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347300 - Técnico Especialista em Gestão da Qualidade,

Ambiente e Segurança (CET)

Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Relatório de Trabalho Laboratorial

desenvolvido no âmbito do módulo de

7545 - Prevenção, Gestão e Controlo da Contaminação dos Solos

Relatório elaborado por:


Cláudia Neno
Jorge Silva
Rui Brito

Formadora: Ana Carolina Casinhas dos Santos

Citeforma - Centro de Formação Profissional de Gestão Participada

5 de março de 2018
Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Índice
Introdução ......................................................................................................... 2
Protocolo ........................................................................................................... 4
1) Análise granulométrica de solos (via seca) .................................................... 4
2) Comparação de permeabilidade do solo ........................................................ 4
3) Medição do pH ........................................................................................... 5
4) Determinação da densidade real .................................................................. 5
5) Determinação da condutividade ................................................................... 6
6) Doseamento do calcário ativo ...................................................................... 6
Resultados: ....................................................................................................... 7
1) Análise granulométrica de solos (via seca) .................................................... 7
2) Comparação de permeabilidade do solo ........................................................ 7
3) Medição do pH ........................................................................................... 8
4) Determinação da densidade real .................................................................. 8
5) Determinação da condutividade ................................................................... 8
6) Doseamento do calcário ativo ...................................................................... 9
Discussão .........................................................................................................10
1) Análise granulométrica de solos (via seca) ...................................................10
2) Comparação de permeabilidade do solo .......................................................11
3) Medição do pH ..........................................................................................11
4) Determinação da densidade real .................................................................12
5) Determinação da condutividade ..................................................................12
6) Doseamento do calcário ativo .....................................................................13
7) Resumo ...................................................................................................13
Conclusão .........................................................................................................14
Referências .......................................................................................................15

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Introdução
No âmbito da unidade modular “Prevenção, Gestão e Controlo da Contaminação
dos Solos”, foram realizadas duas aulas prática/laboratoriais com os objetivos de
serem adquiridas e complementadas competências de trabalho em contexto de
laboratório e de, na aula prática 1 (01/02/2018), analisar granulometricamente solos,
determinar a permeabilidade, o pH, a densidade real e a condutividade da amostra de
solo; e na aula prática 2 (12/02/2018), dosear os solos em calcário ativo (assim como
repetir a medição do pH e da condutividade). Destes dados avaliar as características do
solo e eventual comparação com condições para crescimento de flora.
O solo é a camada superior da crosta terrestre. É um recurso vital, dinâmico,
com propriedades físicas, químicas e biológicas distintas, constituído por partículas
minerais de diferentes tamanhos, matéria orgânica, água, ar e organismos vivos. [1]
Nesse âmbito, serão observadas e analisadas algumas dessas propriedades:
constituição da fração sólida (análise granulométrica), permeabilidade (dificuldade à
passagem de água), propriedade ácida do solo (pH - de origem de troca iónica, chuvas
ácidas e lixiviação), densidade (massa total do sólido seco por volume total de solo),
condutividade (iões retidos no solo) e calcário ativo (presença de cálcio).
A análise granulométrica permite obter informação que prevê aspetos físico-
químicos do solo sem práticas elaboradas, como a textura, permeabilidade e densidade,
através da separação dos diferentes grãos da amostra de acordo com o seu diâmetro.
O solo é constituído por partículas sólidas que deixam entre si espaços vazios -
poros, que em conjunto formam pequenos canais através dos quais é possível o
escoamento de fluídos, em destaque, da água, essencial à vegetação local [2].
O pH é um parâmetro importante para a saúde do solo, que permite tirar
conclusões acerca do seu estado físico-químico: quando muito ácido, podemos estar
perante uma intoxicação provocada por micronutrientes, deficiente absorção de fósforo,
deficiente mineralização da matéria orgânica e carência de cálcio e de magnésio;
quando muito alcalino, observa-se uma diminuição da absorção de fósforo, deficiência
de praticamente todos os micronutrientes e de absorção de potássio e outros
nutrientes devido ao potencial osmótico. Pode ser gerido por medidas como a aplicação
de fertilizantes nitrogenados, calagem e práticas de cultivo que melhoram a matéria
orgânica do solo e a geral saúde do mesmo. [3]
A densidade do solo é a relação entre a massa de uma amostra de solo seca a
105ºC e a soma dos volumes ocupados pelas partículas e elos poros. O método mais
utilizado de determinação é o anel volumétrico, que recolhe uma amostra de
aproximadamente 100cm3 para secagem e peso da amostra que se traduz no valor de
densidade. De uma forma geral, quanto mais elevada for a densidade do solo, maior
será sua compactação e a estrutura degradada, menor sua porosidade total e,
consequentemente, maiores serão as restrições para o crescimento do sistema
radicular e desenvolvimento das plantas. A determinação da densidade dos horizontes
de um perfil de solo permite avaliar certas propriedades, como drenagem, porosidade,
condutividade hidráulica, permeabilidade ao ar e à água, capacidade de saturação e
armazenamento de água e água disponível. [4,5]

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

A condutividade elétrica do solo é influenciada por diversos fatores, alguns com


bastante importância para a agricultura, como o teor de água, de argila, a composição
química do solo, iões e iões solúveis e não solúveis.
O cálcio existe sobretudo sob uma forma de reserva: o calcário que é
solubilizado na água carregada de dióxido de carbono ou de ácidos húmicos. Os catiões
Ca2+ são fixados no complexo argilo-húmico, onde servem para troca iónica;
igualmente existem na solução do solo. Salvo em solos muito ácidos, a terra contém
sempre muito cálcio por relação às necessidades das plantas. Em excesso, pode levar à
insolubilização de nutrientes. Assim, é um parâmetro importante para a eventual
correcção e aplicação de fertilizantes no solo. [6] Para o doseamento do calcário ativo
na amostra de solo, foi feita a padronização do permanganato de potássio, titulação
descoberta por Skrabal, com (complexa) reação descrita abaixo [7]:

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Protocolo
Foram disponibilizadas quatro amostras de solo: em repouso, zona de árvores de
fruto, de horta (privada) e de cultivo de batatas e cebolas. Por convenção, a turma foi
dividida em quatro grupos e cada um trabalhou com uma amostra. O presente grupo
trabalhou com a amostra de solo em repouso.

1) Análise granulométrica de solos (via seca)


Material/Equipamento: Reagentes:
Balança de precisão Amostra de solo(s)
Agitador mecânico para peneiros
Cápsula
Caixas de pesagem
Conjunto de peneiros de granulometria
diferentes
Estufa
Exsicador
Escova para limpeza
Cápsula

a) Pesar 500g de amostra do solo.


b) Colocar na estufa durante uma hora, seguida de arrefecimento no exsicador e
pesar novamente (m).
↠ É obtido o peso do solo seco. Como o objetivo é observar as diferentes dimensões
de grão da amostra, é ideal que esta esteja seca para evitar erros.
c) Efetuar agitação (manual) dos peneiros por ordem decrescente.
d) Transferir cada fração de solo retida em cada peneiro e pesar a respetiva massa
(m1, m2,…, m6).
↠ É obtida a massa de solo correspondente a agregados de diferentes dimensões.

2) Comparação de permeabilidade do solo


Material/Equipamento: Reagente:
Proveta graduada 100ml Amostra de solo(s)
Funil
Algodão

a) Colocar uma bola de algodão no funil. Encaixar o funil na proveta.


↠ O algodão permite reter toda a amostra de solo, sem influenciar muito a experiência.
b) Colocar 100g de amostra de solo no funil.
c) Deixar cair sobre a amostra 50 mL de água.
d) Medir, em intervalos de aproximadamente 2 minutos, a quantidade de água
contida na proveta.
↠ É medido o volume de água que escoa pela terra para a proveta (por baixo).

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

3) Medição do pH
Material/Equipamento: Reagente:
Potenciómetro Amostra de solo(s)
Balança de precisão Água destilada
Erlenmeyer 100 mL KCl 1 mol/dm3

a) Pesar duas amostras de terra fina de 10g cada e colocar cada uma no Erlenmeyer.
b) Adicionar 50 mL de água destilada a um dos Erlenmeyer e ao outro 50 mL de KCl.
↠ A adição de cloreto de potássio tem como objetivo neutralizar os iões agora
dissolvidos, provenientes de sais retidos na amostra.
c) Agitar ambas as misturas continuamente com o auxílio de um agitador magnético
durante 15minutos. Deixar sedimentar.

4) Determinação da densidade real


Material/Equipamento: Reagente:
Balança de precisão Amostra de solo(s)
Cápsula Álcool etílico 96%
Estufa
Exsicador
Balão volumétrico de 50 Ml
Bureta

a) Pesar 20g de amostra de solo numa cápsula, levar à estufa a 105ºC por cerca de 1
hora, arrefecer em exsicador.
↠ É obtido o peso do solo seco, um valor mais preciso da massa de solo com que
estamos a trabalhar.
b) Pesar a massa do solo seco (m).
c) Transferir a massa de solo para um balão de 50 mL.
d) Adicionar água destilada, agitando bem o balão para eliminar as bolhas de ar que
se formam.
↠ Remover o ar é um passo importante de modo a ser ponderado apenas a massa de
solo e o volume de água, desprezando o ar nas porosidades da terra.
e) Deixar repousar.
f) Prosseguir com a operação, vagarosamente, até completar o volume do balão e
não existirem bolhas de ar. Anotar o volume de água gasto (V).
↠ Assim é possível medir o volume de líquido que é necessário adicionar ao solo para
perfazer 50mL de volume total, permitindo calcular a densidade.

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

5) Determinação da condutividade
Material/Equipamento: Reagente:
Balança de precisão Amostra de solo(s)
Condutivímetro Água destilada

a) Pesar 100g de amostra do solo.


b) Adicionar 100 mL de água destilada, agitar bem por aproximadamente 1 hora.
↠ Os iões retidos na amostra de solo passam a dissolvidos na água (desionizada, pelo
que tem aproximadamente nenhum ião dissolvido), permitindo assim ser medida a
condutividade da água, sabendo por equivalência da amostra de solo.
c) Filtrar e proceder à leitura.

6) Doseamento do calcário ativo


Material/Equipamento: Reagentes:
Agitador magnético Amostra de solo(s)
Balança de precisão Água destilada
Banho-maria ou manta de aquecimento KMnO4 (0,02 mol/dm3)
Bureta H2SO4 concentrado
Erlenmeyer 500 mL (NH4)2C204 (0,1 mol/dm3)
Funil e suporte
Papel de filtro
Peneiro 2mm
Pipetas de 5 e 10 mL

a) Pesar 2,5g de terra fina e introduzir num Erlenmeyer de 500 ml.


b) Adicionar 250 ml da solução de oxalato de amónia.
↠ Este vai reagir com o cálcio presente no solo.
c) Deixar 1,5 horas no agitador.
d) Filtrar, rejeitando os primeiros mL do filtrado.
↠ Por poderem passar maiores partículas primeiro, o filtrado é considerado uma
limpeza garantindo uma homogeneidade da amostra.
e) Retirar, com uma pipeta, 10 ml do filtrado e colocar num Erlenmeyer de 250 ml.
f) Adicionar 100 mL de água destilada e 5 mL de ácido sulfúrico concentrado.
↠ Este vai reagir com o oxalato de sódio, originando ácido oxálico
g) Aquecer na placa de aquecimento até 60-70ºC.
↠ Para ocorrer mais rapidamente, a reação é feita a quente, idealmente de 80-90ºC
h) Titular, a quente, com a solução de permanganato até obter uma coloração rosa.
Registar o volume gasto (V).
↠ O permanganato vai ser o titulante a reação termina quando a solução ficar rosa
persistentemente.
i) Titular novamente, mas com uma amostra controlo (branco). Registar o volume
(V’).
↠ Através da diferença de volumes, obtemos apenas o valor de titulante que permite
dosear o calcário. O branco não tem solo.

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Resultados:

1) Análise granulométrica de solos (via seca)


Após seco, foi obtida a seguinte massa para a amostra de solo, que inicialmente
pesava 500 gramas:
m=449,58g

Após o processo de peneiração, foram obtidas as seguintes massas para as


diferentes granulosidades retidas de solo:

Tabela 1: Análise da peneiração (para cada fração de agregados em milímetros): Peso (em gramas),
percentagem da fração (em percentagem) e percentagem da fração acumulada (em %).

Porosidade da Peso seco %


%
fração (mm) (g) Acumulada
m1 16 67,57 16,75% 17%
m2 8 44,06 10,92% 28%
m3 4 53,44 13,25% 41%
m4 2 129,49 32,10% 73%
m5 1 72,01 17,85% 91%
m6 <1 36,83 9,13% 100%
Total 403,40 100%

Dado que: 449,58-403,40=46,18g


Foi perdido aproximadamente 46 gramas de solo no processo de peneiração.

2) Comparação de permeabilidade do solo


Foram obtidos os seguintes volumes de água na proveta, medidos a cada dois
minutos:

Tabela 2: Medições, a cada dois minutos, do volume de água escoada (em mililitros) pela amostra de solo.

Tempo Volume de
(minutos) H2O (mL)
0 0
2 14
4 20
6 28
8 30
10 31
12 31
14 31
16 31

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

3) Medição do pH
Foram medidos valores de pH para a solução de amostra de solo com água
destilada e com cloreto de potássio (pH1 e pH2, respectivamente). Foram feitas duas
medições em dias distintos para essas soluções, pelo que serão apresentados dois
valores de medições para cada amostra:

Tabela 3: Medição dos valores de pH para a amostra de solo com água (pH 1) e com cloreto de potássio
(pH2); a medição 1 ocorreu no dia 1 de fevereiro de 2018 e a medição 2 ocorreu no dia 12 do mesmo mês
e ano. As medições foram obtidas utilizando um potenciómetro.

Medição 1 Medição 2
pH1 8,6 7,9
pH2 7,3 7,5

Foi feita uma terceira medição para pH2 usando papel indicador de pH, obtendo-se a
leitura de 6.

4) Determinação da densidade real


Foram pesadas 20 gramas de amostra de solo. Foi pesada a massa após 1 hora de
estufa (m). Vou medido o volume de água necessário a completar o volume do balão
(V).
m=17,88g
V=45mL

Assim é possível calcular a densidade em g/cm3:


𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎
𝜌=
𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒
17,88
=
45
= 0,397
≅ 0,4𝑔/𝑐𝑚3

5) Determinação da condutividade
Foi lido, para a amostra de solo, a condutividade igual a 144,9S/cm.

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

6) Doseamento do calcário ativo


O permanganato de potássio pode ser padronizado por titulação com o oxalato
de cálcio como padrão primário ( (𝑁𝐻4 )2 𝐶2 𝑂4 + 𝐶𝑎𝐶𝑂3 → 𝐶𝑎𝐶2 𝑂4 + (𝑁𝐻4 )2 𝐶𝑂3 ), dissolvido
em ácido sulfúrico para formar ácido oxálico ( 𝐶𝑎𝐶2 𝑂4 + 𝐻2 𝑆𝑂4 → 𝐻2 𝐶2 𝑂4 + 𝐶𝑎𝑆𝑂4 ):
5𝐻2 𝐶2 𝑂2 + 2𝑀𝑛𝑂4 − + 6𝐻 + → 10𝐶𝑂2 + 2𝑀𝑛2+ + 8𝐻2 𝑂
A solução tem então de ser aquecida a 80-90ºC para uma rápida reacção. A
reacção é catalisada pelo Mn+2 resultante e ocorre lentamente até algum Mn+2 ser
formado (3𝑀𝑛2+ + 2𝑀𝑛2+ → 5𝑀𝑛2+ ). À persistência da cor rosa (durante 30segundos)
deve de ser considerada como o ponto final da reacção. [7]
Foi feita a titulação da amostra de solo e medido o volume de permanganato de
potássio utilizado (V). Outro grupo fez a titulação do branco (mesmo procedimento,
sem amostra de solo), tendo medido o volume de titulante utilizado (V’). Estes
volumes traduzem-se em:
V=18,0mL
V’=0,1mL
N=0,1 meq MgO42-

De seguida, é calculado a percentagem de CaCO3 ativo. Como tal, será feita a seguinte
equação:
(𝑁𝐻4 )2 𝐶2 𝑂4 (𝑚𝐿) 100𝑔 5
%𝐶𝑎𝐶𝑂3 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 = 𝑁𝐾𝑀𝑛𝑂4 (𝑉𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑜 − 𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 ) ∗ ∗ ∗
𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑎 𝑓𝑖𝑙𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜 (𝑚𝐿) 2,5𝑔 1000
Como 0,1meq MnO42- reagem com 5mg CaCO3, então:
250𝑚𝐿 100𝑔 5
%𝐶𝑎𝐶𝑂3 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 = 𝑁𝐾𝑀𝑛𝑂4 (𝑉𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑜 − 𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 ) ∗ ∗ ∗
10𝑚𝐿 2,5𝑔 1000
= 𝑁𝐾𝑀𝑛𝑂4 (𝑉𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑜 − 𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 ) ∗ 5

Então:
%𝐶𝑎𝐶𝑂3 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 = 0,1 ∗ (0,1 − 18,0) ∗ 5
= −8,95% 𝐶𝑎𝐶𝑂3 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜

O resultado não é possível, pelo que acarreta erros.

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Discussão

1) Análise granulométrica de solos (via seca)


Quando observados os resultados, é possível relatar que 10% do solo inicial (50
gramas) era líquido (provavelmente água), uma vez que no processo de secagem se
perdeu aproximadamente 50 dos 500 gramas iniciais pesados. No processo de
peneiração, foram perdidas mais aproximadamente 46 gramas. É já apontado que tal
ocorreu devido a condições não ideais, devendo ser preferencialmente ser feita uma
torre das peneiras (com agitação, por um curto espaço de tempo), de modo a que a
amostra não saltasse ou caísse fora. Devido às condições do laboratório, tal não foi
possível.
De seguida é analisado a tabela 1 (página 7). É observado que a maior
percentagem de solo tem agregados de 2 a 4 milímetros (m4), correspondendo a
32,1% da totalidade da amostra (sendo que 73% da amostra tem dimensões
superiores a 2 milímetros). Comparando com a classificação de Wenworth abaixo
(Tabela 4), é atribuída a essa fração a classificação de gravilha. Dado que a amostra
proveio de solo em repouso, está concordante com o observado, sendo esperado que
os agregados tenham dimensões médias para oferecer boas condições para o
desenvolvimento de raízes, assim como porosidade favorável à passagem de água
(análise à permeabilidade do solo) e retenção de nutrientes (análise à condutividade),
embora seja esperado que estes valores sejam menos favoráveis do que quando
comparados com solos utilizados para cultivo.
Seria de esperar que, quando comparado com amostras de solo com maior
matéria orgânica, este teria agregados maiores, sendo classificado como grânulo ou
seixo. Quando comparado com um solo menos rico, este teria agregados menores,
classificado como areia (fina), silte ou mesmo argila.

Tabela 4: Escala de Wenworth (adaptada) para tamanhos de 10partículas de solo (diâmetro) desagregado
e sua classificação. [8]

Diâmetro do
Classificação
grão (mm)
Bloco 256<
Seixo 64-256
Grânulo 4-64
Gravilha 2-4
Areia Muito Grossa 1-2
Areia Grossa 0.5-1
Areia Média 0.25-0.5
Areia Fina 0.125-0.25
Areia Muito Fina 0.062-0.125
Silte 0.004-0.062
Argila <0.004

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

2) Comparação de permeabilidade do solo


Com os resultados obtidos, foi observado que o ponto de saturação é atingido
passados 10 minutos, quando 31 mililitros de água escoaram pela terra, sendo que os
restantes 19 mililitros ficaram retidos. É também de apontar que após 6 minutos, a
maioria da água já tinha passado, sendo que a partir desse ponto a terra já se
encontrava muito saturada, dificultando o restante escoamento de água. Note-se que é
possível que parte da amostra de solo, em particular os grãos de menores dimensões,
tenham sido escoados para o algodão e aí acumulados, contribuir para o impedimento
da passagem de água. Acrescido, o solo não se encontrava heterogéneo nem tinha sido
previamente seco, pontos que contribuem para erros nos resultados.
Por não haver padrão, não é possível afirmar o resultado como esperado ou não.
No entanto, seria esperado que, quando comparado com outros solos, se observasse o
seguinte:
- Caso estes sejam de menores dimensões (areias, silte ou argila), tenham menor
permeabilidade, pois os seus grãos ocuparam porosidades menores;
- Caso estes sejam de maiores dimensões (bloco, seixo ou grânulo), tenham maior
permeabilidade, por os seus grãos não conseguirão ocupar os espaços menores;
- Caso estes provenham de zonas com vegetação (presença de matéria orgânica),
poderiam estar mais agregados derivado aos elementos presentes (consequentes da
actividade orgânica), saturando mais rapidamente e dificultando a passagem da água,
sendo menos permeáveis.

3) Medição do pH
Prévio à medição, foi observado que o potenciómetro não aparentava encontrar-
se calibrado. Quando comparadas as medições (1 e 2), pode confirmar-se essa teoria,
uma vez que nos dois dias foram obtidos valores diferentes para a mesma amostra de
água. Note-se também que a medição feita com papel indicador tem erros associados
acrescidos (por ser susceptível à opinião do utilizador) e devido à diferença observada
entre essa leitura e a obtida pelo potenciómetro, será desprezada. É também de
apontar que a leitura (à solução de solo com KCl) foi feita com a solução ainda turva,
não tendo o solo precipitado na totalidade, tendo certamente interferido com o
resultado.
Quando é feita a adição de cloreto de potássio, é esperado (e foi observado) que
o valor de pH se altere, derivado da troca iónica entre os iões potássio (KCl) e
hidrogénio, proveniente dos sais no solo, agora dissolvidos na solução. Dado que eram
solos ricos em matéria orgânica, esperava-se que estes se encontrassem ligeiramente
mais ácidos e, portanto, que o pH da solução com cloreto de potássio fosse inferior à
com água (pH2<pH1). Na amostra de solo observou-se uma redução deste valor, valor
correspondente a um solo mais ácido, com matéria orgânica, pelo que é o resultado
esperado, indo também em conta os resultados observados na análise à granulometria.
Teria sido ideal ser feito um controlo de modo a ser certificado que o método estava a
ser aplicado correctamente. Caso o solo fosse mais arenoso (menos matéria orgânica)

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

4) Determinação da densidade real


O valor da densidade real obtida foi de 0,4g/cm3. Foi utilizada o seguinte critério
de caracterização [5]:

Tabela 5: Caracterização do tipo de solo de acordo com a amplitude de variação da densidade (em g/cm3).

Amplitude de
Tipo de solo
variação (g/cm3)
0,20 a 0,50 Turfoso
0,75 a 1,00 Húmico
0,90 a 1,25 Argiloso
1,25 a 1,60 Arenoso

Embora acima (3) Medição do pH, página 11) tenha sido defendido que era
esperado que o solo fosse mais ácido, este é de repouso e classificado como gravilha,
pelo que não era também esperado que fosse categorizado como turfoso, um tipo de
solo com alto teor em matéria orgânica, associado a zonas ativas de cultivo; antes
húmico ou argiloso, embora o segundo teria menor grão. Comparando com os
resultados da medição do pH, seria esperado que este fosse mais argiloso, por ter
baixo conteúdo orgânico (que iria acidificar o solo). Assim, era esperado que o
resultado obtido para a densidade apontasse para um tipo de solo húmico, tendo
menor conteúdo orgânico e maior valor de densidade.

5) Determinação da condutividade
Foi obtida a medição de 144,9S/cm para condutividade. No entanto, a água
utilizada não era desionizada, pelo que terá influenciado o resultado. É também de se
notar que o condutivímetro poderia estar descalibrado. Idealmente, estariam apenas a
ser medidos sais dissolvidos do solo. O valor obtido suporta a teoria de que o solo teve
contacto com matéria orgânica (da qual resultariam sais no solo, dissolvidos no
procedimento), que elevaria o valor de condutividade (acima do da água destilada). No
entanto, este não é alto o suficiente para suportar a teoria de solo turfoso,
contrariando os resultados obtidos para a densidade e consequentemente para o pH. É
também de aponte que deveria ter sido feito um controlo, particularmente a medição
da condutividade da água (a comparação foi feita com base no valor obtido na
experiência da poluição de água).

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

6) Doseamento do calcário ativo


O resultado é impossível, derivado do muito baixo valor obtido para o Vbranco.
Este deveria ter sido inclusive maior que o obtido para o Vamostra. A água destilada, não
tendo calcário dissolvido (ou em menores dimensões), levaria a um aumento do
volume necessário de titulante para ocorrer a alteração de cor, permitindo dosear o
cálcio no solo. Uma explicação para o ocorrido será que a água não se encontrava
destilada. O facto de outro grupo ter feito a titulação também permite que tenham
cometido erros desconhecidos ao presente grupo, pelo que teria sido ideal ter sido feita
a segunda titulação por nós. Seria esperado que, para solos com mais matéria orgânica,
tivessem maior percentagem de calcário presente.

7) Resumo
De acordo com as conclusões descritas acima, é feita a seguinte esquematização
das diferentes relações entre características de amostras de solo com maior ou menor
conteúdo orgânico ou características físico-químicas do solo:
Granulometria: Reduzido diâmetro - Argila, Silte e Areias finas
Mediano diâmetro - Areias grossas e Gravilha
Elevado diâmetro - Grânulo, Seixo e Bloco
Permeabilidade: Baixa - s/vegetação (pororosidades menores)
Baixa - c/vegetação (agregados humíferos)
Alta (porosidades maiores)
pH Mais ácido (solo Turfoso)

Mais alcalino (solo Argiloso)

Densedade: Alta (solo Arenoso)


Intermédia (solo Argiloso ou Húmico)
Baixa (solo Turfoso)
Condutividade Menor (solo Arenoso)

Maior (solo Turfoso)

Calcário Ativo Menor (solo Arenoso)

Maior (solo Turfoso)

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Conclusão
A análise físico-química do solo é sempre um passo essencial a quem queira o
usar para fins agrícolas. Todos os elementos descritos no presente relatório que se
encontram interligados são assim importantes e permitem obter inúmeras informações,
quanto ao tamanho dos agregados, densidade e permeabilidade (descritivos das
características do solo, que dependendo dos seus valores, podem constituir problemas
ao cultivo), pH e condutividade (referentes aos conteúdos químicos retidos) e calcário
ativo (tal como descrito na introdução, quando em elevados valores, pode ser tóxico).
Os resultados obtidos não foram o esperado. Dada a natureza e aparência da
amostra de solo, era esperado que este fosse húmico, um solo rico em matéria
orgânica (embora não tanta quanto o turfoso) com agregados de médio tamanho e
maior valor de densidade do que o obtido. Os resultados para granulometria,
permeabilidade, pH e condutividade encontraram-se no entanto, em conformidade com
o previsto.
Relativo ao estudo da permeabilidade, é possível que o algodão tenha interferido
na experiência, tornando o resultado mais demorado do que esperado. Também deve
ser tido em atenção o solo estar heterogéneo e seco.
No estudo do pH, a turvação da solução e o potenciómetro estar descalibrado
afetou certamente o resultado, não sendo portanto fiável. Teria sido ideal esperar mais
tempo para o clarear da solução para ser feita a medição (embora o tempo extra não
fosse possível no procedimento experimental). A utilização de um potenciómetro
calibrado é também fulcral.
No estudo da densidade real, o valor seria explicado se tivesse sido adicionada
água a mais, se tivesse sido feito a medição incorrecta (dado que se trata de
utilizadores inexperientes, tal é provável) ou se a utilização de água em vez de álcool
tenha influenciado o resultado. O errado doseamento da amostra de solo também pode
justificar as leituras.
De uma forma geral, deveriam ter sido utilizados controlos, de modo a verificar
o normal e esperado decorrer dos protocolos e aplicações experimentais.
O ponto sétimo da discussão (Resumo) é também a conclusão teórica retirada da
experiencia.
Assim, conclui-se que os resultados não foram todos o esperado, pelo que o
objectivo global não foi atingido. Um maior rigor experimental teria de ter sido
praticado.

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Metodologia de Controlo da Contaminação dos Solos

Referências
[1] Rodrigues et al, 2003
[2] https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/38660/1/Estudo%20da%20perm
eabilidade%20em%20misturas%20de%20solo%20ligante.pdf
[3] https://www.nrcs.usda.gov/Internet/FSE_DOCUMENTS/nrcs142p2_053293.pdf
[4] https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/300387/mod_resource/content/0/Aula
%20Teórica%203%20-%20Densidade%20do%20Solo%20e%20Densidade%20de%20
Partícula.pdf
[5] https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3347628/mod_resource/content/1/Aula
%205_Densidade%20do%20solo_%20densidade%20de%20partículas_%202017.pdf
[6] https://eraizes.ipsantarem.pt/moodle/pluginfile.php/21837/mod_resource/conte
nt/1/Unidade%20II%20-%20Fertilidade.pdf
[7] https://nvlpubs.nist.gov/nistpubs/bulletin/08/nbsbulletinv8n4p611_A2b.pdf
[8] http://oceanography17.blogspot.pt/

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