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A domesticação na paisagem:

os solos antropogênicos e o formativo na amazônia

Manuel Arroyo-Kalin

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A arqueologia das terras baixas americanas discute o período Formativo (WILLEY; PHILLIPS,

1965; RAYMOND, 1998; MEGGERS, 1999; MARCOS, 2003) como o processo no qual as comunidades

humanas especializadas na caça, pesca e coleta passaram a depender dos recursos

alimentares disponíveis, ou daqueles que eram armazenáveis, durante a maior parte do ciclo anual. Essa dependência, em geral associada a fontes de alimentação espacialmente concentradas, levou à redução da mobilidade residencial e, eventualmente, permitiu a adoção de estilos de vida sedentários. Ainda que houvesse regiões nas quais o sedentarismo foi resultado da exploração, do manejo e da estocagem de recursos aquáticos (MOSLEY, 1975; SCHAAN, 2004), naquelas regiões onde não existiam concentrações piscosas, ou naquelas em que sua disponibilidade era menos previsível e mais arriscada ao longo do ano, o verdadeiro motor do sedentarismo foi uma dependência crescente de alimentos de origem vegetal (LATHRAP, 1977; PIPERNO; PEARSALL, 1998; OLIVER, 2001). Através da seleção de características atrativas de determinadas espécies de plantas e da transformação de seus habitats, essa dependência levou a eventos fundadores de um grande número de espécies domésticas (CLEMENT, 1999b; 2006b). Os cultivares, e os acervos de conhecimento e práticas agrícolas necessários para seu cultivo, permitiram a expansão de populações a novas regiões. Através da intensificação da produção, estabeleceram-se eventualmente as condições necessárias para o crescimento demográfico e, numa escala temporal mais ampla, para o desenvolvimento de novas e mais complexas formas de relacionamento social.

A compreensão do Formativo na Amazônia, contudo, sempre fugiu dessa caracterização. Discussões sobre a continuidade histórica das populações observadas pela etnografia geraram visões contrapostas sobre os estilos de vida que teriam existido na Amazônia antes da chegada dos Europeus (CF. LATHRAP, 1968, 1970; CARNEIRO, 1970; MEGGERS, 1971; MEGGERS, 1996; WRIGHT, 1991; PORRO, 1992; NEVES, 1995; NEVES, 2005; VIVEIROS DE CASTRO, 1996; STAHL,2002; HECKENBERGER, 2005). Diante dos dados arqueológicos, essas discussões justapunham os horticultores ‘imigrantes’ de Meggers e Evans (1957) contra o modelo ‘indigenista’ de Lathrap (1970), levando a opiniões muito divergentes sobre a origem do Formativo da Amazônia. Assim, enquanto Meggers e Evans (MEGGERS; EVANS, 1983; MEGGERS, 1997) argumentaram que o surgimento dos primeiros grupos horticultores foi resultado da migração de sociedades ceramistas vindas dos Andes, da Colômbia e da Venezuela, Lathrap (1977) e Brochado (BROCHADO; LATHRAP, 1982), por sua vez, insistiram no surgimento autóctone de grupos ceramistas e horticultores no médio e baixo curso do rio Amazonas.

Com o decorrer das pesquisas, o estudo de extensos sítios arqueológicos nas margens dos grandes rios (HILBERT, 1968; MYERS, 1973; SMITH, 1980; EDEN et al. 1984; ROOSEVELT, 1993) sugeriu graus diversos de sedentarismo ou, mais estritamente, permitiu diversas interpretações que incidiram na discussão sobre as origens da vida sedentária. Por exemplo, Evans e Meggers (1968) propuseram uma aglutinação temporária e culturalmente sincretista nas areas de confluência dos grandes rios (ver também HILBERT, 1968; SIMÕES, 1974), ideia que posteriormente levou Meggers (1990, 1995, 2001), face aos dados de seriação da cerâmica, a sugerir que

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estes sítios fossem produto da superposição de curtas ocupações por grupos pequenos. Miller (1992a; 1999), por sua vez, sugeriu que os eventos de sedentarimo nestes sítios estivessem relacionados a presença de concentrações de recursos aquáticos. Neves e colaboradores (2003; 2004) inicialmente sugeriram se tratar de sucessivas ocupações intensas e curtas,

mas, posteriomente discutiram a possibilidade de ter ocorrido ocupações sucessivas, porém duradouras (NEVES;PETERSEN 2006; LIMA et al, 2006; NEVES, 2008). Essa visão é convergente com

a hipótese de ocupações extensas e contínuas sugerida para sítios da mesma região (HERRERA et al, 1992a; HECKENBERGER et al, 1999).

Frente ao crescente consenso sobre o fato que um padrão horticultor de floresta tropical ter se desenvolvido até formar grandes aldeamentos em algumas áreas da Amazônia (ROOSEVELT, 1999; ROOSEVELT, 2000; HECKENBERGER, 2005), perguntas importantes subsistem sobre a origem da vida sedentária na região. Já a descoberta de ocupações ceramistas do Holoceno nos sambaquis fluviais e litorâneos da Amazônia e Guianas (SIMÕES, 1981; WILLIAMS, 1981; ROOSEVELT et al, 1991) parece apoiar parcialmente o modelo ‘indigenista’ de Lathrap. Ao mesmo tempo, as evidências de grupos pré-ceramistas silvícolas e horticultores na primeira metade do Holoceno – especialmente a presença de restos vegetais de sementes queimadas e micro-fósseis de cultivares na área de Araracuara, Colômbia (MORA, 1991; GNECCO; MORA 1997; PIPERNO; PEARSALL, 1998) – questionam a equação entre ceramistas e horticultura. Será que a origem da vida sedentária nas terras baixas se inicia com os grupos horticultores pré-ceramistas? Ou será que essas comunidades apenas eram similares aos grupos semi-nômades e de sedentarismo limitado (p. ex. NEVES, 1995; FAUSTO, 2001; RIVAL, 2002), como aquelas documentadas nas observações etnográficas da Amazônia?

O sedentarismo e os antrosolos na Amazônia

Nesse contexto, as evidências arqueológicas de modificações antropogênicas da paisagem, especialmente a formação de solos antropogênicos, tem se convertido numa das peças chave para as discussões sobre a origem do sedentarismo na Amazônia. Hartt (1885), Nimuendajú (1949; ver também NEVES, 2004), e Sombroek (1966) já defendiam a origem antropogênica destes solos, também conhecidos como terras pretas de índio, sugerindo serem correlatos de

antigos aldeamentos indígenas. Pesquisas ao longo de decadas (e.g. HILBERT, 1968; SMITH, 1980; HERRERA et al, 1980/1981; HERRERA, 1981; EDEN et al, 1984; SIMÕES; CORRÊA, 1987; SIMÕES;KALMANN, 1987; HECKENBERGER, et al, 1999; NEVES 2003; MORAES, 2006) mostraram que áreas de diferente porte e forma, freqüentemente com grandes quantidades de vestígios cerâmicos, são achadas nas margens dos grandes rios, em igapós e lagos associados à canais abandonados, e ainda nas áreas interfluviais afastadas de grandes corpos de água (Figura 1). Geógrafos, antropólogos

e botânicos mostraram o papel dessas áreas como reservas de agro-biodiversidade e habitats

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de variedades específicas de cultivares (SMITH, 1980; BALÉE, 1989; WOODS;MCCANN 1999; CLEMENT et al; 2003; GERMAN, 2003; HIRAOKA et al, 2003; FRASER et al, 2008; FRASER; CLEMENT 2008), enquanto pesquisas pedológicas discutiram a sua maior aptidão agrícola, decorrente de uma maior capacidade de retenção de matéria orgânica e nutrientes (SOMBROEK, 1966), possibilitada pela presença de quantidades significativas de carbono pirogênico de origem antrópica (SMITH, 1980; GLASER et al, 1998; GLASER et al,. 2000; LIMA et al, 2002).

Diversos autores (SOMBROEK, 1966; ANDRADE, 1986, 1988; WOODS;MCCANN, 1999; WOODS et al, 2000; MCCANN et al, 2001) sugeriram a possibilidade de estabelecer diferenças entre terras pretas e terras mulatas, sendo as primeiras as áreas de antigos assentamentos e as últimas os solos modificados por práticas agrícolas intensivas que incluem a adição de adubos orgânicos e a queima de coivara. Pesquisas centradas nas terras pretas, as antigas áreas de habitação, avançaram nossa compressão sobre a relação entre os vestígios microscópicos e os teores de diferentes elementos medidos pelas análises geoquímicas (LIMA et al. 2002; SCHAEFER et al, 2004), e sugeriram que a variabilidade espacial destas últimas é reflexo parcial da organização espacial de casas, lixeiras e outros componentes de antigas aldeias (ANDRADE, 1986; MORA, 1991; KERN, 1996; REBELLATO, 2007). Observações das praticas atuais, incluindo dados etno- arqueológicos, por outro lado, sugerem que casas, lixeiras e jardins seriam contextos ótimos para gerar os altos teores que são medidos nas análises geoquímicas, e documentaram a formação de solos agrícolas a partir do manejo do lixo, acumulação de adubos orgânicos, e queima de coivara (ZEIDLER, 1983; HECKENBERGER et al, 1999; HECHT, 2003; SILVA;REBELLATO 2004;

SCHMIDT;HECKENBERGER, 2006; ARROYO-KALIN, 2008a; HECHT;POSEY 1989; DENEVAN; 2004, SCHMIDt, neste

livro; ERICKSON, 2003).

D ENEVAN ; 2004, S CHMID t, neste livro; E RICKSON , 2003). Figura 1. Alguns

Figura 1. Alguns dos sítios pesquisados pelo Projeto Amazônia Central. Observar a diversidade de localizações geográficas, que inclue áreas próximas a rios de águas pretas e brancas, áreas de igapó, e áreas de terra firme. Unicamente o sítio Dona Stella não apresenta terras pretas de índio com vestígios cerâmicos.

áreas de terra firme. Unicamente o sítio Dona Stella não apresenta terras pretas de índio com

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Na região amazônica central, estudos detalhados da estratigrafia (NEVES, 2003; MACHADO, 2005; MORAES, 2006; LIMA et al, 2006; REBELLATO, 2007; ARROYO-KALIN, 2008a) mostraram a integridade vertical dos vestígios arqueológicos em diversos sítios (Figura 2, ver também Figura 10), demonstrando processos de formação comparáveis com os solos escuros habitacionais de outras partes do planeta (ARROYO-KALIN et al, 2010). A cronologia das áreas de terra preta conhecida atualmente é proveniente das pesquisas arqueológicas (HILBERT, 1968; SIMÕES, 1974; SIMÕES;CORRÊA, 1987; SIMÕES;KALMANN, 1987; SIMÕES;MACHADO, 1987; HERRERA et al, 1980/1981; EDEN et al, 1984; MORA, 1991; MILLER, 1992a,b; MILLER, 1999; HECKENBERGER et al, 1999; NEVES, 2008). Em geral, a maior parte das ocupações associadas a estes solos são posteriores ao começo da era Cristã (Figura 3). No sítio Hatahara, alvo de importantes estudos no Projeto Amazônia Central (NEVES, 2003; MACHADO, 2005; REBELLATO, 2007; NEVES, 2008; ARROYO-KALIN, 2008a), datações coerentes entre amostras de diferentes materiais (carvões macro e microscópicos, fragmentos de cerâmica), incluindo amostras de pontos separados por 200m no mesmo sítio, negam a sugestão de Meggers (1991, 2001) sobre os sítios de terras pretas serem ‘palimpsestos’ de ocupações de curta duração (ARROYO-KALIN, 2008a).

de ocupações de curta duração (A RROYO -K ALIN , 2008a). Figura 2. Término das escavações

Figura 2. Término das escavações numa área do sítio Hatahara no ano 2006. Os vasos cerâmicos são urnas funerárias que foram protegidos para evitar a sua deteriorização ao serem expostas. Observar a presença de feições preenchidas com sedimentos diferente cor mais escura. Não há duvida que os sítios com terras pretas apresentam estratificação e por isso devem ser analisados a partir de uma abordagem pedo-estratigráfica.

terras pretas apresentam estratificação e por isso devem ser analisados a partir de uma abordagem pedo-estratigráfica.
Figura 3. Síntese cronológica das ocupações cerâmicas dos principais sítios pesquisados pelo Projeto Amazonia

Figura 3. Síntese cronológica das ocupações cerâmicas dos principais sítios pesquisados pelo Projeto Amazonia Central até 2006. Os retângulos representam datas calibradas (Oxcal 3.1, IntCal04.14c)

representam datas calibradas (Oxcal 3.1, IntCal04.14c) 373 Os estudos de micromorfologia geo-arqueológica nos

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Os estudos de micromorfologia geo-arqueológica nos sítios pesquisados pelo Projeto Amazônia Central (ARROYO-KALIN et aL, 2004; ARROYO-KALIN, 2006; ARROYO-KALIN, et al. 2007; ARROYO-KALIN, et al. 2008b; ARROYO-KALIN, 2008b,a) estabelecem que uma parte significativa dos altos teores de fósforo

e

cálcio (Figura 4) medidos nestes solos provém de fragmentos microscópicos de ossos de peixe

e

outros vertebrados (Figura 5.a,b). Também sugerem que as suas cores escuras são resultado

de altos teores de matéria orgânica, altas concentrações de carbono pirogênico, e a possível

formação de óxidos de manganês (Figura 5.c,d). As fontes mais prováveis de carbono pirogênico,

o manganês, e outros elementos, são queimas em fogueiras de diferentes tipos (alimentação,

manufatura de cerâmica, etc), que levariam a deposição de carvão e cinza, esta ultima mineralizando especialmente os nutrientes da matéria orgânica e ajudando a elevação do pH do solo até quase neutro (Figura 4). Essas pesquisas também mostraram que as terras pretas apresentam valores de susceptibilidade magnética muito mais altos que os solos vizinhos (Figura 7), testemunho tanto da formação de formas magnéticas de ferro a partir de queimas superficiais, quanto da deposição no solo de fragmentos microscópicos de vasilhas cerâmicas e fornos (Figura 5.e,f), ambos indicadores indiscutíveis de ocupações sedentárias.

Quanto às terras mulatas, perfis expostos em escavações na região amazônica central (DONATTI, 2003; NEVES, 2003; LIMA et al, 2006; ARROYO-KALIN, 2008a) mostram que o horizonte A destas é consideravelmente mais espesso que o observado nos solos não modificados da região (Figura 10, c e d). No sítio Lago Grande (Figura 6), dados micromorfológicos de horizontes de terra

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374 Figura 4. Fila superior: Altos teores de elementos totais (medidos pelo ICP-AES), estimativas de carbono
374 Figura 4. Fila superior: Altos teores de elementos totais (medidos pelo ICP-AES), estimativas de carbono

Figura 4. Fila superior: Altos teores de elementos totais (medidos pelo ICP-AES), estimativas de carbono (LOI, 550C), e pH (solução 1:2) em terras pretas do sítio Hatahara. Fila inferior: teores de elementos contrastantes, estimativas de carbono (LOI), e medições de pH em um perfil de latosolo amarelo localizado na mesma geoforma. Na fila superior, os altos valores localizados na parte inferior do perfil, abaixo de 100 cm, representam uma antiga ocupação de começos da era Cristã. Na fila inferior, a espessura do horizonte A sugerida pelas estimativas de carbono (LOI) reflete a presença de carvão resultante de queimas sub-atuais (ver perfil de susceptibilidade magnética na Figura 7)

mulata localizados fora da área de habitação (Figura 8.a,b) mostraram a presença de quantidades importantes de carvão microscópico, mas não de fragmentos pequenos de ossos, cerâmica ou argila queimada como os observados nas terras pretas vizinhas (ARROYO-KALIN, 2008b). Ou seja, pelo menos nas duas áreas amostradas, não é possível concluir que terras mulatas sejam terras pretas da área central do aldeamento que foram redepositadas em volta dele. Contudo, as observações micromorfológicas mostram características que sugerem que o horizonte de terra mulata não tenha se formado in situ, mas que tenha sido depositado ali intencionadamente. A principal entre elas é a observação de argilas iluviais truncadas (Figura 8.c,d) no horizonte B imediatamente abaixo do horizonte A de uma terra mulata enterrada (ARROYO-KALIN, 2008b) pela construção de um montículo para fins defensivos (DONATTI, 2003; NEVES;PETERSEN, 2006). Essa configuração pode ser explicada como produto da intervenção de ferramentas de cavar ou como retirada do horizonte orgânico superficial. Entre estas opções, a segunda pode ser mais simples ao considerar tanto as medições de susceptibilidade magnética

Figura 5. Microfotografias de amostras de terras pretas. ( a ) e ( b ),

Figura 5. Microfotografias de amostras de terras pretas. (a) e (b), fragmentos microscópicos de osso de peixe, a cor fluorescente de b indica um alto teor de fósforo; (c) e (d), fragmentos microscópicos de carvão, a cor mais escura em d provavelmente resultado da formação de óxidos de manganês. (e) fragmentos microscópicos de cerâmica e argila queimada, a última provavelmente provêm de fornos similares aos utilizados nas ‘casas de farinha’ da região amazônica.

a última provavelmente provêm de fornos similares aos utilizados nas ‘casas de farinha’ da região amazônica.

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376 Figura 6. Plano do sítio Lago Grande (adaptado de Neves ePetersen, 2006) mostrando a distribuição

Figura 6. Plano do sítio Lago Grande (adaptado de Neves ePetersen, 2006) mostrando a distribuição de terras pretas e terras mulatas e pontos de amostragem discutidos no texto.

e terras mulatas e pontos de amostragem discutidos no texto. (Figura 7) quantos outros indicadores (

(Figura 7) quantos outros indicadores (Figura 9). Ao contrário do que se esperaria, praticamente não há zona de transição entre o horizonte de terra mulata e o horizonte B – o limite entre eles é totalmente abrupto. Foi antes sugerido que nas terras pretas a suceptibilidade magnética indica tanto queima do solo quanto a presença de fragmentos microscópicos de cerâmica e argila queimada. No caso das terras mulatas estudadas, onde não são visíveis inclusões magnéticas no nível microscópico, pode se concluir que o sinal reflete constantes queimas

377 Figura 7. Valores de susceptibilidade magnética (unidades Tesla de baixa susceptibilidade, medido com um

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377 Figura 7. Valores de susceptibilidade magnética (unidades Tesla de baixa susceptibilidade, medido com um sensor

Figura 7. Valores de susceptibilidade magnética (unidades Tesla de baixa susceptibilidade, medido com um sensor Bartington MS2/MS2B de dupla frequência) em 4 perfis. De esquerda para direita: sítio Hatahara, perfil de terra preta (ver também Figura 2); perfil de controle com queima sub-atual, amostrado na mesma geoforma que o síto Hatahara Lago Grande; Lago Grande, perfil de terra mulata enterrada; perfil de terra mulata exposta. Os valores de susceptibilidade magnética nas terras pretas do sítio Lago Grande (não apresentados) são maiores que aqueles medidos no perfil do sítio Hatahara (ver Arroyo-Kalin 2008b).377 Figura 8. Microfotografias de terras mulatas. (a) e (b) horizonte A da terra mulata, observar

no perfil do sítio Hatahara (ver Arroyo-Kalin 2008b). Figura 8. Microfotografias de terras mulatas. (a) e

Figura 8. Microfotografias de terras mulatas. (a) e (b) horizonte A da terra mulata, observar importantes quantidades de carvão microscópico, mas a total ausência de fragmentos de osso ou cerâmica. A cor escura das terras mulatas é claramente produto de altos teores de materia orgânica; (c) e (d) argilas iluviais truncadas deixam o horizonte A de uma terra mulata enterrada sem se misturar com a argila límpida do horizonte B. Observar a total ausência de fragmentos microscópicos de carvão no horizonte B e a sua presença na parte inferior do horizonte A da terra mulata.Lago Grande (não apresentados) são maiores que aqueles medidos no perfil do sítio Hatahara (ver Arroyo-Kalin

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leves durante a época pré-colombiana. Também o fato de apresentar teores de fosfato e cálcio mais elevados que os solos da região e níveis de carbono e pH mais baixos que o esperado (Figura 9), fornecem dados empíricos que apóiam hipóteses de Sombroek (1966), Andrade (1988), Woods (2000) e Denevan (2004) sobre as terras mulatas. Esses autores defendem que as terras mulatas são solos preparados para atividades agrícolas espacialmente intensivas nos quais se pratica a coivara e a adubação orgânica.

As pesquisas sobre solos antrópicos, porém, demonstraram que a presença de terras pretas e terras mulatas são indicadores muito importantes dos estilos de vida sedentários na Amazônia. Também destacaram o processo de retroalimentação positiva, que pode ser o padrão de maior interesse: aumento duradouro da capacidade produtiva dos solos para as atividades agrícolas como resultado das antigas práticas de habitação. Neste processo é especialmente importante a deposição de vestígios de fauna (aquática, no caso estudado), de matéria orgânica carbonizada e de cinza associada a fogueiras de múltiplas funções. Esse padrão, que na sua versão mais simples poderia ser formulado como “onde bastante gente morou, a terra melhorou”, leva-nos a formular importantes perguntas sobre o Formativo na Amazônia (OLIVER, 2001; PETERSEN et al, 2001; NEVES, 2008). Primeiro, quando começaram as modificações antropogênicas da paisagem que aumentam a capacidade agrícola dos solos amazônicos? Segundo, que papel tiveram essas modificações no surgimento da vida sedentária?

essas modificações no surgimento da vida sedentária? Figura 9. Teores de elemntos, estimativas de carbono (LOI),
essas modificações no surgimento da vida sedentária? Figura 9. Teores de elemntos, estimativas de carbono (LOI),

Figura 9. Teores de elemntos, estimativas de carbono (LOI), e medições de pH no perfil com terra mulata enterrada no sítio Lago Grande: junto com evidente enriquecimento nos teores de P e outros elementos, e notável a redução nas estimativas de carbono (LOI) e pH. Essas inflexões sugerem ao menos que o teor de carbono na fração mineral da terra mulata é menor que aquel no próprio solo. Isso leva a hipótese de que o horizonte enterrado é produto da adição de adubos orgânicos depois de retirada a superficie original (ver discussão em Arroyo-Kalin 2008b).

A domesticação na paisagem

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Para responder às perguntas anteriores é preciso olhar para outro caso clássico de modificação antropogênica de paisagens na Amazônia: a formação de concentrações de arvores frutíferas a partir do manejo da floresta pelos grupos humanos. Balée (1989, 1992) enfatizou um modelo de regressão agrícola ao sugerir que essas concentrações, às vezes associadas com terras pretas, fossem o resultado do abandono de antigos roçados e de assentamentos pré-coloniais. Mas, posteriormente, Politis (1996; 1999) apresentou observações etno-arqueológicas que mostraram como o descarte de sementes comestíveis por parte de grupos nômades aumenta significativamente o potencial de formação destas concentrações. As duas posições, evidentemente, não são excludentes: existem grupos morando em regiões que foram modificadas por grupos sedentários passados e existem grupos que nas suas próprias práticas, ainda nômades, conseguem modificar significativamente a alfa/beta biodiversidade presente (Balée 2006). Frente à opinião negativa de Piperno e Pearsall (1998) sobre a importância das árvores frutíferas como sustento do sedentarismo nas terras baixas tropicais, Charles Clement (2006a,b) tem discutido o papel das praticas de coleta de frutas comestíveis para os processos de domesticação de diversas espécies arbóreas na Amazônia. Os dados de Peña Roja e outros sítios da “área intermédia” (GNECCO;MORA, 1997; MORA;GNECCO, 2003; ACEITUNO;CASTILLO, 2005; CASTILLO;ACEITUNO 2006) deixam poucas dúvidas sobre a antiguidade de práticas similares já na primeira parte do Holoceno, mas não resolvem a questão se essas ocupações refletem ou não eventos de sedentarismo.

Poucas vezes são evidenciadas as modificações da paisagem que acompanham as antigas evidências de utilização de frutas arbóreas. Nos locais onde são achadas grandes quantidades de sementes carbonizadas e onde existem os registros estratigráficos mais antigos de cultígenos domesticados fora da Amazônia, os solos modificados pelas ocupações pré- ceramistas tem teores mais altos de nutrientes e um pH menos ácido. Na área de Araracuara, por exemplo, tanto os níveis arcáicos de Peña Roja como a fase Tubabonipa do sítio Abeja, apresentam leves modificações nas caraterísticas do solo (MORA, 1991; HERRERA, et al; 1992b; CAVELIER; et al. 1995; MORA; 2003). No sítio Dona Stella, na Amazônia central, os vestígios arqueológicos, principalmente líticos, são achado dentro, abaixo e sobre um horizonte orgânico enterrado embaixo de um espessa camada de areia (Figura 10.e). Uma amostra desse horizonte foi datada entre 6.200-5.900 BP (Beta-178913, NEVES, 2003; ARROYO-KALIN, 2008). As características do perfil sem dúvida sugerem modificações provocadas pelos processos de podzolização que atingem os solos arenosos da região (Horbe et al. 2004; Nascimento et al. 2004). Aliás, as observações micromorfológicas mostram a presença de surpreendentes quantidades de matéria orgânica carbonizada (Figura 11.a,b). Os valores obtidos em um estudo geoquímico (Figura 12) apontam o enriquecimento em relação aos

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380 Figura 10. Perfis discutidos no texto. (a). Sítio Hatahara, a posição das unidades de amostragem

Figura 10. Perfis discutidos no texto. (a). Sítio Hatahara, a posição das unidades de amostragem também se apresenta na Figura 2. (b). Perfil de controle com queima sub-atual, localizado na mesma geoforma que o sítio Hatahara. (c). Sítio Lago Grande, perfil de terra mulata enterrada. (d). Sítio Lago Grande, perfil de terra mulata exposta. (e). Sítio Dona Stella, perfil de horizonte enterrado.

(e). Sítio Dona Stella, perfil de horizonte enterrado. sedimentos localizados acima e abaixo da camada arenosa.

sedimentos localizados acima e abaixo da camada arenosa. O sinal claro observável na susceptibilidade magnética deste horizonte enterrado é coerente com a presença de fragmentos microscópicos de argila queimada (Figura 11.c,d), passíveis de indicar cerâmica muito antiga. É evidente que estes fragmentos microscópicos não fornecem uma demonstração contundente de que os grupos humanos que habitaram o sítío já utilizavam cerâmica. Por outro lado, pode-se afirmar que ocupações esporádicas, talvez a partir do começo do Holoceno (COSTA; 2002; NEVES ;2003), provocaram as modificações antrópicas destes solos (ARROYO-KALIN; 2008a).

Ambos os exemplos anteriores são testemunhos de uma dinâmica muito importante para entender o Formativo amazônico. Estes solos enriquecidos são provavelmente formas embrionárias dos solos antropogênicos posteriores, o que hoje reconhecemos como terras pretas de índio. Pelo menos em Araracuara, antrosolos acompanham a presença de micro- fósseis de cultivos extra-amazônicos, que precisam de um pH menos ácido e de teores mais altos de nutrientes (PIPERNO;PEARSALL, 1998). É pouco provável que essa ocorrência seja aleatória, é muito mais provável que o cultivo dessas espécies tenha sido possibilitado pelo enriquecimento do solo decorrente de dinâmicas de concentração e domesticação de árvores frutíferas, além da deposição de sementes, ossos, carvão e cinza em lixeiras associadas a ocupações recorrentes do mesmo local. Como previu Anderson (1952), o resultado pode ser

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381 Figura 11. Microfotografias do horizonte enterrado no sitio Dona Stella. (a) além de um fragmento
381 Figura 11. Microfotografias do horizonte enterrado no sitio Dona Stella. (a) além de um fragmento

Figura 11. Microfotografias do horizonte enterrado no sitio Dona Stella. (a) além de um fragmento de material vegetal carbonizado, na escassa argila ao redor dos grãos de areia quartzosa que compoem o esqueleto deste solo arenoso observam-se fragmentos microscópicos de material vegetal carbonizado; (b) detalhe dos fragmento microscópicos de carvão na argila. (c) e (d) microfotografias com luz transmitida simples e polarizada de um fragmento de argila queimada, provável fragmento de cerâmica muito antigo, no sítio de Dona Stella. As carateríssticas deste não são similares nem com a argila de fragmentos de forno dos sítios cerâmistas nem com a argila presente no solo.

concebido como umbral dos processos de domesticação da paisagem (CLEMENT, 1999a), especialmente, na medida em que ao longo do tempo, e comparada às concentrações antropogênicas de espécies vegetais úteis ou comestíveis, sua resistência à degradação ou modificação é muito maior. Porém, ainda que a maior parte dos sítios com terras pretas na Amazônica Central datem do primeiro ou segundo milênio da era Cristã, é plausível que as modificações antropogênicas que aumentaram a capacidade agrícola dos solos amazônicos começaram milênios antes. E, como se discutirá a seguir, é provável que estejam na raiz das domesticações, e na domesticação das raizes, que permitiram o surgimento da vida sedentária na Amazônia.

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382 Figura 12. Teores de elementos, estimativas de carbono (LOI), e medições de susceptibilidade magnética no
382 Figura 12. Teores de elementos, estimativas de carbono (LOI), e medições de susceptibilidade magnética no

Figura 12. Teores de elementos, estimativas de carbono (LOI), e medições de susceptibilidade magnética no sitio Dona Stella.

Os solos antropogênicos e a domesticação da mandioca

As terras pretas mais antigas da Amazônia estão associadas a ocupações pré-ceramistas da fase Massangana, no rio Jamari, região do Alto Madeira (MILLER, 1992a,b; MILLER, 1999). Essas ocupações são contemporâneas às evidências do Holoceno médio no sítio Dona Stella, e às ocupações da fase Tubabonipa, em Araracuara, onde se tem o registro fóssil de pólen de Manihot mais antigo da bacia Amazônica (MORA, 1991; PIPERNO; PEARSALL 1998). A distribuição espacial dessas ocupações é interessante porque pesquisas de genética sugerem que todas as variedades da mandioca doméstica hoje conhecidas se originaram a partir de uma única especie selvagem de Manihot da região sul-ocidental da Amazônia: Manihot esculenta flabellifolia (OLSEN;SCHAAL 1999; OLSEN 2002, 2004; OLSEN;SCHAAL 2007). Isso sugere que terras pretas pré-cerâmicas da fase Massangana poderiam estar relacionadas com a domesticação de Manihot. Alias, existem “problemas” nessa hipótese: um perfil de pólen nas savanas colombianas ao Norte da floresta amazônica (BEHLING;HOOGHIEMSTRA, 1998); as pesquisas de Dolores Piperno e Irene Holst (PIPERNO;HOLST 1998; PIPERNO et al, 2000) no Panamá; e o trabalho de Francisco Aceituno e Neyla Castillo (GNECCO; ACEITUNO, 2004; ACEITUNO;CASTILLO; 2005; CASTILLO; ACEITUNO, 2006) na Colômbia. Os três trabalhos mostram a presença de micro-fósseis de Manihot anteriores a fase Massangana (ver também CHANDLER-EZELL, et al. 2006). O padrão dessas datas repete a tendência de uma espécie exótica, isto é, datas mais antigas longe da Amazônia e datas mais recentes na Amazônia. Se as terras pretas pré-cerâmicas da fase Massangana estão relacionadas com a domesticação de Manihot, como explicar essa tendência?

Uma possibilidade é sugerir que os geneticistas estão errados ao indicar que as populações de Manihot esculenta spp. flabellifolia representem os ancestrais da mandioca doméstica. Outra é sugerir que a localização dos vestígios mais antigos não mostra onde aconteceram os eventos fundadores da espécie doméstica. Frente a estas alternativas, pode-se sugerir um

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terceiro cenário, onde diferentes populações pré-ceramistas das terras baixas – desde o Panamá até o sudoeste da Amazônia – estavam experimentando o uso e consumo de diferentes espécies de Manihot no inicio Holoceno. O evento fundador que originou a linhagem da mandioca doméstica aconteceu na área sudoeste da bacia amazônica e seu correlato arqueológico são as ocupações pré-ceramistas da região do Alto Madeira. Essa hipótese é apoiada por outros argumentos: ainda que até pouco tempo a região estivesse coberta por uma floresta tropical relativamente densa, os estudos paleo-ambientais sugerem que no Holoceno médio a vegetação da região era mais aberta, assemelhando-se a um cerrado ou cerradão (FREITAS et al, 2001; BURBRIDGE et al, 2004; MAYLE et al, 2007). Essas são condições ideais para a domesticação de espécies como a mandioca (reconhecida por possuir uma germinação adaptada ao fogo) e tubérculos resistentes à seca (MCKEY;BECKERMAN, 1993; DUFOUR, 1995).

Os ecótonos entre áreas de vegetação apresentam contextos ótimos para domesticação de plantas. Nesse sentido, o sudoeste Amazônico poder ser também uma área de domesticação de outros cultígenos de grande importância nas terras baixas tropicais, incluindo a pimenta (Capsicum sp.), o amendoim (Arachis hypogaea), a pupunha (Bactris gasipaes), e o urucuri (Attalea princeps) (PIPERNO;PEARSALL, 1998; MILLER, 1992a; MILLER, 1999; PICKERSGILL, 2007; NEVES, 2008; CLEMENT, 2009). Porém, o fato de possivelmente a região ser o local do evento fundador para a mandioca não é menor, pois o cultivo desta espécie sempre foi considerado pelos especialistas como a chave para a compressão do sedentarismo na Amazônia (CARNEIRO, 1983; DUFOUR, 1994; HECKENBERGER, 1998). Isso, principalmente, pela capacidade de armazenagem subterrânea da mandioca (os tubérculos podem subsistir embaixo da terra durante até dois anos), o que permite aos agricultores manejar a safra segundo as suas necessidades. Como mostram os dados etnográficos de regiões tão diversas como o Noroeste amazônico, as Guianas e o alto Xingu, tendo acesso à mandioca e a uma fonte de proteína animal como o peixe, é possível levar o ciclo anual de consumo de alimentos ao sedentarismo.

Doce e amargo: das domesticações às intensificações

Pesquisas de geneticistas (MÜHLEN et al, 2000; ELIAS et al, 2004) revelam que as duas grandes variedades domésticas da mandioca – a mandioca doce, também conhecida como macaxeira, e a mandioca amarga ou brava – são ambas da linhagem da Manihot esculenta spp. flabellifolia. Essas pequisas também mostram que ambas podem ser discriminadas geneticamente a partir de micro-satélites, ou seja, que a separação filogenética entre elas é relativamente antiga. Esse padrão é interessante por vários motivos: primeiro, a domesticação inicial de uma espécie com um tubérculo tóxico e adaptada a condições de vegetação aberta deve ter privilegiado a seleção de indivíduos menos tóxicos; segundo, o processo seletivo que permitiu a evolução desse cultígeno a mandioca brava – uma cultura que sempre surpreendeu aos estudiosos pela

sua toxicidade – deve ter acontecido quando foi possível diminuir as pressões seletivas que mantinham teores baixos de ácido prússico. Nesse sentido não é difícil supor que a seleção de tubérculos de Manihot para serem transplantados às hortas próximas as casas – os home-gardens de Lathrap (1977) – deve ter privilegiado a seleção de indivíduos menos tóxicos que, como a mandioca doce ou macaxeira, preferiam solos levemente menos ácidos e mais ricos em nutrientes. Aliás, porque então diminuir as pressões seletivas que mantinham teores baixos de ácido prússico? Uma resposta possível é que ao diminuir essas pressões seletivas num outro contexto, foi possível obter um cultígeno mais rico em amido que, ao mesmo tempo, fosse cultivável nos solos ácidos do cerrado ou das savanas, e – ainda – que fosse cultivável nos pequenos cerrados antrópicos que caraterizan os roçados da agricultura de coivara.

O que seria necessário para que a diminuição das pressões seletivas que mantinham baixos os teores de ácido prússico fosse uma opção atrativa (MCKEY;BECKERMAN, 1993)? A meu ver, a evolução da complexa tecnologia de ralar, espremer e ferver que carateriza o preparo de múltiplos produtos secundários da mandioca brava. Pois, sem esse conjunto de práticas culturais, as opções de reduzir a toxicidade dos tubérculos deve-se basear em processos análogos aos utilizados na fabricação da farinha d’água, o que levaria - sem o uso de vasilhas cerâmicas – a uma menor produção de amido. Pode-se sugerir, então, que a mandioca doce pode ter sido usada originalmente por gupos pré-ceramistas e que a mandioca brava pode

ter sido resultado da evolução agrícola decorrente da utilização de tipitis e vasilhas cerâmica,

e da adoção de práticas de abrir roçados em áreas de floresta (ARROYO-KALIN et al, 2008a; ARROYO-KALIN, 2008a).

Enxergar a diferencia entre a mandioca brava e a macaxeira desta perspectiva tem diversas implicações. Uma delas é que o cultivo da macaxeira deve ter se espalhado pelas terras baixas além da bacia amazônica em épocas muito antigas. Nesse sentido, as pesquisas etnográficas sugerem que a mandioca doce é cultivada muito mais na área ocidental da Amazônia e que a mandioca amarga ou brava é muito mais comum na metade oriental da Amazônia, no Orenoco e nas Guianas (BECKERMAN, 1987; DUFOUR, 1994; SALICK, 1997; WILSON;

DUFOUR, 2002). Considerando o que hoje sabemos sobre a arqueologia destas regiões, incluindo

a distribuição de grandes sítios com solos antropogênicos, é pouco provável que esse padrão

seja aleatório. A mandioca brava ocorre justamente na área onde é registrada uma explosão repentina de ocupações ceramistas que formam as terras pretas no começo do primeiro milênio da era Cristã. A mandioca doce ocorre numa extensa área na qual as pesquisas arqueológicas,

até agora, não acharam grandes extensões de terras pretas de antigüidade similar; onde existe múltiplas famílias linguisticas e línguas isoladas; e – onde, ainda que ocorram cerâmicas muito antigas, não foi possível identificar com segurança a presença de cerâmica modelada,

o que Lathrap (1970) chamou do Barrancóide na Amazônia. A única exceção para esse quadro

é a região do Alto Madeira, onde foram datadas as terras pretas mais antigas da Amazônia,

onde a mandioca foi domesticada, e onde atualmente se consome principalmente a macaxeira. Qual o significado dessas distribuições?

Os grandes modelos e as grandes perguntas

As respostas possíveis serão, por enquanto, tentativas, mas é sempre útil voltar aos grandes modelos. Reichel-Dolmatoff (1985, 1997,1986) acreditava que os complexos cerâmicos que hoje chamaríamos de Modelados-Incisos tinham claras relações com o cultivo da mandioca brava. Isso, principalmente porque não existem vestígios da utilização intensiva do milho até epocas mais tardías e porque eram achados vasos cerâmicos muito similares aos assadores observados etnograficamente no preparo dos produtos secundários da mandicoa brava. Por sua vez, Lathrap (1970) achava que a expansão do que identificou como cerâmica Barrancóide na Amazônia se deu a partir do médio e baixo curso do rio Amazonas. Em seu modelo, essa expansãoo era caraterizada por sítios de maior porte nos quais sempre estavam presentes fragmentos de assadores. Para ele, os grupos barrancóides tinham penetrado na Amazônia peruana deixando grandes sítios com fragmentos de assadores antes de serem expulsos pelos grupos locais. Meggers (1997) discute a relação entre a decoração dos complexos cerâmicos modelados do terceiro milênio A.P. na Amazônia e sugere uma expansão deles de norte para sul. Essa expansão, que provavelmente ocorreu através rápidas entradas de grupos com cerâmica modelada incisa na Amazônia, poderia ser recuada até o quarto milênio A.P., considerando os dados arqueológicos e palaeoecológicos (ROOSEVELT, 2000; BUSH et al, 2007; GOMES, 2008). Na prática concordando com essa ideia, tanto Zucchi (1993, 2002) quanto Heckenberger (2002, 2005), têm sugerido que movimentos do norte para o sul poderiam ser reflexo de uma expansão de grupos falantes do proto-Arawak, o que levaria a um expansão do sedentarismo pelas terras baixas. A meu ver, não é muito difícil pensar numa expansão de grupos horticultores que cultivavam mandioca brava. Essa expansão provavelmente incorporou populações que já existiam na região, de fato suplantando a presença da mandioca doce na Amazônia oriental. O seu avanço para a Amazônia ocidental poderia está relacionado com as rápidas entradas da cerâmica modelada-incisa na bacia dos rios Ucayali e Chambira (LATHRAP, 1970; MORALES, 1992, 1995) que teriam sido limitadas pela resistência de grupos dependentes de agricultura de milho e macaxeira. Este último seria um padrão de subsistência mais antigo que aquele baseado no cultivo da mandioca brava (ARROYO-KALIN, 2008a).

Permanecem, então, perguntas interessantes sobre o papel da região do sudoeste amazônico (Neves 2008). São provenientes dessa região evidências de práticas de horticultura relacionados com antigas ocupações sedentárias pré-cerâmicas (MILLER, 1992b), evidências de sambaquis cerâmicos (MILLER, 1999; KIPNIS et al, 2005) de antiguidade equivalente àquela registrada em Santarém. Diante desse grupo de importantes evidências antigas, fica ainda por comprender como esta região se insere no quadro maior das manifestações arqueológicas amazônicas mais setentrionais. Neste sentido, ao mesmo tempo em que as pesquisas no Orenoco, nas Guianas e na Amazônia brasileira mostraram relações estilísticas claras entre

a síntese Barrancóide-Saladóide do primeiro milênio no Orenoco com a cerâmica associada

com a formação de terras pretas na Amazônia Central (LIMA et al, 2006), fica ainda por estabelecer se existem relações históricas entre a cerâmica de decoraçao policrômica apresentada por Miller (1992b) e outras tradições cerâmicas semelhantes na região corredor Solimões-Amazonas 1 . Essas relações potenciais são de grande interesse para avaliar o argumento desenvolvido neste artigo: a expansão de grupos com cerâmica modelada-incisa pelas regiões ao norte de Amazônia e, eventualmente, o seu ingresso na própria bacia Amazônica, reflete um processo de intensificação agrícola que implicaria em crescimento demográfico e sedentarismo sustentado pelo cultivo da mandioca brava.

Esse argumento permite explicar alguns dos aparentes silêncios no registro arqueológico não só a partir das grandes mudanças climáticas, que certamente tem sido importantísimas na longa história humana da Amazônia (MEGGERS, 1977; MEGGERS, 1979, 1994; MILLER, 1992a;

MILLER, 1999; MEGGERS, 2007; NEVES, 2008; ARROYO-KALIN, 2008a), mas também, considerando quando

e como apareceram na paissagem os cultivares que permitiram o crescimento demográfico

sustentável na época pre-colombiana. A presença de microvestígios de plantas cultivadas

nas ocupações do começo do Holoceno, sem dúvida, indica processos de domesticação e a

existência de uma horticultura que se desenvolveu ao longo de milênios. Aliás, o que foi necessário para que surgissem na Amazônia importante focos de concentração demográfica

e, junto com eles, formas complexas de modificação da paisagem e organização social, foram

as práticas agrícolas baseadas em cultivares específicos, ricos em amido, de alta capacidade de armazenagem, e capazes de serem adaptados às áreas de floresta através de replicação das condições do cerrado.

O modelo apresentado anteriormente pode parecer surpreendente, especialmente para quem

pensou que a expansão do cultivo do milho, como Roosevelt (1980; 1997) sugeriu para o Orenoco, poderia explicar a origem das terras pretas na Amazônia. Aliás, é bom lembrar que os dados isotópicos que Roosevelt (1989; 2000) apresentou, e ainda alguns dados novos do Projeto Amazônia Central (NEVES, 2003; MACHADO, 2005; ARROYO-KALIN, 2008a), mostram que o milho não foi peça chave na dieta até, talvez, nos séculos finais antes do contato com os europeus. Isso gera alguns desafios importantes para futuros estudos dos solos antrópicos na Amazônia. Se o milho chegou a ser importante nas dietas e não só nas festas das margens do rio Amazonas, será que, como foi sugerido por diversos autores (LATHRAP, 1970; ROOSEVELT, 1991; DENEVAN, 1996; cf. MEGGERS, 1971; MEGGERS 1999), a agricultura intensiva dependeu do cultivo das áreas de várzea? Ou será que a cultura do milho dependeu da reutilização agrícola das terras pretas formadas por antigos sítios de habitação, ou seja, das modificações da paisagem decorrentes da intensificação da mandioca brava no primeiro milênio da era Cristã?

2 As atuais pesquisas de doutorado de Claide de Paula Moraes e Fernando Osório Almeida, do Projeto Amazônia Central, coordenado por Eduardo Neves, sem dúvida ajudarão a esclarecer estas perguntas.

Síntese

Para responder às perguntas formuladas anteriormente serão necessárias novas abordagens metodológicas e uma intensificação dos esforços de pesquisa. Essas abordagens deverão não só identificar quais espécies vegetais foram consumidas pelos antigos habitantes da Amazônia, mas também, estudar os processos de mudança da paisagem associados à domesticação, cultivo e intensificação delas. Neste sentido, os estudos sobre solos antropogênicos podem ser fundamentais, pois a presença de horizontes com assinaturas antrópicas que datam do início do Holoceno, o fato de terras pretas serem documentadas como contemporâneas aos primeiros micro-fosseis de Manihot da bacia amazônic e a relação evidente de grandes extensões de terras pretas com as grandes ocupações de finais da seqüência pré-colombiana, fornecem um novo olhar sobre o que foi a história do sedentarismo nas terras baixas. E provável que muitas das hipóteses colocadas neste capítulo sejam rejeitadas ao longo do tempo, mas algumas poderão direcionar as pesquisas num rumo até agora pouco explorado:

uma arqueologia dos processos de domesticação na paisagem amazônica. Ou seja, uma arqueologia dos processos de domesticação da Amazônia enquanto paisagem (Figura 12).

AGRADECIMENTOS

As pesquisas nas quais se baseiam este artigo foram realizadas entre 2002 e 2008 com o apoio do Projeto Amazônia Central (FAPESP 02/02953-7 and 05/60604-3), coordenado por Eduardo G. Neves; da Wenner Gren Foundation (DFG 6972); e, na Universidade de Cambridge, do Girton College, do Centre for Latin American Studies, e do McBurney Geoarchaeology Laboratory, dirigido por Charlie French. Alguns dos pontos formulados neste artigo temse beneficiado da discussão ao longo dos anos com Eduardo G. Neves, Charles Clement, Jim Petersen, Bill Woods, Jose Oliver, Wim Sombroek, Bob Bartone, Helena Pinto Lima, Claide de Paula Morães, Stéphen Rostain, Peter Stahl, Fernando Ozorio de Almeida, Fernando da Silva Costa, Preston Miracle, Renato Kipnis, Doyle McKey, Levemilson Mendonça, Claudio Cunha, Raoni Valle, James Fraser, Lilian Rebelato, Carlos Augusto da Silva, Juliana Machado, Patrícia Donnati, Bruno Glaser, Hedinaldo Lima, Johannes Lehman, e Wenceslau Texeira. Para as análises geoarqueológicas, especialmente as micromorfológicas, foram importantes algumas discusões ou intercambios com Charlie French, Steve Boreham, Melissa Goodman, Richard Macphail, Donald Johnson, Peter Buurmam, e Karen Milek, além do apoio de Julie Boreham na preparação das laminas e de Chris Rolfe na realização das análises fisco-quimicas. Agradeço

também a Wayne Rasband, do NIH, pelo apoio no manejo do programa ImageJ software, e a Gordon Walker, de ALS Chemex, pelas multiplas respostas a perguntas sobre os dados do ICP- AES. Finalmente, agradecimentos especiais a Edithe Pereira pela organização do bem sucedido EIAA em Belém, e a Vera Guapindaia, pelas boas trocas de ideais e pela revisão final do português do artigo.

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