DERIVADOS DO PETRÓLEO São obtidos por destilação fracionada do petróleo, podendo ser usados como combustível, gasolina, querosene

, gás natural, diesel, GLP (Gás Liquefeito do Petróleo) e mais, asfalto (piche), goma Arábica (encontrada nos chicletes), plásticos, vela e cera.

O mundo sem petróleo
Esta década marca o início do declínio da era do petróleo. Não porque ele vá acabar amanhã, mas porque outras fontes de energia, mais limpas e mais baratas, vão tomar o seu lugar
por Flávio Dieguez
Durante praticamente 10 000 anos, desde o início da civilização, a humanidade se contentou em viver consumindo, em média, míseros 20 watts de energia por pessoa – o equivalente, hoje, a manter acesa 24 horas por dia uma lampadinha de árvore de Natal. Esse estado de contrição só se alterou em 1859 com a perfuração do primeiro poço de petróleo pelo aventureiro americano Edwin Drake, na cidade de Titusville, Estado da Pensilvânia, Estados Unidos. De lá para cá, o mundo passou a esbanjar energia e o consumo per capita cresceu de maneira explosiva. Em poucas décadas, havia alcançado um patamar dezenas de vezes maior que o dos séculos anteriores até atingir a marca atual, de 2 000 watts por pessoa. O petróleo nos deu isso. Só que, daqui para a frente, vamos ter que nos virar sem ele. Não porque ele vá acabar no futuro próximo – os especialistas garantem que as reservas mundiais são mais do que suficientes para satisfazer as necessidades do planeta por até 75 anos. Mas porque continuar usando o combustível que move a economia mundial com essa voracidade faz mal à saúde da Terra. “Temos gasolina para queimar à vontade ao longo de todo o século XXI”, diz o escritor e pesquisador americano Mark Hertsgaard, da Universidade Johns Hopkins. “Mas, se fizermos isso, também vamos queimar o planeta.” Ele se refere, naturalmente, ao aquecimento global provocado pelo gás carbônico e por outros gases lançados na atmosfera pela combustão de derivados de petróleo. “Hoje, o país que mais contribui para o aquecimento global são os Estados Unidos, justamente os mais desenvolvidos”, afirma Hertsgaard. Até as empresas que teriam mais dificuldade para se adaptar a um mundo sem petróleo estão mudando de postura. Há poucos anos, por exemplo, a indústria automobilística tenderia a descartar a análise de Hertsgaard. Não mais, diz o cientista político americano John Holdren, da Universidade Harvard. “O desafio é imenso, mas há um consenso crescente de que é preciso diminuir a nossa dependência em relação ao petróleo.”

a ridicularizar o aquecimento global. eles não conseguem superar o problema do espaço e do peso das baterias. todos os grandes nomes da indústria automobilística têm protótipos de carros movidos a hidrogênio em estágio avançado de testes. do Museu Henry Ford. de novo. As pioneiras foram a DaimlerChrysler e a Ford. Ele poderia ser extraído da água do mar. do ponto de vista tecnológico. empresas como a Exxon “continuam. Poucos especialistas acreditam que os híbridos tenham chance de entrar no mercado para valer. “Uma boa parcela dos 60 milhões de carros que a indústria pretende colocar nas ruas em 2010 funcionará com hidrogênio”. Primeiro. porque “queimar”. atualmente. o tamanho usual dos tanques de gasolina. Um sonho. por exemplo. mas. Outro trunfo . já estão na casa do bilhão de dólares e o plano é gastar outro tanto para lançar os novos modelos até 2004. a ignição é rápida e a célula de combustível alcançou. de público. batizado de célula de combustível. no dicionário da química. prometem apertar o passo na reta final. por exemplo. com a célula de combustível”. na surdina. E quais são as alternativas? Tudo indica. fez sucesso nas feiras do ano passado exibindo o Prius. É o que acontece. que ainda é apenas um híbrido capaz de tirar potência de duas fontes ao mesmo tempo. que o grande sucessor do petróleo é o hidrogênio. O que gera. acabar com o reinado de 100 anos do motor a explosão”. A Toyota. estão investindo pesado em novas tecnologias”. a British Petroleum e a Shell. é sinônimo de “combinar com oxigênio”. da consultoria Bear Sterns. Segundo. em tamanho. que não roubam espaço dos passageiros. atualmente. Dois fatores contribuíram para a ascenção espetacular do hidrogênio como combustível. Apesar disso. A energia liberada nesse processo é transformada em eletricidade dentro de um gerador desenvolvido especialmente para esse fim. diz o analista de inovações tecnológicas americano Robert Winters. afirmou no ano passado o presidente da Ford. Já nos carros a hidrogênio. foi a possibilidade de comprimir grandes quantidades do elemento dentro de tanques relativamente compactos. por sua vez. por ser uma fonte inesgotável de energia. com os carros elétricos tradicionais. Atualmente. nome do carro experimental da DaimlerChrysler. nos Estados Unidos. assim como o da demora para recarregar e dar a partida. Seus carros movidos a hidrogênio podem muito bem chegar às revendedoras antes de 2004. movidos a bateria. “as baterias do carro elétrico dificilmente poderão competir. Os investimentos somados das duas. afinal. de longe. quando duas gigantes do setor. E não são as únicas – de acordo com a revista inglesa The Economist. “Acredito que as células de combustível vão. no futuro. o Prius confirma as expectativas positivas criadas anteriormente pelo Necar. água – único resíduo deixado pela queima do hidrogênio. O mais importante.A mudança no mundo empresarial tornou-se pública apenas no ano passado. Para o historiador americano Robert Casey. Bill Ford. o mais abundante no ambiente. desde o século XIX. declararam que estão se preparando para enfrentar os problemas ambientais causados pelo petróleo. E é bom os engenheiros cumprirem o cronograma porque as fabricantes japonesas. para substituir o petróleo com vantagens imensas. a gasolina e o hidrogênio. um carro em funcionamento. há dois anos. em seus projetos. A eletricidade. coloca. apesar de terem largado um pouco atrás nessa corrida. o mais simples de todos os elementos químicos e. entre outras possibilidades.

segundo Laherrère – e a do carvão mineral. Apesar de ser muito inconstante e de não ter força ainda para mover carros. Também é preciso considerar que o vento é uma fonte de força instável. mesmo onde tem potência suficiente para justificar a instalação de geradores eólicos. Outra promessa é a energia solar. “Essa parcela tende a crescer outro tanto nos próximos dez ou 15 anos”. afirma o geofísico francês Jean Laherrère. Nesse meio tempo. desenhados de acordo com todos os requintes da aerodinâmica e controlados por computador para maximizar a captação da força do vento. O átomo parece ser indomável. o hidrogênio empregado nos carros experimentais tem sido obtido de substâncias como o álcool. porém. Essa ampliação reduzirá a fatia do petróleo – talvez em até 5%. ela também tende a crescer. Até porque o petróleo não sairá de cena tão cedo e haverá tempo e idéias de sobra para pensar num meio simples e eficiente de gerar hidrogênio. . consultor de empresas independente. Por conseguirem superar todas essas desvantagens e considerando o fato de serem ecologicamente limpíssimos. desde os anos 70 a parcela do petróleo no consumo global de energia caiu de 60% para 40% enquanto a do gás natural subiu de 10% para 20%. Aos poucos. dizem os especialistas. Não é pouco. A queima do gás natural. e têm agora 1. o Sol poderá ser usado ao lado das hidrelétricas e termelétricas para gerar eletricidade. Em compensação. o petróleo perderia gradualmente terreno – como já vem fazendo há tempos em relação ao gás natural. Os moinhos saíram praticamente do zero. por segurança. Com uma fração minúscula no bolo energético (menos de 0. se levarmos em conta que sua demanda vem crescendo à taxa de 30% ao ano. de preferência com a ajuda de energia solar. É um meio de empurrar o problema para o futuro. Por enquanto. está ficando difícil aprimorá-lo ainda mais. que hoje responde por 23% do consumo mundial de energia. como o petróleo. por meio de reações químicas não muito eficientes. e também é extraído do subsolo. Isso não significa que o hidrogênio já tenha superado todos os obstáculos: resta. Assim. as 437 usinas existentes serão desativadas.5% do consumo mundial de energia. que oscila de maneira imprevisível. em 1970. o passado ressurge rejuvenescido na forma dos moinhos de vento – agora dotados de imensas hélices metálicas. resolver o desafio da sua produção – não adianta nada encher o tanque dos carros com um combustível perfeitamente limpo se. É possível que o gás natural também fique com alguns pontos dos 7% que as centrais nucleares detêm atualmente. Talvez no futuro os tecnólogos aprendam a colocar rédea nesse manancial imenso de potência e força. para produzi-lo. tudo indica que os moinhos de vento terão muita importância no futuro. Prova disso é o “satélite-usina” que o Japão pretende lançar ao espaço com o objetivo de coletar luz do Sol e enviá-la para baixo na forma de eletricidade.do hidrogênio é que. for preciso queimar gasolina ou carvão mineral. gera dez vezes menos poluentes. embora o motor a explosão tenha passado por uma evolução extraordinária nas últimas três décadas – hoje ele emite 20 vezes menos poluentes do que nos anos 70 –.5%). nos próximos anos. quando se espera descobrir a fórmula ideal – que é extrair o hidrogênio diretamente da água. acima de tudo. Trata-se também de um composto de carbono. Não há pressa.

ele não sairá de cena sem que se faça uma complicadíssima reforma econômica. Derry. por exemplo. EUA. mas também porque funciona sob controle rigoroso do Estado. justamente onde a transição para as energias limpas está mais avançada. do petróleo para empurrar suas economias. New Brunswick. Claro. Para saber mais Na livraria: Earth Odyssey. vão se tornar um fator de tensão permanente. A sinuca ficou ainda mais apertada porque as empresas geradoras não se sentiram obrigadas. Mas as mudanças foram feitas de maneira apressada. Assim. por estar em um período de transição. não pôde evitar uma série de blecaute no início deste ano. porque dependem. o consumo mundial de energia ficaria cinco vezes maior da noite para o dia. metade da energia elétrica é gerada por gás natural em termelétricas e sua produção foi entregue à iniciativa privada a partir do final dos anos 80. Como resultado. Lá. EUA. a oferta e a demanda de energia poderiam oscilar de maneira imprevisível. Rutgers University Press. Nos próximos anos. por altas repentinas no preço da eletricidade e teve que racionar o consumo para não estourar as contas públicas. muito mais do que os ricos. desde meados do ano passado. Não se levou em conta.br Energia desigual . que. apesar de a economia ter crescido 34% no período. Para ter uma idéia. David Kirsh. a investir na construção de novas usinas. 2000 fdieguez@falso. Mesmo assim. a produção de eletricidade estagnou no patamar em que estava há dez anos. Mark Hertsgaard. Que essa agenda não será fácil de cumprir vê-se pela confusão em que se meteu o Estado americano da Califórnia. só os príncipes árabes – donos de 40% das reservas de petróleo do mundo – duvidam que estamos assistindo ao declínio do ouro negro. tanto do ponto de vista tecnológico quanto do econômico. se. nos últimos anos. 1999 The Electric Vehicle and the Burden of History. não só porque movimenta perto de 1/5 do Produto Interno Bruto mundial (avaliado em cerca de 40 trilhões de dólares).Dito isso. o consumo dos países em desenvolvimento se igualasse de imediato ao dos desenvolvidos. por algum passe de mágica. será preciso facilitar o acesso dos países em desenvolvimento às inovações energéticas por meio de uma maior cooperação internacional. o Estado foi surpreendido. Portanto. a transição do petróleo para novas fontes de energia será tortuosa e pontuada por idas e vindas complicadas. O êxito da saudável conspiração ambiental contra o petróleo depende disso. Broadway Books. A energia é. com certeza. Portanto. seja qual for o país. a indústria mais importante do planeta. os países pobres. sem comparação.com.

da Petrobrás. e assim por diante.htm Divisão que rende Após ser destilado.com/oil-refining.htm www. O que as refinarias fazem é separá-los dessa massa bruta. diesel. o famoso gás de cozinha. não é exatamente a gasolina que sai desse processo. "Só entre 20% e 30% da gasolina é obtida diretamente pela destilação. os técnicos conseguem dividir as cadeias maiores de resíduos.Os países desenvolvidos consomem. Como cada produto tem um ponto de ebulição diferente. basta aquecer o petróleo para retirar seus derivados. E essa facilidade de recombinar os agrupamentos de carbono que faz com que o petróleo seja base de tantos produtos.uk/education/coryton/page7. gases liquefeitos e um monte de outros óleos. é preciso ir mais longe até chegar ao produto final. Quando a temperatura vai a 100ºC. A40ºC. hoje. com cinco a 12 átomos de carbono cada. MERGULHE NESSA NA INTERNET: http://science. Em seu estado natural. diz o engenheiro químico Juarez Perissé. Como o consumo do resto do mundo tende a crescer. formando várias cadeias pequenas. entretanto.co. cada um desses vapores é transformado em líquido e retirado por tubos da chamada torre de destilação. Há os "leves".howstuffworks. querosene. onde os derivados do óleo são separados. os problemas de abastecimento poderão se agravar muito nas próximas décadas Como o petróleo se transforma em tantos produtos? O segredo é saber extrair do ouro negro tudo o que ele já tem.petroleum. o vapor que aparece é o GLP. que têm cadeias pequenas. têm até 70 átomos. quase metade de toda a energia que se produz. Já os "pesados". o vapor é de gasolina. por exemplo. A maior parte surge com o processamento de outras partes menos valiosas do petróleo". Depois. entra em cena o chamado processo de "quebra" dos derivados. o petróleo é um líquido pastoso que traz uma mistura de gasolina. Muitas vezes. Nessa hora. capaz de transformar resíduos da mistura em gasolina e gás. por exemplo. como o diesel e o óleo combustível. como a própria gasolina. O próprio combustível do carro. A estratégia é eliminar a diferença fundamental entre os derivados: o tamanho de suas cadeias ou agrupamentos de carbono. o líquido negro dá origem a centenas de derivados . Por meio de tratamentos com produtos químicos.

O resto é formado por naftas leves. o diesel é o combustível mais usado no país.que justamente por isso é retirado da parte mais alta da torre . a queima de seus nove a 16 átomos de carbono gera pouquíssima fumaça e praticamente nenhuma fuligem. que com seus . Essa fumaça vai então para a chamada torre de destilação. Afinal. Por meio de processos físico-químicos. o gás liquefeito de petróleo. Só nas refinarias da Petrobrás. é o combustível preferido para impulsionar aviões a jato PRODUTO ROBUSTO A 260ºC e a 340ºC saem. Perfeito para motores de caminhões. Os dois são usados na fabricação do diesel comercial.é o GLP. ele não deixa rastros nem danifica motores ou turbinas. Como quase não tem resíduos. Esse produto de apenas três ou quatro átomos de carbono e usado como gás de cozinha e propelente de Aerossóis. suas cadeias são quebradas e dão origem a substâncias mais valiosas. Por isso. onde o petróleo é aquecido até se transformar totalmente em vapor. além de servir de base para a fabricação de diversos tipos de plásticos TANQUE CHEIO A gasolina propriamente dita é derivada das chamadas naftas pesadas. o diesel leve e o diesel pesado. sobram no fundo da torre subprodutos com mais de 70 átomos de carbono. obtidas a cerca de 100ºC. que tem capacidade para processar até 40 Milhões de litros de óleo por dia. tratores e navios (fortes e de alto torque). Lá o vapor é resfriado a temperaturas diferentes e vira líquido. que tem de 12 a 22 átomos de carbono. 35% do petróleo é transformado nesse óleo BEIJO OLEOSO A partir de 360ºC. como as naftas leves recombinadas. Sua estrutura de seis átomos de carbono forma um plástico que pode ser derretido e moldado com facilidade. respectivamente. o querosene é um dos mais limpos. No final. que servem para roupas. substâncias com cadeias de cinco a 12 átomos de carbono. E é a partir desse material que são construídas fibras elásticas. destiladas diretamente ou a partir de resíduos DERIVADO ELASTÍCO Além de ser usado como solvente o benzeno é a principal matéria-prima para o náilon. Mas apenas 20% do combustível dos postos tem essa origem. bolsas e até cordas de violão COMBUSTÍVEL LIMPO Entre todos os subprodutos do petróleo. com cinco a nove átomos de carbono.AQUECENDO A MISTURA O processo de separação de produtos começa em grandes caldeiras. um conjunto de tubulações retira cada um dos derivados GÁS E PLÁSTICOS O derivado mais leve .

Isso porque ele só aparece em tipos raros de petróleo. especialista no tema. servindo. escreveu Matt Savinar. mas “e quando” o petróleo acabar. quando as reservas atuais acabarem será preciso esperar milhões de anos até se formarem poços novos. Mas cientistas não acreditam que o óleo vá se extinguir tão cedo. é um combustível barato utilizado em máquinas Industriais. por exemplo.cinco a nove átomos do carbono fornecem a textura plástica das películas de batom e de outros cosméticos RESÍDUO RARO Outro derivado que aparece nos resíduos é o óleo lubrificante. esse produto que possui entre 20 e 50 átomos de carbono é bastante difícil de ser encontrado. progressivamente. Duncan acredita que vai ser impossível manter o nível de industrialização que temos hoje e que existe um risco real de voltarmos. usado em aquecedores residenciais e industriais no hemisfério norte. a questão não é “e se”.. “Quando passarmos desse ponto máximo na produção. Por ser um combustível fóssil. Nos próximos anos. entretanto. O que deve acontecer logo é o fim do estoque abundante. “Muitos geólogos dizem que 2005 é o último ano da bonança”. com mais de 70 átomos de carbono. Em estado bruto. o gasóleo pesado ou óleo combustível tem suas longas cadeias de 20 o 70 átomos de carbono quebradas para se transformarem em óleo diesel e em gasolina. para a fabricação de asfalto de ceras e de combustíveis de queima lenta. viajar de . nossa vida terá que ser reorganizada. o preço do barril deve subir assustadoramente e nossa sociedade pode entrar no que o engenheiro petrolífero Richard Duncan chamou de “Idade da Pedra Pós-Industrial”. E se. No Brasil. a viver como homens dos tempos das cavernas. essencial para o funcionamento de qualquer tipo de motor. Mesmo quem não aposta num cenário tão radical prevê um encolhimento das economias. A grande desvantagem é que sua combustão libera uma grande quantidade de fuligem TUDO SE APROVEITA Derivados residuais menos nobres.o petróleo acabar? por Bárbara Axt e Bárbara Soalheiro Para muita gente. Mesmo essas substâncias são aproveitadas. numa escala muito menor. Com a queda na produção. sobram em grande quantidade. Não será possível. a produção tende a cair – projeções indicam queda de 3% ao ano.. como o coque. resultado da decomposição de organismos. por exemplo. algo fundamental numa sociedade como a nossa. presentes principalmente nas reservas de países do Oriente Médio BARATO E SUJO Também processado a partir de resíduos.

diz James Kunstler. Merheg Cachum. luvas. permitindo que cada vez mais plástico seja produzido sem o uso de matériaprima virgem”. a tendência é que o petróleo seja substituído por um conjunto de fontes de energia. “O aumento da produção nos últimos anos não aconteceu por um aumento repentino da luz do Sol. Não é à toa que muitos cientistas nos avisam para começar as mudanças já. Outra medida será reaproveitar objetos. diz Marcos Antonio Correia. E o que virá depois? Para Osvaldo Saavedra. petróleo é a base de alguns dos remédios mais consumidos no mundo. “O problema é que criar novas estruturas de produção. válvulas cardíacas e seringas). Já há pesquisas com cana-deaçúcar e milho como matérias-primas substitutas. autor de The Long Emergency (“A Longa Emergência”. hidrogênio ou alternativas naturais como energia solar e eólica. armazenamento e distribuição para cada energia é um processo de décadas. E não é nada barato”. sem tradução no Brasil). Além de ser um ingrediente-chave para vários suprimentos de plástico usados em hospitais (cateteres. escreveu Dale Allen Pfeiffer no artigo Comendo Combustíveis Fósseis. Comidas Você deve quase tudo o que come às reservas do óleo. os pesticidas (derivados de petróleo)”. não impedem a passagem de umidade para a pele e não são eficazes como condutoras de ingredientes ativos (como no caso de assaduras ou queimaduras).carro ou de avião com a freqüência que fazemos hoje”. como analgésicos (aspirina. Cada região ou indústria usará a opção que melhor lhe convier: biomassa. podemos substituir óleos de origem mineral por materiais de origem vegetal. por exemplo. Pomadas “Em muitos produtos. não são tão eficientes: ficam rançosas. Mas ainda não existem substitutos à altura para pomadas”. Segundo os estudos de Pfeiffer. por exemplo). sedativos e xaropes contra a tosse. já que é impossível encontrar um substituto tão concentrado e fácil de transportar quanto o óleo. diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico. Medicamentos A medicina de hoje estará totalmente comprometida. José Fantine. do Núcleo de Energias Alternativas da Universidade Federal do Maranhão. como manteigas de cacau e de karité. diz o engenheiro e pesquisador da UFRJ. sem esses combustíveis seriam necessárias pelo menos 3 semanas de trabalho . energia nuclear. da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP. mas ainda não é possível fazer a troca. Bem-vindo à casa do futuro! Plástico A maioria dos objetos de nosso cotidiano usa plástico. Essa revolução não seria possível sem. As alternativas testadas. “Cientistas estão trabalhando em técnicas de reciclagem. antibióticos (muitos exigem solventes para extrair o agente antibiótico).

como os gregos. Produtos sintéticos Carpetes. já que a resina natural é muito mais cara que a borracha sintética". Isso dá mais de 9. as resinas naturais foram substituídas por substâncias sintetizadas a partir do refino do petróleo. completamente dependentes de petróleo. pois estimulam a produção de . sofás. Olhe para os ambientes da sua casa e repare quantas coisas são feitas a partir de produtos sintéticos. é provável que o fim do petróleo nos obrigue a mudar o cardápio. Mais precisamente em 1872. Nas décadas seguintes. compensados de madeira. batom. diz o engenheiro químico Múcio Almeida. gerente de desenvolvimento de produtos da Adams do Brasil. mas há registros históricos de que vários povos da Antiguidade. A guloseima que conhecemos hoje surgiu no final do século 19. diz James Kunstler. O látex do sapotizeiro . A essa resina os nativos davam o nome de chicle. O hábito também era comum no continente americano. surgiram os primeiros chicletes sem açúcar. "O motivo para essa troca foi o custo de fabricação.5 litros por dia. segundo os fabricantes. A partir da década de 1960. Tudo isso depende do óleo. ele abriu várias fábricas para atender a demanda crescente dos consumidores americanos pelo novo produto. Não é à toa que uma pessoa consome 22 barris de petróleo por ano. Como isso é inviável. “As pessoas vão ser obrigadas a produzir sua comida perto de casa. em uma escala menor”. Como surgiu e como é feito o chiclete? Ninguém sabe ao certo quando o homem começou a mascar resinas extraídas de árvores. esmalte e roupas (mesmo as de algodão. mas ainda sobra petróleo suficiente para quase tudo que você está usando enquanto lê a Super. Em meados do século 20. que. especialmente após a Segunda Guerra (1939-1945). além de diminuírem os riscos de cáries. Você Xampu. já tinham esse costume.para produzir a dieta diária de um americano. antes mesmo da colonização européia. já que há petróleo nos produtos usados no tingimento). ajudam a manter os dentes limpos. Fotos Filmes fotográficos e películas de cinema também não sobreviveriam sem o óleo.árvore que dá o sapoti era usado como goma de mascar pelos maias e astecas. 70% é gasto em transporte (no combustível do carro ou do ônibus). ano em que o inventor americano Thomas Adams fabricou o primeiro lote de chicletes em formato de bola e aromatizando as resinas naturais com extrato de alcaçuz. tintas acrílicas. entre outras civilizações précolombianas. cortinas.

A goma base é comprada pelas fábricas de chiclete propriamente ditas. Crianças pequenas que engolem a goma correm o risco de ter as vias aéreas bloqueadas ou de ter interrompido o fluxo intestinal. Para fabricá-los. Com ou sem açúcar. A fabricação do chiclete começa com a produção de sua matéria-prima: a goma base. A partir daqui. ela é novamente despejada em placas para esfriar e endurecer. que são resfriadas em temperatura ambiente. porém. que escorre na boca após a primeira dentada. A última etapa é a embalagem. Quando a mistura está pronta. antes de ela ser fatiada no tamanho de cada chiclete 6. Borracha doce Produtos derivados do petróleo são os principais ingredientes da guloseima 1. com pás que giram para tornar o produto homogêneo. Para formá-la. Há fábricas que só fazem goma base e depois a revendem 3. Se ele for uma guloseima simples. Quando essa mistura líquida está pronta. que se dissolve após alguns segundos de mastigação. aromas (em geral misturas de vários óleos essenciais). Depois. pois há um estímulo desnecessário à produção de enzimas gástricas. está pronto para ser distribuído e vendido Mergulhe nessa Na internet: . os pedaços do chiclete já fatiados são banhados em um xarope feito de açúcar ou adoçante. Outro alerta: mascar com a barriga vazia pode causar problemas estomacais. passam por outras etapas antes da embalagem. plástico ou caixinhas. substâncias emulsificantes (óleos vegetais que dão liga à mistura) e antioxidantes (conservantes químicos que prolongam a duração do produto). como um Ping Pong. dependendo do produto. que remove partículas de alimentos. Essas tiras são então fatiadas no tamanho de cada chiclete. que pode ser feita com papel. corantes. Um bom exemplo são aqueles que têm um líquido dentro. onde é derretida em grandes panelas e ganha outros ingredientes: açúcar ou adoçante. Há também os produtos que têm uma casquinha em volta da goma. as placas passam por uma máquina que as corta em tiras finas e compridas.saliva. ela evapora e deixa partículas sólidas na superfície do chiclete 7. Os chicletes especiais. À medida que essa "calda" é aquecida. Ela tem ingredientes como borracha sintética e parafina (ambas derivadas do petróleo). uma máquina injeta o caldo aromatizado no interior da tira de goma. A receita ainda leva carbonato de cálcio. ácidos cítricos (que dão aquele sabor azedinho a alguns chicletes) e glicerina (substância que ajuda a dar liga ao produto) 4. já está pronto para ser embalado 5. que começou como uma insossa borracha feita de petróleo. uma espécie de cal tratada que serve para dar mais volume à mistura 2. Todos os ingredientes da goma base ficam em grandes panelas aquecidas. é bom tomar alguns cuidados com essa guloseima. o chiclete. ela é despejada em pequenas placas.

é cada vez mais evidente que os combustíveis estão diretamente ligados ao aquecimento global. O petróleo. é poluente. dando a elasticidade necessária para o consumidor sair soprando bolas por aí Combustíveis: da madeira ao biocombustível As principais fontes de energia por Carlos Minuano Sólidos. a gasolina. o consumo voltou a crescer. . com a atual elevação no preço do petróleo. com o crescente uso do motor a vapor. mas. passa a ser cobiçado por outro derivado. há séculos boa parte do mundo não funciona sem eles. No entanto. ela ainda é muito usada nos países em desenvolvimento.shtml www.prodhelp. Esse derivado do petróleo ajuda a formar um filme em volta do produto. em geral o acetato de polivinila.com Você sabia? A diferença entre a goma de mascar e o chicle de bola já aparece logo no primeiro passo da fabricação da goluseima. 1850 Carvão mineral Combustível que se torna popular na Revolução Industrial. embora seja uma fonte renovável. Por ser barata. líquidos ou gasosos. além dos ingredientes descritos no item 1. mas. A matéria-prima (goma base) do chicle de bola tem.com/historyofgum. Pré história Madeira Também conhecida como lenha. Pesquisas vislumbram um futuro com carros a hidrogênio e uma sociedade movida por fontes não-poluentes. até então conhecido pelo querosene. Sua utilização entrou em declínio nas últimas décadas. Começa a era dos combustíveis líquidos.www. um plástico. a madeira – usada no início para aquecer e cozinhar alimentos – tem papel fundamental para o desenvolvimento da humanidade. mas isso ainda deve levar algumas décadas.adamsbrands. 1906 Gasolina O início da fabricação em série dos automóveis provoca uma disparada do uso de combustíveis.

1932 Diesel Com rendimento maior que o dos movidos a gasolina e emissão de poluentes menor. era usado na iluminação. O etanol. em 1859. Apesar de mais caras. em que milhares morreram ou foram contaminados. que desde sua descoberta. 1984 Energia hidrelétrica Pela quantidade de água de que o Brasil dispõe. as energias alternativas cresceram 40% em 2006. pois sua distribuição é feita através de gasodutos.1920 Gás natural O gás. surge como alternativa. apesar de mais caro. 1990 Energias alternativas Impulsionada pela preocupação ambiental. o motor a diesel. outro derivado do petróleo. Porém. ganha os holofotes na década de 90. combustível de origem vegetal. começa a se destacar como alternativa a combustíveis bem mais poluentes. 1975 Álcool A crise do petróleo na década de 70 chama atenção para a urgência de novas fontes de energia. O ápice da expansão ocorre na década de 80 com a construção da hidrelétrica de Itaipu. segundo a ONG Greenpeace. é uma fonte de energia não-renovável e finita. que não polui. 1942 Energia nuclear A fissão nuclear de urânio é cogitada como alternativa de geração de energia. ganharia o mundo durante a Segunda Guerra. foram fabricados mais de 5 milhões de veículos a álcool. Esse combustível. a energia eólica. Até 2000. com o acidente nuclear de Chernobyl. Ele não precisa ser estocado. ao lado da energia solar. na Ucrânia. não é de causar espanto que o país seja líder nesse segmento. se populariza. A opinião se dividiu a partir de 1986. A produção inicial de 600 milhões de litros em 1975 sobe para 12 bilhões em 1986. Apesar de ser aproveitada desde o fim do século 19. seu uso cresce na década de 70. a maior do planeta. .

. Combustíveis como o biodiesel e o etanol produzidos a partir de cana-de-açúcar.derivada do grego plastikos. o teflon (1941) e o silicone (1943). ele já existia na natureza. Mas a verdadeira revolução viria em 1907. feitos à base de petróleo. A palavra plástico . A chave desse novo processo foi a polimerização. o PVC (1933). como o poliéster (1932). o náilon (1938). Em 1839. ou polímeros.2000 Biocombustíveis Com o efeito estufa e a escalada do preço do petróleo. foram criados pelas empresas petroquímicas para as mais diferentes utilidades. a partir de diversas reações químicas. várias moléculas menores em uma grande. carvão e gás natural. o Bakelite. em 1870. centenas de plásticos. Leo Baekeland (1863-1944) criou o primeiro plástico totalmente sintético e comercialmente viável. O material era usado. Começava a era dos plásticos modernos. Assim. o poliuretano (1939). o americano Charles Goodyear (18001860) criou o processo de vulcanização da borracha. que consiste em juntar. flexível . bem como o marfim. Desde então. resinas de certas árvores conhecidas desde a antigüidade são consideradas plásticos naturais. ganham a cena como soluções sustentáveis. as fontes renováveis voltam ao foco do mercado energético. para substituir o marfim na produção de bolas de bilhar. cada um deles obtendo um pequeno avanço. naturalizado americano. quando o químico belga. que não se quebra facilmente e dá ao material maior durabilidade. o americano John Wesley Hyatt (1837-1920) produziu celulóide a partir da celulose das plantas. Já o plástico artificial surgiu com a contribuição de vários inventores. por exemplo. moldado desde o século XVII.define qualquer material capaz de ser modelado com calor ou pressão para criar outros objetos. ADDDDDDDDOÇANTE Como foi inventado o plástico? Antes mesmo de ser inventado. plantas e resíduos agropecuários. Décadas depois. que transformava o material natural em um produto mais resistente às mudanças de temperatura. entre outros.

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