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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

ALTERAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO

LEONARDO TEIXEIRA DE ALMEIDA

ROSIMERY DOS SANTOS GOMES

RIO DE JANEIRO

ABRIL/2010
Conceito e Tipos:

O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou


expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou
indeterminado entre o empregador e empregado.
Conforme dispõe o art. 444 da CLT as relações contratuais de trabalho
podem ser objeto de livre negociação das partes interessadas em tudo quanto
não seja contrária às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos
coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades
competentes.
No entanto, o art. 469 da CLT determina que nos contratos individuais de
trabalho só seja licita a alteração das respectivas condições, por mútuo
consentimento, e ainda assim, desde que não resultem direta ou indiretamente,
prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta
garantia.
Esta nulidade está prevista no art. 9º da CLT o qual estabelece que os atos
praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos
preceitos contidos na Consolidação das Leis do Trabalho, ou seja, as garantias
ao empregado nela previstas serão nulos de pleno direito. Qualquer alteração
contratual, conforme art. 468 da CLT deve observar os seguintes requisitos:
Mútuo consentimento das partes; Que da alteração o empregado não sofra
nenhum prejuízo, direta ou indiretamente, não só pecuniários, mas de qualquer
natureza, anteriormente garantidos.
De modo geral é possível dizer que as alterações são classificadas em:

Individuais, quando se circunscrevem a um ou a poucos empregados por


motivos de ordem pessoal dos mesmos, como a mudança de horário para
compatibilizá-lo com as aulas na faculdade;

Coletivas, quando abrange um grupo de empregados da empresa ou de


toda uma categoria profissional em razão de um fato comum com
modificação no sistema de salários ou redução na jornada de trabalho;

Benéficas, sempre que favorecem o empregado geralmente admitido sem


necessidade de autorização da lei como uma promoção;

Prejudiciais, ao empregado quando o desfavorecem, diminuindo uma


condição melhor, como a redução dos salários por negociação coletiva;

Funcionais, quando tem por fim mudar o empregado de função;

Geográficas, quando o seu objetivo e a transferência do empregado para


outra localidade;

Substanciais, quando afetam o conteúdo essencial do contrato individual de


trabalho, como o não-pagamento reiterado dos salários.
Secundarias, quando soa atingidas condições de trabalho não essenciais
como a ordem do empregador para que o empregado, durante certo período
faça na empresa treinamento para requalificação profissional;

Bilaterais, quando se tratar de modificações de comum acordo entre


empregador e empregado.

Unilaterais, quando a iniciativa da modificação é exclusiva do empregador sem


a anuência do empregado;

Analisemos a hipótese, ante o caso em análise, de que, realizada a


alteração, esta se afiguraria: Alteração contratual unilateral.
. . Não se reconhece na ação
pretendida pela consulente, qual seja a de utilizar o salário básico mensal de
seus empregados no cálculo dos 6% a que tem direito como reembolso, ato
que possa ser identificado tecnicamente como alteração unilateral (de cláusula)
contratual. Conforme fartamente demonstrado acima, o contrato vigente entre a
consulente e cada um de seus empregados, inclusive os que não utilizam o
vale-transporte, está assentado na premissa de que a empresa, quanto à
composição do custo do vale-transporte, declara que cumprirá, assim como os
empregados, o que está previsto na lei. Ainda que, na prática, venha a
empresa agindo de modo diferente, é inegável que, quando se cuida de
averiguar o que consta no contrato individual de trabalho celebrado com cada
empregado, ao qual se adicionam os princípios e regras de Direito, ainda que
nele não expressamente inseridos, se impõe reconhecer a presença de
cláusula tácita vigente, cujo teor e alcance são exatamente em conformidade
com o que se afirma acima:a empresa, quanto à composição do custo do vale-
transporte, declara que cumprirá o que está previsto na lei, tanto no que
respeita às suas obrigações quanto aos seus direitos, cabendo aos
empregados a mesma postura. Ora, desde o início do cumprimento dos
contratos que celebrou, a consulente alterou unilateralmente o modo como se
ressarciria, em desarmonia com a vontade declarada em contrato. Não houve
alteração da cláusula contratual que, reafirmamos, continua a mesma, desde
sua celebração. Se foi lícita a alteração no modo de efetuar o reembolso
quando a consulente, mesmo contrariando sua declaração de vontade, o fez de
forma prejudicial para si, e somente para si, por comezinha questão de justiça,
há de ser lícita a alteração no modo de efetuar o reembolso quando ela
pretendendo, apenas e tão-somente, não mais se autoprejudicar, passa a,
finalmente, se ressarcir em conformidade com a declaração de vontade tácita,
cláusula perceptível em todos os contratos individuais de trabalho que
celebrou. Ainda aqui, a resposta há de ser negativa, porque a regra-princípio
que estabelece que os contratos devem ser firmados e executados de boa-fé,
aplicada ao presente caso concreto, força concluir que, sempre que desejou
assumir ou reduzir custos em favor de seus empregados, ou proporcionar-lhe
algum benefício, a consulente o fez, e faz, por meio da instituição e prática de
sólida política de concessão de benefícios que se consubstancia em detalhado
manual, dado a conhecer a todos os empregados que a par de informar,
presta-se como assumida e expressa declaração de vontade. Ou seja, quando
se trata de assumir, total ou parcialmente, custos de responsabilidade de seus
empregados, ou proporcionar benefícios ao seu corpo de trabalhadores, a
empregadora consulente somente o faz por meio de declaração de vontade
expressa, de modo que, de boa-fé, se conclui que ela nunca declarou nem
declararia vontade, quanto a assumir custos e proporcionar benefícios, de
modo tácito. Portanto, afastada definitivamente a hipótese de que, modificando
o modo de realizar o cálculo de seu reembolso, esteja a empregadora
alterando unilateralmente cláusula contratual. Ao declarar a impossibilidade de
que se proceda aquilo que na sua visão constitui alteração contratual unilateral,
os defensores da tese negativa acrescentam.

Ainda mais que, no presente caso, a alteração efetuada seria LESIVA aos
direitos dos empregados. É evidente que, tendo sido afastada a possibilidade
de que tenha havido alteração contratual, não há como falar em lesão. Ainda
que se admitisse ter ocorrido, juridicamente, alteração unilateral do contrato,
não há como consentir, no presente caso, que a eventual modificação da base
de cálculo seria geradora de lesão ou prejuízo para os empregados.

Princípio Legal da Imodificabilidade.

Nenhuma condição de trabalho pode ser modificada unilateralmente pelo


empregador, regra contida em nossa lei ao dispor que “nos contratos
individuais de trabalho só e licita a alteração das respectivas condições por
mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem direta ou
indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula
infringente desta garantia” (art. 468 da CLT). . Essas
regras, impeditivas da alteração não consensual, reflete forte intervenção na
autoridade da vontade, porém necessária. Impede ate mesmo a modificação
bilateral consentida portanto, pelo trabalhador, desde que dela possam
resultar-lhe prejuízos, caso em que tem o direito de pleitear a anulação do ato
danoso e a restituição das condições de trabalho vigentes antes da alteração.
. . A regra indica avanço doutrinário
digno de nota, porque o texto nacional e amplo. Não apenas, por admitir a
nulidade absoluta da alteração contratual em face de prejuízos, sejam eles
diretos ou indiretos, mas, sobretudo, porque, ao que se depende do teor
daquele preceito, não importa que esses prejuízos fossem ou não previsíveis
no ato da novação. Isso equivale a dizer que mesmo quando as desvantagens
oriundas, para o trabalhador, da alteração do contrato fossem previsíveis tanto
para ele próprio quanto para seu empregador, a nulidade perdurará. Assim os
prejuízos são considerados como causa de nulidades absoluta da alteração do
contrato de trabalho, com a maior objetividade possível. O fundamento lógico
daquele dispositivo está na idéia de que ninguém aceita, livremente, a
modificação das condições do contrato quando tal modificação é contraria a
seus interesses. Existe um estatuto legal de proteção ao trabalhador que se
traduz, por assim dizer, em um contrato mínimo, cujas condições não se pode
furtar as partes ao estabelecerem a relação do emprego. Acrescenta que
excepcionalmente é reconhecido ao empregador o jus variandi, porem admite
dentro dos limites muitos registros, sob pena de se tornar letra morta essa
disposição legal, viga mestra de nossa legislação do trabalho e principal
garantia do empregado contra o arbítrio do empregador. .
. A CLT indica como premissa da validade da alteração das condições do
trabalho, o consentimento do empregado, sem explicitar, no entanto, a forma
como deverá ser exercida. As mesmas formas pelas quais a lei dá validade aos
ajustes nos contratos individuais de trabalho previsto na CLT, art. 442,
expressa e a tática, são portanto validade para alteração do contrato. Assim
tem eficácia jurídica o documento assinado pelo empregado concordando com
as modificações; além do consentimento a lei considera condição de validade
de modificação a inexistência de prejuízo ao trabalhador sem especificar de
que tipo se estritamente profissional ou também de ordem pessoal, como o que
em cada caso concreto o juiz poderá considerar ambas as hipóteses.

Princípio Doutrinário do Jus Varandi

Em contraste com o principio legal da imodificabilidade das condições de


trabalho a doutrina elaborou o principio do Jus Varandi, que pode ser
enunciado como o direito do empregador em casos excepcionais de alterar, por
imposição a unilateralmente as condições de trabalho e dos seus empregados.
. . O empregador pode alterar a função do empregado em casos
excepcionais. Alguns são previstos em lei, como o retorno do empregado de
confiança para a função anterior. A CLT, art. 468 parágrafo único dispõe que
não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que
o respectivo empregado reverta ao cargo efetivo anteriormente ocupado,
deixando o exercício de função de confiança. Portanto cessada a confiança
que o empregador deposita no empregado a lei permite que este seja
desinvestido do cargo voltando a função anterior. Também prevê a CLT outra
hipótese art. 450: ao empregado chamado a ocupar, em comissão,
inteiramente, ou em substituição eventual ou temporária, cargo diverso do que
exerce na empresa, serão garantidas a contagem do tempo naquele serviço,
bem como a volta ao cargo anterior.
. . A alteração de função não prevista na lei é tolerada quando a
empresa extingue cargos, não dispensa seus ocupantes e os aproveita em
outras funções. Desde que estas não importem alteração substancial das
qualificações, é de permitir a validade do ato, de fundamentação no principio do
Jus Varandi. Em caso contrario deve ser assegurado ao empregado o direito
de se considerar rescindido o contrato de trabalho, configurando-se a justa
causa, do empregador, pressuposto da dispensa indireta CLT art. 483, d. Outro
exemplo de qualificação esta no art. 461 parágrafo 4º da CLT. .O
principio do Jus varandi fundamenta a alteração salarial imposta pelo
empregador, como a modificação de forma de pagamento em decorrência de
imperativos técnicos. Exemplifique-se com a substituição das maquinas
obsoletas por modernas. Nesse caso, o empregador é as vezes levado mudar
o salário por exemplo, com uma nova tarifa paga por unidade produzida pelo
operário. . . A CLT
permite a redução geral dos salários em caso de força maior ou prejuízo
devidamente comprovado (CLT art.503) e a Constituição Art.7º XIII, admite a
redução da jornada de trabalho e do respectivo salário mediante acordo
coletivo. . . Com a Constituição Federal de 1988 (art.
7º, VI) a irredutibilidade do salário e garantida sem exceções, sendo
inconstitucional a lei ordinária que autorizou ao empregado a redução dos
salários a lei ordenaria que autorizou ao empregador a redução dos salários
dos empregados essa redução só e possível ainda por força maior do principio
constitucional mediante acordo ou convenção coletiva. Desse modo não cabe
mais mesmo em força maior, a diminuição dos salários determinados pela
empresa esta terá que negociá-la com o sindicato.

Qual a diferença entre jus variandi e jusresistentiae?

Segundo ensinamentos de Eduardo Gabriel Saad, o "jus variandi" é o


direito que possui o empregador de alterar unilateralmente, somente em casos
excepcionais, as condições de trabalho de seus empregados. Tal variação
decorre do poder de direção do empregador. Ressalte-se por oportuno, que
há limites para o exercício válido do "jus variandi". Havendo abuso no seu
exercício, o empregado pode se opor, valendo-se do chamado direito de
resistência ("jus resistentiae"). .
. Assim, o "jus variandi" é a faculdade que tem o empregador de proceder
unilateralmente, a mudanças não essenciais da relação de trabalho, a fim de
atender exigências do desenvolvimento da empresa.

Exemplos:

- A alteração do horário noturno para o diurno, sem que haja necessidade


do pagamento do adicional noturno, uma vez que se trata de hipótese de "jus
variandi" extraordinário do empregador. .
. Veja que o empregador tem o poder de direção na prestação do seu
negócio, portanto, a alteração de horário do empregado está dentro da
possibilidade do poder diretivo do empregador, de forma que será plenamente
possível a supressão do pagamento do adicional noturno, sem que haja ofensa
ao princípio da irredutibilidade salarial. Neste sentido, veja o teor da súmula
265, do TST, "in verbis": A transferência para o período diurno de trabalho
implica a perda do direito ao adicional noturno. . - A determinação do
empregador de transferir um empregado de um local insalubre ou perigoso
para um outro em que as condições de higiene ou de segurança sejam
melhores e, por isso, tornam inexigíveis os adicionais de insalubridade ou de
periculosidade.
. . O importante, no caso, é que o salário contratual e as
condições de trabalho se mantenham inalterados. Seria uma incongruência
censurar uma empresa porque procura propiciar as mais saudáveis condições
de trabalho ao empregado. Por fim, o "jus resistentiae" somente poderá ser
exercido pelo empregado quando houver abuso na utilização do "jus variandi"
por parte do empregador.

CASO DE ALTERAÇÃO ILICITA

NUMERAÇÂO ANTIGA: RR - 1062/2001-019-01-00


PUBLICAÇÃO: DJ - 08/08/2008

ACÓRDÃO
(8ª Turma)
DMC/Jb/gr/mm
RECURSO DE REVISTA. PROFESSOR. REDUÇÃO DA CARGA
HORÁRIA. ALTERAÇÃO
CONTRATUAL. ÔNUS DA PROVA QUANTO À DIMINUIÇÃO DO NÚMERO
DE ALUNOS.
ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL N.º 244 DA SBDI-1 TST. Da exegese da
Orientação Jurisprudencial n.º 244 da SBDI-1 do TST depreende-se que só é
lícita a redução da carga horária do professor em face da diminuição donúmero
de alunos, caso em que não constitui alteração contratual. No caso concreto, o
Tribunal Regional concluiu que ocorreu alteração contratual prejudicial ao
empregado, uma vez não demonstrada a circunstância de que a redução do
número de horas-aula decorreu da diminuição do número de alunos, ônus que
cumpria exclusivamente à recorrente, na qualidade de
empregadora. Logo, estando a decisão a que em consonância com iterativa e
notória jurisprudência desta Corte, consubstanciada na referida OJ 244,a
pretensão recursal esbarra no óbice da Súmula nº 333 do TST, aliada ao artigo
896, § 4º, da CLT. Recurso de revista não conhecido. DESCONTOS FISCAIS.
SÚMULA N° 368, II, DO TST. Os descontos fiscais devem incidir sobre o valor
total da condenação, referente às parcelas tributáveis, calculado ao final, na
forma da Súmula n° 368, II, desta Corte Superior. Recurso conhecido e
provido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista n° TST-
RR-1062/2001-019-01-00.7, em que é Recorrente SOCIEDADE
UNIVERSITÁRIA GAMA FILHO e é Recorrido NELSON GAMA SÉRGIO
FERREIRA.
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, mediante acórdão prolatado
às fls. 124/128, deu parcial provimento ao recurso ordinário interposto pela
reclamada, para determinar que os descontos fiscais e previdenciários sejam
elaborados tendo por base a dedução sobre o crédito do autor, recolhidos e
comprovados pelo empregador.
Irresignada, a reclamada interpõe recurso de revista, postulando a revisão do
julgado em relação ao tópico mencionado e às diferenças salariais resultantes
da redução da carga horária do professor. Fundamenta a revista nas alíneas a
e c do artigo 896 da CLT (fls. 131/138). O recurso foi admitido por meio da
decisão singular exarada à fl. 142. Foram apresentadas contra-razões às fls.
146/150.
Os autos não foram encaminhados ao Ministério Público do Trabalho,
nostermos do artigo 83, II, do Regimento Interno do TST.
É o relatório.
VOTO
I – CONHECIMENTO PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS DE
ADMISSIBILIDADE.
Tempestivo (fls. 130-v. e 131), subscrito por advogado habilitado (fl.139) e
com preparo recursal em ordem (fls. 106 e 107), estão preenchidos requisitos
extrínsecos de admissibilidade do recurso patronal. Passo ao exame dos
pressupostos intrínsecos da revista.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS DE ADMISSIBILIDADE
1) PROFESSOR. REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA. ALTERAÇÃO
CONTRATUAL. ÔNUS DA
PROVA QUANTO À DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE ALUNOS.
ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL
N.º 244 DA SBDI-1 TST.
O Tribunal Regional assim se pronunciou a respeito do tema intitulado:
Alega a recorrente que a redução do número de aulas ministradas pelo
reclamante se deu na proporção da redução do número de alunos, de acordo
com o disposto na Orientação Jurisprudencial n.º 244 do C. TST. Sustenta,
assim, não ter havido violação ao art. 468 da CLT, já que o reclamante fora
contratado por salário variável, tendo havido variação na sua carga horária por
algumas vezes no curso do contrato de trabalho na proporção do aumento ou
diminuição do número de alunos matriculados, sendo respeitado valor da hora-
aula. Ao alegar a recorrente que a diminuição da carga
horária do reclamante se deu em função da diminuição do número de alunos
matriculados, com base no En. 244 do C. TST, atraiu para si o ônus de provar
tal assertiva por ser fato impeditivo ao direito autoral, ônus do qual não se
desincumbiu. Neste passo, a ausência de justificativa na redução da carga
horária do reclamante com a conseqüente redução salarial afronta ao princípio
da irredutibilidade salarial disposto na CRFB, havendo nítida violação ao art.
468 da CLT. Assim, restando comprovada a diminuição da carga horária do
reclamante a partir de fevereiro de 1998
(fls. 24), sendo totalmente suprimidas em fevereiro de 1999 (fls. 16), são
devidas as diferenças salariais correspondentes. Mesmo porque, no caso em
questão o risco do negócio é do empregador, não podendo arcar o obreiro com
a evasão de alunos, que deve ser suportada pelo empregador. Nego
provimento (fls. 125/126).
A reclamada, insatisfeita, interpõe recurso de revista. Invoca ofensa ao artigo
334, I e II, do Código de Processo Civil e traz arestos à colação. Sustenta que
a flutuação do número da carga horária não traduz ilegalidade, porquanto esta
situação é comum e prevista no ramo da atividade profissional, seja em razão
de variação do número de alunos e o fechamento das turmas, seja porque
inexiste norma legal que assegure ao
professor direito à manutenção da mesma carga horária do ano ou semestre
anterior (...) A variação do número de alunos em um estabelecimento de ensino
é fato notório, que prescinde de prova (fls. 132/133).
Não procede, porém, o argumento recursal.
De saída, nota-se a absoluta ausência de pré-questionamento em torno da
tese ora defendida pela reclamada, segundo a qual notório o fato da variação
do número de alunos num estabelecimento de ensino. Não tendo sido opostos
embargos de declaração, inviabiliza-se a aferição da invocada afronta ao artigo
334, I e II, do CPC, em virtude do óbice da Súmula 297,
I e II, do TST.
Acresça-se, de outra parte, que, da exegese da Orientação Jurisprudencial n.º
244 da SBDI-1 do TST, depreende-se que só é lícita a redução da carga
horária do professor em face da diminuição do número de alunos, caso em que
não constitui alteração contratual. Eis a dicção dessa orientação
jurisprudencial:
PROFESSOR. REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA. POSSIBILIDADE.
A redução da carga horária do professor, em virtude da diminuição do
número de alunos,não constitui alteração contratual, uma vez que não implica
redução do valor da hora-aula. No caso concreto, o Tribunal Regional concluiu
que ocorreu alteração contratual prejudicial ao empregado, uma vez não
demonstrada a circunstância de que a redução do número de horas-aula
decorreu em razão da diminuição do número de alunos, ônus que cumpria
exclusivamente à recorrente, na qualidade de empregadora.
Logo, estando a decisão a que em consonância com iterativa e notória.
jurisprudência desta Corte, consubstanciada na referida OJ 244, a pretensão
recursal esbarra no óbice da Súmula nº 333 do TST, aliada ao artigo 896, § 4º,
da CLT. Infrutífera, nesse contexto, a tentativa de estabelecer dissenso
pretoriano.
Não conheço .
2) DESCONTOS FISCAIS.
Pugna a recorrente pela reforma do acórdão regional, sustentando que os
descontos fiscais devem incidir sobre o montante devido ao reclamante.
Fundamenta a revista em violação do artigo 46 da Lei n° 8.541/92 e em
divergência jurisprudencial (fls. 135/138).
Sobre a matéria, consignou o Tribunal Regional:
A disposição contida no art. 46, caput, da Lei n.º 8.541/92 teve por escopo
tornar expressa a obrigação tributária de incidência sobre os rendimentos
pagos em decorrência do cumprimento de decisão judicial, definindo o
empregador como sendo o sujeito passivo responsável pelo recolhimento,
conforme também previsto no art. 121, II, do CTN, até porque exegese diversa
estaria a atrair literal afronta aos princípios
constitucionais da capacidade contributiva (art. 145, parágrafo 1º) e da
isonomia tributária (art. 150, II). Assim sendo, deverá ser procedido o cálculo
do Imposto de Renda, mês a mês, cabendo ao réu proceder ao recolhimento
da cota fiscal que será deduzido do crédito do autor . Dou provimento parcial
para determinar que os cálculos do imposto de renda e da cota previdenciária
sejam elaborados tendo por base a dedução sobre o crédito do autor,
recolhidos e comprovados pelo empregador (fls. 127/128- grifei).
Observa-se que o Regional decidiu a controvérsia violando a diretriz do artigo
46 da Lei n° 8.541/92, segundo a qual o imposto sobre a renda incidente sobre
os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte
pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que,
por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário.
Fundamentos pelos quais conheço do recurso de revista, por violação do
artigo 46 da Lei n° 8.541/92.
II MÉRITO DESCONTOS FISCAIS.
Como conseqüência lógica do conhecimento do apelo por violação do art. 46
da Lei n° 8.541/92 a revista merece ser provida, cumprindo registrar que a
questão alusiva à forma de se proceder aos descontos fiscais já não comporta
maiores discussões, tendo em vista estar pacificada nesta Corte Superior
Trabalhista, por meio da Súmula n° 368, no sentido de que é do empregador a
responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais,
resultante de crédito do empregado oriundo de
condenação judicial, devendo incidir, em relação aos descontos fiscais, sobre o
valor total da condenação, referente às parcelas tributáveis, calculado ao final,
nos termos do art. 46 da Lei n° 8.541/1992 e do Provimento da CGJT n°
03/2005.
Assim sendo, dou provimento ao recurso de revista, para, reformando o
acórdão regional, determinar que os descontos fiscais incidam sobre o valor
total da condenação, referente às parcelas tributáveis, calculados ao final.
ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da 8ª Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, por unanimidade, não conhecer do recurso de revista no tocante às
diferenças salariais resultantes da redução da carga horária do professor;
conhecer do recurso de revista, quanto ao critério de recolhimento dos
descontos fiscais, por violação do artigo 46 da Lei n.º 8.541/92, e, no mérito,
dar-lhe provimento para, reformando o acórdão regional, determinar que os
descontos fiscais incidam sobre o valor total da condenação, referente às
parcelas tributáveis, calculados ao final.
Brasília, 6 de agosto de 2008.
DORA MARIA DA COSTA
Ministra-Relatora
NIA: 4466573

CASO DE ALTERAÇÃO LÍCITA

NUMERAÇÂO ANTIGA: A-AIRR - 1257/2006-006-14-40


PUBLICAÇÃO: DEJT - 30/04/2009

ACÓRDÃO
(Ac. 2ª Turma)
GMJSF/PV/fsc/sm
MUDANÇA DA JORNADA DE TURNOS ININTERRUPTOS PARA
JORNADA FIXA DIURNA.
ALTERAÇÃO CONTRATUAL LÍCITA.
O eg. Regional afirmou lícita a alteração da jornada, de turnos ininterruptos
para jornada fixa diurna. Para tanto, fundou-se na interpretação sistemática do
tema com relação à Lei 5.811/72, em jurisprudência deste Tribunal Superior
(Súmula 391), e nos princípios de prevalência das condições mais favoráveis à
saúde do empregado e da
inexistência de direito adquirido ao exercício de função. Em análisetem-se que
tais elementos revelam juridicidade e compatibilidade capazes de afastar a
possibilidade de violação literal do invocado art. 468 da CLT. Julgado de Turma
do TST não se adequa à previsão do art. 896 da CLT, mesmo se contém
transcrição de acórdão regional, se esta se acha desacompanhada da
indicação da fonte de publicação ou cópia autenticada (Súmula 337 do TST).
Agravo a que se nega provimento.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo em Agravo de
Instrumento em Recurso de Revista n° TST-A-AIRR-1257/2006-006-14-40.9 ,
em que é Agravante SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS
URBANAS DO ESTADO DE RONDÔNIA - SINDUR e Agravada CENTRAIS
ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. - ELETRONORTE .
Contra o R. despacho de fls. 197/199, que denegou seguimento ao Agravo de
Instrumento em Recurso de Revista, ao fundamento de que correto o despacho
denegatório, o Reclamante interpôs o presente Agravo. Em suas razões,
sustenta, em síntese, a mesma argumentação para o cabimento do recurso
obstaculizado.
É o relatório.
V O T O
1 CONHECIMENTO
O Recurso é tempestivo (fls. 200, 201 e 209) e está subscrito por advogado
habilitado nos autos (fl. 35). Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade,
conheço .
2 MÉRITO
É do seguinte teor o despacho agravado:
Trata-se de Agravo de Instrumento interposto contra despacho, mediante o
qual se denegou seguimento ao Recurso de Revista. Procura-se demonstrar a
satisfação dos pressupostos para o processamento do Recurso obstado. O eg.
Tribunal a que denegou seguimento ao Recurso de Revista, por meio do
despacho de fls. 176/179, que dispõe, verbis :
RECURSO DE: SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS
URBANAS DO ESTADODE RONDÔNIA - SINDUR, SUBSTITUINDO LÚCIO
CAETANO DA SILVA E OUTROS
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
Tempestivo o recurso (decisão publicada em 08/10/2007 - fls. 835; recurso
apresentado em 16/10/2007 - fls. 844). Regular a representação processual
(fls. 23).
Custas processuais recolhidas pela reclamada (fls. 798). Desnecessário a
comprovação do depósito recursal, por se tratar de recurso obreiro. Portanto, o
preparo é regular.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS CONTRATO DE TRABALHO -
ALTERAÇÃO UNILATERAL
Alegação(ões):
- Violação do artigo 468, da Consolidação das Leis do Trabalho;
- Divergência jurisprudencial. Objetivando demonstrar a sua tese transcreveu
arestos do colendo Tribunal Superior do Trabalho (fls.847/852). Afirma ter
demonstrado evidentemente nos autos que os substituídos tiveram seus
contratos de trabalhos alterados unilateralmente e foram prejudicados em
razão de terem sua remuneração reduzida e a jornada de trabalho aumentada.
Sustenta, por fim, que a CLT prevê somente um caso para a alteração
contratual, qual seja, pelo mútuo consentimento, sendo que este, ainda assim,
não resulte em prejuízos ao empregado, requisito este que não foi observado
no presente caso.
Relativamente ao dissenso jurisprudencial, constato que o aresto oriundo da
3.ª Turma do TST (fls. 847/852) desserve para comprovar a divergência
pretoriana, por ser oriundo de decisão de turma do Tribunal Superior do
Trabalho, não se enquadrando nas hipóteses previstas na alínea a do art. 896
da Consolidação das Leis do Trabalho, o que inviabiliza o seguimento da
revista neste aspecto. Quanto à suposta violação ao dispositivo
infraconstitucional (art. 468, da CLT), evidencia-se que a análise das razões de
recorrer remete ao exame casuístico dos elementos instrutórios da demanda,
implicando o revolvimento dos fatos e provas discutidos no processo,
proposição
inviável em sede de recurso de revista. Vale lembrar que a reapreciação de
fatos e provas não se compadece com a natureza extraordinária do recurso de
revista, consoante a redação da Súmula n.º 126 do colendo Tribunal Superior
do Trabalho, que assim dispõe:
Recurso. Cabimento. Incabível o recurso de revista ou de embargos (arts. 896
e 894, letra b, da CLT) para reexame de fatos e provas. A respeito desse
caráter conferido ao recurso de revista pontifica Estevão Mallet:
(...) a finalidade para a qual se instituiu o recurso de revista não foi a tutela
do direito subjetivo dos litigantes, mas a preservação da integridade do direito
objetivo, tanto com a garantia de observância da lei posta como com a busca
de uniformidade jurisprudencial, verdadeira decorrência do princípio
constitucional da igualdade. Decorre daí ser despicienda a reapreciação, em
recurso de revista, do aspecto fático da
controvérsia, uma vez que o julgamento em que se apreciou mal a prova,
podendo causar lesão ao direito das partes, em nada abala o ordenamento
jurídico. Trata-se de sententia lata contra ius litigatoris injusta com toda a
certeza, mas cuja correção não se mostra viável por meio de recurso de
revista, e que não se confunde com a sententia contra ius in thesi, essa sim
passível de reforma por meio de impugnação extraordinária, dado incorrer o
Juiz em erro na interpretação ou na aplicação do direito objetivo . (MALLET,
Estevão. Do recurso de revista no processo do trabalho. São Paulo: LTr, 1995,
págs. 99/100).
Nesse contexto, diante do óbice consagrado na Súmula n.º 126 da Corte
Superior Trabalhista, aparentemente, não há como se determinar o
processamento deste recurso de natureza extraordinária, quanto à matéria em
análise.
CONCLUSÃO
Posto isto, nego seguimento ao recurso de revista interposto pelo Sindicato
obreiro, uma vez que ausentes os requisitos de admissibilidade elencados nas
alíneas a e c do art. 896 do texto consolidado.
(...) Considerando o acerto da ordem de obstaculização do Recurso de
Revista, mantenho o despacho agravado por seus próprios e jurídicos
fundamentos, e, nos termos do artigo 557, caput , do CPC, nego seguimento
ao Agravo de Instrumento.
O eg. Regional assim se manifestou:
Da alteração unilateral do contrato de trabalho em tema de alteração das
condições de trabalho, vige a regra geral do art. 468 da CLT, que assim
expressa:
Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só e licita a alteração das
respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não
resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de
nulidade da cláusula infringente desta garantia.
Da norma em apreço nasce o princípio da inalterabilidade contratual
prejudicial ao trabalhador, o que impõe as partes a vedação a estipulação de
condições laborais que importe prejuízos diretos ou indiretos ao obreiro,
mesmo diante da concordância deste.
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 7º, VI, ao estabelecer
expressamente a irredutibilidade salarial, condicionando-a a prévia deliberação
em convenção ou acordo coletivo, deu suporte jurídico a que se desprestigie
alterações lesivas as condições anteriormente pactuadas pelos sujeitos do
contrato laboral.
Contudo, há que se observar que a realidade laboral não é estanque. O
processo produtivo é dinâmico; por vezes tornando-se necessária a
implementação de novas condições laborais, a fim de adequar e compatibilizar
o avanço tecnológico com os fins sociais regentes da atividade empresarial.
Nesse aspecto, é possível a realização, pelo empregador, de certas ou
especiais alterações unilaterais no contrato de trabalho, desde que estas não
venham a colidir com normas cogentes incidentes no caso. Isto é possível
diante da conjugação das seguintes premissas: atuação do poder diretivo do
empregador (ius variandi), ausência de prejuízos ao obreiro e adequação,
destas alterações, as normas impositivas aplicáveis. É nesse sentido que se
permite alterar a função do empregado, seu horário de trabalho ou mesmo o
local de prestações de serviços. No caso presente, cumpre aferir se a
alteração das condições de trabalho encontraria ou não óbice legal.
O obreiro Lúcio Caetano da Silva fora admitido em 26.12.1985, na função de
auxiliar de operações (fl. 619), cumprindo, inicialmente, jornada semanal de 48
(quarenta e oito) horas, conforme se infere da cláusula terceira do contrato de
experiência de fls. 625. Esta jornada perdurou por 07 anos; a partir de
01.01.1992, passou a cumprir jornada de 36 (trinta seis) horas semanais, em
turno ininterrupto de revezamento, sendo 06 (seis) horas por turno (fl. 624); em
abril de 2005 (fl. 618), a jornada de trabalho fora novamente alterada,
estabelecendo-se jornada fixa de 7h30min por dia.
O empregado Júlio Tadeu das Chagas Aguiar fora contratado em 01.01 1980
(fl. 627), na função de operador I. Não há registro da jornada inicialmente
executada pelo obreiro, contudo, a partir de 02.04.1985 (fl. 630), esta restou
alterada de modo a cumprir, em escala de revezamento, 8 horas por turno, os
quais assim se dividiam: "06:00 as 14:00 - 14:00 as 22:00 e 22:00 as 06: 00". A
partir de abril de 2005 (fl. 626), a jornada de trabalho fora novamente alterada,
estabelecendo-se labor diário em turno fixo de 7h30min/dia.
Quanto a Walmy Carvalho Silva, este fora admitido em 21.06.1989, na função
de operador I, e embora o contrato de experiência de fls. 642 estipule jornada
semanal de 44 (quarenta e quatro) horas, a teor de sua cláusula terceira, o
acordo de mudança de horário de fl. 636 informa que, desde a contratação do
obreiro, este cumpria jornada de trabalho em turno de revezamento, na escala:
"00:30/06:00 - 06:30/12:30 - 12:30/18:30 -18:30/00:30" (fl. 640); e a partir de
abril de 2005 (fl. 635), sua jornada
de trabalho fora alterada, estabelecendo-se jornada diária fixa de 7h30min.
A fixação da jornada de trabalho encontra limites e pressupostos estabelecidos
na própria Constituição Federal, senão vejamos:
Art. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem a melhoria de sua condição social:
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da
jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turno ininterruptos de
revezamento, salvo negociação coletiva; A jornada de trabalho deve primar
pela higidez do obreiro, a fim de que a atividade laboral se execute sem
repercussões lesivas a sua saúde. É nesse sentido que a CF/88 fixa regime
reduzido de horário para os turnos ininterruptos, em que o obreiro trabalha,
alternadamente, nos turnos
manhã, tarde e noite.
Assim, a alteração da jornada de trabalho que reverte regime de turno
ininterrupto de revezamento, em que o trabalhador cumpre labor em turnos
diversificados, para jornada fixa e diurna, ao contrário de ser prejudicial o
obreiro, lhe é mais favorável, na medida em que lhe impõe regime de trabalho
sem variações extremas de jornada, lhe propiciando descanso regular e
qualidade de vida.
Nesse pensar, atuou com acerto o magistrado de origem ao expressar que:
A teleologia da norma traçada no artigo 7º, inciso XIV, da Constituição
Federal, é de compensar, mesmo que minimamente, os trabalhadores
exercites de atividades laborativas em turnos de revezamento ininterrupto,
sobrepujando a saúde física, psíquica e social destes e de suas famílias. Note-
se que o efeito desse revezamento é
sobremodo deletério desse arcabouço de valores imateriais. O trabalhador tem
alterado o seu ritmo circadiano, ou seja, o seu metabolismo sofre modificações
decorrentes da troca constante dos períodos dedicados ao trabalho e ao
descanso. Como se fosse pouco, prejudicado ainda o convívio familiar e social,
vez que o obreiro e seus conviventes ficam submetidos a rotinas
desencontradas (sic).
Com isso em vista, a jurisprudência majoritária não tem acolhido a tese do
autor. Em outro falar, mesmo com diminuição da remuneração, o direito do
trabalhador não se ressente com a alteração promovida pela empregadora de
reverter a jornada operária ao padrão normal, sem revezamentos de turnos,
vez que o indivíduo, indubitavelmente, ganha a restauração de bens de maior
apreço: saúde e higiene laboral, além de normalização das atividades de lazer
e convívio familiar. (fl. 698)
De outro turno, incide no caso, analogicamente, a norma do art. 10, da Lei n.
5.811,de 11 de outubro de 1972, pois veja-se:
Art. 10. A variação de horários, em escalas de revezamento diurno, noturno
ou misto, será estabelecida pelo empregador com obediência aos preceitos
desta lei.
Parágrafo único. Não constituirá alteração ilícita a exclusão do empregado do
regime de revezamento, cabendo-lhe exclusivamente, nesta hipótese o
pagamento previsto no art. 9º. (sublinhamos).
Ora, não resta dúvida de que o trabalho em turno de revezamento é
desgastante, exigindo muito mais do esforço obreiro. Assim, o estabelecimento
do horário de trabalho em horário fixo resulta em alívio ao obreiro, o que
implica, por óbvio, na ausência de maiores prejuízos a esse trabalhador. Por
conseguinte, essa alteração não afronta a norma do art. 468 da CLT, tampouco
ofende o disposto no inciso VI, do art. 7º da CF/88. Notadamente, o obreiro
poderá sofrer reduções em sua remuneração, porém, tais perdas se
compensarão pela nova qualidade de vida profissional, primando-se ainda pela
ausência de demissões. Por outro lado, estas perdas restringem-se as verbas
que se condicionam ao horário diferenciado, como os adicionais diversos; não
devendo sofrer redução o salário-base do trabalhador.
Nessa linha de entendimento, o c. TST editou a Súmula n. 391, que
expressa:
I - A Lei n 5. 811/72 foi recepcionada pela CF/88 no que se refere a
duração da jornada de trabalho em regime de revezamento dos petroleiros.
II - A previsão contida no art. 10 da Lei n. 5.811/72, possibilitando a
mudança do regime de revezamento para horário fixo, constitui alteração licita,
não violando os arts. 468 da CLT e 7º, VI, da CF/88. (sublinhamos).
Por outro lado, não há direito adquirido ao exercício de função, podendo o
empregador acomodar o obreiro nas funções que a empresa carecer de mão-
de-obra, respeitadas as qualificações funcionais do trabalhador e demais
condições do pacto laboral. O empregador não está obrigado a manter o
trabalhador exercendo unicamente uma atividade, mormente quando há
alterações na funcionalidade da empresa, decorrentes da implementação de
novas técnicas de trabalho. Outro fundamento a esse poder diretivo do
empregador refere-se à política empresarial de, ao invés de demitir, aproveitar-
se o obreiro em atividades compatíveis com sua condição profissional, a
prestígio da função social da empresa.
Esse tem sido o entendimento do c. TST, como se pode inferir da notícia
publicada no sítio daquela Corte Superior:
12/11/2003. TST reconhece direito do empregador mudar turno de trabalho.
O empregador possui a prerrogativa de determinar a alteração do sistema de
turno ininterrupto de revezamento de seis horas para o trabalho em turno fixo
de oito horas. A possibilidade de mudança foi admitida pela Segunda Turma
do Tribunal Superior do Trabalho ao afastar (não conhecer) recurso de revista
interposto pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Papel, Papelão e
Cortiça de Lages, contra decisão anterior do Tribunal Regional do Trabalho de
Santa Catarina (TRT-SC).
A controvérsia jurídica teve origem na primeira instância, em Lages. A Vara do
Trabalho do município catarinense se pronunciou pela ilegalidade da troca no
sistema de turno de trabalho determinada pela direção da Celucat S/A.
Inconformada, a empresa recorreu ao TRT catarinense, onde obteve o
cancelamento da sentença e a confirmação da mudança na jornada de seus
empregados.
No presente caso, a alteração dos regimes de turno de trabalho teve por
objetivo reduzir custos, aumentar a produção e melhorar a qualidade, haja vista
que as constantes mudanças de turno implicam alterações do seu sistema
produtivo global e individual , registrou a decisão do TRT-SC.
Desta forma, revela-se benéfica a alteração contratual procedida pela
empresa, porquanto os empregados que antes se submetiam a três turnos, em
sistema de revezamento, passando a trabalhar em turno fixo, num só horário,
adquirem notória melhoria em suas condições de vida e de saúde, afastando-
se dos inconvenientes que as alternâncias de horário acarretam, concluiu o
acórdão regional.
Em seu recurso, o sindicato da categoria profissional argumentou que a
decisão do TRT-SC violou o artigo 468 da CLT, uma vez que teria ampliado
quantitativamente a jornada de trabalho, tendo em vista que os empregados
cumpriam jornada de seis horas diárias e passaram a trabalhar oito horas
diárias. Além disso, sustentou que houve recusa expressa dos empregados
com relação a alteração contratual.
Quanto as vantagens da mudança dos turnos para a saúde dos trabalhadores,
o sindicato afirmou que o argumento não seria convincente. Deve-se levar em
conta a enorme capacidade de adaptação do organismo humano as mais
diversas condições .
As teses desenvolvidas no TST pela entidade sindical não resultaram,
contudo, no cancelamento da decisão do TRT catarinense. Não procede a
alegação de violação do artigo 468 da CLT, uma vez que, conforme
consignado pelo acórdão hostilizado, a alteração do regime de turnos
ininterruptos de revezamento para trabalho em turno fixo situa-se no campo do
poder de decisão do empregador, e ademais, e mais benéfica aos empregados
, considerou o juiz Décio Sebastião Daidone.
O relator da questão no TST observou, ainda, que a própria Constituição
Federal estabeleceu jornada reduzida para aqueles que trabalham em turnos
de revezamento, por ser prejudicial a saúde dos trabalhadores em decorrência
das mudanças continuas de turnos . (RR 529.123/99).
Por esses fundamentos, reconhece-se a legalidade da alteração da jornada de
trabalho, cujos efeitos jurídicos serão doravante analisados. ( omissis )
DESSA FORMA, conhece-se de ambos os recursos. No mérito, dá-se parcial
provimento ao recurso obreiro, para declarar lícita a mudança de turno
ininterrupto de revezamento para turno fixo, e deferir aos obreiros indenização
correspondente, calculada nos seguintes parâmetros: a média dos adicionais
noturno e de penosidade dos últimos 12 meses que antecederam a mudança
dos turnos de trabalho, multiplicada por cada ano ou fração igual ou superior a
6 (seis) meses de permanência no regime de revezamento; nega-se
provimento ao recurso patronal.
Insiste o Sindicato-reclamante em que o seu Agravo de Instrumento tinha
condições de admissibilidade, pela violação do art. 468 da CLT e por
divergência jurisprudencial.
O Agravante não demonstrou motivo capaz de demonstrar a incorreção dos
fundamentos adotados no despacho agravado. Não obstante, cabe reforçar os
seguintes aspectos:
A tese do acórdão regional, uma vez fundada na interpretação sistemática do
tema com relação à Lei 5.811/72, em jurisprudência deste Tribunal
Superior (Súmula 391), e nos princípios de prevalência das condições mais
favoráveis à saúde do empregado e da inexistência de direito adquirido ao
exercício de função, revela juridicidade capaz de afastar a possibilidade de
violação literal do preceito invocado, que com tais fundamentos mostra
compatibilidade.
A Súmula 337 do TST fixa que o acórdão paradigma deve estar transcrito no
Recurso de Revista, com indicação da fonte de publicação ou juntada de cópia
do mesmo. Assim, ainda que se pudesse tomar a transcrição de trecho do
acórdão do TRT, presente na transcrição do acórdão de Turma do TST trazido
no Recurso de Revista, tal trecho estaria desacompanhado da indicação da
fonte de publicação, não atendendo as condições mínimas de formalidade
consagrados na referida Súmula 337 do TST.
Portanto, nego provimento ao Agravo.
ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, por unanimidade, negar provimento ao Agravo.
Brasília, 15 de abril de 2009.
Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)
JOSÉ SIMPLICIANO FONTES DE F. FERNANDES
Ministro Relato NIA: 4732618

BIBLIOGRAFIA
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 31ª edição
2005

Artigo Extraído de: Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes. Autor: Katy Brianezi