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Resumo de Direito Penal:

PROFESSOR RODRIGO LACERDA

FONTES DO DIREITO PENAL

1. Conceito: Lugar de onde vem e como se exterioriza o Direito Penal.

I. FONTE MATERIAL:

a. De onde vem o Direito Penal (fábrica do Direito Penal).


b. “Fábrica”.
c. Fonte de produção da norma.
d. Órgão encarregado de criar o Direto Penal.
- União: art. 22, I, CF. (compete Privativamente).
- Lei Complementar pode autorizar o Estado a legislar sobre Direito Penal
incriminador no seu âmbito - Art. 22, parágrafo único, CF.

II. FONTE FORMAL:

a. Como se exterioriza o Direito Penal.


b. Como se propaga.
c. Revela o produto fabricado.
d. Instrumento de exteriorização do C.P.
e. Modo como as regras são reveladas.
f. Fonte de conhecimento ou cognição.
FONTE FORMAL FONTE FORMAL

(DOUTRINA CLÁSSICA) (DOUTRINA MODERNA).

I. IMEDIATA: LEI. II. MEDIATAS: 6 ESPÉCIES.

E a Constituição? LEI - ÚNICA FONTE INCRIMINADORA.

E os Tratados Internacionais sobre Direitos CONSTITUIÇÃO FEDERAL.


Humanos?
TRATADOS INTERNACIONAL SOBRE DIREITO
Jurisprudência (súmulas vinculantes)?? HUMANOS.

Princípios?? JURISPRUDÊNCIA.

Atos Administrativos?? PRINCÍPIOS.

ATOS ADMINISTRATIVOS.

II. MEDIATAS: II. MEDIATAS:

CONSTUMES E PRINCÍPIOS GERAIS DO SÓ A DOUTRINA.


DIREITO.

FONTES DO DIREITO:

LEI:
I. Fonte formal imediata.
II. Único instrumento normativo capaz de criar crimes e culminar penas.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL:
I. Fonte formal imediata.
II. Não criam crimes nem culmina penas.
III. Por que a Constituição Federal não pode criar penas e culminar penas?
R. Por causa de seu processo moroso de alteração.
IV. Mandados constitucionais de criminalização.
Art. 5°, XLII, CF.

XLII - A PRÁTICA DO RACISMO CONSTITUI CRIME


INAFIANÇÁVEL E IMPRESCRITÍVEL , SUJEITO À PENA DE
RECLUSÃO, NOS TERMOS DA LEI ;

XLIII - A LEI CONSIDERARÁ CRIMES INAFIANÇÁVEIS E


INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA OU ANISTIA A PRÁTICA DA
TORTURA , O TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E
DROGAS AFINS , O TERRORISMO E OS DEFINIDOS COMO
CRIMES HEDIONDOS , POR ELES RESPONDENDO OS
MANDANTES , OS EXECUTORES E OS QUE , PODENDO EVITÁ -
LOS, SE OMITIREM ; (REGULAMENTO)

XLIV - CONSTITUI CRIME INAFIANÇÁVEL E


IMPRESCRITÍVEL A AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS , CIVIS OU
MILITARES , CONTRA A ORDEM CONSTITUCIONAL E O
ESTADO DEMOCRÁTICO;

V. Nos revela patamares mínimos para que o legislador crie o crime e culmine
penal.
VI. Existem mandados constitucionais de criminalização implícitos???
R. De acordo com a maioria, existem mandados de criminalização implícitos,
com a finalidade de evitar proteção deficiente do Estado.
Exemplo: O legislador não poderia retirar o crime de homicídio do ordenamento
jurídico, porque a C.F. garante o direito à vida.
Mandado constitucional de criminalização implícito.
Com base nesse mandado implícito (direito à vida) questiona-se a legalização
do aborto.

TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIRETOS HUMANOS.


I. Fonte formal imediata.
II. Podem entrar no ordenamento jurídico de 2 maneiras.
a. Status constitucional.
- Aprovados com quórum de Emenda Constitucional.
- Sem status constitucional.
b. Não aprovados com quórum de Emenda Constitucional.
- Infraconstitucional.
- Supralegal.
III. Não são instrumentos hábeis à criação de crimes ou cominação de penas
para o direito interno (apenas para o Direto Internacional).
IV. Servem mais como mandados de criminalização ou garantias contra o
abuso do Estado.

JURISPRUDÊNCIA
I. Fonte formal imediata.
II. Revela Direito Penal podendo inclusive ter caráter vinculante.
III. Exemplo: art. 71, C.P.

Crime continuado

ART. 71 - QUANDO O AGENTE , MEDIANTE MAIS DE UMA


AÇÃO OU OMISSÃO , PRATICA DOIS OU MAIS CRIMES DA
MESMA ESPÉCIE E , PELAS CONDIÇÕES DE TEMPO, LUGAR,
MANEIRA DE EXECUÇÃO E OUTRAS SEMELHANTES , DEVEM
OS SUBSEQÜENTES SER HAVIDOS COMO CONTINUAÇÃO DO
PRIMEIRO, APLICA - SE-LHE A PENA DE UM SÓ DOS CRIMES , SE
IDÊNTICAS , OU A MAIS GRAVE , SE DIVERSAS , AUMENTADA ,
EM QUALQUER CASO , DE UM SEXTO A DOIS
TERÇOS . (REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 7.209, DE 11.7.1984)

PARÁGRAFO ÚNICO - NOS CRIMES DOLOSOS , CONTRA


VÍTIMAS DIFERENTES , COMETIDOS COM VIOLÊNCIA OU
GRAVE AMEAÇA À PESSOA, PODERÁ O JUIZ , CONSIDERANDO
A CULPABILIDADE , OS ANTECEDENTES , A CONDUTA SOCIAL E
A PERSONALIDADE DO AGENTE , BEM COMO OS MOTIVOS E AS
CIRCUNSTÂNCIAS , AUMENTAR A PENA DE UM SÓ DOS
CRIMES , SE IDÊNTICAS , OU A MAIS GRAVE , SE DIVERSAS , ATÉ
O TRIPLO, OBSERVADAS AS REGRAS DO PARÁGRAFO ÚNICO
DO ART . 70 E DO ART . 75 DESTE CÓDIGO.(REDAÇÃO DADA
PELA LEI Nº 7.209, DE 11.7.1984)

a. “condições de tempo...”
b. jurisprudência propõe 30 dias.
PRINCÍPIOS
I. Fonte formal imediata.
II. Não raras vezes, os tribunais absolvem ou reduzem penas com fundamentos
em princípios.
Exemplo: Princípio da Insignificância.

III. ATOS ADMINISTRATIVOS


IV. Fonte formal imediata quando complementar norma penal em branco.
Exemplo: lei de droga. (portaria 344 ANVISA).

FONTE MEDIATA (DOUTRINA MODERNA)


DOUTRINA E COSTUMES:

São classificado como fonte informal do Direito Penal.


1. APLICAÇÃO DA LEI PENAL

1.1. Princípio da Legalidade (Art.1º CP) e (Art. 5º, XXXIX CF)

CP
“ART. 1º - NÃO HÁ CRIME SEM LEI ANTERIOR QUE O DEFINA. NÃO HÁ
PENA SEM PRÉVIA COMINAÇÃO LEGAL. (REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº
7.209, DE 11.7.1984)”

CF
“XXXIX – NÃO HÁ CRIME SEM LEI ANTERIOR QUE O DEFINA, NEM PENA
SEM PRÉVIA COMINAÇÃO LEGAL”.

Convenção Americana sobre Direitos Humanos: Dec. 678/92

ARTIGO 9. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DA RETROATIVIDADE

NINGUÉM PODE SER CONDENADO POR AÇÕES OU OMISSÕES QUE ,


NO MOMENTO EM QUE FOREM COMETIDAS , NÃO SEJAM DELITUOSAS , DE
ACORDO COM O DIREITO APLICÁVEL . T AMPOUCO SE PODE IMPOR PENA
MAIS GRAVE QUE A APLICÁVEL NO MOMENTO DA PERPETRAÇÃO DO DELITO .
SE DEPOIS DA PERPETRAÇÃO DO DELITO A LEI DISPUSER A IMPOSIÇÃO DE
PENA MAIS LEVE , O DELINQÜENTE SERÁ POR ISSO BENEFICIADO .

Tratado de Roma – TPI Dec. 4388/02

CAPÍTULO III

PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PENAL

ARTIGO 22

NULLUM CRIMEN SINE LEQE

1. NENHUMA PESSOA SERÁ CONSIDERADA CRIMINALMENTE


RESPONSÁVEL , NOS TERMOS DO PRESENTE ESTATUTO, A
MENOS QUE A SUA CONDUTA CONSTITUA , NO MOMENTO EM
QUE TIVER LUGAR , UM CRIME DA COMPETÊNCIA DO
TRIBUNAL.
2. A PREVISÃO DE UM CRIME SERÁ ESTABELECIDA DE FORMA
PRECISA E NÃO SERÁ PERMITIDO O RECURSO À ANALOGIA.
EM CASO DE AMBIGÜIDADE, SERÁ INTERPRETADA A FAVOR
DA PESSOA OBJETO DE INQUÉRITO , ACUSADA OU
CONDENADA .

3. O DISPOSTO NO PRESENTE ARTIGO EM NADA


AFETARÁ A TIPIFICAÇÃO DE UMA CONDUTA COMO CRIME
NOS TERMOS DO DIREITO INTERNACIONAL ,
INDEPENDENTEMENTE DO PRESENTE ESTATUTO.

Inclui contravenção penal, bem como, medida de segurança.


“Nullum crimen nulla poena sine praevia lege” – Freuerbach

Desdobramentos:

a) Reserva legal – é a exigência de lei em sentido formal – o


costume e analogia jamais poderia servir para criar ou agravar
sanções.

in mallam partem – vedada


in bonam partem – em benefício do Réu é
possível

Leis penais são de competência da União (Art. 22 CF), contudo, o


parágrafo único do referido artigo, permite que o Estado Membro edite
Leis penais a respeito de pontos específicos das matérias penais.

Art. 59 da CF elenca as espécies normativas, sendo assim, quais delas


podem disciplinar matéria penal? Lei complementar ou Lei Ordinária.

SEÇÃO VIII
DO PROCESSO LEGISLATIVO
SUBSEÇÃO I
DISPOSIÇÃO GERAL

ART. 59. O PROCESSO LEGISLATIVO COMPREENDE A


ELABORAÇÃO DE :

I - EMENDAS À CONSTITUIÇÃO;

II - LEIS COMPLEMENTARES ;

III - LEIS ORDINÁRIAS ;


IV - LEIS DELEGADAS ;

V - MEDIDAS PROVISÓRIAS ;

VI - DECRETOS LEGISLATIVOS;

VII - RESOLUÇÕES .

P ARÁGRAFO ÚNICO. LEI COMPLEMENTAR DISPORÁ


SOBRE A ELABORAÇÃO , REDAÇÃO , ALTERAÇÃO E
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS.

Obs.: Não é pertinente que conste crimes expressos na Constituição


Federal, mas existem mandados de criminalização, sejam explícitos ou
implícitos.

Mandados de criminalização explícitos: são ordens, mandamentos,


para que o legislador ordinário criminalize determinados atos. Ex.
Racismo Art. 5º, XLII, foi atendido com a edição da Lei 7.716/89, Art.
5º, XLIII, crimes hediondos, foi atendido pela Lei 8.072/94.
Mandados de criminalização implícitos – quando existem bens
jurídicos de natureza e importância transcendental. Ex.: a vida.

I. Proibição do excesso. A proteção de


bens individuais em face da atuação do
poder público (se o Estado tem um meio
menos lesivo, tem que utilizá-lo);
- Este raciocínio se baseia no princípio da
proporcionalidade, que por sua vez tem II. Proibição de proteção deficiente ou
duas vertentes: insuficiente. O Estado não pode
desproteger os bens jurídicos de
importância transcendental. Isso exige a
tipificação de condutas supressivas da
vida alheia. Art. 121 CP.

Medida Provisória não pode tipificar crime. Art. 62, §1º CF.
“§ 1º É VEDADA A EDIÇÃO DE MEDIDAS PROVISÓRIAS SOBRE MATÉRIA:
B) DIREITO PENAL , PROCESSUAL PENAL E PROCESSUAL CIVIL ; (INCLUÍDO
PELA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 32, DE 2001)”
Obs.: Há por sua vez doutrinadores que sustentam sua possibilidade em
caso de benefício do Réu.

Art. 32 do Estatuto do Desarmamento Lei 10.862/03,


fundamenta-se em uma medida provisória (MP 417/08)
convertida em lei. Trata-se da entrega espontânea de
armas – causa extintiva da punibilidade.

b) Anterioridade – resulta na proibição de leis penais gravosas


após o fato delituoso, ex post facto.

c) Taxatividade – a lei penal deve possuir conteúdo


determinado. Não pode conter tipo penal vago.

Obs.: não confundir com tipo penal aberto, que por sua vez possui
descrição abrangente, incluindo um número elevado de condutas,
mas com conteúdo perfeitamente determinado. Ex.: a grande maioria
dos crimes culposos.

I. Exigência de lei penal com conteúdo determinado.


II. Tipos penais vagos é diferente de crime vago que o sujeito passivo é um
ente sem personalidade.
III. Tipo vago também é diferente de tipo aberto que utiliza expressão de amplo
alcance, mas seu conteúdo é determinado (Ex: tipos penais dos crimes
culposos) e o tipo aberto é valido.
IV. O que não é valido é o tipo penal vago

Obs.: não confundir com crime vago, que é aquele cujo sujeito
passivo é um ente sem personalidade jurídica ex. crime contra a
família.

1.2. Princípio da Retroatividade benéfica (Art. 2º CP.)

“ART. 2º - NINGUÉM PODE SER PUNIDO POR FATO QUE LEI POSTERIOR
DEIXA DE CONSIDERAR CRIME , CESSANDO EM VIRTUDE DELA A EXECUÇÃO
E OS EFEITOS PENAIS DA SENTENÇA CONDENATÓRIA . (REDAÇÃO DADA
PELA LEI Nº 7.209, DE 11.7.1984).”
Nova Lei Penal:

a) Lex Gravior – é a que amplia a o direito de punir do Estado e como


consequência restringe a liberdade individual. É irretroativa.

Novatio legis incriminadora – lei que criminaliza condutas Ex.


Art. 135-A, Art. 288-A, Art. 154-A, todos do CP.

Novatio legis in pejus – lei que dá tratamento mais grave a


condutas já existentes, ampliando o direito de punir do Estado
Ex. Lei 12.650/12 que incluiu o inciso V do Art. 111 do CP.

b) Lex Mítior – é a que diminui o direito de punir do Estado. É


retroativa.

Novatio legis in mellius – lei que mantém a incriminação, mas


restringe o direito de punir do Estado ampliando a liberdade
individual, dando tratamento mais brando a ação. Ex. Art. 28 da
Lei Antidrogas.

Abolitio criminis – é a nova lei que descriminaliza condutas,


tornado o fato atípico. Ex. Lei 11.106/05, lei que revogou os
artigos 217 (sedução) e 240 (adultério) ambos do CP.

Obs.: Em 2009 o art. 214 CP foi revogado, contudo a conduta foi


reunida entro outro tipo penal, o que antes era atentado violento
ao pudor, foi unificado com o crime de estupro.

Obs.: Período de vacância da Lei – Vacatio legis. Só há


incidência da lei após sua efetiva entrada em vigor. Ex. código
Penal de 1969 ficou em vacância até 1978 e após foi revogado
sem nunca ter entrado em vigor.
LEX MITIOR LEX GRAVIOR

Retroativa Irretroativa

a) abolitio criminis = descriminaliza a) novatio legis incriminadora:


condutas. Lembrar que os fatos nova lei que criminaliza condutas, o
novos há a atipicidade e aos fatos fato se torna tipo (art. 2º d a lei
anteriores, há a extinção da 12850/13 – organização criminosa)
punibilidade (art. 107, CP)
b) novatio legis in pejus: nova lei
- ART. 214 FOI REVOGADO EM 2014 penal que mantém o caráter
(ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR), MAS criminoso, mas dá ao fato tratamento
PASSOU A CONFIGURAR NO CRIME DE ESTUPRO mais severo.
(PRINCIPIO DA CONTINUIDADE TÍPICO -
NORMATIVA )

b) novatio legis in mellius = nova lei


que mantem o caráter criminoso,
mas da ao fato tratamento mais
brando.