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AULA 01​ ​- 16.03.

2018

Vamos considerar que nós temos a coisa julgada, formada ou após a interposição e
o julgamento de todos os recursos, ou após o transcurso do prazo sem a interposição de
recurso algum; com o trânsito em julgado, essa sentença, em alguns cenários (na maioria,
eu diria), precisa ser cumprida.
Na sentença, como ambiente máximo do exercício da tutela de cognição plena, o
juiz vai analisar os fatos jurídicos trazidos pelas partes, a partir das provas apresentadas, e
vai definir a situação jurídica litigiosa. ​O juiz decide a relação jurídica de direito material
e, após o trânsito em julgado, a sentença é acobertada pela cristalização da coisa
julgada.
A sentença reconhece o direito material e reconhece a existência de obrigação,
condena o réu a adimplir, a cumprir a obrigação até então descumprida. Reconhece o
cenário de inadimplência. Mas esse reconhecimento, por si só, não vai acarretar o
cumprimento, o adimplemento; ela (a sentença) não se efetiva sozinha. ​É por isso que se
necessita da tutela executiva. Imposição coativa, forçada, uso da força estatal para a
efetivação do direito reconhecido na sentença.
A sentença vai ser o título executivo hábil ao uso da força executiva​. Saímos do
ambiente da cognição e vamos para o ambiente executivo. Tutela executiva: o Estado, por
meio dos seus juízes e da força estatal, vai se concentrar na imposição coativa, forçada,
para e realização do direito reconhecido na sentença.
A sentença se fixa como título executivo judicial, carregado de uma força muito
grande a acobertado pela cristalização da coisa julgada. Não tem a ver com acertamento do
direito, como a fase de cognição; mesmo assim, faz-se necessária a implementação do
contraditório, a participação do réu devedor.
A partir de 2015, o legislador dá um corte e aplica a ideia de ​processo sincrético -
vira tudo um processo só. Primeiro, a disponibilização da tutela cognitiva, havendo a
possibilidade de tutela provisória, no caso de urgência, e, depois, ​dentro do mesmo
processo, a tutela executiva​, disponibilizada aqui dentro como uma sequência natural,
para efetivação do direito reconhecido na sentença. Antes de se chegar aqui, há a
perspectiva de um ​interlúdio de cognição após a coisa julgada​. Trata-se de uma janela,
em algumas hipóteses, de mais cognição.
Isso foi visto, brevemente, no estudo das sentenças (art. 324, CPC). Pedido certo e
determinado → juiz não pode proferir sentença que não tenha essas características. No
entanto, ​há hipóteses em que se pode fazer pedido ilíquido e incerto​, e a sentença sairá
ilíquida. Quando a sentença sai ilíquida, nos casos previstos no CPC 2015, vai ser exigido
mais cognição após as fases recursais, antecedendo a execução propriamente dita.
Enquanto não se liquidar, não se pode passar para a execução, porque não se tem os
contornos precisos do que se exigirá do devedor. É a fase de liquidação da sentença.
Se a sentença sair dentro do padrão, líquida, ​não existe essa fase​, e passa-se direto para
o cumprimento de sentença.
Esse é o primeiro cenário a ser estudado, o da liquidação de sentença.
Chegando nesse momento após a sentença, após a fase recursal e o trânsito em
julgado, ​há um desdobramento da fase de cognição.
O legislador de 2015 colocou como exceção, deixando apenas DUAS hipóteses
para esse cenário. ​A liquidação vai acarretar duas fases de produção de prova no
processo, ​e duas decisões que se completam para chegar na execução​. Mas há um uso
restrito desse cenário determinado pelo legislador de 2015.
Esse primeiro ponto só vai aparecer no cenário de excepcionalidade da sentença
ilíquida, porque mesmo diante de pedidos genéricos, impõe-se a sentença líquida. Só
alguns casos é que fogem a essa regra, segundo o legislador de 2015.
Como a sentença ilíquida é inservível para o credor, num primeiro
momento, teve que se criar essa fase para que se defina com precisão os contornos
para a execução da sentença​.
Sentença ilíquida: não contém dentro dela o ​quantum debeatur​. Contém o
acertamento do ​an debeatur​, que é a existência da obrigação. ​Reconhece-se a existência
da obrigação, ou seja, o dever jurídico do devedor perante o credor. reconhece-se a
obrigação, mas essa obrigação não é quantificada, não é determinada, no sentido de
qualidade e quantidade​. Normalmente, isso acontece com dinheiro. Reconhece-se a
obrigação de indenizar, o dever do devedor é o de pagar algo ao credor, pagar uma quantia,
mas essa quantia não é apurada pelo padrão normal do procedimento comum, inclusive em
sua fase probatória, mas deixada para um segundo momento, em que haverá mais
produção de provas (liquidação de sentença) - arts. 509-512, CPC.

Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ​ainda que


formulado pedido genérico​, a decisão definirá desde logo a
extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de
juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade da capitalização
dos juros, se for o caso, ​salvo quando​:
I - não for possível determinar, de modo definitivo, o montante
devido;
II - a apuração do valor devido depender da produção de prova de
realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim
reconhecida na sentença.

Sentenças ilíquidas ocorrem no mais das vezes com obrigação de pagar. Objeto da
obrigação: dinheiro.
Quando a sentença sai líquida na obrigação de direito, ela contém todos os
parâmetros e vai direto para o cumprimento. Entrega e obrigação de fazer também.
Em alguns casos, a existência do direito ​an debeatur é muito conflituosa em termos
de interpretação legal e judicial. Uma prova caríssima para quantificar o direito que se pode
perder depois? Nesse caso, isso é deixado para depois. Uma vez cristalizado que o direito
existe, o ​quantum se apura em momento posterior. Se no final se entender que o direito não
existe, não houve gasto exacerbado com a produção de provas. Melhor fixar primeiro se
houve o dano para, depois, verificar o quantum. Ex.: Samarco. Primeiro fixar a
responsabilidade da empresa e suas coligadas, para apenas depois os danos serem
apurados. Uma prova pode ser caríssima ou muito demorada, envolver tombamento,
desapropriação… Esses casos incorrem no inciso II do art. 491. Perícia cara, demorada.
Concessões de serviço público também se enquadram nesse casos.
Esses são os casos que desaguam na liquidação. ​Estamos falando de
cumprmento de sentença, não de titulos extrajudiciais​. Essa sentença judicial precisa
ser cumprida, mas uma determinada temática pode ser reenviada para mais cognição, pela
própria sentença.
Mas como se sabe se vai direto para cumprimento ou se vai haver mais cognição
após o fechamento da coisa julgada? Verifica-se se a sentença é ilíquida ou líquida.
Isso nao existe no âmbito do título extrajudicial, porque este, para dar ensejo à
execução, precisa conter obrigação líquida, certa e exigível​. Não existe liquidação de
título extrajudicial se for ilíquido, vai ter que ajuizar uma ação de cognição para verificar o
direito! ​Art. 786: A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a
obrigação ​certa, líquida e exigível ​consubstanciada em título executivo. ​Título
executivo extrajudicial ILÍQUIDO: ​não pode ser executado​, tem que ajuizar ação de
cognição!!! ​Não existe liquidação do título executivo extrajudicial​.
CPC/73: rito ordinário, hoje chamado de procedimento comum. Após o trânsito em
julgado da sentença ilíquida, o credor ajuizava a ação de liquidação; precisava de uma
sentença para liquidar a primeira sentença, dizer o quantum. Cabiam recursos até o trânsito
em julgado. Aí era essa a sentença (da liquidação) que se ajuizava, em uma ação de
execução de sentença. Nova petição inicial, novas custas… não existia cumprimento de
sentença; o cumprimento foi criado em 2005.
Agora há um processo único, em duas ou três fases. Não existem mais essas
quebras. ​Há uma sequência, simples intimação​. Vem a decisão que confere liquidez à
sentença. Essa vai ser uma decisão INTERLOCUTÓRIA, sujeita a agravo de
instrumento​. Não é nova sentença, novo processo, é só mais uma fase do processo,
chamado de processo sincrético. ​É o desdobramento das fases do processo, em duas ou
três fases, dependendo da liquidez ou iliquidez da sentença. Se for líquida, vai direto para a
execução, para o seu cumprimento. Se for ilíquida, tem que haver a fase de liquidação,
porque se não, não se sabe quanto se exigirá do devedor.
Arbitramento e ​liquidação pelo procedimento comum ​(= por artigos → nome
antigo): são os tipos de liquidação de sentença. ​De uma forma ou de outra, trata-se de
fase probatória, a fim de se apurar o quantum debeatur.
A partir de 2005, o código de processo civil se cristaliza com a perspectiva do
cumprimento de sentença como fase, como sequência de um processo já existente (salvo
algumas exceções raríssimas), e não como um processo autônomo, como era antes. O
CPC de 2015 ajuda a concretizar essa alteração. ​No final, executa-se uma sentença
completada por uma decisão interlocutória.
Precedentes: resp 1147191- rs (24/04/2015); agrg no aresp 664993-rj (31/03/2016);
agint no aresp 736612-sp (10/11/2017); agint no resp 1648531-es (21/11/2017).
Depois da liquidação, o processo passa para a fase de cumprimento de sentença,
ou execução do título judicial. Esse é o nome dado à fase, mas ela ainda pertence ao
processo de conhecimento, ela ainda o integra, porque é um processo só, não se começa
um novo processo, como ocorrida antes. Isso porque o legislador parou com esses
“purismos”. Isso tudo é um processo só, podendo ser chamado de ​processo de
conhecimento​. ​Na primeira e segunda fases, se viabiliza a tutela cognitiva, enquanto,
a partir da terceira, trata-se de tutela executiva.
Não se pode falar em processo de execução, ​porque ele é outro tipo de processo,
contido no livro 2 do CPC. Mas é a fase executiva. Por isso se chama processo
sincrético, porque todas as fases integram um processo só.
A sentença não mata mais o processo, porque ele continua, na maioria das vezes.
Essa não é mais a definição de sentença!!
SÓ SE VAI PARA O CUMPRIMENTO DE SENTENÇA SE ELA CONTIVER
CAPÍTULO CONDENATÓRIO!
Se ela for declaratória, constitutiva ou desconstitutiva, não se passa para a fase
executiva. A sentença é auto suficiente e não precisa de tutela executiva. Só vai para frente
se ela for condenatória, reconhece a existência de OBRIGAÇÃO de uma parte com relação
à outra; e determina o cumprimento dessa obrigação!
No entanto, toda sentença tem um capítulo condenatório, ainda que seja de
improcedência pura: são os ônus sucumbenciais - honorários e custas.
Quando eu tenho uma sentença de
improcedência/declaratória/constitutiva/desconstitutiva com suspensão da
exigibilidade dos ônus sucumbenciais por causa de justiça gratuita, não vai para a
fase executiva! Mas, em tese, toda sentença deságua nessa fase.
Art. 1.015, parágrafo único, CPC: cabe agravo de instrumento contra a decisão
proferida em liquidação de sentença para apurar o quantum debeatur → Também caberá
agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas ​na fase de liquidação de
sentença ​ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de
inventário.
A coisa julgada pode se cristalizar em cima de uma sentença líquida. O que fazer? Ir
direto para o cumprimento de sentença. E se for ilíquida? Tem que passar pela fase de
liquidação de sentença, para, só depois, ir para o cumprimento. ​Assim, depois do trânsito
em julgado, haverá esse interlúdio de mais cognição, que acabará com uma ​decisão
interlocutória ​que será executada,​ junto com a sentença que determinou a obrigação.
Sentenças que não reconhecem/impõem obrigações (capítulo de despesas
processuais suspenso) não vão para o cumprimento. Há exceções, mas elas serão
analisadas depois.
No caso de sentença líquida, ou definida em liquidação, ou ​decisão do 356 →
julgamento antecipado parcial de mérito (interlocutória): vão para o cumprimento de
sentença.
A decisão que julgar parcialmente o mérito pode reconhecer a existência de
obrigação LÍQUIDA OU ILÍQUIDA. Se for ilíquida, tem que haver liquidação de sentença! A
parte poderá liquidar ou executar desde logo! Liquidar ou executar porque vai depender da
liquidez da decisão. Só vai executar se ela for líquida, porque, se for ilíquida, vai ter que ser
liquidada, como ocorre com a sentença ilíquida.
Tutela específica: cumprimento de obrigação de fazer e não fazer ou entrega de
coisa. Juiz impõe tutela específica na sentença, com todo o arsenal para que a obrigação se
cumpra in natura. Mas pode ocorrer um cenário em que não é possível a realização in
natura do fazer/não fazer ou da obrigação; aí vira perdas e danos, que serão apurados em
liquidação de sentença. Art 499, CPC: A obrigação somente será convertida em perdas e
danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela
pelo resultado prático equivalente. Ex.: sentença condena Débora a entregar um celular que
pertencia a fulano para Érico, mas o celular se perdeu em um cruzeiro, o que fazer?
conversão em perdas e danos. Qual o valor das perdas e danos? Não se sabe, não foi
fixado em sentença. Parte-se para a liquidação de sentença, ainda que nao indicado a
princípio. As perdas e danos precisam ser liquidadas para que depois se efetue seu
pagamento. Precedente: Resp 885988-es.
Como sei se vai ter liquidação? CPC de 73, na sua pureza, previa o cenário da
liquidação de 3 tipos: ​cálculos do contador, perícia (arbitramento) e por artigos​.
Nas reformas do código, o primeiro tipo deixou de existir. “condeno fulano a pagar ao
ciclano o valor de 10 alugueres…”. Isso não é mais liquidação, é simples cálculo, a parte é
que faz. Porque a sentença líquida não é a que fala um valor x, ex.: 100 reais. Até
porque o valor a ser executado nunca vai ser aquele fixado à sentença, já que sempre
haverá incidência de juros moratórios e correção monetária​. Assim, ​sentença líquida é
aquela que contém todos os parâmetros e na qual o valor a ser executado sai com a
simples efetuação de cálculo​. Você pega o montante, chamado principial, joga a correção
monetária e os juros. Isso NÃO REQUER PERÍCIA, qualquer um faz. São simples cálculos,
os índices estão numa tabela, você tem os dados necessários para chegar ao montante a
ser executado.
Art. 509, §2.º, CPC: Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo
aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença.
Art. 524, CPC: O requerimento previsto no art. 523 será instruído com demonstrativo
discriminado e atualizado do crédito, devendo a petição conter (...).
A sentença vai ser ILÍQUIDA quando os parâmetros necessários para a
apuração do valor devido não estiverem na própria sentença - não é de conta que
precisa, mas de PROVA (pericial, documental, testemunhal..). Aí é que se vai proceder
à liquidação.
Art. 509, CPC: Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida,
proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor:

I - por ​arbitramento​, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou


exigido pela natureza do objeto da liquidação; → POR PERÍCIA. Não precisa de produção
de prova, só de perícia para ​apurar algo que já foi especificado e apresentado na fase
anterior à sentença.

II - pelo ​procedimento comum (= por artigos)​, quando houver necessidade de alegar e


provar fato novo. (Ex.: pessoa internada num hospital. Vai precisar de prova nova para
verificar quais as sequelas sofridas, os medicamentos utilizados… ​não se trabalha só com
as provas produzidas até a prolação da sentença​).

O que é importante gravar é que a liquidação é fase do processo de conhecimento e


que, após ela, ​existe a terceira fase​, de cumprimento de sentença. A regra é que o
processo de conhecimento tenha apenas duas fases, a cognitiva e a de cumprimento de
sentença; a fase de liquidação é um complicador, não é desejada, e ​só é admitida em
alguns casos estabelecidos pelo CPC​. ​Não é processo novo, é fase, que se encerra
com decisão interlocutória quantificadora dos danos. Precisa-se desse apêndice de
cognição, por produção de prova/realização de perícia, ​quando a própria sentença não é
capaz de traçar os limites da execução​. A sentença líquida nunca é 100% líquida, mas
existem os parâmetros que habilitam as próprias partes a delimitarem o valor a ser
executado.

Atenção: mesmo se a apuração do valor a ser executado depender de


documentos que estejam na posse de uma das partes, no caso, do executado, a
determinação de sua apresentação não configura liquidação de sentença​. A sentença
continua sendo líquida, mesmo dependendo da apresentação desses documentos. Fica sob
a responsabilidade da parte. Antes isso era considerado liquidação, o próprio juiz
determinava a apuração
A tutela executiva é a mesma para o cumprimento do título executivo judicial
ou extrajudicial; a diferença é a ​cristalização maior da sentença, que vai diminuir
enormemente as matérias que o executado pode arguir em sua defesa.
Títulos executivos: uma de suas características é a executividade. o credor que o
detém em mãos vai direto para o processo executivo, que não precisa passar pela fase de
acertamento judicial.

AULA 02 - 21.03.2018

Liquidação é fase do processo de cognição, só sendo possível dar início à fase de


execução se o título judicial estiver líquido. Se sair, na origem, sentença ilíquida, vai ser
necessária a fase de liquidação para apurar o quantum debeatur, ​ou através de perícia ou
de produção de prova​.
Processo sincrético: é um processo só, dividido em etapas.
A sentença vai fechar a fase de cognição do processo comum. se for líquida, vai
direto para a execução da sentença, tutela executiva. Se for ilíquida, porque está nos
moldes do art. 491, não se pode ir direto para a execução, tem que passar pela segunda
fase de cognição, em que se apurará o quantum debeatur, por meio da liquidação. De
qualquer forma, ​é um processo só​, ou com duas fases, ou com 3, a depender da
liquidez/iliquidez da sentença.
Antes, poderia haver 3 processos: o primeiro, de cognição, que resultaria na
sentença. Depois, o processo de liquidação da sentença, em que o credor ajuizava uma
nova ação para apurar o quantum debeatur. E o terceiro, processo de execução, o
cumprimento da sentença. O legislador, desde 2005, com pequenas reformas do CPC,
abandonou essa noção de três processos e ​passou a organizar essas etapas como
fases de um só processo​. Assim, após o ajuizamento da ação de conhecimento, e o
proferimento da sentença, o credor tem apenas que ​requerer a continuidade do
processo, requerer a liquidação ​e, após, o cumprimento da sentença. Não precisa
pagar novas custas, ​não precisa citar o devedor​, mas apenas intimá-lo, na pessoa do
advogado constituído nos autos.
A liquidação depende de requerimento de uma das partes, credor ou
devedor!!! Não se opera de ofício, pelo juiz.
Antigamente, eram 3 os tipos de liquidação de sentença: por arbitramento, por
procedimento comum (por artigos) e liquidação por cálculos. Neste último caso, a sentença
dava os parâmetros para se chegar ao quantum que seria executado, ​mas esses
parâmetros dependiam da efetuação de cálculos matemáticos​. Havia, por exemplo, os
índices de correção monetária e juros a serem aplicados ao valor condenado. Os cálculos
poderiam ser complexos ou simples; mas os parâmetros para sua realização estariam na
sentença. ​Hoje, não existe mais a liquidação por cálculos​. Não se trata de liquidação,
porque a sentença que tem esses parâmetros é LÍQUIDA - ou seja, ​o credor, ao requerer
o cumprimento de sentença, já tem que apresentar seus cálculos, demonstrando o
valor que será executado​.
Nos casos em que a sentença delimitar os parâmetros objetivos para apuração
do quantum, ainda que essa apuração dependa de cálculos complexos ou da
obtenção de documentos que estejam na posse da outra parte, a sentença é líquida!!
O critério é​ ter parâmetros objetivos que possibilitem a apuração do valor​.

Modalidades de liquidação:
Sabemos que o processo de conhecimento tem três fases. Suponhamos que a
sentença tenha saído ilíquida e que já tenham sido interpostos todos os recursos possíveis,
transitando a sentença em julgado. Inicia-se a fase de liquidação. Não demanda simples
cálculos/apurações a partir de parâmetros certos contidos na sentença, precisa-se de mais
provas, ou perícia, médica por exemplo, no caso de sequelas causadas por um acidente de
trânsito. Ou, no caso da condenação ao pagamento dos lucros cessantes de um motorista
de táxi, vai ter que se apurar quanto esse taxista recebia, em média, para se calcular o valor
que ele provavelmente deixou de auferir. Até agora só se sabe que houve acidente e
sequela e quem é o responsável, sendo necessário constatar o quantum.
Numa primeira hipótese, ​todos os elementos que configuram o quantum já estão
contidos nos autos, mas a sua leitura, sua avaliação, demanda um técnico, um
engenheiro, um médico... é preciso um conhecimento técnico, não jurídico​, para a
realização desses trabalhos quantificativos. ​É a liquidação por arbitramento​, ​produção
de prova pericial. A produção dessa prova vai se dar nos moldes do ​art. 464 e seguintes.
O legislador inventou uma coisa interessante, que permitiu que as partes, no começo do
procedimento de liquidação, apresentem pareceres, laudos técnicos particulares. A parte
contrata um assistente técnico e apresenta seu laudo, e isso pode acontecer com ambas as
partes. Se o juiz entender que a questão é tão complexa, pode determinar a prova pericial,
mas, se os laudos técnicos apresentados pelas partes forem suficientes para o
convencimento do juiz, essa fase bastará com os relatórios técnicos das partes.
Não necessariamente terá que se realizar a perícia no processo, porque, nesse
caso, as próprias partes mostram laudos que podem ser homologados. As partes podem
escolher o arbitramento por convenção. ​Uma das possibilidades de convenção/negócio
processual é que as partes ajustem que a sentença pode ser ilíquida e que a
liquidação se dará por arbitramento. Art 509, CPC. Em princípio, no CPC antigo,
entendia-se pela ​indisponibilidade do rito da liquidação​. Não é ‘escolha do freguês’. O
CPC agora deu uma guinada de 180 graus, e permitiu a convencionalidade dessa fase.
Precedentes: 1114519-pr; ​agrg resp 572896-pr → muito didático!! liquidação por artigo x
por arbitramento.
Por artigo/Procedimento comum​: ​precisa de prova nova​. Um pedaço do fato
constitutivo de direito do autor vai aparecer neste segundo momento para efeitos de
quantificação. Pode ser prova pericial, mas, para isso, outras provas terão que ser
produzidas previamente (testemunhal, documental...); abre fase probatória ampla, todos os
meios de prova admitidos em direito são admissíveis de utilização nessa fase, desse tipo de
liquidação. Vai se parecer bastante com o ajuizamento de uma ação, sujeito apresenta
requerimento de liquidação por artigos, alegando quais os fatos novos que vai produzir. A
outra parte se manifesta, impugnando ou não aquelas alegações; juiz decide a liquidação,
concluindo pelo valor dos danos, pelo quantum debeatur, após a fase probatória. Abre-se
quase que um “procedimentozinho comum”. Segunda rodada de procedimento comum,
muito parecido com o que aconteceu lá atrás com uma informalidade maior, já que o
requerimento é mais simples, a manifestação do devedor não segue os moldes da
contestação… art. 511.
Importante​: ​não se pode tocar na coisa julgada​. O dever de indenizar já existe, já
foi reconhecido pela sentença e cristalizado pelo manto da coisa julgada; não se pode
mexer nisso. ​A única coisa que vai acontecer é a complementação da sentença com o
quantum debeatur​. Precedentes: resp 1234765-rs.
A decisão que encerra a fase de liquidação é uma decisão interlocutória,
porque encerra uma fase do processo, mas não o processo em si, uma vez que ele
continua com o cumprimento de sentença.
Essa decisão está sujeita a recurso - agravo de instrumento, porque está no rol do
art. 1015, CPC (parágrafo único).
Liquidação zero​: A sentença reconhece o an debeatur e manda para a liquidação.
Na liquidação, não se acha prejuízo, o prejuízo dá zero. Não infringe a coisa julgada, porque
foi reconhecido o dano na fase de cognição, mas, na época, não se sabia sua quantificação,
que apenas depois se conclui ser zero. ​A decisão que reconhece o prejuízo zero passa a
ter valor de sentença​! Assim, ​tendo valor de sentença, o recurso cabível é APELAÇÃO.
É decisão que põe fim ao processo, concluindo pela inexistência de obrigação/débito.
Precedentes: resp 1549467 sp; resp 1127488 rj; resp 1291318 rs.
A decisão que encerra a liquidação, em regra, é decisão interlocutória​, sendo
passível de agravo de instrumento, porque apenas define o quantum debeatur a ser
executado, ​mas, excepcionalmente, pode ser caso de liquidação zero, em que não se
achou nada, a decisão vai resolver o mérito, sendo cabível a apelação​, porque nada
caminha para a frente, o processo acabou.
Os casos mais comuns de liquidação zero são aqueles em que há compensação, ou
quando não consegue se provar que houve sofrimento do prejuízo. No processo de
conhecimento só se apurou a obrigação de indenizar, mas não qual a extensão do dano.
Problemas da coisa julgada em cima da sentença da liquidação → Primeiro
problema: se juiz mandou fixar por arbitramento, isso transitou em julgado, mas aí,
constata-se, na liquidação, que não é por arbitramento, e sim por artigo; pode mudar? SIM.
Súmula 344, STJ​. Esse pedaço da sentença não passa em julgado, porque se refere a
processo/procedimento, não é direito material; ​o cobertor da coisa julgada apenas cobre
a solução do direito material​. Se o modelo de liquidação é determinado erroneamente
na sentença, permite-se a sua alteração em momento posterior​. Parte processual da
sentença. Art. 509. convenção ou definições futuras.
Segundo problema: sentença mandou apurar prejuízos e esqueceu da ​correção e
dos juros​, não fixou. Isso transitou em julgado. É parte do direito material, não processual;
O que acontece? ​Pode incluir na liquidação, STJ é pacífico​! Isso porque se trata de
acessório da obrigação principal. Precendete: Agravo interno no aresp 1092158 pr.
E os honorários? As decisões do STJ caminhavam no sentido de que, se não
determinasse na sentença e ela transitasse em julgado, nada poderia ser feito; não seriam
incluíveis depois. Precedentes: Resp 352235 se. ​CPC novo, art. 85, parágrafo 18: ainda
que os honorários não constem na sentença passada em julgado, eles poderão ser
arbitrados depois, no momento da liquidação, por exemplo. ​Esse pedaço tbm nao passa
em julgado!
AULA 03 - 23.03.2018

Sentença x coisa julgada x liquidação

A sentença passou em julgado, determinou o tipo de liquidação, arbitramento ou por


artigos/procedimento comum, e isso transitou em julgado. Quando chega na liquidação,
pode trocar a modalidade, se verificar que é necessário? SIM. Súmula 344, STJ (novo cpc
até reforça). ​Isso porque esse é um tema processual, e a coisa julgada só abarca
direito material.
E ​correção monetária e juros moratórios​, que são tema de direito material? Se a
sentença não falou nada, pode incluir na hora da liquidação? ​SIM. STJ entende que esses
são acessórios do principal, e ainda que não proclamados expressamente na hora da
sentença, podem ser incluidos na hora da liquidação​.
E ​honorários de advogado​? Se a sentença foi omissa, no que diz respeito à
fixação de honorários e a parte não recorreu, havia a formação da coisa julgada sem
honorários e eles não poderiam ser incluídos na liquidação. Mas esse era o entendimento
do STJ formulado com base no CPC velho. ​O CPC novo tem disposição diversa, em prol
dos advogados, dizendo expressamente que o advogado pode ajuizar ação autônoma
de cobrança para exigir os honorário​s, se eles não tiverem sido arbitrados na sentença.
Assim, entende-se que eles também podem ser acrescentados no momento da liquidação,
nesse contexto. Art. 85, parágrafo 18, CPC.
Honorários periciais​: se quem adiantou os honorários na fase de cognição foi o
vencedor, o vencido é obrigado a reembolsá-lo ao final​. Discussão no STJ sobre os casos
em que a sentença não condenou o vencido a reembolsar o vencedor dos honorários
periciais. O STJ previu que não podia incluir os honorários periciais na fase de liquidação.
Posteriormente, entendeu que, se a sentença condenou o vencido a pagar ao vencedor as
custas processuais, ​nessas se incluiriam os honorários periciais​, podendo-se colocar os
honorários periciais na fase de liquidação. ​Se a sentença não fala nada em condenar o
vencido ao pagamento das custas processuais, isso fica acobertado pela coisa
julgada e os honorários periciais não podem ser incluídos na fase de liquidação. Esse
entendimento não é pacificado! Há um precedente que diz que, mesmo se a sentença prevê
a condenação do vencido a pagar ao vencedor o reembolso das custas processuais, os
honorários periciais não podem ser incluídos, porque não têm natureza de custas. Há
divergência no STJ. De qualquer forma, ambos partem da premissa que de que na
sentença houve condenação ao pagamento das custas processuais. Se não houver, o
entendimento é de que NÃO PODEM SER INCLUÍDOS OS HONORÁRIOS PERICIAIS.
Precedentes: agrg no aresp 718020-rj; resp 1519445 rj.
Cabem honorários na fase de liquidação​? Fredie Didier diz que não, porque isso
já estaria abarcado pelos honorários arbitrados lá atrás. Hoje temos honorários na sentença
fixados pelo procedimento comum. Depois, eles podem ser arbitrados também no âmbito
recursal, e , após, no cumprimento de sentença. Os honorários fixados anteriormente já
abarcam toda a fase cognitiva, inclusive a de liquidação.
A ressalva fica feita por um cenário que se pode ter em alguns casos, em que a
liquidação não vai se dar como fase, mas como ação. Isso vai ocorrer em determinadas
hipóteses de sentença, que são títulos judiciais que serão executados segundo as regras
dos arts. 513-538, mas essas sentenças não podem ser cumpridas e, consequentemente,
não podem ser liquidadas num ambiente de fase, porque não foram produzidas por um juiz
cível que vai executar a sentença.
Há sentenças que vão ser cumpridas sob o signo das regras do título dois do livro
um da parte especial do CPC, mas não há sequenciamento, porque essas sentenças foram
proferidas em outros processos, de modo que se vai inaugurar na justiça cível o processo
na fase do cumprimento de sentença ou de liquidação, se ela for ilíquida (ai nao vai ser
mero requerimento, intimação...). Ex: sentença arbitral. A arbitragem vem da perspectiva
convencional, inserida no ambiente de vontade das partes (“justiça arbitral”). Na arbitragem,
não tem como cumprir a sentença como sequência, porque estava fora da justiça estatal,
não estava em um juízo cível. Outro exemplo: sentença penal condenatória. Ao condenar, a
sentença fixa a existência do fato danoso e torna certa a obrigação de indenizar, vale como
título executivo. A vítima pode pegar a sentença e buscar a reparação do dano na justiça
cível, para reparar os danos civis. Essa sentença não fixa o quantum, então tem que
liquidar. Tem que ir para a jurisdição civil e apresentar uma ação de liquidação, citar o réu…
Começa uma nova ação, mas no formato de liquidação. ​Nao vai ser um simples
requerimento, porque não tem processo anterior para apresentar simples
requerimento​. Nesse caso, Didier entende que cabe honorário de advogado. Uma vez
liquidada, a sentença segue para ter seu cumprimento normalmente, no juízo cível. Outro
exemplo: sentença estrangeira homologada pelo STJ - vai cumprir na justiça federal de
primeiro grau.
Ficar atento com dois cenários, de complicação extrema: ​pode ter na sentença um
pedaço ilíquido e um pedaço líquido​. O legislador prevê expressamente essa hipótese.
Se isso acontece, a partir desse momento, pode-se ​bipartir o procedimento - art 509,
parágrafo primeiro. Pode-se prosseguir com o cumprimento da parte líquida e, ao mesmo
tempo, liquidar a parte ilíquida, nos autos em apenso. ​Cuidado com o art. 356, parágrafo
primeiro!!!

§ 1​o A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de


obrigação líquida ou ilíquida.

§ 4​o A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser
processados em autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz.

Se a decisão que decide parcialmente o mérito reconhecer a existência de obrigação


ilíquida, pode-se proceder à sua liquidação. Se for líquida, ao cumprimento.
Liquidação provisória​: a parte pode ter até mesmo o cumprimento de sentença
provisório. ​A liquidação NÃO INTERFERE NA ESFERA PATRIMONIAL DE NINGUÉM​. Só
se está apurando o quantum devido; quem pode mais (cumprimento provisório), pode
menos (liquidação provisória).
Art. 387, IV, CPP: liquidar valores na sentença penal. Abre brecha para que o juiz
penal quantifique o dano civel.
STJ vem interpretando restritivamente esse cenário. Entende que não se pode poluir
a instrução penal, complexa, apurando o quantum do dano. Tem entendido que isso só se
aplicará ao dano moral, que o juiz penal vai fixar sem apuração. Precedentes: agrg no resp
1626962 ms.
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

A sentença pode vir direto pra cá, se for líquida, ou depois da liquidação, se for
ilíquida. No cumprimento, tanto faz se passou pela liquidação ou não, o que importa é que
se tem uma sentença LÍQUIDA, que define o QUANTUM DEBEATUR. Quantificação da
obrigação.
200 - 2001 - 2005: legislador passou a juntar a execução de sentença no próprio
processo de conhecimento em que ela foi proferida, como uma mera passagem de fases, e
não mais um processo autônomo. Tutela específica para obrigação de fazer ou não fazer -
ocorria por meio de simples requerimento apresentado no próprio processo de
conhecimento.
Ciclo processual em que se sai da autonomia dos processos para um
processo sincrético, que é um processo só com diversas fases, em que as diferentes
tutelas podem ser realizadas ao mesmo tempo. Cumprimento e liquidação se fazem num
processo só, como regra.
CPC aperfeiçoa esse sistema, o ciclo se fecha, porque no CPC de 2015,
determinou-se que sentença, seja qual for, ​se cumpre dentro das normas do
cumprimento de sentença (513-538)​. ​Só ocorre a execução por meio de processo
autônomo quando se quiser executar um título executivo EXTRAJUDICIAL​. Sentença
que condenava a prestar alimentos, antes, era por meio de execução autônoma, agora não
mais. Cumprimento de sentença que reconhece a exigibilidade de pagar quantia certa pela
Fazenda Pública e exigibilidade de obrigação de fazer/nao fazer ou entregar coisas →
também se dão pelo cumprimento de sentença!! Fase do processo. não é mais
execução autônoma;
QUALQUER SENTENÇA QUE SE PROFERIR NO PROCESSO CIVIL se realiza sob
as regras da fase de cumprimento de sentença - novo CPC. ​Regras do processo de
execução serão aplicáveis apenas para obrigações inseridas em títulos executivos
extrajudiciais​. Art. 771, CPC.
As técnicas/medidas coercitivas aplicáveis para o cumprimento da sentença e a
execução de título executivo extrajudicial são as mesmas, mas o arranjo processual é
diferente.
As medidas/técnicas utilizadas para o cumprimento da sentença vão variar de
acordo com a natureza da obrigação reconhecida - dinheiro, obrigação de dar ou fazer/nao
fazer. Arts. 513-519, CPC.
Qual sentença se vai levar para o cumprimento? Três tipos de sentença:
constitutiva/desconstitutiva, declaratória e condenatória​. Sentenças declaratórias: de
modo geral, se bastam por si mesmas. ​Salvo capítulo condenatório: honorário e
despesas processuais​, que tem que levar para cumprimento. ​Se estiver com assistência
judiciária, exigibilidade suspensa, não vai para o cumprimento​.
capítulos condenatórios estão contidos em toda sentença, em regra. podem ser executados.
Basicamente, as sentenças condenatórias é que serão “rodadas” no cumprimento de
sentença. O CPC antigo até previa expressamente que a sentença condenatória era
passível de cumprimento. O que se passa para o cumprimento são as perspectivas
condenatórias - capítulos ou toda a sentença.
Sentença condenatória é aquela que reconhece a existência de obrigações -
tem que reler!! Érico vai cobrar nos casos concretos das provas.
Todas as obrigações envolvem ​PRESTAÇÕES​. Devedor terá que realizar prestação
em prol do credor. Ao fazer isso, o devedor tem direito a ter a quitação, comprovante da
realização da obrigação. Prestação/comportamento por parte do devedor - ainda que seja
entregar dinheiro. Envolve PRESTAÇÃO. Por isso a sentença que reconhece obrigação não
é auto suficiente para resolver na vida o direito material, porque ​a realização concreta do
direito material vai demandar uma atividade do devedor em prol do credor​.
A tutela executiva não é uma tutela de reconhecimento - o reconhecimento já
existe com a sentença. É uma tutela de força​, da força estatal, para realizar o que está
previsto na sentença, a obrigação reconhecida em prol do credor. Por isso não há
cumprimento de sentença pelo árbitro, porque ele não foi investido da força estatal, como o
são os juízes. São árbitros privados, têm o poder apenas do acertamento, depois a
sentença tem que ser cumprida na justiça estatal.
Mesmo sentenças que não têm capítulo condenatório podem ensejar o
cumprimento de sentença, se reconhecerem a existência de obrigação. ​A execução de
sentença, ainda que declaratória, é possível. ​Não importa o tipo de sentença, mas sim o
reconhecimento da OBRIGAÇÃO. Se esse reconhecimento existe, ainda que em sentença
declaratória, pode-se partir para o cumprimento de sentença → quando uma pessoa ajuíza
uma ação declaratória de inexistência de obrigação e a ação é julgada improcedente - ou
seja, existe obrigação, essa sentença pode dar ensejo ao seu cumprimento, para se exigir a
obrigação reconhecida. Não precisa ajuizar uma nova ação para poder executar a
obrigação.

AULA 04 - 04.04.2018

Decisão. Questão semântica? Perspectiva redacional? NÃO. Art. 356: decisão


interlocutória, julgamento de pedaço do pedido, que é hábil a fazer coisa julgada e a ir para
o cumprimento autônomo, de modo que se terá o cumprimento autônomo de decisão
interlocutória, e não de sentença. As regras são as mesmas do cumprimento de sentença!
O que tende a passar para a fase de cumprimento de sentença são as sentenças
condenatórias. Tanto assim era, tradicionalmente falando, que o CPC velho dispunha no
seu art. 534 que eram passíveis de execução as sentenças condenatórias, e assim é
tradicionalmente, porque as sentenças condenatórias se prestam à condenação de
obrigações​. Comportamento do devedor em prol do credor. ​A simples prolação da
sentença não leva o bem jurídico para as mãos do credor, precisa-se de um
comportamento do devedor. Precisa ter técnicas processuais para obrigar o cumprimento
dessa sentença. As demais sentenças são, via de regra, auto-suficientes, porque alteram,
por si só, a realidade das partes.
Toda sentença tem capítulos, e cada um se cumpre a sua maneira. Ônus
sucumbenciais - esse capítulo passa para o cumprimento. Resistência do réu em cumprir a
obrigação reconhecida na sentença. ​Hipótese de justiça gratuita: capítulo suspenso.
Não vai para o cumprimento. ​Reviravolta na jurisprudência no começo do século 21: não
precisa dessa necessária vinculação entre cumprimento e sentença condenatória. ​O que
importa é a sentença reconhecer a existência de obrigação, ainda que não seja uma
sentença condenatória. ​Se ela reconhece, em prol do autor, a existência de uma
obrigação, ela pode ser levada a cumprimento.
Qualquer sentença pode passar para a fase executiva, ainda que meramente
declaratória, e agora não estamos falando do capítulo condenatório, relativo aos ônus
sucumbenciais. Voto paradigmático em 2004, na vigência do art. 584, I. ​Art. 475-N:
reconhece a executividade das sentenças que não são condenatórias. Já eram
admitidas pela doutrina e jurisprudência, mesmo na vigência do artigo anteriormente citado.
Depois o código reconheceu. ​Qualquer sentença/decisão que reconheça a existência de
obrigação pode ser executada é passível de cumprimento. Não precisa mais da
imposição condenatória da sentença, basta que ela reconheça a existência de uma
obrigação em prol de uma das partes. Incorporação legislativa. Jurisprudência do STJ se
pacificou por completo.
Reforma do CPC em 2005. No novo CPC (515), isso é confirmado por completo, e
ainda se dá um passo adiante, porque muda de sentença para decisão. Não é mais apenas
sentença. ​Referência ao art. 356, em que a decisão interlocutória julga parte do
pedido, sendo hábil a fazer coisa julgada e ir para o cumprimento autônomo.
Precedentes: Resp 1300213 rs; Agint no resp 1575347 pr.
Quais são os títulos executivos judiciais que vão se cumprir no ambiente do
cumprimento de sentença regulamentado no título dois do livro um da parte especial do
CPC? Livro dois: usa-se para a execução de títulos executivos EXTRAJUDICIAIS - ex.:
títulos de crédito.
Título judicial reconhece a existência de obrigação e o devedor continua a resistir.
Como efetivar o direito material reconhecido na decisão/sentença​? Como fazer com que o
dinheiro passe às mãos do credor? ​Sequência do processo que já existia na fase
cognitiva. Cumprimento dentro dos próprios autos, no caso de ele já estar em curso
perante a justiça cível. Mas esse não é o único caso!
Art. 515: são títulos executivos judiciais…
I - processo em curso perante a justiça civil. nesse caso, ​já existe um processo em
curso no juízo cível​, nele se profere decisão que reconhece obrigação e esta sentença,
uma vez transitada em julgado e não cumprida, vai entrar na fase de cumprimento.
II - decisão homologatória de autocomposição judicial. Isso é “sentença”. Nós temos
dois blocos de sentença, todas são passíveis de trânsito em julgado. São sentenças do
mesmo jeito. Para cumprimento, é indiferente, ambas as sentenças têm o mesmo impacto,
as regras são as mesmas, SEM DIFERENÇA.
III - decisão homologatória de autocomposição extrajudicial. A ação judicial é apenas
para homologar o acordo que foi celebrado fora da Justiça.
IV - formal e certidão de partilha.
V - crédito de auxiliar da justiça.

Em todos esses casos, ​há um antecedente processo em curso perante a justiça


cível, dentro do qual se proferiu decisão que reconhece a obrigação do devedor em
prol do credor. ​Não necessariamente o credor será o autor, mas será o exequente, quando
do cumprimento de sentença. O cumprimento de sentença será ambientado dentro dos
próprios autos QUE JÁ ESTAVAM EM CURSO. Os autos podem estar apartados (questão
de organização física), mas vai ser o mesmo processo. ​Haverá simples requerimento do
credor, pedindo o cumprimento da decisão. Geralmente o devedor e o credor já terão
advogados constituídos nos autos. Não haverá nova citação, apenas intimação do devedor,
na pessoa do advogado, para participar do cumprimento de sentença.

VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado (no que diz respeito ao


dever de indenizar. A execução penal se dá dentro do âmbito PENAL).
VII - sentença arbitral. Arbitragem, nos moldes da lei da arbitragem (art. 3, parágrafo
primeiro, CPC - cláusula arbitral num contrato de direito material. Confusões em torno do
contrato vão para a arbitragem, em vez do juízo estatal. Uma vez proferida a sentença
arbitral, ela se EQUIVALERÁ à sentença do juiz estatal; mas esse juiz arbitral não pode
EXECUTAR a sentença, fazer com que a sentença se cumpra, porque o árbitro é um sujeito
privado, não tem poder para invadir a esfera patrimonial do devedor. por isso a sentença
arbitral é cumprida pela justiça estatal. não vai para a execução autônoma porque É UMA
SENTENÇA, é um título JUDICIAL, não é extrajudicial!).
VIII - sentença estrangeira homologada pelo STJ. Não é o próprio STJ que executa -
ela é executada no primeiro grau, pela Justiça Federal - previsão do CPC. Art. 965, CPC.
IX - decisão interlocutória estrangeira que contenha reconhecimento de pagar ou de
cumprir obrigação.

Nesses casos, não há processo civil em curso perante o juízo cível para ser
continuado, sequenciado. Isso deu divergência doutrinária, porque não se sabia se seria
cumprimento de sentença ou execução autônoma. O NCPC determina que é pelo
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA, mas o procedimento terá algumas diferenças. Se terá
que praticamente ajuizar uma ação de cumprimento de sentença, com a respectiva ​citação
do devedor. ​Art. 515, §1.º, CPC​. Não é apenas requerimento e intimação, como no caso
do cumprimento de sentença proferida no âmbito do processo civil. Processo sincrético é o
processo que começou na justiça civil, como processo de cognição, e continuou, para obter
tutela executiva.
Art. 515, III → transação fora do âmbito judicial, que gera um acordo, que é levado à
justiça para ser homologado, para que se torne um título judicial, que é mais forte do que o
título extrajudicial, no qual o devedor dispõe de mais meios para se defender.

AULA 05 - 06.04.2018

Se a decisão que se está a cumprir ainda é ​pendente de recurso​, o que se tem é o


cumprimento PROVISÓRIO (serão aplicadas regras específicas). Se a decisão que se está
a cumprir já tiver ​transitado em julgado - não estiver sujeita a recurso -, ​o cumprimento é
DEFINITIVO​. ​O marco é o trânsito em julgado​!

Obs.: Lembrar que a decisão/sentença, para ser cumprida, não precisa ter natureza
condenatória, mas apenas ​reconhecer uma obrigação​. Além disso, praticamente toda
sentença terá capítulo condenatório, por causa dos ônus sucumbenciais. ​Só não haverá
capítulo condenatório quando esse capítulo estiver suspenso, por causa da justiça
gratuita.

Art. 515, I a V - mecanismo tradicional do cumprimento de sentença, porque já há


um processo prévio em andamento perante um juízo cível.
Art. 515, VI a IX - variantes desse procedimento, porque o processo vai ser
inaugurado no juízo cível depois da prolação da sentença. Até então, não havia processo
em andamento na justiça civil.
Estamos no cumprimento de sentença em que já existia um processo em curso
perante o juízo cível e vamos cumprir essa decisão como simples fase do processo em
andamento, chamado de ​processo sincrético​. Essa decisão, se ilíquida, já passou pela
liquidação, pois se trata de cumprimento de sentença que reconhece obrigação de
pagamento de quantia certa - e, nesse caso, essa quantia não é devida pela Fazenda
Pública (esta tem procedimento especial).
1.ª observação: ​tutela executiva é a mesma, seja em cumprimento de sentença,
seja no processo autônomo de execução​, porque em ambos os cenários se está atrás de
realizar, judicialmente, o cumprimento de obrigações (líquidas, certas e exigíveis)
reconhecidas em determinada sentença ou decisão. A técnica executiva é a mesma nos
dois casos. Onde está a explicitação da técnica executiva para dinheiro? LIVRO DOIS. No
livro 1, título 2, não há essa previsão! ​A técnica da tutela executiva para dinheiro se
chama PENHORA​. Penhora de bens do devedor. ​Quando se trata de fazer/não fazer, a
técnica executiva que se tem é a imposição de multa processual, as astreintes.
Reconhecimento de obrigação de entrega de coisa → procedimentos mais simples.
Busca e apreensão ou imissão, nos casos de bens móveis e imóveis, respectivamente.
Dinheiro → penhora. Art. 831 - 869, CPC/15: regulam a penhora, que é o grande
mecanismo de realização judicial, técnica executiva, para obrigações em dinheiro. ​Essa
penhora é a mesma na execução e no cumprimento de sentença? Sim​. Art. 523, §3.º,
CPC: não cumprida a obrigação de pagar quantia certa, a justiça se utiliza da técnica da
penhora para apreender os bens ​(móveis ou imóveis) do devedor, para efetivar a obrigação
prevista na sentença.
Art. 771, CPC: normas do livro 2 se aplicam ao cumprimento de sentença! Essa é a
abertura do livro dois. O legislador não repete o procedimento, porque é o mesmo -
aplica-se à execução autônoma E ao cumprimento de sentença.
Os bens penhorados serão apreendidos e vendidos (expropriação)
judicialmente. ​Vão a leilão/hasta pública. Hoje o CPC permite o leilão privado, realizado
por particulares. O dinheiro resultante dessa venda será utilizado para quitar a dívida
perante o credor.
Penhora online​: juiz acessa bacenjud e bloqueia valores que estão na conta do
devedor. ​Art. 846​, CPC. A penhora online é prevista pelo CPC novo, não o era pelo CPC
antigo. Primeiro, oficial de justiça tenta penhorar os bens que estejam na casa do devedor.
Se não conseguir, pode obter ordem de arrombamento, em juízo.
Esse procedimento depende de requerimento do credor! Só vai pra frente se o
credor assim requerer.
Como essa fase executiva é apenas uma continuação do processo, que já estava
em andamento perante juízo cível, ​a sua iniciativa vai depender apenas de manifestação
do advogado do credor (NÃO É DE OFÍCIO, NÃO É A REQUERIMENTO DO DEVEDOR.
O CREDOR TEM QUE REQUERER!), constituído nos autos, por meio de simples
requerimento​. Haverá intimação do advogado constituído nos autos pelo devedor. Isso é
efeito do processo sincrético - não é processo novo, não precisa de ajuizamento de nova
petição inicial, pagamento de custas, citação do réu… o processo simplesmente continua,
em uma nova fase.
Competência para o processamento do cumprimento de sentença: normalmente é
simples, considera-se o processo que já estava em curso e será sequenciado para a
efetivação do que foi reconhecido à sentença. Isso era aceito, até pouco tempo atrás, de
forma absoluta (competência funcional). A competência funcional/hierárquica é competência
ABSOLUTA. Esse sequenciamento era chamado de ​conexão por sucessividade -
competência do juízo que proferiu sentença para executá-la. O legislador, em 2005,
manteve o padrão, que vai ser repetido no cpc de 2015, mas deu uma “tumultuada” nisso.
Art. 516, CPC.
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:

I - os tribunais, nas causas de sua competência originária;

II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;

III - ​o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de


sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal
Marítimo.

Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo
juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens
sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação de
fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada
ao juízo de origem.

E quando não há nada, em primeiro grau, tramitando perante o juízo cível? Regras
de competência - territorialidade, eleição de foro… o que aprendemos em processo civil I.
Normalmente, os bens do devedor estão com ele. Se ele mudou de BH para
Manaus, levou os bens consigo. Se se está atrás do patrimônio, é muito mais fácil começar
o cumprimento de sentença onde estão os bens nesse momento do que o manter perante o
juízo que proferiu a sentença, se o devedor não mais lá reside, de modo que o cumprimento
teria que se dar mediante carta precatória. ​Permissão para o deslocamento da
competência​. ​Isso depende, obviamente, de ​requerimento do credor​. O lugar para o qual
a competência será deslocada ​tem que ser onde o devedor esteja a residir, ou onde
estejam seus bens​.​ Não é para onde o credor quiser ou residir.
Essa disposição do parágrafo único vai “quebrar” a cláusula de eleição de foro. É o
credor que decide se quer manter o cumprimento no juízo perante o qual se processava ou
se vai deslocá-lo para o local onde estão os bens ou onde está o devedor. O devedor não
pode impugnar isso, ​é opção do credor​! ​Isso faz com que a competência funcional não seja
mais considerada absoluta! ​Derrogação da competência funcional, que era considerada
absoluta​.
Possibilidade de protesto da sentença​, em cartório: novidade do CPC novo.
Antes, existia discussão a respeito da possibilidade de a Fazenda Pública pegar a certidão
de dívida ativa e levar a protesto. Hoje isso é admitido! Mais um meio de coerção para fazer
o devedor pagar. ​Lembrando, CDA é título executivo extrajudicial, não tem nada a ver com
a novidade que o CPC novo trouxe, com relação ao protesto da sentença. Precedente:
Resp 1596379/pr.
O CPC novo permite protestar a SENTENÇA. O credor pode levar a sentença que
reconhece a obrigação de pagar quantia certa e levar a cartório, para ​protesto (art. 517,
CPC).
Obs. 1: ​Juiz não pode fazer isso de ofício! Depende do credor → Art. 517, ​§ 1​o
Para efetivar o protesto, incumbe ao exequente apresentar certidão de teor da decisão.
Obs. 2: Além disso, ​tem que começar o cumprimento​, dar prazo ao devedor para
pagar, e, se ele não pagar, aí sim pode protestar! → Art. 517. A decisão judicial transitada
em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da lei (cartorária), depois de
transcorrido o prazo para pagamento voluntário previsto no art. 523.
Obs. 3: Pode protestar sentença que está sob cumprimento provisório (sentença que
ainda não transitou em julgado)? NÃO! ​O próprio caput diz que a sentença tem que ter
transitado em julgado​!
E pra tirar o protesto, depois do pagamento? Art. 517, § 4​º: ​A requerimento do
executado, o protesto será cancelado por determinação do juiz​, mediante ofício a ser
expedido ao cartório, no prazo de 3 (três) dias, contado da data de protocolo do
requerimento, ​desde que comprovada a satisfação integral da obrigação.
Protesto envolve dinheiro! Quantia certa! ​Só dá para sentenças que reconhecem
obrigação de PAGAR QUANTIA CERTA! Mas a sentença que, originalmente, era de
fazer/não fazer/entregar coisa, e depois vira perdas e danos, pode ser protestada, porque
vai virar pagamento em dinheiro! HTJ salienta isso.
Inscrever a sentença nos serviços de proteção ao crédito: é diferente de protesto,
mas o credor também pode se valer disso, ​cumulativamente​, para coagir o devedor a
pagar ​(art. 782: § 3​o ​A requerimento da parte​, o juiz pode determinar a inclusão do nome do
executado em ​cadastros de inadimplentes​)​.
§ 4​o A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento, se for
garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo.
§ 5​o​ O disposto nos §§ 3​o​ e 4​o​ aplica-se à execução ​definitiva​ de título judicial​.
Pode cumular todas essas medidas! Penhora judicial + protesto + inclusão do
nome em cadastros de inadimplentes!
Lembrar que protesto e inclusão nos cadastros são medidas incluídas pelo
código novo!!
Novidades trazidas para efetivar a tutela executiva!
Art. 519. Aplicam-se as disposições relativas ao cumprimento da sentença,
provisório ou definitivo, e à liquidação, no que couber, às decisões que concederem tutela
provisória.

No cpc de 73, não era tão claro que o cumprimento de sentença começava com
requerimento do credor (475-J), mas essa conclusão já tinha sido alcançada pelo STJ, na
interpretação desse artigo.
No cpc novo, isso fica nítido:
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no
caso de decisão sobre parcela incontroversa, ​o cumprimento definitivo da sentença
far-se-á a requerimento do exequente​, sendo o executado intimado para pagar o débito,
no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.
Além disso: Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras
deste Título, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obrigação, o disposto
no Livro II da Parte Especial deste Código.
§ 1​o O cumprimento da sentença que ​reconhece o dever de pagar quantia,
provisório ou definitivo​, far-se-á​ a requerimento do exequente​.
Não pode começar de ofício, por determinação judicial!

AULA 06 - 11.03.2018
A terminologia da execução se dá em “exequente” (credor)/”executado (devedor).
Artigo 513, § 1º e art. 523 do CPC/2015 deixam claro a disposição de que é
necessária a iniciativa do credor para dar início ao cumprimento de sentença, por simples
requerimento – sem os requisitos da petição inicial do art. 319 do CPC/2015, não podendo
ser reconhecida de ofício (AgRg no REsp 1.265.174 – PR; AgRG no RESp 1218667-RS).
Passaremos, agora, à análise do procedimento de cumprimento de sentença para
pagamento de quantia certa.
É necessário que seja apresentada a tabela de cálculos em conjunto com o
requerimento do início do cumprimento de sentença​, aplicando, no valor da
condenação, os valores de juros e correção monetária, tal como demonstra o art. 524.
Nesse sentido, ​não se trata de mero requerimento simples, mas de um requerimento
qualificado​.

Art. 524. O requerimento previsto no art. 523 será instruído com demonstrativo
discriminado e atualizado do crédito, devendo a petição conter:
I - o nome completo, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro
Nacional da Pessoa Jurídica do exequente e do executado, observado o disposto no art.
319, §§ 1​o​ a 3​o​;
II - o índice de correção monetária adotado;
III - os juros aplicados e as respectivas taxas;
IV - o termo inicial e o termo final dos juros e da correção monetária utilizados;
V - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso;
VI - especificação dos eventuais descontos obrigatórios realizados;
VII - indicação dos bens passíveis de penhora, sempre que possível.

O §3º do art. 524 afirma que “Quando a elaboração do demonstrativo depender de


dados em poder de ​terceiros ou do executado​, o juiz poderá requisitá-los, sob cominação
do crime de desobediência”. O §4º, por sua vez, afirma que “quando a complementação do
demonstrativo depender de dados adicionais em poder do executado, o juiz poderá, a
requerimento do exequente, requisitá-los, fixando prazo de até 30 (trinta) dias para o
cumprimento da diligência”. Nesses casos, se a contraparte não apresentar os documentos,
aplica-se o § 5º, “se os dados adicionais a que se refere o § 4o não forem apresentados
pelo executado, sem justificativa, no prazo designado, ​reputar-se- ão corretos os cálculos
apresentados pelo exequente apenas com base nos dados de que dispõe​”. Nesse
sentido, a não apresentação dos referidos documentos traz consequências drásticas ao
devedor, uma vez que o impede de impugnar os cálculos feitos pelo credor, com base nos
dados que ele mesmo dispõe (que podem ser distorcidos) (AgRg no RESp 1174367 – RS,
AgRg no Ag 1275771 – SP; RESp 767269 - RJ). Há o RESp 1138195 – SP que aceitou a
impugnação do executado que não apresentou os dados necessários ao exequente, mas é
uma exceção à regra. ​Ressalta-se que esse requerimento é realizado antes do início do
cumprimento de sentença, uma vez que o exequente depende de tais documentos
para realizar a planilha de cálculos que será apresentado no requerimento de
cumprimento de sentença. Ressalta-se a posição do professor HTJ que afirma que, em
casos de apresentação de cálculo em divergência explícita com os parâmetros de
razoabilidade e adequação ao caso, admite-se a impugnação por parte do devedor.
Nos casos em que não havia processo cível antecedente (art. 515, § 1º) – em que
será inaugurada a jurisdição cível –, essa questão da apresentação do requerimento de
cumprimento de sentença fica mais complicada. Continua sendo um requerimento, ​mas um
requerimento mais próximo a uma petição inicial​, uma vez que será necessário que se
apresente a qualificação completa das partes, ​que se proceda à citação do executado e
ainda, por exemplo, a cópia do processo ou do título executivo que dá lastro ao início do
procedimento de cumprimento de sentença (requisitos do art. 524 e outros).
[ATENÇÃO PROVA] ​A multa aplicada pelo inadimplemento voluntário pelo
devedor, é contada tão somente a partir da intimação do devedor​, nos termos do art.
523, § 1º do CPC/2015 (RESp 1262933 – RJ; AgInt no RESp 1550021 – SP). No caso de o
devedor não concordar com os cálculos apresentados, para que ele não pague a multa pelo
inadimplemento voluntário, é possível que ele realize o pagamento parcialmente,
apresentado em conjunto com a sua impugnação, no prazo do caput (art. 523, § 2º), de
modo que ​a multa e os honorários somente se aplicam ao restante que não for pago e
se o executado perder a sua impugnação​.
Uma outra discussão a respeito do processo de execução se dava quanto aos
honorários advocatícios​. ​A Súmula 517 do STJ já afirmava a orientação dos tribunais,
no sentido de que eram devidos honorários advocatícios também no processo de
execução. Esse entendimento foi recepcionado pelo § 1º do art. 523 ​“...e, também, de
honorários de advogado de dez por cento”. Ressaltando que esses honorários e essa multa
contratual ​só são cabíveis no caso da ausência do pagamento voluntário, no prazo de
15 dias contados a partir da intimação do devedor, nos termos do art. 523​. Uma outra
ressalva é a de que ​não se pode capitalizar juros e honorários advocatícios, devem ser
índices aplicados paralelamente sobre o principal (ex: dívida de 100; aplica 10% de
multa e 10% de honorários, perfazendo 120).
INTIMAÇÃO DO DEVEDOR: em regra é ​na pessoa do advogado​, intimado por
meio do DJe, nos termos do art. 513, § 2º e 3º: Art. 513. (...) § 2o O devedor será intimado
para cumprir a sentença: ​I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado
constituído nos autos; II - por carta com aviso de recebimento, ​quando representado
pela Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos​,
ressalvada a hipótese do inciso IV​; III - por meio eletrônico, quando, no caso do § 1o do
art. 246, não tiver procurador constituído nos autos; IV - por edital, quando, citado na
forma do art. 256, tiver sido revel na fase de conhecimento. § 3o Na hipótese do § 2o,
incisos II e III, considera-se realizada a intimação quando o devedor houver mudado de
endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no parágrafo único do
art. 274.
As regras de citação estão no art. 218 a 232 do CPC/2015, e devem também ser
resgatas para os casos do processo de execução. ​O legislador, entretanto, dispôs que
nos termos do art.​a ​inércia do credor por mais de um ano​, ​contado a partir do trânsito
em julgado da sentença, impõe que a intimação para o adimplemento voluntário do
devedor deva ser pessoal, por meio de carta com aviso de recebimento, 513, § 4º (obs:
na prova, Érico pode não por a data do trânsito em julgado, de modo que pode ser que
tenhamos que ​contar os 15 dias do julgamento pela última instância para considerar o
trânsito em julgado​, para, então, contar um ano para esse caso – contagem de prazo em
ano, art. 132, Código Civil​). Assim, pode haver duas possíveis formas de contagem de
prazo para dar início ao cumprimento de sentença, um contado a partir da publicação no
DJe pela intimação dos advogados, e outro, com a ​intimação pessoal do devedor
[OBS: art. 224, § 3º, a contagem de prazo, seja contado em dia útil ou dia não útil, sempre
se iniciará em dia útil].
Há uma polêmica sobre a forma da contagem de prazo do pagamento voluntário. O,
art. 219 e parágrafo único do art. 219, afirmam que deve ser contado em dias úteis, há a
ressalva que afirma por não se trata de prazo processual, mas prazo para pagamento,
seriam dias corridos. A posição do Professor é o do pior cenário, que, para os advogados,
seria em dias corridos (pedir na prova o que faria na condição do advogado, contar o prazo
em dias corridos, já que é o pior cenário).
Prazo de 15 dias para pagamento voluntário: marco inicial é a intimação para o
advogado. Essa comunicação pode ir, entretanto, pessoalmente para o devedor por meio
de carta intimação (art. 523 c/c 513, §2º). Se a intimação vier para o advogado por meio de
intimação no diário oficial da união, a contagem do prazo se fará nos moldes do art. 224 do
CPC/2015, excluindo o primeiro dia e incluindo o último dia. Entretanto, de acordo com o
art. 513, § 2º, II, o devedor pode ser intimado pessoalmente, nos casos em que o advogado
da parte é constituído por defensor público, ou ainda o caso em que não tenha advogado
constituído nos autos. Nesse caso, de acordo com o art. 231, § 3º, o marco inicial do
prazo será o do recebimento da carta com AR. Esses prazos, por serem prazo para as
partes​, contam-se em ​dias corridos​ [ATENÇÃO PROVA].
No caso de litisconsórcio passivo no cumprimento de sentença, haverá uma
variedade de dia muito grande com relação ao recebimento da carta. Nesse sentido, de
acordo com o art. 231, §2º, cada uma das partes terá uma contagem de prazo
diferente. Ademais, como se trata de um prazo das partes e não do advogado, ​mesmo que
haja procuradores diferentes, o prazo não será contado em dobro.
Supondo que o devedor não pagou. Parte-se, então para a penhora, nos termos do
art. 523, § 3º, considerando, desde já os acréscimos do art. 523, § 1º. A contagem de prazo
anterior pode levar à perda do prazo de impugnação. ​Esse prazo para impugnação se dá
emendado, logo depois, ao término do prazo para adimplemento voluntário (art. 525
do CPC/2015). Nesse sentido, ​se o credor não paga, o processo de execução passa a
correr paralelamente em duas frentes, uma, a penhora, e outra frente que é o início do
prazo para o devedor se defender no cumprimento de sentença. ​Não é necessária a
apresentação de garantia para apresentação da defesa (tal como era exigido no CPC/73).
Lembrando que a apresentação de garantia livra apenas a penhora, mas não
representa o adimplemento necessário para afastar a multa e honorários de 10% ​-
depósito em garantia NÃO É PAGAMENTO.
Contagem de prazo nesse caso: pelo caput, ​acabou o prazo para adimplemento
voluntário, no primeiro dia útil seguinte começa a contagem ​dos dias úteis ​de defesa​.
O termo inicial é o último dia do prazo de pagamento, este dia é excluído da contagem
e ela se dá no primeiro dia útil seguinte, nos termos do art. 224​. O prazo se abre no
primeiro dia útil seguinte ao do pagamento voluntário. ​Esse prazo é um prazo de
advogado, de modo que é contado em dias úteis​. ​Esse prazo também é contado em
dobro no caso de defensoria e de litisconsórcio com advogados diferentes, nos
termos do art. 229. [ATENÇÃO CONTAGEM DE PRAZO NESSES CASOS PARA
PROVA].
Matérias que o devedor pode arguir em defesa de cumprimento de sentença, nos
termos do ​art. 525, § 1º​. [ATENÇÃO PROVA]:
§ 1​o​ Na impugnação, o executado poderá alegar:
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, ​o processo correu à
revelia; ​[pode alegar a nulidade da sentença em razão do defeito da citação; inclusive a
sentença não transita em julgado, podendo ser ajuizada querela nulitatis – ação manejada
para afirmar a inexistência da sentença em razão do vício da citação – AgRg no RESp
1524632; RESp 1625033 – SP; RESp 1456632 – MG].
II - ilegitimidade de parte; [não é a ilegitimidade anterior, mas a partir da propositura do
cumprimento de sentença, em razão dos executados; deve ser superveniente, algo deve ter
ocorrido com os executado ou exequentes que altere a legitimidade]
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; [caso de sentença ilíquida,
que é inexigível, por exemplo; caso do art. 514 do CPC/2015,em que a sentença está
sujeita a termo ou a condição e esse termo ou condição não se materializou].
IV - penhora incorreta ou avaliação errônea; [há uma lista de bens impenhoráveis no
Código, ou ainda, excesso nos valores da penhora; esses casos podem ser apresentados
na impugnação; hoje em dia isso é raro, pois é muito difícil que se tenha a penhora de bens
antes da apresentação da impugnação, já que ambas as perspectivas correm lado a lado;
nos casos de penhora superveniente, o devedor executado será intimado da penhora e será
concedido o prazo de 15 dias para impugnação a essa penhora, nos termos do art. 525, §
11].
V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; [a definição de excesso de
execução está contida no art. 917, § 2º​, mas o que está aqui no inciso V é tão somente o
excesso no valor, ​devendo declarar de imediato o valor que entende correto,
apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo, nos termos do
art. 525, § 4º, sob pena de, tratando-se a impugnação tão somente de excesso de
execução, improcedência liminar da impugnação​; ou, ​se houver outros pedidos,
desconsiderar-se- á a parcela do excesso da execução nos termos do 5º do art. 525​]
VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;
VII - qualquer ​causa modificativa ou extintiva da obrigação​, como pagamento, novação,
compensação, transação ou prescrição, ​desde que supervenientes à sentença​.

[ATENÇÃO PROVA] ​Cenários de relativização da coisa julgada também podem


ser arguidos em matéria de impugnação. Nesse sentido, quando há sentença
inconstitucional, aquela decidida de maneira contrária a determinada decisão do Supremo
Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de determinada lei. ​Não se trata de
qualquer alegação de inconstitucionalidade, mas tão somente quando houver amparo
em alguma lei que foi declarada inconstitucional ​[AgInt no AgRg no ARESp 284550 –
MG; RE 730462 – REPERCUSSÃO GERAL 733], nos termos do art. 525, § 12.
O § 14 vai afirmar que a decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 ​deve
ser ​anterior ao trânsito em julgado da decisão exequenda. No termos do art. 525, § 15,
se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado da decisão
exequenda, ​caberá ação rescisória​, ​cujo prazo será contado do trânsito em julgado da
ue tem como prazo o trânsito em julgado da decisão que se quer rescindir]. ​Resumindo: ​o
NCPC afirma que deve haver decisão do supremo declarando determinada lei
inconstitucional; ​para que se possa usar o mecanismo de constituição da sentença em
fase de cumprimento, é necessário que a decisão do Supremo seja anterior àquela
que se quer cumprir; se a decisão de inconstitucionalidade vier depois, não se pode
arguir na impugnação, deve ser feito em rescisória​, com o prazo contado a partir do
julgamento pelo Supremo. § 13. No caso do § 12, os efeitos da decisão do Supremo
Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, em atenção à segurança jurídica.
Art. 1057, disposição transitória sobre coisa julgada inconstitucional; se a sentença
tiver transitado em julgado sob a égide do NCPC, aplicam-se as disposições do art. 525, §§
12, 14 e 15. Entretanto, se o trânsito em julgado for antes da entrada em vigência do NCPC,
aplicam-se as disposições do CPC/73. (ATENÇÃO PROVA).
Pode requerer, na impugnação, ​a concessão de efeito suspensivo à penhora,
uma vez que a apresentação de impugnação, a princípio, não impede a prática dos
atos executivos​, inclusive os de expropriação, ​podendo o juiz, ​a requerimento do
executado e desde que garantido o juízo com penhora​, caução ou depósito
suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo​, se seus fundamentos forem relevantes e se o
prosseguimento da execução for manifestamente suscetível de causar ao executado grave
dano de difícil ou incerta reparação (§ 6º do art. 525, CPC/2015). Ressalta-se a
necessidade de requerimento da parte (efeito suspensivo ope judicis e não ope legis –
não pode ser concedido de ofício) e ​bens em garantia ​para que haja a concessão do efeito
suspensivo (segurança do juízo), ​sendo necessário também o fumus boni iuris e o
periculum in mora​.
Concedido o efeito suspensivo, ​o procedimento de penhora fica congelado até a
decisão da impugnação​, mantendo-se, obviamente, o feito da execução. Por outro lado,
se não for concedido o efeito suspensivo (pode haver agravo de instrumento – art. 1015,
parágrafo único), paralelamente o juiz vai movendo o processo, e vai mantendo a penhora,
com avaliação do bem penhorado e sua consequente venda, para que seja possível a
entrega do bem penhorado, tudo realizado nos mesmos autos, tal como prevê o art. 518 do
CPC/2015.
Se o devedor alega alguma das temáticas da impugnação, ​deve ser aberta vista a
outra parte para responder – réplica –, nos termos dos arts. 8 e 9 do CPC/2015 e depois
pode haver necessidade de abertura de fase instrutória, seguindo o procedimento comum
nesses casos.
Depois disso, o juiz julga a impugnação, podendo julgar para rejeitar, acolher
integralmente, acolher em partes. Além, claro, de uma rejeição liminar da impugnação
(caso, por exemplo, em que o devedor não apresente o demonstrativo de cálculo em
excesso de execução; caso de intempestividade também). ​Em ambos os casos, se for
rejeitado, em regra, a decisão será interlocutória​, haja vista que o cumprimento de
sentença irá continuar, em razão da penhora que segue processando. ​Em caso de
acolhimento parcial, também haverá interlocutória, haja vista que o cumprimento
seguirá normalmente, cabendo agravo de instrumento por ambas as partes​. No caso
de acolhimento integral, depende do teor da decisão. Se, por exemplo, a sentença
reconheceu o pagamento integral do valor, não há mais nada para o processo seguir, de
modo que há uma sentença, e o recurso cabível seria a apelação. ​Entretanto, se a
decisão, por exemplo, reconhecer apenas o excesso na execução, a execução ainda
deve correr sobre o valor correto, de modo que não extingue a execução, sendo
cabível apenas agravo de instrumento. Ou seja, não é toda decisão que acolhe
integralmente as alegações trazidas à impugnação que ensejam a extinção da execução.
Vai depender do que tiver sido arguído. Se só se questiona o excesso de execução, ainda
que haja decisão judicial acolhendo essa alegação, a fase executiva não termina, porque o
restante da quantia exequenda, que não foi impugnado, continuará a ser executado. O art.
203, § 1º inclusive afirma que é necessário que o processo de execução seja encerrado
para a caracterização da sentença nessa fase (RESP 127488 – RJ; AgRg no ARESp
155329 – SP). (ATENÇÃO PROVA).
No caso em que a decisão da impugnação não coloca fim ao processo de execução,
os arts. 924 e 925 preveem a prolação de uma outra sentença após o reconhecimento da
quitação da obrigação, com toda a sistemática da penhora ou com o pagamento entre as
partes, dando fim ao processo de execução, sendo cabível, aqui também, apelação. ​Nesse
sentido, a execução pode ter duas sentenças.​ (ATENÇÃO PROVA). ?????????
Honorários de advogado na impugnação: art. 523, § 1º - honorários pré-fixados.
Nesse sentido, ainda que a impugnação seja rejeitada, não são cabíveis novos honorários
advocatícios para o credor - ​Súmula 519 do STJ – haja vista que os honorários do 523, §
1º deveriam prever todo o processo de execução. ​Entretanto, no caso em que acolher
integralmente para extinguir a execução, os honorários e a multa de 10% do art. 523
caem, e o executado/devedor passa a poder receber honorários – os honorários
viram​. ​No caso em que acolhe parcialmente, aí sim são cabíveis honorários, e, aqui,
são honorários para o devedor, que serão cobrados sobre o valor integral da dívida
que estava sendo cobrado. Nesses casos, haverá dois honorários; um para o credor,
quando do não pagamento voluntário, nos termos do art. 523 do CPC/2015 e outro quando
do acolhimento parcial da impugnação, devido ao devedor e ​calculado sobre o valor que
foi retirado do valor total da dívida (RESp 1134186 – RS; RESp 1373438). (ATENÇÃO
PROVA).
Exceção de pre-executividade: hoje em dia, no NCPC, não faz mais sentido, porque
o credor não precisa de penhora para se defender. Hoje em dia só faz sentido na execução
fiscal. (não será cobrado; só quando tratar de execução fiscal).
Parte que não esteve no processo de conhecimento não tem legitimidade para
figurar no polo passivo da lide, nos termos do § 5º do art. 513 do CPC/2015 e art. 5º, LIV da
CF/88.
Há casos em que o devedor pode iniciar o cumprimento de sentença, nos termos do
art. 526, principalmente quando o devedor demora ou não dá início ao cumprimento de
sentença. Nesses casos, há um cumprimento às avessas.
Art. 916, § 7º diz que o devedor não pode requerer o parcelamento da dívida no
cumprimento de sentença - é regra da execução autônoma que não se estende ao
cumprimento de sentença.

CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA

Observação Introdutória I: Ainda estamos no cumprimento definitivo de sentença que


reconhece a obrigação de pagar a quantia certa, mas agora o executado é a Fazenda
Pública. No CPC antigo, mesmo com a reforma da Lei 11.232/2005, a execução contra a
fazenda pública exigia que se ajuizasse uma nova ação, em que a fazenda pública era
citada, tendo sua defesa feita em autos apartados, em embargos à execução (AgRg no
RESp 1170040) – não vigorava a ideia de um processo sincrético para os casos em que se
envolvia execução de sentença contra a fazenda pública. Não se podia, também, ajuizar
execução contra a fazenda pública, lastreado-se tão somente em título executivo
extrajudicial. O CPC/2015 traz novidade quanto ao tema, sendo aplicada a mesma
sistemática do processo sincrético (art. 534 e 535 do CPC/2015 – sendo aplicada a matriz
do 523 ao 527 do CPC/2015). Ademais, pode-se ajuizar uma ação de execução autônoma
pautada em título extrajudicial.
Observação introdutória II: Administração direta (entes federados, diretamente,
União, Estados e Municípios, que atuam por meio de seus órgãos, os quais, em razão da
ausência de personalidade jurídica, tem sua responsabilidade imputada aos entes da
administração direta – artigo 41 CF/88 afirma que são pessoas jurídicas de direito público) e
Administração Indireta (art. 37, XIX, são os “filhos” da administração direta, com
personalidade jurídica própria – autarquias, fundações públicas – essas duas com
personalidade jurídica de direito público – , empresas públicas, sociedades de economia
mista – com personalidade jurídica de direito privado – e consórcios) com personalidade de
direito público. O art. 183 do Código de Processo Civil dá mais ou menos a tônica, o pacto
que o processo civil apanha com o conceito de Fazenda Pública.
Via de regra, o cumprimento de sentença contra a fazenda pública se dá
especificamente nos casos dessas entidades. ​O STF, entretanto, acabou revestindo
algumas empresas estatais com personalidade jurídica de direito privada de algumas
das prerrogativas do regime de direito público, como é o caso do cumprimento de
sentença - ocorre quando estas estatais prestam serviços públicos não
concorrenciais. A exemplo, são os Correios, que serão executados nas modalidades dos
arts. 534/535; mas se for a Caixa, BB, por exemplo, vai para o cumprimento de sentença
comum (RE 220906; RE 393032; RE 713731). ​Seguem, então, o regime de execução da
fazenda pública: União, Estados, Municípios, Distrito Federal, Autarquias, Fundações
Públicas, Estatais que prestam serviços públicos não concorrenciais.
Feitas essas duas notas introdutórias, pode-se dar início ao cumprimento das
sentenças contra a fazenda pública, que os condenam ao pagamento de quantia certa.
Art. 100, caput da CF/88 prevê o regime de pagamento das dívidas judiciais pela
Fazenda Pública. ​O precatório é a documentação de reconhecimento de crédito
judicial, feito pelo juiz de primeiro grau, ao presidente do TJ/TRF que encaminha para
o Governador/Presidente que deve incluir na lei orçamentária para pagamento.
Sistema jurídico-processual de pagamento de crédito judicial contra a fazenda pública,
tendo em vista que os bens/dinheiro da Fazenda Pública são impenhoráveis​. Os
precatórios são pagos de acordo com a ordem cronológica de chegada. ​Há também as
requisições de pequeno valor – RPV – em que incorre uma outra sistemática também​.
O art. 534 do CPC/2015 (requerimento do cumprimento de sentença), é a mesma
coisa do 524 do CPC, à exceção do inciso VII, haja vista a impenhorabilidade dos bens
da fazenda. ​Uma outra diferença é a multa de 10% que não incide sobre a fazenda
pública, nos termos do § 1º do art. 534, incidindo apenas honorários​. Feito o
requerimento, ​intima-se a fazenda pública para se defender – não para pagar, já que
ela não paga, nos termos do art. 535 do CPC/2015​. O art. 535 (defesa do executado) é
igual ao 525, § 1º, ​menos a parte da alegação do excesso de penhora. Outros benefícios
da Fazenda Pública são ​a intimação pessoal para os advogados (183, caput CPC/2015)
e ​prazo de 30 dias, ​que não pode ser contado em dobro (art. 183, § 2º). (PROVA –
PARTICULAR E FAZENDA COM LITISCONSÓRCIO). Abre-se a contagem do prazo do art.
219 do CPC (somente dias úteis). Ocorre o mesmo regime de alegações de defesa,
inclusive com a questão da sentença inconstitucional (com atenção ao 1057 – regra de
transição), ​à exceção da alegação do excesso de penhora.
O art. 535, § 4º afirma a perspectiva de que ​é necessário trânsito em julgado para
que haja expedição de precatório ou RPV – casos ou em que a fazenda não apresenta
impugnação ou quando não recorre. Nesse sentido, seria quase necessário que se
chegasse à ​incontrovertibilidade do valor. Assim, ​se a fazenda impugnar parcialmente,
o credor pode requerer a expedição de precatório sobre o valor parcial que não foi
impugnado ​RESp 1271184 – PR).
Como funcionam os precatórios e RPV (criado em 2009 pela emenda 62). Art. 100,
§§ 3º e 4º tratam do RPV. ​O art. 87 do ADCT trata dos valores para entrar com RPV –
feito com base no salário mínimo; salário mínimo ​R$ 954,00​), podendo os Estados editarem
suas próprias Leis sobre os valores para RPV. Pode haver renúncia da diferença do valor
que extrapola o RPV, ​não sendo possível fracionar a dívida e cobrar parte em RPV e
parte em precatórios, nos termos do § 8º do art. 100 da CF/88. ​O Estado de Minas
Gerais editou a sua Lei específica sendo o teto de 15 mil para cobrança. (ATENÇÃO
PROVA).
O §3º do art. 545 afirma que se a fazenda apresenta impugnação não pode partir
para o cumprimento, a não ser que seja impugnação parcial. Se não apresentar
impugnação ou se as alegações dos recursos foram rejeitadas, pode dar início ao processo
de pagamento. O art. 100, § 5º - que trata dos precatórios – afirma que o presidente do
Tribunal envia para o Presidente/Governador. Se chegar até 1º de julho de 2018, por
exemplo, inclui na LDO e na Lei Orçamentária para ano seguinte, de modo que o
pagamento deveria se dar até o final do orçamento seguinte. Se chegar depois de 1º de
julho, inclui na Lei Orçamentária que tramitará em 2019, para pagamento, então, no
exercício de 2020.
No RPV, como consta no art. 535, § 3º, II, há a obrigatoriedade para pagamento em
2 meses, e caso não o faça, pode haver bloqueio de contas judiciais da Fazenda
Pública – um dos únicos casos em que isso pode ocorrer.
O art. 534, § 1º, afirma a perspectiva da ​individualização da dívida, que não se
confunde com o fracionamento da dívida​. Cada um dos litisconsortes pode receber no
RPV separadamente. Da mesma forma, se os honorários dos advogados estiverem dentro
do valor de RPV, mesmo que o valor da dívida a ser recebida pelo seu cliente esteja acima
do limite, pode ele pedir o seu pagamento por RPV (RESp 1347736 – RS; RE 564132).
Não pode haver, ainda, o deslocamento do art. 516 para a fazenda pública.
AULA 07 - 13.04.2018