Você está na página 1de 34

Tema 5:Avaliação Participativa

e Participante: Metodologia e Abordagem

Profª Ma Elaine Cristina


Vaz Vaez Gomes
PARA INÍCO DE CONVERSA
A Avaliação Participativa e Emancipatória
No debate sobre avaliação participativa há
uma introdução ao tema, ao conceito
propriamente dito da avaliação participativa.
N o a p ro fu n d a m e n t o t e ó r i c o s o b re a
abordagem da avaliação participante há
reflexões a respeito das modalidades de
avaliação, do novo paradigma de avaliação e
do conceito de avaliação emancipatória.
Avaliar requer um aprofundamento sobre o
conceito, e, de acordo com Sul-brandt (apud
CARVALHO, 2009, pág. 87), os processos
tradicionais estão esvaziados “pelo seu caráter
externo;
pelas debilidades metodológicas
apresentadas; pela sua preocupação
demasiada com a eficiência e, portanto, pela
sua incapacidade de apropriar-se do conjunto
de fatores e variáveis contextuais e
processuais”
e ainda “pelo baixo grau de relevância e de
utilidade dos produtos avaliativos que não
respondem às necessidades de informações
dos agentes sociais envolvidos no programa”.
A avaliação participativa propriamente dita
surge no mesmo contexto que a pesquisação
e, segundo a autora, “guarda assim
propósitos, princípios, procedimentos e
estratégias muito próximas das utilizadas
neste tipo de pesquisa”.
Continuando
O principio norteador da metodologia desta
avaliação está no comprometimento e na
participação dos “formuladores, gestores,
implementadores e beneficiários do próprio
processo avaliativo de um dado programa”.
Essa avaliação tem como objetivo, de acordo
com Carvalho (2009), “incorporar os sujeitos
implicados nas ações públicas e desencadear
um processo de aprendizagem social”.
É, segundo a autora, este “coletivo de sujeitos
implicados na ação que pode aportar a
diversidade de valores, opiniões e verdade
sobre o programa em avaliação”. Essa
participação garante densidade ao processo.
Esse processo que muitas vezes está
fragmentado tem, numa avaliação
participativa, socializado e aprofundado
informações e conhecimentos, que estão
guardados muitas vezes em gavetas,
garantido a apreensão totalitária do programa
o empoderar-se do
“saber-fazer social”.
Essa avaliação, de acordo com Carvalho
(2009, p. 92), requer novas competências ao
avaliador, ou seja, “não dispensa as
competências específicas de uma investigação
avaliativa,
mas adiciona igualmente habilidades de
mediação e irrigação do processo partilhado
por meio de informações, questionamentos e
clarificações”.
Dessa forma, não dispensa “os tradicionais
instrumentos”, tais como, segundo Carvalho
(2009, p. 92), “definição de indicadores,
aplicação de questionários, realização de
entrevistas, observação participante”.
Mesmo assim, “estimula o conhecimento de
programas similares e/ou complementares
oportunizando aos envolvidos um novo
processo de troca de informações e
reflexão” (CARVALHO, 2009, p. 92).
Vamos Praticar?
É sabido que até a década de 1960, no que se
refere à avaliação, são encontradas as
literaturas que contextualizam o tema a partir
dos processos educacionais.
E, para uma reflexão sobre modalidades de
avaliação, há que se ter o entendimento de
que muito mais do que servir para decisões
técnicas, a avaliação deve integrar elementos
teóricos e políticos.
Encontram-se com maior intensidade os tipos
de processos pautados na avaliação de
produtos ou resultados, que denotam uma
influência positivista.
Assumir este tipo de avaliação significa dizer
que se está assumindo, segundo Saul (2009,
pág. 97), “uma concepção tecnicista na
avaliação”, o que, nesse sentido, “conduz
facilmente a uma atividade avaliativa de
caráter burocrático”.
Na reação a este tipo de avaliação será
apresentado um modelo com “pressupostos
teórico-metodológicos e políticos” contrários
aos incorporados pela experiência positivista.
Segundo Saul (2009), fala-se pela primeira
vez em Avaliação Emancipatória, que, de
acordo com a literatura, é composta por três
ramificações teórico-metodológicas.
Finalizando
A primeira é a “Avaliação Democrática;
A segunda é a Crítica Institucional e Criação
Coletiva;
A terceira é a Pesquisa Participante.
Esses pressupostos teórico-metodológicos
pressupõem uma avaliação democrática que,
para MacDonald (apud SAUL, 2009, pág. 98),
reconhece “a existência de um pluralismo de
valores e procura representar uma gama
variada de interesses ao formular suas
indagações principais”.
Depois, há uma crítica institucional e uma
criação coletiva no sentido de que se
concretiza, segundo Saul (2009), “por três
momentos ou fases que se articulam em um
único e harmonioso movimento: expressão e
descrição da realidade, crítica do material
expresso, e, criação
coletiva”.
Por fim há a pesquisa participante que, como
ressalta Huynh (apud SAUL, 2009), “é a
metodologia que procura incentivar o
desenvolvimento autônomo (autoconfiante) a
partir das bases e uma relativa independência
do exterior”.
De acordo com Saul (2009) os princípios
metodológicos da pesquisa participante são:
autenticidade e compromisso,
autodogmatismo, restituição sistemática,
feedback aos intelectuais orgânicos, ritmo e
equilíbrio de ação-reflexão, ciência modesta e
técnicas dialogais.
Os objetivos da Avaliação Emancipatória, de
acordo com Saul (2009, p. 105), são o de
“iluminar o caminho da transformação e
beneficiar as audiências em termos de torná-
las autodeterminantes” e os conceitos que a
envolvem são “emancipação, decisão
democrática,
transformação e crítica
educativa”.
A A va l i a ç ã o E m a n c i p a t ó r i a t e m p o r
característica, segundo Saul (2009, p. 107),
os “métodos dialógicos e participantes;
predomina o uso de entrevistas livres,
debates, análise de depoimentos, observação
participante e análise documental”.
Os dados de cunho quantitativo não são
“desprezados”, mas o que predomina como
análise, nesta experiência, são as questões
qualitativas. Nesse processo o avaliador tem a
função de “propor uma tarefa que favoreça o
diálogo, a discussão, a busca e a análise
crítica sobre o
funcionamento real de
um programa”.