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APOSTILA

PARA [YADAIM OVDOT]


CONCURSOS

Apostila organizada para o Curso


AVALIAÇÃO
Preparatório para Concursos Públicos.
Cargo: Psicólogo PSICOLÓGICA &
PSICODIAGNÓSTICO
Apostila para concursos
Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
Professor (a): Juliana Carneiro Dallabrida

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

SUMÁRIO

1.0 DEFINIÇÃO-----------------------------------------------------------------------------------4
2.0) PASSOS A SEREM OBSERVADOS EM UM PROCESSO DE AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA------------------------------------------------------------------------------------5
3.0) DIMENSÕES DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA----------------5
4.0) PRINCIPAIS TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA----------------------7
4.1) Observação----------------------------------------------------------------------------------------------8
4.2) Testes Psicológicos-----------------------------------------------------------------------------------10
4.2.1) Origem dos Testes psicológicos-------------------------------------------------------------------10
4.2.2) Classificação----------------------------------------------------------------------------------------14
4.2.3) Tipos de Testes Psicológicos----------------------------------------------------------------------14

4.2.4) Na Resolução CFP 03/2002foram definidos os requisitos mínimos que os testes precisam
apresentar para serem aprovados pelo Conselho------------------------------------------------------18
4.2.5) Resumidamente, os requisitos fundamentais para que um teste possa ser considerado um
bom instrumento de avaliação são-----------------------------------------------------------------------18
4.2.6) Os 12 Pecados Mortais do Uso de Testes Psicológico----------------------------------------19

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4.3) Entrevista psicológica-------------------------------------------------------------------------------21


4.3.1) Funções da entrevista------------------------------------------------------------------------------22
4.3.2) Tipos de entrevista----------------------------------------------------------------------------------23
5.0) ASPECTOS ÉTICOS DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA------------------------------------34
6.0) A PRODUÇÃO DE DOCUMENTOS LEGAIS DECORRENTES DA AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA--------------------------------------------------------------------------------------------36
6.1) Declaração---------------------------------------------------------------------------------------------37
6.2) Atestado Psicológico---------------------------------------------------------------------------------38
6.3) Relatório------------------------------------------------------------------------------------------------40
6.5) Apontamentos sobre os documentos de avaliação psicológico--------------------------------41

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

1.0 DEFINIÇÃO:

A Avaliação Psicológica refere-se a um conjunto de procedimentos confiáveis


que permitem ao psicólogo julgar vários aspectos do individuo através da observação
de seu comportamento em situações padronizadas e pré-definidas. (Pasquali, L &
Tróccoli, B., LabPAM – UNB)

Avaliação Psicológica é Avaliação Psicológica não é


um processo dinâmico. um trabalho mecânico.
um processo de conhecimento do outro. somente avaliar determinadas características.
um processo científico. sinônimo de aplicação de testes.
um trabalho especializado. um processo simples, rápido e fácil.
a obtenção de amostras do um conhecimento definitivo sobre o comportamento
comportamento. observado.

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2.0) PASSOS A SEREM OBSERVADOS EM UM PROCESSO DE AVALIAÇÃO


PSICOLÓGICA

 Identificar os objetivos da avaliação do modo mais claro e realista possível;


 Proceder à seleção apropriada de instrumentos;
 Aplicar de forma cuidadosa os instrumentos selecionados;
 Fazer a correção dos instrumentos de forma cuidadosa;
 Fazer a cuidadosa interpretação dos resultados;
 Desenvolver o uso criterioso dos dados coletados;
 Produzir o relatório verbal ou escrito.

3.0) DIMENSÕES DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA


3.1 Dimensão técnica: o psicólogo necessita ter, antes de mais nada, um vasto
conhecimento em relação às técnicas que pretende utilizar, assim como uma
possibilidade de crítica consciente em relação aos instrumentos de avaliação que utiliza
(testes, dinâmicas de grupo, observação,entrevista e outros). Sempre, por melhor que
tenha sido a formação do psicólogo, ele deve buscar cursos de pós-formação para
aperfeiçoar os seus conhecimentos.

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3.2 Dimensão relacional: informa a respeito de mecanismos transferenciais e contra-


transferenciais que sempre estão presentes no momento da avaliação.

3.3 A dimensão ética deve sempre direcionar qualquer trabalho, especialmente este que
tratamos. Falamos aqui de respeito ao semelhante, à sua dor, às obrigações de causar o
menor dano possível com a nossa intervenção e à sustentação dos resultados, mesmo
que havendo pressões de todos os tipos (pais, chefias e outros). Também gostaria de
ressaltar a obrigatoriedade de fazer entrevistas de devolução, premissa esta muito
esquecida pelos psicólogos, e que pode servir como um momento muito especial de
crescimento para o nosso cliente, se bem realizada e levando em conta todas as
dimensões citadas.

3.4 A dimensão legal tem sido amplamente questionada: o Estado tem o direito de
investigar a vida de um cidadão que pretende ter um emprego ou uma Carteira Nacional
de Habilitação? Que conseqüências legais a interdição de um membro de uma
determinada família trará para o mesmo? Qual o valor legal do uso de técnicas
desatualizadas, não adaptadas à população brasileira?

3.5 A dimensão profissional diz respeito a todas as implicações e conseqüências de


ordem profissional no momento de uma avaliação, da entrega de um laudo ou da

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devolução de resultados. Qual é o nível de seriedade e isenção que esse profissional


apresentou para tanto? Qual é o seu posicionamento a respeito de uma avaliação
realizada pelo seu colega e que agora se encontra em suas mãos, em grau de recurso?
Prefiro agradar o meu chefe e manter o meu emprego a ser coerente com um trabalho e
uma imagem profissional? Quais as conseqüências para a classe de psicólogos de um
trabalho mal feito, covarde, que cede a pressões ?

3.6 A dimensão social se refere às reflexões mais amplas da nossa sociedade. A


instituição (Estado, empresa) tem o direito de investigar a vida de um cidadão que
pretende ter um emprego ou uma Carteira Nacional de Habilitação? Em que
mecanismos sociais segregatórios a avaliação psicológica pode colaborar? Qual o uso
deste tipo de trabalho e que fins de manipulação ele pode ter?

4.0) PRINCIPAIS TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA:


As principais são: entrevistas, observação, testes psicológicos, dinâmicas de grupo,
observação lúdica, provas situacionais e outras.” Neste material será abordado apenas as
entrevistas, os testes e a observação, que são os tópicos que mais caem.

4.1) Observação

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A observação é um método mais aberto de avaliação psicológica e sem dúvida o


primeiro instrumento que o profissional de Psicologia aprende a utilizar. Assim, o seu
treino é fundamental para que haja clareza e exatidão nas infor- mações coletadas.
4.1.1) Exame do estado mental

�Atenção

Capacidade de concentração do psiquismo frente a determinado estímulo;

�Senso percepção

Capacidade de receber um estímulo e transformá-lo em uma imagem;

�Consciência

Estado de clareza psíquica;

�Orientação

Capacidade de situar-se em relação a si mesmo e ao ambiente;

�Memória

Capacidade de fixar, conservar, evocar e reconhecer um estímulo

�Pensamento

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Capacidade de elaborar, associar e criticar idéias. Traduz a aptidão de


elaborar conceitos, articulá-los em juízos e construir raciocínios de modo a solucionar
problemas;

�Linguagem

Conjunto de sinais convencionados utilizados para se expressar;

�Afetividade

Capacidade de experimentar sentimentos e emoções;

�Conduta

Tendência psicomotora da atividade psíquica.


4.1.2) Observação

�Aparência geral:

Higiene, cuidados corporais e vestimenta; Aspecto físico e de saúde; Modo de


comportar-se

�Área sensorial e motora

Visão
Audição
Movimento corporal

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4.2) Testes Psicológicos


Os testes psicológicos são instrumentos de avaliação ou mensuração de
características psicológicas, constituindo- se um método ou uma técnica de uso
privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1° do art. 13 da lei no
4.119/62. (Resolução CFP 002/2003)
A função do teste torna-se, dessa forma, medir as diferenças entre indivíduos ou
entre as reações do mesmo indivíduo em diferentes ocasiões. É importante ressaltar que
os testes psicológicos devem ser entendidos como instrumentos auxiliares nesta coleta
de dados que é a Avaliação Psicológica e que, juntamente com as demais informações
organizadas pelo psicólogo, auxiliam na compreensão do problema estudado, de forma
a facilitar a tomada de decisões.
4.2.1) Origem dos Testes psicológicos:
Com base em Pasquali (2001), a história dos testes psicológicos, se destacam em
sucessivas décadas, de tal maneira que é possível associar muitos autores a alguns
períodos bem específicos.
 A Década de Galton: 1880. Para Francis Galton (biólogo inglês) à
avaliação das aptidões humanas se dava por meio da medida sensorial, através da
capacidade de discriminação do tato e dos sons. Galton (apud ANASTASI, 1977)
entendia que, a única informação que nos atinge, vinda dos acontecimentos externos,
passa, aparentemente pelo caminho de nossos sentidos. Quanto maior o discernimento

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que os sentidos tenham de diferentes, maior o campo em que podem agir no nosso
julgamento de inteligência (p.8).
A contribuição de Galton para psicometria ocorreu em três áreas: Criação de
testes antropométricos para medida de discriminação sensorial (barras para medir a
percepção de comprimento); Apito para percepção de altura do tom; Criação de escalas
de atitudes (escala de pontos, questionários e associação livre2); Desenvolvimento e
simplificação de métodos estatísticos (método da análise quantitativa dos dados
coletados).
 A Década de Cattell: 1890. Influenciado por Galton, James M. Cattell
(psicólogo americano) desenvolveu medidas das diferenças individuais, o que resultou
na criação da terminologia Mental Test (teste mental). Elaborou em Leipzig sua tese
sobre diferenças no Tempo de Reação. Este consiste em registrar os minutos decorridos
entre a apresentação de um estímulo ou ordem para começar a tarefa, e a primeira
resposta emitida pelo examinando. Cattell seguiu as idéias de Galton, dando ênfase às
medidas sensoriais, porque elas permitiam uma maior precisão.
 A Década de Binet: 1900. Seus interesses se voltavam para avaliação das
aptidões mais nas áreas acadêmica e da saúde. Alfred Binet e Henri fizeram uma série
de crítica aos testes até então utilizadas, afirmando que eram medidas exclusivamente
sensoriais que, embora permitisse maior precisão, não tinham relação importante com as
funções intelectuais. Seu conteúdo intelectual fazia somente referências às habilidades

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muito específicas de memorizar, calcular, quando deveriam se ater às funções mais


amplas como memória, imaginação, compreensão, etc. Em 1905, Binet e Simon
desenvolveram o primeiro teste com 30 itens (dispostos em ordem crescente de
dificuldade) com o objetivo de avaliar as mais variadas funções como julgamento,
compreensão e raciocínio, para detectar o nível de inteligência ou retardo mental de
adultos e crianças das escolas de Paris. Estes testes de conteúdo cognitivo atendiam a
funções mais amplas, e foram bem aceitos, principalmente nos EUA, a partir da sua
tradução por Terman (1916), nascendo, assim, a era dos testes com base no Q.I.
(idealizado por W. Stern). Q.I. = 100 (IM/IC)3
O período de 1910-1930, é considerado a era dos testes de inteligência sob as
influências: Do segundo teste de Binet e Simon (1909); Do artigo de Spearman sobre o
fator G (1909); Da revisão do teste de Binet para os EUA (Terman, 1916); e do impacto
da primeira guerra mundial com a necessidade de seleção rápida e eficiente, de
contingente para as forças armadas.
Na Bahia, em 1924, Isaias Alvez fez a adaptação da escala Binet-Simon,
considerada como um dos primeiros estudos de adaptação de instrumentos
psicométricos no Brasil (NORONHA & ALCHIERI, 2005).
 A Década da Análise Fatorial: 1930. Por volta de 1920, diminuiu o
entusiasmo pelos testes de inteligência, sobretudo por se demonstrar dependentes da
cultura onde foram criados, o que contrariava a idéia de fator geral universal de

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Spearman. Kelley quebrou a tradição de Spearman em 1928, e foi seguido, na


Inglaterra, por Thomson (1939) e Burt (1941), e nos EUA, por Thurstone. Este autor é
relevante para época, em vista de que, além de desenvolver a análise fatorial múltipla,
atuou no desenvolvimento da escalagem psicológica (Thurstone e Chave, 1929)
fundando, em 1936, a Sociedade Psicométrica Americana e a revista Psychometrika.
 A Era da Sistematização: 1940-1980. Esta época é marcada por duas
tendências opostas: Os trabalhos de síntese e os de crítica. Em 1954, Guilford reedita
Psychometric Methods e tenta sistematizar a teoria clássica, e Torgerson (1958) a teoria
sobre a medida escolar. Além disso, Cattell e Warburton (1967) procuraram sintetizar os
dados de medida em personalidade, e Guilford (1967) a teoria sobre a inteligência.
Entre os trabalhos da crítica, destaca-se Stevens (1946), que levantou o problema das
escalas de medidas.
Divulgou-se também a primeira crítica à teoria clássica dos testes na obra de Lord
e Novick (1968, Statistical Theory of Mental Tests Scores), que iniciou o
desenvolvimento de uma teoria alternativa, a do traço latente, que se junta à teoria
moderna de Psicometria, e a Teoria de Resposta ao Item - TRI. Outra tendência crítica
para superar as dificuldades da Psicometria clássica foi iniciada pela Psicologia
Cognitiva de Sternberg e Detterman (1979), Sternberg e Weil (1980), com seu modelo,
procedimentos e pesquisas sobre os componentes cognitivos, na área da inteligência.

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 A Era da Psicometria Moderna (Teoria de Resposta ao Item - TRI): 1980.


Talvez chamar a era atual de TRI seja inadequada, porque: a) Esta teoria embora seja o
modelo no Primeiro Mundo, ainda não resolveu todos seus problemas fundamentais
para se tornar um modelo definitivo de psicometria e, b) Ela não veio para substituir
toda a psicometria clássica, mas, apenas partes dela. Porém, é o que há de mais novo
nesse campo.

4.2.2) Classificação
 Testes com respostas corretas: Funcionamento cognitivo, conhecimento,
habilidades ou capacidades;
 Testes nos quais não há respostas corretas: Inventários, questionários,
levantamentos, testes de personalidade, motivações, preferências, atitudes, interesses,
opiniões, reações características.

4.2.3) Tipos de Testes Psicológicos

TESTES PSICOMÉTRICOS
Os testes psicométricos se baseiam na teoria da medida e, mais especificamente,
na psicometria, usam números para descrever os fenômenos psicológicos, enquanto os

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testes impressionistas, ainda que utilizem números, se fundamentam na descrição


lingüística.
Os testes psicométricos usam a técnica da escolha forçada, escalas em que o
sujeito deve simplesmente marcar suas respostas. Primam pela objetividade: tarefas
padronizadas. A correção ou apuração é mecânica, portanto, sem ambigüidade por parte
do avaliador.

TESTES/TÉCNICAS PROJETIVOS(AS)
Os testes impressionistas requerem respostas livres, sua apuração é ambígua,
sujeita aos vieses de interpretação do avaliador. O psicólogo impressionista trabalha
com tarefas pouco ou nada estruturadas, a apuração das respostas deixa margem para
interpretações subjetivas do próprio avaliador, e os resultados são totalmente
dependentes da sua percepção, dos seus critérios de entendimento e bom senso.

 Testes Coletivos Versus Testes Individuais


Os testes coletivos são planejados, basicamente, para exame em massa. Em
comparação aos testes individuais, têm suas vantagens e desvantagens. Do lado
positivo, podem ser aplicados em grandes grupos simultaneamente, como por exemplo,
em concurso público. Em cada escala torna-se possível desenvolver técnicas de testes

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coletivos. Ao utilizar apenas itens escritos, e respostas simples que são registradas nas
folhas de respostas, isso facilita o exame e o papel do examinador é bastante
simplificado, uma vez que elimina a necessidade da relação direta com o examinando.
Em contraste com o treinamento intensivo e a experiência exigida para aplicar
os testes individuais, a exemplo do Rorschach (teste projetivo de personalidade).
A maioria dos testes coletivos exige somente a habilidade de ler as instruções simples
para os examinandos e manter o tempo exato. Dão mais uniformidade de condições,
uma vez que difere dos individuais, tanto na forma de disposição dos itens quanto na
característica de recorrer a itens de múltipla escolha, e a aferição dos seus resultados,
geralmente, é mais objetiva. Embora os testes coletivos tenham muitos aspectos
desejáveis, porém carece de uma função indispensável, que é a oportunidade do
examinador estabelecer relação com o examinando para obter sua cooperação e manter
o seu interesse.
Do contrário da aplicação dos testes coletivos, os individuais são quase
inevitáveis às observações complementares do comportamento do sujeito, a exemplo de
identificar as causas da má realização em determinados itens, ou de qualquer
indisposição momentânea, fadiga, angústia, etc., que possa interferir na sua realização, o
que é pouco ou nunca identificado no exame coletivo.
O tipo de resposta mais utilizada em testes psicométricos, praticamente em sua
totalidade é a escrita, a saber, lápis-e-papel. A grande vantagem desta técnica é que os

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testes podem ser aplicados coletivamente a grandes amostras de sujeitos, ocorrência


difícil de acontecer em situações nas quais as respostas são dadas verbalmente ou exige
uma observação mais direta do comportamento do testando.
 Categoria dos Testes
Os testes podem ser divididos e subdivididos nas seguintes categorias:
a) Objetividade e Padronização: Testes psicométricos e impressionistas;
b) Construto (processo psicológico) que Medem: Testes de capacidade
intelectual (inteligência geral – Q.I.); Teste de aptidões (inteligência diferencial:
numérica, abstrata, verbal, espacial, mecânica, etc.); Testes de aptidões específicas
(música, psicomotricidade, etc.); Testes de desempenho acadêmico (provas
educacionais, etc.); Testes neuropsicológicos (testes de disfunções cerebrais, digestivos,
neurológicos, etc.); Testes de preferência individual (personalidade; atitudes: valores;
interesses; projetivos; situacionais: observação de comportamento, biografias);
c) Forma de Resposta: Verbal; Escrita: papel-e-lápis; Motor; Via computador:
Vantagens: apresentam em melhores condições as questões do teste; corrige com
rapidez; enquadra de imediato o perfil nas tabelas de interpretação; produz registros
legíveis em grande número e os transmite à distância; motiva os testandos ao interagir
com o computador; Desvantagens: a interpretação dos resultados do perfil psicológico é
mais limitada do que a realizada pelo psicólogo.

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4.2.4) Na Resolução CFP 03/2002foram definidos os requisitos mínimos que os testes


precisam apresentar para serem aprovados pelo Conselho:

�Fundamentação teórica;

�Evidências empíricas de validade e precisão das interpretações propostas;

�Sistema de correção e interpretação dos escores;

�Descrição clara dos procedimentos de aplicação e correção;

�Manual contendo as informações.

4.2.5) Resumidamente, os requisitos fundamentais para que um teste possa ser


considerado um bom instrumento de avaliação são:
 Validade: O teste mede o que se propõe a medir?
 Fidedignidade: O escore obtido no teste se aproxima do escore verdadeiro do
sujeito
 Padronização: Há uniformidade dos procedimentos tanto de aplicação quanto
de pontuação do teste?
 Adaptação: O teste corresponde à realidade em que é utilizado?

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4.2.6) A escolha dos instrumentos


Os pontos abaixo podem ajudar o profissional a pensar melhor e a escolher o teste mais
adequada para a ocasião:
 Que atributos ou características se quer avaliar: personalidade, atenção,
inteligência etc.;
 Quais as técnicas disponíveis e aprovadas: técnicas que constam na lista do
CFP como aprovadas;
 Idade, escolaridade, nível socioeconômico etc. do testando: perfil da pessoa a
ser avaliada;
 Familiaridade com o instrumento: ter conhecimento prévio do material antes de
sua aplicação;
 Qualidade do instrumento: confiabilidade do material mediante indicação ou
não do CFP;
 Materiais originais: utilização de materiais da editora e nunca fotocópias.

4.2.7) Os 12 Pecados Mortais do Uso de Testes Psicológico:


1. Utilizar testes não aprovados pelo CFP.
2. Usar cópias de testes.
3. Não encarar a Avaliação Psicológica como um processo.

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4. Dispensar a entrevista.
5. Adaptar os testes de acordo com a sua vontade: alterar tempos,instrumentos, não
observando a padronização.
6. Não pedir ao candidato para assinar o teste.
7. Não registrar todas as informações pertinentes ao caso.
8. Aceitar remuneração incompatível com a sua prática.
9. Não esclarecer a respeito da Avaliação Psicológica ao cliente e ao usuário do serviço.
10. Não fazer entrevistas de devolução.
11. Não se aperfeiçoar em reciclagens, cursos, supervisões e congressos.
12. Não guardar os materiais por cinco anos.

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4.3) Entrevista psicológica:


A entrevista é uma técnica de investigação científica em psicologia, sendo um
instrumento fundamental do método clínico. (...) Compreende o desenvolvimento de
uma relação entre o entrevistado e o entrevistador, relacionada com o significado da
comunicação. Revela dados introspectivos (a informação do entrevistado sobre os seus
sentimentos e experiências), bem como o comportamento verbal e não-verbal do
entrevistador e do entrevistado. (Cunha, 1986)
A entrevista deve ser entendida como uma forma dinâmica, o que possibilitará o
conhecimento necessário aos objetivos da avaliação proposta. Consideramos como
importantes, nos mais diversos contextos, a investigação das seguintes informações:
 Dados de identificação
 Dados socioculturais

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 História familiar
 História escolar
 História e dados profissionais
 História e indicadores de saúde/doença
 Aspectos da conduta social
 Visão e valores associados a temática investigada
 Características pessoais
 Expectativas de futuro

4.3.1) Funções da entrevista


 Ampla escolha da informação do cliente ( história evolutiva; história labora e
profissional, situação sócio-econômica familiar).
 Função motivadora: estabelecimento de uma relação positiva, mudança de
atitudes e expectativas, compreensão e clarificação dos problemas apresentados
pelo cliente, etc.
 Função terapêutica: dotar o cliente de estratégias de intervenção psicológica
 Trata-se de uma técnica de utilização longitudinal (realiza-se ao longo de todo
processo psicológico). Desde o primeiro encontro entre o psicólogo e o cliente

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até o último realiza-se “cara a cara” e com um objetivo concreto (avaliação,


psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação etc).

4.3.2) Tipos de entrevista:


Não há um único critério que permite classificar os variados tipos de entrevista.
Há diferentes critérios de classificação tais como, grau de estruturação; finalidade;
enquadramento teórico; sequência temporal; método etc. No material foram
selecionados alguns critérios, juntamente com um critério estabelecido por Cunha
(critério de estratégias específicas em entrevistas), por caírem em provas de concurso,
Quanto ao grau de estruturação:
Segundo Gil (1999), as entrevistas podem ser classificadas em: informal,
focalizada, por pautas e estruturada:
 Entrevista Informal (livre ou não-estruturada) – É o tipo menos
estruturado, e só se distingue da simples conversação porque tem como objetivo básico
a coleta de dados. O que se pretende é a obtenção de uma visão geral do problema
pesquisado, bem como a identificação de alguns aspectos da personalidade do
entrevistado;
 Entrevista Focalizada (semi-estruturada ou semidirigida) – É tão livre
quanto a informal, todavia, enfoca um tema bem específico. Permite ao entrevistado

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falar livremente sobre o assunto, mas quando este se desvia do tema original o
entrevistador deve se esforçar para sua retomada;
 Entrevista por Pautas (semi-estruturada ou semidirigida) – Apresenta
certo grau de estruturação, já que se guia por uma relação de pontos de interesses que o
entrevistador vai explorando ao longo do seu curso. As pautas devem ser ordenadas e
guardar certa relação entre si. O entrevistador faz poucas perguntas diretas e deixa o
entrevistado falar livremente à medida que se refere às pautas assimiladas. Quando este,
por ventura, se afasta, o entrevistador intervém de maneira sutil, para preservar a
espontaneidade da entrevista;
 Entrevista Estruturada (fechada) – Desenvolve-se a partir de uma relação
fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanecem invariável para todos os
entrevistados, que geralmente são em grande número. Por possibilitar o tratamento
quantitativo dos dados, este tipo de entrevista torna-se o mais adequado para o
desenvolvimento de levantamentos sociais.
Quanto à finalidade:
 Diagnóstica : Visa estabelecer o diagnóstico e o prognóstico do paciente,
bem como as indicações terapêuticas adequadas. Assim, faz-se necessário uma coleta de
dados sobre a história do paciente e sua motivação para o tratamento. Quase sempre, a
entrevista diagnóstica é parte de um processo mais amplo de avaliação clínica que inclui
testagem psicológica;

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 Psicoterápica : Procura colocar em prática estratégia de intervenção


psicológica nas diversas abordagens - rogeriana (C. Rogers), jungiana (C. Jung), gestalt
(F. Perls), bioenergética (A. Lowen), logoterapia (V. Frankl) e outras -, para
acompanhar o paciente, esclarecer suas dificuldades, tentando ajudá-lo à solucionar seus
problemas;
 De Encaminhamento : Logo no início da entrevista, deve ficar claro para
o entrevistado, que a mesma tem como objetivo indicar seu tratamento, e que este não
será conduzido pelo entrevistador. Devem-se obter informações suficientes para se fazer
uma indicação e, ao mesmo tempo evitar que o entrevistado desenvolva um vínculo
forte, uma vez que pode dificultar o processo de encaminhar;
 De Seleção : O entrevistador deve ter um conhecimento prévio do
currículo do entrevistado, do perfil do cargo, deve fazer uma sondagem sobre as
informações que o candidato tem a respeito da empresa, e destacar os aspectos mais
significativos do examinando em relação à vaga pleiteada, etc.;
 De Desligamento : Identifica os benefícios do tratamento por ocasião da
alta do paciente, examina junto com ele os planos da pós-alta ou a necessidade de
trabalhar algum problema ainda pendente. Essa entrevista também é utilizada com o
funcionário que está deixando a empresa, e tem como o objetivo obter
um feedback sobre o ambiente de trabalho, para providenciais intervenções do psicólogo
em caso, por exemplo, de alta rotatividade de demissão num determinado setor;

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 De Pesquisa: Investiga temas em áreas das mais diversas ciências,


somente se realiza a partir da assinatura do entrevistado ou paciente, do documento:
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Resolução CNS no 196/96), no qual
estará explícita a garantia ao sigilo das suas informações e identificação, e liberdade de
continuar ou não no processo.
Quanto ao enquadramento teórico:
 Entrevista psicanalítica: Tem como base os pressupostos dos conteúdos
inconscientes. O entrevistador busca avaliar a motivação inconsciente, o funcionamento
psíquico e a organização da personalidade do entrevistado. A entrevista é orientada para
a psicodinâmica da estrutura intrapsíquica ou das relações objetais e funcionamento
interpessoal;
 Entrevista Existencial-humanista – Não procura formular um
diagnóstico, e sim, verificar se o interesse do indivíduo está auto-realizado ou não. Aqui
não existe uma técnica específica de entrevista, estas são consideradas pelos
existencialistas como manipulação. O entrevistador reflete o que houve, pergunta com
cuidado, e tenta reconhecer os sentimentos do entrevistado;
 Entrevista Fenomenológica – Estuda a influência dos pressupostos e dos
preconceitos sobre a mente, e que os acionam ao estruturar a experiência e atribuir-lhe
um significado. Além de uma atitude aberta e receptiva, é necessário que o entrevistador
atue como observador participante, e que, assim, seja capaz de avaliar criticamente,

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através de sua experiência clínica e conhecimento teórico, o que está ocorrendo na


entrevista.
 Entrevista cognitivo-comportamental: focaliza a atenção na identificação
de problemas concretos esforçando-se para operacionalizá-los, averiguando as
características topográficas dos mesmos, assim como as relações funcionais com os
estímulos do ambiente ou internos. Tenta recolher informação que preencha três
critérios: que seja o mais concreto e específica possível; que possa ser organizada para
formulação de hipóteses preditivas e/ou explicativas; e que a informação recolhida
tenha a máxima validade possível.
Quanto ao método:
Segundo Ribeiro (1988), a realização da entrevista psicológica segue diferentes
enfoques:
 Psicométrico: O entrevistador faz uso constante de uma série de
instrumentos: testes, pesquisas, controle estatístico, etc., predeterminados, enquanto
dispositivos para a aquisição de conhecimentos sobre o entrevistado. Nessa situação,
dificilmente o entrevistador conseguirá aprofundar a relação, o encontro permanece
mais em nível formal e informativo do que espontâneo, criativo e transformador. Isto
não quer dizer que seja menos válida ou mais superficial;
 Psicodinâmico: A relação poderá ser mais aprofundada devido ao fato do
entrevistador contar com maior disponibilidade de tempo para questionar o entrevistado,

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Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
Professor (a): Juliana Carneiro Dallabrida

e conduzir a situação de maneira “menos estruturada”. Sua atenção não está no aqui e
no agora, ela atende a uma dinâmica de causa-efeito na qual sub-mensagens poderão
dificultar a comunicação;
 Antropológico: Abrange a relação ambiente-organismo na compreensão
da comunicação. Qualquer dado será considerado, mas, nem sempre, é possível dizer
em que momento ele está e onde será utilizado. Esse tipo de entrevista parece mais
complexo, assim sendo, exige mais prática do entrevistador para analisar as
informações.

Quanto à sequência temporal:


 Entrevista Inicial:
É a primeira entrevista de um processo de psicodiagnóstico. Semidirigida,
durante a qual o sujeito fica livre para expor seus problemas. Segundo Fiorini (1987), o
empenho do terapeuta nessa primeira entrevista pode ter uma influência decisiva na
continuidade ou no abandono do tratamento (p.63). Pinheiro (2004) salienta que a
mesma ocorre num certo contexto de relação constantemente negociada. O termo
negociação se refere ao posicionamento definido como “um processo discursivo, através
do qual [...] são situados numa conversação como participantes observáveis,
subjetivamente coerentes em linhas de histórias conjuntamente produzidas”(DAVIES &
HARRÉ apud PINHEIRO, 2004, p.186).

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Essa entrevista, geralmente, inicia-se com a chamada telefônica de um outro


técnico, encaminhando o entrevistado para a avaliação psicodiagnóstica, ou com a
chamada do próprio entrevistado. Tem como objetivos discutir expectativas, clarear as
metas do trabalho, e colher informações sobre o entrevistado, que não poderiam ser
obtidas de outras fontes. As primeiras impressões sobre o entrevistado, sua aparência,
comportamento durante a espera, são dados que serão analisados pelo entrevistador, e
que podem facilitar o processo de análise do caso. Para Gilliéron (1996), a primeira
entrevista deve permitir conhecer:
- O modo de chagada do paciente à consulta (por si mesmo, enviado por alguém ou a
conselho de alguém, etc.);
- O tipo de relação que o paciente procura estabelecer com o seu terapeuta;
- As queixas iniciais verbalizadas pelo paciente, em particular a maneira pela qual ele
formula seu pedido de ajuda (ou sua ausência de pedido).
A partir dessas impressões e expectativas, entrevistador e entrevistado constroem
mutuamente suas transferências, contratransferências, e resistências que foram ativadas
bem antes de ocorrer o encontro propriamente dito. Um clima de confiança
proporcionado pelo entrevistador facilita que o entrevistando revele seus pensamentos e
sentimentos sem tanta defesa, portanto, com menos distorções. No final dessa entrevista
devem ficar esclarecidos os seguintes pontos: horários, duração das sessões, honorários,

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formas de pagamento (quando particular), condições para administrar instrumentos de


testagem e para as condições de consulta a terceiros.
 Entrevistas Subsequentes:
Após a entrevista inicial, em que é obtida uma primeira impressão sobre a
pessoa do paciente, esclarecimentos sobre os motivos da procura, e realização do
contrato de trabalho de psicodiagnóstico, via de regra são necessários mais alguns
encontros. O objetivo das entrevistas subsequentes é a obtenção de mais dados com
riqueza de detalhes sobre a história do entrevistado, tais como: fases do seu
desenvolvimento, escolaridade, relações familiares, profissionais, sociais e outros.
 Entrevista de Devolução ou Devolutiva:
No término do psicodiagnóstico, o técnico tem algo a dizer ao entrevistado em
relação ao que fundamenta a indicação. Em 1991, Cunha, Freitas e Raymundo
(apud NUNES, In: CUNHA, 1993), elaboraram algumas recomendações sobre a
entrevista de devolução:
- Após a interpretação dos dados, o entrevistador vai comunicar-lhe em que consiste o
psicodiagnóstico, e indicar a terapêutica que julga mais adequada;
- O entrevistador retoma os motivos da consulta, e a maneira como o processo de
avaliação foi conduzido;
- A devolução inicia com os aspectos menos comprometidos do paciente, ou seja,
menos mobilizadores de ansiedade;

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Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
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- Deve-se evitar o uso de jargão técnico (expressões própria da ciência circulante entre
os profissionais da área, em outras palavras “gíria profissional”), e iniciar por sintoma
ligado diretamente à queixa principal;
- A entrevista de devolução deve encerrar com a indicação terapêutica.
Quanto a estratégias específicas em entrevista
 Entrevista Clínica Estruturada para o DSM-III-R – Manual:
Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais, 3ª ed.
revisada”(SCID),desenvolvida durante a década de 80, tem sido largamente utilizada,
mostrando-se um instrumento útil para o aprimoramento da confiabilidade do
diagnóstico psiquiátrico.A ampla utilização da SCID provavelmente se deve a algumas
características do instrumento que facilitam sua aplicação. ASCID inicia-se por uma
seção de revisão geral, que segue o roteiro de uma entrevista clínica não-estruturada,
conduzida por um profissional experiente. Em seguida, é dividida em módulos que
correspondem às categorias diagnósticas maiores.Os critérios diagnósticos estão
presentes no próprio corpo do instrumento, facilitando a elaboração do diagnóstico
conforme a entrevista progride. Há também a possibilidade de que questões
remanescentes sejam ignoradas, caso critérios essenciais para o diagnóstico não sejam
preenchidos (skip-out), o que permite o descarte rápido de diagnósticos irrelevantes.
 Entrevista motivacional:

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Apostila para concursos
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De acordo com Rollnick e Miller (22), entrevista motivacional (EM) é 'um estilo
de aconselhamento diretivo, centrado no cliente, que visa estimular a mudança do
comportamento, ajudando os clientes a explorar e resolver sua ambivalência'. A EM
engloba técnicas de várias abordagens, tais como psicoterapias breves, 'terapia centrada
no cliente', terapia cognitiva, terapia sistêmica e até a psicologia social de persuasão.
Neste sentido, a EM envolve componentes diretivos e não diretivos.
Uma sessão de EM é bem parecida com uma sessão de terapia centrada no cliente,
aquela desenvolvida por C. Rogers. Nessa abordagem, o papel do terapeuta é não
diretivo, isto é, ao invés de propor soluções ou sugestões para o cliente, oferece
condições de crítica que propiciem ao cliente o espaço para uma mudança natural: tenta-
se buscar as razões para mudança no cliente ao invés de impor ou tentar persuadi-lo
sobre a mudança. Em essência, a EM orienta os pacientes a convencerem a si próprios
sobre a mudança necessária .
 Entrevista lúdica:
Freqüentemente com crianças com menos de 10 anos utiliza-se
entrevistas lúdicas (com jogos ou brinquedos). As entrevistas com jogos ou brinquedos
podem ser parcialmente estruturadas ou não-estruturadas. Essas entrevistas geralmente
têm como início o modo totalmente não-estruturado, pois a criança faz uso livre dos
materiais, o terapeuta de forma gradativa realiza perguntas sobre a problemática ou
questões referentes. Estas perguntas podem ser relacionadas ou não com o brinquedo

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embora estas ocorram quando a criança está em relação com ele, mas a criança deve
estar à vontade para responder quando estiver ocupada com atividades mais agradáveis.
As crianças variam na quantidade e tipo de verbalização durante as sessões de
brinquedo ou jogo. Seu discurso pode estar focado no brinquedo ou em outros tópicos.
A idéia fundamental no uso de entrevistas lúdicas é a de que as crianças irão projetar
suas questões-chaves no conteúdo do brinquedo e na maneira com que utilizam o
material; as crianças geralmente usam o brinquedo para controlar suas preocupações.
Elas podem, indiretamente, revelar medos, fontes de raiva, preocupações
sexuais, culpa e conflito com os pais através do brinquedo. Através da observação do
brinquedo é possível avaliar a inteligência, criatividade, espontaneidade, defesas,
habilidades percepto-motoras, processos de pensamento, organização, percepção de si
próprio e dos outros e a natureza dos processos de interação. O brincar com a criança
pode oferecer informações acerca de atitudes em relação a regras, modo de lidar com a
vitória e a derrota, impulsividade, comportamentos dependentes e independentes,
disposição para ser ensinada, estilos de aprendizagens, comportamento de expor-se a
riscos, modo de iniciar uma interação e atitudes em relação à competição.
Os desenhos são considerados uma fonte rica de informações, pois há muitas
crianças que desenham espontaneamente durante a entrevista enquanto que outras só
quando solicitadas. Outra técnica muito utilizada é o uso da fantasia que pode ser
empregada no relato verbal de estórias fictícias, "onde a criança descreve os sentimentos

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dos personagens e as possíveis regras que governam seus comportamentos, se deve ao


fato de que este instrumento – a fantasia – favorece a identificação de possíveis
sentimento da própria criança, através de inferências baseadas no seu relato verbal.
Para a realização da entrevista lúdica pode ser usada uma caixa, caixa lúdica. A
criança usa o material lúdico e gráfico para expressar aquilo que se passa com ela; este
material poderá ser utilizado como um reforçador junto à mesma.

5.0) ASPECTOS ÉTICOS DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA:


O Código de Ética é um instrumento de reflexão que tem ainda os objetivos de
discutir os limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos (sociedade,
colegas, usuários e beneficiários), contemplando a diversidade da profissão. Apresenta,
assim, as responsabilidades e deveres do profissional para a população, oferecendo
diretrizes para a sua formação, além de balizar os julgamentos de suas ações.

5.1) Os objetivos do Código de Ética são:


 Estabelecer padrões de conduta esperados, fortalecendo o
reconhecimento sócia da categoria de psicólogos;
 Fomentar a auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca de sua práxis,
de modo a responsabilizá-lo, pessoal e coletivamente, por ações e conseqüências no
exercício profissional.

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Apostila para concursos
Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
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5.2) Os princípios fundamentais da prática profissional são:


 Respeito, liberdade, dignidade, igualdade e integridade
 Promover a saúde e a qualidade de vida
 Responsabilidade Social
 Aprimoramento Profissional Contínuo
 Acesso ao conhecimento da ciência
 Posicionamento crítico
5.3) A postura inadequada do profissional fere princípios de responsabilidade e ética:
 Fotocopiar materiais sujeitos a direitos autorais;
 Utilizar testes inadequados na sua prática;
 Estar desatualizado na área de atuação;
 Desconsiderar os erros de medida nas suas interpretações;
 Utilizar folhas de resposta inadequadas;
 Ignorar a necessidade de explicações sobre pontuação nos testes aos solicitantes da
avaliação;
 Permitir a aplicação de testes por pessoal não qualificado;
 Desprezar as condições que afetam a validade dos testes em cada cultura;
 Ignorar a necessidade de arquivar o material psicológico coletado;

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 Interpretar além dos limites dos testes utilizados.

6.0) A PRODUÇÃO DE DOCUMENTOS LEGAIS DECORRENTES DA


AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
As modalidades de documento apontadas pela Resolução 07/2003 são:
declaração, atestado psicológico, relatório ou laudo psicológico e parecer psicológico,
sendo que sua utilização depende do objetivo da elaboração do mesmo. Vejamos cada
um dos exemplos e sua utilização, bem como os pontos mínimos que devem conter.
6.1) Declaração
A declaração é um documento que visa informar a ocorrência de fatos objetivos com
a finalidade de declarar:
 Comparecimentos do atendido e/ou do seu acompanhante, quando necessário;
 Acompanhamento psicológico do atendido;
 Informações sobre as condições do atendimento (tempo, dias, horários).

6.1.2) Sua estrutura deve ser em papel timbrado ou carimbo com nome/sobrenome e
CRP contendo:
 Registro do nome e sobrenome do solicitante
 Finalidade do documento
 Registro das informações solicitadas

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Apostila para concursos
Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
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 Registro do local e data de expedição


 Registro do nome completo do psicólogo e CRP (ou carimbo com as mesmas
informações)
 Assinatura
6.2) Atestado Psicológico
O Atestado Psicológico é um documento expedido pelo psicólogo, que certifica uma
determinada situação ou esta- do psicológico. Tem como finalidade justificar faltas e/ou
impedimentos, informar se indivíduo está apto ou não para atividades específicas, após
a realização de um processo de avaliação psicológica dentro do rigor técnico e ético que
subscreve a legislação, além de solicitar o afastamento e/ou a dispensa do solicitante,
subsidiado na afirmação atestada do fato, de acordo com o disposto na Resolução
15/1996 do CFP, sendo facultada a utilização do CID (Código Internacional de
Doenças). Sua estrutura deve restringir-se ao que foi solicitado e ser em papel timbrado
ou carimbo com nome/sobrenome e CRP devendo expor:
 Registro do nome e sobrenome do solicitante
 Finalidade do documento
 Registro da informação do sintoma, situação ou condições psicológicas que
justifiquem o atendimento, afastamento ou falta
 Registro do local e data de expedição

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Apostila para concursos
Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
Professor (a): Juliana Carneiro Dallabrida

 Registro do nome completo do psicólogo e CRP (ou carimbo com as mesmas


informações)
 Assinaturas
Ressalta-se a importância de evitar parágrafos, evitando inclusão de informações.

6.3) Relatório ou Laudo Psicológico


O relatório ou laudo psicológico é uma apresentação descritiva de situações e/ou
condições psicológicas e suas determinações históricas, políticas e culturais,
pesquisadas no processo de avaliação psicológica. Ele deve ser subsidiado em dados
colhidos a luz de um instrumental técnico (entrevistas, dinâmicas, testes, observações,
exames psíquicos, intervenção verbal) consubstanciado em referencial técnico filosófico
e científico adotado pelo psicólogo.Sua estrutura deve conter identificação, descrição da
demanda, procedimento, análise e conclusão. Vejamos o que cada uma dessas etapas
deverá abordar.
6.3.1) Identificação:
 Auto/relator - quem elabora
 Nome e CRP
 Interessado - quem solicita
 Empresa, cliente, justiça
 Assunto / Finalidade - qual a razão

38
Apostila para concursos
Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
Professor (a): Juliana Carneiro Dallabrida

 Motivo do pedido
6.3.2) Descrição da Demanda:

 Narração das informações referentes à problemática apresentada e dos motivos,


razões e expectativas que produziram o pedido do documento;
 Apresentar a análise que se faz da demanda de forma a justificar o procedimento
adotado.

6.3.3) Procedimento:
 Apresentação dos recursos e instrumentos técnicos utilizados para coletar as
informações à luz do referencial técnico- filosófico que os embasa.

6.3.4) Análise:
 Exposição descritiva de forma metódica, objetiva e fiel dos dados colhidos e das
situações vividas relacionadas à demanda em sua complexidade;
 Na análise deve ser apenas relatado o que for necessário para o esclarecimento
do encaminhamento ou da conclusão.

6.3.5) Conclusão:

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Apostila para concursos
Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
Professor (a): Juliana Carneiro Dallabrida

 Resultado e/ou considerações a respeito de sua investigação a partir das


referências que subsidiaram o trabalho;
 Deve-se acrescentar, ao fim, o local, data de emissão e identificação do
psicólogo (nome, sobrenome e CRP), bem como sua assinatura.

6.4) Parecer
Parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do
campo psicológico, cujo resulta- do pode ser indicado ou conclusivo. Sua finalidade é
apresentar uma resposta esclarecedora a uma questão-problema. É, dessa forma, a
resposta a uma consulta exige, de quem responde, competência no assunto. O psicólogo
parecerista deve fazer a análise do problema apresentado e opinar a respeito. Caso
hajam quesitos, deve respondê-los de forma sintética e convincente.
6.4.1) Sua estrutura deve ser:
Identificação:
 Nome do parecerista e sua titulação
 Nome do autor da solicitação e sua titulação

Exposição dos motivos


 Transcrição do objetivo da consulta e dos quesitos ou a apresentação das dúvidas
apresentadas pelo solicitante.

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Apostila para concursos
Disciplina: Avaliação Psicológica & Psicodiagnóstico
Professor (a): Juliana Carneiro Dallabrida

Análise:
 Análise minuciosa da questão explanada e argumentada com base nos
fundamentos necessários existentes.
Conclusão:
 Apresentação do posicionamento do profissional, respondendo a questão
levantada.
 Deve-se acrescentar, ao fim, local, data de emissão e identificação do psicólogo
(nome, sobrenome e CRP), bem como sua assinatura.

6.5) Apontamentos sobre os documentos de avaliação psicológica


Sempre e onde for possível, o psicólogo deverá apresentar a validade de seu
documento. É imprescindível que o profissional observe o tempo mínimo de guarda dos
materiais de Avaliação Psicológica. Tanto os escritos quanto os instrumentos que
fundamentaram os mesmos devem ser guardados pelo prazo mínimo de cinco anos. Há
casos em que é solicitado que sejam armazenados por mais tempo, ampliado nos casos
previstos em lei por determinação judicial ou por algum outro motivo específico.

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QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS
Disciplina: Avaliação Psicológica
Professor (a) :Juliana Carneiro Dallabrida

PSICODIAGNÓSTICO

SUMÁRIO

1.0) HISTÓRIA/DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS----------------------------------------- 43


1.1)História--------------------------------------------------------------------------------------------------------- 43
1.2) Definição e Características--------------------------------------------------------------------------------- 44
2.0) MODELO DO PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO--------------------------------------- 46
3.0) PASSOS DO PROCESSO PSICODIAGNÓTICO------------------------------------------- 47
3.1) O contato------------------------------------------------------------------------------------------------------47
3.2) Interação clínica--------------------------------------------------------------------------------------------52
3.3) A entrevista----------------------------------------------------------------------------------------------------54
3.4) Formulação de perguntas/hipóteses e objetivos--------------------------------------------------------60
3.5) Contrato de trabalho-----------------------------------------------------------------------------------------64
3.6) Estabelecimento de um plano de avaliação--------------------------------------------------------------65
3.7) Administração de testes e técnicas-------------------------------------------------------------------------67
3.8) Levantamento, análise, interpretação e integração dos dados----------------------------------------70
3.9)Diagnóstico e prognóstico-----------------------------------------------------------------------------------73
4.0)Comunicação dos resultados--------------------------------------------------------------------------------76
REFERÊCIA---------------------------------------------------------------------------------------------79

42
QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS
Disciplina: Avaliação Psicológica
Professor (a) :Juliana Carneiro Dallabrida

PSICODIAGNÓSTICO

1.0) HISTÓRIA/DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS:

1.1)História
Surge ancorado no modelo médico derivado da psicologia clínica, introduzida por D.
Witmer (1896) e criada sob a tradição da psicologia acadêmica e da tradição médica. Sua
paternidade é atribuída a Galton (introduziu o estudo das diferenças individuais), Cattell
(criador dos primeiros testes mentais), Binet (propôs utilização do exame psicológico como
coadjuvante da avaliação pedagógica. No modelo médico, o cliente era considerado como
objeto e tudo que não tivesse a ver com a aplicação do teste “afetava” o trabalho. Continua
ligado ao modelo médico até o início do século passado ganhando força com o
desenvolvimento da psicometria, da biologia e da divisão dos transtornos psiquiátricos em
orgânicos e funcionais (ênfase nas classificações nosológicas).
Com a difusão da psicanálise, busca nela a sua identidade, transferindo a dinâmica do
processo psicanalítico para o processo do psicodiagnóstico, aproximando mais do cliente, e
supervalorizando a técnica da entrevista, e gastando tempo prolongado.

1.2) Definição e Características


O psicodiagnóstico,é uma avaliação psicológica, feita com propósitos clínicos. É
um procedimento científico que necessariamente utiliza teste psicológicos (de uso exclusivo
dos psicólogos), diferente da avaliação psicológica , na qual o psicólogo pode ou não utilizar
esses instrumentos. Este avalia além de características do funcionamento do psiquismo da
pessoa, as forças e fraquezas, se pudermos assim chamar, no funcionamento psicológico, com
um foco na existência ou não das chamadas psicopatologias.
A diferença que existe entre o psicometrista (psicólogo em geral) e o psicólogo clínico
é que o primeiro tende a valorizar os aspectos técnicos da testagem, enquanto, no
psicodiagnóstico, há a utilização de testes e de outras estratégias, para avaliar um sujeito de
forma sistemática, científica, orientada para a identificação e/ou resolução de problemas.

43
QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS
Disciplina: Avaliação Psicológica
Professor (a) :Juliana Carneiro Dallabrida

Conforme Cunha (2000: 26) o psicodiagnóstico além de ser um procedimento


científico, também é limitado no tempo, e utiliza testes psicológicos de forma individual ou
coletiva para entender os problemas do sujeito à luz de determinados pressupostos teóricos.
Com isso, permite-se a identificação e avaliação de aspectos específicos, assim como
a elaboração da melhor forma de intervenção para o paciente psicodiagnosticado. Sendo
assim, percebe-se que o mesmo é científico, pois é derivado de um levantamento prévio de
hipóteses, confirmadas ou infirmadas por passos predeterminados e com objetivos
específicos.
O reconhecimento da qualidade do psicodiagnóstico tem relação com a escolha
adequada dos instrumentos, com a capacidade de análise e a inter-relação dos dados
quantitativos e qualitativos, tendo como ponto de referência as hipóteses iniciais e os
objetivos do processo. Isso aponta para a competência do profissional, que é o psicólogo
clínico e é fundamental que ele consiga exercer bem essa tarefa.
O psicodiagnóstico possui tempo determinado, iniciando em um contato prévio com
o paciente ou seu responsável para colher dados iniciais, podendo assim ser estabelecido um
plano de avaliação, assim como estimativa de tempo necessário para sua realização.
Este processo científico enfatiza a investigação de algum aspecto em particular de
determinado sujeito no seu respectivo contexto de vida, segundo a sintomatologia apresentada
e suas específicas características. Essa atividade do psicólogo abarca os aspectos passados
(motivo da busca por atendimento), presentes (psicodiagnóstico) e futuros (prognóstico) da
personalidade avaliada, utilizando métodos e técnicas psicológicas (instrumentos privativos
do psicólogo).
O psicodiagnóstico é realizado numa sala (ou consultório) onde o psicólogo recebe os
encaminhamentos de outros (profissionais da saúde, comunidade escolar, poder judiciário) ou
atende demandas individuais que procuram diretamente esse tipo de trabalho científico. De
acordo com Cunha (2000) o psicodiagnóstico tem um ou vários objetivos: classificação
simples, descrição, classificação nosológica (nome da doença), diagnóstico diferencial,
avaliação compreensiva, entendimento dinâmico, prevenção, prognóstico e perícia forense.

44
QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS
Disciplina: Avaliação Psicológica
Professor (a) :Juliana Carneiro Dallabrida

2.0) MODELO DO PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO:

1- Identificação do paciente.
2- Motivo da consulta
( Pergunta do paciente ou do profissional que encaminhou  Pergunta em termos
psicológicos)
Anamnese


Hipóteses / Objetivos / Bateria de testes

3- Exame psicológico ( técnicas e testes ) - Área cognitiva.


- Área motora.
- Área afetiva.

4-Síntese diagnóstica.

5-Devolução com encaminhamento.

3.0) PASSOS DO PROCESSO PSICODIAGNÓTICO:

3.1) O contato
O contato consiste no telefonema do paciente (ou responsável) requerendo os nossos
serviços ou no pedido do profissional. Cada situação irá variar em função de que é o
contratante. Quando o pedido do diagnóstico for realizado por outro profissional é preciso
tomar cuidado para não interferir na relação transferencial que o paciente já tem com o seu
terapeuta, os resultados são passados para o mesmo que nos fez o pedido e a devolução
também ocorre pelo terapeuta, no momento em que este achar necessário.

45
QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS
Disciplina: Avaliação Psicológica
Professor (a) :Juliana Carneiro Dallabrida

Existe sempre uma pré-história do estudo de caso. Entre o momento em que surgem os
sinais e os sintomas1 e a procura de ajuda, um grande espaço de tempo pode ter passado, que
irá influenciar no relato da queixa e aumentar o grau de ansiedade do sujeito. Isso acontece
porque um sintoma é considerado como tal quando ultrapassa o grau de normalidade e é
difícil para um sujeito que vive em constante conflito e ajustamento determinar quando esse
limite foi ultrapassado. Nesse processo de tentar ajustar-se aos sintomas como algo que não
necessita de ajuda, os próprios sintomas são alterados pelas tentativas do sujeito de
enfretamento e criação de defesas.
É preciso ter em mente que esta história prévia também sobrecarrega
emocionalmente o paciente, influenciando na interação clínica.
Por isso, o psicólogo deve conhecer as circunstâncias que precederam o contato
e dar uma significação adequada aos sintomas. Para tanto, o primeiro passo é identificar quem
é o verdadeiro paciente da consulta. Esta questão talvez não se resolva até o fim do processo,
mas é muito importante estar buscando entender se a pessoa é trazida sem assumir a procura,
ou se é trazida, mas o problema está no grupo familiar, enfim, aonde realmente se encontra a
patologia. Isto é importante também para determinar a disposição do paciente frente ao
processo de avaliação, o que, de qualquer maneira, precisa ser observado a cada momento do
processo para garantir que há motivação suficiente para obter dados fidedignos.
Inicialmente também é preciso esclarecer os motivos da consulta (o motivo latente e o
motivo manifesto)2, as defesas envolvidas, as fantasias de doença e cura e a construção da
história do indivíduo.
Tendo em mente todos esses esclarecimentos, é preciso investigar a história da sua
família e as possíveis defesas e fantasias da mesma em relação ao processo do paciente.
Em torno da história do sintoma, se entrelaça a história do paciente e de sua família,
principalmente a história das versões de cada um sobre o sintoma. Todo sintoma expressa
algo dentro do contexto familiar, afinal o sintoma se desenvolve com o outro e para o outro.
1
Sinais: Comportamentos observáveis.

Sintomas: Experiências do sujeito, por ele sentidas e passíveis de significação clínica.

É uma diferenciação oriunda da medicina, que se torna vaga para a compreensão global de um processo tão
complexo quanto a psicopatologia.
2
O real motivo de uma consulta ou sintoma é um conflito inconsciente, o qual o indivíduo desconhece e só terá
acesso ao longo do processo, conforme seu vínculo com o terapeuta permitir vencer as resistências.

46
QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS
Disciplina: Avaliação Psicológica
Professor (a) :Juliana Carneiro Dallabrida

Desde o primeiro contato já podemos encontrar indícios da trama que familiar que envolve o
sintoma do paciente, principalmente pela forma que é realizada o contato inicial e pelo
processo de transferência que cada envolvido desperta em nós.
Sendo a sintomatologia aquilo que é trazido como o motivo da consulta, é preciso
primeiramente esclarecer o que realmente ocorre. Primeiramente, um mesmo conflito pode
estar sendo visto como diferentes sintomas por cada pessoa envolvida com o paciente. Sob
um mesmo centro de um problema latente, cada parte interessada ( pais, paciente,
responsáveis) pode estar preocupada com apenas um aspecto do problema ou pode estar
projetando condições pessoais sobre o problema. Sob uma sintomatologia ampla, é preciso
integrar as diversas imagens do caso e sintetizar os diferentes motivos manifestos da consulta
em um real motivo latente.
Além de investigar o “como” a condição do paciente preocupa cada um envolvido, é
preciso investigar por que o sintoma só veio preocupar agora. Quanto maior o tempo
transcorrido entre a consulta e o aparecimento do sintoma, maior a indicação de que existe um
outro motivo latente responsável por desencadear a procura por ajuda. Algo que tenha
provocado uma ruptura no equilíbrio que até então encobria o conflito. Este motivo latente
desencadeante também precisa ser descoberto.
È preciso saber distinguir entre sintomas que são reações que fazem parte da etapa de
desenvolvimento em que o paciente se encontra, os que são causados pela família, os que são
momentos de crise evolutiva e regressões, para depois encontrar as patologias. Isso quer dizer
que nem sempre elas existem. Muitas vezes pode estar ocorrendo uma incapacidade de lidar
com momentos que fazem parte do desenvolvimento normal de uma pessoa.
Além dos vários motivos aparentes há também uma fantasia de doença e de cura que
se expressa em cada envolvido no caso e no próprio paciente. Essa fantasia também está
presente no psicólogo que realiza o psicodiagnóstico. Estas fantasias precisam ser trabalhadas
para possibilitar uma intervenção real no conflito do paciente, uma mudança que vá de
encontro ao real problema e transforme o indivíduo dentro de suas possibilidades, solução
esta que nem sempre corresponde ao que se espera como “cura” e que ainda enfrenta a
resistência de tocar no real conflito que causa os sintomas.
Cada sintoma tem uma dimensão fenomenológica (delimita a situação desencadeante,
se refere a circunstância que causou a busca de ajuda), expressa um contexto familiar, tem um

47
QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS
Disciplina: Avaliação Psicológica
Professor (a) :Juliana Carneiro Dallabrida

aspecto dinâmico e traz um benefício secundário. Cada uma destas dimensões deverá ser
trabalhada para se chegar ao motivo latente que levou à consulta.
Antes de iniciar o psicodiagnóstico o psicólogo deve esclarecer ao paciente que há
aspectos inconscientes por trás de sua procura, para que o paciente não ache que está ali por
curiosidade, por problemas corriqueiros, enfim, por motivações aparentes, pois isso poderá
refletir negativamente no momento da devolução. O que o paciente diz ser o motivo de sua
consulta será o motivo menos ansiogênico e mais tolerável. Os verdadeiros motivos irão ser
descobertos ao longo do processo, conforme a gradação e apropriação pela consciência do
paciente, e quando surgirem devem ser discutidos abertamente. O psicólogo pode intuir qual
seria o motivo inconsciente, mas este não irá aflorar no início do processo, já que é fonte de
angústia e permanece afastado da consciência.
Então, como chegar a esse motivo inconsciente? Cabe ao psicólogo aproximar-se sem
exaltar as defesas do paciente, através de uma postura de paciência, humildade e cuidado. É
preciso criar um espaço e o silêncio necessário para que o indivíduo possa se revelar e o
psicólogo possa, então, observar e escutar. Observação e escuta, esta é a base para o trabalho
do psicólogo. O paciente estará comunicando seu conflito por todas as formas de linguagem –
verbal, corporal, comportamentos – e cabe ao psicólogo apreender o que está sendo dito e
tomar atenção aos aspectos confusos e incoerentes do discurso.
Uma vez que seja possível trabalhar as fantasias e se revele o conflito isto ajudará em
um diagnóstico assertivo, já que a não alteração de uma situação de ilusões pode deslocar o
conflito e comprometer a investigação, dificultar a devolutiva e até mesmo contaminar o
parecer técnico do psicólogo, que pode entrar em aliança com a patologia do caso. Nesse
caso, a indicação terapêutica pode ser ineficiente.
Sabemos que não é possível obrigar o paciente a fazer um “insight” fora do seu
“timing”. Inclusive, quando o pedido foi feito por um terapeuta, os motivos são repassados
somente a esse profissional, que irá falar sobre isso com o paciente quando os motivos
inconscientes aflorarem em seu próprio tratamento. Porém, de qualquer maneira, é trabalho do
psicólogo é se aproximar ao máximo do motivo latente, colhendo maiores informações
principalmente através da entrevista. O profissional tem de estar consciente do motivo mesmo
que o paciente ainda não o esteja, pois ele irá determinar os objetivos do psicodiagnóstico
além de indicar a capacidade de vinculação e envolvimento do paciente no processo.
3.2) Interação clínica

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O papel do psicólogo é construir com o paciente um vínculo de influência e


proximidade, que só é possível através de um real acolhimento dos conflitos do paciente. Essa
relação de aceitação cria a possibilidade de troca e o psicólogo deve se preparar para a ação
do inconsciente de ambos, sob o processo da transferência e contratransferência. O primeiro
passo para isto é lembrar que também somos seres humanos com nossos próprios conflitos e
necessidades, que precisamos conhecer e trabalhar constantemente.
Durante todo o processo precisamos lidar com resistências, sentimentos
ambivalentes e situações desconhecidas. Para o paciente, a situação anterior à busca de ajuda
aumentou o nível de angústia e ambivalência, já que foram experimentadas muitas formas de
lidar com os conflitos. A busca de ajuda corresponde a um momento de admissão da
existência de dificuldades e de fortes defesas que afastam o conflito e a tentativa de acessá-lo.
Quando se ultrapassa os limites de tolerância com seu próprio sofrimento, o paciente se
encontra numa posição de necessidade de rendição e entrega, de ajuda, que precisa encontrar
um olhar verdadeiramente pronto para acolher. A aceitação por parte do psicólogo irá criar o
vínculo necessário para o caminho da cura: entrar em contato, aceitar e reelaborar. A angústia
do paciente é contida pelo psicólogo perante sua atitude de esperança para com o paciente e
aceitação do eterno antagonismo que nos constitui.
Além de estarem as duas pessoas sob estes papéis conscientes de paciente e
terapeuta, ambos estarão assumindo papéis de acordo com seus aspectos inconscientes através
dos fenômenos de transferência e contratransferência. Diferente do vínculo estabelecido com
o psicólogo, baseado na relação de confiança e na realidade, através da transferência, o
paciente estará experimentando padrões primitivos de relacionamento. Surgirão a partir daí as
resistências em suas várias formas e elas dirão do paciente, afinal, quando a psique, “ao
esconder-se, dá-se a revelação” (CUNHA apud LÓPEZ-PEDRAZA, 2000, p. 43). O
comportamento em transferência demonstra como o paciente se relaciona inconscientemente
e, por isso, é um instrumento para o diagnóstico.
Também a contratransferência funciona como um instrumento para o psicólogo
bem preparado, sendo que muitas vezes a resposta sobre que tipo de conflito tem um
indivíduo está no tipo de contratransferência que suas ações causam em nós. A forma do
vínculo, o respeito ao contrato, tudo nos mostra comportamentos, mas também nos causa
sentimentos que fala m diretamente de inconsciente para inconsciente (paciente – terapeuta).

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Porém, se não nos atentarmos com o fenômeno em nós mesmos, podemos ficar
dependentes do afeto do paciente, adotar uma postura exibicionista, competir, superproteger
ou agredir o paciente, enfim, agir cegamente sob as mobilizações singulares que cada caso
nos desperta. É preciso perceber esses sentimentos, usá-los, mas não deixar que eles atuem no
processo diagnóstico. A atitude que adotamos no processo influencia na produtividade do
paciente.
Percebe-se que a posição do psicólogo é de extrema responsabilidade e,
portanto, muita pressão é colocada sobre ele pelos outros e por si mesmo. Podemos reagir a
isso com muita ansiedade, com prepotência e até mesmo colocando no paciente uma
exigência fantasiosa de que ele irá fornecer todos os dados de que precisa e corresponder à
sua expectativa de funcionar num papel idealizado de paciente colaborador. Dentre algumas
das posturas equivocadas do psicólogo, algumas parecem ser constantes em qualquer caso:
- Voyeurista: aquele que examina o interior dos pacientes, mas se mantém preservado.
- Autocrático: aquele que salienta o poder sobre o paciente.
- Oracular: aquele que age como se tudo soubesse.
- Santificado: aquele que assume o papel de salvador do paciente.
Também a postura do paciente oscila entre sensações de superexposição, perda
de controle, perigo, ambivalência e regressão, dentre tantas. São duas pessoas em um vínculo
que mobiliza ambos, que entrelaça dois psiquismos. Cuidado e respeito para com ambos
envolvidos nessa situação é a chave para um bom proveito da interação clínica.

3.3) A entrevista

É um processo de avaliação em que pode ser acompanhada por instrumentos


projetivos ou cognitivos e técnicas de observação. Como possui um aspecto terapêutico a
entrevista pode se confundir com a psicoterapia que se inicia.
Todos os tipos de entrevista têm alguma forma de estruturação 3 na medida em que a
atividade do entrevistador direciona a entrevista no sentido de alcançar seus objetivos. A
entrevista pode ser classificada quanto aos seus objetivos. Seus objetivos irão depender da

3
Essa estruturação entra na questão do enquadramento , já discorrido anteriormente.

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forma do encaminhamento para o psicodiagnóstico, das hipóteses já levantadas por outros


profissionais, das hipóteses iniciais e das conclusões no decorrer do processo de avaliação.
A entrevista clínica também pode ser classificada quanto ao seu aspecto formal. Nesse
aspecto ela pode ser dividida em: estruturada; semi-estruturada e de livre estruturação.
As entrevistas estruturadas são mais freqüentes em pesquisas, pois se destinam ao
levantamento de informações definidas de acordo com as necessidades de um projeto dessa
forma, privilegiam a objetividade, e as perguntas são mais comumente fechadas.Nas
entrevistas semi-estruturadas o profissional estabelece um procedimento que garante a
obtenção das informações necessárias de modo padronizado.Elas também aumentam a
fidedignidade da informação obtida e permite a criação de um registro permanente e de um
bando de dados úteis às pesquisas, ao estabelecimento da eficácia terapêutica e ao
planejamento das ações de saúde.É muito usada atualmente para a avaliação da história e do
risco da tentativa de suicídio.As entrevistas de livre estruturação são as que caracterizam as
entrevistas em psicologia clínica.Apesar de ser chamada de livre estruturação ela possui uma
estrutura,cuja caracterização e definição é a mesma apontada aqui a respeito da entrevista
clínica.Possui essa nomenclatura para explicitar que não é tão fechada quanto as
anteriores,mas isso não significa que não possua uma direção estruturada.
Cabe aqui salientar que, muitas vezes é necessário realizar uma entrevista com o grupo
familiar do paciente, para colher mais informações, para se decidir acerca da terapêutica mais
indicada para o caso e mesmo para possibilitar uma devolutiva mais coerente. A entrevista
familiar é um instrumento de importância para qualquer profissional que se dispõe a realizar
um psicodiagnóstico compreensivo e com boa margem de certezas. No limite, as hipóteses
levantadas e comparadas com os testes na verdade só podem ser confirmadas com um
conhecimento da trama familiar, o qual a entrevista familiar vai revelar.
Normalmente, essa necessidade surge no psicodiagnóstico com crianças e
adolescentes porque, nestes casos, alguns desafios e dúvidas são mais evidentes. Todos os
pacientes fazem parte de um esquema familiar e seus sintomas muitas vezes representam à
doença da organização dinâmica da família, sistema este que é preciso conhecer. Mas a
criança é mais sensível às alterações da trama familiar, pela dependência de sua relação
assimétrica com os pais, respondendo com sintomas para o que pode se mostrar, por exemplo,
como uma falta de continência do casal para com os conteúdos do filho, para a criança como
tendo um papel dentro da patologia dos pais e como pais fornecendo comportamentos

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modelos para a criança. Sendo assim, se torna de extrema importância saber onde está a
origem da doença antes de atribuir ao paciente em quadro diagnóstico, principalmente se este
for grave.
A entrevista familiar também pode ser muito útil para a devolutiva, ao fim do
psicodiagnóstico. Isso porque, na entrevista com o grupo familiar, vários comportamentos
tanto do paciente quanto de seus familiares são expostos e podem servir de base para a
devolutiva. As evidências do material de estudo do psicólogo só são “evidentes” para ele,
afinal, os pais não participam da avaliação. Porém, tomar os comportamentos do momento em
que os pais estavam presentes, para usá-los como exemplos das conclusões obtidas durante o
diagnóstico, é uma boa forma de facilitar a aceitação na devolutiva e colocar os pais em uma
posição de auto-reflexão.
Isso é muito importante para que a família aceite a indicação da terapêutica que será
sugerida e, mesmo antes disso, para que o psicólogo escolha a terapia mais adequada. A
entrevista familiar deixa claro quando um tratamento individual não resolverá o problema.
Muitas vezes, a dinâmica familiar não está aberta para mudanças e uma terapia individual vai
ser usada para colocar a culpa da doença no paciente e o insucesso da mudança no terapeuta,
além de que, a terapia desestrutura as defesas que o paciente desenvolveu para viver no meio
patológico de sua família e isto pode deixá-lo excessivamente vulnerável e angustiado.
Também pode ocorrer que a melhora do paciente traga descompensação de outro membro da
família, o que, no caso dos pais, pode desestruturar todo o grupo. Todo sintoma traz um
benefício secundário no cenário familiar e, ao menos que ele seja trabalhado, não provocará
mudanças mais do que resistências.
A entrevista descortina essa incapacidade do grupo que pode, muitas vezes, ser o
reflexo de dificuldades dos pais: quando uma crise evolutiva do filho corresponde a uma etapa
que foi aflitiva para os pais em sua própria experiência, estes não conseguirão apoiá-lo, ou
mesmo, irão impedir que ele a supere. Por isso mesmo a necessidade de conhecer os motivos
latentes de cada caso, para não se desviar o real problema para várias outras soluções
encobridoras. É papel real dos pais transmitirem conhecimento e estabelecer limites, ajudando
a criança a entender a diferença entre fantasia e realidade e isso é conseguido quando os pais
se colocam no lugar do filho para responder-lhes as dúvidas, sem deixar o papel de adulto.
Esta capacidade de regredir e retornar da regressão para a condição de adultos é o que pode
faltar para muitos pais, devido às experiências de cada um.

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Mas, como observar todas essas informações na entrevista familiar? O olhar para a
família parte do pressuposto de que vários papéis organizam a trama familiar. Antes de tudo, é
preciso observar se estes papéis estão presentes e bem delimitados ou se estão invertidos e
confusos. Se há flexibilidade no exercício destes papéis. É preciso determinar quem exerce a
liderança no grupo familiar e investigar se esta pessoa poderá se aliar ao terapeuta e se está
disposta a colaborar, o que muitas vezes não é uma opção e sim uma condição, caso o
progenitor tenha fixações (não elaborações) em seu desenvolvimento que coincidem com o
problema do paciente. A família precisa demonstrar a capacidade de assumir a
responsabilidade do problema ao invés de depositar a doença sob um membro.
Em uma família, há “mitos familiares encobertos pela rotina do funcionamento
familiar”, que são crenças sistematizadas e compartilhadas por todos os membros em relação
aos seus papéis e as relações entre estes. É preciso descobrir quais são as identificações, as
crenças sobre o que é “ser” cada papel, além da expectativa sobre o que se espera como
qualidade e como defeito em cada membro. Além disso, o psicólogo observa os
comportamentos que daí deriva e que são acordos que encobrem a complexidade das relações
em troca de uma homeostase. Além disso, esses mitos abrigam as fantasias de doença e de
cura da família. Desvendar esses mitos é parte do trabalho proporcionado pela entrevista
familiar.
Após todos estes aspectos importantes da escolha por uma entrevista familiar, vale
ressaltar que ela não é recomendada quando não houver uma abertura mínima por parte dos
pais ou quando ela causará uma angústia extrema ao paciente em questão, prejudicando o
vínculo terapêutico.
Como um modelo de entrevista familiar, podemos destacar alguns passos:
- Selecionar um local para a entrevista e uma caixa contendo material lúdico coerente
com o número de pessoas, a idade e sexo dos integrantes e a tarefa lúdica que será proposta.
- Delimitar o número de sessões, que não devem se estender demais sem devoluções.
- Comparecimento de todos os membros da família, ou, pelo menos, do casal com o
paciente.
- Cumprimentar cada um pelo nome e pedir que manipulem em grupo o conteúdo de
uma caixa, indicando que estará observando e que a família é livre para pedir a sua
interferência.
- Registrar o momento por notas de maneira a não constranger o grupo.

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Essa técnica de observação do grupo familiar através de material para brincar,


realizar uma tarefa, pintar, recortar e colar, etc. é uma técnica que possibilita enxergar com
cada um exerce seu papel e a dinâmica da família. A família vai tentar incluir o profissional
em sua trama e, apesar de que permitir-se participar nas tarefas pode aliviar a angústia
persecutória do grupo, é preciso saber que algumas famílias recusam um observador não
participante muitas vezes requisitando a presença do psicólogo para impedi-lo de observar e
pensar. Se o caso for esse, deve ser evitado.
Pode ocorrer também que algum integrante tente estabelecer uma aliança com o
profissional para excluir os demais. O psicólogo deve estar atento para não aceitar o pedido
sem desestruturar seu vínculo com a família através de uma postura inflexível e distante.
Todas essas tentativas são dados importantes para o diagnóstico.

3.4) Formulação de perguntas/hipóteses e objetivos


Ao iniciar o psicodiagnóstico contamos com um encaminhamento de um outro
profissional ou com uma queixa do paciente. È responsabilidade de o psicólogo elaborar
perguntas em termos psicológicos a partir das perguntas explicitadas (e implícitas) do
contratante, perguntas as quais irão direcionar todo o processo psicodiagnóstico. Essas
perguntas só poderão ser elaboradas através dos dados do paciente, de seu histórico clínico e
pessoal e também dos primeiros contatos na entrevista inicial, e serão testadas durante o
processo. É importante lembrar que as perguntas só estarão seguramente elaboradas após o
levantamento de toda a história do paciente e que durante todo o processo diagnóstico, novas
informações podem surgir levantando novas hipóteses. A elaboração do problema é um
processo contínuo, mas não se pode perder de vista o objetivo do psicodiagnóstico em
questão.
Devido à pré-história da busca do psicodiagnóstico, o paciente chega ao
psicólogo confuso e sensibilizado, com percepções distorcidas e incremento nas defesas, o
que precisa ser contornado na coleta de dados. Um problema é identificado quando uma
alteração nos padrões da normalidade pode ser percebida como sendo de natureza qualitativa
ou quantitativa.
Enquanto variação quantitativa, pode ocorrer um aumento ou diminuição de um
padrão de comportamento usual (uma forma de linguagem, humor ou afeto exagerados ou

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diminuídos), mas este só será um problema se sua intensidade for desproporcional às suas
causas e/ou persistir além da vigência normal dos efeitos das causas. Ou seja, o psicólogo
deve ter a sensibilidade para separar o situacional do patológico e isso pode ser feito
considerando-se a história do sujeito, seu momento no desenvolvimento e seu contexto social,
cultural e familiar (importante lembrar que cada família determina um limite para o que é
normal e que um comportamento pode ser um sintoma em uma família e não em outra, além
de poder nem ser clinicamente significante).
Quanto a uma variação qualitativa, ela se refere a um comportamento ou experiência
subjetiva que foge ao esperado. Porém, é preciso lembrar que uma manifestação em um
contexto cultural pode ser considerada estranha enquanto é considerada normal em outro
contexto. Isso nos lembra do caráter ideológico da noção de saúde e doença que permeia o
campo da psicopatologia, as quais não podem ignorar. Não podemos nos julgar neutros em
nossas análises e agir de forma etnocêntrica. Para valores de diagnóstico é comumente um
sintoma aquilo que é mais compelido por elementos interiores do que da realidade, que é
praticamente ignorada. E vale lembrar que um único sintoma não tem valor diagnóstico em si.
As questões devem ser claras e funcionais. Muitas perguntas podem ser levantadas,
mas algumas serão complementares enquanto outras serão centrais, representando a demanda
proposta para o trabalho. Isso quer dizer que, além das hipóteses, deve-se organizar o
processo psicodiagnóstico em objetivos.
Os objetivos derivam das questões propostas, sendo estas mais ou menos
complexas, norteiam um exame que responda às mesmas, definindo assim o objetivo do
exame. Por exemplo, se a pergunta é qual o nível intelectual de um sujeito, o objetivo do
exame seria simplesmente avaliar seu QI (o que não é aconselhável, já que é um entendimento
muito restrito do indivíduo). Mas o objetivo não é só isso, ele também é delimitado de acordo
com as necessidades de quem solicitou o psicodiagnóstico. E o objetivo enquadra esse
processo até o fim, até mesmo em seu nível de inferência e informações a serem passadas na
devolutiva.
Dentre os objetivos mais comuns estão:
- Classificação simples: comparação do resultado do sujeito em testes com a amostra
dos mesmos.

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- Descrição: Identifica os recursos mentais do paciente e seu atual estado, podendo


não usar de testes. Quando os utiliza, ultrapassa a classificação simples e, interpretando as
diferenças de escores, descreve as características do paciente.
- Classificação nosológica: Classificação nos transtornos através do modelo
categórico, que se usa da configuração de sintomas para verificar o que o paciente tem de
similar ou não com outros pacientes da mesma categoria.
- Diagnóstico diferencial: Identificar indícios no quadro sintomático e nos resultados
dos testes que possam diferenciar entre quadros sintomáticos de diferentes entidades
nosológicas. Para tanto, é preciso experiência e sensibilidade além de conhecimento avançado
de psicopatologia e técnicas de diagnóstico. Nos próprios manuais há critérios para a exclusão
de outros diagnósticos.
- Avaliação compreensiva: Elaboração de um entendimento da personalidade do
paciente, numa perspectiva mais global, que examina os recursos do mesmo para facilitar a
indicação de terapêuticas e traçar um prognóstico. Não precisa necessariamente de
classificação nosológica.
- Entendimento dinâmico: É uma forma de avaliação compreensiva que pressupõe
inferência mais profunda sobre a personalidade do paciente. Permite identificar uma estrutura
além do aparente ressaltando seus conflitos numa perspectiva etiológica.
- Prevenção: Identificar problemas precocemente, avaliando os recursos disponíveis no
paciente para enfrentar situações futuras. Muitas vezes faz parte de programas de triagem que
fundamentam o desenvolvimento de programas preventivos em grupos maiores, o que faz
com que esse procedimento seja muitas vezes superficial por tentar atender o maior número
de casos no menor espaço de tempo.
- Prognóstico: Determinar o provável curso do caso. Parte da classificação nosológica
e avalia condições que poderão ter influência no curso do transtorno. É uma área que ainda
necessita de muitas pesquisas para validar métodos de prognóstico.
- Perícia forense: Fornecer subsídios para determinar um sujeito capaz ou não de
exercer uma função ou um crime.
Percebe-se que o psicodiagnóstico tem como objetivo estudar aspectos da
personalidade do indivíduo, nos níveis em que são requeridos pela função que o estudo vai
ter: trabalhista, educacional, forense, psiquiátrico, demanda do próprio paciente, etc. É o
contratante que delimita o objetivo central e dependendo do objetivo, um diagnóstico pode ter

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um enfoque mais qualitativo (modelo categórico) ou quantitativo (modelo dimensional), mas


em uma visão mais global, deve haver a integração de ambos e a comunicação com outras
áreas da saúde para uma avaliação mais fidedigna.
Todos os objetivos se direcionam para uma melhor decisão sobre o tratamento do
paciente, facilitando decisões em momentos chave de um tratamento já em curso com outro
profissional, ou encaminhando o paciente para uma terapêutica psicoterápica ou não.
Inclusive, a melhor abordagem psicoterápica pode ser inferida do psicodiagnóstico. Todo esse
encaminhamento, porém, não descola do objetivo do psicodiagnóstico, sendo que a demanda
do paciente também determina seu posterior tratamento. Por exemplo, uma pessoa cujo
objetivo seja se preparar para uma cirurgia é diferente de uma pessoa cujo objetivo é
investigar se é preciso terapia familiar ou não.
Assim como o problema inicial de uma investigação científica, as hipóteses definirão
o objetivo, a bateria de testes, todos os procedimentos necessários para esclarecê-las. É a
partir desse plano estabelecido pelas hipóteses que se pode firmar o contrato de trabalho. É
preciso lembrar, porém, que o psicodiagnóstico é um processo envolvendo pessoas e situações
que, em si, são dinâmicas. Então, apesar de planejamento prévio, um bom psicólogo estará
sensível às necessidades do paciente, das situações e da dinâmica da interação clínica,
modificando a estratégia diagnóstica para que ela seja singular ao caso.

3.5) Contrato de trabalho


No contrato de trabalho o psicólogo, em geral, se compromete a realizar um exame,
durante certo número de sessões, cada uma com duração prevista, em hora predeterminada,
definida com o paciente ou responsável os tipos de informes necessários e quem terá acesso
aos dados do exame.
Em relação ao comprometimento do paciente deve-se destacar o comparecimento nas
horas aprazadas, nos dias previstos e implicitamente a colaboração para que o plano de
avaliação seja realizado sem problema. O momento do contrato abre espaço para esclarecer
dúvidas do paciente e trabalhar suas expectativas fantasiadas sobre o psicodiagnóstico.
O momento mais propício para o estabelecimento de um contrato de trabalho é
variável, depende da precisão das questões iniciais; dos objetivos e da experiência do
psicólogo; sintomatologia do paciente e seu trabalho. Entretanto, esclarecidas as questões
iniciais e definidas as hipóteses e os objetivos do processo, o psicólogo tem condições de

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saber qual o tipo de exame adequado para chegar às conclusões e consequentemente prever o
tempo necessário para realizá-lo. O contrato terá como função formalizar com o paciente ou
responsável os termos em que o processo psicodiagnóstico vai se desenvolver,,definindo
papéis, obrigações ,direitos e responsabilidades mútuas.
Deve haver certo grau de flexibilidade no contrato de trabalho, pois ele pode sofrer
mudanças. Vale ressaltar que se o psicólogo concluir aplicar mais um teste para uma maior
credibilidade para as avaliações e essa possibilidade não for pautada no momento do contrato,
recomenda-se comunicar ao paciente e evitar qualquer ônus a ele.

3.6) Estabelecimento de um plano de avaliação


Apesar do encaminhamento de um caso frequentemente sugerir um objetivo para o
exame psicológico, somente após um contato com os fatos que o psicólogo poderá definir
com mais precisão as perguntas iniciais e os objetivos do psicodiagnóstico. A tradução dessas
questões iniciais em termos de técnicas e testes para trazer subsídios para que se possa chegar
às respostas das perguntas inicias consiste no plano de avaliação.
Em casos em que há solicitação de um diagnóstico diferencial num contexto hospitalar
já há informações prévias sobre o sujeito e o caso em questão. Dessa forma a entrevista já faz
parte do plano de avaliação. Entretanto, mesmo com dados de diagnósticos que possibilitem a
formação de um plano de avaliação anterior às entrevistas, é importante um processo de
testagem das informações.
É bom destacar que nem todas as hipóteses levantadas serão testadas, o recorte é feito
de acordo com o objetivo do psicodiagnóstico. O prolongamento substancial no processo de
testagem, por serem necessárias outras informações para cumprir o objetivo ou por levantar
questões que não se associam com o objetivo proposto, acarreta um novo plano de avaliação
que por sua vez, acarreta em outro contrato de trabalho. Por exemplo, se o objetivo se limitar
ao plano cognitivo , mas o psicólogo achar necessário aplicar um teste projetivo por supor que
um aspecto emocional proeminente possui relação direta com o aspecto cognitivo estudado.
O plano de avaliação, portanto, envolve obter respostas confiáveis para as questões
colocadas e atender aos objetivos propostos por meio de testagem de hipóteses, que por sua
vez requer a organização de uma bateria de testes. Pois a testagem exige “(...) consideração
das características demográficas do sujeito (idade; sexo; nível sócio-cultural, etc.), como por

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suas condições específicas (comprometimentos permanentes ou temporários de ordem


sensorial, motora, cognitiva, etc .)”
(CUNHA, 2000, p.109.)

3.7) Administração de testes e técnicas


A bateria de testes designa um conjunto de testes ou técnicas que podem variar entre 2
e 5 ou mais instrumentos que fornecem subsídios que permitem confirmar ou não as
hipóteses iniciais.É utilizada por duas razões principais.A primeira pelo fato de nenhum teste
isoladamente poder proporcionar uma avaliação abrangente da pessoa como um todo.A
segunda por fornecer uma maior validação para as inferências clínicas pela comparação entre
os dados obtidos pelos testes.
Há dois tipos de baterias. As baterias não- padronizadas, que são organizadas a partir
de um plano de avaliação. E as padronizadas para uma avaliação específica.Uma bateria de
testes padronizados poderia ser organizada por um psicólogo para um psicodiagnóstico
específico,mas isso demandaria tempo e pesquisa prévia.Pois sua organização tem que se
basear em pesquisas realizadas com determinados tipos de pacientes e é recomendada para
exames bem específicos, como certos tipos de avaliação psicológica.
Dessa forma a bateria não – padronizada é mais comum na prática clínica. Ela é
organizada de acordo com os requisitos do plano de avaliação já discutido nesse trabalho.
Entretanto seu critério de organização é mais flexível que a bateria padronizada, pois o
próprio plano de avaliação possui certa flexibilidade.
Frequentemente a bateria de testes inclui testes psicométricos e técnicas projetivas.
Como é comum a ansiedade em pacientes que iniciam o processo de testagem, sugerem-se
que as técnicas gráficas sejam utilizadas num primeiro momento. Vale lembrar que é preciso
uma dosagem equilibrada para que o paciente não fique com a sensação de tudo não passa de
um simples desenho ou no caso de crianças, não desejarem que nas próximas sessões testes
assim sejam aplicados, devido ao seu caráter lúdico. Certas técnicas projetivas também podem
ter um efeito ansiogênico podendo também ser ministradas.
“Para todos esses casos e possivelmente, para outros, é importante que passemos a
mensagem de que o psicodiagnóstico é um processo sério com bases científicas.Ora, sabemos
que os desenhos do paciente podem constituir um material rico em informações

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psicodinâmicas,mas ele pode não ter condições de pressupor isso(...)” (CUNHA, 2000,
p.111.)
Entretanto, para avaliar o grau ansiolítico não se deve levar em conta somente a
característica dos testes, mas também do paciente. Algumas técnicas projetivas podem ser ou
não ansiolíticas para determinados pacientes. Um paciente pode enfrentar bem um material
pouco estruturado, porque diminui a consciência do que poderia ser uma resposta “certa” ou
“errada”.
Não só a questão da ansiedade deve ser levada em conta na organização da
administração de testes na bateria. O tempo de administração de cada instrumento e a
possibilidade ou não do mesmo ser interrompido para ser concluído na próxima sessão,
também devem ser levados em conta.Mesmo tendo estabelecido o plano de avaliação com
cuidado é preciso revisar certas particularidades referentes aos instrumentos e às
características do paciente. É importante também que o psicólogo seja familiarizado com o
instrumento.
Não basta somente conhecer as instruções, mas deve haver intimidade com o
material.dever haver conhecimento com a maneira de conduzir o inquérito, com as normas de
atribuição de escores(se for o caso), com a forma adequada de registro das respostas e com
perguntas e dificuldades que podem surgir durante a administração.
Outro aspecto importante é organizar o material que pretende utilizar, de maneira que fique
acessível e com manejo facilitado. Utilizar cronômetro e outros materiais necessários (
borracha, papel em branco, lápis, etc ).O psicólogo deve ter clareza das hipóteses que
sustentam a aplicação dos teste, para ficar atento aos que os dados têm a fornecer.
Após essas considerações, é imprescindível o estabelecimento de um bom rapport
para iniciar a administração de testes e técnicas. Ou seja, estabelecimento de um clima de
segurança, acolhimento e entendimento, para assegurar o desempenho adequado dos testes, e
para um controle maior das variáveis para obtenção de amostras variadas de comportamentos
que permitam uma maior precisão diagnóstica. Esse momento do rapport consiste em o
profissional respaldar o (s) paciente(s), examinando(s), trazê-lo(s) para o princípio da
realidade, e se fazer agente de motivação e solicitude.
Em um outro ambiente, que não seja o consultório, como hospitais ou escola, torna-se
mais difícil manter condições ideais, principalmente evitar ruídos e interrupções. Nesse caso
convém o psicólogo tomar providências para evitar, ao máximo, as interferências. Quanto

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mais padronizada a situação, maior a fidedignidade dos resultados. Na padronização se


enquadra nenhuma ajuda extra além de fornecer as informações necessárias para a aplicação
do teste. Nesse aspecto o profissional tem que ficar atento às suas respostas inconscientes, já
que também há contra-transferência na situação de testagem,já que também nela se encontra
presente um efeito terapêutico.
O psicólogo também deve estar atento às respostas do paciente no decorrer do teste, e
nos aspectos estruturais e dinâmicos da testagem. Recomenda-se um registro literal das
respostas, pois é essencial para que o psicólogo saiba quando e como formular perguntas
adicionais para explorar toda potencialidade da resposta do paciente. É importante registrar as
de hesitações, respostas espontâneas, as reações de raiva, fadiga ou ansiedade, todas as
respostas possíveis. No caso de perguntas adicionais ou realização de inquérito, é necessário o
cuidado no ministrar dessas perguntas para não cortar o fluxo de pensamento do paciente e
assim induzir determinadas respostas, bloquear a produtividade e fantasia, prejudicando os
resultados.

3.8) Levantamento, análise, interpretação e integração dos dados


Qual seria a regra básica para a interpretação dos dados colhidos em um
psicodiagnóstico? Procurar pelas recorrências. A partir delas, pode-se traçar divergências e
convergências dentro do material. E todos estes indícios devem ser correlacionados com o
histórico do indivíduo e as observações feitas durante o processo psicodiagnóstico.
O processo de estudo do material busca obter um quadro o mais claro possível
sobre o caso e é um processo exaustivo que desperta resistências. É preciso renunciar a
onipotência de entender tudo, pois alguns pontos ficarão obscuros e o psicólogo pode escolher
expor sua dúvida na devolutiva, colhendo ainda mais informações para tentar clareá-los,
sabendo também que alguns aspectos só serão entendidos muito além num processo
terapêutico. É preciso aceitar a presença de incongruências e contradições e buscar seu
sentido. Todos esses aspectos (delimitados dentro das perguntas e objetivos) são importantes
e devem ser passados para profissional que fará uso do diagnóstico.
Na integração dos dados, o psicólogo deve buscar formular respostas claras e
objetivas, com um grau satisfatório de certeza. Isso é complicado porque os dados irão
descrever o que as condições da pessoa no momento da testagem e o psicólogo devem inferir
o reflexo disto na vida cotidiana. Ao formular decisões de caráter vital para o indivíduo, é

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preciso lembrar que todos os dados partem do geral, mas a análise dos mesmos deve ser
singular, situacional. Se enquadrar em uma mesma categoria nosológica não quer dizer que
todos os sujeitos descritos como tendo o mesmo transtorno são semelhantes em algum grau
importante.
Os dados recolhidos em todo o processo psicodiagnóstico são: resultados de
testes, informações sobre o quadro sintomático e história clínica do paciente, histórico pessoal
do paciente e acervo de observações do comportamento do sujeito durante todo o processo. O
psicólogo observa o comportamento do paciente desde o contato inicial até o último dia, e,
ainda, na devolutiva – o que pode confirmar hipóteses e levantar novas hipóteses. Essa
observação atenta principalmente para a maneira como o paciente responde aos testes e à
situação transferencial. Ao final, essas observações funcionarão como uma amostra do
comportamento do paciente capaz de descrevê-lo.
Quanto ao histórico, agora ele servirá de base para a interpretação dos dados,
guiando o psicólogo na atribuição de significado às respostas e escores dos testes levando em
consideração as características singulares e sócio-culturais do indivíduo. É importante que o
histórico ajude a interpretar a partir do que o paciente apresentou no processo e não que leve a
uma busca de confirmação de dados situacionais ou históricos através dos testes.
Para a análise e seleção dos dados, que serão muitos e sobre diferentes aspectos
do indivíduo, serão usadas as hipóteses e os objetivos. As hipóteses serão os critérios para a
seleção e analise de dados, indicando que respostas devem ser buscadas para confirmar ou não
as perguntas iniciais. Os objetivos do processo psicodiagnóstico fornecerão um
enquadramento para a integração dos dados, que deverão ser organizados sob a presença de
indícios de compatibilidade e intervalidação, além de serem hierarquizados em termos de
importância.
Os dados analisados não são os dados puros, mas resultados tratados e
significados de acordo com sua especificidade. É importante sempre lembra, quando se
trabalha com resultado de testes, que estes se referem à uma média estatística tomada através
de uma determinada população e que, portanto, se refere à padrões de normalidade que estão
dentro de certas categorias. Ao passo que trabalham com classificação e probabilidades, não
se pode perder a dimensão singular do paciente. Vale lembrar que não se pode analisar um
dado sem ter total entendimento do que ele significa perante seu respectivo teste,

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interpretação esta que se encontra no manual e necessita cruzamento de dados através de


tabelas.
A integração dos dados, tanto quantitativos como qualitativos, se dará (além de
atender aos objetivos já delimitados) através de uma base teórica que irá procurar
concordância e discordância entre os dados, se valendo da história do paciente e das
observações de seu momento atual. Esses dados serão ordenados em níveis de significância
para confirmar ou refutar as hipóteses iniciais. Essa postura teórica irá determinar o olhar do
profissional que, nesse processo de organização de dados, irá realizar a inferência clínica.
A inferência é o processo que irá guiar a integração e seleção dos dados
oriundos de técnicas e testes psicológicos (input), até que eles se tornem uma conclusão que é,
então, comunicada (output). Essa inferência pode ser feita em diferentes graus de
generalização e profundidade, o que irá depender do objetivo do psicodiagnóstico. A
inferência irá integrar um maior número de dados possível, mas é importante lembrar que, na
devolutiva, só se comunica as conclusões úteis para o objetivo do diagnóstico. As conclusões
se estruturarão também de acordo com a natureza do serviço ao qual será encaminhado o
laudo ou de acordo com o tipo de leitura do profissional que o solicitou.

3.9)Diagnóstico e prognóstico
Toda a inferência objetiva chegar a uma hipótese diagnóstica. É importante a palavra
“hipótese” porque nos lembra de que ela pode ser refutada a qualquer momento, mesmo na
devolutiva, se tratando de algo que precisa de constante validação com novos dados. Além do
mais, todo diagnóstico é um retrato do momento do paciente, que não deve ser encarado como
uma “verdade” determinista sobre o indivíduo, válida para toda a sua vida. Aí está o desafio
no momento de classificar o caso em uma categoria nosológica.
A determinação diagnóstica advoga que é necessário que o paciente apresente
um certo número de sintomas, durante um certo período de tempo, para ser tratado
classificado em algo diagnóstico. É preciso lembrar que um sintoma isolado não tem valor
diagnóstico em si e pode estar presente em diversos transtornos, o que faz do sintoma em si
inespecífico.
Os transtornos são definidos como padrões comportamentais ou psicológicos,
que causam sofrimento, incapacitação ou perda de liberdade, oriundos de uma disfunção
biológica, psicológica ou comportamental. Isso quer dizer que manifestações sancionadas pela

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cultura ou comportamentos socialmente desviantes não são caracterizados como transtornos.


Os manuais oficiais internacionais de classificação são o CID-10 e DSM-IV, que fornecem os
critérios e as categorias para a classificação dos ditos transtornos mentais. A classificação
deve ser feita em relação a estes documentos, já que são um acordo mundial que facilita o
consenso e a comunicação entre clínicos e investigadores, são exigidos na elaboração de
documentos e podem contribuir para o levantamento de dados epidemiológicos de uma
comunidade. A adequação a essa classificação possibilita a organização sistemática dos dados
de forma mais fidedigna.
Após a inferência, será possível enquadrar os dados objetivos em um
transtorno. Às vezes, simplesmente o quadro sintomático associado à história clínica do
paciente pode servir de base para a classificação nosológica, mas, para uma avaliação mais
compreensiva do caso, pode-se inferir uma formulação psicodinâmica do paciente.
Quanto à classificação em uma entidade nosológica, parte-se dos dados, e a
partir de critérios diagnósticos pré-determinados, podem-se considerar várias alternativas
diagnósticas pares o caso, já que um grande número de sinais e sintomas faz parte de
diferentes categorias. Para sair deste impasse, existe uma hierarquia entre os sintomas e a
possibilidade de se realizar um diagnóstico diferencial.
Para uma interpretação mais abrangente do caso, se realiza uma avaliação
compreensiva do paciente, que não desconsidera a classificação diagnóstica. Essa avaliação
irá recorrer a informações adicionais e a um nível mais elevado de inferência, para elaborar
uma formulação interpretativa da personalidade do sujeito. Essa formulação tem que partir de
um ponto de vista teórico, e o mais comumente usado é a Psicanálise. Sob esta visão, será
formulado um entendimento psicodinâmico do sujeito, ressaltando a estrutura de sua
personalidade e seus conflitos. Uma vez partindo desse entendimento dinâmico, a abordagem
das entrevistas, do material de testagem e da integração dos dados é diferenciada, é vista com
base nos pressupostos psicodinâmicos.
A importância desta avaliação compreensiva está em determinar um
prognóstico e um caminho de tratamento mais adequado ao paciente (observa os recursos do
sujeito que poderão responder a diferentes tipos de tratamento), além de nos lembrar de um
importante aspecto do psicodiagnóstico: a interação clínica. Quando existe um entendimento
da natureza da interação entre psicólogo e paciente, pode-se observar o comportamento do
paciente perante o psicodiagnóstico atentando para como o paciente reage, formula e distorce

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cada situação. Ao aplicar um teste, não só os resultados obtidos se tornam informações sobre
o sujeito, mas a maneira a qual ele se relaciona com o material e com o psicólogo em cada
aplicação de teste ou técnica. A maneira pela qual o indivíduo se relaciona, mostra a natureza
de sua relação transferencial, que poderá ser confirmada pelo histórico e conteúdo das
respostas. E não só os testes, mas o próprio psicólogo se tornará uma fonte de dados ao ser
usado como objeto depositário de desejo do paciente, ao mesmo tempo em que surge nele
sentimentos em relação ao paciente. Uma boa observação dos aspectos da transferência
fornece um diagnóstico mais coerente e poderá prever o comportamento futuro do paciente
perante cada passo do psicodiagnóstico – o que ajuda a organizar a bateria de testes – e num
futuro tratamento psicoterápico.
Quanto ao prognóstico, no processo de diagnóstico o psicólogo elenca déficits
e funções preservadas, analisa a história do paciente, coleta o prognóstico oferecido por
alguns testes e considera a sintomatologia da categoria nosológica do caso. Tudo isso e uma
compreensão do paciente possibilitam fazer predições sobre o curso provável do transtorno e
indicar a intervenção terapêutica mais adequada, respondendo às perguntas e objetivos iniciais
do psicodiagnóstico.

4.0)Comunicação dos resultados

A comunicação dos resultados deve estar inserida no contrato de trabalho, pois


constitui uma unidade essencial do psicodiagnóstico. O tipo de conteúdo e forma será
definido pelo psicólogo, entretanto, dependerão dos objetivos do exame, da natureza dos
dados e do receptor(s).
Quanto aos objetivos têm-se os laudos e os pareceres. Os laudos possuem vários
objetivos, costumam ser mais extensos, abrangentes e minuciosos. Enquanto que os pareceres
são mais resumidos, focalizados e curtos.
“Dependendo dos objetivos, podem ser necessários vários tipos de comunicação, como
por exemplo, entrevista de devolução com os pais e com o sujeito, laudo encaminhado para o
psiquiatra, laudo encaminhado à escola especial e parecer para serviço de orientação de uma
escola, que fez a sugestão inicial do exame.” (CUNHA, 2000, p. 121.)
O receptor pode ser um psiquiatra, um professor ou um pai de nível socioeconômico
baixo. O receptor não necessariamente é sempre a pessoa que contrata o serviço, entretanto

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deve haver um consentimento do contratante no contrato de trabalho. Pode haver situações


com implicações inter-profissionais (psicólogo versus psicólogo), interpessoais (psicólogo
versus paciente e psicólogo versus examinando).
A questão da natureza dos dados pode ter complicações éticas, dependendo do seu
conteúdo e do receptor, o psicólogo se coloca numa situação de escolher os itens mais
pertinentes a ser comunicados. “O sigilo profissional compromete o psicólogo a não fornecer
certas informações, ou prestá-las somente a quem de direito e sempre contemplando o
benefício do paciente” (CUNHA, 2000, p.122) .
Dependendo do receptor, é preciso tomar cuidado ao comunicar o resultado final com
termos muito científicos, e assim dificultar o entendimento por parte do paciente. A
comunicação oral se apresenta aqui como o melhor recurso para fornecer as informações.
Dessa forma, é necessário uma entrevista de devolução, para dar um feedback ao cliente ou
familiares.
Cabe ressaltar que em caso de adolescente jovem, criança e adulto psicótico ou
incapacitado, a devolução deve ser dada ao cônjuge, filhos, pais, ou outros membros da
família e/ou responsável.
É comum na ocasião de devolução surgimento de lembranças ou associações úteis
para o diagnóstico. As reações do paciente e/ou responsáveis tendem a se repetir durante um
tratamento psicoterápico, trabalho ou escola, etc. A entrevista de devolução é a última
oportunidade para o surgimento de novos elementos que podem fornecer um panorama
complementar para o material já recolhido. É comum também resistências por parte do
paciente e de familiares durante a comunicação do diagnóstico.
Quando percebo intensas resistências e manifesta desconfiança desde a primeira
consulta, coloco-lhes nessa mesma entrevista que a minha função será tão somente
fazer o psicodiagnóstico e que não aceitarei fazer tratamento, visando assim evitar a
suspeita de que durante a devolução estarei tentando convencê-los de algo em
vantagem própria (especialmente econômica). (ARZENO, 1995, p. 188).

Dentro do contexto geral do psicodiagnóstico, a entrevista de devolução é o passo que


mais exige do profissional experiência clínica e consciência dos seus conteúdos. A resistência
por parte do paciente pode se mostrar muito intensa, e se o profissional não estiver atento,
pode entrar na relação de contra-transferência e iniciar uma “ batalha edípica” com o
mesmo.Isso pode comprometer a validade dos resultados, e portanto o próprio trabalho do

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psicólogo.Sem contar que dependendo da situação, pode acarretar também danos para o
paciente. Dessa forma é necessário que o psicólogo tenha o papel de observador participante

Em alguns momentos deverá colocar uma distância prudente e silenciosa para


aceitar a dinâmica do que está ocorrendo e seu significado profundo. Em outros,
participar ativamente e recorrendo a diversos meios técnicos para alcançar o objetivo
principal que é a tomada de “insight” em relação ao conflito central. ( ARZENO,
1995, p. 189).

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REFERÊNCIAS:

ALMEIDA, L.S. & PRIMI, R. (1998). Baterias de Provas de Raciocínio - BPR-5. São Paulo:
Casa do Psicólogo.

ARZENO, Maria Esther Garcia. Psicodiagnóstico clínico: novas contribuições. trad. Beatriz
Afonso Neves. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

Buck, J. N. (2003). H-T-P: Casa – Árvore – Pessoa. Técnica Projetiva de Desenho: Manual e
Guia de Interpretação. (1ª ed.). São Paulo: Vetor.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). (2000). Resolução CFP N.º 012/00 de 20


de dezembro. Institui o Manual para Avaliação Psicológica de candidatos à Carteira
Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). (2000). Resolução CFP N.º 010/01 de 20


de dezembro. Especifica e qualifica a Psicoterapia como prática do Psicólogo.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). (2001). Resolução CFP N.º 030/00 de 20


de dezembro. Manual de Elaboração de Documentos.

CUNHA, Jurema Alcides (2000). Psicodiagnóstico V. 5º ed. Porto Alegre: Artes Médicas.

CUNHA, Jurema Alcides e col. (1993). Psicodiagnóstico-R. Porto Alegre: Artes Médicas.

GOVERNO FEDERAL (1962). Lei Federal nº 4.119/62 de 27 de agosto. Dispõe sobre os


cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo.

KROEFF, P. (1988). Normas Brasileiras para o Teste de Bender. Psicologia: Reflexão e


Crítica, 3, n. 1/2, p. 12-19.

MURRAY, H. A. (1973). Teste de Apercepção Temática. São Paulo: Mestre Jou.

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Disciplina: Avaliação Psicológica
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Nascimento, E. (2000). Adaptação e validação do teste WAIS-III para um contexto brasileiro.


Tese de Doutorado não-publicada, Curso de Pós-graduação em Psicologia, Universidade de
Brasília.Brasília, DF.

PASQUALI, L. (2001). Padronização dos testes psicológicos - as normas. Em: L. Pasquali


(org). Técnicas de exame psicológico - TEP: manual (pp. 137-153). São Paulo: Casa do
Psicólogo;
Conselho Federal de Psicologia.

PASQUALI, L. (2001). Técnicas de Exame Psicológico - TEP: manual. São Paulo, SP: Casa
do Psicólogo; Conselho Federal de Psicologia.

PASQUALI, L. (2003). Psicometria: Teoria dos testes na Psicologia e na Educação.


Petrópolis: RJ: Vozes.

SIMINOVICH, M. & FACHEL, J. M. G. (2000). Técnica de Zulliger - teste-reteste,


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WEINER, I.B. (2000). Princípios da Interpretação do Rorschach. São Paulo: Casa do


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