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História A 12ºAno Módulo 1

Objetivo 1: explicar a economia pré-industrial, e relaciona-la com as características do Antigo Regime;

Objetivo 2: Caraterizar as crises de subsistência;

Objetivo 3: reconhecer nas crises demográficas um fator de agravamento das condições do mundo rural e perturbação da tendência de crescimento europeu;

Objetivo 4: explicar o Regime Demográfico da 2º Metade do séc. XVIII;

Objetivo 5: Fundamentos da organização político-social e as suas expressões;

Objetivo 6: Caracterizar a sociedade do Antigo Regime

Objetivo 7: explicar a mobilidade social;

Objetivo 8: Caracterizar o Absolutismo sob exemplo de Luis XIV e Versalhes;

Objetivo 9: Importância da nobreza fundiária portuguesa;

Objetivo 10: Importância do Cavaleiro Mercador;

Objetivo11: Eficiência do Aparelho Burocrático com a centralização do Poder;

Objetivo 12: Absolutismo Joanino;

Objetivo 13: Fusão do Poder Político e Económico nas Províncias Unidas;

Objetivo 14: Teoria do Mare Liberum;

Objetivo 15: Recusa do Absolutismo na sociedade inglesa;

Objetivo 16: Justificação do Parlamentarismo de John Locke;

Objetivo 1: Pós Guerra e soluções

Pós-Guerra e Soluções

A 1ºGuerra Mundial terminou em 1918 com a vitória dos Aliados (Tríplice Entente) contra a

Alemanha. Esta foi causadora de uma Europa destruída, por cerca de 9 milhões de mortes, e da

ruína de vários países europeus, gerando o desemprego, fome, a destruição de património, muitos inválidos e famílias desfeitas, mas paralelamente, a ascensão social das mulheres.

Para resolver as questões da guerra, e recuperar e reestabelecer a Europa realizou-se uma Conferência de Paz, em Paris, em 1919 onde estavam presentes as potências vencedoras, tendo sido dirigido por França (Clemenceau), Grã-Bretanha (Lloyd George) e EUA (presidente Wilson). Nesta conferencia foram assinados vários acordos, entre os quais o de Versalhes, assinados com a Alemanha, Áustria, Hungria, Bulgária e Império Otomano. A estes se ficou a dever uma nova geografia política e uma nova ordem internacional.

Nesta Conferência, procurou-se reestabelecer a ordem na Europa, e garantir a sua recuperação, bem como estabelecer a paz entre as várias potências. Para tal, o Presidente Wilson redigiu a Mensagem dos 14 pontos. Esta, defendia a prática de uma diplomacia transparente, a liberdade política, económica, de navegação e de trocas, o Princípio das Nacionalidades, a Autodeterminação dos povos, mas também a criação de uma Liga das Nação (a Sociedade das Nações). Esta tinha vários objetivos, entre os quais o de evitar conflitos entre as várias nações e manter a paz, o de garantir a integridade territorial dos Estados, bem como afirmar o principio de autodeterminação dos povos e promover o desenvolvimento ….

A

mensagem dos 14 pontos levou à formação de um novo conceito de diplomacia, à afirmação

de

novos países e a um novo mapa político, garantindo os direitos das principais potências, mas

também dos países mais pequenos, e por fim, permitiu a criação de uma organização cujo principal objetivo era o de manter a paz, combatendo o desejo de vingança dos vencedores

contra os derrotados.

O Tratado de Versalhes foi também um documento importante redigido em 1919 que foi

redigido pelos países vencedores na Conferencia de Paz, e assinado pelos países derrotados, como a Alemanha, Áustria, Hungria, Bulgária e Império Otomano, e continha imposições de natureza territorial, militar, económica e política moral feita aos países vencidos. Entre estas imposições destaca-se a redução do armamento, e do exército, a desmilitarização das zonas, a proibição de artilharia pesada e carros de assalto, bem como da frota de guerra e comercial, a partilha pelas principais potencias das colónias dos países vencidos, para além de que, à conta deste Tratado, a Alemanha perdeu 1/10 da sua população e as minas de carvão. Para além disso, estes países foram culpabilizados pela Guerra e necessitavam de pagar pesadas indemnizações, o que levou à Humilhação da Alemanha (diktak) uma vez que este foi o país mais prejudicado.

Os Tratados de Paz conduziram a uma transformação do mapa politico da Europa e do Meio Oriente. Assim, deu-se a queda dos vários Impérios existentes, pelo que os territórios que anteriormente lhes apareciam ligados conquistaram a sua Independência, surgindo os Estados Nação, isto é, entidades geopolíticas com unidade ética e cultural. Entre os novos Estados Europeus detacam.se a Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânica, Polónia, Checoslováquia, Jugoslávia e Hungria. Na Ásia, algumas das Nações ficaram sob o mandato das principais potências, isto é, os países mais avançados ficaram encarregados de promover o seu desenvolvimento. Assim, formou-se o Estado da Arábia, do Curdistão e da Arménia que se tornaram independentes, a Síria e o Líbano ficaram sob o mandato francês, e a Mesopotâmia e a Palestina sob o mandato inglês.

Já os Estados vencedores ampliaram os seus territórios, mais concretamente a França que

recuperou a Alsácia e a Lorena, a Bélgica, Itália, Dinamarca, Roménia e Grécia. Para além disso, as principais potências receberam as colónias anteriormente pertencentes aos vencidos.

Com os Impérios abatidos e a emancipação de muitas nações, a Europa esperava por um futuro risonho, visível com a expansão dos regimes republicanos e democráticos, mas também com a criação da Sociedade das Nações, um organismo destinado a salvaguardar a paz e a segurança internacional.

SDN

A SDN surgiu em 1919 influenciada pela Mensagem dos 14 pontos do presidente Wilson. Esta

sediava-se em Genebra e foi fundada pelos 32 países vencedores da 1ºGuerra e por 13 Estados Neutros. Tinha como objetivos o de salvaguardar a paz e garantir a independência e integridade territorial, o de promover a cooperação entre os povos a nível económico, social e cultural e proteger as minorias nacionais, mas também promovia o desarmamento e o solucionamento dos conflitos pela diplomacia.

Ela compunha-se de uma Assembleia Geral, composta por 1 representante de cada país, e um Conselho, formado por representantes de apenas 9 países que procurava gerir os conflitos que ameaçassem a paz, e o Secretariado que preparava os trabalhos. A estes órgãos juntavam-se o Tribunal Internacional da Justiça, o Banco Internacional, entre outros que cumpriam o programa imposto pela SDN.

Apesar de inicialmente esta organização ser considerada um instrumento de esperança, que procurava promover a paz e garantir evitar outra guerra, esta viu-se limitada por vários motivos:

EUA não tinham aderido a Organização por decisão do Congresso Americana, que não concordava com algumas das medidas impostas, mais concretamente a da divisão das colónias e a asfixia económica dos países vencidos.

os países vencidos não tinham o direito a participar, assim como a Alemanha, que acabaram por não aceitar as imposições propostas por se considerarem humilhados com o Diktak.

não resolveu os problemas das fronteiras.

alguns países vencedores mostraram-se insatisfeitos com as dissoluções da organização, por não terem visto resposta aos seus pedidos (como Portugal e Itália),

várias minorias nacionais continuaram subjugadas e divididas entre outros países,

reparações de guerra não foram cumpridas pelos países vencidos por serem consideradas asfixiantes, ou seja, estes não tinham capacidade para as pagar.

Graças a isto, a Sociedade das Nações viu-se incapaz de resolver os conflitos que iam surgindo, e de manter a paz.

Recuperação Económica da Europa e dependência face aos EUA

A primeira Guerra Mundial afetou de maneira desigual as economias nacionais e trocas

internacionais pois, ao prejudicar as economias europeias, beneficiou os países extraeuropeus , especialmente os EUA.

A Grande Guerra deixou a Europa arruinada do ponto de vista humano, económico e material,

tendo-se verificado a morte de 9 milhões de pessoas, e deixado milhares de incapacitados e deficientes, do ponto de vista físico, mas também psicológico. Para além disso, grande parte das propriedades ficaram destruídas, especialmente os meios produtivos como fábricas, industrias e campos. A guerra levou também ao aumento da produção bélica, que depois se tornou muito difícil e dispendiosa de reconverter para materiais passiveis de serem comercializados. Todos estes fatores associados provocaram o aumento do desemprego, da fome, e a diminuição da produção, levando ao consequente desequilíbrio da balança comercial, o que fez com que a Europa ficasse endividada.

Assim, o continente europeu, tanto durante a guerra, como no seu após, viu-se obrigada a pagar em ouro aos EUA e a pedir-lhes grandes empréstimos, ficando em divida para com o continente americano, do qual se viu completamente dependente. Para tentar melhorar a situação, vários países europeus optaram pela emissão massiva de notas, o que, sem um aumento correspondente da produção, provocou a desvalorização monetária e levou ao aumento dos preços internos. Graças a isso, a Europa viu-se obrigada a abandonar o padrão ouro (Golden Standard), pelo que

as moedas europeias perderam poder relativamente à americana. Graças a este fator, em 1920 a

Europa viu-se abalada pela inflação dos preços, pelo que vários Estados foram obrigados a declarar falência, ou mesmo a queimar notas e a utiliza-las para outros fins porque estas

deixaram de ter qualquer valor graças ao aumento de notas em circulação. Um destes exemplos

é o marco alemão que na década de 20 tinha um valor tão baixo que para equivaler ao dólar eram necessários bilhões de marcos.

Pelo contrário, face à grave situação económica da Europa, os EUA viram a sua ascensão nos mercados mundiais, tendo-se tornado o mercado de abastecimento da Europa, a quem concedia grandes empréstimos, mas também um mercado internacional, pois a guerra não aconteceu nas suas fronteiras. No entanto, esta viu também a sua economia abalada graças à crise europeia relacionada com a diminuição da procura externa, causando a diminuição da produção, dos preços, e o aumento do desemprego. Assim, para garantir a viabilidade das empresas

reforçaram-se os métodos de racionalização do trabalho assentes no taylorismo, para diminuir

os custos de produção, e aumentar as vendas. Também a concentração bancária se viu uma medida recorrente para rentabilizar os esforços e relançar a economia.

A Europa procurava a estabilidade monetária para poder reforçar a sua economia, pelo que em

1922 se reuniu a Conferencia de Génova que definiu que as moedas europeias deviam voltar à

convertibilidade através do Gold Exchange Standard que substituía o Golden Standard, anterior

à Guerra. Assim, na ausência de reservas de ouro, uma moeda passaria a ser convertida numa

outra moeda considerada forte porque era convertível em ouro, como a libra que em 1925 voltou

a ganhar poder.

No entanto, a recuperação económica europeia só foi possível com os empréstimos americanos aos vários paises da Europa. Assim, esta concedeu empréstimos avultados a vários países, como ao Reino Unido, França, mas essencialmente à Alemanha, para estes poderem reorganizar as suas finanças, e no caso alemão, pagar as reparações devidas a Inglaterra e França, pelo que estes ficaram em condições de reembolsar os Estados Unidos das dividas de guerra e dos empréstimos, verificando-se a dependência Europeia face aos EUA.

No entanto, entre 1925 e 1929 o mundo capitalista voltou à normalidade, pelo que, estabelecendo-se a produção em massa e o consumismo, viveram-se os anos da prosperidade americana e os felizes anos 20. Este foi um período de otimismo e confiança no capitalismo, em que se verificaram grandes progressos na produção industrial e petroleira, mas também o aumento do nível de qualidade de vida dos indivíduos.

Objetivo 2: Comunismo

Marxismo-Leninismo

Em 1917, a Rússia viveu uma Revolução que fez com que se instituísse o primeiro regime socialista do Mundo, inspirado nas medidas propostas por Karl Marx, e instituído por Lenine.

Nos inícios de 1917, o Império Russo governado pelo Czar Nicolau II era palco de inúmeras tensões sociais e políticas. Estas foram o fruto da participação da Rússia na 1ºGuerra Mundial, e da insatisfação dos vários grupos sociais. Assim, os camponeses queriam propriedades onde produzir, que estavam presas nas mãos dos grandes senhores e latifundiários, e o proletariado exigia salários maiores e melhores condições de vida e trabalho. Já a burguesia e a nobreza liberal desejavam abertura política e a modernização do país. Assim, a contestação política era protagonizada pelo Partido Social Revolucionário que defendia a partilha de terras, pelo Partido Social Democrata, dividido em bolcheviques e mencheviques, e defendia os ideais marxistas, e por fim, pelo partido constitucional democrata.

A participação da Rússia na 1ºGuerra Mundial agravou a situação de descontentamento da

população, tendo provocado a desorganização da economia, a falta de produtos e a fome, que originaram manifestações e greves e estimulavam o anti czarismo. Assim, em Fevereiro de 1917 aconteceu em Petrogrado, capital do Império Russo, manifestações de mulheres acompanhadas por greves dos operários da cidade pelo que, reunidos numa assembleia popular designada de Soviete, os operários incitavam ao derrube do czar. Com a adesão dos soldados ao Soviete desenrolou-se um assalto ao Palácio de Inverno, pelo que o czar Nicolau II se viu obrigado a abdicar, no que se designa de Revolução de Fevereiro.

O governo do Império ficou entregue a um Governo provisório dirigido por Lvov e depois

Kerensky que instituiu na Rússia uma democracia parlamentar inspirada nos regimes liberais ocidentais, para além de ter optado pela permanência da Rússia na Guerra, continuando as tensões dos sovietes, estes, formados por camponeses, operários, soldados e marinheiros. Após o Regresso de Lenine à Rússia, chefe do Partido Bolchevique (Partido Operário Social Democrático), os sovietes, controlados pelos Bolcheviques opunham-se à situação de guerra, apelando ao derrubo do Governo Provisório e à entrega do poder aos sovietes, e à confiscação das grandes propriedades, regidos por um documento designado de Teses de Abril, redigido por Lenine. Entre as reivindicações explicitas no documento, destaca-se a situação de paz e a retirada da Rússia da Guerra, bem como o derrube do Governo provisório através de uma Revolução Socialista para então entregar o poder aos sovietes, isto é, ao partido bolchevique. Assim, iriam tomar medidas influenciadas pelo Marxismo, como a nacionalização de todas as terras que passariam a ser pertença do Estado, e uma Reforma Agrária que permitisse que todos pudessem cultivar nestes terrenos. Para além disso, propunha-se a mudar o nome para Partido Comunista e à semelhança do Socialismo de Marx, criar uma Internacional Comunista, designada de Komintern, que permitisse a divulgação dos ideais comunistas pelo resto do

mundo.

Em Outubro, em Petrogrado desenrolou-se uma nova revolução desempenhada por milícias bolcheviques, conhecidos por Guardas Vermelhos, que controlaram os pontos estratégicos da Cidade, e assaltaram o Palácio de Inverno, derrubando o Governo Provisório nele chefiado.

O Congresso de Sovietes reunidos em Petrogrado entregou de imediato o poder ao Conselho

dos Comissários do Povo, composto apenas por bolcheviques. Assim, Lenine ocupou a presidência, Trotsky a Pasta de Guerra, e Estaline a Pasta das Nacionalidades, pelo que os representantes do proletariado conquistaram o poder político.

Assim, entre 1918 e 1920 instituiu-se a democracia dos sovietes, tendo-se inicialmente publicado decretos revolucionários que respondiam as reivindicações dos sovietes. Assim, o decreto sobre a paz convidou os povos a negociações, pelo que se instituiu uma paz separada

com a Alemanha, no Tratado de Bret Litovsk, mas a Rússia perdeu vários territórios como a Polónia, Estónia, Letónia, Lituânia e Finlândia. Para além disso, no decreto sobre a terra aboliu-

se a grande propriedade e as terras que foram entregues aos sovietes camponeses. Quanto ao

controlo operário, entregou-se a gestão das fábricas aos sovietes operários. Por fim, o decreto sobre as nacionalidades conferiu a todos os povos do Império Russo o estatuto de igualdade e autodeterminação. Assim, com a entrega do poder aos sovietes que beneficiaram diretamente com os decretos pode-se afirmar que nessa altura se vivia a democracia dos sovietes.

No entanto, várias circunstâncias dificultaram a ação de governo, uma vez que com o decreto de paz e o tratado de Bret Litonvsk que garantia uma paz separada da Alemanha, a Rússia perdeu vários territórios, cerca de ¼ da população e das suas terras cultiváveis, e ¾ das minhas de ferro e carvão. Outra das circunstâncias foram os vários obstáculos criados pelos proprietários e empresários, mas também a reintegração dos soldados regressados na vida civil, a crise, a inflação dos preços e banditismo provocaram a Resistência da População ao Partido Bolchevique, pelo que estes perderam as eleições para a Assembleia Constituinte com apenas 25% dos votos.

A Resistência ao Bolchevismo resultou na Guerra Civil, que ocorreu entre 1918 até 1920 e foi

protagonizada pelos Mencheviques, designados de “os brancos”, que contaram com o apoio de corpos expedicionários do Japão, Inglaterra, França e EUA para evitar a expansão do bolchevismo. Estes tinham também o apoio de todos aqueles que se viam prejudicados com o comunismo, mais concretamente os latifundiários, isto é, os camponeses ricos designados de kulak, os czaristas, a nobreza, e o clero.

No entanto, os desentendimentos entre os brancos, e o receio da população do regresso dos antigos privilegiados (burgueses ricos e latifundiários) provocaram a vitória dos vermelhos (partido bolchevique) que dispunham de um coeso e disciplinado exército organizado por Trotsky.

Após a democracia dos sovietes, instituiu-se na Rússia o Comunismo de Guerra, que ficou marcado pela tomada de várias medidas impostas por Lenine, apesar da resistência da população aos decretos Revolucionários, e da Guerra Civil, para então instituir a ditadura do proletariado de forma violenta e implacável. A ditadura do Proletariado, influenciada pelo Marxismo, consistia numa etapa provisória na construção do socialismo, em que todas as posses da burguesia e latifundiários passariam para as mãos do Estado, e portanto, seria exclusivo e legitimo do proletariado. Assim, deixariam de existir diferenças sociais. No entanto, enquanto Marx considerava que o proletariado eram todos aqueles explorados pelo capitalismo, Lenine incluía os camponeses devido ao atraso industrial da Rússia e das suas estruturas arcaicas e Rurais. Para o impor na Rússia Lenine tomou medidas implacáveis, tendo nacionalizado toda a

economia, terrenos, industrias e as propriedades, bancos, comércio e empresas

Para além disso,

declarou que todos os camponeses teriam de entregar totalmente as suas colheitas, pelo que o Estado passou a distribuir os bens de acordo com os novos critérios de justiça social, isto é,

primeiro os soldados do Exército Vermelho, depois os operários, seguindo-se os camponeses, e

no fim, os burgueses. Instituíram também o trabalho obrigatório dos 16 aos 50 anos, aumentou-

se os horários de trabalho, reprimiu a indisciplina e os salários variavam de acordo com o

rendimento, apelando ao heroísmo revolucionário. Para emancipar o povo, apostou-se na promoção cultural, pelo que se combateu o analfabetismo, e nacionalizaram-se museus, obras artísticas, literárias e cientificas que foram declaradas património do Estado.

A juntar-se a estas medidas, dissolveu-se a Assembleia Constituinte e foram proibidos todos os partidos políticos, exceto o comunista, e os jornais burgueses, para além de se ter perseguido os mencheviques e os socialistas-revolucionários. Criou-se também uma polícia política, a tcheca, que prendia e julgava suspeitos, campos de concentração e execuções sumárias, instituindo-se o Terror. Assim, a ditadura do proletariado tornou-se na Ditadura do Partido Comunista.

Desde 1922, a Rússia passou a designar-se de URSS (União das Republicas Socialistas Soviéticas), uma vez que era um Estado Multinacional e federal composto por repúblicas iguais em direitos que dispunham de uma constituição e certa autonomia. Na tentativa de fortalecer o Estado Soviético, Lenine procurou conciliar a disciplina com a democracia, instituindo o centralismo democrático, na qual os corpos dirigentes de um Partido fossem eleitos de baixo para cima, isto é, pelos sovietes escolhidos por sufrágio universal, pelo que o poder emanava da basse, no Congresso dos Sovietes. Estes representantes escolhiam o Comité Executivo Central (Parlamento), composto por 2 Câmaras, o Conselho da União e das Nacionalidades, que em conjunto escolhiam os órgãos do poder executivo e o Conselho dos Comissários do Povo, a quem pertencia o poder Real. No entanto, o poder impunha-se pelo controlo de 2 forças, dos Órgãos de topo do Estado, e por parte do Partido Comunista, que eram ambos compostos pelas mesmas personalidades, pelo que aqui o Estado não era Neutro.

Com a vitória dos Bolcheviques na Guerra Civil e as novas medidas do comunismo de guerra levaram ao desequilíbrio da economia uma vez que, como toda a produção ia para o Estado, os produtores deixaram de se preocupar em produzir bastante pois não podiam ficar ou vender os excedentários, pelo que a produção de cereais desceu bastante. A este fator associa-se as más condições climáticas, gerando a fome. Também a produção industrial descera, para além de que as minas e os caminhos de ferro estavam inutilizados. Esta situação gerou a revolta por parte dos sovietes, pedindo a liberdade de expressão e imprensa, eleições democráticas e a libertação dos presos políticos. Apesar do Exército Vermelho ter controlo as manifestações, Lenine inverteu o Comunismo de Guerra, instituindo a Nova Politica Económica que recorria a alguns preceitos capitalistas.

As primeiras medidas visaram a recuperação agrícola, pelo que se interrompeu a nacionalização das terras, e a requisição de géneros foi substituída por impostos em géneros, isto é, em vez de retirarem toda a produção dos camponeses, utilizavam apenas impostos à produção, o que já compensava ao camponês produzir mais para poder ficar com os excedentários.

Ao nível da Industria, desnacionalizaram-se empresas com menos de 20 proprietários e muitas delas foram entregues aos antigos donos. Suspendeu-se o trabalho obrigatório e apelou-se à entrada de capitais, técnicos e instrumentos estrangeiros, para além de se terem instituído prémios de produtividade.

Estas medidas permitiram o aumento da produção e a modernização da URSS. Apesar do regresso ao capitalismo ter sido parcial, pois grande parte das propriedades continuaram nacionalizadas, os sovietes continuavam a nutrir ódio pelos kulaks, burgueses e latifundiários, pelo que se voltou a instituir a ortodoxia marxista.

Objetivo 3: Regressão do Demoliberalismo

Regressão do Demoliberalismo

Após a Guerra, os países europeus atravessaram um período de graves dificuldades económicas, que originaram várias contestações, greves e movimentos revolucionários influenciados pela Vitória do Partido Comunista na Rússia. Estas dificuldades económicas europeias e a crise levaram a que os burgueses vissem os seus patrimónios desvalorizados, levando-os mesmo à falência, assim como muitos camponeses que se viram cada vez mais pobres. Também a classe média urbana, dependentes de um trabalho e geralmente ligados aos serviços, viram os seus rendimentos diminuir, pelo que também estes se viram obrigados a procurar emprego nas fábricas. Assim, o operariado fabril e agrícola mergulhou na miséria, graças ao desemprego, o que levou ao agravamento das tensões sociais e ao descontentamento pelo que se vivia uma dualidade de ideologias pelo que, enquanto que a burguesia optava pelo conservadorismo, começaram a surgir movimentos revolucionários proletários, que apoiavam a mudança,

Com a Vitória do Partido Comunista, os ideais do marxismo-leninismo começaram a espalhar- se pela Europa, uma vez que os sindicatos lutavam pela melhoria dos salários e denunciavam os excessos do capitalismo, surgindo então novos partidos de diferentes ideologias, muitos deles associados às ideias socialistas. Em 1919, associado aos princípios defendidos por Marx referentes ao comunismo, surgiram as Internacionais Comunistas, também designadas de Komintern ou III Internacional que procuraram difundir e instituir na Europa os ideais do marxismo leninismo, através da coordenação de atividades dos movimentos proletários a nível internacional, pondo em prática a ideia de Karl Marx de “ Proletários de todo o mundo, uni- vos”. Para a Rússia (partido bolchevique) que sofria o boicote dos países capitalistas, era muito importante a instituição de Regimes Comunistas na Europa, uma vez que os outros países voltariam a estabelecer relações com a Rússia. Para tal, os mentores do Komintern, Lenine e Trotsky estabeleceram as regras para a Revolução se desencadear na Europa, liderada pelos países comunistas. A partir daí, na década de 20, a Europa foi invadida por uma vaga de movimentos revolucionários, surgindo os partidos comunistas, aqueles que defendiam a Rússia Bolchevique e o centralismo democrático, e os partidos socialistas e sociais democratas, associados ao reformismo, pelo que a violência se alastrou a vários países europeus através de greves e manifestações.

Na Alemanha os tumultos revolucionários remontam ao fim da Guerra em que, inspirados nos sovietes russos, constituíram-se conselhos de operários, soldados e marinheiros, e em Berlim, uma fação radical do Partido Social Democrata designados de espartaquistas proclamaram uma República socialista, tendo sido dominados pelas forças do governo e os seus lideres executados, levando a que o proletariado alemão passasse a ser contra a república de Weimar (Alemanha). A Revolução operária manifestou-se também na Hungria, mas foi condenada ao fracasso. Na Itália também surgiram revoluções inspiradas no bolchevismo. Em Inglaterra e Portugal e França fizeram-se várias greves e manifestações.

Estas ações revolucionárias provocaram o pânico nos setores mais conservadores da Europa, essencialmente a burguesia que se via com medo de perder as suas propriedades e poder de compra que a inflação havia já afetado. Tal levou a que muitos patriotas, conservadores e classes médias atribuíssem à democracia liberal o caos, a instabilidade política e a incapacidade de resolver a crise económica e social. Assim, estes defendiam um governo mais forte capaz de garantir a paz social, a riqueza e dignidade através de soluções autoritárias (de direita), especialmente nos países perdedores da guerra ou onde a democracia liberal não dispunha de raízes sólidas.

Assim, em vários países europeus surgiram movimentos fascistas como uma reação clara ao movimento operário. Estes consistiam em movimentos autoritários de direita que se armavam e organizavam milícias, espalhando o terror entre os adeptos do socialismo de esquerda. Eram fortemente nacionalistas e promoviam a autoridade, paz e progresso social. Tinham o apoio dos oficiais do exército e atraiam grande parte das camadas burguesas pois prometiam a erradicação do comunismo.

Um dos primeiros países onde estes movimentos de direita se manifestaram foi na Itália com Mussolini em 1922, quando os camisas negras (milícias fascistas) marcharam sobre Roma, e pressionaram o monarca Manuel III a nomear Mussolini chefe de Governo. Assim, o fascismo implantou-se na Itália em 1925 e serviu de modelo a diversos países europeus.

Em Espanha, entre 1923 e 1939 vivia-se uma ditadura Militar do general Miguel Primo, com o apoio do monarca Afonso XIII que, para acabar com a instabilidade social e politica em Espanha, suspendeu a Constituição, dissolveu as Cortes e suprimiu os partidos políticos.

Outros regimes autoritários instalaram-se na Hungria, Bulgária, Turquia, Grécia, Portugal Polónia, Lituânia e Jugoslávia. A Áustria teve um governo conservador e autoritário. A Alemanha assistiu ao putsh de Hitler em Munique contra a República Democrática de Weimar,

e, apesar do seu fracasso, instituiu a raiz do nazismo que resultaria 10 anos depois na Ditadura

Nazi. A Emergência de Autoritarismos confirma a regressão do demoliberalismo.

Objetivo 4: Mutações nos comportamentos e cultura

O século XX ficou marcado por profundas alterações na sociedade, especialmente ao nível

urbano, tendo provocado a multiplicação das cidades que se tornaram densamente povoadas, tendo mesmo superado a população das zonas rurais. Este fator provocou inúmeras alterações na

vida e valores da civilização ocidental.

Com o aumento da população urbana, verificaram.se alterações na sociabilidade, uma vez que com o desenvolvimento industrial e o crescimento urbano, deu-se a massificação da sociedade, que passou a seguir estilos de vida cada vez mais semelhantes, consumindo os mesmos produtos, utilizando os mesmos transportes, e, acima de tudo utilizando o seu tempo livre de forma cada vez mais igual. Assim, espaços antigamente utilizados pelas camadas mais ricas começaram a ser cada vez mais frequentados na fruição do ócio, como cafés, esplanadas, cinemas, passeios, jardins, teatros, praias recintos desportivos, graças ao crescimento da classe média e à melhoria do nível de qualidade de vida da população, surgindo uma nova cultura do ócio cheia de distrações. Também provocou o gosto pelas viagens e velocidade, quer nas deslocações quotidianas e passeios pela cidade, e mesmo em grandes viagens, levando à aceleração da vida. Também a convivência entre os sexos mudou de forma significativa, pelo que a sociedade anteriormente regida por rígidas convenções sociais se tornou mais livre e ousada, proporcionando mudanças no comportamento da mulher que adquire maior visibilidade, que se torna mais livre de se vestir como quiser, sair e divertir-se no exterior.

Nos inícios do século XX a Europa e a América viviam um período de confiança na superioridade da civilização ocidental, vivendo-se uma época de otimismo e progresso que se viu abalada pela Primeira Guerra Mundial, que pôs em causa as instituições, valores espirituais e morais que anteriormente suportavam a sociedade. No fim da Guerra, com a situação de miséria, morte e destruição, formou-se um sentimento de descrença e pessimismo que afetou a população, até que publicação da obra “A Decadência do Ocidente”, que anunciava a decadência e morte da Europa, colocou em causa todos os valores, e a ideia que o mundo nunca mais voltaria a ser o que era, levando a Europa a uma profunda crise de consciência. Todos os

valores, como a família, a moral, a Religião e o Papel da Mulher e as regras de conduta social

foram postos em causa, pelo que estes deixaram de seguir um padrão rígido, e foram subvertidos. Assim, instalou-se um clima de anomia social, isto é, de ausência de normas morais

e sociais que distinguissem o certo e o errado, instituindo um relativismo de Valores que acelerou as mudanças já em urso, principalmente a emancipação da mulher através do movimento feminista.

O movimento feminista surgiu em meados do século XIX, em 1850, com a reivincação do direito de propriedade e de bens às mulheres casadas, á tutela dos filhos, ao acesso à educação e

a um trabalho socialmente valorizado. No entanto, nos inícios de 1900, surgiram novas

reivindicações, das quais se destaca o direito à participação na vida política. Para tal, organizaram-se várias associações de sufragistas que desencadearam a luta pelo voto feminino.

No Reino Unido destacaram-se as sufragistas Britânicas lideradas por Emmeline Pankhurst, que procuraram atingir a atenção pública através de meios extremos, como marchas públicas, apedrejamento de polícias e montras, invasões ao parlamento e greves de fome.

Em Portugal, fundou-se em 1909 a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e a Associação de Propaganda Feminista, tendo como principais figuras Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Maria Veleda e Adelaide Cabete.

As pretensões femininas encontraram uma forte oposição, sendo alvo de censura e escárnio, o que foi alterado com as convulsões de Guerra. Com os homens na Guerra, as mulheres viram-se libertas das suas limitações como dona de casa, assumindo a autoridade do lar e sustento da família, começando a ocupar o lugar dos homens nas fábricas e em diversos outros empregos. Mesmo na frente de batalha revelaram-se imprescindíveis, assegurando os cuidados de enfermagem, ganhando autonomia económica.

Isto reforçou a autoconfiança feminina e permitiu o reconhecimento do seu valor. No fim da guerra, em vários países ocidentais as mulheres adquiriram o direito de intervenção política, consolidaram a sua posição jurídica na família e tiveram acesso a carreiras profissionais prestigiadas.

Positivismo-

Em meados do século XIX, o positivismo estabelecera uma confiança absoluta no poder do raciocínio e da ciência, que considerava capazes de resolver todos os mistérios do Universo, pelo que o mundo era regido por leis claras e objetivas. No entanto, nos inícios do século XX, surgiram novas teorias que se rebelavam contra a perfeita racionalidade, valorizando-se outras dimensões do conhecimento.

Uma dessas teorias era o intuicionismo, defendido por Bergson., que defendia a existência de várias realidades que escapavam as leis da física e matemática, e eram apenas compreendidas pela intuição. Esta não era dependente da inteligência, mas derivada do instinto e sentimento artístico, que permitia compreender a essência das coisas, provocando a revalorização do transcendente e de Deus. Esta nova teoria teve um enorme impacto na comunidade intelectual, que viu nele uma libertação das normas rígidas do racionalismo. No entanto, o positivismo e a crença na ciência foram essencialmente contrariadas pela própria ciência, graças ao surgimento de novos conceitos que abalaram a comunidade cientifica.

Um desses conceitos foi a descoberta que o átomo não era a unidade mais pequena da Natureza, surgindo um novo campo de estudos, a Microfísica, na qual se destacou Planck. Este demonstrou que as trocas de energia não eram feitas de forma uniforme, mas em pequenas unidades separadas (o quantum) que se movimentavam a grandes velocidades em saltos bruscos

e descontinuas. Esta teoria, a teoria quântica permitiu explicar o comportamento dos átomos e

dos seus constituintes, demonstrando um mundo onde não existem regras físicas, sendo impossível determinar com rigor e prever o que irá acontecer,

Foi, no entanto, a teoria da relatividade de Einstein quem protagonizou a Revolução Cientifica, tendo este descoberto a mais sólida base da Física ao negar o caráter absoluto do espaço e do tempo, e que estes eram variáveis.

As teorias de Planck e Einstein provocaram um profundo choque na comunidade cientifica que

se viu obrigada a reconhecer que o universo era instável e a verdade cientifica não era tão

universal como se acreditava. Estas permitiram o surgimento de uma nova conceção filosófica, o Relativismo que aceitava a subjetividade do conhecimento, o mistério e a desordem como partes integrantes do Universo.

Psicanálise

O positivismo e a ideia que o Homem possuiu uma mente estritamente racional foi abalada

pelos estudos de Freud, que influenciado pelo trabalho de vários neurologistas que utilizavam a hipnose como método para a cura doenças mentais, compreendeu que este método fazia os pacientes relembrarem-se de pensamentos, factos e desejos por eles esquecidos, revelando a existência de uma parte obscura e irracional na mente humana que o individuo não controla e da qual não tem consciência, mas que se manifesta no comportamento, o inconsciente. Com esta descoberta, Freud elaborou os princípios de uma nova ciência psicológica, a psicanálise.

Segundo esta teoria, o cérebro humano divide-se em 3 níveis distintos: o consciente, o subconsciente e o inconsciente.

Defendia então que, por influencia das normas morais o individuo bloqueava desejos ou factos culpabilizantes que remetia para o inconsciente onde ficavam aprisionados e esquecidos. Estes impulsos e sentimentos recalcados procuravam afluir à consciência através de lapsos, como esquecimentos, gestos ou em distúrbios psíquicos a que Freud chamava de neuroses

A psicanálise engloba também um método de tratamento de neuroses, que consiste em fazer

emergir o recalcamento que lhes deu origem e racionaliza-lo, através da livre associação, isto é,

em que com a ajuda do médico, o paciente deixava afluir as ideias que lhe vem a mente, e na análise dos sonhos.

As conceções psicanalistas foram recebidas bem pelo grande publico, e afetou os comportamentos, favorecendo a quebra das convenções sociais. O seu impacto estendeu-se também ao mundo da arte.

Objetivo 4: Arte- Vanguardas Artísticas

Nas primeiras décadas do século XX deu-se uma explosão de experiencias inovadoras no mundo das Artes, que proporcionaram o aparecimento de uma estética nova e a rutura com as conceções académicas.

Este movimento cultural é conhecido por Modernismo, que designa as correntes plásticas que despontaram na 1ºmetade do século XX e rompiam com a tradição académica, valorizando a liberdade de criação artística e repudiando todos os constrangimentos. Este foi um movimento cultural abrangente que abarcou as artes plásticas, arquitetura, literatura e música, mas que também se estendeu às restantes manifestações culturais, como o teatro, a dança, o cinema e o design, e valorizava essencialmente a emoção e a subjetividade como princípios essenciais para a criação estética.

Este movimento cultural iniciou-se em Paris, o centro artístico e cultural da Europa, e o núcleo das vanguardas culturais, isto é, um conjunto de movimentos inovadores no campo artístico, literário ou cultural que rejeita os cânones estabelecidos e antecipa tendências posteriores.

O modernismo teve raízes no movimento pós-impressionista de final do século XIX, mais concretamente nas obras de Cézanne, Paul Gauguin e Van Gogh, que influenciaram as correntes pictóricas modernas.

Relativamente a Paul Cézanne, este influenciou o modernismo através da geometrização das formas, na qual, através de largas manchas de cor, o pintor tentava reduzir as figuras a 3 formas essenciais: o círculo, o quadrado e o retângulo. Foi a principal influência dos pintores cubistas.

Quanto a Van Gogh, os pintores modernistas influenciaram-se no seu desenvolvimento da expressão e da cor, isto é, através da utilização de linhas ondulantes e sinuosas e de cores anti naturais. Isto conferia uma grande expressividade às obras, que se sobrepunha à representação concreta da realidade, tendo servido de influência, especialmente, ao expressionismo alemão.

Por fim, Gauguin foi uma influencia devido à valorização de culturas não ocidentais e da sua expressão artística, isto porque o pintor tinha como principais temáticas a representação de sociedades primitivas não ocidentais, que foi mais tarde introduzida na pintura moderna.

Assim, influenciados pelas correntes artísticas pós-impressionistas, as correntes modernistas procuraram romper com o academismo e a tradição realista, que perdeu o seu valor devido à invenção da fotografia, pelo que a realidade concreta e aparente das coisas passou para 2ºplano. Assim, estas correntes valorizaram a subjetividade, as emoções e a espontaneidade, bem como a estrutura formal das obras, ligando a arte às novas conceções científicas do relativismo e intuitivismo. Assim, apostaram na utilização de uma linguagem mais codificada e na desconstrução das figuras, criticando essencialmente a sociedade burguesa. Receberam também influencias da arte africana e da Oceânia, combinando o sentido primitivo do individuo com a satisfação da modernidade.

As primeiras vanguardas artísticas surgiram simultaneamente em França (o Fauvismo), e na Alemanha (o expressionismo), e tinham como principal objetivo o de inovar, e chocar a sociedade, contrariando a tradição. Estas resultaram essencialmente de um novo dinamismo e euforia artística que se vivia na Europa, mas também da reação as novas condições de vida do inicio de século XX.

Fauvismo

O Fauvismo surgiu em França, em 1905 quando Henri Matisse apresentou na exposição Salão

de Outono, obras com uma enorme violência cromática, tendo mesmo sido considerado fauve, isto é, como bestas.

Este constituiu o primeiro movimento de renovação da pintura francesa depois do Impressionismo, e não é considerado uma escola, mas um movimento plástico que uniu temporariamente alguns artistas que se uniram sob o desejo de libertação e gosto por uma nova experiência, abarcando estilos individuais pouco ligados entre si. O seu programa estético não durou muito tempo, e dissolveu-se ao fim de alguns anos.

Este é caracterizado essencialmente pela simplificação e planificação das cores que eram utilizadas de forma intuitiva, violenta e expressiva, aplicadas diretamente sobre a tela, pelo que os seus pintores acabavam por não recorrer ao desenho prévio, optando pela criação de uma obra intuitiva, dependente das emoções e não racionalizada. As formas eram simplificadas e bidimensionais com poucos detalhes, não havendo a utilização de perspetiva. As cores revelavam-se o elemento estruturante da obra, eram utilizadas puras, violentas e contrastantes, de forma antinatural, ou seja, eram colocadas de forma aleatória na tela.

Este movimento artístico não abarca temáticas especificas por estas serem consideradas um mero pretexto para pintar. Assim, os pintores fauvistas representavam os seus sentimentos e emoções através de temas leves, que retratavam as emoções e a alegria de viver sem qualquer intenção crítica.

Georges Rowalt, Henri Matisse, André Derain, Vlaminck, Marquet.

Expressionismo

O expressionismo surgiu em 1905 na Alemanha, paralelamente ao Fauvismo. Este pautava-se

pela expressão dos sentimentos do artista, pelo que retratava a realidade invisível e sensível,

sendo considerada uma arte de dentro para fora pois, o pintor expressava os seus sentimentos para a tela, pelo que este deixou de se preocupar em representar a realidade exterior, mas sim expressar os seus sentimentos. Este foi um movimento artístico e cultural abrangente, tendo abarcado não só a pintura, mas também a escultura, a música, literatura, teatro e cinema.

Foi desenvolvido por 2 grupos distintos: A ponte (Die Bruke) e o Cavaleiro Azul ( deer bleu reiter).

A ponte surgiu em Dresden em 1905, e durou até 1913, tendo os seus artistas se dispersado com

o inicio da 1ºGuerra Mundial. Teve como principais influencias e representantes Edward Munch, James Hunson, Ernest Kirchner, Muller, Noild, Heckel e Korl Schmit Rottluf. O seu nome, “A ponte” significa que procuravam fazer a ponte entre o invisível, as suas emoções, e o visível, a realidade concreta. Estas nasceu da Associação de Artistas Alemães, fundada por

Kirchner, e fizeram várias exposições.

Quanto às temáticas, estas procuravam exprimir os sentimentos e traumas do autor, bem como

as suas emoções, retratando cenas intensas, vigorosas, dramáticas, marcadas pela violência e

angustia psicológica. Assentava também na denuncia e na crítica social , com um sentido irónico, grotesco e dramático. Retratava ainda a vida intima, a sexualidade, cenas de rua e de cafés, cabarets, bem como o mundo da prostituição e miséria humana.

Pautava-se pela utilização de uma linguagem figurativa e formas simplificadas, nada aproximadas ao real, utilizando figuras humanas deformadas para conferir mais dramatismo à obra, com formas angulosas. Estas eram preenchidas por cores violentas, contrastantes e anti

naturalistas que acabavam por ser sugestivas, pelo que o pintor pretendia conferir maior expressividade à cor através da utilização destas cores segundo pinceladas violentas, nervosas e rápidas segundo a técnica de Van Gogh, pelo que as suas obras pareciam muitas vezes inacabadas. Por fim, tinham a realidade como inspiração.

Já o Grupo Cavaleiro Azul surgiu em 1911, em Munique, tendo sido fundado por Kandinsky,

que uniu um conjunto de artistas da Nova Associação de Artistas de Munique, e apesar de se ter

dispersado no inicio da 1ºGuerra Mundial, a sua arte continuou através da Escola de Arte de Bahaus e de Kandisky e Paul Klee.´Destacam-se nomes como o de Wassily Kandinsky, Paul Klee, Auguste Mack e Franz Marc.

Este tinha como objetivo o de unir sob o mesmo ideal artístico, isto é, o das vanguardas europeias, os criadores de várias nacionalidades e diferentes expressões. A sua arte era concebda como produto da unidade existencial entre o Homem e a Natureza, e as obras eram a expressão das suas experiencias sociais, e sentimentos subjetivos.

Quanto às temáticas, estam eram maioritariamente naturalista de sentido irreal e alegórico, mas também cenas sociais e da vida animal. Do ponto de vista técnico e formal é caracterizado pela valorização da mancha cromática através da utilização de cores arbitrárias e antinaturais, isto é, dispostas aleatoriamente na tela, e da representação de motivos que tendiam para a abstratização, através da utilização de formas simplificadas e geométricas, organizadas em composições equilibradas orientadas por meio de linhas circulares e sinuosas. Por este motivo, a linguagem plástica utilizada fazia relembrar uma melodia musicual, pelo que estas eram dotadas de um elevado valor espiritual e poético, através de uma execução refletiva e não tão intuitiva como era característico do grupo A Ponte.

Cubismo

O Cubismo surgiu em 1907 e dominou a vida parisiense até 1914, com o inicio da 1ºGuerra

Mundial, tendo origem com Pablo Picasso e George Braque. Este tem como influencias o geometrismo de Cézanne, e a arte africana, através da representação das máscaras. Este movimento artístico consiste na destruição no conceito de representação do espaço, pelo que acaba por representar várias vistas de um objeto em simultâneo através da substituição da imagem visual por uma imagem mental, isto é, para perceber a obra é necessário construi-la a nível mental. Este movimento serviu de influencia ao abstracionismo e futurismo, e dividiu-se em 3 fases de evolução.

A primeira fase deu-se entre 1907 e 1909, e tinha a influencia das obras de Cézanne e da

escultura africana, ficando conhecida como fase Cezzanista. Esta pautava-se pela geometrização

das formas, pela eliminação da profundidade e do claro-escuro e pela sobreposição dos planos.

A segunda fase designa-se de fase analítica ou hermética, e durou entre 1909 e 1912, sendo

caracterizada pela destruturação da obra através da desconstrução das suas partes constitutivas.

Assim, as obras continham múltiplos planos de vista de um objeto e a interseção de vários planos, que introduziam o conceito de 4ºdimensão, fazendo a fragmentação do espaço. Por este motivo, esta resultava de uma análise exaustiva dos objetos, decompondo-os e reduzindo-os à sua bidimensionalidade, e utilizando cores quase monocromáticas.

Por fim, a 3ºfase é designada de sintética e decorreu entre 1912-1914. Esta foi uma reação ao cubismo analítico, e tentava tornar as figuras novamente reconhecíveis, utilizando na obra vários materiais de diferentes naturezas, como pedaços de jornal, vidro e areia, na técnica de colagens e de letras impressas, pelo que o quadro se tornou um tableau objet, uma obra de arte total, deixando de ser apenas uma pintura, mas também uma escultura. Assim, era caracterizado

pela simplificação das figuras e do espaço, que agora se tornavam reconhecidos, e pela acumulação de planos cada vez mais esquematizados, aproximando-se da abstração.

O abstracionismo surgiu em 1910 com uma pintura de Wassilly Kandinsky, e afirma-se como a

corrente mais duradoura das vanguardas artísticas do século XX, uma vez que tinha várias correntes. Este caracteriza-se por ser uma arte não representacional, ou seja, não pretendia representar uma realidade concreta mas abstrata.

Uma destas é o abstracionismo lírico, que surgiu da iniciativa de Kandinsky, e foi inspirado pelo expressionismo do Grupo O cavaleiro azul. Esta vertente do abstracionismo caracterizava-se pela utilização de formas e cores abstratas e subjetivas destinadas à perceção sensorial, isto é, capazes de despoletar diferentes sentimentos no público. Assim, a linguagem abstrata era considerada uma linguagem universal, aproximada à música, uma vez que as abstrações de cor e de forma atuavam diretamente na alma. Assim, na criação da obra o pintor recorria à representação da sua interioridade e a uma composição meticulosa composta por uma combinação de cores e formas.

O abstracionismo geométrico teve o seu expoente máximo com Piet Mondrian que, inspirado

pelo cubismo, procurou expressar a verdade essencial e inalterável das coisas, isto é, através da

representação abstrata de elementos, representar uma realidade pura, numa nova dimensão estética, conhecida por neoplasticismo, que tinha também uma função social. Assim, este defendia que o pintor não devia representar a sua interioridade, emoções e sentimentos, mas procurar verdades universais, valores últimos essenciais e permanentes da realidade, como forma de construir um mundo melhor. Dessa forma, na corrente do neoplasticismo, este eliminou na obra de arte toda a emotividade pessoal e tudo o que é efémero ou acessório para atingir uma pintura liberta de tudo o que não é essencial e cingida aos elementos básicos, a linha, cor, composição e espaço bidimensional, para atingir a perfeição e a verdade suprema. Assim, este criou uma arte racional e profundamente matematizada feita de linhas retas e figuras geométricas elementares, como quadrados e retângulos preenchidos por manchas de cor, organizados de forma rigorosa, de forma a ultrapassar o mundo físico e atingir um mundo mental.

O futurismo nasceu em Itália, e apareceu em 1909 com a publicação do Manifesto Futurista de

Marinetti num jornal parisiense, tendo surgido primeiro na literatura e só depois nas artes plásticas, arquitetura, música e cinema. Este movimento define-se como uma nova poética que pretendia combater a arte tradicional e exaltar a vida moderna, a civilização industrial, a máquina, velocidade, as cidades, os novos meios de transporte e a guerra.

Na pintura só surgiu em 1910 aliado ao manifesto dos pintores futuristas, e pretendia afirmar as vida moderna e as novas energias. Quanto as suas influencias, em termos emocionais aproxima-

se do expressionismo, e em termos pláticos do cubismo.

Tendo em conta que este movimento artístico fazia a apologia da máquina, da velocidade, da luz e do dinamismo, pode-se afirmar que tinha como temáticas a representação destes conceitos e da vida moderna, e para atingir os seus ideais, negavam todos os valores do passado, reivindicado exclusivamente o futuro, pelo que fugiam das regras académicas. Assim, estes recorriam à composição geométrica das formas dispostas em ângulos agudos e linhas sinuosas que conferiam dinamismo à obra. Para além disso, utilizavam traços de cor ppura para simular a velocidade, a técnica do divisionismo da cor, utilizando cores fortes e contrastantes, pelo que a cor e a luz eram valorizados de forma a transmitir ação e emoções fortes. Para além disso,

influenciados pelo cubismo, utilizavam a interpenetração de planos, isto é, a utilização de vários planos de um mesmo objeto para dar o efeito de simultaneidade e de movimentação no tempo, isto é, a 4ºdimensão, pelo que para tal, repetiam as imagens de maneira sobreposta para construir uma espécie de sequencia fílmica.

Nesta tendência, destaca-se Boccioni, Balla, Cará e Severini.

O dadaísmo foi um movimento artístico, cultural e filosófico de grande abrangência que surgiu em 1916 em Nova Iorque e Zurique simultaneamente pelas mãos de um grupo de jovens que queriam fugir ao recrutamento militar, e afirma-se como um protesto contra uma civilização que não conseguiu impedir a guerra. O seu nome deriva da palavra dada, e pretendia negar os conceitos de arte e objetos, bem como toda a civilização artística, e as técnicas das academias, anulando o conceito de arte, pelo que se afirmava como anti arte.

Este movimento defendia que a arte deveria ficar solta das amarras do racionalismo e deveria combinar elementos ao acaso, negando toda a cultura, e afirmando o absurdo, a desordem, o caos e a incoerência de forma a chocar o publico mais ligado aos valores tradicionais, libertar a imaginação e regenerar a sociedade. Destaca-se as técnicas da assemblage, ready-made e composições ao acaso.

Desta forma, esta arte opõe-se a todo o equilíbrio, sendo uma arte espontânea e trabalhada ao acaso que junta diferentes formas de expressão. Esta combinava o pessimismo irónico e a ingenuidade radical, optando pela improvisação, e era profundamente niilista, pelo que para cumprir os seus objetos, procurou representar temáticas provocatórias, explorando conteúdos insólitos e aparentemente sem sentido-non sense. Neste ramo destaca-se Tristan Tzara, Marcel Duchamp, Man Ray e Max Ernst. Esta influenciou vários movimentos artísticos da 2ºmetade do século XX, como o Happening, a Pop Art e a Arte Concetual.

O surrealismos surgiu em França em 1927, e foi um movimento artístico e literário que se desenvolveu a partir do programa estético de André Breton, exposto no Manifesto do Surrealismo, e reflete o período que se vivia na Europa entre as 2 guerras. Este tem influencias de Bosh ou Goya, e procurou desenvolver uma representação figurativa de seres e objetos estranhos em espaços ambíguos e impossíveis acentuados por uma luz misteriosa, mas também do movimento Dada, ao qual foi buscar o humor, o insólito e grotesco, a ironia e a contestação dos códigos artísticos convencionais, e pela teoria da psicanálise de Freud, pois enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa.

Dessa forma, o surrealismo propunha-se a restaurar os sentimentos humanos e o instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística, pelo que o Homem devia ter uma visão total de si mesmo. Assim, afirma-se como uma reação à cultura Ocidental, isto é, ao seu racionalismo e convencionalismo, defendendo uma maior liberdade e irracionalidade, recorrendo ao sonho, metáfora, inverosímil e insólito para separar o espírito da matéria.

Algumas das técnicas utilizadas neste movimento artístico eram escrever e desenhar em estado semi-hipnótico, trabalhar sobre a influencia de fome, álcool ou drogas para ter alucinações, discursos ditados durante o sono ou relatos de sonhos, e jogos de perguntas e respostas em simultâneo para se chegar a algo surpreendente.

Este traduziu-se em 2 correntes distintas, o automatismo psíquico, ou livre associação, que consistia na correspondência imediata entre o inconsciente e a ação pictórica através de um exercício espontâneo e aleatório para exprimir as profundezas do inconsciente, como era o caso

de Marx Ernst, André Masson e Joan Miró, e a via onírica, uma temática oriunda do mundo dos sonhos em associações figurativas incongruentes, enigmáticas e bizarras, como Salvador Salí, René Magritte e Yues Tanguy.

Em síntese, pode-se afirmar que as vanguardas alteraram profundamente o mundo das artes, pois romperam com o universo plástico e destruíram os seus conceitos. Assim,

libertaram a representação figurativa, através da distorção das formas, da utilização arbitrária das cores e da utilização de formas abstratas;

destruíram o espaço pictórico, através do desenho a duas dimensões e da desarticulação das regras de figuração e pela introdução da perspetiva da visão plena e simultânea dos objetos, isto é, a sobreposição de planos;

adoção de novos objetos temáticos abstratos ou projetados pelo inconsciente humano, pelo que a pintura se desligou dos temas da realidade sensível

alargamento do universo da pintura através da introdução do conceito de movimento e tempo, isto é, a 4ºdimensão

introdução de um conjunto vasto de novos materiais artísticos

Á semelhança do que aconteceu nas artes plásticas, também se verificou uma revolução no campo das letras que pôs em causa os valores e tradições literárias.

No inicio do século XX, a nível temático, verificou-se a libertação da obra literária da realidade concreta, pelo que as obras se voltaram para a vida psicológica e interior das personagens, como é exemplo a obra “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust. Também houve quem defendesse a liberdade total do ser humano, rejeitando as regras da moral, família e sociedade, como é o caso de André Gide.

Já a nível das formas de expressão, da linguagem e construção frásica também houve várias alterações como os poemas caligramados de Apolinaire, os poemas dadaístas na poesia, ou os escritos automáticos de Paul Éliard e André Breton, do surrealismo.

Estas correntes romperam convicções e abriram portas a obras de grande valor como Ulisses, de James Joyce, que se desenvolve num monólogo interior que interceta o passado e o presente, quebrando a lógica narrativa tradicional.

Objetivo 5: Portugal no pós-guerra + Arte

Nos finais do século XIX instalou-se em Portugal um grande descontentamento social que se deveu, sobretudo, a grave crise económica e financeira que se abateu sobre a Europa, afetando também o país, o que originou inúmeras greves e manifestações.

Quanto a agricultura, esta era atividade predominante em Portugal, e, no entanto, apresentava um nível de desenvolvimento menor que os restantes países da Europa, tanto em qualidade como em quantidade, manifestando-se uma agricultura deficitária. Já na industria, como Portugal era um país pobre limitava-se apenas às áreas de Lisboa e Porto, e estava muito pouco desenvolvida, tendo uma pouca capacidade de produção. Por estas situações, Portugal apresentava, nesta altura, uma situação económica desfavorável marcada por uma balança comercial deficitária e em grandes dividas para com o estrangeiro.

Por essa forma, as camadas mais pobres da população viram os seus rendimentos e qualidade de vida diminuir. Apesar do proletariado ser o grupo social com cada vez mais dificuldades financeiras, por se ver cada vez mais pobres, este trabalhava mais de 10 horas por dia, com salários baixos e sujeitos a acidentes e despedimentos, tendo condições de vida miseráveis, onde o trabalho infantil se manifestava como uma das poucas opções das famílias para sobreviver. Mas também a classe média viu os seus rendimentos a diminuir, e, devido ao aumento dos preços e dos impostos, alguns chegaram mesmo a entrar em falência, o que gerou o descontentamento por parte da população. Apenas a Alta Burguesia se contentava com a situação económica do país, não tendo sofrido os efeitos da crise. Dessa forma, estes ganharam cada vez mais influencia e riqueza, e usufruíam de condições de vida luxuosas, perpetuando o ócio através da participação em atividades como cafés, teatros e óperas.

Perante o clima de insatisfação por parte das camadas mais pobres, em 1876 surgiu o Partido Republicano Português, apoiado pelo povo e pela alta burguesia, que viu os seus ideais difundirem-se rapidamente. Este aproveitou a situação do reino para atacar a monarquia e ganhar influencia.

Outro acontecimento, que em 1890 pareceu reforçar o poder do Partido Republicano foi o Ultimato Britânico, no qual, a cedência do rei perante a existência dos territórios do Mapa Cor de Rosa, foi vista como um ato de humilhação e cobardia. Com o acumular da situação, deu.se a 1º tentativa de derrubar a monarquia e implantar a Republica no que ficou conhecido por “Revolta de 31 de Janeiro que, apesar de não ter sido bem sucedida pois os revoltosos foram travados pela Guarda, constituiu o 1ºpasso para a instituição do novo regime politico.

Face a situação de instabilidade social do país, o Rei nomeou João Franco para governar segundo uma ditadura administrativa, na qual se dissolveu o Parlamento, e se instituiu a Censura à Imprensa. No entanto, esta situação não pareceu acalmar os ânimos pois, com toda a tensão em que se vivia deu-se um atentado contra o rei e a Família Real, pelo que em 1908, o Rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro D. Luis Filipe foram assassinados, levando ao trono D. Manuel II, com apenas 18 anos. Este afastou João Franco do Poder e restabeleceu as instituições democráticos, não procurando travar os futuros acontecimentos.

Como tal, o Republicanismo continuou a crescer, pelo que na madrugada de 4 de Outubro de 1910 estalou uma revolução em Lisboa levada a cabo por militares de baixa patente auxiliados por populares. Esta espalhou-se rapidamente por todo o país sem encontrar oposição. Assim, com a proclamação da Republica, D. Manuel viu-se afastado do poder e refugiou-se em Inglaterra.

Com a Implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, instituiu-se em Portugal pela primeira vez, um regime politico com características diferentes à monarquia. Neste novo sistema politico, o chefe de Estado não era o rei, mas o Presidente, ao qual competia o poder executivo, e cujo poder estava limitado pela lei, e este era eleito pelo povo. No entanto, nos inícios do novo regime, foram os dirigentes do Partido Republicano que tomaram a liderança do país, formando um Governo Provisório liderado por Teófilo Braga, e trataram dos preparativos para as eleições para a Assembleia Constituinte, responsável pela elaboração da constituição. A nova constituição era a Constituição de 1911 e instituía o sistema de Democracia Parlamentar, que assentava na divisão dos poderes do Estado. Assim, o poder legislativo cabia ao Parlamento, o poder executivo ao Presidente da Republica e ao Governo, e o poder judicial aos tribunais. O Primeiro presidente foi Manuel de Arriaga.

Com a República, surgiram novos símbolos para a promover, com uma nova moeda, o escudo, que substituía o rei, uma nova bandeira, e um novo hino, a Portuguesa.

A Primeira República instituiu um novo conjunto de medidas de carater religioso, educativo e social.

Ao nível da religião, deu-se a separação da Igreja e do Estado, também designado de Anticlericalismo, ou laicização do Estado-. Neste domínio, aplicou-se a Lei da Separação do Estado da Igreja, regulamentou-se o divórcio e a obrigatoriedade do Registo Civil, proibiu-se o ensino religioso nas escolas, e expulsaram-se as ordens religiosas.

Ao nível da educação fizeram-se muitos investimentos que acabaram por ter resultados pouco visíveis pois a taxa de alfabetização continuava muito alta. Neste domínio, criaram-se Jardins Escolas, Escolas Primárias e ainda Escolas Técnicas e fundaram-se as universidades de Lisboa e do Porto. Para além disso instituiu-se a obrigatoriedade do Ensino Primário, desenvolveu-se a formação de professores, e criaram-se bibliotecas itinerantes.

Por fim, ao nível social, diminui-se os horários de trabalho diário, estabeleceu-se o descanso semanal obrigatório, regulamentou-se a creve, e criou-se um seguro social. Estas medidas beneficiaram o operariado, no entanto, a classe média viu-se prejudicada.

Decadência da Republica

Apesar da instituição da República, a situação politica, económica e social portuguesa continuou sem melhorar, pelo que as dificuldades económicas continuaram a existir e Portugal mantinha uma balança deficitária, a instabilidade governativa instituiu-se, pelo que em 16 anos de regime houve 45 governos, gerando a discórdia e desordem, o anticlericalismo gerou a hostilidade da igreja e do país conservador e católico face ao novo governo que em nada beneficiou a situação. Estes fatores, somados à participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial revelou-se fatal.

Em 1969n Portugal entrou na Guerra, integrando a causa dos Aliados com o objetivo de defender as suas colónias e prestar auxilio a Inglaterra, o que apenas acentuou o descontentamento social e o desequilíbrio económico. Tal derivou do facto da guerra ter gerado mais despesas para o país, com as fardas e armamentos, o que gerou o aumentou da dívida publica e dos impostos, juntamente com o racionamento dos bens de consumo, pelo que o país procedeu à multiplicação da massa monetária em circulação, o que desvalorizou a moeda e provocou a inflação dos preços que se mantiveram mesmo após a guerra. Este fator, juntamente com o elevado numero de mortos, feridos e inválidos apenas aumentou o descontentamento social, pelo que, os grupos sociais menos ricos, como a classe média e operária ficaram ressentidos com o sistema republicano.

A Guerra trouxe consigo a instabilidade governativa marcada por constantes mudanças de

governo, tendo existido em apenas 16 anos, 45 governos e 8 presidentes. Tal provocou a instabilidade política, pelo que o Partido Republicano se desfez e formou novos partidos rivais devido à divergência de ideias, o que provocou várias conspirações e mesmo cenas de pancadaria, que incentivaram a agitação social e o descontentamento cada vez mais notório que

se traduziu no aumento das greves e manifestações. Para tentar resolver o problema, até 1926 a

República Portuguesa enveredou por vários caminhos, tendo-se em 1915 instituído uma ditadura militar pelo general Pimenta de Castro, em 1917 a ditadura por Sidónio Pais, tendo-se destituído o presidente e o congresso, e o major instituiu-se presidente por eleições diretas, apoiando-se nas forças conservadoras da sociedade, para fundar o que ele designava de uma “Nova Republica”, até ser assassinado. Após o sidonismo, em 1919, deu-se uma guerra civil, e ensaiou-se mesmo uma Monarquia do Norte, proclamada no Porto. Nesse mesmo ano voltou-se ao funcionamento das instituições democráticas, mas a instabilidade manteve-se, somada a atos de violência, como no caso da Noite Sangrenta, marcada pela morte do anterior chefe de

Governo António Granjo, e de heróis do 5 de Outubro como Carlos da Maia e o almirante Machado Santos.

Perante todos estes problemas, os opositores à República reorganizaram-se, aproveitando-se das fraquezas do novo regime para suportar a sua causa. Entre os opositores destacou-se a Igreja que, revoltada com o anticlericalismo e ateísmo republicano, apoiou-se no Centro Católico Português, contando com o apoio agrário, conservador e católico, e das Aparições de Fátima em 1917 que ajudaram na causa da Igreja Católica. Para alem disso, também os grandes proprietários e capitalistas, ameaçados pelo surto grevista, apoiaram-se no tema da ameaça bolchevista, tendo criado a Confederação Patronal, e mais tarde a União dos Interesses económicos. Por fim, os outros opositores à Republica eram a classe Média, devido ao medo do bolchevismo e da constante instabilidade, pelo que estes apoiavam um governo forte que restaurasse a paz e tranquilidade e devolvesse o desafogo económico, a ideia dos regimes autoritários. Assim, perante os ideais antidemocráticos e antiparlamentaristas que iam surgindo em Portugal, esta viu-se uma presa fácil das soluções autoritárias.

Apenas o Partido Democrático e dos Sindicalistas defendiam a Republica, o que explica a facilidade com que a 1ºRepublica caiu com o Golpe Militar de 28 de Maio, pelo que a intervenção do exército se revelou como uma resposta aos problemas da instabilidade militar.

Fim da 1ºRepublica

A 28 de Maio de 1926 eclodiu em Braga uma revolta militar liderada pelo General Gomes da

Costa e pelo general Óscar Carmona, com o objetivo de incentivarem o Presidente da República

Bernardino Machado a destituir o governo, cuja recusa iniciou a revolução. A esta aderiu o exército de todo o território nacional, tendo sido um movimento de carater exclusivamente militar que pretendia integrar o exército na política para resolver os problemas da Administração Pública, tendo estes conquistado o poder.

Assim, deu-se a demissão do Governo, do Parlamento e do Presidente da República, tendo-se instituído então uma ditadura militar. O novo governo procedeu então à abolição de toda as leis que beneficiavam particulares, e tentaram acabar com os escândalos administrativos. Ao nível religioso procuraram acabar com as hostilidades com a Igreja e instituir a liberdade religiosa, mas escolas particulares e assegurar a personalidade jurídica da igreja. A nível social, tentaram colaborar com a classe operária na luta por melhores condições de vida.

Modernismo em Portugal

Enquanto que na Europa, nas primeiras décadas do século XX as vanguardas artísticas eram privilegiadas, em Portugal a corrente naturalista ainda reunia as preferências do público, das instituições oficiais e da crítica, pelo que a arte académica continuava a explorar as cenas da vida popular.

Apesar dos políticos republicanos se revelarem conservadores, a República acabou por propiciar

os primeiros sinais de mudança nos gostos e padrões estéticos, pois defendia o debate

ideológico, o livre exame e a crítica, pelo que a partir de 1910 surgiu um grupo de jovens artistas e intelectuais defensores da estética modernista, que tentaram renovar a cultura portuguesa através de experiencias cubistas, futuristas, expressionistas e abstratas.

Distinguem-se duas gerações modernistas, sendo que a primeira vigorou entre 1911 e 1920, e a segunda após os anos 20.

O primeiro modernismo ficou ligado a um conjunto de exposições livres de artistas como

Almada Negreiros, Cristiano Cruz, Stuart Carvalhais, entre outros. Os seus desenhos eram de carater humoristas, com objetivos de sátira politica, social e anticlerical em enquadramentos urbanos e boémios, utilizando muitas vezes a caricatura. A nível formal são caracterizados pela estilização das figuras, o esbatimento da perspetiva e a utilização de cores claras e contrastantes.

No entanto, com a eclosão da 1ºGuerra Mundial o primeiro modernismo sofreu um impulso notável com o regresso de vários artistas portugueses do estrangeiro, como Amadeu de Souza Cardoso, Santa-Rita, e o casal francês Robert e Sonia Delauney. Estes regressos criaram em Portugal 2 polos ativos de criação artística, em Lisboa e no Norte. Com a publicação da revista Orpheu o modernismo demonstrou a sua faceta mais inovadora e polémica, a do futurismo, que deixou o país escandalizado devido às dissertações agressivas aqui publicadas. Qie propunham um corte radical com o passado e incentivando os Portugueses à glória.

A agitação futurista culminou em 1917 com a apresentação do Ultimatum futurista às gerações

portuguesas do século XX de Almada Negreiros, e pela publicação da revista Portugal Futurista. No entanto, o regime republicano não apoiou este movimento, pelo que o movimento futurista não durou muito tempo. O primeiro modernismo acabou então com a morte de alguns dos seus principais representantes, do regresso de Delauney a França e da partida de Almada para Paris.

Nos anos 2º e 30 decorreu um novo ciclo no movimento modernista que continuou a conciliar as letras com as artes plásticas. Distinguiram-se Sarah Afonso, Carlos Botelho, Abel Manta, e o regresso de Almada ao país. Assim como no primeiro modernismo, as revistas permitiram a divulgação deste movimento, como a Contemporânea e a Presença e a Ilustração Portuguesa. Mais uma vez também, os artistas continuaram a deparar-se com a rejeição dos organismos oficiais, pelo que só através de exposições independentes, e dos cafés e clubes é que conseguiram afirmar-se.

Em 1933, António Ferro, simpatizante dos modernistas, assumiu a direção do Secretariado de Propaganda Nacional, pelo que o modernismo português foi utilizado ao serviço do Estado para engrandecer o Regime do Estado Novo.

Na primeira década do século XX, a escultura, à semelhança do que aconteceu com a pintura, ficou marcada pelo Naturalismo, destacando-se o caso de Teixeira Lopes. No entanto, na década de 20 começou a manifestar-se as tendências modernistas nesta modalidade, em escultores como Francisco Franco, Diogo Macedo e Canto da Maia. Este expressou-se na simplificação geométrica das formas e volumes, na busca da sensibilidade plástica e na facetação das superfícies. No entanto, nas décadas de 30 e 40 esta ficou subordinada ao regime.

Já na arquitetura, o modernismo iniciou-se na década de 20 com Cristino da Silva, Carlos Ramos, Pardal Monteiro, Cotinelli Tempo e Cassiano Branco. Este manifestou-se na utilização de betão armado, no predomínio da linha reta sobre a curva, no despojamento decorativo das paredes e na utilização de grandes superfícies de vidro. No entanto, também na década de 30 e 40 ficou subordinada ao Estado Novo graças à política de obras públicas empreendida.

Objetivo 6: Grande Depressão e o seu impacto social

Até meados dos anos vinte, vivia-se nos Estados Unidos da América um clima de prosperidade económica em que as pessoas tinham esperança no fim da miséria e do desemprego, mas em que se verificou simultaneamente vários avanços nos campos das tecnologias e da produção que incentivou à massificação da sociedade e dos seus costumes, bem como da melhoria das qualidades de vida, enraizando o sonho americano (american dream) na mentalidade da população ocidental.

No entanto, a era da prosperidade revelou-se precária, uma vez que algumas indústrias, como o caso da de carvão, de construção naval e a têxtil, revelavam-se precárias devido à crise de 1920, mas também devido manutenção do desemprego crónico resultante da intensa mecanização. Para além disso, com o consumismo desenfreado, as pessoas recorriam ao crédito fácil e barato processado pelos bancos para comprarem os bens que pretendiam, como automóveis, eletrodomésticos, casas, o que, somado à compra de ações de empresas por crédito, por parte dos americanos que depois investiam na bolsa onde a especulação crescia, isto é, as empresas supostamente eram muito mais valiosas do que o que se verificava realmente, provocou a instabilidade na economia. Tal derivou do facto dos bancos começarem a perder muito dinheiro, o que somado ao desemprego crónica, as pessoas deixaram de ter poder económico, diminuindo as compras, o que, na sociedade consumista do século XX onde privilegiava a produção em massa levou à falência de muitas empresas que se viram sem compradores e com os seus stocks acumulados, verificando-se uma crise de superprodução.

Dessa forma, como os americanos tinham muito pouco poder económico e as empresas tinham grandes stocks acumulados, o mercado encontrava-se saturado e os preços caíram a pique, o que provocou a falência de inúmeras empresas que anteriormente tinham as suas ações em valores muito especulativos quando, a 24 de Outubro, conhecida por “Quinta Feira Negra” milhões de títulos das empresas foram postos no mercado a preços baixíssimos e ficaram sem comprador, pelo que ações anteriormente valiosas se tornaram meros papeis sem valor. O mesmo se voltou a suceder a 29 de Outubro de 1929 no que ficou conhecido por “crash” da bolsa de nova Iorque.

Como as ações tinham sido adquiridas a crédito, e muita gente ficou na ruina sem conseguir pagar as dividas ao banco, o que levou à instituição de uma crise bancária que provocou a falência de milhares de bancos que viram os seus depósitos levantados, e portanto não se conseguiam recuperar. Tal situação provocou a paralisação da economia, pois a sua base de sustento, o crédito, tinha cessado. Como tal, várias empresas decretaram falência, e o desemprego disparou para 12 milhões de pessoas, seguindo-se a diminuição intensa da procura, dos preços e dos lucros por todas as áreas da economia, tendo-se hipotecado quintas e errâncias de várias famílias que permaneceram na miséria. Assim, sem quaisquer condições surgiram bairros de lata pois devido ao desemprego as famílias não tinham dinheiro para pagar as suas rendas , e muitos recorriam a caridade para conseguir sobreviver, como a exércitos de salvação, igrejas, abrigos, o que fomentou a delinquência, a corrupção e o surgimento dos gangster, pelo que o sonho americano parecia desmoronar-se devido à situação de deflação americana, marcada pela diminuição dos preços, dos investimentos e da procura e pelo aumento do desemprego, e surgem de medidas impostas pelo estado para combater a inflação dos meios de

pagamento e dos preço através da diminuição da quantidade de papel moeda, das restrições ao crédito, e da redução dos gastos do Estado.

A Grande Depressão Americana de 1929 propagou-se às economias dependentes dos Estados

Unidos, mais concretamente, aos países fornecedores de matérias primas, isto é, aos países subdesenvolvidos que deixaram de conseguir vender os seus produtos e matérias primas, mas também aos países industrializados cuja reconstrução se baseava nos créditos americanos, como

no caso da Áustria e da Alemanha, ou que se afirmavam os seus principais compradores, no caso dos países Europeus.

A

mundialização da crise resultou do facto dos EUA, para protegerem a sua economia, retiraram

os

capitais americanos da Europa, aumentando as taxas sobre as importações, o que gerou

dificuldades económicas aos outros países que ficaram sem capacidades económicas para adquirir a produção americana. Para alem disso, aumentaram os impostos para arranjar receitas novas para o orçamento, e restringiu-se o crédito para que desaparecessem as empresas não rentáveis, instituindo-se um ciclo vicioso da conjuntura deflacionista em que a diminuição do consumo gerava a queda dos prelos e da produção, a falência de empresas, o desemprego, e novamente, a diminuição do consumo. Dessa forma, a crise americana divulgou-se para o mundo, afetando bastante os países da Europa que ainda não se haviam recuperado da crise pós- guerra, especialmente sobre a Alemanha.

Intervencionismo do Estado

A crise deflacionista de 1929 revelou as fragilidades do capitalismo liberal, pois até então

acreditava-se na livre iniciativa, na livre produção e na livre concorrência como capazes de proporcionarem a riqueza social e que as crises cíclicas eram meros reajustamentos naturais entre a oferta e a procura e que se resolveriam sem a intervenção do Estado nas atividades

económicas.

No entanto, esta crise revelou o contrário devido à sua grande proporção e mundialização, pelo que o economista Britânico John Keynes duvidou da capacidade autorreguladora da economia capitalista e chamou a atenção para a necessidade de um maior intervencionismo por parte do Estado, tendo também criticado as politicas deflacionistas que até ai haviam sido instituídas pelo Presidente Hoover para evitar as despesas do Estado, como as restrições às importações, o aumento dos Impostos e a redução dos salários da saúde publica. Apesar destas terem o objetivo de aumentar as receitas do Estado, acabaram por criar dificuldades à resolução da crise e à realização de investimentos pois, como as pessoas já não tinham poder de compra graças à redução dos salários e ao aumento dos impostos, estes apenas diminuíam mais os rendimentos da população que tinham cada vez menos capacidades para comprar os produtos, e portanto, estas medidas não surtiram o efeito desejado, porque o mercado continuava saturado, e as pessoas demasiado pobres para comprar o que quer que fosse.

Pelo contrário Keynes defendia que a Intervenção do Estado na Economia poderia ocorrer de maneira moderada, mantendo os regimes democráticos, ou mais forte, através do estabelecimento de regimes ditatoriais, como no caso de Itália, Portugal, Espanha e da Alemanha, que controlariam todos os aspetos do Estado, incluindo o setor económico. Defendia também a inflação controlada, ou seja, uma politica de investimento de ajuda às empresas que ajudaria a combater o desemprego e relançaria a procura e a produção de bens.

Em 1932, os EUA elegeram um novo presidente, Franklin Roosevelt que, influenciado por Keynes, procurou tirar o país da crise através da intervenção do Estado na economia americana, através de um conjunto de medidas conhecidas por New Deal que, numa primeira fase, tinham o

objetivo de relançar a economia e lutar contra o desemprego e a miséria, pautando-se, resumidamente, pela construção de grandes obras públicas, pelo controlo da produção e pela atribuição de subsídios.

Numa primeira fase, o presidente impôs medidas financeiras rigorosas, como o encerramento temporário de instituições bancárias, o dólar abandonou o padrão ouro, sofrendo uma desvalorização que baixou as dividas externas e fez subir os preços.

Para diminuir o desemprego, este apostou numa política de grandes trabalhos, como a construção de estradas, aeroportos, habitações e escolas, e barragens. Para além disso, criou campos de trabalho para os desempregados mais jovens e alterou o horário semanal para 40 horas.

Procurou também diminuir a produção, para salvaguardar de novas crises de superprodução. Para tal, através da Lei AAA (Agricultural Adjustement Act) estabeleceu a proteção à agricultura, através da indemnização aos agricultores para que estes reduzissem, as áreas cultivadas. Procurou também proteger a Industria e o trabalho industrial (NIRA) através do estabelecimento dos níveis de produção, fixando os preços mínimos e máximos de venda, bem como quotas de produção destinadas a evitar a concorrência desleal, para além de garantir um salario mínimo e liberdade sindical aos trabalhadores.

Na 2ºFase do New Deal, que ocorreu entre 1935 e 1938, Roosevelt procurou aumentar o poder de compra do Estado, instituindo medidas de caráter social. Assim, reconheceu a liberdade sindical e o direito de greve através da lei Wagner. Criou subsídios de desemprego, velhice, doença e invalidez, através do Social Security Act. Para alem disso, instituiu o salário mínimo nacional, aumentou os salários, diminuiu as taxas de juro einstituiu o crédito agrícola para o pagamento de dividas. Foi nesta fase que o Governo Americano assumiu a plenitude dos ideais do Estado Providência, ou seja, do Estado Intervencionista que promove a segurança social para garantir a felicidade e o aumento do poder de compra dos cidadãos.

Objetivo 7: Totalitarismo

No século XX, o mundo ocidental pautava-se pela aplicação do demoliberalismo, isto é, pela divisão dos poderes do estado e pela supremacia do povo como fonte de poder, bem como pela primazia dos direitos individuais de cada ser humano, como a liberdade e a igualdade. No entanto, com o passar dos anos 20, entre as 2 guerras, o demoliberalismo viu-se confrontado por novos movimentos ideológicos e políticos que assentavam no Estado Omnipotente e Totalitário, resultante, numa fase inicial, pelo aparecimento do comunismo na Rússia, mas, com a decadência da Europa após a 1ºGuerra Mundial, a democracia liberal entrou em crise devido à emergência de autoritarismos na Europa, especialmente em Itália, com o fascismo, e na Alemanha, com o Nazismo.

O aparecimento dos regimes autoritários na Europa resultou das dificuldades económicas que afetaram o continente europeu no após a guerra, somado à crise americana de 1929 e, por fim, pelo crescimento de movimentos como sindicatos e partidos comunistas que assustaram a burguesia que não queria perder s suas propriedades e riqueza, e que a fez apoiar movimentos de extrema direita, movimentos rígidos e autoritários baseados no socialismo que se opunham ao comunismo.

No caso italiano, apesar de este país ter feito parte do grupo vencedor da 1ºGuerra Mundial, ao contrário das principais potencias, acabou por não ver os seus interesses satisfeitos, tendo-se a crise económico manifestado fortemente neste país, o que gerou a agitação social. Assim, em 1919 surgiu o movimento fascista que originou o Partido Nacional Fascista, que, em 1922, liderado por Mussolini, marchou sobre Roma para demonstrar o seu poder.

Já a Alemanha foi a grande derrotada da 1ºGuerra Mundial que acabou humilhada pelos países

vencedores devido às Imposições no Tratado de Versalhes. Em 1920, deu-se a criação do Partido Nacional Socialista (Nazi) de natureza violenta. Em 1923, Hitler tentou um golpe de Estado (o putsh alemão) que fracassou. No entanto, com os efeitos da depressão americana nos anos 30, Hitler foi nomeado para o cargo de chanceler pelo presidente da Alemanha, mas com a sua morte, acumula ainda o cargo de Presidente da República.

O totalitarismo fascista exerceu-se a vários níveis: politico, económico, social e cultural. Assim,

a oposição politica foi aniquilada, as atividades económicas sofreram uma rigorosa

regulamentação, a sociedade enquadrou-se em organizações que a controlava, e o próprio pensamento foi monopolizada pelo Estado.

Os regimes de Extrema Direita dividiram-se, neste caso, no fascismo e no nazismo que, apesar de se guiarem por princípios base semelhantes, seguiram direções diferentes, pelo que enquanto que o fascismo se caracterizou pelo corporativismo, o nazismo pautou-se por um racismo violento e pelo antissemitismo

Assim, o Fascismo era um sistema politico que vigorou em Itália, e era extremamente ditatorial, totalitário e repressivo, que suprimiu as liberdades individuais e coletivas, defendendo a supremacia do Estado, o culto ao chefe, o corporativismo, o nacionalismo e o imperialismo.

o Nazismo era um sistema politico instituído na Alemanha por Hitler que, apesar de partilhar

os

princípios ideológicos do fascismo, destacou-se pelo seu racismo violento, pela defesa da

supremacia da raça ariana e pelo antissemitismo.

De forma geral, os dois sistemas políticos utilizaram a ditadura do partido único, o culto do chefe e da sua personalidade, o recurso ao terror e á força, a policia politica, campos de concentração e extermínio, a propaganda, a supressão das liberdades individuais e o enquadramento da juventude e da população.

Os regimes totalitários caracterizam-se pela oposição ao liberalismo, à democracia parlamentar

e ao socialismo, que defendiam os direitos dos indivíduos. Pelo contrário, os regimes de

extrema direita compreendiam que a grandeza da Nação e a supremacia do Estado estava acima do individuo, desvalorizando-se, portanto, a democracia partidária e o parlamentarismo. Ou seja, este sistema governativo rejeitava as eleições, a divisão do poder nas várias instituições,

defendendo, pelo contrário, a existência de um Partido único e poder do Estado e do chefe, ou seja, que o Estado deveria ser liderado por um chefe segundo uma ideologia oficial, e que este tem controlo total sobre todos os domínios da sociedade. Esta característica designa-se de totalitarismo, um o Estado tinha controlo total sobre tudo, utilizando-se a policia politica e outros meios repressivos para garantir a ordem.

Eram ainda antiparlamentares, na medida em que defendiam que o poder deveria estar no Governo, e não nos parlamentos, pelo que se deu o seu encerramento. No caso italiano, o parlamento é substituído pela Câmara dos Fasci e corporações. Por fim, são antipartidários, poies defendem os interesses particulares, mas também porque proibiram os partidos opositores, criando-se o partido único (Partido Nacional Fascista/Socialista).

Para além disso, reprovam ainda o socialismo, uma ideologia segundo a qual o individuo era a expressão da casse social, e portanto, pode lutar por ela. Assim, os regimes de extrema direita

eram contra o socialismo na medida em que este dividia a nação e enfraquecia o Estado, sendo pelo contrário adeptos do Corporativismo, uma forma de organização socioeconómica que defendia a constituição de corpos profissionais que conciliavam os seus interesses para promover a ordem, paz e prosperidade, bem como a colaboração entre classes. Outra das incompatibilidades do fascismo contra o socialismo era que este primeiro era extremamente nacionalista, o que se opunha aos apelos socialistas ao internacionalismo proletário. Por fim, enquanto que o socialismo defendia a eliminação das desigualdades os fascismos defendiam a superioridade de alguns sobre as minorias.

Para alem disso, ao contrário do demoliberalismo, que defendia a igualdade de todos os homens e do acesso aos cargos políticos, os regimes de extrema direita defendiam que os homens não eram iguais e que a governação politica só devia competir às elites, sendo portanto, regimes elitistas. Assim, havia o culto ao chefe de Estado, considerado um herói da nação que a representava e guiava, mas também a existência de uma raça dominante, como no caso do nazismo, a raça ariana, bem como os soldados, militares e filiados no partido, com exceção das mulheres, que eram consideradas inferiores destinadas apenas às tarefas domésticas e familiares (kinder, kuche, kirche).

Para além disso, os regimes de extrema direta utilizavam normas de enquadramento das massas, para controlar a população, através do fanatismo, do culto ao chefe, do amor pelo desporto, da exaltação pela guerra, do desprezo pelos intelectuais, pela denuncia às autoridades, e especialmente no ensino, para controlar as mentalidades.

Assim, surgiram organizações, tanto na Alemanha, como na Itália, para enquadrar as crianças e jovens e divulgar-lhes os ideais fascistas. Nestas instituições, no caso de Itália, os filhos da loba, balillas, vanguardistas e juventudes fascistas, e da Alemanha, as Juventudes Hitlerianas, os jovens aprendiam o culto do Estado e do Chefe, o amor pelo desporto e pela guerra, e o desprezo pelos valores intelectuais. Também nas escolas os ideais fascistas eram divulgados, pelo que os professores tinham de ser fieis ao regime, e os livros defendiam os princípios totalitários. No entanto, também os adultos deveriam pertencer a organizações defensoras do Estado, tanto ao nível do trabalho, como de tempos livres com atividades recreativas e culturais.

Estes regimes também investiram na propaganda, apoiada nas técnicas audiovisuais, como a imprensa, a rádio e o cinema, controlando todas as produções, e de manifestações e paradas militares para entusiasmar as multidões.

Para garantir o controlo da sociedade e a sobrevivência do totalitarismo, os Estados autoritários recorreram também à repressão social e á violência exercida pelas milícias armadas e pela policia politica. Assim, defenderam o culto da força e a natureza selvagem do Homem, valorizando a Guerra, e portanto, o Anti pacifismo, mas também utilizaram a censura e campos de concentração. No caso italiano, destacam-se os esquadristas,( milícias armadas) e a Policia Politica OVRA. Já na Alemanha, as milícias eram designadas de SA e SS (secções de assalto e secções de segurança), e a polícia politica a GESTAPO, e em 1933, os primeiros campos de concentração onde se encerravam os opositores políticos. Estes meios de repressão permitiram exercer o controlo apertado sobre a população e a opinião publica, vivendo-se um clima de suspeita e de denuncia, em que se incentivava a vigilância mútua.

Por fim, o fascismo, ou em caso mais particular, o nazismo ficou especialmente caracterizado pela negação dos direitos Humanos e pelo Racismo. Inspirado na Teoria Evolucionista de Darwin, Hitler defendia a existência de um povo superior que deveria lutar pela sua sobrevivência e pela dominância do mundo, submetendo e eliminando os povos que considerava inferiores. Assim, Hitler defendia a supremacia da raça ariana, de descendência alemã, caracterizada pela sua elevada altura e robustez, louros e de olhos azuis. Assim, procurou apurar

física e mentalmente a raça ariana, apostando na seleção dos alemães perfeitos e na sua procriação para gerarem uma população com qualidades raciais superiores num espaço vital (Lebensraum), pelo que procederam à anexação de territórios que permitissem a formação deste espaço, apelando ao pangermanismo (união dos povos germânicos), anexando áreas como a Áustria, Checoslováquia e polónia, cujos povos considerava inferiores. Ao mesmo tempo, procederam à eliminação dos indivíduos alemães com deficiências mentais, físicas incuráveis, remetendo-os para câmara de gás.

Simultaneamente, procederam à subjugação e eliminação dos defensores de partidos opositores, como comunistas, socialistas e liberais, mas essencialmente dos povos minoritários considerados inferiores, como os ciganos, eslavos, mas sobretudo os judeus, que se revelaram as principais vitimas do nazismo. Estes eram considerados culpados de corromper a economia e sociedade alemã, mas também os principais responsáveis pela derrota alemã na grande guerra, e sofreram de grande discriminação por parte dos nazis.

Assim, em 1933 começaram as primeiras perseguições antissemitas, tendo-se boicotado as lojas judaicas, e proibido a sua ocupação de profissões liberais. Mais tarde, deu-se o segundo movimento antijudaico, com a adoção das Leis de Nuremberga, um conjunto de leis destinadas a proteger o sangue e a honra alemã, evitando a sua contaminação por parte dos judeus. Nestas leis, os judeus foram privados da sua nacionalidade, e proibidos de se relacionar com os indivíduos pertencentes à raça ariana. Já em 1938 procedeu-se à destruição e confiscação das propriedades e bens judaicos, como empresas, lojas e mesmo sinagogas, no que ficou conhecido por noite de Cristal. Também a partir daí, estes deixaram de poder exercer qualquer profissão e foram obrigados a utilizar a Estrela de David como método de identificação, para além de terem sido mandados para guetos onde viviam em condições deploráveis totalmente afastados da comunidade ariana. Por fim, a partir de 1942, na Conferencia de Wansee adotou-se a “solução final do problema judaico”; isto é, instituiu-se uma politica de perseguição e extermínio, onde os judeus, aprisionados nos guetos foram deportados para campos de concentração e trabalhos forçados onde viviam em condições deploráveis, e muitos foram executados e exterminados em câmaras de gás, designando-se de genocídio ou holocausto.

Autarcia

Com os efeitos da crise pós-guerra e da Grande Depressão, os regimes extremistas Italianos e alemães adotaram uma politica económica intervencionista e nacionalista conhecida por autarcia que proponha a autossuficiência económica, e apelava ao heroísmo do povo trabalhador, prometendo o fim do desemprego e a glória da nação. Assim, procuraram estabelecer a recuperação económica, através da proteção a economia nacional face às crises capitalistas, e do controlo sobre a economia. Assim, manteve-se a iniciativa privada colocada ao serviço dos interesses do Estado, estimulou-se o consumo dos produtos nacionais, e procurou-se diminuir as importações através do aumento das taxas alfandegárias

Na Itália, devido ao elevado desemprego, o Estado fascista reforçou a intervenção na economia através do corporativismo que facilitou a planificação económica quanto à aquisição de matérias primas, ao volume da produção e ao tabelamento dos preços e dos salários. Para incentivar à produção, realizaram-se batalhas de produção, como a “Batalha de Trigo” e a da Bonificação, que proporcionou o aumento dos cereais e diminuiu as importações que agravavam o défice comercial, a batalha da lira permitiu estabilizar a moeda, e a da bonificação, recuperar terrenos e criar novas povoações nas zonas pantanosas. Ao nível do comércio, deu-se o aumento dos direitos alfandegários e o controlo das importações e exportações, instituindo-se o protecionismo estatal. Para alem disso, financiaram empresas do setor industrial, e por fim, conquistaram a Etiópia, o que permitiu a exploração de matérias primas, fontes de energia e minerais, bem como a indústria química.

Na Alemanha, prometendo acabar com o desemprego, Hitler chegou ao poder e instituiu uma politica de grandes trabalhos, como autoestradas, pontes e linhas ferras, que permitiu reabsorver o emprego. Até 1939 reforçou a autarcia e dirigismo económico, tendo fixado os preços e conseguindo-se afirmar autossuficiente na produção de cereais, açúcar e manteiga, através do incentivo à produção agrícola. Para alem disso, criou-se um programa de rearmamento que permitiu a afirmação da industria alemã nos setores da siderurgia, química, eletricidade, recorrendo à construção industrial para relançar a industria. Por fim, recorreu ao tabelamento dos preços.

Objetivo 8: Estalinismo

Lenine morreu em 1924, o que originou acesas disputas no Partido Comunista devido à questão da sucessão, tendo esta sido vencida por Estaline, secretário geral do Partido. Este tornou-se então chefe incontestado da União Soviética, e procurou construir uma sociedade socialista e transformar o Império Russo numa potência mundial, através de várias medidas como a coletivização dos campos, da planificação económica, e do totalitarismo repressivo do Estado.

A coletivização dos campos, isto é, a nacionalização dos campos foi considerada uma etapa

imprescindível para o avanço da industria pois libertaria mão de obra para as fábricas e forneceria alimentos para os operários. Esta medida prejudicou os kulaks (pequenos proprietários) cujo gado e terra foram confiscados, e muitos foram executados ou deportados para a sibéria.

As novas quintas coletivas designavam-se kolkhozes, e eram as antigas aldeias, pelo que os camponeses tinham que entregar as suas terras e instrumentos à coletividade, sendo que uma parte da produção ficava para o Estado, e o restante era distribuído pelos camponeses de acordo com o trabalho efetuado. Para assegurar o controlo politico dos campos, criaram-se Estações de Máquinas e tratores, que alugavam máquinas e técnicos aos kolkhozes. Existiam ainda Solkhozes, quintas pertencentes ao Estado na qual trabalhavam trabalhadores assalariados. Apesar da resistência à coletivização, os seus resultados revelaram-se satisfatórios.

Já a planificação industrial desenvolveu-se segundo a planificação da economia, na qual foram

estabelecidas metas para a produção.

O 1ºplano quinquenal (1928-1932) procurou incrementar a indústria pesava e quase que levou

ao desaparecimento do setor privado, tendo-se nacionalizando as empresas. Este plano tinha ainda como objetivo, o desenvolvimento dos transportes e da indústria, através da instituição de medidas coercivas, como o despedimento sem aviso prévio, cadernetas etc para aumentar a produtividade e fixar operários, para além de ter recorrido a técnicos estrangeiros e apostado na formação de especialistas, e promoveu investimentos.

O 2º plano quinquenal (1933-1937) procurou desenvolver a industria ligeira, têxtil e de bens de

consumo, e da criação de gado.

Já o 3º plano quinquenal iniciou-se em 1938 e priveligiou a industria química, pesada e

hidroelétrica, mas viu-se interrompida pela 2ºGuerra Mundial.

O Estado Estalinista, revelou-se omnipotente e totalitário procedendo, assim como os regimes

de extrema direita, à repressão, à utilização da violência, e ao enquadramento dos jovens e adultos para reforçar os ideais do Estado e controlar a sociedade. Assim, os jovens tinham de participar em Juventudes Comunistas, e os trabalhadores deveriam estar filiados nos sindicados do Partido Comunista. Para além disso, através do Centralismo Democrático, apenas o Partido Comunista monopolizava o poder politico, controlando os Órgãos de Estado, e da economia

através da coletivização dos campos e da planificação. Para alem disso, instituiu-se o culto à personalidade do chefe de Estado, Estaline, que toda a gente respeitava e não ousava resistir. A ditadura assentava então numa politica de repressão brutal levada a cabo pela Policia Politica, a NKVD, por purgas, depurações, execuções, processos políticos e deportações para os campos de trabalhos forçados, mais concretamente os Gulag.

A politica económica de Estaline impulsionou o desenvolvimento da URSSS que se

transformou numa potencia mundial, graças ao desenvolvimento técnico dos processos produtivos da agricultura e da industria, ao aumento da produtividade, e a criação de infraestruturas ao nível da habitação, higiene, saúde e ensino.

Arte e cultura ao serviço dos regimes totalitários

Para reforçar a autoridade do Estado, os governos autoritários procuraram colocar a cultura ao poder. Assim, a arte, a literatura e o cinema foram incumbidos da missão de exaltarem as conquistas dos regimes autoritários e de contribuírem para a educação das massas, utilizando uma linguagem básica e acessível, facilmente compreensível por todos, como o realismo, especialmente na URSS. Neste país, o regresso à representação figurativa assumiu desde logo uma vertente politica batizada de realismo socialista, que provocou o desvanecimento do vanguardismo russo, abafado pelo rígido controlo estatal. Em 1932, todos os trabalhadores criativos soviéticos foram obrigados a agruparem-se em uniões de criadores de cada área, pelo que ninguém podia exercer a sua atividade fora destas associações, responsáveis pelo estabelecimento dos parâmetros a seguir. Este realismo procurava refletir a alegria e otimismo da nova sociedade e a excelência dos dirigentes, pelo que os temas ficaram limitados à pintura histórica, as cenas que evocavam o mundo socialista, ou a retratos que exaltavam os lideres de regime.

Este carater propagandista da cultura verificou-se também no regime nazi, tendo-se adotado uma politica anti modernista. Assim, obras de vanguarda foram retiradas dos museus e os seus defensores foram destituídos. A criação artística foi também posta ao serviço do nazismo para exaltar os preceitos da raça ariana, a força e felicidade do novo regime.

Já o fascismo italiano revelou-se mais moderado, e limitou-se a proteger os artistas que lhe são

favoráveis. Assim, apesar de não dispor de instituições oficiais de controlo, exigia apenas que os pilares fascistas não fossem postos em causa.

Em todos os regimes totalitários verificou-se o regresso à arquitetura neoclássica de dimensões grandiosas, imponente, compacta, de grande estabilidade.

Também o desporto foi utilizado para fins propagandísticos, pois era um espetáculo de massas, pelo que os atletas serviam de modelo do homem que os estados totalitários procuravam criar. Mas mesmo os países democráticos não fugiram a politização do desporto. Assim, a internacionalização das competições, impulsionada pelos jogos olímpicos, permitiu estabelecer a comparação entre atletas de vários países, e suscitavam sentimentos fortemente nacionalistas, pelo que a vitória dos atletas se tornava na vitória da nação. Como exemplo da politização desportiva salienta-se os jogos olímpicos de Berlim, nos quais Hitler procurava estabelecer a glória dos atletas germânicos e o seus enho viu-se destruído pela vitória de Jesse Owens, um americano negro.

Objetivo 9: Resistência das democracias liberais REPETIÇÃO DO INTERVENCIONISMO DO ESTADO

Intervencionismo do Estado

A crise deflacionista de 1929 revelou as fragilidades do capitalismo liberal, pois até então acreditava-se na livre iniciativa, na livre produção e na livre concorrência como capazes de proporcionarem a riqueza social e que as crises cíclicas eram meros reajustamentos naturais entre a oferta e a procura e que se resolveriam sem a intervenção do Estado nas atividades económicas.

No entanto, esta crise revelou o contrário devido à sua grande proporção e mundialização, pelo que o economista Britânico John Keynes duvidou da capacidade autorreguladora da economia capitalista e chamou a atenção para a necessidade de um maior intervencionismo por parte do Estado, tendo também criticado as politicas deflacionistas que até ai haviam sido instituídas pelo Presidente Hoover para evitar as despesas do Estado, como as restrições às importações, o aumento dos Impostos e a redução dos salários da saúde publica. Apesar destas terem o objetivo de aumentar as receitas do Estado, acabaram por criar dificuldades à resolução da crise e à realização de investimentos pois, como as pessoas já não tinham poder de compra graças à redução dos salários e ao aumento dos impostos, estes apenas diminuíam mais os rendimentos da população que tinham cada vez menos capacidades para comprar os produtos, e portanto, estas medidas não surtiram o efeito desejado, porque o mercado continuava saturado, e as pessoas demasiado pobres para comprar o que quer que fosse.

Pelo contrário Keynes defendia que a Intervenção do Estado na Economia poderia ocorrer de maneira moderada, mantendo os regimes democráticos, ou mais forte, através do estabelecimento de regimes ditatoriais, como no caso de Itália, Portugal, Espanha e da Alemanha, que controlariam todos os aspetos do Estado, incluindo o setor económico. Defendia também a inflação controlada, ou seja, uma politica de investimento de ajuda às empresas que ajudaria a combater o desemprego e relançaria a procura e a produção de bens.

Em 1932, os EUA elegeram um novo presidente, Franklin Roosevelt que, influenciado por Keynes, procurou tirar o país da crise através da intervenção do Estado na economia americana, através de um conjunto de medidas conhecidas por New Deal que, numa primeira fase, tinham o objetivo de relançar a economia e lutar contra o desemprego e a miséria, pautando-se, resumidamente, pela construção de grandes obras públicas, pelo controlo da produção e pela atribuição de subsídios.

Numa primeira fase, o presidente impôs medidas financeiras rigorosas, como o encerramento temporário de instituições bancárias, o dólar abandonou o padrão ouro, sofrendo uma desvalorização que baixou as dividas externas e fez subir os preços.

Para diminuir o desemprego, este apostou numa política de grandes trabalhos, como a construção de estradas, aeroportos, habitações e escolas, e barragens. Para além disso, criou campos de trabalho para os desempregados mais jovens e alterou o horário semanal para 40 horas.

Procurou também diminuir a produção, para salvaguardar de novas crises de superprodução. Para tal, através da Lei AAA (Agricultural Adjustements) estabeleceu a proteção à agricultura, através da indemnização aos agricultores para que estes reduzissem, as áreas cultivadas. Procurou também proteger a Industria e o trabalho industrial (NIRA) através do estabelecimento

dos níveis de produção, fixando os preços mínimos e máximos de venda, bem como quotas de produção destinadas a evitar a concorrência desleal, para além de garantir um salario mínimo e liberdade sindical aos trabalhadores.

Na 2ºFase do New Deal, que ocorreu entre 1935 e 1938, Roosevelt procurou aumentar o poder de compra do Estado, instituindo medidas de caráter social. Assim, reconheceu a liberdade sindical e o direito de greve através da lei Wagner. Criou subsídios de desemprego, velhice, doença e invalidez, através do Social Security Act. Para alem disso, instituiu o salário mínimo nacional, aumentou os salários, diminuiu as taxas de juro instituiu o crédito agrícola para o pagamento de dividas. Foi nesta fase que o Governo Americano assumiu a plenitude dos ideais do Estado Providência, ou seja, do Estado Intervencionista que promove a segurança social para garantir a felicidade e o aumento do poder de compra dos cidadãos.

Os governos de frente popular e a mobilização dos cidadãos

O intervencionismo do Estado permitiu às democracias liberais resistirem à crise económica e recuperarem a credibilidade política.

No caso da França, a conjuntura depressiva quase que pôs em causa o regime parlamentar, uma vez que esta durou muito mais tempo do que na maioria dos países devido à insistência do governo na aplicação de políticas deflacionistas, pelo que entre 1930 a 1935, o número de desempregados passou de 12 000 para 500 000. Perante esta situação, a população começou a indignar-se e a defender medidas opostas, pelo que os apoiantes de esquerda incentivavam a instituição de uma política semelhante à no New Deal, implementada nos EUA, e os de direita formaram Ligas nacionalistas, de pendor fascista, e reclamavam uma atuação autoritária. Chegaram mesmo a fazer uma manifestação em Paris em 1934 que provocou a demissão do Governo Radical.

Perante o crescimento das forças de extrema direita, iniciou-se uma mobilização de cidadãos que levou à formação de uma coligação de esquerda designada de Frente Popular, composta por partidários comunistas, fascistas e radicais, cujo objetivo era deter o avanço do fascismo na França.

Os governos de frente popular, apesar da ausência dos comunistas, mantiveram-se entre 1936 e 1938, destacando-se a figura de Léon Blum. Estes incentivaram a legislação social, na sequencia de um movimento grevista em 1936 que afetou grandes industrias, armazéns, bancos e escritórios. Este teve a adesão da maior parte dos trabalhadores e, apesar da denúncia dos patrões, o Estado interveio para resolver o conflito, no que resultou os Acordos de Matignom, contratos coletivos de trabalho e, que se aceitava a liberdade sindical, se previam o aumento dos salários e, mais tarde, um horário semanal de 40 horas e o direito a férias pagas. Com estas medidas, a Frente Popular dignificou a classe trabalhadora e ajudou a combater a crise, possibilitando o aumento do poder de compra e a criação de mais emprego. Para além disso, instituíram a escolaridade obrigatória até aos 14 anos, criaram-se albergues da juventude, bem como o aumento dos desportos de massa, do cinema e teatros, o controlo do Estado no Banco de França, e procederam à nacionalização das fábricas de armamento, e à regulação da produção e dos preços dos cereais. Apesar dos seus benefícios, a sua ação acabou em 1938 devido à oposição dos grandes empresários e à falência da política económica de Blum.

Também em Espanha se criou uma Frente Popular, em 1936, apoiada por socialistas, comunistas, anarquistas e sindicatos operários. Esta tentou enfrentar as forças conservadoras, decretando a separação da Igreja do Estado, o direito à greve e a ocupação de terras não cultivadas, bem como o aumento dos salários. No entanto, esta não foi bem sucedida, pelo que no mesmo ano a Frente Nacional, formada por monárquicos e conservadores, lhes fez oposição, iniciando uma guerra civil.

Objetivo 10: Dimensão Social e Política da Cultura

Nos princípios do século XX, nos meios urbanos, emerge a cultura de massas, isto é uma cultura comum à maioria da população com a uniformização dos gostos e o consumo maciço de produtos. Esta homogeneização cultural foi fruto da generalização do ensino, aumentando a mão de obra qualificada capaz de exercer trabalho em áreas com salários mais elevados, com os serviços, mas também o desenvolvimento dos meios de comunicação de massas, que moldaram

a cultura do século XX.

A imprensa a rádio e o cinema foram os mais importantes meios de comunicação da primeira

metade do século XX, pois proporcionaram ao cidadão a fuga da rotina diária, mas também porque transmitiam valores e modos de estar que se impuseram como padrões culturais.

A imprensa de massas utilizava um vocabulário simples e atrativo, feito de frases curtas e

diálogos informais, para além de que o livro, anteriormente considerado um produto de elite, se tornou um produto de consumo popular. Assim, desenvolveram-se novos gémeros literários, o romance cor de rosa, a banda desenhada e o romance policial. Destaca-se, no entanto, o jornal de grande tiragem, cheios de histórias de guerra e crime, com títulos bombásticos e fotografias chamativas. Estes eram também complementados som secções desportivas, páginas femininas e crónicas avulsas com o objetivo de entreter. Para além dos jornais, proliferaram também as revistas de diversas temáticas, sobre política, desporto, moda ou cinema.

Para além da imprensa destaca-se a rádio que, desde o seu aperfeiçoamento por Marconi em 1896, sofreu uma longa evolução que o tornou no mais popular dos meios de comunicação da primeira metade do século XX. Este, por ser acessível a toda a gente, tornou-se um importante meio de difusão cultural, capaz de transmitir notícias, música, novelas radiofónicas, anúncios publicitários, mas acima de tudo, propaganda política. Este era então um instrumento capaz de estimular gostos e consumos, que contribuiu para a homogeneização da sociedade.

O cinema, nascido em França pelos irmãos Lumière, rapidamente se internacionaliza. Com o

nascimento do surgimento sonoro, em 1937, este aproxima-se da realidade e cultiva vários géneros, que apenas aumentaram com o surgimento da cor neste meio. De todos os mass media, este foi o que mais contribuiu para a difusão de modelos socioculturais e par a estandardização

de comportamentos, pelo que as formas de vestir e as estrelas cinematográficas tornaram-se modelos a seguir que influenciou modas, atitudes e valores.

Os grandes entretenimentos coletivos

A rápida difusão dos mass media transformou o cinema, a música ligeira e o desporto em

entretenimentos coletivos capaz de arrebatar multidões. Apesar de existirem desportos que continuavam associados às elites, como o ténis e o golfe, existiam outros que adquiriram grande popularidade, como o futebol, o boxe e o ciclismo, que atraiam bastantes espetadores que aí

descontavam as frustrações da vida quotidiana. Para além da emoção do espetáculo, os ídolos desportivos proporcionaram o sonho da ascensão social.

Preocupações sociais na literatura e na arte

Na década de 20 já se começava a sentir o cansaço relativamente às audácias da arte e à literatura moderna, que acusavam de serem demasiado especializadas e incompreensíveis para a

população. Para além disso, com as dificuldades do pós guerra, começou a surgir a ideia de que

a arte não deveria ter apenas um papel estético, mas uma missão social.

Assim, entre as 2 guerras, a literatura tomou uma feição combativa e socialmente empenhada, criticando a hipocrisia da sociedade e a falta de valores morais, para além de que os

protagonistas principais deixaram de ser personagens individuais e passaram a representar tipos sociais. Aqui destacam-se Bertold Bretch, Aldous Huxley e André Malraux.

Bertold Bretch foi um dramaturgo em cujas obras tentou provocar o leitor e força-lo a participar criticamente na obra, de forma a despertar o publico e surpreende-lo.

Aldous Huxley, através da sua obra mais popular “Admirável Mundo Novo” critica a civilização industrial mecanizada onde se perderam os valores humanos fundamentais.

A literatura de contestação social identificou-se muitas vezes com os ideais marxistas, dando

origens a obras de acentuado cariz sociopolítico, como “A condição humana” de André Malraux, que critica a repressão comunista.

O retorno da literatura a expressões neorrealistas teve também expressão nos EUA, onde a

miséria da Grande Depressão sensibilizou os escritores para questões sociais, tais como Ernest Hemngway e John Steinbeck, que retratam o mundo desencantado do capitalismo, que acusam de fomentar a guerra, a desumanização e as injustiças sociais.

Regresso à ordem

Interrompidas pela violência da Primeira Guerra Mundial, as vanguardas artísticas esmoreceram, pelo que após a guerra se verificou na Europa o regresso à arte figurativa.

Este novo realismo que se fez sentir por toda a Europa manifestou-se na Alemanha, com pintores como Otto Dix, Max Beckmann ou George Grozz, que nas suas obras retratam a sociedade do pós guerra marcada pelos contrastes sociais e agitação política.

Nos EUA a tendência figurativa assumiu uma expressão bastante forte conhecida como American Scene, que nos anos 30 reuniu artistas como Edward Hooper, Grant Wood ou Isaac Soyer numa linguagem realista intensa, retratando os vários aspetos da América da Grande Depressão.

Para além disso, a crença de que a arte deve contribuir para a coletividade provocou o ressurgimento da pintura mural e da ornamentação dos edifícios públicos. Este foi muito utilizado como elemento de propaganda dos regimes totalitários

A arquitetura

A ideia de que a arte deveria contribuir para a coletividade afetou também a arquitetura, pelo

que os governos, na tentativa de reerguer numerosos edifícios e realojar os cidadãos, tentaram desenvolver esta modalidade através da imposição de uma construção simples, barata, mas digna.

Segundo este ideal nasceu o funcionalismo, marcado pela simplificação dos volumes exteriores através da utilização de linhas predominantemente retas que delimitam volumes básicos que dão forma à maioria das construções. Esta arquitetura dispensava a utilização de telhados, substituindo-os por coberturas planas em forma de terraço que prolongam o espaço da casa para o exterior. A somar-se a estas características, as paredes não tem elementos decorativos são rasgadas por linhas contínuas de grandes janelas. Assim, surge uma nova conceção de espaço, em que estes não tinham de ser grandiosos, mas à medida do Homem, devendo ser prática, racional e funcional. Desta tendência destacaram-se nomes como Le Corbusier e Walter Gropius, que teve uma influencia marcante no design e arquitetura do século XX.

O segundo funcionalismo

Na década de 30, a arquitetura funcionalista sofreu uma crescente contestação, acusando-a de uma rigidez excessiva e de casas despersonalizadas. Assim, surgiu uma nova geração de arquitetos que enveredou por um estilo mais humanizado, mas sem negar as linhas mestres do funcionalismo, pelo que encarou cada edifício como um projeto individual, procurando as melhores soluções para cada caso. Este ficou conhecido como funcionalismo orgânico, e daqui destacam-se Frank Lloyd Wright e Alvar Aalto.

Preocupações urbanísticas

As preocupações do funcionalismo estenderam-se ás cidades que passaram a ser vistas como um todo, e como tal, deveriam ser repensadas segundo critérios racionais. Este tema assumiu-se como objeto de estudo das CIAM- Conferencias Internacionais de Arquitetura Moderna. As conclusões da conferencia foram publicadas na Carta de Atenas, que funcionava como um guia do urbanismo funcionalista.

Segundo a carta, a cidade deveria satisfazer 4 funções essenciais: habitar, trabalhar, recrear o corpo e espírito e circular, e cada zona ocuparia uma parte específica da cidade, e seriam articuladas por uma eficiente rede de vias de comunicação. Apesar destas propostas terem sido consideradas demasiado racionalistas e redutoras, a carta colocou as questões sociais no centro do planeamento urbano.

Objetivo 11: Estado Novo

A 28 de Maio de 1928 eclodiu em Portugal um golpe militar que pôs fim à 1ºReública, instituindo uma ditadura militar que durou até 1933. Acima de tudo, esta procurou acabar com a instabilidade política que se vivia no país, e regenerar a pátria, mas, apesar de todas as medidas impostas, a situação acabou por não se resolver, o que apenas piorou o estado financeiro do país.

Por esse motivo, para resolver a situação económica, em 1928 António de Oliveira Salazar foi nomeado para ocupar a Pasta das Finanças, procurando salvar Portugal da desfavorável situação económica em que este se encontrava através de rígidas medidas financeiras, pelo que este procurou diminuir e limitar os custos do Estado e de todos os ministérios. Apesar de rigorosa, a sua política económica foi bem-sucedida e, pela primeira vez em 15 anos, Portugal atingiu um saldo económico positivo, o que resultou na nomeação de Salazar para Presidente do Conselho de Ministros, atual cargo de primeiro ministro. Este procurou instituir uma nova ordem política através da criação de novas estruturas institucionais através das quais definiu as leis que regeriam o Estado Novo, o novo sistema governativo liderado por Salazar que tinha por base o forte autoritarismo do Estado e o condicionamento das liberdades individuais.

Assim, em 1930 instituiu o Ato Colonial, que funcionava como uma espécie de constituição para as colónias, definindo as suas funções de subordinação face aos interesses da metrópole, e, nesse mesmo ano, criou a Organização da União Nacional, uma instituição que salienta o caráter antipartidários e antiparlamentar do Regime, uma vez que, não aceitando o divisionismo do Estado promulgado pela existência de partidos políticos, que se viram proibidos, a união nacional integrava o parlamento. Já em 1933 fixou-se o Estatuto de Trabalho Nacional que definia que todas as profusões das várias atividades económicas se deveriam reunir em sindicatos, e elaborou-se uma nova Constituição, que marca o inicio do Regime do Estado Novo. Por fim, em 1938, criou-se o Secretariado de Propaganda Nacional, que pretendia subordinar a produção artística e cultural aos ideais do regime.

A Constituição de 1933 marca o nascimento do novo regime político chefiado por Salazar, que

segue o modelo fascista instituído em vários países europeus, aproximando-se mais do modelo fascista italiano, no entanto, segundo o ideário português. Esta constituição pretendeu então afirmar o Colonialismo, uma das características inerentes ao regime, pelo que procurou tornar Portugal uma república corporativa que integrava os seus territórios ultramarinos no território português, para manter o império “de minho a timor, para além de que, em 1951, com a renovação desta constituição, integrou-se como lei o Ato Colonial.

A nível administrativo e ideológico, procurou estabelecer um governo de ideologia nacionalista,

pelo que se criou uma Assembleia Nacional de Partido Único assente em moldes nacionalistas, criou-se uma Câmara Corporativa para fixar as ideologias nacionais, e o Presidente ganhou o poder de legislar por força de decretos lei, juntando-se então a presidência com o conselho de ministros, pelo que o poder executivo ganhou uma maior importância.

Por fim, centralizou o poder nas Forças Armadas, e no controlo nacional, procurando militarizar

os órgãos públicos.

A nova Constituição aproximou o Estado Novo dos regimes fascistas, especialmente o italiano,

pelo que, apesar de Salazar condenar o carater pagão e violento dos totalitarismos fascistas, procurou integrá-lo na sociedade portuguesa. Este contava com o apoio de todos os que se opuseram à Primeira República, como os católicos e a hierarquia religiosa, os monárquicos, tradicionalistas, militares, integralistas e simpatizantes do fascismo, bem como da alta, pequena e média burguesa e os grandes proprietários agrários.

O poder no Estado novo era exercido pelo Governo na pessoa do Presidente do Conselho de

Ministros, cargo ocupado por Salazar, que tinha o poder de nomear e exonerar ministros, vetar

as decisões do Presidente e o de submeter as propostas de lei à Assembleia da República,

constituída unicamente por membros da União Nacional. Era por isso um presidencialismo bicéfalo pois havia a partilha de poderes do Presidente e do Primeiro Ministro, que tinha um poder superior.

Regia-se pelos princípios antiliberais e antidemocráticos, antipartidários, antiparlamentar.

Repressivo, autoritário, nacionalismo, colonialismo, conservadorismo e corporativismo

Acima de tudo, o regime do Estado novo caracteriza-se pelo seu caracter antipartidário, antiparlamentar, antiliberal e antidemocrático, pelo que se opunha aos direitos individuais de cada cidadão, mas também às características básicas dos regimes democráticos.

Segundo Salazar, a Nação era vista como um todo, e não como um conjunto de indivíduos isolados, pelo que os interesses da Nação se sobrepunham aos interesses e direitos individuais. Por esse motivo, e como os partidos políticos representavam os interesses individuais de um determinado grupo, estes eram vistos como um elemento que dividia a Nação, opondo-se, portanto, aos princípios do regime. Era, portanto, antipartidário, uma vez que proibiu a existência dos partidos políticos com exceção ao que representava o regime, o que proibia a existência de eleições livres, sendo, também, antidemocrático, pois a nação deixou de ser a fonte legitima de poder. Era ainda antiparlamentar uma vez que, sem a existência de partidos políticos, os interesses da Nação passaram a estar representados na Organização de União Nacional, que estava, teoricamente, longe dos partidos políticos, no entanto, os membros que compunham o Parlamento pertenciam única e exclusivamente a esta organização.

Para além disso, era antidemocrático uma vez que se opunha à divisão dos poderes pelos diferentes órgãos de estado, uma das principais características da democracia. Pelo contrário, e suportado pela Constituição de 1933, o Presidente da República viu-se totalmente independente do Parlamento, e tinha o poder de legislar por força de decretos-lei. Já o presidente do Conselho, cargo ocupado por Salazar, viu o seu poder reforçado, sobrepondo-se ao do Presidente da Republica. Assim, estes dois cargos viram-se complementados, pelo que o poder executivo ganhou mais força, uma vez que este era a garantia da existência de um Estado forte e autoritário, uma outra característica deste regime. Assim, o Presidente do Conselho de Ministros viu o seu poder reforçado, podendo nomear e exonerar os ministros, legislar e votar as decisões do Presidente da Republica, e submeter as propostas de lei da Assembleia Nacional, que tinha apenas a função de discutir as propostas de lei enviadas pelo governo. Assim, este regime caracteriza-se pela existência de um presidencialismo bicéfalo, uma vez que o Presidente e o Chefe do Conselho partilhavam poderes.

À Semelhança dos restantes regimes fascistas, o chefe de governo, que neste caso correspondia

a Salazar, viu a sua posição reforçada juntamente com o poder executivo, tornando-se uma

figura de reverencia que ocupava a imagem de chefe providencial, considerado o Salvador da

Nação, sendo por isso, uma figura de culto ao chefe.

Uma das características que mais distingue o regime salazarista dos restantes, é o seu forte carater conservador e tradicionalista, que repousava em valores e conceitos morais que não podiam ser questionados, como a religião (deus), pátria, família, autoridade, paz social e moralidade. Assim, este regime procurou conservar e valorizar todas as tradições tipicamente portuguesas, e proteger tudo o que fosse genuinamente português. Isto revelou-se nas áreas da religião, sociedade, mas também na produção artística e cultural.

Assim, condenavam a sociedade urbana e industrial, considerada a fonte de todos os vícios e, pelo contrário, valorizou o mundo rural e real, a fonte de virtude e moralidade. Ao nível da religião, definiu-se o catolicismo como a religião oficial portuguesa, procurando protege-la, assim como à hierarquia religiosa.

Quanto as manifestações culturais e artísticas, valorizaram-se as tradições tipicamente

portuguesas, condenando-se as vanguardas artísticas, encaradas com desconfiança, e protegendo

a arte e cultura portuguesa de todo o que fosse estrangeiro.

Por fim, definiu-se rigidamente os papeis ocupados por cada elemento da família portuguesa, considerada a base da nação. Assim, enquanto que o Homem era encarado como a fonte de trabalho e sustento da família, e, portanto, o chefe da habitação a quem todos se deviam submeter, a mulher ocupava um papel passivo na sociedade, tanto a nível politico, económico, social e cultural. A mulher ideal era vista como passiva e submissa, uma esposa carinhosa e uma mãe sacrificada e virtuosa, que não deveria trabalhar fora de cada, pois tal era visto como uma ameaça a estabilidade do lar, mas, que pelo contrário, se deveria dedicar a ser dona de casa. Assim, defendia-se a verdadeira família portuguesa, uma família católica e rural, de moralidade austera, que se opunha aos vícios da sociedade urbana, moderna e industrial.

À semelhança dos restantes regimes fascistas, o Estado Novo caracterizou-se pelo nacionalismo extremo, defendendo o bem da nação através do slogan (tudo pela nação, nada contra a nação). Acima de tudo, o regime do Estado Novo mitificou a historia dos portugueses, um povo de heróis com extraordinárias capacidades civilizacionais, com um passado histórico grandioso, que correspondia à época dos descobrimentos, marcados pela sua ação evangelizadora e a integração racial levada a cabo no império.

Para alem disso, para controlar a população e a sua mentalidade, e as fazer agir de acordo com

os princípios ideológicos instituídos, tentando evitar a desordem fomentada pelos adversários

políticos, o Estado ovo utilizou um sistema fortemente repressivo. Assim, fez uso da censura

a todas as atividades culturais e artísticos, aos meios de comunicação social e à própria arte, procurando evitar a divulgação de mensagens e imagens contrárias aos ideais promulgados pelo regime nas áreas da economia, sociedade cultura e politica, militar e religiosa. Esta ficou representada pelo lápis azul.

Fez ainda uso da Policia Politica, conhecida como PIDE, ou DGS para punir, prender, matar e mesmo torturar os seus adversários políticos, fazendo mesmo uso da tortura. Para alem disso, criaram-se prisões para receber os prisioneiros, como a de Caxias e de Peniche, e campos de concentração e trabalhos forçados, como o do Tarrafal. Teve como principais vitimas os militantes e defensores do Partido Comunista. Por fim, proibiu os sindicatos livres instituindo o Corporativismo.

A semelhança do fascismo italiano, o Estado Novo procurou fomentar a unidade da nação e

fortalecer o Estado, propondo o corporativismo como modelo de organização económica, social e politica em que os indivíduos se agrupavam segundo funções e interesses para a concretização do bem comum, evitando o divisionismo do Estado fomentado pela luta de classes.

Por fim, o Estado Novo utilizou um conjunto de instituições e processos que lhe permitia controlar as massas e obter a sua adesão ao regime, procurando, essencialmente, controlar a cultura e o ensino.

Para controlar a produção artística e cultural, em 1938 criou-se o Secretariado de Propaganda Nacional, a SDN, que, chefiada por António Ferro, desempenhou um papel ativo no controlo e divulgação dos ideais do regime e na padronização da cultura.

Para apoiar as atividades politicas do governo, criou-se, em 1930, a Organização de União Nacional, uma organização não partidária, uma vez que a existência de partidos políticos contrariava a ideia de unidade da nação. Assim, extinguiram-se os partidos políticos e limitou-se

a liberdade de expressão, pelo que os deputados do parlamento pertenciam única e exclusivamente à União Nacional, transformada num Partido Único.

A nível de trabalho, instituiu-se o Juramento dos Funcionários públicos, para provarem a sua

fidelidade ao regime. Proibiram-se os sindicatos livres, criando-se então os Sindicatos Nacionais, e a Fundação para a alegria no trabalho, semelhante à dopolavoro italiana e era uma associação recreativa que ocupava os tempos livres dos trabalhados com atividades educativas.

Criaram-se organizações milicianas e paramilitares de enquadramento das massas, como a Legião Portuguesa, destinada a “defender o património espiritual da nação” e afastar o bolchevismo, e a Mocidade Portuguesa, obrigatória para os jovens, para lhes incutir os valores do Estado Novo. Criaram-se também organizações femininas de enquadramento, como a Mocidade Portuguesa Feminina, e a Obra das Mães para a Educação Nacional.

Já no Ensino, adotou-se o Livro Único, impingido pelo regime, expulsaram-se os professores

oposicionistas, e o ensino publico ficou vinculado aos princípios morais da doutrina cristã.

Estabilidade Financeira

O autoritarismo do Estado Novo e a conjuntura depressiva dos anos 30 provocou o abandono

das politicas económicas liberais, pelo que o país optou pela adoção de uma politica económica fortemente intervencionista e autárcica apoiada em medidas protecionistas, para alcançar a autossuficiência do país. Assim, como estava explicito na Constituição de 1933, procurou-se submeter toda a riqueza e produção portuguesa aos interesses da Nação, pelo que o fomento económico era dinamizado pelo Estado. Este dirigismo económico ficou patente nas politicas financeiras, agrícolas, de obras publicas, industriais e colonial, mas também na organização da economia em moldes corporativos

Perante a grave crise económica portuguesa, a prioridade de Salazar quando chegou ao poder foi a de garantir a estabilidade financeira do país, executando, para tal, um rigoroso controlo e limitação sobre os gastos públicos, para além de ter recorrido ao aumento dos impostos. Assim, criou um imposto complementar sobre os rendimentos, um imposto profissional, uma taxa de salvação nacional, e o imposto de salvação publica sobre os funcionários públicos, o que permitiu equilibrar a balança económica.

Para alem disso, recorreu ao aumento das taxas alfandegárias sobre as importações o que, associado à neutralidade portuguesa na 2ºGuerra, ajudou a equilibrar a economia portuguesa, uma vez que se diminuiu as despesas de armamento, aumentou-se as exportações com a venda de volfrâmio para ao estrangeiro, e, com o aumento das reservas de ouro, Portugal conseguiu alcançar a estabilidade financeira que tanto desejada.

No entanto, a sua politica de austeridade e contenção de custos gerou inúmeras criticas, pois grande parte da população viu-se sem acesso às condições básicas de vida, como água canalizada, eletricidade, ensino e saúde, mas também devido à elevada carga de impostos e à supressão das liberdades.

Defesa da Ruralidade

Para alem disso, defendeu-se a vida no mundo rural que era glorificado por preservar os ideais de virtude e moralidade, ao contrário do mundo industrial que era considerado a fonte de todos

os vícios e males da sociedade. Para promover a ruralidade, Salazar mobilizou várias verbas

para a desenvolver, uma vez que o campo era considerado o Bastião dos Valores Tradicionais, procurando exaltar, portanto, a importância da agricultura.

Assim, concedeu verbas para a construção de barragens para possibilitar uma melhor irrigação dos solos, instituindo ainda uma politica de arborização e florestação para os tornar férteis, aproveitando os recursos hidráulicos. Para alem disso, fixou a população em zonas do interior, promovendo a vida agrícola e estimulando a produção agrícola através da realização de campanhas de produção, como a campanha do trigo, para provocar o aumento da produção de arroz, cereais, batata, azeite, cortiça e fruta, tentando assegurar a autarcia alimentar, evitando a importação de produtos, através da adoção de uma politica económica fortemente protecionista para assegurar proteção aos proprietários, adquirindo-lhes a produção

Corporativismo

A nível económico, Salazar instituiu o Corporativismo como modelo de organização politica,

económica e social, procurando organizar os trabalhadores através do seu enquadramento em instituições corporativas que seguiam o modelo fascista. Através desta medida, Salazar procurou impor a supremacia do Estado e garantir a colaboração entre indivíduos para anular a luta entre classes e conciliar os seus interesses, para então promover o Interesse Nacional, o Bem comum e a unidade nacional, mas também para garantir a ordem, a disciplina, e a

autoridade social e económica, de classes, acabando com a desordem provocada pelos excessos do liberalismo e da luta de classes.

Assim, em 1933 instituiu o Estatuto de Trabalho Nacional, que definia que todas as profissões das várias atividades económicas se tinham que reunir em sindicatos nacionais, e os patrões em grémios (exceto na função publica), que eram agrupadas em federações, uniões, e corporações económicas, que negociariam entre si para estabelecer normas e quotas de produção e fixar os salários. Neste tipo de organização económica, o Estado funcionava como um árbitro supremo nas negociações entre as instituições, procurando evitar a concorrência desleal, assegurar o direito de trabalho e o justo salário, e proibir a greve e o lockout.

Assim, os indivíduos eram enquadrados nas várias instituições corporativas (sindicatos, grémios, uniões, federações e corporações) cujos representantes se reuniam na Câmara Corporativa, um órgão consultivo que representava os interesses sociais, as autarquias e as famílias.

No entanto, por serem encaradas como meio de controlo da sociedade e relações liberais, as corporações enfrentaram resistência na adesão dos indivíduos. Pelo que, após a proibição dos sindicatos livres e das reivindicações laborais, eclodiram várias greves dirigidas pelo Partido Comunista. As confrontações atingiram o seu auge a 18 de Janeiro, na Marinha Grande, quando vários operários ocuparam o posto da GNR e proclamaram o soviete local, tendo estes sido violentamente punidos.

Política de Obras Públicas

Para modernizar o país, impulsionar o desenvolvimento económico e reduzir o desemprego, o Estado Novo instituiu uma Politica de Obras Publicas impulsionada em 1930 pela Lei da Reconstituição Económica. Esta abrangeu não só a área das infraestruturas, mas também das comunicações e serviços públicos, retomando o projeto fontista. Este projeto ficou associado ao ministro das obras publicas Duarte Pacheco.

Ao nível das infraestruturas, construíram-se milhares de km’s de estradas, pelo que a rede rodoviária duplicou até 1950 alcançando mesmo o nível de qualidade dos padrões europeus. Foram também construídas várias pontes, como a Ponte Arrábida e a Ponte 25 de Abril, mas também autoestradas, barragens, centrais hidroelétricas, metropolitanos, portos marítimos, aeroportos, e melhorou-se a rede ferroviária. Este desenvolvimento dos transportes favoreceu a unificação o mercado nacional e proporcionou uma melhor acessibilidade relativamente aos mercados externos.

Ao nível das telecomunicações, expandiu-se a rede telegráfica e telefónica, pelo que na década de 60 os telefones foram completamente nacionalizados.

Quanto aos equipamentos Públicos, construíram-se escolas, estádios, tribunais, hospitais, bairros para trabalhadores, prisões e quartéis.

Condicionamento Industrial

Com a valorização da vida rural, a industria não se revelou uma prioridade, pelo que entre 1920 e 1940 apenas 20% da população ativa participava nesse setor. No entanto, entre 1931 e 1937, o Estado empreendeu uma Politica de Condicionamento Industrial que provocou um débil crescimento na industria. Esta politica teve como objetivo promover a intervenção do Estado na economia através de rígidas regras para evitar a sobreprodução e regular a produção e concorrência, o que permitiu defender o nacionalismo económico e diminuir o desemprego.

Assim, definiu-se a regra de autorização previa do Estado, isto é, qualquer industria necessitava da autorização prévia do Estado para se instalar, reabrir, efetuar ampliações, mudar de local, ser vendida a estrangeiras e comprar maquinarias.

Suspendeu-se ainda a conceção de patentes das novas indústrias e processos produtos a industrias com grandes despesas de produção e produtoras de bens de consumo, e criaram-se monopólios e a concentração de empresas.

Esta politica profundamente centralista e dirigista tinha, inicialmente, uma fase transitória destinada a acabar com a crise, evitar a sobreprodução e a queda dos preços, o desemprego e a agitação social através da intervenção do Estado da Economia. No entanto, adotou um carater definitivo, marcando a politica económica do Estado novo nos anos 30 e 40, o que criou obstáculos à modernização industrial. Esta impediu a concorrência, aumentou a burocracia, protegeu os interesss monopolistas, o que favoreceu a concentraçao industrial.

Política Colonial

Para alem disso, o Estado Novo insituiu uma Política Colonial, derivada do Ato Colonial, que pretendeu afirmar a missão histórica e civilizadora dos portugueses nos territórios ultramarinos segundo o preceito Nacionalista deste regime, procurando valorizar o passado histórico para legitimar o Império Colonial Português.

O Ato colonial, instituiudo em 1930, funcionava como uma espécie de Constituição para as colonias, e estabelecia a subordinação dos territórios ultramarinos aos interesses da metrópole. Assim, procurou-se reforçar a tutela sobre as colónias, abandonando-se então as experiencias de descentralização administrativa e de abertura ao capital estrangeiro até ai empregue pela 1ºRepublica e, pelo contrário, insistiu-se na fiscalização da metrópole e no estabelecimento de um regime económico tipo pacto colonial, em que as colónias eram consideradas meros fornecedores de matérias primas e consumidores dos produtos da metrópole, revelando-se um mercado garantido de abastecimento e escoamento de produtos. As populações nativas que habitavam nas colónias foram consideradas inferiores e eram segregadas.´

Através destas medidas, o Estado tentou proclamar a vocação colonial portuguesa, promovendo a missão cilivizadora e incutindo no povo uma mistica colonial propagandeada por uma série de exposições, congressos e conferencias, como a 1ºExposição Colonial Portuguesa, e a Exposição do Mundo Portugues.

Projeto Cultural do Regime

O Estado Novo desde cedo compreendeu a necessidade de submeter a podução cultural e artistica ao regime, pelo que artistas, escritores, jornalistas e cineastas foram submetidos à censura, o que afetou a produção cultural portuguesa.

No entanto, a submissão da cultura ao regime não se ficou por aqui, pelo que o Estado Novo implementou um projeto totalizante levado a cabo pelo Secretariado de Propaganda Nacional, criado em 1933 e dirigido por António Ferro.

Este projeto procurou subordinar a produção artistica e cultural à ideologia do regime com carater propagandistico, mas também controlá-la, e padronizá-la. Para apoiar o controlo das artes, recorreu-se à instituição de prémios literários, artisticos, à concessão de patrocínios, e à realização de exposições, festivais e concursos para dvulgar, sobretudo, as tradições nacionais e populares que enaltecessem a história do país como a Exposição Mundo Portugues, ou da arquitetura, a Aldeia mais Portuguesa.

Este projeto cultural ficou conhecido como Politica do Espirito, pois pretenia elevar a mente dos portuguses, valorizar o estilo nacional e a cultura popular e a propagandear o regime. Assim, a arte e a cultura deveriam proporcionar uma atmosfera saudável, incutindo no povo o

amor à pátria, o culto dos herois nacionais, as virtudes familiares e confiança no progresso, isto

é, o ideário do Estado Novo. Esta deveria ser uma arte portuguesa e nacionalista, mas dotada de

uma estética moderna, pelo que António Ferro, simpatizante dos Modernistas, procurou criar um “estilo portugues”, tentando conciliar a tradição e conservadorismo com as vanguardas, recorrendo para tal, à padronização da cultura e a restrição da livre produção cultural.

Ao nivel da Literatura, a ação do SDN revelou-se um fracasso devido à escassa adesao dos escritores, pelo que se priveligiou a literatura do romantismo portugues para exaltar as virtudes nacionais.

Nas artes plásticas decorativas, na arquitetura, no bailado, no teatro e no cinema revelou-se uma maior adesão.

Na escultura distinguiu-e Francisco Franco e Canto da Maya, ambos de marca expressionista e escultores oficiais do regime salazarista.

Na arquitetura viveram-se várias tendencias, destacando-se sobretudo, a formulação da casa portuguesa, que não era uma estética, mas uma filosofia. Esta foi implementada por Raul Lino, e procurou recuperar os valores tradicionais e rurais.

Para alem disso, edificaram-s ebairros sociais e operários (ilhas do porto e pátios de lisboa).

A arquitetura Nacional portuguesa utilizou técnicas e materiais modernos e submeteu-se à

doutrina do regime salazarista. Destacam-se como principais arquitetos Cristino da SILVA,

Pardal Monteiro, Cotinelli Telmo, Carlos Ramos, Rogério de Azevedo e Jorge Segurado.

A derrota dos fascismos em 1945 foi um duro golpe no entusiasmo de António Ferro, para alem

que que se revelava dificil conciliar o modernismo ao conservadorismo.

Objetivo 12: Irradiação do Fascismo pelo mundo

Ao longo da década de 30, na Europa, deu-se a expansão das ditaduras no continente europeu, resultantes dos efeitos da Grande Depressão, e pela descrença na capacidade das democracias de resolver os problemas. Assim, foram instituidos regimes autoritários em vários paises da Europa, como e Portugal, na Polónia, Hungria, Bulgária, Roménia, Jugoslávia, na Albânia, na Grécia e na Turquia, e em Espanha.

Para além das novas ditaduras nestes países, várias regiões acabaram por estar também sob a influencia dos regimes totalitários, graças à anexação de alguns territórios, como a Áustria e Checoslováquia, pelos governos Fascistas, neste caso, a Alemanha.

Na no mundo extra-europa, também a vaga autoritária acabou por se espalhar, especialmente na América Latina e no Extremo-Oriente.

No Brasil, na Argentina, no Chile e no Panamá as democracias não resistiram à ascenção de chefes que se apoiaram nos exércitos e no proletariado ubrano, instituindo-se as ditaduras populistas como a de Getúlio Vargas, Juan Peron, Carlos Ibanes del Campo e Arnulfo Arias.

No Extremo-Oriente o Japão pôs termo ao processo de ocidentalização a partir de 1926 com a ascenção de Hirohito, um imperador que exerceu um poder absoluto e apoiou o expansionismo nipónico na China. A irradiação do fascismo pelo mundo beneficiou de uma perfeita

concertação entre os governos, como é o caso espanhol, onde a fação de extrema direita da

guerra civil foi apoiada por Itália e pela Alemanha. Para além disso, em 1936 Hitler e Mussolini celebraram o Eixo Roma-Berlim, reconfirmado mais tarde pelo Paxto de Aço. Para além disso,

a Alemanha realizou no mesmo ano o Pacto Anti Komintern, também conhecido por Eixo-

Berlim Tóquia ao qual a Itália, e mais tade a Espanha se juntaram. Por fim, a Alemanha realizou

ainda com a URSS o Pacto Germano Soviético, um pacto de não agressão, em que ambas as nações concordavam em não se atacarem, e a compartilharem a Polónia.

Apesar da expansão das ditaduras fascistas nos Anos 30, as nações democráticas, chefiadas pela SDN não contribuíram para a sua dissuasão.

Quando, em 1931, o Japão se lançou numa política imperialista ao invadir a Manchúria, perante as observações da SDN, esta recusou e abandonou a Organização, garantindo a sua liberdade de ação para futuras conquistas. Mesmo quando Itália, também com uma política imperialista tentou conquistar a Abissínia, que fazia parte da Etiópia, um estado membro da SND, esta interveio de imediato mas sem firmeza, aplicando á nação italiana pequenas sanções económicas.

Quanto à Alemanha, dedicada na conquista do espaço Vital (Lebesraun), esta beneficiou da mesma impunidade e, em 1933 saiu da Sociedade das Nações, tendo chegado a reconquistar o território do Sarre através de um plebiscito. Para além disso, iniciou um acelerado programa de rearmamento, remilitarizou a Renânia, onde a Diktak proibia a presença de tropas e a construção de fortificações, iniciou o recrutamento militar obrigatório e em 1938 chegou mesmo a anexar a Áustria e o território dos Sudetas, e da própria Checoslováquia, desrespeitando as imposições feitas pelo Tratado de Versalhes, logo após a II Guerra Mundial.

Segundo o preceito de que a anexação destes territórios satisfazia a ambição de Hitler em criar uma Zona Vital para a Alemanha, em 1938 realizou-se, entre França, Inglaterra e Alemanha os Acordos de Munique, que, pensando que tal satisfaria as ambições hitlerianas, deram a comunhão internacional à ocupação das sudetas, zonas habitadas por populações de origem germânica. Para alem disso, a Grã Bretanha deu inicio a uma política de conciliação com a Alemanha que ficou conhecida por Politica de Apaziguamento. As ações inefetivas da SDN podem ser explicadas pela ausência dos EUA na organização, mantendo uma atitude de isolamento relativamente às políticas europeias, e pelo facto de que a Rússia apenas entrou na SDN quando o Japão e a Alemanha já a tinham abandonado. Outro dos fatores foi que a França Inglaterra, empenhadas em preservar a paz e evitar a guerra, iam cedendo perante Hitler que apresentava cada vez mais reivindicações.

Esta politica pacifica e de apaziguamento por parte das democracias atingiu o seu auge nos acordos de Munique, mas já em 1936 se tinha revelado com a Guerra Civil Espanhola. Este definiu-se como um movimento militar nacionalista que se insurgiu contra o Governo Republicano de Frente Popular eleito no inicio do ano. Assim, os nacionalistas, que representavam os grandes proprietários, os monárquicos e católicos que pretendiam acabar com os ideais comunistas republicanos, dirigidos por General Franco revoltaram-se, iniciando uma guerra civil. Estes contavam com o apoio militar e económico do fascismo italiano e alemão, que se envolveram na guerra por motivos ideológicos e estratégicos, uma vez que os italianos

esperavam estender a sua influencia até ao Mediterrâneo ocidental, e os alemães queriam testar

o seu material bélico para se preparar para uma futura guerra. Já os Republicanos contavam apenas com o apoio da URSS e de intelectuais e simpatizantes que integravam as Brigadas Internacionais.

Já as democracias liberais inglesa e francesa decidiram não intervir, respeitando o principio de não intervenção da SDN, mas também por pensar tratar-se de uma luta de morte entre o

fascismo e o comunismo, o que apenas facilitou a vitória dos nacionalistas em 1939, e o aparecimento de mais um regime totalitário na Europa. O quadro aterrador da Guerra Civil é retratado na obra Guernica, de Picasso, de 1937, que apresenta como tema uma visão trágica da guerra, tendo-se inspirado no bombardeamento da cidade de Guernica por aviões alemães.

No entanto, mesmo após a instituição dos Acordos de Munique, a Alemanha continuou com a sua politica expansionista, tendo anexado a Boémia, Morávia, e a Eslováquia em 1939. Nesse mesmo ano, a Alemanha assinou com a URSS, o Pacto germano-soviético, segundo uma política mútua de não agressão, que previa, em casos de Guerra, a partilha da Polónia entre os dois países, e a anexação dos países bálticos. Tirando partido da hostilidade entre as democracias liberais e o regime soviético, Hitler pensava garantir cobertura a leste para a expansão do espaço vital, evitando combater em duas frentes. Por sua vez, Estaline, chefe da URSS, assinou o Pacto por se encontrar receoso de um ataque alemão, e devido ao isolamento soviético do resto do mundo ocidental.

Apercebendo-se da ascensão dos fascismos, a França e Inglaterra inverteram a sua política externa, proclamaram o apoio aos países ameaçados pelo imperialismo do Eixo- nazi-fascista, como a Polónia, Grécia, Roménia, Bélgica e países Baixos e declararam guerra à Alemanha dias depois dos alemães invadirem a fronteira polaca, tendo então eclodido o que se designou de II Guerra Mundial. Esta Guerra atingiu uma vertente mundial e total, tendo chegado a todos os continentes, mobilizando homens e recursos de uma forma extensa, o que levou à morte de populações civis, e provocou inúmeras vitimas de bombardeamentos, massacres e deportações, e apenas acabou em 1945, tendo-se dividido em 3 fases distintas.

A primeira fase ficou conhecida como Guerra Relâmpago (Blitzkrieg), em que se dão inúmeras vitórias do eixo, desde a frança, à URSS, Polónia, Noruega e Balcãs, e na qual se deu o ataque japonês a Pearl Harbour. Na segunda fase de Guerra, entre 1941 e 1943 dá-se a mundialização da guerra e o equilíbrio de forças pelos Aliados. Por fim, a 3ºfase deu-se entre 1943 e 1945, em que a sorte das armas ficou a favor dos Aliados, iniciando-se com os desembarques da Normandia, dando-se a derrota alemã.