A(O) EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA 4A VARA CÍVEL DA COMARCA DE GOVERNADOR VALADARES, ESTADO DE MINAS GERAIS.

Autos n. 0248348-24.2011.8.13.0105 Requerente: Ministério Público do Estado de Minas Gerais Requeridos: Dilber Porto Amaral Angela Maria Perreira Porto Amaral

DILBER PORTO AMARAL, brasileiro, casado, produtor rural, inscrito no RG n. M2168759-SSP/MG e CPF n. 463.578.746-04 e ANGELA MARIA PEREIRA PORTO AMARAL, brasileira, casada, eletricitária, inscrita no RG n. 331560-SSP/MG, ambos, residentes e domiciliados a Rua Peçanha, n. 43, apartamento n. 502-A, Edifício Ivo de Tassis, Centro, Governador Valadares/MG, por meio de seus procuradores que a esta subscrevem e ao final assinam, Gilberto Hastenreiter Aleixo, brasileiro, casado, advogado inscrito na OAB/MG sob o n. 84.934 e Guilherme Moraes de Castro, brasileiro, solteiro, advogado inscrito de forma suplementar na OAB/ES sob o n. 16.174, ambos com endereço profissional a Rua Marechal Floriano, n. 600, sala n. 705, Centro, Governador Valadares/MG, vem à presença de Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 5º, LV da Constituição Federal de 1988, 297 e 300 do Código de Processo Civil – CPC, apresentar CONTESTAÇÃO face a Ação Cívil Pública Ambiental – ACP - movida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Habitação, Urbanismo, Patrimônio Histórico e Cultural, já qualificado nos autos à epígrafe, ante aos fundamentos de fato e direito a partir de então expostos.
1

I – DOS FATOS

A presente Ação Civil Pública promovida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais em desfavor dos requeridos, pauta-se em Inquérito Civil Público de n. 0105.08.000064-6 onde, de acordo com informações produzidas por meio de laudo do Instituto Estadual de Florestas – IEF - , as Áreas de Preservação Permanente – APP’s – não estariam inteiramente preservadas com a vegetação natural. Informa o parquet que o laudo a subsidiar o Inquérito encontra-se anexo a inicial, porém, infrutífera qualquer busca no feito para leitura do mesmo, logo, não veio a ser juntado. Com base no laudo do IEF, QUE NÃI VEIO SER JUNTADO AOS AUTOS, afirma o MP que o imóvel rural de propriedade dos requeridos não possui Reserva Legal delimitada sendo, portanto, descumpridores de obrigação legal e lesando, juntamente a ausência da APP, permanentemente o meio ambiente natural, além de contrariar preceitos constitucionais e infraconstitucionais. Lista tais preceitos como a proteção do meio ambiente trazida em nossa Carta Magna Pátria de 1988, no artigo 225; nas premissas trazidas pela Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – PNMA – Lei Federal n. 6.938/1981; no Código Florestal, Lei Federal n. 4.771/1965; na Lei da Política Agrícola, Lei Federal n. 8.171/1991; na Lei Estadual n. 14.309/2002, que dispõe sobres a política florestal e a proteção da biodiversidade; dentre outras disposições conceituais doutrinarias. Ao final requer designação de audiência de conciliação; registro da citação na matrícula imobiliária dos imóveis de propriedade dos requeridos; oitiva de testemunhas arroladas, PORÉM, NÃO ARROLA TESTEMUNHA ALGUMA; definição da localização geográfica do imóvel rural; informação quanto a existência da área de Reserva Legal; descrever a situação das áreas de preservação permanente, Condenação dos requeridos - e NÃO RÉUS, por estarmos e um processo de cunho cível – a protocolar no IEF pedido de regularização de Reserva Legal; a não suprimir florestas ou outras formas de vegetação, e etc; a recuperar o meio ambiente, dentre outros pedidos acessórios aos principais ora listados. Junta a inicial, tão somente, cópia de portaria que instaura o Inquérito Civil Público; cópia da matrícula imobiliária n. 33695; cópia de Termo de Audiência
2

conforme Escritura Pública de Compra e Venda entre Edson Márcio de Oliveira e os requeridos. situação existente em todo o todo o território brasileiro e que não implica maiores deturpações no campo da juridicidade quando da ocorrência de situações. tendo como área total 52. 6..] O listado no parágrafo anterior são as provas documentais que o MP junta a inicial para embasar as alegações a fundamentar a ACP em desfavor dos requeridos.57. registrados no Cartório de 2o Ofício da Comarca de Governador Valadares/MG.219 foi adquirido em 17 de agosto de 2005. um matriculado sob o n.219.50 ha. 33695. conforme R-17-6. haja vista as alternativas legais postas em nosso ordenamento jurídico pátrio.01 hectares). na prática. cópia de despacho ministerial nos autos do ICP. não divergindo da grande realidade das áreas do leste de Minas Gerais. 77 e 83/84) [. é acidentada.. o Instituto da Compensação da Reserva Legal.219.43. Primeiramente nos cumpre esclarecer que os requeridos são proprietários de dois imóveis rurais.219 e o outro sob o n. dentre tais. cuja alínea f) traz o seguinte: [. foi adquirido em 29 de janeiro de 2009. pertencente a Dilber Porto Amaral. sede e etc. as alegações fáticas operadas na presente ação não se dão da forma explanada pelo MP e. 33695 (área de 23. mas não compareceu à audiência de continuação. A geografia dos imóveis.. A vegetação existente nas propriedades dos requeridos esta em estágio avançado de regeneração.43. composta em sua grande maioria de morros que não ultrapassam a declividade de 45o e de parte significativa de planície onde encontram-se instalados curral. porém. 33695. como será demostrado a partir de então – a título de impugnação dos fatos – para aclarear este douto juízo o norte para resolução do feito. geridos como se uma só propriedade rural fosse. 6. o 3 . como a presente. ambos. AV-13-6.. a ser oportunamente tratado. O imóvel matriculado sob o n. cuja área total é de 23. muito anteriormente a qualquer investida ministerial. cuja averbação da área de Reserva Legal esta adstrita na Averbação de n.]f) Matrícula n.01 ha. casas destinadas a serviços. O proprietário ouviu proposta de termo de ajustamento de conduta.nos autos do ICP onde foi apresentada proposta de Termo de Ajustamento de Conduta. Já o imóvel matriculado sob o n. Tais imóveis são lindeiros e. demonstrando não ter interesse a celebração do ajuste (fls.

colocando em cheque o desenvolvimento econômico imputando um sério confronto entre os conceitos formadores do Princípio Constitucional do Desenvolvimento Sustentável de observação obrigatória ao se buscar a tutela judicial ou administrativa ambiental. que serão oportunamente combatidos nesta peça de defesa. a uma imposição ministerial. ou seja. por si só. implica em atropização das áreas alterando o estado natural das coisas (silogismo esse enfrentado na sociologia como o curso natural do desenvolvimento e avanço da sociedade sobre a natureza). Ocorre que. sendo cediço em vários casos. mesmo não havendo a averbação da delimitação da área de Reserva Legal. requerido que os presentes tomassem leitura da extensa proposta de TAC apresentada e caso não concordassem. que. o ICP não correu nos moldes noticiados na inicial pois. as obrigações contidas nas normas de caráter florestal. na única audiência realizada na sede da Promotoria de Justiça de Governador Valadares foi sem a presença do promotor de justiça. Nobre Julgador. firmamos tal posicionamento para demonstrar que o MP sequer buscou tomar providências de caráter informativo para nortear os então investigados a promover o saneamento das supostas irregularidades ambientais adstritas em suas propriedades. como afirma o parquet na presente ACP embasada em laudo técnico desconhecido. Mesmo tendo disposição contrária na peça contida as fls. existe vegetação mais que o suficiente para atender o comando normativo constitucional e o infraconstitucional (Código Florestal). na realidade. fugindo aos permissivos e objetivos de tal instrumento hábil a promover em tempo útil. a proteção ambiental e a segurança jurídica daqueles que se submetem ao pacto. 08/09 dos autos. pugnando pelo oferecimento de um TAC LEONINO. Sobre outro prisma. tendo um servidor do órgão ministerial informado o motivo de tal “Audiência”. na prática. não afastando do regramento constitucional de nossa Carta Magna Pátria de 1988. onde sequer resta demonstrado existirem as irregularidades a permitir um acordamento de prazos e multas que mais se adequa a um “Ajustamento Unilateral”. não havendo danos diretos ao meio ambiente natural. De outro mote. não buscam a proteção desmedida do meio ambiente a olhos cegos. 4 . e sim objeto de uso do homem. não haveria problema algum. Douto Magistrado.que não imputa dizer que a mesma fora objeto de exploração ulterior.

para averbação na Matrícula Imobiliária e atendimento ao preconizado no Codex das normas protetivas das florestas brasileiras. Neste diapasão basta verificarmos a data de juntada aos autos do mandado de citação com o prescrito nos artigos do CPC. na mesma data. respeitando os espaços territoriais especialmente protegidos nos termos do inciso III do artigo 225 da Constituição Federal de 1988. em 10 de outubro de 2011 – fls. II – DA TEMPESTIVIDADE DA CONTESTAÇÃO Conforme se depreende da certidão de juntada do mandado de citação da requerida. Regional de Governador Valadares/MG. cujo Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação e Preservação de Reserva Legal foi obtido em 21 de outubro do corrente ano sendo protocolizado no Cartório de 2o Ofício – Registro Imobiliário –. resta pelos fatos colacionados que os imóveis dos requeridos atendem a legislação ambiental. A preocupação maior reside em permitir o uso das propriedade rurais. Assim. requerimento para Regularização da Área de Reserva Legal. 5 . podendo ter sua análise na forma e moldes a surtir seus legais e jurídicos efeitos. o prazo de 15 (dias) esgotar-se-a em 25 de outubro. 04050000214/11. com respeito ao meio ambiente e a exploração econômica. consoante dispositivos do Código de Processo Civil – CPC -. Angela Maria Pereira Porto Amaral. a revisão do Código Florestal por meio de projeto de lei em curso no Senado e que vem provocando uma série de contraposições entre ruralistas e ambientalistas. o inciso III do artigo 241. artigo 297. e a juntada de Instrumento de Procuração e Substabelecimento em 13 de outubro e. necessário veicular que em 24 de fevereiro de 2011. não sendo reais os fatos arrolados pelo MP/MG nesta ACP.Tal embate vem restando nítido a toda a sociedade em um dos debates mais aclamados no pais. acima citados. Sra. para concluir que a presente peça encontra-se tempestiva. sob o protocolo de n. 19 -. qual seja. Por todo o alegado na Inicial desta ACP. os requerentes protocolizaram perante o IEF.

Trazendo ao cabo do CPC. 6. passamos. a existência de desrespeito ao Código Florestal – área de Reserva Legal e a APP – conforme laudo do IEF que não veio a ser juntado aos autos como informado na inicial – fls. as preliminares que eivam de vícios a ACP proposta pelo MP/MG. que desapercebido passou pela necessidade de prova quanto ao fundamento principal da ACP. 0105. onde demonstraremos a este douto juízo que a inicial é inepta ao trazer alegações sem fundamentação probatória que deixam a ação sem consistência jurídica ao passo de uma situação divergente daquela descrita pelo requerente. 6 . peças administrativas extraídas do ICP n. dentre as fls. Disposto no inciso n. qual seja. repisando.08. petição inepta é aquela em que não se observa os artigos 282 e 283 quando de seu fazimento. 02 -. logo. é a inexistência de qualquer informação técnica a instruir a investigação ministerial para subsidiar o deslinde do inquérito. É certo pela doutrina ambiental que a prova processual deverá ser acompanhada de laudo técnico. 08/13. Por força do art. 284 do CPC. o autor deverá indicar e demonstrar as provas com as quais pretende comprovar a veracidade dos fatos alegados o que. 282 do CPC. na presente ACP não houve pois as alegações do MP pautam-se em mera informação de que ante a instrução de um Inquérito Civil Público constatou-se inexistir a Reserva Legal e APP na propriedade dos requeridos. onde demonstra que em estando a petição inepta deverá o juiz determinar ao autor que a emende e. contraditória e não apta. em qualquer caso. até pela própria natureza jurídica do conceito de meio ambiente exacerbado no inciso I da PNMA – Lei Federal n.000064-6 e.III – PRELIMINARMENTE a) Da Inépcia da Petição Inicial Conforme comando normativo do CPC no art. 301. somente com argumentação teórica. Nos autos somente encontra-se. o que nos chama atenção. no caso em tela.938/81 – demonstrando a multidisciplinariedade da questão ambiental. Petição Inépta é aquela que possui um defeito que a torna confusa. após vencidas a questões fáticas. VI do art. a produzir efeitos. não houve tal constatação pelo magistrado(a).

necessário e indisponível à ordem jurídica justa. mesmo sabendo que no caso em específico poderá haver dilação probatória com perícias e etc. propicia a necessária igualdade entre partes nos processos ambientais já. Celso Antônio Pacheco Fiorillo. que “[. dispõe em nota de rodapé de n. em Processo Civil Ambiental. São Paulo.] O art.. estabelece que o juiz dirigirá o processo conforme as disposições do CPC.. Marcelo Abelha.]”. pg.. vem nos mostrar ao tratar da prova no processo civil ambiental. como algo intrínseco.. I. claro fica que a prova. competindo-lhe assegurar às partes igualdade tratamento [. Nas linhas de Princípios do Direito Processual Ambiental. Neste espeque. 2008. o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. aplicável subsidiariamente ao direito processual ambiental. São Paulo. 5o da Constituição Federal de 1988 deve tanger o processo civil ambiental pois tratamos de regras processuais de direito civil a tutelar um direito transindividual de natureza homogênea por meio da Lei da Ação Pública – Lei Federal n. do CPC. neste caso. 7..] A prova deve ser vista. justiça. a igualdade disposta no inciso I do art. é certo também que a prova é o elemento ou instrumento idôneo para que a coisa julgada dê. sim. não só no processo civil ambiental e sim. ao tratar sobre o conteúdo jurídico do Princípio da Isonomia no Direito Ambiental Brasileiro. é que demonstramos que a inépcia da inicial do parquet reside na ausência de provas. Saraiva. diríamos.347 de 1985 -. Ademais.] Portanto. umbilical ligação entra prova e a coisa julgada como instrumento de pacificação social. 42. Revista dos Tribunais. no processo civil como um todo.não se permite chegar a realidade dos fatos para se obter um provimento judicial que resguarde o bem da vida.. [. 2a ed.. é caráter essencial para a valia das ações perante a justiça. Há estreita e. 132. pg. 65. o seguinte: [. Fiorillo tido como doutrinador voltado a conjugação eficaz do princípio da livre iniciativa e dos princípios gerais da ordem econômica.. como resta consignado nas citações anteriores de doutrinadores de correntes divergentes mas. especificamente nas perspectivas sobre as regras de distribuição. 125. 2007. Marcelo Abelha Rodrigues é favorável a uma corrente voltada ao sopesamento do princípio do desenvolvimento sustentável em detrimento do desenvolvimento econômico na proteção Ambiental. Se a coisa julgada é instrumento político da busca dessa paz e harmonia. que posicionam-se paritariamente ao tratar da matéria provas. mas como o MP/MG afirma seu posicionamento 7 . efetivamente.

que os requeridos já encontram-se em fase de regularização das áreas de proteção especial consignadas na Constituição e na Legislação Infraconstitucional. b) Da Carência de Ação 1 – Falta de Interesse Processual Tendo em vista que a Carência de Ação é a conseqüente falta de qualquer uma das condições para o efetivo exercício do direito de ação. como se percebe na documentação anexa. gravada como área de Reserva Legal ou. do CPC. quais sejam. requeremos seja acatada a presente preliminar de Inépcia da Petição Inicial ante ao não atendimento do art. VI do CPC. interesse processual e possibilidade jurídica do pedido. como visto na doutrina. dos imóveis). Nestes termos. no caso o MP/MG sobre àqueles que não prestaram conduta de modo espontâneo como requer o Estado Democrático de Direito apregoado em nossa Carta 8 . além de ser condição essencial a formação da ação permite que o Estado exerça a jurisdição. 282 e 283 do CPC. 283 e inciso VI do 282. Reserva Florestal Legal. cumpre informar até de modo a sustentar a presente arguição em sede de preliminar.sobre um laudo do IEF que até então é desconhecido. Ademais. A ausência da condição a qual referimos é o interesse de agir que. 300. É cediço na doutrina e jurisprudência majoritária que ausente qualquer uma das condições da ação o processo será extinto sem a resolução do mérito nos termos do artigo 267. em que o IEF já expediu o Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação e Preservação de Reserva Legal em que fica consignada a existência de vegetação in loco suficiente a cumprir o percentual mínimo de 20 % (vinte por cento) sobre a área total da propriedade (subentendido das matrículas. não podemos aceitar tal desiderato frente a regra processual dos artigos n. No caso em espeque o que se demonstrará é justamente a ausência de uma das condições da ação cuja argüição obrigatoriamente deva ser em preliminar. a tutela jurisdicional a satisfazer o alegado pela parte propositora de determinadas ações. entendemos que a presente demanda não deverá prosperar quanto aos requeridos pelos motivos a seguir expostos. ambos. legitimidade das partes.

o propósito deliberado das demandas inviáveis que tem. São Paulo. 2005. Rio de Janeiro. largamente insculpido na doutrina processualista acertada. É preciso. pois. em cada caso concreto.. contextualizada a ação como um direito cívico fundamental que se extrata das Constituições Contemporâneas [. Repousa na necessidade da tutela jurisdicional na impossibilidade de obter a satisfação do alegado direito sem a intercessão do Estado [. Na sua teoria sobressai o princípio da inadmissibilidade das demandas inviáveis que tem. ao fundo. 259. e do processo em sentido lato sensu. deve ser objeto de estudo em todas as ações a permitir que a relação processual instaurada obtenha os fins almejados quando do uso do processo para obter a tutela em determinada situação contrária aos comandos normativas existentes. pg. como no caso em tela onde os requeridos encontram-se de acordo com a legislação florestal que impõe limitações administrativas na propriedade rural para fins de atender a função socioambiental da mesma. nos traz o seguinte pensamento a respeito das Condições da Ação: [.] O que resta evidenciado na citação acima é de que a adequação e a necessidade de se obter uma tutela jurisdicional não impliquem na impossibilidade de se obter um provimento jurisdicional útil.. a prestação solicitada seja necessária e adequada. Malheiros. não 9 . tendo embora o Estado o interesse no exercício da jurisdição (função indispensável para manter a paz e a ordem na sociedade). de esforço inútil. 19a ed. 88.] assenta-se na premissa de que.] A falta de interesse processual deverá ser preenchida sempre.Magna Pátria de 1988.. Ontológica e Teleológica -.. o germe da discórdia. expõem de forma clara e objetiva que o interesse de agir: [. Lumen Juris.. necessidade. Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco.] Surgem as condições da ação: possibilidade jurídica do pedido. Chiovenda e Carnelutti nos deixaram a Filosofia do Direito Processual Civil. Antonio Carlos Araújo Cintra.. o Estado. em Uma Introdução à Filosofia do Direito Processual Estudos sobre a Jurisdição e o Processo Fundamentado uma Compreensão Histórica. assim.. de onde retiramos que o processo civil opera para combater a lide. a injustiça. não lhe convém acionar o aparato judiciário sem que dessa atividade se possa extrair algum resultado útil. pg. adequação) e legitimidade. William Couto Gonçalves. Vê-se. O interesse de agir. que. interesse (utilidade. Tido como um dos grande nomes da filosofia processual moderna. sob esse prisma. Em Teoria Geral do Processo.. as instituições.

pg. em tese. Não basta demonstrar que o bem da vida buscado por meio do processo é objeto de litígio (no sentido gênero). permitindo que o resultado seja útil [. consequentemente. da necessidade da tutela jurisdicional do Estado. 2006. conforme documentação anexa a presente Contestação. mas viabiliza a apreciação do mérito. v.. 8 ed... por ser condição da ação e sim. sempre que aquilo que se pede no processo (pedido) seja útil sob o aspecto prático [. Novamente voltamos a demonstrar: Não terá efeito algum qualquer provimento jurisdicional advindo da presente ACP pois. instaurar o processo) para alcançar o resultado que pretende. 1. E neste iter. o MP/MG arraiga fatos sem a consistência probatória necessária – ausência de laudo técnico a demonstrar a irregularidade frente a legislação ambiental – e contraria ao que há na prática pois. os requeridos cumprem o contido no Código Florestal! 10 . demonstrar no campo prático... Note que na presente ACP. constitutivas ou condenatórias. 267 do CPC que o processo será extinto sem resolução do mérito quando não restarem presentes qualquer das condições da ação. que as decisões. os requerentes tem a área de reserva legal in loco e em procedimento de averbação no competente cartório de registro de imóveis. Revista dos Tribunais. 130. Ínclito Julgador. do ponto de vista processual. São Paulo. o entendimento de Luiz Rodrigues Wanbier.. sejam declaratórias. do processo terá utilidade no campo prático. senão vejamos: [.] de sua Note. É importante esclarecer que a presença do interesse processual não determina a procedência do pedido. como já demonstrado anteriormente e nos documentos que instruem a presente peça. qual a utilidade pretensão. corrobora com a linha de raciocínio ora acertada. não importassem alteração prática no seio do litígio. que o legislador processual pátrio.] O interesse processual esta presente sempre que a parte tenha a necessidade de exercer o direito de ação (e. é dever da parte que se socorre do poder jurisdicional do Estado. ao estipular no inciso VI do art.] nasce portando. invocada pelo meio adequado.131. que determinará o resultado útil pretendido. para deixar claro ao Estado/Juiz que o provimento jurisdicional buscado por meio da ação. ainda mais. Flávio Renato Correia de Almeida e Eduardo Talamini em Curso Avançado de Processo Civil. dirimido. relativamente à sua pretensão e. buscou impedir que o judiciário fosse “entupido” de causas cujos provimentos não surtissem efeito algum na prática.somente por ser um pressuposto processual.

Assim. III – DO MÉRITO 11 . De outrossim. embora possíveis.. pela análise dos dados do conflito de interesses em relação a ele. Portanto não poderia ser diferente a presente preliminar em que protestamos pela declaração de carência de ação – art. justamente porque inútil seria o provimento solicitado [.. 2008. vegetação suficiente a atender o instituto da Reserva Legal. não são ou serão úteis ao requerente porque absolutamente inadequados aos olhos do Estado que não tem os meios necessários a embasar uma decisão condenatória a obrigar o cumprimento de uma obrigação já satisfeita.] De todo o transcrito.] Analisando a situação concreta trazida à demanda (e aqui também o direito material) o Estado-juiz verifica. somente em vias de averbação.. pois. os ensinamentos de Marcelo Abelha Rodrigues em Manual de Direito Processual Civil. b) se o provimento reclamado (bem processualprovimento solicitado) seria realmente apto ou adequado para debelar aquela necessidade.. oportunizando segurança quando do julgamento da presente ACP. em juízo sucessivo: a) se há realmente a necessidade concreta de tutela apontada pelo demandado. pg. 301. nos imóveis dos mesmos. XX e art. o provimento solicitado pelo MP/MG e o processo ou o procedimento utilizado. estando. os requeridos encontram-se regulares frente as disposições do Código Florestal como comprovado pela documentação anexa. VI do CPC – na presente Ação Civil Pública Ambiental em que busca provimento judicial a obrigar os requeridos ao cumprimento de uma obrigação normativa já satisfeita pois existe. 140/141: [. São Paulo.. não há o que se falar em preenchimento da condição da ação interesse de agir. Para restar claro e evidente a presente preliminar e não deixar dúvidas quanto sua existência. válido colacionarmos nesta. havendo juízo negativo em uma dessas situações (falta necessidade ou falta adequação). o Termo de Compromisso expedido pelo IEF. resta-nos que o impossibilidade jurídica da demanda é verificada num plano abstrato e a falta de interesse de agir. Portanto. num plano concreto.] Quando propomos uma demanda de índole processual é porque temos uma necessidade concreta (resultante da insatisfação ou resistência a uma pretensão) e porque julgamos que essa necessidade só pode ser satisfeita com um provimento jurisdicional [. 4 ed. 267. o Estado entende inexistir o interesse.. Revista dos Tribunais. a ACP. qual seja.

8.771/65 – Código Florestal). Neste sentido. 4. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. é que temos a legitimidade ativa do Ministério Público Estadual para buscar por meios de instrumentos existentes na legislação Constitucional e infraconstitucional pátria. n. veremos que os requeridos prontamente cumpriram com sua obrigação ao promover a compensação da área de reserva legal de um de seus imóveis que compõem a propriedade destinando área a maior a volumetria necessária a atender tal instituto. 6.625/93. Pois bem. III ou IV da Le Federal n. 12 . além dos artigos 127.938/81) a cumprir com suas obrigações perante o Estado Democrático de Direito. acordando explicitamente com as Teorias antropocêntrica e Ecocêntrica onde na primeira temos o ser humano como destinatário do direito ambiental e na segunda temos o homem como parte. 129. Lei Federal n. em texto contínuo no caput do artigo 225 da CF/88. compete a coletividade e ao poder público. 16. todos os cidadãos que assinaram o pacto social constitucional devem cumprir espontaneamente seus deveres e tendo nessa via de mão dupla o respeito a seus direito. ou seja. Pois bem. o fito do presente tópico é deixar claro que o Direito ao Meio Ambiente Ecologicamente equilibrado não se dá somente por meio de remédios processuais a instar os poluidores (conceito do inciso IV do art. ao aplicarmos o raciocínio corroborado ao direito constitucional ao meio ambiente. a conduta dos requeridos em regularizar as áreas de uso limitado para exploração econômica foi no mesmo sentido de prover o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado ao buscarem a regularização ambiental de sua propriedade rural. No caso em regra. 3 o da PNMA. cuja defesa.a) Do Direito Ao Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado Disposto no art. III da CF/88 e da Lei Federal n. Via regra. 225 da Constituição Federal de 1998 esta o Direito ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado. a vida em todas as suas formas como destinatária do direito ambiental. deixando momentaneamente de lado a questão processual que envolve a legitimidade do MP/MG. estendido na obrigação dos proprietários de imóveis rurais a manterem 20 % (vinte por cento) de sua área total como reserva legal (art. a defesa ao direito coletivo ao meio ambiente.

. obedecidas as seguintes restrições: [. ao promover adequações ao então Novo Código 13 . direito coletivo – arraigado em nossa Carta Magna Pátria de 1988 cuja espécie espaços territoriais especialmente protegidos (inciso III do art. não sujeitas ao regime de utilização e ressalvadas as de preservação permanente. bem como. 7o. As florestas de domínio privado. IV. trouxe em seu artigo 16 o seguinte: [. Portanto. na documentação que instrui a b) Do Instituto da Reserva Legal no Direito Ambiental Brasileiro Criada pela Lei Federal n. são suscetíveis e exploração. Quando em o legislador. pelas características funcionais e objetivas de tais vegetações não divergirem da mesma função ambiental da reserva legal. porém. respeitam o Direito a Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado ao preservação as áreas inseridas em sua propriedade rural a título de Reserva Florestal Legal e APP. resta claro e evidente que os requeridos cientes de suas obrigações não só como proprietários rurais mas.] A época.793 de 1934.710 de 2004 ( regulamente a Lei Estadual n. 14. o legislador Infraconstitucional federal não deu a nomenclatura hoje existente de Reserva Legal. 43. tal figura jurídica já começa a ser assim observada. é respeitado pelos requeridos nas formas e moldes necessários e devidamente comprovados defesa.. tida como o novo Código Florestal.309 de 2002 (dispõe sobre a Política Florestal e a Proteção a Biodiversidade) e ao disposto no Decreto Estadual n. previstas nos artigos 2o e 3o desta lei. 14. 4. do artigo 7o. 16. lei esta do ano 1965 com significativas alterações na década de 90. §4o.] Art. §2o da Lei Estadual n. 16. como demonstrado pelo IEF no documentos que instrui a Presente.. 14. §2o e 17. direito difuso. 16 do Código Florestal.309/02) nos artigos n. 225 da CF/88) acabou por recepcionar o contido no Código Florestal. 23. O Termo de Compromisso de Averbação da Reserva Legal expedido pelo IEF vem atender ao disposto no §4o do art. por ter a época revogado o Decreto Federal n.771 de 1965.O direito ao meio ambiente – direito este de natureza transindividual. como cidadãos. 16 e 19..

são suscetíveis de supressão. a alteração de sua destinação. vejamos: [. 20% (vinte por cento) de cada propriedade.] Assim. deverá à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Com o advento da MP 2.. veio uma nova redação ao artigo 16.] III . [. excetuada a de preservação permanente.] Juntamente com a inserção de tal comando..771/65. passamos a ter no inciso III do §2o do artigo 1o a Conceituação de Reserva Legal posta. no registro de imóveis competente. assim entendida a área de. caput. o regramento a respeito da Reserva Legal que hoje encontra-se vigente cuja alteração vem sendo debatida no Congresso Nacional. ou de desmembramento da área. notemos: [. pg 560/561..] § 2o A reserva legal.] A reserva florestal legal é uma limitação ao direito de propriedade consistente em preservar um dos elementos essenciais ao meio ambiente.] Art.. necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. desde então podemos partilhar a conceituação de Reserva Florestal Legal ou Reserva Legal trazida por Luís Paulo Srivinskas em Manual de Direito Ambiental. transformando-o da seguinte forma: [. assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica.Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural.Florestal. onde é permitido o corte raso. a título de reserva 14 . do seguinte modo: [. Mas. 2010... nos casos de transmissão. As florestas e outras formas de vegetação nativa. Saraiva. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos.. que a reserva florestal legal incide somente sobre a propriedade privada [..166-67. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. São Paulo. sendo vedada. no mínimo. ressalvadas as situadas em área de preservação permanente.] Reserva florestal legal é a preservação de parte de uma área maior de determinada propriedade particular com o objetivo da preservação da vegetação ali existente [. 8 ed..166-67 de 2001 que inseriu no bojo normativo do Código.. 225.... 16.. editou a Lei Federal n.803 de 1989 que inseriu o seguinte parágrafo no artigo 16 da Lei Federal 4.. 2. pois.. 7. desde que sejam mantidas. que é a flora (art. da CF) [.] Ponto importante na evolução legislativa do Código Florestal foi a Medida Provisória n. a qualquer título. a partir de 1989 é que passou a existir no âmbito normativo brasileiro a figura propriamente dita da Reserva Florestal Legal cuja conceituação ainda era feita por meio da conjugação dos serviços ambientais por esta prestados.] Vê-se. [...

] Art. nos termos do Art.... a conceituação de Reserva Legal nos seguinte termos: [..Considera-se reserva legal a área localizada no interior de uma 15 .710 de 2004.] é espaço territorialmente protegido na acepção do art. na Suécia. Malheiros.legal. 14. no mínimo. No Estado de Minas Gerais. 24..] Assim. a figura da Reserva Legal ou Reserva Florestal Legal como tratado pela Doutrina. optou o legislador por seguir o caminho da preservação já adotado na grande maioria da legislação brasileira que tutelava o meio ambiente a ante ao processo de transformação ao qual a conscientização mundial passava e influenciava o país. ser regulamentado no artigo 16 tendo o seguinte texto: [.. 16 ed. dentro da competência concorrente da União. representativa do ambiente natural da região e necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. 2008. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas.. São Paulo. 20% (vinte por cento) da área total da propriedade. de grande relevância na preservação ambiental e que passou a demonstrar.. no mínimo: [.. §1o. 225. por meio de Decreto Estadual de n. caput e inciso VI da CF/88. criou-se no Direito Brasileiro. trazendo em seu artigo 14. 14 – Considera-se reserva legal a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural... da mesma forma que “as florestas e demais formas de vegetação”[. em 1972 e a Eco 92. equivalente a. […] Algumas diferenças são observadas no bojo do caput porém. temos a Lei Estadual n..] A Reserva Florestal Legal tem sua razão de ser na virtude da prudência. Paulo Affonso Leme Machado ao trabalhar a matéria em Direito Ambiental Brasileiro. III da CF [. significativamente os meios de conter o avanço desenfreado do homem sobre a natureza. no Rio de Janeiro. que deve conduzir o Brasil a ter um estoque vegetal para conservar a biodiversidade [.309 de 2002 que veio dispor sobre a Política Florestal e Proteção à biodiversidade no Estado... referindo então aos movimentos internacionais destacados como a Convenção de Estocolmo.. 43.] deve ser adequada à tríplice função da propriedade: econômica. pg 757/758. expôs com maestria o alçado pelo Código Florestal pois foi direito ao ponto ao dizer que: [. Estados e Distrito Federal. social e ambiental [. ressalvada a de preservação permanente.] Art. 16 . vindo. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos..] Neste caminho adotado pelo Código Florestal.] decorre de normas legais que limitam o direito de propriedade.

estando posta pelo Estado de Minas Gerais por meio das normas ora citadas e que devem ser respeitas por todos aqueles que se submetem a condição de proprietário rural. 14. conforme §4o do artigo 16 do Código Florestal e. e que instruiu o processo administrativo n. 16 . satisfazendo in totum as obrigações descritas na Legislação ambiental no que tange a Reserva Legal.2. representativa do ambiente natural da região e necessária ao uso sustentável dos recursos naturais.00.309 de 2002 e no artigo 7o do Decreto Estadual n. os requeridos possuem dois imóveis rurais lindeiros que são gerados como se um só propriedade fosse. divergente do alegado faticamente pelo MP/MG.. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas. no Estado de Minas Gerais. ressalvada a de preservação permanente. no mínimo. Observando no mapa anexo.00 ha (setenta e seis hectares). o Código Florestal criou a figura da Reserva Legal como sendo obrigatória a todos os imóveis rurais do país. Em linhas gerais.propriedade ou posse rural. de utilização limitada. 20% (vinte por cento) da área total da propriedade.. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos. teremos uma área medindo 76. 6219 e 33605. Imóveis estes matriculado sob o n. considerando o exarado pelo artigo 7o da Lei Estadual n. equivalente a. os requeridos possuem área florestada de aproximadamente 23. ambos no Cartório imobiliário do 2o Ofício da Comarca de Governador Valadares.309 de 2004. 04050000214/11 de requerimento de regularização/compensação de Reserva Legal perante o IEF.00 ha (vinte e três hectares).00 (quinze. chegaremos a conclusão que imóvel rural de propriedade dos requeridos deverá ter a título de reserva legal uma área de 15.] A competência para aprovação da Localização da Reserva Legal é do órgão ambiental estadual. dois hectares). não sendo diferente aos requeridos que. Somadas as áreas dos imóveis. [. 14. 1 – Da Existência de Áreas In Loco para Atendimento e Delimitação da Reserva Legal Como já demonstrado anteriormente e nos documentos que instruem a presente contestação. cumprem com dita obrigação. proprietários de dois imóveis rurais mas. Considerando que a Reserva Florestal Legal deverá ser no percentual mínimo de 20% (vinte por cento) sobre a área total.

2 . tem praticamente a mesma evolução legislativa que a Reserva Legal. num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura. f) nas restingas. De outrossim. as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será 1 .Ademais. b) ao redor das lagoas.de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros.de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura.de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura.. o procedimento de compensação de Reserva Legal é previsto no inciso III do art. 14. 4.800 (mil e oitocentos) metros.] Art. área além do necessário para atender a função ambiental das florestas no ordenamento e meio ambiente brasileiro. no inciso IV do artigo 19. no Decreto Estadual n.de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura. montes. Lei Federal n. não restando razão ou motivo alguma demanda objetivada por meio da presente ACP onde o MP/MG se respalda em motivos e arrazoadas divergentes da situação prática ora existente.771 de 1965. como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. qualquer que seja 17 .710 de 2004. comumente denominadas de APP’s. montanhas e serras. Disposto nos artigos 2o e 3o do Código Florestal.771/65 – Código Florestal -. da seguinte forma: [. equivalente a 100% na linha de maior declive. inciso IV do artigo 17 e. ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água". 43. a partir da linha de ruptura do relevo. §4o do artigo 14 e §4o. pelo só efeito desta Lei. 5 . h) em altitude superior a 1. com declividade superior a 45°. lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais. 4. c) Das Áreas de Preservação Permanente no Direito Brasileiro Os princípios históricos das Áreas de Preservação Permanente.de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura. d) no topo de morros. e) nas encostas ou partes destas. os requeridos são cumpridores da Reserva Florestal Legal tendo. na Lei Estadual n. c) nas nascentes. sendo criadas no ordenamento jurídico brasileiro com o advento do novo Código Florestal. 2° Consideram-se de preservação permanente. 3 . 4 ..309/2002. g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas. 44 da Lei Federal n. o conceito de APP’s se dá. inclusive. qualquer que seja a sua situação topográfica. em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais.

2007.] Mesmo sendo extenso o conceito de APPS. a paisagem. 174. nas encostas. f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção. Revista dos Tribunais. assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal. de preservação permanentes. [. Malheiros.a vegetação. Neste ponto vem a corroborar para o entendimento do tema. d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares. Assim.... e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico. Parágrafo único. ainda. [. pg 690/691 onde deixa em linguagem clara a função ecológica das APP’s. No caso de áreas urbanas.. São Paulo. entre outras. 7 ed. Em Direito Ambiental Constitucional. e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. São Paulo. Art. mas decorre de sua própria situação. as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras. Gestão Ambiental em Foco. tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica. em todo o território abrangido. 3º Consideram-se. aborda o tema APP da nos termos a seguir: [. c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias. a estabilidade geológica. 2o e 3o do Código Florestal trata das florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas.] Notório no entendimento do Mestre José Afonso que a função ambiental que o legislador buscou definir no diploma in comento foi para aumentar a proteção dos ecossistemas mais frágeis e dependentes das florestas para ter seu funcionamento de maneira ecologicamente correta. os arts. o fluxo gênico de fauna e flora.] A natureza jurídica das áreas de preservação permanente não é se simples restrição imposta pelo Poder Público. ao redor de lagos e lagoas. as notórias palavras de Édis Milaré em Direito do Ambiente. obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo. ao longo das rodovias.. respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas. Nesta linha. de sua própria qualificação natural. quando assim declaradas por ato do Poder Público. São restrições portanto conaturais à existência da floresta nas condições indicadas [. a vegetação localizada ao longo dos cursos de água. pg. 2009.. b) a fixar as dunas. a biodiversidade.] com a função ambiental de preservar os recursos hídricos.. conforme discriminação 18 . h) a assegurar condições de bem-estar público. nas restingas. podemos extrair que sua natureza jurídica decorre de sua própria qualidade ao prestar o serviço ambiental que resta consignado nas alíneas e incisos do Código Florestal pois tem um papel grandioso na proteção das florestas e do recursos hídricos.. José Afonso da Silva. proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. 5 ed.

conforme veremos a diante. também buscou conceituar as APP’s no artigo 10 da Lei Estadual n. sujeitavam-se a exploração por completo. definições e limites das APP’s e que devem ser respeitada no moldes da competência normativa descrita no artigo 8 o da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – PNMA -. que nos mesmos moldes da Reserva Legal. as descreve como áreas produtivas com restrição de uso (art. 8o..] Usando da competência constitucional concorrente.309/02. dentro da dogmática permissiva da legislaçãoo ambiental.constante desses artigos. Notemos assim. deixando um grande prejuízo ambiental nos locais onde a ocupação se deu de forma rápida e densificada. ao mesmo tempo que caracteriza as APP’s na Lei Estadual n. Válido aqui informarmos quanto a existência da Resolução CONAMA n.710/04. encontram-se ocupadas nos moldes da legislação vigente. A intervenção nas áreas de APP’s é matéria regulamentada por meio das leis que a instituem e por meio das Resoluções CONAMA as quais veremos em tópico oportuno. Lei Federal n. onde existe um pequeno curso d’água. é considerada de preservação permanente. 11. 19 .. §1). ou seja. 6. sem qualquer vínculo a atividade lucrativa ou comercial. vindo regulamentá-la no artigo 10 do Decreto Estadual n. as APP’s surgiram no ordenamento jurídico brasileiro para dar proteção efetiva de parte da vegetação natural que anteriormente a promulgação de tais normas.938/81. 43. 1 – Da Intervenção Mínima na Área de Preservação Permanente Existente nos Imóveis dos Requeridos. 14. dada sua importância ambiental. A ocupação do imóvel dá-se exclusivamente para lazer aos finais de semana e para o exercício de atividade de agropecuária para consumo próprio. [. 14. o Estado de Minas Gerais. As APP’s existentes nas áreas dos requeridos. Nos imóveis dos requeridos existe somente parte que resguarda ligação com a necessidade de APP.309/02. O Estado de minas gerais. 303 de 2002. I) e diz que deverá haver respeito a ocupação antrópica consolidada por meio de atividade agrosilvopastoril (art. que dispõe sobre os parâmetros.

onde em meio a vegetação em estado de regeneração. 3o da Lei no 11. III . permitindo sobremaneira a ocupação das APP’s quando houver consolidação. remete ao preenchimento de requisitos.236/2006. serve como extensão mínima de pastagem para um pequeno número de animais criados na propriedade.. quando o requerente alega na inicial que existe (de acordo com laudo do IEF não juntado aos autos) degradação na APP na propriedade dos requeridos. A Resolução CONAMA n 425 de 2010. O que se assemelha em muito as atividades de agricultura familiar. que veio regulamentar a Lei Estadual 14/309/02.. 33695 de forma mínima. de 24 de julho de 2006. 3o Para os efeitos desta Lei.tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento.. IV . conforme art.] Art. a Lei Federal n.] 20 . que somente se dá no âmbito da poligonal do imóvel matriculado sobre o n. trouxe no bojo no artigo 11. aos seguintes requisitos: I . aqueles que praticam atividades no meio rural.] Por sua vez. incluindo os assentados de projetos de reforma agrária. conforme o texto seguinte: [. os mesmos termos rezados na lei. simultaneamente. Portanto Excelência.não detenha.710/04.326.De mesma forma. o Decreto Estadual n. II . [. 11. que dispõe sobre os casos em que pode haver a intervenção nas APP’s por atividades agrosilvopastoris.utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento. 425 de 2010 –Intervenção na APP. área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais. 1o traz em seu artigo 3o..... A ocupação da APP nos imóveis dos requeridos. atendendo. a qualquer título. o seguinte regramento: [.. assim faz sem que tenha qualquer conhecimento de causa ou informação válida a sustentar tal acusação.] Art. [. que estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural.dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. na forma definida pelo Poder Executivo. 43. atendendo ao disposto no art. 2 – Da Resolução CONAMA n. 3o Para efeitos desta Resolução considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural.

encontram-se preenchidos todos os requisitos para que os requerentes façam jus ao uso da área de APP. Na propriedade dos requeridos. a propriedade rural dos requeridos é gerida por eles. Como já percebido nas linhas desta peça contestatória. os requeridos preservam a Reserva Legal nos moldes da legislação federal e estadual. 20 de 1980 é de 70 hectares. a mão de obra é da família. ressalvados os outros critérios do art. uma vez que a mesma é para o subsídio de parte da renda dos requeridos. notoriamente. incisos I a IV da CF/88 -.236/2006. bem como a área de APP. satisfazendo assim os incisos II e III da norma em referência e. a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente. observância das disposições que regulamentam as relações de trabalho e/ exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores – Art. conforme Instrução Normativa Especial do INCRA n. ou seja. tendo somente um funcionário para complementar os trabalhos.1) Da Função Social da Propriedade Rural frente a Constituição Federal De acordo com a Constituição Federal. considerando a área total dos imóveis dos requeridos. observado todo o regramento jurídico ambiental existente em nosso Estado Democrático de Direito que tutela o meio ambiente. podendo. logo. 186. 186 da CF/88. nesta última fazer uso de forma limitada. conforme documentação e plantas anexas. Portanto.O módulo fiscal. sendo de impacto e intervenção mínima não havendo assim maiores razões para prosperar a demanda do MP/MG 2. propriedade que cumpre a função social. Assim. não há que se falar na manutenção das alegações do MP na presente 21 . respeitando o meio ambiente. no Município de Governador Valadares. a Função Social da Propriedade Rural é cumprida quando atende simultaneamente o aproveitamento racional e adequado. ante ao pequeno número de afazeres existentes. conforme requer o inciso IV do artigo 3o da Lei Federal 11. veremos que o mesmo se adequa ao inciso I. Portanto. é aquela que utiliza adequadamente dos recursos naturais disponíveis.

que se formaram os conceitos da limitação a garantia constitucional fundamental do direito de propriedade (inciso XXII do art. sob pena de violação a lei [.Da Limitação Administrativa A Limitação Administrativa. 397 [. como observou Pontes de Miranda em Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda n. p. servem de base para a regulação entre particulares o que. notemos: [. Cabral de Moncada. 22 . 18. Instituto de Direito Administrativo. por transformação profunda.. já dito anteriormente. é visto pela sociedade como um empecilho ao exercício da propriedade mas. p.. Nas premissas acima levantadas. ou a propriedade é pública ou é privada. São Paulo. móvel ou imóvel etc.Ação Civil Pública Ambiental..2) . logicamente somadas a outras de maior complexidade e grau de escoamento do tema. determinou em muito a evolução dos conceitos relativos a tal instituto jurídico. Editora Fórum. em se tratando de direito de propriedade [.... desde o terceiro decênio do século. à qual ainda não se habituaram os juristas propensos só a consulta ao Código Civil. o do gozo das coisas. assim dipós sobre a matéria: [. Belo Horizonte. É em normas de Direito Administrativo que se define a limitação. ainda mais com o advento das novas discussões sobre os direito difusos e coletivos onde se fixou a função social da propriedade como princípio constitucional na Constituição Pátria de 1988. Traduzido por L. 2009. 5º da CF/88). Coimbra. Como norma de Direito Público é ato derivado do poder de polícia de restrição ao domínio privado com base na supremacia do interesse público como ressaltado por Gustav Radbruch quando discorreu sobre Filosofia do Direito. as normas a que todos estamos acostumados. tem também um lado negativo. 6ª edição.. 2.. o da exclusão de todos os demais desse gozo [. Isso é o que o ordenamento prescreve e deve ser respeitado. Jamais uma função.. em Direito Urbanístico e Função Socioambiental da Propriedade Imóvel Urbana.] George Louis Hage Humbert. 2ª Edição Revista dos Tribunais.. 1 de 1962.] Ou seja.] No direito brasileiro.]. 93.] a propriedade tem passado..1969.. 1979. p.] a propriedade não tem apenas um lado positivo.

I.. pois o proprietário não reparte. mas no seu caráter de direito absoluto.. A alínea 21 do inciso I do artigo 167 da Lei de Registros Públicos dispões que no Registro de imóveis.. a obrigação de não fazer é imposta em benefício do interesse público genérico.. 2009 pgs. com fulcro no art. até onde não esbarre com óbices opostos pelo poder público em prol do interesse coletivo[.Assim.. previstas em lei com fundamento no poder de polícia do Estado. com terceiros. conceitua as limitações administrativas como: [. o que vem sendo respeitado.. Di Piiettro. gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas. entende-se por limitação administrativa não somente normas gerais e abstratas dirigidas a propriedade individualmente identificadas com a finalidade de satisfazer interesses coletivos abstratos e sim. acabou por limitar o usos dos imóveis. abstratamente[.] Com o fito de demonstrar que o gravame imposto sobre a propriedade imóvel dos requeridos pelo Código Florestal e pela Legislação Estadual ao legislar em seu âmbito de competência constitucional. 167 da Lei de Registros Públicos – Lei Federal n. E continua por assim dizer que: [.]à propriedade. pode desfrutar de todos eles. no mais das vezes corresponde a uma obrigação de não fazer[. mas. ao contrário. nos termos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro em Direito Administrativo.] Fechando seu raciocínio onde busca deixar um entendimento claro a respeito deste instituto do Direito Administrativo.. com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem estar social [.] medidas de caráter geral. o que.] limitações administrativas. os seus poderes sobre a coisa... não merece prosperar conforme demonstraremos..... 130/131 como: [.... 22ª edição. d) Da Desnessecidade de Registro das Citações nas Matrículas dos Imóveis Em um de seus muitos e dúbios pedidos. alínea 21 do art. 167. de modo a corroborar para o atendimento da função social da propriedade rural.]. da maneira que lhe convenha.] a propriedade não é afetada na sua exclusividade. 6/015/1973 – e no §3o do artigo 42 do CPC.]na limitação administrativa. requer o MP/MG seja determinado. São Paulo. além da matrícula imobiliária serão feitos os registros da 23 . porque a afetam em um de seus traços fundamentais – o seu caráter de direito absoluto – concebido como poder de usar e desfrutar da coisa da maneira que melhor lhe aprouver a seu titular[. Atlas.

ainda. Portanto. conforme previsão legal já largamente explanada na presente peça. a produção de Perícia nos moldes do art. que perseguem seu objeto. n. impróprio o requerimento do MP/MG uma vez que já se encontra. e) Da Desnessecidade de Perícia frente a Manifestação do IEF Requer. de que as APP’s deverão esta averbadas na matrícula imobiliária. cartográfica e confrontações do imóvel rural. o gravame necessário a fazer se perpetuar a Reserva Legal e a APP. relativas a imóveis.219 quanto a existência de área de reserva legal. Isto baseia-se pela já existência de averbação na matrícula 6. são próprias da coisa porém. haja vista a limitação administrativa imposta ao uso dos imóveis. ante a comprovação nestes autos de que os requeridos promovem o respeito a tais regras de natureza ambiental e axiologicamente de natureza imobiliária. impertinente. Já o artigo 42 do CPC. inexiste qualquer mandamento legal ou fundamento que assim o torne. inoportuno e descabido o requerimento do MP/MG onde busca gravar no registro de imóveis anotação de termos impróprios ao que resguardam os registros públicos.citações de ações reais ou pessoais reipersecutórias. 276 do CPC para atendimento dos seguintes quesitos: 1 – Definir a Localização Geográfica. logo. não se faz necessário que este douto juízo busque compelir os requeridos com um gravame na matrícula imobiliária dos imóveis. o MP/MG. Ademais.695 no imóvel de matrícula 6. 2 – Informar se pelo menos 20% da área do imóvel tem cobertura arbórea 24 . no §3o ao tratar das Substituição das partes e dos procuradores remete que as sentença proferida entre as partes originárias estenderá seus efeitos ao adquirente ou cessionário. Sabendo que a Reserva Legal e a APP são obrigações propter rem. será feita a compensação da Reserva Florestal da matrícula n. 33. quanto pelo procedimento cartorário em andamento da averbação do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação e Preservação de Reserva Legal expedido pelo IEF onde. nas matrículas dos imóveis dos requeridos.219.

em que pesem os quesitos bem formulados do MP/MG. apresentado a localização do imóvel geográfica e cartograficamente além das confrontações. formada em estado avançado de Regeneração. todos. A Localização geográfica do imóvel encontra-se no Memorial Descritivo Georreferenciado feito por profissional competente. 5 – Descrever os danos causados pelos requeridos nos termos do inciso II do art. bem como. e a APP submetida a um regime diferenciado de 25 . na área dos requeridos não somente há os 20%. o que não se faz cabido. deixa por terra a necessidade de perícia para sua caracterização. a indicar os confrontantes. A APP existente nos imóveis dos requeridos. juntamente com a planta de situação e localização a definir geograficamente os imóveis. 4 – Esclarecer se as intervenções nas APP e Reserva Legal acarreta o impedimento ou dificuldade na regeneração natural. como já demonstrado em tópico anterior. No que tange a informação quanto a existência de vegetação que atenda o percentual mínimo de 20% sobre a área total dos imóveis. Requer o MP/MG que seja. juntamente com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART – conforme anexos. ao se determinar a perícia. logo. 3o da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente. conforme fotos anexas.ou vegetação que atenda as exigências do art. Pois bem. podem ser respondidos e comprovados pelos documentos que instruem a presente defesa para descaracterizar a necessidade de perícia nestes autos o que poderá imputar uma demora significativa ao curso do mesmo e ir contrário ao preceito maior de proteção que requer o meio ambiente natural. 3 – Descrever as APP’s. Tendo a Reserva Legal. como área a mais para satisfazer a proteção ambiental disposta no artigo 16 do Código Florestal. como já amplamente debatido em tópico oportuno na presente peça processual de defesa se dá em pequena proporção e se submete ao regime da Resolução CONAMA 425 de 2010. não existindo qualquer intervenção ou exploração no local. 16 do Código Florestal. o que fazemos desde então. cujas características naturais somente poderão desaparecer em caso de supressão de vegetação.

determinando a extinção da presente Ação Civil Pública Ambiental com resolução do Mérito e consequentemente determinando seu arquivamento. consequentemente não havendo qualquer impedimento para sua regeneração natural. documentos do IEF e etc. c) Caso não seja o entendimento deste Douto Juízo. determinando sua extinção sem resolução do mérito e consequentemente determinando seu arquivamento. nas provas que instruem os autos onde resta demonstrado por meio das fotos. inoportuno se aventa vez não haver degradação da qualidade ambiental por alterações adversas das características do meio ambiente onde existe área de Reserva Legal e APP nos moldes legais. o requerido anteriormente. 26 . 267. e o mesmo adentre no mérito da questão. não somente nas argumentações fáticas e teóricas e sim.060 de 1950. d) Requeremos seja deferidos o benefícios da Assistência Judiciária Gratuita nos termos da Lei Federal n. b) Acolhimento das Preliminares Inépcia da Petição Inicial e de Carência de Ação por falta de Interesse Processual julgamento o processo nos termos do artigo n. Por tudo o que se vê. imagens de satélites. requeremos sejam julgados improcedentes os pedidos do Ministério Público de Minas Gerais ante a comprovação quanto a existência e respeito pelos requeridos da área de Reserva Legal e APP nos moldes do Código Florestal e da Legislação Estadual de Regência. artigo 4o. I do CPC. como já combatido nesta defesa. atendendo a função social da propriedade rural e respeitando o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.uso. não há o que se falar em ser necessário uma perícia para descrever se há exploração nas mesmas. plantas. Por fim. 1. requer o MP/MG que sejam descritos os danos existentes na APP e na Reserva Legal o que. os requeridos são cumpridores das imposições da legislação ambiental. IV – DOS REQUERIMENTOS Ante ao todo exposto só nos resta requerer o que se segue: a) Recebimento da presente Contestação para surtir seus jurídicos e legais efeitos nestes autos de Ação Civil Pública Ambiental.

pericial. Nestes Termos.174 27 . Gilberto Hastenreiter Aleixo Advogado OAB/MG 84. especialmente o documental. e testemunhal sem prejuízo dos demais necessários a correta solução do feito.e) Protestamos provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. 24 de outubro de 2011.934 Guilherme Moraes de Castro Advogado OAB/ES 16. Governador Valadares/MG. Pede e Espera Deferimento.