atuação, nem orde- nem a atividade administrativa interna, nem estabeleçam uma rela- ção negocial entre o Poder Público e o particular, enunciam, porém, uma situação existente, sem qualquer manifestação de vontade da Administração”.

Não há, no ato enunciativo, o estabelecimento de uma relação jurídica, justamente por não conter uma manifestação de vontade do Poder Público, mas sim enunciando um fato ja existente. São atos enunciativos: a certidão; o atestado e o parecer.

Atos punitivos: São aqueles que contêm uma sanção imposta pela lei e aplicada pela Administração, visando a punir as infrações administrativas e condutas irregulares de servidores ou de particulares perante a Administração. Possuem o objetivo, de acordo com os ensinamentos de Hely Lopes de Meirelles “de unir e reprimir as infrações administrativas ou a conduta irregular dos servidores ou dos particulares perante a Administração”. Pode-se concluir então que os atos punitivos podem ser exter- nos, quando aplicados aos administrados; e internos, quando aplica- dos aos servidores da própria administração. São atos punitivos externos: multa; interdição de atividades; destruição de coisas; demolição administrativa; a cassação e o con- fisco. São atos punitivos internos: o afastamento preventivo de servi- dor investigado; advertencia; suspensão; demissão e a cassação de aposentadoria.

EXTINÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO:

O ato administrativo vigente permanecerá produzindo seus efeitos no mundo jurídico até que algo capaz de alterar essa condi- ção ocorra.

Uma vez publicado e eivado de vícios, terá plena vigência e deverá ser cumprido, em atendimento ao atributo da presunção de legitimidade, até o momento em que ocorra formalmente a sua ex- tinção, por meio da Anulação ou Revogação do Ato Administrativo.

O desfazimento do ato administrativo poderá ser resultante do reconhecimento de sua ilegitimidade, de vícios em sua formação, ou então poderá ser declarada a falta de necessidade de sua validade.

Neste sentido o Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Sú- mula 473 que assim garante: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, por- que deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

Assim, o ato administrativo é considerado extinto quando ocor- rer as principais formas de extinção.

Revogação: é modalidade de extinção de ato administrativo que ocorre por razões de oportunidade e conveniência da Administração Pública, atendido o interesse coletivo.

A Administração Pública pode revogar um ato quando entender

que, embora se trate de um ato válido, que atenda a todas as pres- crições legais, não atende adequadamente ao interesse público no

caso concreto.

Assim, temos que a revogação é a retirada, do mundo jurídico, de um ato válido, mas que, por motivos de oportunidade e conve- niência (discricionariedade administrativa), tornou-se inoportuno ou inconveniente a sua manutenção.

Importante esclarecer que a medida de revogação de ato ad- ministrativo é ato exclusivo e privativo da Administração Pública que praticou o ato revogado. Assim, o Poder Judiciário em hipótese alguma poderá revogar um ato administrativo editado pelo Poder Executivo ou Poder Legislativo. Tal imposição decorre do Princípio da Autotutela do Estado em revogar seus próprios atos, de acordo com sua vontade.

O ato revogatório não retroage para atingir efeitos passados do

ato revogado, apenas impedindo que este continue a surtir efeitos, assim, temos que a revogação do ato administrativo opera com o efeito “ex nunc”, ou seja, os efeitos da revogação não retroagem, passando a gerar seus regulares efeitos a partir do ato revogatório.

Anulação: ocorre quando um ato administrativo estiver eivado de vícios, relativos à legalidade ou legitimidade.

Assim que os vícios forem identificado pela própria Adminis- tração Pública, esta poderá anulá-lo de ofício. É possivel ainda que algum cidadão identifique os vícios e ilegalidades do ato adminis- trativo e comunique a Administração Pública, que poderá anulá-lo.

do ato adminis - trativo e comunique a Administração Pública, que poderá anulá-lo. Didatismo e Conhecimento

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DIREITO ADMINISTRATIVO A anulação do ato administrativo quando estiver com vícios de ilegalidade ou ilegitimidade

DIREITO ADMINISTRATIVO

A anulação do ato administrativo quando estiver com vícios de ilegalidade ou ilegitimidade poderá ocorrer ainda por decisão fundamentada do Poder Judiciário. Entretanto, o Poder Judiciário não poderá atuar de oficio, deverá aguardar a impetração de medi- da judicial por qualquer interessado na anulação do ato. O controle de legitimidade ou legalidade deverá ocorrer em sua forma, nunca em relação ao mérito do ato administrativo. Importante esclarecer que nem todo ato administrativo que estiver com vício de legalida- de ou legitimidade deverá obrigatóriamente ser anulado, antes deve ser verificado se tal vício é sanável ou insanável. Assim, quando se verificar que trata-se de um vício insanável, a anulação do ato deve ser obrigatória, entretanto, quando se tratar de um vício sanável, o ato poder ser anulado ou convalidado, de acordo com a discriciona- riedade conferida à Administração Pública, que irá efetuar análise de oportunidade e conveniência da manutenção dos efeitos do ato administrativo. A anulação age retroativamente, ou seja, todos os efeitos provocados pelo ato anulado também são nulos, daí surge o denominado efeito “ex tunc”, que significa dizer justamente que, com a anulação, os efeitos do ato retroage desde a sua origem.

CONVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS:

Temos como regra geral que, os ato administrativos quando ei- vados de vícios de legalidade ou legitimidade devem ser anulados. Entretanto, algumas hipóteses de vicios de legalidade dão origem a atos administrativos meramente anuláveis, ou seja, atos que, a cri- tério da Adminstração Pública poderão ser anulados ou então con- validados.

Desta forma, convalidar um ato administrativo é corrigi-lo ou regularizá-lo, desde que não acarretem lesão os interesse público nem mesmo prejuízo a terceiro, assim, verificados as condições acima, os atos que apresentarem defeitos sanáveis, ou passiveis de correção, poderão ser convalidados pela Própria Administração Pú- blica.

Temos, portanto, que para a possibilidade de convalidação de ato administrativo, é necessário atender as seguintes condições:

-

O defeito seja sanável;

-

O ato convalidado não poderá acarretar lesão ao interesse pú-

blico;

- O ato convalidado não poderá acarretar prejuízos a terceiros.

Por defeitos sanáveis temos aqueles cujos vícios são relativos à competência quanto à pessoa que editou o ato, desde que não se trate de hipótese de competência exclusiva, e ainda quando ocorrer vício quanto a forma, desde que a lei não considere a forma um elemento do ato essencial à validade do mesmo.

A convalidação pode incidir sobre atos vinculados e atos discri- cionários, pois não se trata de controle de mérito, mas sim de legali- dade e legitimidade, relativos a vícios do ato administrativo sanável, cuja análise recai sobre os elementos de competência e forma, pois, caso a analise fosse feita sobre os elementos de motivo ou objeto, o controle seria no mérito administrativo do ato.

ATOS VINCULADOS E DISCRICIONÁRIOS:

Os atos vinculados são os que a Administração Pública pratica sem qualquer margem de liberdade de decisão, tendo em vista que a lei previamente determinou a única medida possível de ser adotada sempre que se configure a situação objetiva descrita em lei. Os atos discricionários são aqueles que a Administração Pública pode praticar com certa liberdade de escolha e decisão, sempre den- tro dos termos e limites legais, quanto ao seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e conveniência administrativa. Dessa maneira, na edição de um ato vinculado a administração Pública não dispõe de nenhuma margem de decisão, sendo que o comportamento a ser adotado pelo Administrador está regulamen- tado em lei, enquanto na edição de um ato discricionário, a legis- lação outorga ao agente público determinada margem de liberdade de escolha, diante da avaliação de oportunidade e conveniência da pratica do ato. Neste sentido, oportuno esclarecer a expressão Mérito Admi- nistrativo”. O mérito do ato administrativo não é considerado re- quisito para a formação do ato, mas tem implicações com o motivo e o objeto do ato, e consequentemente, com as suas condições de validade e eficácia.

O mérito administrativo consubstancia-se, portanto, na valora-

ção dos motivos e na escolha do objeto do ato, feitas pela Adminis- tração incumbida de sua prática quando autorizada a decidir sobre a

conveniência, oportunidade e justiça do ato a realizar.

O merecimento é aspecto pertinente apenas aos atos adminis-

trativos praticados no exercício de competência discricionária. Nos atos vinculados não há que se falar em mérito, visto que toda a atua- ção do Poder Executivo se resume no atendimento das imposições legais. Quanto ao mérito administrativo a Administração decide li- vremente, e sem possibilidade de correção judicial, salvo quando seu proceder caracterizar excesso ou desvio de poder.

5 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA:

ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA; CENTRALIZADA E DESCENTRALIZADA; AUTARQUIAS, FUNDAÇÕES, EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA.

ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA:

De acordo com os ensinamentos do jurista administrativo Hely Lopes Meirelles, organização da Administração Pública é “todo o aparelhamento do Estado preordenado à realização de serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas”. De maneira obje- tiva, temos que Organização da Administração Pública é toda a ati- vidade concreta e imediata desenvolvida pelo Estado para o alcance dos interesses públicos. De maneira subjetiva, podemos afirmar que trata-se do conjunto de órgãos e de agentes públicos aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado.

agentes públicos aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado. Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO CENTRALIZAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO, CON- CENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO. O Estado exerce função

DIREITO ADMINISTRATIVO

CENTRALIZAÇÃO,

DESCENTRALIZAÇÃO,

CON-

CENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO.

O Estado exerce função administrativa por meio de órgãos,

pessoas jurídicas e seus respectivos agentes públicos, objetivando atender o interesse coletivo. Para tanto, o Estado adota duas formas principais para a organização e atuação administrativa: centraliza- ção e descentralização.

Ocorre a centralização administrativa quando o Estado exerce suas funções diretamente, por meio de seus órgãos e agentes públi- cos integrantes, assim, dizemos que a atividade administrativa do estado é centralizada quando é exercida pelo próprio Estado, ou seja, pelo conjunto orgânico que lhe compõe.

Ocorre a chamada descentralização administrativa quando o Estado desempenha algumas de suas atribuições por meio de outras pessoas, e não pela sua administração direta. Assim, dizemos que a atividade administrativa do Estado é descentralizada quando é exer- cida por pessoas distintas do Estado, sendo que há transferência de competência para a execução do serviço público que lhe são perti- nentes para seus auxiliares.

A descentralização é efetivada por meio de outorga quando o estado cria, por meio de lei, uma entidade ou pessoa jurídica, e a ela lhe transfere determinado serviço público.

De outro modo, a descentralização é efetivada pó meio de dele- gação quando a Administração Pública transfere, mediante contrato administrativo (concessão ou permissão de serviços públicos), ou por meio de ato unilateral (autorização de serviços públicos), a exe- cução do serviço.

A concentração, ou “concentração de competência”, ou ainda “administração concentrada” é o sistema em que o superior hie- rárquico mais elevado é o único e exclusivo órgão competente para tomar decisões, ficando os seus subordinados restritos e limitados às tarefas de preparação e execução das decisões do superior hie- rárquico.

A desconcentração é o fenômeno, ou forma de organização administrativa, de distribuição interna de competências. Diferente- mente da descentralização, que envolve sempre mais de uma pessoa jurídica de direito público, a desconcentração ocorre exclusiva- mente dentro da estrutura de uma mesma pessoa jurídica.

Trata-se, a desconcentração, de mera técnica administrativa de distribuição interna de competências de uma pessoa jurídica.Ocorre desconcentração administrativa quando uma pessoa política ou uma entidade da administração indireta distribui competências no âmbito de sua própria estrutura com a finalidade de conferir mais agilidade e eficiência a prestação dos serviços

ADMINISTRAÇÃO DIRETA

É o conjunto de órgãos que integram as pessoas políticas do

Estado (União, estados, municípios e Distrito Federal), aos quais foi atribuída competência para o exercício, de maneira centralizada, de atividades administrativas, é composta por órgãos ligados direta- mente ao poder central, seja na esfera federal, estadual ou municipal.

A organização da Administração Pública Federal está regula-

mentada por meio do Decreto 200/67, que assim dispõe sobre a Ad-

ministração Direta:

DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE

FEVEREIRO DE 1967.

Art. 4° A Administração Federal compreende:

I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços inte-

grados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios.

ADMINISTRAÇÃO INDIRETA

É o conjunto de pessoas jurídicas – desprovidas de autonomia

política – que, vinculadas à Administração Direta, têm a competência para o exercício, de maneira descentralizada, de atividades

administrativas. São composta por entidades com personalidade jurídica própria, que foram criadas para realizar atividades de Governo de forma descentralizada. São exemplos as Autarquias, Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.

A organização da Administração Pública Federal está regula-

mentada por meio do Decreto 200/67, que assim dispõe sobre a Ad-

ministração Indireta:

DECRETO-LEI Nº 200, DE 25 DE

FEVEREIRO DE 1967.

Art. 4° A Administração Federal compreende:

II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes ca-

tegorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:

a) Autarquias;

b) Empresas Públicas;

c) Sociedades de Economia Mista.

d) fundações públicas. Parágrafo único. As entidades com-

preendidas na Administração Indireta vinculam-se ao Ministério em cuja área de competência estiver enquadrada sua principal ati- vidade.

Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:

I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com per-

sonalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira des- centralizada.

II - Empresa Pública - a entidade dotada de personalidade jurí-

dica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por forca de contingência ou

de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.

conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. Didatismo e Conhecimento 13

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DIREITO ADMINISTRATIVO III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de per- sonalidade

DIREITO ADMINISTRATIVO

III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de per- sonalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a explo- ração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta.

IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recur- sos da União e de outras fontes.

§ 1º No caso do inciso III, quando a atividade for submetida a

regime de monopólio estatal, a maioria acionária caberá apenas à União, em caráter permanente.

§ 2º O Poder Executivo enquadrará as entidades da Adminis-

tração Indireta existentes nas categorias constantes deste artigo.

§ 3º As entidades de que trata o inciso IV deste artigo adqui-

rem personalidade jurídica com a inscrição da escritura pública de sua constituição no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não se lhes aplicando as demais disposições do Código Civil concernentes às fundações.

Assim, temos doutrinariamente:

Autarquias: É o serviço autônomo, criado por lei, com perso- nalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar ati- vidades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descen- tralizada. Trata-se de pessoa jurídica de direito público, o que significa dizer que tem praticamente as mesmas prerrogativas e sujeições da administração direta. O seu regime jurídico pouco se diferencia do estabelecido para os órgãos da Admininstração Direta, aparecendo, perante terceiros, como a própria Administração Pública. Difere da União, Estados e Municípios (pessoas públicas políticas) por não ter capacidade política, ou seja, o poder de criar o próprio direito, é pessoa pública administrativa, porque tem apenas o poder de auto- -administração, nos limites estabelecidos em lei.

Desta forma, temos que a autarquia é um tipo de administração indireta e está diretamente relacionada à administração central, visto que não pode legislar em relação a si, mas deve obedecer à legisla- ção da administração à qual está subordinada.

É ainda importante destacar que as autarquias possuem bens e receita próprios, assim, não se confundem com bens de propriedade da Administração direta à qual estão vinculadas. Igualmente, são responsáveis por seus próprios atos, não envolvendo aAdministração central, exceto no exercício da responsabilidade subsidiária.

Empresa Pública: Trata-se da entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclu- sivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econô- mica que o Governo seja levado a exercer por forca de contingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.

Sendo considerada como pessoa jurídica de direito privado, cuja administração fica sob responsabilidade exclusivamente pelo Poder Público, instituído por um ente estatal, com a finalidade defi- nida em lei específica e sendo de propriedade única do Estado. A finalidade pode ser de atividade econômica ou de prestação de serviços públicos. Trata-se de pessoa jurídica que tem sua criação autorizada por lei, como instrumento de ação do Estado, dotada de personalidade de direito privado mas submetida a certas regras de- corrente da finalidade pública, constituídas sob qualquer das formas admitidas em direito, cujo capital seja formado por capital formado unicamente e exclusivamente por recursos públicos de pessoa de administração direta ou indireta. Pode ser Federal, municipal ou es- tadual.

Sociedade de Economia Mista: É a entidade dotada de perso- nalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta. Trata-se de uma sociedade na qual há colaboração entre o Esta- do e particulares ambos reunindo e unificando recursos para a rea- lização de uma finalidade, sempre de objetivo econômico. A socie- dade de economia mista é uma pessoa jurídica de direito privado e não se beneficia de isenções fiscais ou de foro privilegiado. O Estado poderá ter uma participação majoritária ou minoritária; entretanto, mais da metade das ações com direito a voto devem pertencer ao Estado. A sociedade de economia mista é do gênero de sociedade anonima, e seus funcionários são regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT.

Fundação Pública: É a entidade dotada de personalidade jurídi- ca de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de au- torização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respec- tivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes.

As fundações públicas são organizações dotadas de

personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criadas para um fim específico de interesse coletivo, como educação, cultura

e pesquisa, sempre merecedoras de um amparo legal. As fundações

públicas são autonomas admininstrativamente, patrimônio próprio,

e funcionamento custeado, principalmente, por recursos do poder público, mesmo que sob a forma de prestação de serviços.

6 ÓRGÃOS PÚBLICOS: CONCEITO, NATUREZA E CLASSIFICAÇÃO.

ÓRGÃOS PÚBLICOS:

É uma unidade estatal com atribuição específica dentro da or-

ganização do Estado. É composto por agentes públicos que dirigem

e compõem o órgão, voltado para o cumprimento de uma atividade

a ser desenvolvida pelo Estado.

o órgão, voltado para o cumprimento de uma atividade a ser desenvolvida pelo Estado. Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO Em outras palavras, os órgãos públicos são unidades integrantes da estrutura administrativa de

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Em outras palavras, os órgãos públicos são unidades integrantes da estrutura administrativa de uma mesma pessoa jurídica nas quais são agrupadas as competências a serem exercídas por meio de seus agentes públicos, ou seja, são simples conjutos de competência, sem personalidade jurídica própria, resultados de uma técnica de organi- zação administrativa conhecida como “desconcentração”

Os órgãos públicos formam a estrutura do Estado, mas não têm personalidade jurídica, uma vez que são apenas parte de uma estru- tura maior, essa sim detentora de personalidade.

Como parte da estrutura superior, o órgão público não tem von- tade própria, limitando-se a cumprir suas finalidadades dentro da competência funcional que lhes foi determinada decorrente da or- ganização estatal.

Classificação dos Órgãos Públicos:

QUANTO À POSIÇÃO ESTATAL:

- Órgãos independentes- São os definidos na Constituição e

representativos dos Poderes do Estado. Não possuem qualquer su- bordinação hierárquica e somente são controlados uns pelos outros. Ex.: Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Senado Federal,

Chefias do Executivo, Tribunais e Juízes, Ministério Público e Tri- bunais de Contas.

- Órgãos autônomos - São os subordinados diretamente à cúpula

da Administração. Têm ampla autonomia administrativa, financeira

e técnica, caracterizando-se como órgãos diretivos, com funções de planejamento, supervisão, coordenação e controle das atividades que constituem sua área de competência. Seus dirigentes são, em

geral, agentes políticos nomeados em comissão. São os Ministérios e Secretarias, bem como a AGU (Advocacia-Geral da União) e as Procuradorias dos Estados e Municípios.

- Órgãos superiores - Detêm poder de direção, controle, decisão

e comando dos assuntos de sua competência específica. Represen-

tam as primeiras divisões dos órgãos independentes e autônomos. Ex.: Gabinetes, Coordenadorias, Departamentos, Divisões, etc.

- Órgãos subalternos - São os que se destinam à execução dos

trabalhos de rotina, cumprindo ordens superiores. Ex.: portarias, se- ções de expediente, etc.

QUANTO À ESTRUTURA:

- Órgãos Simples: são também conhecidos por unitários, ou unos, são aqueles que possuem apenas um centro único de compe-

tência, sua característica fundamental é a ausência de outro órgão em sua estrutura, para auxiliá-lo no desempenho de suas funções

- Órgãos Compostos: São queles os quais detém estruturas com-

postas por outros órgãos menores, seja com desempenho de função principal seja de auxilio nas atividades, as funções são distribuídas em vários centros de competência, sob a supervisão do órgão de chefia, respeitadas as ordens hierárquicas.

- Órgãos Federais: São os órgãos ligados a administração públi-

ca central localizada na esfera federal, a Caixa Econômica Federal (CEF) é uma das empresas.

QUANTO À ATUAÇÃO FUNCIONAL:

- Órgãos Singulares: são aqueles que decidem e atuam por meio

de um único agente, o superior hierárquico. Os órgãos singulares

possuem vários agentes auxiliares, mas sua característica de singula- ridade é expressa pelo desenvolvimento de sua função por um único agente, em geral o titular

- Órgãos Coletivos: são aqueles que decidem pela manifestação

de vários membros, de forma conjunta e por maioria de votos, sem

a prevalência da vontade de um chefe prebiamente determinado. A

vontade da maioria é imposta de forma legal, regimental ou estatu- tária.

Teoria do Órgão:

Pela Teoria do Órgão, amplamente adotada por nossa doutrina

e jurisprudência administrativa, presume-se que a pessoa jurídica de

direito público manifesta suas vontades por meio dos seus órgãos, que são partes integrantes da própria estrutura da Administração Pú- blica ou centros de competências criados para expressar a vontade

do Estado, de tal modo que, quando os agentes que atuam nestes ór- gãos manifestam sua vontade, considera-se que esta foi manifestada pelo próprio Estado.

A Teoria do Órgão é muito utilizada para justificas a validade dos atos praticados por agentes públicas, quando atuam no exercício regular de suas atribuições, pois considera-se que o ato praticado pelo agente público é ato emanado do órgão ao qual atua e está vin- culado, assim, é considerado como ato administrativo.

Deve-se esclarecer que não é qualquer ato que será imputado à Administração Pública. É necessário que o ato revista-se, ao menos, de aparência de ato jurídico público legítimo e seja praticado por alguém que se deva presumir ser um agente público devidamente investido no cargo. Fora desses casos, o ato não será considerado ato do Estado.

Assim, para que possa haver a imputação, a pessoa que pratica

o ato administrativo deve fazê-lo em uma situação tal que leve o administrado a presumir regular sua atuação.

7 SERVIDORES PÚBLICOS: CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICOS.

CONCEITO DE AGENTES PÚBLICOS

Considera-se “Agente Público” toda pessoa física que exerça, mesmo que de maneira temporária e transitória, com ou sem remu- neração, mediante eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função pública.

qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função pública. Didatismo e Conhecimento

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DIREITO ADMINISTRATIVO Conforme se pode observar do conceito de Agente Público, seu sentido é amplo,

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Conforme se pode observar do conceito de Agente Público, seu sentido é amplo, englobando todas as pessoas físicas que, de qual- quer modo e a qualquer título, exercem uma função pública, me- diante remuneração ou gratuita, permanente ou temporária, política ou administrativa, atuando em nome do Estado. Assim, temos que o Agente Público é a pessoa natural mediante o qual a Administração Pública se manifesta e atua, são competentes para exteriorizar as vontades do Estado, em razão de vínculos jurí- dicos existentes entre o Poder Público e o individuo que está exer- cendo função pública.

ESPÉCIES:

A doutrina identifica e classificam em categorias os integrantes do gênero ‘Agente Público’, as seguintes espécies:

- Agentes Políticos: são os integrantes dos mais altos graus do

Poder Público, aos quais incumbe a elaboração das diretrizes de atuação do governo, e das funções de direção, orientação e fiscaliza- ção geral da atuação da Administração Pública. São Agentes Políticos: os chefes do Poder Executivo, em suas diferentes esferas (Presidente da República, governadores e prefei-

tos), seus auxiliares imediatos (Ministros e secretários estaduais ou municipais), bem como os membros do Poder Legislativo (senado- res, deputados e vereadores);

- Servidor Público: na definição do jurista Celso Antônio Ban-

deira de Mello, temos que são servidores públicos: “Todos aque- les que mantêm vínculo de trabalho profissional com as entidades governamentais, integrados em cargos ou empregos da União, Estados, Distrito Federal, Municípios, respectivas autarquias e fundações de Direito Público. Em suma: são os que entretêm com o Estado e com as pessoas de Direito Público da Administração indireta relação de trabalho de natureza profissional e caráter não eventual”. Em outras palavras, podemos definir servidor público como aqueles que gozam da titularidade de cargos públicos de provimento efetivou ou de provimento de cargo em comissão, são agentes admi- nistrativos, de caráter estatutário. - Empregados Públicos: são aqueles que mantém vínculo funcional com a administração pública, ocupantes de empregos públicos, sujeitando-se a regime jurídico contratual de trabalho, regidos especificamente pelas regras e normas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). - Agentes Temporários: são os particulares contratados pela Administração Pública com tempo de prestação de serviço determinado, para atender necessidades temporárias de excepcional interesse público, são ocupantes de função pública remunerada e

temporária, com contrato de trabalho regido pelas normas do Direito Público, e não trabalhista (CLT), mas também não possui o caráter estatutário. É uma forma especial de prestação de serviço público temporário, urgente e excepcional.

- Agentes Honoríficos: são os indivíduos requisitados ou de-

signados para colaborarem com o Poder Público (de maneira tran- sitória) para a prestação de serviços específicos, levado em conside-

ração sua condição cívica, de sua honorabilidade ou então pela sua notória capacidade profissional. Via de regra não são remunerados e não possuem qualquer vinculo profissional com a Administração Pública. Como exemplos de Agentes Honoríficos temos: Jurados, Me- sários eleitorais, etc.

- Agentes Delegados: são os particulares que recebem a atribui-

ção de exercerem determinada atividade, obra ou serviço público, fazendo-o em nome próprio e por sua conta em risco, sob a fiscali- zação permanente do poder delegante. Ressalta-se que não possuem caráter de servidores públicos, nem mesmo atuam em nome da administração pública, são colabo- radores que se sujeitam, durante a prestação dos serviços públicos a responsabilidade civil objetiva. Como exemplo de Agentes Delegados temos: As Concessio- nárias e Permissionárias de serviços públicos, leiloeiros, tradutores públicos, etc.

CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICA:

- Cargos públicos: nos ensinamentos do professor e jurista Cel-

so Antônio Bandeira de Mello, temos que cargos públicos: “São as mais simples e indivisíveis unidades de competência a serem expres- sadas por um agente , prevista em número certo, com denomina- ções próprias, retribuídas por pessoas jurídicas de Direito Público e criadas por lei”. Importante esclarecer que aqueles que são titulares de cargos

públicos são submetidos ao regime estatutário, são servidores públi- cos efetivos e/ou comissionados.

- Empregos Públicos: para Celso Antônio Bandeira de Mello,

“São núcleos de encargos de trabalho permanentes a serem preen- chidos por agentes contratados para desempenhá-los, sob relação trabalhista”. Destaca-se que os ocupantes de empregos públicos são regidos

ao regime contratual, obedecidos as regras da CLT, com natureza trabalhista.

- Funções Públicas: são as funções de confiança e ainda as fun-

ções exercidas por agentes públicos contratado por tempo certo e de- terminado para atender interesse de caráter excepcional de interesse público, não havendo a necessidade de abertura de concurso público para tal contratação, dada sua urgência e excepcionalidade.

8. CONTROLE E RESPONSABILIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO: CONTROLE ADMINISTRATIVO; CONTROLE JUDICIAL; CONTROLE LEGISLATIVO; RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:

É através do exercício das funções administrativas, ou, pela expedição de atos administrativos que o Estado, no uso de suas prerrogativas em face do indivíduo, estabelece a formação de relações jurídico-administrativas entre a Administração Pública e o Administrado. Com a edição dos atos administrativos pela Administração Pú- blica deve atender, alem da manifestação da vontade, do objeto e da forma, ao motivo e ainda à finalidade, dentro de um contexto rígido de legitimidade e de legalidade.

motivo e ainda à finalidade, dentro de um contexto rígido de legitimidade e de legalidade. Didatismo

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DIREITO ADMINISTRATIVO Ao divergir com qualquer um dos princípios constitucionais, quais sejam: legalidade, moralidade,

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Ao divergir com qualquer um dos princípios constitucionais, quais sejam: legalidade, moralidade, publicidade ou impessoalida- de, o administrador público ofende o próprio Estado, além de violar direitos diversos do administrado. Observa-se então que, quando tais questões são levadas em juízo, em quase todas as ações são ajui- zadas em face do administrador e não contra o Estado. Por controle entende-se a faculdade atribuída a um Poder para exercer vigilância, garantida a faculdade de correção, sobre a condu- ta de outro, dentro dos limites previstos constitucionalmente. Como é sabido, todo ato emanado da Administração Pública deve ser motivado, que justifica o próprio ato, e funciona como meio de controle dos atos administrativos, seja ele vinculado ou dis- cricionário.

CONTROLE ADMINISTRATIVO

O Controle Administrativo, ou também chamado de controle

interno, tem como finalidade principal obter a harmonia e a padroni-

zação da ação administrativa, a eficácia dos serviços administrativos e, bem assim, a retidão e a competência dos funcionários que guar- necem a administração.

A auto-revisão do ato administrativo fundamenta-se na hierar-

quia que, como vínculo que subordina os demais órgãos administra- tivos, graduando a autoridade de cada um, deriva o poder de vigilân- cia e o poder de direção, bem como o poder de revisão, pelos quais se garante a completa unidade de direção ao sistema administrativo. Temos então que controle interno é aquele controle exercido pela entidade ou órgão responsável pela atividade controlada, na esfera da própria Administração, assim, qualquer controle efetivo realizado pelo Poder Executivo sobre os seus serviços ou agentes é considerado interno, assim como o controle do Poder Legislativo ou do Poder Judiciário, por seus órgãos de Administração, sobre seus agentes e também sobre os atos administrativos praticados. Assim, com o objetivo de serem observadas as normas fun- damentais, os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem co- nhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela deverão dar ciência imediata ao Tribunal de Contas respectivo, sob pena de responsabilidade solidária, sendo considerado parte legitima para a prática dos atos de denuncia, qualquer cidadão, partido político, as- sociação ou sindicato.

Da Revisão “Ex-officio”:

A revisão “ex-officio” pode ser entendida de maneira geral

como a revisão espontânea exercida pela Administração sobre seus próprios atos, que decorre em virtude da hierarquia e da autotutela. Diante da verificação de que o ato administrativo não atende aos requisitos prescritos em, ou em presença reconhecida da incon- veniência ou da inoportunidade, a autoridade prolatora pode rever diretamente o ato ou ele pode ser revisto pelo agente de hierarquia superior, independente de provocação de parte interessada.

Da Revisão Provocada:

A revisão provocada, na instância administrativa, realiza-se através de recurso, de pedido de reconsideração, de reclamação ou de representação. Tal recurso, além da tranquilidade psicológica que assegura ao administrado ou servidor, visa corrigir os possíveis e eventuais erros do ato administrativo, inscrevendo-se como um direito potestativo do administrado, com natureza subjetiva, que ele pode usar sempre que julgar preterido um direito seu ou incorreto, em seu desfavor, um ato administrativo.

Diante de uma situação desfavorável, de natureza subjetiva, ou repleto de desobediência às formalidades legais, de natureza obje-

tiva, ao administrado prejudicado é assegurado o direito à interpo- sição de recurso através de petição dirigida à autoridade superior, devidamente motivada, como forma de provocação da atuação do controle interno da Administração.

A representação tem o conceito voltado à exposição direciona-

da à autoridade superior, é um recurso com natureza constitucional que consiste na denuncia formal de irregularidades existentes em uma ato administrativo.

A reclamação nada mais é do que um pedido dirigido à auto-

ridade hierárquica superior, em forma de protesto ou queixa, por

meio do qual o autor da reclamação reivindica a reparação de ato que reputar injusto.

O pedido de reconsideração é dirigido à própria autoridade que

editou o ato, buscando nova deliberação.

CONTROLE JUDICIAL

Controle judicial, pode ser assim entendido como sinônimo de reexame ou revisão, ou seja, é a verificação, pelo Poder Judiciário, quando provocado, da legalidade dos atos praticados pela Adminis-

tração Pública, isto porque a jurisdição civil, contenciosa e voluntá- ria, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional. Para que haja a ocorrência do controle jurisdicional, através da propositura de uma ação, além da ilegalidade dos atos da Adminis- tração, há que existir, por parte de quem aciona o Poder Judiciário, legítimo interesse econômico ou moral e legitimidade, entendendo- -se por interesse a possibilidade de haver benefício ou prejuízo como decorrência da ação da Administração e por legitimidade a conformidade com a lei. Assim, em razão da atuação administrativa, no decorrer da execução de seus fins, podem ocorrer conflitos de interesses entre a Administração e o administrado que levem ao estabelecimento de incertezas e dúvidas a respeito da razão ou da justiça do ato pratica- do, o que demanda a necessidade de eleição de um árbitro alheio e parcial à relação jurídica.

O modelo de Estado de Direito impõe-se, de um lado a sujeição

do Estado à ordem jurídica por ele mesmo estabelecida, decorrente do princípio da legalidade, e, de outro lado, o controle jurídico dessa sujeição, em busca da eliminação do árbitro. Desta feita, diante da presença de um conflito de interesses en- tre a Administração e o administrado, ao Poder Judiciário, quando provocado, compete à solução do litígio, tendo lugar o conhecido controle jurisdicional. O controle jurisdicional somente ocorre quando houver provocação da parte interessada em presença de um fato concreto. Todo direito é protegido por uma ação e a Constituição Federal assegura aos administrados o direito de petição ao Poder Judiciário em defesa de direito ou contra ilegalidade ou ainda eventual abuso de poder, conforme garante o artigo 5º, inciso XXXIV, da Consti- tuição Federal.

O reexame da ação da Administração pelo Poder Judiciário li- mita-se à verificação da legalidade do ato, isto porque à Administra- ção e só a ela compete a análise da oportunidade e da conveniência da ação administrativa. Assim, só o direito e não o interesse do administrado poderá ser objeto da ação revisória do Poder Judiciário. Não pode o Poder Judiciário adentrar no mérito do ato administrativo para indagar a oportunidade e a conveniência, mas tão somente a legitimidade, isto é, a sua conformidade com a lei.

e a conveniência, mas tão somente a legitimidade, isto é, a sua conformidade com a lei.

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DIREITO ADMINISTRATIVO Quando o Poder Judiciário é provocado, chamado a se manifes - tar deve

DIREITO ADMINISTRATIVO

Quando o Poder Judiciário é provocado, chamado a se manifes-

tar deve circunscrever o âmbito da sua real atuação ao caso sobre o qual tenha sido chamado ou provocado a atuar.

É sabido que a Administração Pública somente pode agir de

acordo com o que prescreve a lei, contudo, pode deixar, por motivada por flagrantes interesses públicos, de cumprir exatamente com a lei, isto é, deixar de executá-la em um determinado momento, sem que isto implique em quebra de princípio da legalidade. Apesar da disposição constitucional prevista no artigo 5º, inciso XXXV, que não exclui da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito, em presença da independência dos Poderes, regu- larmente definida no artigo 2º, da Constituição Federal, são impostas restrições legais à apreciação dos atos administrativos pelo Poder Judiciário. Há uma grande necessidade de subtrair a Administração a uma prevalência do Poder Judiciário, capaz de diminuí-la, ou até mes- mo de anulá-la em suas atividades peculiares, se põem restrições à apreciação jurisdicional dos atos administrativos, no que respeita à extensão e consequências, para que assim se respeite a autonomia constitucionalmente firmada entre os três Poderes. É vedada ao Poder Judiciário a apreciação do ao administrativo quanto ao mérito, protegendo assim o poder discricionário que a

Administração Pública goza, ficando assim restrita essa análise

e apreciação somente quanto à sua conformidade com a lei, respeitando o principio da legalidade.

CONTROLE LEGISLATIVO

O controle legislativo, integrante do sistema de controle exter-

no, que muitos denominam parlamentar sem que vigore no país o

regime parlamentarista, que é exercido sob os aspectos de correção e fiscalização, tendo em vista o interesse publico.

O controle externo legislativo é desempenhado de forma direta

e indireta. Será direto quando exercido pelo Congresso Nacional, em nível federal; pelas Assembleias Legislativas, nível estadual e

distrital; e pelas Câmaras Municipais, em nível municipal. Será legislativo indireto o controle exercitado pelos Tribunais

de Contas, que funcionam como órgãos auxiliares de Poder Legis-

lativo. Controle Legislativo Direto: Compete ao Congresso Nacional, ou seja, às duas Casas Legislativas Federais (Senado Federal e Câ- mara dos Deputados), de acordo com o que dispõe o artigo 49, V, da Constituição Federal, sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. Possui também como função, no exercício do controle externo de acompanhamento da execução orçamentária, com pare- cer técnico de Comissão Mista (artigo 166, §1º, II da Constituição Federal) e em atendimento a solicitação do Tribunal de Contas da

União, sustar ato do Poder Executivo que possa causar dano irrepa- rável ou grave lesão à economia pública.

O Congresso Nacional, ou qualquer de suas comissões, pode-

rão convocar Ministro de Estado ou qualquer titular de órgãos di- retamente subordinados à Presidência da República para, caso haja necessidade, prestar de maneira pessoal, informações sobre assuntos previamente determinado, podendo ser enquadrado como crime de responsabilidade, a ausência a tal convocação, sem justificação ade- quada. Compete ainda ao Congresso Nacional, para apuração dos fatos controversos, instaurar Comissão de Inquérito, nos termos da Lei

1.579/52.

Dentro das atribuições de controle externo, o Congresso Nacio- nal é competente para realizar o julgamento das contas que o Presi- dente da República deve apresentar anualmente, e ainda apreciar os atos sobre a execução dos planos de governo. É de competência privativamente ao Senado Federal, no exer- cício do controle externo, nos termos do artigo 52 da Constituição Federal, processar e julgar o Presidente da República bem como o Vice-Presidente nos crimes de responsabilidade, e os Ministros de Estado nos crimes com a mesma natureza conexos com aqueles. Da mesma maneira, compete ao Senado Federal, o processa- mento e consequente julgamento dos Ministros do Supremo Tribu- nal Federal, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade. Ao Senado Federal incumbe a função de aprovar, previamente, mediante voto secreto, depois de realizada arguição pública a esco- lha de magistrados (nos casos específicos normatizados pela Cons- tituição Federal), escolha de Ministros para composição do Tribunal de Contas da União, previamente indicados pelo Presidente da Re- pública (um terço), escolha de Governado de Território, presidente e diretores do Banco Central, Procurador-Geral da República, escolha (após arguição em seção secreta) dos chefes integrantes de missão diplomática de caráter permanente. Deve ainda ser apreciado e autorizado pelo Senado Federal a realização de operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Mu- nicípios e estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Além de dispor sobre limites e condições para a concessão de garan- tia da União em operação de crédito externo e interno. Já a competência da Câmara dos Deputados, nos exatos ter- mos do artigo 51, inciso I, da Constituição Federal, autorizar, pelo voto de dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente da República e o Vice-Presidente da República, assim como os Ministros de Estado. A Câmara dos Deputados, no exercício do controle externo, é competente a tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentada ao Congresso Nacional, dentro do prazo de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, nos termos do artigo 51, inciso II da Constituição Federal. O controle exercido pelas Câmaras Municipais, diante do Po- der Executivo Municipal vem definido nas Leis Orgânicas próprias de cada Município. Controle Legislativo Indireto: Durante o Império brasileiro não existiu no país nenhum Tribunal de Contas, embora em Portugal ti- vesse existido as Casas de Contas que eram responsáveis pela arre- cadação e fiscalização das receitas públicas, mas em nada pode ser comparado com as Cortes de Contas. Os primeiros esboços da ideia da formação de um Tribunal de Contas surgiram com a observância da ineficiência dos parlamentos na função da fiscalização dos bens e gastos públicos, quando do sur- gimento das monarquias parlamentaristas. Assim, verificou-se a necessidade de um Tribunal, auxiliando o exercício do Poder Legislativo de fiscalização e controle dos gastos públicos. Assim, os Tribunais de Contas da União, dos Estados e de alguns Municípios, atuam como órgãos auxiliares do Poder Legis- lativo, exercendo o controle externo, ou indireto, da Administração Pública, buscando em sua atuação a fiscalização da gestão financei- ra, orçamentária e patrimonial do Estado.

atuação a fiscalização da gestão financei - ra, orçamentária e patrimonial do Estado. Didatismo e Conhecimento

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DIREITO ADMINISTRATIVO O Tribunal de Contas da União é regularmente composto por nove ministros, devidamente

DIREITO ADMINISTRATIVO

O Tribunal de Contas da União é regularmente composto por nove ministros, devidamente sediado no Distrito Federal e possui

jurisdição em todo território nacional e tem suas atividades regula- mentadas pela Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992.

É de competência do Presidente da República a nomeação,

após aprovação pelo Senado Federal por votação secreta e após arguição pública, de um terço dos membros do Tribunal de Contas da União. O restante, ou seja, os outros dois terços são escolhidos pelo Congresso Nacional, obedecida a regulamentação definida pelo Decreto Legislativo nº 6, de 22 de abril de 1993. Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros, com idade superior a 35 anos e inferior a 65 anos, que possuam idoneidade moral e reputação ilibada, com notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou administração pública, que tenha mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija tais conheci- mentos, de acordo com o que dispõe o artigo 73, § 1º da Constitui- ção Federal, seguido do artigo 71 da Lei nº 8.443/92. No caso de ausência ou impedimentos legais os Ministros são substituídos, mediante convocação do Presidente do Tribunal, pelos Auditores, observada a ordem de antiguidade no cargo, ou a maior

idade, no caso de idêntica antiguidade.

O artigo 71 da Constituição Federal normatiza que o controle

externo, de competência do Congresso Nacional, será exercido com auxilio do Tribunal de Contas da União. Ampliando o campo de atuação do Tribunal de Contas da União, dentro dos limites constitu- cionais, a Lei nº 8.443/92 estabelece, em seu artigo 1º, as limitações de competência do mesmo Tribunal. A composição dos Tribunais de Contas dos Estados vem de- finida nas Constituições e nas legislações complementares de cada Estado. Para o regular desempenho de sua competência o Tribunal de Contas receberá da Secretaria de Estado da Fazenda e das Pre- feituras Municipais, em cada exercício, o rol dos responsáveis por dinheiro, valores e bens públicos, e outros documentos ou informa- ções que considerar necessários. Cumpre destacar que os pareceres emitidos pelo Tribunal de Contas referentes às contas prestadas pelo Governador e pelos Pre- feitos Municipais não têm poder vinculante, podendo ser aceitos ou não pelo Poder Legislativo. As contas que devem ser prestadas pelas Mesas da Câmara dos deputados, do Senado Federal, das Assembleias Legislativas, das Câmaras Municipais e ainda pelos Tribunais (Poder Judiciário Fe- deral e Estadual), eram julgadas pelos Tribunais de Contas da União ou dos Estados, dependendo da esfera a qual pertence. Entretanto, a Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, estabelece, em seu artigo 56, que as contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo incluirão, além das contas próprias, as dos Pre- sidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público, as quais receberão parecer prévio, separada- mente, do respectivo Tribunal de Contas. Assim, a nova legislação desvincula os Chefes dos outros Po- deres das disposições normativas contida no artigo 71, inciso II, da Constituição Federal. Só com relação às contas dos Chefes do Executivo é que o pro- nunciamento do Tribunal de Contas constitui mero parecer prévio, sujeito à apreciação final do Poder Legislativo, antes do qual não há inelegibilidade. As contas de todos os demais responsáveis por dinheiro e bens públicos são julgadas pelo Tribunal de Contas e suas decisões geram inelegibilidade.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO NO DIREI- TO BRASILEIRO:

Temos pacificado o entendimento em nosso ordenamento jurí- dico que um ato praticado por uma pessoa poderá gerar consequên- cias a outrem, em três esferas distintas do Direito Brasileiro.

Inicialmente, se o ato praticado pelo autor for tipificado em lei como crime ou contravenção, este responderá na esfera penal. Caso

o ato praticado caracterizar infração a normas administrativas, o au-

tor do ato deverá responder na esfera administrativa, entretanto, se o ato ocasionar dano ao patrimônio de outrem ou sua moral, o autor da pratica do ato deverá responder de acordo com as lei civis do nosso ordenamento jurídico.

Assim, via de regra, as esferas do direito acima descritas são autônomas e independentes entre si, com ritos e procedimentos dife- rentes para a apuração da responsabilidade e aplicação das sanções aplicáveis em cada caso e em cada esfera do Direito, entretanto, poderá ocorrer a imputação de responsabilidade cumulativa, caso

o ato praticado pelo autor gere sua responsabilização nas diferentes esferas acima demonstradas.

Evolução Histórica e fundamentos jurídicos:

Para chegarmos ao modelo de Responsabilidade do Estado diante dos prejuízos causados a terceiros, passamos a discorrer ra- pidamente sobre a evolução histórica deste instituto bem como seus fundamentos jurídicos.

- 1ª Etapa: Irresponsabilidade do Estado - inicialmente tínha-

mos o entendimento majoritário em diversas escolas do Direito pelo mundo que o Estado não tinha qualquer responsabilidade pelos seus atos, ou seja, o Poder Público era isento de qualquer responsabilida- de perante terceiros, essa período ficou conhecido como “The King can do no wrong” ou “O Rei não erra nunca”.

- 2ª Etapa: Responsabilidade Subjetiva – A partir dessa fase, o

Poder Público passou a responder baseado no conceito de culpa, cul-

pa anônima, quando o serviço que deveriam prestar ou não prestou, ou ainda quando prestou de forma deficiente. A culpa não recaia em

alguém particular, bastava para tanto constatar que o serviço não foi efetuado, ou então feito com deficiência para a culpa recair sobre

o serviço e não sobre a pessoa. Este período ficou conhecido pela expressão “Culpa do Serviço”.

- 3ª Etapa: Responsabilidade Objetiva – O Poder Público pas-

sa a responder com fundamento no nexo de causalidade, ou seja, a relação de causa e efeito entre o fato ocorrido e as consequências dela resultantes. O Estado responde sem a comprovação de dolo ou culpa.

A teoria da responsabilidade objetiva surge com a Constituição

Federal de 1946, substituindo a teoria subjetiva baseada na “Culpa do Serviço”. O texto constitucional de 1946 estabelece a responsa-

bilidade direta do Estado, exigindo culpa ou dolo do funcionário apenas para estabelecer o direito regressivo do Estado contra seu agente.

dolo do funcionário apenas para estabelecer o direito regressivo do Estado contra seu agente. Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO DA REPARAÇÃO DO DANO Denomina-se responsabilidade na esfera civil a obrigação im- posta

DIREITO ADMINISTRATIVO

DA REPARAÇÃO DO DANO

Denomina-se responsabilidade na esfera civil a obrigação im- posta a uma pessoa de indenizar ou ressarcir os danos experimen- tados por alguém. A responsabilidade pode ser contratual ou extra- contratual.

Quando estamos diante da responsabilidade civil contratual, a mesma segue os princípios gerais dos contratos, entretanto, a res- ponsabilidade civil extracontratual baseia-se na culpa do agente cau- sador do dano.

A responsabilidade civil patrimonial extracontratual decorre de atos que causem lesão patrimonial, dano moral, ou ambos. Via de regra, para a imputação de responsabilidade civil deve restar cabal- mente demonstrado não só a ocorrência do dano, mas também a re- lação entre um ato e o dano, ou seja, é necessária a comprovação de que o dano é resultado de um ato praticado por determinado agente, este elo de ligação entre o ato, dano e o agente causado a doutrina ju- rídica nomeou de nexo causal, sendo utilizado como parâmetro para averiguar a culpa do agente que praticou o ato que resultou em dano.

Assim, comprovado a ocorrência do nexo causal, o grau de culpabilidade do agente que praticou o ato e a extensão do dano, esgota-se a responsabilidade civil com a correspondente indeniza- ção pela lesão causada.

Temos então, diante da introdução explanada, que a essa moda- lidade de responsabilidade civil, a qual exige a comprovação da cul- pa do agente para sua caracterização, o caráter subjetivo, ou seja, a responsabilidade civil subjetiva leva em consideração a conduta do agente causador do dano, exigindo que ele tenha atuado com culpa, para que ele possa ser responsabilizado e compelido ao pagamento de indenização correspondente a extensão do dano (patrimonial e/ ou moral).

Entretanto, ao Poder Público não é aplicado este modelo de responsabilidade civil subjetiva, visto que, de acordo com o ordena- mento jurídico vigente, inclusive constitucional, e os posicionamen- tos doutrinários majoritários, temos que a Administração Pública possui o dever de indenizar aquele que for lesado por ação ou omis- são de seus agentes públicos (ou delegatário de serviço público), que agindo nesta qualidade, praticou o ato gerador do dano.

Assim, o particular lesado, deverá ajuizar ação diretamente contra a Administração Pública, e não contra o agente público que praticou o ato lesivo, bastando ao particular comprovar em juízo a relação de causa e consequência entre a atuação lesiva da Adminis- tração Pública e o dano decorrente, bem como a valoração patrimo- nial do dano.

Isto ocorre porque, diferentemente da responsabilidade civil subjetiva, a Administração pública responde perante os usuários dos serviços públicos de forma objetiva, bastando a demonstração do nexo causal e o dano para surgir a obrigação de indenizar, não sendo necessária a demonstração de que houve culpa do agente público (ou delegatário de serviço público) na falha da execução de suas funções públicas, que originaram a lesão ao particular.

Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, o conceito de responsabilidade objetiva do Estado é “a obrigação de indenizar que incumbe a alguém em razão de um procedimento licito ou ilí- cito que produziu uma lesão na esfera juridicamente protegida de outrem. Para configurá-la basta, pois, a mera relação causal entre o comportamento e o dano”.

Diante de tais esclarecimentos, temos que a responsabilidade civil do Estado, bem como de seus prestadores de serviço público

é objetiva, bastando para tanto a demonstração da relação de causa

e efeito entre o serviço público e o dano, para gerar a obrigação de indenização.

Dessa maneira não se cogita a ideia de que, aquele que sofreu danos, comprovar culpa ou dolo, quando figure no polo passivo, a administração pública, bastando para tanto a incidência do nexo de causalidade. É dessa maneira que garante o artigo 37, § 6º da Cons- tituição Federal, senão vejamos:

“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado, prestadoras de serviços públicos, responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direi- to de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”

Neste sentido, estão enquadrados a Administração Pública em todas as suas vertentes, ou seja, toda a esfera administrativa está su- jeita a responsabilidade objetiva pelos danos que causar a terceiros, seja a Administração Direta, Indireta, Concessionárias e/ou Permis- sionárias de Serviços Públicos.

DO DIREITO DE REGRESSO:

Cumpre ressaltar o direito que a Administração Pública tem de ingressar com ação judicial visando a apuração das responsabilida- des de seus agente no cometimento do dano a terceiros, dai surge o direito de regresso conferido ao Poder Público visando a verificação de dolo ou culpa de seus agente e possível ressarcimento de valores.

Há dois aspectos peculiares que ensejam o direito de regresso da Administração Pública contra seu agente:

- A Administração Pública para ingressar com ação regressiva contra seu agente, deverá comprovar previamente já ter sido con- denada a indenizar o particular lesado, haja vista que seus direito regressivo é originário a partir de sentença final condenatória, sem possibilidades de reversão recursal.

- Ocorrência de dolo ou culpa do agente público na lesão ex- perimentada pelo particular, ou seja, é necessária a comprovação de que o agente agiu com dolo ou culpa para ser responsabilizado (responsabilidade subjetiva do agente).

Em linhas gerais, temos que a Administração Pública, ou de- legatária de execução dos serviços públicos, cujo agente praticou o ato lesivo, indeniza o particular independentemente de comprova- ção de dolo ou culpa do Poder Público, entretanto, o agente público somente será condenado a ressarcir a Administração Pública regres- sivamente se houver a comprovação de dolo ou culpa de sua parte, durante o exercício de suas funções públicas.

RESPONSABILIDADE POR ATO COMISSIVO DO ES- TADO:

O Estado, por sua natureza jurídica, tem o poder-dever de agir em todas as hipóteses de anseios sociais, ou seja, o Estado é movido pela busca ao interesse coletivo.

hipóteses de anseios sociais, ou seja, o Estado é movido pela busca ao interesse coletivo. Didatismo

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DIREITO ADMINISTRATIVO É neste aspecto que reside a responsabilidade do Estado por ato comissivo, quando

DIREITO ADMINISTRATIVO

É neste aspecto que reside a responsabilidade do Estado por ato comissivo, quando há efetiva atuação estatal e tal atuação se torna, em algum momento, lesiva ao direito de particulares. Como mencionado, o Estado em sua busca ao atendimento aos interesses coletivos detém o monopólio da força estatal, ditando sua presença perante a coletividade, possuindo o dever de intervir na esfera de direitos individuais dos administrados, praticando atos em benefício de todos, os quais, em algum momento, podem acarretar em danos e prejuízos a indivíduos determinados. Tais condutas, ou atos administrativos praticados pela Admi- nistração Pública na busca do atendimento ao interesse público, que eventualmente geram danos a terceiros, são chamados de conduta comissiva legítima. É assim entendida como legítima, pois, a finalidade da atividade administrativa que causou dano a determinado indivíduo, somente foi praticado pela Administração Pública em virtude de necessidade imperiosa em atender necessidades da coletividade. Durante a atividade estatal, temos ainda a atuação da adminis- tração pública fundada em ato ilícito. Nestes casos a doutrina classi- fica tal ato administrativo como conduta comissiva ilegítima. Muitas vezes o ato administrativo está revestido de ilegalidade ou ilegitimi- dade, o que poderá acarretar em danos aos terceiros. Entretanto, o que temos no ordenamento jurídico brasileiro

é que tanto as condutas comissivas legítimas como as ilegítimas, quando causarem prejuízos a terceiros, devem ser reparadas, pos- suindo o Estado a responsabilidade objetiva em indenizar e reparar os danos causados em virtude de sua ação administrativa, e por tal razão, não se torna necessário a demonstração de ação legítima ou ilegítima do Estado para se apurar a responsabilidade estatal.

RESPONSABILIDADE POR OMISSÃO DO ESTADO

A Constituição Federal de 1988 não traz em seu texto legal ne-

nhuma regra expressa relativa a responsabilidade civil do Estado por omissão administrativa, ficando sob os cuidados da doutrina e da jurisprudência enfrentar o tema. No que tange a responsabilidade por omissão do Estado, o Pro- fessor Celso Antônio Bandeira de Mello, em sua obra “Curso de Direito Administrativo” assim entende sobre tal assunto:

“Se o Estado, devendo agir, por imposição legal, não agiu ou o fez deficientemente, comportando-se abaixo dos padrões legais que normalmente deveriam caracterizá-lo, responde por esta incúria, negligência ou deficiência, que traduzem um ilícito ensejador do dano não evitado quando, de direito, devia sê-lo”. Diante de tal lição, temos que o Estado somente responde na forma omissiva quando, ficar comprovado pelo terceiro lesado, que

o dano somente ocorreu em virtude de falta de serviço público ou

serviço ineficiente. Entretanto, cumpre esclarecer que, quando se trata de responsa- bilidade do Estado por omissão, admite prova excludente de respon- sabilidade estatal. Para tanto, o Estado pode eximir-se de responsa- bilidade se provar que sua omissão foi escusável, ou seja, quando a Administração Pública adotou todas as medidas que lhe competia para evitar o dano, e mesmo assim o dano ocorreu. Em outras palavras, mesmo que a atuação administrativa tenha ocorrido em sua totalidade, objetivando a prevenção do dano a ter- ceiros, não tenha sido suficiente para evitar a situação danosa, ou então ficar comprovado que o dano ocorreu por culpa exclusiva da vítima, o Estado poderá ter sua responsabilidade excluída ou dimi-

nuída, dependendo de cada caso.

Para tal fenômeno a doutrina confere o instituto da Responsabi-

lidade Civil Subjetiva na modalidade culpa administrativa, devendo

a pessoa que sofreu o dano comprovar que houve falta da prestação

dos serviços que deveriam ter sido prestados pelo Estado, provando ainda que essa omissão estatal foi a responsável direta pelo dano sofrido. Muito embora seja considerada pela doutrina, nos casos de omissão, responsabilidade subjetiva, não exige que haja compro- vação de culpa de um agente público específico e individualizado. Temos dessa forma que trata-se de culpa administrativa ou culpa anônima justamente para esclarecer que não há individualização de um agente determinado que tenha atuado culposamente, mas sim para que seja necessário a apuração se houve de fato responsabilida- de estatal pela falta ou falha no serviço público.

REQUISITOS PARA DEMONSTRAÇÃO DA RESPON- SABILIDADE DO ESTADO.

Conforme estudado até o presente momento, temos que, via de regra, a Responsabilidade do Estado em reparar os danos causados a terceiros é na modalidade objetiva. Dessa forma, temos que para o terceiro prejudicado possa plei- tear a reparação dos danos sofridos é necessário a demonstração do dano e do nexo causal. Para tanto, basta que exista o dano decorrente da atuação de agente público, agindo nessa qualidade, e a relação de causalidade entre a ação ou omissão do Estado e o resultado final (dano propria- mente dito). Assim, demonstrado os dois elementos fundamentais (dano + nexo causal) significa dizer que não importa verificar e comprovar a culpa de determinado agente público, para que nasça a responsabili- dade do Estado em reparar os danos causados.

CAUSAS EXCLUDENTES E ATENUANTES DA RES- PONSABILIDADE DO ESTADO.

Nos casos de responsabilidade objetiva, o Estado somente não

será responsabilizado por danos causados a terceiros quando faltar

a comprovação da relação de nexo de causalidade de sua atuação

administrativa e o dano. Nas palavras do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, te- mos no caso de responsabilidade objetiva que o Estado somente exime-se: “apenas se não produziu a lesão que lhe é imputada ou se a situação de risco inculcada a ele inexistiu ou foi sem relevo decisivo para a eclosão do dano. Fora daí responderá sempre. Em suma: realizados os pressupostos da responsabilidade objetiva, não há evasão possível. Como verificado, temos que para a comprovação da responsa- bilidade do Estado em reparar o dano reside na simples demonstra- ção do dano e do nexo de causalidade. Assim, temos que o nexo de causalidade é o fundamento prin- cipal (junto com o dano) para a imputação de responsabilidade ao Estado em reparar os danos causados, sendo certo que tal responsa- bilidade deixará de existir, ou então será atenuada quando a presta- ção do serviço público não for a causa do dano, ou na hipótese de não ser a única causa. Dessa maneira são apontadas como causas da excludente ou atenuante de responsabilidade a força maior e/ou a culpa exclusiva da vítima.

excludente ou atenuante de responsabilidade a força maior e/ou a culpa exclusiva da vítima. Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO A hipótese de ocorrência de força maior é o acontecimento im - previsível,

DIREITO ADMINISTRATIVO

A hipótese de ocorrência de força maior é o acontecimento im- previsível, não sendo imputável responsabilidade à Administração Pública quando não houver o nexo de causalidade entre o dano so- frido e o comportamento da Administração Pública. Entretanto tal regra não é absoluta e comporta exceção, ou seja, mesmo que seja configurada a ocorrência de motivo de força maior, a Administração Pública poderá ser responsabilizada nos casos em que, juntamente com o motivo de força maior ocorrer omissão do Estado na prestação de serviços públicos. Como exemplo podemos citar os casos de enchente em decor- rência de grande volume de chuvas. Caso se comprove que, muito embora o volume de chuva foi elevado, não houve o correto es- coamento da água nas galerias mantidas pela Administração, seja pela falta de limpeza das galerias ou simplesmente falta de sistema de drenagem (deficiência no serviço publicou) o Estado responderá pelos danos causados. No tocante a culpa da vítima, é necessário observar se sua culpa

é exclusiva ou concorrente com a atuação estatal. No caso comprovado de culpa exclusiva da vítima o Estado não possui responsabilidade, pois não houve participação do Estado na ocorrência do evento danoso; entretanto, se a culpa for concorrente, temos possibilidade de causa atenuante da responsabilidade estatal, atribuindo parte da responsabilidade à vítima e outra parte à Admi- nistração Pública.

LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMI- NISTRATIVOS: 8.1 LEI Nº 8.666/93:

CONCEITO. FINALIDADE, PRINCÍPIOS, OBJETO, OBRIGATORIEDADE, DISPENSA, INEXIGIBILIDADE, MODALIDADES E PROCEDIMENTOS. PREGÃO PRESENCIAL E ELETRÔNICO. 8.2 LEI Nº 10.520/2002. CARAC- TERÍSTICAS DO CONTRATO ADMINISTRA- TIVO. FORMALIZAÇÃO E. FISCALIZAÇÃO DO CONTRATO. SANÇÃO ADMINISTRATIVA. EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO. GARANTIA CONTRATUAL.

CONCEITO DE LICITAÇÕES PÚBLICAS:

Licitação é um procedimento administrativo, de ocorrência obrigatória pelas entidades do governo para celebração de contrato administrativo, em que, atendida a igualdade entre os participan- tes, deve ser escolhida a melhor proposta dentre as apresentadas pelos interessados, e com elas travar determinadas relações de conteúdo patrimonial, verificado o preenchimento dos requisitos mínimos e necessários ao bom cumprimento das obrigações que forem assumidas perante a Administração Pública. Dessa maneira, a Licitação traz em seu bojo a ideia de disputa

igualitária entre os concorrentes, com a finalidade de selecionar a proposta mais vantajosa aos interesses da Administração, visando

a celebração de um contrato administrativo, entre ela e o particu-

lar vencedor da concorrência, para a realização de obras, serviços, concessões, permissões, alienações, compras ou locações.

Dai surge então a necessidade de regulamentar a prática licita- tória, atendendo disposição da Constituição Federal, mais precisa- mente no artigo 37, inciso XXI, que assim dispõe:

Art. 37: XXI - ressalvados os casos especificados na legis- lação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabele- çam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigên- cias de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garan- tia do cumprimento das obrigações”.

Assim, visando à regulamentação do processo de escolha da melhor proposta (licitação) foi editada Lei 8.666/93, que traz a normatização da atividade.

PRINCÍPIOS ORIENTADORES DAS LICITAÇÕES:

O artigo 3º da Lei 8.666/1993 enumera expressamente prin- cípios que devem ser observados pela administração pública na realização de licitações. Alguns dos princípios expressos no refe- rido artigo tratam-se de princípios gerais, quais são: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, que norteiam toda a atuação admi- nistrativa, sem particularidades no tocante a licitações públicas. Assim, visando conhecer na integra os princípios que regem as Licitações Públicas temos o artigo 3º da Lei 8.666/93, que assim dispõe:

“Art. 3 o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita con- formidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoali- dade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.” Grifo nosso.

Dessa forma destacamos alguns princípios constantes do re- ferido artigo que ainda não foram objeto de estudo no presente trabalho:

- Principio da Probidade Administrativa: Por tal principio te-

mos que o agente público no exercício regular de suas funções não pode violar, ao realizar procedimento licitatório, os princípios gerais e constitucionais da administração pública, que são: morali- dade, impessoalidade, enriquecimento ilícito e economicidade dos recursos públicos.

- Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório: Tal

principio veda a Administração Pública o descumprimento das normas e condições previamente estipuladas no edital, ao qual deve estar estritamente vinculado. O edital é a lei interna da licita- ção, vinculando os seus termos tanto aos licitantes como a admi- nistração que o emitiu.

- Princípio do Julgamento Objetivo: É o que se baseia no cri-

tério indicado no edital e nos termos específicos das propostas para o seu julgamento. Em linhas gerais, não pode haver qualquer dis-

das propostas para o seu julgamento. Em linhas gerais, não pode haver qualquer dis- Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO cricionariedade na apreciação das propostas pela administração, julgando vencedora a que melhor

DIREITO ADMINISTRATIVO

cricionariedade na apreciação das propostas pela administração, julgando vencedora a que melhor atende aos enunciados do edital, de maneira objetiva.

FASES DA LICITAÇÃO:

São fases da licitação o edital, a habilitação, a classificação, a homologação e a adjudicação.

Edital: O edital é o instrumento por meio do qual a adminis- tração torna pública a realização de licitação, sendo o meio utili- zado por todas as modalidade de licitação, exceto na modalidade convite. Além de ser o instrumento de divulgação do edital, é ainda

a lei interna da licitação, pois nele devem estar previstas todas as

regras que regerão o procedimento licitatório, e uma vez publi- cadas devem ser seguidas, tanto pela administração quanto pelos licitantes. Assim, o edital deve descrever com detalhes o objeto a ser licitado, os documentos a serem trazidos no momento da habilita- ção, o critério objetivo de julgamento das propostas, entre outras normas que forem pertinentes. A publicação do edital deve observar um prazo mínimo de antecedência para o recebimento das propostas ou então da rea- lização da licitação, sendo que qualquer modificação que se faça necessário no edital exige a divulgação pela mesma forma que se deu seu texto inicial e original, tornando a abrir o prazo antes esta- belecido para a apresentação das propostas, exceto quando a alte- ração não afetar a formulação das propostas.

Habilitação: É a fase em que a Administração Pública pro- cura averiguar as condições pessoais de cada licitante, efetuando análise com o objetivo de averiguar a documentação e requesitos

pessoais dos licitantes, tendo em vista futura contratação, e verifi- cando ainda as condições que o licitante tem de cumprir o objeto da futura contratação. A habilitação tem a finalidade de garantir que o licitante, fu- turo vencedor do certame, tenha condições técnicas, financeiras

e de idoneidade para cumprirem o objeto contratado por meio de

licitação. É possível a dispensa da fase de habilitação, em seu todo ou em parte, nos casos da modalidade de convite, concurso, fornecimento de bens para pronta entrega e ainda leilão. Cumpre ressaltar que, encerrada a fase de habilitação, o lici- tante aprovado para participar do certame não poderá mais desistir da proposta já apresentada, exceto quando houver motivo justo decorrente de fato superveniente, desde que aceito pela comissão da licitação.

Classificação: É a fase em que o Poder Público analisa as pro- postas comerciais dos licitantes que já foram habilitados, e poste- riormente escolhe a melhor proposta que atendem aos interesses da administração. Trata-se do julgamento das propostas apresentadas pelos li- citantes, que deverá sempre obediência aos critérios objetivos de julgamento constante no edital, sendo que a responsabilidade de efetuar o julgamento, via de regra, fica a cargo da comissão de licitação.

A etapa do julgamento, ou classificação, pode ser subdividida

em duas fases:

- Desclassificação: A desclassificação ocorre assim que a ad- ministração verifica a conformidade de cada proposta com os re-

quisitos do edital, especificações técnicas e compatibilidade com

os preços aplicáveis no mercado. Assim, as propostas que estive-

rem em desconformidade serão eliminadas, ou então, desclassifi- cadas.

- Ordem de Classificação: as propostas já classificadas, ou

seja, que estão de acordo com os critérios estabelecidos no edital, será estabelecida a ordem de classificação das propostas, de acor- do com o julgamento objetivo previsto em edital e da proposta que melhor atenda aos interesses da coletividade.

Cumpre ao final esclarecer que, no caso de todos os licitantes forem inabilitados ou então todas as propostas desclassificadas, a administração pública poderá fixar prazo de 08 (oito) dias aos li- citantes para a apresentação de nova documentação, ou então a correção das propostas desclassificadas, objetivando sanar as irre- gularidades. No caso da modalidade de convite, o prazo reduz para 03 (três) dias úteis.

Homologação: A homologação é a fase da licitação na qual todos os seus atos e procedimentos são levados ao conhecimento e

avaliação da autoridade que conduziu a licitação, para a confirma- ção ou não de todas as decisões tomadas. É a confirmação ou não

de todos os atos praticados no procedimento licitatório, conferindo

a validade do certame licitatório. Nesta etapa é feito o controle de legalidade do procedimento licitatório, sendo que verificado irregularidades nas fases da lici- tação, a autoridade competente não homologará o procedimento, remetendo o processo a comissão de licitação, para a correção das etapas com falhas, e a repetição dos atos com vícios.

Adjudicação: É a ultima fase que temos no procedimento da licitação, que nada mais é do que a entrega do objeto da licitação

ao vencedor. A adjudicação é o ato pelo qual a administração pública atri- bui ao vencedor da melhor proposta o objeto ora licitado, sendo que esta etapa tem a finalidade única de garantir ao vencedor que, quando a administração for celebrar o contrato referente ao objeto licitado, assim o fará com o vencedor. Com a adjudicação há a efetiva liberação dos demais licitantes perdedores de cumprimento de suas propostas, e ao contrário, vin- cula o vencedor a obrigatoriedade de manter os termos propostos.

MODALIDADE DE LICITAÇÃO:

Modalidade de Licitação é forma específica de conduzir o

procedimento licitatório, a partir de critérios pré definidos em lei.

O valor estimado para a contratação é o principal fator de escolha

da modalidade a ser adotada pelo administrador público, exceto quando se tratar de pregão, que não está limitado a valores. Alem do leilão e do concurso, as demais modalidades de li- citação admitidas são exclusivamente: Concorrência, Tomada de Preços e Convite.

de li- citação admitidas são exclusivamente: Concorrência, Tomada de Preços e Convite. Didatismo e Conhecimento 23

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DIREITO ADMINISTRATIVO Concorrência: De todas as modalidades de licitação existentes no ordenamento jurídico

DIREITO ADMINISTRATIVO

Concorrência: De todas as modalidades de licitação existentes no ordenamento jurídico brasileiro, esta se revela a mais complexa,

e uma das diferenças entre as demais modalidades é possuir a fase

da habilitação preliminar, logo após a abertura do procedimento. Modalidade da qual podem participar quaisquer interessados que na fase de habilitação preliminar comprovem possuir os requi- sitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução do objeto da licitação. Presta-se a contratação de obras, serviços e compras de pro- dutos, independente do valor a ser contratado, além disso, é a mo- dalidade exigida por lei, com regra, para a compra de imóveis e para a alienação de imóveis públicos, para a concessão de direito real de uso, para licitações internacionais, para a celebração de contrato administrativo de concessão de serviços públicos e para a contratação de parcerias públicos-privadas.

Tomada de Preço: Modalidade realizada entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação. Na modalidade de tomada de preços, a fase da habilitação corresponde ao próprio cadastramento exigido em lei, é prévia

a abertura do procedimento licitatório, e assim, objetivando dar

cumprimento ao princípio da competitividade entre os licitantes, os interessados em participar do certame não cadastrados previa- mente, tem a possibilidade de se inscreverem até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, desde que satisfaçam as condições de qualificações exigidas. Ressalta-se que a modalidade de tomada de preços será ado- tada para a celebração de contratos relativos as obras, serviços e compras de produtos de menor vulto do que é exigido para partici- par da modalidade de concorrência.

Convite: Modalidade realizada entre interessados do ramo de que trata o objeto da licitação, escolhidos e convidados em número mínimo de três pela Administração. O convite é a modalidade de licitação mais simples, sendo que

a Administração escolhe quem quer convidar, entre os possíveis

interessados, cadastrados ou não. A divulgação deve ser feita me- diante afixação de cópia do convite em quadro de avisos do órgão ou entidade, localizado em lugar de ampla divulgação. Na modalidade de convite, com vistas ao princípio da com- petitividade, é possível a participação de interessados que não te- nham sido formalmente convidados, mas que sejam do ramo do objeto licitado, desde que cadastrados no órgão ou entidade licita- dora. Esses interessados devem solicitar o convite com antecedên- cia de até 24 horas da apresentação das propostas. Na modalidade de Convite, para que a contratação seja possí- vel, são necessárias pelo menos três propostas válidas, isto é, que atendam a todas as exigências do ato convocatório. Não é sufi- ciente a obtenção de três propostas, é preciso para tanto que as três sejam válidas. Caso isso não ocorra, a Administração deve repetir o convite e convidar mais um interessado, no mínimo, enquan- to existirem cadastrados não convidados nas últimas licitações, ressalvadas as hipóteses de limitação de mercado ou manifesto desinteresse dos convidados, circunstâncias estas que devem ser justifica das no processo de licitação.

Concurso: É a modalidade de licitação entre quaisquer inte- ressados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes do edital publicado na imprensa ofi- cial com antecedência mínima de 45 dias. Dessa forma, o que determina a necessidade de escolha da modalidade de licitação de Concurso, é a natureza do seu objeto, e não o seu valor contratado.

Leilão: É a modalidade de licitação, entre quaisquer interessa- dos, para a venda, a quem oferecer o maio lance, igual ou superior ao valor da avaliação de bens móveis e imóveis.

Pregão: A modalidade denominada Pregão está disciplinada na Lei 10.520/2002. É a modalidade de licitação passível de utili- zação, por todos os entes federados, para aquisição de bens e ser- viços comuns, qualquer que seja o valor estimado da contratação. A disputa entre os licitantes concorrentes é feita por meio de propostas e lances em seção pública, sendo que o determinante para a escolha da modalidade Pregão é a natureza do objeto da contratação, ou seja, a aquisição de bens e serviços comuns, e não o valor do contrato administrativo. Assim, a Lei 10.520/02, define como bens e serviços comuns “aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos por edital, por meio de especificações usuais no mercado”. Ressalta-se que, de acordo com o que dispõe o Decreto 5.450/2005, no âmbito da Administração Pública Federal, é obri- gatória a utilização da modalidade Pregão, de preferência pregão eletrônico, nas licitações para a aquisição de bens e serviços co- muns. As modalidade de Licitação estão elencadas nos artigos 22 e seguintes da Lei 8.666/1993.

DISPENSA DE LICITAÇÃO:

Podemos afirma de maneira genérica que, a dispensa de lici- tação engloba hipóteses que, muito embora exista possibilidade ju- rídica de competição, a lei autoriza a celebração direta do contrato ou mesmo determina a não realização do procedimento licitatório. Nos casos em que a lei autoriza a contratação sem a realização de licitação, diz que ela é dispensável. Esclarece que nessas hipó- teses, a competição é viável e possível, entretanto a lei autoriza a administração pública decidir sobre a sua ocorrência ou não, de acordo com critérios de oportunidade e conveniência, dispensar a sua realização. Entretanto, em outras situações, ha própria lei, diretamente dispensa compulsoriamente a realização da licitação. Nessas hi- póteses temos que a lei denominou licitação dispensada. Neste caso não cabe a Administração Pública decidir sobre a realização ou não da licitação. Não ocorrerá a licitação porque a própria lei garantiu que, mesmo sendo juridicamente possível a realização da licitação, fica dispensada. A Lei 8.666/93 traz o rol taxativo das situações em que a li- citação é dispensável, mais precisamente nos termos do artigo 24 da referida lei.

a li - citação é dispensável , mais precisamente nos termos do artigo 24 da referida

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DIREITO ADMINISTRATIVO INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO: Há inexigibilidade quando a licitação é juridicamente impos-

DIREITO ADMINISTRATIVO

INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO:

Há inexigibilidade quando a licitação é juridicamente impos- sível. A impossibilidade jurídica de realização de licitação decor- re da inviabilização de competição, pelo motivo de não existir a pluralidade de potenciais proponentes, e assim inviável a disputa entre licitantes. A lei 8.666/93 dispõe sobre o rol taxativo das situações em que é juridicamente impossível a realização da licitação, consti- tuindo então a inexigibilidade da licitação, devidamente elencado no artigo 25 da referida lei.

ANULAÇÃO E REVOGAÇÃO DA LICITAÇÃO:

A anulação de um procedimento licitatório segue basicamente as mesmas regras a anulação dos atos administrativos, com base no princípio da autotutela, a administração anulará a licitação to- das as vezes em que ficar constatada ou então demonstrada a ilega- lidade ou ilegitimidade durante o procedimento. Da mesma forma, temos que o Poder Judiciário, este desde que provocado, também possui competência para apurar a existên- cia de ilegalidade ou ilegitimidade durante a realização da licita- ção, e respeitado o devido processo legal, bem como o contradi- tório e a ampla defesa, anulará a licitação, quando comprovado a existência de vício no certame licitatório. Quanto à revogação de licitação pública, temos que, do mes- mo modo que se opera a revogação dos atos administrativos, a regra é que há a possibilidade de a administração pública, revogar seus atos discricionários, após análise da conveniência e oportuni- dade da celebração ou não da contratação do objeto licitado. Quan- do a administração pública não tem mais interesse em contratar o vencedor da licitação, poderá revogá-la. Entretanto, para que seja possível revogar uma licitação, so- mente será possível em duas hipóteses:

- Por motivo de interesse público decorrente de comprovação da ocorrência de fato superveniente, desde que seja pertinente e suficiente para justificar tal medida, por meio de motivação e fun- damentação, e;

- A critério da administração, quando o adjudicatário, tendo sido por ela convocado para assinar o termo de contrato ou aceitar ou retirar o instrumento equivalente, recusa-se a fazê-lo ou então não comparece.

Após a assinatura do contrato administrativo, não se pode mais revogar a licitação, enquanto que a anulação da licitação po- derá ser feita mesmo depois da celebração do contrato entre a ad- ministração e o licitante vencedor, visto que a nulidade da licitação resulta, consequentemente, na nulidade do contrato firmado dela decorrente.

CONTRATO ADMINISTRATIVO - CONCEITO:

Contrato, sejam eles de caráter público ou privado, é a con- venção estabelecida entre duas ou mais pessoas, com as respec- tivas manifestações de vontades, para constituir, regulamentar ou extinguir entre as partes uma relação jurídica, sendo certo que para a validade do contrato exige acordo de vontades, agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não proibida em lei.

Assim, segundo os ensinamentos do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, temos o conceito de contratos administrativos:

“É um tipo de avença travada entre a Administração e tercei- ros na qual, por força de lei, de cláusulas pactuadas ou do tipo do objeto, a permanência do vínculo e as condições preestabelecidas assujeitam-se a cambiáveis imposições de interesse público, res- salvado os interesses patrimoniais do contratante privado”.

Em outras palavras, temos que contrato administrativo é a convenção firmada pela Administração Pública, agindo nesta qua- lidade, com particulares ou então com outras entidades adminis- trativas mesmo, nos termos pactuados pela contratante (adminis-

tração pública), de acordo com o interesse coletivo, e sob a esfera do direito público, ficando o particular contratado condicionado

a suportar as cláusulas impostas pela administração, em razão do

atendimento do interesse público. Não se pode confundir contrato administrativo com contrato da administração, visto que nos contratos da administração, temos

o ajuste firmando entre a administração pública e o particular, en-

tretanto, o poder público não figura utilizando-se de suas prerroga- tivas, sendo que tal avença é regida pelo direito privado.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS CONTRATOS AD- MINISTRATIVOS:

Em razão dos poderes e prerrogativas conferidos a Adminis- tração Pública, fica autorizada a determinar alterações e modifica- ções nas prestações devidas pelo particular contratado, em razão das necessidades públicas, e ainda tem o poder de acompanhar e fiscalizar sistematicamente a execução, podendo impor sanções estipuladas previamente quando irregularidades a ensejarem e a rescindir o contrato de forma unilateral, quando houver legitimo interesse público. Em suma, temos que os contratos administrativos revelam-se na seguinte dualidade: inicialmente, temos a Administração Públi- ca podendo gozar de todas as suas prerrogativas e poderes indis- pensáveis a proteção aos direitos e interesses públicos, e de outro modo, temos que é de competência do particular conferir integral garantia aos interesses privados que ditaram sua participação nos estreitos limites contratuais. Assim, a doutrina administrativa identifica como principais

características pertinentes aos contratos administrativos seu cará- ter consensual, formais, onerosos, entre outros. Entretanto, mere- cem maiores esclarecimentos outras características, senão vejamos

a seguir.

Contrato de Adesão: Os contratos administrativos tem a ca-

racterística de serem típicos contratos de adesão, onde uma das partes (neste caso a Administração Pública) propõe as cláusulas e

a outra parte não pode propor alterações, supressões ou acréscimo, simplesmente aceita as suas condições e cláusulas ou não.

Formalismo: Em regras gerais, todos os contratos adminis- trativos devem ser formais e escritos, sendo que todo o contrato deve mencionar obrigatoriamente os nomes das partes e seus re- presentantes legais, a finalidade do contrato, o ato administrativo que autorizou a sua celebração, o número do processo de licitação, da possível dispensa ou inexigibilidade de licitação, a sujeição dos contratantes às normas específicas da Lei 8.666/93 e as cláusulas contratuais.

dos contratantes às normas específicas da Lei 8.666/93 e as cláusulas contratuais. Didatismo e Conhecimento 25

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DIREITO ADMINISTRATIVO Fiscalização: A execução do contrato deverá ser acompanha- da e fiscalizada por um

DIREITO ADMINISTRATIVO

Fiscalização: A execução do contrato deverá ser acompanha- da e fiscalizada por um representante da Administração Pública especialmente designado para tal fim, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição. O representante da Administração anotará em registro próprio todas as ocorrências relacionadas com a execução do contrato, determinando o que for necessário à regularização das faltas ou defeitos por ele observados. As decisões e providências que ultrapassarem a competência do representante deverão ser solicitadas a seus superiores em tem- po hábil para a adoção das medidas convenientes.

Pessoalidade: Os contratos administrativos são, em regra, contratos pessoais, e a execução dos termos contratados devem ser cumpridos pelas pessoas (físicas ou jurídicas) que se obrigou diante o Poder Público. É imprescindível a pessoalidade nos con- tratos administrativos, tendo em vista que há celebração após a realização de licitação em que se busca não apenas a proposta mais favorável a Administração Pública, mais também a selecionar a pessoa (física ou jurídica) que ofereça as condições necessárias de assegurar a execução do objeto contratado.

DAS CLÁUSULAS EXORBITANTES DOS CONTRA- TOS ADMINISTRATIVOS:

Os contratos administrativos possui características peculia- res, diferenciando-os dos contratos privados, que é a existência de cláusulas exorbitantes. Tais cláusulas decorrem de lei e conferem a administração pu- blica prerrogativas especificas de direito público, são denominadas de “exorbitantes” porque as cláusulas extrapolam aquilo que seria admitido no direito privado.

- Exigência de Garantia: A exigência de que os licitantes e

contratados prestem garantias, visa assegurar o adequado adim- plemento do contrato, ou na hipóteses de inexecução do objeto contratado, facilitar o ressarcimento dos prejuízos sofridos pela Administração Pública.

- Alteração Unilateral do Contrato: A possibilidade de alte-

ração unilateral do contrato efetuado entre a Administração e o contratado deve sempre ter o objetivo de sua adequação às fina- lidades do interesse coletivo, devem ainda respeitar os direitos do administrado, principalmente o direito ao restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro originalmente estabelecido em contrato.

- Aplicação Direta de Sanções: A possibilidade de aplicação

de sanções administrativas pelo Poder Público, quando verificada irregularidades do particular na execução do contrato , independe

de prévia manifestação do Poder Judiciário.

- Possibilidade de Rescisão Unilateral do Contrato: A possibi-

lidade de rescindir de maneira unilateral o contrato administrativo se dá diante da supremacia jurídica da administração pública pe- rante o particular, tendo em vista que o contrato administrativo foi celebrado sob a esfera do direito público.

EXTINÇÃO DO CONTRATO ADMINISTRATIVO:

A extinção do contrato administrativo é o término do vínculo

de obrigações assumidas entre a administração pública e o parti- cular contratado. E extinção pode se dar em razão de da conclusão do objete contratado, ou então do termino do prazo previsto para a vigência do contrato, ou ainda a ocorrência de anulação ou res- cisão do contrato.

- Anulação: A anulação de um contrato administrativo segue

as regras análogas dos Atos Administrativos, ou seja, um contrato administrativo deve ser anulado quando constatado ilegalidades em sua celebração. A anulação de contrato administrativo pode ser realizada pelo próprio Poder Público, de oficio ou quando provo- cado, ou então pelo Poder Judiciário, mediante prévia provocação e sempre por motivo de ilegalidade ou ilegitimidade.

- Rescisão: As causas gerais que ensejam a rescisão de con-

trato administrativo estão descritas no artigo 78, e seus incisos da Lei 8.666/93. Há hipóteses em que autorizam a rescisão unilateral pela ad- ministração do contrato administrativo, e outras que ensejam resci- são judicial ou rescisão consensual entre os contratantes, havendo ainda causas de rescisão decorrentes de interesse público superve- niente e de força maior ou caso fortuito. Para tanto é necessário o estudo das hipóteses previstas na Lei 8.666/93.

SANÇÃO ADMINISTRATIVA:

- Do Atraso Injustificado: O atraso injustificado na execu-

ção do contrato sujeitará o contratado à multa de mora, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato. A aplicação da multa administrativa não impede que a Administração Pública promova a rescisão unilateral do contrato e ainda aplique demais sanções.

A multa, aplicada após regular processo administrativo, será

descontada da garantia do respectivo contratado, e caso a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da perda desta garantia em favor da Administração, responderá o contratado pela sua diferença, a qual será descontada dos pagamentos eventual- mente devidos pela Administração ou ainda, quando for o caso, cobrada judicialmente.

- Da Inexecução total ou parcial do Contrato: Pela inexecução

total ou parcial do contrato a Administração poderá, sempre ga- rantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções:

a) advertência;

b) multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou

no contrato;

c) suspensão temporária de participação em licitação e im-

pedimento de contratar com a Administração, por prazo não supe- rior a 2 (dois) anos;

d) declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com

a Administração Pública enquanto perdurarem os motivos deter- minantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação pe-

os motivos deter- minantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação pe- Didatismo e

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DIREITO ADMINISTRATIVO rante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será con- cedida sempre

DIREITO ADMINISTRATIVO

rante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será con- cedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso anterior.

DO REEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO:

A alteração do contrato administrativo se dará visando o rees-

tabelecimento da que relação que as partes pactuaram inicialmente entre encargos e remuneração, objetivando a manutenção do equi-

líbrio da equação financeira inicial na hipótese de sobrevirem fatos supervenientes, imprevisíveis ou previsíveis de consequências in- calculáveis que possam retardar ou impedir a execução do contrato em caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe que configu-

ra uma alteração econômica extraordinária e extracontratual. Entretanto, para que seja possível a identificação de eventual desequilíbrio entre os valores pactuados no contrato administra- tivo e a realidade praticada no mercado privado, é importante o acompanhamento e a gestão do contrato, bem como a fiscaliza- ção sobre a boa execução das cláusulas e obrigações pactuadas. Para tanto é conferida a Administração Pública as prerroga- tivas e cláusulas exorbitantes, objetivando sempre a supremacia do interesse coletivo sobre o interesse privado. Quando, durante

a gestão e fiscalização do cumprimento do contrato administra-

tivo, a Administração Pública verificar descumprimento de cláu- sula contratual, atrasos na execução dos serviços contratados, má execução de serviços, entre outras situações que possam lesar o interesse público, o Poder Público poderá adotar as providencias no sentido de punir a empresa contratada.

GARANTIA CONTRATUAL:

A garantia contratual não excederá a 5% (cinco por cento) do

valor do contrato e terá seu valor atualizado nas mesmas condições pactuadas contratualmente. Entretanto, nos casos de obras, serviços e fornecimentos de grande vulto envolvendo alta complexidade técnica e riscos finan- ceiros consideráveis, demonstrados através de parecer tecnica- mente aprovado pela autoridade competente, o limite de garantia poderá ser elevado para até 10% (dez por cento) do valor do con- trato.

A garantia prestada pelo contratado será liberada ou restituída

após a execução do contrato e, quando em dinheiro, atualizada mo- netariamente. Nos casos de contratos que importem na entrega de

bens pela Administração, dos quais o contratado ficará depositário, ao valor da garantia deverá ser acrescido o valor desses bens.

A regulamentação dos Contratos Administrativos estão pre-

vistas na Lei Federal nº 8.666/93, já exposta na presente apostila no tópico das Licitações Públicas, assim, é de suma importância a leitura atenta do que dispõe os artigos 54 a 88 do referido diploma

legal. Assim, conforme exigência do conteúdo programático cons- tante no edital de abertura do Concurso Público, segue a íntegra da Lei Federal nº 8.666/93, que dispõe sobre a regulamentação das licitações e dos contratos administrativos:

LEI Nº 8.666, DE 21 DE JUNHO DE 1993

Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Públi- ca e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Capítulo I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Seção I

Dos Princípios

Art. 1 o Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Po- deres da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autar- quias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indire- tamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

Art. 2 o As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamen-

te precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta

Lei.

Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se contrato todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares, em que haja um acordo de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada.

Art. 3 o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita con- formidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoa-

lidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010)

§ 1 o É vedado aos agentes públicos:

I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação,

cláusulas ou condições que comprometam, restrinjam ou frustrem

o seu caráter competitivo, inclusive nos casos de sociedades coo-

perativas, e estabeleçam preferências ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes ou de qualquer outra circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do contrato, ressalvado o disposto nos §§ 5 o a 12 deste arti- go e no art. 3 o da Lei n o 8.248, de 23 de outubro de 1991; (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) II - estabelecer tratamento diferenciado de natureza comer- cial, legal, trabalhista, previdenciária ou qualquer outra, entre em- presas brasileiras e estrangeiras, inclusive no que se refere a moe- da, modalidade e local de pagamentos, mesmo quando envolvidos financiamentos de agências internacionais, ressalvado o disposto

no parágrafo seguinte e no art. 3 o da Lei n o 8.248, de 23 de outubro de 1991.

2 o Em igualdade de condições, como critério de desempate,

será assegurada preferência, sucessivamente, aos bens e serviços:

§

I

- (Revogado pela Lei nº 12.349, de 2010)

sucessivamente, aos bens e serviços: § I - (Revogado pela Lei nº 12.349, de 2010) Didatismo

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DIREITO ADMINISTRATIVO II - produzidos no País; III - produzidos ou p restados por empresas

DIREITO ADMINISTRATIVO

II - produzidos no País;

III - produzidos ou prestados por empresas brasileiras.

IV - produzidos ou prestados por empresas que invistam em

pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País.

3 o A licitação não será sigilosa, sendo públicos e acessíveis

ao público os atos de seu procedimento, salvo quanto ao conteúdo das propostas, até a respectiva abertura.

§

§ 4º (Vetado).

§ 5 o Nos processos de licitação previstos no caput, poderá ser

estabelecido margem de preferência para produtos manufaturados

e para serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasilei-

ras. (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010)

6 o A margem de preferência de que trata o § 5 o será estabele- cida com base em estudos revistos periodicamente, em prazo não superior a 5 (cinco) anos, que levem em consideração: (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010) (Vide Decreto nº 7.713, de 2012)

(Vide Decreto nº 7.709, de 2012) (Vide Decreto nº 7.756, de 2012)

§

I - geração de emprego e renda;

II - efeito na arrecadação de tributos federais, estaduais e mu-

nicipais;

III - desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no

País;

IV - custo adicional dos produtos e serviços; e

V - em suas revisões, análise retrospectiva de resultados.

§ 7 o Para os produtos manufaturados e serviços nacionais re-

sultantes de desenvolvimento e inovação tecnológica realizados

no País, poderá ser estabelecido margem de preferência adicional àquela prevista no § 5 o .

8 o As margens de preferência por produto, serviço, grupo de

produtos ou grupo de serviços, a que se referem os §§ 5 o e 7 o , serão definidas pelo Poder Executivo federal, não podendo a soma delas ultrapassar o montante de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o preço dos produtos manufaturados e serviços estrangeiros.

9 o As disposições contidas nos §§ 5 o e 7 o deste artigo não se aplicam aos bens e aos serviços cuja capacidade de produção ou prestação no País seja inferior:

§

§

I - à quantidade a ser adquirida ou contratada; ou

- ao quantitativo fixado com fundamento no § 7 o do art. 23

desta Lei, quando for o caso.

10. A margem de preferência a que se refere o § 5 o poderá

ser estendida, total ou parcialmente, aos bens e serviços originários dos Estados Partes do Mercado Comum do Sul - Mercosul.

§ 11. Os editais de licitação para a contratação de bens,

serviços e obras poderão, mediante prévia justificativa da autoridade competente, exigir que o contratado promova, em fa- vor de órgão ou entidade integrante da administração pública ou daqueles por ela indicados a partir de processo isonômico, medi- das de compensação comercial, industrial, tecnológica ou acesso a condições vantajosas de financiamento, cumulativamente ou não, na forma estabelecida pelo Poder Executivo federal.

§ 12. Nas contratações destinadas à implantação, manutenção

e ao aperfeiçoamento dos sistemas de tecnologia de informação e

comunicação, considerados estratégicos em ato do Poder Execu- tivo federal, a licitação poderá ser restrita a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e produzidos de acordo com o

processo produtivo básico de que trata a Lei n o 10.176, de 11 de janeiro de 2001.

II

§

§ 13. Será divulgada na internet, a cada exercício financeiro,

a relação de empresas favorecidas em decorrência do disposto nos

§§ 5 o , 7 o , 10, 11 e 12 deste artigo, com indicação do volume de recursos destinados a cada uma delas.

Art. 4 o Todos quantos participem de licitação promovida pelos órgãos ou entidades a que se refere o art. 1º têm direito público subjetivo à fiel observância do pertinente procedimento estabele- cido nesta lei, podendo qualquer cidadão acompanhar o seu desen- volvimento, desde que não interfira de modo a perturbar ou impe- dir a realização dos trabalhos. Parágrafo único. O procedimento licitatório previsto nesta lei caracteriza ato administrativo formal, seja ele praticado em qual- quer esfera da Administração Pública.

Art. 5 o Todos os valores, preços e custos utilizados nas licita- ções terão como expressão monetária a moeda corrente nacional, ressalvado o disposto no art. 42 desta Lei, devendo cada unida- de da Administração, no pagamento das obrigações relativas ao fornecimento de bens, locações, realização de obras e prestação de serviços, obedecer, para cada fonte diferenciada de recursos,

a estrita ordem cronológica das datas de suas exigibilidades, sal- vo quando presentes relevantes razões de interesse público e me- diante prévia justificativa da autoridade competente, devidamente publicada.

1 o Os créditos a que se refere este artigo terão seus valores

corrigidos por critérios previstos no ato convocatório e que lhes preservem o valor.

2 o A correção de que trata o parágrafo anterior cujo paga-

mento será feito junto com o principal, correrá à conta das mes-

mas dotações orçamentárias que atenderam aos créditos a que se referem.

3 o Observados o disposto no caput, os pagamentos decorren-

tes de despesas cujos valores não ultrapassem o limite de que trata

o inciso II do art. 24, sem prejuízo do que dispõe seu parágrafo

único, deverão ser efetuados no prazo de até 5 (cinco) dias úteis, contados da apresentação da fatura.

§

§

§

Seção II

Das Definições

Art. 6 o Para os fins desta Lei, considera-se:

I - Obra - toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação, realizada por execução direta ou indireta; II - Serviço - toda atividade destinada a obter determinada uti- lidade de interesse para a Administração, tais como: demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, repara- ção, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens, publici- dade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais; III - Compra - toda aquisição remunerada de bens para forne- cimento de uma só vez ou parceladamente; IV - Alienação - toda transferência de domínio de bens a ter- ceiros; V - Obras, serviços e compras de grande vulto - aquelas cujo valor estimado seja superior a 25 (vinte e cinco) vezes o limite estabelecido na alínea “c” do inciso I do art. 23 desta Lei; VI - Seguro-Garantia - o seguro que garante o fiel cumprimen- to das obrigações assumidas por empresas em licitações e contra- tos;

Didatismo e Conhecimento- o seguro que garante o fiel cumprimen - to das obrigações assumidas por empresas em

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DIREITO ADMINISTRATIVO VII - Execução direta - a que é feita pelos órgãos e entidades

DIREITO ADMINISTRATIVO

VII - Execução direta - a que é feita pelos órgãos e entidades da Administração, pelos próprios meios; VIII - Execução indireta - a que o órgão ou entidade contrata com terceiros sob qualquer dos seguintes regimes:

a) empreitada por preço global - quando se contrata a execu-

ção da obra ou do serviço por preço certo e total;

b) empreitada por preço unitário - quando se contrata a exe-

cução da obra ou do serviço por preço certo de unidades determi- nadas;

c) (Vetado).

d) tarefa - quando se ajusta mão de obra para pequenos traba-

lhos por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais;

e) empreitada integral - quando se contrata um empreendi-

mento em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das

obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabili- dade da contratada até a sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização em condições de segurança estrutural e opera- cional e com as características adequadas às finalidades para que foi contratada;

IX - Projeto Básico - conjunto de elementos necessários e su-

ficientes, com nível de precisão adequado, para caracterizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos prelimi- nares, que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamen- to do impacto ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução, devendo conter os seguintes elementos:

a) desenvolvimento da solução escolhida de forma a fornecer

visão global da obra e identificar todos os seus elementos consti- tutivos com clareza;

b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente de-

talhadas, de forma a minimizar a necessidade de reformulação ou

de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e de realização das obras e montagem;

c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais

e equipamentos a incorporar à obra, bem como suas especificações que assegurem os melhores resultados para o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;

d) informações que possibilitem o estudo e a dedução de mé-

todos construtivos, instalações provisórias e condições organiza-

cionais para a obra, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;

e) subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da

obra, compreendendo a sua programação, a estratégia de supri-

mentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso;

f) orçamento detalhado do custo global da obra, fundamen-

tado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados;

X - Projeto Executivo - o conjunto dos elementos necessá-

rios e suficientes à execução completa da obra, de acordo com as normas pertinentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT;

XI - Administração Pública - a administração direta e indire-

ta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, abrangendo inclusive as entidades com personalidade jurídica de direito privado sob controle do poder público e das fundações por ele instituídas ou mantidas;

XII - Administração - órgão, entidade ou unidade administra- tiva pela qual a Administração Pública opera e atua concretamente; XIII - Imprensa Oficial - veículo oficial de divulgação da Ad- ministração Pública, sendo para a União o Diário Oficial da União, e, para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, o que for definido nas respectivas leis;

XIV - Contratante - é o órgão ou entidade signatária do instru-

mento contratual;

XV - Contratado - a pessoa física ou jurídica signatária de

contrato com a Administração Pública;

XVI - Comissão - comissão, permanente ou especial, criada

pela Administração com a função de receber, examinar e julgar todos os documentos e procedimentos relativos às licitações e ao

cadastramento de licitantes. XVII - produtos manufaturados nacionais - produtos manufa- turados, produzidos no território nacional de acordo com o proces- so produtivo básico ou com as regras de origem estabelecidas pelo Poder Executivo federal; XVIII - serviços nacionais - serviços prestados no País, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo federal;

XIX - sistemas de tecnologia de informação e comunicação

estratégicos - bens e serviços de tecnologia da informação e co- municação cuja descontinuidade provoque dano significativo à ad- ministração pública e que envolvam pelo menos um dos seguintes requisitos relacionados às informações críticas: disponibilidade, confiabilidade, segurança e confidencialidade.

Seção III Das Obras e Serviços

Art. 7 o As licitações para a execução de obras e para a presta-

ção de serviços obedecerão ao disposto neste artigo e, em particu- lar, à seguinte sequencia:

I - projeto básico;

II - projeto executivo;

III - execução das obras e serviços.

1 o A execução de cada etapa será obrigatoriamente prece-

dida da conclusão e aprovação, pela autoridade competente, dos

trabalhos relativos às etapas anteriores, à exceção do projeto exe- cutivo, o qual poderá ser desenvolvido concomitantemente com a execução das obras e serviços, desde que também autorizado pela Administração.

2 o As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando:

I - houver projeto básico aprovado pela autoridade compe-

tente e disponível para exame dos interessados em participar do processo licitatório;

II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a

composição de todos os seus custos unitários;

III - houver previsão de recursos orçamentários que assegu-

rem o pagamento das obrigações decorrentes de obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo

com o respectivo cronograma;

IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas

estabelecidas no Plano Plurianual de que trata o art. 165 da Cons- tituição Federal, quando for o caso.

3 o É vedado incluir no objeto da licitação a obtenção de

recursos financeiros para sua execução, qualquer que seja a sua origem, exceto nos casos de empreendimentos executados e ex- plorados sob o regime de concessão, nos termos da legislação es- pecífica.

§

§

§

e ex- plorados sob o regime de concessão, nos termos da legislação es- pecífica. § §

Didatismo e Conhecimento

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DIREITO ADMINISTRATIVO 4 o É vedada, ainda, a inclusão, no objeto da licitação, de for-

DIREITO ADMINISTRATIVO

4 o É vedada, ainda, a inclusão, no objeto da licitação, de for- necimento de materiais e serviços sem previsão de quantidades ou

cujos quantitativos não correspondam às previsões reais do projeto básico ou executivo.

5 o É vedada a realização de licitação cujo objeto inclua bens

e serviços sem similaridade ou de marcas, características e espe- cificações exclusivas, salvo nos casos em que for tecnicamente justificável, ou ainda quando o fornecimento de tais materiais e serviços for feito sob o regime de administração contratada, pre- visto e discriminado no ato convocatório.

6 o A infringência do disposto neste artigo implica a nulidade

dos atos ou contratos realizados e a responsabilidade de quem lhes tenha dado causa.

7 o Não será ainda computado como valor da obra ou serviço,

para fins de julgamento das propostas de preços, a atualização monetária das obrigações de pagamento, desde a data final de

cada período de aferição até a do respectivo pagamento, que será calculada pelos mesmos critérios estabelecidos obrigatoriamente no ato convocatório.

8 o Qualquer cidadão poderá requerer à Administração Pú-

blica os quantitativos das obras e preços unitários de determinada

§

§

§

§

§

obra executada.

9 o O disposto neste artigo aplica-se também, no que couber, aos casos de dispensa e de inexigibilidade de licitação.

§

Art. 8 o A execução das obras e dos serviços deve programar- -se, sempre, em sua totalidade, previstos seus custos atual e final e considerados os prazos de sua execução. Parágrafo único. É proibido o retardamento imotivado da exe- cução de obra ou serviço, ou de suas parcelas, se existente pre- visão orçamentária para sua execução total, salvo insuficiência financeira ou comprovado motivo de ordem técnica, justificados em despacho circunstanciado da autoridade a que se refere o art. 26 desta Lei.

Art. 9 o Não poderá participar, direta ou indiretamente, da licitação ou da execução de obra ou serviço e do fornecimento de bens a eles necessários: