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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
FACULDADE DE DIREITO

SERIVALDO CARLOS DE ARAÚJO

PROFISSÃO DO ADVOGADO: ORIGENS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL E 
PRERROGATIVAS
2

Belém
2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
FACULDADE DE DIREITO

SERIVALDO CARLOS DE ARAÚJO

PROFISSÃO DO ADVOGADO: ORIGENS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL E 
PRERROGATIVAS 

Trabalho   apresentado   à   disciplina   de 


Deontologia   Jurídica   do   Curso   de   Direito   da 
Universidade Federal do Pará, Turma 40, sob 
orientação do Prof. Valber Motta.
3

Belém
2010
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO 4
INTRODUÇÃO 5
1. As origens da profissão do advogado 6
2. O Exercício profissional no Brasil 7
3. A fundação da Ordem dos Advogados do Brasil 8
4. Prerrogativas constitucionais 10
5. Prerrogativas determinadas pela Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 12
CONCLUSÃO 15
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 16
4

APRESENTAÇÃO

Este trabalho é fruto do estudo da disciplina de Deontologia Jurídica do Curso de 
Direito da Universidade do Pará e tem como objetivo pesquisar as origens da profissão do 
advogado, o exercício dessa profissão no Brasil, conhecer sobre a fundação da Ordem dos 
Advogados  do Brasil, identificar as prerrogativas do advogado constantes na Constituição 
Federal, bem como as determinadas pela Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, que dispõe sobre 
o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil.  
5

INTRODUÇÃO

Abstrai­se de deontologia o conjunto de normas e procedimentos próprios de uma


determinada categoria profissional que, seguido pelos seus membros, serve para garantir a
uniformidade do trabalho e a ação do grupo. Logo, é deontologia jurídica, de acordo com
Langaro (1996, p.3) “a disciplina que trata dos deveres e dos direitos dos agentes que lidam
com o Direito, isto é, dos advogados, dos juízes e dos promotores de justiça, e seus
fundamentos éticos e legais”.1

Ainda como definição, temos no Dicionário Jurídico, organizado por Diniz (1998, p.
59) que: “Deontologia Jurídica: 1. Estudo dos fundamentos do direito; teoria da justiça e dos
valores jurídicos. 2. Conjunto de princípios éticos que norteiam a atuação do advogado”.2

Pretendendo discorrer sobre a profissão do advogado, vamos buscar as origens dessa


profissão, assim como o seu exercício no Brasil.

Como a profissão é devidamente regulamentada buscamos informações sobre a


instituição que controla, regulamenta e defende a classe dos advogados, que é a Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), buscando estabelecer um histórico, desde sua fundação.

Mostraremos as prerrogativas, ou seja, os direitos inerentes aos advogados, sejam as


1
 LANGARO, Luiz Lima. Curso de deontologia jurídica. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1996.
2
 DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico. São Paulo: Saraiva, 1998.
6

constantes da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF), como as


estabelecidas na Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994.

Pretendemos, assim, conhecer um pouco mais sobre essa profissão, como também
verificar o que a lei estabelece na regulamentação dessa honrosa profissão, que acaba dando
origem, de forma direta ou indireta, às diversas profissões ou funções que integram o sistema
jurídico brasileiro, tais como os desembargadores, juízes, promotores, defensores,
procuradores etc.

1. AS ORIGENS DA PROFISSÃO DO ADVOGADO

A   profissão   do   advogado   tem   suma   importância   nos   dias   atuais,   pois   é   ele   o 
responsável pela defesa dos direitos daqueles que se sentem lesados ou impedidos de gozar 
um direito garantido em lei.

Conforme Langaro (1996, p. 39) “advogado é aquele que expõe ante o juiz competente 
a   sua   intenção   ou   demanda   de   um   amigo,   ou   para   bem   combater   a   pretensão   de   outro. 
Etimologicamente, vem do termo latino advocatus, isto é, aquele que é chamado pelas partes 
para auxiliar em suas alegações”.3

Uma definição mais atualizada para o termo advogado seria o de Louis Crémieu apud 
Langano   (1996,   p.   39),   que   é   “toda   pessoa,   licenciada   em   Direito   e   munida   do   diploma 
profissional, regularmente inscrito na ordem, cuja profissão consiste em consultar, conciliar e 
pleitear em juízo”.4   

Não é possível precisar a data exata que se estabeleceu a profissão do advogado. Na 
Grécia antiga os próprios cidadãos defendiam seus direitos perante os magistrados. Apesar de 
ter   sido   o  berço  da   democracia,   da  filosofia,  do  teatro  e  da  escrita   alfabética  fonética,   a 
civilização grega tinha algumas características bastante particulares. Uma delas era a recusa 
do grego em aceitar a profissionalização do direito e da figura do advogado que, quando 

3
 LANGARO, Luiz Lima. Curso de deontologia jurídica. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1996.
4
 Idem.
7

existia, não podia receber pagamento.

De   acordo   com   Volkmer   (2006,   p.   76)   “os   gregos   antigos   não   só   tiveram   um  direito 
evoluído, como influenciaram o direito romano e alguns de nossos modernos conceitos e práticas 
jurídicas: o júri popular, a figura do advogado na forma embrionária do logógrafo, [...] a retórica e 
a eloqüência forense”.5

Conforme Langaro (1996, p. 40) “se as origens históricas da advocacia podem ser 
situadas   em   Atenas,   Grécia,   foi,   no   entanto,   em   Roma   que   a   profissão   adquiriu 
individualidade e autonomia”.6 

Em Roma o discurso foi substituído pelo parecer jurídico e a eloquencia verbal pela 
forma escrita, em forma de processo.

Foi no processo canônico que o advogado passou a atuar com função própria: até
então o advogado era um conselheiro extra judicial, que não atuava em nome da
parte sob pena de fazer-se cúmplice ou sócio. A partir da revolução do processo

canônico, o advogado passou ao seu papel próprio. (VOLKMER, 2006, p.


353)7.

2. O EXERCÍCIO PROFISSIONAL NO BRASIL

Conforme alude Vidonho Junior (2010), “No Brasil, especificamente, a doutrina


aponta a data da criação da advocacia, como a dos cursos jurídicos, ou seja, 11 de agosto de
1827, em Olinda e São Paulo, pois até antes, mercê do alvará de 24 de julho de 1713,
qualquer pessoa idônea ainda que não formada poderia advogar, fora da Corte, tirando
Provisão.”8
5
 VOLKMER, Antonio Carlos. Fundamentos de história do direito. 3. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2006.

6
 LANGARO, Luiz Lima. Curso de deontologia jurídica. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1996.
7
 VOLKMER, Antonio Carlos. Fundamentos de história do direito. 3. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2006.
8
 VIDONHO JÚNIOR, Amadeu dos Anjos. O abuso de poder e as prerrogativas do advogado. Jus Navigandi,
Teresina, ano 6, n. 56, abr. 2002. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2852>. Acesso
em: 19 maio 2010.
8

De acordo com Queiroz (2002), “No Brasil verifica-se que o advogado não adquiriu o
status de indispensável à administração da Justiça, e apenas, tão somente, após a promulgação
da Carta Magna de 1988. Sua participação tornou-se essencial, a partir do momento em que
houve os reclamos das partes, em extrair as pretensões asseguradas pelo ordenamento
jurídico, incumbindo a ele (advogado) a escolha das vias judiciais apropriadas, colaborando,
assim, sobremaneira, com o aprimoramento das instituições.”9

Para se exercer a profissão de advogado no Brasil é necessário ser inscrito na Ordem


dos Advogados do Brasil, e, ainda, basicamente, ter capacidade civil, graduação em Direito e
idoneidade moral.

Conforme o Art. 3º da Lei 8.906, de 4 de julho de 1994, o exercício da atividade de


advocacia no território brasileiro e a denominação de advogado são privativos dos inscritos na
Ordem dos Advogados do Brasil.

Sete incisos do Art. 8º da mesma lei estabelecem os requisitos necessários para se


inscrever na OAB, são eles:

I ­ capacidade civil;
II ­ diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino 
oficialmente autorizada e credenciada;
III ­ título de eleitor e quitação do serviço militar, se brasileiro;
IV ­ aprovação em Exame de Ordem;
V ­ não exercer atividade incompatível com a advocacia;
VI ­ idoneidade moral;
VII ­ prestar compromisso perante o conselho.10

3. A FUNDAÇÃO DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

Atualmente a Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 estabelece a finalidade da OAB, sua 
organização e a composição de seus órgãos.  

9
  QUEIROZ, Ricardo Canguçu Barroso de Queiroz. Natureza da atividade de advocacia. Disponível em <
http://www.advogado.adv.br/artigos/2000/barroso/advdirdev.htm > Acesso em 18 maio 2010.
10
 Art. 8º da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994.
9

De acordo com seu Art 44 a OAB tem por finalidade:

I ­ defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os 
direitos  humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das  leis, pela 
rápida   administração   da   justiça   e   pelo   aperfeiçoamento   da   cultura   e   das 
instituições jurídicas;
II   ­   promover,   com   exclusividade,   a   representação,   a   defesa,   a   seleção   e   a 
disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil.11

As origens da OAB remontam ao início do século XIX. “A instituição da Ordem dos 
Advogados do Brasil ocorreu um século após a fundação do Instituto dos Advogados, por 
força do art. 17 do Decreto nº 19.408, de 18 de novembro de 1930, assinado por Getúlio 
Vargas,   chefe   do   Governo   Provisório,   e   referendado   pelo   ministro   da   Justiça   Osvaldo 
Aranha.”12:

Art. 17. Fica criada a Ordem dos Advogados Brasileiros, órgão de disciplina e
seleção da classe dos advogados, que se regerá pelos estatutos que forem votados
pelo Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros, com a colaboração dos
Institutos dos Estados, e aprovados pelo Governo.13

A Ordem iniciou sua trajetória na defesa das liberdades democráticas e dos direitos 
humanos  com os acontecimentos políticos de 1935, marcados pelas primeiras medidas da 
execução   do   estado   de   sítio   e   da   Lei   de   Segurança   Nacional,   que   desembocariam   no 
autoritário Estado Novo, em 1937.

De acordo com Scalabrini (2006), “como instituição, a OAB tem independência


funcional e orçamentária, não guarda hierarquia com os demais órgãos da Administração
Pública, tem personalidade jurídica e forma federativa. É responsável pela defesa da classe
dos advogados no território nacional, da Constituição, do Estado Democrático de Direito, dos
direitos humanos e da justiça social”.14
11
 Incisos I e II do Art. 44 da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994.

12
História da OAB: O início da caminhada. Disponível em <
http://www.oab.org.br/hist_oab/inicio.htm#criacaoordem > Acesso em 18 mai 2010.
13
Decreto nº 19.408, de 18 de novembro de 1930.

 SCALABRINI, Jairo Henrique. Cartilha de prerrogativas e direitos do advogado. Jus Navigandi, Teresina, ano
14

10, n. 912, 1 jan. 2006. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7761>. Acesso em 19 maio


2010.
10

A título de informação, consta no site da Ordem dos Advogados do Brasil – Conselho


Federal, que a OAB tem, atualmente (dados de 20/05/2010), 699.546 (seiscentos e noventa e
nove mil e quinhentos e quarenta e seis) inscritos, entre advogados, estagiários e
suplementares15. Na seccional do Pará existem 9.027 (nove mil e vinte e sete) inscritos, o que
equivale a 1,29% do total nacional, número relativamente pequeno tendo em vista que
população paraense equivale aproximadamente a 4% da população nacional.

4. PRERROGATIVAS CONSTITUCIONAIS

O   advogado   é   essencial   no   Estado   Democrático   de   Direito,   como   defensor   da 


Constituição e da Justiça, elemento imprescindível para a defesa de direitos, ou como pré­
requisito para se tomar posse em alguns cargos ou funções dentro do poder Judiciário.

Já no inciso LXIII, do Art. 5º da Constituição Federal, figura como direito do preso a


assistência de um advogado, “LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o
de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado.”16

O Art. 133 da CF estabelece a importância do advogado como membro da Justiça e a


sua inviolabilidade, “Art. 133. O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo
inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.”17

Ao longo de toda a Constituição, alguns artigos definem o advogado como profissional 
que deverá, obrigatoriamente, ocupar determinados cargos da Justiça, em diversos tribunais 
ou conselhos.

O   art.   94   da   CF   estabelece   que   deverá   compor   lugares   nos   Tribunais   Regionais 


Federais, nos Tribunais dos Estados, Distrito Federal e Territórios:

15
 Disponível em http://www.oab.org.br/relatorioAdvOAB.asp <acesso em 20 maio 2010>.

16
 inciso LXIII, do Art. 5º da CF.
17
 Art. 133 da CF.
11

Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais
dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do
Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório
saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade
profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das
respectivas classes.18

No inciso XII do Art. 103-B da CF verificamos que dois advogados fazem parte do
Conselho Nacional de Justiça:

Art. 103­B. O Conselho Nacional de Justiça compõe­se de 15 (quinze) membros 
com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo: [...] XII 
dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do 
Brasil;19

Advogados também compõem os cargos de ministros do Superior Tribunal de Justiça,


do Tribunal Superior do Trabalho e do Superior Tribunal Militar; juizes dos Tribunais
Regionais Federais; membros do Superior Tribunal Eleitoral e do Conselho Nacional do
Ministério Público; e de desembargadores nos Tribunais de Justiça de Estados recém-criados,
como podemos destacar nos artigos e respectivos incisos, abaixo especificados, todos da
Constituição Federal:

Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três
Ministros. Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça
serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de
trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e
reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado
Federal, sendo: [...] II - um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros
do Ministério Público Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios,
alternadamente, indicados na forma do art. 94.20

Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, sete


juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região e nomeados pelo
Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de
sessenta e cinco anos, sendo: I - um quinto dentre advogados com mais de dez
anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público Federal
com mais de dez anos de carreira;21

Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete


Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de
sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação
18
 Art. 94 da CF.
19
 Inciso XII do Art. 103-B da CF.
20
 Inciso II do Art 104 da CF.
21
 Inciso I do Art. 107 da CF.
12

pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I - um quinto dentre advogados


com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério
Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o
disposto no art. 94;22

Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete


membros, escolhidos: [...] II - por nomeação do Presidente da República, dois
juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral,
indicados pelo Supremo Tribunal Federal.23

Art. 123. O Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze Ministros vitalícios,


nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo
Senado Federal, sendo três dentre oficiais-generais da Marinha, quatro dentre
oficiais-generais do Exército, três dentre oficiais-generais da Aeronáutica, todos
da ativa e do posto mais elevado da carreira, e cinco dentre civis. Parágrafo
único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre
brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo: I - três dentre advogados de
notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez anos de efetiva
atividade profissional;24

Art. 130-A. O Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de quatorze


membros nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha
pela maioria absoluta do Senado Federal, para um mandato de dois anos,
admitida uma recondução, sendo: [...] V - dois advogados, indicados pelo
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;25

Art. 235. Nos dez primeiros anos da criação de Estado, serão observadas as
seguintes normas básicas: [...] V - os primeiros Desembargadores serão
nomeados pelo Governador eleito, escolhidos da seguinte forma: [...] b) dois
dentre promotores, nas mesmas condições, e advogados de comprovada
idoneidade e saber jurídico, com dez anos, no mínimo, de exercício profissional,
obedecido o procedimento fixado na Constituição;26

É notório, das  extrações  constitucionais  acima, que são vários os  cargos  do poder 


Judiciário   que   devem   ser   ocupados   por   advogados,   especialmente   com   comprovada 
experiência, conduta ilibada, idoneidade e saber jurídico.

5. PRERROGATIVAS DETERMINADAS PELA LEI Nº 8.906, DE 4 DE JULHO DE 

22
 Inciso I do Art. 111-A da CF.
23
 Inciso II do Art. 119 da CF.
24
 Inciso I do Art. 123 da CF.
25
 Inciso V do Art. 130-A da CF.
26
 Alínea b) do inciso V do Art. 235 da CF.
13

1994

A Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a 


Ordem   dos   Advogados   do   Brasil traz em seu bojo normas que definem e delimitam a
atividade da advocacia, os direitos do advogado, os requisitos para inscrição como advogado,
a sociedade de advogados, as condições do advogado empregado, os honorários advocatícios,
as incompatibilidades e impedimentos, a ética dos advogados e as infrações e sanções
disciplinares. Além disso, versa sobre a OAB, estabelece seus fins, sua organização e a
composição de seus órgãos.

De acordo com Scalabrini (2006), “as prerrogativas do advogado são delineadas nos
arts. 6º e 7º, do EAOAB. A ofensa a estes direitos por qualquer autoridade é passível de
correção via do mandado de segurança e do desagravo público, além de eventual reparação de
danos, responsabilização criminal e processo disciplinar.”27

No Art. 7º, da Lei nº 8.906/94 são enumerados os direitos do advogado, entre os quais 
podem se destacar aqueles que delineiam sua liberdade de trabalho e expressão. Abaixo estão 
transcritos todos os vinte incisos que estabelecem seus direitos e prerrogativas:

I - exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional;


II – a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus
instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e
telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia;
III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem
procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em
estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis;
IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por
motivo ligado ao exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob
pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da
OAB;
V - não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em
sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, e, na sua falta,
em prisão domiciliar;
VI - ingressar livremente:
a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam
a parte reservada aos magistrados;
b) nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de
justiça, serviços notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo
fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares;
27
SCALABRINI, Jairo Henrique. Cartilha de prerrogativas e direitos do advogado. Jus Navigandi, Teresina, ano
10, n. 912, 1 jan. 2006. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7761>. Acesso em 19 maio
2010.
14

c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou


outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou
informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro do expediente ou
fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor ou
empregado;
d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou possa participar o
seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde que munido de
poderes especiais;
VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no
inciso anterior, independentemente de licença;
VIII - dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho,
independentemente de horário previamente marcado ou outra condição,
observando-se a ordem de chegada;
IX – (vide ADIN 1.127-8)
X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante
intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a
fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para
replicar acusação ou censura que lhe forem feitas;
XI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou
autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento;
XII - falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva
da Administração Pública ou do Poder Legislativo;
XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da
Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento,
mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a
obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos;
XIV - examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos
de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à
autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos;
XV - ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza,
em cartório ou na repartição competente, ou retirá-los pelos prazos legais;
XVI - retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de
dez dias;
XVII - ser publicamente desagravado, quando ofendido no exercício da profissão
ou em razão dela;
XVIII - usar os símbolos privativos da profissão de advogado;
XIX - recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou
deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi
advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem como
sobre fato que constitua sigilo profissional;
XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para ato judicial,
após trinta minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha comparecido
a autoridade que deva presidir a ele, mediante comunicação protocolizada em
juízo.28

28
 Art 7º da Lei 8.906, de 4 de julho de 1994.
15

CONCLUSÃO

Podemos perceber que o advogado é, e sempre foi, personagem de grande importância 
na história do Direito e da própria humanidade. Foi a partir de homens com conhecimentos 
jurídicos,   que   se   forjaram   as   leis,   as   garantias,   os   direitos.   Não   somente   fazer   leis,   mas 
defendê­las é a missão mais nobre e difícil, e essa é a função principal do advogado, defender 
os indivíduos, as instituições, a democracia, a sociedade em seus interesses mais variados, 
com sabedoria, honestidade, ética e comprometimento. 

E, ainda, para congregar os direitos dos próprios advogados, foi criada no Brasil a 
Ordem dos Advogados do Brasil, instituição respeitada, que controla, coordena e disciplina a 
atividade da advocacia no Brasil, assim como resguarda as prerrogativas de seus membros. 

   
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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