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Universidade da Grande Dourados

Faculdade de Direito
Curso de Direito
Disciplina História do Direito
Prof. Flávio Antonio Mezacasa

O Direito no Brasil-Colônia
Antes de adentrarmos no estudo do Direito vigente no então Brasil-Colônia
é necessário compreendermos a estrutura social, econômica e econômica da época.

a) Precedentes históricos
Durante o século XV vários estados europeus, em especial Holanda,
Inglaterra, Espanha e Portugal viveram um momento histórico único: as grandes
navegações.
O objetivo de tal empreita, que compreendia grandes investimentos
financeiros combinados como sérios riscos, era explorar terras e povos em lugares
distantes do continente europeu.
Um dos lugares “descobertos” foi o Brasil, como é de conhecimento geral.
Quando chegaram em nosso país, os portugueses depararam-se com uma
grande quantidade de povos, os quais foram genericamente denominados de “índios”,
sendo que os mesmos não conheciam a escrita e outras invenções tecnológicas
consideradas antigas na Europa.
Igualmente, tais povos não possuíam instituições jurídicas e políticas
representativas, o resultado não podia ser outro: os portugueses impuseram o seu regime
político-jurídico, sem levar em consideração os costumes, tradições e estrutura social
dos povos que aqui já viviam.
Por outro lado, os escravos que foram trazidos para o nosso território, a
despeito de terem influenciado a cultura nacional, em nada influenciaram o direito,
sendo considerados, aliás, por esse apenas um objeto, uma coisa, que podia ser
comprada e vendida. A mesma consideração foi dada aos índios.
Devido à formação portuguesa ser romanista, por óbvio que o direito
romano acabou sendo nosso antepassado jurídico, não que fosse o melhor ou pior
direito...
Além do sistema romanista, herdamos alguns vícios então existentes no
direito português, um muito curioso e considerado legítimo na época “era o fato de um
cargo ou função pública serem considerados patrimônio pessoal de seu ocupante”
(Renan Aguiar e José Fabio Rodrigues Maciel), havendo disposições legais expressas
na Ordenações Filipinas.
Assim, os cargos públicos, desde que com autorização régia, podiam ser
vendidos... e eram objeto de herança, com exceção da magistratura.
Todavia, o ocupante de cargo público poderia perdê-lo, caso lesasse a
fazenda pública real...
Como era de se esperar esse sistema fez com que o poder público agisse
sem ética, e fosse tomado exclusivamente pelos proprietários rurais.
Para agravar a situação a enorme distância da Colônia, a quase inexistente
estrutura administrativa pública e a falta de acesso ao poder público faziam com que
esse se aliasse ao poder privado, sem norma alguma que disciplinasse a relação de
ambos, resultado: patrimonialismo, o qual contribui para a construção de um ente
Estatal conforme os interesses dos grandes proprietários rurais.
Não pode ser esquecido, o fato de que a maioria absoluta dos
colonizadores não pensava em construir um pais, e sim em auferir riquezas e voltar a
metrópole, sem se importar com o que poderia acontecer posteriormente.

b) A Estrutura Judicial
A primeira etapa da colonização do Brasil foi até 1549, calcada sobretudo
nas Capitanias Hereditárias, que tinham eminentes características feudais, as funções
políticas, administrativas e jurídcias ficavam sob a responsabilidade dos donatários
(uma só pessoa podia, legislar, acusar e julgar).
Tal situação levou a acontecimentos esdrúxulos...
Depois de 1549, a Coroa Portuguesa criou o Governo-Geral, o qual tornou-
se responsável pelas atividades burocráticas e fiscais.
Ressalte-se que a instituição do Governo-Geral proporcionou a criação do
sistema jurídico colonial, bem como a instituição de um corpo administrativo.
Quanto a legislação, vigoraram no Brasil Colônia as mesmas leis que
vigiam em Portugal, ou seja as Ordenações Reais: Afonsinas (1446), Manuelinas (1521)
e Filipinas (1603), que se originaram da união das Manuelinas com as leis extravagantes
então vigentes em Portugal.
No século XVIII, mais precisamente em 1769, o Marquês de Pombal
introduziu no sistema jurídico de então a “Lei da Boa Razão”....
Lembrete: Caros alunos, as guias de aula são confeccionadas com base na
bibliografia constante na ementa e não substituem a leitura das obras apresentadas
em sala de aula para o vosso estudo e posterior avaliação.
Igualmente as guias de aula não são trabalhos de autoria inédita do
professor, constituem na verdade pesquisa bibliográfica de obras já existentes
(aquelas que constam na ementa, como já evidenciado).