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O sistema, os mandantes, os ideólogos, os explicadores, os submissos e os resistentes

Em seis passos apresento como vejo o que me vai rodeando: tanto no sistema educativo que
me é mais próximo como no sistema social em que inapelavelmente estamos todos integrados.
Até aos ditos excluídos.

O sistema é a estrutura que mantém todas as pontas unidas. É uma espécie de gravidade cuja
lei se aplica a todos os corpos extensos. Neste caso do sistema educativo e do sistema social
estende-se também aos corpos representados e imaginados.

Os que mandam mandam. E só mandam em primeiro lugar porque respeitam as leis do sistema
para além de disporem de uma tríade indispensável de poder económico, político e militar. Só
existem aves ou aviões que voem sem respeitar a lei da gravidade no interior de sonhos
fanhosos. Na realidade real dura lex sed lex. Os que mandam mandam porque de facto
respeitam as leis do sistema e estão colocados nele em pontos-chave de onde conseguem
manobrar os cordelinhos. O conhecimento e a capacidade de agir segundo esse conhecer é
fundamental o que não quer dizer que eles estejam predispostos a sequer compartilhá-lo com
os outros. No sistema tal como no dito negócio a alma está no segredo. Direi mesmo que é
através da ocultação e da desinformação acerca do que se passa realmente que os atuais
mandantes conseguem manter a hegemonia. Evidentemente, para além de um manejo hábil da
propaganda, o que dá sustentabilidade aos que mandam é a simultaneidade de poder
económico e do concomitante poder político, os quais não se conseguiriam manter a médio e
longo prazo se não tivessem a arma de último recurso que são as forças armadas.

De seguida os ideólogos elaboram. Investidos de dotes intelectuais e retóricos de primeira


ordem, estes sujeitos pagos a peso de ouro conseguem traduzir o pensamento bruto e direto
dos mandantes. São um elo fundamental na ordem descendente da cadeia de comando onde
se seguem uns intérpretes de segunda ordem mas habilidosos que explicam, reproduzem e
amplificam para o “povo” as elaborações demasiadamente elaboradas dos ideólogos.

Os submissos, como não podia deixar de ser são esse “povo” que é mantido na ignorância ou,
pior, que é embalado num suposto conhecimento que não passa de mistelas adocicadas e
enganosas que os de cima lhes inculcam em doses industriais todos os dias através dos canais
de tv, rádio, imprensa e outros mais.

Os resistentes lá vão resistindo. Aqueles mais resistentes, convictos e que sabem o que querem
visam um dia subverter o sistema. Mas só aqueles que também conhecem o sistema, assumem
a verdade e não usam a mentira podem um dia aspirar a superar o anterior sistema e a criar um
que valha a pena viver. Nele os seus respetivos resistentes não merecem esse nome pois não
passam de reacionários.

Dirão que tenho uma visão bastante maniqueísta da coisa. Pois tenho. Mas depois de ver todos
os dias a mentira a desinformação entrarem-nos pelos meios de comunicação de massas em
casa e ter de suportar e ver outros suportarem cargas imensas de desemprego, exploração e
humilhação, a única coisa que posso ter é vontade de lutar para que este status quo mude e dar
força aos que o fazem de modo mais consequente.

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