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VI Encontro Nacional da Anppas

18 a 21 de setembro de 2012
Belém - PA – Brasil

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Comunidades Remanescentes De Quilombo Da Amazônia: O Uso Do


Território

Jucilene Belo de Oliveira

Geógrafa, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia - UFPA

Jucilene_belo@hotmail.com

Resumo:

As comunidades remanescentes de quilombo são um seguimento étnico que cada vez mais
ganham reconhecimento em todo o Brasil, não só por sua grande diversidade cultural, mas
também pelo numero crescente de identificações e titulações. As comunidades remanescentes de
quilombo que compõem a Associação Remanescente de Quilombo Filhos de zumbi serão o foco
de analise deste trabalho, essa duas comunidades se chamam Itacoã-Miri e Guajará-Miri e estão
localizadas no município de Acará (Pará). Desta forma, tem-se como objetivo identificar e mostrar
as formas de uso do território dessas duas comunidades remanescentes de quilombo a partir do
ano de 2000, quando foram implantados projetos produtivos através de programas inseridos pelo
estado, a saber: Programa Raízes e Pará Quilombola, estes últimos tem como objetivo principal
promover a igualdade racial. Os passos metodológicos se restringiram a revisão da literatura,
trabalho de campo nas duas comunidades remanescentes afim de, dar base de sustentação ao
desenvolvimento do artigo.

Palavras-chaves: comunidades remanescentes de quilombo e território.


Introdução

As comunidades remanescentes de quilombo são um seguimento étnico que cada vez


mais ganham reconhecimento em todo o Brasil, não só por sua grande diversidade cultural, mas
também pelo numero crescente de identificações e titulações. Neste ínterim, o estado do Pará tem
grande destaque no interior desta discussão por ser até agora o maior titulador dos territórios
remanescentes de quilombolas. Este mesmo estado também foi o primeiro titulado de terra
quilombola quando o fez na comunidade remanescente de quilombo Boa Vista (no município de
Oriximiná) foi a primeira a ser titulada, fato acontecido no ano de 1995 e executado pelo INCRA
(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). (TRECCANI, 2006).

As comunidades remanescentes de quilombo que compõem a Associação Remanescente


de Quilombo Filhos de zumbi serão o foco de analise deste trabalho, essa duas comunidades se
chamam Itacoã-Miri e Guajará-Miri e estão localizadas no município de Acará (Pará). Desta forma,
tem-se como objetivo identificar e mostrar as formas de uso do território dessas duas
comunidades remanescentes de quilombo a partir do ano de 2000, quando fora implantados
projetos produtivos através de programas inseridos pelo estado, a saber: Programa Raízes e Pará
Quilombola, estes últimos tem como objetivo principal promover a igualdade racial. Neste sentido,
parte-se das seguintes hipóteses: 1) Os projetos produtivos inseridos nas comunidades
remanescentes de quilombo de Itacoã-Miri e Guajará-Miri não estão em consonância com seus
modos de vida; 2) Os programas Raízes e Pará Quilombola precisam estreitar seu dialogo com as
diferentes territorialidades que estas duas comunidades remanescentes de quilombo apresentam
em seu interior.

A busca por literaturas que possam sustentar a base teórica e a construção deste trabalho
foi o primeiro passo metodológico. O segundo passo dado foram visitas aos membros das duas
comunidades remanescentes de quilombo de Itacoã-Miri e Guajará-Miri, com o intuito de verificar,
de forma empírica, os vários usos de seus territórios. Neste ínterim, visitas as sedes dos
programas Raízes e Pará Quilombola também foram pertinentes, pois se ouviu das coordenações
dos dois programas como são criadas as estratégias para inserção de projetos produtivos
voltados para estas comunidades. Dessa forma, juntaram-se todos os pontos chaves para o
desenvolvimento final deste trabalho.

Este trabalho de estrutura da seguinte forma: primeira parte dedicada a uma breve
apresentação do conceito de comunidades remanescentes de quilombo e o significado do
território para as mesmas. Na segunda parte, tem-se a caracterização das duas comunidades
remanescentes aqui estudas e suas atividades econômicas tradicionais. Já no terceiro momento,
trava-se um debate sobre as novas dinâmicas socioeconômicas inseridas na comunidade Filhos
de Zumbi.
1 - Comunidades remanescentes de quilombo e o território

Quando se fala em comunidades remanescentes de quilombo alguns conceitos merecem


ser discutidos e destacados, pois serão as bases para o processo de entendimento do objeto da
presente artigo, não se pode esquecer-se da importância de procurar ir alem das conceituações
cristalizadas e congeladas pela historiografia tradicional e tentar encontrar definições
contemporâneas e que estejam perto de cada realidade. É neste momento que os conceitos como
de comunidades remanescentes de quilombo e território são de notável pertinência e serão vistos
abaixo, respectivamente.

Mocambo, Terras de Preto, Terras de Santo, Terras de Negro e Quilombo são as


conceituações mais comuns quando se dirige para este seguimento étnico. Dentro do contexto
paraense, a literatura mostra uma diferenciação entre o quilombo e mocambo, já que o primeiro
seria um aldeamento provisório ao contrario do segundo que seria um aldeamento fixo,
permanente (SALLES, 2003).

Segundo Treccani (2006), o sentido etimológico de quilombo vem de origem Banta,


africana, modificado a cada tempo e seria um acampamento guerreiro na floresta. A palavra
quilombo ganha um complemento importante e ajuda a colocar as comunidades quilombolas em
um patamar digno de sua história. A palavra “Remanescente” chega como uma nova categoria
jurídica e antropológica que apresenta dificuldades em sua interpretação. Esta palavra designaria
resíduo, vestígio, algo que existiu e ficaram apenas as lembranças, etc. Neste sentido,
Comunidades Remanescentes de Quilombo seriam resquícios de uma identidade e de uma
cultura que não existe mais, mas esta noção simplificada deve ser deixada de lado e trocada pela
visão de que os remanescentes de quilombo são um grupo social que tem sua identidade
arraigada em um território, na sua historia, de seus descendentes, cultura e sentimento de
pertencimento e interdependência.

As comunidades remanescentes de quilombo são criações históricas e sociais, não devem


ser definidas por fatores biológicos ou raciais, já que os quilombos não eram compostos apenas
por negros, mas por índios, mestiços e brancos. Assim, Benatti (apud TRECCANI, 2006, p.89)
assinala para um conceito bem contemporâneo de Comunidades Remanescentes de Quilombo
sendo como:

coletividades que constituíram sua historia baseada numa cultura própria, que foi
transmitida e adaptada em cada geração (...) não foram compostas somente de escravos
(...). Os membros se identificam entre si como pertencentes a esse grupo e que
compartilham de certos elementos e ações culturais (...) num determinado território em
comum.

A preservação da cultura quilombola e sua organização estão diretamente ligadas ao


território. O direito legal a terra onde seus antepassados começaram a escrever sua historia é
essencial para essa manutenção. O território das comunidades quilombolas é usufruído de forma
coletiva, ou seja, pode ser usado por toda uma família ou pelos membros da comunidade. Então,
o uso do território pelos quilombolas é distinto do uso dos fazendeiros, posseiros, colonos, etc.,
por não apresentar o caráter da particularidade, do privado, do exclusivo. Os remanescentes de
quilombo precisam de um território que abrigue não só sua esfera econômica e habitacional, mas
também que abrigue seus costumes, cultura, lazer, cultos religiosos, cemitério, recursos naturais,
etc. Treccani (2006, p.157) chama a atenção para um uso diversificado da terra, pois:

O uso compartilhado de recursos que se dá conforme normas internas estabelecidas pela


comunidade criam uma nova realidade jurídica muito diferente das normas contidas no
Código Civil que privilegia as relações de propriedade de caráter particular.

Uma proposta integradora, numa noção hibrida e, portanto, múltipla do espaço geográfico
é feita por Hasbaert (2004) quando propõe pensar o território:

a partir da concepção de espaço como um híbrido entre sociedade e natureza, entre


política, economia e cultura, e entre materialidade e “idealizado”, numa complexa interação
tempo-espaço, (...) tendo como pano de fundo esta noção “híbrida” (e, portanto múltipla
nunca indiferenciada) de espaço geográfico, o território pode ser concebido a partir da
hibridação de múltiplas relações de poder, do poder mais material das relações econômico-
políticas ao poder mais simbólico das relações de ordem mais estritamente cultural
(HASBAERT, 2004, p.77).

O território não deve ser visto como mero espaço concreto, mas sim o palco das ações
reais que acontecem dentro de um território usado por atores que se identificam há varias
gerações e que continuam a perpetuar suas tradições.

2- Comunidades Filhos de Zumbi: Itacoã-Miri e Guajará-Miri

O município de Acará, localizado no nordeste Estado do Pará, possui uma vasta


heterogeneidade econômica, política e cultural. No Estuário do Rio Pará, no vale do rio Guamá,
afluente do mesmo rio, localizam-se na margem direita deste ultimo e a aproximadamente 13 km
de distância em linha reta de Belém duas comunidades de remanescentes de quilombo
chamadas, respectivamente, Comunidade remanescente de quilombo Santa Maria de Itacoã-Miri
e Comunidade remanescente de quilombo Guajará-Miri (CANO, 2005).

Estas comunidades são acessíveis por via fluvial desde a capital paraense através do
“Porto da Palha”, porto ribeirinho situado no bairro da Condor da mesma cidade e, também, via
terrestre, ou seja, pela estrada de terra com entrada pelo ramal da Boa Vista (Comunidade
contigua a Comunidade de Guajará-Miri) no Km 25,5 da Alça Viária, tendo variação da viajem
entre trinta minutos de acordo com o número de paradas do ônibus de linha1, caso se faça a
viagem de carro particular a viagem dura em torno dez minutos (Trabalho de campo, 2011).

A partir de 2004 o governo do estado do Pará representado pelo Programa Raízes inseriu
atividades socioeconômicas que tentaram dinamizar e elevar a qualidade de vida destas
comunidades negras e no ano de 2007 o Programa Pará Quilombola tenta dar continuidade as
ações de seu antecessor. Neste sentido, tenta-se fazer uma analise dessas ações dentro do
território das comunidades remanescentes de quilombo de Itacoã-
que as casas encontram-se mais próximas umas das outras e também estão perto do rio, do trapiche
(sobre o furo Guarapiranga) e das tabernas (pequeno estabelecimento comercial), neste espaço
acontecem os mais importantes eventos da comunidade como: visitas, jogos, missas, cultos,
reuniões, festas, atendimento escolar, brigas e etc. (MARIN, 1999).

Esta ultima autora especifica o outro espaço dentro das comunidades remanescentes de
quilombo denominado pelos moradores como “centro”, este espaço é afastado da “beira” e
encontram-se poucas casas, alguns roçados e fornos de carvão. Segundo Marin (1999, p.40) o
“centro” seria como:

De um ponto de vista geopolítico o centro é a área mais vulnerável, pois sobre estes pontos
avançam os posseiros. Ele é uma espécie de porteira aberta e agora estão preocupados em
viajar e ocupar para evitar que os “confinantes”, como denominam os que avançam sobre
suas terras, ganhe e incorpore mais terrenos.

Todavia, com a titulação das terras da comunidade o problema da invasão de suas terras por
atores externos foi extinto por conta da demarcação do território da comunidade Itacoã-Miri.

A economia em Itacoã-Miri está baseada em atividades que se perpetua entre as gerações, o


trabalho de campo permitiu identificar algumas atividades mais comuns como a produção de carvão
e farinha de mandioca, coleta de frutas regionais (especificas por época, safra) e pequenos
estabelecimentos comerciais. As atividades econômicas implantadas pelo Estado do Pará serão
pormenorizadas mais na frente com o intuito de propor um melhor direcionamento da discussão
deste trabalho cientifico.

2.2- Caracterização da comunidade remanescente de quilombo Guajará-Miri

A comunidade remanescente quilombola de Guajará-Miri tem na sua esfera religiosa a


Igreja Católica como principal raiz e a referencia à Santa Luzia como padroeira da comunidade.
No entanto, assim com na comunidade vizinha de Itacoã-Miri os evangélicos também possuem
espaços representados pela Assembleia de Deus como sua maior referencia do seguimento
protestante. Cabe salientar que nesta comunidade há uma exceção de alguns moradores que
preservam a cultura Umbanda, na localidade de Cruzeirinho, porém possui pouca expressão no
cenário religioso, pois os remanescentes quilombolas estão voltados aos dogmas do cristianismo.

A divisão interna desta comunidade negra é bastante diferenciada da comunidade de Itacoã,


pois apresenta seis espaços distintos: “Beira” espaço próximo ao Furo Guarapiranga onde se
localiza o trapiche da comunidade e concentra as residências dos chamados (pelos moradores da
comunidade) ribeirinhos.
A Vila Guajará onde estão localizadas as principais infraestruturas da comunidade como
escola, Igrejas, pequenos estabelecimentos comerciais, campo de futebol, serviços de telefonia
(orelhões públicos) e grande aglomeração de residências. Tem ainda a Vila São Miguel e Bacabal
que estão localizadas nas áreas mais distantes, o chamado “centro”. A Vila Cruzeirinho onde
apresenta infraestrutura como escola, campo de futebol e uma pequena concentração e residências.
E, por ultimo, temos a Vila Matinha onde se concentra a conhecida “área do areal” este espaço é
destinado à extração de areia feita por uma empresa privada chamada LM Nobre 2.

Os moradores de Guajará-Miri baseiam-se em atividades que se mantêm e perpetuam na


comunidade como confecção de espetos para churrasco, produção de carvão e farinha de mandioca,
coleta e comercialização de frutas de safra, pequenos comércios e pequena porcentagem da
extração de areia que é repassada aos membros da associação. Assim como em Itacoã-Miri, em
Guajará-Miri foram inseridos projetos produtivos, os quais serão analisados no próximo tópico.

3 - Novas dinâmicas socioeconômicas na comunidade Filhos de Zumbi

Como já foi relatadoo Estado do Pará foi um dos pioneiros no ato de agilização do
cumprimento do artigo 68. Assim como muitos estados brasileiros o Pará criou grupos de
trabalhos, comissões e programas específicos que viessem a atender as demandas da causa
quilombola. Dessa forma, o governo paraense cria em 12 de maio de 2000, através do Decreto
N°. 4.054, o Programa Raízes (PR). Tendo este programa o objetivo de:

Dinamizar as ações de regularização de domínio das áreas ocupadas por comunidades


remanescentes de quilombo e implantar medidas socioeconômicas, ambientais, culturais e de apoio
às atividades de educação e de saúde que favoreçam o desenvolvimento dessas comunidades e das
sociedades indígenas no Estado do Pará (FOLDER DO PROGRAMA RAIZES, 2003, p.3).

Com a criação deste programa as comunidades quilombolas e os povos indígenas


ganharam destaque e um canal exclusivo para o encaminhamento e discussão de suas demandas
diante do Governo do Estado, este assegurará o compromisso do combate à desigualdade,
principalmente a discriminação a maior parte da população do estado que é composta por
afrodescendentes. Segundo o Relatório do Programa Raízes (2006, p. 3) sua importância se faz
pela devida: “efetivação de uma política publica de valorização étnica, inovadora e pioneira na
federação de estados brasileiros”.

Dentre os projetos produtivos inseridos nestas comunidades podemos ressaltar a


piscicultura, apicultura e manejo de açaizais nativos (em Itacoã-Miri) e apicultura, manejo de
açaizais nativos e construção de casas de produção de farinha (em Guajará-Miri).

2
Não foram encontrados documentos que informassem sobre o significado desta sigla.
A investigação de campo por meio de entrevistas semi-estruturadas aos membros das
duas comunidades, permitiu identificar algumas proposições pertinentes a respeito do
desenvolvimento dos projetos produtivos.

As experiências lançadas nas comunidades remanescentes quilombolas de Itacoã-Miri e


Guajará-Miri pelo Programa Raízes desde 2001 foram alvo de muita esperança, trabalho e critica
por parte dos remanescentes de quilombo que os aderiu. Percebeu-se em campo que a
esperança em alguns projetos como o de piscicultura e o de manejo de açaizais convive ao lado
da frustração de outros projetos que já estão se desgastando ou que já se desgastaram. Dessa
maneira, algumas proposições foram analisadas para entender como um investimento
orçamentário de considerável valor 3 não correspondeu às expectativas dos membros e também
do próprio objetivo do programa Raízes. A análise mostra que os projetos até hoje inseridos na
comunidade Filhos de Zumbi não se desenvolveram satisfatoriamente e estão cada vez mais
caminhando para a sua extinção. Segundo Pereira (apud MARINHO, 2007) o programa Raízes
precisa levar em conta as especificidades de cada comunidade negra e não usar fórmulas e
modelos de ação automáticos e padronizados que definharão, mas à frente.

Dentre os vários reclames dos membros das duas comunidades remanescentes, três
foram as mais destacadas e almejadas: Assistência técnica continua, segundo os entrevistados, o
programa Raízes realiza os cursos de capacitação, mas não assiste todas as etapas e processos
do desenvolvimento dos projetos, causando dúvidas em situações inesperadas e desconhecidas
pelos sócios, que, por conseguinte acabam deixando o projeto e/ou promovendo soluções que
não são cabíveis. O projeto de apicultura representa bem este fato, pois as abelhas dos projetos
das duas comunidades desapareceram deixando seus sócios sem saber as causas e,
principalmente possíveis saídas para o problema. Neste momento, os entrevistados alegam não
haver a parceria e apoio que o programa Raízes promoveria nas comunidades deixando os
projetos seguirem por conta própria, o que por sua vez causará sua extinção, não esquecendo
que o programa Raízes fornece o capital para instalação dos projetos, mas não o executar
deixando a instituição executora com todas as responsabilidades.

Outro ponto importante é que existem contradições de repasse de ensino pelos técnicos no
momento da capacitação, pois alguns dos entrevistados (em ambas as comunidades) mostraram
insatisfação de esclarecimento e contradição entre cada técnico que ministrava o curso de
capacitação. Algumas informações, segundo alguns entrevistados, não obtiveram esclarecimentos
técnicos como se apreendeu no projeto produtivo de avicultura4, este tinha como objetivo o
cruzamento de galinhas de raça com as galinhas das comunidades com o intuito de melhorar a
raça das galinhas nativas e assim aumentar seu tamanho, mas muitas das galinhas de raça não
sobreviveram e outras foram vendidas e/ou serviram de alimento para as famílias. Alguns

3
Valor aproximado, segundo Pará (2006), em 115.300 reais nas comunidades que integram a comunidades Filhos de Zumbi.
4
Inserido em Itacoã-Miri e Guajará-Miri no ano de 2003 e executado pela SAGRI.
entrevistados alegaram desconhecer esse objetivo e responderam que a primazia do projeto era a
venda, observa-se muitas contradições entre as informações entre os técnicos que se dirigem ate
as duas comunidades;

O apoio financeiro foi bem flagrante na fala dos entrevistados, o programa Raízes lança o
orçamento ao órgão executor, os projetos são inseridos, acontece à capacitação, porém no tempo
de espera dos resultados dos projetos torna-se necessário a comprar de certos produtos. Neste
ínterim, os sócios ficam sem o “capital de giro” e, também, muitos acabam desvinculando-se do
projeto, um exemplo bem claro é a compra de rações industrializadas (projeto de piscicultura),
apesar das dificuldades que este projeto apresente ele se mostra ser o mais viável
economicamente (na visão de seus sócios) e abriga a maior esperança de geração de renda de
Itacoã-Miri.

Muitos entrevistados afirmaram que o direcionamento para a comercialização dos produtos


originados dos projetos é outro fator desta discussão, o PR não demonstrou preocupação em
encaminhar a produção das duas comunidades para venda em mercados específicos, já que
muitos produzem mel, mas não tem pra quem vender, por exemplo.

A questão mercadológica é imprescindível para o grupo produtor, pois é a venda que vai
garantir a geração de lucro e renda para os membros envolvidos e proporcionar recursos
financeiros para a continua manutenção do projeto. Nesta questão um exemplo relevante foi à
inserção do projeto de priprioca5 em ambas as comunidades. Segundo os entrevistados, o projeto
de priprioca não deslanchou porque emperrou na sua comercialização, na época o pleito das
comunidades para a realização deste projeto foi bastante impulsionado pela mídia6 e pela
comunidade vizinha (Boa Vista) que estava produzindo este produto, assim como em outras
localidades do Pará. No entanto, alguns aspectos não foram vistos, já que a comunidade de Boa
Vista tinha contrato exclusivo da venda do produto para a empresa de cosmética Natura, ou seja,
a produção tinha escoamento para a venda direto para esta empresa. Neste ínterim, animados
com estas informações os quilombolas de Itacoã e Guajará solicitaram este projeto produtivo, mas
não atentaram para o mercado, pois a empresa Natura absolvia apenas a produção que já havia
fechado contratado, ficando a produção da priprioca ate hoje sem colheita e no estado de
apodrecimento.

Por outro lado, os entrevistados alegaram que o programa Raízes confirmou


comercialização garantida para o produto. O fator importante nesta questão é que o projeto de
priprioca consumiu esforços de todos que dele participaram e uma gigantesca frustração quando
se deparam com o produto ainda na área onde fora plantado. Dessa forma, depreende-se que não
houve um dialogo profundo, técnico e responsável não só por parte do PR, mas também da

5
Inserido em Itacoã-Miri e Guajará-Miri no ano de 2004.
6
Novela da emissora de televisão Rede Globo.
própria comunidade. Quando perguntados sobre os motivos para extinção do projeto de priprioca,
os entrevistados de Itacoã e Guajará responderam de maneira unânime que a falta de mercado
direcionado foi a principal causa, seguido da ausência de técnica, falta de “capital de giro”, falta de
orientação e principalmente falta de retorno financeiro.

O programa Raízes apresenta certa ausência de estudos prévios nas comunidades


remanescentes quilombolas para conhecer suas particularidades e potencialidades, afim de não
esbarrar no mesmo erro como o do projeto de priprioca em Itacoã-Miri e Guajará-Miri. Neste viés,
Marinho (2007, p.43) vai mais alem: “deveria ser feito um estudo prévio da localidade, destacando
suas potencialidades referentes à matéria-prima, principais atividades desenvolvidas na
comunidade, meio utilizado para escoar a produção, dentre outros”.

No âmbito da assistência técnica continua e apoio financeiro o PR, segundo Américo, não
dá conta de atender a essas reivindicações dos quilombolas por não ser o órgão executor, já que
seu papel é o de receber as demandas, discuti-as com a comunidade, aprová-las e repassar o
orçamento ao órgão executor. Além disso, desde a sucessão governamental no estado, o
programa Raízes perdeu espaço e ganhou uma nova roupagem, obedecendo a novos interesses
e princípios políticos. Contudo, uma forte fiscalização e diálogos com essas instituições
executoras para colocá-las a par de todas as reivindicações quilombolas mostram-se uma
possível mudança neste quadro.

O programa Raízes foi criado em 2000 e atuou em comunidades quilombolas com inserção
de projetos produtivos até o ano de 2006, este ultimo com pouca atuação. Com a transição de
Governo Estadual, no ano de 2007, o programa Raízes passou a existir apenas de maneira
formal, pois em 30 de julho desse mesmo ano, o novo governo cria a COPPIR (Coordenação de
Promoção de Políticas de Igualdade Racial), com o objetivo de:

Combater todas as formas de violência expressa na forma de discriminação racial e étnica,


a xenofobia e outras intolerâncias correlatas, atuando na realização de campanhas
educativas, eventos e debates, bem como na capacitação e formação de servidores
públicos e entidades não governamentais, e o fomento de políticas publicas para promoção
7
da igualdade racial .

Desta forma, o programa Raízes passa a existir figurativamente, já que a COPPIR tomam
a frente todas as suas atribuições e modifica totalmente seus princípios, pois agora vai atuar não
apenas com as comunidades remanescentes de quilombo, mas com toda a população negra do
Estado do Pará. E mais, a única ação atual desde 2007 pela COPPIR nas comunidades
remanescentes de quilombo está estritamente ligada às titulações de terras e não mais de
inserção de projetos produtivos.

7
Informação retirada do site da SEJUDH. Disponível em: http://www.pciconcursos.com.br/concurso/93150
As causas apresentadas acima não são as únicas que se casaram para o não
desenvolvimento satisfatório dos projetos em Itacoã e Guajará, pois percebeu-se ao longo da
pesquisa em campo que os membros dessas comunidades passam por uma consolidação de
organização e administração interna o que implica num amadurecimento que ajudará a analisar e
dialogar com as instituições que lhes farão parcerias futuras para escolher melhor as prioridades
mais cabíveis e próximas de sua realidade. Cabe lembrar, que os membros almejam resultados
imediatos para suprir necessidades como alimentação, vestimenta e produtos que abasteçam os
projetos em que participam. Esse pensamento esbarra no tempo de duração e o processo pelo
qual o projeto produtivo tem que passar, ou seja, os resultados que deveriam aparecer de forma
imediata (na concepção de alguns entrevistados) demoram ou, às vezes, nem chegam a
acontecer, seja de forma imediata ou não.

Enquanto isso, os membros das duas comunidades remanescentes quilombolas realizam


atividades econômicas que lhes são tradicionais e que são ate hoje a base de sua sobrevivência.
Na comunidade negra de Itacoã-Miri as atividades tradicionais mais praticadas são: a colheita de
frutas regionais, a produção de carvão, a produção de farinha de mandioca, a venda de ramas de
maniva. No universo das atividades tradicionais mais praticadas na comunidade negra de
Guajará-Miri destacam-se: a colheita de frutas regionais, a confecção de espetos para churrasco,
produção de carvão.

Enquanto os projetos inseridos pelo programa Raízes (e que ainda existem) em Itacoã e
Guajará não evoluírem apresentado resultados significantes e ajuda considerável na renda dos
sócios envolvidos ambas as comunidades continuaram a desenvolver as atividades que sempre
lhes foram tradicionais e que são os pilares da sua perpetuação. O sonho de se melhorar o
padrão de vida através desses projetos produtivos caiu na descrença de muitos membros dessas
comunidades e, por outro lado, é a motivação para se buscar esforços para que um dia esse
sonho se realize.

Considerações finais

Em algumas visitas feitas as duas comunidades remanescentes de quilombo aqui


analisadas, percebeu-se um amplo distanciamento do objetivo proposto pelos programas Raízes e
Pará Quilombola dentro das comunidades de Itacoã-Miri e Guajará-Miri. Os projetos produtivos
inseridos nestas comunidades não estão em consonância com seus modos de vida e suas
potencialidades naturais para de fato dinamizarem a economia e promover a igualdade racial tão
conclamada.

É preciso fazer estudos prévios das potencialidades naturais e econômicas de cada


território das comunidades remanescentes de quilombo do Pará e das duas comunidades aqui
estudadas, pois o uso de fórmulas prontas está longe de se efetivarem de forma eficaz nas
mesmas, já que se sabe que ambas tem suas especificidades (MARINHO, 2007).
Os programas paraenses para as comunidades quilombolas precisam dialogar mais com
as varias territorialidades que estas apresentam. Por outro lado, também é preciso uma maior
organização de Itacoã-Miri e Guajará-Miri quanto seus pleitos junto aos programadas que os
assiste, para que dessa forma haja efetivamente uma dinamização econômicas através dos
projetos produtivos que levem em consideração seus potenciais naturais e econômicos e não
fiquem longe de seu modo de vida.

O programa Raízes foi criado para atender a um publico que historicamente fora
discriminado e marginalizado em toda sociedade brasileira, o negro. O destaque deste programa é
sua singularidade em apoiar ações de caráter social, econômico, cultural e territorial nas CRQ do
Pará. Percebeu-se que desde seu primeiro ano de atuação, este programa precisou lutar dentro
do próprio governo paraense para ser reconhecido como instituição e intermediário das ações
dentro das comunidades quilombolas. Dessa forma, a indiferença do programa Raízes dentro do
governo já o enfraqueceu, pois essa pressão em ser reconhecido como política publica
governamental, tomou o tempo que poderia ser dedicado a outras ações nas CRQ.

No universo das entrevistas das comunidades estudadas, percebeu-se que as principais


causas para que os projetos produtivos instalados pelo programa Raízes desde 2001 não se
desenvolvessem satisfatoriamente foram: a ausência de assistência técnica continua a
contradição de informações entre os técnicos que ministraram os cursos de capacitação, parco
apoio financeiro e o direcionamento da produção para o mercado.

Grande parte dos entrevistados, tanto em Itacoã-Miri como em Guajará-Miri alegaram que
a falta de assistência técnica continua provocou o desenvolvimento insatisfatório dos projetos
produtivos. Este fato pôde ser percebido no numero considerável de sócios que se desvincularam
dos projetos que participavam. A falta de assistência técnica continua causou erros na
manutenção dos projetos, já que muitas situações inesperadas e desconhecidas apareceram
deixando os sócios sem soluções técnicas para estes eventos. Um exemplo claro disto foi o
desaparecimento das abelhas das caixas do apiário das duas comunidades. As duvidas rodeiam o
pensamento dos sócios desse projeto, pois especulam que o motivo do desaparecimento das
abelhas possa ter sido a fumaça vinda das queimadas das roças próximas ao apiário, já outros
acreditam que foi por conta da falta de alimentação. É neste momento que a presença de um
técnico faria toda diferença, pois alem de sua presença em todas as etapas do processo de
produção, ele promoveria com sua experiência e conhecimento resultados positivos desse projeto
produtivo.

A contradição de informação entre os técnicos no momento da capacitação das etapas de


produção é uma das grandes causadoras do não desenvolvimento satisfatório dos projetos
produtivos dessas ações. Durante as visitas dos técnicos nas comunidades as informações
repassadas se tornaram contraditórias por conta da troca de diferentes técnicos em algumas
vistas para a capacitação.

Outro motivo identificado para ineficiência dos projetos produtivos em Itacoã-Miri e


Guajará-Miri foi o parco apoio financeiro repassado aos projetos nelas inseridos. O projeto de
apicultura, em ambas as comunidades negras e o de piscicultura em Itacoã-Miri exemplificam
essa questão. No que tange a apicultura a instalação desse projeto foi acompanhada por uma
pequena infraestrutura, mas todas as outras ferramentas necessárias para as etapas de produção
não foram disponibilizadas (a exemplo de um reclame de uma sócia em Guajará-Miri). O projeto
de piscicultura necessita de investimento bastante elevado para adequar toda a infraestrutura
física já existente (os tanques), bem como o suporte técnico para dar condições à criação dos
peixes. A assistência técnica continua é imprescindível na execução deste projeto para que não
se repita a grande incidência de mortes de peixes ocasionada pelo excesso de ração jogado nos
tanques propiciando o desenvolvimento de bactérias e a perda do oxigênio acarretando na morte
dos peixes por asfixia.

O direcionamento para venda da produção no mercado de trabalho tornou-se uma das


grandes expectativas dos associados que participaram dos projetos produtivos em suas
comunidades. A ultima etapa de uma cadeia produtiva é a comercialização do produto, da
produção. Neste sentido, o programa Raízes tentou articular saídas para o escoamento da
produção dessas duas comunidades. No tocante ao projeto de apicultura, o programa Raízes
procurou a Associação Paraense de Apicultura para promover a absorção da produção dos
quilombolas, mas algumas normas teriam que ser seguidas como a embalagem padrão e selo
(certificado), por exemplo. Estes fatores esbarraram na ausência de capital para a compra das
embalagens e o registro do selo. Dessa forma, o pouco mel produzido é vendido em embalagens
não convencionais (como em garrafas pets) e são comercializados na própria comunidade ou em
feiras livres como a do Porto da Palha8.

Neste momento, percebeu-se a ausência de capacitação não só técnica, mas também


administrativa dos associados, pois os poucos recursos que mantém o projeto acima provem do
esforço e empenho que os sócios dedicam.

No caso da piscicultura, a produção de peixe, nos tanques em Itacoã-Miri, ganhou


destaque na sua primeira ativação em 2002, muitas toneladas de peixe foram vendidas em
mercados direcionados em Belém como a feira de peixe na UFPA. Porem, a falta de assistência
técnica e estrutura física adequada reduziu a venda para a sede do município de Acará e as
comunidades vizinhas na época dos festejos da “Semana Santa” (feriado religioso católico), ou
seja, a venda da produção de peixes se dá uma vez no ano por conta dos motivos citados acima.

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Porto de maior relação comercial e social com duas comunidades negras estudadas.
O trabalho de campo mostrou a dedicação e aprofunda esperança dos menbros, que
participam e não participam deste projeto (piscicultura), no desenvolvimento pleno se houver
técnica, estrutura física adequada, técnicos em todas as etapas do processo, pois o mercado de
peixes é bastante propicio nesta região.

Seguindo a analise da importância do mercado para a produção quilombola de Itacoã-Miri


e Guajará-Miri enfatizando os projetos produtivos de construção de casas de farinha e o manejo
de açaizais nativos, foram instalados duas casas de farinha em Guajará-Miri, tais casas são
equipadas com o forno e uma maquina para a trituração da mandioca. Na maioria das falas dos
entrevistados dessa comunidade, toda a produção de farinha está voltada para o consumo próprio
e quando destinadas ao mercado é, geralmente, vendida na feira livre do Porto da Palha. Neste
sentido, percebeu-se que a produção de farinha atende a sobrevivência alimentar dos usuários
das casas de farinha. Alem disso, o mercado para este produto regional é permanente.

Assim como o mercado para a farinha de mandioca é permanente, o de açaí apresenta-se


neste mesmo sentido. O projeto de manejo de açaizais nativos mostrou-se o de maior índice de
aceitação e desenvolvimento nas duas comunidades negras. Por tratar-se de um produto de
elevado e permanente consumo da maioria dos paraenses.

O manejo de açaizais nativos não necessita de alto custo de investimento financeiro para
sua implantação, pois o manejo é aplicado, principalmente em área de várzea, e necessita de
limpeza da vegetação nociva ao redor das palmeiras, com o intuito de garantir o seu crescimento,
alem do plantio de novas mudas. O PR entrou com o apoio financeiro para compra de botas
ferramentas para a limpeza da área destinada ao manejo, garantiu também a capacitação dos
sócios. Esse projeto ajuda na alimentação dos membros desse projeto e na renda vinda da venda
do produto no Porto da Palha.

Essas ações do programa Raízes na instalação de projetos produtivos em Itacoã-Miri e


Guajará-Miri se deu ate o ano de 2006. A partir desta data as ações, que já apresentavam
problemas na sua implantação, mostraram maior declínio com a mudança na política
governamental do Estado do Pará. O programa Raízes passou a ser uma espécie de figura dentro
do governo e deixou de realizar suas ações, limitando o apoio e ações nas comunidades
quilombolas a titulação de domínios de terras quilombolas, passando a ser realizadas pela COPIR
e, atualmente, CEPPIR.

A CEPPIR alega que o programa Raízes focava apenas ações em comunidades


quilombolas e povos indígenas, com essa mudança toda população negra do estado será
beneficiada. Dessa forma, ações concretas e apoio aos projetos produtivos já instalados nas
comunidades negras de Itacoã-Miri e Guajará-Miri não conseguiram desenvolver-se
satisfatoriamente, salvo a exceção da produção de açaí que é bastante elevado em ambas as
comunidades negras.
Neste ínterim, algumas indagações surgem se tornando pertinentes: Como a CEPPIR
abarcará toda população negra do Estado do Pará promovendo a ela políticas de promoção da
igualdade racial?; De que forma o estado paraense tratará as comunidades remanescentes de
quilombo?; Quais serão as políticas de promoção da igualdade racial?

Uma vez que a experiência do programa Raízes apenas em comunidades remanescentes


de quilombo e povos indigenas demonstrou ser uma tarefa árdua que necessitava de um tempo
maior para sua consolidação dentro do próprio governo. Essas são indagações que necessitam
de uma analise bem mais detalhada e dos acontecimentos que nortearão as novas políticas no
estado paraense. Neste sentido, ficam aqui as expectativas para trabalhos futuros que poderão
dar continuidade a este tipo de analise, deixando em aberto duvidas para aguçar o interesse de
novos estudos nesta área.

Referências

COSTA, Rogério Hasbaert. . O mito da desterritorializaçao: do “fim dos territórios” à


multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

FOLDER DO PROGRAMA RAÍZES. Belém: Programa Raízes, 2003.

MARIN, Rosa Elizabeth Acevedo. Itacoã no Baixo Acará – Pará: as terras dos descendentes além
da Casa Grande. In: Mapeamento de Comunidades Negras Rurais do Pará: ocupação do território
e uso de recursos, descendência e modo de vida. Belém: NAEA/UFPA/SECTAM, 1999.

MARINHO, Carla Figueredo. Programa Raízes: Ações e práticas de “Políticas Étnicas no Pará”.
Mon.pós. Grã. Belém: NAEA, 2007.

RELATÓRIO DO PROGRAMA RAÍZES. Belém: Programa Raízes, 2006.

SALLES, Vicente. O negro no Pará: sob o regime de escravidão. 3 ed. Belém: IAP/ Programa
Raízes, 2005.

__________. Vocabulário crioulo: contribuição do negro ao falar regional amazônico. Belém:


Programa Raízes, 2003.

TRECCANI, Girólomo Domênico. Terras de quilombo: entraves do processo de titulação. Belém:


Programa Raízes, 2006.