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Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 1

BEBENDO NA FONTE - 1

RUMO À CELEBRAÇÃO DO OITAVO CENTENÁRIO


DA REGRA DO CARMO

PRIMEIRA ETAPA
2004
O R A Ç Ã O

Apresentação

No ano de 2007, se Deus quiser, celebraremos o oitavo centenário da Regra do Carmo.


Isto será para nós, irmãos e irmãs da Família Carmelitana, uma oportunidade única, não só
para aprofundar o significado deste dom de Deus para a nossa vida, mas também para
reativar em nós o carisma que, ao longo de oito séculos, prestou tantos benefícios ao povo,
gerou tantos santos e santas e orientou tanta gente nos caminhos da vida em direção a
Deus.

Somos muitos, milhares! Irmãos e irmãs, sacerdotes, religiosos e leigos, de várias


Ordens e Congregações, Movimentos e Associações, sem falar dos inúmeros devotos de
Nossa Senhora do Carmo que carregam o seu escapulário.

Esta data é um convite, oferecido por Deus, a toda a Família Carmelitana para reunir-
nos, novamente, ao redor desta fonte tão antiga para beber das suas águas sempre novas
e matar nossa sede de Deus, de fraternidade e de justiça.

Para ajudar-nos nesta tarefa, a equipe intercarmelitana Carmelo-Bíblia, a pedido dos


superiores, oferece este subsídio que convoca a todos os irmãos e irmãs da Família
Carmelitana para um tríduo de três anos de preparação de 2004 a 2006.

Seguiremos o esquema do símbolo impresso na capa deste caderno. Os três círculos


indicam as três palavras-chaves da nossa espiritualidade: Oração, Fraternidade e
Profecia. O Escudo no centro indica a contemplação que gera em nós um novo modo de
rezar, um novo modo de viver em fraternidade, e um novo modo de defender os valores da
vida. Serão dez roteiros sobre a Oração para o ano de 2004, dez sobre a Fraternidade
para 2005 e dez sobre a Profecia para 2006. Os roteiros procuram aprofundar e
atualizar para nós a Regra de Vida dos Irmãos e das Irmãs da Bem-aventurada
Virgem Maria do Monte Carmelo.
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A Fonte
REGRA DE VIDA DOS IRMÃOS E DAS IRMÃS DA FAMÍLIA
DA BEMAVENTURADA VIRGEM MARIA DO MONTE CARMELO

1. Alberto, pela graça de Deus, chamado a ser Patriarca da Igreja de Jerusalém, aos amados
filhos em Cristo B. e demais eremitas que, sob a sua obediência, vivem junto à Fonte no
Monte Carmelo, a Salvação no Senhor e a Bênção do Espírito Santo.
2. Muitas vezes e de muitas maneiras os Santos Padres estabeleceram como cada um, qualquer
que seja o estado de vida a que pertença ou qualquer que seja o modo de vida religiosa que
tenha escolhido, deve viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-lo fielmente com coração
puro e consciência serena.
3. No entanto, como vocês nos pedem que, de acordo com o seu projeto, lhes apresentemos uma
forma de vida à qual, de agora em diante, devem manter-se fiéis:
4. Determinamos, em primeiro lugar, que tenham um de vocês como prior, que seja eleito para
este serviço através do consenso unânime de todos ou da parte mais numerosa e mais
madura. A ele cada um dos outros prometa obediência e se empenhe em cumprir de
verdade, na prática, o que prometeu, juntamente com a castidade e a renúncia à
propriedade.

5. No que se refere a lugares de moradia, vocês poderão tê-los em localidades solitárias ou


onde lhes forem doados, desde que sejam apropriados e adequadas à opção de sua vida
religiosa, de acordo com o que o prior e os irmãos, mediante discernimento, decidirem.
6. Além disso, levando em consideração o conjunto do lugar que se propuseram como moradia,
cada um de vocês tenha uma cela individual e separada, que lhe será indicada por disposição
do próprio prior e com o consentimento dos outros irmãos ou da parte mais madura.

7. De tal modo, porém, que, num refeitório comum, tomem o alimento que lhes for doado,
ouvindo juntos alguma leitura da Sagrada Escritura, onde isto puder ser feito sem
dificuldade.
8. A nenhum irmão será permitido, a não ser com a licença do prior em exercício, mudar-se do
lugar que lhe foi indicado ou trocá-lo com outro.
9. A cela do prior deve localizar-se junto da entrada do lugar, para que ele seja o pri meiro a ir
ao encontro dos que vierem a esse lugar; e, depois, todas as coisas que devem ser feitas
aconteçam de acordo com o seu critério e a sua disposição.

10. Permaneça cada um em sua cela ou na proximidade dela, meditando dia e noite na Lei do
Senhor e vigiando em orações, a não ser que esteja ocupado em outros justificados
afazeres.
11. Os que sabem recitar as horas canônicas com os clérigos, as recitem conforme as
disposições dos Santos Padres e segundo o costume aprovado da Igreja. Os que não o
sabem, recitem vinte e cinco vezes o Pai Nosso nas vigílias noturnas, com exceção dos
domingos e dias solenes, em cujas vigílias determinamos que se duplique o número
mencionado, de modo que o Pai Nosso seja recitado cinqüenta vezes. No louvor da manhã,
porém, a mesma oração seja recitada sete vezes. Da mesma maneira, em cada uma das
outras horas, a mesma oração seja recitada sete vezes, menos nas vésperas, em que devem
recitá-la quinze vezes.
12. Nenhum dos irmãos diga que algo é propriedade sua, mas tudo entre vocês seja comum, e
seja distribuído a cada um pela mão do prior, quer dizer, pelo irmão por ele designado para
este serviço, conforme cada qual estiver precisando, levando-se em consideração as idades
e as necessidades de cada um.
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13. Contudo, na medida em que alguma necessidade de vocês o exigir, lhes é permitido possuir
burros ou mulos, e algum tipo de animais ou de aves para criação.

14. O oratório, de acordo com as possibilidades, seja construído no meio das celas, aonde, cada
dia pela manhã, vocês devem reunir-se para participar da solenidade da Missa, quando as
circunstâncias o permitirem.
15. Da mesma maneira, nos domingos ou em outros dias caso for necessário, vocês devem tratar
da observância na vida comum e do bem-estar espiritual das pessoas. Igualmente, nessa
mesma ocasião, as transgressões e culpas dos irmãos, que por ventura forem encontradas
em algum deles, sejam corrigidas mediante a caridade.
16. O jejum, vocês o observem todos os dias, com exceção dos domingos, desde a festa da
Exaltação da Santa Cruz até o Dia da Ressurreição do Senhor, a não ser que enfermidade
ou debilidade do corpo ou outro justo motivo aconselhem dispensar o jejum, pois a
necessidade não tem lei.
17. Abstenham-se de comer carne, a não ser que seja tomada como remédio em caso de enfer -
midade ou debilidade. E visto que, durante as suas viagens, vocês se vêem obrigados com
maior freqüência a mendigar o seu sustento, para não incomodarem a quem os hospeda, fora
de suas casas vocês poderão comer alimentos preparados com carne. Também será
permitido comer carne em viagens marítimas.

18. Visto que a vida humana na terra é uma tentação, e todos os que querem viver fielmente em
Cristo sofrem perseguição, e como o seu adversário, o diabo, rodeia por aí como um leão que
ruge, espreitando a quem devorar, procurem, com toda a diligência, revestir-se da
armadura de Deus, para que possam resistir às emboscadas do inimigo.

19. Os rins devem ser cingidos com o cíngulo da castidade, o peito protegido por pensamentos
santos, pois está escrito: O pensamento santo te guardará. A couraça da justiça deve ser
usada como veste, a fim de que vocês amem o Senhor com todo o coração, com toda a alma
e com todas as forças, e o próximo como a si mesmos. Sempre e em tudo deve ser
empunhado o escudo da fé, com o qual possam apagar todas as flechas incendiárias do
maligno, pois sem a fé é impossível agradar a Deus. O capacete da salvação deve ser
colocado sobre a cabeça, para que esperem a salvação unicamente do Salvador, pois é ele
que libertará o seu povo dos pecados. E que a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus,
habite abundantemente em sua boca e em seus corações, e tudo que vocês tiverem de
fazer, seja lá o que for, que seja feito na Palavra do Senhor.

20. Vocês devem fazer algum trabalho, para que o diabo sempre os encontre ocupados e não
consiga, através da ociosidade de vocês, encontrar alguma brecha para penetrar em suas
almas. Nisto vocês tem o ensinamento e o exemplo de São Paulo apóstolo, por cuja boca
Cristo falava e que por Deus foi constituído e dado como pregador e mestre dos gentios na
fé e na verdade. Se seguirem a ele, não poderão desviar-se. Ele escreve: Em meio a
trabalhos e fadigas estivemos entre vocês, trabalhando dia e noite, para não sermos um
peso para nenhum de vocês. Não que não tivéssemos esse direito, mas queríamos
apresentar-nos como um exemplo a ser imitado. Com efeito, quando estávamos com vocês,
demos esta regra: Quem não quiser trabalhar, também não coma! Ora, temos ouvido falar
que entre vocês há alguns que levam uma vida irreqüieta, sem fazer nada. A esses tais
ordenamos e suplicamos no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem em silêncio e, assim, comam
seu próprio pão. Este caminho é santo e bom. É nele que devem andar!

21. O apóstolo recomenda o silêncio, quando manda que é nele que se deve trabalhar. E como
afirma o profeta: a justiça é cultivada pelo silêncio. E ainda: no silêncio e na esperança
estará a força de vocês. Por isso, determinamos que, depois da recitação das completas,
guardem o silêncio até depois da Hora Primeira do dia seguinte. Fora desse tempo, embora
a observância do silêncio não seja tão rigorosa, com tanto mais cuidado abstenham-se do
muito falar, porque, conforme está escrito e não menos ensina a experiência: No muito
falar não faltará o pecado; e: Quem fala sem refletir sentirá um mal-estar; e ainda: Quem
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fala em demasia prejudica a sua alma; e o Senhor no Evangelho: De toda palavra inútil que
os homens disserem, dela terão que prestar conta no dia do juízo. Portanto, cada um faça
uma balança para as suas palavras e rédeas curtas para a sua boca, para que, de repente,
não tropece e caia por causa da sua língua, numa queda sem cura que conduz à morte. Que,
como diz o profeta, cada um vigie sua conduta para não pecar com a língua, e se empenhe,
com diligência e prudência, em observar o silêncio pelo qual se cultiva a justiça.

22. Agora, você, irmão B., e quem quer que for indicado como Prior depois de você, tenham
sempre em mente e cumpram na prática o que o Senhor diz no Evangelho: Todo aquele que
entre vocês quiser tornar-se o maior, seja o seu servidor, e quem quiser ser o primeiro,
seja o seu empregado.

23. E vocês, os demais irmãos, tratem o seu prior com deferência e humildade, pensando, mais
do que nele mesmo, em Cristo que o colocou acima de vocês, e que diz aos que estão à
frente das igrejas: Quem ouve a vocês, é a mim que ouve; quem despreza a vocês, é a mim
que despreza, a fim de que vocês não sejam condenados como réus por menosprezo, mas
possam merecer por obediência a recompensa da vida eterna.
24. É isso que, com brevidade, lhes escrevemos com o intento de estabelecer para vocês a
forma de conduta, segundo a qual deverão viver. Se alguém fizer mais do que o prescrito, o
Senhor mesmo lhe retribuirá quando voltar. Use, porém, de discrição, que é a moderadora
das virtudes.

Uma chave de leitura para a Regra do Carmo (RC)


I. Prólogo (RC1 1-3)
RC 1: Saudação e Bênção
RC 2: O rumo de vida para todos: viver em obséquio de Jesus Cristo
RC 3: O projeto comum, próprio dos Carmelitas
II. A infra-estrutura da vida comunitária (RC 04-09)
RC 4: O Prior e os Votos: assumir o projeto da Comunidade
RC 5: O Lugar de Moradia: preservar o deserto interior
RC 6: A Cela dos Frades: garantir o diálogo com Deus
RC 7: A Refeição em comum: aprofundar o convívio fraterno
RC 8: A Estabilidade no Lugar: assumir a forma de vida dos mendicantes
RC 9: A Cela do Prior na entrada: acolher e encaminhar os visitantes

III. Os pontos básicos do ideal da Vida Carmelitana (RC 10-15)


RC 10: Na cela: meditar dia e noite na lei do Senhor e vigiar em orações
RC 11: Em comunidade: o Ofício Divino ou a reza do Pai Nosso
RC 12: Na vida: opção do Carmelo pelos "menores" através da comunhão de bens
RC 13: No dia-a-dia: mitigação em vista das necessidades
RC 14: Na capela: a memória de Jesus através da Eucaristia diária
RC 15: Compromisso de todos: revisão semanal e correção fraterna
IV. Os meios para alcançar o ideal (RC 16-21)
RC 16: O jejum: santificar o tempo, desde a festa da Cruz até à Páscoa
RC 17: A abstinência de carne: passar pelo nada para chegar ao tudo
RC 18: A condição humana: a fragilidade que pede resistência
RC 19: A luta da vida e as armas espirituais: não desistir nunca
RC 20: O trabalho: ocupar o tempo e providenciar o próprio sustento
RC 21: A prática do silêncio: esvaziar-se para Deus e os irmãos

V. Recomendações finais para uma convivência madura (RC 22-23)


RC 22: O prior como servidor dos irmãos
RC 23: O respeito dos irmãos para com o prior

1
A sigla Rc significa Regra do Carmo.
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VI. Epílogo (RC 24)


RC 24: Discernimento, e opção dos pobres pelo Carmelo
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A dinâmica destes Encontros

1. Os Círculos, o nome já o diz, foram feitos para serem usados em grupo. Eles podem ser
usados também como leitura e meditação pessoais. Quando usados em comunidade, é bom
preparar o ambiente do encontro com algum símbolo carmelitano: flores, vela, imagem,
escapulário, escudo, estrela, etc.

2. Em cada círculo ou roteiro, vamos ouvir um texto da Regra e um texto da Bíblia. São como
dois galhos distintos, nascidos do mesmo tronco. Quando lidos à luz da realidade de hoje,
os dois se iluminam mutuamente e, juntos, ajudam a iluminar nossa vida.
3. O objetivo principal é redescobrir o significado e o alcance da Regra para as nossas vidas e
para a nossa missão, hoje, aqui na América Latina. O meio principal que usamos para
alcançar este objetivo é a conversa a partir da vida e a partir da Bíblia e da Regra .
Conversa franca, fraterna, respeitosa, em que aprendemos a escutar o irmão, a irmã.
Quando a conversa é boa e longa ela se torna conversão. (Sem conversa não tem
conversão).
4. Cada círculo tem um Subsídio: Alargando os Horizontes, que traz algumas chaves de leitura
para ajudar na compreensão dos textos da Regra e da Bíblia. O Subsídio pode ser lido com
proveito antes ou depois do encontro.

5. Os roteiros seguem todos os mesmo esquema de três momentos, baseados na história do


profeta Elias:
Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com o Povo de Deus
1. Canto de entrada, acolhida e introdução ao assunto.
2. Prece inicial: diálogo orante
3. Invocação do Espírito Santo.

1º Momento: "Sai da gruta...!"


1. Chave de leitura para o texto da Regra
2. Leitura do Texto da Regra
3. Momento de silêncio
4. Perguntas que ajudam a “sair da gruta”

2º Momento: "Levanta-te! O Senhor vai passar!"


1. Canto ou Mantra para preparar o coração
2. Chave de leitura para o texto da Bíblia
3. Leitura do Texto da Bíblia
4. Momento de silêncio
5. Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.

3º Momento: "E anda! No longo caminho da Justiça e da Paz!"


1. Canto de meditação
2. Descobrir os apelos de Deus na vida a partir da Regra e da Bíblia
3. Formular o compromisso para “dar um passo no caminho da justiça e da paz”.

Ação de Graças: Louvar e agradecer


1. Formular preces e rezar um Pai Nosso
2. Rezar um Salmo que expressa o que meditamos.
3. Canto Final a Maria, mãe e irmã dos carmelitas.
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O PROGRAMA DOS TRÊS ANOS E OS NÚMEROS DA REGRA DO CARMO (RC) A


SEREM MEDITADOS E APROFUNDADOS

Para o ano de 2004: Oração Regra


1. Viver em obséquio de Jesus Orante RC 1, 2 e 3
2. Meditar dia e noite na Lei do senhor RC 10
3. Rezar os salmos RC 11
4. O Pai Nosso RC 11
5. Celebrar a eucaristia diária RC 14
6. Proteger o peito com pensamento santo RC 18 e 19
7. A palavra de Deus na boca e no coração RC 19
8. Fazer tudo na Palavra do Senhor RC 7, 10, 11, 14, 19 e 20
9. O exemplo do apóstolo Paulo RC 20
10. Silêncio Orante RC 21
Para o ano de 2005: Fraternidade
1. Viver em obséquio de Jesus fraterno RC 1 e 2
2. Oração comunitária na capela do centro RC 14
3. Hospitalidade para os que nos procuram RC 9
4. Todos somos irmãos e irmãs RC 8
5. Eucaristia e mesa comum RC 7 e 14
6. Ter um prior eleito e não um abade RC 4
7. Uma caixa comum para todos e de todos RC 12 e 13
8. Encontro de revisão semanal RC 15
9. Todos/as somos co-responsáveis por tudo RC 15, 5, 6
10. Silêncio fraterno RC 21

Para o ano de 2006: Missão Profética


1. Viver em obséquio de Jesus profeta RC 1 e 2
2. Ao redor da Capela de Santa Maria RC 14
3. Comunidade hospedaria do bom samaritano RC 24
4. Esperança de libertação mantida pela fé RC 19
5. Colher inspiração junto à fonte do profeta RC 1
6. Comunidade madura: servir e obedecer RC 22 e 23
7. Jejum e abstinência como gesto profético RC 16 e 17
8. As armas em defesa da vida RC 19
9. Trabalhar para sobreviver e ser solidário RC 20
10. Silêncio profético RC 21
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Roteiro 1

Viver em Obséquio de Jesus Orante


Deus presente no rosto do irmão e da irmã
Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus
Canto inicial
Acolher as pessoas e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Jesus, nosso irmão, ouvimos o teu chamado e te seguimos
R. Ajuda-nos a viver o amor de Deus que nos une em fraternidade
V. A oração constante seja um colírio para os nossos olhos
R. Para que nos revele a presença de Deus no meio de nós
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”
Chave de leitura para o texto da Regra
Neste primeiro encontro vamos meditar o prólogo da Regra que define o objetivo da vida
no Carmelo: “viver em obséquio de Jesus Cristo”. Jesus é o modelo que nos inspira, a
pessoa amada a quem devemos seguir, a presença divina que devemos assimilar e
testemunhar. Vamos escutar atentamente a leitura do texto, tendo a seguinte pergunta na
cabeça: “Como eu entendo e vivo esta parte da Regra?”

Leitura da Regra, números 1, 2 e 3.


Momento de silêncio

Perguntas para ajudar a sair da gruta


1. O presente: Como você entende estas palavras iniciais da Regra? O que faz para
observá-las? Está conseguindo? Qual a maior dificuldade que você encontra na vivência
desta parte da Regra?
2. O passado: Como foi que você descobriu o chamado para “seguir Jesus” no Carmelo?
Como você foi aprofundando este chamado ao longo dos anos da sua vida? Mudou
alguma coisa na sua maneira de perceber e de viver a sua vocação? O que mudou? Por
quê?

2º Momento:
“Levanta-te! O Senhor vai passar!”
Canto ou Mantra: Preparar o coração para a escuta da Palavra de Deus
Chave de leitura para o texto da Bíblia
Vamos escutar dois textos da Bíblia que descrevem as exigências do seguimento de
Jesus. Estes textos nos ajudam a entender melhor como devemos “viver em obséquio de
Jesus Cristo”. Durante a leitura, vamos prestar atenção no seguinte: “Quais as
características do seguimento de Jesus?”

Leitura da Bíblia: Lc 6,12-16 e Mc 15,40-41


Momento de silêncio

Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.


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1. Qual o ponto nestes dois textos de que você mais gostou? O que mais chamou a sua
atenção? Por quê?
2. Quais as características do seguimento de Jesus que descobrimos nos dois textos?
3. Procure encontrar outros textos dos evangelhos ou acontecimentos da vida que
ajudam a entender e a viver melhor o “seguimento de Jesus orante”
4. Qual a ligação que percebemos entre estes dois textos do evangelho e o texto da
Regra que fala da vida em obséquio de Jesus Cristo? Por quê?
3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e da paz
1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 63: O desejo de Deus
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra


“Viver em obséquio de Jesus Cristo”

O rumo que a Regra do Carmo nos propõe é o rumo de todo cristão. Descreve a
maneira como nós, carmelitas, devemos viver em obséquio de Jesus Cristo. A expressão
Viver em obséquio de Jesus Cristo designava o novo tipo de Vida Religiosa que estava
surgindo naquela época. Os empregados das grandes fazendas diziam: "Nós vivemos em
obséquio de fulano de tal, senhor desta terra". Os primeiros carmelitas, como tantos
outros religiosos que tinham feito peregrinação até à Terra Santa, diziam: Nós vivemos em
obséquio de Jesus Cristo, o Senhor desta Terra Santa.
A vida em obséquio de Jesus Cristo tem três aspectos fundamentais:

1. Inspirar-se no exemplo de Jesus:


No tempo de Jesus, quem seguia a um mestre tinha nele um modelo de vida. A convivência
diária do discípulo com o mestre permitia um confronto permanente. Quem seguia a Jesus
tinha nele um modelo a ser reproduzido em sua própria vida (Jo 13,13-15). Isto exige de
nós uma leitura constante e orante dos evangelhos (RC 10) para que possamos conhecer
Jesus, o modelo a ser seguido.

2. Participar do compromisso de Jesus:


No tempo de Jesus, quem seguia a um mestre devia andar com ele em todo canto, mesmo
quando fosse difícil ou exigisse sacrifício. Quem seguia a Jesus devia comprometer-se com
ele e "estar com ele nas tentações" (Lc 22,28), inclusive na perseguição (Jo 15,20; Mt
10,24-25), e na morte (Jo 11,16). Isto exige de nós, aqui na América Latina, um
compromisso sério com aquilo que a Igreja pede de nós, a saber, a opção pelos pobres
(Medellín, Puebla, aparecida), sem medo das conseqüências.
3. Ter a vida de Jesus dentro de si:
Depois da Páscoa, à luz da ressurreição, o seguimento de Jesus adquiriu uma dimensão
mística. É o que diz São Paulo: "Vivo, mas não sou eu, é Cristo que vive em mim" (Gl 2,20).
Ele procura morrer com Cristo a serviço dos irmãos para poder viver com ele na
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Ressurreição (Fil 3,7-12). Isto exige de nós um exercício contínuo da presença de Deus.
Meditar dia e noite na Lei do Senhor (RC 10).

“Servi-lo com coração puro e consciência serena”


1. Coração puro:
"Felizes os puros de coração, porque verão a Deus", disse Jesus (Mt 5,8). A "pureza de
coração" é o ponto de chegada de uma longa caminhada. Ela indica a constância espiritual e
a paz interior. Permite fazer o discernimento dos espíritos, pois faz perceber o que é de
Deus e o que não é de Deus. Ou seja, ela faz ver as coisas não com os olhos do mundo, mas
com os olhos de Deus (Jo 17,11.19). A “pureza do coração” é hoje mais necessária do que
nunca, pois neste nosso mundo da idolatria do mercado, de TV e supermercados, de
propaganda política e movimentos da moda, não é fácil discernir o que é de Deus e o que
não é de Deus. Ela ajuda a ter uma visão mais verdadeira de nós mesmos, da sociedade, da
realidade, e uma consciência mais crítica frente ao sistema neo-liberal que tomou conta de
tudo e se apresenta como sendo a única verdade.

2. Consciência serena
Alguns traduzem reta consciência. Preferimos traduzir consciência serena. Para nós, a
expressão "reta consciência" sugere uma consciência moralmente correta. Sem excluir a
retidão moral, o acento da Regra é outro. É ter uma consciência fundamentada na
humildade, no chão da realidade. É a consciência de quem ultrapassou o seu próprio ego, e
encontrou em Deus a raiz do seu ser, a fonte da sua paz e da sua identidade. "Vivo, sim,
mas já não sou eu. É Cristo que vive em mim!" (Gl 2,20).

2. Chave de leitura para o texto da Bíblia

Os nomes das pessoas


O texto de Lucas (Lc 6,12-16) traz os nomes dos doze apóstolos. Grande parte destes
nomes vem do AT. Tiago é o mesmo que o nome do patriarca Jacó (Gn 25,26). Simeão e Judas
são os nomes de dois filhos de Jacó (Gn 29,33; 35,23). Mateus também tinha o nome de Levi
(Mc 2,14), que foi outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos sete tem nome que vem
do tempo dos patriarcas: duas vezes Simão, duas vezes Tiago, duas vezes Judas, e uma vez
Levi! No texto de Marcos (Mc 15,40-41), temos os nomes de algumas seguidoras de Jesus:
Maria é o nome da irmã de Moisés. Salomé evocava o nome do rei Salomão. Isto revela a
sabedoria e a pedagogia do povo. Através dos nomes dos patriarcas e das matriarcas, dados
aos filhos e às filhas, ele mantinha viva a tradição dos antigos e ajudava seus filhos a não
perder a identidade. Quais os nomes que nós damos hoje para os nossos filhos e filhas?
Preocupamos em dar nomes ligados ao Carmelo?

O ideal do "seguimento de Jesus"


O texto de Marcos (Mc 15,40-41) fala das mulheres que seguem a Jesus, servem a ele
com seus bens e sobem com ele até Jerusalém . Estas três palavras oferecem uma síntese da
vida em obséquio de Jesus Cristo:
* O verbo Seguir descreve o chamado de Jesus e a decisão inicial das discípulas e dos discípulos
de deixar tudo (Mc 1,18) e de correr o risco de ser perseguido (Mc 8,34; 10,28). O ponto de
partida!
* O verbo Servir descreve a atitude permanente da discípula, do discípulo (Mc 3,35; 10,42-
45), como o declarou Jesus na hora de lavar os pés dos discípulos (Jo 13,1-10). O percurso!
* O verbo Subir descreve o compromisso de quem tem a coragem de seguir Jesus. Significa
subir com Jesus até o calvário, onde se vive o mistério da morte e da ressurreição. O
ponto de chegada!

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas


“No dia 02 de agosto de 1942 começa o aprisionamento de milhares de religiosos não
arianos (alemães). Dois oficiais da Gestapo, polícia nazista, tocam a campainha e insistem
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em falar com as irmãs Stein. A superiora imagina que eles venham revisar o visto para que
possam ir para a Suíça, mas, infelizmente, trata-se do pior. Recebem ordem de, dentro de
10 minutos, deixarem o mosteiro. A superiora tenta resistir, mas recebe graves ameaças. E
ainda recebe a ordem: “Limite-se a dar uma manta à Dra Stein, um copo, uma colher e
mantimentos para três dias. Se quiser levar o hábito, que o leve sua irmã também”. Na cela
de Edith, as monjas tratam de animá-la, preparando-lhe as coisas e arrumando alimentos.
Ao chegar à porta, abraçada à irmã, Edith lhe diz: “Vamos, partiremos ao encontro de
nosso povo”. Assim foram transportadas ao campo de concentração, onde morreram em
uma câmara de gás.
(Frei Cláudio van Balen, Edith Stein, 1891-1942,
Curitiba, Editora do Carmo, 2003, pp. 49-50).

Roteiro 2
Meditar dia e noite na Lei do Senhor ...
ruminando os fatos da vida

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolher as pessoas e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Senhor, que a tua lei habite em nós, de dia e de noite
R. E o nosso coração vigie em orações, sem parar.
V. A oração constante seja um colírio para os nossos olhos,
R. E nos revele Deus presente em todos os momentos da vida.
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”

Chave de leitura para o texto da Regra


Neste segundo encontro vamos meditar o texto da Regra que nos convida a meditar dia e
noite na lei do Senhor e vigiar em orações . Este texto sempre foi considerado como o eixo
central da espiritualidade carmelitana. Muitas vezes, porém, este mesmo texto foi
manipulado para isolar-nos da realidade e legitimar nossa ausência da vida do povo.
Leitura da Regra, n. 10

Momento de silêncio
Perguntas para ajudar a sair da gruta
1. Como cada um/a de nós entende este pedido da Regra? O que fazemos para realizá-la?
Está conseguindo? Qual a sua maior dificuldade?
2. Na meditação da Lei do Senhor levamos em conta a realidade da comunidade, do povo
do bairro, do país, da Família Carmelitana? Como fazemos?

2º Momento:
Levanta-te! O senhor vai passar...
Canto ou mantra: preparar o coração para a escuta da Palavra de Deus
Chave de leitura
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 12

Vamos ouvir um pequeno texto da Bíblia que, aparentemente, nada tem a ver com o texto
da Regra. É um texto que mostra o fruto que a meditação constante da Lei do Senhor
alcançou na vida de Jesus. Durante a leitura, fiquemos atentos no seguinte: “Como o texto
nos ajuda a entender melhor o texto da Regra sobre a oração constante?”

Leitura da Bíblia: Lc 13,1-5


Momento de silêncio

Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.


1. Qual o ponto nestes dois textos de que você mais gostou ou que mais chamou a sua
atenção? Por quê?
2. Em que consiste a conversão ou mudança que Jesus pede no primeiro texto de Lucas?
O que, no outro texto, significa interpretar os “sinais dos tempos”?
3. Procure encontrar outros textos da Bíblia ou acontecimetnos da vida que ajudam a
entender melhor o texto da Regra que nos fala da meditação constante da Lei de
Deus.
4. Qual a ligação que você percebe entre estes textos de Lucas e de João com o texto
da Regra? Por quê?

3º Momento:
E anda no longo caminho da Justiça e da Paz
1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 1: Escolher o caminho da justiça
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra

(1) A permanência na cela


A cela é o elemento eremítico constante na tradição carmelitana. No início, tratava-se de
grutas separadas, espalhadas pelas encostas do Monte Carmelo. Mais tarde, depois do
retorno para a Europa em 1.238, a cela era o quarto no convento. A cela oferece o espaço
físico do recolhimento interior que viabiliza à pessoa o encontro consigo, com Deus, com a
Criação e com os outros. A cela é, sobretudo, a "cela interior", para a qual deve ser
recolhida a mente dispersa e que deve ser criada e alimentada em nós.
(2) Meditar na Lei do Senhor e vigiar em orações
Originalmente, a expressão Lei do Senhor indicava o Pentateuco, mas aqui na Regra, indica
a Bíblia toda. Meditar significa ruminar, atualizar, refletir para descobrir o sentido da Lei
do Senhor para nós hoje. Vigiar em orações é estar atento a Deus, com a mente voltada
para Ele. “Meditando na Lei do Senhor”, escutamos o que Deus nos tem a dizer, e “vigiando
em orações”, damos a Ele a nossa resposta. Assim, através deste diálogo, começamos a ver
tudo à luz de Deus.

(3) Dia e Noite


Isto é, sempre. As outras atividades começam e cessam, mas a meditação da Palavra e a
vigília em oração permanecem e reaparecem. Dia e Noite indica também o ritmo da Criação.
O carmelita, a carmelita, é chamada a abrir-se para a ação da Palavra de Deus e deixar que
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 13

sua vida seja marcada pelo ritmo da criação.


(4) A não ser que deva ocupar-se em outros justificados afazeres
Esta ressalva refere-se, não à meditação e à oração, mas sim à permanência nas celas. No
dia 15 de fevereiro de 1432, o papa Eugênio IV explicou o sentido da expressão
justificados afazeres dizendo: “Em horas convenientes, vocês podem, lícita e livremente
permanecer nas suas igrejas, nos seus claustros e âmbitos, e por aí locomover-se”. No
início, os justificados afazeres eram as romarias, o trabalho na roça, tratar dos animais, as
saídas para a evangelização. Hoje, os justificados afazeres que permitem ou obrigam sair
da cela são outros. Cf. S. Vicente.
(5) O objetivo da meditação e da oração
A meditação e a oração fazem com que, dentro de nós, comece a morrer o "velho homem" e
possa renascer o “homem novo”, criado à imagem de Jesus. Elas mudam a visão que temos
das coisas, geram uma nova visão, diferente do pensamento dominante da sociedade,
ajudam a criar alternativas concretas.

Elias e Maria
Elias escondeu-se na torrente Karit (1Rs 17,2-6), não para fugir do mundo, mas para
estar no mundo sem ser do mundo (Jo 17,2-6). O mesmo vale para o carmelita ou a
carmelita que se esconde na cela. Vivendo junto da torrente, a Palavra de Deus se torna a
nossa morada, a nossa cela, na qual devemos permanecer dia e noite. Ruminando e
meditando a Lei do Senhor, a Palavra entra em nós, como a água entra na árvore plantada
junto dos córregos (Sl 1,3; Jr 17,8). O próprio Jesus vai abrindo nossos olhos e nos revela
a sua presença no pobre, no pequeno, no marginalizado

Maria meditava e ruminava todas as coisas no seu coração (Lc 2,19.51) e, assim, ia
descobrindo a presença da Palavra de Deus em tudo que acontecia. Melhor do que qualquer
outro, ela compreendeu que a Lei do Senhor, a Lei suprema, é o amor. Deixando-se invadir
pelo amor, pôde reconhecer, acolher e encarnar a Palavra em sua vida e tornar-se a sua
servidora (Lc 1,38). Ela vigiava em oração para guardar e fazer irradiar o que tinha
descoberto na ruminação.

2. Chave de leitura para a Bíblia


Os fatos acontecem e o povo os interpreta de acordo com a sua cultura e tradição. Em
Angra dos Reis, no dia 8 de dezembro de 2002, o povo fez a procissão da padroeira da
cidade. Durante a procissão, a imagem prendeu no galho de uma árvore e a coroa caiu da
cabeça da santa. Naquela mesma noite de 8 para 9 de dezembro, uma tromba d’água
provocou uma enorme enchente na cidade, derrubou muitos barracos e matou 40 pessoas.
Umas pessoas interpretaram: “Castigo de Deus!” O pároco ajudava o povo a interpretar o
fato de maneira diferente: “Não é castigo de Deus! Não podemos dara culpa a Deus. Pelo
contrário! Não teria havido tantas mortes se tivessem arrumado um lugar melhor e mais
seguro para o pobre morar”.

Lucas 13,1-5
A meditação da lei de Deus ajuda a perceber o apelo de Deus na vida
Um temporal derrubou a torre de Siloé e matou 18 pessoas. Naquela mesma época, Pilatos
prendeu e matou alguns romeiros da Galiléia e misturou o sangue deles com o sangue dos
sacrifícios. Os grandes interpretavam: “Castigo de Deus”. Jesus respondeu: “Eu digo que
não! E se não houver uma conversão, muita gente ainda vai morrer do mesmo jeito”. Eles
não fizeram a conversão que Jesus pediu e, quarenta anos depois, a cidade foi destruída
pelos romanos que mataram muita gente. Jesus tinha uma outra maneira de interpretar os
fatos. Meditando a palavra de Deus ele chegou a ter a visão de Deus sobre os fatos da vida
e procurava comunicar esta visão ao povo do seu tempo. Por isso, entrou em conflito com a
visão oficial dos grandes e foi por eles eliminado.
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 14

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas


1) Santa Teresinha do Menino Jesus chegou a confidenciar a uma das suas irmãs: “Acho que nunca
passei mais de três minutos sem pensar em Deus”

2) "Deus é traiçoeiro! (imprevisível) Ah, uma beleza de traiçoeiro - dá gosto. A força dele,
quando quer - moço! - me dá medo e pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na
lei do mansinho - assim é o milagre. E Deus ataca bonito, se divertindo, se economiza. A
pois: um dia, num curtume, a faquinha minha que eu tinha caiu dentro de um tanque, só
caldo de casca de curtir, barbatimão, angico, lá sei. - "Amanhã eu tiro..." - falei, comigo.
Por que era de noite, luz nenhuma eu não disputava. Ah, então saiba: no outro dia, cedo, a
faca, o ferro dela, estava sido roído, quase por metade, por aquela agüinha escura, toda
quieta. Deixei, para mais ver. Estala, espolêta! Sabe o que foi? Pois, nessa mesma da tarde,
aí: da faquinha só se achava o cabo... O cabo - por não ser de frio metal, mas de chifre de
galheiro. Aí está: Deus... Bem, o senhor ouviu, o que ouviu sabe, o que sabe me entende...!
João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas,
VIII Edição, Ed. José Olímpio, RJ, 1972, p.21

Roteiro 3
Rezar os Salmos, Rezar a Vida ...
O lado orante da história do Povo de Deus

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolher as pessoas e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Jesus, ensina-nos a rezar,
R. Como ensinaste aos teus discípulos.
V. Que a nossa oração suba até à tua presença,
R. E alcance para todos a Justiça e a Paz!
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”
Chave de leitura para o texto da Regra
No encontro anterior, refletimos sobre a oração individual a ser feita na cela. Neste
encontro, veremos como a recomendação de “ meditar dia e noite na Lei do Senhor e vigiar
em orações” recebe a sua expressão comunitária no Ofício Divino. Para os que não
conseguem acompanhar o Ofício Divino, a Regra recomenda a oração do Pai-Nosso. Neste
encontro, vamos olhar de perto o sentido do Ofício Divino com os seus salmos. No próximo
encontro veremos de perto a oração do Pai-Nosso.
Leitura da Regra, n. 11

Momento de silêncio
Perguntas para ajudar a sair da gruta
1. Como entendemos esta norma da nossa Regra? O que fazemos para realizá-la? Você
gosta dos salmos? Sente dificuldade? Quais?
2. O salmo mais rezado pelos povos da América Latina é a Ave Maria. Você conhece
outros salmos que o povo reza e canta? Quais?
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 15

2º Momento:
“Levanta-te! O Senhor vai passar!”
Canto ou Mantra: Preparar o coração para escutar a Palavra de Deus
Chave de leitura para o texto da Bíblia
Vamos escutar dois pequenos textos da Bíblia nos quais Jesus aparece rezando os salmos.
São textos que ajudam a entender melhor a recomendação insistente da Regra para rezar
os salmos. Durante a leitura, prestemos atenção naquilo há de comum entre os três textos.
Leitura da Bíblia: Mc 15,34 e Lc 23,46

Momento de silêncio
Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.
1. Qual o ponto nestes dois textos de que você mais gostou o que mais chamou a sua
atenção? Por quê?
2. Quais os salmos que Jesus rezou?
3. Qual a imagem de Jesus que estes dois textos nos comunicam?
4. Procure encontrar outros textos da Bíblia ou acontecimento da vida, em que Jesus ou
outras pessoas aparecem rezando os salmos.
5. Como tudo isso nos ajuda a entender melhor a recomendação da Regra que nos pede
para rezar os salmos? Por quê?

3º Momento:
E anda no longo caminho da Justiça e da Paz
1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 27: A coragem que a fé comunica
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra.

A estrutura básica do Ofício Divino é muito simples. É um diálogo. Nas leituras


escutamos o que Deus nos diz, e nos salmos damos a nossa resposta orante, e isto, sete
vezes por dia: Matinas, Laudes, Hora Primeira (Prima), Hora Terceira (Tertia), Hora
Sexta, Hora Nona e Vésperas com o seu Completório. A origem destes sete momentos é o
Salmo 119,164 que diz: "Sete vezes por dia eu te louvo". O louvor matinal ( Laudes) e a ação
de graças no fim do dia (Vésperas) são as duas colunas que sustentam o fio da oração ao
longo do dia.
Bem no início, lá no Monte Carmelo, muito provavelmente, era assim: ao toque de um
sino, cada frade parava suas atividades e fazia a oração do Ofício na sua própria cela. Cada
um sabia: neste momento em que eu estou rezando, estamos todos unidos em oração diante
de Deus. Naqueles mesmos sete momentos do dia, em todos os mosteiros e conventos do
mundo inteiro, todos paravam para rezar. Deste modo, os primeiros carmelitas se uniam à
oração universal do povo de Deus.
A vigília noturna, o louvor matinal, as horas do dia, a prece vespertina e a oração da
noite criam um ritmo que envolve as horas do dia e da noite. É o ritmo da criação, que
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 16

existe no nosso corpo e na criação. Rezando o Ofício, entramos neste ritmo, e o ritmo da
criação entra em nós. É um ritmo antigo, que vem desde os tempos de Jesus. Durante os
33 anos, sua vida era marcada pelo ritmo diário da oração em casa: de manhã, ao meio dia e
à noite; pelo ritmo semanal da oração do sábado na comunidade, na sinagoga; pelo ritmo
anual da celebração das grandes festas judaicas. O que importa é entrar neste ritmo
orante que abrange as horas do dia, as semanas, os meses, os anos. A forma das orações é
relativa. Pode ser o Ofício Divino, pode ser a reza do Pai-Nosso. O que importa é cada
comunidade ou família ter os seus momentos de oração comunitária. Importante é manter
sobretudo os dois momentos principais: de manhã, para o louvor da aurora; à tarde, para o
louvor do fim do dia

Pois a oração não é só um meio para alcançar um fim, ela também vale por si mesma.
É tarefa específica dos apóstolos dedicar-se à Palavra e à Oração (At 6,2-4). A oração é
um ato de louvor ao Criador. Nela reconhecemos a Deus como Senhor supremo do tempo e
a Ele nos doamos em total gratuidade. Ela é a respiração mais profunda do nosso ser.

Rezando o Ofício Divino ou os Pai-Nosso, nós nos unimos à Igreja, não na sua
organização, mas na sua oração: à oração humilde dos pobres da América Latina; à oração
silenciosa e suplicante dos doentes abandonados; à oração angustiada dos sem-terra e
sem-teto, dos estrangeiros, dos presos, dos desempregados; à oração esperançosa dos
romeiros que acendem uma vela em Aparecida do Norte ou em Juazeiro do Norte; à oração
do pobre que não tem ninguém que escuta o seu grito; à oração dos que buscam sem saber
em que direção devem procurar; à oração dos que rezam sem saber que estão rezando! A
oração com a igreja nos tira de nós mesmos, do nosso pequeno mundo, e nos abre para o
mundo dos outros, dos sofredores, dos pobres.

2. Chave de leitura para o texto da Bíblia

Jesus usa os Salmos para dirigir-se ao Pai


Além da reza diária dos salmos em casa na família e da sua recitação semanal na
comunidade, Jesus aparece rezando os salmos, sobretudo nos momentos difíceis do
sofrimento, no Horto e na Cruz. No Horto, ele usa a palavra do salmo para desabafar
“Minha alma está triste” (Mc 14,34; Sl 31,9-10; 42,5-6). Na cruz, Jesus reza dois salmos:
“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?” (Mc 15,34; Sl 22,1) e “Em tuas mãos
entrego o meu espírito” (Lc 23,46; Sl 31,6).
Jesus usa os salmos para ensinar o povo
“Felizes os mansos, porque herdarão a terra” (Mt 5,4; Sl 37,11)
“Felizes os que choram porque serão consolados” (Mt 5,5; Sl 126,5)
“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8; Sl 24,3-4).
O Pai que vê em segredo, escuta a prece feita em segredo (Mt 6,4; Sl 139,2-3).
O abandono à providência divina (Mt 6,25-34; Sal 127)
A parábola da vinha (Mc 12,1; Sl 80,9-19).
“Eu sou o bom pastor” (Jo 10,11; Sl 23)
Jesus usa os salmos para refutar e criticar os adversários
Nas discussões com os fariseus e escribas, Jesus responde com frases tiradas do livro dos
Salmos: “Da boca dos pequeninos e das criancinhas preparaste um louvor para ti” (Mt
21,16; Sl 8,3 LXX). “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”
(Mt 21,42; Sl 118,23). “O Senhor disse ao meu Senhor: senta-te à minha direita” (Mt
22,44; Sl 110,1). “Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poderoso” (Mc 14,62; Sl
110,1)

Assim, há muitas outras evocações de salmos espalhadas pelas frases e ensinamentos de


Jesus. Algumas provêm do próprio Jesus, outras, muito provavelmente, das comunidades
que usavam as frases conhecidas dos salmos para transmitir os ensinamentos de Jesus.

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas


Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 17

Irmã Maria de Lourdes, carmelita descalça do mosteiro de Itaguaí, RJ, tinha uma dor
permanente na coluna. Há anos, sofria dores insuportáveis. Um dia, de manhã, na hora de
levar a comunhão para ela, perguntei: “Irmã Maria de Lourdes, como vai? Está doendo
muito?” Ela respondeu: “Estou bem! Obrigada. Como Davi nos salmos, eu também já convidei
as gotas das ondas do mar que se quebram nas rochas da praia, para comigo louvar a Deus!”

Roteiro 4
A oração do Pai Nosso ...
Cartilha orante da nossa missão

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolher as pessoas e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Jesus, tu que nos ensinaste a oração do Pai Nosso
R. Ajuda-nos a viver em fraternidade!
V. Que a oração dita pelos lábios
R. Se transforme em testemunho de vida.
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”

Chave de leitura para o texto da Regra


Neste quarto encontro vamos meditar o texto da Regra que insiste na oração do Pai Nosso.
Nos dias da semana, o Pai Nosso devia ser rezado 75 vezes. Nos domingos e dias de festa,
100 vezes.

Leitura da Regra número 11


Momento de silêncio

Perguntas para ajudar a sair da gruta


1. Como entendemos esta norma da Regra que pede repetir tantas vezes a mesma oração
do Pai Nosso? O que fazemos para realizá-la? Quais as dificuldades que sente?
2. Como é a sua vida de oração? Você gosta da oração do Pai-Nosso?

2º Momento:
Levanta-te! O senhor vai passar...

Canto ou mantra: preparar o coração para a escuta da palavra de Deus


Chave de leitura para o texto da Bíblia
Vamos escutar os dois textos da Bíblia em que Jesus ensina o Pai Nosso. No texto de
Lucas, Jesus aparece como modelo de oração e ensina o Pai Nosso em resposta a um pedido
dos discípulos. O texto de Mateus traz uma versão mais comprida do Pai Nosso como parte
do Sermão da Montanha. Durante a leitura, vamos prestar atenção no seguinte: “Quais os
vários pedidos da oração do Pai Nosso?”
Leitura da Bíblia: Lc 11,1-4 e Mt 6,9-13

Momento de silêncio
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 18

Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.


1. Qual o ponto nestes dois textos de que você mais gostou ou que mais chamou a sua
atenção? Por que?
2. Como você explica as diferenças entre as duas versões do Pai Nosso em Mateus e em
Lucas?
3. O Pai Nosso é um resumo orante de todo o ensino de Jesus. É uma espécie de cartilha
da nossa missão, que tem sete pontos ou sete pedidos. Quais são estes sete pedidos?
Quais as implicações de cada um destes pedidos para a nossa vida?
4. Procure encontrar outros textos do Novo Testamento que ajudam a entender melhor o
Pai-Nosso.
5. Como estes textos da Bíblia ajudam a entender melhor o texto da Regra que insiste
tanto na reza do Pai Nosso?

3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e paz

1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 73: A fé dos irmãos e das irmãs nos sustenta na hora da crise e das dificuldades
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra

A Regra foi escrita em 1207 e foi aprovada em 1247. O texto de Alberto de 1207
dizia: “Os que conhecem as letras e sabem ler os salmos, devem recitá-los, nas várias
horas, conforme estabeleceram os Santos Padres e segundo o costume aprovado da
Igreja. Os que não conhecem as letras” devem dizer um determinado número de Pai Nosso.
Alberto fazia a distinção entre os que sabem ler e os que não sabem ler. O texto de
1247, corrigido e aprovado pelo Papa Inocêncio IV, diz: “Os que sabem dizer as horas
canônicas com os clérigos devem recitá-las conforme estabeleceram os Santos Padres e
segundo o costume aprovado da Igreja. Os que não sabem recitá-las,” devem dizer um
determinado número de Pai Nosso. Aqui, a distinção já não é entre os que sabem ler e os
que não sabem ler, mas entre os que sabem dizer o ofício com os clérigos e os que não o
sabem.

Isto significa que, bem no início, na época de Alberto, lá no Monte Carmelo, os


primeiros carmelitas, na sua maioria, não eram clérigos, mas leigos, dos quais alguns sabiam
ler e outros não. O “Breviário” destes era a oração do Pai Nosso. Mais tarde, no texto
aprovado por Inocêncio IV, "saber ler" tornou-se sinônimo de "clérigo", e "não saber ler"
torna-se sinônimo de "não clérigo". O motivo desta mudança, hoje às vezes lamentada, era
para tornar a Ordem mais apta para a nova situação da igreja naquela sociedade em
mudança. Ao longo dos séculos, isto levou à infeliz distinção entre sacerdotes e irmãos
leigos. Hoje em dia, a situação de mudança em que nós nos encontramos, exige que
voltemos ao espírito original da Regra, dando direitos iguais a todos.

2. Chave de leitura para o texto da Bíblia


A Regra privilegia a oração do Pai-Nosso. Por isso, vale a pena dar um pouco de
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 19

atenção a este salmo de Jesus. Segue aqui um breve comentário

Introdução: Pai Nosso que estás no céu! * De maneira didática, Jesus resume todo o
1º pedido Santificação do Nome seu ensinamento em sete pedidos dirigi-
2º pedido Vinda do Reino dos ao Pai.
3º pedido Realização da Vontade * Nestes sete pedidos, ele retoma as gran-
4º pedido Pão de cada dia des promessas do Antigo Testamento e
5º pedido Perdão das dívidas pede que o Pai nos ajude a realizá-las.
6º pedido Não cair nas Tentações * Os primeiros três dizem respeito ao rela-
7º pedido Libertação do Maligno cionamento nosso com Deus. Os outros
Conclusão: Amém! Assim seja! Apoiado! quatro dizem respeito ao relacionamento
entre nós.

* Pai Nosso.
O novo relacionamento com Deus como Pai é o fundamento da fraternidade (Nosso Pai),
cuja origem é a experiência que Jesus teve de Deus como Pai.
1. Santificar o Nome:
O nome é a revelação da pessoa. Santificar o nome é respeitar profundamente a pessoa. O
nome de Deus é JAVÉ. Significa Estou com você! Deus conosco. Neste NOME Deus se dá a
conhecer (Ex 3,11-15). Este Nome é santificado quando usado conforme o seu verdadeiro
objetivo, isto é, não para a opressão, mas sim para a libertação do povo e para a
construção do Reino.
2. Vinda do Reino:
O único Dono e Rei da vida humana é Deus (Is 45,21; 46,9). A vinda do Reino é a realização
de todas as esperanças e promessas. É a vida plena, a superação das frustrações sofridas
com os reis e os governos humanos. Este Reino acontecerá, quando a vontade de Deus for
plenamente realizada.
3. Fazer a Vontade:
A vontade de Deus se expressa na sua Palavra. “Seja feita a tua vontade assim na terra
como no céu”. No céu, o sol e as estrelas obedecem às leis de suas órbitas e criam, assim, a
beleza da ordem do universo (Is 48,12-13). Da mesma maneira, a observância da lei de
Deus será fonte de ordem e de bem-estar para a vida humana.
4. Pão de cada dia:
No êxodo, cada dia, o povo recebia o maná no deserto (Ex 16,35). A Providên cia Divina
passava pela organização fraterna, pela partilha. Jesus nos convida para realizar um novo
êxodo, uma nova maneira de convivência fraterna que garante o pão para todos e não
permite acumulação (Mt 6,34-44; Jo 6,48-51).
5. Perdão das dívidas:
Cada 50 anos, o Ano Jubilar obrigava todos a perdoar as dívidas. Era um novo começo (Lev
25,8-55). Jesus anuncia um novo Ano Jubilar, "um ano da graça da parte do Senhor" (Lc
4,19). O Evangelho quer recomeçar tudo de novo! Hoje, nossa dívida externa não é
perdoada pelos países que se dizem cristãos!
6. Não cair na Tentação:
No êxodo, o povo foi tentado e caiu (Dt 9,6-12). Murmurou e quis voltar atrás (Ex 16,3;
17,3). No novo êxodo, a tentação será superada pela força que o povo recebe de Deus
(1Cor 10,12-13).
7. Libertação do Mal:
O Mal é o Satanás. Satanás é o adversário, é tudo aquilo que afasta de Deus. Assim, Pedro
chegou a ser satanás para Jesus, pois tentou desviá-lo do projeto de Deus (Mt 16,23). O
mal tentou Jesus no deserto, mas Jesus o venceu (Mt 4,1-11). Por isso, Ele nos diz:
"Coragem! Eu venci o mundo!" (Jo 16,33)
* Amém: Aprova os pedidos e diz estar de acordo com este programa.
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 20

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas


Eu gostava do Deus do meu tio que não pisava na igreja
“Fui criado na religião católica. Hoje não participo mais. Meus pais eram muito praticantes e queriam
que nós, os filhos, fôssemos como eles. A gente era obrigada a ir à igreja sempre, todos os domingos
e festas. E quando não ia, eles diziam: "Deus castiga!” Eu ia a contragosto, e quando fiquei adulto,
deixei de ir. Fui deixando aos poucos. Eu não gostava do Deus dos meus pais. Não conseguia entender
como Deus, criador do mundo, ficava em cima de mim, menino da roça, ameaçando com castigo e
inferno. Eu gostava mais do Deus do meu tio que não pisava na igreja mas que, todos os dias, sem
falta, comprava o dobro de pão, de que ele mesmo precisava, para dar pr´os pobres!"

Roteiro 5
A celebração diária da eucaristia ...
Manter viva e atuante a memória de Jesus
Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus
Canto inicial
Acolher as pessoas e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração,
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Que a participação no corpo e sangue de Jesus
R. Faça crescer entre nós a fraternidade.
V. Que a memória da morte e ressurreição de Jesus
R. Nos leve a uma doação cada vez maior da nossa vida.
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”

Chave de leitura para o texto da Regra


Neste quinto encontro vamos meditar como a Regra recomenda que no meio das celas, isto
é, no centro do mosteiro, seja construído um oratório aonde, diariamente, os irmãos devem
reunir-se para celebrar a eucaristia.

Leitura da Regra: número 14


Momento de silêncio

Perguntas para ajudar a sair da gruta


1. Como entendemos esta norma da nossa Regra sobre a Eucaristia? O que fazemos para
realizá-la? Sente dificuldade? Quais?
2. O que significa a Eucaristia para você: receber a hóstia ou colocar presente no meio
de nós a entrega que Jesus fez de si mesmo pelos irmãos? Você leva uma vida
eucarística mesmo quando não tem a oportunidade da eucaristia diária? De que
maneira?
2º Momento:
“Levanta-te! O Senhor vai passar!”.
Canto ou Mantra: preparar o coração para escutar o Senhor que vai passar

Chave de leitura para o texto da Bíblia


Vamos escutar dois textos da Bíblia, combinados entre si, um de Marcos e outro de João.
Eles ajudam a entender melhor o significado da eucaristia na nossa vida pessoal e na vida
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 21

da comunidade. Durante a leitura, vamos prestar atenção naquilo que há de comum entre os
dois e naquilo que mais chama a nossa atenção.

Leitura de Mc 14,22-26 e Jo 13,12-16


Momento de silêncio

Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.


1. Qual o ponto nestes dois textos de que você mais gostou ou que mais chamou a sua
atenção? Por que?
2. A eucaristia é a expressão do amor de Jesus, amor tão grande que ultrapassa a
traição, a negação e a fuga dos discípulos. Como e onde você percebe isto no texto e
no contexto?
3. O texto de João não descreve a eucaristia, mas descreve olava-pés. Por que será?
4. Procure encontrar outros textos do Novo Testamento que ajudam a entender melhor o
significado da Eucaristia, tão recomendada pela Regra.
5. Como estes textos ajudam a entender melhor o texto da Regra que pede de nós a
participação na eucaristia?

3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e paz

1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 92: A proteção de Deus garante a nossa segurança na caminhada
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os Horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra sobre a Eucaristia


O patriarca Alberto pede que o Oratório seja construído no meio das celas dos
frades. Muito provavelmente, já existia uma pequena capela no lugar onde moravam os
carmelitas, pois os peregrinos da época mencionam a sua existência e informam que ela era
dedicada à Santa Maria do Monte Carmelo. Mas Alberto escreve a Regra não só para
aquele primeiro grupo, mas para todas as comunidades carmelitanas que viriam depois,
também para nós. Cada nova comunidade deve ter um oratório ou uma capela num lugar
central, onde os membros da comunidade devem reunir-se, todos os dias, ao redor da
eucaristia.
1. Devem construir uma capela.
A construção do templo material é símbolo da construção do templo espiritual, isto é,
da comunidade feita de pedras vivas, que somos nós. A manutenção da capela material
recorda a obrigação da construção espiritual.
2. No meio das celas.
No centro do Carmelo está a casa de Deus. Deus é o eixo da vida, para onde tudo
converge. Ele é o lugar dos encontros comunitários: missa, ofício divino, revisão
semanal. "Nele vivemos, nos movemos e existimos" (At 17,28). O oratório no meio das
celas é a pedra central que dá firmeza e consistência às outras pedras dos oratórios
pessoais de cada frade. A capela no meio das celas evocava também a presença de
Maria no meio dos Apóstolos (At 1,14).
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 22

3. Onde devem reunir-se.


Os frades devem sair de si mesmos para o meio das celas a fim de encontrar-se com
Deus e com os outros. Vida mística não pode levar as pessoas a se concentrar em si
mesmas, mas deve levá-las a abrir-se para os outros.
4. Todos os dias.
A construção do templo espiritual é uma tarefa permanente que deve ser reassumida
todos os dias. Trata-se de um processo que deve ser recomeçado sempre: ser
fraternidade orante e profética no meio do povo.
5. De manhã.
Após o sono restaurador da noite, quando, de manhã, Deus nos devolve a nós mesmos, o
primeiro ato do dia é agradecer a Deus ( eucaristein) pela vida que renasce. O Servo de
Javé, todo dia de manhã, procura escutar o que Deus lhe tem a dizer (Is 50,4).
6. Para assistir à solenidade da Missa.
No centro de tudo está a eucaristia, a presença viva de Jesus que nos conduz ao Pai.
"Ele está no meio de nós!" A Regra diz: assistir à solenidade da Missa. Hoje, depois do
Concílio Vaticano II, preferimos dizer: “participar da celebração eucarística”.
7. Se não for demasiadamente incômodo.
O rito é relativo. O que importa é a realidade por ele representada e celebrada. O rito
não pode ocupar o centro. No centro está a memória da paixão, morte e ressurreição
de Jesus. Quando a observância da letra se torna mais importante que o objetivo da
mesma, a letra já matou o espírito!

2. Chave de leitura para o texto da Bíblia


A eucaristia tem a sua origem na celebração da Páscoa. A Páscoa era a festa principal
dos judeus. Nela se comemorava a libertação do Egito, que está na origem do povo de Deus.
Mais do que só uma festa ou mera lembrança, a Páscoa era uma porta que se abria, cada
ano de novo, para que cada geração, cada pessoa, pudesse ter acesso àquela mesma origem
que, no passado, havia gerado o povo. Através da celebração da Páscoa, cada geração, cada
pessoa, bebia da mesma fonte e experimentava na sua vida o mesmo que a primeira
geração, no longínquo passado, havia experimentado ao ser libertado da escravidão do
Egito. A celebração da Páscoa era como um renascimento anual. Eles procuravam viver em
estado permanente de êxodo!
Foi com esta intenção que Jesus, na véspera da sua morte, se reuniu com os discípulos e
discípulas para celebrar a Páscoa. Foi o seu último encontro com eles. Por isso, o chamamos
de “Ultima Ceia” (Mc 14, 22-26; Mt 26, 26-29; Lc 22,14-20). A celebração da Páscoa era
feita de tal maneira que os participantes pudessem percorrer o mesmo caminho que foi
percorrido pelo povo ao ser libertado do Egito. Para que isto pudesse acontecer, a
celebração se realizava com muitos símbolos: ervas amargas, cordeiro mal assado, pão sem
fermento, cálice de vinho, e outros. Durante a celebração, o filho mais novo devia
perguntar ao pai: “Pai, por que esta noite é diferente das outras noites? Por que comemos
ervas amargas? Por que o cordeiro está mal assado? Por que o pão não está fermentado?” E
o pai respondia, narrando com liberdade os fatos do passado: “As ervas amargas nos
permitem experimentar a dureza e a amargura da escravidão. O cordeiro mal assado evoca
a rapidez da ação divina libertando o povo. O pão sem fermento traz presente a
necessidade de renovação e de conversão constantes. Lembra também a falta de tempo
para preparar tudo, tal era a rapidez da ação divina”.

Esta maneira de celebrar a Páscoa, presidida pelo pai de família, dava liberdade e
creatividade ao presidente na maneira de conduzir a celebração. Jesus, aproveitando
desta liberdade, deu um novo significado aos símbolos do pão e do vinho, dizendo: “Tomem
e comam, pois isto é o meu corpo! Tomem e bebam, pois isto é o meu sangue da nova
aliança, derramado em favor de muitos”. Eucaristia é celebrar a memória de Jesus, é ter
acesso àquele mesmo gesto de doação pelo qual entregou sua vida, para que nós
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 23

pudéssemos viver em Deus e ter acesso ao Pai. Aqui está o sentido profundo da eucaristia:
colocar presente no meio de nós e experimentar na própria vida o gesto de amor de Jesus
(Jo 13,1-2).
A Páscoa dos judeus, tal como era feito no tempo de Jesus, tem muitos aspectos que
ajudam na compreensão da eucaristia. Eis alguns destes aspectos:
* Tomar consciência das opressões
* Recordar a libertação da opressão
* Experimentar a grandeza do poder libertador de Deus
* Celebrar a Aliança e reassumir o compromisso com o projeto de Deus
* Agradecer as maravilhas de Deus por nós
* Reanimar a fé, a esperança e o amor
* Lembrar o já feito e esperar o ainda não feito
* Recriar em nós a mesma doação que Jesus fez da sua vida
* Viver a paixão, morte e ressurreição: o mistério permanente da vida
* Realizar a comunhão na doação, força geradora da fraternidade
* Partilhar os bens e evitar a acumulação
* Dar louvores ao Pai de todos os dons

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas

Beato Frei Tito Brandsma e seu grande amor à Eucaristia:


Frei Tito, feito prisioneiro do regime nazista, quando estava sendo conduzido ao campo
de concentração em Dachau, Alemanha, passou pela prisão de Kleve e, nesta, permaneceu do dia
16/05/1942 ao dia 13/06/1942. Desse período temos o fascinante depoimento do capelão do
cárcere, chamado Deimel: “O primeiro desejo por ele expresso na prisão foi o de celebrar a
missa: infelizmente não foi concedido, em virtude dos regulamentos da casa. Deste modo,
aproveitava com maior boa vontade de toda ocasião que se lhe oferecesse para receber a
comunhão”.

Levado, enfim, para Dachau, lá mantém o mesmo desejo. “Dois sacerdotes alemães do
campo têm a possibilidade de celebrar a Missa e conseguem, com perigosa sagacidade e às
escondidas, fazer chegar a Pe. Tito a Hóstia Consagrada”. Segundo depoimento de Rafael
Tijhuis, frade carmelita, que estava preso junto com Frei Tito em Dachau, isso era feito “sempre
às escondidas, porque o chefe do bloco e o chefe da camarata não suportavam Tito”.
Frei Tito costumava guardar a Hóstia dento do estojo dos óculos. “Certa noite, ao entrar
no dormitório, após as rígidas inspeções, Tito Brandsma foi grosseiramente insultado e
maltratado pelo chefe da camarata. ‘Deu-lhe uma cacetada que o fez cair por terra. Seu furor
não conhecia limites, espancou-o e o pisou por todas as partes do corpo... No final, Tito entrou no
dormitório, e eu – continua ainda irmão Rafael – o sustentei e o conduzi ao leito, perguntando-lhe
se sentia muita dor. Ele me olhou e sussurrou: ‘Ah, irmão, eu sabia Quem estava comigo’, e
indicava o estojo dos óculos apertado sob a axila esquerda’.

Como tantas outras vezes, Tito conseguira ter e conservar a Hóstia Consagrada.
‘Enquanto eu ainda estava perde dele, acrescentou: ‘Venha, vamos rezar... Eu queria pôr-me de
joelhos, mas ele não permitiu. Sussurrando, adorávamos o Deus escondido: o grande e paciente
prisioneiro no Santíssimo Sacramento, como o chamava muitas vezes Pe. Tito. Depois, deu-me a
bênção do Santíssimo com o estojo dos óculos e fomos para a cama. Pela manhã, ao levantar,
perguntei-lhe se havida dormido bem. – Estou acordado desde as duas – respondeu-me – mas sou
um afortunado por ter podido velar junto com Nosso Senhor’ ”.
(CIRAVEGNA, G. Tito Brandsma: o mártir da liberdade. S.Paulo, Paulinas, 1992, Pp. 69-85).

Roteiro 6

Proteger o peito com pensamentos santos ...


Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 24

para não ser seduzido pela ideologia dominante

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolhida e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estaremos aqui reunidos em oração,
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Envia-nos, Senhor, o teu santo Espírito,
R. Para que crie em nós os sentimentos de Jesus.
V. Que a meditação constante dos livros santos
R. Produza em nós pensamentos santos
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”

Chave de leitura para o texto da Regra


Neste sexto encontro vamos meditar o texto da Regra que recomenda revestir a armadura
de Deus. Uma das armas recomendadas é a proteção do peito por meio de pensamentos
santos. Naquele tempo, diziam: “Pensamento santo nasce da leitura do livro santo!” O livro
santo é a Bíblia. Durante a leitura do texto da Regra, vamos prestar atenção no seguinte:
“Quais os motivos que a Regra invoca para recomendar a armadura de Deus e a Leitura do
Livro Santo?”
Leitura da Regra: número 18 e o início do número 19

Momento de silêncio
Perguntas para ajudar a sair da gruta
1. Como entendemos esta norma da nossa Regra a respeito do pensamento santo? O que
fazemos para realizá-la? Sente alguma dificuldade? Qual?
2. Para você, o que vem a ser “pensamento santo”? De onde vem a maior parte dos
pensamentos que povoam as nossas cabeças? Como podemos ter influência sobre os
nossos pensamentos e fantasias?
3. No número 18, a Regra dá três motivos que devem levar-nos a assumir a luta e buscar
as armas para poder assumir a luta espiritual. Quais são os motivos? Como este
motivos se apresentam a nós hoje, aqu na América Latina?

2º Momento:
“Levanta-te! O Senhor vai passar!”

Canto ou Mantra: preparar o coração para escutar a Palavra de Deus


Chave de leitura para o texto da Bíblia
Vamos escutar um trecho da carta de Paulo aos Filipenses, no qual ele aponta um caminho
para a gente ter pensamentos santos, a saber, aprendendo com Jesus.

Leitura de Filip 2,5-11


Momento de silêncio

Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.


1. Qual o ponto neste texto de que você mais gostou ou que mais chamou a sua atenção?
Por que?
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 25

2. Quais são os sentimentos de Jesus expressos neste cântico? Qual a experiência de


Deus e da vida que geraram estes sentimentos em Jesus?
3. Como fazer para assimilar em nós esta mesma experiência de Deus e da vida?
4. Procure encontrar outros textos da Bíblia ou acontecimentos da vida que ajudam a
entender melhor a recomendação de proteger o peito com pensamentos santos?
3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e paz
1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 82: O sentimento da justiça
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os Horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra


São três os motivos invocados pelo número 18 da Regra para revestir-nos com a armadura
de Deus: tentação, perseguição, assalto! É um crescendo. A tentação se transforma em
perseguição, a perseguição em assalto! Ou seja, quem leva a sério o seu compromisso com o
evangelho, terá dificuldades. Por isso, deve revestir-se com a armadura de Deus. Em
seguida, no número 19, a Regra descreve a armadura de Deus. As duas primeiras armas são
o cinto e o colete. Elas dizem respeito à primeira fase da luta que visa a purificação dos
sentimentos e dos pensamentos.:
Cinto de castidade nos rins (Ef 6,14).
Os rins sugerem os sentimentos mais profundos e mais íntimos. Proteger os rins é para a
gente não virar joguete de tendências e estímulos contraditórios que surgem dentro de
nós. O cinto de castidade visa a purificação e o controle dos sentimentos. Ajuda a adquirir
um auto-domínio e um equilíbrio interior. A espiritualidade carmelitana fala da Noite
Escura dos sentidos, pela qual devemos passar para chegar à intimidade com Deus e, assim,
contribuir para a construção do Reino
Colete do pensamento santo para o peito (Prov 2,11)
O peito indica o centro dos ansêios e das idéias. O pensamento santo, que protege o peito,
é a Lectio Divina, a Leitura Orante da Bíblia. O colete do pensamento santo ajuda a
enfrentar a realidade dura da tentação, da perseguição e do assalto e nos leva a buscar na
leitura orante da Bíblia o meio privilegiado para adquirir uma visão mais crítica a respeito
de tudo que acontece no mundo, e não seguir qualquer vento de novidade.

2. Chave de leitura para o texto da Bíblia

Foram só três anos que Jesus andou pela Galiléia anunciando a chegada do Reino. Três
anos é muito pouco tempo. Foi como um raio que, por uma fracção de segundo, iluminou a
vida para, em seguida, deixá-la novamente envolta em trevas. Mas o clarão repentino
mostrou um caminho! E os discípulos de Jesus procuravam no AT palavras ou comparações
para verbalizar a novidade da vitória sobre a morte que tinham experimentado convivendo
com Jesus.
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 26

Uma das expressões mais antigas, usadas pelo NT para expressar o significado de
Jesus para a vida das comunidades, é aquela do resgate (goêl). No AT, caso alguém, por
motivo de pobreza ou de dívidas, perdesse a terra ou fosse vendido como escravo, o
parente mais próximo (goêl) devia dar tudo de si para resgatá-lo (Lev 25 e Dt 15). Para os
primeiros cristãos, Jesus era o parente mais próximo, o irmão mais velho, que deu tudo de
si, humilhou-se e esvaziou-se, para resgatar seus irmãos e suas irmãs, vítimas da
escravidão da lei, do racismo, da ideologia do império e da religião opressora. Paulo dizia:
“Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Ele se fez escravo para nos enriquecer com
a sua pobreza (2Cor 8,9), para que nós pudéssemos recuperar a liberdade e retomar a vida
em fraternidade.

As primeiras comunidades souberam expressar esta experiência no cântico que Paulo


conservou na carta aos Filipenses para ajudá-los a alimentar em si “os mesmos sentimentos
que animaram a Jesus”. (Fil 2,5). Este cântico descreve o processo da encarnação do Verbo
(Jo 1,14) que começou com o Sim de Maria (Lc 1,38) e terminou com o último Sim de Jesus
na hora da morte: "Tudo está realizado" (Jo 19,30). Segue uma tradução livre do cântico:
Jesus, mesmo sendo igual a Deus,
Não se agarrou a esta sua condição divina.
Mas esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo,
A condição de um ser humano, igual a nós.
E como se isto não bastasse,
Humilhou-se a si mesmo e foi obediente,
Obediente até à morte, e morte de Cruz.
Por isso, Deus o exaltou e lhe deu um nome,
O mesmo nome de Jahweh, Deus libertador,
Para que ao nome de Jesus todos dobrem o joelho,
No céu, na terra e no inferno, louvem a Deus Pai por sua bondade
E confessem: Jesus é Jahweh, Deus Libertador! (Fil 2,7-9)

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas


“Jesus te castiga e te manda para o inferno!”
Todos nós, querendo ou não, através do nosso jeito de viver e de falar, comunicamos uma imagem de
Deus Pai e de Jesus. Eis um fato para exemplificar esta afirmação. Era Semana Santa. Na TV
passava o filme da vida de Jesus. O menino estava assistindo, muito atento. Chegou o momento de
Jesus ser julgado pelo tribunal romano. Pilatos estava indeciso: condena ou não condena. O menino
ficava cada vez mais atento. Ligado mesmo! Quando, finalmente, Pilatos decretou: "Seja condenado!",
o menino pulou da cadeira e gritou, batendo palmas: "Muito bem, Pilatos!" A mãe levou susto e reagiu:
"O que é isso, meu filho?" O menino respondeu: "É isso mesmo mãe! Ele merece. A senhora sempre
me diz: ´Jesus te castiga, te manda para o inferno!´ Merece, sim!"

Roteiro 7
A Palavra de Deus na boca e no coração ...
Para saber conduzir o combate espiritual

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolhida e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Que a Palavra de Deus transforme nossas vidas
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 27

R. E habite abundantemente na boca e no coração


V. Tua Palavra é lâmpada para os meus pés
R. Que ela ilumine todos os passos da nossa vida
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”
Chave de leitura para o texto da Regra
Neste sétimo encontro vamos meditar um outro trecho do capítulo 19 da Regra que nos
fala sobre as armas a serem usadas no combate que devemos conduzir contra o poder do
mal. Já vimos duas armas: o cinto da castidade e o colete do pensamento santo. Durante a
leitura, prestemos atenção no seguinte: “Quais as armas que a Regra recomenda?”

Leitura da Regra: número 19


Momento de silêncio

Perguntas para ajudar a sair da gruta


1. Quais as armas que a Regra recomenda? O que cada uma destas armas significa para
nós hoje?
2. Como cada um/uma de nós entende esta recomendação da Regra sobre o uso da
Palavra de Deus? O que fazemos para realizá-la? Sente dificuldade? Quais?
3. O que sai normalmente da nossa boca e do nosso coração?

2º Momento:
“Levanta-te! O Senhor vai passar!”

Canto ou Mantra: preparar o coração para a escuta da palavra de Deus


Chave de leitura para o texto da Bíblia
Vamos escutar dois textos da Bíblia, um do Antigo Testamento e outro do Novo
Testamento, que nos ajudam a entender melhor a recomendação da Regra de fazer habitar
a Palavra de Deus na boca e no coração.
Leitura da Bíblia: Dt 30,11-16 e Lc 11,27-28

Momento de silêncio
Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.
1. Qual o ponto nestes dois textos de que você mais gostou ou que mais chamou a sua
atenção? Por que?
2. O que nos impede de perceber que a Palavra de Deus está perto de nós? O que é hoje,
para você, Palavra de Deus, apelo de Deus, voz de Deus? Por que?
3. Procure encontrar outros textos da Bíblia ou acontecimento da vida que ajudam a
entender melhor o significado da recomendação de fazer habitar a palavra de Deus
abundantemente na boca e no coração?
3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e paz
1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 28

Preces e Pai Nosso


Salmo 19: A Palavra de Deus está presente no universo inteiro
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os Horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra

Os números 18 e 19 da Regra trazem duas descrições paralelas:


1) A primeira enumera as partes do corpo a serem protegidas pelas armas de Deus, a saber:
rins, peito, cabeça, mãos e corpo. Esta enumeração evoca a fragilidade do nosso ser.
Estamos expostos aos ataques de leões, assaltos e flechas incendiárias.
2) A outra descrição enumera as armas: cinto, colete, couraça, escudo, capacete, espada.
Esta enumeração evoca a ação de Deus que protege as partes frágeis do nosso ser. É só
mesmo com a força de Deus, que podemos vencer na luta.

Eis a enumeração das armas que compõem a armadura de Deus e defendem as partes
frágeis do nosso ser. Já vimos o significado do cinto e do colete (veja roteiro 6). Seguem
mais quatro armas, três de defesa e uma de ataque:
1. A couraça da justiça para o corpo (Mt 22,37; Dt 6,5).
A Regra usa a palavra justiça como sinônimo de amor a Deus e ao próximo . É a justiça do
Reino de que fala Jesus: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça!" O amor a Deus
deve ser total: de todo coração, de toda alma, com todas as forças.
2. O escudo da fé contra as flechas de fogo (Ef 6,6).
O capítulo 11 da carta aos Hebreus dá uma idéia do que vem a ser o escudo protetor da fé.
Ele descreve como, no passado, desde os tempos de Abraão e Sara, a fé foi a grande força
que animou e guiou o povo, e o defendeu nas lutas. Pois, sem a fé é impossível agradar a
Deus.

3. O capacete da salvação na cabeça (Ef 6,15).


A Regra associa a esperança com a salvação (libertação). Ter o capacete de salvação na
cabeça significa ter na cabeça a esperança de que só Jesus, como único salvador, pode
trazer a libertação. Permitir que Cristo, em nós, nos liberte de nós mesmos e do pecado.

4. A espada da Palavra na boca e no coração (Col 3,17).


A espada é a única arma de ataque. As outras eram de defesa. A "espada do Espírito" é a
Palavra de Deus que deve "habitar", isto é, morar, na boca e no coração. Morar significa
sentir-se em casa. Familiaridade, liberdade e fidelidade, frente à Palavra de Deus!

Todas estas armas ajudam a sustentar a luta e a resistir contra as manobras do


adversário, apagam as flechas incendiárias do inimigo, e levam a uma verdadeira ascese no
pensamento e no sentimento, para que Deus possa tomar conta através da fé, da esperança
e do amor e, assim, tudo que a pessoa fizer seja feito "na Palavra de Deus".

2. Chave para a leitura da Bíblia


Dt 30,11-16: a Palavra está perto de ti
O texto faz parte do terceiro e último discurso atribuído a Moisés, que coloca o povo
diante da escolha entre a vida e a morte (Dt 28,69 a 30,20). Ele reflete a situação crítica da
época de século VII antes de Cristo, em que foi escrito. O longo e desastroso governo de
Manassés de mais de 50 anos (2Rs 21,1) tinha interrompido o movimento reformador, iniciado
por Ezequias, e encheu a cidade de sangue e opressão, de relaxamento e desânimo (2Rs
21,16). Como reação surgiu um grande desejo de reforma e de conversão, que tomou forma na
época do rei Josias e cuja expressão maior é o livro do Deuteronômio, que foi encontrado no
Templo (2Rs 22,8). Neste texto do Deuteronômio, o povo está sendo convocado a se decidir e
a escolher entre a vida e a morte (Dt 30,15). Ou converte ou desintegra! O texto ajuda o
povo a descobrir onde encontrar a Palavra de Deus que o possa orientar no caminho do bem.
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 29

Pois havia gente que dizia: “A Palavra de Deus é muito difícil para nós. Fica muito distante da
vida da gente!” O texto responde: “A Palavra de Deus não está fora do seu alcance, não está
no céu, nem do outro lado da terra! Pelo contrário, ela está perto de você na sua boca e no seu
coração, para que a ponha em prática!” Você deve decidir-se e escolher. A recompensa será
grande! A convicção de fé expressa neste texto, até hoje, estimula as pessoas a fazer leitura
orante da Bíblia.

Lc 11,27-28: praticar a Palavra


Uma senhora do povo, admirada com as palavras de Jesus, exclama: “Como deve ser feliz
a mãe deste Jesus!” Ela vê o motivo da felicidade no relacionamento da proximidade familiar.
Imediatamente, Jesus responde: “Feliz quem ouve a palavra e a coloca em prática!” A mesma
resposta foi dada aos parentes que queriam levar Jesus de volta para casa: “Quem é minha
mãe e meus irmãos? É aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu!” (Mc 3,35) A
pertença à família de Jesus não se basea “no sangue, nem no impulso da carne, nem no desejo
do homem” (Jo 1,13), mas na decisão de ouvir e praticar a palavra de Deus. E neste ponto,
Maria é o modelo. Quando ela ouviu a Palavra na saudação do anjo, respondeu: “Faça-se em
mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38). Lucas apresenta Maria como modelo para a vida das
comunidades. É na maneira de Maria relacionar-se com a Palavra de Deus que está a maneira
mais correta para a comunidade relacionar-se com a Palavra de Deus: acolhê-la, encarná-la,
vivê-la, aprofundá-la, ruminá-la, fazê-la nascer e crescer, deixar-se moldar por ela, mesmo
quando não a entende ou quando ela nos faz sofrer. Esta é a visão que está por de trás dos
capítulos 1 e 2 do Evangelho de Lucas, que falam de Maria, a mãe de Jesus. A chave é dada no
texto Lucas 11,27-28, onde aparece o elogio: "Feliz quem ouve a palavra e a coloca em
prática".

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas

Aprender a escutar o inaudível, o silêncio falante do irmão, da irmã


Um amigo me confidenciou, em São Paulo: “Outro dia eu estava parado no semáforo.
Chegou um mendigo para pedir dinheiro. Todo cheio de moral, eu disse para ele: “ Se você
não fosse beber pinga, eu te daria dinheiro .” O mendigo, sorrindo e de braços abertos, me
disse: “Você disse que não me dá dinheiro, porque sou um vagabundo cachaceiro. Se você
viesse dormir comigo umas duas noites aqui na calçada, neste frio lascado, você veria que a
pinga é o meu cobertor. Bebo para esquentar meu corpo. Senão não agüento o frio e morro,
como muitos outros colegas já morreram”. Um dia, eu estava visitando os barracos na
favela Massari, no Parque Novo Mundo, em São Paulo. Entrei num barraco, onde Adriana
estava lavando roupa e com o som ligado no último volume. Achei muito alto e perguntei:
“Adriana, por que você gosta do som assim tão alto? ” Ela baixou o Som um pouquinho e me
respondeu: “Gosto do som muito alto, porque, se abaixo o Som, eu penso, e se eu penso,
choro, porque a vida para nós favelados é muito dura. Escutar música, no último volume, foi
o jeito que encontrei para driblar o monte de problemas que a vida me oferece; o jeito
para sobreviver, já que não temos o direito de viver. ” Adriana e aquele mendigo lá de São
Paulo me despertaram. Agora, eu procuro ouvir o grito inaudível das pessoas, seus
sentimentos mudos, os medos não confessados e as queixas silenciosas, o silêncio falante
dos seus desejos e opiniões reais.
(Frei Gilvander Moreira, O.Carm.)

Roteiro 8
Fazer tudo na Palavra do Senhor, nada sem ela ...
para que se realize o projeto de Jesus, o projeto dos pequenos

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolhida e introduzir o assunto do encontro
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 30

Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Que a tua palavra, meditada e rezada, diariamente,
R. Nos oriente em todos os caminhos da nossa vida
V. Envia-nos a luz do teu Espírito
R. Para que possamos ser sinais vivos da tua Palavra.
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”

Chave de leitura para o texto da Regra


Neste oitavo encontro vamos colocar diante de nós todos os textos da nossa Regra que
falam da Leitura Orante da Palavra de Deus. Pois, mesmo sendo a mais curta de todas as
Regras existentes na Igreja, a Regra do Carmo insiste por bem nove vezes, que devemos
ler e meditar a Palavra de Deus:
Número 7 Ouvir a Sagrada Escritura durante as refeições
Número 10 Meditar dia e noite a Lei do Senhor
Número 11 Rezar os Salmos (horas canônicas)
Número 14 Participar diariamente da Eucaristia
Número 19 Ter pensamento santo (vindo da leitura do Livro santo)
Número 19 A Palavra deve habitar na boca e no coração
Número 19 Agir sempre de acordo com a Palavra de Deus
Número 20 Ler com freqüência as cartas de Paulo
Número 22 Ter diante de si o exemplo de Jesus

Momento de silêncio
Perguntas para ajudar a sair da gruta
1. Qual destes textos é o que mais chama a sua atenção? Por que?
2. Como entendemos o texto da Regra onde se diz que devemos fazer tudo na Palavra de
Deus? O que fazemos para realizar esta obrigação? Sente dificuldades? Quais?
3. Como você lê a Bíblia? Durante a leitura, você está atenta ao projeto dos pequenos,
tão elogiados por Jesus?
2º Momento:
Levanta-te! O senhor vai passar...
Canto ou Mantra: preparar o coração para a escuta da Palavra de Deus

Chave de leitura para o texto da Bíblia


Vamos escutar um texto do Evangelho de Mateus, onde se descreve o Projeto de Jesus a
ser alcançado pela escuta e prática da sua Palavra. Trata-se das oito bemaventuranças que
formam o portão de entrada do Sermão da Montanha. Durante a leitura vamos prestar
atenção nos pontos básicos que caracterizam o projeto de Jesus.
Leitura da Bíblia: Mt 5,3-10

Momento de silêncio
Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.
1. Qual o ponto neste texto de que você mais gostou ou que mais chamou a sua atenção?
Por que?
2. Quais são as pilastras básicas do Projeto de Jesus que aparecem nas oito
bemaventuranças? Qual o alcance de cada pilastra?
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 31

3. Procure encontrar outros textos do Novo Testamento que ajudam a entender melhor o
projeto de Jesus.
4. Como estes textos ajudam a entender melhor o texto da Regra que pede de nós que
façamos tudo na Palavra de Deus?

3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e paz

1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 119,33-48: A meditação constante da Palavra de Deus
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Uma Ajuda para o grupo

1. Chave de leitura para o texto da Regra

A Regra do Carmo não só recomenda a leitura da Bíblia, mas também a pratica. Ela é,
ao mesmo tempo, fonte e fruto da Lectio Divina. Vejamos estes dois aspectos:

Como a Regra recomenda a Leitura da Bíblia


A Lectio Divina marcava a vida dos primeiros Carmelitas, não como um exercício ascético de
leitura, mas sim como uma atitude de vida, pela qual eles se situavam dentro do grande rio
da Tradição e da prática secular do método dos quatro degraus da Lectio Divina:

Leitura – Lectio: conhecer, respeitar, situar


Antes de mais nada, a Palavra deve ser ouvida ou lida: tanto em comum no refeitório
(Rc 7), na Eucaristia (Rc 14), no Ofício Divino (Rc 11), como em particular na cela (Rc 10). A
leitura ajuda a descobrir o sentido que o texto tem em si.
Meditação - Meditatio: ruminar, dialogar, atualizar
A Palavra lida e ouvida deve ser meditada e ruminada. Esta meditação deve ser feita dia
e noite (Rc 10). Deste modo, a Palavra desce da boca para o coração e produz pensamentos
santos (Rc 19). A meditação ajuda a descobrir o sentido que o texto tem para mim, para
nós hoje.
Oração - Oratio: suplicar, louvar, recitar
Uma vez ouvida e meditada, a Palavra deve ser envolvida pela oração, deve tornar-se
oração: tanto no Ofício Divino (Rc 11) e na Eucaristia (Rc 14), como na Cela, onde o
Carmelita deve vigiar em orações, dia e noite (Rc 10). A oração expressa o que o texto nos
faz dizer a Deus
Contemplação - Contemplatio
A leitura meditada e orante produz o seguinte resultado: a Palavra invade o
pensamento, o coração e a ação e, assim, tudo é feito na Palavra do Senhor (Rc 19). A
contemplação é o novo olhar e o novo agir que a leitura da Bíblia produz em nós.
Como a Regra pratica a Leitura da Bíblia

* Viver em Obséquio de Jesus Cristo


O objetivo em função do qual a Regra usa e lê a Bíblia é a preocupação de “viver em
obséquio de Jesus Cristo”. Esta preocupação percorre a Regra de ponta a ponta.
* A Comunidade viva como quadro de referências
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 32

O quadro de referências dentro do qual a Regra lê a Bíblia é o desejo de imitar a


comunidade ideal dos primeiros cristãos, que transparece ao longo dos números 10 a 15.

* As figuras bíblicas de Elias e Maria


A sua espiritualidade carmelitana está centrada em torno das figuras de Elias e Maria,
ambas da Bíblia, unindo o Antigo e o Novo Testamento, o masculino e o feminino.
* Familiaridade, liberdade, fidelidade
É difícil saber exatamente quantas vezes a Regra usa a Bíblia para descrever a Norma de
Vida dos primeiros Carmelitas. Alguns acham que é mais de cem vezes! Ela usa a Bíblia sem
citar, cita sem verificar, junta e separa as frases como e quando quer, muda e adapta
conforme lhe parece útil, como se fosse a sua própria palavra. O autor da Regra assimilou a
Bíblia de tal maneira a ponto de já não distinguir entre as suas próprias palavras e as
palavras da Bíblia.

Resumindo. A Palavra de Deus deve penetrar todo o nosso pensamento; deve ajudar no
equilíbrio dos sentimentos, ser fonte de fé, de esperança e de amor; estar na boca e no
coração; deve penetrar a vida de tal maneira que tudo seja feita na Palavra do Senhor. Por
isso, ela deve ser meditada dia e noite em oração pessoal e comunitária, deve alimentar-nos
quando alimentamos o corpo, deve ser nossa arma de ataque para defender a vida. Deste
modo, realizamos o projeto de vida evangélica, cujo rascunho nossos primeiros confrades
do Monte Carmelo apresentaram ao patriarca Alberto e cuja aprovação foi dada na Regra,
cópia fiel do projeto que Jesus nos expôs nas oito bemaventuranças.

2. Chave de leitura para o texto das oito bemaventuranças


As oito bemaventuranças indicam oito categorias de pessoas, descrevem oito portas de
entrada para o Reino. Quem quiser entrar terá que identificar-se com uma destas oito
categorias, pois não há outra entrada! Eis um esquema:

A 1. os pobres em espírito 1 deles é o Reino dos Céus


B 2. os mansos 2 herdarão a terra
B 3. os aflitos 3 serão consolados
C 4. fome e sede de justiça 4 serão saciados
C 5. os misericordiosos 5 terão misericórdia
B 6. os de coração limpo 6 verão a Deus
B 7. os promotores da paz 7 serão filhos de Deus
A 8. os perseguidos por causa da justiça 8 deles é o Reino dos Céus

* A primeira e a última categoria recebem a mesma promessa: o Reino dos Céus. E a rece
bem desde agora, pois Jesus diz “deles é o Reino!” O Reino já está presente na vida deles!
Entre estas duas categorias, há três duplas, às quais é feita uma promessa no futuro:
* A primeira dupla diz respeito ao relacionamento das pessoas com os bens materiais. Os
Mansos são os “humilhados”, privados dos seus direitos. Eles vão herdar a terra, conforme
a promessa do Salmo 37,10.11.22.29.34. Os Aflitos são os que choram diante das injustiças
que se praticam: “Lamentam e gemem por causa das abominações que se cometem na
cidade”(Ez 9,4). Eles vão ser consolados. A promessa implica o restabelecimento da justiça
no relacionamento das pessoas com os bens materiais. Vão ter terra e consolo.
* A segunda dupla dis respeito ao relacionamento das pessoas entre si na convivência social.
Os que têm fome e sede de justiça são os que lutam, para que os relacionamentos
comunitários e sociais sejam fundados na justiça. Eles vão ser saciados, pois há um Deus
que julga os seres humanos e realiza a justiça (Sl 58,12; 75,11). Os misericordiosos são os
que têm o coração na miséria dos outros e se fazem solidários com eles, lutando para que a
solidariedade prevaleça sobre o egoismo. Os dois recebem a promessa. No Reino de Deus
que eles ajudama construir haverá justiça e solidariedade.
* A terceira dupla diz respeito ao relacionamento com Deus. Os de coração limpo verão a
Deus, e os construturas da paz serão chamados filhos e filhas de Deus. A promessa afirma
que no Reino o relacionamento das pessoas com Deus atingirá a sua perfeição.
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 33

* Com outras palavras, o Projeto do Reino, apresentado por Jesus nas bem-aventuranças,
quer reconstruir a vida na sua totalidade: no seu relacionamento das pessoas com os bens
materiais, das pessoas entre si e das pessoas com Deus. É o que a Bíblia chama de PAZ,
mwlv No tempo de Mateus, nos anos 80, este projeto estava sendo assumido pelos
pobres e estes, por causa disso, estavam sendo perseguidos..

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas

Madre Maria das Neves no leito da morte


A madre fundadora das irmãs Carmelitas da Divina Providência estava no leito da morte.
Junto dela estavam as duas únicas companheiras. Era a pequena semene da futura
Congregação. As companheiras estavam preocupadas e choravam. Madre Maria das
Neves responde: “Não tenham medo: Deus é Pai dos órfãos. Lá do céu vai ser mais fácil
guiar e proteger a querida família religiosa, que vou, em breve, deixar no mundo. Pedirei
a Deus por todos” (Palavras guardadas por Madre Bernadete e transmitidas à
Congregação. Irmã Ilam Duarte Martins, Narrando Vivências, Edição própria, Belo
Horizonte, 1999, p. 47).
Para que os pobres descubram que Deus os ama
Um grupo de irmãs Carmelitas vivia num bairro pobre, animando a comunidade. O povo
gostava delas e apreciava o carinho com que tratavam a todos, sobretudo aos pobres. A
presença delas fazia um bem muito grande à população. Por isso, o bispo decidiu entrar
em contato com a coordenadora geral da Congregação insistindo para que, se possível,
enviasse um outro grupo de irmãs. Na sua carta, ele justificou o pedido com as seguintes
palavras: “Peço que a senhora, se possível, envie mais um grupo de irmãs para vir morar
aqui numa das periferias das nossas cidades, para que, através da presença amiga e
solidária delas, os pobres descubram que Deus os ama!”.

Roteiro 9

Seguir o exemplo de Paulo ...


para que cresça em nós a solidariedade com o povo trabalhador

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolhida e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial

V. Introduzi vocês na terra do Carmelo


R. Para que possam saborear os seus frutos

V. Estamos aqui reunidos em oração


R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo

V. O Verbo se fez carne e veio conviver conosco


R. Igual a nós em tudo, menos no pecado.

V. Ajuda-nos Senhor a imitar o teu exemplo


R. Para encarnar o evangelho na cultura do nosso povo

Invocar a luz do Espírito Santo


1º Momento
“Sai da gruta ... !”
Chave de leitura para o texto da Regra
Neste nono encontro vamos meditar o capítulo 20 da Regra que coloca o apóstolo Paulo
como modelo de vida e fala da importância do trabalho para a vivência da espiritualidade
carmelitana.
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 34

Leitura da Regra: número 20


Momento de silêncio

Perguntas para ajudar a sair da gruta


1. Como entendemos este texto da Regra que recomenda com tanta insistência o exemplo
de Paulo para a nossa vida no Carmelo? O que fazemos para seguir o exemplo dele?
Sente dificuldade? Quais?
2. Qual o lugar que o trabalho ocupa na sua maneira de viver o carisma do Carmelo? Como
deveria ser o lugar do trabalho na nossa vida?

2º Momento:
“Levanta-te! O Senhor vai passar!”

Canto ou Mantra: preparar o coração para a escuta da Palavra de Deus


Chave de leitura para o texto da Bíblia
Vamos escutar o testemunho que Paulo deu, quase no fim da terceira viagem apostólica,
diante dos coordenadores e coordenadoras das comunidades de Éfeso. Durante a leitura,
vamos prestar atenção em duas coisas: no conteúdo do discurso e no testemunho de vidas
que transparece nas entrelinhas.

Leitura da Bíblia: Atos 20,17-38


Momento de silêncio

Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.


1. Qual o ponto nestes dois textos de que você mais gostou ou que mais chamou a sua
atenção? Por que?
2. Qual o ponto deste testemunho de Paulo que mais chamou a sua atenção? Por que?
Quais são, um por um, os pontos centrais do testemunho de vida de Paulo que
transparecem neste texto?
3. Procure encontrar outros textos da Bíblia ou acontecimentos da vida que ajudam a
entender melhor a importância do modelo de Paulo para as nossas vidas.
4. Como este texto ajuda a entender melhor a insistência da Regra em propor para nós o
modelo do Apóstolo Paulo?

3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e paz

1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 112: O testemunho de uma vida
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando os Horizontes

1. Chave de leitura para o texto da Regra


Na Regra, Paulo é apresentado como exemplo de trabalho. É a única vez que a Regra
apresenta uma figura bíblica como ensinamento e exemplo. Na realidade, nunca houve na
Família Carmelitana uma devoção especial ao apóstolo Paulo. O ensinamento e o exemplo
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 35

para a vida vêm, de fato, de Elias e Maria. No século XX, temos a beata Isabel da
Santíssima Trindade que retomou com vigor o ensinamento e o exemplo de Paulo, não tanto
como trabalhador, mas mais como o místico da presença de Jesus na nossa vida.
A conversão para Cristo aos 28 anos de idade criou para Paulo uma situação nova,
imprevista. "Por causa de Cristo perdi tudo" (Fl 3,8). Cortado da comunidade judaica,
perdeu o círculo de amizades. Enviado para a missão (At 13,2-3), levou uma vida errante.
Esta situação obrigou-o a buscar uma nova maneira de ganhar a vida.
De acordo com o costume dos missionários ambulantes da época, Paulo tinha tres
opções possíveis: 1. alguns impunham um preço pelo ensino que davam; 2. outros, bem
poucos, viviam das esmolas que pediam nas praças; 3. outros, a maioria, se empregavam
como professores particulares em alguma casa de família de gente mais rica, recebendo
dela uma ajuda em dinheiro. As tres opções tinham em comum que nenhuma delas aceitava
trabalhar com as próprias mãos.
Em lugar daqueles tres caminhos, já aceitos pela sociedade, Paulo escolhe um quarto
caminho: "trabalhar com as próprias mãos" (lCor 4,12). Ele reconhece aos companheiros o
direito de receber um salário pelo trabalho que faziam como missionários (1Cor 9,6-14).
Mas ele mesmo fazia questão de não aceitar pagamento pelo seu trabalho na comunidade.
Queria anunciar o evangelho de graça (1Cor 9,18; 2Cor 11, 7), sem depender da comunidade
nem ser peso para ela (1Ts 2,9; 2 Ts 3,8; 2Cor 11,9; 12,13-14; At 20,33-34). E fazia disto
uma questão de honra, "um título de glória"! (1Cor 9,15). A ajuda da comunidade de Filipos,
a única da qual aceitou ajuda financeira, não era visto como pagamento pelo serviço, mas
como partilha entre irmãos da mesma família (Fl 4,15-16; 2Cor 11,9).

Por que Paulo não fez como todo mundo? Por que fez questão de trabalhar com as
próprias mãos? Paulo rompeu com o sonho da sociedade da época, com o que hoje se chama
a ideologia dominante, e abriu o caminho para um novo ideal de vida. A grande massa urbana
era de escravos que trabalhavam com as próprias mãos. Foi no meio deles que surgiram as
primeiras comunidades (1Cor 1,26; 2Cor 8,1-2). Um escravo jamais poderia subir e tornar-
se um cidadão ou homem livre. Quem nascia escravo, nascia numa prisão perpétua! Um
escravo jamais poderia realizar o sonho comum de, um dia, ter uma vida em que já não
fosse necessário trabalhar com as próprias mãos. Este sonho ficava fora das
possibilidades reais da grande maioria do povo. Mais ou menos como hoje: a televisão, a
propaganda, as novelas alimentam em todos uma ideologia, um sonho, que só pode ser
alcançado por alguns poucos ricos da classe média alta. Pois pela sua condição de vida, a
maioria do povo é prisioneiro do salário mínimo! Para ele, o sonho da televisão é uma ilusão,
um sonho irreal.
Se Paulo fosse viver e agir como os outros missionários, querendo ou não, estaria
alimentando o sonho irreal de todos. Apresentando-se, porém, como missionário que vive do
trabalho de suas próprias mãos, ele provoca uma ruptura: faz com que o evangelho por ele
anunciado apareça não como algo que fica fora das possibilidades dos escravos e
trabalhadores, mas sim como algo que faz parte da vida deles. Paulo apresenta um novo
sonho, mais realista, diferente do sonho irreal, apresentado e alimentado pela ideologia
dominante da época.

2. Chave de leitura para o texto da Bíblia


Este discurso de Paulo, visto como o testamento pastoral de Paulo, não precisa de muito
comentário. Ele fala por si. Damos aqui apenas a divisão principal dos vários assuntos e uma
pequena explicação da parte onde Paulo dá um testemunho do que foi a sua própria vida (At
20,31-35)
Atos 20,17-21: Lembrando os tempos passados
Atos 20,22-24: Olhando o momento presente
Atos 20,25-27: Preparando a sucessão futura
Atos 20,28-30: A Missão dos que coordenam a Comunidade
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 36

Atos 20,31-35: Retrato falado do bom conselheiro


Nestes versos finais, Paulo entrega a eles o cargo e a responsabilidade pelo rebanho.
Aqui acontece a sucessão apostólica. Ele confia no poder de Deus que é capaz de
edificar e de dar a vocês a herança entre todos os santificados. Em seguida, Paulo fala
de si mesmo para ensinar como deve ser o conselheiro ou a conselheira, que atua na
animação comunitária. Ele insiste em três coisas: (1) Não cobiçar nada de ninguém (At
20,33), isto é, não usar o trabalho pastoral para se enriquecer. (2) Dar um testemunho
concreto de trabalho para se sustentar (At 20,34) e não depender da comunidade. (3)
Ajudar, sobretudo os fracos (At 20,35), pois como disse Jesus: Há mais felicidade em
dar que em receber. Tudo termina com a comovente despedida nos cais do porto (At
20,36-38).

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas

Para que os pobres descubram que Deus os ama


Um grupo de irmãs Carmelitas vivia num bairro pobre, animando a comunidade. O povo
gostava delas e apreciava o carinho com que tratavam a todos, sobretudo aos pobres. A
presença delas fazia um bem muito grande à população. Por isso, o bispo decidiu entrar
em contato com a coordenadora geral da Congregação insistindo para que, se possível,
enviasse um outro grupo de irmãs. Na sua carta, ele justificou o pedido com as seguintes
palavras: “Peço que a senhora, se possível, envie mais um grupo de irmãs para vir morar
aqui numa das periferias das nossas cidades, para que, através da presença amiga e
solidária delas, os pobres descubram que Deus os ama!”.

Roteiro 10
O silêncio orante diante do silêncio de Deus...
ruminando os fatos, sabendo que Deus é maior que a crise

Abertura: Entrar em sintonia com Deus e com a realidade do povo de Deus


Canto inicial
Acolhida e introduzir o assunto do encontro
Oração inicial
V. Introduzi vocês na terra do Carmelo
R. Para que possam saborear os seus frutos
V. Estamos aqui reunidos em oração
R. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
V. Diante da morte e do silêncio de Deus, Jesus gritou:
R. “Meu Deus, por que me abandonaste?”
V. Em paz me deito e logo pego no sono,
R. Porque tu, senhor, estás comigo.
Invocar a luz do Espírito Santo

1º Momento
“Sai da gruta ... !”

Chave de leitura para o texto da Regra


Neste décimo encontro vamos meditar o capítulo 21 da Regra que recomenda o silêncio.
Durante a leitura do texto fiquemos atentos ao seguinte: “Qual o valor mais profundo do
silêncio?”

Leitura da Regra: número 21


Momento de silêncio
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 37

Perguntas para ajudar a sair da gruta


1. Como cada um, cada uma de nós entende e vive esta insistência da Regra no silêncio
como norma de vida para todos e todas que querem fazer parte da Família
Carmelitana? O que você faz para realizar esta recomendação?
2. Você consegue fazer oração silenciosa? Como faz e quando? O que será que o nosso
silêncio tem a ver com o silêncio de tantas pessoas que foram silenciadas?
3. Por duas vezes, no começo e no fim, a Regra faz uma ligação entre justiça e prática do
silêncio. Qual é esta ligação?

2º Momento:
“Levanta-te! O Senhor vai passar!”

Canto ou Mantra: preparar o coração para a escuta da Palavra de Deus


Chave de leitura para o texto da Bíblia
Vamos escutar um texto do livro do profeta Isaías que descreve a atitude de silêncio do
Servo de Javé diante do silêncio de Deus. Às vezes, Deus parece estar ausente, quando na
realidade o problema são os nossos ouvidos que não conseguem escutar a Palavra de Deus
presente em todos os momentos das vida. Durante a leitura vamos prestar atenção no
seguinte: “Como o Servo fazia para escutar o silêncio de Deus?”
Leitura da Bíblia: Isaías 50,4-9

Momento de silêncio
Perguntas que ajudam a “levantar-se e descobrir o Senhor que passa”.
1. Qual o ponto neste texto de que você mais gostou ou que mais chamou a sua atenção?
Por que?
2. De que maneira, este texto de Isaías nos ajuda a entender melhor o significado
profundo do silêncio para a nossa vida de oração e nosso relacionamento com Deus?
3. Procure encontrar outros textos da Bíblia ou acontecimentos da vida que ajudam a
entender melhor o a importância do silêncio que a Regra que pede de nós?

3º Momento:
E anda no longo caminho da justiça e paz

1. Um canto de meditação
2. Quais os apelos de Deus que apareceram durante as reflexões que acabamos de fazer
sobre a Bíblia, a Regra e a Realidade?
3. Recordar testemunhos de carmelitas ou de outras pessoas que viveram este
compromisso.
4. Qual o compromisso concreto que vamos assumir?

Ação de Graças: Louvar e agradecer


Preces e Pai Nosso
Salmo 4: O Senhor me faz descansar em paz
Canto final a Maria, mãe e irmã dos Carmelitas

Subsídio: Alargando o Horizonte

1. Chave de leitura para o texto da Regra

O número 21 da Regra sobre o silêncio tem três partes: 1) Descreve o valor do


silêncio; 2) Organiza o silêncio; 3) Recomenda a prática do silêncio.

1. O Valor do silêncio
A Regra começa lembrando a recomendação do apóstolo Paulo a respeito do trabalho em
silêncio (Rc 21). Em seguida, descreve o valor do silêncio citando duas frases do profeta
Isaías: "A justiça é cultivada pelo silêncio" , e “É no silêncio e na esperança, que se
encontrará a vossa força. O silêncio recomendado pela Regra tem a sua origem nos
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 38

profetas. É um silêncio profético! É muito mais do que só ausência de barulho ou de


falatório. É um silêncio que tem dois aspectos, expressos nas duas frases de Isaías:

1) O cultivo do silêncio deve gerar justiça. Isaías compara a prática do silêncio com o
trabalho do agricultor que cultiva sua roça para ter boa colheita. Qual o silêncio que
devemos cultivar, para que gere a justiça? É o trabalho que faz silenciar tudo dentro de
nós, para que a realidade possa aparecer do jeito que ela é em si mesma e não como
aparece desfigurada através do muito falatório, do barulho da moda, do diz-que-diz, ou
através dos meios de comunicação, da ideologia dominante. Hoje em dia, o fluxo de
palavras, de imagens e de falatório que nos envolvem é tanto, que impede as pessoas de
perceberem o que está acontecendo de fato. Envolve-nos de tal maneira, que acabamos
achando normal aquilo que, na realidade, é uma situação de morte. Por exemplo, anos atrás,
o povo se revoltava diante de assassinatos e diante da violência. Hoje em dia, a violência
tornou-se uma coisa tão freqüente e tão presente, que já nos acostumamos. A miséria
crescente do povo, a injustiça impune, o sofrimento dos que nunca cometeram algum mal, o
abandono, o desemprego, a exclusão, a doença, a solidão, o desamor...! Vivemos numa
situação de morte, e já não nos damos conta. Além disso, muitas vezes, o consumismo mata
qualquer esforço de silêncio, de consciência crítica. Ora, o trabalho ativo da prática do
silêncio produz, aos poucos, o desmantelo das falsas idéias, da ideologia dominante ou dos
preconceitos que tínhamos na cabeça. Este é o cultivo que faz nascer a visão justa das
coisas. Gera em nós a justiça. Este é o primeiro aspecto.

2) O segundo aspecto está expresso na frase: No silêncio e na esperança está a força


de vocês. Em vez de esforço ativo em busca de um resultado, aqui a prática do silêncio é
vista como a atitude de espera de algo que deve acontecer, mas que não depende do nosso
esforço. Depende de Deus. Trata-se da experiência mística. Este mesmo silêncio foi
acontecendo na vida do profeta Elias na caminhada para o Monte Horeb (1Rs 19).
Resumindo. O silêncio profético recomendado pela Regra tem dois aspectos, expressos
pelas duas frases de Isaías. O primeiro aspecto é fruto do esforço nosso, do cultivo, do
trabalho. Exige disciplina e controle, estudo e reflexão, para que a gente possa perceber
os mecanismos da opressão e da ideologia, dos preconceitos e das propagandas. É fruto da
partilha, da troca de experiências, do trabalho comunitário. O segundo aspecto do silêncio
profético é fruto da ação do Espírito de Deus em nós. Desobstruído o acesso à fonte pelo
esforço ativo nosso, a água brota de dentro de nós e inunda o nosso ser.

2) A Organização do silêncio
Se o silêncio é um valor tão importante, ele deve ter a sua expressão na vida do
Carmelo. Na Regra, a organização ou institucionalização do silêncio é adaptada ao ritmo
diferente do dia e da noite. A noite, ela por si mesma, já é silenciosa. O silêncio da noite
nos envolve e nos faz silenciar. Produz uma certa passividade. Acalma as pessoas.
Acontece, independente de nós. O dia é mais barulhento. Em vez de silêncio, produz
distração. Agita as pessoas. Exige um esforço interior maior para fazer silêncio. Por isso, a
Regra pede um tipo de silêncio mais estrito para a noite e um silêncio menos estrito para
durante o dia. Insistindo para que o silêncio seja institucionalizado conforme o ritmo
diferente do dia e da noite, a Regra, por assim dizer, cria canais concretos através dos
quais o silêncio possa atingir as pessoas para gerar nelas a justiça, a esperança e a
resistência (força) de que fala o profeta Isaías. Através da observância do ritmo do
silêncio de dia e de noite, a pessoa vai assimilando dentro de si os valores do silêncio
profético.

3) A recomendação do silêncio
A terceira parte consta de dois momentos. Num primeiro momento, a Regra descreve
como a pessoa deve fazer para cultivar o silêncio que gera a justiça. Este cultivo consiste
sobretudo no controle da língua. Citando frases da Bíblia, a Regra aponta os perigos do
muito falatório. Ele diz: No muito falar não faltará o pecado; e quem fala sem refletir
sentirá um mal-estar, e ainda quem fala muito prejudica sua alma. E o Senhor no
Os 800 anos da Regra Roteiros 1 a 5 39

Evangelho: de toda palavra inútil que as pessoas disserem, dela terão que prestar conta no
dia do juízo. O controle da língua é o ponto de partida.
Em seguida, num segundo momento, citando novamente frases da Bíblia, a Regra passa a
recomendar o cultivo do silêncio ou o controle da língua, como sendo o caminho para se
chegar ao silêncio mais profundo que é o silêncio profético. Nestas recomendações,
aparece, de um lado, o pecado e a morte. Do outro lado, a justiça e a vida. O muito
falatório conduz ao pecado e à morte. O controle da língua conduz à justiça e à vida.
No fim, a Regra retoma a frase inicial sobre a justiça: Cada um procure
diligentemente observar o silêncio, pelo qual se cultiva a justiça. No começo e no fim, a
insistência na prática do silêncio como caminho para a justiça.

2. Chave de leitura para o texto da Bíblia

Jesus, rezando a vida


O texto de Isaías descreve a atitude do Servo de Javé como um discípulo que, todos os
dias, de manhã, se coloca diante de Deus para escutar o que Ele lhe tem a dizer e, assim,
poder receber uma palavra de ânimo para quem está desanimado. Esta atitude de oração
diante de Deus, foi a atitude que marcou Jesus durante toda a sua vida. A maneira de os
evangelhos falar de Jesus revela uma pessoa orante em profunda união com Deus. Jesus
rezava muito. Passava noites em oração (Lc 6,12) para estar com o Pai e conhecer a sua
vontade (Mt 26,39). Em todos os momentos importantes da sua vida ele aparece rezando:
* Na hora de ser batizado e de assumir a missão, ele reza (Lc 3,21).
* Na hora de iniciar a missão, passa quarenta dias no deserto (Lc 4,1-2).
* Na tentação, ele enfrenta o diabo com textos da Escritura (Lc 4,3-12).
* Na hora de escolher os doze Apóstolos, passa a noite em oração (Lc 6,12).
* Na hora de fazer levantamento da realidade e falar da sua paixão (Lc 9,18).
* Na alegria de ver o Evangelho revelado aos pequenos (Lc 10,21).
* Na ressurreição de Lázaro: “Pai eu sei que sempre me ouves!” (Jo 11,41-42)
* Procura a solidão do deserto para rezar (Mc 1,35; Lc 5,16; 9,18).
* Rezando, desperta vontade de rezar nos apóstolos (Lc 11,1).
* Na crise sobe o Monte da transfiguração para rezar (Lc 9,28).
* Na hora da despedida reza a oração sacerdotal (Jo 17,1-26).
* Na angústia da agonia pede aos três amigos para rezar com ele (Mt 26,38).
* Na hora de ser pregado na cruz, pede perdão pelos carrascos (Lc 23,34).
* Jesus morre soltando o grito, a oração dos pobres (Mc 15,37).
Jesus vivia em contato com o Pai. Sua vida era uma oração permanente: "Eu a cada
momento faço o que o Pai me mostra para fazer!" (Jo 5,19.30). A ele se aplica o que diz o
Salmo: "Eu (sou) oração!" (Sl 109,4).

3. Testemunhos de Carmelitas ou de outras pessoas


Uma oração silenciosa que trouxe a paz
Um dia Madre Crucifixa Curcio, fundadora da Congregação das irmãs Carmelitas
Missionárias de Santa Teresinha do Menino Jesus, viajava com uma jovem irmã pelas
estradas da Itália. Quando, altas horas da noite, chegaram na estação onde tinham de
fazer baldeação, descobriram que já não havia conexão naquele mesmo dia. Tiveram que
passar a noite sentadas num banco na praça da estação para poder seguir a viagem no dia
seguinte. Bem em frente delas, no outro lado da pequena praça, um mendigo malencarado
olhava para elas, o tempo todo. A jovem irmã ficou com medo de algum assalto, e chamou a
atenção da Madre: “O que fazer?” Madre Crucifixa com toda a calma, respondeu: “Não se
preocupe, minha filha, vamos rezar por esse rapaz. Ele precisa!” Alta madrugada, o mendigo
levantou-se, dirigiu-se à Madre e disse-lhe: “Obrigada, Madre, pelo que a senhora fez por
mim!” e foi embora.
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Uma bibliografia para ajudar:


Carlos Mesters, Ao Redor da Fonte
Kees Waayman, Comentário da Regra
Emanuele Boaga, Como Pedras Vivas
Emanuela Boaga, A Senhora do Lugar
Silvério Ruas, Carmelita: um estilo de vida
Vital Wilderink, Tradição ou continuismo?
Camélia Cotta, Regra do Carmo,
Carlos Mesters, A Caminhada do Profeta Elias,
Ilma Duarte, Olho no céu, pé da terra,...