Você está na página 1de 14

Direito Administrativo

G7 Jurídico

1. Introdução ao Direito Administrativo


1.1 Conceito
No decorrer da história surgiram diversos conceitos/critérios
definidores do conceito de Direito Administrativo.
 Critério das Prerrogativas Públicas: Na França, a partir desse
critério, o Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras
que disciplina a atuação do Estado na qualidade de Poder Público.

 Critério do Serviço Público: Essa teoria surgiu na França, segundo


essa teoria toda atividade do Estado é voltada à prestação dos
Serviços Públicos.

O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que regem a


organização e o funcionamento do Serviço Público, aqui entendido como
toda atividade estatal voltada para o fim comum.

Atenção: No entanto, a prestação de serviços públicos não é a única


atividade exercida pelo Estado.
 Critério do Poder Executivo: estabelece que a atividade da
administração pública se resume no exercício do Poder Executivo;

O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que


disciplina a organização e o funcionamento do Poder Executivo.

Observação: Essa teoria não pode ser considerada por si só, pois os
Poderes Legislativo e o Judiciário também exercem a função
administrativa atipicamente, quando realizam concursos públicos ou
licitações.
 Critério das Relações Jurídicas: Para esse critério o Direito
Administrativo trata das relações envolvendo o Estado e os
Indivíduos.

O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que


disciplina a relação jurídica existe entre a administração pública e os
seus administrados.
Atenção: Porém, essas relações jurídicas também são tratadas pelo
Direito Tributário, Direito Penal, Direito Civil etc.
 Critério Teleológico: é toda atividade do Estado exercida com a
finalidade de assegurar o interesse público.

O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que


disciplina a atividade material e concreta do Estado, voltada para a
realização de seus fins.

Observação: O critério teleológico ele não é suficiente para delimitar o


estudo do Direito Administrativo.

 Critério Negativo ou Residual: estabelece que o Direito


Administrativo tem a finalidade de estudar as atividades do Estado
que não são exercidas pelo Poder Judiciário ou pelo Poder
Legislativo.

O Direito Administrativo é o conjunto de princípios e regras que


disciplina a atividade estatal de natureza não legislativa e não
jurisdicional.
Atenção: A função administrativa não é jurisdicional e nem legislativa,
porém a doutrina moderna entende que não é correto classificar um
ramo do direito pelo que ele não é.
 Critério da distinção entre a atividade jurídica e social do
Estado: É o conjunto de princípios e regras que disciplina a
atividade administrativa, bem como os sujeitos que incumbidos de
prestá-la.

 Critério da Administração Pública: Segundo Helly Lopes Meirelles o


Direito Administrativo é “um conjunto harmônico de princípios
que regem os órgãos, entidades e agentes públicos; com a
finalidade de realizar os fins almejados pelo Estado, de
forma: concreta, direta e imediata”.

Quem define os fins desejados pelo Estado? É o Direito


Constitucional.
Em outras palavras “O Direito Administrativo, em síntese, é o
ramo do Direito que procura estudar a Administração
Pública, a sua composição, princípios a serem observados,
deveres, e seu relacionamento com a coletividade. Nesse
sentido torna-se imprescindível entender que a
Administração Pública não se resume ao Poder Executivo, mas
a todos os Poderes quando no desempenho de funções
administrativas, em qualquer esfera de governo”.
1.2 Competência Legislativa
Todos os entes da federação tem competência para legislar sobre direito
administrativo, no âmbito de suas competências constitucionais (a
União legisla apenas para si; O Estado legisla para si; O Município
legisla no âmbito municipal).
Há casos em que a Constituição diz que compete a um determinado
ente legislar, é uma extensão que a constituição estabelece como
exemplo o art. 22 da CF.

Art. 22, inciso II da CF/88 “Compete privativamente à União


legislar sobre: desapropriação”.
Os Estados, os Municípios, podem praticar o procedimento
administrativo de desapropriação, mas eles NÂO podem legislar sobre
essa matéria. Isso ocorre, porque quem legisla privativamente a União
legislar sobre desapropriação. Essa é a extensão que a Constituição
concede a alguns entes.
Art. 22, inciso XXVII da CF/88 “Compete privativamente à União
legislar sobre: normas gerais de licitação e contratação,
em todas as modalidades, para as administrações públicas
diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados,
Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art.
37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de
economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III”.

1.3 Interpretação do Direito Administrativo


No Direito Administrativo todos os critérios interpretativos que são
utilizados pela hermenêutica também são utilizados, com exceção dos
critérios de interpretação do Direito Civil.
O Direito Administrativo deve ser interpretado com fundamento no
Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Particular e o da
Indisponibilidade do Interesse Público.
Os Pressupostos de Interpretação das Leis Administrativas são:

 Reconhecimento de uma relação jurídica de desigualdade entre


a Administração e os administrados: A Administração Pública é
orientada pelo Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o
Privado;

 Reconhecimento de uma presunção de legitimidade dos atos da


Administração: os atos praticados pelos agentes públicos são
presumidamente legítimos (fé pública), até que se prove o contrário.

 Reconhecimento de poderes discricionários para a


Administração Pública: O poder discricionário é a liberdade que a
lei dá a Administração para decidir dentro de parâmetros legais
aquilo que melhor satisfaça os parâmetros da coletividade. O Poder
Discricionário é utilizado para evitar o engessamento da
administração pública, a atuação do administrador deve ser
praticada de acordo com a conveniência e oportunidade (visando
atender as necessidades da sociedade).

Mas quando que a Administração tem liberdade para decidir?


Quando a lei expressamente reconhece; Quando a lei não é capaz de
descrever todas as situações enfrentadas pela Administração Pública;
Quando a lei atribui uma competência e não descreve o modo de exercê-
la.

O poder discricionário é limitado? Sim. Pelos Princípios da


Legalidade, Razoabilidade e Proporcionalidade. Também pode ser
limitado pelo controle judicial e pela responsabilidade.

Observação: Toda atividade do Estado está sujeita ao controle da


administração pública.
 Aplicação analógica das regras de direito privado: É possível usar
a analogia no direito administrativo, isso não viola o princípio da
legalidade.
1.4. Fontes do Direito Administrativo

A doutrina tradicional diz que são fontes do direito administrativo:

a) A lei em sentido amplo: É qualquer ato normativo do Estado


(Constituição, Medida Provisória, Resolução, Lei Ordinária,
Complementar, etc.) é a fonte primária do direito administrativo.

b) Doutrina: é o direito administrativo enquanto ciência do direito. A


doutrina não pode contrariar a lei.

c) Jurisprudência: São decisões reiteradas de tribunais em um


determinado sentido. A jurisprudência não pode contrariar a lei.

d) Costumes: São comportamento reiterados, com a consciência de que


se está cumprido uma lei, mas não há lei. Os costumes não podem
contrariar a lei.

A Maria Sylvia Di Pietro, ao tratar das fontes do direito administrativo,


diz que essas fontes se dividem:

 Fontes Supranacionais:

 Os tratados e as convenções internacionais;


Exemplo: Convenção Americana de Direitos Humanos e a Convenção
Interamericana contra a Corrupção.
.
 Princípios Jurídicos Supranacionais:

 Como a razoabilidade, o do devido processo legal.

 Fontes Nacionais

 Fontes Formais: A fonte formal é aquela relacionada a própria


criação do direito, como se o direito administrativo fosse produzido
pela fonte formal. Exemplo, a Constituição, a lei, o regulamento e
outros atos normativos da Administração e parcialmente a
Jurisprudência.

Observação: A Jurisprudência é fonte formal do direito administrativo,


quando as sentenças proferidas produzem efeito “erga onmes”, nas
ações coletivas, na ação popular, ação civil pública, mandado de
segurança coletivo, assim como a edição das sumulas de efeito
vinculante.

 Fontes Materiais: São fontes do direito administrativo. relacionadas


a produção do direito. Isto é, a medida que o direito administrativo é
aplicado o direito se forma.

Como exemplo de fonte material do direito administrativo, temos: a


jurisprudência, a doutrina, os costumes e os princípios gerais do
direito.

Observação: Repare que a jurisprudência apenas é fonte formal quando


ela tem efeito vinculante para a Administração (não é a regra). Cuidado,
pois para o princípio da legalidade a Administração faz o que a Lei
manda e não o que os tribunais entendem, por isso a jurisprudência é
fonte formal apenas quando tem efeito vinculante.

O art. 50 da Lei 9.484/99 traz as hipóteses que a motivação do ato


administrativo é obrigatória.

Art. 50 da Lei 9.484/99 “Os atos administrativos deverão


ser motivados, com indicação dos fatos dos fundamentos
jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos
ou interesses; II - imponham ou agravem deveres, encargos
ou sanções; III - decidam processos administrativos de
concurso ou seleção pública; IV - dispensem ou declarem a
inexigibilidade de processo licitatório; V - decidam
recursos administrativos; VI - decorram de reexame de
ofício; VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada
sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos,
propostas e relatórios oficiais; basta motivar. VIII -
importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de
ato administrativo”.

1.5 Sistemas Administrativos

A- Conceito: São os mecanismos de controle jurisdicional dos atos do


poder público. A ideia central dentro desse ponto (sistemas
administrativos) é a ideia de jurisdição que é uma das funções do
Estado.

b) Modalidades: Existem duas modalidades de sistemas


administrativos:

 Sistema Frances ou Sistema do Contencioso Administrativo:


Nesse sistema existe dualidade de jurisdição. Ao lado de uma
jurisdição comum existe uma jurisdição administrativa a quem
compete o controle judicial dos atos da Administração.

 Sistema Inglês: Sistema Judiciário ou Sistema da unidade de


Jurisdição. Nesse sistema o poder judiciário monopoliza a jurisdição.

Observação: Desde a proclamação da república, as Constituições


brasileiras positivaram o sistema inglês hoje previsto no art. 5º, XXXV,
da CF “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito”.

1.6 Administração Pública

A- Conceito: A Administração Pública é uma expressão equivoca, isto é,


é uma expressão que detém diversos sentidos.

 Administração Pública em sentido amplo: Essa Administração


Pública em sentido amplo se refere ao Governo + Administração
Pública em sentido estrito. Governo, possui dois sentidos subjetivo e
objetivo.

 Sentido Subjetivo: Nesse sentido o Governo são Órgãos


Constitucionais incumbidos da atividade politica ou atividade de
governo que consiste em gerir os negócios superiores do Estado, isto
é, apontar o fim que o Estado perseguirá. A atividade política no
Brasil é repartida entre executivo e legislativo.

 Sentido Objetivo: Nesse sentido, governo é a própria atividade


politica.

 Administração Pública em sentido estrito: A Administração em


sentido estrito, nada mais é do que a Administração pública livre da
ideia de Governo.
 Sentido Subjetivo: Nesse sentido a Administração pública são os
sujeitos incumbidos da atividade administrativa (Pessoas jurídicas,
órgãos públicos e agentes públicos).

Art. 4° do DL 200/67 “A Administração Federal compreende: I


- A Administração Direta, que se constitui dos serviços
integrados na estrutura administrativa da Presidência da
República e dos Ministérios. II - A Administração Indireta,
que compreende as seguintes categorias de entidades,
dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias;
b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d)
fundações públicas. Parágrafo único. As entidades
compreendidas na Administração Indireta vinculam-se ao
Ministério em cuja área de competência estiver enquadrada
sua principal atividade”.

 Sentido Objetivo: Administração Pública é a própria atividade


administrativa. Mas, quais atividades são catalogadas como
atividade administrativa:

 Serviço público;
 Poder de Polícia;
 Fomento.

Observações:

Art. 175 da CF – “Incumbe ao Poder Público, na forma da


lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,
sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I - o
regime das empresas concessionárias e permissionárias de
serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de
sua prorrogação, bem como as condições de caducidade,
fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II - os
direitos dos usuários; III - política tarifária; IV - a
obrigação de manter serviço adequado”.

Art. 78 do CTN: Considera-se poder de polícia atividade da


administração pública que, limitando ou disciplinando
direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes,
à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de
atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao
respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos.

Observação: Intervenção no domínio econômico: Essa intervenção pode


ser de duas formas, direta e indireta.
 Exploração de atividade econômica direta:

Art. 173 da CF “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a


exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida
quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante
interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o
estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e
de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou
comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: I -
sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade;
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive
quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributários; III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e
alienações, observados os princípios da administração pública; IV - a
constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal,
com a participação de acionistas minoritários; V - os mandatos, a
avaliação de desempenho e a responsabilidade dos administradores. §
2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão
gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. § 3º A lei
regulamentará as relações da empresa pública com o Estado e a
sociedade[...].

Art. 177 da CF: Constituem monopólio da União: I - a pesquisa e a lavra


das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos; II -
a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro; III - a importação e
exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades
previstas nos incisos anteriores; IV - o transporte marítimo do petróleo
bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos
no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto,
seus derivados e gás natural de qualquer origem; V - a pesquisa, a lavra,
o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de
minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos
radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser
autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso
XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal [...].

 Exploração de atividade econômica indireta: Essa forma é a


regulação e fiscalização da atividade econômica.
.

AULA 1.4
2. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO
2.1 Introdução
Expressão ampla que se refere tanto ao regime jurídico de direito
público quanto ao regime jurídico de direito privado, os quais a
Administração Pública pode se sujeitar.

Administração Pública atuando com regime jurídico de direito público: a


Administração Pública ostenta a qualidade de autoridade - poder
público. Posiciona-se verticalmente em relação ao destinatário. Assim, a
ordem jurídica reconhece poderes à Administração para que ela possa
realizar um fim (interesse público).

Toda vez que a Administração Pública precisar atuar na qualidade de


poder público precisará agir segundo o regime jurídico de direito
público. No entanto, o Estado poderá descentralizar o exercício da
atividade administrativa, isto é, o Estado decide que não exercerá
determinada atividade administrativa, transferindo a outra pessoa o
encargo. Se o Estado descentralizar uma atividade, a qual exija poderes
e prerrogativas para seu desempenho, o regime jurídico será de direito
público.

As pessoas jurídica de direito privado não pode exercer poder de polícia.


Tal poder relaciona-se a uma atividade administrativa que requer, para
ser exercido, prerrogativas públicas.

A intervenção do Estado na propriedade também é uma atividade que


exige prerrogativas públicas. No entanto, em outras situações a
Administração Pública atua segundo o regime jurídico de direito
privado.

Atuando com tal regime, a relação tornar-se horizontal em relação ao


destinatário, pois a Administração perde poderes e prerrogativas – a
Administração não atua com autoridade.

Quando a Administração Pública atua segundo o regime jurídico de


direito privado? Quando a atividade a ser desempenhada não requerer
o exercício de prerrogativas públicas.

Exemplo: serviço público de educação, de saúde, de pesquisa, de


proteção à criança.

Ao desempenhar o serviço público de educação a Administração


Pública precisará atuar como autoridade? Não.

Quando a Administração Pública atua segundo o regime jurídico de


direito público ou segundo o regime jurídico de direito privado?
Quando a lei assim o estabelecer. Professor citou o exemplo de uma
antiga Lei editada pela União, a qual instituiu o regime jurídico de
direito privado para Conselhos Profissionais. A Lei foi revogada em
razão do poder de polícia dos Conselhos (fiscalizar profissões).

Observação: Quando a Administração Pública atua segundo o regime


jurídico de direito privado sempre haverá a incidência de normas de
direito público, as quais derrogam parcialmente o regime jurídico de
direito privado, contudo tais normas de direito público não desnaturam
o regime jurídico – continua sendo predominantemente de direito
privado.

Exemplo:

Art. 62, § 3º, inciso I da Lei n. 8666/93 “Aplica-se o


disposto nos arts. 55 e 58 a 61 desta Lei e demais normas
gerais, no que couber: aos contratos de seguro, de
financiamento, de locação em que o Poder Público seja
locatário, e aos demais cujo conteúdo seja regido,
predominantemente, por norma de direito privado”.

2.2 Regime jurídico administrativo

A- Conceito: expressão doutrinária que se refere a um conjunto de


princípios e a um conjunto de regras que dá identidade ao Direito
Administrativo, cujos fundamentos são:

 Princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse


particular: que se traduz em poderes reconhecidos à Administração.

 Princípio da indisponibilidade do interesse público: que se traduz


em restrições impostas à Administração.

O regime jurídico administrativo se traduz na dialética “poderes


limitações”/“prerrogativas-restrições”. Todo o Direito Administrativo é
construído a partir da citada dialética.

Celso Antônio Bandeira de Mello: “as pedras de toque do regime jurídico


administrativo são o princípio da supremacia do interesse público e o
princípio da indisponibilidade do interesse público”.

Assim, todos os institutos do Direito Administrativo sofrem a influência


dessas duas ideias principais – fundamentos dos poderes e das
restrições.

2.3 Princípios Constitucionais Expressos

Os princípios Constitucionais Expressos estão previstos no art. 37 da


Constituição Federal, os quais são: Legalidade, Impessoalidade,
Moralidade, Publicidade e Eficiência.
A- Princípio da legalidade (ou juridicidade): atuar conforme a lei e o
Direito (legalidade em sentido amplo – juridicidade). A Administração
deve cumprir a lei, os regulamentos, as instruções. Enfim, cumprir
todos os atos normativos e agir conforme o Direito.

Segundo o Prof. Antônio Bandeira de Mello há situações excepcionais,


previstas na Constituição, que distorcem a legalidade: a) medida
provisória; b) estado de defesa; e c) estado de sítio.

O administrador Público só pode atuar conforme a lei, todas as suas atividades estão
subordinadas aos comandos legais. Diferentemente da Legalidade no âmbito dos
particulares, onde o que não está proibido está presumidamente permitido (art.5°, II da
CF/88).

Segundo o Princípio da Legalidade Administrativa o


administrador somente está autorizado a agir quando existir
previa autorização legal.

B- Princípio da Impessoalidade: Os atos, programas, obras, serviços e


campanhas desenvolvidos pela autoridade não são atribuídos à pessoa
da autoridade em razão da teoria do órgão.

A teoria do órgão traduz o princípio da impessoalidade. Segundo a


referida teoria o Estado é pessoa jurídica, a qual se consubstancia em
sujeito de direitos e obrigações.

O Estado é composto por órgãos, os quais possuem atribuições fixadas


pela lei, mas executadas por agentes públicos. O ato praticado pelo
agente é, portanto, mera execução legal das atribuições fixadas pelo
órgão, isto é, o ato do agente não é do agente e, sim, imputado ao órgão
(imputação volitiva). Em suma, o ato é impessoal, pois não é imputado
ao agente, mas ao órgão que integra a pessoa jurídica.

Art. 37, §1 da CF/88 “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas
dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social,
dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção
pessoal de autoridades ou servidores públicos”.

Art. 37, § 6º da CF/88 “As pessoas jurídicas de direito


público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.

O Estado é uma pessoa jurídica, portanto, sujeito de direitos e obrigações. Internamente,


o Estado é formado por órgãos, cujas atribuições são fixadas pela lei e exercidas pelo
agente público, de modo que o ato praticado pelo agente não é atribuído pelo agente,
mas, sim, imputado ao órgão, o qual integra a pessoa jurídica.
Assim, o dano é causado pelo próprio Estado – o ato do agente é um ato impessoal, pois
não se refere a pessoa dele (consequentemente, não responde).

C- Princípio da Moralidade: A moralidade integra o patrimônio público


– o conceito de patrimônio público não é restrito ao contexto econômico.
Patrimônio público é o conjunto de bens e valores de titularidade do
Estado, ainda que os bens e valores não tenham conteúdo patrimonial.

É possível o manejo de ação civil pública para proteger o princípio da


moralidade, ainda que não envolva dano patrimonial de natureza
econômica.

Segundo Prof. Matheus Carvalho “A noção de administração proba


está relacionada com a moralidade administrativa, que pode
ser entendida como um conjunto de regras extraídas da boa e
útil disciplina interna da administração, ou seja, é um
conjunto de valores que fixa um padrão de condutas, que
devem ser observados pela Administração, no sentido de que
ela atue com retidão de caráter, ética, honestidade,
decência, lealdade e com boa-fé no trato com o dinheiro
público. Não basta que as atividades da Administração
estejam de acordo com a Lei, essas atuações têm que ser
conduzidas com Lealdade, Ética e Probidade”.

Art.5°, LXXIII da CF/88 “qualquer cidadão é parte legítima


para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao
patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e
ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência”.

D- Princípio da Publicidade:

Art. 5º, inc. XXXIII da CF/88 “Todos têm direito a receber


dos órgãos públicos informações de seu interesse
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado”.

Segundo o Prof. Mateus Carvalho “Publicidade dos atos públicos


é a transparência no exercício da atividade administrativa.
A publicidade pode ser considerada como uma garantia de
controle. Vale ressaltar que a publicidade é um requisito
de eficácia dos atos administrativos. Salvo, nos assuntos
relativos a segurança nacional; certos interesses sociais,
ou de foro íntimo (privacidade – intimidade”.
E- Princípio da Eficiência: Foi inserido no texto constitucional com a
edição da Emenda Constitucional 19. Devido a busca por mudança no
paradigma da Administração Pública, isto é, busca a modificação da
forma como a Administração é gerida.

Busca-se romper com o modelo burocrático e formal de gerir a coisa


pública. Tal modelo (burocrático), focado no procedimento, na forma e
na legalidade estrita revelou-se caro, lento e ineficiente – a
administração esqueceu-se de dar resultados, de maximizar recursos.

Assim, no contexto das modificações globais da década de 1990, há a


reforma do Estado brasileiro, a qual rompe com o modelo burocrático e
implanta o modelo de administração pública gerencial. Tal modelo é
focado no resultado, na qualidade e na eficiência – não significa que o
procedimento, a forma e a legalidade deixaram de ser importantes. No
entanto, tais características não são fins em si mesmas.

A EC n. 19/98 é a reforma que eleva ao nível constitucional toda essa necessidade de


mudança. A eficiência é o “slogan” da EC n. 19/98, a qual é o ápice do movimento de
reforma - positiva na Constituição a ideia de uma administração gerencial focada no
resultado e na qualidade.

Exemplos: a estabilidade passou de dois para três anos – melhor avaliação do servidor
público; avaliação de desempenho; contrato de gestão; subsídio.

Atenção: Porém, a Administração não pode, a pretexto de ser eficiente, esquecer-se de


observar os outros princípios.

2.4 Princípios Implícitos

A- Princípio da Especialidade: Segundo Silvia Zanella de Pietro


“quando o Estado cria uma pessoa jurídica da administração
pública indireta, essa pessoa jurídica só poderá atuar
dentro da área prevista na lei de sua criação”.

A Fundação Nacional de Assistência ao Índio, presta serviço público de


assistência ao índio. A Fundação possui independência para agir e
atuar, mas é especializada na prestação de assistência ao índio.

O art. 237 Lei 6.404/1976 prevê que “A companhia de


Economia Mista somente poderá explorar os empreendimentos
ou exercer as atividades previstas na lei que autorizou a
sua constituição”.

O Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista criada pela


União para explorar atividades econômicas e financeiras. Portanto, o
Banco do Brasil somente poderá explorar atividades econômicas e
financeiras.
B- Princípio do controle ou tutela: Segundo Maria Sylvia Zanella Di
Pietro “os entes federativos, através de órgãos da
administração direta exerce controle sobre as pessoas
jurídicas da administração indireta – não há hierarquia, há
controle; não há autotuela, há tutela; não há subordinação,
há vinculação”.

Art. 4°, § único do Dec. Lei n. 200/67 “A Administração Federal


compreende as entidades compreendidas na Administração
Indireta vinculam-se ao Ministério em cuja área de
competência estiver enquadrada sua principal atividade”.

O Ministério da Educação exerce tutela sobre as autarquias federais


universidades federais; Ministério do Meio Ambiente exerce tutela sobre
o IBAMA; Ministério das Minas e Energia exerce tutela sobre a
Petrobrás; Ministério da Fazenda exerce tutela sobre o Banco do Brasil,
Caixa Econômica Federal e Casa da Moeda; Ministério das
Telecomunicações exerce tutela sobre os Correios e ANATEL.