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Em busca do Mundo Espiritual

Michael Laitmann
O livro "Spiritual Search" é uma coletânea de textos
Cabalistas, que apresentam ao leitor as principais
áreas do estudo da Cabala. A lista inclui: a estrutura, a
matéria e o objetivo da Criação; o lugar do homem na
Criação; as maneiras de alcançar uma percepção mais
profunda do mundo sem a limitação das necessidades
básicas. Como resultado desta pesquisa, uma pessoa
consegue compreender o mundo e suas
complexidades. Neste ponto, a preocupação muda do
imediatismo do destino e transforma um simples
primata em um Ser Humano. A ciência da Cabala
fornece as instruções para conseguir esta
transformação, sem as quais ela seria de difícil a
impossível. Hoje, apenas uma pequena parte do livro
está traduzida - Dezoito Conversas com os
Principiantes
Índice:

1. Percebendo os Desejos Revelando o Criador


Enquanto Vivendo Neste Mundo
2. Cinco Mundos
3. Cinco Níveis do Desejo de Receber
4. Estrutura da Alma
5. Shamati No.1: "Não há ninguém além do Criador"
1. PERCEBENDO OS DESEJOS

Como pode uma pessoa perceber o desejo? Para uma


pessoa saber o que quer, é preciso primeiro provar,
porque a prova deixa uma percepção ou gosto
agradável. A satisfação foi sentida e agora se foi,
deixando a vontade de sentir novamente. É disto que o
verdadeiro Kli deve consistir. Ou seja, a luz no passado
o preencheu completamente e o Kli sentiu a força total
na sensação da presença da luz. Então a luz
desapareceu e o Kli aspira com toda a paixão, voltar a
sentir o prazer da luz novamente.
Agora, veremos como a alma é construída e a razão
porque nós precisamos trabalhá-la. A alma é a única
coisa criada. Através de seus cinco filtros, ela recebe
dentro de si sensações visuais, auditivas, olfatórias,
gustativas e tácteis. O suporte por trás destes cinco
orgãos sensoriais é similar a um programa de
computador. Ele traduz o que está no exterior em uma
linguagem que nós possamos entender, ou seja, prazer
ou dor. Percebemos quando algo é bom ou máu no
ponto mais central de nossa alma.
Se o computador está executando um programa
natural, este programa é projetado para satisfazer a
tomada egoista do bom e do máu. Se estiver
executando um programa altruísta então a noção de
bom ou máu não é avaliada em relação a si próprio
mas sim em relação ao que está do lado de fora, e isto
é a luz ou o Criador.
Agora podemos ver que existem duas opções de
programa para as avaliações e escolhas da alma:
a) egoísta, para seu próprio benefício
b) altruísta, para benefício do Criador
Enfim, além do Criador e a criação, ou da luz/prazer ou
do desejo/vaso, nada mais existe no universo. No
processo natural, a pessoa nasce com o programa
egoísta. Assim uma imagem reversa é impressa ou
projetada egoìsticamente no fundo de nossa
consciência ou cérebro. Esta imagem é chamada
"Nosso Mundo".
Nós não percebemos nada além da luz. Entretanto, se
a luz passa pelo processo egoísta, ela se manifesta em
nós como o "Nosso Mundo". Nosso desejo egoista
executa seu processamento, adicionando obstáculos
pela seleção de tudo o
que é bom e descartando tudo o que é máu. Este é o
programa de auto preservação do organismo, e se não
o tivéssemos, nossa visão do mundo seria
completamente diferente. Sem ele, as imagens seriam
impressas na frente da alma e revelariam para a
pessoa, tudo o que existe no exterior de um modo
objetivo, ao invés do que percebemos em nosso
interior, de forma subjetiva e para o nosso próprio
benefício. O que está no exterior é chamado de "a luz"
ou "O Criador".
Para reprogramar o computador do modo egoísta para
o modo altruísta, existe a Ciência da Cabala, a qual nos
ajuda a receber a imagem externa genuína, sem a
capa do egoísmo. Seremos capazes de sentir o
verdadeiro universo que existe em nosso exterior. Este
estado é chamado de "unificação com a luz", quando
não há obstáculos entre a alma e a luz.
Isto é ligeiramente similar ao que acontece quando
uma pessoa se encontra no estado de morte clínica e
foi parcialmente separada do corpo egoista (ou do
organismo animal). Ela vê a luz na sua frente e se
sente atraída para ela mas é impedida de alcançá-la
porque ainda não se libertou do egoismo espiritual.
Como uma pessoa só consegue se libertar dele junto
com o egoismo animal do corpo, todo o trabalho ocupa
uma existência inteira ou diversas vidas no corpo
animal.
Podemos nos libertar facilmente do egoismo espiritual
se soubermos quais obstáculos o egoismo adiciona ao
nosso computador interno. Todas as informações
passam por cinco filtros, chamados de "as cinco partes
de Malchut", ou "cinco partes do egoismo dominante".
Estes cinco canais processam todas as informações
recebidas do exterior, convertendo-as em informações
que satisfazem o egoismo, separando o que é bom
para o egoismo do que é mau. Todos os sinais passam
por uma largura específica de filtros (Aviut), que varia
de pessoa para pessoa.
Quanto mais reincarnações a nossa alma atravessa,
maior se torna o Aviut. Significa que a pessoa se torna
menos refinada, mais orientada aos objetivos e mais
preparada para a correção. Por outro lado, aquelas cujo
egoismo é menos desenvolvido não tem muitas
exigências, se satisfazem com pouco.
Assim, um grande egoista está pronto para a correção
porque sente uma maior necessidade de ser
preenchido com a luz.
Como surge a necessidade de corrigir o programa do
computador? Ela aparece quando o desenvolvimento
do Aviut na pessoa alcança o seu máximo. Isto
acontece depois de muitas reincarnações ou vidas em
nosso mundo. Não apenas na vida humana, mas
também nos animais, plantas e na natureza inanimada.
Toda a natureza, com exceção do homem, ascende
com ele e depende de seu estado.
Quando o Aviut de uma pessoa atinge seu valor
máximo, ele ocasiona uma diferença máxima entre a
luz e a imagem que ela percebe. Isto resulta na
ativação de um interruptor interno, dando à pessoa a
sensação de que agora e no futuro não pode mais se
satisfazer com nada.
Quando este sinal ocorre, a pessoa para de procurar
algo dentro de si mesma ou por trás de sua alma e
passa a querer perceber o exterior. Busca em várias
filosofias ou metodologias até que finalmente encontra
a Cabala.
É então especificamente que ela se torna capaz de
encontrar aquilo que procurava há tanto tempo.
A Cabala é a metodologia que transforma estes filtros.
Ela não os remove mas apenas os reconstrói ou os
sintoniza desde a intenção egoísta de receber prazer
para si mesmo até a intenção altruística de doar
prazer. Mais precisamente, a intenção altruística de
receber prazer com o objetivo de doar, já que tudo é
relativo ao Criador. Ou seja, nós não possuímos nada
para doar para Ele exceto receber prazer em Seu
benefício.
Desta maneira, os mesmos filtros podem ser usados
para receber, mas apenas em benefício da luz ou do
Criador. Assim, a informação que vem do exterior não
será distorcida de nenhum modo. Ao contrário, ela
aparecerá exatamente como existe na realidade, ou no
exterior. Quando isto acontece, todo o programa da
criação chega ao fim, já que agora o programa nos
permite existir sem nenhum obstáculo do nosso "ego".
Isto é, existir, perceber e viver no universo genuíno.
Todos os prazeres do nosso mundo, que a humanidade
percebeu e perceberá no futuro equivalem a apenas
1/600.000 do prazer contido na menor luz possível
(Nefesh).
Quando uma única alma é corrigida, ela recebe a luz,
integralmente e sem limites, e se coloca à frente de
todas as almas. Ela observa tudo até que a informação
ou prazer atinja todas as demais almas.
O Aviut é incluído na primeira aparição ou encarnação
da pessoa neste mundo. Entretanto, a Cabala pode
desenvolvê-lo em grandes proporções, abreviando o
número de vidas ou reincarnações. Isto é, ela pode
acelerar o processo de amadurecimento da pessoa
para a assimilação do domínio espiritual.
O sofrimento humano é a expressão externa do que
está faltando. O sofrimento não desaparece, mas a
Cabala substitue o sofrimento animal pelo espiritual.
Este é o sofrimento decorrente da ausência da
percepção espiritual. Esta mudança qualitativa do
sofrimento leva à reconstrução do Kli interno ou da
alma.
A percepção da luz se desenvolve em correspondência
com a aspiração. O resultado é que tudo que levava
gerações para se realizar, agora acontece em alguns
anos.
Você pode perguntar: "Por que algumas vezes é
impossível perguntar ou formular uma pergunta?" Isto
acontece porque a pessoa não é capaz de sentir dentro
de si o que estamos falando. Nada lhe foi ainda
revelado, logo ela não responde ao que está ouvindo.
A estrutura da alma é a seguinte: A luz que emana do
Criador, cria o desejo de receber prazer. Este desejo é
chamado de Malchut. Antes do Malchut, a luz passa por
nove estágios a medida em que vai se transformando,
até que seja capaz de criar Malchut. Os nove estágios
pelos quais a luz passa são chamados Kéter, Chochmá,
Bina, Chesed, Gvurá, Tiferet, Netzá, Hod e Yesod. Só
então ela cria o último estágio, o Malchut. Os seis
estágios desde Chesed até Yesod são chamados Zeir
Anpin.
No total existem dez Sefirot (estágios), que são: nove
níveis da luz mais um que é o Malchut, o desejo de
receber. Malchut é a alma da criação real, que sente
que deseja receber prazer da luz. Malchut começa a
receber a luz e com ela as suas propriedades. Mesmo
em nosso mundo, sabemos que qualquer influência
sobre nós cria sua própria reflexão em nosso interior. A
mesma coisa acontece com Malchut quando ele recebe
a luz das nove Sefirot superiores.
Vemos que uma única estrutura egoísta, Malchut,
adquiriu da luz, mais nove atributos altruístas
adicionais, ao receber a luz dos nove Sefirot da luz. A
informação externa da luz não sofre nenhuma
distorção ao passar pelos nove atributos altruístas do
Malchut, pois não existem barreiras egoístas. Esta luz
apenas diminui. Ela se reduz para que a alma fique
otimamente preenchida, evitando uma sobrecarga que
causaria sofrimento.
Entretanto, há uma parte a mais em Malchut que
recebeu os atributos altruísticos da luz e se tornou
equivalente a ela em seu desejo de doar, que não é a
décima parte.
Há ainda uma parte adicional em Malchut que é
completamente incapaz de perceber os atributos da luz
e por isto não pode mudar. Esta parte é chamada "Lev
a-Even” ou “o coração de pedra.
Nosso trabalho consiste em deixar esta parte para trás,
chamada nosso "Eu"; parar o trabalho porque ela será
sempre egoísta, até o fim da correção e a chegada do
Mashiach. Por isto é necessário efetuar uma restrição
(Tzimtzum Alef) nesta parte do Malchut; Ou seja, não
usá-la de modo algum. Malchut, ou o décimo Sefirá
(estágio), é a parte de Malchut que recebeu os
atributos da luz e foi capaz de sentir os atributos da luz
que o preencheram. Assim sendo, ele é capaz de se
transformar - ele deve mudar gradualmente e passar a
agir da mesma maneira que a luz. Para conduzir
efetivamente os atributos da luz para o Malchut, é
necessária uma ação denominada “Shvira”,
significando a quebra ou o golpe. Como consequência
desta ação, os atributos dos primeiros nove Sefirot
penetram no Malchut.
Mas não basta apenas entender que os atributos da luz
e do Malchut são opostos entre si. O Malchut tem que
agir do mesmo modo que a luz; ele precisa se tornar
equivalente aos nove Sefirot. Entretanto, como ele
pode fazer isto se a luz não penetra em seu interior?
Para alcançar este objetivo, acontece a quebra
(Shvirat) do Kelim, ou a quebra dos desejos. Isto é
conseguido pelo "golpe da luz", que atravessa todos os
nove Sefirot e penetra em Malchut. Agora, Malchut fica
misturado e entrelaçado com todos os nove Sefirot. Isto
é chamado “Shvirat HaKelim” ou a queda pecaminosa.
Depois de acontecer o Shvirat Kelim, quatro tipos de
desejos são formados. Eles são:
a) os desejos altruísticos puros que estavam nos
nove Sefirot
b) os desejos altruísticos que se misturaram aos
desejos egoistas
c) os desejos egoistas que se misturaram aos
desejos altruísticos
d) os desejos egoistas puros
Assim, dois tipos de desejos, o altruístico puro e o
egoista puro, tendo caído durante a Shvirat Kelim e se
misturado entre si, criaram mais dois tipos de desejos
mistos.
Somente agora se tornou possível criar uma alma na
qual o Malchut é corrigido da mesma forma que os
nove primeiros Sefirot. Isto porque qualquer desejo
egoísta agora tem uma faísca de altruísmo. Com isto,
um tipo especial de força é necessária, a força da
correção. Esta força faz com que cada faísca de
altruísmo se torne a parte preponderante do desejo,
capaz de corrigir inteiramente o desejo egoísta.
Como isto acontece? Tomemos um livro sobre a
Cabala, escrito por um Cabalista que já tenha se
corrigido em correspondência com a luz. Quando uma
pessoa lê este tipo de livro, o que ocorre é a
transmissão das instruções de como construir o seu Kli
interno em correspondência com a luz. Lendo este
livro, mesmo sem a completa compreensão do texto,
nós atraímos para nós a luz circundante, a qual
gradualmente limpa e corrige nossos desejos.
Estudar sob a supervisão de um professor-Cabalista,
junto a um grupo de pessoas que buscam atingir o
objetivo da criação ou a equivalência com o Criador, é
altamente efetivo!
Estudando a Cabala também encontramos a explicação
sobre a ordem em que as partes de nossa alma serão
corrigidas, se dirigirmos nosso desejo de acordo com os
desejos corrigidos do Cabalista que escreveu o livro.
Na medida em que a pessoa se corrige, ela começa a
sentir gradualmente que seus desejos estão partidos.
Aprende a diferenciá-los, classificá-los de acordo com a
qualidade e quantidade, combiná-los em determinada
ordem e agrupá-los. O caminho é longo mas é especial
e interessante. A pessoa começa a compreender novos
atributos em si mesma, percebendo que ela é a criação
e se tornando consciente de sua ligação com o Criador
e as demais partes do universo. O que acontece é o
entendimento de como todo o nosso sistema externo é
construído e como funciona a governança superior.
O objetivo do Criador para nós é em primeiro lugar
começar a assumir o controle sobre nós mesmos e
então sobre todo o mundo, substituindo assim o
Criador. Em nosso mundo seguimos manifestações
particulares da luz como o prazer que recebemos do
conhecimento, poder, sexo, comida e crianças. Quando
a luz chega e nos preenche completa e ilimitadamente,
ela é imediatamente percebida como perfeição e
prazer. Não restam mais desejos na pessoa. O processo
de absorção é gradual e é chamado de “Sulam” ou
"escada". Baal HaSulam escreveu sobre isto e é assim
chamado em homenagem ao sistema de ascensão
espiritual que desenvolveu, chamado "Sulam" em seus
comentários ao "Livro do Zohar.
O Criador criou uma alma coletiva chamada Adam, que
se partiu em 600.000 partes, cada uma consistindo de
quatro desejos. A tarefa de cada pessoa é corrigir além
de si mesma, sua parte na alma coletiva.
Cada pessoa deve corrigir sua relação com todas as
600.000 almas, pois é assim que corrige a si mesma;
cada outra pessoa, por sua vez, consiste de 600.000
partes, e os primeiros nove Sefirot penetram em cada
uma delas.
As almas só podem ser corrigidas através de seus
corpos e os corpos são corrigidos em grupo através de
várias ações mecânicas, direcionadas ao atingimento
de um só objetivo. Existem duas ações mecânicas:
estudar e realizar trabalhos coletivos com o objetivo de
correção espiritual da alma.
Uma pessoa não tem capacidade de corrigir os seus
desejos já que eles foram criados pela luz. É necessário
apenas redirecionar o foco dos desejos, ou para que
finalidade ela quer realizar estes desejos. Se ela não
realiza temporariamente um desejo, ele voltará mais
tarde e de forma muito distorcida.
Precisamos trabalhar em como usar corretamente
estes desejos. Não podemos esmorecer nem nos
torturarmos ou fugir. O que precisa ser corrigido é a
intenção com a qual usamos nossos desejos.
Se fizermos isto, veremos que todos os desejos são
necessários para que atinjamos nossos objetivos. É por
isto que dizem que a pessoa mais egoísta tem maiores
desejos. Ou ainda, que depois da destruição do
Templo, apenas os Cabalistas tem a percepção dos
desejos terrenos.