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Curso: Reabilitação Urbana com foco em Áreas Centrais

A importância do Plano de Reabilitação e a integração com outros instrumentos de


planejamento e gestão urbana
A realização do Plano de Reabilitação de uma área urbana central deve estar inserida dentro
de um amplo contexto de planejamento urbano, uma vez que tais áreas abarcam questões
diversas que dizem respeito à cidade como um todo. Nesse sentido, é importante não apenas
integrar o Plano de Reabilitação com o Plano Diretor, mas também com planos setoriais,
como os de habitação, mobilidade, saneamento, entre outros. Essa integração deve começar
na elaboração e se estender para as fases de implementação e monitoramento.
O Plano Diretor é o instrumento que deve conter as diretrizes para o desenvolvimento e
ordenamento da cidade, incluindo a área central, e é nele que se prevê o uso de instrumentos
urbanísticos que possam ser utilizados com o objetivo de reabilitar alguma área. Um plano
diretor realizado de forma participativa, utilizando leituras técnicas que envolvam no processo
de planejamento a participação da população interessada, integrando a realidade da população
ao trabalho dos técnicos, é um grande passo para reabilitar uma área urbana central. O Plano
de Reabilitação faz a transição do macro, das diretrizes gerais do Plano Diretor, para a escala
do centro por meio de proposições palpáveis.
Quando a elaboração do Plano de Reabilitação se inicia, aspectos já tratados no Plano Diretor
são detalhados, avançando as reflexões técnicas em maior profundidade sobre o território do
centro. A complexidade do centro urbano, considerando a grande pressão de atores sociais
que nele interagem, faz com que a realização do Plano de Reabilitação forneça uma visão
circunstanciada e pormenorizada de aspectos que não são possíveis de serem tratados em
profundidade no Plano Diretor. Decorre daí a possibilidade do surgimento de novos
entendimentos que levem o Plano Diretor a ser readequado, assim como também a Lei de Uso
e Ocupação do Solo.
Os planos setoriais também são instrumentos de planejamento, voltados para aspectos de
áreas específicas. Caso o município tenha elaborado ou venha a elaborar planos setoriais, é
importante que levem em consideração as propostas indicadas pelo Plano de Reabilitação o
qual, a partir de um olhar global sobre o perímetro de intervenção por ele definido, prescreve
uma série de ações setoriais. Os planos setoriais atendem a demandas específicas do seu
domínio e, quando elaborados de forma desarticulada, podem impactar outras ações que a eles
se sobrepõem.
Já a importância de se articular o Plano de Reabilitação com outras estratégias de intervenção
no território tais como projetos, obras e planos específicos de habitação, infraestrutura e
mobilidade, por exemplo, parte da preocupação que todo gestor público deve ter na utilização
eficiente dos escassos recursos públicos para o alcance dos objetivos das políticas públicas.
Dessa maneira, cabe ao Plano Diretor indicar as diretrizes e os aspectos mais gerais de
ordenamento territorial, enquanto aos planos setoriais cabe materializar no espaço as
diretrizes genéricas, por meio das obras necessárias ao desenvolvimento urbano.