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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____VARA

CIVEL DA COMARCA DE PALMAS – TO.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, (nome artístico xxxxxxxxxxxxxxxx) brasileira,


casada, música, portadora do RG nº xxxxxxxxxxxxx, inscrita no Cadastro de Pessoa
Física do Ministério da Fazenda CPF sob o nº xxxxxxxxxxxxx, residente e domiciliada
na 8xxxx sul, QI xx, Lote xxxx, Palmas-TO, e-mail: xxxxxxxxxxxxxxx@gmail.com,
fone (62) xxxx6-xxxx, xxxx-xxxx, vem, por seu advogado Dr. xxxx, inscrito na
OAB/TO sob o nº xxxx, com escritório profissional na Quadra xxx Sul, AL xx, LT xx,
CEP 77xxxx-3xx, Plano Diretor Sul, em Palmas/TO, com fulcro no artigo 5º , XXVII e
XXVIII da Constituição Federal c/c os artigos 4º , 7º, 18,22,24,89 e outros da Lei Nº
9.610/88 o artigo 186 do Código Civil e artigo 497 do Código de Processo Civil, ajuizar
a presente:

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DIREITOS AUTORAIS

Em face do xxxxxx, pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrito no


Cadastro de Pessoas Jurídica do Ministério da Fazenda, CNPJ/MF sob o Nº xxxxxxx,
com sede do seu Diretório Municipal na Quadra 205 sul, Av. LO 05, salas 3 e 4, CEP
77015-xxxxx, e-mail: xxxxxxx@hotmail.com, telefone (63) xxxxxx, Plano Diretor Sul,
ante os fatos juridicamente fundamentados, a seguir expostos:

I - DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

xxx
E-mail: xxxxa@yahoo.com.br
Informa a Autora que não possui recursos financeiros suficientes para suportar
o pagamento das despesas processuais sem que isso prejudique seu próprio sustento e de
seus familiares, considerando que a mesma encontra-se no momento desempregada, em
razão de ser pessoa pobre, na acepção jurídica do termo.
Desta forma , nos termos do artigo 5º , LXXIV, da Constituição Federal, bem
como do artigo 4º da Lei 1.060/50 , a Autora requer que sejam a ela concedidos os
benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, e, para tanto, requer a juntada da anexa
declaração de pobreza e da CTPS.
Não basta o simples requerimento, onde apenas consta que a parte se diz
merecedora de tal benefício.
É necessária a comprovação, conforme art. 5º, LXXIV, da Constituição
Federal, que preceitua:
LXXIV -o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que
comprovarem insuficiência de recursos.

A fácil compreensão da necessidade de comprovação da hipossuficiência é


reforçada pelo entendimento dos tribunais:

JUSTIÇA GRATUITA. Pessoa física. Alegação de insuficiência de recursos.


Inexistência de comprovação dos requisitos de Lei para a obtenção do
benefício Art. 5º, LXXIV, da CF. Recurso desprovido.

(TJ-SP; AI 0101872-10.2013.8.26.0000; Ac. 6949480; Barretos; Décima


Quarta Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Cardoso Neto; Julg.
20/08/2013; DJESP 02/09/2013)

AGRAVO INTERNO. Decisão monocrática ementada como a seguir:


Agravo de instrumento. Gratuidade de justiça. Pessoa física. Ausência de
comprovação da alegada hipossuficiência pela parte autora que discute na
ação principal o contrato financiamento de veículo. Benefício da gratuidade
de justiça que deve ser concedido apenas aos efetivamente necessitados
pertencentes à camada mais pobre da sociedade . Art. 5º, XXXV e LXXIV,
da CRFB/88. (...) (TJ-RJ; AI 0052951-49.2012.8.19.0000; Décima Oitava
Câmara Cível; Relª Desª Helena Candida Lisboa Gaede; Julg. 09/10/2012;
DORJ 15/10/2012; Pág. 392) ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. PESSOA
FÍSICA E PESSOA JURÍDICA.

A lei 1.060/50 já autoriza a concessão, desde que o pagamento inviabilize a


manutenção da pessoa jurídica ou o sustento da pessoa física e sua família . Neste
contexto, o novo Código de Processo Civil expressamente informa que a parte, quando
se evidencia a falta de pressupostos legais para a concessão da concessão da gratuidade,
deve determinar que a parte faça a comprovação, ex vi do § 2º do artigo 99 .

xxx
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Nesse contexto, anexa-se aos autos, copia do estrato bancário da Requerente,
declaração de imposto de renda, bem como cobranças de débitos em nome da
Requerente, afim de prova o estado de dificuldade financeira da autora ensejador do
deferimento da justiça gratuita.

II - OS FATOS

A Autora é uma conhecida e respeitada cantora e compositora, reconhecida


principalmente na Região Centro Oeste e no estado do Tocantins, já tendo divido palco
com Maria Eugênia, xxxxxxxxxxxx, dentre outros, em bares e festividades no estado do
Tocantins, tendo trabalhos veiculados por diversos órgãos de imprensa da região.
Dentre as obras elaborada pela autora, destacamos a composição do Hino de Amor
à Palmas ou canção de xxxxxxxxx.
Além dos trabalhos divulgados nos mais importantes veículos de comunicação
da região a Autora é constantemente convidada para participar de shows e eventos
artísticos e culturais, os quais contribuem para formar toda a diversidade cultural de
suas composições.
Desde a criação do Estado do Tocantins a Autora, se apresentava, fazendo
shows com o músico xxxxxxx com o qual começou a trabalhar e a viajarem em quase
todas as cidades do Tocantins cantando e dividindo os palcos.
No ano de 1992, durante a primeira campanha para executivo municipal da
cidade de Palmas, lastreado pelo sentimento de orgulho pela criação da nova capital,
bem como pela enorme quantidade de pessoal que aqui chegavam, a Autora sentiu-se
inspirada para compor uma música que falasse à aquelas pessoas que estavam vindo de
tantos outros estados brasileiros com esperança de uma terra melhor, com vontade de
vencer, deixando para trás suas raízes e trazendo consigo suas tradições, sua força,
vontade e esperança, sobre a historia de nova capital, para dar orgulho aos que
chegavam.
Nesse sentido, a Autora compôs a referida música, e a intitulou de Hino de
xxxxx que cantou para o músico xxxxx que a acompanhou ao violão, e na mesma noite
cantou em um comício de lançamento da Candidatura do ex prefeito de Palmas xxxxx,
acompanhada mais uma vez pelo músico xxxxx.

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No ano de 2002 a Autora registrou a Musica xxxxx, como Hino de Palmas, na
Fundação Biblioteca Nacional, do Ministério da Cultural, Escritório de Direitos
Autorais, conforme Certificado de Registro ou Averbação sob o Nº xxxx, Livro xxx,
folha xxx2, conforme documento acostado nos autos.
Conforme alhures, a Requerente e única compositora e detentora dos direitos
da referida obra, entretanto, foi surpreendida durante a campanha Eleitoral do ano 2012,
para a Prefeitura Municipal de xxxxx, quando se deparou com a noticia de que o xxxxxx
adotou a sua obra, como hit de campanha do então candidato a Prefeitura de Palmas
pelo partido, o candidato Marcelo Lelis. (doc. Anexo....).
Para melhor compreensão da violação perpetrada pelo Réu, que explorou a
obra da Autora sob diversas modalidades de utilização, a saber, televisão aberta, vídeo
on demand pela internet, comícios e reuniões politicas e carros de som, sem a sua
autorização, vejamos abaixo o lamentável exemplo:
Segue Videos em Cd a serem depositados no Cartório.
........................................................................................................................................................................... .................
.................................................................................................................. ..........................................................................
............................................................................................................................. ...............................................................

Não bastasse tal desproposito, com o referido uso indevido da música não
autorizada pela a Autora, o Requerido alterou o nome original da musica ”xxxxx” para
“xxxxxxxx”, uma grave afronta aos direitos de propriedade intelectual da Autora.
Na ocasião, a Autora procurou os representantes do partido Requerido
objetivando cessar o indevido, uma vez que sua musica estava sendo usada
indevidamente e sem a sua autorização pelo partido Requerido, tendo sido ouvida, uma
vez que tem a ótima relação profissional com a classe politica tocantinense.
Contudo, o Requerido optou por não discutir a questão e alegar
superficialmente que nada era devido a Autora, infelizmente talvez por acreditar que por
ela estar fora do mercado musical nada mais poderia fazer para ver seus direitos
respeitados.
Conforme narrado, a adoção não autorizada da musica da Autora pelo Réu
configura contrafação, em evidente infração às regras jurídicas de proteção ao Direito
Autoral. Contudo, não bastasse a contrafação do trabalho intelectual da Autora, o Réu o
adulterou a referida obra, fazendo inserir titulo inexistente no original, ferindo a
harmonia dos traços e do estilo da artista.

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Salienta-se que que o Réu adotou tal pratica com relação a obra produzida pela
Autora, sem que esta tenha dado qualquer autorização e sem que o Réu tenha a
procurado ou mesmo celebrado qualquer contrato com ela.
Neste contexto, apesar de não ser o caso da Autora (que JAMAIS transmitiu
seus direitos autorais para o Réu), cumpre salientar que a Lei de Direitos Autorais em
seu art. 49 impõe algumas limitações à transmissão dos direitos de autor:

Art. 49. Os direitos de Autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a


terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular,
pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio
de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito,
obedecidas as seguintes limitações:
I - a transmissão total compreende todos os direitos de autor, salvo os de
natureza moral e os expressamente excluídos por lei;
II - somente se admitirá transmissão total e definitiva dos direitos
mediante estipulação contratual escrita;
III - na hipótese de não haver estipulação contratual escrita, o prazo
máximo será de cinco anos;
IV - a cessão será válida unicamente para o país em que se firmou o contrato,
salvo estipulação em contrário;
V - a cessão só se operará para modalidades de utilização já existentes à
data do contrato;
VI - não havendo especificações quanto à modalidade de utilização, o
contrato será interpretado restritivamente, entendendo-se como limitada
apenas a uma que seja aquela indispensável ao cumprimento da finalidade
do contrato.

III - DA OFENSA AO TRABALHO DA AUTORA

Embora o xxxxxx tenha experimentado inegáveis benefícios políticos e de


promoção, é evidente que tiveram o intuito de atingir a Autora em sua honra e moral,
através da reprodução não autorizada do seu trabalho, contendo adulteração do titulo da
música e de sua veiculação sob o título de “xxxxx”. A Ré teve também a intenção de
incutir nos ouvintes a ideia de que a musica adulterada fora produzida pela Autora, uma
vez que mantiveram a sua assinatura na letra, como se ela tivesse confeccionado um
novo trabalho, com o titulo inverso daquele que foi elaborado para a campanha politica
do ex prefeito de Palmas xxxxxxxx.
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Sendo a musica um trabalho artístico que visa expressar um pensamento a
respeito de determinados fatos ou atos, traz consigo o ideário e a identidade do seu
autor, que passa a ter o seu nome e a sua imagem compromissados com a mensagem
exposta em sua arte. Portanto, se alguém dolosamente adultera o titulo da musica, sem
autorização da artista, fazendo-a publicar de maneira ilegal, com a reprodução da
assinatura da autora, comete odioso atentado contra suas ideias e valores morais. Isto
sem se falar no prejuízo material causado pela contrafação em si.

IV - A NATUREZA DO DANO SOFRIDO

IV.1 - Prejuízos morais

Os prejuízos de ordem moral consistem na dor e no sentimento de violação ao


seu pensamento, impostos pelo Réu a Autora quando veiculou no programa eleitoral de
rádio e televisão na campanha eleitoral de 2012 a musica xxxxxx , bem como, na
ofensa ao espírito da artista, que viu seu trabalho violado pela inserção de um titulo que
não era aquele original, que não é seu e que discrepa do seu estilo. A Autora também
sofreu prejuízo moral ao ser submetida à humilhação de ter que explicar-se perante o
público sobre o porquê do titulo da música adulterado, publicada de forma não
autorizada, que acreditava ser de Autoria e responsabilidade da Autora.

IV.2 - Forma de apuração do dano moral

O dano moral deverá ser apurado levando-se em consideração o


reconhecimento público da Autora, consagrada artista da região, a ofensa consistente na
veiculação de seu trabalho sem autorização.
. Ainda sob o aspecto do dano moral V.Exa. deverá arbitrá-lo levando em
consideração a ofensa ao espírito e à sensibilidade da artista, que viu um trabalho seu
violado, de forma ofensiva e com propósito evidente de atingi-la em sua honra,
autoestima e conceito artístico.

V - DAS SANÇÕES CIVIS

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Além da indenização pelos danos materiais e morais provocados a Autora pelo
Réu esta deverá suportar as sanções civis pelos atos praticados.

VI - A PRESTAÇÃO JURISDICIONAL

O Réu não providenciou qualquer tipo de reparo a Autora pelos danos que lhe
impingiu. Destarte, alternativa não lhe restou, senão socorrer-se ao Poder Judiciário, em
busca do remédio jurisdicional ao final requerido.

VII - DO DIREITO

Aplicam-se ao presente caso as regras estabelecidas nos mais diversos


diplomas legais em vigor, vejamos:
A Declaração Universal dos Direitos Humanos protege os direitos do autor,
tanto em aspecto materiais quanto em aspecto morais. Destacando que os direitos
morais do autor estão ligados à autoria da obra, a vinculação que o autor tem com o
resultado de sua atividade criativa. Ao passo que os direitos patrimoniais do autor estão
ligados aos frutos da comercialização do seu trabalho, podendo o autor usar, fruir e
dispor dos produtos de sua criação.
Artigo XXVII, da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural


da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e
de seus benefícios.
2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e
materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística
da qual seja autor.

Na Constituição Federal de 1988, a proteção do Direito autoral vem


determinada nos incisos XXVII a XXIX, do artigo 5º :

XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação


ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a
lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:

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a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à
reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades
desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que
criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às
respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais,
à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento
tecnológico e econômico do País;

A musica composta pela Autora encontra-se protegida, nos termos do Art. 7º e


inciso V da Lei 9.610/98, gerando-lhe os direitos morais estabelecidos no capítulo II, do
Título III, da Lei 9.610/98 e os direitos patrimoniais do capítulo III do mesmo Título.

Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas


por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível,
conhecido ou que se invente no futuro, tais como:
(...)
V - as composições musicais tenham ou não letra;
(...)

É, portanto, pacífico na doutrina e jurisprudência que é necessária prévia e


expressa autorização do Autor para que a obra seja levada ao público, ou seja, a
autorização deve
anteceder a exibição ou representação da obra e deve ser inequívoca, concedida por
meio de um contrato escrito.
. A Autora jamais concedeu autorização válida para que o Réu explorasse a sua
obra da forma que foi feita durante a campanha eleitoral de 2012, e sem tal autorização
do verdadeiro titular de direitos não pode o Réu utilizar a sua musica na divulgação da
obra por diversas mídias. Se assim o faz está cometendo ato ilícito e tem o dever de
indenizar a Autora por sua ação. Senão vejamos o entendimento consolidado dos
nossos Tribunais a este respeito:

APELAÇÃO. DIREITO AUTORAL. VEICULAÇÃO DE MÚSICA DO Autor


EM COMERCIAL DE AMPLA DIVULGAÇÃO SEM AUTORIZAÇÃO.

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E-mail: xxxxa@yahoo.com.br
DANO MORAL CONFIGURADO. VALOR MANTIDO. O direito autoral é o
conjunto de normas jurídicas que visam regular as relações oriundas da criação
e da utilização de obras intelectuais (artísticas, literárias ou científicas) -
entendida estas como as criações do espírito, sob qualquer forma exteriorizadas
- sendo disciplinado a nível nacional e internacional e compreendendo os
direitos de Autor e os direitos que lhes são conexos. AS NORMAS
AUTORAIS IMPÕEM A TODOS OS INTEGRANTES DA SOCIEDADE
RESPEITO A ESSAS CRIAÇÕES DO ESPÍRITO HUMANO AO PASSO
QUE OUTORGA AOS SEUS CRIADORES O EXERCÍCIO DE
PRERROGATIVAS EXCLUSIVAS. NO CASO DOS AUTOS, É
INCONTROVERSO QUE O TITULAR DO DIREITO AUTORAL DA
MÚSICA, ADOTADA PELO COMERCIAL FEITO PELA PRIMEIRA
RÉ, PARA A CAMPANHA DA SEGUNDA RÉ, É DO AUTOR. É
INCONTROVERSO, TAMBÉM, QUE HOUVE EFETIVA
UTILIZAÇÃO DA MÚSICA DE TITULARIDADE DO Autor NO
COMERCIAL, SEM A EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO APELADO.
NESSE DIAPASÃO, RESTOU CONSTATADA A VIOLAÇÃO DO
DIREITO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL DO AUTOR, SENDO A
CONSEQÜÊNCIA O DEVER DE INDENIZAR DAQUELE QUE
CAUSOU O DANO. DANO MORAL CONFIGURADO. O procedimento
das rés foi de inegável temeridade, já que fizeram uso de obra intelectual de
terceiro, sem a sua expressa autorização. Não é crível que as demandadas não
tenham conhecimento da lei especial, mormente ante sua atividade específica.
A responsabilidade, então, surge da utilização da música desacompanhada da
devida autorização. A OFENSA NASCE DO SIMPLES DESRESPEITO
AO DIREITO EXCLUSIVO À UTILIZAÇÃO DA OBRA, EXERCIDO
APENAS POR SEU TITULAR. A OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR
DECORRE DO USO NÃO AUTORIZADO DESSE DIREITO, SENDO
DESNECESSÁRIA A PROVA DA EXISTÊNCIA DO DANO. Valor
reparatório que obedeceu ao critério da razoabilidade, atendendo a sua dúplice
função compensatória dos sofrimentos infligidos à vítima e inibitória da
contumácia do agressor - sem descambar para o enriquecimento sem causa da
vítima. Desprovimento do recurso. (TJ RJ - 0269409-33.2007.8.19.0001 -
APELACAO - DES. RENATA COTTA Julgamento: 15/06/2011 - TERCEIRA
CAMARA CIVEL) . (grifos nossos)

Ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. USO


DE MÚSICA DE AUTORIA DO DEMANDANTE SEM AUTORIZAÇÃO.
RINGTONE. DANO MATERIAL: LIQUIDAÇÃO DE
SENTENÇA. DANO MORAL: CABIMENTO. QUANTUM. MAJORAÇÃO.

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E-mail: xxxxa@yahoo.com.br
Comprovado nos autos que a operadora de telefonia disponibilizou em seu
site "Ringtone" de obra musical sem autorização expressa do compositor.
Inexistência de veiculação do nome do demandante como autor intelectual da
composição. Violação da integridade da obra sem a expressa anuência do
titular da canção. Infração ao que dispõe os arts. 24, II e IV e 29, I da Lei
9.610/98. Dano patrimonial ocorrente. Montante a ser arbitrado em liquidação
de sentença. O reconhecimento do abalo moral se dá pela ausência
de vinculação da obra ao nome do autor, bem como pela modificação da
composição sem expressa autorização. Precedentes. Ausente sistema de
tarifamento, a fixação do montante indenizatório ao dano extrapatrimonial está
adstrita ao prudente arbítrio do juiz. Valor majorado [R$ 20.000,00]. Mantida a
responsabilidade da empresa denunciada M4U SOLUÇÕES LTDA. ao
presente feito. NEGARAM PROVIMENTO AOS RECURSOS DAS RÉS.
PROVERAM EM PARTE O APELO DO AUTOR. UNÂNIME. (Apelação
Cível Nº 70042112409, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Jorge Alberto Schreiner Pestana, Julgado em 30/08/2012)
***
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO E MEDIDA CAUTELAR
- GRAVAÇÃO, REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO DE MÚSICA -
IDENTIFICAÇÃO CLARA E LEGÍVEL DO COMPOSITOR DA MÚSICA
NO ENCARTE DO CD - INFRINGÊNCIA AO DISPOSTO NO ART. 24,
INC. I E II DA LEI Nº 9.610/98 NÃO VERIFICADA - DANO MORAL NÃO
CONFIGURADO - AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO PARA
REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO DA MÚSICA - DANO PATRIMONIAL -
DEVER DE INDENIZAR - PEDIDO DE SUSPENSÃO DA
COMERCIALIZAÇÃO - POSSIBILIDADE - SENTENÇA REFORMADA -
REDISTRIBUIÇÃO DAS VERBAS DE SUCUMBÊNCIA.RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO.1 - Nos termos do art. 24, incisos I e II da Lei nº
9.610/98 constituem direitos morais do autor, reivindicar a autoria e ter seu
nome, como sendo o do autor, na utilização da obra. No caso concreto,
vislumbra-se que houve menção clara e legível da autoria da composição da
música, de tal sorte que inexiste violação do direito autoral, passível de
indenização por danos morais, nesse aspecto.2. Diante da ausência de
autorização prévia e expressa do autor para a utilização da obra em qualquer
modalidade, ou seja, reprodução, edição, adaptação ou distribuição, configura
ofensa ao direito patrimonial do autor, nos termos dos arts. 28 e 29 da Lei de
Direitos Autorais, exsurgindo o dever de indenizar.3. No caso, uma vez
demonstrada que a obra foi fraudulentamente reproduzida, por ausência de
autorização de um dos seus compositores, mostra-se perfeitamente cabível a
sanção prevista no art. 102 da Lei nº 9.610/98, que consiste na apreensão dos

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exemplares reproduzidos.(TJPR - 10ª C.Cível - AC - 1255272-6 - União da
Vitória - Rel.: Luiz Lopes - Unânime - J. 29.01.2015).

*
DIREITO AUTORAL - Dublagem – Direito autoral conexo - Inexistência de
autorização para comércio em mídia DVD e omissão do nome do dublador -
Violação manifesta de direito autoral, a ensejar reparação de natureza moral -
Situação que vai além de mero transtorno, configurando desrespeito e violação
contratual - Indenização por danos morais fixada em R$ 20.000,00, com juros
desde a citação e correção a partir do arbitramento, cifra que leva em conta a
agressão havida e o porte da agressora – Verba honorária mantida em 10% do
valor atualizado da condenação - Danos materiais a serem apurados em
liquidação de sentença - Recurso da Ré desprovido e provido parcialmente o do
autor”. (...) É necessária prévia e expressa autorização do Autor ou titular
do direito para que a obra seja levada ao público. Por autorização prévia
entende-se que ela antecede a exibição ou representação; e expressa,
requer a manifestação inequívoca. Sem tal providência não pode alguém
utilizar a voz ou desempenho profissional de dublador na divulgação do
filme por outras mídias, respondendo todos os que participaram da
contratação, encomenda e que usufruíram do resultado, pois afinal, fazem-no
com intuito de lucro direto ou indireto”. (TJ/SP, Apelação Cível nº 1022055-
65.2013.8.26.0100, 7ª Câmara de Direito Privado, Rel. Mendes Pereira,
j.14/05/2014).
(grifos nossos).
***
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR
VIOLAÇÃO A DIREITOS AUTORAIS. OBRA MUSICAL. EXECUÇÃO
PÚBLICA EM CARRO DE SOM. CAMPANHA ELEITORAL.
INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO PRÉVIA E EXPRESSA DO AUTOR
E CESSÃO DE DIREITOS POR ESCRITO. VIOLAÇÃO AO DIREITO DO
AUTOR. MULTA DO ARTIGO 109 DA LEI N. 9.610/98. INCIDÊNCIA.
POSSIBILIDADE. MÁ-FÉ. CONFIGURAÇÃO. FIXAÇÃO EM
MONTANTE ADEQUADO. DANOS MORAIS. QUANTUM
INDENIZATÓRIO. RAZOABILIDADE. MANUTENÇÃO. 1.A TUTELA
DO DIREITO AUTORAL ESTÁ CONSAGRADA NO ART. 5º, INCISOS
XXVII E XXVIII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E NA LEI Nº
9.610/98, ESTANDO SOB SUA PROTEÇÃO, DENTRE OUTRAS
PRODUÇÕES ARTÍSTICAS, LITERÁRIAS E CIENTÍFICAS, AS
COMPOSIÇÕES MUSICAIS. 2.PERTENCEM AO CRIADOR DA OBRA
LITERÁRIA, ARTÍSTICA OU CIENTÍFICA OS DIREITOS MORAIS E
PATRIMONIAIS SOBRE A OBRA QUE CRIOU (ARTIGO 22 DA LEI Nº

xxx
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9.610/98). 3.OS DIREITOS DO AUTOR PODEM SER TRANSFERIDOS A
TERCEIROS, MAS A CESSÃO TOTAL OU PARCIAL DESSES DIREITOS
SERÁ SEMPRE POR ESCRITO, PRESUMINDO-SE ONEROSA (ARTIGOS
49 E 50 DA LEI Nº 9.610/98). 4.A EXECUÇÃO PÚBLICA DE OBRA
MUSICAL DEPENDE DE PRÉVIA E EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO
AUTOR, CABENDO A IMPOSIÇÃO DE MULTA E INDENIZAÇÃO EM
CASO DE VIOLAÇÃO (ARTIGOS 68, 102 E 109 DA LEI Nº 9.610/98).
5.PARA A APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 109 DA LEI Nº
9.610/98 EXIGE-SE A COMPROVAÇÃO DA MÁ-FÉ DO INFRATOR OU
QUE A UTILIZAÇÃO INDEVIDA SE DÊ DE FORMA DELIBERADA A
INFRINGIR O DIREITO AUTORAL. PRECEDENTES. 6.A MULTA
PREVISTA NO ART. 109 DA LEI Nº 9.610/98 DEVE SER FIXADA EM
PATAMAR RAZOÁVEL E PROPORCIONAL AO CASO CONCRETO,
EVITANDO-SE O ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. PRECEDENTES. 7.EM
CASO DE VIOLAÇÃO AO DIREITO DO AUTOR, MEDIANTE A
EXECUÇÃO PÚBLICA INDEVIDA DE OBRA MUSICAL DE SUA
AUTORIA, É CABÍVEL A CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE
INDENIZAÇÃO A TÍTULO DE DANOS MORAIS. 8.O VALOR FIXADO A
TÍTULO DE COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS, EM QUE PESE A
FALTA DE CRITÉRIOS OBJETIVOS, DEVE SER PAUTADO PELA
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE, ALÉM DE SERVIR
COMO FORMA DE COMPENSAÇÃO AO DANO SOFRIDO E DE
POSSUIR CARÁTER SANCIONATÓRIO E INIBIDOR DA CONDUTA
PRATICADA. 9.APELAÇÕES CÍVEIS CONHECIDAS E IMPROVIDAS.
(TJ-DF - APC: 20070111407972 DF 0053565-60.2007.8.07.0001, Relator:
SIMONE LUCINDO, Data de Julgamento: 02/04/2014, 1ª Turma Cível, Data
de Publicação: Publicado no DJE : 11/04/2014 . Pág.: 126)

Não bastasse todo o narrado até aqui, que comprova o completo desrespeito a
belíssima criação intelectual da Autora, bem como a própria pessoa da Autora que se
dedica a produzir obras artísticas para os seus ouvintes, o Réu ainda é capaz de
desrespeitar os direitos morais da Autora decorrentes da sua criação.

VIII - DOS DANOS MORAIS

A Lei de Direitos Autorais em seu artigo 22 assim dispõe:

“Art. 22. Pertencem ao Autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra


que criou.”

xxx
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Tais direitos ditos morais, emanam da própria personalidade do criador,
motivo pelo qual são absolutos, inalienáveis e imprescritíveis. O rol desses direitos está
devidamente relacionado no artigo 24 do mencionado diploma, estando dentre eles
justamente (i) o de reivindicar, a qualquer tempo a autoria da obra, (ii) o de ter seu
nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do
autor, na utilização de sua obra, (iii) o de assegurar a integridade da obra, opondo-
se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam
prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra e (iv) o de retirar
de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada,
quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem.

E ainda, no presente caso decorre da exposição dos fatos o direito


estabelecido no inciso IV, do art. 24, da Lei nº 9.610/98, de o Autor assegurar a
integridade de sua obra, que além de fraudulentamente reproduzida, o titulo da música
“Hino de Amor a Palmas” foi modificado pelo Réu, de forma a prejudicá-la e atingi-la
como autora, em sua reputação ou honra, na medida em que, conforme exposto,
inverteu-se o sentido da mensagem que a Autora desejava transmitir com a musica e
fez-se com que o público ouvinte, ao ouvir a musica, acreditasse que a Autora é pessoa
de mau caráter, verdadeira mercenária das artes, que expressa suas ideias a quem quer
que se disponha a pagá-las, sem importar-se em vender duas ideias opostas sobre a
mesma musica.
. O Direito de garantir a integridade da obra, contudo, não prejudica o Direito
ao ressarcimento pecuniário pelos danos morais sofridos pela Autora.
. Carlos Alberto Bittar, em seu “Contornos Atuais do Direito do Autor”, RT
1992, sobre a indenizabilidade dos danos morais e patrimoniais no plano autoral,
leciona:
“A violação a direitos autorais acarreta sancionamentos em diferentes
planos do Direito, em que avulta a perspectiva de reparação de danos
sofridos pelo lesado, tanto de ordem moral como de ordem patrimonial. …
…Com efeito, dentre os esquemas de defesa de interesses com que o
ordenamento jurídico arma o ofendido, é na indenizabilidade de danos
que se podem encontrar condições mais concretas de satisfação de direitos
de caráter personalíssimo ou de cunho material, isso porque, quando não
possível a restituição ao estado anterior, existirá sempre a recomposição

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material do acervo patrimonial lesado, que a aplicação da teoria da
responsabilidade civil possibilita.” (p. 201)

. O mesmo Bittar, na obra “Direito de Autor”, Forense Universitária, 1992, p.


143, complementa:
“A ação de responsabilidade civil assume, em verdade, nessa área,
extraordinário relevo quando perpetrada a violação, intentando repor,
para o lesado, as perdas sofridas, tanto no plano patrimonial quanto
moral, como, aliás, pacificamente se reconhece em doutrina e
jurisprudência.
Na reparação de danos, em que devem ser observados todos os princípios
próprios, em que se destaca o da responsabilidade integral, ou seja, que
impõe o total ressarcimento do lesado, para propiciar-lhe plena satisfação
de seus interesses, devem ser enunciadas, com clareza, as ofensas havidas,
de índole moral ou patrimonial, ou ambas, fundando-se a ação, conforme
o caso, em relação contratual ou extracontratual (Código Civil, arts. 159 e
1.056)”(pp. 143/144)

. A nossa Carta Magna, nos incisos V e X, de seu art. 5º., assegura o direito a
indenização por dano moral ou material decorrente de violação à intimidade, à vida
privada, à honra e à imagem das pessoas.
A indenização por danos morais decorrentes da violação de direitos de autor,
afora as consequências advindas da aplicação da legislação especial, será estabelecida
com base nas regras gerais do Direito Civil aplicáveis à espécie.
O Código Civil Brasileiro, em seu art. 159, prevê “in verbis” a reparação do
dano causado por ação ou omissão:

“Art. 159 – Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou


imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a
reparar o dano.”

. Os atos praticados, descritos nesta inicial, atingem frontalmente a reputação, a


honorabilidade e os sentimentos da Autora. Arnaldo Marmitt (ob. cit.) afirma:

“os atributos do ser humano, as virtudes que o adornam e dignificam, são


seus valores espirituais, os valores da honradez, do bom nome, da
personalidade, dos sentimentos de afeição, enfim, todo um patrimônio

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moral e espiritual de valia inestimável. Qualquer atentado a esse
patrimônio deve ser ressarcido da melhor forma possível.”

Resta evidenciada, portanto, a ocorrência de gravíssimos danos morais a


Autora, que viu sua obra divulgada pelo Réu, sem sua autorização e o titulo da sua
musica adulterado.
Carlos Alberto Bittar (ob. cit.) classifica os Danos Morais como “Danos
Morais Puros” e “Danos Morais Reflexos”. Segundo o jurista são puros os danos morais
que se exaurem nas lesões a certos aspectos da personalidade, enquanto os reflexos
constituem efeitos ou interpelações de atentados ao patrimônio ou demais elementos
constitutivos do acervo jurídico (p. 47/48).
Desta forma os danos morais de que trata a presente ação são “Danos Morais
Puros”, porque atingiram justamente os aspectos que constituem o seu patrimônio moral
juridicamente protegido.

IX- O MONTANTE DA REPARAÇÃO PELO DANO MORAL

. O juiz tem plena liberdade para fixar a indenização, em caso de dano moral,
pois a legislação não fixa parâmetros para tal estipulação, entretanto, “se pelas
circunstâncias fáticas se mostrar que o lesante se encontrava em condições em que a intensidade de
dolo é evidente, ou se aproveitou indevidamente da situação de inferioridade do lesado, ou, enfim,
procurou atingi-lo moralmente, cumpre seja exacerbado o sancionamento, para que sinta a força
da reação do ordenamento jurídico a seu comportamento antissocial.” (Bittar, ob. cit., p.
213/214, g.n).
Não há dúvidas que a atitude do Réu em adulterar o titulo da musica da
Autora, modificar-lhe a mensagem e publicá-la sem sua autorização, atingiu-lhe
moralmente, fazendo-a experimentar constrangimento de intensa gravidade, dadas as
circunstâncias.
A atitude do Réu permite ao juiz a fixação da indenização pelos danos
causados a Autora em percentual agravado, indo ao encontro da mais moderna teoria do
“desestímulo a novas agressões”, tão eficazmente adotada nos países de cultura anglo-
saxã, e que vem sendo a cada dia mais adotada pela doutrina e pelos tribunais
brasileiros.
Segundo Carlos Alberto Bittar (ob. cit., p. 220):

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“…a indenização por danos morais deve traduzir-se em montante que
represente advertência ao lesante e à sociedade de que não se aceita o
comportamento assumido, ou o evento lesivo advindo. … …deve, pois, ser
quantia economicamente significativa, em razão das potencialidades do
patrimônio do lesante.”

Nesse sentido a jurisprudência:

“DANO MORAL – Indenização. Arbitramento mediante estimativa


prudencial que leva em conta a necessidade de satisfazer a dor da vítima e
dissuadir de novo atentado o autor da ofensa. Ementa oficial: A indenização
por dano moral é arbitrável, mediante estimativa prudencial que leve em conta
a necessidade de, com a quantia, satisfazer a dor da vítima e dissuadir, de igual
e no atentado, o autor da ofensa. Do v.acórdão extrai-se: …Se não o dispõem a
lei, não há critérios objetivos para cálculo da expiação pecuniária do dano
moral, que, por definição mesma, nada tem com eventuais repercussões
econômicas do ilícito. A indenização é, pois, arbitrável (art. 1.553 do CC) e
como já acentuou formoso aresto desta Câmara, “tem outro sentido, como
anota Windscheid, acatando opinião de Wachter: compensar a sensação
agradável em contrário (nota 31 ao § 455 das Pandette, trad. Fadda e Bensa).
Assim, tal paga em dinheiro deve representar para a vítima uma satisfação,
igualmente moral ou, que seja, psicológica, capaz de neutralizar ou anestesiar
em alguma parte o sofrimento impingido. … A eficácia da contrapartida
pecuniária está na aptidão para proporcionar tal satisfação em justa medida, de
modo que tampouco signifique um enriquecimento sem causa da vítima, mas
está também em produzir, no causador do mal, impacto bastante para dissuadi-
lo de igual novo atentado. Trata-se, então, de uma estimação prudencial” (Ap.
113.190-1, rel. Des. Walter de Moraes). (in Danos e Indenizações Interpretados
pelos Tribunais, Wilson Bussada, Ed. Jurídica Brasileira, RJ, 1ª Ed., 1996,
verbete 295, pp. 786/787)
“DANO MORAL – VALOR – FIXAÇÃO. A fixação do valor de reparação
ao dano moral deve ser equânime entre o dano causado e os reflexos incidentes
deste na pessoa atingida e a capacidade econômica do agente causador (TJ –
MA – Ac. unân. 14.367, da 1ª. Câmara Cív., publ. no D.O. de 29/03/93 –
Embs. 13.977/92, na ap. 4.730/92 – Capital – Rel. Des. Antônio Bayma Araújo
– in ADCOAS – 1993 – ementa 140358)”.
“04 – DANO MORAL – Processual – ‘Como o dano moral não é tarifado, o
valor da causa pertence à parte que sofreu a aflição’. O Juiz da causa é quem
irá fixar a indenização (TJRS – 8ª Câm. Cível; Ag. de Instr. nº. 596.147.058-

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RS; Rel. Des. Antônio Carlos Stangler Pereira; j. 10.10.1996; v.u.; ementa, in
Boletim AASP nº. 2018, ano XXXVIII, 01 a 07/09/97).

Dessa forma, o valor da indenização devida a Autora pelo Réu deverá ser
calculado com base no prejuízo ocasionado aos valores intangíveis que formam o nome
e a imagem do lesado perante a comunidade e no mercado, bem como, atendendo a
extensão da dor e do sofrimento experimentado pela lesada e também de forma a servir
como fator de desestímulo a novas violações aos direitos autorais.
.O jurista Carlos Alberto Bittar, em sua obra sobre os “Contornos Atuais do
Direito do Autor”, sustenta:
“Defende-se, ademais, a estipulação de valores a níveis desestimuladores
de novas práticas lesivas, a fim de, coerentemente com o espírito da
legislação especial e com a evolução jurisprudencial, conferir-se efetivo
amparo aos titulares de direitos sobre criações intelectuais estéticas. …”
(p.202)

Nossos tribunais consagram a tese da indenização como fator de desestímulo a


novas agressões:
“DANO MORAL – DINHEIRO – FUNÇÃO. Na reparação dos danos
morais, o dinheiro não tem função de equivalência, como sucede no caso dos
danos materiais, sim função de pena, para não ficar impune quem causou o mal
(TJ – SP – Ac. unân. da 8ª Câm. Cív. julg. em 08/09/93 – Ap. 193.802-1/9 –
Capital – Rel. Des. Jorge Almeida – in ADCOAS – 1993 – ementa 142208)

Yussef Said Cahali (ob cit.) “in verbis”, esclarece que a reparação do dano não
pode ter caráter de venda do bem moral, servindo, apenas, para garantir a lisura do bem
danificado:
“Dizer-se que repugna à moral reparar-se a dor alheia com o dinheiro é
deslocar a questão, pois não está se pretendendo vender um bem moral,
mas simplesmente se sustentando que esse bem, como todos os outros, deve
ser respeitado” (p. 13); ressaltando-se que, “… por outro lado, mais imoral
seria ainda proclamar a total indenidade do causador do dano (p. 13) ”
(Ap. 1.137/86, 1º Gr. de Câms. – j 02/03/89 – rel. Juiz Trotta Telles – TJ –
Pr. – in. RT 641/230).

Destarte os danos causados a Autora não atingiram apenas a ela, mas à toda
sociedade, uma vez que colocam em risco todos os autores de obras intelectuais, que

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podem ser objeto de violações. Por isto, a indenização pleiteada, além de buscar a
reparação justa pelos danos causados, deve servir como reprimenda pelos atos
praticados pela Ré.

XI - DO PEDIDO

Por todo o aqui exposto e pretendendo reparar a grande injustiça e desrespeito


a sua obra vem requerer a Autora:

A) Requer-se que sejam deferidos, ao requerente, os benefícios da justiça gratuita, em


razão do mesmo possuir baixa renda e ter sofrido dano material e assim não disporem
de condições econômicas para arcar com as custas do processo judicial, conforme Lei
1.060/50.

B) a citação do Réu, por correio (art. 247 do CPC), no endereço indicado no


preâmbulo da presente, para, querendo, contestar o presente feito, sob pena de
revelia e confissão;
C) seja a presente ação julgada procedente para condenar o Réu a atribuir a
autoria exclusiva da Musica Hino de Amor a Palmas a Autora, passando
a constar em todas as versões exibidas e divulgadas os créditos em nome
da Autora;
D) condenar o Réu ao pagamento de indenização por danos morais no valor
de R$ 1.500.000,00 ( Um milhão e quinhentos mil reais) em virtude da
utilização indevida da obra da Autora, sem o seu devido consentimento;
E) A produção de todas as provas admitidas em direito, em especial a pericial e
testemunhal;
F) Manifestar o interesse na realização de audiência conciliatória;
G) A condenação do Réu ao pagamento de honorários advocatícios nos parâmetros
previstos no art. 85. § 2º do CPC.
H) Requer a autorização deste D. Juízo para apresentar o DVD contendo o vídeo
diretamente na serventia da presente vara, a fim de que seja a mencionada mídia
acautelada em cartório ficando inteiramente à disposição para consulta deste D.
Juízo. Salienta a Autora que tal medida se faz necessária para evitar que o
mencionado documento corra o risco de se perder no transito entre o setor de
protocolo de petições deste Juízo.
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Dá-se à causa o valor de R$ 1xxxxxx (xxxxxx)

Nestes Termos,
Pede deferimento

Palmas, (TO), xx.de Janeiro de 20xx.

ADVOGADO.
OAB/TO XXX.

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