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6 rachaduras na cosmovisão secular | Rebecca McLaughlin

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“Você acha que minha crença é loucura, certo?” Perguntei a um amigo judeu-
ateu.

Sua namorada interveio gentilmente: “Não, ele não acha isso!”

“Sim, ele acha”, respondi. “Eu creio que toda a história da humanidade gira em
torno de um judeu palestino do primeiro século que morreu na cruz e ressuscitou.
Isso é loucura, certo?”. Meu amigo ateu concordou. “Mas o problema é”, eu
respondi, “eu acho que você também acredita em coisas loucas”.

Quando nossos amigos ouvem as reivindicações de Jesus, eles se perguntam por


que nós cremos em coisas tão fantásticas quando há uma visão perfeitamente
racional e coerente de mundo disponível a nós. Mas se olharmos para o
fundamento secular no qual, supostamente, todos estamos, perceberemos que ela
é mais como um bloco de gelo flutuando para longe da terra.

E há rachaduras no gelo. Aqui estão seis.

1. Ausência de fundamento para a ciência e a existência


A crença em um Deus Criador pessoal pode parecer loucura, mas ela é o
fundamento sobre o qual a ciência foi construída. O método científico
foi desenvolvido por cristãosporque eles acreditavam em um Criador racional
que controlava o universo de acordo com os princípios racionais. O professor de
Princeton e filósofo mundialmente reconhecido, Hans Halvorson, sustenta que a
ciência ainda está melhor sobre um fundamento teísta. A ciência pode explicar
como o universo surgiu, mas o método científico de buscar causas naturais para
fenômenos naturais não pode nos mostrar a primeira causa. O ateísmo luta para
explicar porque afinal há um universo ou porque o universo segue leis racionais
compreensíveis às mentes humanas. Se o sucesso da ciência nos aponta a algum
lugar, argumenta Halvorson, é para o sobrenaturalismo teísta.
2. Ausência de fundamento para a igualdade humana
Meus amigos secularistas acreditam que o valor igualitário de todos os seres
humanos é uma verdade autoevidente. No entanto, se abraçarmos a narrativa
materialista de que os homens se resumem às suas partes físicas, por que
devemos valorizá-los igualmente? Alguns tentam fundamentar a igualdade na
ciência, fazendo referência a fontes evolucionárias para o altruísmo (um campo
liderado pelo professor de Harvard, e católico, Martin Nowak). Mas a evolução
nos dá muitas evidências na outra direção e, como observa o proeminente
psicólogo ateu Steve Pinker, examinar como a moralidade humana surgiu é
diferente do projeto moral de como os seres humanos devem viver.

Outros procuram estruturas éticas que transcendem a cultura, muitas vezes


citando a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas a Declaração foi
escrita por um comitê desproporcionalmente cristão, liderado por Eleanor
Roosevelt – uma cristã apaixonada –, e é fortemente influenciada pelos valores
judaico-cristãos. Na verdade, em 1983, o representante iraniano na
ONU chamou-a de “uma compreensão secular da tradição judaico-cristã, que não
poderia ser cumprida pelos muçulmanos”.
É claro que os filósofos secularistas podem e formulam sistemas éticos que
defendem a igualdade humana. Podemos até mesmo observar florescimento da
promoção da igualdade. Mas se o universo não é mais do que a ciência pode
medir, nós não temos nenhum fundamento definitivo para o valor e igualdade
humana. Por fim, somos apenas átomos.

3. Tensão entre valores seculares e diversidade religiosa


Meus amigos secularistas celebram a diversidade religiosa e defendem os direitos
das minorias de praticarem sua fé. Isso parece bonito, mas o que acontece quando
as crenças religiosas se chocam com os valores seculares? Se dissermos aos
nossos amigos muçulmanos: “Nós defendemos seu direito de serem
muçulmanos, desde que reconheçam a igualdade de papéis entre homens e
mulheres, a legitimidade do casamento homossexual e a liberdade sexual para
seus adolescentes”, nós realmente defendemos seu direito de praticarem sua fé?

Nicholas Kristoff desafiou seus pares no New York Times: “Nós [progressistas]
queremos ser inclusivos com pessoas que não se parecem conosco – desde que
elas pensem como nós”. Meus amigos imigrantes não ocidentais, vindos de uma
variedade de procedências religiosas, muitas vezes lutam com a realidade de que
a cosmovisão secular está sendo imposta a eles e seus filhos. Claro, isso não
significa que a ética liberal secular não está certa e não deve ser imposta. Talvez
ela esteja. Mas devemos reconhecer que elas são crenças predominantemente
mantidas por brancos ocidentais e elas, muitas vezes, estão em tensão com as
crenças de minorias raciais e religiosas.
4. Conflito entre verdade objetiva e relativismo religioso
Alguns dos meus amigos secularistas estão confortáveis em dizer que as crenças
religiosas estão erradas. No entanto, a maioria evita isso e prefere pensar que
todas as religiões são igualmente válidas: a abordagem do adesivo COEXIST.
Mas, como as religiões fazem afirmações concorrentes sobre a verdade objetiva,
não podemos dizer que todas elas são igualmente verdadeiras sem invalidar a
própria verdade.

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Se o racismo é errado, então as crenças religiosas que defendem o racismo estão


erradas. Se a afirmação de que Jesus ressuscitou dos mortos é inverídica, então o
princípio central da fé cristã é falso. Onde diferentes religiões fazem afirmações
conflitantes sobre eventos históricos – como elas fazem – elas simplesmente não
podem estar todas certas. Por mais difícil que possa ser provar o que aconteceu
num passado distante, se abandonarmos o conceito de verdade histórica
abandonamos a própria verdade e a realidade não revelada.

5. Falsa suposição do aumento do secularismo


Não vemos as rachaduras no gelo da cosmovisão secular porque esse parece ser o
padrão normal. Os religiosos são tidos como do lado errado da história: conforme
o mundo se torna mais moderno, mais instruído e mais científico, o humanismo
se espalha e a religião diminui. Isso, porém, não aconteceu e não acontecerá num
futuro próximo. De fato, o mundo está se tornando mais religioso.
Essa informação ainda não chegou à maioria dos departamentos universitários,
mas ela tem sido propagada em alto e bom som pelos sociólogos da religião.
Além disso, a ligação entre educação e secularismo é um mito. Os cristãos
inventaram a universidade e, hoje, judeus e cristãos são os grupos mais instruídos
do mundo, com a menor diferença em níveis educacionais entre homens e
mulheres. Nos Estados Unidos, enquanto os americanos com formação
universitária são menos propensos a dizer que acreditam em Deus com certeza
absoluta, estes ainda perfazem 55 por cento da população graduada, e cristãos
com formação universitária vão à igreja com mais frequência do que os cristãos
com menor formação. A ideia de que o ateísmo é o padrão normal entre pessoas
instruídas é simplesmente insustentável.
6. Falsa suposição de que menos religião é bom para
sociedade
Os neoateus argumentam que o mundo seria melhor sem religião, mas você
precisa ser altamente seletivo com seus exemplos para tornar essa afirmação
persuasiva. Você também tem que ignorar os dados indicando que, ao menos nos
Estados Unidos, pessoas que participam da comunidade religiosa são mais
felizes, saudáveis e vivem mais do que aqueles que não o fazem.
Em nosso presente momento, o ateísmo não é avaliado com o mesmo critério que
qualquer determinada religião. As pessoas dizem: “Eu não posso ser cristão por
causa das cruzadas”. Mas elas não dizem: “Eu não posso ser ateu por causa da
Coreia do Norte”. É claro que meus amigos secularistas vão protestar que a
Coreia do Norte, China e Rússia Stalinista não representam seu tipo de ateísmo.
Amém por isso. Mas nem os horrores das Cruzadas ou a Inquisição representam
meu tipo de Cristianismo.

Com certeza, as crenças religiosas podem motivar ações horríveis. O chamado


Estado Islâmico nos deu exemplos diários desse horror. Mas o ateísmo não está
diretamente ligado à virtude, mesmo fora dos regimes totalitários. Como o
psicólogo ateu Jonathan Haidt observa: “Os ateus podem ter muitas virtudes,
mas, ao menos numa das controversas e mais objetivas medidas do
comportamento moral – doar tempo, dinheiro e sangue para ajudar estranhos em
necessidade –, os religiosos parecem ser moralmente superiores aos secularistas”.
Não me interprete mal. Nós, cristãos, também não somos pessoas boas. Somos
um monte de hipócritas imorais que se agarra à preciosa vida do belo Salvador.
Mas algo nesse agarrar parece ajudar.

Então, pessoas religiosas acreditam em coisas loucas? Certamente. E, para


registro, meu amigo judeu-ateu é muito mais esperto do que eu. Mas isso é
loucura não importa como você olhe – e pode ser que pessoas que acreditam em
coisas loucas como a ressurreição estejam contraintuitivamente em terreno
sólido.

O falecido Dallas Willard escreveu certa vez:


Uma vez que ganho a vida como professor universitário e filósofo, eu
frequentemente me questiono com essas palavras: “Por que você segue Jesus
Cristo?”, minha resposta é sempre a mesma: “Quem mais você tem em mente?”.
Traduzido por Tiago Alexandre da Silva e revisado por Jonathan Silveira.
Texto original: 6 Cracks in a Secular Worldview. The Gospel Coalition.
Publicado com permissão.
Rebecca McLaughlin é PhD pela Cambridge University e graduada pelo Oak Hill seminary
em Londres. Ela tem ministrado a públicos que vão de professores a presidiários e
palestrado ao lado de líderes, tais como Andy Crouch e Paul Tripp. Rebecca escreve
regularmente para o The Gospel Coalition. Siga-a em rebeccamclaughlin.org.