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Lição 8- A Soteriologia Reformada

Assunto: Reforma Protestante: história, ensinos e legado.

TEXTO BÍBLICO BÁSICO

Romanos 9.9-21

9 Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho.

10 E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai;

11 Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal ( para que o propósito
de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama
),

12 Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor.

13 Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú.

14 Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.

15 Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de


quem eu tiver misericórdia.

16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se
compadece.

17 Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu
poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.

18 Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.

19 Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua
vontade?

20 Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a
formou: Por que me fizeste assim?

21 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e
outro para desonra?

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO

2ª Feira - 1 Tessalonicenses 1.3,4: A vossa eleição é de Deus

Lembramos continuamente, diante de nosso Deus e Pai, o que vocês têm


demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a
perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo.
Sabemos, irmãos, amados de Deus, que ele os escolheu
porque o nosso evangelho não chegou a vocês somente em palavra, mas
também em poder, no Espírito Santo e em plena convicção 1 Tessalonicenses
1:3-5
3ª Feira - 2 Tessalonicenses 2.13,14: Eleito desde o princípio para a salvação

4ª Feira - Romanos 8.29,30: Também os predestinou

5ª Feira - Efésios 1.1-11: Elegeu-nos Nele antes da fundação do mundo

6ª Feira -1 Timóteo 2.4-6: Ele quer que todos os homens se salvem

Sábado - Atos 15.7-9: Ele não fez diferença entre eles e nós

TEXTO ÁUREO

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis
são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o
intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Romanos 11.33,34

OBJETIVOS

Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:

* entender como o texto bíblico aborda o tema salvação no Antigo e no Novo Testamento;

* conhecer as duas principais correntes doutrinárias, reformadas, relativas à salvação;

* compreender que mais importante que apreender argumentações soteriológicas é saber que
somente por meio de Cristo somos redimidos.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS

Caro professor,

No texto de Lucas 2.52 (ARA), encontramos um exemplo muito claro de desenvolvimento


integral na pessoa do menino Jesus, que crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de
Deus e dos homens. Assim também, as iniciativas da educação devem contemplar o ser
humano em todos os seus constitutivos e áreas e prepará-lo para enfrentar os desafios da vida
com ousadia, entusiasmo, confiança e coragem.

Educar, dentro de uma perspectiva cristã, exige um compromisso constante não apenas com a
qualidade do conteúdo, a eficácia do método educacional, a qualidade e a quantidade de
recursos didáticos, mas, acima de tudo, com o progresso do aluno em sua fé. Ajudá-lo a
desenvolver todo o seu potencial e talentos concedidos por Deus é, primordialmente, a meta a
ser perseguida.

COMENTÁRIO

Palavra introdutória
Como dito em lições anteriores, os fundamentos soteriológicos da fé cristã foram
drasticamente afetados pela Reforma Protestante, a partir dos princípios de sola fide, sola
Scriptura, solus Christus e sola gratia.

Nesta lição, destacaremos dois sistemas soteriológicos — adotados por igrejas reformadas em
todo mundo —, considerando sua preeminência e relevância histórica, a saber: calvinismo e
arminianismo. Antes, porém, veremos de que forma a salvação é apresentada no Antigo e no
Novo Testamento.

1. SOTERIOLOGIA: A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

Todas as religiões do mundo possuem, de um modo ou de outro, sua própria soteriologia


(doutrina da salvação): algumas enfatizam o relacionamento entre Deus e os homens; outras,
por sua vez, põem ênfase no aprimoramento do auto-conhecimento como forma de alcançar a
redenção.

Vejamos a seguir de que forma o manual de fé e prática do cristão reformado (a Escritura)


apresenta a salvação.

1.1. No Antigo Testamento

Yahweh é o Ser soberano que, invariavelmente, toma a iniciativa de restabelecer com o


homem o elo (de amor e verdadeira comunhão) rompido com Ele, no Éden.

Pode-se afirmar que, para Israel, a ideia de aliança constitui-se na chave-mestra capaz de abrir
as portas que levam ao conhecimento da identidade do Eterno.

Nas alianças estabelecidas com Israel — destacadas a seguir —, dentre outras promessas,
Yahweh assegurou que salvaria o Seu povo.

São elas: edênica — da Criação à Queda (Gn 1—3.24); adâmica — de Adão ao Dilúvio (Gn
3.24—9.13); noética — de Noé a Abraão (Gn 9.13— 10.32); abraâmica — de Abraão a Moisés
(Gn 12—Êx 3.6-10); mosaica — de Moisés a Davi (Êx 3.4; 2 Sm 7.1-29); davídica — de Davi a
Cristo (2 Sm 7—Mt 1.1).

1.2. No Novo Testamento

No Novo Testamento, o conceito de salvação (gr. soteria = libertação, salvação, livramento,


restituição do homem à ple na comunhão com o Eterno) inclui a maioria dos rudimentos e
exterioridades mencionadas no Antigo Testamento (ajudar, libertar, livrar e salvar em
situações de grandes ameaças) acrescentando-lhe dimensões espirituais (Fp 2.8).
A teologia reformada entende e apregoa que todo o Novo Testamento deixa transparecer a
manifestação da graça salvadora de Deus em Cristo Jesus (Jo 3.16). Aliás, esse é o tema central
da Nova Aliança, que está diretamente fundamentada na obra sacrificial de Cristo na cruz (que
foi prefigurada pelo sistema de sacrifícios de Israel); [o Salvador] tira o pecado e purifica a
consciência por meio da fé nele (Hb 10.2,22) [...] (RADMACHER; ALLEN; HOUSF, 20101), p.
437).

LEIA TAMBÉM:

O Cenário Histórico da Reforma Protestante

Os Ícones da Reforma Protestante

A Justificação Unicamente pela Fé (Sola Fide)

A Singularidade das Escrituras (Sola Scriptura)

A Centralidade de Cristo (Solus Christus)

A Centralidade da Graça (Sola Gratia)

O termo aliança reveste-se de sublime importância na conformação da identidade religiosa de


Israel, pois em nenhum outro sistema de culturas e crenças, em todo o mundo, encontram-se
vestígios que possam indicar o estabelecimento de pactos entre uma divindade e o seu povo;
fato que, por si só, comprova o ineditismo do texto bíblico.

2. OS SISTEMAS SOTERIOLÓGICOS PROTESTANTES

Existem diversos sistemas soteriológicos dentro do protestantismo, os quais partem desse


entendimento primordial: os pecadores são declarados justos diante de Deus somente pela fé,
somente em Cristo, somente pela Graça, não mediante as boas obras praticadas.

Abordar cada um desses sistemas ocuparia um espaço muito maior que o permitido nesta
lição, e ultrapassaria os objetivos pretendidos nesta ocasião. Portanto, examinaremos dois
deles, pelo fato de terem-se destacado desde a Reforma, a saber: o calvinismo e o
arminianismo.

2.1. Considerações prévias

Ao longo dos séculos, debates têm sido promovidos e diversos materiais têm sido produzidos,
por teólogos, pensadores e críticos, de forma sistemática, a respeito da seguinte pergunta:
somos predestinados à salvação ou escolhemos ser salvos?

Considerando que, na História, ocorreram polarizações entre ambos os pensamentos, sem que
tenha sido estabelecida uma conclusão definitiva, apresou taremos os principais aspectos
dessas duas teorias — mutuamente excludentes, segundo seus defensores —, sem a
pretensão de esgotar as múltiplas conexões sugeridas por cada segmento.

2.2. O calvinismo e a predestinação

A fundamentação teórica do calvinismo repousa sobre as Institutos da Religião Cristã, obra


escrita pelo teólogo e reformador francês João Calvino (1509—1564).

A doutrina da eleição (ou predestinação), elaborada por Calvino, pode ser definida como um
ato de Deus, por meio do qual Ele elegeu (escolheu) previamente um determinado número de
pessoas para obter a salvação por meio da fé em Cristo, independente do desejo ou de
qualquer ato da vontade humana.

2.2.1. As cinco teses centrais do calvinismo

É possível entender mais facilmente o calvinismo a partir das suas cinco teses centrais,
resumidas no acrónimo TULIP.

• Total depravity (a total depravação) — A raça humana, como resultado do pecado, está tão
decaída que nada pode fazer para melhorar ou para ser aceita diante de Deus.

• Unconditional election (a eleição incondicional) — O Deus soberano, na eternidade passada,


elegeu (escolheu) alguns membros da raça humana para serem salvos, independentemente da
aceitação de Sua oferta, que tem como base Sua graça e compaixão.

• Limited atonement (a expiação limitada) — Deus enviou Seu Filho para prover a expiação
somente daqueles que Ele elegeu.

• Irresistible grace (a graça irresistível) — Os eleitos não poderão resistir à Sua oferta
generosa; serão salvos.

• Perseverance ofthe saints (a perseverança dos santos) — Uma vez salvos, perseverarão até o
fim e receberão a realidade última da salvação: a vida eterna.

2.2.2. Questões a serem respondidas pelo calvinismo

Todos os cinco pontos do acrónimo omitem um conceito específico da soberania divina, a


saber: o fato de Deus ser soberano sobre Si mesmo e, portanto, capaz de limitar-se em áreas
de Sua escolha, de modo que possamos ter verdadeiro livre-arbítrio — o que nos torna
capazes de optar por sermos Seus filhos, em vez de apenas seres autómatos.

Além disso, esses cinco pontos do acrónimo colidem com o ensino bíblico da superioridade do
sacrifício de Cristo, retirando o seu valor, pois, se alguns foram predestinados para a perdição,
o que a obra expiatória de Cristo poderia fazer por eles? E, se outros foram predestinados para
a salvação, em que medida o sacrifício de Cristo cooperou para que isso ocorresse?
2.3. O arminianismo e o livre-arbítrio

O arminianismo é uma doutrina firmada nos conceitos do teólogo holandês Jacob Harmensz
(1560—1609), conhecido por seu nome latino Jacobus Arminius (em Português, Jacó Armínio).

O livre-arbítrio, sob muitos aspectos, consiste no anverso da doutrina da predestinação,


elaborada por Calvino, pois apregoa que o homem pode tomar suas próprias decisões,
determinando, assim, seu destino.

Armínio discordou das doutrinas calvinistas, argumentando que seus defensores:

(1) tendem a fazer de Deus o autor do pecado, por ter Ele escolhido, na eternidade passada,
quem seria ou não salvo;

(2) negam o livre-arbítrio do ser humano, por declararem que ninguém pode resistir à graça de
Deus; e

(3) negam a absoluta necessidade e singularidade do sacrifício de Cristo, pois, se tudo já está
antecipadamente determinado, a obra de Cristo no Calvário foi vã.

2.3.1. As teses centrais do arminianismo

Os ensinos de Armínio foram resumidos nas cinco teses dos Artigos de Protesto, publicados em
1610, após a sua morte:

(1) a predestinação depende da maneira de a pessoa corresponder ao chamado da salvação, e


é fundamentada na presciência de Deus;

(2) Cristo morreu em prol de toda e qualquer pessoa, mas somente as que crêem são salvas;

(3) a pessoa não tem a capacidade de crer e precisa da graça de Deus, mas

(4) a Graça pode ser resistida;

(5) se todos os regenerados perseverarão é questão que exige maior investigação (LETHAM,
1988, p. 45).

2.4. Adendo necessário

A diferença de pensamento entre cristãos reformados — inclusive no que concerne aos temas
abordados nesta lição (predestinação e livre-arbítrio) — resulta da liberdade de consciência,
conquistada, há cinco séculos, por aqueles que ousaram confrontar os abusos do Clero.

Não se deve compreender a liberdade de consciência como um agente de cisão entre os


cristãos; ao contrário, ela foi, para a humanidade, antes de tudo, um dos grandes legados da
Reforma Protestante (como veremos em lições subsequentes). Sem ela (sem a liberdade de
consciência), estaríamos vivendo, ainda hoje, segundo as tradições e rituais romanos.

3. O POSICIONAMENTO DAS IGREJAS DE 'CONFISSÃO PENTECOSTAL

São claras as diferenças entre o calvinismo e o arminianismo, sistema soteriológico adotado


pela maioria das igrejas de confissão pentecostal, dentre elas as Assembleias de Deus e várias
outras.

Segundo os arminianos, Deus sabe, de antemão, as pessoas que lhe aceitarão a oferta da
graça, e são essas que Ele predestina à salvação. Em outras palavras, Deus predestina todos
aqueles que, de livre e espontânea vontade, aceitam a salvação outorgada em Cristo, e
continuam a viver por Ele.

3.1. Quem são os predestinados à salvação?

Defender unilateralmente a doutrina da predestinação pode conduzir a grandes paradoxos,


uma vez que a Bíblia ensina que o plano de Deus é que ninguém se perca, mas que todos
cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2.3-6). Além disso, as Escrituras apresentam um
Deus justo, amoroso que não faz acepção de pessoas (Rm 2.11).

Hoje em dia, até mesmo os teólogos outrora muito radicais na defesa do calvinismo estão
migrando, progressivamente, para um ponto de equilíbrio em relação ao tema do livre-arbítrio
e da predestinação.

Predestinados à salvação são todos aqueles que se encontram do lado de dentro dos limites
do sacrifício de Cristo e que, arrependidos dos seus pecados, confessaram-nos ao Senhor e
tiveram seus nomes registrados no livro eterno.

CONCLUSÃO

Em relação aos temas principais apresentados nesta lição

(predestinação e livre-arbítrio), o que os cristãos reformados precisam ter em mente é que


Deus não se limita a sistematizações e/ou a epistemologias, ao tempo e/ou ao espaço.

Deste modo, precisamos prender-nos à verdade incontestável de Seu amor, que a todos quer
envolver, porque Ele amou o mundo de tal maneira — e até mesmo além da percepção
humana —, que enviou Seu único Filho para redimir o perdido, indistintamente. É Ele quem
salva e transforma aqueles que Nele creem, dia a dia, à imagem do Seu Filho (Jo 3.16; Fp 1.6).

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